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 Autopsia da Alta-fidelidade

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TD124
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MensagemAssunto: Autopsia da Alta-fidelidade   Seg 17 Nov - 16:36

Parte 1 : Começo da autopsia e tese inicial

Por detràs deste titulo de aparência provocatorio, està uma convição pessoal (que jà expuz vàrias vezes neste espaço) que a alta-fidelidade està a morrer. No entanto, este não é o fundo do debate tal qual o vejo, mas e sobretudo a compreensão dos fenomenos que conduziram a este estado das coisas. Hoje aqui no forum assistimos à ressurgência das velhas e historicas querelas de formatos, técnicas e conceptos hà qual a alta-fidelidade jà se habituou hà muito…    mas, mesmo se são velhas discordias, elas não existiram sempre e na realidade o fenomeno é relativamente ciclico com periodos de calma e de agitação. Nesta autopsia, e como o nome indica o que me interessa não é de saber quém tém razão, ném de saber se é melhor que seja assim mas a « razão concréta » deste estado das coisas e por extensão da morte...

Se andarmos para tràs até aos inicios da Alta-fidelidade, vamos ver que o dualismo objectivo/subjectivo não apareçeu com a criação deste dominio especialisado mas muito depois. Vamos considerar os objectivos como sendo os individuos que fazem confiança à ciência, à técnica e que pronam uma evolução tecnologica e os subjectivos, aqueles que fazem confiança aos sentidos, às sensações e que pronam uma técnica que esteja ao serviço destes elementos. Deste aparente antagonismo destaca-se a primeira oposição (e a mais velha…) que é a medida contra a escuta. Ora a tecnologia é linear, pois como se baseia na ciência então evolui com esta ultima e sobre bases que são mensuràveis. O relogio de quartzo é mais certo do que um mecânico, um carro é mais ràpido e confortàvel do que uma carroça e o avião é muito mais ràpido e confortàvel do que o carro e tudo isto é normal pois é a evolução tecnologica !!!

Se olhar-mos para o primeiro gràfico, vamos ver que até meados dos anos setenta a evolução do audio não é contestada e que o avanço técnico corresponde com a evolução da escuta. Não li ném revistas de hifi, ném revistas técnicas anteriores  aos anos 70 que contestem a evolução técnologica dos gira-discos, ném que contestem a passagem do 78rpm ao 33rpm, ném da vàlvula ao transistor, ném da mono à estéreo etc, etc, etc…   Portanto, em termos tecnologicos foi entre a nascensa e os anos 70 que a alta-fidelidade fez os maiores passos tecnologicos, e se excluirmos o digital e todas as evoluções associadas, o resto jà tinha sido criado pràticamente antes de setenta. Portanto, no passado como jà disse ninguém contestou que a evolução tecnologica conduzia a uma evolução da qualidade de reprodução e que a « melhor medida condizia com melhor som ». O SE deu lugar ao PP, o 78rpm ao 33rpm, as ondas curtas à FM, a vàlvula ao transistor e as colunas mais pequenas às grandes, etc… sém que ninguém conteste o bom sentido desta evolução. Portanto as revistas jà existiam, os grandes constructores também e mesmo o mercado da Alta-fidelidade que estava em plena expansão…

Mas então, qual é o profilo do consumidor da época e como é que se faz que esses gajos não andem à porrada nessa época apesar das mudanças ràpidas e da evolução constante da alta-fidelidade ???... bom na realidade como sempre desde que existe um mercado existem vàrios tipos de consumidores, mas se fizermos abstração do parâmetro economico (muito importante) vemos surgir essencialmente dois tipos que são o melomano e o estéta. Desde sempre, existiram as pessoas que gostam da musica por prazer intelectual e para quém a escuta é uma acto sério e outros que véem um puro prazer fisico, emocional e sém anàlise intelectual particular…  e às vezes (cada um deles) até gostam das duas coisas, mas tém complexos para o admitir como se passa com alguns cinéfilos. Mas a Alta-fidelidade da época, contentava esses grupos suficientemente para que a evolução não seja criticada o que evitava a criação de blocos antagonistas. A Alta-fidelidade avançava em paz então, quando de repente …   o homo-audiofilus nasce e vém estragar tudo !!!

to be continued...

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Última edição por TD124 em Ter 18 Nov - 13:41, editado 2 vez(es)
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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Seg 17 Nov - 16:41

Mais uma vez, Gostei!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Seg 17 Nov - 17:37

TD124 escreveu:
..e como é que se faz que esses gajos não andem à porrada nessa época apesar das mudanças ràpidas e da evolução constante da alta-fidelidade ???...


Também temos que meter na equação mais uma variável importante.
Nos anos 60/70/80 onde houve muita evolução no áudio, pela simples razão que se investia muito nesse sector por ser altamente vendável, não existia a Internet.
Todas as conversas que hoje mantemos em segundos com malta de todos os continentes, não era possível. Qualquer constatação, contestação, qualquer discussão sobre qualidades deste ou de outro aparelho/técnica/filosofia , eram mantidos nos círculos de amigos que se interessavam pelos discos e pelo som. Hoje, as conversas e discussões sobre os vários temas e vertentes do áudio fazem-se a nível planetário, o que torna uma comparação presente/passado algo injusto. Para se comparar teria que se partir de uma situação igual, o que claramente não é o caso.

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TD124
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Seg 17 Nov - 18:16

António José da Silva escreveu:
... Nos anos 60/70/80 onde houve muita evolução no áudio, pela simples razão que se investia muito nesse sector por ser altamente vendável, não existia a Internet.
Todas as conversas que hoje mantemos em segundos com malta de todos os continentes, não era possível. Qualquer constatação, contestação, qualquer discussão sobre qualidades deste ou de outro aparelho/técnica/filosofia , eram mantidos nos círculos de amigos que se interessavam pelos discos e pelo som. ...

Tens razão Antonio (se estàs a falar de Portugal), mas muito errado se falas a nivel internacional!!!...

Para resumir e ser claro... a historia da "Alta-fidelidade", nasceu nos Estados-Unidos e desde os anos 30 estava na Europa occidental (França, Alemanha, Inglaterra para resumir...) e apòs a grande Guerra no Japão !!!... estes paises fizeram tudo... o resto é acessorios e paisagem !!!

Desde 1913, a revista Americana "Wireless world" implica-se no DIY e faz a partir de 1928, exposições nas grandes cidades, para que os amadores possam comparer as suas criações e discutir...

Desde o começo dos anos 60, a revista Radio MJ do Japão, cria o Tokyo audio fair com o intuit de mostrar as criações em DIY e as escutas criticas (publicas) dos melhores aparelhos industriais da época acompanhadas por conferências técnicas...

Na França, La Revue du Son (anos sessenta) e l'Audiophile (1977), fazem escutas publicas com material do DIY e de fabricantes, com discursos publicos e comparações subjectivas e objectivas...

Quando cheguei a França, aqui em Montpellier havia três clubes audiofilos e um quarto que fui eu que o criei... com escutas, conferências, comparações e estàgios de iniciação técnica...

A audiofilia não esperou a Net para nascer e viver... ...mas sim para morrer !!!!

Abraço

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Seg 17 Nov - 18:50

Paulo,

Tens aqui uma ajudinha:


Um abraço,
Ricardo
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Seg 17 Nov - 19:09

TD124 escreveu:
António José da Silva escreveu:
... Nos anos 60/70/80 onde houve muita evolução no áudio, pela simples razão que se investia muito nesse sector por ser altamente vendável, não existia a Internet.
Todas as conversas que hoje mantemos em segundos com malta de todos os continentes, não era possível. Qualquer constatação, contestação, qualquer discussão sobre qualidades deste ou de outro aparelho/técnica/filosofia , eram mantidos nos círculos de amigos que se interessavam pelos discos e pelo som. ...

Tens razão Antonio (se estàs a falar de Portugal), mas muito errado se falas a nivel internacional!!!...

Para resumir e ser claro... a historia da "Alta-fidelidade", nasceu nos Estados-Unidos e desde os anos 30 estava na Europa occidental (França, Alemanha, Inglaterra para resumir...) e apòs a grande Guerra no Japão !!!... estes paises fizeram tudo...     o resto é acessorios e paisagem !!!

Desde 1913, a revista Americana "Wireless world" implica-se no DIY e faz a partir de 1928, exposições nas grandes cidades, para que os amadores possam comparer as suas criações e discutir...

Desde o começo dos anos 60, a revista Radio MJ do Japão, cria o Tokyo audio fair com o intuit de mostrar as criações em DIY e as escutas criticas (publicas) dos melhores aparelhos industriais da época acompanhadas por conferências técnicas...

Na França, La Revue du Son (anos sessenta) e l'Audiophile (1977), fazem escutas publicas com material do DIY e de fabricantes, com discursos publicos e comparações subjectivas e objectivas...

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Abraço


Mas eu falei da Internet, que é algo muito mais global do que os (em relação) pequenos grupos de amigos. Estabelecendo um paralelo, nos anos 70/80 haviam grupos de amigos (audiófilos, melómano) onde um comprava um LP e alguns passavam para cassete. Hoje um gajo qualquer de quem nunca ninguém ouviu falar mete um disco na net, e milhões descarregam. É esta a diferença de magnitude de que estamos a falar. E não creio que esteja errado. Não será nunca possível estabelecer um paralelo em igualdade de  circunstancias.

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Seg 17 Nov - 19:12

TD124 escreveu:


A audiofilia não esperou a Net para nascer e viver...           ...mas sim para morrer !!!!

Abraço



Eu não fiz (de modo algum) a afirmação de que a audiófilia tinha nascido (ou vai morrer) por causa da net.

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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Seg 17 Nov - 20:02

TD124 escreveu:
Vamos considerar os objectivos como sendo os individuos que fazem confiança à ciência, à técnica e que pronam uma evolução tecnologica e os subjectivos, aqueles que fazem confiança aos sentidos, às sensações e que pronam uma técnica que esteja ao serviço destes elementos. Deste aparente antagonismo destaca-se a primeira oposição (e a mais velha…) que é a medida contra a escuta. Ora a tecnologia é linear, pois como se baseia na ciência então evolui com esta ultima e sobre bases que são mensuràveis. O relogio de quartzo é mais certo do que um mecânico, um carro é mais ràpido e confortàvel do que uma carroça e o avião é muito mais ràpido e confortàvel do que o carro e tudo isto é normal pois é a evolução tecnologica !!!

Os gráficos são enganadores porque as tecnologias dão saltos quânticos e depois são aperfeiçoadas, quanto muito com micro-tecnologias.

A maioria das macro-tecnologias atuais são antigas, apenas foram aperfeiçoadas. Há no entanto uma exceção - o digital. Trata-se de uma tecnologia efetivamente diferente. Enquanto nos outros domínios houve progressão ou melhoria tecnológica, no caso do digital houve evolução tecnológica. Ou antes, eu diria mesmo uma revolução! O digital é o avião, o Concorde, seja nas telecomunicações, na informática, no video, ou no audio. Mede espectacularmente bem, é armazenado sem perdas e está em todo o lado e sob todas as formas.

Viva a evolução tecnológica!
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Seg 17 Nov - 20:57

Digital Man escreveu:
TD124 escreveu:
Vamos considerar os objectivos como sendo os individuos que fazem confiança à ciência, à técnica e que pronam uma evolução tecnologica e os subjectivos, aqueles que fazem confiança aos sentidos, às sensações e que pronam uma técnica que esteja ao serviço destes elementos. Deste aparente antagonismo destaca-se a primeira oposição (e a mais velha…) que é a medida contra a escuta. Ora a tecnologia é linear, pois como se baseia na ciência então evolui com esta ultima e sobre bases que são mensuràveis. O relogio de quartzo é mais certo do que um mecânico, um carro é mais ràpido e confortàvel do que uma carroça e o avião é muito mais ràpido e confortàvel do que o carro e tudo isto é normal pois é a evolução tecnologica !!!

Os gráficos são enganadores porque as tecnologias dão saltos quânticos e depois são aperfeiçoadas, quanto muito com micro-tecnologias.

A maioria das macro-tecnologias atuais são antigas, apenas foram aperfeiçoadas. Há no entanto uma exceção - o digital. Trata-se de uma tecnologia efetivamente diferente. Enquanto nos outros domínios houve progressão ou melhoria tecnológica, no caso do digital houve evolução tecnológica. Ou antes, eu diria mesmo uma revolução! O digital é o avião, o Concorde, seja nas telecomunicações, na informática, no video, ou no audio. Mede espectacularmente bem, é armazenado sem perdas e está em todo o lado e sob todas as formas.

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Até permite registar o "som" do vinil com toda a fidelidade. cyclops

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 11:20

TD124 escreveu:

Paulo, estás (deliberadamente) a ignorar os bijectivistas, grupo no qual me situo? afro
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 11:25

ricardo onga-ku escreveu:
.... os bijectivistas, grupo no qual me situo? afro


Só se for à muito pouco tempo.

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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 11:41

António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
.... os bijectivistas, grupo no qual me situo? afro


Só se for à muito pouco tempo.

Nada disso; inicialmente era uma audiófilo exclusivamente Subjectivista e Religioso*, igual a tantos outros homens de fé.
Mas tarde "descobri" que afinal os Sacerdotes se entretinham a condicionar opiniões e armado de uma dose considerável de cepticismo voltei-me para a Ciência em busca de respostas, mas nunca deixei de Ouvir**.
O regresso às salas de concertos também foi um factor determinante na minha mudança de filosofia. cyclops

Pelo caminho experimentei algumas coisas, a saber: D/ACs que não efectuam oversampling, colunas de altifalante único (mono-vias), cornetas, e até um gira-discos. affraid

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* - fiel seguidor da orientação espiritual providenciada pelas revistas de audio.

** - só que não tenho a sorte de Ouvir tão bem como tu. Razz
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 11:53

Estava no outro dia a falar com um amigo fotógrafo sobre a evolução das tecnologias.

Aparentemente passaram-se muitas décadas mas a tecnologia primária da fotografia praticamente não evoluiu - a ótica. Algumas das boas objetivas antigas só são igualadas com as melhores e mais caras objetivas do momento. Algumas objetivas de topo mantêm p mesmo grupo optico e organização ao longo de décadas.
Houve algumas evoluções tecnológicas como o Auto-Focus, e a auto-exposição (úteis em reportagem e desporto), que embora não sejam recentes, foram muito aperfeiçoados.

Agora, a grande revolução foi o digital - é a diferença da carroça para o Concorde:
- De uma limitação de algumas dezenas de fotos antes de mudar de filme, deixa quase de existir limite, o que é bom para reportagem e para o estúdio.
- A sensibilidade do filme (que tinha que ser escolhida à partida e era uma grande dor de cabeça) não só é programável como tem valores nunca antes possíveis, o que abriu novas fronteiras.
- É possível visualisar a foto imediatamente. Antigamente, só depois de revelar. Isto tem o mais variado leque de aplicações profissionais e caseiras.
- Foram introduzidos um conjunto extraordinário de processamentos automáticos, muito para além da exposição, como a capacidade de detectar as pessoas e focá-las automaticamente.
- Com a versartilidade do ISO e sensores 35mm de alta resolução, as imagens têm agora mais resolução e podem ser mais aumentadas sem recorrer a um formato médio.
- Uma foto de uma reportagem tirada na China está segundos depois publicada num jornal online nos EUA.
- Abriram-se novos horizontes para a criação artística, devido ao digital.
Etc. Etc.

É o Concorde e a carroça.

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 11:58

ricardo onga-ku escreveu:
António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
.... os bijectivistas, grupo no qual me situo? afro


Só se for à muito pouco tempo.

Nada disso; inicialmente era uma audiófilo exclusivamente Subjectivista e Religioso*, igual a tantos outros homens de fé.
Mas tarde "descobri" que afinal os Sacerdotes se entretinham a condicionar opiniões e armado de uma dose considerável de cepticismo voltei-me para a Ciência em busca de respostas, mas nunca deixei de Ouvir**.
O regresso às salas de concertos também foi um factor determinante na minha mudança de filosofia. cyclops

Pelo caminho experimentei algumas coisas, a saber: D/ACs que não efectuam oversampling, colunas de altifalante único (mono-vias), cornetas, e até um gira-discos. affraid

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Uns fazem fé em alguns sacerdotes e ouvem musica consoante a "religião" apregoada, outros fazem fé numa medição e ouvem conforme os resultados das mesmas.
Parecer-me que qualquer uma delas pode levar a resultados bastante desviados, pelo que se deveria de concluir que ambas não são de confiança. smedley


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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 12:04

Digital Man escreveu:

É o Concorde e a carroça.

Viva a evolução tecnológica! Viva o digital!


Resta a pergunta de qual é que é o Concorde?

É que se é verdade que (por exemplo) os jogos de futebol ao vivo estão mais nítidos, também não deixa de ser verdade (pelo menos em minha opinião) que muitos dos filmes novos em HD são horrorosamente plásticos. Nada daquilo é natural. Tem uma nitidez horrível que não se vê na realidade.
É a artificialidade levada ao extremo. Tenta ver o ultimo Indiana Jones. Aquilo chega a ser ridículo.

Vamos dar uma volta de carroça. dvil


Mas atenção, tirando esse hiper-realismo, o vídeo digital até é porreiro.

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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 12:18

Digital Man escreveu:
Estava no outro dia a falar com um amigo fotógrafo sobre a evolução das tecnologias.

Aparentemente passaram-se muitas décadas mas a tecnologia primária da fotografia praticamente não evoluiu - a ótica. Algumas das boas objetivas antigas só são igualadas com as melhores e mais caras objetivas do momento. Algumas objetivas de topo mantêm p mesmo grupo optico e organização ao longo de décadas.
Houve algumas evoluções tecnológicas como o Auto-Focus, e a auto-exposição (úteis em reportagem e desporto), que embora não sejam recentes, foram muito aperfeiçoados.

Agora, a grande revolução foi o digital - é a diferença da carroça para o Concorde:
- De uma limitação de algumas dezenas de fotos antes de mudar de filme, deixa quase de existir limite, o que é bom para reportagem e para o estúdio.
- A sensibilidade do filme (que tinha que ser escolhida à partida e era uma grande dor de cabeça) não só é programável como tem valores nunca antes possíveis, o que abriu novas fronteiras.
- É possível visualisar a foto imediatamente. Antigamente, só depois de revelar. Isto tem o mais variado leque de aplicações profissionais e caseiras.
- Foram introduzidos um conjunto extraordinário de processamentos automáticos, muito para além da exposição, como a capacidade de detectar as pessoas e focá-las automaticamente.
- Com a versartilidade do ISO e sensores 35mm de alta resolução, as imagens têm agora mais resolução e podem ser mais aumentadas sem recorrer a um formato médio.
- Uma foto de uma reportagem tirada na China está segundos depois publicada num jornal online nos EUA.
- Abriram-se novos horizontes para a criação artística, devido ao digital.
Etc. Etc.

É o Concorde e a carroça.

Viva a evolução tecnológica! Viva o digital!

Eu iria mais longe: a maior resolução do digital obrigou os fabricantes, incluindo a Leica, a repensar e optimizar o desempenho das suas ópticas.
Durante algum tempo preferi as cores cores do filme às do digital mas hoje esse problema está ultrapassado.

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 12:20

António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
.... os bijectivistas, grupo no qual me situo? afro


Só se for à muito pouco tempo.

Nada disso; inicialmente era uma audiófilo exclusivamente Subjectivista e Religioso*, igual a tantos outros homens de fé.
Mas tarde "descobri" que afinal os Sacerdotes se entretinham a condicionar opiniões e armado de uma dose considerável de cepticismo voltei-me para a Ciência em busca de respostas, mas nunca deixei de Ouvir**.
O regresso às salas de concertos também foi um factor determinante na minha mudança de filosofia. cyclops

Pelo caminho experimentei algumas coisas, a saber: D/ACs que não efectuam oversampling, colunas de altifalante único (mono-vias), cornetas, e até um gira-discos. affraid

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** - só que não tenho a sorte de Ouvir tão bem como tu. Razz


Uns fazem fé em alguns sacerdotes e ouvem musica consoante a "religião" apregoada, outros fazem fé numa medição e ouvem conforme os resultados das mesmas.
Parecer-me que qualquer uma delas pode levar a resultados bastante desviados, pelo que se deveria de concluir que ambas não são de confiança.  smedley


O que se passa é exactamente o oposto.
Queres melhor exemplo do que aquela "distorção" que identifiquei nas minhas colunas "novas"?

Notei que qualquer coisa não soava bem (nos violinos e também nos metais), uma "estridência"/"dureza" desagradável, e com as medições veio a confirmar-se um pico suspeito aos 850-900Hz; será uma ressonância do cone de kevlar?

Mas tu não deste por nada...devem ser os meus ouvidos avariados. Wink
(admito que não passei música adequada à identificação do problema)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 12:26

ricardo onga-ku escreveu:


Mas tu não deste por nada...devem ser os meus ouvidos avariados. Wink
(admito que não passei música adequada à identificação do problema)
R


Nas musicas que passastes, não havia nada de anormal, apesar de tu quereres que houvesse, porque vistes nas medições.

Já nas minhas é diferente e existe mesmo um exagero. E até ficou melhor depois de alguma mexida na "botanada".

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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 12:28

TD124 escreveu:
A Alta-fidelidade avançava em paz então, quando de repente …   o homém-audiofilus nasce e vém estragar tudo !!!
to be continued...

... ainda a autópsia mal começou, e, ... já vai em Concord's e Carroças.. Leicas e Indiana Jones smedley
O homem-audiofilus é fo...go lol!
O "TD124" tem o "condão" de despertar estas "músicas"...
Merci Paulo
cheers

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Mr Bojangles
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 12:33

Digital Man escreveu:
Estava no outro dia a falar com um amigo fotógrafo sobre a evolução das tecnologias.

Aparentemente passaram-se muitas décadas mas a tecnologia primária da fotografia praticamente não evoluiu - a ótica. Algumas das boas objetivas antigas só são igualadas com as melhores e mais caras objetivas do momento. Algumas objetivas de topo mantêm p mesmo grupo optico e organização ao longo de décadas.
Houve algumas evoluções tecnológicas como o Auto-Focus, e a auto-exposição (úteis em reportagem e desporto), que embora não sejam recentes, foram muito aperfeiçoados.

Agora, a grande revolução foi o digital - é a diferença da carroça para o Concorde:
- De uma limitação de algumas dezenas de fotos antes de mudar de filme, deixa quase de existir limite, o que é bom para reportagem e para o estúdio.
- A sensibilidade do filme (que tinha que ser escolhida à partida e era uma grande dor de cabeça) não só é programável como tem valores nunca antes possíveis, o que abriu novas fronteiras.
- É possível visualisar a foto imediatamente. Antigamente, só depois de revelar. Isto tem o mais variado leque de aplicações profissionais e caseiras.
- Foram introduzidos um conjunto extraordinário de processamentos automáticos, muito para além da exposição, como a capacidade de detectar as pessoas e focá-las automaticamente.
- Com a versartilidade do ISO e sensores 35mm de alta resolução, as imagens têm agora mais resolução e podem ser mais aumentadas sem recorrer a um formato médio.
- Uma foto de uma reportagem tirada na China está segundos depois publicada num jornal online nos EUA.
- Abriram-se novos horizontes para a criação artística, devido ao digital.
Etc. Etc.

É o Concorde e a carroça.

Viva a evolução tecnológica! Viva o digital!

Tudo isto é verdade, sobretudo no que respeita às questões práticas a evolução é imensurável!
Mas... não há nada que chegue ao que o filme proporciona e não há nada que mais me deleite como por exemplo a fotografia num filme do Godard dos anos 60 ou 70... Como gosto de percorrer o caminho mais longo, por vezes mais sinuoso, quando vou passear levo comigo sempre três máquinas, uma full-frame digital para a maioria das coisas, mas também uma médio-formato 67 de filme e uma 35mm de filme. Porquê? Ajuda-me a tentar preservar o verdadeiro processo fotográfico e químico da fotografia, e mesmo quando uso a digital, tento que o resultado se aproxime o mais possível do filme. O processo é moroso, menos prático e mais dispendioso, mas é como conduzir um automóvel antigo, e não uma carroça!
lol!
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 13:13

E a qualidade da imagem? What a Face

R
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 13:39

Parte 2 : Nascença do Homo-audiofilus

Deixei a nossa historia na nascença entre 60/70 do Homo-audiofilus, então vou continuar a minha tese (pois disso se trata até que a defenda objectivamente) concentrado nele, pois para mim e pelo momento ele é o principal culpado do assassinio da Alta-fidelidade !...   mas como todo réu, ele tém direito a uma defesa justa, então vamos pelo momento nos concentrar na vida dele. Vamos ver como nasceu, aonde e como evoluiu socialmente e psicologicamente até ao ponto de se tornar um criminoso…

Entre os anos 50 até ao fim dos anos 60, o mundo da hifi està em progressão e ebulição permanente. O Japão està quase reconstruido industrialmente e as marcas japonesas começam timidamente mas asseguradamente a conquistar o mundo ocidental. A alemanha que era o maior fornecedor de material hifi doméstico (a baixo-médio preço), vai pouco a pouco ser suplantada pelos japoneses, ora que no topo de gama são os americanos que tronam seguidos pelos ingleses e franceses. Os estados unidos téem um mercado de DIY muito activo, complementado por revistas de grande classe e circulos (clubes) de audio muito bem organisados. O kit vende-se muito bem, e muitos americanos, como ingleses e franceses, fazem eles mesmos a aparelhagem (amplificadores e colunas…) a partir de Kit’s da Dynaco (Dynakit), Tannoy, Radford, Heathkit, Millerioux ou Supravox… e depois juntam um gira a isso e està arrumado. Mas, nessa época o DIY é um passatempo mais que uma paixão e é sobretudo a possibilidade de ter algo de qualidade, por um preço muito inferior ao produto acabado. A noção de escolas, dogmas, tendências, técnicas e etc ainda não existia, então o melomano comprava em função dos seus meios e não da busca de um resultado especifico…  pois nessa época reinava o que se chama hoje a « velha hierarquia », ou seja, o melhor aparelho media melhor, soava melhor e era o mais caro !!!... nos finais de 60 a supremacia do TD124, Garrard 301, Marantz 8B, MC275, JBL, e Tannoy MG não se discutem…

Nos anos sessenta os japoneses estão preparados a entrar no baile da produção eléctronica. Calha bem, pois a vàlvula està prestes a morrer com a criação do transistor no inicio da década, e os japoneses vão sobretudo se interessar a esse componente, é por isso que o Japão não criou vàlvulas. A sociedade é muito activa à volta do DIY, com revistas pertinentes e dinâmicas como a Radio MJ e ao mesmo tempo o fenomeno Rock (a Beatlemania està quase a chegar…), leva muitos jovens a se interessar à hifi e ao DIY afim de fabricar as aparelhagens que são caras. È no inicio dessa década que a revista Radio MJ decide de fazer um evento publico de audio DIY (como a Wireless World fazia em Chicago), e faz um desafio de apresentar uma aparelhagem com uma qualidade igual ou superior a qualquer produto ocidental. Apòs vàrias apresentações de material a revista acaba por escolher algo, de singular. As colunas modificadas por um jovem (A Koïzumi) são de recuperação num cinema e com cornetas, os amplificador são feitos pelo Dr Asano e K Anzaï e são copias (amelhoradas) de velhos aparelhos de cinema americanos com triodos 2A3 e 300B e o gira escolhido vai ser o EMT930 com a célula Denon DL103 !!!... este sistema (foto abaixo) vai fazer sensação e dinamitar as certezas. O publico acha que ele soa melhor que os McIntosh, Marantz, Harman Kardon, Quad’s, JBL, Tannoy e Warfedale com os quais està em comparação, e os multiplos debates e conferências durante o evento são eloquentes !, ao ponto que uma ideia inequivoca começa a se desenhar no espirito dos participantes : E se o material antigo soasse melhor que o novo…   o que indicaria claramente que o caminho da Alta-fidelidade està errado !!!...


Pela simples evocação desta ideia, o Homo-audiofilus vém de nascer e com ele, ou por causa dele nasce um enorme parque de jogo e de brincadeira ao qual por comodidade vamos chamar AUDIOFILIA ! A partir desse dia, o nosso amigo primata e primeiro audiofilo vai experimentar todos os triodos que lhe passam pelos queixos, todas as cornetas que lhe passam pela mão e todos os componentes que os bolsos podem transportar…    …depois ele monta religiosamente tudo, mistura uns com os outros, modifica alguns aspectos e religiosamente escuta tudo, compara com modelos estàveis e tira conclusões fiàveis e repetitiveis !... a escola audiofila japonesa vém de nascer e com ela o Audiofilus-japonicus !!! Desde que hà escola, hà dogma e direção obrigatoria então os SE, Cornetas, Triodos e MC’s (DL103 !…) tornam-se em modelos e simbolos de um caminho a seguir para preservar a qualidade da reprodução musical. Isto é uma revolução total, tanto pela ideia que pela atitude mas é de veludo e sém polémica. O nosso Audiofilus-japonicus é um homém sensivel, refinado, hedonista e melomano/estéta então ele vai comunicar com delicateza e elegância as teorias dele aos outros. Os primeiros que o vão ouvir com atenção são os industriais do audio japoneses, que estão em busca de ganhar terreno em relação aos ocidentais e de se desmarcar tecnologicamente. Marcas como a Luxman, Sansui, Pioneer etc, vão contratar audiofilos confirmados como conselheiros ou designeres afim de estabeleçer sonoridades especificas e vão mesmo criar novos componentes especificos para o audio afim de ultrapassar os limites da época. A audiofilia passa a um novo estado e dà origem a todos os artesãos de audio japoneses da época, aos primeiros fabricantes de cabos audio (Isoda), de transformadores, condensadores, potênciometros etc… a audiofilia comercial està criada e activa em apenas 6 ou 7 anos, mas continua a ser um fenomeno nacional, underground e de pequeno amplor !!!...

Visto assim, o Audiofilus-japonicos até é simpatico pois é um revolucionàrio, um rebelde e ao mesmo tempo um pragmàtico sensivel e um melomano estéta e praticante…   tudo isto é extremamente positivo e valorisante !...    mas, esta adoràvel criatura possui em si a raiz do mal, que o singularisa de uma maneira evidente do melomano ou estéta do nosso primeiro texto. Os primeiros amadores de hifi, sò se interessavam ao material pelo resultado que este procurava, ora que o nosso novo primata vai desenvolver uma paixão desmedida, assumida e revendicada pelo material, pelas técnicas e criar paralelos entre elas… o nosso Audiofilus-japonicus começa então a sua existência em fazendo uma religião, e o cumulo vai ser dez anos apòs quando vai apregoar a religião em ocidente !...  o que vai dar origem ao temivél e detestàvel Audiofilus-ocidentalus que serà a nossa pròxima anàlise…


Deixo uma foto e dedico-lhe este texto pois foi o mestre do meu mestre e o primeiro Homo-audiofilus, que nunca se tornou em apregoador de nada pois assim é o ensino e o caminho do Buda !... eis o grande K Anzaï, o jovem que jadis com o seu 300B abriu o caminho no qual estamos todos... e o seu sorriso diz tudo sobre ele…

to be continued...

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Il semble que la perfection soit atteinte, non quand il n'y a plus rien à ajouter mais quand il n'y a plus rien à retrancher... Antoine de Saint-Exupéry


Última edição por TD124 em Ter 18 Nov - 13:59, editado 3 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 13:57

ricardo onga-ku escreveu:
E a qualidade da imagem? What a Face

R

A qualidade de imagem nunca foi tão boa como agora. Falemos de fotografia ou video, profissional ou caseiro.
O digital esmagou o analógico.

No video caseiro, por exemplo, uma boa gravação Blu-Ray tem um detalhe e realismo tal (quer na forma quer cromaticamente) que ridiculariza um filme S-VHS ou DVD sem upsampling num plasma grande.
Curiosamente no Blu-Ray também se coloca o problema das gravações, ou por serem originalmente analógicas ou por o master não ser bem feito... scratch

Também me impressiona no Blu-Ray a qualidade do Audio, especialmente quando é HD. No outro dia estava a ouvir uma música quando passavam as letras finais do filme e a resolução era claramente superior à mesma música em CD. Som limpo, limpo. Quase se podiam visualizar os contornos de cada som. E estava a usar as saídas analógicas do leitor de Blu-Ray ligado ao sistema! Nem estava a usar um bom DAC externo! Os novos DACs não sabem converter CD mas são fabulosos a converter o audio digital dos filmes.

Se lançarem concertos de música sifónica em Blu-Ray com audio HD, para esse género é um possível substituto do SACD.

PS: Já viram uma demonstração 4K? A minha vista já não acompanha tanto detalhe!
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 14:15

TD124 escreveu:
Parte 2 : Nascença do Homo-audiofilus

Deixei a nossa historia na nascença entre 60/70 do Homo-audiofilus, então vou continuar a minha tese (pois disso se trata até que a defenda objectivamente) concentrado nele, pois para mim e pelo momento ele é o principal culpado do assassinio da Alta-fidelidade !...   mas como todo réu, ele tém direito a uma defesa justa, então vamos pelo momento nos concentrar na vida dele. Vamos ver como nasceu, aonde e como evoluiu socialmente e psicologicamente até ao ponto de se tornar um criminoso…

Entre os anos 50 até ao fim dos anos 60, o mundo da hifi està em progressão e ebulição permanente. O Japão està quase reconstruido industrialmente e as marcas japonesas começam timidamente mas asseguradamente a conquistar o mundo ocidental. A alemanha que era o maior fornecedor de material hifi doméstico (a baixo-médio preço), vai pouco a pouco ser suplantada pelos japoneses, ora que no topo de gama são os americanos que tronam seguidos pelos ingleses e franceses. Os estados unidos téem um mercado de DIY muito activo, complementado por revistas de grande classe e circulos (clubes) de audio muito bem organisados. O kit vende-se muito bem, e muitos americanos, como ingleses e franceses, fazem eles mesmos a aparelhagem (amplificadores e colunas…) a partir de Kit’s da Dynaco (Dynakit), Tannoy, Radford, Heathkit, Millerioux ou Supravox… e depois juntam um gira a isso e està arrumado. Mas, nessa época o DIY é um passatempo mais que uma paixão e é sobretudo a possibilidade de ter algo de qualidade, por um preço muito inferior ao produto acabado. A noção de escolas, dogmas, tendências, técnicas e etc ainda não existia, então o melomano comprava em função dos seus meios e não da busca de um resultado especifico…  pois nessa época reinava o que se chama hoje a « velha hierarquia », ou seja, o melhor aparelho media melhor, soava melhor e era o mais caro !!!... nos finais de 60 a supremacia do TD124, Garrard 301, Marantz 8B, MC275, JBL, e Tannoy MG não se discutem…

Nos anos sessenta os japoneses estão preparados a entrar no baile da produção eléctronica. Calha bem, pois a vàlvula està prestes a morrer com a criação do transistor no inicio da década, e os japoneses vão sobretudo se interessar a esse componente, é por isso que o Japão não criou vàlvulas. A sociedade é muito activa à volta do DIY, com revistas pertinentes e dinâmicas como a Radio MJ e ao mesmo tempo o fenomeno Rock (a Beatlemania està quase a chegar…), leva muitos jovens a se interessar à hifi e ao DIY afim de fabricar as aparelhagens que são caras. È no inicio dessa década que a revista Radio MJ decide de fazer um evento publico de audio DIY (como a Wireless World fazia em Chicago), e faz um desafio de apresentar uma aparelhagem com uma qualidade igual ou superior a qualquer produto ocidental. Apòs vàrias apresentações de material a revista acaba por escolher algo, de singular. As colunas modificadas por um jovem (A Koïzumi) são de recuperação num cinema e com cornetas, os amplificador são feitos pelo Dr Asano e K Anzaï e são copias (amelhoradas) de velhos aparelhos de cinema americanos com triodos 2A3 e 300B e o gira escolhido vai ser o EMT930 com a célula Denon DL103 !!!... este sistema (foto abaixo) vai fazer sensação e dinamitar as certezas. O publico acha que ele soa melhor que os McIntosh, Marantz, Harman Kardon, Quad’s, JBL, Tannoy e Warfedale com os quais està em comparação, e os multiplos debates e conferências durante o evento são eloquentes !, ao ponto que uma ideia inequivoca começa a se desenhar no espirito dos participantes : E se o material antigo soasse melhor que o novo…   o que indicaria claramente que o caminho da Alta-fidelidade està errado !!!...


Pela simples evocação desta ideia, o Homo-audiofilus vém de nascer e com ele, ou por causa dele nasce um enorme parque de jogo e de brincadeira ao qual por comodidade vamos chamar AUDIOFILIA ! A partir desse dia, o nosso amigo primata e primeiro audiofilo vai experimentar todos os triodos que lhe passam pelos queixos, todas as cornetas que lhe passam pela mão e todos os componentes que os bolsos podem transportar…    …depois ele monta religiosamente tudo, mistura uns com os outros, modifica alguns aspectos e religiosamente escuta tudo, compara com modelos estàveis e tira conclusões fiàveis e repetitiveis !... a escola audiofila japonesa vém de nascer e com ela o Audiofilus-japonicus !!! Desde que hà escola, hà dogma e direção obrigatoria então os SE, Cornetas, Triodos e MC’s (DL103 !…) tornam-se em modelos e simbolos de um caminho a seguir para preservar a qualidade da reprodução musical. Isto é uma revolução total, tanto pela ideia que pela atitude mas é de veludo e sém polémica. O nosso Audiofilus-japonicus é um homém sensivel, refinado, hedonista e melomano/estéta então ele vai comunicar com delicateza e elegância as teorias dele aos outros. Os primeiros que o vão ouvir com atenção são os industriais do audio japoneses, que estão em busca de ganhar terreno em relação aos ocidentais e de se desmarcar tecnologicamente. Marcas como a Luxman, Sansui, Pioneer etc, vão contratar audiofilos confirmados como conselheiros ou designeres afim de estabeleçer sonoridades especificas e vão mesmo criar novos componentes especificos para o audio afim de ultrapassar os limites da época. A audiofilia passa a um novo estado e dà origem a todos os artesãos de audio japoneses da época, aos primeiros fabricantes de cabos audio (Isoda), de transformadores, condensadores, potênciometros etc… a audiofilia comercial està criada e activa em apenas 6 ou 7 anos, mas continua a ser um fenomeno nacional, underground e de pequeno amplor !!!...

Visto assim, o Audiofilus-japonicos até é simpatico pois é um revolucionàrio, um rebelde e ao mesmo tempo um pragmàtico sensivel e um melomano estéta e praticante…   tudo isto é extremamente positivo e valorisante !...    mas, esta adoràvel criatura possui em si a raiz do mal, que o singularisa de uma maneira evidente do melomano ou estéta do nosso primeiro texto. Os primeiros amadores de hifi, sò se interessavam ao material pelo resultado que este procurava, ora que o nosso novo primata vai desenvolver uma paixão desmedida, assumida e revendicada pelo material, pelas técnicas e criar paralelos entre elas… o nosso Audiofilus-japonicus começa então a sua existência em fazendo uma religião, e o cumulo vai ser dez anos apòs quando vai apregoar a religião em ocidente !...  o que vai dar origem ao temivél e detestàvel Audiofilus-ocidentalus que serà a nossa pròxima anàlise…


Deixo uma foto e dedico-lhe este texto pois foi o mestre do meu mestre e o primeiro Homo-audiofilus, que nunca se tornou em apregoador de nada pois assim é o ensino e o caminho do Buda !... eis o grande K Anzaï, o jovem que jadis com o seu 300B abriu o caminho no qual estamos todos... e o seu sorriso diz tudo sobre ele…
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Fabuloso texto, só posso agradecer.

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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 14:17

ricardo onga-ku escreveu:
E a qualidade da imagem? What a Face

R

Que tem a qualidade da imagem? cada meio com as suas características. Claro que em filme 35mm existe mais grão, em slide 67 não fica atrás da full frame digital. Aliás bem digitalizado permite impressões bem maiores, a área do filme é bem maior que a do sensor 24x36.

Digital Man escreveu:
PS: Já viram uma demonstração 4K? A minha vista já não acompanha tanto detalhe!
Sim. aliás o meu monitor tem uma resolução 5K.
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 14:39

ricardo onga-ku escreveu:
...

Paulo, estás (deliberadamente) a ignorar os bijectivistas, grupo no qual me situo? afro

Não!, tu acabaste de nascer e és um temivèl Audiofilus-ocidentalus   dvil

Luis Filipe Goios escreveu:
...

... ainda a autópsia mal começou, e, ... já vai em Concord's e Carroças.. Leicas e Indiana Jones  smedley

Ao menos a lenga muda do SE vs PP,  Vinil vs CD, e vinho branco vs tinto... agora é Concorde vs Carroça !  
cheers

lol!
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 14:48

Interesting analysis!

Now, I'm curious and a bit afraid of the things to come...
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 14:49

Confesso que o Japão me atrai desde criança...a estética, a filosofia, a música, o artesanato e a capacidade incrível de integrar a tradição no mundo moderno e de inventar o futuro.
Posto isto...

-

Será Revolucionário...ou Reaccionário?

Eu diria que o Audiofilus-japonicus é certamente um ser vintageista-coleccionista.

Por muito louvável que seja "a Via Japonesa", perfeitamente compreensível numa nação onde o artesão é olhado com reverência e o seu trabalho adorado com fervor quase religioso, parece-me algo desenquadrada da realidade ocidental e de uma perspectiva "moderna" e "iluminista".

A via ocidental procura representar a realidade, a japonesa pretende talvez recreá-la.

Até meados do Século XX os asiáticos não tinham artistas, apenas artesãos que se "limitavam" a repetir as regras e a estética daquilo que já tinha sido feito, perpetuando gesto e linguagem geração após geração.
E de certa forma o Audiofilus-japonicus perpetua esta filosofia "coleccionando" esquemas e equipamentos de uma era do Audio que por alguma razão os atraiu: seria o "som" dos sistemas e dos equipamentos que os compõem, a estética semi-industrial, as válvulas e as soldaduras ponto-a-ponto, as entranhas à vista dominadas por enormes transformadores, ou um pouco de tudo isso?

O que é facto que é muitos deles se limitam a coleccionar amplificadores, crossovers, cornetas e unidades de compressão que foram concebidas não para uso doméstico mas para a sonorização do cinema, empilhando estes volumosos equipamentos nas suas salas minúsculas sem, na maior parte dos casos, se preocupar minimamente em "trazê-los" para o futuro, por exemplo optimizando o desempenho das velhas colunas de cine-teatro, acoplando as unidades de compressão a cornetas de melhor desempenho e aumentando o número de vias para optimizar a gama de "trabalho" de cada altifalante e eliminar o efeito "corneta", alinhando verticalmente e temporalmente os diafragmas das unidades de compressão.

Mais, um grande número de membros da espécie Audiofilus-japonicus escuta exclusivamente vinil, gravações efectuadas nas décadas de 50 e 60, e não me espantaria se alguns deles ainda vestissem os fatos dos seus avós durante as audições mais sérias...o japonês é um ritualista por natureza.

Alguns sistemas:























Haverá também alguns membros da espécie que exploraram mais ou menos profundamente e com maior ou menor sucesso os limites ou potencialidades das diversas topologias SET, DHT e mesmo das cornetas, e alguns deles, de que o Paulo irá certamente falar, gozam hoje um estatuto de Mestre.





Última edição por ricardo onga-ku em Ter 18 Nov - 15:00, editado 5 vez(es)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 14:49

TD124 escreveu:


Ao menos a lenga muda do SE vs PP,  Vinil vs CD, e vinho branco vs tinto... agora é Concorde vs Carroça !  
cheers

lol![/quote]



E eu vou continuar a insistir até que ele (DM) Concorde que a carroca é mais natural. lol!

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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 15:04

António José da Silva escreveu:
TD124 escreveu:


Ao menos a lenga muda do SE vs PP,  Vinil vs CD, e vinho branco vs tinto... agora é Concorde vs Carroça !  
cheers

lol!

E eu vou continuar a insistir até que ele (DM) Concorde que a carroca é mais natural. lol!

Eh pá, o termo carroça está mal empregue!!! O termo certo é carruagem.

Bom, no caso do vinil, pode-se chamar de coche. dvil


Há quem pague bom dinheiro para dar uma voltinha numa carruagem... por exemplo em Sintra.

Disse carruagem propositadamente porque os coches estão no museu! dvil dvil
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 15:06

Ricardo.

Mas temos que dar algum mérito ao Audiofilus-japonicus. Convém não esquecer que na origem está um sistema que venceu a tal contenda entre todos os aparelhos que representavam o pinnacle da altura e pela historia do amigo Paulo, causou bastante impacto nos que o ouviram e levou a repensar o sentido e andamento do áudio.

O mesmo se passa hoje. Apesar das tuas "certezas", para muitos as certezas vão noutra direcção, e nem tudo o que é feito hoje em áudio e gravações é melhor do que o que foi feito no passado.

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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 15:28

Digital Man escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
E a qualidade da imagem? What a Face

R

A qualidade de imagem nunca foi tão boa como agora. Falemos de fotografia ou video, profissional ou caseiro.
O digital esmagou o analógico.

No video caseiro, por exemplo, uma boa gravação Blu-Ray tem um detalhe e realismo tal (quer na forma quer cromaticamente) que ridiculariza um filme S-VHS ou DVD sem upsampling num plasma grande.
Curiosamente no Blu-Ray também se coloca o problema das gravações, ou por serem originalmente analógicas ou por o master não ser bem feito... scratch

Também me impressiona no Blu-Ray a qualidade do Audio, especialmente quando é HD. No outro dia estava a ouvir uma música quando passavam as letras finais do filme e a resolução era claramente superior à mesma música em CD. Som limpo, limpo. Quase se podiam visualizar os contornos de cada som. E estava a usar as saídas analógicas do leitor de Blu-Ray ligado ao sistema! Nem estava a usar um bom DAC externo! Os novos DACs não sabem converter CD mas são fabulosos a converter o audio digital dos filmes.

Se lançarem concertos de música sifónica em Blu-Ray com audio HD, para esse género é um possível substituto do SACD.

PS: Já viram uma demonstração 4K? A minha vista já não acompanha tanto detalhe!


Só para dar um exemplo (para encerrar este parêntesis off-topic) esta fotografia mede 2,35m, e não é digital lol!

Candida Höfer, 2011
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 15:35

Mr Bojangles escreveu:

Só para dar um exemplo (para encerrar este parêntesis off-topic) esta fotografia mede 2,35m, e não é digital lol!

Candida Höfer, 2011

Pelo contrário, a imagem que TODOS no forum estamos a ver é totalmente digital! lol!

Obrigado amigo por demonstrar ao vivo a qualidade do digital, nativo ou como reprodutor fidedigno do analógico. dvil
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 15:37

Digital Man escreveu:
Mr Bojangles escreveu:

Só para dar um exemplo (para encerrar este parêntesis off-topic) esta fotografia mede 2,35m, e não é digital lol!

Candida Höfer, 2011

Pelo contrário, a imagem que TODOS no forum estamos a ver é totalmente digital! lol!

Obrigado amigo por demonstrar ao vivo a qualidade do digital, nativo ou como reprodutor fidedigno do analógico. dvil

Por isso tive o cuidado de referir a dimensão. Refiro-me à fotografia em si e não à sua reprodução. lol!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 15:38

Digital Man escreveu:


Pelo contrário, a imagem que TODOS no forum estamos a ver é totalmente digital! lol!

Obrigado amigo por demonstrar ao vivo a qualidade do digital, nativo ou como reprodutor fidedigno do analógico. dvil


Deus sabe que me tenho estado a conter contigo, mas hoje estás demais, portanto...



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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 15:41

António José da Silva escreveu:
Ricardo.

Mas temos que dar algum mérito ao Audiofilus-japonicus. Convém não esquecer que na origem está um sistema que venceu a tal contenda entre todos os aparelhos que representavam o pinnacle da altura e pela historia do amigo Paulo, causou bastante impacto nos que o ouviram e levou a repensar o sentido e andamento do áudio.

O mesmo se passa hoje. Apesar das tuas "certezas", para muitos as certezas vão noutra direcção, e nem tudo o que é feito hoje em áudio e gravações é melhor do que o que foi feito no passado.

Mas aí estamos de acordo.
Eu posso afirmar que hoje é possível gravar com melhor qualidade do que no passado mas é verdade que apesar disso há milhares de gravações que são uma porcaria.
Isso não é por causa do digital ou dos equipamentos mas por culpa daqueles que se sentam atrás dos comandos...

E
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 15:46

ricardo onga-ku escreveu:

Eu posso afirmar que hoje é possível gravar com melhor qualidade do que no passado ..


Tu poder afirmar podes, mas isso não quer dizer que estejas correto. dvil


Sabes que uma das regras do modelo cientifico, é colocar tudo em questão. E já houve muitas certezas cientificas que hoje são mentiras.

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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 15:54

ricardo onga-ku escreveu:




Que grande grelha anti-furto! lol!
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 16:00

Pelas mesas parece um restaurante.
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Digital Man
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 16:05

ricardo onga-ku escreveu:
Pelas mesas parece um restaurante.

Nesse caso as grelhas justificam-se para evitar que miúdos traquinas possam danificar o precioso e valiosíssimo equipamento! affraid

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 16:06

ricardo onga-ku escreveu:
Pelas mesas parece um restaurante.


Sem dúvida, e que belo restaurante que deve de ser.

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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 16:07

António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Pelas mesas parece um restaurante.


Sem dúvida, e que belo restaurante que deve de ser.

Estou a começar a gostar da cultura nipónica... Os restaurantes por cá não têm sistemas destes... Evil or Very Mad
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 16:12

Digital Man escreveu:
António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Pelas mesas parece um restaurante.


Sem dúvida, e que belo restaurante que deve de ser.

Estou a começar a gostar da cultura nipónica... Os restaurantes por cá não têm sistemas destes... Evil or Very Mad


Mas duvido que gostes. Aquilo é tudo carroça para ti.

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TD124
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 16:28

mannitheear escreveu:
...
Now, I'm curious and a bit afraid of the things to come...

Don't be afraid Man, there's only one deadman (the HiFi), so it's nothing important!... audio still alive !!!    

ricardo onga-ku escreveu:
Confesso que o Japão me atrai desde criança...a estética, a filosofia, ...

Será Revolucionário...ou Reaccionário?


Eu diria que o Audiofilus-japonicus é certamente um ser vintageista-coleccionista.

Por muito louvável que seja "a Via Japonesa", perfeitamente compreensível numa nação onde o artesão é olhado com reverência e o seu trabalho adorado com fervor quase religioso, parece-me algo desenquadrada da realidade ocidental e de uma perspectiva "moderna" e "iluminista".

A via ocidental procura representar a realidade, a japonesa pretende talvez recreá-la. ...

Os asiaticos são obsecados pelo respeito e os ocidentais pela verdade !!!... quém é melhor ???


TD124 escreveu:
...   ora que o nosso novo primata vai desenvolver uma paixão desmedida, assumida e revendicada pelo material, pelas técnicas e criar paralelos entre elas… o nosso Audiofilus-japonicus começa então a sua existência em fazendo uma religião, ...

Acho que jà tinha evocado a deriva japonesa, e que vai deriver ainda mais no tempo!... não é uma razão para não respeitar os pioneiros... pois de uma certa maneira somos os herdeiros deles !!!

Quanto à visão occidental moderna e iluminista !!!... visto que historicamente tenho muitas reticências em relação às quarto culturas ocidentais europeias que colonisaram o mundo inteiro !!!... não devemos viver no mesmo planeta ou então não li a mesma historia do ocidente que tu !!!

A menos que estejas a falar das filosofias humanistas desse pais que se chama a frança...   sabes, aquele pais que sò aboliu a pena de morte em 1981 e contra a vontade popular !!!   lol!

Mas aqui fala-se de assassinato e de inquérito... então é melhor ficar ontopic
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Digital Man
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 16:31

António José da Silva escreveu:
Digital Man escreveu:
António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Pelas mesas parece um restaurante.


Sem dúvida, e que belo restaurante que deve de ser.

Estou a começar a gostar da cultura nipónica... Os restaurantes por cá não têm sistemas destes... Evil or Very Mad

Mas duvido que gostes. Aquilo é tudo carroça para ti.

Ao contrário do amigo TD, eu gosto da carruagem, para uns passeios agradáveis, e do Concorde para outro tipo de viagens.

É pena que o Concorde, o cerne da tecnologia aeronáutica comercial tenha sido abandonado... Tal como o SACD... dvil
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 17:14

Excelente texto, como sempre, TD124. Pena que o tópico tenha sido desviado para outros assuntos.
Aguardemos pelas características do [i]Homo audiofilus occidentalus.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 17:18

Ajgarcia escreveu:
Pena que o tópico tenha sido desviado para outros assuntos.


Faz tudo parte do novo Homo audiofilus occidentalus. lol!

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Ajgarcia
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 17:31

Bem, aguardemos pelas outras características da espécie.
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 17:42

Ajgarcia escreveu:
...
Aguardemos pelas características do [i]Homo audiofilus occidentalus.

António José da Silva escreveu:
Ajgarcia escreveu:
Pena que o tópico tenha sido desviado para outros assuntos.


Faz tudo parte do novo Homo audiofilus occidentalus. lol!

Ajgarcia escreveu:
Bem, aguardemos pelas outras características da espécie.

Deixem a espécie nascer !!!... e verão o quão temivel, detestavel esta espécie é !... e não é a pior, pois o que lhe vai suceder é o campeão !!!...

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Il semble que la perfection soit atteinte, non quand il n'y a plus rien à ajouter mais quand il n'y a plus rien à retrancher... Antoine de Saint-Exupéry
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Autopsia da Alta-fidelidade   Ter 18 Nov - 17:43

TD124 escreveu:


Deixem a espécie nascer !!!... e verão o quão temivel, detestavel esta espécie é !... e não é a pior, pois o que lhe vai suceder é o campeão !!!...


Fico a aguardar cheio de curiosidade para saber que monstro e que vem dai. lol!

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