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mango
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sex Nov 01 2013, 19:41

António José da Silva escreveu:
mango escreveu:
CNeves escreveu:
Amigo Mango

Vamos a mostrar com factos, não com conversa, que o Salazar era tacanho.

Exemplos bem concretos, nada de lugares comuns.

Boas audições
Pessoas que metem o tacanho de Santa Comba Dão num pedestal dificilmente me podem chamar amigo.
Fiquemo-nos mesmo apenas pelo audio.
Mango, por acaso posso afiançar que o César é mesmo alguém bom de coração e bom amigo. Tal como para ti, também eu desvalorizo totalmente uma ou outra coisa positiva que possa ter feito. Para mim, a ditadura nunca merece qualquer tipo de reconhecimento e para o César também não, a diferença é que ele gosta de salientar os aspetos positivos e nós queremos os aspetos positivos enterrados com o gajo no caixão.

Mas que o César é alguém genuinamente amigo, isso é.
Certo Antonio...este tipo de saudosismo esta bem documentado e ha de facto obras muito boas sobre o assunto do ponto de vista historico e factual.
Contudo estas discussoes tendem a ser circulares e normalmente só se argumenta aquilo que interessa para defender um determinado ponto de vista e ignora-se completamente o resto.
De que adianta termos tido uma reserva de ouro invejavel, alimentada pelos dentes dos judeus e os saques que os nazis iam fazendo por essa Europa fora, se chegaste a 1973 com um saneamento basico que cobria apenas 10% do territorio nacional? 90% do territorio as pessoas faziam as necessidades ao fundo do quintal e uma grande parte nem agua potavel tinha para beber. Os esgotos a ceu aberto a desenbocar em rios e praias eram o rosto visivel de um país completamente de 3 mundo. Para que serviu tanto ouro? E o que dizer da iliteracia? Só as elites tinham acesso ao ensino superior e a esmagadora maiorioa da populaçao era analfabeta.
Eu sou um daqueles que esta completamente desacreditado no sistema currente que temos. Somos governados por patifes liberais e apatridas. Nao ha um desígnio para este país a curto prazo. Mas isto é um terreno fertil para algumas ideologias, e normalmente de extremos. A ascensao da extrema-direita em França e nos paises nordicos é real.
Acho que nao é a desenterrar o passado que se resolve coisa alguma.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sex Nov 01 2013, 19:45

mango escreveu:

Certo Antonio...este tipo de saudosismo esta bem documentado e ha de facto obras muito boas sobre o assunto do ponto de vista historico e factual.
Contudo estas discussoes tendem a ser circulares e normalmente só se argumenta aquilo que interessa para defender um determinado ponto de vista e ignora-se completamente o resto.
De que adianta termos tido uma reserva de ouro invejavel, alimentada pelos dentes dos judeus e os saques que os nazis iam fazendo por essa Europa fora, se chegaste a 1973 com um saneamento basico que cobria apenas 10% do territorio nacional? 90% do territorio as pessoas faziam as necessidades ao fundo do quintal e uma grande parte nem agua potavel tinha para beber. Os esgotos a ceu aberto a desenbocar em rios e praias eram o rosto visivel de um país completamente de 3 mundo. Para que serviu tanto ouro? E o que dizer da iliteracia? Só as elites tinham acesso ao ensino superior e a esmagadora maiorioa da populaçao era analfabeta.
Eu sou um daqueles que esta completamente desacreditado no sistema currente que temos. Somos governados por patifes liberais e apatridas. Nao ha um desígnio para este país a curto prazo. Mas isto é um terreno fertil para algumas ideologias, e normalmente de extremos. A ascensao da extrema-direita em França e nos paises nordicos é real.
Acho que nao é a desenterrar o passado que se resolve coisa alguma.
Ora nem mais, lembro-me bem da miséria que via em puto quando anualmente visitava a familia. Eramos um país com 100 anos de atraso em relacao ao resto da Europa, uma miséria quase total.

Nao, a mim e com todos os que falo, nao deixou saudades nenhumas.

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reirato
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sex Nov 01 2013, 21:47

ricardo onga-ku escreveu:
Tenho ideia que a Constituição não permite a venda do ouro nacional para pagar dívidas…felizmente senão já não tínhamos nada.
Ainda temos bastante...

Portugal Gold Reserve: Rank 12
Total gold reserve: 382.5 tonnes.
It constitutes 82% of the country’s total forex reserves.


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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sex Nov 01 2013, 22:36

Caros amigos

Para não ter muito trabalho, peguei no primeiro gráfico que me apareceu na internet sobre a evolução de um indicador económico em Portugal.

O gráfico está aqui:

 photo poupan25c325a7a_taxadepoupan25c325a7abrutaem2525dopibemportugal252c1960-20102528ameco2529_zpsf07e0ed7.png


Por favor, antes de atirarem para a ventoinha informações bombastica, vão á internet, pesquisem, e verifiquem se as podem fazer: se não o fizerem isto não tem graça.

Vamos a isto:

Mostrem que o que eu não tenho razão sobre o que disse sobre Salazar.

Se não são como o Blatter:

"Só vêm o que querem ver" 

Boas audições



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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sex Nov 01 2013, 23:22

A avaliar por esse gráfico, a altura mais prospera foi ali entre 70 e 74.

Tenho a certeza que todos os portugueses adorariam voltar a esse tempo.  

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sex Nov 01 2013, 23:31

António José da Silva escreveu:
A avaliar por esse gráfico, a altura mais prospera foi ali entre 70 e 74.

Tenho a certeza que todos os portugueses adorariam voltar a esse tempo.  
Há aqui algo de contraditório nas tuas intervenções   

P.S.1 - É verdade! Este período já é um pouco diferente... O chefe do Conselho já não usava botas... e não caiu da cadeira...

P.S.2 - Não me contive, mais ainda depois do Glorioso dar 3.

P.S.3 -   Prometo ficar

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sex Nov 01 2013, 23:34

Nao entendi.

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sex Nov 01 2013, 23:42

António José da Silva escreveu:
Nao entendi.
António José da Silva escreveu:
....  Tenho a certeza que todos os portugueses adorariam voltar a esse tempo.
Esta frase. Mas interpretado de uma outra forma, não quererá dizer que estás incluído no "todos", e portanto continuas coerente.
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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sex Nov 01 2013, 23:54

Amigo AJS

Não adorariam não.

Mas os factos: os indesmentíveis factos, são:

• é verdade aquilo que eu disse sobre a evolução económica dos governos de Salazar;  

• é completamente falso algumas afirmações bombásticas que tu, e outros, fizeram sobre a situação económica da governação de Salazar.  


Boas audições
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 00:01

Agora mesmo, e numa pesquisa relâmpago pela net encontrei isto...

http://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Grandes_Portugueses

Será que a televisão pública mais uma vez manipulou os resultados? Talvez... à época!!! 2007!!!

E com isto não estou a fazer a apologia seja lá do que for... A personagem que ficou em 3º lugar na mesma votação, diz-me muito mais que qualquer um dos outros precedentes.

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 00:09

CNeves escreveu:

• é completamente falso algumas afirmações bombásticas que tu, e outros, fizeram sobre a situação económica da governação de Salazar.  


Boas audições
Nao sei de onde vem esse gráficos, mas a realidade para mim é só aquela que eu assiti ao vivo e que vivi.
A situacao económica da governacao de Salazar pode ter sido bombasticamente boa, a situacao económica das pessoas que viviam nessa situacao económica aparentemente excelente, era miserável. E é essa que nos interessa.

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 00:23

Amigo AJS

Tu gostavas que fosse assim: na tua cabeça é assim: mas não foi. 

Boas audições
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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 00:28

Amigo AJS

Sobre a veracidade dos gráficos: já disse: vai á internet: procura tu os gráficos.

Verás para grande desgosto teu, e meu que a maioria dos gráficos de indicadores económicos, têm todos aquela forma de cogulo; com o topo no inicio dos anos setenta: as inclinações, podem ser maiores de um lado ou de outro, mas é tudo assim.

Não te safas.

Boas audições
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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 00:31

Amigo Ferpina

Vou fazer a última intervenção desta noite.

O amigo referiu que o homem da lista que mais admira é Aristides de Sousa Mendes.

Parabéns: temos os mesmo gostos: eu também admiro muito Aristides de Sousa Mendes.


Mas por acaso os amigos sabem que o que Aristides de Sousa Mendes, fez o que fez por dinheiro?

Com certeza que teve motivações humanísticas; e com certeza bem fortes.

Mas iniciou a emissão dos vistos com o objectivo de receber umas “massas”, de que tinha grande carência.

Se por acaso fosse o Salazar que estivesse a ser avaliado diziam já: o filho da pu%&a era um corrupto do caraças: era um funcionário corrupto.

Pois é, estamos a falar de Aristides de Sousa Mendes, e assim esquecemos as “massas” que recebeu; e consideramo-lo, e bem, um dos grandes portugueses da nossa história.

Na minha opinião apesar das massas que recebeu foi realmente um grande homem.

Mas os factos são factos, e não os “podemos pôr debaixo do tapete”.


Boas audições

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Milton
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 00:53

Naqueles tempos de prosperidade economica os portugueses inventaram um novo prato de bacalhau : Bacalhau à Salazar.
E os condimentos desse prato eram do melhor :
Batatas com batatas...

lol! 

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 01:01

Milton escreveu:
Naqueles tempos de prosperidade economica os portugueses inventaram um novo prato de bacalhau : Bacalhau à Salazar.
E os condimentos desse prato eram do melhor :
Batatas com batatas...

lol! 
E já nao era para todos.  

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Ferpina
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 01:44

CNeves escreveu:
... ...

Mas por acaso os amigos sabem que o que Aristides de Sousa Mendes, fez o que fez por dinheiro?

... ...
Desconhecia por completo esse facto.  

O que transparecerá para as gerações seguintes e provavelmente para a história será sómente o aspecto humanitário da pessoa. Ou seja, o que interessa em determinado espaço temporal, esquecendo e detorpando muitas vezes a causa/efeito.

Obrigado pela chamada de atenção, vou tentar documentar-me sobre este tema do Aristides.

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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 08:44

Amigo Milton

O “bacalhau á Salazar” não tinha o sentido que tu lhe deste.  

Pretendia gozar com o Salazar por ser poupado: o gajo era tão poupado que nem dinheiro no bacalhau gastava.  

Convêm dizer, que Salazar era popular: a grandíssima maioria do povo, durante a maioria do tempo do seu governo, gostava e apoiava Salazar.

Nada quer dizer: Hitler e Bush também foram populares: mas o facto é que Salazar era popular.

Boas audições
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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 08:46

O amigo Ferpina disse tudo muito bem.

Não há ninguém, pequenos ou grandes homens, que não tenha os seus pecadilhos.

O Aristides de Sousa Mendes, também os tinha, e fez aquilo que fez: uma obra humanitária do mais alto gabarito, impar no mundo.

As “massas” não importam para nada, face aquilo que consegui

O Salazar idem aspas: teve pecados do pior; mesmo do pior; mas conseguiu resultados económicos do melhor que se viu.

Aqui os pecados, importam e muito, e não devem ser esquecidos: mas as grandes coisas, também não.


A mentalidade portuguesa, que, por exemplo, goza a bom gozar, e deprecia á grande, um dos atos de maior impacto cultural no país, que foi o Magalhães: não quer á força  que o Salazar tenha feita grandes coisas: mas fez: ponto.

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 12:40

Meu caro CNeves:

Os indicadores económicos valem o que valem e só devem ser lidos à luz dos seus contextos históricos e sociais. No meu humilde entender (não sou economista nem sociólogo, muito menos historiador), os indicadores sobre a poupança são, frequentemente, perversos. Podem apontar para uma economia pobre na sua capacidade de consumo com curta ou muito curta oferta de bens, para uma sociedade incapaz na protecção social em geral, ensino economicamente pouco acessível ao todo da população, parque habitacional reduzido e de má qualidade, infraestruturas deficientes ou insuficientes. No caso português podemos acrescentar (para a toda a época dos 70) a enorme dimensão das remessas dos emigrantes portugueses que construiam a hoje muito rica Europa Central, uma Segurança Social ainda incipiente, com muitos a pagar e muito poucos a receber. Todos estes factores somados permitem indicadores económicos favoráveis (superavit do Estado e a economia em geral beneficiando de uma balança de pagamentos com o estrangeiro equilibrada, elevado nível de poupança, etc). E uma visão que beneficia os políticos/governantes desses tempos por oposição aos de hoje.

Olhando a economia ou o enorme buraco em que ela se transformou nos nossos dias arrepia-me ouvir falar de poupança. Não precisamos de poupar, precisamos de gastar. Precisamos de gastar na mercearia de bairro, no restaurante da esquina, na cabeleireira do 1º direito...
Não devemos guardar o nosso "superavit" familiar nos cofres dos bancos que o vão usar na especulação financeira, nos empréstimos aos amigos e às grandes empresas com a sua sede numa qualquer Amesterdão ou Gibraltar. Temos, nós todos, o dever de animar a economia, a pequena economia que faz das nossas cidades espaços confortáveis: as pequenas livrarias, os cafés, casas de pronto a vestir, sapatarias, barbearias, etc.
Estas palavras não são minhas, ouvi-as da boca de um reputado economista português (Silva Lopes) que as disse, contra-a-corrente, no início desta crise.
Concordo plenamente com esta visão.

Retornando aos indicadores de poupança de 72/74: na altura não havia onde gastar o dinheiro (quem o tinha!), nem uma sociedade de consumo saudável. O parque habitacional era pobre e insuficiente, as escolas mal equipadas, das estradas nem quero falar, e por aí fora. Portugal vivia fechado, isolado politica, economica e culturalmente. A insegurança no futuro e a pouca espectativa no presente (da época) levava ao aforro. E este aforro subsidiava o Estado (e isto a estatistica não diz): foi o período áureo dos Certificados de Aforro.

O problema talvez esteja no termos ido dos 8 aos 80 em pouco tempo: demasiadas casas, demasiadas estradas, demasiadas escolas... demasiada e não muito saudável sociedade de consumo... e pouca ética em quem geria tudo isto.

Não me repugna Casa-Museu de Salazar nem estátua do mesmo. Podem dar o nome do homem a uma rua (desde que não seja a minha, :-),) que não me verão aos gritos contra isso. Não podemos apagar a História, nem apagar da História períodos nos quais não nos revemos. Nem me repugna esta tertúlia sobre um político que, quer queiramos quer não, marcou de forma indelével o Sec. XX deste país. Nem penso que isto possa ser confundido com, ou contribuir para, branquear ou denegrir a pessoa em causa. Acho salutar pessoas gastarem o seu tempo trocando opiniões mais ou menos assertivas sobre assunto tão sensível sem que tal descambe no insulto fácil ou em gritaria estéril.
Continuarei por aqui...
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 12:57

agorgal escreveu:
Acho salutar pessoas gastarem o seu tempo trocando opiniões mais ou menos assertivas sobre assunto tão sensível sem que tal descambe no insulto fácil ou em gritaria estéril.
Continuarei por aqui...

E é assim que deve de ser.  

Obrigado pelo contributo que me parece assertivo.

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 12:57

Amigo Agorgal

Como estou farto de insistir; o amigo procure o gráfico de outro indicador económico; faça o favor de procurar outros gráficos referentes a qualquer outro  indicador económico:

Escolha o que quiser:


Vera que a grande maioria, a enormíssima maioria, tem a forma do cogulo do gráfico anterior.

É um chatice, mas infelizmente é assim.

E volto a referi que não ganhamos nada em ser como o Blatter:

Só vermos o que queremos ver.


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MensagemAssunto: Re: Salazar   Sab Nov 02 2013, 20:06

Os argumentos podem ser válidos sejam eles quais forem... Podem, mas... Acontece que o problema de sempre é não se utilizar um verdadeiro raciocino e acabar por utilizar uma linguagem puramente simbólica. Tal como na retórica, a comunicação é sempre parcial. É o preço de se estar preso ao mundo cultural.
Sem por em causa quais quer pós nem contras relativamente a Salazar ou outra personagem, o que está em causa não é o que alguém possa ter em conta... mas a realidade concreta e isto não passa por nenhuma ideologia... Mesmo o tempo mostra que não faz sentido sequer lembrar muito menos comparar nada, a não ser para evitar o erro.
Importa portanto ir ao encontro daquilo que realmente é imperativo considerar e não fazer alguma comparação... Enfim, ir ao encontro do que realmente importa. Mas claro, isso não é pêra doce, pois o mais natural é mexer com algum compromisso... Por exemplo, a questão dos animais domésticos. Ainda agora se viu que o governo se lembrou de mexer em algo demasiadamente delicado e logo percebeu que seria tudo menos popular e que não seria nada aconselhável agora que pretende alcançar tamanhos... (prefiro nem dizer o quê). E não será por acaso que a lei dos cócós dos animais na via pública não passa de um enfeite, pois nunca foi aplicada. Porquê? Porque há demasiados interesses, nomeadamente da própria polícia em que muitos agentes possuem animais e não gostariam nada de ver a lei ser aplicada, por isso, fecha-se os olhos...
 
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Dom Nov 03 2013, 23:58

Este meu post não tenta de alguma forma culpabilizar o Salazar porque não tem nada a haver, mas achei interessante esta recente descoberta e que mostra a enorme extensão do saque Nazi.


http://www.dailymail.co.uk/news/article-2486251/Discovered-Billion-pound-art-collection-seized-Nazis-ordered-destroyed-discovered-rotting-food-dishevelled-Munich-apartment.html

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Seg Nov 04 2013, 00:06

Também serve para vermos as raízes do poder que perduram. É realmente uma história e achados incrivel e mostra bem o que espólio cultural e monetário que a Alemanha roubou.

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Seg Nov 04 2013, 08:24

Salazar em exibição no Museum of Modern Art (MoMA):

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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Seg Nov 04 2013, 08:47

AJS escreveu:
Este meu post não tenta de alguma forma culpabilizar o Salazar porque não tem nada a haver, mas achei interessante esta recente descoberta e que mostra a enorme extensão do saque Nazi.
Isto é uma chatice mas mais uma vez tenho de ser desmancha prazeres.

Não há dúvida que os alemães pilharam a bom pilhar obras de arte, e não só, em toda a europa.

Só que os alemães fizeram na europa o que os europeus e os americanos, andaram a fazer nos países colonizados e sobre “proteção”.

Basta ires aos museus ingleses franceses e americanos para veres lá, e á descarada, as obras de arte roubadas na Grécia, no Egito, na Índia, na China e por aí fora.

E ninguém fala nisso, nem ninguém se incomoda: ninguém exige a sua devolução.

É realmente uma chatice, mas o alemães limitaram-se a tratar a Europa exatamente como os europeus, e os americanos, andaram durante séculos a tratar os africanos e os asiáticos.

Consideramos o Hitler um dos piores facínoras da História; e por outro lado consideramos heróis e grandes homens, dirigentes europeus, que fizeram no mundo enegrumices do quilate do Himmler e afins.

Só que as vitimas eram pretos, e gajos de olhos em bico, “não é grave”.

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Seg Nov 04 2013, 09:13

CNeves escreveu:
Isto é uma chatice mas mais uma vez tenho de ser desmancha prazeres.
Nao estas a ser desmancha prazeres mas sim a adicionar informacao importante.

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Seg Nov 04 2013, 09:16

CNeves escreveu:
AJS escreveu:
Este meu post não tenta de alguma forma culpabilizar o Salazar porque não tem nada a haver, mas achei interessante esta recente descoberta e que mostra a enorme extensão do saque Nazi.
Isto é uma chatice mas mais uma vez tenho de ser desmancha prazeres.

Não há dúvida que os alemães pilharam a bom pilhar obras de arte, e não só, em toda a europa.

Só que os alemães fizeram na europa o que os europeus e os americanos, andaram a fazer nos países colonizados e sobre “proteção”.

Basta ires aos museus ingleses franceses e americanos para veres lá, e á descarada, as obras de arte roubadas na Grécia, no Egito, na Índia, na China e por aí fora.

E ninguém fala nisso, nem ninguém se incomoda: ninguém exige a sua devolução.

É realmente uma chatice, mas o alemães limitaram-se a tratar a Europa exatamente como os europeus, e os americanos, andaram durante séculos a tratar os africanos e os asiáticos.

Consideramos o Hitler um dos piores facínoras da História; e por outro lado consideramos heróis e grandes homens, dirigentes europeus, que fizeram no mundo enegrumices do quilate do Himmler e afins.

Só que as vitimas eram pretos, e gajos de olhos em bico, “não é grave”.

Boas audições
Concordo plenamente que certos heróis europeus não eram menos facínoras do que o Adolfo mas isso não faz dele menos atroz.

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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Seg Nov 04 2013, 09:26

Ricardo onga-ku escreveu:
Concordo plenamente que certos heróis europeus não eram menos facínoras do que o Adolfo mas isso não faz dele menos atroz.
Com certeza foram todos atrozes: e o que eu disse reforça a percepção das atrocidades do adolfo e dos outros: só que diabolizar uns, e santificar outros, não ajuda nada a evitar futuras atrocidades.

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Seg Nov 04 2013, 09:36

CNeves escreveu:
Ricardo onga-ku escreveu:
Concordo plenamente que certos heróis europeus não eram menos facínoras do que o Adolfo mas isso não faz dele menos atroz.
Com certeza foram todos atrozes: e o que eu disse reforça a percepção das atrocidades do adolfo e dos outros: só que diabolizar uns, e santificar outros, não ajuda nada a evitar futuras atrocidades.

Boas audições
Claro que não.
Dois exemplos desse facto são o de Santa Catarina de Sena, alcunhada de "mata-Mouros", uma das cabeças por detrás das Cruzadas e o Rei Luís IX de França, cuja canonização se deve ao facto de ter participado e perdido a vida nas Cruzadas.

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Mário Franco
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Seg Nov 04 2013, 16:38

Tenho acompanhado o "topos" com muita atenção e emociono-me com o latejo palpitante do tema.

É um tema suculento polémico e fracturante (fracturante? ai coitadinho do acordo ortográfico) fremente, pungente, contingente, não displicente,  adstringente e etc etc

Mas eis que hoje fui arrancado ao arrebatamento

De repente descobri, fez-se luz, irrompeu a epifania, porque no ápice climáxico do meu envolvimento emo/racional descobri a verdade.

Salazar é um grande farsante ! ! !

Salazar não existe ! ! ! ! ! !

A figura que se diz Salazar é um psicótico polimaníaco que para pasmo dos gentios se transfigura para iludir multidões

Eis a prova da horrível realidade

Tanto aparece como Salazar (a imagem não mente)


Como de JC (vendo-se que foi tudo simulado)


E sempre a apoderar-se da mulher do próximo como se vê.

Não se deixem enganar por quimeras
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Milton
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Seg Nov 04 2013, 17:19

Mário Franco escreveu:
Tenho acompanhado o "topos" com muita atenção e emociono-me com o latejo palpitante do tema.

É um tema suculento polémico e fracturante (fracturante? ai coitadinho do acordo ortográfico) fremente, pungente, contingente, não displicente,  adstringente e etc etc

Mas eis que hoje fui arrancado ao arrebatamento

De repente descobri, fez-se luz, irrompeu a epifania, porque no ápice climáxico do meu envolvimento emo/racional descobri a verdade.

Salazar é um grande farsante ! ! !

Salazar não existe ! ! ! ! ! !

A figura que se diz Salazar é um psicótico polimaníaco que para pasmo dos gentios se transfigura para iludir multidões

Eis a prova da horrível realidade

Tanto aparece como Salazar (a imagem não mente)


Como de JC (vendo-se que foi tudo simulado)


E sempre a apoderar-se da mulher do próximo como se vê.

Não se deixem enganar por quimeras
E com esta tua achega, podes juntar-lhe mais um adjetivo : incontinente....
É que por causa disso já me mijei a rir.....
 

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Seg Nov 04 2013, 17:51

Na volta, nem existio, e tudo mentira. lol! 

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Seg Nov 04 2013, 22:43


CARTA ENVIADA PELO CORONEL JOSÉ HENRIQUES AOS MEMBROS DOS GRUPOS PARLAMENTARES



Excelentíssimos e ilustríssimos membros dos Grupos Parlamentares com assento na Assembleia da Republica Portuguesa.

Eu, abaixo-assinado, Américo José Guimarães Fernandes Henriques, Coronel de Infantaria “Comando” na situação de Reforma, venho através desta carta mostrar a todas Vossas Excelências o quanto a vossa prestação ao serviço do Povo Português, de quem sois os mais legítimos representantes, me tem impressionado, comovido e motivado.
Operacional do 25 de Abril de 1974, conspirador no planeamento do Movimento das Forças Armadas (foi em minha casa que o então Major Otelo Saraiva de Carvalho fez a ultima reunião antes da Revolução) participante nas acções comandadas pelo então Major Jaime Neves, dei ao 25 de Abril o melhor de mim próprio, a minha alma de Português, Patriota e militar, sem olhar ao risco da minha vida, da minha família e da minha carreira. Sabia a razão da minha revolta, abraçava com imensa fé a minha escolha e aceitava plenamente as consequências dos meus actos.

Conscientemente, arriscava tudo para poder devolver ao Povo Português o direito de decidir do seu destino, a par do direito de se pronunciar livremente sobre a continuação da nossa secular presença em Africa e da sua participação numa obra politica magnifica, que levasse, de uma forma pacifica e nobremente aceite, os mais ricos a serem um bocadinho menos ricos, para que os mais pobres fossem um “bocadão” menos pobres.

Passaram quarenta anos sobre aquelas duas horas da tarde do dia 24 de Abril de 1974, em que eu, então um jovem Tenente chegado de Moçambique, iniciei a minha participação no Movimento, enquadrado num pequeno grupo de Oficiais instrutores da Academia Militar, todos eles tão devotadamente empenhados naquela Missão Histórica quanto eu estava, todos eles tão romanticamente crentes como eu era, todos eles tão Portugueses e tão Patriotas quanto eu sou. E passaram quarenta anos em que praticamente tudo aquilo que me levou a sonhar e a participar, a arriscar e a sofrer (fui preso no 11 de Março de 1975 como um perigoso fascista, tive a casa assaltada e a família roubada na reforma agrária, vi os meus tios e primos retornados de Africa… participei no 25 de Novembro) praticamente tudo, TUDO, miseravelmente traído, corrompido, destroçado, pela incompetência, pela leviandade, pela ausência de valores e pela maldade do bando de hipócritas e de salafrários a quem, inocentemente (mas nem todos…) abrimos as Portas de Portugal.

E passaram quarenta anos em que a Democracia Portuguesa evoluiu para a “partidocracia”, para aquela feira de vaidades manhosa e corrupta a que o Senhor D. Pedro V chamava (e bem!!!) “canalhocracia”, e onde o Poder Politico, sem perguntar NADA a NINGUÉM, nos foi metendo na “alhada” mais vertiginosa da nossa História, dessa mesma História que foi negada ao conhecimento de duas gerações de Portugueses por decisão desse mesmo Poder Politico, dessa mesma História que hoje vê Portugal tratado abaixo de cão, insultado na praça pública, devedor de chapéu na mão e ultrajado, miseravelmente ultrajado dentro da própria casa, por um bando de lacaios de uma potência estrangeira.

Excelentíssimos Senhores.
Ciente de que o meu grito de revolta vos vai passar alegremente ao lado, e de que a vossa preocupação constante na condução perfeita e justa dos destinos da Pátria Portuguesa não vos deixará um minuto sequer para meditar sobre a revolta deste militar reformado que vos importuna o trabalho, apenas vos peço que anoteis na
vossa agenda de assuntos marginais que um dos homens que arriscou a vida, a família e a carreira, para vos ter sentados nas cadeiras do Poder e nas bancadas do Parlamento, está muito zangado com todas Vossas Excelências, e só reza a Deus pelo dia em que (de forma pacifica é claro!!!!) veja Vossas Excelências pelas costas e a prestar contas à Nação Portuguesa.


Atentamente e com a devida consideração,

Américo José Guimarães Fernandes Henriques

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Seg Nov 04 2013, 22:48

Fantástica carta.  

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 08:22

CNeves escreveu:

CARTA ENVIADA PELO CORONEL JOSÉ HENRIQUES AOS MEMBROS DOS GRUPOS PARLAMENTARES



Excelentíssimos e ilustríssimos membros dos Grupos Parlamentares com assento na Assembleia da Republica Portuguesa.

Eu, abaixo-assinado, Américo José Guimarães Fernandes Henriques, Coronel de Infantaria “Comando” na situação de Reforma, venho através desta carta mostrar a todas Vossas Excelências o quanto a vossa prestação ao serviço do Povo Português, de quem sois os mais legítimos representantes, me tem impressionado, comovido e motivado.
Operacional do 25 de Abril de 1974, conspirador no planeamento do Movimento das Forças Armadas (foi em minha casa que o então Major Otelo Saraiva de Carvalho fez a ultima reunião antes da Revolução) participante nas acções comandadas pelo então Major Jaime Neves, dei ao 25 de Abril o melhor de mim próprio, a minha alma de Português, Patriota e militar, sem olhar ao risco da minha vida, da minha família e da minha carreira. Sabia a razão da minha revolta, abraçava com imensa fé a minha escolha e aceitava plenamente as consequências dos meus actos.

Conscientemente, arriscava tudo para poder devolver ao Povo Português o direito de decidir do seu destino, a par do direito de se pronunciar livremente sobre a continuação da nossa secular presença em Africa e da sua participação numa obra politica magnifica, que levasse, de uma forma pacifica e nobremente aceite, os mais ricos a serem um bocadinho menos ricos, para que os mais pobres fossem um “bocadão” menos pobres.

Passaram quarenta anos sobre aquelas duas horas da tarde do dia 24 de Abril de 1974, em que eu, então um jovem Tenente chegado de Moçambique, iniciei a minha participação no Movimento, enquadrado num pequeno grupo de Oficiais instrutores da Academia Militar, todos eles tão devotadamente empenhados naquela Missão Histórica quanto eu estava, todos eles tão romanticamente crentes como eu era, todos eles tão Portugueses e tão Patriotas quanto eu sou. E passaram quarenta anos em que praticamente tudo aquilo que me levou a sonhar e a participar, a arriscar e a sofrer (fui preso no 11 de Março de 1975 como um perigoso fascista, tive a casa assaltada e a família roubada na reforma agrária, vi os meus tios e primos retornados de Africa… participei no 25 de Novembro) praticamente tudo, TUDO, miseravelmente traído, corrompido, destroçado, pela incompetência, pela leviandade, pela ausência de valores e pela maldade do bando de hipócritas e de salafrários a quem, inocentemente (mas nem todos…) abrimos as Portas de Portugal.

E passaram quarenta anos em que a Democracia Portuguesa evoluiu para a “partidocracia”, para aquela feira de vaidades manhosa e corrupta a que o Senhor D. Pedro V chamava (e bem!!!) “canalhocracia”, e onde o Poder Politico, sem perguntar NADA a NINGUÉM, nos foi metendo na “alhada” mais vertiginosa da nossa História, dessa mesma História que foi negada ao conhecimento de duas gerações de Portugueses por decisão desse mesmo Poder Politico, dessa mesma História que hoje vê Portugal tratado abaixo de cão, insultado na praça pública, devedor de chapéu na mão e ultrajado, miseravelmente ultrajado dentro da própria casa, por um bando de lacaios de uma potência estrangeira.

Excelentíssimos Senhores.
Ciente de que o meu grito de revolta vos vai passar alegremente ao lado, e de que a vossa preocupação constante na condução perfeita e justa dos destinos da Pátria Portuguesa não vos deixará um minuto sequer para meditar sobre a revolta deste militar reformado que vos importuna o trabalho, apenas vos peço que anoteis na
vossa agenda de assuntos marginais que um dos homens que arriscou a vida, a família e a carreira, para vos ter sentados nas cadeiras do Poder e nas bancadas do Parlamento, está muito zangado com todas Vossas Excelências, e só reza a Deus pelo dia em que (de forma pacifica é claro!!!!) veja Vossas Excelências pelas costas e a prestar contas à Nação Portuguesa.


Atentamente e com a devida consideração,

Américo José Guimarães Fernandes Henriques

Coronel de Infantaria (Cmd) Reformado
Gostei da carta, mas acho que está no tópico errado…

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CNeves
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 12:05

Caros amigos

Vou terminar as minhas crónicas sobre Salazar referindo exemplos das suas facínoras.

Silva Paes, último diretor da PIDE/DGS, num jantar na prisão; já depois do 25 de Abril; falando de Humberto Delgado: conta a seguinte história “social”.

Certa vez, nós sabíamos que Humberto Delgado ia atravessar a fronteira em Portugal em determinado sítio.

Para parecer que a coisa tinha sido obra do acaso, mandamos lá a GNR; evitando nós aparecer.

O gajo passa a fronteira; deixamo-lo entrar umas boas centenas de metros; e aparece a GNR a dar-lhe voz de prisão:

Os GNR em vez de lhe darem logo um tiro; não, deixaram-no fugir.

Isto foi real, dito como se de uma história social se tratasse.

Mostra bem a falta de respeito pela vida humana que o regime de Salazar tinha.

Mas o Silva Paes, era um dos principais homens de mão de Salazar: que dizer então de outros, mais próximos dos comuns dos mortais?

Um amigo meu, anterior piloto miliciano da Força Aérea, conta, muito depois do 25 de Abril, a história que a seguir vou narrar; enquanto jantávamos socialmente com as famílias; com fatos e vestidos de cerimónia; e a comer um soufflé e a beber bom vinho.

Conta aos presentes o seguinte, entre risadas e trejeitos semelhantes:

Vou fazer a narrativa na primeira pessoa:

a minha base era Luanda: semanalmente recebíamos ordem para levar dois gajos da PIDE a uma determinada povoação do interior de Angola, que iam buscar um “terrorista” que tinha sido apanhado: e depois, claro voltávamos:

mal o terrorista punha os pés no avião; começavam a malhar nele: ficava um “caneco”: mas o “caneco” teria muita sorte se chega-se a Luanda; porque muitas vezes, quando chegavam, não havia sinal do “caneco”; tinham-no atirado do avião.

Este amigo, com valores morais sólidos, amigo da família, não tem o menor pejo em contar isto, num ambiente social, como história brejeira se tratasse.

Nem se sente com a mínima responsabilidade por isso: a culpa era do Salazar claro

Estes exemplos não pretendem ser uma atenuante para Salazar; pretendem sim ser exatamente o contrário;


e sobretudo para dizer que muito gajo em vez de ser idolatrado, devia ser objecto de condenação como ele o é: e nesse lote devem estar incluídos a maioria dos portugueses que o apoiou.

Os portugueses são o “ladrão que fica a porta” das facínoras do Salazar:

e agora, pomos os olhos no céu, tipo anjinhos, e dizemos que a culpa é só dele: nós somos umas vitimas.


Em toda a história recente tem sido utilizado até há exaustão a seguinte máxima:

“ os gajos são maus; de modo que lhes podemos fazer maldades á vontade”.

Os países colonialistas aplicaram o principio aos povos colonizados.

O mundo aplicou o princípio aos Judeus,

Salazar aplicou o principio aos comunistas.

E agora, nos tempos atuais, aplicamos, com muita pinta, o principio, aos emigrantes e aos árabes.


E o que é “engraçado” é que é a propaganda quem define quem é o “herói”, e quem é o facínora.

O Salazar é um facínora; o Churchill e o Obama foram prémios Nobel.

E nós acreditamos; e “vivemos felizes para sempre”.

De modo que caros amigos, todos aqueles que se indignaram muito com as minhas histórias sobre Salazar, não têm muito para se indignar.

Devem sim pensar: “quantas vezes já apliquei ou apoiei a máxima, dos eles serem maus e de lhe podermos aplicar maldades á vontade.”



PS: quem quiser saber um pouco mais sobre a história recente de Portugal; nomeadamente sobre os exemplos aqui narrados, sugiro a leitura de dois livros: um, mais ligeiro e mais fácil; e outro mais completo.

O fácil: “Lisboa: a guerra nas sombras da cidade da luz, 1939-1945”- Neill Lochery: o livro que tem alguns erros históricos; o autor sendo inglês dilui muito os “bailes” que o Salazar deu ao Churchill; mas tem uma rigor aceitável e é muito agradável de ler.

O Completo: O volume da biografia d Salazar de Franco Nogueira referente á guerra civil de Espanha e á segunda guerra mundial: não é ligeiro como o anterior, mas lê-se muito bem: também tem o seu errozito histórico; mas são erros ligeiros.

Boas leituras e boas audições




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agorgal
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 15:23

A sustentar uma ditadura há sempre um povo que se ajoelha. E de entre este povo ajoelhado há sempre alguns (por vezes muitos) que se afirmam como ainda piores que o próprio ditador.
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 16:13

CNeves escreveu:
Caros amigos


Os portugueses são o “ladrão que fica a porta” das facínoras do Salazar:



Boas leituras e boas audições




 
 
Afinal todo este penoso percurso serviu para nos conduzir à moral da história (estória sem h como os escritores dos PALOP nos ensinaram nos anos 90...).
 
Tudo está bem quando acaba bem (não estará assim tão bem porque cá ficam os facinoras que tanto gamelam na ditadura como na democracia).
 
Porém, não fiquemos tristes com a facinorosa predisposição nacional porque o fenómeno é global, lembro-me sempre do Triunfo dos Porcos de George Orwell (aconselho a leitura a quem não conhece) onde se metaforiza todo o processo de conquista e exercício do poder.
 
Boas audições
 
E já agora boas leituras
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 16:34

Mário Franco escreveu:
Triunfo dos Porcos de George Orwell (aconselho a leitura a quem não conhece) onde se metaforiza todo o processo de conquista e exercício do poder.
Livro absolutamente obrigatório onde se vê que mesmo sistemas que foram iniciados com as melhores das intenções, rapidamente caem nas mãos de ditadores que se aproveitam da intenção inicial para algo completamente diferente.

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 21:49

Eu diria que estamos enjaulados e somos governados por macacos que de vez em quando nos alimentam com as cascas das suas bananas

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 22:06

Milton escreveu:
Eu diria que estamos enjaulados e somos governados por macacos que de vez em quando nos alimentam com as cascas das suas bananas
Eles preferem jogar as cascas para o lixo.

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 22:18

Não nego que o Salazar tivesse boas intenções.
Mas quando essas intenções passam por criar um Portugal "nacionalista" vintage, ao estilo medievo-rural, essas intenções são dispensáveis…como diz o povo, que não é burro, "de boas intenções o inferno está cheio".
As vantagens para o regime são óbvias: um povo obediente, ignorante e temente a † não questiona o líder.
E ai de quem o questionasse:


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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 22:27

ricardo onga-ku escreveu:
Não nego que o Salazar tivesse boas intenções.
Mas quando essas intenções passam por criar um Portugal "nacionalista" vintage, ao estilo medievo-rural, essas intenções são dispensáveis…como diz o povo, que não é burro, "de boas intenções o inferno está cheio".
As vantagens para o regime são óbvias: um povo obediente, ignorante e temente a † não questiona o líder.
E ai de quem o questionasse:


R

E mesmo as "aparentes" benesses de um estado que "aparentemente" estava numa situação económica invejável Razz (resta saber quem é que estava numa situação invejável), não contam (para mim) devido aquilo que expus há alguns posts atrás. Numa ditadura, canalizam-se as verbas a bem entender. O estado podia estar "aparentemente" mais forte a nível financeiro, ás custas de um país totalmente empobrecido, cidadãos analfabetas derivado a uma educação inexistente, hospitais dignos de um qualquer terceiro mundo, telecomunicações paupérrimas, estradas das piores da Europa etc, etc, etc.
Eu era novo, mas a mim não me podem negar as evidencias que bem conheci a nível familiar (família grande e espalhada) e de amigos. A miséria era geral.



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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 22:59

António José da Silva escreveu:
Mário Franco escreveu:
Triunfo dos Porcos de George Orwell (aconselho a leitura a quem não conhece) onde se metaforiza todo o processo de conquista e exercício do poder.
Livro absolutamente obrigatório onde se vê que mesmo sistemas que foram iniciados com as melhores das intenções, rapidamente caem nas mãos de ditadores que se aproveitam da intenção inicial para algo completamente diferente.
já agora aconselho também do George Orwell o "1984" - que tem a ver com este big brother em que vivemos.
qualquer dia sabem a que horas vou a casa de banho.... e quantas vezes coço o nariz por dia...
a informatização a bem da nação... só assim é que eles podem controlar o rebanho....


Última edição por pistollero em Ter Nov 05 2013, 23:07, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 23:04

pistollero escreveu:
António José da Silva escreveu:
Mário Franco escreveu:
Triunfo dos Porcos de George Orwell (aconselho a leitura a quem não conhece) onde se metaforiza todo o processo de conquista e exercício do poder.
Livro absolutamente obrigatório onde se vê que mesmo sistemas que foram iniciados com as melhores das intenções, rapidamente caem nas mãos de ditadores que se aproveitam da intenção inicial para algo completamente diferente.
já agora aconselho também do George Orwell o "1982" - que tem a ver com este big brother em que vivemos.
qualquer dia sabem a que horas vou a casa de banho.... e quantas vezes coço o nariz por dia...
a informatização a bem da nação... só assim é que eles podem controlar o rebanho....
... não será "1984"...?
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 23:06

zaratustra escreveu:
pistollero escreveu:
António José da Silva escreveu:
Mário Franco escreveu:
Triunfo dos Porcos de George Orwell (aconselho a leitura a quem não conhece) onde se metaforiza todo o processo de conquista e exercício do poder.
Livro absolutamente obrigatório onde se vê que mesmo sistemas que foram iniciados com as melhores das intenções, rapidamente caem nas mãos de ditadores que se aproveitam da intenção inicial para algo completamente diferente.
já agora aconselho também do George Orwell o "1982" - que tem a ver com este big brother em que vivemos.
qualquer dia sabem a que horas vou a casa de banho.... e quantas vezes coço o nariz por dia...
a informatização a bem da nação... só assim é que eles podem controlar o rebanho....
... não será "1984"...?
é sim senhora.. peço desculpa... "1984"...
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 23:12

Já que passámos a Orwell e um pouco mais "chegado" ao tema deste tópico...

Aconselho "Homenagem à Catalunha", um relato na primeira pessoa do lado oposto ao franquismo, durante a Guerra Civil Espanhola.
Li-o em meados dos '80 mas parece que ainda sinto o odor do azeite e do alho......

http://www.livros-digitais.com/george-orwell/homenagem-a-catalunha/sinopse

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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 23:14

Obrigado ao CNeves pela partilha! 
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MensagemAssunto: Re: Salazar   Ter Nov 05 2013, 23:15

António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Não nego que o Salazar tivesse boas intenções.
Mas quando essas intenções passam por criar um Portugal "nacionalista" vintage, ao estilo medievo-rural, essas intenções são dispensáveis…como diz o povo, que não é burro, "de boas intenções o inferno está cheio".
As vantagens para o regime são óbvias: um povo obediente, ignorante e temente a † não questiona o líder.
E ai de quem o questionasse:

R
E mesmo as "aparentes" benesses de um estado que "aparentemente" estava numa situação económica invejável Razz (resta saber quem é que estava numa situação invejável), não contam (para mim) devido aquilo que expus há alguns posts atrás. Numa ditadura, canalizam-se as verbas a bem entender. O estado podia estar "aparentemente" mais forte a nível financeiro, ás custas de um país totalmente empobrecido, cidadãos analfabetas derivado a uma educação inexistente, hospitais dignos de um qualquer terceiro mundo, telecomunicações paupérrimas, estradas das piores da Europa etc, etc, etc.
Eu era novo, mas a mim não me podem negar as evidencias que bem conheci a nível familiar (família grande e espalhada) e de amigos. A miséria era geral.
O problema foi termos passado de um extremo ao outro: até ao final da década passada tínhamos um país e um povo "aparentemente" mais rico e próspero às custas de um Estado falido e de uma grande parte das famílias e empresas endividadas até à medula…

Está na altura de voltar à estaca zero ou como dizem os ingleses "back to the drawing board"…no meio está a virtude!

R


Última edição por ricardo onga-ku em Ter Nov 05 2013, 23:23, editado 1 vez(es)
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