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 Requiem de Mozart

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Jorge Ferreira
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Jorge Ferreira


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MensagemAssunto: Requiem de Mozart   Requiem de Mozart EmptyTer Jun 05 2012, 00:04

"Requiem de Mozart"

A estrutura física de Mozart era fraca e requintadamente sensível.

A doença rapidamente tomou conta dele, e trouxe com ela uma melancolia e desânimo.

Pouco tempo antes da sua morte, ocorrida quando ele tinha apenas 36 anos,
ele compôs o seu célebre requiem,
que por um pressentimento extraordinário de sentir a sua própria morte a aproximar-se,
ele próprio o considerou como sendo escrito para o seu próprio funeral.

Um dia, ele ouviu um coche a parar à sua porta.

Um estranho foi anunciado, que pediu para falar com ele.

Esse homem foi apresentado, muito bem vestido e de boas maneiras, e disse-lhe:

"Senhor, Eu fui encarregado por um homem de considerável importância para o procurar”.

"Quem é ele?" interrompeu Mozart.

"Ele não quer ser conhecido."

"Bem, o que ele quer?"

"Ele acaba de perder uma pessoa que amava mesmo muito,
e cuja memória será eternamente querida para ele,
ele tem o desejo de comemorar todos os anos esse evento fúnebre com um serviço solene,
pelo qual ele pede-lhe para lhe compor um requiem".

Mozart foi violentamente atingido por este discurso,
pela forma grave como foi proferido,
e pelo ar de mistério em que tudo estava envolvido.

Ele envolveu-se imediatamente no objectivo de escrever o requiem.

O estranho continuou,
"Aplique-se com todo o seu génio neste trabalho, pois é destinado a um perito."

"Tanto melhor."

"Quanto tempo necessita?"

"Um mês."

"Muito bem, dentro de um mês eu devo voltar, qual é o preço que define para o seu trabalho?"

"Cem ducados"

O estranho contou-os sobre a mesa, e desapareceu.

Mozart permaneceu perdido em pensamentos por algum tempo,
de repente, pediu caneta, tinta e papel,
e apesar dos pedidos da sua esposa para ter cuidado com a sua saúde,
ele começou a escrever...

Essa ansia para a composição continuou durante vários dias,
ele escreveu de dia e de noite,
com um ardor que parecia continuamente a aumentar,
mas a sua constituição física já num estado de grande debilidade,
não pôde apoiar este entusiasmo,
numa manhã caiu sem sentidos,
e foi obrigado a suspender o trabalho.

Dois ou três dias depois,
quando sua esposa tentou desviar a sua mente do triste presságio que o ocupava,
ele disse-lhe abruptamente,
"É certo que eu estou a escrever este réquiem para mim, que servirá para o meu funeral."

Nada poderia tirar esta impressão da sua mente.

Enquanto ele continuava, sentia que a sua força diminuia de dia para dia,
e a composição ia avançando lentamente.

O mês que ele tinha fixado expirou,
o estranho fez novamente a sua aparição.

"Eu acho impossível manter a minha palavra" disse Mozart.

"Não sinta nenhum mau-estar, quanto tempo necessita mais?"

"Mais um mês, pois o trabalho interessou-me mais do que eu esperava,
e eu estendi a composição muito além do que inicialmente tinha projectado"

“Nesse caso, assim será, mas apenas para aumentar o prémio aqui estão mais cinqüenta ducados"

"Sir", disse Mozart, com crescente espanto "quem é então você?"

"Isso não interessa nada para o efeito, daqui a um mês eu voltarei."

Mozart chamou imediatamente um dos seus servos,
e ordenou-lhe que seguisse este personagem extraordinário,
e descobrisse quem era ele,
mas o homem não conseguiu por falta de habilidade, e voltou sem conseguir localizá-lo.

O pobre do Mozart ficou então convencido de que ele não era um ser comum,
que ele tinha uma conexão com o outro mundo,
e que tinha sido enviado para anunciar-lhe que o seu fim se aproximava.

Aplicou-se ainda com mais ardor no seu réquiem,
que ele considerava vir a ser o maior monumento do seu génio.

Enquanto se empenhava, foi surpreendido com os desmaios mais alarmantes,
mas o trabalho ficou quase concluído.

Após o tempo acordado, o estranho voltou,
mas Mozart já não estava cá neste mundo,
a sua carreira foi tanto de brilhante como de curta.

Mozart morreu ainda com 36 anos,
mas neste curto espaço de tempo de vida ele conseguiu a imortalidade,
enquanto existirem corações com sentimentos.


“Flores da Literatura” por William Oxberry


Abraços,
Jorge Ferreira
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Jorge Ferreira
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Jorge Ferreira


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MensagemAssunto: Re: Requiem de Mozart   Requiem de Mozart EmptyTer Jun 05 2012, 02:45

Esta é uma das obras musicais mais enigmáticas alguma vez compostas,
devido ao mitos e controvérsias à volta dela,
especialmente até que ponto ela foi composta efectivamente por Mozart antes de morrer,
e quem efectivamente a terminou.

O conde Franz von Walsegg, encomendou anónimamente a obra através de um intermediário,
para o aniversário da morte da sua esposa.

O objectivo do Conde era fazer de conta que a obra tinha sido de sua autoria,
como já tinha feito anteriormente ao apropriar-se da autoria de outras obras.

Ao que consta, Mozart só recebeu metade do pagamento e a viuva de Mozart foi esperta o suficiente para arranjar alguém que acabasse a obra para a entregar ao Conde para que ela recebesse o resto do dinheiro.

Joseph von Eybler foi um dos primeiros compositores a pegar na obra,
a quem foi pedido para a terminar,
supostamente trabalhou nos andamentos de "Dies irae" até "a Lacrimosa",
as parecenças nas aberturas dos movimentos "Domine Jesu Christe" nos requiems dos dois compositores sugerem que pelo menos ele mexeu nas últimas partes da obra.
Depois deste trabalho ele sentiu que não conseguia acabar a obra e devolveu o manuscrito à viuva Constanze Mozart.

Franz Xaver Süssmayr pegou então na obra e aproveitou parte do trabalho de Eybler para a terminar,
e acrescentou a sua própria orquestração aos movimentos de "Kyrie" para a frente,
completou a "Lacrimosa" e acrescentou alguns movimentos novos que um requiem normalmente teria "Sanctus", "Benedictus" e "Agnus Dei".
Depois acrescentou a parte final "Lux aeterna" adaptando os dois movimentos que iniciam o que Mozart tinha escrito, e usou-os para acabar o requiem.
Que segundo Süssmayr e a esposa de Mozart foi feito de acordo com indicações deixadas pelo próprio Mozart.
Não se sabe se isso é verdade ou não,
algumas pessoas acham improvável que Mozart tivesse repetido as duas primeiras partes da abertura se ele tivesse vivido até completar a obra devido à sua enorme imaginação e criatividade.

Outros compositores alunos de Mozart podem ter ajudado também Süssmayr.

Suspeita-se que o "Agnus Dei" foi baseado em instruções ou esboços de Mozart devido à parecença com uma parte de "Gloria" uma missa anterior composta por Mozart.

Outros dizem que no inicio de "Agnus Dei" o coral faz lembrar o tema principal de "Introitus".

Muitos dos argumentos acerca desta obra centram-se no facto de que se parte desta obra é de alta qualidade, ela deve ter sido quase toda escrita por Mozart ou acabada com a ajuda de esboços feitos pelo próprio. E que se parte da obra contém erros ou falhas atribuem isso à parte feita por Süssmayr.

Um debate frequente é se isso será uma forma justa de julgar a autoria de parte da obra.

Será que foi a viuva que inventou o facto de Mozart ter deixado indicações e esboços para a finalização da obra,
quando foi público que tinha sido Süssmayr a acabá-la, numa forma de legitimar a autenticidade da obra ?

A obra acabada por Süssmayr foi finalmente entregue ao Conde Walsegg completa com uma assinatura falsificada de Mozart.

Apesar da controvérsia do quanto desta obra é efectivamente de Mozart ou não, a versão acabada por Süssmayr foi aceite pelo público, mesmo quando versões alternativas com outros finais fornecem soluções lógicas e agradáveis para a obra.

Um final composto em 1819 por Sigismund Neukomm foi gravado pela batuta de Jean-Claude Malgoire.

Neukomm nascido em Salzburgo e aluno de Joseph Haydn compôs uma conclusão em Libera me, Domine para um concerto do Requiem na festa de Santa Cecília, no Rio de Janeiro a mando de Nunes Garcia.

A confusão acerca da autoria do final da obra é sem sombra de dúvida um Mito devido à própria viuva,
para receber o resto do pagamento do conde e também para receber os direitos das apresentações públicas da obra,
pois tinha interesse em apresentá-la como tendo sido feita por Mozart e acabada segundo os seus esboços e orientações.

Foram de facto os esforços de Constanze que criaram as meias verdades e os Mitos quase imediatamente depois da morte de Mozart.

Segundo ela própria, Mozart disse-lhe que estava a compor a obra para ele, e que ele tinha sido envenenado.

Três documentos diferentes escritos nos primeiros vinte anos depois da morte de Mozart são contraditórios,
e todos citam Constanze como sendo a fonte da entrevista.

Mozart morreu em 1791,
Sete anos depois em 1798 Friedrich Rochlitz o biógrafo e compositor amador alemão,
publicou um conjunto de anedotas e histórias sobre Mozart que ele afirma ter recolhido durante o seu encontro com Constanze em 1796 cinco anos após a morte de Mozart.

Uma dessas histórias foi contada de novo de forma admirávelmente bela no livro “Flores da Literatura” de William Oxberry em 1824, uma história tão bela e enigmática como a própria obra,
essa história é o inicio do Mito criado pela própria viuva,
por isso a coloquei aqui no primeiro post,
pois apesar de não saber o quanto dela é verdade,
ela condiz com a obra do Requiem de Mozart, o quanto dela é dele ?

Depois dos anos 70 muitos compositores insatisfeitos com o final da obra tradicional que foi acabada por "Süssmayr",
tentaram finais alternativos do requiem, com diferentes metodologias para o final.


Abraços,
Jorge Ferreira


Última edição por Jorge Ferreira em Ter Jun 05 2012, 11:41, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Requiem de Mozart   Requiem de Mozart EmptyTer Jun 05 2012, 06:19

Muito interessante. Requiem de Mozart 754215 Obrigado Jorge.


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MensagemAssunto: Re: Requiem de Mozart   Requiem de Mozart EmptyTer Jun 05 2012, 10:36

Fantástico !!
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MensagemAssunto: Re: Requiem de Mozart   Requiem de Mozart EmptyTer Jun 05 2012, 11:17

Em 1830 Alexandr Pushkin escreveu a peça de teatro "Mozart i Salieri",
baseada em alguns destes mitos.

Por sua vez em 1979 Peter Shaffer escreveu a peça de teatro "Amadeus",
baseada nessa peça de 1830 de Alexandr Pushkin,
tendo mais tarde o mesmo Peter Shaffer adaptado a sua peça para cinema,
para o filme de Milos Forman "Amadeus" de 1984.

Estas peças de teatro que deram origem ao filme alteram novamente a realidade,
já anteriormente alterada pela própria viuva de Mozart.

"Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto" não é verdade ?

Tais como a personagem do mediocre compositor Salieri que simultâneamente invejava e admirava o talento de Mozart,
esta personagem foi baseada numa mistura entre o Conde Franz von Walsegg e o compositor Antonio Salieri que conviveu com Mozart na parte final da sua vida.

Na realidade Salieri não era um compositor mediocre e desempenhou um papel importante na música,
tendo inclusivé ensinado compositores famosos tais como Beethoven, Hummel, Liszt, Schubert e o próprio descipulo de Mozart Franz Xaver Süssmayr entre outros...

Apesar do próprio Mozart ter suspeitado que foi envenenado e assassinado,
possivelmente ele morreu devido a complicações de uma febre reumática que já o atacara na infância.

O Requiem de Mozart é talvez das obras mais envolvidas em Lendas e Mitos de que há memória,
o que só alimenta ainda mais o nosso imaginário ao ouvi-la.


Abraços,
Jorge Ferreira
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