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 Reflexões de H. M.

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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Jan 30 2014, 12:27

Você captou o "ponto", Ricardo"; as perguntas que faço para as minhas entrevistas são astuciosas mas não capciosas. Perguntar bem é inquirir uma pessoa para o que você quer saber e não para o que a pessoa quer dizer...
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Jan 30 2014, 17:16

António José da Silva escreveu:
Reflexão nº 2 (por Holbein Menezes)

(...)

E como evitar as vibrações air borne no caso dos CD Players?

Esse foi o principal problema com que me deparei anos posteriores; para as tentativas de “solução” do qual escreverei na próxima “Reflexão”.


Enquanto aguardamos pela 3ª Reflexão, lembrei-me de colocar aqui o texto infoblicitário que acompanha o portentoso gira-CDs da CEC, onde o fabricante aponta as micro-vibrações como uma das causas do jitter:

CEC TL0X

Conventional CD transports tend to amplify even the slightest vibration in the reflective surface of the disc due to the distance the light beam has to travel from the laser to the pits in the disc and back to the receiving lens.
These micro-vibrations scatter light and reduce the integrity of the digital data stream.
The TL0X's revolutionary three part chassis suppresses micro-vibrations and resonances that cause unwanted jitter in the digital data stream.
The elimination of jitter greatly reduces the distortion that too often characterize CD as digital rather than musical.
We have achieved superior isolation of the TL0X drive mechanism by suspending it from three rubber-damped suspension, which towers extend to their tiptoe feet as unified assemblies to decouple resonances from the chassis and drive mechanism.
The drive mechanism is a massive 30mm sandwich of nonmagnetic materials with dissimilar resonances a 20mm aluminum plate and a 10mm brass plate.
Since the drive mechanism is only slightly wider than the compact disc it must hold, the susceptibility to airborne interference is greatly reduced.

To assure undisturbed operation of the laser pickup, all sources of electromagnetic interference are physically isolated. The massive regulated power supply is housed in a separate chassis that may be located up to 1.5meters from the TL0X drive mechanism chassis. The drive electronics are enclosed in a 20mm thick nonmagnetic anodized aluminum chassis isolated from the main drive mechanism The drive and laser motors are electronically, magnetically, and mechanically isolated from the laser pickup and turntable, coupled only by two precision drive belts. The disc drive motor is a cog-free low torque design that is inherently free of vibration. The drive belt multiplies its torque to spin the compact disc on a precision spindle/thrust bearing assembly and supports a 125mm diameter stabilizer clamp weighing 450grams (1 lb). With inertia comparable to the most massive analog turntable, the flywheel effect of the TL0X disc stabilizer achieves perfect rotational stability without the constant electronic servo corrections required in all other CD transports. As a further benefit, the disc stabilizer covers the entire top and outer edge of the CD to prevent light scattering and internal refiections.





Ao contrário dos restantes fabricante que utilizam um sistema de direct-drive para rodar o disco, a CEC criou um sistema de correia para isolar o disco das vibrações do motor e colocou sobre o disco uma bolacha estabilizadora que permite uma maior precisão rotacional, criando desse moda uma espécie de "prato" invertido, um conceito semelhante aliás ao torno usado actualmente pela Teac/Esoteric e pela Pioneer em alguns modelos dos anos 80/90.

TEAC VRDS




Pioneer PD-3000/PD-91




Mais tarde a Pioneer inverteu o mecanismo, criando um prato onde o o CD era colocado em posição invertida, com a face de leitura virada para cima.

Pioneer PD-T09



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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Jan 30 2014, 19:50

Atenção Amigos!: Como sou péssimo em manipular essa coisa doida chamada "computador", e não estou mais em idade de ir para a escola a fim de aprender, com meus dedos anciãos dedei demais e perdi a Segunda Parte da Reflexão nº 3. Já procurei em todos os buracos negros da minha máquina, e nada!

Em substituição, vou por aqui vinte e um pequenos comentários que os intitulei de "Comentários de um filósofo... aposentado.. Textos pequenos todo mundo ler. Abaixo o Primeiro:

Comentário I.


"Tudo tem sua beleza, tudo tem sua virtude..." Mas também tudo tem sua feiura, tudo tem sua ignomínia; porque não há o alto sem baixo, nem o branco sem preto; porque o branco é a soma de todas as cores, e o preto, a ausência. Ora, só há os espertos porque existem os ingênuos; da mesma maneira como só são audiopatas quem já foi aufiófilo...

"Cada ouvido elege...". Não é bem assim, mesmo porque ouvimos o que desejamos ouvir, e esse "desejamos" está prenhe de necessidades emocionais e idiossincrasias. Quando se dá bom e rico dinheirinho para ter-se 22.2 canais de som, ouvir-se-ão... 22.2 canais de som; pelo menos no nosso particular departamento de vaidade a serviço da necessidade de poder. Não conheço nenhum audiófilo que tenha despendido 100 mil dólares por um conjunto eletrônico para a reprodução do som que não "ouça" 100 mil dólares de som, ou imagina ouvir; quando nada, de começo, isto é, até que despenda 200 mil dólares por outro conjunto; e aí o de 100 mil dólares... não passava de merde.

Albert Einstein escreveu carta a Sigmund Freud a pedir que ele explicasse porque os homens se destruíam em guerras; Freud respondeu: porque os homens são assim, destrutivos, e ninguém pode fazer nada para tornar os homens não destrutivos. Disse Freud a Einstein que há o instinto básico de vida mas há, semelhantemente, o instinto básico de morte.

Assim somos nós os humanos. E também há os autodestrutivos: 22.2 canais, pô, não há ouvido para tanto. Por isso, VIVA O FONE DE OUVIDO... para dois ouvidos apenas! Vida a reprodução 4.1 para... também dois ouvidos apenas.

O resto, bem, o resto é o resto.
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afonso
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Jan 30 2014, 20:54

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Jan 30 2014, 22:52

Venham os restantes vinte.   

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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Jan 30 2014, 23:38


... no. Stop it Roy. Stop it.”

Moro num conjunto residencial composto de duas torres, três níveis de garagem com três vagas para cada apê, piscina semi olímpica, duas salas de festa, academia de ginástica, cinema, sauna etc.etc. São 104 apartamentos, cada apê com três suítes. Devemos ser em torno de 400 moradores.

Quantos vieram a minha sala de música?

NENHUM! Ou como se diz em Portugal: NENHUNS!

... no, Stop it Roy. Stop it!

Somos todos audiotas!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Jan 30 2014, 23:42

Holbein Menezes escreveu:

... no. Stop it Roy. Stop it.”

Moro num conjunto residencial composto de duas torres, três níveis de garagem com três vagas para cada apê, piscina semi olímpica, duas salas de festa, academia de ginástica, cinema, sauna etc.etc. São 104 apartamentos, cada apê com três suítes. Devemos ser em torno de 400 moradores.

Quantos vieram a minha sala de música?

NENHUM! Ou como se diz em Portugal: NENHUNS!

... no, Stop it Roy. Stop it!

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Se eu morasse ai era coisa certa. E melhor seria com um belo jantar/almoço.   

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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 10:00


Comentário II.

O som, antes de ser som é onda sonora; onda que no ouvido é descodificada e transformada em sinal neural pela ação dos ossinhos bigorna e martelo (entre outros "dispositivos"); no córtex tal sinal é processado e devolvido à emoção humana em forma de sensação de sonoridade. Portanto, basta uma dessas múltiplas etapas sofrer mínimo dano e o som reouvido passa a não ter mais a sonoridade da onda sonora primária.

Entre os outros "dispositivos" estão as emoções humanas; por isso que quando um grupo ouve um som reproduzido, do grupo alguns gostam outros nem tanto. A escuta é, pois, a meu ver, pessoal e intransferível ou intransferível posto que pessoal.

No âmbito das emoções humanas habitam também idiossincrasias, e vaidades; poder, é a pior das idiossincrasias. E assim segue, a englobar os condicionamentos que a história de cada um acumulou. Os humanos não somos plurais, cada ser humano é um universo próprio, e singular; como, pois, aceitar que TODOS ouvimos o mesmo som musical, hem?
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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 10:05


António José, minha mulher Hermosa prepara o melhor bacalhau do Brasil... se o bacalhau é de origem portuguesa, é claro! O bacalhau do Brasil chama-se "pirarucu", o maior peixe de águas doces, só encontrado nos rios da Amazônia; em alguns.
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 10:40

ricardo onga-ku escreveu:
Holbein Menezes escreveu:
Ricardo, entrevista, ou seja, vista entre; visto o quê? Os interesses dos agentes: entrevistado, na sua pessoa, nos seus negócios; entrevistador: no quê vão dizer dele. Todo "furo" de reportagem é antes de tudo um furo nos leitores!  

Caro Holbein, não interprete o meu comentário como uma crítica negativa pois as suas perguntas foram directas, pertinentes e até provocadoras; mas acho que o Milan se esquivou com habilidade de alguns assuntos mais controversos e dourou um pouco a pílula no que se refere às capacidades e características exclusivas dos seus equipamentos.
Não deixa no entanto de ser uma leitura informativa e agradável.

Ao ler este comentàrio, não pude deixar de pensar até que ponto, o audio não reune profissionais e amadores, mas ao contrario os separa. Sim!, entre voçês e eu hà o audio no meio, pois eu vejo-o de dentro para fora e voçês ao contrario... o que inversa complétamente o ponto de vista!...
Então para brincar, provocar e tentar avançar... entrevistei-me a mim proprio, utilisando as perguntas que mais me fizeram nestes anos todos de audiofilia. E respondi a quase todas com honestidade então leiam:


Auto-Entrevista entre o TD124 e o Paulo à escuta de Arbour Zena do Keith Jarrett

1° Pergunta : Quando se discute com um designer, o Audio parece ser um dominio extremamente complexo. È assim tão dificil de reproduzir a musica numa sala ?

O Audio é um dominio simples e complexo ao mesmo tempo. Simples no sentido que é fàcil de reproduzir a musica de maneira a que ela seja reconhecivel, mas muito dificil no que diz respeito à reprodução perfeita do disco, e a sala vém complicar ainda mais o problema. È a vontade de ir mais longe que torna o audio complexo, pois às vezes tenho a impressão que a fisica (realidade), faz tudo para que a reprodução perfeita seja impossivel. Assim, a reprodução perfeita exige parâmetros que são (quase sempre) contraditorios, o que nos obriga a contornar ou seduzir a fisica, e às vezes mesmo a torcê-la, a fim que a ilusão apareça. Por exemplo, se eu lhe disser quais são as exigências para que um braço de leitura vinilo seja perfeito, o braço serà impossivel a realisar. No entanto hà muitos braços de leitura que funcionam bem, e hà mesmo alguns que são magnificos, o que quer dizer que no audio o impossivel é contornàvel !... e isto é complexo a compreender, e ainda mais a explicar !!!

2° Pergunta : A Alta-Fidelidade é uma disciplina, uma paixão e um comércio. Como professional, esta ambivalência vai interagir ou é possivel de separar estes elementos ?

Penso que um amador experimentado pode evitar a interação desses elementos, mas um professional não creio. Se tiver três ideias, vou explorar em primeiro a que me pareçe ser mais viàvel comercialmente, pois a minha vida depende. Ao contràrio, um amador serà guiado pelo resultado sonoro essencialmente… Mas é possivel, que alguns professionais possam evitar a interação!!!...

3° Pergunta : Analogico vs Digital, Alto vs Baixo desempenho, Vàlvula vs Transistor, etc !... todos estes antagonismos, são um verdadeiro problema ou um falso debate ?

São os dois !!!, pois tudo o que vém de ser citado participa à construção do audio, então hà que compreender as razões do antagonismo. È pela compreensão dos fenomenos em causa, que vamos poder avançar, e se o transistor e a vàlvula estão em rivalidade hà tanto tempo, temos que compreender porquê e tentar encontrar soluções alternativas. As perguntas no audio são conhecidas à muito tempo, o que falta são as respostas, então hà que continuar a se questionar. Ao mesmo tempo é um falso debate, pois a questão implicita é qual soa melhor?..., ora debater de gostos pessoais tém limites e é sem interesse.

4° Pergunta : Na sua opinião, existe uma topologia ou tecnologia de reprodução sonora que seja superior às outras... e porquê ?

Sim, objectivamente existem topologias/tecnologias que são superiores a outras, mas infelismente não o são totalmente. Ora é nessa impossibilidade de suplantar totalmente outra tecnologia, que o audio se separa em escolas, grupos e gostos. O problema que é técnico, torna-se em conflito quase religioso e certos amadores defendem uma tecnologia ou topologia, como se a vida deles dependesse. Mesmo no dominio professional o problema aconteçe, com as mesmas consequências perversas, mas por outros motivos pois geralmente o comércio é a base dessa atitude. Ao mesmo tempo, certas topologias são superiores à medida e menos ao ouvido e vice-versa, o que acaba por tornar ainda mais complexa uma tomada de posição. Então a verdade està no facto que, os meios que dispomos para reproduzir a musica são todos imperfeitos !!!... a partir dai, a porta està aberta, para que cada um esteja à vontade para escolher, o que lhe pareçe mais justo ou gostoso no seu ponto de vista…, mas então trata-se de audio e não de alta-fidelidade…

5° Pergunta : A audiofilia pareçe partilhada entre os elementos do passado (vinilo, vàlvulas, cornetas etc…) e os do presente (Cd, transistor, desmaterialisação, etc…). Isto é uma realidade concréta e internacional porquê ?

Se excluirmos a frança que teve a revista L’Audiophile, o mundo ocidental sò conheceu a escola audiofila japonesa dos anos sessenta, por volta dos anos 80/90, ou seja vinte ou trinta anos apòs. Essa descoberta, teve como resultado de criar uma grande curiosidade pelos aparelhos e técnicas do passado, venerados pela audiofilia japonesa. Certos produtos esquecidos ou enterrados em ocidente, como os triodos, giras a roda, cornetas de sonorisação, células antigas, braços, etc…, tornaram-se de um dia para o outro, objectos nobres cristalisando uma época mais sensivel na reprodução sonora. Este fenomeno que é complexo, pois verdadeiro e artificial ao mesmo tempo, provocou muitas das derivas de hoje. Na realidade a escola japonesa criou simbolos como o 300B, Tango, Garrard 301, Western Electric, etc… que pela apropriação indevida transformàmos em dogmas, como se esses objectos fossem verdades incondicionais. A partir dai foi um passo para criar o dualismo que o passado é ; nobre, verdadeiro, autêntico e sensivel, ora que o presente è ;vulgar, falso, aséptisado e frio. È essencialmente este dualismo que alimenta as guerrilhas entre passado/presente, e não é a culpa dos japoneses, mas da nossa mà interpretação dessa escola, e da audiofilia em geral…

6° Pergunta : Entre amelhorar os circuitos existentes (via audiofila) ou criar novos circuitos (via tecnologica), qual lhe pareçe a melhor para fazer evoluir a reprodução sonora ?

A resposta està contida na pergunta, pois para amelhorar é necessario criar antes. Os japoneses não criaram as vàlvulas, ném as cornetas, ném mesmo os gira discos. Mas com o sentido pràtico e pragmàtico que a cultura deles tém, permitiu-lhes com paciência e sensibilidade, de amelhorar os produtos que o ocidente tinha criado, mas não optimisado. Então as duas vias são necessarias a fim, de obter os melhores resultados…

7° Pergunta : Um circuito ou um aparelho, pode ser simples ou complexo. Para si qual é a via ideal para uma reprodução mais justa, o minimalismo ou a complexidade da estrutura ?

Trata-se de uma pergunta complicada, pois o minimalismo e a complexidade não são, ou não podem/devem ser, um objectivo por si proprio. Um aparelho é complexo, com o objectivo de controlar certas deficiências e obter melhores resultados. A complexidade permite de obter aparelhos com medidas muito boas, mas que hàs vezes não soam como esperado. Os aparelhos simples, medem menos bem, mas em geral são bons à escuta, ou mais musicais do que os complexos. Como jà disse, é o eterno equilibrio entre medida e escuta, e a maneira que a fisica tém de se opôr ao audio. A complexidade e o minimalismo, são duas vias para contornar a realidade fisica, e de tentar de ir mais longe na fidelidade de restituição. Então estes elementos são ferramentas, e não objectivos, que devem ser utilisados no caso a caso, e num ambito especifico aonde cada um dê o seu melhor…

8° Pergunta : Os objectivistas defendem um audio aonde a medida (ciência) é omnipotente e os subjectivistas defendem que as medidas não dizem tudo !... aonde voçê se situa neste debate ?...

Este é o eixo do debate de toda a audiofilia, e infelismente uma historia sem fim. Eu sei que a medida não diz tudo, e que é mesmo falsa em certos dominios, como disse o Gérard Perrot no L'Audiophile. Nòs sabemos, que as teorias de Fourier não podem ser aplicadas aos sinais impulsionais, ora que o audio (sinal musical), é essencialmente composto de sinais desse tipo. Ao mesmo tempo a escuta tém os seus limites também, que são obvios pela utilisação exclusiva da subjectividade. A via de razão, seria de combinar os dois, mas é muito dificil e (como jà disse) ; a realidade faz com que a correlação medida/escuta seja (ainda) aleatoria. Então, hà que continuar a viver e escutar, com sistemas imperfeitos, tentando com o tempo de encontrar atalhos, a fim de contornar os multiplos rochedos que existem no caminho do audio… o que não é nada fàcil !!!...

9° Pergunta : Existe uma, ou vàrias maneiras de reproduzir a musica gravada e diga-nos porquê ?

A pergunta não é clara, pois trata-se de som ou de meios de reprodução. Mas na realidade a resposta é sempre a mesma, ou seja, Sim !... existem vàrias maneiras de reproduzir a musica gravada. Cada aparelho, cada sala, cada amelhoração, etc… vai imprimir uma sonoridade especifica, que misturada às outras vai conduzir a uma restituição singular. Mas acho importante de precisar que a variedade (infinita) de sonoridades devem ser divididas em dois grupos, pois elas são ou voluntàrias ou naturais. Uma pessoa pode escolher um sistema, com um som muito marcado (colorido) por gosto, e nesse caso a escolha da coloração é voluntària. Outra pessoa pode ir buscar um sistema mais neutro, mas numa sala reverberante ou amorteçedora, o som vai ser modificado, e esta sonoridade serà natural ou involuntària. Mas, se a sua pergunta era do dominio da filosofia ou da teoria, nesse caso a resposta seria que sò hà uma maneira de reproduzir a musica gravada,… que é o respeito incondicional dos dados inscritos no disco ou midia !!!... Mas, no que diz respeito às sonoridades diferentes, lembro-me de duas frases que resumem bém o problema. Uma é de um colega e é em aparência cinica sem o ser e outra do meu sogro que sem pareçer cinica o é !... o meu colega disse « Os audiofilos gostam de gastar dinheiro !... então prefiro que mo déem a mim que aos outros… », e o meu sogro disse-me « a que serve teres colunas a 20000€, para ouvir a mesma coisa que eu escuto com colunas a 200€ !!!... », pois é, ambos téem razão à maneira deles !!!...

10° Pergunta : Um sistema do passado, pode competir objectivamente com um moderno ? Se sim, então não serà a prova, que a Alta-Fidelidade não evoluiu ?...

Depende do sentido, que està a dar ao termo objectivo. Se se trata de comparar à escuta (analitica), um sistema dos anos setenta audiofilo, contra um moderno de nivel idêntico, então a resposta é que sim. Se ao contràrio, trata-se de uma comparação técnica baseada na medida, então o sistema moderno vai ser superior. Num caso ou noutro, a Alta-Fidelidade evoluiu e mesmo muito, a questão de base e que é implicita é de saber se a musicalidade evoluiu !... e efectivamente a coisa complica-se a esse nivel. A fidelidade de restituição aumentou com o tempo, e isto é uma evidência. Ora nos melhores sistemas do passado, existe um equilibrio desempenho/musicalidade, que é muito interessante e que se perdeu com o tempo. Num sistema moderno, o desempenho apareçe em primeiro plano à escuta, e por efeito de màscara torna a reprodução técnologica e fria. Acho que seria bom de voltar a encontrar, equilibrios sonoros que vão no sentido do ser humano, e não o contràrio (mesmo nas gravações). A fidelidade é fundamental, mas a musicalidade também !... pois ninguém vai querer um sistema com uma restituição perfeita, mas desagradàvel a escutar, mesmo se é o disco que esteja em causa. A musica é prazer, e o audio também, e a noção de prazer à escuta, nunca deve ser esquecida pois fundamental!...

11° Pergunta : Quais são por categoria, os melhores aparelhos que ouviu na sua vida e explique-nos as razões.

Passo a pergunta !!!... sem interesse nenhum, para ninguém…

12° Pergunta : Visto que voçê é designer, eis a questão a mil euros !... Topologia Single-ended (SE) sém realimentação negativa ou Push-Pull (PP) com realimentação negativa… e porquê ?

De novo uma pergunta tendenciosa, pois o que està implicito é : Nobreza ou vulgaridade…, passado ou presente…, musica ou som…, audiofilia ou hifismo…, japão ou ocidente…, sensibilidade ou inteligência… ! Mas vou responder com pragmatismo e serà o Push-Pull com realimentação negativa!... simplesmente porque o SE nunca terà as qualidades técnicas do PP!!!... ora que o PP, tém a possibilidade (teorica) de ser tão musical quanto um SE !!!...

13° Pergunta : Qual é a pergunta mais interessante e a mais estupida, que se pode dizer a um audio designer ?

A mais interessante saberei no dia em que ma disserem !!!... as mais estupidas são as que véem de ser feitas e às quais respondi !!!...

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Última edição por TD124 em Sex Jan 31 2014, 11:46, editado 2 vez(es)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 11:36

TD124 escreveu:


13° Pergunta : Qual é a pergunta mais interessante e a mais estupida, que se pode dizer a um audio designer ?

A mais interessante saberei no dia em que ma disserem !!!... as mais estupidas são as que véem de ser feitas e às quais respondi !!!...[/justify]


  


Uma belíssima auto-entrevista amigo Paulo.  


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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 13:47

Obrigado Paulo. Honesto e cativante, como sempre   
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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 14:29

Já li mas vou reler, e tornar a ler essa "entrevista-de-mim-por-mim-mesmo" do Paulo Marcelo-td124. Ao fim de cujas leituras decidirei se comento ou não os conceitos nela expostos; porque materializamos, Paulo e eu, as contradições de entendimento (ou sentimento?) entre um profissional e um amador. E não quero avançar o sinal nem baixar a cabeça. Sou parte da situação, e não costumo fugir de contendas intelectuais.

Apenas destaco, da primeira leitura, o seguinte trecho: Ora nos melhores sistemas do passado, existe um equilibrio desempenho/musicalidade, que é muito interessante e que se perdeu com o tempo. Porque ele evocou no ancião que sou as demonstrações de música ao vivo versus sua reprodução, demonstrações conduzidas por Gilbert Briggs, da Wharfedale, pelos anos 50 do Século passado. Tenho até a foto do pianista Edgar Knight a tocar peças para piano solo, em cuja fotografia aparecem Briggs e W. S. Escott, e veem-se também o sistema de amplificação e sonofletores então utilizados. Essa demonstração ocorreu em 25 de março de 1954, no teatro St. George's Hall, em Bradford, Inglaterra.

O interessante é que meu grande amigo e sócio, Professor José Espínola Veiga, cego e pianista ele também, esteve presente a essa demonstração e me reportou que muitas vezes não percebeu o quê estava a ouvir, se o som original ou se a reprodução. Isso em 1954!!!.

E agora, nesses primeiros dias do ano de 2014 o Paulo, sua parte Engenheiro e Cientista, escreve com saudade "equilibrio desempenho/musicalidade... se perdeu com o tempo".

Mui sintomático!
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 15:14

Holbein Menezes escreveu:
Já li mas vou reler, e tornar a ler essa "entrevista-de-mim-por-mim-mesmo" do Paulo Marcelo-td124. ...porque materializamos, Paulo e eu, as contradições de entendimento (ou sentimento?) entre um profissional e um amador. ...
...

Amigo Holbein, "as contradições de entendimento (ou sentimento?)" não são um manifesto da incompreensão ou da incapacidade de comunicação e/ou troca!... são simplesmente diferenças de percepção devidas ao diferente posicionamento dos observadores... como na "relatividade de Einstein"... mas a realidade é sempre a mesma, qual que seja o ponto de vista do observador!... então a verdade é o que està por detràs da aparência, e essa busca é idêntica para si e para mim, e somos iguais neste ponto fundamental!...

Um Pastor e um Padre, não vão estar de acordo com a forma, mas são gémeos no fundo...

Abraço

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 15:17

TD124 escreveu:
Holbein Menezes escreveu:
Já li mas vou reler, e tornar a ler essa "entrevista-de-mim-por-mim-mesmo" do Paulo Marcelo-td124. ...porque materializamos, Paulo e eu, as contradições de entendimento (ou sentimento?) entre um profissional e um amador. ...
...

Amigo Holbein, "as contradições de entendimento (ou sentimento?)" não são um manifesto da incompreensão ou da incapacidade de comunicação e/ou troca!... são simplesmente diferenças de percepção devidas ao diferente posicionamento dos observadores... como na "relatividade de Einstein"... mas a realidade é sempre a mesma, qual que seja o ponto de vista do observador!... então a verdade é o que està por detràs da aparência, e essa busca é idêntica para si e para mim, e somos iguais neste ponto fundamental!...

Um Pastor e um Padre, não vão estar de acordo com a forma, mas são gémeos no fundo...

Abraço


Brilhante descrição.   

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 17:46

Entre Paulo e mim existem unidades e contrários. Unidades: 1) somos amigos; 2) somos honestos um com outro; 3) ambos amamos a música. Contrários (ou contradições): a) um tem formação escolar superior, outro, não; b) um domina a ciência e a técnica eletrônica, outro, não; c) um é designer, projeta, outro é usuário, experimenta.

Entre essas contradições (contrários), qual delas é necessariamente principal e desempenha o papel determinante?

Parêntese: milhares de sábios e homens de ação não chegam a compreender esse método; o resultado é que, perdidos nas brumas, eles são incapazes de ir ao nó dos problemas e, por consequência, não podem encontrar o método para resolver as contradições.

A lei geral do Universo é a “substituição do velho pelo novo”, seja em que fenômeno for, consubstanciada no metafisicismo hegeliano de tese, antítese e síntese. Isto é, (conforme a compreensão dialética-materialista do Mundo) o novo cresce e eleva-se à posição dominante, enquanto o velho decresce e acaba por morrer; e assim o novo – que não é nem a tese (ponto de vista original) nem a antítese (ponto de vista contraposto) mas um novo fator dominante, transforma-se qualitativamente.

Ensinou-me Mao Tsetung (Obras Escolhidas) que “alguns pensam que não acontece assim com relação a todas as contradições”; mas acontece. Entre as contradições que existem entre Paulo e mim na questão da reprodução eletrônica do som musical, no meu modo de ver a principal dominante é entre seu elevado grau de estudo da ciência e da técnica eletrônica e meu desconhecimento dessa ciência e técnica.

Ele calcula e prevê o resultado; eu só usufruo o resultado; ele diz que a posição dele permite-lhe ver pelo interior enquanto a minha só pode ser sentida pela exteriorização do que ele projeta e produz. Ainda que haja um denominador comum – o gosto de ambos pela música – a perfeição do sinal musical eletrônico não se assemelha, emocionalmente, com a sensação que eu experimento com as ondas sonoras ao se transformarem em musicalidade.

Mao Tsetung adverte-me: “Acontece que, por vezes, estabelece-se um equilíbrio entre eles (os contrários), mas isso não é mais do que um estágio passageiro e relativo; a situação fundamental é o desenvolvimento desigual.” Ou seja, a “situação fundamental” é que o Paulo vê e sabe do fenômeno da reprodução musical em conserva por dentro, e eu só sinto sua exteriorização. Mas entre nós há um secundário equilíbrio entre nossos contrapontos: a música, de que tanto gostamos os dois.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 18:07

Caro Holbein.

E diga la se a nossa amada musica per si, e tudo o que a rodeia tais como os "brinquedos" que a põe a tocar, as ideias que trocamos e os laços de amizades que se criam, diga lá se não vale a pena. Se Pessoa dizia que "tudo vale a pena quando a alma não e pequena", eu junto-lhe a musica que que nos enche essa mesma alma.

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TD124
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 18:30

TD124 escreveu:
...

6° Pergunta : Entre amelhorar os circuitos existentes (via audiofila) ou criar novos circuitos (via tecnologica), qual lhe pareçe a melhor para fazer evoluir a reprodução sonora ?

A resposta està contida na pergunta, pois para amelhorar é necessario criar antes. Os japoneses não criaram as vàlvulas, ném as cornetas, ném mesmo os gira discos. Mas com o sentido pràtico e pragmàtico que a cultura deles tém, permitiu-lhes com paciência e sensibilidade, de amelhorar os produtos que o ocidente tinha criado, mas não optimisado. Então as duas vias são necessarias a fim, de obter os melhores resultados…

Eu crio, voçê amelhora!... eis uma complementaridade Mestre Holbein!!!...
...

8° Pergunta : Os objectivistas defendem um audio aonde a medida (ciência) é omnipotente e os subjectivistas defendem que as medidas não dizem tudo !... aonde voçê se situa neste debate ?...

Este é o eixo do debate de toda a audiofilia, e infelismente uma historia sem fim. Eu sei que a medida não diz tudo, e que é mesmo falsa em certos dominios, como disse o Gérard Perrot no L'Audiophile. Nòs sabemos, que as teorias de Fourier não podem ser aplicadas aos sinais impulsionais, ora que o audio (sinal musical), é essencialmente composto de sinais desse tipo. Ao mesmo tempo a escuta tém os seus limites também, que são obvios pela utilisação exclusiva da subjectividade. A via de razão, seria de combinar os dois, mas é muito dificil e (como jà disse) ; a realidade faz com que a correlação medida/escuta seja (ainda) aleatoria. Então, hà que continuar a viver e escutar, com sistemas imperfeitos, tentando com o tempo de encontrar atalhos, a fim de contornar os multiplos rochedos que existem no caminho do audio… o que não é nada fàcil !!!...

Eu faço medidas e voçê escuta,... mais uma complementaridade!!!...
...

As complementaridades são multiplas amigo Holbein, pois as pessoas como eu, téem a ciência na mão direita e nada na mão esquerda... e as pessoas como voçê, téem a sapiência na mão esquerda e nada na mão direita... então somos ambos cegos de um olho!!!... mas juntos jà dà para ver melhor!!!...

Grande abraço

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 21:19



Não existe nenhum instrumento ou metodo de medicão que consiga quantificar com precisão e abrangencia tudo o que o ouvido humano capta.


É nisto que eu acredito. O resto são tretas, com o devido respeito...  
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 22:22

afonso escreveu:


Não existe nenhum instrumento ou metodo de medicão que consiga quantificar com precisão e abrangencia tudo o que o ouvido humano capta.


É nisto que eu acredito. O resto são tretas, com o devido respeito...  


Até porque seria preciso quantificar o quanto se escuta daquilo que se ouve!? ...
  

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 23:33

Holbein Menezes escreveu:
Mao Tsetung adverte-me: “Acontece que, por vezes, estabelece-se um equilíbrio entre eles (os contrários), mas isso não é mais do que um estágio passageiro e relativo; a situação fundamental é o desenvolvimento desigual.”

Isso não o impediu de tentar "equalizar" a sociedade chinesa…levando-a quase à destruição.

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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 23:39

1. Eu crio, voçê amelhora!... eis uma complementaridade Mestre Holbein!!!...(Paulo Marcelo)

2. Eu faço medidas e voçê escuta,... mais uma complementaridade!!!...(Idem).

Em seu livro, "64 Dilemas", o talentoso poeta-filósofo paulistano, Douglas Bock, nos alerta:

Quem dera que toda escolha fosse
  entre ser ou não ser.


E eu parodio: Quem dera que toda diferença fosse
                  entre o que se faz e o que se escuta.

Mesmo porque o Paulo faz e escuta. Eu? Ora, não faço e, pela idade, já escuto pouco. Não há complementaridade possível!?!

Nosso comum reside em amarmos a Música!
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 23:44

ricardo onga-ku escreveu:
Holbein Menezes escreveu:
Mao Tsetung adverte-me: “Acontece que, por vezes, estabelece-se um equilíbrio entre eles (os contrários), mas isso não é mais do que um estágio passageiro e relativo; a situação fundamental é o desenvolvimento desigual.”

Isso não o impediu de tentar "equalizar" a sociedade chinesa…levando-a quase à destruição.

R


A equalização dele, custou 70 milhões de vidas, o numero 1 da história a "equalizar".

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Jan 31 2014, 23:57

reirato: "Até porque seria preciso quantificar o quanto se escuta daquilo que se ouve!?"

Feliz em saber que você, reirato também faz diferença entre ouvir e escutar. Para mim, ouvir, que é uma função mecânica é diferente de escutar que representa um processo.

Em música, ouvir é perceber os sons enquanto que escutar é compreender o sentido dos sons; para aquele ato basta ter um pavilhão auricular sadio; para este, até pode-se dispensar o pavilhão auricular, como foi o caso de Beethoven que compôs o melhor de sua obra só após sua surdez.


Última edição por Holbein Menezes em Sab Fev 01 2014, 00:09, editado 1 vez(es)
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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 00:06

Ricardo e António José, que imenso vale separa nossa compreensão do mundo, e dos acontecimentos históricos.

Eu presenciei a China de antes de Mao (pobre e explorada) e a de agora, a maior economia do Mundo!

Mas espero que os nossos enfoques antagônicos não interfiram na nossa amizade fraternal.
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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 09:07

Comentário III.

Faço todos os anos meus exames laboratoriais; completos, de A a Z; audiometria, including. Tenho aqui sobre a mesa os laudos audiométricos dos últimos cinco anos; dos dois ouvidos. Nenhum laudo exibe curva de percepção uma igual a outra; nenhum! Nem quanto de um ano para outro, nem em relação de um ouvido para o outro ouvido. Nenhuns.

Ora, os Técnicos e nós curiosos, os Engenheiros e nós leigos, porém ambos experimentadores, temos todos constatado que nem os amplificadores mono igualam-se quanto ao desempenho de seus (idênticos) circuitos, nem os amplificadores estéreos, um canal em vista do outro. É possível que os monofônicos apresentem mais diferenças nas medições do que os estéreos uma vez que possuem fontes próprias enquanto que nos estéreos a fonte é uma só.

Portanto, na minha leiga opinião não será pelo fato de eu usar, faz mais de dez anos (!) fases elétricas próprias para cada canal, não será por isso que o meu sistema venha a se comportar desbalanceado, e a correr riscos de dano conforme o Engenheiro Jorge Knirsch me preveniu certa vez; aliás, ele próprio quando esteve lá em casa na "sandfilled" na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, constatou que a separação do som reproduzido, por canal, torna-se mais bem demarcada com duas fases elétricas na alimentação do que com uma só, todas as demais condições mantidas sem alteração, é evidente.

Cáspite! Não estamos a tratar de absoluto desempenho absoluto dos dois canais na reprodução musical doméstica; ora, se nem meus dois quase seculares ouvidos desempenham semelhantes, pois!

Intrigado estou a olhar para os cinco laudos dos meus exames anuais de audiometria: um está para o outro assim como a curva de meus falantes "fullrange", o canal esquerdo está para o canal direito: quer dizer, curvas de traçado próprio, e peculiares, e dessemelhantes.

É, o Filósofo Friedrich Engels acertou na mosca: “... o pensamento teórico levado até a sua conclusão lógica pode chegar regularmente ao contrário do seu ponto de partida".
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 09:47

Holbein Menezes escreveu:
Comentário III.

Faço todos os anos meus exames laboratoriais; completos, de A a Z; audiometria, including. Tenho aqui sobre a mesa os laudos audiométricos dos últimos cinco anos; dos dois ouvidos. Nenhum laudo exibe curva de percepção uma igual a outra; nenhum! Nem quanto de um ano para outro, nem em relação de um ouvido para o outro ouvido. Nenhuns.

Ora, os Técnicos e nós curiosos, os Engenheiros e nós leigos, porém ambos experimentadores, temos todos constatado que nem os amplificadores mono igualam-se quanto ao desempenho de seus (idênticos) circuitos, nem os amplificadores estéreos, um canal em vista do outro. É possível que os monofônicos apresentem mais diferenças nas medições do que os estéreos uma vez que possuem fontes próprias enquanto que nos estéreos a fonte é uma só.

Portanto, na minha leiga opinião não será pelo fato de eu usar, faz mais de dez anos (!) fases elétricas próprias para cada canal, não será por isso que o meu sistema venha a se comportar desbalanceado, e a correr riscos de dano conforme o Engenheiro Jorge Knirsch me preveniu certa vez; aliás, ele próprio quando esteve lá em casa na "sandfilled" na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, constatou que a separação do som reproduzido, por canal, torna-se mais bem demarcada com duas fases elétricas na alimentação do que com uma só, todas as demais condições mantidas sem alteração, é evidente.

Cáspite! Não estamos a tratar de absoluto desempenho absoluto dos dois canais na reprodução musical doméstica; ora, se nem meus dois quase seculares ouvidos desempenham semelhantes, pois!

Intrigado estou a olhar para os cinco laudos dos meus exames anuais de audiometria: um está para o outro assim como a curva de meus falantes "fullrange", o canal esquerdo está para o canal direito: quer dizer, curvas de traçado próprio, e peculiares, e dessemelhantes.

É, o Filósofo Friedrich Engels acertou na mosca: “... o pensamento teórico levado até a sua conclusão lógica pode chegar regularmente ao contrário do seu ponto de partida".

Bom dia Holbein,

Continuo a discordar deste seu ponto de vista.

Imagine que em vez do sistema de reprodução doméstica estamos a falar da vista da janela de uma sala na marginal de Copacabana voltada ao mar.
Agora coloque dentro dessa sala dois seres humanos.
Conforme afirma e muito bem, a capacidade de visão desses humanos não é igual, não só entre eles como cada olho dos quatro presentes na sala tem uma sensibilidade diferente, com diferenças que podem ser muito ténues ou mesmo acentuadas.
Mas esse é o instrumento sensitivo desses humanos, é assim que vêem o mundo, não conhecem outra realidade.
Por isso, se abrirmos a janela eles vêem a mesma coisa, independentemente de os olhos não estarem a captar de igual forma a imagem.
Agora fechemos a janela, que é em madeira e coloquemos no seu lugar um televisor que recebe a imagem correspondente àquela que se obtinha com a janela aberta.
Será que o facto de o televisor ter alterado algumas qualidades/características da imagem o que cada um vê reproduzido não é a mesma imagem?
Eu aposto que eles vêm a mesma coisa, pode é dar-se o caso dos seus cérebros perceberem a nova imagem de forma distinta porque o "gosto" entrou em acção e porque a audição deixou de participar no processo.

Ou seja, as características auditivas de cada audiófilo, distintas de um para outro e de ouvido para ouvido, em nada afectam a sua capacidade de determinar se um som reproduzido é igual à realidade.
Se em vez da vista colocássemos um violoncelo e dentro da sala um sistema de sonorização, com a janela aberta os dois homens escutariam um violoncelo e com ela fechada a reprodução de um violoncelo, com maior ou menor qualidade dependendo do desempenho do sistema de captação e reprodução.

Se o que o Holbein afirma fosse verdade para mim uma onça pintada poderia ser verde com pintas roxas, para o Paulo cinza com pintas castanhas, para o António preta e branca (ele acha que as coisas antigas é que são boas) e para o Holbein amarela com pintas pretas, o que não acontece na realidade.

Um abraço,
Ricardo


Última edição por ricardo onga-ku em Sab Fev 01 2014, 11:00, editado 5 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 10:01

ricardo onga-ku escreveu:
..para o António preta e branca (ele acha que as coisas antigas é que são boas)


Pequena correção. Eu acho que não é por ser mais moderno que é forçosamente melhor (falando de áudio).


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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 10:05

Estava só a meter-me contigo.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 10:07

ricardo onga-ku escreveu:
Estava só a meter-me contigo.


Eu sei.  smedley  Assim como sei que alguns CD e algum digital até é comestível.  lol! 

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 10:21

Coloquei este desenho (forma) da palavra REPRODUÇÃO (conteúdo) no digitalizador, criando desse modo um registo ou gravação.


Como essa gravação se encontra num suporte desmaterializado pode ser vista e lida por todos nós num monitor (reprodução virtual) ou até impressa numa folha por forma a obter uma reprodução física, um facsimile.

Algumas questões:

- qual é o equipamento que melhor reproduz virtualmente o meu desenho? E fisicamente?

- qual é o equipamento que melhor transmite o conteúdo (ou palavra)?

- qual material usado para colorir as letras?

Não será um com maior fidelidade ao sinal/gravação?

No primeiro caso parece-me óbvio que uma maior fidelidade às cores, uma maior definição e uma maior ausência de distorções permite a reprodução mais perfeita do original.
E no segundo caso (conteúdo)?

Aguardo os vossos comentários.



P.S.: tenho perfeita consciência de que um som é imensamente mais complexo (logo mais difícil de gravar e reproduzir) do que um desenho do ponto de vista da forma mas achei que este exemplo servia para ilustrar a minha ideia.
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 11:03


Engraçado, é justo isto: "Se o que o Holbein afirma fosse verdade para mim uma onça pintada poderia ser verde com pintas roxas, para o Paulo cinza com pintas castanhas, para o António preta e branca (ele acha que as coisas antigas é que são boas) e para o Holbein amarela com pintas pretas, o que não acontece na realidade.

Quatro profissionais entraram na floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro: um Engenheiro, um Empresário, um Pintor e um Poeta. Na presença daquela mágica de exuberância paradoxalmente plantada dentro de uma megalópole - e o Central Park de Nova Iorque que me perdoe - os quatro profissionais diante da mesma paisagem, "viram" a floresta assim:

- O Engenheiro: para construir uma estrada a ligar o Alto da Boa Vista à Barra da Tijuca quantas árvores eu teria que mandar cortar? E naquela cascatinha era preciso obstruir o veio d'água para dinamitar a rocha a fim ganhar lineamento etc.

- O Empresário: que beleza! se por metro quadrado de mata eu tenho um metro cúbico de madeira, quanto dinheiro eu ganharia se essa imensa floresta fosse minha!

- O Pintor: que efeito surpreendente a luz produz quando penetra por entre as copas das árvores: às vezes róseo, às vezes azulado quando a luz reflete na água da cascatinha, sob o efeito dos raios de sol a cor verde dos galhos das árvores ganha nuanças e matizes etc.

- O poeta:se há na Terra um Paraíso, encontrei-o!

Modun in rebus, dos quatro, quem "viu" de fato a Floresta da Tijuca?

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 11:11

Holbein Menezes escreveu:

Engraçado, é justo isto: "Se o que o Holbein afirma fosse verdade para mim uma onça pintada poderia ser verde com pintas roxas, para o Paulo cinza com pintas castanhas, para o António preta e branca (ele acha que as coisas antigas é que são boas) e para o Holbein amarela com pintas pretas, o que não acontece na realidade.

Quatro profissionais entraram na floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro: um Engenheiro, um Empresário, um Pintor e um Poeta. Na presença daquela mágica de exuberância paradoxalmente plantada dentro de uma megalópole - e o Central Park de Nova Iorque que me perdoe - os quatro profissionais diante da mesma paisagem, "viram" a floresta assim:

- O Engenheiro: para construir uma estrada a ligar o Alto da Boa Vista à Barra da Tijuca quantas árvores eu teria que mandar cortar? E naquela cascatinha era preciso obstruir o veio d'água para dinamitar a rocha a fim ganhar lineamento etc.

- O Empresário: que beleza! se por metro quadrado de mata eu tenho um metro cúbico de madeira, quanto dinheiro eu ganharia se essa imensa floresta fosse minha!

- O Pintor: que efeito surpreendente a luz produz quando penetra por entre as copas das árvores: às vezes róseo, às vezes azulado quando a luz reflete na água da cascatinha, sob o efeito dos raios de sol a cor verde dos galhos das árvores ganha nuanças e matizes etc.

- O poeta:se há na Terra um Paraíso, encontrei-o!

Modun in rebus, dos quatro, quem "viu" de fato a Floresta da Tijuca?


Ou seja, o problema não está nas diferenças de sensibilidade dos nossos sentidos mas na forma como o nosso cérebro interpreta a informação captada…

Será, afinal, Audiofilia a busca de um som agradável ou antes a tentativa de tornar a reprodução do registo de um evento musical numa ilusão mais credível?

No segundo caso isso só é, logicamente, possível se existir de facto um evento original, ou seja, um grupo de músicos a tocar em conjunto num ambiente com reverberação natural, o que exclui à partida quase todo o rock/pop e muito do jazz…
No caso do pop/rock temos mesmo muitas gravações compostas por diversas pistas mono onde a reverberação e a espacialidade são completamente inventadas na mesa de mistura.

Há também uma outra questão que me parece fulcral: muitas gravações apresentam deficiências graves ao nível do som (forma) e que resultam do mau posicionamento dos microfones, do fraco desempenho técnico dos equipamentos de captação, registo e mistura, da má acústica das salas, da masterização (adaptação da gravação ao suporte), de um equilíbrio tonal "errado", etc.; não será esta a principal razão que leva muitos audiófilos a "personalizar" o som dos seus sistemas?

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Pierre
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 11:50

ricardo onga-ku escreveu:
não será esta a principal razão que leva muitos audiófilos a "personalizar" o som dos seus sistemas?

R

É... cedo cheguei à conclusão que o termo audiófilo nunca será para malta dos Rock,s!
Veja-se, oiça-se, as inumeras gravações e masterizações neste género que nunca fará sentido o apuramento audiófilo.

Como exemplo de milhares, o famoso registo/album dos Velvet Underground "White Light White Heat" andaríamos em busca apurada de quê?
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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 12:33

Isto mesmo, Ricardo: " o problema não está nas diferenças de sensibilidade dos nossos sentidos mas na forma como o nosso cérebro interpreta a informação captada….

Ainda que a sensibilidade seja também expressão do trabalho do cérebro. A verdade maior é esta: no ser humano nada existe além do cérebro!

E por compreender assim tive e tenho o cuidado de sempre dizer "ilusão de palco", "ilusão de fidelidade" etc. Meu amigo, Dr. Victor Andrade, psicanalista e neurocientista escreveu em seu último livro, "Um diálogo entre a Psicanálise e a Neurociência"; escreveu: "Quando duas pessoas conversam, seus padrões já estão pré-fabricados em consequência de experiências anteriores."

E em outro trecho: "Às vezes a influência da expectativa em função do padrão anterior é tão grande, que a pessoa ouve o que já estava em sua mente, isto é, o que correspondia à sua expectativa, e não o que foi dito realmente."

Aliás, estou a escrever meu último livro que só deve ser editado (ou divulgado) depois de minha morte, a descrever o modo como eu vi o mundo no qual estou faz mais de noventa anos, e os muitos acontecimentos nos quais estive envolvido. À luz, portanto, das minhas expectativas e do meu aprendizado humano; quer dizer, ao sabor das minhas ilusões!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 12:35

ricardo onga-ku escreveu:




P.S.: tenho perfeita consciência de que um som é imensamente mais complexo (logo mais difícil de gravar e reproduzir) do que um desenho do ponto de vista da forma mas achei que este exemplo servia para ilustrar a minha ideia.



...e ainda mais complexo de se medir, digo eu.

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 12:47

Holbein Menezes escreveu:


Aliás, estou a escrever meu último livro que só deve ser editado (ou divulgado) depois de minha morte, a descrever o modo como eu vi o mundo no qual estou faz mais de noventa anos, e os muitos acontecimentos nos quais estive envolvido. À luz, portanto, das minhas expectativas e do meu aprendizado humano; quer dizer, ao sabor das minhas ilusões!


Qual depois, será em vida e bem em vida. E eu estou desde já comprador.   

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 13:09

António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:




P.S.: tenho perfeita consciência de que um som é imensamente mais complexo (logo mais difícil de gravar e reproduzir) do que um desenho do ponto de vista da forma mas achei que este exemplo servia para ilustrar a minha ideia.



...e ainda mais complexo de se medir, digo eu.

Cada medição refere-se a um único parâmetro, a uma característica específica do desempenho e quando vista isoladamente não é representativa do todo.

Num outro tópico falei do TIM (distorção de intermodulação transitória).
Há alguns anos, muitos audiófilos queixavam-se que os amplificadores a transístores soavam mal.
Mas não se sabia porquê, nem mesmo os técnicos.
Alguns, mais arrogante, afirmaram que não existia qualquer problema mas outros procuraram a causa do problema e nos anos 70 Matti Otala apresentou a explicação técnica e a solução para o problema que resultava afinal do uso excessivo de realimentação negativa.

Este exemplo é a prova de que as medições e a escuta são ambas importantes para o desenvolvimento técnico.

As medições são as ferramentas que permitem quantificar parâmetros específicos, depois temos as medidas ou valores alvo, e são essas que por vezes dão azo a algum confronto de perspectivas, com audiófilos firmemente entrincheirados em posições extremas.

Penso que as medições são importantes na fase de desenvolvimento e concepção e eventualmente de avaliação técnica, mas mesmo para aqueles que preferem um som "colorido", por exemplo um "cheirinho de 2ª harmónica" na amplificação ou uma ligeira atenuação na gama da "presença" da resposta de frequências de umas colunas, as medições podem ser úteis.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 13:15

ricardo onga-ku escreveu:
António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:




P.S.: tenho perfeita consciência de que um som é imensamente mais complexo (logo mais difícil de gravar e reproduzir) do que um desenho do ponto de vista da forma mas achei que este exemplo servia para ilustrar a minha ideia.



...e ainda mais complexo de se medir, digo eu.

Cada medição refere-se a um único parâmetro, a uma característica específica do desempenho e quando vista isoladamente não é representativa do todo.

Num outro tópico falei do TIM (distorção de intermodulação transitória).
Há alguns anos, muitos audiófilos queixavam-se que os amplificadores a transístores soavam mal.
Mas não se sabia porquê, nem mesmo os técnicos.
Alguns, mais arrogante, afirmaram que não existia qualquer problema mas outros procuraram a causa do problema e nos anos 70 Matti Otala apresentou a explicação técnica e a solução para o problema que resultava afinal do uso excessivo de realimentação negativa.

Este exemplo é a prova de que as medições e a escuta são ambas importantes para o desenvolvimento técnico.

As medições são as ferramentas que permitem quantificar parâmetros específicos, depois temos as medidas ou valores alvo, e são essas que por vezes dão azo a algum confronto de perspectivas, com audiófilos firmemente entrincheirados em posições extremas.

Penso que as medições são importantes na fase de desenvolvimento e concepção e eventualmente de avaliação técnica, mas mesmo para aqueles que preferem um som "colorido", por exemplo um "cheirinho de 2ª harmónica" na amplificação ou uma ligeira atenuação na gama da "presença" da resposta de frequências de umas colunas, as medições podem ser úteis.



Concordo com este teu resumo.

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 15:52

ricardo onga-ku escreveu:
...
Há também uma outra questão que me parece fulcral: muitas gravações apresentam deficiências graves ao nível do som (forma) e que resultam do mau posicionamento dos microfones, do fraco desempenho técnico dos equipamentos de captação, registo e mistura, da má acústica das salas, da masterização (adaptação da gravação ao suporte), de um equilíbrio tonal "errado", etc.; não será esta a principal razão que leva muitos audiófilos a "personalizar" o som dos seus sistemas?
...

Não!!!... a principal razão que conduz os audiofilos a "personalisar" os aparelhos, é o facto que gostam de brincar com o som e com os aparelhos (é por isso que se tornam audiofilos...), mas tomam como desculpa e alibi a musica na sua globalidade. Todos os meus amigos são audiofilos, e tenho uns quantos (sou um homém de sorte). Não se passa uma semana, sém que tenham mexido em qualquer coisa no sistema deles e avançado ou recuado à escuta, segundo o que eles dizem. Eu, deve fazer alguns anos que não toquei em nada, mesmos aparelhos, cabos, moveis e sala!!!... e cada semana eles téem a impressão que na minha casa soa melhor!!!... tàs a ver, não tém nada a ver com as gravações, ném com nada de "audiofilo"!!!...

Pierre escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
não será esta a principal razão que leva muitos audiófilos a "personalizar" o som dos seus sistemas?
...
É... cedo cheguei à conclusão que o termo audiófilo nunca será para malta dos Rock,s!
Veja-se, oiça-se, as inumeras gravações e masterizações neste género que nunca fará sentido o apuramento audiófilo.
...

Amigo Pierre, então a audiofilia não serve para o Rock ???... estou em desacordo total, ou quase!!!... pois se o Rock exige menos subtilidade na reprodução, é preciso ver que uma aparelhagem (mesmo a melhor) é estupida!... e ela não sabe o que é a musica, e é incapaz de fazer a diferença entre um violino do Guarnieri e uma Fender Telecaster!... a partir dai é a reprodução sonora que nos interessa e não o tipo de musica. quando ouço Monteverdi, quero ouvir o timbre luminoso/agreste de uma viola de gamba com cordas em tripa de gato, que tém um timbre muito complexo!!!... mas quando escuto "Let it bleed", quero ouvir também a Gibson Lespaul, com o timbre potente/rouco/sujo que lhe é pessoal, e com igual respeito. Então não tenho outra alternativa, que ter um grande e verdadeiro "sistema audiofilo", para a musica em geral!!!

Holbein Menezes escreveu:
...

Ainda que a sensibilidade seja também expressão do trabalho do cérebro. A verdade maior é esta: no ser humano nada existe além do cérebro!...

Infelismente!!!...

Até+
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 16:09

TD124 escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
...
Há também uma outra questão que me parece fulcral: muitas gravações apresentam deficiências graves ao nível do som (forma) e que resultam do mau posicionamento dos microfones, do fraco desempenho técnico dos equipamentos de captação, registo e mistura, da má acústica das salas, da masterização (adaptação da gravação ao suporte), de um equilíbrio tonal "errado", etc.; não será esta a principal razão que leva muitos audiófilos a "personalizar" o som dos seus sistemas?
...

Não!!!... a principal razão que conduz os audiofilos a "personalisar" os aparelhos, é o facto que gostam de brincar com o som e com os aparelhos (é por isso que se tornam audiofilos...), mas tomam como desculpa e alibi a musica na sua globalidade. Todos os meus amigos são audiofilos, e tenho uns quantos (sou um homém de sorte). Não se passa uma semana, sém que tenham mexido em qualquer coisa no sistema deles e avançado ou recuado à escuta, segundo o que eles dizem. Eu, deve fazer alguns anos que não toquei em nada, mesmos aparelhos, cabos, moveis e sala!!!... e cada semana eles téem a impressão que na minha casa soa melhor!!!... tàs a ver, não tém nada a ver com as gravações, ném com nada de "audiofilo"!!!...

Estás a contradizer-te, e no entanto concordo contigo.

Contradizes-te porque (se bem percebo) primeiro afirmas que os audiófilos não personalizam o som dos seus sistemas (não falei em equipamentos mas no som que estes produzem) devido ao mau som da maioria das gravações mas porque gostam de brincar com os aparelhos e rematas dizendo que isso nada tem de audiófilo.

Mas eu concordo que brincar com os aparelhos nada tem de audiófilo, excepto quando as alterações são inteligentes e procuram resolver um problema previamente identificado.

Para terminar, deixa-me dizer-te que tenho mais sorte que tu pois dos poucos amigos que tenho só um par deles é que se pode classificar de doido, perdão audiófilo (é assim que sou visto pelos restantes e eu nem sou dos piores).

Um abraço,
Ricardo
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 16:26

ricardo onga-ku escreveu:
...
Estás a contradizer-te, e no entanto concordo contigo.
...
Um abraço,
Ricardo

Tu compreendeste o que quiz dizer!... eu não quiz dizer que eles não "personalisam", o que quiz dizer é que eles "personalisam": mais por gosto de mudança e de mexer na coisa,... do que verdadeiramente para compensar defeitos dos discos, ou da reprodução!!!... é tudo, e acredito nisto pois é o que vejo todos os dias com os meus amigos!!!...

Até+

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 16:53

Por que "infelizmente", meu Amigo Paulo Marcelo? O que pode trazer de infelicidade o fato de o cérebro humano ser responsável por nossos sentimentos? Se tudo em nós, fala, visão, olfato, paladar e tato - só para mencionar nossos órgãos analisadores - todos dependem do funcionamento do cérebro!

Não é que o cérebro faça todo o trabalho do órgão da visão, não é isso - hoje aos noventa anos leio e escrevo sem óculos porque... pois é, porque numa pequena cirurgia troquei o cristalino (parte lenticular (biconvexa) e transparente do olho, entre o corpo vítreo e a câmara anterior, atuando como um dos componentes do mecanismo de refração), troquei o cristalino original de ambos os olhos por lentes industriais.

Pois. Não foi preciso mexer no meu cérebro (em qualquer escaninho do córtex, para eu voltar a enxergar bem. Foi aquilo que seu português afrancesado cunhou como complementaridade.(Não tome meu "afrancesado" como uma crítica sutil ao seu português; que não é, absolutamente. É mais o modo de como vejo o mundo: assim como nós vivemos, pensamos e escrevemos. Pudera! muitos anos em França, né?)

Assim, pois, os ouvidos. Se meu cérebro é responsável pelas sensações do meu ouvir, e é, basta porém que o cerume que meus ouvidos fabricam aos "quilos", e minha audição baixa em qualidade; por isso, duas vezes por ano tenho que ir ao otorrinolaringologista (ufa! parece até palavra em alemão! 22 letras com 12 consoantes! Camões há de se virar no túmulo diante dessa agressão à última Flor do Lácio), ir ao otorrino (ah! bem melhor!) para lavar os ouvidos internos. E aí é a glória, ouço até o que não está no disco... merde passo também a ouvir o ruído da rua...

Cáspite! É a lei marxista assim como o homem vive ele pensa, e ouve...
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 17:43

Holbein Menezes escreveu:
Assim, pois, os ouvidos. Se meu cérebro é responsável pelas sensações do meu ouvir, e é, basta porém que o cerume que meus ouvidos fabricam aos "quilos", e minha audição baixa em qualidade; por isso, duas vezes por ano tenho que ir ao otorrinolaringologista (ufa! parece até palavra em alemão! 22 letras com 12 consoantes! Camões há de se virar no túmulo diante dessa agressão à última Flor do Lácio), ir ao otorrino (ah! bem melhor!) para lavar os ouvidos internos. E aí é a glória, ouço até o que não está no disco... merde passo também a ouvir o ruído da rua...

Conheço perfeitamente essa sensação de retirar os algodões dos ouvidos e ficar a ouvir o colarinho da camisa a roçar no pescoço durante mais de meia hora…

Mas quando tudo volta ao normal percebo, porque o meu ouvido esquerdo fica obstruído no espaço de 18 meses, que afinal a coluna esquerda não está a tocar mais baixo e menos agudo do que a direita.
Maldito canal estreito e tortuoso, incapaz de suportar a minha extraordinária produção de cerúmen.

Continuando neste tema algo indecoroso, gostava de relatar um acidente de que fui vítima numa tarde quente de verão.
Estava eu descansado a trabalhar ao computador, com as janelas abertas para aproveitar a brisa que se fazia sentir na altura, e às tantas entrou-me um insecto pelo ouvido. O bicho, certamente assustado com a superfície pegajosa do ouvido batia as asas descontroladamente e o ruído que produzia era assombroso, tanto pelo volume como pela estranheza do som, de tal forma que corri para o quarto de banho e encostei o chuveiro ao ouvido sem saber de que insecto se tratava ou sequer tirar a camisa, até o ver cair no fundo da banheira. Confesso que se tratou de uma experiência bastante aterradora.
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 17:46

Seu assassino.  lol! 

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 17:54

Parecia que estava a viver um filme de terror.
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 01 2014, 17:55

ricardo onga-ku escreveu:
Parecia que estava a viver um filme de terror.


Acredito, porra.  affraid 

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Dom Fev 02 2014, 13:34

Comentário IV.

Sou um macróbio. Uma das atitudes própria dos macróbios é cismar: lobrigar o vago, vagabundo que é, e cismar; olhar para o vazio e buscar a explicação desse sem-nada; porque aprendeu que num mundo caótico, a razão pode vir a ser a desrazão; posto que a necessidade é inerente ao acaso. Sou um cismarento de carteirinha, com certeza!

Tenho constatado que cabos alteram, não o som, mas o caráter do som. Como assim? Ora, o som musical é um som complexo, com características especiais; características especiais que se manifestam em forma de musicalidade; e musicalidade não é apenas as fundamentais dos tons, é, sobretudo e dominantemente, os harmônicos dos tons. Um Fá é um som sem caráter; porém um tom Fá e seus harmônicos, isso já é um som musical.

Dia desses fiz experiências com tons fundamentais sem harmônicos, tipo os tons produzidos por geradores de sinais; e troquei mais de meia dúzia de cabos: comprados ("The First" van den Hul e "Golden" do Cardas) e os "home made" (Arataca e Pau-de-Arara); o espectro, de 20 a 20KHz, não se alterou em nada. Aí fui para a audição de piano solo, instrumento que percorre a faixa de frequência de 27,5 Hz (o Lá-0, última tecla à esquerda de um moderno piano de concerto) até a frequência de 4.186 Hz (o Dó-7, última tecla à direita). Então constatei diferenças no caráter dos tons quando cambiava um cabo por outro. Por quê?

Tenho um palpite que até por ser "infeliz" (não é Noel Rosa?). As diferenças observadas devem ser causadas pelo comportamento dos harmônicos dos tons do piano; ou seja, um dado cabo pode favorecer mais um dado harmônico dos tons, a criar d'estarte diferenças tímbricas; e timbre é essencialidade musical! Os humanos não sentimos prazer pela escuta das fundamentais dos tons e sim o prazer é desencadeado na escuta dos harmônicos dos tons, que é música!

Ou seja, um cabo que favorecer os harmônicos do Dó-central do piano, isto é, fundamental em 261 Hz, esse cabo determinará que o harmônico dominante (que não sei qual é no Dó-central do piano) chegue-nos aos ouvidos com um certo prazer (ou desprazer); porém outro cabo, que favoreça diferente tal harmônico dominante, gerará sonoridade diferente, que poderemos gostar ou não.

Será essa a dialética do fenômeno dos cabos de interconexão?

Como não sei a resposta, quedo-me a observar o vazio do horizonte azul sem nuvens desse Ceará sem chuvas, e cismo e cismo e cismo... cismarento que sou.
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Dom Fev 02 2014, 13:51

Holbein Menezes escreveu:
Comentário IV.

Sou um macróbio. Uma das atitudes própria dos macróbios é cismar: lobrigar o vago, vagabundo que é, e cismar; olhar para o vazio e buscar a explicação desse sem-nada; porque aprendeu que num mundo caótico, a razão pode vir a ser a desrazão; posto que a necessidade é inerente ao acaso. Sou um cismarento de carteirinha, com certeza!

Tenho constatado que cabos alteram, não o som, mas o caráter do som. Como assim? Ora, o som musical é um som complexo, com características especiais; características especiais que se manifestam em forma de musicalidade; e musicalidade não é apenas as fundamentais dos tons, é, sobretudo e dominantemente, os harmônicos dos tons. Um Fá é um som sem caráter; porém um tom Fá e seus harmônicos, isso já é um som musical.

Dia desses fiz experiências com tons fundamentais sem harmônicos, tipo os tons produzidos por geradores de sinais; e troquei mais de meia dúzia de cabos: comprados ("The First" van den Hul e "Golden" do Cardas) e os "home made" (Arataca e Pau-de-Arara); o espectro, de 20 a 20KHz, não se alterou em nada. Aí fui para a audição de piano solo, instrumento que percorre a faixa de frequência de 27,5 Hz (o Lá-0, última tecla à esquerda de um moderno piano de concerto) até a frequência de 4.186 Hz (o Dó-7, última tecla à direita). Então constatei diferenças no caráter dos tons quando cambiava um cabo por outro. Por quê?

Tenho um palpite que até por ser "infeliz" (não é Noel Rosa?). As diferenças observadas devem ser causadas pelo comportamento dos harmônicos dos tons do piano; ou seja, um dado cabo pode favorecer mais um dado harmônico dos tons, a criar d'estarte diferenças tímbricas; e timbre é essencialidade musical! Os humanos não sentimos prazer pela escuta das fundamentais dos tons e sim o prazer é desencadeado na escuta dos harmônicos dos tons, que é música!

Ou seja, um cabo que favorecer os harmônicos do Dó-central do piano, isto é, fundamental em 261 Hz, esse cabo determinará que o harmônico dominante (que não sei qual é no Dó-central do piano) chegue-nos aos ouvidos com um certo prazer (ou desprazer); porém outro cabo, que favoreça diferente tal harmônico dominante, gerará sonoridade diferente, que poderemos gostar ou não.

Será essa a dialética do fenômeno dos cabos de interconexão?

Como não sei a resposta, quedo-me a observar o vazio do horizonte azul sem nuvens desse Ceará sem chuvas, e cismo e cismo e cismo... cismarento que sou.


O som é realmente algo de muito complexo, ambíguo nas medições e subjetivo na audição.
Quanto aos cabos, reconheço que a minha dureza de ouvido não lhes reconhecem as diferenças que poderão existir, o que me poupa muito trabalho.  

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Dom Fev 02 2014, 15:17

Holbein Menezes escreveu:
Comentário IV.
...
Tenho constatado que cabos alteram, não o som, mas o caráter do som. ...

Será essa a dialética do fenômeno dos cabos de interconexão?

Como não sei a resposta, quedo-me a observar o vazio do horizonte azul sem nuvens desse Ceará sem chuvas, e cismo e cismo e cismo... cismarento que sou.

Està bem dito!... gostei da expressão utilisada... quanto ao cismar!!!... vai ter muito a cismar amigo Holbein, pois se hà um fenomeno intrigante e sem explicação (aparente) é bem esse!!!

Abraço

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Dom Fev 02 2014, 16:23

A propósito de Timbre

Segundo o dicionário Michaelis, Timbre é um substantivo masculino (do francês timbre) e tem os seguintes significados:
- Insígnia que se coloca sobre o escudo de armas para designar os graus de fidalguia.
- Divisa de honra.
- Emblema, sinal, marca, impressos no alto de papel de cartas, envelopes, notas etc., com indicação do nome e endereço do emitente.
- Sinete, carimbo, selo.
- (Mús) Qualidade que distingue um som, independentemente de sua altura ou intensidade.


De acordo com a Wikipédia, aquilo que permite ao ouvido diferenciar os dois sons e identificar sua fonte é a forma da onda e seu envelope sonoro.

Forma de onda
Quando uma corda, uma membrana, um tubo ou qualquer outro objeto capaz de produzir sons entra em vibração, uma série de ondas senoidais é produzida. Além da frequência fundamental, que define a nota, várias freqüências harmônicas também soam. O primeiro harmônico de qualquer nota tem o dobro de sua freqüência; o segundo harmônico tem o triplo de sua freqüência e assim por diante. Qualquer corpo em vibração produz dezenas de freqüências harmônicas que soam simultaneamente à nota fundamental. No entanto o ouvido humano não é capaz de ouvir os harmônicos com freqüencia superior a 20000Hz. Além disso, devido às características de cada instrumento ou da forma como a nota foi obtida, alguns dos harmônicos menores e audíveis possuem amplitude diferente de um instrumento para outro.
Se somarmos a amplitude da freqüência fundamental às amplitudes dos harmônicos, a forma de onda resultante não é mais senoidal, mas sim uma onda irregular cheia de cristas e vales. Como a combinação exata de amplitudes depende das características de cada instrumento, suas formas de onda também são muito distintas entre si. Veja os exemplos abaixo:


Forma de onda produzida por uma flauta


Forma de onda produzida por um xilofone.
Note que no início da nota (ataque), a onda possui muito mais harmônicos, que se devem à batida pela baqueta.
Depois disso, a forma de onda é resultado somente da vibração da madeira

Envelope sonoro
Não é só a forma de onda que define que um som é produzido por determinado instrumento, mas também a forma como o som se inicia, se mantém e termina ao longo do tempo. Esta característica é chamada envelope sonoro.


Ainda que as formas de onda de dois instrumentos sejam muito parecidas, ainda poderíamos distingui-las pelo seu envelope. O envelope é composto basicamente de quatro momentos: Ataque, decaimento, sustentação e relaxamento. Este perfil, conhecido como envelope ADSR, é mostrado abaixo:


Formas Onda

A imagem acima mostra o envelope característico de três instrumentos. O é de uma tabla, espécie de tambor da Índia. Veja como o som surge quase instantaneamente após a percussão da pele pelas mãos do executante e como cada nota tem uma duração muito curta. A onda mostra três notas produzidas por uma trompa. Aqui a nota se inicia com um aumento mais gradual de intensidade, sofre um pequeno decaimento após o início da nota e dura todo o tempo em que o trompista mantém o sopro, desaparecendo de forma bastante rápida ao final das notas. O exemplo mostra uma longa nota produzida por uma flauta. O som surge muito suavemente, mantém-se com amplitude quase constante e depois desaparece lentamente. Vejamos com mais detalhes cada um dos momentos presentes nestes exemplos:

Ataque: é o início de cada nota musical. Em um instrumento de corda tocado com arco, o som surge e aumenta lentamente de intensidade, assim como no exemplo da flauta. Se a mesma corda for percutida o som surgirá muito rapidamente e com intensidade alta. Dependendo do instrumento, o ataque pode durar de alguns centésimos de segundo até mais de um segundo.

Decaimento: em alguns instrumentos, após o ataque o som sofre um decaimento de intensidade antes de se estabilizar. Em um instrumento de sopro, por exemplo, isso pode se dever à força inicial necessária para colocar a palheta em vibração, após o que a força para manter a nota soando é menor. Normalmente dura apenas de alguns centésimos a menos de um décimo de segundo. Nos exemplos mostrados, o decaimento é claramente perceptível nas notas da tabla e levemente na segunda nota da trompa.

Sustentação: corresponde ao tempo de duração da nota musical. Na maior parte dos instrumentos este tempo pode ser controlado pelo executante. Durante este tempo a intensidade é mantida no mesmo nível, como as notas da trompa e da flauta na imagem. Alguns instrumentos (principalmente os de percussão) não permitem controlar este tempo. Em alguns casos o som nem chega a se sustentar e o decaimento inicial já leva o som diretamente ao seu desaparecimento, como na tabla.

Relaxamento: final da nota, quando a intensidade sonora diminui até desaparecer completamente. Pode ser muito brusco, como em um instrumento de sopro, quando o instrumentista corta o fluxo de ar, ou muito lento, como em um gongo ou um piano com o pedal de sustentação acionado. Na imagem acima, a nota da flauta tem um final suave devido à reverberação da sala onde a música foi executada, que fez o som permanecer ainda por um tempo, mesmo após o término do sopro.

A combinação entre os tempos de ataque, decaimento, sustentação e relaxamento é tão importante para permitir reconhecer o timbre de um instrumento, que em alguns casos usa-se um sintetizador ou sampler para alterar estes tempos e criar timbres totalmente novos a partir do som de instrumentos conhecidos.


ADSR - Ataque, Decaimento, Sustentação e Relaxamento


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