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 "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Nov 23 2015, 23:10

.
Descobri este texto no site do Arthur Salvatore...achei-o suficientemente interessante para o traduzir.
Aborda várias problemáticas que temos vindo a discutir aqui, como a "arte da escuta", o "gosto", os "objectivos", as "referências" e até os "alfaiates do som".




"Audio Relativismo" - a nova Doença, uma nova Desculpa

Tem sido uma crescente (mas não discutida) "tendência" na indústria das revistas de áudio há mais de uma década.
Recentemente um editor/crítico (Jonathan Valin) conseguiu finalmente afirmar e defender (uma versão d’) esta "teoria" (ou "crença") numa revista importante (TAS).
Mais tarde, outro “jornalista”, Michael Lavorgna, desta vez na Stereophile, fez a mesma alegação, usando quase as mesmas palavras.

Eu baptizei esta nova “teoria” de "Audio Relativismo".


O que é o "Audio Relativismo"?

É a fé numa “doutrina” que defende que praticamente qualquer equipamento tem mérito e pode produzir “bom som", para o “gosto” de alguém, quando complementado corretamente com outros equipamentos.


Quais são (algumas das) as consequências desta “teoria”?

1. Todo e qualquer equipamento tem alguma validade no mercado de audio.

2. Nenhum componente é intrinsecamente superior a outro.

3. Todas as diferenças na reprodução de música gravada são apenas uma simples questão de gosto.

4. Não existem referências ao nível do desempenho.

5. A (alta) fidelidade, ao sinal ou em geral, é irrelevante.

6. O audio é uma "forma de arte", como a poesia e escultura, ao invés de uma ciência.


Esta “doutrina” é muito conveniente para seus criadores: as revistas de áudio e seus críticos. Ela arma-os com a capacidade (e a desculpa) para encontrar algo de "bom” em ou alguma "justificação" para a compra de qualquer equipamento que é “testado” por eles.
Como?
Porque, se aquilo que defendem estiver certo, cada equipamento, nas condições certas, poderá satisfazer quem escuta tanto como qualquer outro componente, quer na gama de preços em que se insere quer em termos absolutos.
É apenas uma questão de tempo, ou sorte, até se encontrar um par certo.

Com efeito, esta teoria significa que o desempenho de todos os equipamentos é "relativo" e sem "absolutos"; resume-se a "possibilidades".

Eu discordo profundamente daquilo que esta “crença” defende.


Problemas com Audio Relativismo

1. A ser verdade, isso significa não houve nenhum progresso real no áudio durante os últimos 40 anos ou mais, uma vez as "melhorias" são simplesmente uma "questão de gosto".

2. A ser verdade, no futuro nunca poderá existir qualquer progresso real, objetivo (ou mesmo "subjetivo”) na reprodução de música gravada.
Em teoria os progressos serão sempre "relativos”, dependendo apenas do “gosto” e da resposta emocional de quem escuta.

3. A ser verdade, nenhum equipamento, muito menos um sistema completo, poderá jamais ser honestamente descrito (ou declarado) como estando mais próximo do som da “Referência” (a gravação original, ou "música ao vivo"), do que qualquer outro equipamento ou sistema.


A minha opinião sobre "Audio Relativismo"

Eu sou o primeiro a admitir que "prioridades" e "gostos" são fundamentais na escolha de componentes, porque nada é "perfeito".
No entanto estou longe de proclamar que:

1. O “gosto" é tudo o que importa.

2. Todos os componentes têm um desempenho semelhante ou equivalente.

Estas duas afirmações são falsas, ponto.

O Audio não é como a degustação de vinho ou de culinária.
É uma tentativa científica e técnica de recriar perfeitamente um evento musical previamente gravado.
São os engenheiros e técnicos que concebem e constroem os equipamentos de áudio, não os Master Chefs.

Porque ainda é (e será sempre) "imperfeito”, haverá sempre elementos subjetivos inevitáveis ​​na construção de um sistema de reprodução doméstica mas existem objectivos que apesar de pouco nítidos ainda servem de referência  (as gravações originais e a "música ao vivo").
Isso não se passa com "degustação de vinho e de culinária”.

Há uma enorme diferença entre uma descrição subjetiva de reprodução imperfeita de música gravada e uma reacção sensorial e emocional subjetiva à reprodução imperfeita de música gravada.
Nunca devemos confundir essa distinção vital.

Esta "teoria" é apenas mais uma tentativa patética por parte das revistas e dos seus ‘”colaboradores” em comprometer a sua principal responsabilidade para com os leitores: separar os componentes verdadeiramente “notáveis” da grande maioria que não atinge os mesmos níveis de desempenho.

Imperfeições elementares (nos equipamentos) não dão "licença" para ignorar aquilo que é uma responsabilidade séria.

Aquele que afirma que não houve verdadeiro progresso na reprodução doméstica de música gravada, e/ou que praticamente todos os equipamentos têm potencial equivalente para revelar a realidade e a essência da "música ao vivo", sujeito apenas a avaliações de "gosto" e ao correcto complemento com outros equipamentos, ou é altamente desinformado, ignorante, mentiroso e cobarde ou é um incompetente.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Ter Nov 24 2015, 00:03

Como em tudo, no áudio e não só, estão ai muitas verdades e muitas que se calhar deveriam de ser verdade mas que não o são, ou que o são (mas) também.

Sei onde ele quer chegar e dá para ver que provavelmente será um revoltado contra as revistas e até certos equipamentos. Mas também não deixa de ser verdade que nem tudo é ou tem sido evolução.
Temos o exemplo dos amplificadores onde já nos anos 70 se conseguiram aparelhos que a nível de spec. serão uma referencia, mas como bem sabemos, nem todos agradaram. Se um aparelho que à partida já é perfeito e mesmo assim "não serve", deixa-nos duas perguntas:

- Se já era "perfeito" nos anos 70, para onde pode evoluir nos últimos 40 anos?

- Se já era "perfeito" mas muita gente o rejeitou e acabaram por ficar na prateleira da história, o que correu mal?


Mais uma questão que me parece pertinente. Como é que é possível que no maior certame europeu de material áudio (Munique) o sistema mais velho de todos seja (quase) unanimemente considerado o melhor?


Mas entendo perfeitamente onde ele quer chegar, e todos sabemos das muitas manhas existentes. Só não concordo em relação a uma evolução continua (para melhor) com o passar dos anos.

(obviamente que é somente uma opinião que não terá forçosamente que estar certa nem ser do agrado de todos  pirat )

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Ter Nov 24 2015, 07:49

ricardo onga-ku escreveu:
...
Com efeito, esta teoria significa que o desempenho de todos os equipamentos é "relativo" e sem "absolutos"; resume-se a "possibilidades".

Eu discordo profundamente daquilo que esta “crença” defende.   ...

Eis um topico que dà pano para mangas, e que me pareçe estar na continuidade da "autopsia da alta fidelidade" jà evocado no topico homonimo...   então deixo o conceito de niilismo:

Este conceito teve origem na palavra em latim nihil, que significa "nada". O seu sentido original foi alcançado graças a Friedrich Heinrich Jacobi e Jean Paul. Este conceito foi abordado mais tarde por Nietzsche, que o descreveu como falta de convicção em que se encontra o ser humano após a desvalorização de qualquer crença. Essa desvalorização acaba por culminar na consciência do absurdo e do nada.

Simplesmente no audio é o fim de todas as crenças, mesmo o fim da crença ciêntifica então é do niilismo...

António José da Silva escreveu:
...
Mais uma questão que me parece pertinente. Como é que é possível que no maior certame europeu de material áudio (Munique) o sistema mais velho de todos seja (quase) unanimemente considerado o melhor?   ...

A particularidade do desvio em direção do niilismo, é que o homem tendo necessidade de crer, mete-se a crer no que tinha rejeitado antes e que hoje se torna uma alternativa apaziguadora, confortàvel e credivel. Ao mesmo tempo temos o fenomeno de reçeita, que define um gosto global mas marginal no que diz respeito à qualidade. Actualmente os vinhos preferidos dos franceses são os da Borgonha (antes eram os de Bordéus...), e os putos franceses e não sò preferem comer na McDonald's (antes era a sandes de fiambre e queijo...), mas porque existe estas preferências, isso quer dizer que os Borgonha e a McDonalds é melhor do que o resto, ou que simplesmente graças à ignorância escolhemos o que é mais rapido e evidente ?...

Eu pelo meu trabalho globalmente, aprendi a saber o que a maioria gosta de escutar e o que é bom...  e os dois não se encontram que raramente. Gostar não exige esforço ora que saber sim, e talvez o problema resida nesta simples frase...

O que se passa em Munique, passa-se em Milão e em Paris... com sistemas diferentes, mas sempre com a mesma reçeita...     como todos os putos da terra gostam do McDonald's, até que apareça outro mais a gosto !!!

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Ter Nov 24 2015, 08:45

António José da Silva escreveu:
Sei onde ele quer chegar e dá para ver que provavelmente será um revoltado contra as revistas e até certos equipamentos. Mas também não deixa de ser verdade que nem tudo é ou tem sido evolução.
Temos o exemplo dos amplificadores onde já nos anos 70 se conseguiram aparelhos que a nível de spec. serão uma referencia, mas como bem sabemos, nem todos agradaram. Se um aparelho que à partida já é perfeito e mesmo assim "não serve", deixa-nos duas perguntas:

- Se já era "perfeito" nos anos 70, para onde pode evoluir nos últimos 40 anos?

- Se já era "perfeito" mas muita gente o rejeitou e acabaram por ficar na prateleira da história, o que correu mal?

António,

Os primeiros amplificadores a transístores soavam mal por que produziam elevados níveis de TIM (Transient Intermodulation Distortion).
Os designers não acreditavam porque as medições indicavam que tudo estava bem, os audiófilos reclamavam que o som era mau.

Então um Eng. chamado Matti Otala descobriu um método para medir a TIM e o problema ficou resolvido...chama-se a isso evolução.
Tens aqui o paper que foi publicado na AES:

http://hifisonix.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/10/Measuring-TIM.pdf.pdf


E mais informação aqui:

https://en.wikipedia.org/wiki/Audio_power_amplifier#Further_developments_in_amplifier_design

http://www.electrocompaniet.com/about/history.html

http://www.asrr.org/biblioteca/Revue%20Audiophile/FICHIERS/07/OTALA/OTALA.html
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Ter Nov 24 2015, 08:57

TD124 escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
...
Com efeito, esta teoria significa que o desempenho de todos os equipamentos é "relativo" e sem "absolutos"; resume-se a "possibilidades".

Eu discordo profundamente daquilo que esta “crença” defende.   ...

Eis um topico que dà pano para mangas, e que me pareçe estar na continuidade da "autopsia da alta fidelidade" jà evocado no topico homonimo...   então deixo o conceito de niilismo:

Este conceito teve origem na palavra em latim nihil, que significa "nada". O seu sentido original foi alcançado graças a Friedrich Heinrich Jacobi e Jean Paul. Este conceito foi abordado mais tarde por Nietzsche, que o descreveu como falta de convicção em que se encontra o ser humano após a desvalorização de qualquer crença. Essa desvalorização acaba por culminar na consciência do absurdo e do nada.
Simplesmente no audio é o fim de todas as crenças, mesmo o fim da crença ciêntifica então é do niilismo...

Sim, lembrei-me desse tópico mas não do nome.
Aqui fica o link:

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t8142-autopsia-da-alta-fidelidade


TD124 escreveu:
António José da Silva escreveu:
...
Mais uma questão que me parece pertinente. Como é que é possível que no maior certame europeu de material áudio (Munique) o sistema mais velho de todos seja (quase) unanimemente considerado o melhor?   ...

A particularidade do desvio em direção do niilismo, é que o homem tendo necessidade de crer, mete-se a crer no que tinha rejeitado antes e que hoje se torna uma alternativa apaziguadora, confortàvel e credivel. Ao mesmo tempo temos o fenomeno de reçeita, que define um gosto global mas marginal no que diz respeito à qualidade. Actualmente os vinhos preferidos dos franceses são os da Borgonha (antes eram os de Bordéus...), e os putos franceses e não sò preferem comer na McDonald's (antes era a sandes de fiambre e queijo...), mas porque existe estas preferências, isso quer dizer que os Borgonha e a McDonalds é melhor do que o resto, ou que simplesmente graças à ignorância escolhemos o que é mais rapido e evidente ?...

Eu pelo meu trabalho globalmente, aprendi a saber o que a maioria gosta de escutar e o que é bom...  e os dois não se encontram que raramente. Gostar não exige esforço ora que saber sim, e talvez o problema resida nesta simples frase...

O que se passa em Munique, passa-se em Milão e em Paris... com sistemas diferentes, mas sempre com a mesma reçeita...     como todos os putos da terra gostam do McDonald's, até que apareça outro mais a gosto !!!

cheers

Recentemente coloquei o link para um artigo intitulado "Why it's time to turn the music off " e que aparentemente passou por baixo do radar:

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t9576-why-it-s-time-to-turn-the-music-off

Nesse artigo o autor escreve o seguinte:

"Judgment is the precondition of true enjoyment, and the prelude to understanding art in all its forms"

Esta frase é brilhante: "a crítica ou o juízo de valor como condição essencial para a verdadeira apreciação, e um prelúdio para a compreensão de todas as formas de expressão artística"

Ou seja o gosto é indispensável mas não pode ser dissociado da cultura e do conhecimento.

O problema conforme indicas é que "Gostar não exige esforço ora que saber sim".


Parece-me inegável que esta "cultura" do deixa-andar, esta falta de exigência que não se cinge ao audio mas infecta todas as áreas da sociedade, está cada vez mais a nivelar por baixo.
É o culto da mediocridade e dá uma falsa ideia de poder a cada indivíduo, falsa porque o verdadeiro poder vem do conhecimento e não do gosto.

Um abraço,
Ricardo
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Ter Nov 24 2015, 13:27

António José da Silva escreveu:
Mais uma questão que me parece pertinente. Como é que é possível que no maior certame europeu de material áudio (Munique) o sistema mais velho de todos seja (quase) unanimemente considerado o melhor?

Nunca vi menção de tal, pelo menos com o aspecto de inquérito aos visitantes.
Mas vou sugerir algumas hipóteses...

Por exemplo, poderá a classificação de "melhor", ou talvez, a determinação da qualidade ter sido conduzida sido pelo "gosto"?

Ou talvez os críticos não tenham lido o tópico do Paulo sobre "Escuta Analítica" e ainda não saibam avaliar devidamente o desempenho...

As qualidades desses velhos sistemas de sonorização de cinema são reais mas os defeitos também.
Serão essas qualidades tão óbvias e inebriantes que os defeitos escapam à escuta?

Terá esse sistema reproduzido músicas da preferência dos escutantes e desse modo afectado a sua capacidade de discernimento?

Em 2014 o JVH atribuiu ao sistema da W.E. não o título de "melhor sistema" mas o galardão de "maior atração do certame".
Parece-me uma avaliação mais realista.



Neste video os rapazes parecem contentes; será pela qualidade da reprodução ou pela proeza ao nível da dinâmica que os aproxima daquilo que seria de esperar num espectáculo ao vivo onde a qualidade de som é redundante ou não passa de uma nota de rodapé?




António José da Silva escreveu:
Mas entendo perfeitamente onde ele quer chegar, e todos sabemos das muitas manhas existentes. Só não concordo em relação a uma evolução continua (para melhor) com o passar dos anos.

(obviamente que é somente uma opinião que não terá forçosamente que estar certa nem ser do agrado de todos  pirat )

É uma questão de "gosto", queres tu dizer. Cool
Eu percebo a tua crítica em relação à transição do vinil para o CD, de um suporte maduro para uma tecnologia que demorou alguns anos a dominar.
Não deixa de ser irónico que o ressurgimento (ainda que inexpressivo) do vinil só se venha a dar quando a tecnologia do audio digital atinge a maioridade...

Voltando à questão da evolução, aqui está um exemplo daquilo a que se pode designar de versão contemporânea desses velhos sistemas:


Gostava de ouvir este sistema, e também o da Musique Concrete, da Living Voice e da Cessaro.

R
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Ter Nov 24 2015, 14:09

Acredito que muitas das opiniões sobre o "velho sistema" em Munique provenha de gente ignorante como eu que não têm nem o conhecimento nem o método correcto para avaliar um sistema. Mas também existe esse mesma opinião de malta construtora com décadas de experiência.

Mas não vou entrar em questões que não entendo. Vou continuar a ler e fazer a minha analisa.

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Ter Nov 24 2015, 16:42

Agrada-me o conceito de Audio-Relativismo porque me parece libertador.

Em nome do invocado conhecimento podem fazer exercícios discursivos para colorir o desenho.  


E já agora aqui ficam uma colunas para que vejam como era miserável a vida dos audiófilos nos anos 60

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Ter Nov 24 2015, 18:24

ricardo onga-ku escreveu:
...

Esta frase é brilhante: "a crítica ou o juízo de valor como condição essencial para a verdadeira apreciação, e um prelúdio para a compreensão de todas as formas de expressão artística"...

Ricardo

Bordel de merde !!!... sim, isso é uma frase cheia de sentido, e que ultrapassa o campo do audio para ir vadiar e varrer muitas das posturas actuais... obrigado pela vindima, vou guardà-la como recordação !...

Abraço para ti, nessa terra (in)hospitaleira para os franceses, mas velha amiga para nòs... e dà um beijinho da minha parte à rainha, ela vai ficar contente tenho a certeza!!!...

cheers

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Ter Nov 24 2015, 18:31

TD124 escreveu:
... ela vai ficar contente tenho a certeza!!!...


Claro que vai, para ela, um cota de 50 anos é um jovenzinho apetecível. lol!

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Qua Nov 25 2015, 10:49

António José da Silva escreveu:
TD124 escreveu:
... ela vai ficar contente tenho a certeza!!!...


Claro que vai, para ela, um cota de 50 anos é um jovenzinho apetecível. lol!

Palpita-me que o amigo António, apesar da sua idade venerável, como homem lusitano que é, seria príncipe firme e sabedor, um Orfeu intrépido, capaz de se aprofundar no mundo das trevas, para despertar a brotante torrente dionisíaca que jaz ardente no âmago encarcerado da soberana.

Força amigo António que estamos contigo.

Viva Portugal lol!
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Qua Nov 25 2015, 12:03

Na minha cabeça este tema estrutura-se da seguinte forma.

Primeiro, há preferências. O melhor desempenho, pode não corresponder a isso. Mas, a correlação entre as duas é alta.

Segundo, podemos tentar quantificar as preferências. Há vários métodos na literatura de análise de decisão multi-critério.

Terceiro, a performance de um sistema pode ser sempre medida. Podemos é não saber como se mede.


No mundo terreno, isto tudo baralha-se e funde-se com o relativismo. Um pouco como o Paulo descreveu na habituação ao som no outro tópico.

No fim, vêm as sinergias e afins. Por exemplo, defeito de um equipamento é mitigado pelo casamento com outro ou ainda mais simples, umas colunas que precisam de muita corrente, só vão tocar bem se o amplificador a debitar. Dai ser mais fácil analisar sistemas, do que componentes separados, embora à custa das medições serem mais difíceis.
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TD124
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Qui Nov 26 2015, 11:48

ricardo onga-ku escreveu:
... Quais são (algumas das) as consequências desta “teoria”?

1. Todo e qualquer equipamento tem alguma validade no mercado de audio.

2. Nenhum componente é intrinsecamente superior a outro.

3. Todas as diferenças na reprodução de música gravada são apenas uma simples questão de gosto.

4. Não existem referências ao nível do desempenho.

5. A (alta) fidelidade, ao sinal ou em geral, é irrelevante.

6. O audio é uma "forma de arte", como a poesia e escultura, ao invés de uma ciência.
...

Bom vou dar o meu cêntimo a este topico que me pareçe fundamental para o futuro da nossa paixão...

1. Todo e qualquer equipamento tem alguma validade no mercado de audio. : Bom aqui não hà grande coisa a dizer, pois um produto vale o que o consumidor està disposto a pagar por ele... então um equipamento sendo um produto comercial... a regra é valida para este caso também. È uma frase hipocrita, mas não é falsa...

2. Nenhum componente é intrinsecamente superior a outro. : Esta frase pareçe-me estar na continuidade da primeira, mas a intenção subentendida não é a mesma pois não existe a noção de mercado e então torna-se falsa. Pois, se nenhum componente é intrinsecamente Superior a outro, isto quer dizer que as medidas, a fiabilidade, a qualidade dos materiais, a ergonomia e enfim o design são idênticos (ou se valem) entre todos os aparelhos... talvez deva trocar o meu TD124 contra um gira rasca, pois tudo é o mesmo e afinal o gira (dito) rasca não existe...

3. Todas as diferenças na reprodução de música gravada são apenas uma simples questão de gosto.
: A alta fidelidade tém como pretensão e missão, de reproduzir o mais fielmente uma gravação. A partir deste constato, o resultado não é uma questão de gosto mas de mais ou menos fidelidade, e jà expliquei varias vezes como se assegurar que o que escutamos està (ou não) no disco. Então se a reprodução se aproxima do que està gravado então é fiel, e se ela se afasta (mesmo que soe muito bem e musical...), então é audio e não fidelidade. O gosto não participa em nada nesta conversa, e se for o caso então o rasca pode ser muito bom...

Deixo as outras três para mais tarde, pois é cansativo de combater moinhos a vento...

cheers


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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Qui Nov 26 2015, 16:13

A questão da alta fidelidade versus gosto pessoal nunca será uma questão encerrada.

Aliás creio que estamos perante a problemática do ovo e da galinha.

Não se sabe quem nasceu primeiro.

O senso comum leva-me a admitir que logo à data da construção dos primeiros realejos no Sec XV os seus construtores, bem como os decerto extasiados auditores terão alimentado não só a expectativa de reproduzir fielmente a música, como também alguma ambição quanto ao prazer com que ouviam esse som.

Porém, facilmente admito que o principal objectivo era o prazer da fruição, a satisfação onanista do prazer, o deleite embebido na estupefacção.

Concomitantemente, não posso ignorá-lo, toda esta fruição era acolitada pelo fascínio que o mágico desempenho das maquinetas produtoras de sons suscitava.

Hoje em dia passa-se exactamente o mesmo.

Em maior ou menor grau, conforme a exigência e conhecimento de quem recorre aos dispositivos áudio, todas estas variáveis estão presentes.

E a questão não é nada complicada desde que haja um pouco de bom senso e equilíbrio.

Parece que nem vale a pena discutir a validade do conceito Hi-Fi. É óbvio que deverá ser sempre o ideal que devemos prosseguir (e perseguir).

Assente o ponto anterior somos porém obrigados a constatar que não vivemos num mundo ideal e que as contingências (geralmente de €€€) nos obrigam frequentemente a fazer concessões nesta matéria.

Assim sendo, a maioria dos que como nós se interessam por estas coisas, acabam por ter que tolerar algumas fragilidades do valor intrinseco dos seus equipamentos.

Se formos honestos isso é o mais comum.

Sem chegarmos ao extremo de validarmos os equipamentos "rascas" existe muita aparelhagem que sem ser "hi-end" ou "hi-tech" está apta para satisfazer o objectivo para que foi construída.

Vivo muito bem com esta realidade.

Muito mais difícil é conviver com fundamentalismos.

Quero ter a liberdade de perseguir a perfeição tecnológica e até disfrutá-la mas não abdico da liberdade de poder dispensá-la quando não estiver ao meu alcance e apreciar o que tenho.

Posto isto o conceito de audio relativismo tem para mim tanta importância como a sua realidade antitética (o mito do hi-tec).

E em termos de ludoepílogo  e já que ideias não são pães aqui fica uma canção em homenagem ao meu Avô



Última edição por Mário Franco em Qui Nov 26 2015, 17:03, editado 2 vez(es)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Qui Nov 26 2015, 16:24


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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Qui Nov 26 2015, 23:31

ricardo onga-ku escreveu:
.
Descobri este texto no site do Arthur Salvatore...achei-o suficientemente interessante para o traduzir.
Aborda várias problemáticas que temos vindo a discutir aqui, como a "arte da escuta", o "gosto", os "objectivos", as "referências" e até os "alfaiates do som".




"Audio Relativismo" - a nova Doença, uma nova Desculpa

Tem sido uma crescente (mas não discutida) "tendência" na indústria das revistas de áudio há mais de uma década.
Recentemente um editor/crítico (Jonathan Valin) conseguiu finalmente afirmar e defender (uma versão d’) esta "teoria" (ou "crença") numa revista importante (TAS).
Mais tarde, outro “jornalista”, Michael Lavorgna, desta vez na Stereophile, fez a mesma alegação, usando quase as mesmas palavras.

Eu baptizei esta nova “teoria” de "Audio Relativismo".


O que é o "Audio Relativismo"?

É a fé numa “doutrina” que defende que praticamente qualquer equipamento tem mérito e pode produzir “bom som", para o “gosto” de alguém, quando complementado corretamente com outros equipamentos.


Quais são (algumas das) as consequências desta “teoria”?

1. Todo e qualquer equipamento tem alguma validade no mercado de audio.

2. Nenhum componente é intrinsecamente superior a outro.

3. Todas as diferenças na reprodução de música gravada são apenas uma simples questão de gosto.

4. Não existem referências ao nível do desempenho.

5. A (alta) fidelidade, ao sinal ou em geral, é irrelevante.

6. O audio é uma "forma de arte", como a poesia e escultura, ao invés de uma ciência.


Esta “doutrina” é muito conveniente para seus criadores: as revistas de áudio e seus críticos. Ela arma-os com a capacidade (e a desculpa) para encontrar algo de "bom” em ou alguma "justificação" para a compra de qualquer equipamento que é “testado” por eles.
Como?
Porque, se aquilo que defendem estiver certo, cada equipamento, nas condições certas, poderá satisfazer quem escuta tanto como qualquer outro componente, quer na gama de preços em que se insere quer em termos absolutos.
É apenas uma questão de tempo, ou sorte, até se encontrar um par certo.

Com efeito, esta teoria significa que o desempenho de todos os equipamentos é "relativo" e sem "absolutos"; resume-se a "possibilidades".

Eu discordo profundamente daquilo que esta “crença” defende.


Problemas com Audio Relativismo

1. A ser verdade, isso significa não houve nenhum progresso real no áudio durante os últimos 40 anos ou mais, uma vez as "melhorias" são simplesmente uma "questão de gosto".

2. A ser verdade, no futuro nunca poderá existir qualquer progresso real, objetivo (ou mesmo "subjetivo”) na reprodução de música gravada.
Em teoria os progressos serão sempre "relativos”, dependendo apenas do “gosto” e da resposta emocional de quem escuta.

3. A ser verdade, nenhum equipamento, muito menos um sistema completo, poderá jamais ser honestamente descrito (ou declarado) como estando mais próximo do som da “Referência” (a gravação original, ou "música ao vivo"), do que qualquer outro equipamento ou sistema.


A minha opinião sobre "Audio Relativismo"

Eu sou o primeiro a admitir que "prioridades" e "gostos" são fundamentais na escolha de componentes, porque nada é "perfeito".
No entanto estou longe de proclamar que:

1. O “gosto" é tudo o que importa.

2. Todos os componentes têm um desempenho semelhante ou equivalente.

Estas duas afirmações são falsas, ponto.

O Audio não é como a degustação de vinho ou de culinária.
É uma tentativa científica e técnica de recriar perfeitamente um evento musical previamente gravado.
São os engenheiros e técnicos que concebem e constroem os equipamentos de áudio, não os Master Chefs.

Porque ainda é (e será sempre) "imperfeito”, haverá sempre elementos subjetivos inevitáveis ​​na construção de um sistema de reprodução doméstica mas existem objectivos que apesar de pouco nítidos ainda servem de referência  (as gravações originais e a "música ao vivo").
Isso não se passa com "degustação de vinho e de culinária”.

Há uma enorme diferença entre uma descrição subjetiva de reprodução imperfeita de música gravada e uma reacção sensorial e emocional subjetiva à reprodução imperfeita de música gravada.
Nunca devemos confundir essa distinção vital.

Esta "teoria" é apenas mais uma tentativa patética por parte das revistas e dos seus ‘”colaboradores” em comprometer a sua principal responsabilidade para com os leitores: separar os componentes verdadeiramente “notáveis” da grande maioria que não atinge os mesmos níveis de desempenho.

Imperfeições elementares (nos equipamentos) não dão "licença" para ignorar aquilo que é uma responsabilidade séria.

Aquele que afirma que não houve verdadeiro progresso na reprodução doméstica de música gravada, e/ou que praticamente todos os equipamentos têm potencial equivalente para revelar a realidade e a essência da "música ao vivo", sujeito apenas a avaliações de "gosto" e ao correcto complemento com outros equipamentos, ou é altamente desinformado, ignorante, mentiroso e cobarde ou é um incompetente.
Com isto tudo que li vou deixar de ler a Stereophile.

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Qui Nov 26 2015, 23:33

ducar escreveu:

Com isto tudo que li vou deixar de ler a Stereophile.



O importante é não deixar de ouvir musica.

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Sex Nov 27 2015, 02:09

Mário Franco escreveu:
A questão da alta fidelidade versus gosto pessoal nunca será uma questão encerrada.

Aliás creio que estamos perante a problemática do ovo e da galinha.

Não se sabe quem nasceu primeiro.

O senso comum leva-me a admitir que logo à data da construção dos primeiros realejos no Sec XV os seus construtores, bem como os decerto extasiados auditores terão alimentado não só a expectativa de reproduzir fielmente a música, como também alguma ambição quanto ao prazer com que ouviam esse som.

Porém, facilmente admito que o principal objectivo era o prazer da fruição, a satisfação onanista do prazer, o deleite embebido na estupefacção.

Concomitantemente, não posso ignorá-lo, toda esta fruição era acolitada pelo fascínio que o mágico desempenho das maquinetas produtoras de sons suscitava.

Hoje em dia passa-se exactamente o mesmo.

Na minha óptica essa teoria apresenta dois erros:

Em primeiro lugar no Sec. XV ninguém pensava em reproduzir música; ou se tocava ou se escutava.
A coisa mais próxima deveria ser a caixa de música mas se não me engano a gravação e reprodução de música só apareceu em meados do século XIX.

Além disso o realejo é um instrumento e o som que produz chama-se música, enquanto que um sistema de alta- (ou nem tanto) -fidelidade não é um instrumento nem produz música...
Trata-se de um conjunto de equipamentos cuja finalidade é a reprodução em ambiente doméstico de música gravada, que tem como objectivo criar na nossa casa o som de um evento original (quando ele existiu) ou do produto que foi congeminado na mesa de mistura.

Daí que para escutar a música seja tão importante que conjunto de equipamentos tenha um desempenho o mais "transparente" ou "fiel" possível.

A grande "arte" (ou dificuldade) está em determinar o grau de "fidelidade", ver além das qualidades e identificar os defeitos.

R
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Sex Nov 27 2015, 02:14

E não se dorme? lol!

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Sex Nov 27 2015, 02:21

Devia, não é?
Insónia...
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Sex Nov 27 2015, 02:23

Mário Franco escreveu:
a maioria dos que como nós se interessam por estas coisas, acabam por ter que tolerar algumas fragilidades do valor intrinseco dos seus equipamentos.

Se formos honestos isso é o mais comum.

Sem chegarmos ao extremo de validarmos os equipamentos "rascas" existe muita aparelhagem que sem ser "hi-end" ou "hi-tech" está apta para satisfazer o objectivo para que foi construída.

Vivo muito bem com esta realidade.

Muito mais difícil é conviver com fundamentalismos.

Quero ter a liberdade de perseguir a perfeição tecnológica e até disfrutá-la mas não abdico da liberdade de poder dispensá-la quando não estiver ao meu alcance e apreciar o que tenho.

Posto isto o conceito de audio relativismo tem para mim tanta importância como a sua realidade antitética (o mito do hi-tec).

Concordo plenamente com tudo à excepção da última frase.

A crítica honesta e construtiva pode ser incómodo ou mesmo dolorosa mas permite evoluir.
Daí que uma atitude relativista seja condenável, ainda mais no caso das revistas.

O problema é que por vezes nos deixamos envolver emocionalmente com as marcas e os equipamentos e essa paixão deixa-nos cegos...
É por isso que eu costumo sublinhar a importância de uma avaliação isenta de "gosto", guiada apenas pela observação "desinteressada".

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Sex Nov 27 2015, 08:50

ricardo onga-ku escreveu:
Mário Franco escreveu:
a maioria dos que como nós se interessam por estas coisas, acabam por ter que tolerar algumas fragilidades do valor intrinseco dos seus equipamentos.

Se formos honestos isso é o mais comum.

Sem chegarmos ao extremo de validarmos os equipamentos "rascas" existe muita aparelhagem que sem ser "hi-end" ou "hi-tech" está apta para satisfazer o objectivo para que foi construída.

Vivo muito bem com esta realidade.

Muito mais difícil é conviver com fundamentalismos.

Quero ter a liberdade de perseguir a perfeição tecnológica e até disfrutá-la mas não abdico da liberdade de poder dispensá-la quando não estiver ao meu alcance e apreciar o que tenho.

Posto isto o conceito de audio relativismo tem para mim tanta importância como a sua realidade antitética (o mito do hi-tec).

Concordo plenamente com tudo à excepção da última frase.

A crítica honesta e construtiva pode ser incómodo ou mesmo dolorosa mas permite evoluir.
Daí que uma atitude relativista seja condenável, ainda mais no caso das revistas.

O problema é que por vezes nos deixamos envolver emocionalmente com as marcas e os equipamentos e essa paixão deixa-nos cegos...
É por isso que eu costumo sublinhar a importância de uma avaliação isenta de "gosto", guiada apenas pela observação "desinteressada".

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Depois de ler isto qual é o teu sistema actual que cumpre esses requisitos que descreves ai acima?

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Sex Nov 27 2015, 09:52

Antes de imigrar estava melhor servido em muitos aspectos tanto ao nível da fonte como das colunas, o amplificador é o mesmo.
Agora tenho uma fonte pior mas melhorei na acústica da sala; quanto às colunas, a gama média melhorou ao nível da "transparência" mas as capacidades dinâmicas são mais limitadas e os graves perderam em extensão e "claridade" e o extremo agudo é ligeiramente "audiófilo" no mau sentido.
Acho que não volto a comprar colunas com tweeter de cúpula rígida...

Esta saída será em princípio temporária e por isso o sistema está em modo de acampamento.
Foi isso que me levou a deixar os CDs e o leitor em Portugal, e a vender as colunas que eram demasiado grandes para a sala actual.

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t7414-sistema-filosofia-e-equipamentos


Para além da acústica da sala, a "qualidade" de um sistema depende de três factores externos externos ao desempenho dos equipamentos que o compõem: o budget, a capacidade crítica de quem escuta e algum conhecimento técnico que permita determinar a causa das deficiências e escolher um equipamento adequado para as ultrapassar.

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Mário Franco
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Sex Nov 27 2015, 11:51

ricardo onga-ku escreveu:
Antes de imigrar estava melhor servido em muitos aspectos tanto ao nível da fonte como das colunas, o amplificador é o mesmo.
Agora tenho uma fonte pior mas melhorei na acústica da sala; quanto às colunas, a gama média melhorou ao nível da "transparência" mas as capacidades dinâmicas são mais limitadas e os graves perderam em extensão e "claridade" e o extremo agudo é ligeiramente "audiófilo" no mau sentido.
Acho que não volto a comprar colunas com tweeter de cúpula rígida...

Esta saída será em princípio temporária e por isso o sistema está em modo de acampamento.
Foi isso que me levou a deixar os CDs e o leitor em Portugal, e a vender as colunas que eram demasiado grandes para a sala actual.

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t7414-sistema-filosofia-e-equipamentos


Para além da acústica da sala, a "qualidade" de um sistema depende de três factores externos externos ao desempenho dos equipamentos que o compõem: o budget, a capacidade crítica de quem escuta e algum conhecimento técnico que permita determinar a causa das deficiências e escolher um equipamento adequado para as ultrapassar.

R

Não está só nestas suas dificuldades, atentando por exemplo à travessia do deserto que tem sido a sua saga das colunas vê-se que nem o conhecimento nos salvaguarda destes problemas.

Quanto aos erros que me assinalou creio que será pouco produtivo debatermos se o realejo (ou a pianola com os seus rolos) é instrumento ou não, o importante é que se entenda a ideia subjacente.

As críticas honestas e construtivas (assim como as outras) nunca são incómodas nem dolorosas, há muito que aprendi a viver com elas e a usá-las como instrumentos para aferir posições (pode crer que o meu maior crítico sou eu).

Porém, se não se deve ignorar a crítica também é verdade que esta deve ocupar o lugar que lhe está reservado na orquestra. A hipertrofia da crítica produz abortos.

De novo realço o meu apreço pelo aspecto técnico da questão mas recuso cingir-me exclusivamente a ele.

Afirmar a importância da perfeição tecnologica e do conhecimento creio que é na fase actual uma verdade de La Palice mas ignorar os aspectos emocionais da questão é tapar o Sol com a peneira (ou amputar as pernas ao pobre do moribundo) .

Relativamente à questão da crítica importa realçar que a de boa qualidade caracteriza-se por incidir não só no preto e branco mas também em todas as gradações da escala cromática

Aplicando este princípio à teoria da Audio Relatividade não tenho dificuldade nenhuma em ir eliminando automaticamente os disparates consoante vou fazendo a leitura.

É disparate. Lixo.

E passo à frente.

Mas se ficar ali a remoer nos erros que o texto contém não aproveito nada, pareço um disco riscado ou pior ainda um cruzado a combater infiéis.

Há algum valor no texto em análise ?

Para mim (apesar dos erros crassos que contém) apresenta a virtude da roptura com o "mainstream" tal como o vejo.

E como vejo eu o mainstream?

Vejo-o como o fascínio embasbacado do hi-tec, o mito da tecnologia, a ilusão de que a perfeição é possível desde que nos concentremos afincadamente nas medições, basta uma fotografia de um giradiscos "bolo de noiva" para pôr as hostes a salivar, os "recap" milagrosos, os audioshows pretensiosos, a noção de que se é caro é bom, a associação da novidade à qualidade, o exibicionismo disfarçado.

Há tanta desinteligência entre o meio "científico" como entre o meio "sensorial".

Felizmente a desinteligência detecta-se facilmente desde que se tenha "espírito crítico" (ou como diz o alentejano "não me vai o ver por entender")

"Salut les copains"  lol!
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Sex Nov 27 2015, 14:05

Mário Franco escreveu:


Não está só nestas suas dificuldades, atentando por exemplo à travessia do deserto que tem sido a sua saga das colunas vê-se que nem o conhecimento nos salvaguarda destes problemas.

Quanto aos erros que me assinalou creio que será pouco produtivo debatermos se o realejo (ou a pianola com os seus rolos) é instrumento ou não, o importante é que se entenda a ideia subjacente.

As críticas honestas e construtivas (assim como as outras) nunca são incómodas nem dolorosas, há muito que aprendi a viver com elas e a usá-las como instrumentos para aferir posições (pode crer que o meu maior crítico sou eu).

Porém, se não se deve ignorar a crítica também é verdade que esta deve ocupar o lugar que lhe está reservado na orquestra. A hipertrofia da crítica produz abortos.

De novo realço o meu apreço pelo aspecto técnico da questão mas recuso cingir-me exclusivamente a ele.

Afirmar a importância da perfeição tecnologica e do conhecimento creio que é na fase actual uma verdade de La Palice mas ignorar os aspectos emocionais da questão é tapar o Sol com a peneira (ou amputar as pernas ao pobre do moribundo) .

Relativamente à questão da crítica importa realçar que a de boa qualidade caracteriza-se por incidir não só no preto e branco mas também em todas as gradações da escala cromática

Aplicando este princípio à teoria da Audio Relatividade não tenho dificuldade nenhuma em ir eliminando automaticamente os disparates consoante vou fazendo a leitura.

É disparate. Lixo.

E passo à frente.

Mas se ficar ali a remoer nos erros que o texto contém não aproveito nada, pareço um disco riscado ou pior ainda um cruzado a combater infiéis.

Há algum valor no texto em análise ?

Para mim (apesar dos erros crassos que contém) apresenta a virtude da roptura com o "mainstream" tal como o vejo.

E como vejo eu o mainstream?

Vejo-o como o fascínio embasbacado do hi-tec, o mito da tecnologia, a ilusão de que a perfeição é possível desde que nos concentremos afincadamente nas medições, basta uma fotografia de um giradiscos "bolo de noiva" para pôr as hostes a salivar, os "recap" milagrosos, os audioshows pretensiosos, a noção de que se é caro é bom, a associação da novidade à qualidade, o exibicionismo disfarçado.

Há tanta desinteligência entre o meio "científico" como entre o meio "sensorial".

Felizmente a desinteligência detecta-se facilmente desde que se tenha "espírito crítico" (ou como diz o alentejano "não me vai o ver por entender")

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Sab Nov 28 2015, 10:58

Mário Franco escreveu:
Não está só nestas suas dificuldades, atentando por exemplo à travessia do deserto que tem sido a sua saga das colunas vê-se que nem o conhecimento nos salvaguarda destes problemas.

Quanto aos erros que me assinalou creio que será pouco produtivo debatermos se o realejo (ou a pianola com os seus rolos) é instrumento ou não, o importante é que se entenda a ideia subjacente.

As críticas honestas e construtivas (assim como as outras) nunca são incómodas nem dolorosas, há muito que aprendi a viver com elas e a usá-las como instrumentos para aferir posições (pode crer que o meu maior crítico sou eu).

Porém, se não se deve ignorar a crítica também é verdade que esta deve ocupar o lugar que lhe está reservado na orquestra. A hipertrofia da crítica produz abortos.

De novo realço o meu apreço pelo aspecto técnico da questão mas recuso cingir-me exclusivamente a ele.

Afirmar a importância da perfeição tecnologica e do conhecimento creio que é na fase actual uma verdade de La Palice mas ignorar os aspectos emocionais da questão é tapar o Sol com a peneira (ou amputar as pernas ao pobre do moribundo) .

Relativamente à questão da crítica importa realçar que a de boa qualidade caracteriza-se por incidir não só no preto e branco mas também em todas as gradações da escala cromática

Aplicando este princípio à teoria da Audio Relatividade não tenho dificuldade nenhuma em ir eliminando automaticamente os disparates consoante vou fazendo a leitura.

É disparate. Lixo.

E passo à frente.

Mas se ficar ali a remoer nos erros que o texto contém não aproveito nada, pareço um disco riscado ou pior ainda um cruzado a combater infiéis.

Há algum valor no texto em análise ?

Para mim (apesar dos erros crassos que contém) apresenta a virtude da roptura com o "mainstream" tal como o vejo.

E como vejo eu o mainstream?

Vejo-o como o fascínio embasbacado do hi-tec, o mito da tecnologia, a ilusão de que a perfeição é possível desde que nos concentremos afincadamente nas medições, basta uma fotografia de um giradiscos "bolo de noiva" para pôr as hostes a salivar, os "recap" milagrosos, os audioshows pretensiosos, a noção de que se é caro é bom, a associação da novidade à qualidade, o exibicionismo disfarçado.

Há tanta desinteligência entre o meio "científico" como entre o meio "sensorial".

Felizmente a desinteligência detecta-se facilmente desde que se tenha "espírito crítico" (ou como diz o alentejano "não me vai o ver por entender")

"Salut les copains"  lol!

Infelizmente, para mim, essa "saga" é inevitável...é o fado do audiófilo.
A composição de um sistema de reprodução doméstica de música gravada depende tanto do conhecimento como da escuta e no meu caso tenho limitações ao nível do primeiro e dificuldades em efectuar avaliações dos equipamentos que me parecem à partida dignos de escuta.
Depende também dos objectivos de quem o compõe.

Obviamente que preferia poder dirigir-me a uma loja e sair de lá com um sistema satisfatório após a escuta dos equipamentos disponíveis mas isso é impossível por várias razões, sendo as mais notáveis os constrangimentos ao nível do orçamento e o nível de desempenho dos equipamentos disponíveis para audição.
Os xõs e as tertúlias de audiófilos são, a par com os revendedores, as oportunidades de que o audiófilo dispõe para efectuar escutas mas em praticamente todas elas as condições são deficientes e as impressões menos conclusivas do que seria desejável.


As colunas são o equipamento que mais afecta o desempenho o que torna a sua escuta indispensável.
Mas conforme escrevi no tópico Escuta Analítica, na minha experiência a escuta prolongada é mais eficaz do que a comparação instantânea e isso implica trazer uns quantos pares de colunas para casa para avaliar o seu desempenho, o que infelizmente não fácil, embora nos Estados Unidos já existam fabricantes que garantem uma política de devolução de trinta dias.

Por forma a aumentar a relação entre preço e desempenho tenho optado por adquirir equipamentos em 2ª mão.
A desvantagem é que nem sempre posso escutar esses equipamentos por já não estarem disponíveis novos ou nos stocks dos revendedores locais.
Procuro também recorrer às avaliações técnicas disponíveis online para a triagem, para determinar quais os equipamentos que me parecem dignos de escuta.


Voltando ao tema da "Audio Relatividade", este artigo foi escrito por um audiófilo no seu site/blog, e é simultaneamente uma crónica-crítica ao estado actual da indústria (com especial incidência nos "críticos" profissionais) mas também uma definição de objectivos, que na minha opinião são sérios pois têm como ponto focal não o som dos equipamentos mas a qualidade da reprodução de música que estes produzem.

Talvez o artigo em questão não dê essa impressão mas o seu autor dá tanta ou mais importância à escuta como ao desempenho técnico.
Aquilo que distingue a opinião dele da de muitos dos demais está nos seus objectivos e na eficácia do seu método de escuta.
Recomendo uma visita ao site para uma maior familiarização com as suas ideias:

http://www.high-endaudio.com/philos.html

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Dom Nov 29 2015, 17:15

ricardo onga-ku escreveu:

Voltando ao tema da "Audio Relatividade", este artigo foi escrito por um audiófilo no seu site/blog, e é simultaneamente uma crónica-crítica ao estado actual da indústria (com especial incidência nos "críticos" profissionais) mas também uma definição de objectivos, que na minha opinião são sérios pois têm como ponto focal não o som dos equipamentos mas a qualidade da reprodução de música que estes produzem.

Talvez o artigo em questão não dê essa impressão mas o seu autor dá tanta ou mais importância à escuta como ao desempenho técnico.
Aquilo que distingue a opinião dele da de muitos dos demais está nos seus objectivos e na eficácia do seu método de escuta.
Recomendo uma visita ao site para uma maior familiarização com as suas ideias:

http://www.high-endaudio.com/philos.html

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Sorry Ricardo, but compared with many topics here on the AAP the mentioned website sucks and contains too little useful ideas and too much absolutistic, weird and narcissistic crap, almost like Romy the Cat...

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Dom Nov 29 2015, 18:28

I agree that both are rather narcissistic and quite eccentric characters but despite their very strong personal views on the subject once you dive beyond the harsh surface you'll find layers of valuable information in their personal websites.

As I've mentioned previously, prospective results in audio are defined by one's objectives.
Each individual is free to practice audiophilia in which ever way he likes, to choose his goals.
And this is bound to polarize opinions and determine the direction that each person decides to take; in the end, audiophilia is an individual journey.
We can share information, experiences, knowledge, but the path to the end result is a personal quest.

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Dom Nov 29 2015, 19:14

But I do like his view on the digital vs. analogue subject... dvil

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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Sab Fev 04 2017, 09:07

(...) não gosto daqueles para os quais todas as coisas são boas e este é o melhor dos mundos.
A esses chamo de omni-contentes.
Omni-contentamento que consegue apreciar tudo: não é o melhor dos gostos!
Eu louvo os obstinados, respeito as línguas e os estômagos rebeldes e exigentes, que aprenderam a dizer “eu” e “sim” e “não”.
Mas mastigar e engolir qualquer coisa — essa é a maneira do porco! (...)


Assim falou Zaratustra... e quem fala assim não é gago
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 11:43

ricardo onga-ku escreveu:
(...) não gosto daqueles para os quais todas as coisas são boas e este é o melhor dos mundos.
A esses chamo de omni-contentes.
Omni-contentamento que consegue apreciar tudo: não é o melhor dos gostos!
Eu louvo os obstinados, respeito as línguas e os estômagos rebeldes e exigentes, que aprenderam a dizer “eu” e “sim” e “não”.
Mas mastigar e engolir qualquer coisa — essa é a maneira do porco! (...)


Assim falou Zaratustra... e quem fala assim não é gago




Nietzche o velho Nietzche

" />

Também li essa obra quando ainda era um teenager "inconciente". Julgava que já ninguém se dava ao trabalho de lê-la.

A expressão que me ficou do "Assim Falou Zaratustra" foi:

"Os poetas turvam as suas águas para que elas pareçam mais profundas"



Com efeito a Literatura serve para comprovar tudo, assim como serve igualmente para comprovar todo o seu contrário . . .

Como sempre foi e será, o raciocínio do ser humano é um corpo de "emoção" com uma frágil cobertura de "razão".

O sistema límbico determina os fundamentos do comportamento humano e portanto a comparação com o porco é correcta.

Reconhecido o determinismo límbico, somos todos porcos, a única direrença é que alguns porcos vestem burel e outros vestem seda.

E já que falamos em livros ainda podemos fazer uma paragem no "Deus das Moscas" para constatarmos que por dentro dum "porco de seda" bate latente um "porco de burel" ansioso por fincar os caninos na sua presa.

Boas audições

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mango
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 12:01

Bons textos Mario
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 14:49

Mário Franco escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
(...) não gosto daqueles para os quais todas as coisas são boas e este é o melhor dos mundos.
A esses chamo de omni-contentes.
Omni-contentamento que consegue apreciar tudo: não é o melhor dos gostos!
Eu louvo os obstinados, respeito as línguas e os estômagos rebeldes e exigentes, que aprenderam a dizer “eu” e “sim” e “não”.
Mas mastigar e engolir qualquer coisa — essa é a maneira do porco! (...)


Assim falou Zaratustra... e quem fala assim não é gago




Nietzche o velho Nietzche

" />

Também li essa obra quando ainda era um teenager "inconciente". Julgava que já ninguém se dava ao trabalho de lê-la.

A expressão que me ficou do "Assim Falou Zaratustra" foi:

"Os poetas turvam as suas águas para que elas pareçam mais profundas"



Com efeito a Literatura serve para comprovar tudo, assim como serve igualmente para comprovar todo o seu contrário . . .

Como sempre foi e será, o raciocínio do ser humano é um corpo de "emoção" com uma frágil cobertura de "razão".

O sistema límbico determina os fundamentos do comportamento humano e portanto a comparação com o porco é correcta.

Reconhecido o determinismo límbico, somos todos porcos, a única direrença é que alguns porcos vestem burel e outros vestem seda.

E já que falamos em livros ainda podemos fazer uma paragem no "Deus das Moscas" para constatarmos que por dentro dum "porco de seda" bate latente um "porco de burel" ansioso por fincar os caninos na sua presa.

Boas audições


Eu não interpretei a analogia com o porco desse modo, mas parece-me antes que o autor procura descrever a falta de critério do referido animal no que se refere ao seu gosto alimentar.
Em alternativa poder-se-ia usar a cabra, outro animal que ingere tudo aquilo que apanha, desde restos de tecido a pedaços de borracha...

A mais famosa analogia entre o porco e o ser humano - se bem que tratando-se de um espécime com características específicas - talvez seja a de Orwell.

All animals are equal, but some animals are more equal than others

http://www.bbc.co.uk/programmes/b07wgkz4
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Mário Franco
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 15:18

ricardo onga-ku escreveu:
Mário Franco escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
(...) não gosto daqueles para os quais todas as coisas são boas e este é o melhor dos mundos.
A esses chamo de omni-contentes.
Omni-contentamento que consegue apreciar tudo: não é o melhor dos gostos!
Eu louvo os obstinados, respeito as línguas e os estômagos rebeldes e exigentes, que aprenderam a dizer “eu” e “sim” e “não”.
Mas mastigar e engolir qualquer coisa — essa é a maneira do porco! (...)


Assim falou Zaratustra... e quem fala assim não é gago




Nietzche o velho Nietzche

" />

Também li essa obra quando ainda era um teenager "inconciente". Julgava que já ninguém se dava ao trabalho de lê-la.

A expressão que me ficou do "Assim Falou Zaratustra" foi:

"Os poetas turvam as suas águas para que elas pareçam mais profundas"



Com efeito a Literatura serve para comprovar tudo, assim como serve igualmente para comprovar todo o seu contrário . . .

Como sempre foi e será, o raciocínio do ser humano é um corpo de "emoção" com uma frágil cobertura de "razão".

O sistema límbico determina os fundamentos do comportamento humano e portanto a comparação com o porco é correcta.

Reconhecido o determinismo límbico, somos todos porcos, a única direrença é que alguns porcos vestem burel e outros vestem seda.

E já que falamos em livros ainda podemos fazer uma paragem no "Deus das Moscas" para constatarmos que por dentro dum "porco de seda" bate latente um "porco de burel" ansioso por fincar os caninos na sua presa.

Boas audições


Eu não interpretei a analogia com o porco desse modo, mas parece-me antes que o autor procura descrever a falta de critério do referido animal no que se refere ao seu gosto alimentar.
Em alternativa poder-se-ia usar a cabra, outro animal que ingere tudo aquilo que apanha, desde restos de tecido a pedaços de borracha...

A mais famosa analogia entre o porco e o ser humano - se bem que tratando-se de um espécime com características específicas - talvez seja a de Orwell.

All animals are equal, but some animals are more equal than others

http://www.bbc.co.uk/programmes/b07wgkz4

Meu amigo tanto faz ser cabra como porco a ideia é a mesma, não há porcos mais finos do que outros. A diferença está no pacote porque o atávico está sempre lá. A essência é a mesma.

Essa obra de Nietzche está escrita com muita paixão e simbolismo, talvez por isso adquira um certo tom de oráculo e assim nos fascine.

Orwell por outro lado colou-se à fábula quando escreveu o Triunfo dos Porcos. Capitalizou ironicamente a analogia com uma abordagem muito mais explícita e realista.

O porco do Nietzche é um alarve o porco do Orwell é um prestigiado empresário (até pode ser culto, até pode ser refinado, até pode ser um audiófilo  lol! ).

Todos diferentes todos iguais  
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 15:33

Mário Franco escreveu:

Todos diferentes todos iguais  



dvil

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Mário Franco
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 15:41

António José da Silva escreveu:
Mário Franco escreveu:

Todos diferentes todos iguais  



dvil

As palavras são como as cerejas. Vamos à galhofa

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ducar
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 15:53

Mário Franco escreveu:
António José da Silva escreveu:
Mário Franco escreveu:

Todos diferentes todos iguais  



dvil


As palavras são como as cerejas. Vamos à galhofa






lol!
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 17:13

Mário Franco escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Mário Franco escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
(...) não gosto daqueles para os quais todas as coisas são boas e este é o melhor dos mundos.
A esses chamo de omni-contentes.
Omni-contentamento que consegue apreciar tudo: não é o melhor dos gostos!
Eu louvo os obstinados, respeito as línguas e os estômagos rebeldes e exigentes, que aprenderam a dizer “eu” e “sim” e “não”.
Mas mastigar e engolir qualquer coisa — essa é a maneira do porco! (...)


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Nietzche o velho Nietzche

" />

Também li essa obra quando ainda era um teenager "inconciente". Julgava que já ninguém se dava ao trabalho de lê-la.

A expressão que me ficou do "Assim Falou Zaratustra" foi:

"Os poetas turvam as suas águas para que elas pareçam mais profundas"



Com efeito a Literatura serve para comprovar tudo, assim como serve igualmente para comprovar todo o seu contrário . . .

Como sempre foi e será, o raciocínio do ser humano é um corpo de "emoção" com uma frágil cobertura de "razão".

O sistema límbico determina os fundamentos do comportamento humano e portanto a comparação com o porco é correcta.

Reconhecido o determinismo límbico, somos todos porcos, a única direrença é que alguns porcos vestem burel e outros vestem seda.

E já que falamos em livros ainda podemos fazer uma paragem no "Deus das Moscas" para constatarmos que por dentro dum "porco de seda" bate latente um "porco de burel" ansioso por fincar os caninos na sua presa.

Boas audições


Eu não interpretei a analogia com o porco desse modo, mas parece-me antes que o autor procura descrever a falta de critério do referido animal no que se refere ao seu gosto alimentar.
Em alternativa poder-se-ia usar a cabra, outro animal que ingere tudo aquilo que apanha, desde restos de tecido a pedaços de borracha...

A mais famosa analogia entre o porco e o ser humano - se bem que tratando-se de um espécime com características específicas - talvez seja a de Orwell.

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Meu amigo tanto faz ser cabra como porco a ideia é a mesma, não há porcos mais finos do que outros. A diferença está no pacote porque o atávico está sempre lá. A essência é a mesma.

Essa obra de Nietzche está escrita com muita paixão e simbolismo, talvez por isso adquira um certo tom de oráculo e assim nos fascine.

Orwell por outro lado colou-se à fábula quando escreveu o Triunfo dos Porcos. Capitalizou ironicamente a analogia com uma abordagem muito mais explícita e realista.

O porco do Nietzche é um alarve o porco do Orwell é um prestigiado empresário (até pode ser culto, até pode ser refinado, até pode ser um audiófilo  lol! ).

Todos diferentes todos iguais  

Seremos realmente?
As eleições do Brexit e do Trump parecem evidenciar que não...

No caso de Orwell os empresários são os humanos, os porcos são os vira-casacas (mais concretamente os líderes soviéticos) que começam como trabalhadores mas cedo passam a exploradores (eliminando os seus opositores).
Se domina o Inglês recomendo a mesa redonda, do link que coloquei acima, sobre o autor e a obra realizada pela BBC Radio 4.

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 17:16

Votação do Brexit consoante o nível de educação dos eleitores:




Votação do Brexit consoante a idade dos eleitores:
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 17:22

Curiosamente o círculo eleitoral Londrino de Lambeth, parcialmente ocupado por uma área conhecida como Little Portugal, votou massivamente Leave:

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ducar
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 17:41

Não sei se os meus amigos têm conhecimento, mas existe uma revista HI FI PIG.





Última edição por ducar em Seg Fev 06 2017, 17:46, editado 1 vez(es)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 17:45

ricardo onga-ku escreveu:

No caso de Orwell os empresários são os humanos, os porcos são os vira-casacas (mais concretamente os líderes soviéticos) que começam como trabalhadores mas cedo passam a exploradores (eliminando os seus opositores).




Confesso que já lá vão mais anos do que aqueles que gostaria de confessar que realmente foram, porque li o livro com uns 15 anos, mas a minha leitura pessoal (na altura) é a de que se trata de uma parábola que começa com a ("boa") ideia de Lenin e que continua na de Stalin.

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 18:08

ducar escreveu:
Não sei se os meus amigos têm conhecimento, mas existe uma revista HI FI PIG.





Por acaso os editores (uns gajos como nós que vageuavam pelo Hifi Wigwam) contactaram-me para participar como redactor/reviewer quando a revista estava a dar os primeiros passos (ainda era uma espécie de fórum na altura).
Hoje em dia é muito fácil tornar-mo-nos reviewers, comentadores, fazedores de opinião, bastando para isso que consigamos criar e manter a visibilidade necessária para que os fabricantes começem a anunciar na nossa página e a enviar-nos equipamentos para avaliação.
O reverso da medalha é que não podemos críticar negativamente os ditos...o que nos leva ao título deste tópico:

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 18:10

António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:

No caso de Orwell os empresários são os humanos, os porcos são os vira-casacas (mais concretamente os líderes soviéticos) que começam como trabalhadores mas cedo passam a exploradores (eliminando os seus opositores).




Confesso que já lá vão mais anos do que aqueles que gostaria de confessar que realmente foram, porque li o livro com uns 15 anos, mas a minha leitura pessoal (na altura) é a de que se trata de uma parábola que começa com a ("boa") ideia de Lenin e que continua na de Stalin.

O Orwell, mercenário aventureiro, lutou ao lado dos comunistas na guerra civil Espanhola e viu de perto como os Leninistas foram "eliminados" e o comunismo desvirtuado...

No livro o idealista Trotsky, representado pelo porco Snowball, é mandado matar pelo Napoleon (Stalin), que recorre ao um bem treinado e obediente exército de cães raivosos para se livrar da oposição.
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ducar
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 18:21

ricardo onga-ku escreveu:
ducar escreveu:
Não sei se os meus amigos têm conhecimento, mas existe uma revista HI FI PIG.





Por acaso os editores (uns gajos como nós que vageuavam pelo Hifi Wigwam) contactaram-me para participar como redactor/reviewer quando a revista estava a dar os primeiros passos (ainda era uma espécie de fórum na altura).
Hoje em dia é muito fácil tornar-mo-nos reviewers, comentadores, fazedores de opinião, bastando para isso que consigamos criar e manter a visibilidade necessária para que os fabricantes começem a anunciar na nossa página e a enviar-nos equipamentos para avaliação.
O reverso da medalha é que não podemos críticar negativamente os ditos...o que nos leva ao título deste tópico:

"Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa

Infelizmente é uma realidade, estás 100% certo.
Que eu tenha conhecimento a revista HIFI Pig surgiu no ano 2014.



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TD124
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 19:53

Mário Franco escreveu:
... Meu amigo tanto faz ser cabra como porco a ideia é a mesma, não há porcos mais finos do que outros. A diferença está no pacote porque o atávico está sempre lá. A essência é a mesma.

Essa obra de Nietzche está escrita com muita paixão e simbolismo, talvez por isso adquira um certo tom de oráculo e assim nos fascine.

Orwell por outro lado colou-se à fábula quando escreveu o Triunfo dos Porcos. Capitalizou ironicamente a analogia com uma abordagem muito mais explícita e realista.

O porco do Nietzche é um alarve o porco do Orwell é um prestigiado empresário (até pode ser culto, até pode ser refinado, até pode ser um audiófilo  lol! ).

Todos diferentes todos iguais  

Gosto da deriva literària que o topico tomou e que paradoxalmente ... não està "off-topic" bem ao contrario. Como sempre o amigo Màrio tal um prestidigitador, saiu do seu chapéu algumas ideias elipticas das quais ele tém o segredo ... sempre com uma escrita limpa, lucida e algo corrosiva...

Bravo amigo Màrio !!! 2cclzes

Mas a ultima frase que puz em negrito chateia-me ... e ném sequer porque esteja em desacordo, mas justamente porque penso que talvez ela seja pertinente e proxima da verdade. No que diz respeito ao tema abordado penso mesmo que ela é extramente verdadeira ... ou do menos no sentido em que estou disposto a partilhar convosco:

Se eu disser que um sistema audio é feito de FONTE-------AMPLIFICADOR-------COLUNAS e que estes elementos devem estar em adequação e serem de qualidade suficiente para que o "todo" soe bem, talvez até estejam de acordo comigo...

E se eu disser que o mercado do audio é feito de CONSTRUCTOR------REVISTAS-------CONSUMIDOR e que estes devem ser todos suficientemente honestos e sincéros para que a cadeia funcione bem, talvez até estejam de acordo comigo de novo ...

E se eu disser que finalmente o mais hipocrita dos elos, talvez não seja o jornalista que tém o "cu entre duas cadeiras", ném o consumidor que herda da hipocrisia acumulada pelos outros mas o constructor! Serà que ainda estariam de acordo comigo ???...  scratch

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 21:04

Todo o Homem é Animal. (realmente um sistema é constituído por aparelhos)
Há Homens Portugueses com o trabalho "x", Australianos com o trabalho "y" e Siberianos com o trabalho "z". (é verdade... mas o Mundo não se esgota aqui...)
Logo, os Portugueses com o trabalho "x" são os tais.

Como se pode chegar a uma conclusão que não toca nas premissas?


O "audio-relativismo" não é mais do que um acto natural do Homem, que felizmente não deixou de ser um Animal - tem Razão, é certo, mas não se esgota nela.

Todo o Homem é Animal.
Eu sou Homem.
Logo, eu sou Animal.

Talvez assim faça sentido... e também gosto do Friedrich Nietzsche, que muito me agradou, mas que desagadava ao meu professor de Religião. Wink



edit: talvez um dia se descubra que o "erro" não está em lado nenhum ou alguém, está em toda a parte e em todos - é isso que quer dizer todos diferentes, todos iguais, certo!?! Acreditar nisso é outra coisa... aplicar outra bem diferente...
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Tankado
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 21:12

Boa noite

Eu não vou opinar sobre este assunto, porque sei que não estou devidamente informado para o fazer e não tenho experiência nenhuma no que diz respeito a equipamentos. Mas queria dizer que este tópico e outros que já mencionaram estão bastante interessantes.

TD124 escreveu:


3. Todas as diferenças na reprodução de música gravada são apenas uma simples questão de gosto.
: A alta fidelidade tém como pretensão e missão, de reproduzir o mais fielmente uma gravação. A partir deste constato, o resultado não é uma questão de gosto mas de mais ou menos fidelidade, e jà expliquei varias vezes como se assegurar que o que escutamos està (ou não) no disco. Então se a reprodução se aproxima do que està gravado então é fiel, e se ela se afasta (mesmo que soe muito bem e musical...), então é audio e não fidelidade. O gosto não participa em nada nesta conversa, e se for o caso então o rasca pode ser muito bom...

Será que há algum tópico no forum ou link externo, que aborde a temática de como fazer uma audição imparcial e digamos que "correcta"? Dentro dos possíveis, sem aparelhos de medição.

Pela citação que fiz, sou apenas um amante de audio (nada que me incomode), mas também um curioso que não se importa de aprender algo mais.

Cumprimentos,
Rafael Silva
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 21:34

Tankado escreveu:
Boa noite

Eu não vou opinar sobre este assunto, porque sei que não estou devidamente informado para o fazer e não tenho experiência nenhuma no que diz respeito a equipamentos. Mas queria dizer que este tópico e outros que já mencionaram estão bastante interessantes.

TD124 escreveu:


3. Todas as diferenças na reprodução de música gravada são apenas uma simples questão de gosto.
: A alta fidelidade tém como pretensão e missão, de reproduzir o mais fielmente uma gravação. A partir deste constato, o resultado não é uma questão de gosto mas de mais ou menos fidelidade, e jà expliquei varias vezes como se assegurar que o que escutamos està (ou não) no disco. Então se a reprodução se aproxima do que està gravado então é fiel, e se ela se afasta (mesmo que soe muito bem e musical...), então é audio e não fidelidade. O gosto não participa em nada nesta conversa, e se for o caso então o rasca pode ser muito bom...

Será que há algum tópico no forum ou link externo, que aborde a temática de como fazer uma audição imparcial e digamos que "correcta"? Dentro dos possíveis, sem aparelhos de medição.

Pela citação que fiz, sou apenas um amante de audio (nada que me incomode), mas também um curioso que não se importa de aprender algo mais.

Cumprimentos,
Rafael Silva

Caro Rafael,

Nós temos discutido o tema regularmente aqui no forum, talvez possa começar por aqui:

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t9511-a-escuta-analitica-ou-critica

e continuar aqui:

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t11082-filosofia-estetica-musica-audio-e-tutti-quanti

R
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Tankado
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MensagemAssunto: Re: "Audio Relativismo" - A nova Doença, uma nova Desculpa   Seg Fev 06 2017, 22:16

ricardo onga-ku escreveu:

Caro Rafael,

Nós temos discutido o tema regularmente aqui no forum, talvez possa começar por aqui:

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t9511-a-escuta-analitica-ou-critica

e continuar aqui:

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t11082-filosofia-estetica-musica-audio-e-tutti-quanti

R

Obrigado.
O segundo link passou-me ao lado.


Mas já agora aproveito para dar a minha opinião sobre o assunto, sem o chegar a abordar.
Desculpem se disser alguma barbaridade.

Eu acredito que no final todas as pessoas, com mais ou menos conhecimento técnico vão pelo gosto quando têm que escolher os aparelhos para formar um sistema com a finalidade de ouvir musica em casa.

Acredito que quem começa nisto da audiofilia, mesmo aqueles que agora possuem mais conhecimento tecnico, mais aparelhos e até mais musica. De inicio, mesmo que de forma embrionária, se começaram a orientar pelo que soava melhor ao ouvido.

Esse ouvido vai-se apurando e o tal gosto vai-se alterando com o tempo e experiência.
Mas uma coisa que eu acho que também mexe directamente com o gosto e que se cruza com ele é o conhecimento. Não só no audio, mas em tudo.

Uma pessoa pode guiar-se simplesmente pelo ouvido, mas a determinado ponto do percurso descobre que o que soa melhor não é o real. Ora essa aquisição de conhecimento vai fazer com que tenha mais um parâmetro na balança. É mais uma coisa para fazer comichão...

Dependendo do peso que cada aspecto tem na nossa balança, o balanço vai definir o nosso gosto e é pelo gosto que nos vamos sempre guiar para escolher o nosso som.

Uma área que tenho mais domínio do que o audio é a macrofotografia, não quer com isto dizer que seja o melhor executante do mundo (pelo equipamento que tenho ou pela prática). Mas sei avaliar entre duas fotografias qual a melhor tecnicamente, digamos que a mais perfeita. Contudo isso não quer dizer que seja a que mais gosto mas não deixa de a melhor tecnicamente.

Acredito que para quem trabalha na área e se esforça ao máximo para criar os aparelhos capazes de reproduzir fielmente a nossa musica, seja um pouco frustrante nem sempre o real ser preferido. Mas a evolução tem mesmo de ser por aí e deve ser sempre o real e "perfeito" a referencia.

Se eu tiver que emoldurar uma fotografia para colocar na parede vou sempre escolher a que mais gosto, fazendo o balanço entre a beleza, impacto e técnica... agora que sei que esta ultima existe.
Porque se eu escolher a foto só pela técnica, corro o risco de ter uma óptima fotografia em casa mas raramente olhar para ela Smile


Última edição por Tankado em Seg Fev 06 2017, 23:15, editado 1 vez(es)
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