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 Algumas vergonhas no nosso jardim

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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Dom Mar 02 2014, 21:12

Essa crónica é demasiado simplista sobre o que se passa na Ucrânia.

A Jugoslávia não tem nada a ver com a Ucrânia.

A Ucrânia é um país que está partido ao meio (50-50) em pró-europeus (leia-se ocidentais) e pró-russos. Ou se quisermos em 50-50 católicos e ortodoxos.

Não vejo nenhum outro país em que pudesse acontecer isto:
http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3716188&seccao=Europa
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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Dom Mar 02 2014, 21:40

Na Ucrânia; na Jugoslávia, na Síria, no Egito, na Líbia e por aí fora o método é sempre o mesmo.

O ocidente corrompe uns gajos de lá: chama-lhe defender os “seus interesses”, do ocidente claro: “põe-lhe” uns rótulos românticos em cima: normalmente “nacionalistas” :

e põe a região visada a “ferro e fogo”.

O resultado normalmente é uma “pipa” de milhares de mortos; uma “pipa” de atrocidades; e um “deserto” de aspirações futuras incomensuráveis para os povos da dita região.

E depois, o ocidente enquanto faz isto, põe-se a bramir e a dizer que é o campeão dos direitos humanos, da liberdade; da moral judaico cristã.

Aterrorizam o mundo inteiro; mas claro que terroristas são os outros:

o ocidente não: é um exemplo de virtudes.

Mas o mal não é só feito aos de lá: os povos de cá também sofrem as diabruras dos dirigentes ocidentais.

Os ditos “estadistas” estão convencidos que a estupidez dos povos tudo lhe permite; e assim, mediante os meios de comunicação social altamente controlados, julga possível fazer crer ás pessoas as virtudes das atrocidades que cometem.

A dialética reina: os termos empregues seriam pra rir, se não fosse a gravidade do que têm atrás: danos colaterais; bombardeamentos cirúrgicos; defesa dos nossos interesses; dumping social, e por aí fora.

Caros amigos estamos muito pior do que no tempo do nazismo.

Os alemães faziam as atrocidades, mas assumiam-nas.

Nós ocidentais fazemos atrocidades, mas chamamos-lhes “defesa dos nossos interesses.

Boas audições


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Ferpina
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Qui Mar 06 2014, 18:29

Paulo Morais na A.R.

Para os menos atentos, a Assembleia da República é a casa da Democracia e de todos nós. Oiço este slogan há quase 59 anos!

Hoje até se protege a sua escadaria (símbolo?) de uma data de "energúmenos" (?) que a poderão mais uma vez invadir.

Nem no apelidado de Estado Novo se assistiu ao que é denunciado aqui neste vídeo. Para reflectir!!!  


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Cumprimentos, Fernando Pina
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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Dom Mar 09 2014, 20:13

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política,torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro, 1896.

Boas audições



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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Dom Mar 09 2014, 21:04

...

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

                Guerra Junqueiro, 1896.

Boas audições



[/quote]


É cíclico... agora só à porrada! Mas com a invasão/moda das paneleirices que se vê, nem homens há para a guerra.   
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Ter Mar 11 2014, 18:12

E assim vai o nosso amado Portugal que está cada vez melhor para cada vez menos gente.


Destruídos 622,7 mil empregos em cinco anos.

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Joseph Le Conte
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Ter Mar 11 2014, 18:57

António José da Silva escreveu:
E assim vai o nosso amado Portugal que está cada vez melhor para cada vez menos gente.


Destruídos 622,7 mil empregos em cinco anos.

Pois é, muito complicado, os políticos não se entendem... a mentalidade continua a mesma depois de séculos.
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Qua Mar 12 2014, 00:40



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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Qua Mar 12 2014, 13:11

CUIDADO COM UM VÍRUS MUITO PERIGOSO...  

Se receberes um mail com Vamos vencer a Crise ou Isto está a

correr bem no assunto, não abras. É um vírus muito destrutivo.

Clicas e sai um ministro que te come:

· a reforma ou o ordenado,

· o posto de trabalho,

· a casa,

· os subsídios,

· as comparticipações nos medicamentos,

· as escolas dos teus filhos e

· o que ainda tiveres no frigorífico.


*Para te livrares dele tens de reinstalar o país e esperar que o silva
termine o mandato.
  

Este aviso é real. Alerta os teus amigos. Partilha!!!

Boas audições
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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Qua Mar 12 2014, 13:13

Saída limpa é a mentira que os responsáveis europeus precisam para

lavarem as mãos de toda a  m*&da que fizeram
   

Boas audições
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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Qua Mar 12 2014, 13:16

O espaço vital alemão é-nos mortal


por FERREIRA FERNANDES

Que importa que alguém tenha dito uma frase famosa sobre as repetições da história (primeiro, tragédia... depois, farsa... blá-blá-blá...)? O que conta é que a história repete os erros. Dava jeito aprender isso, o facto, e não memorizar a frase. Dava jeito, por exemplo, para saber o que se passa na Ucrânia. Já vimos o filme e não foi há muito tempo. A Jugoslávia teve o azar de se atravessar num conflito de interesses entre a Alemanha e a Rússia. Esta estava, então, ferida e a outra aproveitou para debicar. A Jugoslávia perdeu logo a Eslovénia e a Croácia, sobre as quais a Alemanha se sentia com antigas pretensões. A Europa seguiu a patroa (então, ainda incipiente) alemã e, numa guerra sem inocentes, demonizou só um lado: a Sérvia, a aliada russa, foi apresentada como a culpada única. Não foram só bombas que lhe lançaram, mas o anátema. Os intelectuais europeus que se insurgiram contra esta forma esguelha de olhar foram apontados como cúmplices: o francês Patrick Besson e o austríaco Peter Handke, escritores, e o cineasta bósnio Emir Kusturica passaram quase por criminosos de guerra. Agora, a mesma patroa alemã, já com poderes reforçados, vai pelo mesmo caminho na Ucrânia. Esta já se divide (a Crimeia parte) como há 20 anos a Jugoslávia e a explicação volta a ser sem nuances: os maus são os pró-russos. E aquela frase inicial é ingénua. Isto não vai acabar em farsa, mas numa tragédia maior: a Europa está a perder a Rússia


E o mais grave é que será uma Europa liderada pelos "Prussianos", hoje não fardados mas armados com a moeda que due dominam pois são eles que a controlam e fazem...  

Boas audições
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Qua Mar 12 2014, 13:46

CNeves escreveu:
Saída limpa é a mentira que os responsáveis europeus precisam para

lavarem as mãos de toda a  m*&da que fizeram
   

Boas audições


Não tenhas duvidas.

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vlopes
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Qua Mar 12 2014, 19:11

Assino por baixo, e partilho com quem concordar! Smile

Como sempre, lúcido objectivo e assertivo.

  


JOSÉ GOMES FERREIRA

11:08 12.03.2014
Carta a uma Geração Errada

Caros João Cravinho, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Ferro Rodrigues, Sevinate Pinto, Vitor Martins e demais subscritores do manifesto pela reestruturação da divida publica: Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?
 
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Vi, ouvi, li, e não queria acreditar. 70 das mais importantes personalidades do país, parte substancial da nossa elite, veio propor que se diga aos credores internacionais o seguinte:

– Desculpem lá qualquer coisinha mas nós não conseguimos pagar tudo o que vos devemos, não conseguimos sequer cumprir as condições que nós próprios assinámos, tanto em juros como em prazos de amortizações!

Permitam-me uma pergunta simples e direta: Vocês pensaram bem no momento e nas consequências da vossa proposta, feita a menos de dois meses do anúncio do modo de saída do programa de assistência internacional?

Imaginaram que, se os investidores internacionais levarem mesmo a sério a vossa proposta, poderão começar a duvidar da capacidade e da vontade de Portugal em honrar os seus compromissos e poderão voltar a exigir já nos próximos dias um prémio de risco muito mais elevado pela compra de nova dívida e pela posse das obrigações que já detêm?

Conseguem perceber que, na hipótese absurda de o Governo pedir agora uma reestruturação da nossa dívida, os juros no mercado secundário iriam aumentar imediatamente e deitar a perder mais de três anos de austeridade necessária e incontornável para recuperar a confiança dos investidores, obrigando, isso sim, a um novo programa de resgate e ainda a mais austeridade, precisamente aquilo que vocês dizem querer evitar?

Conseguem perceber que, mesmo na hipótese absurda de os credores oficiais internacionais FMI, BCE e Comissão Europeia aceitarem a proposta, só o fariam contra a aceitação de uma ainda mais dura condicionalidade, ainda mais austeridade?

Conseguem perceber que os credores externos, nomeadamente os alemães, iriam imediatamente responder – Porque é que não começam por vocês próprios?

Os vossos bancos não têm mais de 25 por cento da vossa dívida pública nos seus balanços, mais de 40 mil milhões de euros, e o vosso Fundo de Capitalização da Segurança Social não tem mais de 8 mil milhões de euros de obrigações do Tesouro? Peçam-lhes um perdão parcial de capital e de juros.

Conseguem perceber que, neste caso, os bancos portugueses ficariam à beira da falência e a Segurança Social ficaria descapitalizada?

Nenhum de vós, subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública, faria tal proposta se fosse Ministro das Finanças. E sobretudo não a faria neste delicadíssimo momento da vida financeira do país. Mesmo sendo uma proposta feita por cidadãos livres e independentes, pela sua projeção social poderá ter impacto externo e levar a uma degradação da perceção dos investidores, pela qual vos devemos responsabilizar desde já. Se isso acontecer, digo-vos que como cidadão contribuinte vou exigir publicamente que reparem o dano causado ao Estado.

Conseguem perceber porque é que o partido que pode ser Governo em breve, liderado por António José Seguro, reagiu dizendo apenas que se deve garantir uma gestão responsável da dívida pública e nunca falando de reestruturação?

Pergunto-vos também se não sabem que uma reestruturação de dívida pública não se pede, nunca se anuncia publicamente. Se é preciso fazer-se, faz-se. Discretamente, nos sóbrios gabinetes da alta finança internacional.

Aliás, vocês não sabem que Portugal já fez e continua a fazer uma reestruturação discreta da nossa dívida pública? Vitor Gaspar como ministro das Finanças e Maria Luis Albuquerque como Secretária de Estado do Tesouro negociaram com o BCE e a Comissão Europeia uma baixa das taxas de juro do dinheiro da assistência, de cerca de 5 por cento para 3,5 por cento. Negociaram a redistribuição das maturidades de 52 mil milhões de euros dos respetivos créditos para o período entre 2022 e 2035, quando os pagamentos estavam previstos para os anos entre 2015 e 2022, esse sim um calendário que era insustentável.

Ao mesmo tempo, juntamente com o IGCP dirigido por João Moreira Rato, negociaram com os credores privados Ofertas Públicas de Troca que consistem basicamente em convencê-los a receber o dinheiro mais tarde.

A isto chama-se um “light restructuring”, uma reestruturação suave e discreta da nossa dívida, que continua a ser feita mas nunca pode ser anunciada ao mundo como uma declaração de incapacidade de pagarmos as nossas responsabilidades.

Sabem que em consequência destas iniciativas, e sobretudo da correção dos défices do Estado, dos cortes de despesa pública, da correção das contas externas do país que já vai em quase 3 por cento do PIB, quase cinco mil milhões de euros de saldo positivo, os credores internacionais voltaram a acreditar em nós. De tal forma que os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos no mercado secundário já estão abaixo dos 4,5 por cento.

Para os mais distraídos, este é o valor médio dos juros a pagar pela República desde que aderimos ao Euro em 1999. O valor factual já está abaixo. Basta consultar a série longa das Estatísticas do Banco de Portugal.

E sim, Eng. João Cravinho, é bom lembrar-lhe que a 1 de janeiro de 1999, a taxa das obrigações a 10 anos estava nos 3,9 por cento mas quando o seu Governo saiu, em Outubro desse ano, já estava nos 5,5 por cento, bem acima do valor atual.

É bom lembra-lhe que fazia parte de um Governo que decidiu a candidatura ao Euro 2004 com 10 estádios novos, quando a UEFA exigia só seis. E que decidiu lançar os ruinosos projetos de SCUT, sem custos para o utilizador, afinal tão caros para os contribuintes. O resultado aí está, a pesar na nossa dívida pública.

É bom lembrar aos subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública que muitos de vós participaram nos Conselhos de Ministros que aumentaram objetivamente a dívida pública direta e indireta.

Foram corresponsáveis pela passagem dos cheques da nossa desgraça atual. Negócios de Estado ruinosos, negócios com privados que afinal eram da responsabilidade do contribuinte. O resultado aí está, a pesar direta e indiretamente nos nossos bolsos.

Sim, todos sabemos que quem pôs o acelerador da dívida pública no máximo foi José Sócrates, Teixeira dos Santos, Costa Pina, Mário Lino, Paulo Campos, Maria de Lurdes Rodrigues com as suas escolas de luxo que foram uma festa para a arquitetura e agora queimam as nossas finanças.

Mas em geral, todos foram responsáveis pela maneira errada de fazer política, de fazer negócios sem mercado, de misturar política com negócios, de garantir rendas para alguns em prejuízo de todos.

Sabem perfeitamente que em todas as crises de finanças públicas a única saída foi o Estado parar de fazer nova dívida e começar a pagar a que tinha sido acumulada. A única saída foi a austeridade.

Com o vosso manifesto, o que pretendem? Voltar a fazer negócios de Estado como até aqui? Voltar a um modelo de gastos públicos ruinosos com o dinheiro dos outros?

Porque é que em vez de dizerem que a dívida é impagável, agravando ainda mais a vida financeira das gerações seguintes, não ajudam a resolver os gravíssimos problemas que a economia e o Estado enfrentam e que o Governo não tem coragem nem vontade de resolver ao contrário do que diz aos portugueses?

Porque é que não contribuem para que se faça uma reforma profunda do Estado, no qual se continuam a gastar recursos que não temos para produzir bens e serviços inúteis, ou para muitos departamentos públicos não produzirem nada e ainda por cima impedirem os empresários de investir com burocracias economicamente criminosas?

Porque não canalizam as vossas energias para ajudar a uma mudança profunda de uma economia que protege setores inteiros da verdadeira concorrência prejudicando as famílias, as PME, as empresas exportadoras e todos os que querem produzir para substituir importações em condições de igualdade com outros empresários europeus?

Porque não combatem as práticas de uma banca que cobra os spreads e as comissões mais caros da Europa?

Um setor elétrico que recebe demais para não produzir eletricidade na produção clássica e para produzir em regime especial altamente subsidiado à custa de todos nós?

Um setor das telecomunicações que, apesar de parcialmente concorrencial, ainda cobra 20, 30 e até 40 por cento acima da média europeia em certos pacotes de serviços?

Porque não ajudam a cortar a sério nas rendas das PPP e da Energia? Nos autênticos passadouros de dinheiros públicos que são as listas de subvenções do Estado e de isenções fiscais a tudo o que é Fundações e Associações, algumas bem duvidosas?

Acham que tudo está bem nestes setores? Ou será que alguns de vós beneficiam direta ou indiretamente com a velha maneira de fazer negócios em Portugal e não querem mudar de atitude?

Estará a vossa iniciativa relacionada com alguns cortes nas vossas generosas pensões?

Pois no meu caso eu já estou a pagar IRS a 45 por cento, mais uma sobretaxa de 3,5 por cento, mais 11 por cento de Segurança Social, o que eleva o meu contributo para 59,5 por cento nominais e não me estou a queixar.

Sabem, a minha reforma já foi mais cortada que a vossa. Quando comecei a trabalhar, tinha uma expectativa de receber a primeira pensão no valor de mais de 90 por cento do último salário. Agora tenho uma certeza: a minha primeira pensão vai ser de 55 por cento do último salário.

E não me estou a queixar, todos temos de contribuir.

Caros subscritores do Manifesto para a reestruturação da dívida pública, desculpem a franqueza: a vossa geração está errada. Não agravem ainda mais os problemas que deixaram para a geração seguinte. Façam um favor ao país – não criem mais problemas. Deixem os mais novos trabalhar.
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Qua Mar 12 2014, 19:17

vlopes escreveu:
Assino por baixo, e partilho com quem concordar! Smile

Como sempre, lúcido objectivo e assertivo.

  


JOSÉ GOMES FERREIRA

11:08 12.03.2014
Carta a uma Geração Errada

Caros João Cravinho, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Ferro Rodrigues, Sevinate Pinto, Vitor Martins e demais subscritores do manifesto pela reestruturação da divida publica: Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?
 
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Vi, ouvi, li, e não queria acreditar. 70 das mais importantes personalidades do país, parte substancial da nossa elite, veio propor que se diga aos credores internacionais o seguinte:

– Desculpem lá qualquer coisinha mas nós não conseguimos pagar tudo o que vos devemos, não conseguimos sequer cumprir as condições que nós próprios assinámos, tanto em juros como em prazos de amortizações!

Permitam-me uma pergunta simples e direta: Vocês pensaram bem no momento e nas consequências da vossa proposta, feita a menos de dois meses do anúncio do modo de saída do programa de assistência internacional?

Imaginaram que, se os investidores internacionais levarem mesmo a sério a vossa proposta, poderão começar a duvidar da capacidade e da vontade de Portugal em honrar os seus compromissos e poderão voltar a exigir já nos próximos dias um prémio de risco muito mais elevado pela compra de nova dívida e pela posse das obrigações que já detêm?

Conseguem perceber que, na hipótese absurda de o Governo pedir agora uma reestruturação da nossa dívida, os juros no mercado secundário iriam aumentar imediatamente e deitar a perder mais de três anos de austeridade necessária e incontornável para recuperar a confiança dos investidores, obrigando, isso sim, a um novo programa de resgate e ainda a mais austeridade, precisamente aquilo que vocês dizem querer evitar?

Conseguem perceber que, mesmo na hipótese absurda de os credores oficiais internacionais FMI, BCE e Comissão Europeia aceitarem a proposta, só o fariam contra a aceitação de uma ainda mais dura condicionalidade, ainda mais austeridade?

Conseguem perceber que os credores externos, nomeadamente os alemães, iriam imediatamente responder – Porque é que não começam por vocês próprios?

Os vossos bancos não têm mais de 25 por cento da vossa dívida pública nos seus balanços, mais de 40 mil milhões de euros, e o vosso Fundo de Capitalização da Segurança Social não tem mais de 8 mil milhões de euros de obrigações do Tesouro? Peçam-lhes um perdão parcial de capital e de juros.

Conseguem perceber que, neste caso, os bancos portugueses ficariam à beira da falência e a Segurança Social ficaria descapitalizada?

Nenhum de vós, subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública, faria tal proposta se fosse Ministro das Finanças. E sobretudo não a faria neste delicadíssimo momento da vida financeira do país. Mesmo sendo uma proposta feita por cidadãos livres e independentes, pela sua projeção social poderá ter impacto externo e levar a uma degradação da perceção dos investidores, pela qual vos devemos responsabilizar desde já. Se isso acontecer, digo-vos que como cidadão contribuinte vou exigir publicamente que reparem o dano causado ao Estado.

Conseguem perceber porque é que o partido que pode ser Governo em breve, liderado por António José Seguro, reagiu dizendo apenas que se deve garantir uma gestão responsável da dívida pública e nunca falando de reestruturação?

Pergunto-vos também se não sabem que uma reestruturação de dívida pública não se pede, nunca se anuncia publicamente. Se é preciso fazer-se, faz-se. Discretamente, nos sóbrios gabinetes da alta finança internacional.

Aliás, vocês não sabem que Portugal já fez e continua a fazer uma reestruturação discreta da nossa dívida pública? Vitor Gaspar como ministro das Finanças e Maria Luis Albuquerque como Secretária de Estado do Tesouro negociaram com o BCE e a Comissão Europeia uma baixa das taxas de juro do dinheiro da assistência, de cerca de 5 por cento para 3,5 por cento. Negociaram a redistribuição das maturidades de 52 mil milhões de euros dos respetivos créditos para o período entre 2022 e 2035, quando os pagamentos estavam previstos para os anos entre 2015 e 2022, esse sim um calendário que era insustentável.

Ao mesmo tempo, juntamente com o IGCP dirigido por João Moreira Rato, negociaram com os credores privados Ofertas Públicas de Troca que consistem basicamente em convencê-los a receber o dinheiro mais tarde.

A isto chama-se um “light restructuring”, uma reestruturação suave e discreta da nossa dívida, que continua a ser feita mas nunca pode ser anunciada ao mundo como uma declaração de incapacidade de pagarmos as nossas responsabilidades.

Sabem que em consequência destas iniciativas, e sobretudo da correção dos défices do Estado, dos cortes de despesa pública, da correção das contas externas do país que já vai em quase 3 por cento do PIB, quase cinco mil milhões de euros de saldo positivo, os credores internacionais voltaram a acreditar em nós. De tal forma que os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos no mercado secundário já estão abaixo dos 4,5 por cento.

Para os mais distraídos, este é o valor médio dos juros a pagar pela República desde que aderimos ao Euro em 1999. O valor factual já está abaixo. Basta consultar a série longa das Estatísticas do Banco de Portugal.

E sim, Eng. João Cravinho, é bom lembrar-lhe que a 1 de janeiro de 1999, a taxa das obrigações a 10 anos estava nos 3,9 por cento mas quando o seu Governo saiu, em Outubro desse ano, já estava nos 5,5 por cento, bem acima do valor atual.

É bom lembra-lhe que fazia parte de um Governo que decidiu a candidatura ao Euro 2004 com 10 estádios novos, quando a UEFA exigia só seis. E que decidiu lançar os ruinosos projetos de SCUT, sem custos para o utilizador, afinal tão caros para os contribuintes. O resultado aí está, a pesar na nossa dívida pública.

É bom lembrar aos subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública que muitos de vós participaram nos Conselhos de Ministros que aumentaram objetivamente a dívida pública direta e indireta.

Foram corresponsáveis pela passagem dos cheques da nossa desgraça atual. Negócios de Estado ruinosos, negócios com privados que afinal eram da responsabilidade do contribuinte. O resultado aí está, a pesar direta e indiretamente nos nossos bolsos.

Sim, todos sabemos que quem pôs o acelerador da dívida pública no máximo foi José Sócrates, Teixeira dos Santos, Costa Pina, Mário Lino, Paulo Campos, Maria de Lurdes Rodrigues com as suas escolas de luxo que foram uma festa para a arquitetura e agora queimam as nossas finanças.

Mas em geral, todos foram responsáveis pela maneira errada de fazer política, de fazer negócios sem mercado, de misturar política com negócios, de garantir rendas para alguns em prejuízo de todos.

Sabem perfeitamente que em todas as crises de finanças públicas a única saída foi o Estado parar de fazer nova dívida e começar a pagar a que tinha sido acumulada. A única saída foi a austeridade.

Com o vosso manifesto, o que pretendem? Voltar a fazer negócios de Estado como até aqui? Voltar a um modelo de gastos públicos ruinosos com o dinheiro dos outros?

Porque é que em vez de dizerem que a dívida é impagável, agravando ainda mais a vida financeira das gerações seguintes, não ajudam a resolver os gravíssimos problemas que a economia e o Estado enfrentam e que o Governo não tem coragem nem vontade de resolver ao contrário do que diz aos portugueses?

Porque é que não contribuem para que se faça uma reforma profunda do Estado, no qual se continuam a gastar recursos que não temos para produzir bens e serviços inúteis, ou para muitos departamentos públicos não produzirem nada e ainda por cima impedirem os empresários de investir com burocracias economicamente criminosas?

Porque não canalizam as vossas energias para ajudar a uma mudança profunda de uma economia que protege setores inteiros da verdadeira concorrência prejudicando as famílias, as PME, as empresas exportadoras e todos os que querem produzir para substituir importações em condições de igualdade com outros empresários europeus?

Porque não combatem as práticas de uma banca que cobra os spreads e as comissões mais caros da Europa?

Um setor elétrico que recebe demais para não produzir eletricidade na produção clássica e para produzir em regime especial altamente subsidiado à custa de todos nós?

Um setor das telecomunicações que, apesar de parcialmente concorrencial, ainda cobra 20, 30 e até 40 por cento acima da média europeia em certos pacotes de serviços?

Porque não ajudam a cortar a sério nas rendas das PPP e da Energia? Nos autênticos passadouros de dinheiros públicos que são as listas de subvenções do Estado e de isenções fiscais a tudo o que é Fundações e Associações, algumas bem duvidosas?

Acham que tudo está bem nestes setores? Ou será que alguns de vós beneficiam direta ou indiretamente com a velha maneira de fazer negócios em Portugal e não querem mudar de atitude?

Estará a vossa iniciativa relacionada com alguns cortes nas vossas generosas pensões?

Pois no meu caso eu já estou a pagar IRS a 45 por cento, mais uma sobretaxa de 3,5 por cento, mais 11 por cento de Segurança Social, o que eleva o meu contributo para 59,5 por cento nominais e não me estou a queixar.

Sabem, a minha reforma já foi mais cortada que a vossa. Quando comecei a trabalhar, tinha uma expectativa de receber a primeira pensão no valor de mais de 90 por cento do último salário. Agora tenho uma certeza: a minha primeira pensão vai ser de 55 por cento do último salário.

E não me estou a queixar, todos temos de contribuir.

Caros subscritores do Manifesto para a reestruturação da dívida pública, desculpem a franqueza: a vossa geração está errada. Não agravem ainda mais os problemas que deixaram para a geração seguinte. Façam um favor ao país – não criem mais problemas. Deixem os mais novos trabalhar.

lol lol  é dor de cotovelo  para estes paspalhos, foram ultrapassados...   
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Qua Mar 12 2014, 19:20

António José da Silva escreveu:
CNeves escreveu:
Saída limpa é a mentira que os responsáveis europeus precisam para

lavarem as mãos de toda a  m*&da que fizeram
   

Boas audições


Não tenhas duvidas.

Atenção meus amigos, só que desta vez... a história repete-se mas com outro gigante. Nunca se esqueçam, a CHINA vai ditar regras e não tarda muito!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Sab Mar 15 2014, 00:08

Volta não volta, têm etiqueta...  


RTP pondera suspender Sócrates e Sarmento durante as europeias


http://expresso.sapo.pt/rtp-pondera-suspender-socrates-e-sarmento-durante-as-europeias=f860876#ixzz2vz8iSONU


Eu acho que a verdadeira razão é ele ser da "oposição" em relação aos momentaneamente "donos" da RTP.  

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Sab Mar 15 2014, 22:39

Carta a uma Geração Errada

José Gomes Ferreira

Caros João Cravinho, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Ferro Rodrigues, Sevinate Pinto, Vitor Martins e demais subscritores do manifesto pela reestruturação da divida publica: Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?
Vi, ouvi, li, e não queria acreditar. 70 das mais importantes personalidades do país, parte substancial da nossa elite, veio propor que se diga aos credores internacionais o seguinte:
– Desculpem lá qualquer coisinha mas nós não conseguimos pagar tudo o que vos devemos, não conseguimos sequer cumprir as condições que nós próprios assinámos, tanto em juros como em prazos de amortizações!
Permitam-me uma pergunta simples e direta: Vocês pensaram bem no momento e nas consequências da vossa proposta, feita a menos de dois meses do anúncio do modo de saída do programa de assistência internacional?
Imaginaram que, se os investidores internacionais levarem mesmo a sério a vossa proposta, poderão começar a duvidar da capacidade e da vontade de Portugal em honrar os seus compromissos e poderão voltar a exigir já nos próximos dias um prémio de risco muito mais elevado pela compra de nova dívida e pela posse das obrigações que já detêm?
Conseguem perceber que, na hipótese absurda de o Governo pedir agora uma reestruturação da nossa dívida, os juros no mercado secundário iriam aumentar imediatamente e deitar a perder mais de três anos de austeridade necessária e incontornável para recuperar a confiança dos investidores, obrigando, isso sim, a um novo programa de resgate e ainda a mais austeridade, precisamente aquilo que vocês dizem querer evitar?
Conseguem perceber que, mesmo na hipótese absurda de os credores oficiais internacionais FMI, BCE e Comissão Europeia aceitarem a proposta, só o fariam contra a aceitação de uma ainda mais dura condicionalidade, ainda mais austeridade?
Conseguem perceber que os credores externos, nomeadamente os alemães, iriam imediatamente responder – Porque é que não começam por vocês próprios?
Os vossos bancos não têm mais de 25 por cento da vossa dívida pública nos seus balanços, mais de 40 mil milhões de euros, e o vosso Fundo de Capitalização da Segurança Social não tem mais de 8 mil milhões de euros de obrigações do Tesouro? Peçam-lhes um perdão parcial de capital e de juros.
Conseguem perceber que, neste caso, os bancos portugueses ficariam à beira da falência e a Segurança Social ficaria descapitalizada?
Nenhum de vós, subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública, faria tal proposta se fosse Ministro das Finanças. E sobretudo não a faria neste delicadíssimo momento da vida financeira do país. Mesmo sendo uma proposta feita por cidadãos livres e independentes, pela sua projeção social poderá ter impacto externo e levar a uma degradação da perceção dos investidores, pela qual vos devemos responsabilizar desde já. Se isso acontecer, digo-vos que como cidadão contribuinte vou exigir publicamente que reparem o dano causado ao Estado.
Conseguem perceber porque é que o partido que pode ser Governo em breve, liderado por António José Seguro, reagiu dizendo apenas que se deve garantir uma gestão responsável da dívida pública e nunca falando de reestruturação?
Pergunto-vos também se não sabem que uma reestruturação de dívida pública não se pede, nunca se anuncia publicamente. Se é preciso fazer-se, faz-se. Discretamente, nos sóbrios gabinetes da alta finança internacional.
Aliás, vocês não sabem que Portugal já fez e continua a fazer uma reestruturação discreta da nossa dívida pública? Vitor Gaspar como ministro das Finanças e Maria Luis Albuquerque como Secretária de Estado do Tesouro negociaram com o BCE e a Comissão Europeia uma baixa das taxas de juro do dinheiro da assistência, de cerca de 5 por cento para 3,5 por cento. Negociaram a redistribuição das maturidades de 52 mil milhões de euros dos respetivos créditos para o período entre 2022 e 2035, quando os pagamentos estavam previstos para os anos entre 2015 e 2022, esse sim um calendário que era insustentável.
Ao mesmo tempo, juntamente com o IGCP dirigido por João Moreira Rato, negociaram com os credores privados Ofertas Públicas de Troca que consistem basicamente em convencê-los a receber o dinheiro mais tarde.
A isto chama-se um “light restructuring”, uma reestruturação suave e discreta da nossa dívida, que continua a ser feita mas nunca pode ser anunciada ao mundo como uma declaração de incapacidade de pagarmos as nossas responsabilidades.
Sabem que em consequência destas iniciativas, e sobretudo da correção dos défices do Estado, dos cortes de despesa pública, da correção das contas externas do país que já vai em quase 3 por cento do PIB, quase cinco mil milhões de euros de saldo positivo, os credores internacionais voltaram a acreditar em nós. De tal forma que os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos no mercado secundário já estão abaixo dos 4,5 por cento.
Para os mais distraídos, este é o valor médio dos juros a pagar pela República desde que aderimos ao Euro em 1999. O valor factual já está abaixo. Basta consultar a série longa das Estatísticas do Banco de Portugal.
E sim, Eng. João Cravinho, é bom lembrar-lhe que a 1 de janeiro de 1999, a taxa das obrigações a 10 anos estava nos 3,9 por cento mas quando o seu Governo saiu, em Outubro desse ano, já estava nos 5,5 por cento, bem acima do valor atual.
É bom lembra-lhe que fazia parte de um Governo que decidiu a candidatura ao Euro 2004 com 10 estádios novos, quando a UEFA exigia só seis. E que decidiu lançar os ruinosos projetos de SCUT, sem custos para o utilizador, afinal tão caros para os contribuintes. O resultado aí está, a pesar na nossa dívida pública.
É bom lembrar aos subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública que muitos de vós participaram nos Conselhos de Ministros que aumentaram objetivamente a dívida pública direta e indireta.
Foram corresponsáveis pela passagem dos cheques da nossa desgraça atual. Negócios de Estado ruinosos, negócios com privados que afinal eram da responsabilidade do contribuinte. O resultado aí está, a pesar direta e indiretamente nos nossos bolsos.
Sim, todos sabemos que quem pôs o acelerador da dívida pública no máximo foi José Sócrates, Teixeira dos Santos, Costa Pina, Mário Lino, Paulo Campos, Maria de Lurdes Rodrigues com as suas escolas de luxo que foram uma festa para a arquitetura e agora queimam as nossas finanças.
Mas em geral, todos foram responsáveis pela maneira errada de fazer política, de fazer negócios sem mercado, de misturar política com negócios, de garantir rendas para alguns em prejuízo de todos.
Sabem perfeitamente que em todas as crises de finanças públicas a única saída foi o Estado parar de fazer nova dívida e começar a pagar a que tinha sido acumulada. A única saída foi a austeridade.
Com o vosso manifesto, o que pretendem? Voltar a fazer negócios de Estado como até aqui? Voltar a um modelo de gastos públicos ruinosos com o dinheiro dos outros?
Porque é que em vez de dizerem que a dívida é impagável, agravando ainda mais a vida financeira das gerações seguintes, não ajudam a resolver os gravíssimos problemas que a economia e o Estado enfrentam e que o Governo não tem coragem nem vontade de resolver ao contrário do que diz aos portugueses?
Porque é que não contribuem para que se faça uma reforma profunda do Estado, no qual se continuam a gastar recursos que não temos para produzir bens e serviços inúteis, ou para muitos departamentos públicos não produzirem nada e ainda por cima impedirem os empresários de investir com burocracias economicamente criminosas?
Porque não canalizam as vossas energias para ajudar a uma mudança profunda de uma economia que protege setores inteiros da verdadeira concorrência prejudicando as famílias, as PME, as empresas exportadoras e todos os que querem produzir para substituir importações em condições de igualdade com outros empresários europeus?
Porque não combatem as práticas de uma banca que cobra os spreads e as comissões mais caros da Europa?
Um setor elétrico que recebe demais para não produzir eletricidade na produção clássica e para produzir em regime especial altamente subsidiado à custa de todos nós?
Um setor das telecomunicações que, apesar de parcialmente concorrencial, ainda cobra 20, 30 e até 40 por cento acima da média europeia em certos pacotes de serviços?
Porque não ajudam a cortar a sério nas rendas das PPP e da Energia? Nos autênticos passadouros de dinheiros públicos que são as listas de subvenções do Estado e de isenções fiscais a tudo o que é Fundações e Associações, algumas bem duvidosas?
Acham que tudo está bem nestes setores? Ou será que alguns de vós beneficiam direta ou indiretamente com a velha maneira de fazer negócios em Portugal e não querem mudar de atitude?
Estará a vossa iniciativa relacionada com alguns cortes nas vossas generosas pensões?
Pois no meu caso eu já estou a pagar IRS a 45 por cento, mais uma sobretaxa de 3,5 por cento, mais 11 por cento de Segurança Social, o que eleva o meu contributo para 59,5 por cento nominais e não me estou a queixar.
Sabem, a minha reforma já foi mais cortada que a vossa. Quando comecei a trabalhar, tinha uma expectativa de receber a primeira pensão no valor de mais de 90 por cento do último salário. Agora tenho uma certeza: a minha primeira pensão vai ser de 55 por cento do último salário.
E não me estou a queixar, todos temos de contribuir.
Caros subscritores do Manifesto para a reestruturação da dívida pública, desculpem a franqueza: a vossa geração está errada. Não agravem ainda mais os problemas que deixaram para a geração seguinte. Façam um favor ao país – não criem mais problemas. Deixem os mais novos trabalhar.

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Dom Mar 16 2014, 11:35

Ferpina escreveu:
Carta a uma Geração Errada

José Gomes Ferreira

Caros João Cravinho, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Ferro Rodrigues, Sevinate Pinto, Vitor Martins e demais subscritores do manifesto pela reestruturação da divida publica: Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?
Vi, ouvi, li, e não queria acreditar. 70 das mais importantes personalidades do país, parte substancial da nossa elite, veio propor que se diga aos credores internacionais o seguinte:
– Desculpem lá qualquer coisinha mas nós não conseguimos pagar tudo o que vos devemos, não conseguimos sequer cumprir as condições que nós próprios assinámos, tanto em juros como em prazos de amortizações!
Permitam-me uma pergunta simples e direta: Vocês pensaram bem no momento e nas consequências da vossa proposta, feita a menos de dois meses do anúncio do modo de saída do programa de assistência internacional?
Imaginaram que, se os investidores internacionais levarem mesmo a sério a vossa proposta, poderão começar a duvidar da capacidade e da vontade de Portugal em honrar os seus compromissos e poderão voltar a exigir já nos próximos dias um prémio de risco muito mais elevado pela compra de nova dívida e pela posse das obrigações que já detêm?
Conseguem perceber que, na hipótese absurda de o Governo pedir agora uma reestruturação da nossa dívida, os juros no mercado secundário iriam aumentar imediatamente e deitar a perder mais de três anos de austeridade necessária e incontornável para recuperar a confiança dos investidores, obrigando, isso sim, a um novo programa de resgate e ainda a mais austeridade, precisamente aquilo que vocês dizem querer evitar?
Conseguem perceber que, mesmo na hipótese absurda de os credores oficiais internacionais FMI, BCE e Comissão Europeia aceitarem a proposta, só o fariam contra a aceitação de uma ainda mais dura condicionalidade, ainda mais austeridade?
Conseguem perceber que os credores externos, nomeadamente os alemães, iriam imediatamente responder – Porque é que não começam por vocês próprios?
Os vossos bancos não têm mais de 25 por cento da vossa dívida pública nos seus balanços, mais de 40 mil milhões de euros, e o vosso Fundo de Capitalização da Segurança Social não tem mais de 8 mil milhões de euros de obrigações do Tesouro? Peçam-lhes um perdão parcial de capital e de juros.
Conseguem perceber que, neste caso, os bancos portugueses ficariam à beira da falência e a Segurança Social ficaria descapitalizada?
Nenhum de vós, subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública, faria tal proposta se fosse Ministro das Finanças. E sobretudo não a faria neste delicadíssimo momento da vida financeira do país. Mesmo sendo uma proposta feita por cidadãos livres e independentes, pela sua projeção social poderá ter impacto externo e levar a uma degradação da perceção dos investidores, pela qual vos devemos responsabilizar desde já. Se isso acontecer, digo-vos que como cidadão contribuinte vou exigir publicamente que reparem o dano causado ao Estado.
Conseguem perceber porque é que o partido que pode ser Governo em breve, liderado por António José Seguro, reagiu dizendo apenas que se deve garantir uma gestão responsável da dívida pública e nunca falando de reestruturação?
Pergunto-vos também se não sabem que uma reestruturação de dívida pública não se pede, nunca se anuncia publicamente. Se é preciso fazer-se, faz-se. Discretamente, nos sóbrios gabinetes da alta finança internacional.
Aliás, vocês não sabem que Portugal já fez e continua a fazer uma reestruturação discreta da nossa dívida pública? Vitor Gaspar como ministro das Finanças e Maria Luis Albuquerque como Secretária de Estado do Tesouro negociaram com o BCE e a Comissão Europeia uma baixa das taxas de juro do dinheiro da assistência, de cerca de 5 por cento para 3,5 por cento. Negociaram a redistribuição das maturidades de 52 mil milhões de euros dos respetivos créditos para o período entre 2022 e 2035, quando os pagamentos estavam previstos para os anos entre 2015 e 2022, esse sim um calendário que era insustentável.
Ao mesmo tempo, juntamente com o IGCP dirigido por João Moreira Rato, negociaram com os credores privados Ofertas Públicas de Troca que consistem basicamente em convencê-los a receber o dinheiro mais tarde.
A isto chama-se um “light restructuring”, uma reestruturação suave e discreta da nossa dívida, que continua a ser feita mas nunca pode ser anunciada ao mundo como uma declaração de incapacidade de pagarmos as nossas responsabilidades.
Sabem que em consequência destas iniciativas, e sobretudo da correção dos défices do Estado, dos cortes de despesa pública, da correção das contas externas do país que já vai em quase 3 por cento do PIB, quase cinco mil milhões de euros de saldo positivo, os credores internacionais voltaram a acreditar em nós. De tal forma que os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos no mercado secundário já estão abaixo dos 4,5 por cento.
Para os mais distraídos, este é o valor médio dos juros a pagar pela República desde que aderimos ao Euro em 1999. O valor factual já está abaixo. Basta consultar a série longa das Estatísticas do Banco de Portugal.
E sim, Eng. João Cravinho, é bom lembrar-lhe que a 1 de janeiro de 1999, a taxa das obrigações a 10 anos estava nos 3,9 por cento mas quando o seu Governo saiu, em Outubro desse ano, já estava nos 5,5 por cento, bem acima do valor atual.
É bom lembra-lhe que fazia parte de um Governo que decidiu a candidatura ao Euro 2004 com 10 estádios novos, quando a UEFA exigia só seis. E que decidiu lançar os ruinosos projetos de SCUT, sem custos para o utilizador, afinal tão caros para os contribuintes. O resultado aí está, a pesar na nossa dívida pública.
É bom lembrar aos subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública que muitos de vós participaram nos Conselhos de Ministros que aumentaram objetivamente a dívida pública direta e indireta.
Foram corresponsáveis pela passagem dos cheques da nossa desgraça atual. Negócios de Estado ruinosos, negócios com privados que afinal eram da responsabilidade do contribuinte. O resultado aí está, a pesar direta e indiretamente nos nossos bolsos.
Sim, todos sabemos que quem pôs o acelerador da dívida pública no máximo foi José Sócrates, Teixeira dos Santos, Costa Pina, Mário Lino, Paulo Campos, Maria de Lurdes Rodrigues com as suas escolas de luxo que foram uma festa para a arquitetura e agora queimam as nossas finanças.
Mas em geral, todos foram responsáveis pela maneira errada de fazer política, de fazer negócios sem mercado, de misturar política com negócios, de garantir rendas para alguns em prejuízo de todos.
Sabem perfeitamente que em todas as crises de finanças públicas a única saída foi o Estado parar de fazer nova dívida e começar a pagar a que tinha sido acumulada. A única saída foi a austeridade.
Com o vosso manifesto, o que pretendem? Voltar a fazer negócios de Estado como até aqui? Voltar a um modelo de gastos públicos ruinosos com o dinheiro dos outros?
Porque é que em vez de dizerem que a dívida é impagável, agravando ainda mais a vida financeira das gerações seguintes, não ajudam a resolver os gravíssimos problemas que a economia e o Estado enfrentam e que o Governo não tem coragem nem vontade de resolver ao contrário do que diz aos portugueses?
Porque é que não contribuem para que se faça uma reforma profunda do Estado, no qual se continuam a gastar recursos que não temos para produzir bens e serviços inúteis, ou para muitos departamentos públicos não produzirem nada e ainda por cima impedirem os empresários de investir com burocracias economicamente criminosas?
Porque não canalizam as vossas energias para ajudar a uma mudança profunda de uma economia que protege setores inteiros da verdadeira concorrência prejudicando as famílias, as PME, as empresas exportadoras e todos os que querem produzir para substituir importações em condições de igualdade com outros empresários europeus?
Porque não combatem as práticas de uma banca que cobra os spreads e as comissões mais caros da Europa?
Um setor elétrico que recebe demais para não produzir eletricidade na produção clássica e para produzir em regime especial altamente subsidiado à custa de todos nós?
Um setor das telecomunicações que, apesar de parcialmente concorrencial, ainda cobra 20, 30 e até 40 por cento acima da média europeia em certos pacotes de serviços?
Porque não ajudam a cortar a sério nas rendas das PPP e da Energia? Nos autênticos passadouros de dinheiros públicos que são as listas de subvenções do Estado e de isenções fiscais a tudo o que é Fundações e Associações, algumas bem duvidosas?
Acham que tudo está bem nestes setores? Ou será que alguns de vós beneficiam direta ou indiretamente com a velha maneira de fazer negócios em Portugal e não querem mudar de atitude?
Estará a vossa iniciativa relacionada com alguns cortes nas vossas generosas pensões?
Pois no meu caso eu já estou a pagar IRS a 45 por cento, mais uma sobretaxa de 3,5 por cento, mais 11 por cento de Segurança Social, o que eleva o meu contributo para 59,5 por cento nominais e não me estou a queixar.
Sabem, a minha reforma já foi mais cortada que a vossa. Quando comecei a trabalhar, tinha uma expectativa de receber a primeira pensão no valor de mais de 90 por cento do último salário. Agora tenho uma certeza: a minha primeira pensão vai ser de 55 por cento do último salário.
E não me estou a queixar, todos temos de contribuir.
Caros subscritores do Manifesto para a reestruturação da dívida pública, desculpem a franqueza: a vossa geração está errada. Não agravem ainda mais os problemas que deixaram para a geração seguinte. Façam um favor ao país – não criem mais problemas. Deixem os mais novos trabalhar.

José Gomes Ferreira


Não sou contabilista, e muito menos economista. E não sou tão estúpido como estes papalvos da treta Engenharia Económica que eles apregoam aos 4 cantos do mundo... geração com ideais desactualizados, já deviam ter arrumado as botinhas de oiro e rumarem para a cadeia!
Grandes cretinos que estes papalvos saíram das Universidades!!! Além de continuarem cegos e de bolsos cheios à custa do Zé Povinho!
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Dom Mar 16 2014, 12:21

Se resumíssemos, numa frase, a contestação ao ajustamento, seria algo do género: "sim, percebo, claro que é preciso cortar e tal, mas porque é que não vão cortar a outro lado".

O problema é que certos sectores da sociedade, desorganizados e poder efectivo, associações profissionais, sindicatos ou forças políticas a apoiá-los, não conseguem fazer braço de ferro com o governo, organizar manifestações, paralisar a economia e os serviços públicos…e esses (a classe média empregada no sector privado) estão lixados.
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Dom Mar 16 2014, 17:58

ricardo onga-ku escreveu:
Se resumíssemos, numa frase, a contestação ao ajustamento, seria algo do género: "sim, percebo, claro que é preciso cortar e tal, mas porque é que não vão cortar a outro lado".

O problema é que certos sectores da sociedade, desorganizados e poder efectivo, associações profissionais, sindicatos ou forças políticas a apoiá-los, não conseguem fazer braço de ferro com o governo, organizar manifestações, paralisar a economia e os serviços públicos…e esses (a classe média empregada no sector privado) estão lixados.

Lixados estamos nós todos por culpa daqueles palermas!
João Cravinho - Mais 1 milhão ou menos 1 milhão... que diferença faz?
Ferreira Leite - Vender imóveis do estado... para tapar o défice!
Não me esqueço destes dois ministros, isso não! Uns belos exemplares que deviam estar na cadeia e sem reforma de nada, a pagarem as asneiras!
  
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Dom Mar 16 2014, 20:28

Oliveira Costa pediu a prescrição do pagamento de multa no caso BPN
Luís Miguel Loureiro / José Luís Carvalho
15 Mar, 2014, 13:58 / atualizado em 15 Mar, 2014, 13:58

José Oliveira Costa pediu a prescrição do pagamento de multa num dos processos em que é arguido no caso BPN. O semanário Expresso avança com a notícia dias depois de se saber que João Rendeiro também fez um pedido idêntico, no processo BPP, e da prescrição de uma multa de um milhão de euros do antigo administrador do BCP, Jardim Gonçalves.

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=723723&tm=6&layout=122&visual=61
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Dom Mar 16 2014, 20:47

ricardo onga-ku escreveu:
Oliveira Costa pediu a prescrição do pagamento de multa no caso BPN
Luís Miguel Loureiro / José Luís Carvalho
15 Mar, 2014, 13:58 / atualizado em 15 Mar, 2014, 13:58

José Oliveira Costa pediu a prescrição do pagamento de multa num dos processos em que é arguido no caso BPN. O semanário Expresso avança com a notícia dias depois de se saber que João Rendeiro também fez um pedido idêntico, no processo BPP, e da prescrição de uma multa de um milhão de euros do antigo administrador do BCP, Jardim Gonçalves.

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=723723&tm=6&layout=122&visual=61


As leis e o sistema ao serviço dos criminosos.

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 09:37

Todos tem estudos superiores (ou não), todos estão rodeados de especialistas em economia e gestão, e mesmo assim as opiniões são do mais antagónico possível. Uns contra, outros a favor.


Sócrates diz que manifesto é uma verdade incómoda para o Governo


O antigo primeiro-ministro José Sócrates afirmou ontem que o Governo se sente incomodado com o aparecimento do manifesto dos 70, que defende a reestruturação da dívida.

Em declarações proferidas no comentário de domingo, na RTP, Sócrates disse que o documento constata «uma verdade muito incómoda para o governo, mas que não deixa de ser um facto», pois mostra que, com a austeridade, «em vez de se controlar a dívida pública, a dívida explodiu».

«Teria assinado o manifesto porque estou de acordo», disse o ex-líder do Executivo.

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 12:37

Impressionante não é o que ele diz mas que haja quem o escute... Rolling Eyes  
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 13:58

Impressionante o descaramento da hipocrisia!

2011

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 14:56

Pierre escreveu:
Impressionante  o descaramento da hipocrisia!

2011



Para de ser político, a vergonha é algo que tem forçosamente que fazer parte da lista das virtudes a descartar.

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 16:17

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 16:21

ricardo onga-ku escreveu:


  

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 17:08

ricardo onga-ku escreveu:

 lol! a gente ri, mas é a verdade e ninguém fez nada! Coitado do Relvas!  lol! 
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 19:56

Ricardo Araújo Pereira comenta a polémica música vencedora do Festival da Canção






Esta é a prova de que a mediocridade não é um exclusivo do mundo da política…que música de caca.


Última edição por ricardo onga-ku em Seg Mar 17 2014, 21:14, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 21:07

ricardo onga-ku escreveu:
Ricardo Araújo Pereira comenta a polémica música vencedora do Festival da Canção






Esta é a prova de que a mediocridade não é um exclusivo do mundo da política...



Tentar em 24 horas (programa diário) fazer algo de engraçado sobre uma musica ridícula, não pode ser comparado à mediocridade daqueles que arruínam as vidas de milhares de portugueses e que faz com que tenham que emigrar em massa.

Ricardo, o teu sentido de humor está em baixo.  smedley 

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 21:12

Atenção que não me referia ao Ricardo A. P. (cujo sentido de humor me parece fora de série de tão criativo e acutilante) mas ao autor e aos intérpretes daquela coisa que ganhou o festival…mais uma vergonha.
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 21:22

ricardo onga-ku escreveu:
Atenção que não me referia ao Ricardo A. P. (cujo sentido de humor me parece fora de série de tão criativo e acutilante) mas ao autor e aos intérpretes daquela coisa que ganhou o festival…mais uma vergonha.


   interpretei mal a coisa   

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 21:31

António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Atenção que não me referia ao Ricardo A. P. (cujo sentido de humor me parece fora de série de tão criativo e acutilante) mas ao autor e aos intérpretes daquela coisa que ganhou o festival…mais uma vergonha.


   interpretei mal a coisa   

Na verdade, entre uma e outra venha o diabo e escolha...   
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 21:39

ricardo onga-ku escreveu:
Ricardo Araújo Pereira comenta a polémica música vencedora do Festival da Canção






Esta é a prova de que a mediocridade não é um exclusivo do mundo da política…que música de caca.

Por acaso estou de acordo consigo. Tanto politicamente como entretenimento, é do mais infantil e pimba que se viu até hoje. E este Pereira sem classe, iguala-se aos da TVI!!!
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 17 2014, 22:38

A minha crítica não era dirigida ao fedorento... What a Face 
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Ter Mar 18 2014, 15:19

Ultimamente prefiro ler notícias por aqui : http://www.imprensafalsa.com/
Tem a vantagem ser objectivamente entertenimento.
Ao passo da "outra" ser perda de tempo.
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Qua Mar 19 2014, 17:56

É tão bonita a nossa Assembleia   da República das Bananas...

https://www.youtube.com/watch?v=BXSNgfYQgk4&feature=share
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Qua Mar 19 2014, 21:01

   


Ferpina escreveu:
Paulo Morais na A.R.

Para os menos atentos, a Assembleia da República é a casa da Democracia e de todos nós. Oiço este slogan há quase 59 anos!

Hoje até se protege a sua escadaria (símbolo?) de uma data de "energúmenos" (?) que a poderão mais uma vez invadir.

Nem no apelidado de Estado Novo se assistiu ao que é denunciado aqui neste vídeo. Para reflectir!!!  




    

PAINTER escreveu:
É tão bonita a nossa Assembleia   da República das Bananas...

https://www.youtube.com/watch?v=BXSNgfYQgk4&feature=share


Mas nunca é demais denunciar   
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Qua Mar 19 2014, 21:11

Ferpina escreveu:
   


Ferpina escreveu:
Paulo Morais na A.R.

Para os menos atentos, a Assembleia da República é a casa da Democracia e de todos nós. Oiço este slogan há quase 59 anos!

Hoje até se protege a sua escadaria (símbolo?) de uma data de "energúmenos" (?) que a poderão mais uma vez invadir.

Nem no apelidado de Estado Novo se assistiu ao que é denunciado aqui neste vídeo. Para reflectir!!!  




    

PAINTER escreveu:
É tão bonita a nossa Assembleia   da República das Bananas...

https://www.youtube.com/watch?v=BXSNgfYQgk4&feature=share


Mas nunca é demais denunciar   

   não tinha visto ainda.
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Sex Mar 21 2014, 08:23

Estamos feitos......!!!!!!!!!!




      

Boas audições
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Sex Mar 21 2014, 11:47

    

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 24 2014, 14:01

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 24 2014, 14:06

ricardo onga-ku escreveu:


Vergonha- zero

Honestidade - zero


Mas decerto que antes das eleições irá fazer uns truques de magia, e a malta esquece rapidamente.

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 24 2014, 14:09

António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:


Vergonha- zero

Honestidade - zero


Mas decerto que antes das eleições irá fazer uns truques de magia, e a malta esquece rapidamente.

Pois é... e há alguém sincero no nosso meio político? Apanham-se no poleiro com promessas... e é o que se vê de há 40 anos para cá. Nem um político foi condenado! Cambada de aldrabões e corruptos é o que são!
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 24 2014, 15:12

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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 24 2014, 19:29

Precisamos de mais esclarecimentos como este.

Copy Paste do Facebook do José Rodrigues dos Santos
É longo, mas é necessário.


José Rodrigues dos Santos
há 4 horas
RESPOSTA DE JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS AOS COMENTÁRIOS PUBLICADOS NESTA PÁGINA À ENTREVISTA FEITA PELO JORNALISTA A JOSÉ SÓCRATES, NO DOMINGO, DIA 23 DE MARÇO DE 2014, NA RTP1:

Devido às minhas funções na RTP, que nada têm a ver com a minha actividade de romancista para a qual esta página foi criada, alguns leitores escreveram mensagens críticas da forma como foi conduzido o espaço com José Sócrates. Repito que isto nada tem a ver com os livros, razão de ser desta página de Facebook, mas não me importo de esclarecer dúvidas e equívocos que me parecem nascer do facto de muitas pessoas, e como é natural, desconhecerem as regras da actividade jornalística.

Uma leitora chega mesmo a perguntar em que escola aprendi jornalismo. A resposta é: na BBC. Sei que se calhar não é suficientemente boa, mas foi o que se pôde arranjar.

O que ensina a BBC? Quais as regras da nossa profissão? É obrigado um jornalista a ser sempre isento? Há ocasiões em que não deve ser isento? São perguntas interessantes e todas elas têm resposta, embora o público em geral, e como me parece normal, não as conheça.

1. A isenção de um jornalista não é obrigatória. Depende da linha editorial do jornal. Não faz sentido esperar que um jornalista do «Avante!», por exemplo, seja isento. A linha editorial do «Avante!» é claramente comunista e um jornalista que não a queira respeitar tem a opção de se ir embora. Há muitos casos que se podem encontrar de linhas editoriais que implicam alinhamentos (partidários, desportivos, ideológicos, etc).

2. No caso da RTP, a linha editorial é de isenção. Isto acontece porque se trata de um meio público, pago por todos os contribuintes, pelo que deve reflectir as diferentes correntes de opinião. Os jornalistas esforçam-se por escrever as notícias com neutralidade e, nos debates, os moderadores esforçam-se por permanecer neutrais.

3. Nas entrevistas, no entanto, as regras podem mudar. Há dois tipos de entrevista: a confrontacional (normalmente a entrevista política) e a não confrontacional. Em ambos os casos a isenção pode perder-se, não porque o entrevistador seja pouco profissional, mas justamente porque é profissional. Por exemplo, numa entrevista não confrontacional com a vítima de uma violação é normal que o entrevistador se choque com o que aconteceu à sua entrevistada. Estranho seria que ele permanecesse indiferente ao sofrimento. Não se trata um violador e uma mulher violada da mesma maneira, não se trata um genocida e uma pessoa que perdeu a família inteira da mesma maneira - a regra da isenção não se aplica necessariamente.

4. As entrevistas políticas são, por natureza, confrontacionais (estranho seria que não fossem e que jornalista e político tivessem uma relação de cumplicidade). Uma vez que o agente político que está a falar não tem ninguém de outra força política que lhe faça o contraditório (como aconteceria num debate), essa função é assumida pelo entrevistador. O entrevistador faz o contraditório, assume o papel de advogado do diabo. Portanto, o jornalista suspende por momentos a sua isenção para questionar o entrevistado. Isto é uma prática absolutamente normal. O entrevistador não o faz para "atacar" o entrevistado, mas simplesmente para fazer o contraditório. Acontece até frequentemente fazer perguntas com as quais não concorda, mas sabe que o seu papel é fazer de "oposição" ao entrevistado.

5. Dizem os manuais de formação da BBC, e é assim que entendo o meu trabalho, que o entrevistador não é nem pode ser uma figura passiva que está ali para oferecer um tempo de antena ao político. O entrevistador não é o "ponto" do teatro cuja função é dar deixas ao actor. Ele tem de fazer perguntas variadas, incluindo perguntas incómodas para o entrevistado. Não deve combinar perguntas com os políticos, mas deve informá-lo dos temas. No acto da entrevista o entrevistado "puxa" pela sua faceta positiva e o entrevistador confronta-o com a sua faceta potencialmente negativa. Espera-se assim que o espectador veja as duas facetas.

6. Uma vez apresentado o princípio geral, vejamos o caso de José Sócrates. É falso que José Sócrates desconhecesse esta minha linha de pensamento. Almoçámos e expliquei-lhe o meu raciocínio. Avisei-o de que, se encontrasse contradições ou aparentes contradições entre o que diz agora e o que disse e fez no passado, as colocaria frente a frente e olhos nos olhos, sem tergiversações nem subterfúgios, como mandam as regras da minha profissão. Far-me-ão a justiça de reconhecer que fiz o que disse que ia fazer.

7. Como todas as figuras polémicas, José Sócrates é amado por uns e odiado por outros. É normal com as figuras públicas, passa-se com ele e passa-se comigo e com toda a gente que aparece em público. Mas o que se está a passar com ele é que muita gente fala mal nas costas e ninguém pelos vistos se atreve a colocar-lhe as questões frontalmente. Fui educado fora de Portugal e há coisas que me escapam sobre o país, mas dizem-me que é um traço normal da cultura portuguesa: falar mal pelas costas e calar quando se está diante da pessoa. Acho isso, devo dizer, lamentável. Quando alguém é muito atacado, devemos colocar-lhe frontalmente as questões para que ele tenha o direito de as esclarecer e assim defender-se. Foi o que foi feito na conversa com José Sócrates. As questões que muita gente coloca pelas costas foram-lhe apresentadas directamente e ele defendeu-se e esclareceu-as. Se o fez bem ou mal, cabe ao juízo dos espectadores.

8. O caso de José Sócrates tem alguns contornos especiais e raros. Ele foi Primeiro-Ministro durante seis anos e acabou o mandato com o país sob a tutela da troika. Quando era chefe do Governo, começou a aplicar medidas de austeridade. No PEC I foram muito suaves (cortes em deduções fiscais e outras coisas), mas foram-se agravando no PEC II (aumento de impostos) e no chamado PEC III, que na verdade era o Orçamento de 2011 (corte de salários no sector público, introdução da Contribuição Especial de Solidariedade aos pensionistas, aumento de impostos, cortes nas deduções, etc). Defendendo estas medidas, afirmou em público que "a austeridade é o único caminho". Agora, nas suas declarações públicas, ele mostra-se contra a austeridade. Estamos aqui, pois, perante uma contradição - ou aparente contradição. Não tem um jornalista o dever de o colocar perante essa (aparente ou não) contradição, dando-lhe assim oportunidade para esclarecer as coisas?

9. Na entrevista não é para mim necessariamente relevante se ele tinha razão quando aplicou a austeridade ou se tem razão agora que critica a austeridade. O que é relevante é que há uma aparente contradição e cabe ao jornalista confrontá-lo com ela. Foi o que foi feito e ele prestou os seus esclarecimentos. Se foi convincente ou não, cabe a cada espectador ajuizar, não a mim. Limitei-me a apresentar-lhe directamente os problemas e a dar-lhe a oportunidade de os esclarecer. O meu trabalho ficou completo.

10. Como disse no ponto 8, o caso de José Sócrates é raro. Não é muito normal termos entrevistados com as circunstâncias dele. O tipo de conversa que era necessário para esclarecer as coisas não nasce do facto de ele ser do PS, mas das suas circunstâncias únicas. Se o entrevistado fosse, por exemplo, Ferro Rodrigues ou Maria de Belém ou Francisco Assis ou qualquer outra figura do partido, o perfil da conversa teria de ser diferente porque nenhum deles teve funções de Primeiro-Ministro durante tanto tempo e imediatamente antes da chegada da troika nem entrou num discurso tão aparentemente contraditório como José Sócrates. São as suas circunstâncias específicas que exigem uma abordagem específica. Se o Primeiro-Ministro que governou nos seis anos antes da chegada da troika fosse do PSD, CDS, PCP, BE, MRPP ou o que quer que seja, e fizesse declarações tão aparentemente contraditórias com o que disse e fez quando governava, não tenham dúvidas de que as minhas perguntas seriam exactamente as mesmas.

11. No final, temos de nos perguntar: José Sócrates esclareceu bem a sua posição? Essa resposta cabe a cada um e aí não meto eu o dedo. Limitei-me a dar-lhe a oportunidade de tudo esclarecer.

12. E aquele espaço?, perguntarão alguns. É entrevista? É comentário? Boa pergunta. A minha resposta está no ponto 5.

Um abraço a todos.

José Rodrigues dos Santos
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 24 2014, 21:35

AMBIENTE DE INTIMIDAÇÃO POLICIAL NA NOITE DE LISBOA - testemunho de PEDRO BAPTISTA-BASTOS

16 de Fevereiro de 2014 às 11:29



Em todos estes anos de noite lisboeta, assisti a uma cena impressionante: o Corpo de Intervenção (CI) fechou o perímetro entre o Arco da Rua Augusta e a Rua da Prata. Estava a regressar a casa com o Gonçalo Pina e três tipos do CI * pedem para atravessarmos o passeio. O aparato era impressionante: quatro carrinhas do CI, três carros da PSP, dezenas de agentes sob os arcos desse perímetro em três linhas de formatura, totalmente armados.
Ambiente de intimidação.
Alguma coisa se estava a passar, ou ia acontecer ali. Ficámos à espera para ver o que iria suceder.
Nisto, a primeira formatura atravessa a rua e manda parar os autocarros que saíram do Cais do Sodré e iam para a zona de Oriente - Odivelas.
O CI pára três autocarros e mandou sair uma série de passageiros, alinhá-los sob as arcadas e revistá-los.
Toda a gente calada e encostada.
Dentro dos revistados, turistas alemães e brasileiros - os primeiros a sairem, confusos e assustados.
Nunca vi um alinhamento de revistados assim.
Ao voltarmos de táxi para casa, o taxista disse que o CI começou a fazer este género de operações de há duas semanas para cá.
Este tipo de demonstrações de força e intimidação não são normais em Portugal.
Espero que isto não seja um prenúncio de outras coisas mais graves que possam estar latentes, ou prestes a explodir no nosso País, e digo isto com toda a sinceridade.
Critico duramente o Cavaco e o Governo - mas estas situações são outra coisa.



* CI, Corpo de Intervenção

Os PPDelhos estão imparáveis.  


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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Seg Mar 24 2014, 21:48

CNeves escreveu:
AMBIENTE DE INTIMIDAÇÃO POLICIAL NA NOITE DE LISBOA - testemunho de PEDRO BAPTISTA-BASTOS

16 de Fevereiro de 2014 às 11:29



Em todos estes anos de noite lisboeta, assisti a uma cena impressionante: o Corpo de Intervenção (CI) fechou o perímetro entre o Arco da Rua Augusta e a Rua da Prata. Estava a regressar a casa com o Gonçalo Pina e três tipos do CI * pedem para atravessarmos o passeio. O aparato era impressionante: quatro carrinhas do CI, três carros da PSP, dezenas de agentes sob os arcos desse perímetro em três linhas de formatura, totalmente armados.
Ambiente de intimidação.
Alguma coisa se estava a passar, ou ia acontecer ali. Ficámos à espera para ver o que iria suceder.
Nisto, a primeira formatura atravessa a rua e manda parar os autocarros que saíram do Cais do Sodré e iam para a zona de Oriente - Odivelas.
O CI pára três autocarros e mandou sair uma série de passageiros, alinhá-los sob as arcadas e revistá-los.
Toda a gente calada e encostada.
Dentro dos revistados, turistas alemães e brasileiros - os primeiros a sairem, confusos e assustados.
Nunca vi um alinhamento de revistados assim.
Ao voltarmos de táxi para casa, o taxista disse que o CI começou a fazer este género de operações de há duas semanas para cá.
Este tipo de demonstrações de força e intimidação não são normais em Portugal.
Espero que isto não seja um prenúncio de outras coisas mais graves que possam estar latentes, ou prestes a explodir no nosso País, e digo isto com toda a sinceridade.
Critico duramente o Cavaco e o Governo - mas estas situações são outra coisa.



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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Ter Mar 25 2014, 00:38

António José da Silva escreveu:
CNeves escreveu:
AMBIENTE DE INTIMIDAÇÃO POLICIAL NA NOITE DE LISBOA - testemunho de PEDRO BAPTISTA-BASTOS

16 de Fevereiro de 2014 às 11:29



Em todos estes anos de noite lisboeta, assisti a uma cena impressionante: o Corpo de Intervenção (CI) fechou o perímetro entre o Arco da Rua Augusta e a Rua da Prata. Estava a regressar a casa com o Gonçalo Pina e três tipos do CI * pedem para atravessarmos o passeio. O aparato era impressionante: quatro carrinhas do CI, três carros da PSP, dezenas de agentes sob os arcos desse perímetro em três linhas de formatura, totalmente armados.
Ambiente de intimidação.
Alguma coisa se estava a passar, ou ia acontecer ali. Ficámos à espera para ver o que iria suceder.
Nisto, a primeira formatura atravessa a rua e manda parar os autocarros que saíram do Cais do Sodré e iam para a zona de Oriente - Odivelas.
O CI pára três autocarros e mandou sair uma série de passageiros, alinhá-los sob as arcadas e revistá-los.
Toda a gente calada e encostada.
Dentro dos revistados, turistas alemães e brasileiros - os primeiros a sairem, confusos e assustados.
Nunca vi um alinhamento de revistados assim.
Ao voltarmos de táxi para casa, o taxista disse que o CI começou a fazer este género de operações de há duas semanas para cá.
Este tipo de demonstrações de força e intimidação não são normais em Portugal.
Espero que isto não seja um prenúncio de outras coisas mais graves que possam estar latentes, ou prestes a explodir no nosso País, e digo isto com toda a sinceridade.
Critico duramente o Cavaco e o Governo - mas estas situações são outra coisa.



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Só peço que não aconteça como na Venezuela, aquilo sim, é fascismo!
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MensagemAssunto: Re: Algumas vergonhas no nosso jardim   Ter Mar 25 2014, 13:50

Cuidado.......!   Muito cuidado............!!!!   

Strip-Tease chocante da ministra das finanças!!!!     Muito chocante!!!!!!!!!!!
    


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