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 O guia compléto da leitura vinilo

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TD124
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MensagemAssunto: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Set 24 2014, 07:45

Caros amigos,

afim de criar ferramentas de apoio aos mais novos ou leigos, vamos criar um topico compléto sobre as particularidades da leitura vinilo. Ele tém como objectivo de ajudar à compra de um gira, braço ou célula, ou ainda a montagem, afinagem e certas particularidades que devem ser respeitadas...

Conto com a ajuda de todos, afim de corrigir os erros, complementar a informação e mesmo guiar o desenvolvimento e organisação do topico. No fim vamos compilar tudo e isto sera acessivel a todo o momento a quem quer que seja. Assim, este topico sera no fim, uma ferramenta posta ao dispor de cada um consoante as necessidades...

Obrigado a todos desde jà!

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Última edição por TD124 em Seg Set 29 2014, 09:17, editado 1 vez(es)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Set 24 2014, 09:11

Fabuloso tópico, podemos criar aqui uma enciclopédia da reprodução do vinil.

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TD124
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MensagemAssunto: A escolha do gira discos   Qua Set 24 2014, 13:26

A escolha do gira discos :

A escolha de um gira é uma fase agradàvel, às vezes é mesmo euforica mas que pode conduzir a alguns erros, quase sempre involuntarios e devidos à falta de elementos para uma anàlise global. Vamos là ver então os pontos que devem ser ponderados, afim de escolher « aquele que serà o bom gira para si », que é o mais importante e o objectivo final. Faça o vazio no seu espirito, e esqueça todos os conselhos dos amigos, dos forums e mesmo das lojas !... afim de ler estas linhas num estado propicio a compreender o conjunto de elementos importantes.

Começe por determinar a utilisação que quer dar ao seu gira e à qualidade global do sistema no qual o vai incorporar. Um gira-discos é uma « fonte », e a base do sistema de leitura dos vinilos, então ele deverà estar em adequação de preço, desempenho e eventualmente estética com o resto dos elementos do sistema. Nunca se esqueça, que a leitura vinilo é feita de quatro elementos de base, que são : o gira-discos (base), o braço, a célula e o préamplificador de phono. O seu orçamento, vai então ser dividido entre estes elementos, no caso em que o gira não seja compléto, o que veremos pela seguida na nossa anàlise…

Os gira discos podem ser classificados em vàrias categorias consoante as suas particularidades técnicas, estéticas, ergonomicas e equipamentos. A anàlise de cada uma delas seria longa, fastidiosa e inutil, pois hoje em dia todas as tecnologias são utilisadas e cohabitam, então vamos começar por uma classificação historica, e depois veremos à medida do avançamento algumas particularidades técnicas e outras sub divisões :

Os giras antigos : Vamos considerar como antigos, os giras produzidos até meados dos anos setenta, o que se chama também « giras clàssicos ». Estes giras, serão de segunda mão e raramente novos. Os mais antigos serão a roda (motricidade) e os mais recentes a correia ou motricidade directa « direct drive ». Alguns deles são restaurados por empresas ou artesãos especialisados, então é como se fossem novos. A restauração destes aparelhos, é um hobby para muitos amadores, e às vezes comprar um aparelho restaurado assim, pode ser um achado muito interessante, mas também hà surpresas negativas, então atenção sempre !...

Os giras contémporaneos : São aparelhos que foram fabricados entre o fim dos anos setenta e fim dos anos noventa, e os que existem em maior quantidade pois cobriram a fase de euforia de venda da Alta Fidelidade. A maior parte deles, são a motricidade por correia ou direct-drive. Como são mais recentes, que os giras clàssicos, a maioria não necessita de restauração mas simplesmente de manutenção. A correia deve ser mudada assim que pequenas peças de desgaste, e o oleo no eixo deve ser mudado. Estes giras são globalmente os que apresentam a melhor relação qualidade/preço, no entanto (como sempre), esta varia com a marca, modelo e equipamento instalado.

Os giras modernos : vamos considerar como moderno, todos os giras produzidos a partir dos anos 2000 até hoje. Entre o novo e a segunda mão podem haver diferenças não muito grandes, então neste caso pareçe-me cauteloso, de escolher o novo por uma questão de garantia. A maioria vai ser a correia, que é a motricidade mais utilisada hoje em dia. Os aparelhos modernos existem para todos os gostos, e muitos são mesmo adaptados aos iniciantes fazendo deles, excelentes aparelhos de iniciação ao mundo da leitura vinilo.

A qualidade de um gira discos : Vamos considerar um gira discos de qualidade, todos os « aparelhos aonde a concepção técnica, o desenho, os materiais utilisados e a adequação ergonomica foram escolhidos afim de propor um alto desempenho, assim que a constância no tempo deste ultimo ». Visto assim, a motricidade, forma, marca, peso, materiais, equipamentos, etc…, não constituem por si sò um simbolo de qualidade, mas é a soma e a adequação destes elementos que define o nivel do aparelho. Em oposição a um produto de qualidade, vamos ter todos os aparelhos aonde a utilisação intensiva de plastico injectado, vai trair a vocação de produção intensiva e a baixo custo, que é antinomica à noção de qualidade. Como em qualquer outro produto evidentemente.

Os diferentes preços : O audio é uma industria e um negocio, então é submetido às variações de preço ligadas a vàrios elementos como ; a geografia da produção, o prestigio da marca, produção industrial ou artesanal, raridade e especulação, posição no mercado/marketing ou a soma de isto tudo. O preço, continua a ser um critério pessoal e variàvel, então o que conta fundamentalmente, é que a adequação preço qualidade seja justa, ou a mais justa possivel e evidentemente em relação com o desempenho do aparelho. Evidentemente o preço não faz ném explica tudo, mas dà uma ideia da gama à qual o constructor destina o aparelho. Em todos os caso que serão citados, é evidente que existem aparelhos de entrada, medio e topo de gama, e que em regra geral, os preços coincidem com o nivel de qualidade de fabricação.

O desempenho de um gira-discos : A soma das qualidades técnicas de um gira, e que compreende, as medidas de estabilidade e regularidade da velocidade, a isolação vibratoria, as funções de trabalho, o numero de velocidades, o numero de braços, etc… definem o nivel de desempenho do aparelho, mas não a sua qualidade propria. Assim um aparelho simples e com poucas funções, pode ser tão bom quanto um aparelho evoluido e com muitas opções, o que os diferencia  então, serà a evolutividade e a ergonomia. As medidas técnicas de um aparelho são então um dos factores de qualidade, mas que deve ser integradas num conjunto que engloba a tecnologia estrutural, as funções e as evoluções possiveis afim de definir a « qualidade global ».

Familias de gira-discos : Os gira-discos de qualidade dividem-se em três familias especificas que são chamadas técnicamente às vezes « plataformas », e que são respectivamente as seguintes :

Os giras completos (plataformas fechadas) : São aparelhos que são equipados de um braço de origem e que não pode ser mudado, ou tém de ser feito com um braço do mesmo construtor ou complétamente compativel. A escolha e montagem de um outro braço, não pode ser feita sem alterar a integridade fisica do aparelho. No entanto a célula pode ser mudada e escolhida em função dos seus gostos pessoais, e podem existir upgrades do construtor afim de aumentar o desempenho.

Os giras complexos (plataformas semi abertas) : Neste caso, o construtor vai equipar (ou não) o gira de um braço, mas este é fixado de maneira a poder reçeber, uma série de braços equivalentes e com comprimento semelhante. Isto pode ser feito directamente, ou por via de um adaptador sem alterar a integridade fisica do gira. Neste caso o gira é uma base, e é ao proprietario de definir o equipamento que quer instalar, ou os upgrades possiveis.

Os giras audiofilos (plataformas abertas): Neste caso, o gira é um corpo que se resume ao prato e à motricidade deste ultimo. Todos os tipos de braços (comprimento, tecnologia, época, etc…) podem ser instalados e mesmo vàrios braços, consoante o modelo. São giras que permitem a instalação de vàrias células ao mesmo tempo, ou para obter resultados subjectivos diferentes e ou complementares, ou então para ler em mono ou stéreo ou ainda os discos de 78rpm.

Conclusão : Uma vez que incorporou as principais diferenças existentes, é hora de passar à escolha. Esta vai ser feita em ponderando a utilisação, a integração e a estética (o que é pessoal) como jà foi dito. Assim se for um leigo e desejar um gira como fonte complementar para ouvir um vinilo de vez em quando, um gira compléto e sem suspensão (afinagens) serà o ideal para começar. O vinilista avisado,  que possui muitos discos e que jà pratica a leitura vinilo hà muitos anos, vai ter tendência a escolher um gira completo de uma marca prestigiosa ou mesmo um complexo de preço equivalente afim de o personalisar. Evidentemente, o audiofilo/vinilista vai se dirigir para os giras feitos para ele. Todas estas escolhas, serão feitas em adequação finançeira e subjectiva, relativamente ao resto dos outros elementos. O gira discos de topo de gama, num sistema de gama média vai soar médio e o inverso é também verdadeiro. Então a coerência dos elementos é uma lei fundamental, e o começo de um sistema equilibrado !
Não vão ainda comprar o gira, porque isto vai continuar… mas digam o que pensam e o que seria necessario meter a mais, a menos, etc…

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tomaz
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MensagemAssunto: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Set 24 2014, 15:29

Boa tarde meus caros,


Mais uma leitura deliciosa e à qual tenho de dizer que estou grato.



As melhores saudações audiófilas

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luis lopes
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Set 24 2014, 15:56

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LauGalvao
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Set 24 2014, 20:10

Ainda nem comecei a ler, mas acho que vou começar a guardar estes textos num ficheiro word para compilar tanta boa informação!=)

Parabéns pela iniciativa!
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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Set 24 2014, 22:15

GRANDE!!!!!!

Eu como me considero mais jovem que leigo, acho que este tópico foi elaborado à minha medida...
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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Set 24 2014, 23:31


Obrigado, Paulo!
Sempre a aprender..
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TD124
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MensagemAssunto: Os braços   Qui Set 25 2014, 09:24

Os braços :

« O braço é o marido do gira discos e o amante da célula ! »... isto é uma frase humoristica, mas que tém muito mais verdade do que esta metafora faria imaginar.  Na realidade o braço deve formar com o gira um « todo » indivisivel e rigido, afim de assegurar a « sagrada rigidez braço/prato », o que define uma geometria constante à célula e ao disco. Ao mesmo tempo com esta ultima, ele vai formar um casal mais brincalhão, sujeito a equilibrios de peso e de elasticidades, que vão dar ou fogo ou gelo… e às vezes da pura magia, sem que se saiba imediatamente porquê…

O braço tém como funções principais de assegurar uma geometria do diamante a mais perpendicular e paraléla possivel em relação às espiras e de apoiar com um peso constante na célula e em todos os sucalcos, qualquer que seja o estado fisico (empeno) do disco. Os braços modernos (ou antigos de qualidade) permitem de assegurar o contra efeito da espiral, que atrai a célula para o meio do disco, compensando isto por uma expulsão (proporcional à de atração) da célula para a periferia, ao qual se chama « anti-skating ». A maioria dos braços modernos, ou antigos de qualidade, possui um « elevador », que permite de levantar o braço sem lhe tocar ou de descê-lo gradualmente em qualquer espira do disco sem danificar a célula. O braço é um componente fundamental da qualidade da restituição e um objecto de precisão, que deve ser maneado com atenção e respeito.

Os braços existem de todos os tamanhos, formas, materiais e tecnologias e isto afim de tentar corresponder às leis de concepção deste componente que são antinomicas. Um braço deve ser leve, afim de não opor resistência ao movimento,  de evacuar rapidamente as vibrações da célula e rigido para « dobrar » menos, assegurando uma geometria constante em todas as situações, e a todas as frequências reproduzidas pela célula. Ora rigidez està em oposição com um peso leve, o que dà origem nos braços evoluidos, à utilisação de materiais muito tecnologicos como, o titânio, o magnésio injectado, a fibra de carbono e algumas ligas metalicas especiais. Mas, tecnologicamente os braços vão se dividir essencialmente em dois grupos :

Os tangenciais : Como o seu nome indica, são braços com um eixo de movimento paralélo ao disco e que permite de ler as espiras sem erro angular de leitura. Os braços tangenciais são mais curtos do que os angulares e mais leves. Estes braços são mais raros e complexos do que os outros, pois incorporam tecnologias diversas para avançar, para detectar a distância entre as espiras, para subir e descer e às vezes para compensar o excentramento da gravura. Os inconvenientes são sempre os mesmos e « ainda » insoluveis, como a fraca rigidez da oscilação vertical e horizontal, assim como um peso em média inferior ao da célula, impossibilitando a vectorisação das vibrações e uma compliance mecanicamente incompativel, deixando a célula « a trabalhar sozinha ».

Os angulares : Estes braços estão fixos à proximidade do prato num ponto determinado, então a geometria de leitura apresenta-se como um circulo à volta do seu eixo de rotação, que não permite de guiar a célula sem erro de ângulo, o nivel de erro sendo variàvel com o comprimento do braço, pois um braço longo tém um erro angular menor. Os angulares são uma grande familia com muitas variantes de geometria, de métodos de movimento axial, de materiais utilisados, de peso e de funções anexas. Vamos là ver então os principais sub-grupos :

Os unipivôs : Jà està dito, estes braços sò possuem um pivô para realizar o movimento vertical e horizontal. Para resumir, é um tubo que està em equilibrio numa ponta e que se pode mover axialmente em todas as direções. As qualidades são um nivel de frição infimo, um movimento harmonioso em todas as direções e um ponto unico de evacuação das vibrações. Os inconvenientes são a estabilidade lateral, que é quase impossivel com consequências variàveis no palco, na banda e na reprodução justa da micro-dinamica e a rigidez. Os unipivôs, existem em geometria S ou direitos, afim de compensar o erro angular, e de apresentar a célula em condições de geometria ideais. No caso dos unipivôs, paradoxalmente os braços em S são reputados mais estàveis lateralmente.

Os multipivôs : Estes braços constituem a grande maioria dos angulares existentes e formam uma familia extensa e deveras variada. Todas as formas de tubo existem, como o S, o direito, o banana ou (C), os biradiais e mesmo formas complexas do tipo pantografo. Estes braços podem ser leves ou pesados consoante a intenção ou a filosofia do fabricante. Geralmente os braços pesados articulam com rolamentos de precisão e os leves com pivôs a agulha e mais raramente com facas, como os SME antigos. È dificil de estabeleçer uma hierarquia no que diz respeito às diferenças de pivôts ou à geometria do tubo, pois os bons exemplos existem em todas as variantes…

Os braços modernos : Jà faz trinta anos, que a criação do braço Rega que não foi o primeiro, ajudou a promover e a definir as caracteristicas dos braços contemporaneos. Muitos factores opôem os braços actuais aos antigos como, uma geometria direita, a ausência de concha removivel, pivôs com rolamentos de precisão e utilisação do magnesio injectado (ou outros materiais), afim de obter profilos de braço que evacuem mais eficientemente as vibrações. Tudo isto é feito com a intenção de responder à eterna « equação impossivel » dos braços que é « ligeiro mas rigido ». Para muitas pessoas, os braços modernos conferem sonoridades mais definidas, claras, dinamicas e frias que os antigos, mas perderam algo de evidente musicalmente. È dificil de provar que seja o caso, e mesmo de medir o impacto das novas tecnologias neste fenomeno, se por acaso o efeito directo fosse comprovado…

O som dos braços : Se fizermos um comparação simples entre a complexidade mecânica do EMT930 e do TD124, e a dos braços que os equipavam em 1957, torna-se claro que o braço era um elemento subestimado no começo da Alta Fidelidade. Nessa época, estàvamos convencidos que o papel do gira-discos e da célula era mais influente no som do que o do braço, e ainda à pessoas que pensam assim hoje. Foi com o tempo que este componente se tornou nobre e atingiu o respeito que possede hoje, sendo a SME a principal responsàvel desta evolução dos espiritos. Hoje sabemos, que o movimento de alguns microns do diamante/estilete, não pode ser extraido perfeitamente se os pivôs possedem um jogo de alguns microns também. Esta incompatibilidade é vàlida também, para todos os multiplos parâmetros ao qual o braço vai ser submetido durante a leitura como ; a acelaração instântanea, as vibrações, a elasticidade cumulada braço/célula e mesmo as forças de expulsão elasticas. È o equilibrio de todos estes elementos, que define o som e a qualidade de um braço, e sem um bom equilibrio destes elementos, vamos ouvir o som dos braços o que é mau sinal !...

O preço dos braços : Vou ser muito directo desta vez pois, um braço de qualidade é obrigatoriamente um componente caro a produzir, então caro à venda. A quantidade de pequenas peças, feitas com precisão relojoeira, posiciona os braços no dominio da micromecânica o que é um sector em nada economico. De mesmo a fabricação de moldes para injectar o magnesio e fazer paredes de espessura variàvel, tém o seu preço. Um rolamento de precisão com esferas em ceramica, custa dez vezes mais caro do que um bloco optico de leitor CD. Todos estes elementos juntos vão condicionar o preço, mas existem braços feitos em grande série, de grande qualidade e com preços « ainda abordàveis » !

Conclusão : Apòs tudo o que vém de ser dito, é evidente que a qualidade do braço não pode ser menospresada num sistema de leitura vinilo de qualidade. Para resumir, um braço de qualidade deveria ser uma força imaterial, que criaria à volta da célula uma força de gravitação controlada e que vai permitir uma geometria e atração constante, sem forças de oposição ném vibrações. Isto é impossivel, é certo, mas seria a unica maneira para que o braço não tenha um som proprio. Como o gira discos, que tém como função exclusiva de fazer rodar o disco, sem vibrações internas ou externas, o braço deveria ser um elemento insonso (transparente ou inexistente) no resultado sonoro ... talvez um dia o seja, mas duvido !...

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Última edição por TD124 em Qui Set 25 2014, 12:47, editado 2 vez(es)
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fredy
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qui Set 25 2014, 09:49

Olá
Um tópico extremamente interessante...

Aqui ficam mais 2 links que penso que poderão dar alguma ajuda também...

http://www.ebay.com/gds/Buying-a-turntable-If-you-just-want-to-play-records-/10000000014226243/g.html

http://www.ebay.com/gds/Turntable-Buying-Guide-/10000000002161529/g.html

Fredie

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qui Set 25 2014, 13:03

fredy escreveu:
Olá
Um tópico extremamente interessante...

Aqui ficam mais 2 links que penso que poderão dar alguma ajuda também...

http://www.ebay.com/gds/Buying-a-turntable-If-you-just-want-to-play-records-/10000000014226243/g.html

http://www.ebay.com/gds/Turntable-Buying-Guide-/10000000002161529/g.html

Fredie


Muito bons os dois links, sobretudo o de Ebay pois mais extensivo !!!

Até+

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Sex Set 26 2014, 06:33

Fantástica abordagem de um tema com muito pano para mangas.

Obrigado Paulo.

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Sex Set 26 2014, 10:19

António José da Silva escreveu:
Fantástica abordagem de um tema com muito pano para mangas. ...

Tudo no audio, é assim!!!...

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Sex Set 26 2014, 17:27

Muito ilustrativo e didactico. Parabens.

E os pres de fono, será o proximo capitulo?

Cumprimentos,

Pedro
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MensagemAssunto: As células   Sab Set 27 2014, 12:14

As células :

A célula é o elemento que vai transformar proporcionalmente, o movimento imprimido ao diamante pelos sucalcos, em energia eléctrica. Este fenomeno que pertençe à electrodinâmica, é o mesmo que é utilisado nos altifalantes, auscultadores, microfones, motores eléctricos, dinamos, etc… Para resumir o fenomeno, vamos dizer que qualquer movimento de um iman à proximidade de uma bobina (ou o contràrio), vai produzir uma corrente eléctrica. Então uma célula vai utilisar o movimento vibratorio do estilete durante a leitura para produzir uma corrente eléctrica, proporcional ao movimento do estilete. Quando é um iman que està instalado no estilete, vamos chamar a estas células « Imanes movéis ou MM », e quando é uma bobine serà então « Bobines movéis ou MC », isto no plural, pois para a estéreo são necessarios dois imanes ou duas bobinas.

Não abordaremos as células antigas de tecnologia « piezo-eléctricas », pois esta técnica jà não é utilisada hoje, e os pesos de apoio requeridos seriam destructores dos discos modernos…

As células MC : Estas células que eram minoritarias no começo da alta-fidelidade, tornaram-se majoritarias com o tempo e são hoje as células mais reputadas e utilisadas nos meios audiofilos. A argumentação principal comunicada pelos fabricantes, é que uma bobina com um tamanho igual, é mais leve do que um imane permitindo de fabricar então conjuntos de diamante/estilete/bobinas mais leves do que os das MM. Mas para ser muito pequena, uma bobina tém de ter muitas poucas espiras de fio e muito fino, o que dà como resultado uma produção muito fraca de electricidade. Isto, explica o nivel muito baixo de saida das MC entre 0.07 e 0.8mv, o que obriga a utilisar um préamplificador phono adaptado em ganho a estas células ou um transformador elevador (MC step up transformer). Como se pode ver na figura acima, os fios de saida estão ligados ao estilete o que impossibilita a mudança do estilete/diamante, coisa que é possivel na maioria das células MM. Como os imanes estão fixados no corpo e são muito grandes e potentes, as células MC são em média, mais pesadas do que as MM e podem atrair objectos magnéticos ou ser atraidas pelos pratos com ligas de ferro. Como o fio das bobines é muito fino e estas muito pequenas, a fabricação destas células continua a incluir uma parte importante de mão de obra, e não podem ser produzidas automaticamente , isto justificando o preço em média mais elevado desta tecnologia. Como cada construtor define a quantidade de espiras nas bobinas em função da célula, estas ultimas tém uma saida a baixa impedância (entre 6 e 50 ohms) e devem ser carregadas pelo phono consoante as especificações do construtor.

As células MM : Como jà foi dito, o funcionamento é o mesmo mas em inversando a posição dos elementos magnéticos. Como as bobinas estão fixadas no corpo, então hà mais espaço e podem ter dimensões maiores, o que permite ter muito mais espiras de fio e produzir mais electricidade. Assim estas células téem um nivel de saida elevado entre 3 e 5mv (às vezes mais), o que permite de as utilisar sem andar de ganho suplementar num phono « bàsico », também chamado phono MM. Hoje em dia, e mesmo se hà algumas excepções, a tecnologia MM é utilisada nas células de entrada e meio de gama e muito mais raramente no topo de gama. A estructura eléctrica permite de automatisar o processo de fabricação, então não hà praticamente intervenção humana na produção destas células, o que favorisa o preço de produção e a quantidade. Como as bobines estão acopladas ao corpo, o estilete pode ser amovivel e cambiado pelo utilisador, mas hà algumas raras marcas que fazem células MM aonde o estilete é fixo como numa MC, como a Rega por exemplo. Como a maioria dos corpos são feitos em plastico e que as bobinas são mais leves do que os imanes, estas células téem em média um peso inferior às MC. O sinal de saida é muito mais elevado mas a impedância também, dando um valor de carga estipulado a 47000 ohms ou 47kΩ. Mas como hà muitas espiras de fio, a inductância vai ser muito alta (entre 45 e 500mH), o que vai formar com o cabo de phono um circuito resonante e um filtro. Estas células devem então ser carregadas por um condensador, definido pelo construtor, afim de produzir uma curva de resposta linear e sem distorsão suplementar.

As células MI : As células MI ou moving iron (aço movél), são uma variante das MM com a diferença que as bobinas e os imanes estão fixos no corpo, e o que està instalado no estilete é uma micro-peça de aço puro (mais ligeiro que um iman) e que o movimento deste, visto que é magnetisado pelos imanes produz a electricidade. Esta técnica que foi quase exclusiva da Grado e ADC, é hoje utilisada também pela Nagaoka, Cartridge Man e mesmo em algumas Ortofon (VMS). Podem ser citadas como variantes também as (MMC) micro-cross da Bang & Olufsen e mesmo com diferenças mais notàveis a célula « London Decca ».

Apòs as diferenças, é tempo de ver o que estas células téem em comum e que é o que se chama o « conjunto movél ». Este ultimo é constituido do diamante, que està fixo a um tubo que é o estilete e ao qual estão fixados também os imanes ou bobinas e a suspensão. Este conjunto resumido na foto (é um esquema e não a realidade fisica), tém grandes semelhanças com o braço de leitura, e na realidade trata-se de um micro-braço, submetido aos mesmos problemas de rigidez e de leveza.

O estilete : Esta peça geralmente tubular, tém o diamante fixado numa ponta e as peças do gerador do lado oposto (bobinas ou imanes). È uma peça fundamental pois deve transmitir a integralidade do movimento do diamante, sem flexão ném vibrações ao gerador, que seriam amplificadas como distorsão. Então ele deve ser rigido, mas ao mesmo tempo leve afim de não opor uma resistência de peso, ao minimo movimento do diamante no sucalco e isto em todas as direções. Afim de permitir estas condições antinomicas, os modelos de topo utilisam metais e ligas raras como o berilio, boro, titânio, fibra de carbono e mesmo pedras preciosas (artificiais) como a safira e o rubi. Trata-se de usar os materiais mas leves e rigidos conhecidos em geometrias de preferência ocas. A Shure não hesitou para a V15 typeV, a utilisar uma folha de berilio enrolada (como um papel de cigarro), afim de obter este Nirvana técnico do rigido/leve. Mas, apesar destes avanços reais e concrétos, é importante de observar que algumas das células mais famosas e reputadas, utilisam simplesmente um estilete em aluminio.

O diamante : È ele na realidade que vai percorrer os zigzagues com curvas apertadas e grandes desniveis que são os sucalcos. Na realidade deveriamos falar desta peça no plural, pois afim de o ajudar nesta proeza, sem sair da pista, foram criadas tantas variantes de forma que é fàcil de se perder na compreensão das diferenças. Apesar da quantidade de apelidos, às vezes pomposos, o corte dos diamantes resume-se a quatro tipos que vamos ver :

Conicos/esféricos : Este é o corte mais antigo e como o seu nome indica trata-se, de um cone geralmente redondo na ponta. A sua « linha geométrica » (forma vista pelo sucalco) é circular.

Elipticos : Trata-se bàsicamente de um corte do tipo conico ao qual vamos fazer dois cortes identicos lateralmente, o que aumenta a superficie de contacto com o sucalco e amelhora a leitura deste ultimo. Este corte dà uma linha geométrica em forma de amendo ou de ovo.

Hipereliptico : Criados para poder ler os discos prensados para a tetrafonia (quatro canais independentes), estes cortes são sobretudo conhecidos pelo nome de Shibata e Stereohedron, mesmo se existem vàrios outros. Estes cortes possuem um grande contacto com o sucalco e possuém um linha geométrica em forma de olho ou de punhal.

Especiais : Como o corte hypereliptico tinha tendência a ser um burim gravador desde que a célula estava mal alinhada, com muito peso ou mal associada ao braço, os construtores fizeram um pouco volta atràs no profilo do corte. Assim nasceram, uma série infinita de nomes comerciais para designar cortes hiperelipticos, mas menos afiados e mais compativeis com a estéreo e as compliances médias de hoje. Assim os nomes como o corte VDH, Microline, Linecontact, SAS, Bi-radial, Replicant, Fritz Geiger, Fine line, Ortoline, Trigon, MicroRidge designam o mesmo profilo mas com ligeiras variantes.

Mas o corte não é o unico responsàvel pela qualidade e pelo preço do diamante. O grau de polido, a estrutura cristalina e a forma como este vai ser criado e montado no estilete, vai ter uma influência tão importante quanto o profilo. Assim, um diamante pode ser montado na ponta de uma peça em metal (titânio ou outro) que por sua vez é fixada no estilete, dando a este diamante o nome de (bounded tip). Esta montagem economica (pois o diamante é muito pequeno), aumenta o peso do diamante e apresenta uma perda de energia pela passagem por vàrios materiais, e colagens. Ao contràrio quando o diamante vai ser feito de uma sò peça, o que é caro evidentemente, o desempenho dinamico é superior e estes diamantes são chamados de « inteiros » ou (nude). A forma de os fixar e qualquer que seja o tipo também tem a sua importância, pois os diamantes podem ser simplesmente colados ou colados e cravados. A ultima solução, aumenta a rigidez de contacto e é a solução suprema, qualquer que seja o corte e a tipologia.

A compliance : Este fenomeno é o inverso da rigidez, então a compliance é a capacidade de flexão ou de elasticidade de um corpo. Como uma célula possui uma suspensão, então a elasticidade desta ultima define o seu nivel de compliance. Quando é muito elàstica, vamos dizer que a compliance é alta, e ao contràrio que ela é baixa. Vamos considerar então que uma célula que possui uma compliance entre 5 e 10 um/mN é muito baixa ou baixa, entre 10 e 20 um/mN é media e entre 20 e 35 alta ou muito alta. Este fenomeno é importante, pois uma vez instalada no braço a compliance da célula vai se juntar à do braço e definir a frequência de resonância do conjunto. Abordaremos mais tarde e em pormenor este fenomeno.

Desgaste e corte : O nivel de desgaste do sucalco quando é percorrido por um diamante, é proporcional à força de apoio / superficie de contacto. Como foi visto o diamante conico posséde uma superfecie de contacto muito inferior a um hypereliptico, então o desgaste de um diamante conico lendo a 5g é equivalente a um Shibata que lê a 1g. Mas se lermos um vinilo com um corte hipereliptico à volta das 3g, o nivel de desgaste vai ser importante, mesmo se os cortes actuais são menos pontiagudos. Um VTF demasiado leve (em relação ao aconselhado pelo construtor também é grave, pois o diamante vai saltar em alguns sucalcos e descair depois criando danos irreversiveis. Então, o VTF preconisado pelo constructor deve ser escrupulosamente respeitado, e o corte de diamante de uma célula não deve ser modificado.

O preço das células : Pelo que vemos de ver, o essencial do preço vai ser imposto pela qualidade do conjunto movél, assim que pela mão de obra. Então, e mesmo com materiais equivalentes, é normal que as MC sejam mais caras pois incluem uma intervenção humana muito mais importante. Deve ser visto, que as MC são mais caras à compra mas ao mesmo tempo exigem um préamplificador phono especial, ou transformadores « step up », que vão tornar em média o conjunto ainda mais oneroso.

MM vs MC : Este é um velho e animado debate, no qual cada campo tenta valorisar as avantagens de cada tecnologia, como é normal. Os adeptos das MC elogiam o fraco peso do conjunto movél, o que não é uma verdade universal. Do lado dos socios da MM, é sobretudo a alta compliance e a ausência de andar suplementar no phono que são valorisadas, mas que devem ser nuanceadas também. Na realidade, hoje os audiofilos sabem que o conjunto braço célula é tão importante, quanto as qualidades individuais. Então resumir o problema a uma simples questão de « geradores » é simplista e sem saida…

Conclusão : Como acabàmos de ver, as células MM e MC são finalmente duas gémeas, mas uma é do norte e a outra do sul. A qualidade do conjunto movél é primordial e define a ele sò a qualidade global da célula por uma grande parte. Como veremos mais tarde, a acoplagem ao braço terà um papel fundamental também, pois nenhuma célula trabalha sozinha. Então, o bom sentido guiaria um leigo para o lado das MM, tanto pelo preço que pela simplicidade de utilisação e do phono. Ora que alguém de mais experimentado, e jà equipado em MC, serà tentado de continuar a busca do eterno graal por esse mesmo caminho…

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Última edição por TD124 em Sab Set 27 2014, 14:50, editado 4 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Sab Set 27 2014, 12:52


... assim... parece fácil!
Uma vez mais... um grande "merci", Paulo.
Abç
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Sab Set 27 2014, 13:04

Como sempre, excelente.

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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Sab Set 27 2014, 19:15

Muito bom Paulo. Obrigado pela partilha
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Milton
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Sab Set 27 2014, 22:37

Tenho acompanhado mas ainda não me tinha manifestado apenas para não repetir os elogios, mas agora tenho que me render e fazer uma vénia mais do que merecida ao amigo Paulo !




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fredy
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Dom Set 28 2014, 10:33

Olá
Aqui vai mais este link onde se pode ouvir várias cartridges em teste...
Salvaguardando o sistema onde o teste é feito, pois não é igual ao nosso, bom para ter uma ideia da sonoridade de diversas cartridgges...

http://daveyw.edsstuff.org/vinyl/cartridges/mm-cartridges/

Fredie
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MensagemAssunto: Os préamplificadores de Phono   Seg Set 29 2014, 08:49

Os préamplificadores de phono :

Afim de aumentar a duração da gravação e minimisar o desgaste dos sucalcos, os discos vinilo são gravados com uma atenuação das frequências baixas e uma acentuação das altas à volta de 1khz, esta ultima ficando intacta. Esta astucia que se chama curva RIAA (Recording Industry Association of America), e que entrou em serviço em 1954, tém de ser corrigida no sentido inverso durante a leitura. Ao mesmo tempo jà vimos que as células produzem um sinal que é muito fraco. Então, o papel do préamplificador de phono é de amplificar o sinal das células até um nivel compativel com o sistema (+/- 500mv) e de corrigir a curva RIAA do disco, afim que o sinal de leitura na saida seja linear e idêntico ao da banda (master).

Mas, visto que as células MC tém um nivel de dez a trinta vezes inferior às MM, então o préamplificador para MC tém que compensar este fraco nivel, possuindo mais ganho. Esta particularidade, explica então que existam Phonos para MC e para MM, mesmo se hoje a grande maioria dos phonos dos grandes construtores sejam universais. Geralmente um interruptor, permite de passar de MM a MC, mas muitos construtores audiofilos continuam a produzir phonos especificos (MM ou MC). Isto é feito para resumir, afim de evitar de criar contactos suplementares no trajecto do sinal fraco da célula, que poderiam afectar a transparência. Vamos là ver então, as particularidades especificas a cada um destes aparelhos.

Préamplificador MM : Estes aparelhos devem ter um ganho à volta dos 40/46dB (multiplicação do sinal entre 100 e 200 vezes). Afim de adaptar a impedância de entrada e a capacidade, alguns dos modelos evoluidos possuem interruptores para adaptação. Se a mudança da impedância sò é necessaria para os grandes audiofilos (ou em casos muito especiais), que gostam de afinar a carga da célula, jà a capacidade não é a mesma coisa. Como foi visto no capitulo das células, as MM necessitam de possuir uma capacidade total especifica (braço, cabo phono, capacidade do phono), afim de equilibrar a inductância das bobinas e obter um sinal linear. A possibilidade de modificar a capacidade é então muito importante ou mesmo indispensàvel.

Préamplificador MC : Afim de atingir o ganho necessario de 60/70dB (multiplicação do sinal entre 1000 e 3000 vezes), estes aparelhos tém recurso a vàrias soluções. O ganho necessario pode ser obtido, por uma mudança da realimentação negativa (para menos) afim de atingir o ganho necessario, pela adição de um andar de ganho suplementar ou pela adição de um transformador elevador chamado (step up transformer). As células MC são insensiveis à capacidade, pois o sinal é a baixa impedância, mas devem ser carregadas com a impedância nominal aconselhada pelo construtor. Esta impedância têm um papel importante no nivel do sinal, pois permite de amorteçer correctamente as bobinas. Geralmente vamos encontrar três impedâncias disponiveis 10, 40 e 100ohms.

A tecnologia activa : Os préamplificadores de phono, podem existir em todas as tecnologias que sejam a valvulas, transistores e hibridos. Actualmente, a maioria dos phonos a transistores utilisam AOP ou transistores do tipo JFet e neste ultimo caso, vamos dizer que são feitos com « componentes discretos ». A guerra vàlvula/transistor também é vàlida neste dominio e cada campo avança os seus soldados. Os defensores dos transistores, gabam o baixo ruido termico dos JFet e o trabalho a baixa tensão e impedância, o que permite de utilisar components de topo utilisados no dominio da medida. As alimentações a fraco ruido ou com baterias, são também um dos cavalos de troia dos socios dos transistores. No campo das vàlvulas, os guerreiros valorisam a utilisação de andares do tipo cascodo, que permitem altos ganhos com fraco ruido termico. A dinamica superior, a linearidade e a capacidade de sobrecarga superior, são também alguns dos trunfos apresentados. Evidentemente, como sempre todos téem razão e os bons exemplos existem em todos os campos, então a escolha tecnologica é pessoal e não constitui por si sò, uma garantia de qualidade.

O modulo RIAA : Esta é uma parte fundamental, tanto na precisão da correção, que no resultado sonoro de um préamplificador phono. A correção RIAA é como um filtro de coluna, então ela pode ser passiva ou activa. Pode-se considerar uma precisão de 0.5dB como correcta e de 0.2dB como muito boa ou ideal.

Passiva : A correção vai ser feita entre ou através de dois andares com componentes passivos escolhidos. Isto pode ser feito com células RC (resistências/condensadores) ou com células LRC (inductâncias/resistências/condensadores), que os audiofilos e amadores de DIY saboreiam. Este tipo de correção faz perder ganho que tem que ser compensado, pode arremassar barulho, mas tém pouco erro de fase.

Activa : Neste caso a correção vai se produzir no caminho da realimentação negativa. O nivel de ruido é inferior, e o valor (mais baixo em média) dos componentes ajuda a guardar o ruido baixo. Os defensores véem como uma vantagem, que esta correção não esteja no caminho do sinal. Teoricamente a transparência global é superior e a distorsão mais baixa.

Hibrida : Este tipo utilisa as duas correções e pretende obter o melhor de cada uma. Geralmente a parte alta da banda é passiva e a baixa activa. Esta técnica està a voltar em força actualmente, pois pretende representar o melhor dos dois mundos.

O silêncio de funcionamento é a angustia dos audiofilos e no passado era o pesadelo dos designeres. Como o ganho é muito grande nestes aparelhos, eles devem ser naturalmente silenciosos, afim de não amplificar o ruido proprio ou os ruidos parasitas à proximidade. Bom, as coisas mudaram muito e actualmente os phonos de qualidade são em média extremamente silenciosos. A utilisação de alimentações reguladas e filtradas acopladas com circuitos optimisados, conduz a niveis médios de relação sinal/ruido à volta de 65dB. No entanto os problemas de ruido continuam a ser a preocupação dos audiofilos vinilistas, mesmo quando não é o Phono que deve ser incriminado. Uma boa geometria de massa entre braço/célula e phono é uma base indiscutivel e evita muitos dissabores. O afastamento do phono em relação aos outros aparelhos, também é uma higiene saudavel.

Phono interno vs externo : Um phono externo é teoricamente superior, pois està afastado da poluição gerada pela alimentação, assim que pelas vibrações de trabalho do aparelho hospede. Mas, é a estrutura global do phono que prevalece, e às vezes os phonos integrados são de qualidade superior a certos externos. Os construtores sérios, equipam os seus aparelhos com phonos equivalentes à qualidade global do integrado. Então quanto melhor este é, melhor deve ser o modulo phono integrado.

Transformadores vs activo : Este é mais um dos velhos debates audiofilos e sem fim como todos os outros. Alguns audiofilos defendem que sò os transformadores « step-up » podem amplificar dignamente as células MC com fraco nivel de saida. O facto de não serem alimentados é estimado mais silencioso do que um andar activo e o facto de amortecerem melhor as microbobinas da célula. Os adeptos do activo, valorisam a facilidade de utilisação, a ausência de « hum » e a universalidade. Se no passado a questão era fundamental e o transformador possuia reais avantagens, a situação tém tendência a se inversar desde hà vinte anos, e hoje existem Phonos que podem competir com os transformadores em quase todos os dominios. Subsiste simplesmente a questão do amortecimento, que divide mesmo os teoricos, de saber se a resistência de entrada de um phono permite de carregar perfeitamente as micro-bobinas da célula. Evidentemente, o som destes dois tipos de amplificação são diferentes, mas este como todos os outros aspectos subjectivos, são de ordem pessoal.

Entradas simétricas : Esta técnica que obriga a recablar a célula e o braço, é para alguns audiofilos o « màximo » da eléctronica de leitura em vinilo. Esta astucia, separa o sinal de cada canal da célula em positivo e negativo mais uma « massa » virtual. Isto obriga o Phono a ser duplo e a carga distribuida, afim de tratar o sinal como um pseudo-simétrico, ou a posseder um transformador elevador com ponto médio. Esta técnica elimina os parasitas por modo comum, e pode atingir niveis de silêncio e de fidelidade fora do comum. Alguns Phonos de ultra-topo são equipados de série, mas esta técnica continua a ser confidencial e muito cara, pois duplica o numero de componentes do Phono.

O « hum » e as massas : Não é raro de ler ou ouvir, todos os dissabores que alguns audiofilos possuem com ruidos de todos os tipos no sistema de phono. Incriminar directamente o préamplificador, é esqueçer as razões desses ruidos que geralmente nascem na célula ela mesma. Assim, uma célula MM que trabalha a alta impedância e aonde os fios das bobinas é muito longo (efeito de antena), tém mais tendência a « apanhar » barulho (ou mesmo a radio) do que uma MC. Estas células devem ser perfeitamente cableadas no braço, afastadas de qualquer radiação electrica e o cabo phono deve ser perfeitamente blindado. Ao contràrio as MC, tém um sinal muito fraco mas a baixa impedância e então relativamente imunisado à poluição. Neste caso é o ganho suplementar do phono que cria geralmente esses problemas, sobretudo quando posséde transformadores elevadores. Então o phono, deve ser afastado dos outros aparelhos e os cabos de alimentação não devem tocar ném cruzar os de sinal ou de massa. Isto é valido para todos os tipos de células. Uma boa higiene das massas e poluições, permite de possuir um silêncio idêntico ao das outras fontes.

Preço dos Phonos : Os Phonos como as células, existem a preços que vão de algumas dezenas a algumas dezenas de milhares de euros. Como sempre, tanto a tecnologia utilizada como os componentes ou ainda as funções disponiveis, vão determinar o preço do aparelho. Evidentemente, o prestigio da marca, o pais de produção e o modo vão modular o preço de venda. Guardar, uma coerência de qualidade/preço equilibrada com a célula e o gira, pareçe-me uma via de bom sentido.

Conclusão : O préamplificador de Phono, é a quarta peça fundamental de um sistema vinilo e é tão importante quanto os outros. A possibilidade de dispôr dos ajustes necessarios, permite de utilisar as células de maneira ideal, o que evita dissabores subjectivos. As escolhas técnicas, serão feitas em função do sistema existente e dos gostos pessoais. Como em toda associação, um phono vai formar com uma célula um « todo » que é correcto ou magico. Assim, o resultado subjectivo global é a soma destes dois elementos acoplados ao braço/gira. Escolher então, um phono equilibrado e com um caracter neutro, é permitir pela seguida uma margem de adaptação em relação a células diferentes.

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Última edição por TD124 em Seg Set 29 2014, 09:01, editado 1 vez(es)
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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Seg Set 29 2014, 09:00

Muito boa a última aula Paulo

Obrigado pela partilha.
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mannitheear
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Seg Set 29 2014, 09:01



Excellent reading, even through Google translator!

Distinctive TD124's style: all-embracing, very clear and easy to understand.

Cheers
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Seg Set 29 2014, 11:00

Fantástica enciclopédia que se está a formar pela "pena" do Paulo.

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luis lopes
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Seg Set 29 2014, 14:50

isto está a caminho de um premio literario!
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TD124
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MensagemAssunto: As compatibilidades   Ter Set 30 2014, 11:56

As compatibilidades :

Apòs o que acabamos de observar nos primeiros quatro capitulos, os diversos constituintes da leitura vinilo podem ser (e são) técnicamente diferentes. Para que eles possam funcionar nas melhores condições é necessario então respeitar certas condições técnicas ou subjectivas. O respeito destas regras pode em si proprio, ser superior na qualidade do resultado do que o material usado. O conjunto destes elementos de acordo são as « compatibilidades inter-elementos », então vamos aprender a conhecê-las afim de constituir um sistema aonde o resultado seja superior à soma das partes. As compatibilidades são de três tipos, ou seja; as mecânicas, as eléctricas e as subjectivas.

As compatibilidades mecânicas : A mais conhecida é a compliance, que jà foi abordada superficialmente no capitulo das células, mas hà ainda outras que vamos ver neste resumo.

A compliance : Como jà foi dito, a compliance é o inverso da rigidez, então pode-se resumir como sendo a flexibilidade, ou a elasticidade de um material. Durante a leitura sò o «conjunto movél» da célula deve vibrar, e à volta de uma zona mediana que é fixada pelo VTF, então o braço deve ter uma elasticidade adaptada à da célula. Como um braço não é elàstico e não deve ter elasticidade, é a « inercia de massa » que vai desempenhar esse papel. Quanto mais pesado é um braço, mais o seu peso se vai opôr (ter uma resistência) ao movimento lateral/vertical e um leve reagirà ao contràrio. Este fenomeno chamado a inércia de massa, vai interferir com a suspensão da célula (dinamicamente) e eventualmente criar incompatibilidades mecânicas. Se digo « dinamicamente », é porque todo o problema està neste fenomeno, que é a oposição de estàtico. Se o braço e a célula não se movessem, não haveria problema e bastaria ajustar o peso nominal. Mas a célula està em movimento como um carro, então a relação entre dureza da suspensão, peso do carro e velocidade é fundamental, sobretudo numa estrada desnivelada e com curvas. Se uma célula for muito elàstica (alta compliance / pouco rigida) e o braço pesado, então a suspensão da célula não terà força suficiente para montar o braço instântaneamente, e durante as descidas o peso do braço vai carregar na célula. Ao contràrio, se a célula for muito rigida (baixa compliance / alta rigidez) e a montar-mos num braço leve, este não vai ofereçer uma resistência suficiente para que continue em contacto com o disco, e a célula vai « saltar » de sucalco em sucalco danificando irremediavelmente o vinilo. Então a regra é simples, célula a alta compliance + braço leve = OK, célula a baixa compliance + braço pesado = OK e célula a média compliance + braço de peso médio = OK. A boa compatibilidade pode ser calculada pois hà vàrias formulas na Net e a frequência ideal deve estar entre 8 e 12Hz, como é mostrado no gràfico da Ortofon em baixo. Hoje a compliance està harmonisada, e a maioria das células modernas està bem adaptada aos braços actuais do tipo Rega ou Jelco. Para resumir, as MC modernas andam entre 11 e 16 e as MM entre 15 e 20. Evidentemente existem vàrias excepções a esta regra, mas trata-se geralmente de células antigas ou fora de gabarito.

O suporte : Este elemento é regularmente subestimado então vamos lembrar algumas regras. Um gira discos é extremamente sensivel às vibrações, mesmo quando tém uma suspensão evoluida, pois esta serve a minimisar e não a eliminar as vibrações externas. Então o suporte de um gira deve ser rigido, estàvel, posto a nivel e pousado num chão que possua as mesmas qualidades. Se o chão for de madeira ou vibrar, existem prateleiras especificas a pousar à parede que são eficazes. O disco deve rodar perfeitamente na horizontal, sob pena de falsear o anti-skating e mesmo o peso da célula consoante o tipo de braço utilisado, se o desnivelamento for importante.

A desacoplagem dos braços : Muitos amadores afim de utilisar um braço mais longo ou um segundo, desacoplam estes ultimos do gira pousando-os no mesmo suporte. Mesmo se esta solução não é aconselhàvel que em raros casos, no caso de um gira a suspensão é então inaçeitavel. Esta situação, vai romper a geometria braço / célula / disco, o que é prejudiciavel para a leitura.

Os pesos em movimento : A maioria dos gira-discos são concebidos para mover um peso determinado. Os motores, eixos, esferas e espelhos de chumaçeira foram então calculados para trabalhar nessas condições e sem aumentação exagerada do peso total. Ora, hoje com os discos de 200g, os puck’s que às vezes atingem 500g e certos tapetes (mat) que chegam a fazer mais de 300g, isto dà um kilo a mais no prato. Com certos giras a pequeno motor (Pink Triangle por ex.), esta situação falseia a velocidade, danifica os eixos e prejudica a qualidade de escuta global. È preferivel então, de evitar os suplementos exagerados de peso, em relação à construção de origem.

As compatibilidades eléctricas : Neste caso é a compatibilidade eléctrica que està em causa. As células téem caracteristicas técnicas diferentes, então devem ser tratadas em função dessas particularidades. A ligação entre estas e o braço e do braço ao phono, também deve obedeçer a regras especificas.

As células MC : Devido à fraca impedância de saida, estas células são em média carregadas por uma carga compreendida entre 10 e 100ohms. A precisão desta carga em relação à impedância de saida das bobinas é muito importante e pode conduzir a falsas apreciações da célula e ou do Phono. Assim uma MC acoplada a um Phono activo deve ser carregada, entre 10 e 20 vezes o valor da impedância interna. Se for acoplada a um transformador, então a relação serà de 1 a 5 vezes. Experimentar vàrios valores, permite de optimisar a curva de resposta e a adaptação subjectiva ao sistema. Existem vàrias células MC a alto nivel de saida actualmente. Estas ultimas, são habitualmente carregadas por um phono normal com 47Kohm em entrada. Se o phono permite, é interessante de baixar este valor até 35Kohm (ou menos) e escutar o resultado, pois muitas vezes a impedância ideal é muito mais baixa. Se possivel, remova os condensadores de carga da MM, que não serão necessarios (até podem ser prejudiciaveis), a menos que o construtor proponha a utilisação desta carga.

As células MM : Neste caso, tanto a capacidade como a impedância de carga são primordiais. O esquema acima, permite de ver a influência na curva de resposta. As especificações do construtor devem ser respeitadas, mesmo se a aumentação da impedância de carga pode dar bons resultados. Pensar sempre, que a capacidade de carga é a soma da capacidade do braço + a capacidade do cabo de Phono + a capacidade instalada no préamplificador. A utilisação de um cabo de phono a fraca capacidade (50 a 100pF) e muito bem blindado é altamente recomendado. A maioria das células MM tém o gerador protegido por uma caixa em «mumetal» afim de evitar a captação de ruidos. A ligação desta caixa à massa, ou não segundo a cablagem, deve ser verificada se ruidos parasitas apareçerem.

As massas : Este é um problema complicado e a principal razão do «hum», que tanto irrita os vinilistas quando o téem. Visto o fraco nivel dos sinais e a impedância às vezes elevada (MM), o sinal das células é muito vuneràvel às outras radiações electromagnéticas que provocam ruido. Afim de evitar isso o sinal é blindado durante o caminho até ao phono, que seja no braço ou no cabo, e é a massa que garante essa blindagem. Quando uma massa està cortada, faz mau contacto ou està duplicada, então o hum apareçe e cobre uma parte do sinal. A qualidade das massas e o perfeito contacto destas, é então primordial, e deve ser pesquisado em primeiro desde que certos ruidos aparessem. Afastar o Phono e a célula dos outros aparelhos do tipo, televisores, computadores e box’s da Net etc, é uma higiene que deve ser praticada.

O cabo de Phono : Este componente exige particularidades técnicas especificas, então qualquer cabo audio não é obrigatoriamente compativel com esta função. Um cabo de Phono deve ser muito bem blindado (cobertura optica de 90 a 100% ou integral por folha) afim de proteger o fraco sinal e a fraca capacidade (50 a 100pF), para não ultrapassar a capacidade especifica da célula e alterar a forma da curva de resposta desta ultima. A utilisação de um cabo qualquer à toa, explica os bons ou maus resultados objectivos que uma comparação de MM diferentes pode dar, no mesmo sistema ou em sistemas equivalentes.

As compatibilidades subjectivas : O que està em causa neste caso, não é uma incompatibilidade técnica, mas uma associação de elementos aonde o resultado sonoro pode falsear o que é pretendido pelo proprietario.

Suspensão e unipivôs : A maioria dos giras suspendidos possuem meios para afinar a suspensão. È importante de saber, que a maneira como esta està afinada interfere directamente no resultado subjectivo. Assim uma suspensão afinada para o lado “duro”, dà um som mais dinamico, definido e claro, ora que do lado “mole” dà um resultado ao contràrio. A associação do braços unipivôs com giras a suspensão «gelatinosa», também deve ser feita com atenção, pois estas podem acentuar o desiquilibrio horizontal da célula. Mas, a excepção sendo a base da HiFi, podemos notar que um dos casais audiofilos mais conhecidos é o braço Aro + Linn, que são um unipivô + gira suspendido…

Braços e giras : Se partirmos do principio que cada gira tém um som proprio, então a associação com o braço e a célula é fundamental. Os construtores harmonisam este casal afim de obter uma assinatura pessoal, mas o audiofilo também pode e deve imprimir o seu desejo no resultado final. Se a escolha da célula, obedeçe a regras de compatibilidade com o braço, o mesmo não se passa entre braço e gira. Se excluir-mos o que foi dito no que diz respeito aos unipivôs/suspensão, um braço X pode ser montado num gira Y, se a possibilidade técnica (fixação/comprimento) o permitir. Neste caso o braço deve ser escolhido, não pelas qualidades técnicas em si sò, mas sobretudo pela capacidade a valorisar o som natural do gira e constituir uma mais valia subjectiva. Este atitude deve ser estendida à acoplagem braço/célula, em respeitando as relações de compliance é claro.

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Ter Set 30 2014, 13:35

Muitas e boas questões abordadas e que deveriam de ser suficientes para esclarecer e tirar muitas duvidas que ainda persistem em relação à sempre apaixonante leitura do vinil.

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 04:19

Já agora, e apesar de não ser mais completo do que a excelente explicação do Paulo, um site onde eu há muitos anos atrás aprendi o beabá destas coisas.


http://www.theanalogdept.com/cartridge___arm_matching.htm

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MensagemAssunto: Os acessorios   Qua Out 01 2014, 12:13

Os acessorios :

Bom, o grande dia està prestes a chegar. Com a ajudinha de tudo o que jà foi escrito, voçê jà encomendou o gira/célula/phono que desejava e o material jà està a caminho. Antes que ele chegue, e aproveitando da treva das montagens e afinagens, vamos là ver o material que falta para pôr isso a tocar como deve ser. Os acessorios são então, todo o material periférico que é necessario para a manutenção, manuseamento, montagem/afinagem e aumento do desempenho. Todos não são obrigatorios, e alguns talvez nem sejam necessarios, então vamos dividi-los por categorias.

Os acessorios indispensàveis : Isto é o material que garante a boa instalação do material e que permite de o verificar e de preservar o desempenho através do tempo. Alguns não serão necessarios pois são fornecidos com o material às vezes, mas outros serão uma ajuda inestimàvel no dia a dia.

Balança de precisão : Este aparelho é fundamental, tanto para calibrar o VTF durante a montagem da célula, que para o controlar durante o tempo de utilisação desta. Às vezes alguém mexe no contrapeso, ou fazemos testes e de repente jà não sabemos exactamente aonde estamos ao nivel do peso. Os braços tém uma graduação, que nos melhores casos é de +/- 10%, mas nos piores pode ultrapassar os 20%. Uma balança digital, é a melhor maneira de pesar o VTF e de saber o peso de apoio real. Prefira um modelo com o prato de medida da altura do vinilo, afim de preservar a precisão e a universalidade.

O protractor espelho : Este gabarito, permite de alinhar a célula de maneira a reduzir o erro de ângulo. Este alinhamento quando é correctamente efectuado, diminui a distorsão de leitura e o desgaste da célula e dos discos. Com os diamantes elipticos e hiper-elipticos, o alinhamento perfeito é fundamental. A superficie reflectora (como um espelho), é uma mais valia que permite de controlar o azimute (horizontalidade) da célula em relação ao disco.

O nivel a bolha : Como o gira-discos deve estar o mais nivelado possivel e o mòvel também, este é o acessorio de contrôle disso. Alguns giras jà véem equipados de um, então não serà necessario outro. Os niveis duplos permitem de verificar os dois eixos horizontais simultaneamente como os simples, mas em média são mais precisos. Atenção !, as micro-bolhas para contrôle do azimute da concha devem ser retiradas durante a leitura…

As escovas de vinilo : Este acessorio não precisa de apresentação e é absolutamente necessario. Existem vàrias qualidades, vàrios preços e vàrios desempenhos. As duas apresentadas são de alta-qualidade, existem sob vàrias marcas e dão resultados muito bons. Atenção !, os discos não devem ser escovados em permanência, mas sòmente quando estão poeirentos ou com residuos de estàtica. As escovas quando se abusa da utilisação, empurram a poeira para o sucalco em vez de a extrair, então é para utilisar quando é necessario e basta…

O kit de montagem : Este conjunto é fornecido com a maiorias das células novas de qualidade, então talvez não seja necessario comprar. Geralmente ele possede os parafusos em dois ou três comprimentos e as porcas adaptadas, mais uma pequena chave de fendas. As células mais evoluidas téem uma pequena escova para limpar o diamante, extensões de fio para a concha e um peso suplementar. Este peso serve a «forçar» a compliance, quando o braço é demasiado leve para a célula ou quando este não possede um contrapeso adaptado.

Estojo de micro-ferramentas : Estas malinhas baratas, são de grande utilidade quando se monta ou desmonta uma célula. Visto que cada construtor usa parafusos com um desenho diferente, e que muitas vezes é necessario imobilisar as porcas e pôr anéis em plastico, então estes estojos são uma boia de salvação. Basta um simples com vàrios desenhos de chave de fendas, um alicate com bico comprido e uma pinça em inox. O pequeno alicate de corte, é sempre necessario para cortar um fio de massa à medida, ou mesmo para remover o isolante de um fio.

Lupa x5 ou x10 : Absolutamente indispensavel como veremos mais tarde, uma lupa permite de controlar o corte do diamante, a sujidade deste, o nivel de desgaste e mesmo com astucia o azimute (SRA) e o ângulo vertical (VTA). Escolham uma com vidro mineral (optico), para não darem cabo dos olhos e para fazer algumas astucias que veremos mais tarde...

Os acessorios segundàrios : Este apelido não quer dizer que estes produtos são ineficazes mas que, simplesmente eles não são indispensàveis para o funcionamento correcto do sistema. È a cada um em função das suas necessidades, a determinar da necessidade ou não de possuir um ou vàrios destes acessorios. Alguns deles, téem um impacto importante no resultado, mas a utilisação deve ter em consideração certos parâmetros. Vamos là coscovilhar e ver isto mais de perto, mas sem ser exaustivos o que seria «quase» impossivel.

Os tapetes ou (mats) : Um gira novo vém com o tapete preconisado pelo construtor. Se não tém este acessorio é que o gira foi concebido para não o utilisar, então o disco serà em contacto com o prato. Alguns construtores colam directamente sobre o prato uma matéria que vai fazer o trabalho do tapete, então o gira deve ser utilisado assim. Se quizer utilisar um outro tapete para mudar o som ou fazer experiências então; deve adaptar a altura do braço à diferença de espessura do mat e assegurar-se que este seja de peso compativel com o seu material. Quando os tapetes são rigidos, é preferivel que tenham uma recessão para o label do disco. Estes acessorios, téem um impacto importante no equilibrio sonoro global.

Os Puck ou Clamp : Este termo inglês designa um objecto que se posiciona no espigão do prato e placa o disco contra o tapete. Estes acessorios existem em vàrias formas, materiais, pesos e podem ser relativamente evoluidos. Nos giras suspendidos, os puck são em geral demasiado pesados e desiquilibram o subprato e a suspensão. Neste caso é preferivel então utilisar um Clamp, que é uma peça ligeira em plastico geralmente e que se clipsa ou se aperta no espigão. Os puck, mais pesados e geralmente em metal serão destinados a suspensões mais rigidas e a pratos pesados. O som pode mudar muito com um Puck/Clamp, então é aconselhàvel de fazer alguns ensaios antes de decidir.

Os discos estroboscopicos : Este acessorio serve (com a ajuda de uma lampada) a verificar a boa e estàvel rotação do disco. Muitos dos giras « direct drive » jà possuem um estroboscopio incorporado. Nos giras a correia isto é raro, mas ainda é mais raro que voçê possa modificar a velocidade finamente. Então este acessorio sò é necessario para aqueles, que possuem um gira a velocidade regulada sem estroboscopio incorporado, o que é raro. Mas é pratico, para os que téem Lenco’s…

Os desmagnetisadores : O disco vinilo sendo feito de plàstico (isolante) carrega-se de electricidade estàtica com o movimento e com o roçar da agulha. Esta electricidade provoca « estalos » durante a leitura e atrai o pò. Ao mesmo tempo as células, pela presença de imanes potentes, vai magnetisar ligeiramente certas peças metalicas o que faz perder o desempenho magnetico. Estes aparelhos eliminam a electricidade estàtica dos vinilos e os residuos de magnetisação das células. Esta operação torna os vinilos mais silenciosos e evita que agarrem pò, ora que os desmagnetisadores aumentam a transparência e dinamica das células. Atenção !, mesmo se a eficiência é real, ném sempre é o dia e a noite…

As ferramentas evoluidas : Existem gabaritos para alinhar as células muito evoluidos, e hà mesmo amadores que medem ao micrometro o ponto de repouso do estilete. Mesmo se estes instrumentos permitem de atingir um grande nivel de precisão, talvez não sejam necessarios para alguém que instala uma célula de vez em quando. Também me pareçe pertinente de se questionar se o sistema serà capaz de reproduzir as afinagens de algumas dezenas de micrões. Estes aparelhos, devem então ser escolhidos por pessoas que téem utilisação regular, necessidade e competências no uso…

A desacoplagem vibratoria : Este sector em plena expansão, promete de desacoplar melhor e com mais desempenho os giras do suporte. Bom, antes de tudo pareçe-me claro que um aparelho jà posséde o desacoplamento determinado pelo fabricante. Todos os aparelhos téem pés para os pousar, e geralmente mesmo se não são bonitos eles assumem o papel perfeitamente. Modificar a desacoplagem dos aparelhos, modifica a frequência de resonância e pode afectar o desempenho e o som. No mundo do DIY, estes produtos teem muito sentido, mas num sistema de origem é muito discutivel. Isto deve ser feito então em plena consciência do acto, e sòmente quando necessario…

Os acessorios audiofilos : Vamos considerer como acessorios audiofilos, todos os produtos “upgrades” que implicam uma transformação ou modificação (às vezes irreversivel) do componente de origem. Geralmente estas evoluções implicam uma certa habilidade pessoal, conhecimentos e uma perfeita consciência da direção tomada. Evidentemente os resultados podem ser excepcionais, se a modificação se integra num conjunto de evoluções controladas…

Os corpos de célula : O corpo em plastico oco de algumas células, é uma caixa de resonância que destroi uma parte das qualidades subjectivas. Então, extrair o gerador e o conjunto movél desta caixa e metê-la numa perfeitamente rigida é preferivel. Evidentemente, o peso da célula vai mudar e a compliance também, o que é uma avantagem quando se domina estes parâmetros. Esta modificação que pode ser extraordinaria nos resultados, ou desastrosa…, deve ser feita com habilidade e atenção pois hà risco de destrução da célula !!!

Os contrapesos de braço : O contrapeso de um braço é um elemento importante pois ele influi na inércia de massa, na frequência de resonãncia e na precisão/estabilidade do VTF. O câmbio de um contrapeso bàsico, para um evoluido e possuindo afinagens finas pode ser muito benéfico. Certos contrapesos, anulam a garantia e obrigam a modificar o braço. Tenha então consciência disso…

As conchas ou (hedshells) : Evidentemente, este acessorio sò é valido para aqueles que tém braços com conchas amoviveis. A concha pode influênciar muito o desempenho da célula e mesmo do braço. Elas existem em materiais, pesos, tecnologias e geometrias muito diferentes. A escolha de uma concha “perfeitamente “ adaptada à situação, pode ser a faisca do grande resultado à escuta. Mas, também pode ser o começo dos aborrecimentos, então como sempre é escutar e decidir…

O disco de teste : Quando se trata de afinar um sistema audiofilo de qualidade, o disco teste permite de ganhar tempo e paciência. Cada faixa é feita para verificar e/ou afinar certos pontos precisos como o antiskating, a fase, os canais e "com experiência" o bom VTA, VTF, SRA, etc... Então a partir de um certo nivel, ter um disco teste é uma ajuda para "qualquer" vinilista. Não é obrigatorio..., mas é quase !!!

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Última edição por TD124 em Qua Out 01 2014, 14:25, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 12:21

" Atenção !, as micro-bolhas para contrôle do azimute da concha devem ser retiradas durante a leitura…"

Mas o controle do azimute é com a concha colocada no disco (parado) e nível (bolha) por cima, correcto?
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 12:49

Pierre escreveu:
" Atenção !, as micro-bolhas para contrôle do azimute da concha devem ser retiradas durante a leitura…"

Mas o controle do azimute é com a concha colocada no disco (parado) e nível (bolha) por cima, correcto?

Atenção!, eu não preconiso a utilisação de bolhas de concha, pois a interpretação dos resultados é complicada e a utilisação fastidiosa então vou-me explicar:

Para que uma bolha de concha esteja verdadeiramente no meio é necessario que:

O peso do braço esteja regulado para compensar o peso da célula e o peso da bolha, senão o peso desta vai inclinar o braço para a frente...

Que a suspensão do gira (se é mole), não penda para o lado do braço com o peso deste e da célula mais a concha, o que meterà a bolha de lado...

Então essas bolhas sò são vàlidas para leituras a mais de 1.8g e com suspensões relativamente rigidas. Nos outros casos pode ser complicado e falsear o resultado. Efectivamente a medida deve ser feita com um disco pousado (sem rodar) e ao meio deste. Com uma bolha pousada no disco, e outra na concha o resultado deve ser idêntico e o azimute sera então bom.

Usar um palito pousado na concha ao meio, permite de ver o azimute ao "olhometro" com precisão suficiente e sem erros de protocolo..., é o que eu faço!

Até+

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 13:22

TD124 escreveu:


Atenção!, eu não preconiso a utilisação de bolhas de concha, pois a interpretação dos resultados é complicada e a utilisação fastidiosa....


E as que tenho, quase que juro que não têm a necessário precisão. Diria mesmo que não são bolhas com o mínimo de precisão para o trabalho. Já me aconteceu a bolha estar 100% certa, e a shell/célula não me parecerem nada corretas. O palito e o visão parece-me bastante mais certas.

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 13:39

António José da Silva escreveu:
TD124 escreveu:


Atenção!, eu não preconiso a utilisação de bolhas de concha, pois a interpretação dos resultados é complicada e a utilisação fastidiosa....





E as que tenho, quase que juro que não têm a necessário precisão. Diria mesmo que não são bolhas com o mínimo de precisão para o trabalho. Já me aconteceu a bolha estar 100% certa, e a shell/célula não me parecerem nada corretas. O palito e o visão parece-me bastante mais certas.

Eu utilizo a bolha da concha (q pesa cerca de 0,5gr) sobretudo para ter a certeza que o braço e a cabeça estão 100% paralelos ao disco e a partir daí ajustar o VTA, para o azimute é um método pouco preciso
pelas experiencias que fiz e para afinar o VTA o peso extra da bolha é marginal
para ajustar o azimute utilizo o método descrito neste texto:
http://www.analogplanet.com/content/crazy-little-thing-called-azimuth-part-1
http://www.analogplanet.com/content/crazy-little-thing-called-azimuth-part-2

Já agora expliquem melhor essa versão do palito que eu não conheço
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 13:50

Que maravilha, obrigado! Smile
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 15:14

anibalpmm escreveu:


Já agora expliquem melhor essa versão do palito que eu não conheço


Colocas um palito em cima da headshell (há quem use um pouco de fita cola para este efeito), e como aumentas (em largura) a área de visão em relação À superfície do disco, visualizas com muito mais facilidade o paralelismo.

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 15:19

Obrigado Paulo 
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 15:55

António José da Silva escreveu:
anibalpmm escreveu:


Já agora expliquem melhor essa versão do palito que eu não conheço


Colocas um palito em cima da headshell (há quem use um pouco de fita cola para este efeito), e como aumentas (em largura) a área de visão em relação À superfície do disco, visualizas com muito mais facilidade o paralelismo.  

È isso mesmo!!!, simples, eficaz... mas custa um palito. Bom, hà quem o use apòs isto...

Tenho a certeza que o AJS não o deita fora, o palito dele é de competição!, sempre o mesmo hà anos lol!

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 16:03

TD124 escreveu:
António José da Silva escreveu:
anibalpmm escreveu:


Já agora expliquem melhor essa versão do palito que eu não conheço


Colocas um palito em cima da headshell (há quem use um pouco de fita cola para este efeito), e como aumentas (em largura) a área de visão em relação À superfície do disco, visualizas com muito mais facilidade o paralelismo.  

È isso mesmo!!!, simples, eficaz...   mas custa um palito. Bom, hà quem o use apòs isto...

Tenho a certeza que o AJS não o deita fora, o palito dele é de competição!, sempre o mesmo hà anos lol!


É em carbono, uma coisa que se compra nas melhores lojas audiófilas do mundo. Mas também há em madeiras exóticas a preço similar. lol!

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 16:07

António José da Silva escreveu:
TD124 escreveu:
António José da Silva escreveu:
anibalpmm escreveu:


Já agora expliquem melhor essa versão do palito que eu não conheço


Colocas um palito em cima da headshell (há quem use um pouco de fita cola para este efeito), e como aumentas (em largura) a área de visão em relação À superfície do disco, visualizas com muito mais facilidade o paralelismo.  

È isso mesmo!!!, simples, eficaz...   mas custa um palito. Bom, hà quem o use apòs isto...

Tenho a certeza que o AJS não o deita fora, o palito dele é de competição!, sempre o mesmo hà anos lol!


É em carbono, uma coisa que se compra nas melhores lojas audiófilas do mundo. Mas também há em madeiras exóticas a preço similar. lol!
Deixem-se disso. Qualquer palito dá desde que não seja vermelho.

Se for vermelho vê-se tudo enviesado... 
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 17:04

António José da Silva escreveu:
anibalpmm escreveu:


Já agora expliquem melhor essa versão do palito que eu não conheço


Colocas um palito em cima da headshell (há quem use um pouco de fita cola para este efeito), e como aumentas (em largura) a área de visão em relação À superfície do disco, visualizas com muito mais facilidade o paralelismo.  
Ok
Já percebi, prefiro a bolha
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 18:23


A ver se entendo... uma Shell sme não fará sentido o palito ou bolha devido a estar acoplada ao braço de forma "definitiva".
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 18:58

Pierre escreveu:

A ver se entendo... uma Shell sme não fará sentido o palito ou bolha devido a estar acoplada ao braço de forma "definitiva".


Como assim, não entendi?

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 19:11

António José da Silva escreveu:
Pierre escreveu:

A ver se entendo... uma Shell sme não fará sentido o palito ou bolha devido a estar acoplada ao braço de forma "definitiva".


Como assim, não entendi?

Se vocês dizem que colocam a bolha ou o palito por cima da SHELL é para verem se esta está paralela (nivelada) ao disco e se tem alguma inclinação. O palito aumenta visualmente o segmento de recta da Shell e isso contribui para melhor visionamento.
Ora uma SME está fixa rotativamente e nunca poderá ser mexida (inclinada) esteja ela como estiver.

Ou colocam o palito de outra maneira?


Última edição por Pierre em Qua Out 01 2014, 19:13, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 19:12

Correto, fica em cima da shell.

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 19:14

Então como rodas (inclinas) uma SME se esta apresentar algum desnível?
É por isso que referi que o palito ou bolha para Shell SME não serve de nada, estou errado?
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 19:28

Pierre escreveu:
Então como rodas (inclinas) uma SME se esta apresentar algum desnível?
É por isso que referi que o palito ou bolha para Shell SME não serve de nada, estou errado?


Não estou bem a ver onde queres chegar, mas parece-me que estás errado. Os braços mais antigos da SME com headshell amovível, têm ajuste na headshell, e os mais recentes têm também correção de azimute.

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 19:36

António José da Silva escreveu:
Não estou bem a ver onde queres chegar, mas parece-me que estás errado. Os braços mais antigos da SME com headshell amovível, têm ajuste na headshell, e os mais recentes têm também correção de azimute.

Nunca reparei! Tenho um Sansui Sr 525 com SME e quando coloco a Shell sempre pensei que ficasse com inclinação fixa. Já no caso do Rotel RP 855 que é de Shell amovível (sextavada) e com possibilidade de ajuste evidente, já faz todo o sentido o palito.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 19:37

Pierre escreveu:
António José da Silva escreveu:
Não estou bem a ver onde queres chegar, mas parece-me que estás errado. Os braços mais antigos da SME com headshell amovível, têm ajuste na headshell, e os mais recentes têm também correção de azimute.

Nunca reparei! Tenho um Sansui com SME e quando coloco a Shell sempre pensei que ficasse com inclinação fixa. Já no caso do Rotel que é de Shell amovível (sextavada) e com possibilidade de ajuste evidente, já faz todo o sentido o palito.


Esse SME é de shell amovível?

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 19:38

António José da Silva escreveu:
Correto, fica em cima da shell.



Mesmo sem concha dà !!!

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MensagemAssunto: Re: O guia compléto da leitura vinilo   Qua Out 01 2014, 19:45

António José da Silva escreveu:
Pierre escreveu:
António José da Silva escreveu:
Não estou bem a ver onde queres chegar, mas parece-me que estás errado. Os braços mais antigos da SME com headshell amovível, têm ajuste na headshell, e os mais recentes têm também correção de azimute.

Nunca reparei! Tenho um Sansui com SME e quando coloco a Shell sempre pensei que ficasse com inclinação fixa. Já no caso do Rotel que é de Shell amovível (sextavada) e com possibilidade de ajuste evidente, já faz todo o sentido o palito.


Esse SME é de shell amovível?

Não. O Rotel RP855 é de concha que sai para facilitar a colocação de célula. Quando se acopela ao braço aperta-se uma sextavada pequena em que a concha roda por si mesma.
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