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 Imaginàrio...

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TD124
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MensagemAssunto: Imaginàrio...   Ter Jan 12 2016, 19:15

José Miguel escreveu:
TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:
...Curioso não ter um gira-discos de jeito,... ...Em casa de ferreiro espeto de pau!!!

Aqui em França diz-se: O sapateiro é sempre o mais mal calçado!, mas o que eu disse é uma meia-brincadeira... pois tenho vàrios gira-discos e até nao sao os piores, mas estou habituado a um em particular, e prefiro nao ouvir vinilos do que os ouvir em condiçoes que nao me agradam... e ainda por cima, nao sou nada alérgico aos ficheiros, que soam melhor do que muitos giras... mas schuut eu nao disse nada !!! affraid

cheers
Para grandes males, grandes remédios! Wink

Vou dizer uma grosseria: acertar o som com Cd ou ficheiro, chegar a um som satisfatório, parece muito mais fácil... Depois cada formato tem as suas qualidades e/ou defeitos - certo!!!

Agora o tiro ao lado... Tem o gira-discos que mais preenche o meu imaginário - Garrard 301 -, o som dele não o cativa?
Sobre o Thorens TD124 já o li, fiquei com a ideia que o som dele mexe consigo de forma ambígua... O Garrard também?

Se é que li bem...

Vai ser com grande prazer que responderei à sua intervençao, mas aqui deste lado...

cheers

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Il semble que la perfection soit atteinte, non quand il n'y a plus rien à ajouter mais quand il n'y a plus rien à retrancher... Antoine de Saint-Exupéry
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Ter Jan 12 2016, 19:51

TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:
TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:
...Curioso não ter um gira-discos de jeito,...      ...Em casa de ferreiro espeto de pau!!!

Aqui em França diz-se: O sapateiro é sempre o mais mal calçado!, mas o que eu disse é uma meia-brincadeira... pois tenho vàrios gira-discos e até nao sao os piores, mas estou habituado a um em particular, e prefiro nao ouvir vinilos do que os ouvir em condiçoes que nao me agradam... e ainda por cima, nao sou nada alérgico aos ficheiros, que soam melhor do que muitos giras...  mas schuut eu nao disse nada !!! affraid

cheers
Para grandes males, grandes remédios! Wink

Vou dizer uma grosseria: acertar o som com Cd ou ficheiro, chegar a um som satisfatório, parece muito mais fácil... Depois cada formato tem as suas qualidades e/ou defeitos - certo!!!

Agora o tiro ao lado... Tem o gira-discos que mais preenche o meu imaginário - Garrard 301 -, o som dele não o cativa?
Sobre o Thorens TD124 já o li, fiquei com a ideia que o som dele mexe consigo de forma ambígua... O Garrard também?

Se é que li bem...

Vai ser com grande prazer que responderei à sua intervençao, mas aqui deste lado...

cheers

Já estou sintonizado com a frequência certa!

Há muitas formas de viajar, conhecer... Uma delas é por meio de palavras, curiosamente a "matéria" que o nosso cérebro processa Wink

Aqui o espero, para poder escutar com atenção.
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tfonseca
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Ter Jan 12 2016, 20:05

Caro TD124, se se quiser desfazer, nem que seja temporariamente, desses gira-discos que prefere não ouvir, eu posso-lhe dar a minha morada e pagar os portes! Laughing
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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Ter Jan 12 2016, 23:29


Estarei atento....2cclzes

cheers
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Qua Jan 13 2016, 09:08

José Miguel escreveu:
...
Agora o tiro ao lado... Tem o gira-discos que mais preenche o meu imaginário - Garrard 301 -, o som dele não o cativa?
Sobre o Thorens TD124 já o li, fiquei com a ideia que o som dele mexe consigo de forma ambígua... O Garrard também?
Se é que li bem...

Bom, vamos là atacar a resposta que espera e vou tentar ser o mais honesto e conciso possivel. Puz em negrito o que me pareçe ser a chave do problema e das questões levantadas. O imaginàrio é um motor potente da evolução e da construção individual (e mesmo colectiva), mas não é a realidade, apenas uma projeção pessoal desta. O Garrard 301 preenche o seu imaginàrio de certeza pela estética, historia, influência, idade, sonoridade e pelo mito que incarna devido a tudo isto… como é o caso de muitas pessoas pelo mundo…

O TD124, voçê leu o meu texto respeituoso e poético que lhe inspirou a ideia que é uma màquina tanto ou mais mitica ainda do que o G301. Essa leitura cristalisou no seu espirito a ideia que ‘a rainha dos giras’ é uma obra prima, que soa a condizer e então de certeza que o seu imaginàrio criou um desejo suplementar…  o que cria no seu espirito (e de outros também) a incompreensão que o Paulo, possuindo essas màquinas e sendo conheçedor delas, não as utilise para escutar os seus vinilos…

Ora nòs todos somos capazes (quando abandonamos o imaginàrio) de diferenciar amor e respeito, paixão e desejo, realidade e ilusorio. Eu adoro os meus giras antigos (tenho quatro), ao ponto de estarem intactos e sém nenhuma modificação que os desnature da sonoridade inicial. O meu Garrard està num plinto que é a copia ao milimetro, do plinto do Mortimer que é o pai dele, e nunca vi outras pessoas fazer isso... e o TD124 està no seu plinto Ortofon em faia de origem, ao qual sò tirei a pintura preta que o tornava mais austero. Eu quero que eles soem como quando nasceram, como se estivessem num museu para que as gerações futuras (e os amadores) degustem o som original...

Dito isto, estamos directamente na questão que voçê deve se pôr actualmente e que é: mas então como soam essas màquinas naturalmente e em perfeito estado ???...

Todos soam diferentemente e são ainda bons ou mesmo grandes giras. Indiscutàvelmente o TD124 é o melhor e o unico que se possa medir às màquinas modernas, mesmo de topo pois o som não é Vintage mas extrêmamente contemporaneo, quase frio e analitico… O G301 (in)felismente tenho uma versão grease bearing dos primeiros (veio a massa e não a oleo), e mesmo se é o mais reputado é macio, delicado, feminino e subtil, talvez demais… o Goldring GL88 é no espirito Lenco, sombrio, materialisado, feltrado e estructurado o que torna a escuta pesada… e finalmente o Rek-O-Kut é ràpido, dinamico, ritmico e fugoso mas sém nenhuma subtilidade ném charme elegante, apenas o charme rustico americano, como nos carros ou motas deles!...

Então, nenhum deles apresenta a exigência de neutralidade (excepto o TD124 com um braço moderno…) que me dê vontade de os escutar, ora que com os ficheiros tenho uma melhor e mais equilibrada escuta sem esforço. Eu gosto de musica, então quero ouvir os artistas e não o som das màquinas que os reproduzem, pois para isso hà muita coisa e barata mesmo. Então, como são os meus meninos e a pupila dos meus olhos, eles funcionam uma vez por mês, pois a mecânica não gosta de estar parada, mas não me vou sentar à frente para escutar com atenção e deleite, ou muito raramente…

Finalmente para resumir esta longa resposta, faço um paralélo com vinte anos atràs quando era aficionado de carros antigos e que os restaurava, tendo ido a Portugal muitas vezes com Peugeot 204 coupé, boca de sapo e mesmo americanos…, ora que hoje ném pensar pois é avião ou carro moderno…, e no caso extrêmo de um antigo seria um Morgan, mas não o tenho ainda !...

Espero ter respondido e sobretudo ter sido claro na minha argumentação…
cheers

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Qua Jan 13 2016, 10:09

Bom dia Paulo!!!

Quero começar por lhe agradecer o cuidado que teve em responder às perguntas que deixei... a curiosidade é tramada e as palavras são, como disse antes, uma belíssima forma de se viajar.

A Imaginação, ou a "Louca da Casa" como já foi apelidada, é tudo isso que disse e está na origem quer da evolução do Homem quer na sua queda. As inclinações que ela produz nem sempre são positivas e com frequência conduz-nos a erros.
O meu gosto por peças de outros tempos tem a sua origem, tal como disse, em algo tão único como a minha forma de olhar para as coisas. A História, a Estética, a Mística, ... poderia dizer a Irracionalidade para que todas as palavras sejam femininas!!! Mas é aqui que volto a pegar num ponto que já partilhei várias vezes neste espaço: as coisas são o que nelas colocamos.
Por acreditar neste princípio como fundador do conhecimento e da nossa relação com o Mundo, digo que existe racionalidade no acto de se gostar tal como gosto e todos gostamos. Não há só subjectividade, há a objectividade que nos é possível e que o Paulo tão bem explicou quando nos presenteou com a sua análise sobre a possibilidade de "escuta analítica".
O nosso esforço irá conduzir-nos a uma aprendizagem, mas no final essa aprendizagem será sempre salpicada por algo que é só nosso e de mais ninguém!!! (entenda-se que acredito no princípio geral de conhecimento, mas ele não deverá ser mal compreendido com o "cada um diz o que quer do que quer que seja...)

Introduzida a minha resposta e desvio... vou voltar às suas palavras.

Não me entenda com sobranceria, mas a sua resposta está muito próxima do que imaginei. O Amor pelas peças está todo consigo, mas esse sentimento não chega! Compreendo perfeitamente isso que diz e no fundo era isso que gostava de compreender.
A sua opinião respeito-a sem a questionar, porque o que perguntei foi só o simples: o som cativa-o ou não?
Quando vejo um Garrard 301 ou um Thorens TD124 ou mesmo o Rek-O-Kut que conheci aqui faz algum tempo, vejo como disse um pedaço de História e toda a História é datada. Imagino que as características sejam diferentes entre eles (ou eles e Ela), assim como entre estes três e os mais recentes.

Louvo o facto de ter deixado as suas peças no estado mais próximo do original possível e que ainda usufrua delas, uma vez por mês não me diz que gosta pouco, pois outra coisa que gosto de pensar é a nossa relação com as coisas pela perspectiva da Qualidade e não apenas da Quantidade.


Como não conheço nenhuma das peças não vou alongar-me muito mais, reafirmo o meu desejo que não desapareceu e sinto intimamente que um dia irei ouvir e direi: Incrível!!!
Tenho a noção dos anos que passam e do que eles fazem durante a sua passagem, nós evoluímos tal como estas lindas peças, não evoluímos da mesma forma.
Isto que estou a dizer é uma projecção, mas também é uma projecção de crença o facto de acreditar que o Sol amanhã nascerá e sem esta pequena crença cada um de nós cairia para o lado de imediato pois o nosso cérebro iria colapsar.


Não quero deixar passar em branco a analogia com os carros, é perfeitamente compreensível e um grande exemplo. A nossa coluna não está preparada para o que foi um dia o expoente máximo do Luxo, mas isso não significa que o nosso coração não se incline para o pecado (contra a coluna entenda-se!!!).

Pascal um dia disse assim: o coração tem razões que a própria razão desconhece...
Sorrio sempre que digo estas coisas e fico a pensar se não conhece mesmo ou se tão só não prefere ignorar para não tornar a vida um caminho sem graça.

Continue a fazer as suas lindas peças tocar e acima de tudo partilhe essa experiência, não lhe vou pedir as suas peças, mas se um dia aparecer por aqui uma e eu nesse dia a poder acolher... voltamos a falar Wink


Se não for pedir muito, e uma vez que um dia deixou o caminho a meio no outro tópico, poderá escrever algumas palavras sobre colunas de outros tempos como as "míticas" Rogers Ls3/5 em relação às modernas Monitoras como as que tem em casa?
Admito que a minha inclinação não é pelas Rogers, mas pelas magníficas e enormes JBL... A pedir pouco (que graça...) digo que um dia abrirei um pequeno café numa sala rústica com o som de umas 4343... ou no sonho completo com umas Paragon a dar música a quem entre...


E tudo começou pelo "ficheiro", que se tomarmos o caminho mais racional ainda acabaremos todos a dizer que tem tudo, mas não tem nada... este tudo ou nada é a marca de algo que se liga a nós mais pelo lado emocional (o calor/textura do som do vinil...) do que racional.

Como ouço mal, qualquer coisita me serve!!! Mas gosto de ocupar os cinco sentidos, a razão e o coração... Laughing
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Milton
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Qua Jan 13 2016, 10:16

São estas "discussões" que cada vez mais gosto de ler aqui !
O meu aplauso e agradecimento aos dois intervenientes !


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TD124
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Qua Jan 13 2016, 11:10

Milton escreveu:
São estas "discussões" que cada vez mais gosto de ler aqui !  ...

Amigo José Miguel, junto-me ao meu amigo Milton nos aplausos sincéros ao seu texto, que mais do que uma resposta à minha intervenção, são um primeiro postulado do "esprit" que deve guiar este topico...    

José Miguel escreveu:
... a curiosidade é tramada e as palavras são, como disse antes, uma belíssima forma de se viajar.  ...
Pascal um dia disse assim: o coração tem razões que a própria razão desconhece...
Sorrio sempre que digo estas coisas e fico a pensar se não conhece mesmo ou se tão só não prefere ignorar para não tornar a vida um caminho sem graça. ...

José, li com atenção, deleite e admiração a sua resposta/intervenção à qual vou dar seguimento evidentemente... pois não batisei este espaço de resposta, mas de imaginàrio, o que em si nos abre um campo de jogo tão imenso quanto o espirito humano... mas, ficarei proximo do audio na exploração!

Não são as palavras que fazem viajar, mas a ideia subjacente quando ela existe, pois as palavras podem ser estéreis como um deserto... e o caminho da vida é uma viagem solitària, à qual sò nos damos conta com a idade e a sageza...

Vou então responder ponto por ponto à sua intervenção, que cria novos pontos de reflexão/inflexão/reacção como cada vez que o espirito se entrechoca/toca/seduz...

cheers

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Qua Jan 13 2016, 11:26

A atribuição de significado e referências às palavras está do nosso lado e quem vive pelo rígido "dicionário" pode muito bem entrar nesse deserto... creio que não é o caso aqui e por isso espero seguir com a viagem.

Somos viajantes solitários, sim! Mas não somos "ilhas" como alguém o bem disse e permitir o toque é mais difícil do que tocar... tal como dar e receber.

No acto de receber estamos também a dar e neste caso dou a minha atenção!!!

Perguntei pelas colunas, mas sinta-se à vontade para falar do que bem entender. Tenho fascínio por algumas peças e gosto que falem delas, é como se as tivesse a conhecer de uma certa forma.

Os Dream Theater têm uma canção que me diz muito:
Through Her Eyes
(...)
I'm learning all about my life
By looking through her eyes
(...)

Todo o álbum Metropolis part II é fabuloso para mim, acompanhou-me em muitas horas de estudo, apareceu curiosamente quando estudava coisas relacionadas... Mas a verdade é que os outros são nossos espelhos, os nossos melhores espelhos e aprendemos com a atenção que prestamos, aprendemos sobre nós e TODOS!

Agora ouço Herbie Mann com estes ritmos Cubanos e Brasileiros e perco-me...

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unidade
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Qua Jan 13 2016, 12:40

Gratificante, estimulante, deleite…
“ é engraçado” como certa  escrita… tanto nos diz… e se torna reveladora de uma saudável e dinâmica inquietude, empreendedora, vivificante, mas sobretudo “ode” à sensibilidade humana, ao que a pode tornar “plena”…; bem hajam por “dialogo” tão revelador da “riqueza” mesmo que em torno, das rotações/fruição de um “antigo” gira-discos…
De modo algum pretendo constranger-vos, mas por vezes é impossível ficar indiferente à “imaginação” fluente e simples…
Cumprimentos a ambos…
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tfonseca
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Qua Jan 13 2016, 13:41

TD124 escreveu:
Eu quero que eles soem como quando nasceram, como se estivessem num museu para que as gerações futuras (e os amadores) degustem o som original...

Esta é uma visão diferente e muito interessante, diferenciada do que se costuma ver por ai. É normal ver alterações profundas aos gira-discos e consequente modificação do seu som. A perspectiva de museu é completamente contrária, mais saudosista, mas muito pertinente.

A proposito disto, lembro-me de perguntar ao Rui Borges o que ele achava sobre a aplicação de dynamat (ou semelhante) no chassi dos Thorens TD160 que tanto se vê pela internet fora. Ele respondeu-me que já tinha feito a experiência, mas que tinha retirado logo a seguir. O som mudava muito, ficava menos dinâmico, mais estéril, no fundo perdia-se a essência dos Thorens TD160. Esta história lembra-se a sua, em que cada gira-discos que a sua característica que pode se pode esvanecer com estas alterações. Porém, se o possuidor dos gira-discos assim o preferir, obviamente que pode e deve fazer essas alterações.
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Qua Jan 13 2016, 17:27

José Miguel escreveu:
...
Não me entenda com sobranceria, mas a sua resposta está muito próxima do que imaginei. O Amor pelas peças está todo consigo, mas esse sentimento não chega! Compreendo perfeitamente isso que diz e no fundo era isso que gostava de compreender. ...
Como não conheço nenhuma das peças não vou alongar-me muito mais, reafirmo o meu desejo que não desapareceu e sinto intimamente que um dia irei ouvir e direi: Incrível!!! ...

José Miguel escreveu:
...
Os Dream Theater têm uma canção que me diz muito:...
I'm learning all about my life
By looking through her eyes
...

Agora ouço Herbie Mann com estes ritmos Cubanos e Brasileiros e perco-me...

José, ia para responder à primeira intervenção e a sua segunda abriu o jogo e perturbou-me, então na continuidade do todo, vou tentar abordar o tudo que pressinto nas suas palavras, pondo de novo em negrito as faiscas do meu fogo…

Voçê é um contemplativo, ora que eu sou um pragmàtico… ou dito de outra maneira, voçê é latino e eu sou nordico intelectualmente, sem que estas diferenças formais sejam um postulado discriminatorio mas talvez mesmo, a essência do ser e da alteridade… pois sentir de todas as maneiras, é uma frase do Fernando Pessoa, que ecoa igualmente em todas as cabeças da terra independentemente da cultura ou da geografia local daquele que a sente… então, farei abstração desta nossa diferença para me concentrar sobre o que nos reune… a sensibilidade e a humanidade !

Eu não amo as peças, pois um objecto (simplesmente material como um aparelho audio) não me pareçe digno do termo amor… pois o amor é humano e amo os meus filhos, amigos e (ex’s) ou mulher…, ou de outra maneira proxima mas não igual, a quantidade de quadros que possuo e que cobrem as paredes da casa (mas é arte e não objectos pois imateriais na essência)… mas respeito de uma maneira sincéra, profunda e quase religiosa as obras não artisticas (objectos) do passado que definiram o mundo tal qual o conhecemos…

Ora voçê gostaria que eu contemple e mistifique a matéria, algo de inconsistente para um pragmàtico que sò pode mistificar o resultado, e em nenhum caso o meio ném o caminho ou o simbolo… explicando que os protestantes não venerem a cruz ném outro simbolo, mas simplesmente a palavra e a ideia de Deus… e isto està a ser dito por um ateu, mas é para explicação e não para exploração..., então de repente e na continuidade, para mim um gira não é algo de outro que um gira !!!...

Mas o passado desse objecto, a sua influencia historica e o desempenho actual podem evocar sentimentos proximos da ternura, carinho e intimidade, ao ponto que se possa tornar num simbolo de algo que decido de preservar, apregoar e defender contra tudo e todos. Pode chamar a isto amor, mistificação ou deificação… mas eu chamo simplesmente respeito e admiração. Então os EMT930, TD124, GL88, G301 & G401, RoK Rondine, Lenco’s etc…, são a cristalisação de uma é poca, de uma maneira de pensar e de uma certa maneira do génio humano, para os quais louvo o criador, muito mais do que a criação… e sou incapaz de reagir de outra maneira, pois sò o homém é importante !...

Incapaz que sou de mistificar o objecto, no sentido contemplativo ou mistico tal qual o abordei, sou obrigado (ou limitado consoante o ponto de vista…) a analisà-lo pela via fria e distante da consciência critica. Esta ultima porém, dà-me a infinita avantagem de abandonar a crença e de me ofereçer uma evidência intelectual, desprovida de fé. Vejo o objecto então, tal qual ele é e não como gostaria que ele fosse…, de uma certa maneira eu vejo a promessa deslumbrante do nascer do sol e voçê a doce nostalgia do pôr…, mas somos simplesmente as faces opostas da mesma moeda !...

E efectivamente José, no dia que ouvir um dos meus meninos vai dar pulos !... não porque eles são magnificos, unicos ou excepcionais à escuta, mas porque a primeira vez é sempre algo de unico no caminho da iniciação, como o primeiro amor ou o primeiro acto sexual… mas, passado a surpresa, emoção e emulação do contacto inicial, a realidade ocupa o espaço e impõe a rude lei da evidência… e é a cada um de nòs de a açeitar ou decidir arbitrariamente de prolongar o sonho…

cheers

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Qua Jan 13 2016, 19:31

Caro Paulo,

Gostava de lhe conseguir responder com mais disponibilidade, mas estou a trabalhar e escrever no telefone fica complicado.

Admito o meu lado contemplativo, sou dado a coisas pequenas e talvez as mais pequenas sejam mesmo as palavras - sempre grátis!
Na primeira frase da segunda intervenção falo em significado e referência, não me leve mal pelo uso da palavra "amor", porque o significado e a referência que damos à palavra é diferente e por vezes uso essa palavra com alguma facilidade.

Eu não quero nem pretendo que o Paulo contemple ou mistifique as peças que tem e aquelas pelas quais perguntei, o que eu pretendo é que fale tal e qual como experimenta essas peças. Ouvir alguém falar de algo de que gosto é uma forma de aprender e o que menos quero é influenciar, quero que fale simplesmente.

Quando usei a frase da canção e até a expliquei o Paulo percebeu bem, eu sei que tenho uma certa visão do mundo (ele é o que nele colocamos...) e o Paulo ou quem quer que participe terá outra diferente que espero somar à minha. A alteridade de que fala é fundamental  Wink

Mas voltatei com mais calma, espero que entenda que as perguntas são apenas isso mesmo, perguntas de quem quer escutar.
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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Qua Jan 13 2016, 19:58


Pragmático e contemplativo ...
Que continue a tertúlia!
Abraços
cheers
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 09:17

È evidente que o imaginàrio tém um papel importante na paixão pela HiFi, e pode mesmo ser um motor sentimental potente. No entanto, mesmo se o compreendo fàcilmente, a maior parte do tempo é um componente intelectual do audio que me frustra pois pode afastar os amadores da musica…

Compreendo perfeitamente a vontade de possuir um sistema constituido à volta de um par de Ls3/5a da Chartwell com um McIntosh MC275 e um Garrard 301. A associação destres três mitos sagrados dà a impressão de aceder à santissima trindade do audio. Os simbolos associados a esta união são evidentes e vão do bom gosto até ao desejo de exclusividade. Os cromos sob preto dos velhos Mac, evocam imediatamente as Chevrolet dos anos 50/60 e distilam de uma maneira especial a mistura de brilho e rusticidade que ornamenta o sonho americano. O Garrard incarna o radicalismo e a originalidade britânica, com um toque de artesanato industrial que encanta e inspira o classicismo intemporal. As LS3/5a evidentemente respiram a irreverência orgulhosa da veneràvel BBC e escondem os seus drivers rafeiros por detràs da tela de uma caixa de sapatos impecàvelmente folheada…

Tudo o que venho de dizer respira o bom gosto  e o classicismo que conduz à intemporalidade, mas é aqui que reside a perversão. O amador vai por extensão, concluir que se um aparelho é eterno então o seu som também o é, e isto não é racional mas uma deriva do imaginàrio. Sò a arte e os elementos associados aos objectos como a beleza, a estética e a ideia resistem ao tempo, mas a função não. Qualquer objecto moderno é superior na função ao seu antepassado, pois tal é a via da evolução… mesmo se pareçe menos bonito e feito com materiais menos nobres… mas, essa visão não é a objectividade mas uma perversão do imaginàrio, como acreditar que os objectos antigos tém uma alma e os novos não…

Na realidade, esta santissima trindade do audio junta toca muito mal, ou dito de outra maneira é deveras banal na reprodução da musica, o que é um balde de àgua fria na cabeça do hedonista. Mas apesar disso, continuam a ser monstros sagrados ao qual o respeito e a admiração objectiva é merecida e devida…, como qual o imaginàrio é uma faca a dois gumes, que pode nos endormeçer quando pensamos estar acordados…

cheers

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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 10:12



Mais uma grande reflexão, amigo Paulo
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 10:55

TD124 escreveu:
[justify]È evidente que o imaginàrio tém um papel importante na paixão pela HiFi, e pode mesmo ser um motor sentimental potente. No entanto, mesmo se o compreendo fàcilmente, a maior parte do tempo é um componente intelectual do audio que me frustra pois pode afastar os amadores da musica…
(...)

cheers
Bom dia Paulo!

Quero começar por dizer que apagar grande parte do seu texto não significa que não o tenha lido, gostado ou respeite, mas serve apenas para me centrar.
Gostei de ler e gosto da forma como fala destas peças e outras, por isso insisti nas perguntas. Acredito no que diz e acredito que peças contemporâneas toquem melhor e estejam mais próximas da exigência actual, mas o que seria da História se apenas olhássemos o Presente?
O Presente é, de resto, o lugar onde se encontram o Passado e o Futuro, é uma espécie de não-lugar, um U-topos onde tudo parece possível e até impossível ao mesmo tempo. É tão fugaz que há quem se incline a dizer que nem existe, ainda que depois outros afirmem convictamente que é tudo o que existe...
A imaginação...

Vivo na cidade e sonho com o campo, com a vida possível num lugar onde frequentemente me encontro a pensar que nem tudo é bom, que há faltas, que tudo parece preso a um outro tempo... viver numa aldeia do interior de Portugal já foi, é um sonho, a possibilidade de estar a ser conduzido pela imaginação é gigante e a Razão acciona muitas vezes o travão com a evidência de um conforto que ainda encontro aqui.

Com a luz da manhã não dá para ver, mas ali ao fundo está o mar e o porto de pesca da Póvoa de Varzim. O som da grua que trabalha afincadamente para levantar um novo edifício nesta pequena rua é entre-cortado pelo cantar das gaivotas e ao final da tarde os estorninhos fazem-se ouvir de uma forma inacreditável, lembrando muitas vezes que aqui, terra de peixe e de venda ainda com pregão, fala-se alto!!!
O sonho de ir para o campo não se desvanece com a imagem que tenho todos os dias de uma cidade que está muito próxima das suas raízes. O mar está aqui ao lado e por mais que me custe dizer, é da terra e do verde que sinto falta... o elemento água é para mim fundamental, mas é na paisagem de rio que me revejo e nem a linha de horizonte povoada ora com pequenos barcos de pesca ora com os grandes cargueiros que transitam para norte ou sul me fascinam mais do que poder ver a outra margem...

Esta breve introdução pode parecer algo desfasado do tema, talvez seja, mas o que quero mostrar com ela é algo muito simples: a força da nossa imaginação é inacreditável e enquanto escrevo imagino facilmente que a música é só mais um meio e não um fim.

Para mim, claro que falo de mim, a possibilidade de poder ouvir música melhor é um objectivo, mas esse objectivo não me ultrapassa e cedo facilmente à imaginação.
Creio que não corro o risco de desistir de ouvir e tentar ouvir melhor, mas acredito muitas vezes que já desisti da hiper-especialização e admito o conflito de interesses e a promiscuidade as nossas várias faces - racional/irracional.

As três peças que escolheu para falar são para mim históricas e das três só ouvi o Mcintosh...
As colunas Ls3/5a são uma curiosidade pela história, já o disse e repito, mas não são nem de longe nem de perto umas colunas de sonho para mim... tocam-me, mas não são as tais!

O Garrard 301 e o Mcintosh 275 são neste campo peças diferentes, mexem mais comigo e sei que isso nem é racional... a sua presença entre o mundo dos vivos é de tal ordem que me intrigam.
Admito que não sejam os melhores nos seus campeonatos, mas o já imaginaram se eu e outros deixassem de gostar de morar no campo? Eu sei que a cidade é mais cómoda... mas é cada vez mais fácil andar lá e cá.

Deixo ainda outra coisa que me/nos anda a ocupar aqui em casa: peças feitas de forma "artesanal", neste caso em casa de alguém que conhecemos... ouvir aquelas peças poderá responder ao outro tópico, em que contou que o casal sai deslumbrado de uma casa e tenta replicar um sistema... irracional!!!

Nós sabemos bem disse, é irracional, mas quem por momentos não se inclinou ou inclina para esse lado?

Num segundo momento pensamos melhor e a Razão lá nos aponta outro caminho, mas que as peças não nos largam a imaginação, a memória (bem, a memória... haverá lá coisa mais poluída do que a memória???) e mesmo assim resistimos como valentes guerreiros que no campo de batalha imaginavam a vitória e não a queda Wink

Paulo, ler os seu textos é refrescante, é poder contactar com alguém que dá a sua opinião sincera e é tudo o que peço!
Já agora, tem experiência com as enormes JBL de outros tempos?
Fica o desafio e não leve a mal a minha curiosidade, mas é assim que se aprende!!!
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 12:36

José Miguel escreveu:
...Esta breve introdução pode parecer algo desfasado do tema, talvez seja, mas o que quero mostrar com ela é algo muito simples: a força da nossa imaginação é inacreditável e enquanto escrevo imagino facilmente que a música é só mais um meio e não um fim. ...

Amigo José Miguel, não hà que confundir imaginação e imaginàrio, ora que é deste ultimo que falo. A imaginação é o elemento que propulsa o homém no desconhecido e cria o futuro! …é a matéria da qual o sonho é feito. A imaginação é dinamica e em movimento então !... ora que o imaginàrio é obcessivo e roda à volta da memoria. È um movimento quase estacionario e incapaz de se abrir ao novo. O imaginàrio encerra o homém numa viagem imòvel, aonde o passado, o presente e o futuro se misturam, idealisando por essência esse momento como un instante de paraiso… ora que como disse (ou penso), essa ilusão pode-nos perder… ao ponto de passar à porta do paraiso e não o ver ném entrar, pois ele està na nossa cabeça. Então imaginar que a musica possa ser um meio e não um fim, jà é a deriva perversa do imaginàrio, comum no mundo da HiFi!...
José Miguel escreveu:
...As três peças que escolheu para falar são para mim históricas e das três só ouvi o Mcintosh...  As colunas Ls3/5a são uma curiosidade pela história, já o disse e repito, mas não são nem de longe nem de perto umas colunas de sonho para mim... tocam-me, mas não são as tais!...

O imaginàrio é um espaço opaco e brumoso aonde a obcessão assenta-se no trono da razão. Quantas vezes ouvi as frases : Sò posso ouvir musica com vàlvulas… ou em vinilo e outras do género, que assinam imediatamente um estado de ser afastado do de melomano, mas proximo do fetichismo. O imaginàrio permite de eler como a tal, uma coluna com a qual não se viveu e que não sabemos qual o seu desempenho. A irracionalidade é então o motor e o resultado é a ambiguidade, pois no final vamos gostar delas mesmo se o som não for muito bom… e isto pareçe-me desrazoàvel
José Miguel escreveu:
...Deixo ainda outra coisa que me/nos anda a ocupar aqui em casa: peças feitas de forma "artesanal", neste caso em casa de alguém que conhecemos... ouvir aquelas peças poderá responder ao outro tópico, em que contou que o casal sai deslumbrado de uma casa e tenta replicar um sistema... irracional!!!
Nós sabemos bem disso, é irracional, mas quem por momentos não se inclinou ou inclina para esse lado?...  

Eu respeito os objectos e os que o fazem, e considero mais nobre algo que é feito pela mão do homém mais do que por uma màquina. Mas exigo que a função esteja à altura dos meios, pois se a màquina fizer melhor do que o homém açeito-o sem hesitar. Quanto ao casal do outro topico, não hà irracionalidade a querer a mesma coisa que outra pessoa, se é melhor e que estamos convencidos. Talvez não seja a boa via para aceder à nossa alteridade e singularidade, mas é um caminho de evolução açeitàvel… quanto à irracionalidade do desejo que conduz ao imaginàrio, evidentemente todos o possuimos em nòs. Mas pareçe que o beneficio da idade e da sageza, é de abandonar as pulsões instinctivas afim de aceder à paz da certeza serena… é o que tento alcançar, sem conseguir pelo momento é certo!  Wink
José Miguel escreveu:
...Num segundo momento pensamos melhor e a Razão lá nos aponta outro caminho, mas que as peças não nos largam a imaginação, a memória (bem, a memória... haverá lá coisa mais poluída do que a memória???) e mesmo assim resistimos como valentes guerreiros que no campo de batalha imaginavam a vitória e não a queda...

Eu não digo que não devemos gostar de objectos que marcaram a evolução humana, e sou mesmo altamente amador e respeituoso deles. Digo simplesmente, que devemos evitar de os mistificar no dominio do imaginàrio… mas vê-los como são e não como gostariamos que fossem… mas, continue a escrever pois também gosto de o ler, e as almas opostas fazeém faiscas mais belas do que as gémeas...

cheers

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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 12:59

TD124 escreveu:


Amigo José Miguel, junto-me ao meu amigo Milton nos aplausos sincéros ao seu texto, que mais do que uma resposta à minha intervenção, são um primeiro postulado do "esprit" que deve guiar este topico...    


Comecei a ler hoje e já estou siderado.

Miguel, grande texto e cheio de verdade, mesmo que subjectiva e contestável..como quase todas as verdades.

Alguém disse um dia que a verdade era uma mentira por descobrir. A frase dá para todos os lados.

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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 13:03

TD124 escreveu:
As LS3/5a evidentemente respiram a irreverência orgulhosa da veneràvel BBC e escondem os seus drivers rafeiros por detràs da tela de uma caixa de sapatos impecàvelmente folheada…

Quem respira uma "irreverência orgulhosa" são os donos das LS3/5a.

As colunas foram concebidas para monitorizar voz nos estúdios móveis da BBC (Ford Transit) e nem sequer têm o equilíbrio tonal, as capacidades dinâmicas ou a gama de frequências adequada à escuta de música.





Não consigo compreender como é que se tornaram tão importantes e badaladas no universo audiófilio...
Lembrando-me de um ditado muito comum aqui na Bretanha, "hourses for courses" sendo que este cavalo não reúne as condições adequadas à corrida.

Aliás, não consigo perceber como é que as mini-colunas, qualquer que seja a qualidade dos altifalantes, têm lugar na reprodução de música.

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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 13:12

TD124 escreveu:
Todos soam diferentemente e são ainda bons ou mesmo grandes giras. Indiscutàvelmente o TD124 é o melhor e o unico que se possa medir às màquinas modernas, mesmo de topo pois o som não é Vintage mas extrêmamente contemporaneo, quase frio e analitico… O G301 (in)felismente tenho uma versão grease bearing dos primeiros (veio a massa e não a oleo), e mesmo se é o mais reputado é macio, delicado, feminino e subtil, talvez demais… o Goldring GL88 é no espirito Lenco, sombrio, materialisado, feltrado e estructurado o que torna a escuta pesada… e finalmente o Rek-O-Kut é ràpido, dinamico, ritmico e fugoso mas sém nenhuma subtilidade ném charme elegante, apenas o charme rustico americano, como nos carros ou motas deles!...

Então, nenhum deles apresenta a exigência de neutralidade (excepto o TD124 com um braço moderno…) que me dê vontade de os escutar, ora que com os ficheiros tenho uma melhor e mais equilibrada escuta sem esforço. Eu gosto de musica, então quero ouvir os artistas e não o som das màquinas que os reproduzem, pois para isso hà muita coisa e barata mesmo. Então, como são os meus meninos e a pupila dos meus olhos, eles funcionam uma vez por mês, pois a mecânica não gosta de estar parada, mas não me vou sentar à frente para escutar com atenção e deleite, ou muito raramente…

Finalmente para resumir esta longa resposta, faço um paralélo com vinte anos atràs quando era aficionado de carros antigos e que os restaurava, tendo ido a Portugal muitas vezes com Peugeot 204 coupé, boca de sapo e mesmo americanos…, ora que hoje ném pensar pois é avião ou carro moderno…, e no caso extrêmo de um antigo seria um Morgan, mas não o tenho ainda !...

Um Morgan?
Ficavas sem costas... Cool
Acho que estavas melhor servido com o boca-de-sapo.

Fora de brincadeiras concordo plenamente com esta tua posição.

Eu percebo a atracção dos equipamentos vintage mas são poucos aqueles cujo desempenho (fidelidade ao sinal gravado) consegue competir com os mais recentes.
Infelizmente a questão não é assim tão simples já que a evolução tecnológica foi acompanha de uma mudança no gosto; hoje os audiófilos preferem o "detalhe" e o "palco" em detrimento da "pureza tonal" e os equipamentos são "vocalizados" com esse fim.
Muitos soam mal, exibindo umas altas frequências agressivas como se estivéssemos a mastigar um copo de cristal.

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 13:58

TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:
...Esta breve introdução pode parecer algo desfasado do tema, talvez seja, mas o que quero mostrar com ela é algo muito simples: a força da nossa imaginação é inacreditável e enquanto escrevo imagino facilmente que a música é só mais um meio e não um fim. ...

Amigo José Miguel, não hà que confundir imaginação e imaginàrio, ora que é deste ultimo que falo. A imaginação é o elemento que propulsa o homém no desconhecido e cria o futuro! …é a matéria da qual o sonho é feito. A imaginação é dinamica e em movimento então !... ora que o imaginàrio é obcessivo e roda à volta da memoria. È um movimento quase estacionario e incapaz de se abrir ao novo. O imaginàrio encerra o homém numa viagem imòvel, aonde o passado, o presente e o futuro se misturam, idealisando por essência esse momento como un instante de paraiso… ora que como disse (ou penso), essa ilusão pode-nos perder… ao ponto de passar à porta do paraiso e não o ver ném entrar, pois ele està na nossa cabeça. Então imaginar que a musica possa ser um meio e não um fim, jà é a deriva perversa do imaginàrio, comum no mundo da HiFi!...
(...)

Eu não digo que não devemos gostar de objectos que marcaram a evolução humana, e sou mesmo altamente amador e respeituoso deles. Digo simplesmente, que devemos evitar de os mistificar no dominio do imaginàrio… mas vê-los como são e não como gostariamos que fossem… mas, continue a escrever pois também gosto de o ler, e as almas opostas fazeém faiscas mais belas do que as gémeas...
cheers

Mais uma vez apagar parte do texto serve apenas para me centrar, tudo foi lido com cuidado e atenção!!!

Quando comecei disse que o Garrard 301 é o gira-disco que talvez preencha mais o meu imaginário. Percebo melhor agora o que o Paulo diz, a sua distinção entre Imaginário e Imaginação, respeito essa distinção, mas como deve ter percebido eu sou dos que pensam que não há limites sólidos, todas as fronteiras são POROSAS...
Dito isto, o meu imaginário está longe de estar estanque, repare que estou a falar da forma como percepciono as coisas e do meu ponto de vista hoje tenho a ocupar a minha mente uma peça, amanhã será outra e não há cristalização ou sacramentalização de nenhuma.

Escolhi citar uma parte da resposta porque não quero deixar passar algo que disse e que pode resvalar ou ter resvalado para algo que não disse.
A música em contexto estrito é para mim o fim, ou seja, os equipamentos têm que servir para o fim maior que é a Música - uma das mais belas formas de arte.

Quando disse que a Música era só mais um meio, disse perante a vida e a experiência que tenho da vida. Falava de forma mais alargada depois de falar de algo tão aparentemente distante como o viver no campo ou na cidade.

Eu para gostar de um quadro ou escultura não preciso de a ter aqui em casa!!! Gostava muito de poder viver dentro das salas de Rafael (no Vaticano), mais do que na Capela Sistina; De Michelangelo aprecio mais a obra em escultura e quem me dera poder olhar todos os dias para uma... na parede adoraria ter o St Jerome in the Wilderness de Leonardo Da Vinci por exemplo... digo isto não porque acredito na sacralização das obras de arte, mas porque elas me tocam e isto é algo que não consigo ultrapassar, admito-o sorrindo e creio ser impossível ao Homem superar. (escolhi propositadamente apenas obras do Vaticano...)

Eu sei que hoje o Mundo não é visto como o foi por Rafael, Da Vinci ou Michelangelo, mas isso não significa que a forma como eles viram o mundo não estava e não está certa. A evolução das mentes mudou e no mural de Rafael talvez Platão e Aristóteles pudessem ser substituídos por outros, mas será que os outros não devem tanto a estes dois que eles merecem estar onde estão?

Gosto de argumentos circulares e este que tentei produzir serve para que aproximar mais uma vez do Paulo e dizer: concordo mesmo consigo!!! Não nos devemos deixar cair no erro da cristalização Wink

Tenho real fascínio por aquilo que representam certas peças de audio, por quadros, esculturas, LIVROS (os livros são o meu ponto fraco...)... a forma como olho a História pode ser considerada contemplativa, mas a Razão não me abandonou e sei bem que o Presente é o lugar onde se cruzam o Passado e o Futuro.

Com um olho apontado a cada uma das direcções, experimento o Presente da forma que me é possível, aos outros reservo o mesmo direito - age de tal forma que a tua máxima seja passível de se tornar uma lei universal (Kant, in Crítica da Rasão Prática).
É por acreditar nestas coisas que pergunto, ouço, leio, observo... só acedo ao outro da mesmo forma que o outro acede a mim e falar de coisas de que gosto é um GOSTO!

O Paulo tem-me e tem-nos revelado parte do si e do seu mundo, da sua mundividência. Eu pedi para falar de algumas peças e cá estamos a falar delas e de muito mais... se a conversa estivesse a ser aqui em casa acredite no que lhe vou dizer: talvez nem houvesse música ou estaria a tocar baixinho.

A música é só mais um meio e não um fim!
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 13:59

ricardo onga-ku escreveu:
...
Quem respira uma "irreverência orgulhosa" são os donos das LS3/5a.
...
Aliás, não consigo perceber como é que as mini-colunas, qualquer que seja a qualidade dos altifalantes, têm lugar na reprodução de música. ...

Eu quiz ser meigo nas minhas respostas e intervenções... mas é verdade que os donos de LS3/5a aqui do forum françês dedicado a elas... não são audiofilos muito frequentàveis, mas sou mà lingua como tu dizendo isto!!!... quanto às mini-colunas jà falàmos muito disso e sabes que não sou cliente para esse ponto de vista... confused

ricardo onga-ku escreveu:
...
Eu percebo a atracção dos equipamentos vintage mas são poucos aqueles cujo desempenho (fidelidade ao sinal gravado) consegue competir com os mais recentes.
Infelizmente a questão não é assim tão simples já que a evolução tecnológica foi acompanhada de uma mudança no gosto...

Creio que muitas vezes a busca nos aparelhos antigos, não é a da neutralidade mas ao contrario uma via em direção de uma sonoridade marcada pelo tempo ou Vintage. Se a esse som, juntar-mos o peso da historia do aparelho, o tudo dà um objecto com uma mais valia emocional importante... mas com uma pequena mais valia funcional... visto que o desejo de pocessão é fruto do imaginàrio e não de um resultado "objectivo" ao nivel da função...

cheers

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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 15:14

José Miguel, posso-lhe fazer uma pergunta?

Porquê esse trio? Isto é, as LS3/5a, o McIntosh e o Garrard 301? Foram objectos que viu na infancia/juventude e que o marcaram?

Pergunto isto, pois devo ser um dos membros mais novos deste fórum (será?) e estes são objectos, míticos sem dúvida, mas que só os descobri muito tarde na minha vida. Tendo-me iniciado nestas lides só há uns 7 parcos anos, para mim os objectos do meu imaginário são outros, bem diferentes, apesar do Thorens TD124 ocupar um lugar especial.
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 16:20

José Miguel escreveu:

Admito que a minha inclinação não é pelas Rogers, mas pelas magníficas e enormes JBL... A pedir pouco (que graça...) digo que um dia abrirei um pequeno café numa sala rústica com o som de umas 4343... ou no sonho completo com umas Paragon a dar música a quem entre...

José Miguel escreveu:
...
Já agora, tem experiência com as enormes JBL de outros tempos?
Fica o desafio e não leve a mal a minha curiosidade, mas é assim que se aprende!!!

Jà ouvi algumas vezes as 4343, que são belissimas colunas a todos os niveis, mas na JBL a dinamica e o impacto cobrem ou escondem outras qualidades às quais sou mais sensivel, então o som Vintage americano não é my cup of tea, ou então esporadicamente para ouvir o Let it bleed dos Stones ou o Cadillac Ranch do Springsteen a fundo… mas nesse caso prefiro um Can da Ultrasone !!! Laughing ... No entanto, muitos dos meus amigos e pessoas da minha idade alimentam um verdadeiro culto em relação a essas grandes colunas dos EUA. Talvez ligado ao Rock que nos guiou desde a adolescência… ou ao gosto da dinamica, que na HiFi se aparenta à velocidade e à potência nos carros. Comparativamente, eu sempre preferi sonoridades equilibradas e subteis, tendo um fraco pela justeza dos timbres e pela coerência tonal…

Todavia compreendo a sua vontade de criar um espaço rustico e acolhedor recheado por um par de grandes JBL, acompanhadas de certeza por outros cavalheiros do passado. Um café não sendo um espaço de escuta mas de convivio, a presença desses monumentos pode servir de alibi para arrancar e desenvolver conversas iniciàticas e apaixonadas à volta da musica e mesmo da HiFi. Vejo mesmo uma forma de elegância intemporal nesses espaços, infelismente raros no ocidente mas existentes hà muito no Japão…
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 17:00

José Miguel escreveu:

Admito que a minha inclinação não é pelas Rogers, mas pelas magníficas e enormes JBL... A pedir pouco (que graça...) digo que um dia abrirei um pequeno café numa sala rústica com o som de umas 4343... ou no sonho completo com umas Paragon a dar música a quem entre...

Isso é o sonho de muitos de nós ! cheers

Mas não faças como este Japs, que enfiaram as belas Tannoy no teto :



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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 18:18

Milton escreveu:
(...) não faças como este Japs, que enfiaram as belas Tannoy no teto :


Terroristas do áudio é a designação mais adequada que ocorre na minha Caixa Idiota Instruída para tais seres de olhitos rasgados.
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 18:51

tfonseca escreveu:
José Miguel, posso-lhe fazer uma pergunta?

Porquê esse trio? Isto é, as LS3/5a, o McIntosh e o Garrard 301? Foram objectos que viu na infancia/juventude e que o marcaram?

Pergunto isto, pois devo ser um dos membros mais novos deste fórum (será?) e estes são objectos, míticos sem dúvida, mas que só os descobri muito tarde na minha vida. Tendo-me iniciado nestas lides só há uns 7 parcos anos, para mim os objectos do meu imaginário são outros, bem diferentes, apesar do Thorens TD124 ocupar um lugar especial.

Esta minha vontade de colocar questões começou com a leitura de um tópico antigo, este:
http://www.audioanalogicodeportugal.net/t2120-as-sete-maravilhas-do-analogico?highlight=td124
Estava então no meu local de trabalho a procurar algo para ocupar a mente e dei de caras com textos muito bem escritos e apelativos. Não resisti e li tudo, no final senti que faltava algo.
Desde que descobri que venho não só elogiando o que li como vou colocando perguntas e o Paulo lá aceitou o repto - e ainda bem que o aceitou!!!

Não tenho nenhuma trindade, as colunas, como já se vê, nem são as minhas favoritas ou como aqui se vai dizendo as que me ocupam mais o imaginário. As grandes JBL e especialmente as Paragon são um sonho estético e visual, mas admito que estejam muito longe da qualidade do que se produz hoje por muito menos!!!
O Garrard 301 é mesmo um gira-discos que me ocupa e o Mcintosh creio que foi referido porque o Paulo é atento e eu já o referi como um dos que gostava de ter Wink
Não sou coleccionador, aqui em casa somos dois com um pensamento semelhante: queremos ouvir música e o melhor que conseguirmos.

Ah! Pode revelar as peças do seu gosto, por mim sou todo ouvidos Smile

TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:

Admito que a minha inclinação não é pelas Rogers, mas pelas magníficas e enormes JBL... A pedir pouco (que graça...) digo que um dia abrirei um pequeno café numa sala rústica com o som de umas 4343... ou no sonho completo com umas Paragon a dar música a quem entre...

José Miguel escreveu:
...
Já agora, tem experiência com as enormes JBL de outros tempos?
Fica o desafio e não leve a mal a minha curiosidade, mas é assim que se aprende!!!

Jà ouvi algumas vezes as 4343, que são belissimas colunas a todos os niveis, mas na JBL a dinamica e o impacto cobrem ou escondem outras qualidades às quais sou mais sensivel, então o som Vintage americano não é my cup of tea, ou então esporadicamente para ouvir o Let it bleed dos Stones ou o Cadillac Ranch do Springsteen a fundo… mas nesse caso prefiro um Can da Ultrasone !!! Laughing ... No entanto, muitos dos meus amigos e pessoas da minha idade alimentam um verdadeiro culto em relação a essas grandes colunas dos EUA. Talvez ligado ao Rock que nos guiou desde a adolescência… ou ao gosto da dinamica, que na HiFi se aparenta à velocidade e à potência nos carros. Comparativamente, eu sempre preferi sonoridades equilibradas e subteis, tendo um fraco pela justeza dos timbres e pela coerência tonal…

Todavia compreendo a sua vontade de criar um espaço rustico e acolhedor recheado por um par de grandes JBL, acompanhadas de certeza por outros cavalheiros do passado. Um café não sendo um espaço de escuta mas de convivio, a presença desses monumentos pode servir de alibi para arrancar e desenvolver conversas iniciàticas e apaixonadas à volta da musica e mesmo da HiFi. Vejo mesmo uma forma de elegância intemporal nesses espaços, infelismente raros no ocidente mas existentes hà muito no Japão…
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As grandes JBL nunca ouvi e o que me diz aqui é revelador, principalmente pela fina comparação que faz tendo em linha de conta o seu gosto.
As colunas, ou o conjunto todo, para residir aqui em casa tem que responder a poucos critérios de selecção, mas um deles é não cansar ao ouvir!!!

Quando falei do "sonho" do café e das JBL a embalar quem por lá passasse, falei mesmo pelo sentido mais estético que a presença de peças de grande beleza e qualidade poderiam dar. A música num café não é necessariamente o prato principal, mas pode muito bem ser o copo de vinho escolhido com cuidado para que o prato principal brilhe desde que chega à mesa.

A ideia não é nova e é verdade que a fui descobrir no Japão, onde cafés nascem em salas que por vezes não ultrapassam uma sala de estar de uma casa generosa portuguesa. O som ambiente produzido por este tipo de colunas e com um amplificador de uso "doméstico" ultrapassa a simples audição, imagino a fruição do momento como um todo - a sala, as conversas, o vinho ou o café, os sorrisos, ... a música que fica na memória e que ao ser ouvida não conduzirá às colunas ou ao vinho, ao café, ... conduzirá a um momento, um momento que é tudo isso ou nada disso, porque estará sempre a ser trabalhado pela nossa mente maluca!!!

https://www.youtube.com/watch?v=eRI5DArFBMY
Para quem quiser ver algo interessante que descobri faz algum tempo e que não me importava de ter aqui

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TD124
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Sex Jan 15 2016, 18:53

Milton escreveu:
José Miguel escreveu:

Admito que a minha inclinação não é pelas Rogers, mas pelas magníficas e enormes JBL... A pedir pouco (que graça...) digo que um dia abrirei um pequeno café numa sala rústica com o som de umas 4343... ou no sonho completo com umas Paragon a dar música a quem entre...

Isso é o sonho de muitos de nós ! cheers

Mas não faças como este Japs, que enfiaram as belas Tannoy no teto :...

No Japão o espaço é raro e caro, e visto o tamanho das Tannoy's... é ainda no tecto aonde dão menos nas vistas e deixam mais espaço para as pessoas... e é assim que soam melhor!!!!!! lol!

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TD124
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Seg Jan 18 2016, 12:06

José Miguel escreveu:
... se a conversa estivesse a ser aqui em casa acredite no que lhe vou dizer: talvez nem houvesse música ou estaria a tocar baixinho.   ...

Amigo José Miguel, o facto ou feito que eu esteja a defender uma noção de pragmatismo aqui neste topico, não me impede como a nòs todos de possuir a minha sensibilidade e de sentir certas coisas, mesmo quando estas são o fruto de um imaginàrio ou simplesmente da ordem do instante. Uma escuta pode ser màgica porque a realidade ultrapassa o imaginàrio… mas, também o pode ser porque o instante é màgico, e então a escuta imprime-se e confunde-se com o momento au ponto de deixar uma recordação superior ao que foi. Eu não tenho alma de mistagogo, mas admito que seria de boa vontade um Stalker (na imagem Tarkovskiana do termo…), então como voçê sou sensivel à estética no sentido filosofico da palavra, tal que a copiei da Wikipédia:

Estética (do grego aisthésis: percepção, sensação, sensibilidade) é um ramo da filosofia que tem por objetivo o estudo da natureza da beleza e dos fundamentos da arte. Ela estuda o julgamento e a percepção do que é considerado beleza, a produção das emoções pelos fenômenos estéticos, bem como: as diferentes formas de arte e da técnica artística; a ideia de obra de arte e de criação; a relação entre matérias e formas nas artes. Por outro lado, a estética também pode ocupar-se do sublime, ou da privação da beleza, ou seja, o que pode ser considerado feio, ou até mesmo ridículo.

Afim de navegar um pouco no seu sentido e de materialisar as minhas primeiras frases, vou-lhe contar um momento màgico em Portugal…   mas jà vivi alguns como este, como todos nòs é claro !…

Hà dois anos atràs estou em Lisboa e janto na casa do nosso amigo César aqui do forum, que tém uma coleção impressionante de material audio. Apòs o excelente jantar, acendemos um charuto acompanhado de um Single Malt e metemos um disquito a rodar. Conversa puxa conversa entre audiofilos, o nosso amigo decidiu de me fazer descobrir o braço Pickering com uma célula Shure SC35C…  espantado e pragmàtico que sou, sò de olhar para o braço que é mais uma grua em ferro do que uma peça  mecânica de precisão, e de pensar que o tudo ia apoiar no vinilo com uma pressão à volta das 5 gramas até tinha arrepios… mas o César agarra no Someday my Prince will come do Miles e deita-o no prato do SP10 para escuta (braço à esquerda da foto do gira mas não visivel)…

E desde os primeiros segundos de musica a magia acorda e emerge como um levantar do sol no horizonte… as sonoridades são generosas, opulentas, quentes, estructuradas, nocturnas e emoventes!... o instante cristalisa-se então de uma maneira singular. Estou de volta a Lisboa o que é sempre um momento especial, em companhia de um amigo, copo na mão e charuto na boca, escutando apòs horas o Miles numa configuração historica… o tudo torna-se todo, o espirito vacila e remoinha numa valsa hipnotica e a magia nasce, evidentemente !... pois a escuta não é transcendental, mas o instante sim e assim vai alimentar a recordação. Nesse momento isolado, o tempo parou, recuou e gelou uma imagem de puro hedonismo, elegância e eternidade. O imaginàrio tocou a terra e a realidade perverteu-se num instante luxuoso e raro… como seria o caso, se estivéssemos voçê e eu, a partilhar esta conversa à volta de um branco da Borgonha, à escuta do Life do Stephan Micus como faço escrevendo estas linhas…

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Seg Jan 18 2016, 12:45

Estes textos deixam um gajo com a cabeça nas nuvens.

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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Seg Jan 18 2016, 14:36

José Miguel escreveu:

Ah! Pode revelar as peças do seu gosto, por mim sou todo ouvidos Smile  


O meu imaginário está mais perto. Devo dizer que as B&W Nautilus ou mesmo as B&W800 fazem parte desse imaginário. Numa versão mais de trazer por casa seriam as B&W802. Aqui há uns tempos até as 803 seriam pura imaginação...



A nível de electrónica é que a minha imaginação é mais limitada... Não sou fã da McIntosh que geralmente acompanha estas meninas. Acho que me manteria pela Lyngdorf que conheço bem, ou quem sabe Steinway Lyngdorf.

Neste momento a minha imaginação prende-se seriamente com uma sala de audição à séria, propriamente tratada, mas sem descurar no bom gosto e luminosidade, no fundo o equilíbrio. Acho que o equilibro se desenvolve e refina com a idade.
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Seg Jan 18 2016, 15:29

TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:
... se a conversa estivesse a ser aqui em casa acredite no que lhe vou dizer: talvez nem houvesse música ou estaria a tocar baixinho.   ...

Amigo José Miguel, o facto ou feito que eu esteja a defender uma noção de pragmatismo aqui neste topico, não me impede como a nòs todos de possuir a minha sensibilidade e de sentir certas coisas, mesmo quando estas são o fruto de um imaginàrio ou simplesmente da ordem do instante. Uma escuta pode ser màgica porque a realidade ultrapassa o imaginàrio… mas, também o pode ser porque o instante é màgico, e então a escuta imprime-se e confunde-se com o momento au ponto de deixar uma recordação superior ao que foi.
(...)
Nesse momento isolado, o tempo parou, recuou e gelou uma imagem de puro hedonismo, elegância e eternidade. O imaginàrio tocou a terra e a realidade perverteu-se num instante luxuoso e raro… como seria o caso, se estivéssemos voçê e eu, a partilhar esta conversa à volta de um branco da Borgonha, à escuta do Life do Stephan Micus como faço escrevendo estas linhas…
cheers

Boa tarde!

A conversa chegou a um ponto incrivelmente interessante e onde todos nos podemos rever tal como somos.
Somos muito mais do que aquilo que procuramos ou pensamos, somos muito mais do que fazemos ou dizemos, ... somos tudo e mais ainda, a nossa Natureza tende a escapar-nos porque não conseguimos NUNCA aceder à totalidade, à essência, ao Real, ... e lá está, depois as coisas são o que nelas colocamos, tal como nos ensinou o senhor Kant.

Hoje acordei com o pensamento preso a algo, por mais que me tentasse concentrar algo agarrava-me...
Quando li o que o Paulo escreveu estava a ouvir Dream Theater - Images and Words, queria encontrar-me onde pensava que estava agarrado... mas assim que li olhei as estantes de livros e depressa agarrei em alguns - a amarra por instantes tinha-se solto.

Os livros que estão na imagem são os que agarrei em primeiro lugar, que abri e fui reler coisas que sabia poder encontrar dentro deles. Quero falar do Homem...

O Homem é isso mesmo que o Paulo revela com belas palavras, uma espécia de paradoxo, mas desenganem-se, não há paradoxo nenhum em querer algo e o seu contrário, em lutar contra os mais profundos instintos e ainda assim cair uma e outra vez. A música é aqui o cimento que nos une, a procura pela melhor forma de a escutar é racional, mas o lado emocional está sempre presente e prega-nos as suas rasteiras.

Num outro tópico também aberto pelo Paulo - Nexus 6 - coloquei este poema de Sá de Miranda como exemplo do que vi e não me sai da cabeça, como algo orientador e precioso.
Pois bem, este poema tem mais de quinhentos anos e nele conseguimos ver bem explícito como a nossa Natureza Dual é para nós a maior das montanhas a escalar, o caminho mais sinuoso, o obstáculo... ou tão simplesmente a nossa maior qualidade se a aceitarmos!!!

Quinhentos anos depois, apareceu um livro que eu e a Luciana decidimos ler ao mesmo tempo, cada um com o seu, um exercício que culminaria com mais uma conversa de café... A primeira página do livro é essa que está na imagem, o livro é o Anti-Édipo - Capitalismo e Esquizofrenia I, de Gilles Deleuze e Felix Guattari.
Que livro incrível, que soco no estômago, mas nós não somos mesmo o "isto"? Em Francês resulta melhor com o "ça" como se pode ler na nota de final de página... Freud deu-nos muita coisa, é verdade que fechou o seu próprio pensamento para se proteger e proteger a sua criação, mas não estaria ele consciente do que estaria a fazer e por isso consciente que ao errar estaria a dar um passo em frente?
Curioso este livro se chamar o Anti-Édipo, porque ele não nega a tese freudiana, tenta-a superar apenas... Nós sonos o "isto", "ça", mas também somos o "ego" e o "super-ego"... somos o demónio e o anjo... Ou como nos disse Pascal "não sou anjo nem demónio, mas na tentativa de ser anjo sou demónio"...
Negar a nossa Natureza pode ser mais complicado do que a assumir. Ao assumir-mos a nossa Natureza agarramos mais um pedaço de nós e entramos num caminho de superação - creio que assim seremos mais completos, viveremos com mais de nós, do mundo.

Falar de tudo isto fez-me novamente pensar em mim enquanto aquele romântico que cai muitas vezes... que tende para ouvir a razão e ao mesmo tempo querer que ela sossegue por instantes - dualismo!
A página que está agora a ser apresentada é de um livro que também terá mais de quinhentos anos, é de D. Duarte e chama-se o Leal Conselheiro,
Neta fabulosa obra D. Duarte retrata muito bem o povo português e até o nosso espírito e as nossas especificidades. No fundo aquilo que o Paulo disse em cima como sendo um traço Latino.
A Saudade é o nosso maior símbolo e a Saudade é fruto de um Ser que não é necessariamente português, ela é um sentimento que nasce do nosso dualismo - no presente reúnem-se o Passado e o Futuro, a dor e o prazer, o querer e não querer!!!
Temos Saudade do que já vivemos trabalhado pela nossa Imaginação (como o exemplo que deu e muito bom de ler), mas também temos Saudade do que nunca vivemos, porque também a Imaginação consegue trazer para o Presente o que está sabe-se lá onde no Futuro. Neste exercício temos mesmo a nossa visão do Futuro já a "trabalhar" o que olhamos no Passado... Paradoxo? Não, claro que não!!!

Quinhentos anos depois de D. Duarte temos Teixeira de Pascoaes a sistematizar algumas ideias sobre a Saudade e o Saudosismos no seu Livro A Arte de Ser Português.
Da imagem apresentada destaco a leitura da nota de fundo de página. Lá é possível ler-se sobre o que será ou não Real, sobre a possibilidade de estarmos em constante contacto com uma "realidade" moldada por uma certa forma de ser e estar.
Ser Português será isto, o eterno esperar pelo que virá... mas não é assim todo o Homem?
O Devir é um conceito muito interessante e é passível de ser aplicado a todo o Homem como a toda a realidade. Ele encerra a mudança e a necessidade de mudança e é aqui que espero poder voltar ao início do meu texto e dizer que o Homem é muito mais do que a sua expressão racional...
Seguindo um exercício dialéctico que no fundo tem a forma redonda que este argumento também terá se me consegui expressar bem, digo:


A conclusão é assim, assim!!!


Enquanto vos escrevi ouvi Opeth - Damnation... afinal de contas hoje acordei preso a algo...
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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Seg Jan 18 2016, 17:17

José Miguel escreveu:
...
A conversa chegou a um ponto incrivelmente interessante e onde todos nos podemos rever tal como somos.
Somos muito mais do que aquilo que procuramos ou pensamos, somos muito mais do que fazemos ou dizemos, ... somos tudo e mais ainda, a nossa Natureza tende a escapar-nos porque não conseguimos NUNCA aceder à totalidade, à essência, ao Real, ... e lá está, depois as coisas são o que nelas colocamos, tal como nos ensinou o senhor Kant.
(...)
Hoje acordei com o pensamento preso a algo, por mais que me tentasse concentrar algo agarrava-me...
(...)
O Homem é isso mesmo que o Paulo revela com belas palavras, uma espécia de paradoxo, mas desenganem-se, não há paradoxo nenhum em querer algo e o seu contrário, em lutar contra os mais profundos instintos e ainda assim cair uma e outra vez. A música é aqui o cimento que nos une, a procura pela melhor forma de a escutar é racional, mas o lado emocional está sempre presente e prega-nos as suas rasteiras.
(...)
Curioso este livro se chamar o Anti-Édipo, porque ele não nega a tese freudiana, tenta-a superar apenas... Nós sonos o "isto", "ça", mas também somos o "ego" e o "super-ego"... somos o demónio e o anjo... Ou como nos disse Pascal "não sou anjo nem demónio, mas na tentativa de ser anjo sou demónio"...
Negar a nossa Natureza pode ser mais complicado do que a assumir. Ao assumir-mos a nossa Natureza agarramos mais um pedaço de nós e entramos num caminho de superação - creio que assim seremos mais completos, viveremos com mais de nós, do mundo.
(...)
... afinal de contas hoje acordei preso a algo...



Amigo José sò posso aplaudir o seu texto, tanto està impregnado de autêntica e sincéra reflexão humana… mas a sua exaltação poética e intelectual abre de novo uma diagonal de fuga ao meu lado pragmàtico e mesmo mais, pois entrechoca docilmente a minha maneira de ver e de estar no mundo… ora isto é benéfico e a razão de ser do topico aonde estamos. Vou de novo rodar à volta da HiFi, pois tal é o tema central e do qual não pretendo me afastar… sob pena de me perder !...

As palavras téem um sentido, pois são a expressão material ou simbolica das ideias e tento sempre que as minhas sejam justas nesse ponto. O dualismo humano tal que o evocou é complicado e diversificado, no entanto a componente do dualismo que nos interessa aqui no topico, é o « desejo » no sentido freudiano do termo. O imaginàrio cria o desejo, ora que a reflexão cria a necessidade… sém que os dois estejam sempre em harmonia pois estão raramente. O desejo cria uma projeção de prazer ora que a necessidade cria a frustação, mas o proprio do homém é de as confundir. Possuir um Garrard 301 é um desejo, ora que possuir um bom gira-discos é uma necessidade (para um melomano vinilesco…), a partir dai o mito torna-se relativo e o real impõe a sua evidência…

Eu possuo um Garrard, então visto que a pocessão destroi o desejo e que ele não corresponde à exigência devida para se tornar uma necessidade, não tenho problema a deixà-lo no solo e não o escutar. Mas isso eu jà sabia antes de o possuir, então vivo verdadeiramente em paz com ele pois não representa nada mais do que é… um objecto do passado, ultrapassado na função mas essencial como elemento historico. Esta ultima frase fria e implacàvel é todavia o real, mas posso idealisar a coisa à volta do real também, criando uma forma de esquizofrenia audiofila…

… pois posso dizer que a suavidade elegante e nobre do Garrard, procura uma escuta desprovida de stress e de vulgaridade de uma rara classe. As linhas curvas e ligeiramente galbadas do aparelho realçam a geometria angulosa do prato de uma maneira singular. Os botões curvos e salientes, distilam um toque de antigo clàssico à maneira da rolha em vidro de uma garrafa a decantar da toscana. As placas de identidade em aluminio com pregos de fixação exaltam a robusteza dos aparelhos professionais e implicitamente anunciam uma fabricação artesanal. O tudo respira então uma forma de bom gosto universal e intemporal…

Aonde està a verdade então ???...

cheers

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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Seg Jan 18 2016, 17:44

Ainda bem que fizeram deste tópico a vossa sala de estar !! cheers
Nem pensem em dar os nºs de telefone um ao outro !!! No

2cclzes

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MensagemAssunto: Re: Imaginàrio...   Seg Jan 18 2016, 21:38

Já iniciei várias vezes a tentativa de responder, mas como estou na sala... Na sala de trabalho, a paz de espírito é pouca!

A pergunta pela "verdade" é pertinente, mas a resposta já foi enunciada até pelo Paulo quando deixou claro desde o primeiro momento que a sua opinião é a sua, admitindo mesmo outras opiniões.

Eu acredito que a "verdade" a que acedemos é a possível para nós, sendo a "VERDADE" impossível de atingir.
Aquela que nos é possível está sempre poluída pelas nossa educação, vivências, cultura, ... Daí estar sempre a insistir que as coisas são o que nelas colocamos.

Como é possível encontrar-mos consensos?
Nós somos filhos de uma cultura semelhante, pelo que quando olhamos uma mesa de madeira dizemos todos que ela é rígida, dura, ...

Claro que experimentamos diferenças e ao nível da escuta isso vai notar-se, uns vão considerar o Garrard 301 bom, outros excelente, outros ... Para alguns o copo estará meio-cheio, para outros meio-vazio...

Um exemplo mais radical podemos experimentar comparando a nossa noção de tempo cronológico com a ausência dessa noção em algumas tribos... Eles não têm sequer palavras para horas e o que não podemos nomear não conseguimos pensar.

Na audiofilia passa-se o mesmo... Hoje existem conceitos que antes não existiam, por isso o gosto mudou, a educação de quem escuta mudou... A verdade também mudou!

A evolução que sofremos vai moldando quem somos e por consequência a nossa mundividência!!!

Gosta de vinhos como gosta de música, experimentaria os dois prazeres da mesma forma com conhecimentos diferentes?

Eu tenho consciência que ainda sou pequenito a ouvir e a provar vinhos, que a minha verdade de hoje poderá não ser a de amanhã e isto serve para o Homem em geral.
Hoje a verdade possível é esta que temos, mas andamos a tentar descobrir as origens do Universo e quem sabe um destes dias não encontramos quem nos ensine a ouvir e provar melhor Wink

A resposta está tosca, mas depois espero conseguir escrever mais e melhor!


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