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 Reflexões de H. M.

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Dom Fev 02 2014, 16:23

A propósito de Timbre

Segundo o dicionário Michaelis, Timbre é um substantivo masculino (do francês timbre) e tem os seguintes significados:
- Insígnia que se coloca sobre o escudo de armas para designar os graus de fidalguia.
- Divisa de honra.
- Emblema, sinal, marca, impressos no alto de papel de cartas, envelopes, notas etc., com indicação do nome e endereço do emitente.
- Sinete, carimbo, selo.
- (Mús) Qualidade que distingue um som, independentemente de sua altura ou intensidade.


De acordo com a Wikipédia, aquilo que permite ao ouvido diferenciar os dois sons e identificar sua fonte é a forma da onda e seu envelope sonoro.

Forma de onda
Quando uma corda, uma membrana, um tubo ou qualquer outro objeto capaz de produzir sons entra em vibração, uma série de ondas senoidais é produzida. Além da frequência fundamental, que define a nota, várias freqüências harmônicas também soam. O primeiro harmônico de qualquer nota tem o dobro de sua freqüência; o segundo harmônico tem o triplo de sua freqüência e assim por diante. Qualquer corpo em vibração produz dezenas de freqüências harmônicas que soam simultaneamente à nota fundamental. No entanto o ouvido humano não é capaz de ouvir os harmônicos com freqüencia superior a 20000Hz. Além disso, devido às características de cada instrumento ou da forma como a nota foi obtida, alguns dos harmônicos menores e audíveis possuem amplitude diferente de um instrumento para outro.
Se somarmos a amplitude da freqüência fundamental às amplitudes dos harmônicos, a forma de onda resultante não é mais senoidal, mas sim uma onda irregular cheia de cristas e vales. Como a combinação exata de amplitudes depende das características de cada instrumento, suas formas de onda também são muito distintas entre si. Veja os exemplos abaixo:


Forma de onda produzida por uma flauta


Forma de onda produzida por um xilofone.
Note que no início da nota (ataque), a onda possui muito mais harmônicos, que se devem à batida pela baqueta.
Depois disso, a forma de onda é resultado somente da vibração da madeira

Envelope sonoro
Não é só a forma de onda que define que um som é produzido por determinado instrumento, mas também a forma como o som se inicia, se mantém e termina ao longo do tempo. Esta característica é chamada envelope sonoro.


Ainda que as formas de onda de dois instrumentos sejam muito parecidas, ainda poderíamos distingui-las pelo seu envelope. O envelope é composto basicamente de quatro momentos: Ataque, decaimento, sustentação e relaxamento. Este perfil, conhecido como envelope ADSR, é mostrado abaixo:


Formas Onda

A imagem acima mostra o envelope característico de três instrumentos. O é de uma tabla, espécie de tambor da Índia. Veja como o som surge quase instantaneamente após a percussão da pele pelas mãos do executante e como cada nota tem uma duração muito curta. A onda mostra três notas produzidas por uma trompa. Aqui a nota se inicia com um aumento mais gradual de intensidade, sofre um pequeno decaimento após o início da nota e dura todo o tempo em que o trompista mantém o sopro, desaparecendo de forma bastante rápida ao final das notas. O exemplo mostra uma longa nota produzida por uma flauta. O som surge muito suavemente, mantém-se com amplitude quase constante e depois desaparece lentamente. Vejamos com mais detalhes cada um dos momentos presentes nestes exemplos:

Ataque: é o início de cada nota musical. Em um instrumento de corda tocado com arco, o som surge e aumenta lentamente de intensidade, assim como no exemplo da flauta. Se a mesma corda for percutida o som surgirá muito rapidamente e com intensidade alta. Dependendo do instrumento, o ataque pode durar de alguns centésimos de segundo até mais de um segundo.

Decaimento: em alguns instrumentos, após o ataque o som sofre um decaimento de intensidade antes de se estabilizar. Em um instrumento de sopro, por exemplo, isso pode se dever à força inicial necessária para colocar a palheta em vibração, após o que a força para manter a nota soando é menor. Normalmente dura apenas de alguns centésimos a menos de um décimo de segundo. Nos exemplos mostrados, o decaimento é claramente perceptível nas notas da tabla e levemente na segunda nota da trompa.

Sustentação: corresponde ao tempo de duração da nota musical. Na maior parte dos instrumentos este tempo pode ser controlado pelo executante. Durante este tempo a intensidade é mantida no mesmo nível, como as notas da trompa e da flauta na imagem. Alguns instrumentos (principalmente os de percussão) não permitem controlar este tempo. Em alguns casos o som nem chega a se sustentar e o decaimento inicial já leva o som diretamente ao seu desaparecimento, como na tabla.

Relaxamento: final da nota, quando a intensidade sonora diminui até desaparecer completamente. Pode ser muito brusco, como em um instrumento de sopro, quando o instrumentista corta o fluxo de ar, ou muito lento, como em um gongo ou um piano com o pedal de sustentação acionado. Na imagem acima, a nota da flauta tem um final suave devido à reverberação da sala onde a música foi executada, que fez o som permanecer ainda por um tempo, mesmo após o término do sopro.

A combinação entre os tempos de ataque, decaimento, sustentação e relaxamento é tão importante para permitir reconhecer o timbre de um instrumento, que em alguns casos usa-se um sintetizador ou sampler para alterar estes tempos e criar timbres totalmente novos a partir do som de instrumentos conhecidos.


ADSR - Ataque, Decaimento, Sustentação e Relaxamento


Última edição por ricardo onga-ku em Dom Fev 02 2014, 18:24, editado 3 vez(es)
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Dom Fev 02 2014, 16:23





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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Dom Fev 02 2014, 18:54

ricardo onga-ku escreveu:
A propósito de Timbre

...

È sempre bom, de recordar as bases...

Abraço

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Dom Fev 02 2014, 22:39

Holbein Menezes escreveu:
Comentário IV.

Sou um macróbio. Uma das atitudes própria dos macróbios é cismar: lobrigar o vago, vagabundo que é, e cismar; olhar para o vazio e buscar a explicação desse sem-nada; porque aprendeu que num mundo caótico, a razão pode vir a ser a desrazão; posto que a necessidade é inerente ao acaso. Sou um cismarento de carteirinha, com certeza!

Tenho constatado que cabos alteram, não o som, mas o caráter do som. Como assim? Ora, o som musical é um som complexo, com características especiais; características especiais que se manifestam em forma de musicalidade; e musicalidade não é apenas as fundamentais dos tons, é, sobretudo e dominantemente, os harmônicos dos tons. Um Fá é um som sem caráter; porém um tom Fá e seus harmônicos, isso já é um som musical.

Dia desses fiz experiências com tons fundamentais sem harmônicos, tipo os tons produzidos por geradores de sinais; e troquei mais de meia dúzia de cabos: comprados ("The First" van den Hul e "Golden" do Cardas) e os "home made" (Arataca e Pau-de-Arara); o espectro, de 20 a 20KHz, não se alterou em nada. Aí fui para a audição de piano solo, instrumento que percorre a faixa de frequência de 27,5 Hz (o Lá-0, última tecla à esquerda de um moderno piano de concerto) até a frequência de 4.186 Hz (o Dó-7, última tecla à direita). Então constatei diferenças no caráter dos tons quando cambiava um cabo por outro. Por quê?

Tenho um palpite que até por ser "infeliz" (não é Noel Rosa?). As diferenças observadas devem ser causadas pelo comportamento dos harmônicos dos tons do piano; ou seja, um dado cabo pode favorecer mais um dado harmônico dos tons, a criar d'estarte diferenças tímbricas; e timbre é essencialidade musical! Os humanos não sentimos prazer pela escuta das fundamentais dos tons e sim o prazer é desencadeado na escuta dos harmônicos dos tons, que é música!

Ou seja, um cabo que favorecer os harmônicos do Dó-central do piano, isto é, fundamental em 261 Hz, esse cabo determinará que o harmônico dominante (que não sei qual é no Dó-central do piano) chegue-nos aos ouvidos com um certo prazer (ou desprazer); porém outro cabo, que favoreça diferente tal harmônico dominante, gerará sonoridade diferente, que poderemos gostar ou não.

Será essa a dialética do fenômeno dos cabos de interconexão?

Como não sei a resposta, quedo-me a observar o vazio do horizonte azul sem nuvens desse Ceará sem chuvas, e cismo e cismo e cismo... cismarento que sou.

Boa noite Holbein,

Confesso que não compreendo muito bem a mecânica dos harmónicos em reprodução.
Não sei até que ponto eles fazem ou não parte do sinal registado no suporte, se são mascarados pelas deficiências de alguns equipamentos e acessórios e revelados por outros, ou se resultam simplesmente de distorção harmónica (par, de baixa ordem?) produzida por uns e não por outros elementos do nosso sistema.

O que é certo é que muita gente aprecia essa característica (maior riqueza harmónica) nos amplificadores a válvulas que "coloram" o som.
Se não estou em erro essas distorções foram apelidadas pelo Jean Hiraga de "eufónicas", e segundo a Stereophile Hiraga "sustentou que não era a quantidade de distorção não-linear de um amplificador que determinava a sua pegada sonora mas a sua qualidade, não o nível absoluto da distorção mas o seu padrão".
Talvez o Paulo tenha em sua posse esses artigos — "Can We Hear Connecting Wires?" e "Amplifier Musicality" — para que possamos mergulhar mais fundo no ponto de vista do seu amigo.

Os anglófonos utilizam os termos "dry"/"wet" (seco/húmido) para caracterizar essa dualidade do som, tanto em audiofilia como no meio do som profissional.
Por exemplo:
- o glossário da revista Sound On Sound descreve o termo seco como referente a um sinal ao qual não foram adicionados efeitos
- na revista Stereophile dizem que se refere a um espaço com reverberação insuficiente;
- no site do fabricante de equipamentos profissionais Rane acrescentam ainda que dry significa também um sinal sem reverberação

Será que existe uma relação entre reverberação e riqueza harmónica?

Na minha experiência há gravações de música erudita nitidamente mais "pobres" em reverberação, onde parece que escutamos apenas o "esqueleto" dos sons, desprovido da "carne" que lhes dá "cor(po)".
Em algumas delas isso deve-se ao mau posicionamento dos microfones e/ou a um equilíbrio tonal deficiente, noutras possivelmente ao carácter acústico do espaço onde teve lugar o evento musical.

Se olharmos para a reprodução doméstica mais como um veículo para a apreciação musical do que como um instrumento de carácter documental sinto-me tentado a concordar que pode fazer sentido trilhar esse caminho da busca por um sistema mais "expressivo"…
Mas as minhas (reduzidas, confesso) experiências, até hoje, ainda não se mostraram satisfatórias.

Um abraço,
Ricardo
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Dom Fev 02 2014, 23:54

Por falar em amigos, o Holbein tem ou teve um amplificador da Audiopax; esse amplificador tem o Timbre Lock (controle do espectro de distorção)?
Chegou a abordar o assunto com o Eduardo de Lima?

Parece-me uma ideia que vai muito de encontro à "filosofia" do Jean Hiraga.
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Seg Fev 03 2014, 08:31

ricardo onga-ku escreveu:
...

Não sei até que ponto eles fazem ou não parte do sinal registado no suporte, se são mascarados pelas deficiências de alguns equipamentos e acessórios e revelados por outros, ou se resultam simplesmente de distorção harmónica (par, de baixa ordem?) produzida por uns e não por outros elementos do nosso sistema.

Os harmonicos na natureza, fazem parte como explicaste do timbre, mas na reprodução eles fazem parte da distorção. A distorção começa com a gravação, pois os microfonos vão adicionar e todos os elementos da cadeia também!... então no disco jà existe, a coloração da realidade pelo material de gravação, à qual vai se juntar a coloração do material de reprodução, evidentemente...

O que é certo é que muita gente aprecia essa característica (maior riqueza harmónica) nos amplificadores a válvulas que "coloram" o som.
Se não estou em erro essas distorções foram apelidadas pelo Jean Hiraga de "eufónicas", e segundo a Stereophile Hiraga "sustentou que não era a quantidade de distorção não-linear de um amplificador que determinava a sua pegada sonora mas a sua qualidade, não o nível absoluto da distorção mas o seu padrão".
Talvez o Paulo tenha em sua posse esses artigos — "Can We Hear Connecting Wires?" e "Amplifier Musicality" — para que possamos mergulhar mais fundo no ponto de vista do seu amigo.

Tu puseste o "link" para consultar a revista L'Audiophile num outro topico. Os artigos originais foram apresentados na revista, na primeira série... se não me engano

...

Será que existe uma relação entre reverberação e riqueza harmónica?

Por efeito de "mascara", a reverberação cobre e enche o espaço vazio (não reproduzido) pelos nossos sistemas. Certos harmonicos (timbre), estão a niveis muito baixos em relação ao fundamental, e entram na zona de "reprodução impossivel"!!!... esta zona é delimitada pela energia minima, para pôr o altifalante em movimento, e quando o sinal é inferior a esse limite, o altifalante não mexe, então não hà reprodução, o que cria uma zona "vazia", à qual o ouvido é sensivel... a reverberação vém enxê-lo e pareçe soar melhor!... mas é um fenomeno complexo e com repercussões tremendas a vàrios niveis...
...
Se olharmos para a reprodução doméstica mais como um veículo para a apreciação musical do que como um instrumento de carácter documental sinto-me tentado a concordar que pode fazer sentido trilhar esse caminho da busca por um sistema mais "expressivo"…
Mas as minhas (reduzidas, confesso) experiências, até hoje, ainda não se mostraram satisfatórias.

Buscar a expressividade pela manipulação do sinal, é se tornar um "alfaiate do som", como tu dizes bem, e não creio que seja um passo para a frente, ném uma atitude nobre. A "expressividade" deve nascer do respeito do sinal de origem, e eventualmente passar como jà disse, por equilibrios desempenho/musicalidade mais humanos!...

Um abraço,
Ricardo

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Seg Fev 03 2014, 10:29

Aqui está o link para o arquivo da L'Audiophile:

http://www.asrr.org/biblioteca/Revue%20Audiophile/INDEX

Vou procurar os artigos.

Um abraço,
Ricardo
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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Seg Fev 03 2014, 10:40

Para mim leigo as informações do Ricardo e do Paulo são suficientes para compreendermos o fenômeno do "timbre" do ponto de vista estrito da teoria; entretanto o fenômeno do "formante" justifica mais o caráter do som musical. Por que dois Stradivarius soam diferentes se não têm energia elétrica e corrente de áudio (nem microfones, gravadores, controles, nem "timbre lock" etc.)? Só pode ser pelo fenômeno pouco conhecido do "formante"; que é o processo geral e completo de fabricação dos instrumentos e seus replicadores, eletrônica inclusive.

Sim, possuí um amplificador Audiopax, o modelo 88, com "timbre lock"; que na verdade mexe nas tonalidades, apenas no espectro das tonalidades. Do qual, aliás, não gostava; porque nenhum dispositivo de tonalidade é ele em si, isto é, não se basta a si próprio, é sempre dependente da sala e de cada disco e cada ouvinte. A criar uma situação de mexe-mexe de irritar. Razão pela qual passei-o à frente.

Já a reverberação é outra coisa, essa torna o som ambiente inteligível ou ininteligível. Tenho gravações feitas ao ar livre que são espetaculares mas... pois é, cada instrumento tem um microfone miniatura acoplado a cada!!!

Pela minha experiência de civil (o oposto da experiência militante dos Engenheiros e Técnicos), o principal problema de uma sala doméstica é a disciplinação ao conforto de cada ouvinte, e também a seu gosto (música popular requer um tipo de disciplinamento, música sinfônica outro, música de câmara idem etc.) do tempo e natureza das reverberações.

E posso garantir, eu "mexedor" contumaz e compulsivo que uma vez "encontrado" o ponto de gosto de cada um, e se não somos audiotas, largamos o vício de mexer.

Palavra de cearense!
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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Seg Fev 03 2014, 10:48

Comentário nº V.

O NOVO e O VELHO.

Segundo a dialética hegeliana, o “novo” é o começo, o “velho”, o fim; porém, ainda conforme as teorias de Hegel, não haveria o “novo” sem ter havido antes o “velho”. O “novo”, que é gerado pelas contradições não resolvidas do “velho”, é o caminhar para o futuro, e o “velho”, um passo atrás, e cada vez mais atrás!

Parece que essa dialética não se aplica às coisas do áudio para a reprodução do som musical. Gilbert Briggs conta em um de seus livros que descobrira um alto-falante instalado numa cafua velha e empoeirada de sua fábrica em Bradford, o falante coberto de pó e teia de aranha. Curioso, fez o “bicho” tocar e surpreendeu-se pela qualidade do som ouvido. Intrigado, levou o falante para seu laboratório e processou medições: a ressonância natural ao ar livre descera para ínfimos 25 Hz, e a curva da resposta de frequência ficara apenas entre mais 4 dB e menos 3 dB, portanto, quase plana; a curva de impedância perdera seu natural pico em quase dez decibéis.Tratava-se de um exemplar do primeiro modelo da Wharfedale, “fullrange”, de 12”.

Briggs especulou, criando em consequência a convicção de que o pó acumulado em muitos anos lubrificara o movimento de vaivém da bobina no “gap” do campo magnético...

E agora, José?

Quem pode provar que não foi por isso? E quem sabe se disso não tenha nascido a “moderna” teoria da “queima” (envelhecimento) de cabos e componentes eletrônicos... já que se apregoa que quanto mais “queimados” melhor será o desempenho dos cabos!

O jumento velho aqui, cujas “crenças” falam em contrário, que se lasque!

Comentário VI. (Esse veio adiantado, de enxerido...)

O "óbvio ululante" do Nelson Rodrigues ensinou-me que uma orquestra ou conjunto é singular, ou seja, mono, mas os instrumentos e instrumentistas são plurais, ou seja, 4.1 (no mínimo). Um quarteto de cordas não é só harmonia, cada instrumento do quarteto tem partitura própria e diferente. Na situação monofônica, ouve-se o som musical lá na frente como se a fonte sonora fosse uma só, e não é, são quatro; já na situação estéreo, a fonte sonora nos chega de apenas dois pontos, direita e esquerda, e também não é assim nos teatros de concerto; porém na situação quadrafônica, o som do quarteto é veiculado por quatro vias distintas. Moral da história: qual das três situações aproxima-se mais do evento primário?

De outra parte, se nada existe além-cérebro, quer dizer, sem o cérebro não existiríamos como humanos nem que tivéssemos a força de Sansão; o cérebro, ainda assim, per se, isto é, sem os cinco analisadores: ouvidos, nariz, olhos, paladar e tato, sem esses auxiliares o cérebro é apenas uma massa... flácida e inoperante! Pois só se torna nosso órgão máximo e essencial... se puder contar com as informações dos nossos cinco analisadores. É quando o poder de deus perde para o trabalho dos santos...

O espetáculo substitutivo dos concertos de música, ou seja, sua replicação midiática mais se aproximará do evento original se contar com as informações de pelo menos dois dos nossos analisadores: ouvidos e olhos.

A técnica da imagem e som conjuntos busca tal necessidade; o blu-ray é a técnica mais avançada de todas as utilizadas pelo homem até hoje. E não só pela adição da imagem, mas, sobretudo, pela qualidade dessa imagem e do som em alta-fidelidade.

"Entre as manias que tenho, uma é..." gostar do som em parceria com a imagem; aliás, desde o tempo da fita VHF e da quadrafonia de David Hafler, em 1970!!!
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Seg Fev 03 2014, 12:07

Holbein Menezes escreveu:
Para mim leigo as informações do Ricardo e do Paulo são suficientes para compreendermos o fenômeno do "timbre" do ponto de vista estrito da teoria; entretanto o fenômeno do "formante" justifica mais o caráter do som musical. Por que dois Stradivarius soam diferentes se não têm energia elétrica e corrente de áudio (nem microfones, gravadores, controles, nem "timbre lock"  etc.)? Só pode ser pelo fenômeno pouco conhecido do "formante"; que é o processo geral e completo de fabricação dos instrumentos e seus replicadores, eletrônica inclusive.

Bom dia Holbein,

Em resposta à sua pergunta eu diria que dois violinos Stradivarius soam diferentes porque são de facto fisicamente diferentes; afinal trata-se de um produto manufacturado, e nem sequer sabemos se o fabricante introduziu alterações/melhoramentos num ou no outro relativamente a um hipotético desenho original. Além disso foram utilizados materiais naturais que não apresentam características constantes de amostra para amostra.

Talvez seja possível fabricar dois violinos que produzam o mesmo som utilizando processos de fabrico mecanizados com níveis de tolerância muito reduzidos e materiais sintéticos...

Holbein Menezes escreveu:
Sim, possuí um amplificador Audiopax, o modelo 88, com "timbre lock"; que na verdade mexe nas tonalidades, apenas no espectro das tonalidades. Do qual, aliás, não gostava; porque nenhum dispositivo de tonalidade é ele em si, isto é, não se basta a si próprio, é sempre dependente da sala e de cada disco e cada ouvinte. A criar uma situação de mexe-mexe de irritar. Razão pela qual passei-o à frente.

Tem graça, sempre que alguém menciona o uso de cabos ou de equipamentos com uma "assinatura" sónica vincada para "adoçar" o som eu costumo comentar que essa "assinatura" poderá (aparentemente) ser benéfica para algumas gravações mas será certamente danosa para outras.
Ainda assim julgo que os controlos de tonalidade podem ser úteis e por vezes, ou melhor com certas gravações, sinto falta deles; estou mesmo a considerar a (re-)instalação dos ditos no meu amplificador.

A propósito de gravações com um desequilíbrio tonal acentuado, nesta semana que passou estive a transferir o conteúdo dos meus CDs de música étnica para um disco rígido e um deles, a gravação de um grupo de Mariachis Mexicanos, apresenta uma tonalidade absurdamente brilhante e agressiva.
Decidi portanto, qual herege, equalizar as gravações recorrendo a um software de audio; fiquei satisfeito com o resultado e aparentemente — avaliando com os headphones — a operação parece não ter criado quaisquer artefactos.
Mas confesso que não me sentiria tão confortável se se tratasse de uma gravação de música "clássica"...


Última edição por ricardo onga-ku em Seg Fev 03 2014, 14:59, editado 1 vez(es)
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Seg Fev 03 2014, 13:59

Em resposta à sua dúvida — "qual das três situações aproxima-se mais do evento primário?" — comecei por desenhar este esquema onde procurava mostrar o modo como a distância do instrumento aos microfones define a sua posição posteriormente, aquando da reprodução:




Mas depois lebrei-me que em tempos traduzi esta apresentação que me parece uma boa abordagem a essa questão das fontes sonoras na reprodução:




O Audiófilo e a Distorção de Fase

Por Jean-Michel Le Cléac’h


O que é Estereofonia

Processo de registo e reprodução do som que utiliza dois canais por forma a difundir uma sonoridade possuidora de um certo relevo, a Estereofonia permite uma localização espacial dos sons que acrescenta uma dimensão de profundidade e dá ao som (reproduzido) uma qualidade natural.


Quais são os objectivos da Estereofonia

- Reproduzir o evento musical ou sonoro
- Recrear a ambiência sonora da sessão de gravação
- Restituir sem deformações a perspectiva ou relevo sonora (direcção, distância dos instrumentos...)
- Respeitar as dimensões e a forma dos instrumentos tal como foram vistas pelo engenheiro de som


Os instrumentos de música são fontes sonoras complexas

- Não são fontes pontuais
- A emissão sonora dá-se a partir de diferentes zonas do instrumento com direcções distintas de acordo com as frequências


A radiação dos instrumentos


O oboé


A flauta


O violoncelo


Percepção estereofónica

Em primeiro lugar importa distinguir “ palco sonoro” de “imagem sonora”.
O “palco sonoro” pode ser definido como a zona de onde nos parecem vir as ondas sonoras durante uma escuta.
Normalmente caracteriza-se pela sua extensão em largura e em profundidade.
A maioria dos audiófilos toma como característica positiva um “palco sonoro” que se estende para fora do espaço compreendido entre as duas colunas de som.


Reverberação e “palco sonoro”

Existem estudos que demonstram que uma grande maioria de audiófilos prefere uma maior relação entre a energia sonora reverberante e a energia sonora directa.
A utilização de colunas de som de baixa directividade numa sala de escuta bastante reverberante conduz a uma forte reverberação de que resulta o alargamento e aprofundamento do “palco sonoro”.


Formação de fontes sonoras virtuais através da reflexão provocada pelas paredes


Alargamento e aprofundamento do “palco sonoro” pela utilização de colunas de som
de baixa directividade numa sala de escuta bastante reverberante

Mesmo se o alargamento e aprofundamento do “palco sonoro” provocados pela reverberação é geralmente percebido como agradável, pois permite criar uma ilusão da ambiência do concerto ao vivo, somos obrigados a admitir que se trata de um desvio à fidelidade da gravação.
A escuta dessa mesma gravação com headphones é muito reveladora deste facto.


A imagem sonora tridimensional

De acordo com J. Gordon Holt, a capacidade de um dado sistema está directamente relacionada com a aptidão deste em criar fontes sonoras virtuais distintas das colunas de som.


A ”imagem sonora” caracteriza-se por:
- azimute dos instrumentos
- distância entre os instrumentos


Localização de fontes sonoras em audição binaural

Localizar uma fonte sonora é identificar o seu azimute (plano horizontal) e a sua altura (plano vertical) i.e. a sua direcção, e em seguida a distância que a separa do receptor.
Quando os ouvidos recebem as vibrações de um campo acústico, as diferenças podem apresentar-se a três níveis: intensidade, fase e tempo.
Outros, mais minuciosos, adicionariam ainda: a "sombra" provocada pela cabeça, as diferenças de geometria dos pavilhões auriculares e os reflexos provocados pelos ombros.

Citando Sandrine Lopez em “Para uma tipologia dos espaços...”:

”Espaço: lugar relativamente bem delimitado onde podemos situar qualquer coisa.”

(...)A nossa escuta é tridimensional: permite-nos localizar os sons num determinado espaço e reconhecer a verticalidade,
a horizontalidade e a profundidade.
A escuta estereofónica permite a quem escuta a percepção de um relevo sonoro, de uma perspectiva sonora, da separação
dos planos sonoros, de diferentes espaços, de “imagens mentais” nítidas.
A noção de relevo sonoro é interessante porque só por si revela uma percepção global: nós conseguimos determinar fontes
sonoras oriundas de direcções distintas.
É importante sublinhar que o relevo sonoro e a localização se devem à fase, ou melhor, ao desfasamento.
As ondas em fase são ondas que não se encontram diferenciadas ou em atraso de fase uma da outro no tempo.
Se o atraso existe, então temos desfasamento e é este que origina o relevo.
Nós somos capazes de identificar no espaço.(...)


Podemos concluir que é importante respeitar a repartição das fases no interior de um sinal para garantir uma boa reprodução do relevo sonoro.

Para um som que nos chega da esquerda ou da direita:
- FASE = 0,63ms de diferença inter-auricular, de uma orelha à outra
- INTENSIDADE = 0,5dB de diferença inter-auricular
(Mills, 1958)

Para um som que nos chega de frente ou detrás:
- FASE = nenhum desfasamento ou atraso de fase
- INTENSIDADE = nenhuma diferença

O desfasamento entre as ondas sonoras que chegam a cada uma das nossas orelhas é um dos mecanismos que permite a localização binaural de uma fonte sonora.



Localização em azimute

No plano horizontal, a localização por diferença de fase está limitada aos 1.500Hz; acima desta frequência dois azimutes diferentes podem dar o mesmo desfasamento, e à medida que nos aproximamos dos 3.000Hz nem a intensidade, nem o desfasamento são suficientemente informativos de modo a permitir a localização de uma fonte sonora de forma precisa (Stevens et Newman).
O pavilhão auricular intervém de forma progressiva na localização acima dos 2.000Hz.
A sua configuração constitui um filtro em pente e impõe máximos de intensidade e fendas espectrais ao sinal incidente, dependendo da localização da fonte sonora e do receptor.

registo de frequência
mecanismo de localização
agudo
diferença de intensidade
médio
diferença de intensidade e de fase
grave
diferença de fase


Percepção da distância

A sensação de distância tem essencialmente como referências as variações de intensidade, a relação entre o som directo e o som reflectido e as modificações espectrais.
Quando afastamos a fonte sonora a intensidade diminui, mas é possível recrear artificialmente o mesmo efeito através da variação de intensidade de uma fonte sonora fixa.

A maior parte dos registos é efectuada em estereofonia de amplitude ou de intensidade, um método desenvolvido por Alan Blumlein para a EMI nos anos 30.
A posição de um dado instrumento é definida pelo engenheiro de som através do recurso a um “potenciometro panorâmico”.
Teoricamente, a posição aparente na reprodução de um instrumento não se pode afastar demasiado da  linha que une ambas as colunas de som.
Jogamos com a amplitude, o espectro e seguimento das notas para estabelecer uma certa percepção da distância.


Distorção espacial das fontes sonoras na reprodução estereofónica convencional


Psicoacústica da localização dos sons

É um facto do conhecimento geral que a localização a localização no plano horizontal se deve principalmente às diferenças de intensidade e de tempo entre os sinais sonoros que nos chegam aos ouvidos.
Mas já não é tão comum saber-se que esses dois parâmetros não são suficientes para anular as ambiguidades ao nível da profundidade (frente/trás) e para permitir a localização num outro plano que não o horizontal (cima/baixo).
Apesar disso, a capacidade de localização auditiva é extremamente precisa.


Grau de precisão da localização de uma fonte sonora pelo sistema auditivo humano

Como se pode ver, a precisão da localização binaural de uma fonte sonora em azimute no plano horizontal é enorme.


Registos efectuados em estereofonia de fase

Em 1940 de Boer introduz a gravação por cabeça artificial que vem melhorar a percepção da localização graças à diferença de intensidade e do tempo de chegada dos sinais.


Em finais dos anos 50, as estações de rádio europeias utilizavam um par de microfones espaçado de 15 a 30 cm e com ângulos variáveis entre os micros para a difusão de concertos.


Gravação de uma orquestra com recurso a um par de microfones



Distorção espacial das fontes sonoras na reprodução de gravações em estereofonia de fase

Para contrabalançar o efeito de distorção de perspectiva sonora das gravações em estereofonia de fase André Charlin coloca os instrumentos em camadas curvilíneas concêntricas.


Método de gravação Charlin utilizando uma cabeça artificial



Cabeça artificial


Audição binaural: o efeito negativo da diafonia (ou crosstalk) interaural

Na escuta estereofónica através de duas colunas de som, a onda emitida por uma delas chega aos dois ouvidos com um certo desfasamento.
Essa diafonia interaural perturba a localização das fontes sonoras virtuais, efeito que se torna evidente quando escutamos com auscultadores.


Alguns audiófilos procuram reduzir a diafonia colocando uma divisória amovível
na bissectriz no ângulo criado entre o ponto de escuta e as duas colunas de som

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Seg Fev 03 2014, 14:58

TD124 escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Se olharmos para a reprodução doméstica mais como um veículo para a apreciação musical do que como um instrumento de carácter documental sinto-me tentado a concordar que pode fazer sentido trilhar esse caminho da busca por um sistema mais "expressivo"…
Mas as minhas (reduzidas, confesso) experiências, até hoje, ainda não se mostraram satisfatórias.

Buscar a expressividade pela manipulação do sinal, é se tornar um "alfaiate do som", como tu dizes bem, e não creio que seja um passo para a frente, ném uma atitude nobre. A "expressividade" deve nascer do respeito do sinal de origem, e eventualmente passar como jà disse, por equilibrios desempenho/musicalidade mais humanos!...

Além disso não existem soluções perfeitas pelo que a escolha dos males menores é, por si só, condicionante do resultado final.
Talvez a "musicalidade" se encontre algures nesse equilíbrio de virtudes e limitações.
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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Seg Fev 03 2014, 16:46

Com certeza, Ricardo, "... a "musicalidade" se encontre(a) algures nesse equilíbrio de virtudes e limitações".

Aquilo que os músicos profissionais buscam quanto têm que escolher instrumentos. Tenho um devedê que mostra o velho e saudoso pianista Vladimir Horowitz a escolher numa loja especializada em pianos uma unidade de seu gosto; o ambiente da loja era um só, portanto sua acústica só variava (pouco) em função do lugar onde os pianos à venda estavam; e Horowitz, acompanhado de sua mulher e agente fez acordes vários em uma dúzia de unidades para, por fim, escolher uma: a que a ele agradou! Formante, is the name of the game.

O João Gilberto daqui só toca no violão dele, e para meu gosto, toca mal; e tem o desplante de exigir, exigir em minúsculo é pouco significativo para o João, pois, tem o DESPLANTE de mandar fechar o ar condicionado do recinto do concerto porque... ora por que? porque o ar frio desafina seu dele instrumento!!!

Formante!

Ainda que não seja por ação do formante a mania do Glenn Gould, que só tocava sentado na cadeira de alumínio que ele próprio carregava a tiracolo... Por isso é que não uso o termo melômano (viu, td124?) que me remete ao adjetivo melomaníaco; ora, se temos o audiota por que não melodiota?

E por falar em melodia, fosse por ela Bach jamais teria sido Bach.

Eta! conversa fiada!



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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Seg Fev 03 2014, 18:12

EXTRA! EXTRA!

Mote: A perfeição é o infinitamente ajustável; sobretudo no áudio para a reprodução do som musical.

Ora, cá esteve em casa neste agosto que está a acabar-se e deu-me o prazer de sua agradável e proveitosa companhia, meu dileto Amigo ÉDISON CHRISTIANINI, o CH dos fóruns hi-end tupiniquins. Viera à Fortaleza desde Araras em São Paulo para comemorar por antecipação a passagem de meus 91 anos de vida vivida, que ocorrerá no próximo 14 de setembro.

Fram 9 horas da matina do dia 10 de agosto quando chegou. Depois dos cumprimentos e respectivos papos preliminares, e de pôr em dia o conta- corrente das novidades audiófilas fomos a (sem crase porque minha salinha é muito masculino!) gessofilled para ouvir música. Logo de início, Édison que possui ouvidos quase absolutos, logo no começo do disco blu-ray de teste de calibração e identificação de canais que sempre ponho antes de qualquer audição, para mostrar aos que me visitam como funciona o meu “esquisito” sistema de
reprodução, perguntou-me o bom amigo:

- Que ruído estranho é esse no canal esquerdo?”

Ruído, diga-se de passagem, que minhas oiças macróbias não estavam (e nunca estiveram) a perceber dali do sweet point, nem de outros pontos menos sweet. Então saí do assento ao lado do SP e fui encostar os velhos e gastos ouvidos na caixa de falantes referida; e de fato lá estava o “barulho” de algo a vibrar.  Respondi:

- Pode ser a bobina do cone a roçar no gap do magneto. Com o tempo, falantes sofrem também a influência malsã da Lei da Gravidade: quando os falantes são instalados em sentido vertical, o peso dos cones de polpa de pinho tende a deslocar tais cones para baixo, saindo assim da centralização ideal.

Mesmo com o ruído que denominei de cisco eletrônico (então pensara em escape de capacitor), passamos a ouvir música; porque música, além de bela é às vezes sublime e complacente, generosa o bastante por isso que capaz de conviver numa boa com “barulhos” adventícios, como sói acontecer, por exemplo, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro situado na barulhenta esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Araujo Porto Alegre.

Assim, pois, com a volta do Édison a sua Araras querida passei a cuidar da “enfermidade” por ele constatada: desparafusei o falante KB-6FR da AKRON e parafusei-o de novo girando-o, porém, 180º; mas o ruído não cessou. Logo, não se tratava de qualquer ação da Lei da Gravidade...

Só uma semana depois, e pesquisei todos os dias! descobri a origem e a causa do ruído. O dispersor de metal situado no centro do falante houvera descolado parcialmente, e quando o cone se movimentava no vaivém de sua função, o dispersor solto em parte gerava o tal “cisco sônico”. Troquei a unidade do falante por outra, e acabou-se o ruído malsão.

Mas a perfeição é infinitamente ajustável!

O defeito no falante me levou a trabalhar paciente e determinadamente sobre outro ponto importante de qualquer sistema de som musical: o ajuste fino e infinito na instalação do ledor de discos. Porque a nova unidade de falante KB-6FR, talvez mais fogosa do que a anterior já gasta ou deteriorada pelo uso alterara um til qualquer na sutil “mentira”, sutil e gostosa da minha anterior ilusão de palco; e d'estarte mexera no meu ideal de Ego. Quer dizer: a imagem-espaço dos naipes orquestrais que meu ideal de Ego criara para meu uso e gozo pessoal como quê compactara-se e ficara menos plural; o espaço-imagem das seções da orquestra posicionara-se no palco idealizado em pontos diferentes ideaveis, ou com os quais meu psique não estava em consonância... ainda; em resumo, o meu gostoso faz de conta audiófilo empobrecera por carência de distinção.

[Definição: Ideal de Ego é uma estrutura da personalidade que faz o Ego voltar-se para dentro de si, para aquilo que é moral, empático, satisfatório etc.]

Meio louco isso, né? Mas o “verdadeiro” high-end é isto: é a máxima satisfação do ideal de Ego. Ideal de Ego que pode ser criado por via do aspecto físico do conjunto eletroeletrônico de um audiófilo (o AUDIOPAX Maggiores 100, por exemplo); ou pelo modo de distribuição de elementos acústicos num determinado espaço destinado à reprodução do som musical (a bem construída sala do Edmundo Barbosa na sua mansão nas Dunas de Fortaleza; mas não aconteceu, ora diabo! não se formou mesmo em nenhuma das dez salas para reprodução do som da nababesca loja Som Maior, de Joinville.)

Assim são as coisas na Arte da Audiofilia ou Melomania.

Avante! rumo ao que importa: meu OPPO 83 estava instalado sobre um móvel de madeira cujo tampo fora coberto com extensa placa de granito, de 2 m de comprimento por 50 cm de largura, na espessura de 2 cm. Entre a placa de granito e o tampo do móvel de madeira eu distribuíra cerca de 20 caixas de mortite (massa de modelagem) a fim de isolar a placa de granito das vibrações normais do prédio. Sobre a placa estão os dois monoblocos 300B e a TV Sony de 46 polegadas; e também, à frente da TV, o ledor OPPO 83.

Com a decomposição de meu ideal de Ego audiófilo reinstalei o OPPO sobre três spike de duas peças conjugadas, cada spike, concepção e criação do Professor Aparecido Lopes, de Guaratinguetá. E sobre a tampa do OPPO pus duas caixas rasas com mortite, cobrindo a tampa do OPPO por inteiro; toda. E adicionei peso (massa) aos poucadinhos até meus ouvidos gastos dizerem “Amém!”. Mas não disseram ainda “Aleluia!”

Não foi suficiente, pois. Tive que mexer na interligação do ledor com os amps. Porque o som das cordas metalizara-se além do meu bom e pequeno-burguês gosto barroco pela suavidade; porque assim, comecei a dança dos cabos InterConnect. Eu usava anteriormente o Cardas Golden sem shield (retirada a blindagem por mim); com o novo KB-6FR as cordas ficaram ásperas inda que nessa nova formatação. Pela enésima vez voltei a tentar o único cabo de interconexão que não induz metal às cordas nem estridências às vozes femininas, o de carbono. Mas...

Pois é, cabo de carbono – o mais doce dos cabos – é inteiramente dependente das impedâncias inter-relacionadas (saída e entrada) dos componentes a que se liga. E eu uso a velha e boa válvula 300B nos meus amplificadores.

Vai daqui, vai dali, e como a perfeição é infinitamente ajustável, parti para a difícil batalha para blindar meu par de The First, Van den Hull, de carbono puro.

E consegui! “Aleluia”! Consegui. Sem que o sinal de áudio passasse nem de longe pelo shield. Mas é segredo que não revelo a ninguém, nem à dulcíssima Arcanja Hermosa Maria. Apelidei o “novo” cabo de “Meu-santo-padim-pade-ciço”. Em nome do pai, do filho e do espírito de porco que sou.

Você não contava com a minha esperteza, né, ÉdisonCH?
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qua Fev 05 2014, 10:35


"Ora, direis, ouvir estrelas!" Olavo Bilac. Pois. Depois que o Ricardo França esnobou-nos com aquela erudita aula sobre timbre parece que ficamos paralisados; ninguém escreveu mais nada; gol de Neymar!!

Mas eu tenho compromisso de postar aqui, todos os dias, um dos meus "Comentários". Vai o

Comentário VII.

A questão parte da definição do que é e como se processa a percepção. A psicanálise apregoa que as percepções dos objetos pelo ser humano fazem-se a meio-caminho, isto é, os objetos irradiam por via da luz, própria ou refletida (por isso que, visualmente, em ambiente de pura escuridão não se percebe nada!), irradiam ondas que vão se encontrar ao meio do caminho com outro tipo de ondas (energia) a que a psicanálise dá o nome catexias (ou libido, ou cota de afeto), produzidas pelos cérebros humanos.

Em sendo assim, a percepção do som musical, ou qualquer percepção fica na dependência das catexias irradiadas pelo cérebro e das ondas de som, ou luz, dos objetos; daí entendermos a diversidade de gostos musicais como manifestação da especificidade das catexias de cada um (os cérebros de cada indivíduo) e do modo de captação das ondas de som ou luz dos objetos por parte de cada um; ou seja, cada um de nós ouve e vê diferente.

Aí o meu querido e saudoso sócio, Professor Veiga, cego desde tenra idade, teria o direito de perguntar-me: - Ô Sócio, e como ocorre essa teoria de meio-caminho em mim que não capto ondas de luz dos objetos? Quer dizer que só ouço meia porção do som musical?

E eu teria que enfiar a viola no saco porque testemunhara centenas de vezes a extrema acuidade de José Espínola Veiga.

O melhor mesmo é sair pela tangente e proclamar: o que sei com certeza é que nada sei... Mas isso seria plágio!
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qua Fev 05 2014, 14:22

Holbein Menezes escreveu:


O melhor mesmo é sair pela tangente e proclamar: o que sei com certeza é que nada sei... Mas isso seria plágio!



Mas é um plágio bom, porque no fundo, é a única realidade.
É mais ou menos evidente que cada pessoa tem o seu ouvido diferente dos outros e diferente entre si, um cérebro diferente e gosto pessoal diferente, mas também já cheguei à constatação de que existe um certo pattern de unanimidade nos gostos, visto que já presenciei em certos shows de áudio que a tendência maioritária ia para um certo tipo de som em detrimento de outros.

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qua Fev 05 2014, 15:08

Ricardo, faz algum tempo que estou a escrever meu último e derradeiro livro; serão minhas "memórias" (urgh!); concebi-as, e as estou executando na forma de uma estada minha no Céu, a trocar ideias com arcanjos, um de cada vez e em cada vez um assunto. Hoje escrevi a seguinte passagem

- Mais eu não quero viver a vida eternamente; desejo apenas completar o centenário que pode ser de nascimento ou de vida vivida.
- Que significa isso de vida vivida; há vida não vivida?
- Em termos psicanalíticos, considera-se viva a vida uterina.
- E também segundo os Santos Princípios da Casa do Senhor Deus.
- Por isso, a proibição do papa ao aborto.
- Ao Sexto Mandamento do Senhor Deus comunicado ao Povo de Deus pelo Santo Profeta Moisés: “Não matarás”.
- Quer dizer que Moisés antecipou-se a Freud na compreensão do começo da vida?
- Foi o Filho do Senhor Deus, Jesus Cristo que estendeu o significado dos sumários Mandamentos de Deus.
- Quando garoto frequentei por três anos a escola dominical presbiteriana; jovem, li a Bíblia ao lado da História do PCUS; adulto, rejeitei os absurdos da Bíblia; mas agora ancião consulto-a sempre que necessário. É o livro mais antigo da Humanidade; e mais sábio sabendo-se lê-lo.

Ainda estou longe de concluir. Tomara que dê tempo!

Antes deste último, escrevi cinco livros, só um publicado; editado por mim. Deste tenho uma centena de exemplares ainda não doados; ponho à disposição dos meus leitores deste tópico vinte (20) unidades; gratuitamente. Em reconhecimento pela maneira fraternal como me receberam aqui.

Para facilitar a remessa, os leitores que desejarem ter um exemplar autografado comunicar-se-ão com você, António José, para quem eu remeteria via postal as unidades requisitadas, e você aí em terras lusitanas se encarregaria de fazer chegar às mãos dos interessados cada unidade particular.

Costumo qualificar o conteúdo do romance de policialpornofilosófico, mas sem expressões de baixo calão.

Está aberta, pois, a inscrição.

Holbein Menezes.
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qua Fev 05 2014, 15:12

Estou obviamente na lista de espera. Obviamente, e já que o livro é oferta, eu pagarei os portes.   

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qua Fev 05 2014, 16:26

Holbein Menezes escreveu:
[
Antes deste último, escrevi cinco livros, só um publicado; editado por mim. Deste tenho uma centena de exemplares ainda não doados; ponho à disposição dos meus leitores deste tópico vinte (20) unidades; gratuitamente. Em reconhecimento pela maneira fraternal como me receberam aqui.

 

        

Ficarão de certo em boas mãos deste lado do pequeno riacho que nos separa.   

Se não ficarem desse lado nas mãos de outros distintos Sul Americanos, que são poucos mas bons   
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qua Fev 05 2014, 16:56


Então inscrevam-se junto ao António José; os inscritos não precisarão informarem-me os respectivos endereços, bastam declinar ao António. Nestes dias tumultuados de crise mundial toda cautela é pouca.

E por falar em crise mundial, a dita bateu às portas do Brasil, raios que a partam.

Holbein.
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qua Fev 05 2014, 17:03

Holbein Menezes escreveu:

Então inscrevam-se junto ao António José; os inscritos não precisarão informarem-me os respectivos endereços, bastam declinar ao António. Nestes dias tumultuados de crise mundial toda cautela é pouca.

E por falar em crise mundial, a dita bateu às portas do Brasil, raios que a partam.

Holbein.


Terei prazer em fazer o apanhado. E será fiest in, first served....  

Já somos dois.   

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qua Fev 05 2014, 19:09

Meu Deus! Meu Deus! Por que às vezes pode e às vezes não pode remeter mensagens? Qual fator que determina o pode e o não pode. Ou pode, e pronto, ou não pode, há que fazer login todas vezes que entrar. Aí eu aceito, e fico, ou não aceito, e desapareço.

Quem mo explica? Velho é danado contra burocracia... E em quase o centenário que hei de ser, o aborrecimento do pode-não pode é dobrado, ou mais, contra.

Enquanto esses aborrecidos pensamentos acodem-me, trago ao tópico com o pedido de especial atenção ao Paulo td124 e ao Ricardo onga-ku, para o seguinte:

- agora de tarde tive uma experiência para a qual não encontro, na minha modesta qualidade de amador, explicação. Meus amplificadores "singled-end 300B", monofônicos, estão instalados numa mesa de tampo de granito, faz anos, sobre molas de compressão. Meu comportamento amador do ensaio e erro "descobriu" que aparelhos valvulados, se as válvulas estão expostas pois instaladas sobre o chassi, beneficiam-se de anti vibradores tipo molas.

- outra experiência pretérita fizera-me aceitar que amplificadores transistorizados, ao contrário, prejudicam-se com molas embaixo deles.

- o "sintoma" é a "cor" das cordas: no caso das válvulas, acentua-se a musicalidade (sedosidade) com molas embaixo; no caso dos transistorizados, acentua-se a estridência "natural" das cordas. (Escrevo "natural" porque o spalla da Orquestra de Cordas de Florianópolis, meu dileto amigo Glauco Vasconcelos, informara-me certa vez que o som do violino posicionado mui próximo do ouvido esquerdo é tão estridente que ele, após meia hora de concerto, põe nos dois ouvidos, um tampão de algodão a fim evitar ter dor de cabeça...)

- a experiência de hoje à tarde foi quando pus a tocar o devedê "Mozart In Salzburg" com a "Mozarteum Orchestra", gravado na sede da orquestra, o Hall Mozarteum.

- pus sobre cada amplificador "300B" um peso a fim comprimir as molas mais um tanto; a "regra" da experiência prática diz que a compressão deve ser de um terço do tamanho de cada mola.

- e o doido que sou, fui aumentando o peso do "peso" até as molas comprimirem-se pela metade. E aí ficou insuportável, os violinos ficaram estridentes.

- tudo o mais a permanecer igual.

Por que isso, Paulo; por que, Ricardo. Vocês que são doutores fariam a gentileza de dizer da razão teórica, para o amador que sou?

No aguardo. Desligo.
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qua Fev 05 2014, 22:01

Mestre Holbein, eu, amador, a válvulas só tive um integrado mas confio na opinião do Paulo, Engenheiro, que tem muita experiência com as ditas.

Mas se não me engano a questão da microfonia em válvulas está mais do que estudada (e é real).
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Fev 06 2014, 09:42

Comentário VIII.

Permitam-me alguns comentários a mais sobre essa nova técnica de captação do evento primário, o blu-ray. Aliás, desde o século passado (desde 1970) que experimento de forma insistente a replicação em 4.0; no começo, a usar o "truque" do diferencial de fase "descoberto" por David Hafler; após alguns anos, com o advento do DVD, pude ter os quatro canais de forma independente, sem o “blend” e a mixagem do diferencial de fase.

[Um parêntese sobre os benefícios adicionais dos quatro canais independentes: o maior proveito desse modo de reprodução reside em "aliviar" os canais frontais, limpando-os, dos sinais em contra fase acústica que geram perturbação no som replicado por via de dois canais apenas; entendam: os microfones de captação não "engolem" as ondas sonoras, captam-nas tão só, e nessa função recolhem (inda que em menor intensidade) as ondas sonoras de retorno, isto é, quando vão à finitude do ambiente de gravação e voltam (em fase acústica contrária) aos pontos de captação nesses registrando-se de novo inda que em menor intensidade; mas registrando-se de novo!]

Na reprodução em dois canais, tais sinais captados em fase acústica diferente prejudicam a boa ou ótima articulação sobretudo dos sinais da região grave, em virtude do grande comprimento das largas ondas peculiares a essa crítica região. A diminuir, d'estarte e sobremodo, a clareza na articulação dos tons graves... estes tão prazerosos! E talvez seja por causa desse fenômeno de perturbação desagradável que algumas gravações de conjuntos de jazz "encafuam" o contrabaixo de marcação do ritmo, isolando o instrumento e o instrumentista num cubículo à prova de bala... o som do canhão sonoro de tubas, bombos e contrabaixo...

Quatro canais é, sobre qualquer outro efeito prazeroso, mais clareza na replicação, e clareza "is the name of the game" em replicação eletrônica.

Mas a atual técnica blu-ray vai mais longe na busca da alta-fidelidade, como, por exemplo, nos discos do selo "Records AIX", os quais, pela primeira vez, registram os sinais de áudio em 96kHz/24 bit ou 192kHz/24 bit; e lidos tais discos por meio de um blu-ray player tipo OPPO, obtém-se a resposta dentro das nossas salas - se temos a configuração 4.1 - em 96 ou 192kHz/24 bit, que faz audível diferença, podem crer!!!

Tenho dois desses discos, um deles músicas de Mozart (Clarinet quintet, Horn Quintet e String quartet); ouvem-se o conjunto, harmonicamente, mas se ouvem TODOS os quatros ou cinco instrumentos, de maneira distinta, cada um dos instrumentos executando sua parte própria da partitura.

É um desbunde!
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Fev 06 2014, 11:04

Caro Holbein,

Pode descrever-nos com mais detalhe o seu sistema de quatro canais: que colunas utiliza à frente, e atrás, qual a gama de frequências coberta por cada uma, como foram/estão posicionadas, e de que modo são amplificadas?

Um dos problemas que eu vejo à partida é a duplicação da dificuldade de posicionamento das colunas mas posso estar errado visto que sou virgem nessa matéria.

Um abraço,
Ricardo
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Fev 06 2014, 12:24


Os sonofletores (colunas aí em Portugal) são home made e by myself. Todas as quatro, menos o subwoofer que são dois woofers W 15, da Wharfedale, em paralelo, instalados em true infinite baffle (parede do lado esquerdo ao lado do assento), os quatro médio são AKRON KB-6FR, made in Brasil, em Santo André, SP (a curva de resposta está em www.akronaudiotec.com.br) e os tweeter são ribbon puro (também Akron).

As colunas da frente (carcassas das caixas Clarity, Martin Longan) estão sobre uma mesa com tampo de granito que vai de um lado a outro da salinha; portanto os falantes virados para o ouvinte são instalados a 70 cm de altura. As de trás, que nada mais são do que um par de cano de PVC de espessura a não vibrar e comprimento de 1,40 m, os falantes são virados para cima com o objetivo de ter o som não direcional; o subgrave é a glória do painel infinito verdadeiro.

Não uso pré-amplificador, o sinal vem do player OPPO 83 para os cinco canais. Na frente ora uso o single end 300B, mono, ora o Marantz 700U, mono; quanto à sonoridade, prefiro a do 300B.

Para alimentar as colunas traseiras ora utilizo dois PA de 100 W monos, ora os 300B, quando ponho na frente os Marantz 700U.

Duas grandes jogadas: a primeira é o disciplinamento da reverberação da salinha (que me custou muito trabalho além de engenho e arte), cujo tempo foi encontrado pelo eficiente método do ensaio e erro; a segunda, que é "descoberta" minha, é a altura do assento, isto é, o ponto mais indicado do ângulo vertical em relação as minhas orelhas!!!

Não há absorção nenhuma na salinha, só o disciplinamento da reverberação.

Um abraço, Ricardo.
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Fev 06 2014, 12:35

Esqueci de dizer (ou redizer): das três salas de escuta que tive, do Rio com 50 m², de Florianópolis com 36 m² e esta de Fortaleza, com 10 m², o som musical, seja sinfônico, operístico, câmara e conjunto de jazz, a sala que mais me agradou foi este som da gessofilled de 10 m² em a qual salinha consigo ouvir Wagner, o Ciclo do Anel, e Mahler, além do gênero da minha preferência que é quartetos de cordas!!!!
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Fev 06 2014, 19:53

Não percebi muito bem como é que configurou os médios, falou em quatro altifalantes mas atrás só tem dois canais.
Como é que equilibrou os níveis de todos os altifalantes, de ouvido?
Imagino que o Oppo permita atenuar o sinal que alimenta cada canal.

Entretanto estive a procurar fotografias das suas salas e achei estas:



















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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Qui Fev 06 2014, 23:54


Ricardo, todas as quatro colunas (duas na frente e duas atrás) nelas estão instalados unidades de falantes fullrange Akron KB6-FR (8 Ohms de impedância); portanto, não carecem de crossover; os tweeters ribbon (também Akron) e ajustados na fábrica para igual sensibilidade dos FR (fullrange de bobina móvel) operam para além de 8.000 Hz, alimentados pelos mesmos amplificadores das colunas frontais, protegidos entretanto por um capacitor de polipropileno (agora de óleo) de 1 Mfd; de 80 Hz para baixo, o corte é feito pelo OPPO, não há crossover! um amplificador de 50 watts recebe só tais frequências e alimenta o true infinite. Todos os ajustes de intensidade (cinco) são operados via OPPO, frente (2), trás (2) e subwoofer (1).

Portanto, tudo o mais simples possível; e o mais direto que foi possível. Na minha experiência, voltas e contra voltas prejudicam o sinal de áudio; direto é melhor, muito melhor!

O grande "segredo" está no true infinite baffle para o subgrave; aliviados de frequências baixas e subssônicas, os fullrange podem ser de apenas 6 polegadas e desempenham na conformidade de suas peculiares curvas de resposta.

E o "truque" para lograr ter a qualidade musical que obtive é o disciplinamento da reverberação; painéis próprios (made by myself) foram instalados na salinha ao longo de dois anos a partir dos resultados dos ensaios e erros.

Elementar! meu caro Ricardo.

Boa-noite.

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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Fev 07 2014, 00:17

Esclarecimentos sobre as fotos de minhas salas, publicadas pelo Ricardo:

Na do Rio os falantes eram um par dos eletrostáticos QUAD-55, acrescidos de super tweeters de bobina móvel; o sistema subgrave ficava atrás dos assentos; instalação em estéreo (dois canais).

Na foto da sala de Floripa pode-se ver lá no fundo meia corneta em true infinite baffle. Sistema estéreo com o diferencial de fase para efeito de ambiência, via uma única caixa posicionada atrás dos assentos.

A situação da sala de Fortaleza não é mais a registrada pela foto.

Em uma foto vê-se as Clarity Martin Logan, e um par de painel aberto (estava desligado).

Cortina e "gaiolas" acústicas que se observam em duas fotos foram retiradas.

Três fotos contemplam o processo de confecção do true infinite baffle em parede lateral.

A última fotografia é o triste retrato de uma experiência fracassada, porquanto subgrave em caixa de madeira é uma piada!

Em tempo: notem em uma foto o teto rebaixado em forma de escada, portanto irregular; para evitar o paralelismo entre piso e teto.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Fev 07 2014, 05:16

Uma vida de experimentações neste nosso apaixonante hobby.   

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Fev 07 2014, 11:15

Acordaste cedo. What a Face 
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Fev 07 2014, 12:18

ricardo onga-ku escreveu:
Acordaste cedo. What a Face 


No turno da manha, o despertador esta para as 4.50.   


  

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Fev 07 2014, 13:03

Bolas!!!
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mannitheear
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Fev 07 2014, 13:10

It seems, AJS never sleeps.
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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Fev 07 2014, 13:28

Or awakes  lol! 
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sex Fev 07 2014, 23:32

Comentário IX.

Dia desses, de dezembro de 2012, ouvi um devedê com músicas de BACH: as “Quatro Suites para Orquestra”, Opus BWV 1066, 1067, 1068 e 1069, executadas pelo excelente conjunto barroco “The Amsterdam Baroque Orchestra” regido pelo maestro Ton Koopman; gravação em DVD na técnica “surround” 5.1. (A propósito, no momento de ouvir reajustei os eficientes controles do OPPO para 48.1kHZ/24bit; é que a gravação foi processada nessa configuração, e tenho notado de uns tempos para cá que, na reprodução do som musical, o que abunda pode prejudicar... Quer dizer, em a configuração em 192kHz/24bit o som desse devedê torna-se agudo além do meu gosto!?!).

[Aliás, o mais prazeroso som musical que já escutei foi de um conjunto de aparelhos cujo processador permitia ajustes sem-fim; os quais foram acionados sem economia para otimizar o registro em conserva; registros que diferem de gravação para gravação – observem a parafernália utilizada na gravação de “West Side Story” de Leonard Berstein, na concepção do maestro e arranjador Dave Grusin, selo da N2K, da Encodded Music, nº 10021. Pô!, diante da “terrífica” cena (!) não há como deixar-se de reajustar!]

Minhas reflexões de filósofo... aposentado, levaram-me a indagar a mim próprio – todo o meu cismar presente e atuante! – por que se fazem caixas de alto-falantes para serem instaladas sobre os pisos das salas, com as unidades de falantes viradas em direção do ouvinte? uma vez que a maioria dos instrumentos de uma orquestra é virada para cima: tímpanos, instrumentos de cordas (violinos e violas), piano, alguns sopros, caixa clara, bombo etc., isso por um lado; por outro, não existe nenhum instrumento posicionado sobre o chão: contrabaixos possuem um pé de cerca de 20 cm, violoncelos, pé aí por volta de 50 cm, tímpanos e caixas claras e bombos e carrilhão e metais etc., TODOS são elevados do chão (!!!). Por que só as caixas sonofletores da replicação doméstica são postas sobre (ou mui próximas) do chão, hem?

E quando um doido manso qui nem eu concebe ou pratica os conselhos do Professor Amar Bose, e instala seus sonofletores virados para cima, aí os filhos de São Tomé dão aquele sorrisinho maroto de “magister dixit”, e culpam a minha velhice... (“ – Coitado do velhinho, está a caducar!”)

E quando o “maluco pau-de-arara” aqui vem a público e afirma: em reprodução do som musical na situação doméstica, a sala é o elemento menos importante! (“ – Coitado! o cara pirou!”) Ou então, saca a “sua verdade” de que o elo mais importante da sala doméstica é um painel infinito verdadeiro! (“ – Agora danou-se!!!!!”)

Mas ninguém aceita o convite de vir a minha sala para ver e ouvir “minhas verdades” ... pois é, minhas verdades iconoclásticas...

Pior para meus ímpares!
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 08 2014, 13:33

Comentário X.

DECLARO...

Li que pesquisadores afiliados à Escola de Medicina de Harvard realizaram no Centro de neuroimagem do Hospital Mclean em Belmont, Massachusetts, realizaram estudos sobre a estrutura e a função do cérebro em adultos saudáveis: selecionaram homens entre 17 e 45 anos de idade sem histórico de traumatismo craniano ou abuso de drogas; e que não tivessem recebido diagnóstico de esquizofrenia ou distúrbios bipolares.

Resultado: os cientistas surpreenderam-se ao constatar quantas pessoas se consideram “normais”, e não são! Muitos dos candidatos que nas fichas de inscrição se declararam “normais”, recusaram-se a ser escaneados porque... pois é, mostravam-se claustrofóbicos quando levados para o laboratório de ressonância magnética; desenvolveram manifestações claustrofóbicas ao serem postos no “túnel” do escaneador!

Quanto a mim, faz tempo que desconfio de que eu não seja “normal”; portanto, relevem, e entendam, as idiossincrasias destas “Considerações de um filósofo... aposentado”. E tomem “idiossincrasia” como eufemismo...

Neste fim de ano, meu guru médico, e meu irmão-amigo, George Magalhães, esteve na minha casa para trazer-nos à Hermosa e a mim seus cumprimentos pelas Festas do Ano Novo, e uma linda camisa social para o “jeca-tatu” que sou.

Trouxe também, e isso dá a cor destes comentários, trouxe um disco blu-ray para ouvir comigo: “David Garrett Legacy”; o qual blu-ray, ao despedir-se George deixou-o comigo, para uma audição menos apressada.

Já declarei aqui e alhures que, contemporaneamente, o elo essencial de um sistema para a reprodução do som musical, em situação doméstica, não é a sala; NÃO É MESMO! São os discos modernos, isso após o advento do DVD; discos cujas reproduções carecem de muitas manobras para serem otimizados, manobras feitas por meio de três controles remotos!

[Idiossincrasia ou doidice?]

São os agentes das manobras: o controle remoto do ar-condicionado sem o qual, no calor que este verão está a nos “oferecer”, não há quem aguente ficar dentro de uma sala dedicada... mas hostil quanto à ventilação; o controle remoto do monitor de TV, para saber-se o valor ótimo da imagem em 1080i ou 1080p, ou menos; e, por fim, o controle remoto do “blu-ray player”, uma vez que cada cabeça de Engenheiro de Áudio, cada diferente “set-up”.

Exemplo, o disco do David Garrett que o George teve a generosidade de deixar comigo: no começo, na tela abre-se uma janela onde se lê: English <> Deutsch. Com base nas informações da capa, que dizem que a gravação foi feita ao vivo em Baden-Baden (cidade alemã), escolhi “Deutsch”; mas a posterior cismei com a informação da contracapa que “esclarece” (ou não, como diria o Caetano Veloso) que a orquestra é Russa, a “National Philharmonic”, conduzidas por um Maestro Russo, “camarada” Vladimir Spivakov e outro, pelo nome e pelo tipo físico, talvez espanhol, Lorenzo Coladonato, que regeu para meu total agrado o “Concerto para Violino”, de Beethoven (as duas cadenzas do concerto, de autoria de Fritz Kreisler, tocadas à perfeição pelo garoto David, que esnoba virtuosismo.)

Mas só fui sentir intenso prazer com o disco quando, depois de três leituras, experimentei as várias opções do “set up” e escolhi, entre LPCM stereo, Dolby digital 5.1 e DTS-HD Master Audio, escolhi esta última configuração. Aí tive que modificar nos controles do OPPO a amostragem para 192kHZ/24 bit; o violino que estivera quase ausente quando ouvimos George e eu a primeira parte desse blu-ray, com os controles do OPPO acionados o violino apareceu diabólico e irresistível!

Esse David Garret é o cara!
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 08 2014, 13:41

Holbein Menezes escreveu:


Mas só fui sentir intenso prazer com o disco quando, depois de três leituras, experimentei as várias opções do “set up” e escolhi, entre LPCM stereo, Dolby digital 5.1 e DTS-HD Master Audio, escolhi esta última configuração. Aí tive que modificar nos controles do OPPO a amostragem para 192kHZ/24 bit; o violino que estivera quase ausente quando ouvimos George e eu a primeira parte desse blu-ray, com os controles do OPPO acionados o violino apareceu diabólico e irresistível!

Esse David Garret é o cara!


(provocação ON)

Quanto não vale por um belo disco de vinil e simplesmente ouvir musica?

(provocação OFF)

  

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 08 2014, 16:02

Provocação mesmo, António.

Porque no vinil há tantos ângulos verticais no corte do master quantos Senhores Engenheiros existam à frente dos fabricantes de discos longplaying. Eu próprio, maníaco que sou, assumido e juramentado, "descobri" mais de dez! "Descoberta" respaldada pelos célebres Garrott Brothers da Austrália, com seus potentes microscópios de terceira dimensão!

Cada cabeça, uma sentença; quer dizer, cada Engenheiro de corte, um ângulo vertical. Em que pese a R.I.A.A. ou a C.C.I.R.terem acordado o ângulo de 15º para o corte dos master.

Disso decorre que os saudosamente decantados vinis não é singular, é plural. E a leitura dos discos, poliglota, isto, deve falar várias línguas.

Ademais, não é demais lembrar que ainda que uniforme o ângulo de 15º, o material do cantilever podia ensejar que o ângulo vertical fosse alterado pela pressão do peso do cartridge...

Ora, onde o pão, pão, queijo, queijo do seu argumento, António? Porque você "provoca" como se a leitura em todas as múltiplas situações fosse sempre igual no vinil.

Quem dera... quem dera!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Sab Fev 08 2014, 16:08

E mesmo assim.....nada me soa melhor, nada mesmo.

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Seg Fev 10 2014, 10:51

Comentário XI.

SONHO e REALIDADE...

O pai da Psicanálise, Sigmundo Freud, definiu em seu livro “Interpretação dos Sonhos”, definiu que sonhos são desejos inconscientes recalcados e manifestados oníricamente de forma alucinatória; não aspeio a definição porque se trata de uma tradução livre feita por mim; mas que o sentido é esse, lá isso é.

Pois bem, dia desses sonhei com dois possíveis fatos acontecidos comigo no longo tempo em que atuei, na clandestinidade, no partido comunista do brasil; nome do partido que vai em minúsculo pela razão de ter sido uma luta que briguei feito danado mas que jamais fora luta minha; merde, eu lutara uma luta de outros!

Sonhei com o curso de formação política “stalinista” denominado (pudera, né?) denominado “Stalin” (urgh!); que o fiz na Rússia (arre égua!); ou teria sido na União Soviética? No sonho, eu revivia a aventurosa viagem feita em navio cargueiro saído de Manaus, daí até Lisboa; da Capital de Portugal fui de trem para Paris; daí, de ônibus, até não sei mais por quantas cidades passei... (Clandestino é antes de tudo um antojado... em todos os sentidos).

Numa cidade soviética cujo nome nunca me disseram, de carro fui para uma fazenda em cuja sede passei 30 longos e difíceis dias; incomunicável; e completa abstinência sexual... (merde! eu tinha apenas 30 aninhos!). E lá, entre outras coisas aprendi que teoria, qualquer teoria é a generalização de experiências repetidas tomadas em seu sentido geral.

Entenderam?

Ou seja, e por isso tornei-me um experimentador uma vez que fui convencido (resultado da lavagem cerebral porque passei na “fazenda”?) de que minhas esdrúxulas experiências em áudio (esta, sim! luta minha!) poderão tornar-se, quem sabe, né? tornarem-se “teorias”... Eu, um leigo que nas poucas escolas que frequentei de modo algum passei da página 16 da cartilha do gatinho, esse “cara-sou-eu” um... (tremem-me os lábios!), eu, um teórico! Ah! Ah! Ah!]

“Teórico”, todavia produto do isolamento que amigos e colegas “religiosamente” (?!?) devotam-me; quiçá por culpa minha... [Será que eu é que me escondo cá na “gessofilled”? “Esconder-me”, uma das desgraçadas “manias” que introjetei no longo período de clandestinidade política?]

Será por isso?

(Nota: parece que não falei do “outro fato” sonhado, não foi? Fico a dever.)
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Seg Fev 10 2014, 11:18

Será que o sonho se fundiu com a realidade? Ou será que é realidade sonhada?

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Seg Fev 10 2014, 12:36

O sonho é a realidade do inconsciente assim como o pensamento é a matéria do cérebro. O inconsciente é a véspera do consciente mas tão real quanto aquele. Um antigo, de antes de acontecer o ato de um animal pensar, o outro, depois, para nossa desgraça. Éramos mais felizes enquanto animais! Depois que nos tornamos imagem à semelhança de Deus, Caim matou Abel! E nunca mais o homem deixou de matar seu semelhante.

Até preferirmos Barrabás a Jesus!
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Ter Fev 11 2014, 14:02

Yevgény Onégin, música perfeita para uma tarde fria e chuvosa (no meu caso escuto a versão da Orchestra of the Royal Opera House c/ direcção de Georg Solti):

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Mário Franco
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Ter Fev 11 2014, 15:36

Durante algum tempo tentei compreender o conceito de timbre porque pensei que, indo por aí, conseguiria entender melhor quais as propriedades que devia procurar num equipamento para reprodução do som (música).

Debalde (mas sem pá nem ancinho).

Ouvi porém histórias fascinantes sobre as propriedades das harmónicas (umas boas outras más como nos contos dos irmãos Grimm) e as competências fantabulosas de algumas maquinetas (amplificadores) que raquetavam qual esforçado John McEnroe as maléficas harmodemóniócas.

Até que num modesto e velhinho curso de electrónica por correspondência li que:

Qualquer som produzido por voz ou instrumento é constituído por uma frequência fundamental mais algumas outras, múltiplas desta primeira,  às quais chamamos harmónicas (não vamos falar em pares ou ímpares para não dificultar).

Mostravam imagens gráficas de ondas quadradas decompostas por filtros em laboratório, para ilustrar o teorema de Fourier, as quais depois de decompostas nada mais eram senão uma soma de sinusóides.

Portanto, agora digo eu, e isto é que é importante, as harmónicas só se chamam assim porque nos referimos a elas numa perspectiva de relatividade em relação à onda hertziana fundamental  

Seguindo este raciocínio uma harmónica é uma onda hertziana como outra qualquer.

Assim, em termos teóricos, uma onda hertziana que no contexto de um determinado som é considerada uma harmónica, poderá ser, no contexto de um outro som uma frequência fundamental .

Ou seja tudo isto é plástico e todas elas (frequências fundamentais e harmónicas) são farinha do mesmo saco.

Assim sendo e no meu modesto entendimento concluo que vamos sempre bater no mesmo ponto:

Para ter boa reprodução tímbrica  é preciso que à saída do sistema a(s) onda(s) seja(m) iguais (tanto quanto possível) à onda inserida na entrada, completas na sua composição, ou seja que esteja lá tudo, independentemente dos nomes que lhes demos para, a dado passo, compreender a sua natureza complexa..

Agora se isso corresponde à verdade do que foi produzido pelo musico já é outro campeonato que não é para aqui chamado.

(post scriptum – se nalgum passo das minhas palavras fui irónico essa ironia é dirigida a mim, porque também já andei enredado em fábulas tímbricas. Se disse algum, muitos ou exclusivamente disparates peço que me perdoem e atendam à minha condição de amador)

Cura ut uales
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Ter Fev 11 2014, 16:03

É uma boa questão. Mas voltamos a um problema original. Porque razão amplificadores que medem igual não nos soam igual? Será que a medição de um som de teste é realmente eficaz para se analisar um som complexo de um instrumento ou voz?

Entendo o que dizes, e na minha ignorância técnica até faz sentido, mas...algo me diz (pode ser parvoíce) que há mais "algo" que não se mede pela simples injeção de sinal simples e que pode ter bastante efeito na apresentação e qualidade final do som de um sistema.

O tema é interessante.

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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Ter Fev 11 2014, 16:08

Pô, Mário Franco, é isso aí! Tal qual!

Só que na formação do espectro harmônico os há o dominante (que dá o caráter ao tom) e os secundários. Daí porque um Fá-0 no piano tem caráter diferente do mesmo Fá-0 no clarinete; e a diferença vai por conta da dominante que no piano é uma e no clarinete, outra.

E, para atrapalhar - ah! se nesse Mundo, vasto Mundo todos se chamassem Raimundo! - existe um "bichinho" chamado "formante" que faz com que dois Fá-0, um numa marca de piano e outro, noutra, tenham caráter diferente!!!!!!!!!!

E agora, Mário?
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Ter Fev 11 2014, 16:18

António José da Silva escreveu:
Será que a medição de um som de teste é realmente eficaz para se analisar um som complexo de um instrumento ou voz?

O problema poderá estar  na medição mas decerto que estará também noutros factores que, além do timbre, (de)formam concomitantemente a reprodução sonora.
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Ter Fev 11 2014, 16:30

Holbein Menezes escreveu:
Pô, Mário Franco, é isso aí! Tal qual!

Só que na formação do espectro harmônico os há o dominante (que dá o caráter ao tom) e os secundários. Daí porque um Fá-0 no piano tem caráter diferente do mesmo Fá-0 no clarinete; e a diferença vai por conta da dominante que no piano é uma e no clarinete, outra.

E, para atrapalhar - ah! se nesse Mundo, vasto Mundo todos se chamassem Raimundo! - existe um "bichinho" chamado "formante" que faz com que dois Fá-0, um numa marca de piano e outro, noutra, tenham caráter diferente!!!!!!!!!!

E agora, Mário?

Querido amigo, modestamente respondo que independentemente do nome ou função são sempre, sinusóides.

No plano físico (e electricidade também é física) são sempre iguais (na sua natureza). A diferença só existe nos modelos abstractos que criamos para poder falar dos fenómenos.


Última edição por Mário Franco em Ter Fev 11 2014, 17:52, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Reflexões de H. M.   Ter Fev 11 2014, 16:32

Eu concordo com o Mário: um sistema deve reproduzir o sinal com a maior "fidelidade" possível pois esse sinal contém o timbre (c/ dominante, secundários, formante e tudo o mais) dos instrumentos, ou aquilo que é tecnicamente o mais próximo possível do timbre real dos instrumentos (em teoria, porque na realidade nem sempre são utilizados equipamentos de desempenho superlativo ou técnicas de captação adequadas).

O problema está na incapacidade deste sistema composto pelas fases de captação, registo, leitura e reprodução em recriar o evento original nas nossas salas.
As causas são várias: a qualidade do sinal resulta do posicionamento dos microfones e do nível desempenho de todos os componentes utilizados na captação, a captação e reprodução estereofónica de 2 ou mais canais não consegue "mimetizar" a radiação sonora dos instrumentos, as nossas salas têm uma "assinatura" acústica demasiado vincada que entra em conflito com a acústica do espaço original (isto se falarmos de música "séria"), etc.

Nesse caso há duas alternativas, conformamo-nos com a recriação deficiente ou procuramos reinventar o evento original…ou seja, pintamos a manta.


Última edição por ricardo onga-ku em Ter Fev 11 2014, 20:26, editado 1 vez(es)
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