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 Textos de Holbein Menezes

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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Textos de Holbein Menezes   Sab Jan 04 2014, 17:10


Embaixo, dos meus arquivos um texto inédito do td124 (sem a prévia aquiescência dele):

1. CABOS DE ÁUDIO.

Os Cabos têm uma alma ???

td124 Ontem à 17:05 (Explição do Holbein: td124 chama-se, na verdade, o cientista português, radicado em França, Dr. Paulo Marcelo. (Tive que abrasileirar o texto original do Paulo, que foi escrito em português de portugal com forte influência francesa.)


2.
Os Cabos têm uma alma ???



Começo esta crônica com uma alusão à « Controvérsia de Valladolid » quando a Igreja e a Inquisição se reuniram, nessa cidade, para decidir se a família de índios que o Cristovão Colombo tinha trazido das Américas, os índios tinham uma alma ou não. O problema dos cabos de áudio é quase da mesma ordem, pois trata-se de saber se esse elo do sistema influi ou não no resultado da escuta. Essa questão divide ainda muitos audiófilos pois há os « crentes » ou malucos e os « ateus » ou surdos …

Para mim, o problema não é de saber se os cabos têm ou não influência no resultado mas sim de perceber a natureza e o valor dessa influência, pois como disse a baixa voz Galileu Galilei à Inquisição em desmentindo que a Terra girava à volta do Sol: « mas apesar de tudo ela gira… ». Eis o que para mim é a questão crucial, e talvez o centro da discórdia, que dura desde os anos sessenta quando os audiófilos da escola japonesa apontaram o fenômeno pela primeira vez.

Um cabo não é um aparelho de audio, é um componente passivo que tem como função o envio do fluxo de elétrons entre um ponto A e B, ou seja, é um condutor elétrico. A tentativa de análise de um cabo utilisando os mesmos adjetivos que utilisamos para os aparelhos é um erro, pois um cabo não pode aumentar nem a dinâmica nem a definiçao por exemplo, a única coisa que ele pode fazer é perder o menos possível, o que em si pode ser assimilado, como sendo um ganho. Mas na realidade, considerar a ausência de perda, como sendo um ganho só é válido em economia.

Mas !, pois há sempre um mas em áudio ((in)felizmente), o jogo de perder o menos possível, ou então, de modular (afinar) a perda em função das frequências e das necessidades próprias à busca do equilibrio pessoal do sistema, pode ser a solução para passar da entrada ao interior do Nirvana audiófilo. Neste último caso, não é surpreendente de ouvir ou ler certos audiófilos extasiados, pois um « simples » cabo permitiu-lhes obter um resultado com o equilíbrio sonhado, ou seja, uma certa forma de paraiso, que no áudio é quase sempre temporário. Mas o pouco pode ser muito !!!, pois descer de 30° a 29° graus é pouco, mas descer de -272° a -273° o zero absoluto é gigantesco (apesar de ser sempre uma diferença de um grau); eis a perfídia humana, Praça da discordia dos Cabos.

Já sinto daqui os « ateus » dizerem que, tudo isso é linda conversa mas é treta, nós queremos provas !!! Eu também, meus caros amigos, mas hoje é ainda espera inutil. Apesar de todos os progressos e teorias (pois elas existem), como a descoberta (magnífica) do efeito de memória do isolante (dielétrico) pelo Johannet da EDF (equivalente da EDP) em França, do efeito de proximidade, do efeito de pele, da teoria da microtravagem molecular, do movimento asíncrono condutor, da teoria de desfasagem geométrica, da influência das moléculas de água prisioneiras entre o isolante e o condutor etc…, só a teoria da memoria do isolante pôde ser provada graças à potência de medida do laboratorio da EDF (o maior do mundo). Ora, analisar as outras teorias e os fenômenos em jogo não é nem sequer do domínio da eletrônica mas da pesquisa fundamental (elementar) da Física, e jamais um estado e ainda menos uma empresa, darão dois ou três milhões de euros para a análise molecular desses fenomenos !!! Não, a prova não existirá brevemente, ou então será por acaso, ou por vias colaterais.

Visto deste ângulo, o domínio dos cabos de áudio é um paradoxo, pois é o mais empírico e ao mesmo tempo, o mais tecnológico dos campos de pesquisa do áudio. Não é surpreendente então que os audiófilos que amam fazer cabos de áudio, se tenham interessado desde há muito tempo pelos cabos destinados à aeronáutica, ao espaço ou ás utilizações militares. Esses cabos geralmente (ou exclusivamente) equipados com isolantes de alta tecnologia como o Téflon e outros, com condutores purificados, dirigidos, estabilisados termicamente e construídos em ausência total de contato com o ar e da umididade (atmosféra zero), ou em presença de gases inertes, apresentão naturalmente características (teóricas) superiores aos cabos comuns.

No entanto, constato algo de surpreendente: os audiófilos antigos e com muita experiência abandonam e não têm interesse e (ou pouco) pela pesquisa em cabos, e prefrem concentrar os seus esforços noutros domínios do áudio. A razão parece-me evidente. O cabo absoluto não existe e (talvez) nunca existirá !!! Numa situação especifica, um vulgar cabo elétrico, de telefone ou de computador pode dar melhores resultados (graças ao jogo das compensações), do que um cabo de alta tecnologia, ou produzido por uma marca reputada. Isso conduz os audiófilos iniciados, a utilisar quase sempre o mesmo cabo (chamado um cabo de trabalho ou de referência), que geralmente é escolhido pelo equilíbrio geral de perda que possui. Essa atitude permite fazer evoluir o sistema de uma maneira mais objetiva, do que pela experimentação sistemática e aleatória de cabos.

O domínio do cabo de audio funciona na base de uma lógica aleatoria e não de uma lógica linearia. Que um cabo que custa 1000€ por exemplo, possa soar menos bom que um cabo de computador num caso específico, é dificil de aceitar pelos audiófilos, que veem neste fenomeno um abuso comercial. Essa atitude deve ser ponderada pois a lógica dos cabos é assim feita, e o melhor será sempre aquele que vai dar os melhores resultados, qualquer que seja a sua nobreza ou origem. Que um cabo possa custar caro é normal, mas que ele possa fazer soar um sistema menos bem, também é normal, mesmo se pode ser desagradável para quem o pagou. E por isso, a escolha de um cabo deve ser feita em casa, em situação real, e que os resultados não podem (nem devem) ser transpostos noutro caso próximo, mesmo quase equivalente.

Então os cabos têm uma alma ou nao !!! Talvez …, de todas as maneiras, algumas das experiências perturbantes e singulares que vivi no áudio foram à volta desses elos, como recentemente a vertigem com o Arataca do Mestre Holbein. Eu sei que o Arataca não melhorou a qualidade do meu prévio nem do meu amplificador mas ele permitiu-lhes comunicarem-se melhor um com o outro, para o meu grande prazer. Mas mais que isso, o Arataca permitiu-me melhor conheçer o Holbein, pois a escolha pessoal do equilíbrio de perda de um cabo é quase como uma assinatura, o que explica que eu tenha enviado os meus de produção própria em resposta aos seus.

Meus caros amigos, que vocês sejam « ateus » ou « crentes », tudo isso é relativo e sem verdade cientifica, mas não merece a guerra que existe desde sempre, pois como diz um velho ditado Françês « que importa o copo, se o vinho é bom … ».

Mesmo se o copo intervém na qualidade da prova …
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Textos de Holbein Menezes   Sab Jan 04 2014, 17:14

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Textos de Holbein Menezes   Sab Jan 04 2014, 17:31

Um genial texto do amigo Paulo.   

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Holbein Menezes
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MensagemAssunto: Re: Textos de Holbein Menezes   Sab Jan 04 2014, 19:33


Definitivamente!

Definitivamente não há o "bom" ou o "melhor" no áudio para a reprodução do som musical; há o menos fiel! Não existe, pois, a alta-fidelidade; o que existe é a tentativa de não ser "baixa-fidelidade".

Quando acionamos a "intensidade" do pré-amplificador não estamos dando ao sistema mais potência; porque a potência de um sistema de som musical é pré-determinada: em tais e quais condições o sistema foi projetado para uma dada potência nunca maior do que a potência para o qual foi projetado... se as condicionantes forem cumpridas. O aumento da intensidade, da dinâmica, da fidelidade, da sonoridade jamais poderá ser maior ou melhor daquela para a qual o sistema foi projetado.

Portanto, os controles do pré-amplificador, dos amplificadores, dos leitores jamais poderão ser "melhores"; o objetivo dos projetistas é tê-los "menos ruins" à proporção que forem acionados.

Quando "fechamos" o volume do pré, funciona da mesma forma como quando fechamos a toprneira da água, isto é, deixamos passar "menos" água; quando diminuímos o controle de intensidade do pré-amplificador deixamos fluir MENOS corrente de áudio. Ora, se um certo transitório da música é sutil o bastante para ser ouvido só a partir de uma dada intensidade, isso quer dizer que ao diminuirmos a intensidade do controle do pré, perderemos o registro desse transitório sutil. Mas se para ouvirmos tal transitório sutil, "aumentamos" (abrimos a torneira) da intensidade do pré a audição não melhora em qualidade, apenas em quantidade. Mas a torneira pode derramar água... isto é, o sistema de som passará a registrar distorções que estão nas gravações e que antes não percebíamos seus efeitos deletérios!

Quer isso dizer que não há o melhor em áudio, há o menos pior, e dinheiro nenhum transformará o "menos pior" em melhor!

Em áudio para a reprodução do som musical não há o absoluto, BOM PARA QUALQUER SITUAÇÃO.

Não há a sala IDEAL livre de problemas, e se o ambiente de escuta não é o nosso "ideal do ego", poderemos pôr lá dentro o Nirvana dos sistema que não acrescentará nada de "melhor".

O mesmo posso dizer sobre cabos de interconexão: não existe o cabo ABSOLUTO capaz de fazer um sistema de som "melhorar"; mas há muitos cabos que são capazes de fazer o sistema de som NÃO PIORAR!

Toda a dialética da escuta do som em conserva é neste sentido, isto é, de não piorar os registros que estão nos discos. Marcas, grifes, projetos, o escambau, custem quanto curtarem, não "melhorarão" o som musical se... pois é, se apenas um resistor oxidar ou um capacitor mudar de valor com o calor ambiente dentro do aparelho.

Porquanto tudo é relativo e tudo é interdependente. A busca pelo ABSOLUTO em áudio é melhor explicado por Freud do que pelos "reviewers" dos magazines especializados...

O "cabinho" Arataca descamado, descapado, desblindado pode, e faz, muito mais pela corrente de áudio do que as "curvas" das juntas que se chamam em cabos capas ou "schield".

Só os imbecis são donos da verdade absoluta: porque são imbecis.
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