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 Eu, audiófilo (em inglês)

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Eu, audiófilo (em inglês)   Sab Fev 21 2015, 22:35

I, Audiophile by Fred Kaplan
I appreciate high-quality phono-cartridges.
I recognize a good digital-to-analog converter.
I care about the capacitors in my amplifier.
I will not apologize for this.

http://www.slate.com/articles/arts/culturebox/2015/02/audiophiles_neil_young_s_pono_has_brought_unfair_scorn_for_lovers_of_high.html
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Sab Fev 21 2015, 23:06

ricardo onga-ku escreveu:
I, Audiophile by Fred Kaplan
I appreciate high-quality phono-cartridges.
I recognize a good digital-to-analog converter.
I care about the capacitors in my amplifier.
I will not apologize for this.

http://www.slate.com/articles/arts/culturebox/2015/02/audiophiles_neil_young_s_pono_has_brought_unfair_scorn_for_lovers_of_high.html


Tenho falado disto muitas vezes, obviamente sem a mesma arte da escrita e sem saber fazer passar a mensagem, mas é mesmo isto que ele diz. De tudo se pode fala, e tudo se pode contestar, dependendo da "posição" de quem o contesta. O contestar tem muito que se lhe diga.

"Audiophilia might be defined as the love of listening to good music that sounds good. What could be wrong about that?"

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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Seg Fev 23 2015, 01:34

Gosto desta parte especialmente:

"There are bird-watchers who can distinguish three kinds of sparrows from their tweets, though they all sound the same to me. It’s not that the birder has “golden ears.” It’s mainly a matter of training and exposure. If you or I wanted to master the birdsongs in Central Park, we could, with some training."

Que se aplica a muitas questões relacionadas com edições diferentes de discos, masterizações, processos técnicos, etc etc Wink Já houve um tempo em que a mim me soava tudo igual, mas com muito "treino" até podemos "ver" com os ouvidos Smile
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Seg Fev 23 2015, 11:10

ricardo onga-ku escreveu:
I, Audiophile by Fred Kaplan ...

Pois é !... é por estas e outras, que agora jà não me considero um audiofilo mas um hifiofilo, mas como é complicado a pronunciar, volto aos fundamentais e considero-me simplesmente melomano !!!

Então eu melomano:

Não gosto das sonoridades agradàveis
Prefiro a fidelidade ao audio
Aprecio as gravações como são e não como deveriam ser
Defendo a neutralidade contra a coloração
Os sons quentes sò são bons no inverno
Considero que o audio destruiu a alta-fidelidade
Declaro a audiofilia como anti-artistica
Admito que um bom aparelho é melhor do que um belo aparelho
Açeito que os outros não estejam de acordo
Mas não açeito que tenham razão...

Etc, etc, etc...


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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Seg Fev 23 2015, 12:35

TD124 escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
I, Audiophile by Fred Kaplan ...

Pois é !... é por estas e outras, que agora jà não me considero um audiofilo mas um hifiofilo, mas como é complicado a pronunciar, volto aos fundamentais e considero-me simplesmente melomano !!!

Então eu melomano:

Não gosto das sonoridades agradàveis
Prefiro a fidelidade ao audio
Aprecio as gravações como são e não como deveriam ser
Defendo a neutralidade contra a coloração
Os sons quentes sò são bons no inverno
Considero que o audio destruiu a alta-fidelidade
Declaro a audiofilia como anti-artistica
Admito que um bom aparelho é melhor do que um belo aparelho
Açeito que os outros não estejam de acordo
Mas não açeito que tenham razão...

Etc, etc, etc...

Subscrevo inteiramente. 2cclzes
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Ter Fev 24 2015, 02:35

Não percebi a maior parte das afirmações... podem explicar isso melhor para eu ver se concordo? hehehehe Wink

Por exemplo... isto significa o quê?

"Aprecio as gravações como são e não como deveriam ser"

"Considero que o audio destruiu a alta-fidelidade"

"Declaro a audiofilia como anti-artistica"


A sério que não percebi... bom poderia especular e provavelmente concordo com tudo isso, mas é capaz de haver aí alguma ironia ou significados escondidos? Assim prefiro não arriscar Sad

Por exemplo:

"Não gosto das sonoridades agradàveis"

Não estou bem a ver isso hehehehe eu gosto do que me soa agradável, desde que tenha fidelidade... se o som real de um instrumento qualquer ou voz for agradável não podemos gostar dele? Razz



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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Ter Fev 24 2015, 08:44

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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Ter Fev 24 2015, 09:59

ViciAudio escreveu:
Não percebi a maior parte das afirmações... podem explicar isso melhor para eu ver se concordo? hehehehe Wink

...

A sério que não percebi... bom poderia especular e provavelmente concordo com tudo isso, mas é capaz de haver aí alguma ironia ou significados escondidos? Assim prefiro não arriscar Sad     ...

Amigo ViciAudio, ironia existe é certo mas significado escondido não!... no melhor dos casos poderia-se dizer que é uma resposta autêntica e sincéra redigida à maneira de uma "private joke !". O meu ponto de vista em relação ao dualismo audio/alta-fidelidade é conhecido aqui no forum, e muitas das minhas intervenções vão nesse sentido. Mas posso (evidentemente) brevemente explicar as minhas frases afim de simplificar a compreensão, então aqui vai:


Então eu melomano:

Não gosto das sonoridades agradàveis
A reprodução sonora pode ser equilibrada, directa, natural, transparente, linear etc... o que implica uma analise objectiva do resultado com o objectivo de definir o grau de fidelidade. Se ela é agradàvel, fria, quente, sensual, masculina, romantica, delicada etc... os termos são então pessoais e puramente subjectivos. A noção de universalidade desaparece, afim de ceder lugar ao gosto pessoal, o que cria uma deriva directa da fidelidade para o audio...

Prefiro a fidelidade ao audio
A fidelidade é um prato insonso, aonde o sal e a pimenta estam contidos no disco e não na maneira de o reproduzir. O audio é um prato que é jà condimentado e que se adiciona ao condimento natural da gravação...

Aprecio as gravações como são e não como deveriam ser
Não considero que o cliente final deva intervir ou tentar equilibrar uma mà gravação, pois esse acto destroi a fidelidade do que està no disco. Da mesma maneira, que não ponho gelo num vinho branco para o refrescar e tanto importa a qualidade dele pois se é muito mau prefiro não o beber...

Defendo a neutralidade contra a coloração
A neutralidade é ler o disco sem tirar ném por, mesmo se o resultado é chato e monotono devido à gravação. A coloração é acrescentar ou diminuir, alguns dos parâmetros afim de obter um resultado "agradàvel", mesmo se a gravação é chata e monotona...

Os sons quentes sò são bons no inverno
Pura frase humoristica à volta do que jà disse...

Considero que o audio destruiu a alta-fidelidade
Declaro a audiofilia como anti-artistica

Estas duas frases foram extensamente explicadas e abordadas no topico sugerido pelo amigo Ricardo, como o resto...

Admito que um bom aparelho é melhor do que um belo aparelho
Um bom aparelho obedeçe a parametros objectivos (medida) e subjectivos(escuta) bem determinados. O "belo" aparelho é um ponto de vista pessoal, então puramente subjectivo...

Açeito que os outros não estejam de acordo
Mas não açeito que tenham razão...

A primeira frase é a manifestação dialectica do direito de expressão proprio ao sistema democratico. A segunda que acaba com os três pontos, visa a definir que a "razão" nas discussões de audio é sujeita à subjectividade e defendida nessa logica. Então a contradição em relação ao meu ponto de vista nessa base, tém poucas "razões" para que o açeite...

Etc, etc, etc...

Et Voilà  cheers

Até+
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qua Fev 25 2015, 03:04

Acho que não se deve misturar as duas coisas, Melomania e Audiófilia, cada um tem o seu espaço, e podem acumular-se sem qualquer dificuldade, mas nunca substituir-se...


A maior parte das questões abordadas pelo TD124 são aliás relacionadas apenas com as questões da audiofilia, já que a música exclusivamente como expressão artística, o objecto da melomania, não depende de nenhuma dessas questões, no extremo absoluto a música até pode nem ter som, porque basta que exista num papel ou na cabeça de alguém... ou ainda, porque na música, o silêncio faz parte (e de que maneira) hehehehehe.

Por isso mesmo, já que as preocupações são manifestamente audiófilas, a mim parece-me que o TD124 se considera um audiófilo profundo, e não o oposto. Isto em nada impede ou conflitua com a melomania... ou acumula, ou não, mas uma não destrói de forma nenhuma a outra.

A lista de afirmações e respectivas explicações parece basicamente descrever de forma detalhada aquilo que o TD124 considera como sendo "bom som", ou som audiófilo...

E nesse sentido, diria que estou 100% de acordo consigo em todos os pontos Very Happy

E acrescento, eu sou, sem qualquer tipo de dúvida, melómano e audiófilo... simplesmente porque o que me move é a música, e o som nunca me impediu de apreciar a música. E porque, independentemente disso, não me privei de procurar sempre o melhor som para aquilo que mais gosto, a música. Logo, sou as duas coisas. E não há tantas pessoas assim?

Porquê a necessidade de estar a desvalorizar a audiofilia em nome da melomania, quando no fundo, fazer isso, é dar à audiofilia (que é uma actividade movida por critérios puramente técnicos e de cariz material) uma importância exagerada, e colocá-la num contexto que não é o seu, o contexto das artes e da tanscendência...

A audiofilia nunca pode ser anti-artística, é a mesma coisa que dizer que a arte dos canalizadores é anti-surfista... sim, a água passa pelos canos, e há uns melhores que outros para passar a água com maior ou menor qualidade, mas isso nada tem a ver com a arte do surf hehehehe é a mesma coisa com a audiofilia (equipamentos) e a música Wink

Repetindo, acho que não se deve misturar as duas coisas, Melomania e Audiófilia, cada um tem o seu espaço, e podem acumular-se sem qualquer dificuldade, mas nunca substituir-se...

Very Happy Very Happy
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qua Fev 25 2015, 03:19

ViciAudio escreveu:
Acho que não se deve misturar as duas coisas, Melomania e Audiófilia, cada um tem o seu espaço, e podem acumular-se sem qualquer dificuldade, mas nunca substituir-se...


Very Happy Very Happy


Exacto. E inclusive, podem acumular-se numa determinada altura (ou obra) sem ser forçosamente necessário que seja sempre assim.
Posso ouvir uma disco em que me deleito porque a simbiose Melomania/Audiófilia se juntaram, como posso estar fascinado com uma qualquer obra mesmo que audiófilamente falando, não seja o supra sumo.
Claro que a maioria prefere a união de ambos os factores.


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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qua Fev 25 2015, 10:20

Se bem percebo, o td124 procura distinguir um som (tecnicamente) "bom" de um som (subjectivamente) "agradável" (nada impede a coexistência de ambos mas isso implica qualidade na gravação).

E, de acordo com a sua descrição da história da reprodução doméstica de música gravada, há um momento em que o audiófilo deixou de usar a "escuta" (observacionista) que era usada em conjugação com a avaliação técnica com recurso a instrumentos de medição para determinar a "fidelidade" ao sinal.
Esta ("fidelidade" ao sinal) deixou de ser um objectivo, as medições foram postas de lado e a avaliação passou a reger-se pelo "gosto".
Daí o seu comentário:

TD124 escreveu:
é por estas e outras, que agora jà não me considero um audiofilo mas um hifiofilo, mas como é complicado a pronunciar, volto aos fundamentais e considero-me simplesmente melomano !!!
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qua Fev 25 2015, 21:32

Lá está, 100% de acordo... no entanto ainda não percebi muito bem porque é que tal coisa tem de ser declarada... a Audiofilia é e sempre foi a procura do melhor som, sendo que melhor sempre foi o que tem mais fidelidade. Qual é a novidade aqui?

Está a escapar-me qualquer coisa ehhehehe falam aí de "fidelidade ao sinal", será que estão a colocar estas questões apenas no lado da reprodução e dos equipamentos? Bom, se assim for, é um erro... a reprodução é apenas uma pequena parte do "life cycle" de qualquer disco... e os próprios equipamentos (desde que não sejam aberrações totais) são bem menos impactantes do que a produção audio propriamente dita.

O melhor som, a maior fidelidade, só poderá ser considerada face a referências universais ou da experiência de cada um com o som e com a música, e ainda no contexto da produção audio em causa, levando em conta os objectivos de produtores e artistas. E isto, claro, não é fácil... é mesmo extremamente complexo.

E continua a não antagonizar Audiofilia e Melomania, são coisas completamente diferentes e em planos separados. Só podem acumular-se e nunca substituir-se, por isso não faz sentido dizer que se é uma coisa por oposição à outra, quando isso não tem qualquer significado prático...
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qua Fev 25 2015, 22:44

Para mim, o problema é que há muitos anos atrás quando era um adolescente de 14 anos, muitos melómanos procuravam bom som (seja isso o que for) e era a coisa mais normal do mundo. Hoje em dia, existe uma constante tentativa de antagonização dos dois conceitos, como se isso fosse algo de "mau" ou grave.
Como não entendo essa antagonização nem faz parte da minha maneira de ser nem de estar, não me afecta minimamente.

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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qua Fev 25 2015, 23:20

Se os audiófilos e a indústria abandonarem a "fidelidade ao sinal" como principal objectivo e cada aparelho, cada equipamento tiver uma sonoridade própria, uma assinatura que se impõe sobre o som que está registado no suporte as pessoas passam a escolher os equipamentos pelo som dos mesmo e não pela exatidão ou fidelidade com que reproduzem a gravação.
Ou seja, o som "colorido" dos aparelhos sobrepõe-se, em importância, ao som da música que está gravado, o que me parece um contra-senso.

Mas este problema não é exclusivo da reprodução e hoje os melómanos, pelo menos os audiófilos, exigem cada vez mais "ar", mais "palco", mais "detalhe" das gravações fomentando a moda absurda do close-mic'ing, absurda por alterar os timbres e produzir uma perspectiva irreal ou artificial do evento original.
Uma das editoras HD da moda, a 2L.NO, vai ao extremo ridículo de formar um donut com os instrumentistas em torno dos microfones para que o escutante se sinta no centro da acção...
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qua Fev 25 2015, 23:28

ricardo onga-ku escreveu:
Se os audiófilos e a indústria abandonarem a "fidelidade ao sinal" como principal objectivo...


Mas tens que admitir que isso pode ser a tua conotação pessoal de audiófilo. Não que tenha nada contra os audiófilos que procuram uma ou a outra vertente (como vez, englobei ambos na mesma palavra que é como eu acho que deve de ser).

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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qua Fev 25 2015, 23:34

Citação :

Se os audiófilos e a indústria abandonarem a "fidelidade ao sinal" como principal objectivo e cada aparelho, cada equipamento tiver uma sonoridade própria, uma assinatura que se impõe sobre o som que está registado no suporte as pessoas passam a escolher os equipamentos pelo som dos mesmo e não pela exatidão ou fidelidade com que reproduzem a gravação.
Ou seja, o som "colorido" dos aparelhos sobrepõe-se, em importância, ao som da música que está gravado, o que me parece um contra-senso.

Então, mas isso já não é audiofilia... não quer dizer que seja bom ou mau, cada um tem pleno direito de gostar do que bem entender como é óbvio, mas objectivamente procurar o "meu melhor som", é diferente de procurar o "melhor som" e nesse sentido deixa de ser audiofilia e passa a ser outra coisa qualquer.

Creio que estamos de acordo Wink

Citação :

Mas este problema não é exclusivo da reprodução e hoje os melómanos, pelo menos os audiófilos, exigem cada vez mais "ar", mais "palco", mais "detalhe" das gravações fomentando a moda absurda do close-mic'ing, absurda por alterar os timbres e produzir uma perspectiva irreal ou artificial do evento original.
Uma das editoras HD da moda, a 2L.NO, vai ao extremo ridículo de formar um donut com os instrumentistas em torno dos microfones para que o escutante se sinta no centro da acção...

Aqui acho que não tem nada a ver com o assunto do parágrafo anterior. Técnicas de captação alternativas existem há muitos anos e vão variando com os objectivos propostos de cada caso, cada gravação... Existe algum padrão fixo e objectivo, e que seja aceite universalmente, sobre qual a metodologia a usar para a captação sonora, ou para a mistura das faixas gravadas? Creio que não... aliás, tudo isso já entra profundamente no domínio puramente artístico (não musical, mas artístico, se entendermos um disco como uma obra de arte completa) e não existe nenhuma fórmula para isso, por esse motivo existem produtores, e uns muito melhores do que outros, para gerir essas escolhas Smile

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 00:01

ViciAudio escreveu:
Citação :

Se os audiófilos e a indústria abandonarem a "fidelidade ao sinal" como principal objectivo e cada aparelho, cada equipamento tiver uma sonoridade própria, uma assinatura que se impõe sobre o som que está registado no suporte as pessoas passam a escolher os equipamentos pelo som dos mesmo e não pela exatidão ou fidelidade com que reproduzem a gravação.
Ou seja, o som "colorido" dos aparelhos sobrepõe-se, em importância, ao som da música que está gravado, o que me parece um contra-senso.

Então, mas isso já não é audiofilia... não quer dizer que seja bom ou mau, cada um tem pleno direito de gostar do que bem entender como é óbvio, mas objectivamente procurar o "meu melhor som", é diferente de procurar o "melhor som" e nesse sentido deixa de ser audiofilia e passa a ser outra coisa qualquer.

Creio que estamos de acordo Wink

Citação :

Mas este problema não é exclusivo da reprodução e hoje os melómanos, pelo menos os audiófilos, exigem cada vez mais "ar", mais "palco", mais "detalhe" das gravações fomentando a moda absurda do close-mic'ing, absurda por alterar os timbres e produzir uma perspectiva irreal ou artificial do evento original.
Uma das editoras HD da moda, a 2L.NO, vai ao extremo ridículo de formar um donut com os instrumentistas em torno dos microfones para que o escutante se sinta no centro da acção...

Aqui acho que não tem nada a ver com o assunto do parágrafo anterior. Técnicas de captação alternativas existem há muitos anos e vão variando com os objectivos propostos de cada caso, cada gravação... Existe algum padrão fixo e objectivo, e que seja aceite universalmente, sobre qual a metodologia a usar para a captação sonora, ou para a mistura das faixas gravadas? Creio que não... aliás, tudo isso já entra profundamente no domínio puramente artístico (não musical, mas artístico, se entendermos um disco como uma obra de arte completa) e não existe nenhuma fórmula para isso, por esse motivo existem produtores, e uns muito melhores do que outros, para gerir essas escolhas Smile


Esqueci-me de ressalvar que me estava a referir à gravação de música acústica não amplificada em espaços com reverberação natural (dita "clássica"); só aqui é possível utilizar técnicas que procurem uma representação do evento original (o concerto, escutado da plateia).
Concordo que nas gravações em estúdio de rock e pop em que o resultado é fabricado na mesa de mistura e essa questão já não se coloca; aliás, a gravação não é uma representação mas uma criação (e por vezes os intérpretes nem sequer gravam no mesmo estúdio, ou sequer no mesmo continente).
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 07:55

The problem with a "colored" or "spiced" device ist, that it adds the same amount of spice (bass, treble emphasis, artificial spacial effects) etc. to every dish or recording. While an extra dish of salt may improve a tasteless food and even not spoil well seasoned main dishes, it is unappropriate for the dessert. With one recording, a coloring may accidentally compensate recording deficiencies and alter the sound to the "better" but with another recording it is simply wrong and can kill even the music.

From my own perspective, I started as music lover, then discovered the "good sound" and bought and evolved the "best system" I could afford. As a beginner I focussed when chosing the components on the sonic criteria I was most impressed with, i.e. spacial reproduction and instrument seperation etc. But the components which excel (or seem to) in these categories, are not necessarily neutral but have a little emphasis on these categories. So it was almost unavoidable to end with a system which sounds well with some recordings - while others become nearly unlistenable. This happened to me and many others.
Do a simple "heavy metal" test to a typical "high end" system and this point gets instantly clear.

So, the music-lover subtly becomes a "audiophile" and then, as a result, a frustrated audiophile... There are a lot of them!

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TD124
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 09:34

António José da Silva escreveu:
...
Mas tens que admitir que isso pode ser a tua conotação pessoal de audiófilo. Não que tenha nada contra os audiófilos que procuram uma ou a outra vertente (como vez, englobei ambos na mesma palavra que é como eu acho que deve de ser).

Numa simples resposta, vamos encontrar a noção de "conotação pessoal" e de "vertente"!... o que mostra bem, que a simples palavra audiofilo, jà não quer dizer grande coisa, pois tornou-se numa garrafa vazia aonde cada um mete vinho, àgua, oleo de motor ou azeite como lhe dà vontade...

Dai, eu me ter exprimido ( e é sincero...) como jà não me considerando um audiofilo, pois a visão global e hoje dominante da expressão (um puro subjectivista), não me corresponde e na realidade nunca me correspondeu...

Estamos então hoje partilhados entre audiofilia, alta-fidelidade e melomania, formando um triangulo de dialogo impossivel, pois baseado na pura subjectividade e não na busca de uma linguagem e de um ideal comum... tornando o audio um mundo aonde cada um vê a coisa como quer e como lhe dà jeito. Açeito sem problema que assim seja, mas considero então que a universalidade da alta-fidelidade como disciplina tenha desaparecido, e que os forums audio sejam hoje lugares de partilha de gostos e sensações, como é um forum sobre a moda...

A busca do "bom som", do "grande som" ou do "belo som", não é a busca da fidelidade, mas a procura de algo que nos agrade ou nos corresponda. Ora a "fidelidade" é como o "real"!... ela é como é, e não como gostariamos que fosse...

Mas como o escultor Pigmalion, temos direito a reinventà-la à nossa maneira, mas sera uma realidade pessoal simplesmente e puramente... e tudo o que passa do global ao pessoal, nos afasta dos outros...

Eis o que penso e abraço a todos...

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Última edição por TD124 em Sab Fev 28 2015, 11:31, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 10:50


No tempo do meu pai ouvia-se musica por aparelhos muito inferiores ,ou talvez não...Mas a musica era ouvida com grande prazer e alegria .
Conheço alguns músicos e é curioso é que não dão muita importância aos aparelhos.Será porque entendem e gostam de musica ,ou da musica ?
Eu gosto de ouvir musica ,já ouvia musica no gira discos com cabeça de cristal e no radio de onda média
Depois comprei o meu sistema e continuei a ouvir musica
Claro que gosto de ouvir aparelhagens que me agradem sonicamente ,pelo menos na minha prespectiva de audição musical ,da forma como a recordo
Há aparelhos que me agradam mais do que outros.O problema é que tenho ouvido aparelhos que me impedem de ouvir a musica.Estes aparelhos são normalmente muito bons ,de nível audiófilo ,é isso que me faz confusão,ou não....
Não sou melómano,apenas gosto de musica, e ainda não percebi o que é um audiófilo.Será um apreciador de áudio e sons?
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 12:34

Que confusões desnecessárias... como dizia um grande filósofo: "para quê simplificar se é tão fácil complicar?" hehehehe

Só existe um bom som. Não dois, nem três... só um! O bom som não é o grande som nem o som belo. O bom som é apenas e só o bom som, assim chamado de "bom" apenas por conveniência, não é porque o fulano A ou B acha que é bom!

Audiofilia é o culto do audio, e o culto do audio é o culto da alta fidelidade, e esta é a busca do bom som, que é apenas um.

Não interessa qual a visão comum ou global que se tem do termo, isso em nada altera o seu real significado.


Tudo o resto não é audiofilia... para quê debater (ou bater) naquilo que não é, como se fosse? Não percebo isso...

Não podemos tratar assuntos deste tip com base no uso popular ou nos desvios... isso assim seria o caos. Tratemos as coisas pelo que são e não pelo que se possa pretender que sejam...

Não vejo aqui ninguém com discurso mais audiófilo do que o TD124... porquê negar isso se é essa a sua essência?

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Milton
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 12:58

Eu gosto de aparelhos e da estética deles, e gosto de bom som, isto é , gosto de um som que me agrade e me descontraia, um som que me deixe ouvir a musica.
E não gosto menos de musica...aliás , penso que esse é o objetivo final do audiófilo, ouvir musica....seja qual for independentemente do género e dos aparelhos.
Considero-me audiófilo e também melómano.
Serei um Audiómano ?


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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 13:03

nicodemes escreveu:

No tempo do meu pai ouvia-se musica por aparelhos muito inferiores  ,ou talvez não...Mas a musica era ouvida com grande prazer e alegria .
Conheço alguns músicos e é curioso é que não dão muita importância aos aparelhos.Será porque entendem e gostam de musica ,ou da musica ?
Eu gosto de ouvir musica ,já ouvia musica no gira discos com cabeça de cristal e no radio de onda média
Depois comprei o meu sistema e continuei a ouvir musica
Claro que gosto de ouvir aparelhagens que me agradem sonicamente ,pelo menos na minha prespectiva de audição musical ,da forma como a recordo
Há aparelhos que me agradam mais do que outros.O problema é que tenho ouvido aparelhos que me impedem de ouvir a musica.Estes aparelhos são normalmente muito bons ,de nível audiófilo ,é isso que me faz confusão,ou não....
Não  sou melómano,apenas gosto de musica, e ainda não percebi o que é um audiófilo.Será um apreciador de áudio e sons?

Será que esses equipamentos que refere são realmente "bons" ou são (apenas) os mais "badalados"?

No que se refere à reprodução de música gravada há dois factores que são determinantes no resultado: a qualidade das gravações e o desempenho técnico dos equipamentos.
O objectivo de um sistema de alta-fidelidade é a reprodução do sinal gravado com a maior "transparência" (precisão ou fidelidade) possível mas isso o levanta um problema: as boas gravações irão soar bem e as más irão soar mal.
E seguindo o raciocínio do Manfred, com o seu exemplo do Heavy Metal, se ajustarmos o som do nosso sistema com equipamentos que apresentam desvios à "neutralidade" isso irá fazer com que as boas gravações nos soem "coloridas", ou seja, apresentam distorções.
Uma solução alternativa é utilizar equipamentos que têm controlos de tonalidade e podem ajudar a minimizar problemas relacionados com o balanço das frequências, ou em alternativa recorrer a um sistema de equalização digital ou analógico.

Outra questão pouco abordada é a alteração do "gosto", aquilo a que talvez se possa chamar de "som padrão", que se tem vindo a verificar nos últimos anos, com a preferência de engenheiros de som, fabricantes e audiófilos por uma sonoridade abundante em "detalhe", "ar" e "presença" e um grave "seco", "tenso" e "extenso"; infelizmente isso resulta de um exagero das altas frequências e de uma atenuação da gama de frequências que dá "calor" ao som.
Valorizam-se os efeitos acessórios (como o "palco" e o "hiper-realismo") em detrimento da naturalidade...
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 13:05

Milton, pela descrição, não é a audiofilia que te move, mas sim a música e a sua fruição da forma que mais te agrada. Melómano sim, apreciador de sonoridades e equipamentos sim... Perfeitamente legítimo e sem passar nenhum atestado de inferioridade ou superioridade, é a tua escolha tão válida como a de qualquer outro. Mas, de facto, essa forma de encarar a "coisa" não é a que está de acordo com os padrões audiófilos. Wink
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 13:09

ricardo onga-ku escreveu:

Outra questão pouco abordada é a alteração do "gosto", aquilo a que talvez se possa chamar de "som padrão", que se tem vindo a verificar nos últimos anos, com a preferência de engenheiros de som, fabricantes e audiófilos por uma sonoridade abundante em "detalhe", "ar" e "presença" e um grave "seco", "tenso" e "extenso"; infelizmente isso resulta de um exagero das altas frequências e de uma atenuação da gama de frequências que dá "calor" ao som.
Valorizam-se os efeitos acessórios (como o "palco" e o "hiper-realismo") em detrimento da naturalidade...


Porque o som padrão não existe, a sua produção faz parte do processo artístico. Logo, muda com o passar do tempo, com as modas, com os objectivos do artista e/ou do produtor, com o público alvo, etc etc...

A fidelidade, ou falta desta, só pode avaliar-se devidamente enquadrada no contexto artístico de cada disco, o seu processo de criação.

Já a fidelidade da reprodução, não depende de contextos, porque o disco é o produto final.
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 13:22

ViciAudio escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:

Outra questão pouco abordada é a alteração do "gosto", aquilo a que talvez se possa chamar de "som padrão", que se tem vindo a verificar nos últimos anos, com a preferência de engenheiros de som, fabricantes e audiófilos por uma sonoridade abundante em "detalhe", "ar" e "presença" e um grave "seco", "tenso" e "extenso"; infelizmente isso resulta de um exagero das altas frequências e de uma atenuação da gama de frequências que dá "calor" ao som.
Valorizam-se os efeitos acessórios (como o "palco" e o "hiper-realismo") em detrimento da naturalidade...


Porque o som padrão não existe, a sua produção faz parte do processo artístico. Logo, muda com o passar do tempo, com as modas, com os objectivos do artista e/ou do produtor, com o público alvo, etc etc...

A fidelidade, ou falta desta, só pode avaliar-se devidamente enquadrada no contexto artístico de cada disco, o seu processo de criação.

Já a fidelidade da reprodução, não depende de contextos, porque o disco é o produto final.

Na minha opinião, o "gosto" do engenheiro, do artista ou do produtor não têm lugar nas gravações de música "clássica" (música acústica não amplificada tocada em espaços com reverberação natural).
Aqui o objectivo é, ou deveria ser, o de registar um evento musical de uma perspectiva documental para que a reprodução da gravação permita recriar a ilusão do referido evento do ponto de vista da audiência, tal como um foto-jornalista deve retratar a realidade tal como a encontra.
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 13:39

ViciAudio escreveu:

Porquê a necessidade de estar a desvalorizar a audiofilia em nome da melomania, quando no fundo, fazer isso, é dar à audiofilia (que é uma actividade movida por critérios puramente técnicos e de cariz material) uma importância exagerada, e colocá-la num contexto que não é o seu, o contexto das artes e da tanscendência...


Não sei se estarei enganado mas para ser coerente com a sua lógica creio que pretendia dizer: Porquê a necessidade de estar a desvalorizar a melomania em nome da audiofilia

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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 13:39

Lá está, é a tua opinião, os objectivos que seriam os teus... os artistas e produtores têm outra, ou... cada um terá a sua. Todas podem ser debatidas claro, e podemos sempre ter a opinião de que a gravação A, B ou C poderia ter sido feita de outra forma e que isso traria os resultados X, Y ou Z... mas enfim, é um exercício académico. A gravação foi feita, a mistura também, a partir daí está fixo em termos de captação e de apresentação espacial. A masterização é o passo seguinte no qual muita coisa pode mudar em termos de "audio", frequências, resolução, dinâmica, ruído, etc etc etc etc, um universo de coisas que são definidas na masterização e por isso variam imenso mesmo para a mesma gravação em discos diferentes.

E atenção, isto do registo na "perpectiva documental" é um bocado utópico... é como a fotografia, não existe nenhuma foto sem fotógrafo e a "sua" marca, mesmo na foto mais jornalística há uma visão do fotógrafo. As opções técnicas no momento da captação e gravação, são sempre subjectivas, pois não existe "cartilha" universal para isso... cada mic tem o seu som, cada metodologia tem o seu som, etc etc etc...

(só agora reparei que também falas na fotografia lol, é o que dá ir respondendo à medida que vou lendo)
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 13:42

Mário Franco escreveu:
ViciAudio escreveu:

Porquê a necessidade de estar a desvalorizar a audiofilia em nome da melomania, quando no fundo, fazer isso, é dar à audiofilia (que é uma actividade movida por critérios puramente técnicos e de cariz material) uma importância exagerada, e colocá-la num contexto que não é o seu, o contexto das artes e da tanscendência...


Não sei se estarei enganado mas para ser coerente com a sua lógica creio que pretendia dizer: Porquê a necessidade de estar a desvalorizar a melomania em nome da audiofilia


Ninguém está enganado, no caso em análise a desvalorização por oposição é perfeitamente recíproca e funciona nos dois sentidos na mesma medida.

A frase, de qualquer forma, pretendia dar exactamente esse destaque e expôr essa mesma lógica (pelos vistos com muito sucesso), ao desvalorizar a audiofilia em nome da melomania, o resultado real é o oposto, está a desvalorizar a melomania em nome da audiofilia porque lhe atribui uma posição que não é a dela Wink
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 13:49

ricardo onga-ku escreveu:

Aqui o objectivo é, ou deveria ser, o de registar um evento musical de uma perspectiva documental para que a reprodução da gravação permita recriar a ilusão do referido evento do ponto de vista da audiência, tal como um foto-jornalista deve retratar a realidade tal como a encontra.

Dear Ricardo,

Please don't forget that there are many great recordings of acoustical music which bring us a perspective which would be impossible in real life.
Examples are: the "standing directly in front of the piano" perspective of the heavily edited Glenn Gould recordings. Or the perspective of being directly in front of a church organ (i.e. Maire-Claire Alain Bach recordings), which you would likely never have in a real church.
That is not worse or inferior to a "natural" perspective in a concert hall imho.

With the "heavy metal" example I meant, that many audiophile systems would fail with this kind of music and its often elaborate produced, complex and dense sound structures. But a true hifi system should reproduce all kinds of music, even metal.
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 14:19

Tudo isso ocorre no plano artístico, podemos gostar ou não, mas questionar aopção artística como se fosse algo padronizado e universal, não faz sentido...

A analogia que melhor poderá explicar isso poderá ser a de comparar as opções de posicionamento de microfones com as opções de um encenador de teatro ou de dança. A mesma "peça" pode ser encenada de infinitas formas diferentes, com os actores colocados aqui ou ali, com cenários mais complexos ou minimalistas, iluminação X ou Y, enfim... não há limites. A peça é sempre a mesma, cada encenação é uma visão artística. A gravação de uma performance passa por um processo semelhante... cada opção, uma visão Wink
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 14:23

ViciAudio escreveu:
Tudo isso ocorre no plano artístico, podemos gostar ou não, mas questionar aopção artística como se fosse algo padronizado e universal, não faz sentido...

A analogia que melhor poderá explicar isso poderá ser a de comparar as opções de posicionamento de microfones com as opções de um encenador de teatro ou de dança. A mesma "peça" pode ser encenada de infinitas formas diferentes, com os actores colocados aqui ou ali, com cenários mais complexos ou minimalistas, iluminação X ou Y, enfim... não há limites. A peça é sempre a mesma, cada encenação é uma visão artística. A gravação de uma performance passa por um processo semelhante... cada opção, uma visão Wink

Esse exemplo da dança é perfeito para ilustrar o meu ponto de vista.
Durante anos fui frequentador assíduo dos espectáculos do Ballet Gulbenkian mas nunca gostei de ver dança ou ballet na televisão exactamente por causa dos grandes planos e das mudanças de perspectiva, que alteram a percepção de uma obra que deve ser vista no seu todo.
É também esta a razão porque não tenho interesse nos concertos e óperas editados em DVD ou bluray.

A música "clássica" é um caso à parte, não pode ser vista como o rock ou o pop.
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 14:24

mannitheear escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:

Aqui o objectivo é, ou deveria ser, o de registar um evento musical de uma perspectiva documental para que a reprodução da gravação permita recriar a ilusão do referido evento do ponto de vista da audiência, tal como um foto-jornalista deve retratar a realidade tal como a encontra.

Dear Ricardo,

Please don't forget that there are many great recordings of acoustical music which bring us a perspective which would be impossible in real life.
Examples are: the "standing directly in front of the piano" perspective of the heavily edited Glenn Gould recordings. Or the perspective of being directly in front of a church organ (i.e. Maire-Claire Alain Bach recordings), which you would likely never have in a real church.
That is not worse or inferior to a "natural" perspective in a concert hall imho.

Hello Manfred,

The thing is that I listen to instruments and performances live and like my recordings to sound lifelike both from a tonal and from a spatial perspective, as I believe many other concert goers do as well.
What sense does it make to place a mic inside the lid of a piano?
This will increase the high frequency balance adulterating timbre, exagerate detail mostly by making mechanical noises more prominent and eliminate the acoustics of the room; I don’t see the point in this.

Heifetz in an interview for LIFE magazine once reffered to high-fidelity as “high-phooey” and if you listen to his recordings you will understand why: they chose a mic that exagerated high frequencies and placed it too close to the violin…it sounds bloody awful.

Cheers,
Ricardo
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 14:31

ricardo onga-ku escreveu:

A música "clássica" é um caso à parte, não pode ser vista como o rock ou o pop.

A música clássica tem infinitamente maiores variações e interpretações do que qualquer tema rock ou pop...  começa logo na interpretação/leitura da música, depois na execução e opções do maestro...

É precisamente porque a gravação se trata de um processo artístico e não científico, que a clássica, rock, jazz e pop, têm cada um o seu tratamento diferenciado.

Ricardo, estás a ver isso sob um paradigma que não corresponde à realidade quando tratas o assunto como se estivesse sujeito a uma fórmula única. Não está... e não vale a pena, fora do âmbito do gosto pessoal, estar a classificar os diferentes processos artísticos.


Última edição por ViciAudio em Qui Fev 26 2015, 14:48, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 14:36

ricardo onga-ku escreveu:

The thing is that I listen to instruments and performances live and like my recordings to sound lifelike both from a tonal and from a spatial perspective, as I believe many other concert goers do as well.
What sense does it make to place a mic inside the lid of a piano?


hehehe isto é quase censura Razz Razz

Ricardo, o objectivo do "nosso lado" é garantir que reunimos as condições para reproduzir o melhor possível o que foi produzido para reprodução doméstica.

Se não gostamos da produção, legitmamente claro temos direito ao nosso gosto pessoal, temos duas opções: ou procuramos outra, ou produzimos nós Very Happy
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 14:46

Milton escreveu:
Eu gosto de aparelhos e da estética deles, e gosto de bom som, isto é , gosto de um som que me agrade e me descontraia, um som que me deixe ouvir a musica.
E não gosto menos de musica...aliás , penso que esse é o objetivo final do audiófilo, ouvir musica....seja qual for independentemente do género e dos aparelhos.
Considero-me audiófilo e também melómano.
Serei um Audiómano ?




É isto mesmo e é o que tento dizer....provavelmente sem sucesso.

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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 14:49

ViciAudio escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:

The thing is that I listen to instruments and performances live and like my recordings to sound lifelike both from a tonal and from a spatial perspective, as I believe many other concert goers do as well.
What sense does it make to place a mic inside the lid of a piano?


hehehe isto é quase censura Razz Razz

Ricardo, o objectivo do "nosso lado" é garantir que reunimos as condições para reproduzir o melhor possível o que foi produzido para reprodução doméstica.

Se não gostamos da produção, legitmamente claro temos direito ao nosso gosto pessoal, temos duas opções: ou procuramos outra, ou produzimos nós Very Happy

A música erudita é tocada em concerto em espaços fechados (inicialmente em pequenas salas particulares e em igrejas, mais tarde em salas de maiores dimensões) sem qualquer amplificação diante de uma plateia mais ou menos próxima consoante a dimensão do agrupamento.
É assim à vários séculos e não vai mudar, faz parte do seu DNA (já ouvi música orquestral e ópera ao ar livre, amplificada, e o som era muito pior do que o de um mau sistema).

E mesmo em situações radicais, como quando cheguei atrasado a um recital do Wispelwey nos "Dias da Música" do CCB e tive de me sentar no chão aos pés do artista, a não mais de 2 metros do violoncelo, o som se assemelhava ao de um instrumento gravado em close-mic'ing...

Continuo convicto que a gravação de música "clássica" deve reger-se por objectivos documentalistas, claro que tendo em conta as limitações dos equipamentos e das técnicas de gravação.
Em "clássica" a arte está na música, a gravação é só um veículo para que a possamos escutar o som produzido num dado evento musical através de uma perspectiva tonal e espacial que se assemelhe à realidade.

Experimenta por exemplo escutar as gravações da "A Sagração da Primavera" pela Reference Records (Oue/Minnesota) e pela Dorian (Mata/Dallas).
Ambas têm uma boa qualidade de som mas a primeira, sem dúvida "espectacular", apresenta uma tonalidade muito menos natural.
Mas claro que para determinar a naturalidade é necessário ter escutado uma orquestra ao vivo...
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 14:57

Certo, e por isso mesmo existem milhares de discos de música Clássica produzidos com esse objectivo / espírito, o de tentar documentar a performance da forma mais semelhante possível (sempre MUITO diferente coaro mas o que conta é a intenção).

Mas Ricardo, essa é uma opção como outra qualquer. Não é válido dizer-se que as outras opções, que apostam numa perspectiva diferente que não é o mesmo desse "DNA antigo", são melhores ou piores. São opções...

Como há muitas opções, também há muitos gostos e preferências, tu tens os teus, eu os meus... etc...

Atenção: Isto não tem nada a ver com audiofilia hehehehe
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 14:57

ricardo onga-ku escreveu:
Outra questão pouco abordada é a alteração do "gosto", aquilo a que talvez se possa chamar de "som padrão", que se tem vindo a verificar nos últimos anos, com a preferência de engenheiros de som, fabricantes e audiófilos por uma sonoridade abundante em "detalhe", "ar" e "presença" e um grave "seco", "tenso" e "extenso"; infelizmente isso resulta de um exagero das altas frequências e de uma atenuação da gama de frequências que dá "calor" ao som.
Valorizam-se os efeitos acessórios (como o "palco" e o "hiper-realismo") em detrimento da naturalidade...

Ainda no que se refere a esta alteração no "som padrão" que referi antes, julgo que uma das causas está no facto de muita gente nunca ter assistido a um concerto de música não amplificada.
É o resultado de uma ou duas gerações que apenas foram expostas ao som amplificado e/ou reproduzido...ao som artificial.
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 15:24

Um apontamento sobre as opções técnicas da produção audio, e concretamete sobre as questões das performances em sala de concerto, acústicas, etc...

Quando se faz um disco, há várias maneiras de encarar isso e vários podem ser os objectivos, estes dois, e um meio termo entre eles, serão os mais comuns:

1- A abordagem documental sonora, em que a captação é feita segundo uma das várias "escolas" de posicionamento de microfones por forma a simular a presença física na sala de concerto (numa certa posição estratégica típica do público), e em que o objectivo principal é o de transportar o evento para o meio doméstico, sendo qe a mistura e masterização se fazem tentanto minimizar o seu impacto na gravação original.

2- A abordagem documental emocional, em que a produção audio tem como objectivo maximizar as emoções de assistir aquela performance ao vivo, mas num ambiente doméstico com todas as limitações que lhe são inerentes e levando em conta as diferenças massivas entre um e outro ambiente. Isto poderá levar a estratégias muito diferentes para captação sonora (microfones em locais estranhos, menos relacionados com o espaço físico da performance, mas porventura mais ligados ao "espaço emocional" da obra), e a opções de mistura/masterização que não são "jornalísticas" no seu propósito mas sim parte do processo criativo englobado no obejectivo inicial de maximizar as emoções.

A ambos chamei documental, não foi por acaso... é para deixar claro que, uma e outra, de documental pouco têm... em ambos os casos as opções são artísticas, os objectivos diferentes.

Não raramente, o que se faz, é uma mistura das duas coisas... mas há muitas outras, as variávais e possibilidades não têm limites...

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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 15:34

ViciAudio escreveu:


2- A abordagem documental emocional, em que a produção audio tem como objectivo maximizar as emoções de assistir aquela performance ao vivo, mas num ambiente doméstico com todas as limitações que lhe são inerentes e levando em conta as diferenças massivas entre um e outro ambiente. Isto poderá levar a estratégias muito diferentes para captação sonora (microfones em locais estranhos, menos relacionados com o espaço físico da performance, mas porventura mais ligados ao "espaço emocional" da obra), e a opções de mistura/masterização que não são "jornalísticas" no seu propósito mas sim parte do processo criativo englobado no obejectivo inicial de maximizar as emoções.





Essa será, quanto a mim, a forma mais inteligente de fazer uma qualquer captação. O facto de que o sitio onde é gravado tem um comportamento totalmente diferente do sitio onde vai ser escutado.
Uma coisa é certa, é impossível de recriar o evento original nas salas em casa. Mas ao longo dos tempos, tem-se tentado. Os bons engenheiros de som com sucesso, outros nem por isso.

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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 15:56

ViciAudio escreveu:
Um apontamento sobre as opções técnicas da produção audio, e concretamete sobre as questões das performances em sala de concerto, acústicas, etc...

Quando se faz um disco, há várias maneiras de encarar isso e vários podem ser os objectivos, estes dois, e um meio termo entre eles, serão os mais comuns:

1- A abordagem documental sonora, em que a captação é feita segundo uma das várias "escolas" de posicionamento de microfones por forma a simular a presença física na sala de concerto (numa certa posição estratégica típica do público), e em que o objectivo principal é o de transportar o evento para o meio doméstico, sendo qe a mistura e masterização se fazem tentanto minimizar o seu impacto na gravação original.

2- A abordagem documental emocional, em que a produção audio tem como objectivo maximizar as emoções de assistir aquela performance ao vivo, mas num ambiente doméstico com todas as limitações que lhe são inerentes e levando em conta as diferenças massivas entre um e outro ambiente. Isto poderá levar a estratégias muito diferentes para captação sonora (microfones em locais estranhos, menos relacionados com o espaço físico da performance, mas porventura mais ligados ao "espaço emocional" da obra), e a opções de mistura/masterização que não são "jornalísticas" no seu propósito mas sim parte do processo criativo englobado no obejectivo inicial de maximizar as emoções.

A ambos chamei documental, não foi por acaso... é para deixar claro que, uma e outra, de documental pouco têm... em ambos os casos as opções são artísticas, os objectivos diferentes.

Não raramente, o que se faz, é uma mistura das duas coisas... mas há muitas outras, as variávais e possibilidades não têm limites...


A abordagem emocional(?) é subjectiva, pessoal e intransmissível; não é documental.
Que sentido faz o produtor tentar impingir as suas (dele) impressões emocionais; o que eu quero é que a interpretação da obra provoque as minhas emoções, as dele ele que fique com elas.
E de preferência só deve existir mistura quando são usados mais do que dois microfones, associada a uma ligeira equalização para compensar as "colorações" do microfone.

Ao contrário do pop e do rock onde a música resulta da edição, mistura e adição de efeitos, a gravação de música clássica não é um processo criativo, é um processo documental; o primeiro cria sobre um ou vários registos, o segundo regista um evento musical — a música já existe na sua forma final antes de ser gravada.
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 15:57

ViciAudio escreveu:
Certo, e por isso mesmo existem milhares de discos de música Clássica produzidos com esse objectivo / espírito, o de tentar documentar a performance da forma mais semelhante possível (sempre MUITO diferente coaro mas o que conta é a intenção).

Mas Ricardo, essa é uma opção como outra qualquer. Não é válido dizer-se que as outras opções, que apostam numa perspectiva diferente que não é o mesmo desse "DNA antigo", são melhores ou piores. São opções...

Como há muitas opções, também há muitos gostos e preferências, tu tens os teus, eu os meus... etc...

Atenção: Isto não tem nada a ver com audiofilia hehehehe

Pois não. É fidelidade, ou seja, é trazer a ilusão de um evento real às nossas salas.
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 16:01

ricardo onga-ku escreveu:
ViciAudio escreveu:
Um apontamento sobre as opções técnicas da produção audio, e concretamete sobre as questões das performances em sala de concerto, acústicas, etc...

Quando se faz um disco, há várias maneiras de encarar isso e vários podem ser os objectivos, estes dois, e um meio termo entre eles, serão os mais comuns:

1- A abordagem documental sonora, em que a captação é feita segundo uma das várias "escolas" de posicionamento de microfones por forma a simular a presença física na sala de concerto (numa certa posição estratégica típica do público), e em que o objectivo principal é o de transportar o evento para o meio doméstico, sendo qe a mistura e masterização se fazem tentanto minimizar o seu impacto na gravação original.

2- A abordagem documental emocional, em que a produção audio tem como objectivo maximizar as emoções de assistir aquela performance ao vivo, mas num ambiente doméstico com todas as limitações que lhe são inerentes e levando em conta as diferenças massivas entre um e outro ambiente. Isto poderá levar a estratégias muito diferentes para captação sonora (microfones em locais estranhos, menos relacionados com o espaço físico da performance, mas porventura mais ligados ao "espaço emocional" da obra), e a opções de mistura/masterização que não são "jornalísticas" no seu propósito mas sim parte do processo criativo englobado no obejectivo inicial de maximizar as emoções.

A ambos chamei documental, não foi por acaso... é para deixar claro que, uma e outra, de documental pouco têm... em ambos os casos as opções são artísticas, os objectivos diferentes.

Não raramente, o que se faz, é uma mistura das duas coisas... mas há muitas outras, as variávais e possibilidades não têm limites...


A abordagem emocional(?) é subjectiva, pessoal e intransmissível; não é documental.
Que sentido faz o produtor tentar impingir as suas (dele) impressões emocionais; o que eu quero é que a interpretação da obra provoque as minhas emoções, as dele ele que fique com elas.
E de preferência só deve existir mistura quando são usados mais do que dois microfones, associada a uma ligeira equalização para compensar as "colorações" do microfone.

Ao contrário do pop e do rock onde a música resulta da edição, mistura e adição de efeitos, a gravação de música clássica não é um processo criativo, é um processo documental; o primeiro cria sobre um ou vários registos, o segundo regista um evento musical — a música já existe na sua forma final antes de ser gravada.



Ricardo, que mal tem a tentativa de que em casa soe identico ao evento ao vivo. Se for só para ser documental, basta um gravador manhoso de cassetes antigo com uma cassete Type I e está documentado.
Muitas gravações são feitas para tentar simular o que se passou ao vivo, visto que tanto salas como equipamento são diferentes. Ou então, faz-se a coisa a "cru", e o som que ouvistes no concerto é totalmente diferente aquele que vais ter em casa. Parece-me algo bastante simples de entender.

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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 16:18

A ideia é mesmo essa: a gravação de um concerto de música "clássica" deve ser "crua".
É a única forma de representar a realidade.

Para pop ou rock a história é outra...
O estúdio raramente tem a acústica adequada; isso obriga a que os microfones estejam perto das fontes sonoras e ao uso de reverberação artificial.
Alguns instrumentos são ligados directamente à mesa de mistura.
Os músicos nem sempre gravam em simultâneo, ou no mesmo estúdio.
E são utilizados efeitos "especiais" de forma criativa para dar forma ao resultado final.
Devem contar-se pelos dedos (estou a exagerar um bocado) as gravações que resultaram de um evento musical.
Experimenta a "Sleepy Song" dos Tinderstics para escutares uma versão "crua":



("Sleepy Song" was recorded on a single microphone in one night at Abbey Road Studios on 30 June 1994, and the string sections were recorded a few days later at the same studio)

O som lembra as "Trinity Sessions" dos Cowboy Junkies...
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 16:19

ricardo onga-ku escreveu:
A ideia é mesmo essa: a gravação de um concerto de música "clássica" deve ser "crua".


Já ouvi ao vivo, e não me soa a crua. Já o contrário se passa com muitas gravações.

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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 16:32

ricardo onga-ku escreveu:

A abordagem emocional(?) é subjectiva, pessoal e intransmissível; não é documental.

ricardo onga-ku escreveu:

Pois não. É fidelidade, ou seja, é trazer a ilusão de um evento real às nossas salas.

Já viste a contradição, ou tenho de pôr a bold? Very Happy

Uma ilusão é precisamente isso: "subjectiva, pessoal e intransmissível; não é documental"

Enquanto estiveres convencido de que existe, como que por milagre, uma gravação documental que não tem nada de subjectivo (uma simples escolha de mic é subjectiva, mas tu achas que não), e outra "subjectiva" que não tem qualquer valor em termos de transmissão de uma performance... estarás a ver mal as coisas, porque de facto, tudo é subjectivo, tudo é produzido, tudo serve um propósito e tem um objectivo.

Já ouvi mais de 2000 gravações de música clássica (e em sistemas audio excepcionais), e nem uma única delas alguma vez me pareceu "documental" quando comparada com as muitas performances ao vivo em muitas salas que já vi/ouvi...

Muitas conseguiam transmitir as sensações do local, sim, sem dúvida... mas daí a ser documental (em termos puramente sonoros) vai uma distância gigantesca.
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 16:40

ricardo onga-ku escreveu:

Para pop ou rock a história é outra...
O estúdio raramente tem a acústica adequada; isso obriga a que os microfones estejam perto das fontes sonoras e ao uso de reverberação artificial.
Alguns instrumentos são ligados directamente à mesa de mistura.
Os músicos nem sempre gravam em simultâneo, ou no mesmo estúdio.
E são utilizados efeitos "especiais" de forma criativa para dar forma ao resultado final.

Então podemos depreender que para ti existe uma audiofilia da música erudita e uma audiófilia da música não erudita?

Numa há regras definidas, e na outra não há regras?

Que confusão hehehehe não me leves a mal, mas isso está tudo muito revirado e complicado, a realidade das coisas é muito mais simples. É capaz de estar na altura de começar a limpar conceitos e ordenar as coisas não pelos gostos pessoais mas sim pelo que é real e respeitando o carácter artístico das coisas.

Esse tipo de atitude cheia de dogmas e regimes específicos de como deve ser gravado ou captado e não-sei-quê-mais, quando aplicado à música e depois ao audio, não faz qualquer sentido. Isso só existe no mundo dos gostos pessoais, nada disso é universal ou padronizado por géneros ou por seja lá o que for...

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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 17:08

António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
A ideia é mesmo essa: a gravação de um concerto de música "clássica" deve ser "crua".


Já ouvi ao vivo, e não me soa a crua. Já o contrário se passa com muitas gravações.

Ouviste ao vivo como, no teu sistema?
Estamos a falar de uma gravação, não existe ao vivo de uma gravação a anão se estivesses presente no evento original (Abbey Road).

Acho que deve ser um problema de significado: o que queres dizer com "cru"?
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MensagemAssunto: Re: Eu, audiófilo (em inglês)   Qui Fev 26 2015, 17:10

ricardo onga-ku escreveu:
António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
A ideia é mesmo essa: a gravação de um concerto de música "clássica" deve ser "crua".


Já ouvi ao vivo, e não me soa a crua. Já o contrário se passa com muitas gravações.

Ouviste ao vivo como, no teu sistema?
Estamos a falar de uma gravação, não existe ao vivo de uma gravação a anão se estivesses presente no evento original (Abbey Road).

Acho que deve ser um problema de significado: o que queres dizer com "cru"?


Ao vivo significa, ao vivo. dvil Não és o único a assistir a concertos.


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