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 O meu sistema/4 - colunas (realização)

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Audiovac
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MensagemAssunto: O meu sistema/4 - colunas (realização)   Qui Jun 20 2013, 16:17

Bom dia outra vez a todos Wink

Então vou agora chegar à conclusão disto tudo, e falar
das minhas colunas.

Como quase toda a gente, comecei por ter aparelhagens
convencionais...

Mas uma coisa que nunca me satisfez foram as
colunas. Como disse ontem numa resposta, a REVELAÇÃO
veio quando ouvi as primeiras monovias, e e apaixonei
pelas Lowther...

E mais tarde ouvi as Supravox, que é uma marca francesa
derivada da SEM, fabricante de quase todos os altifalantes
dos rádios franceses desde o início dos anos 30, e que
foi fundada em 1956 (por sinal o ano em que eu nasci).

Em 1964, a RTF encomendou-lhes um "full-range" de
215mm para monitor de estúdio, com 96dB, que foi usado
durante mais de 20 anos inclusivamente pela RTL, pela RAI
e pela Europe 1, que como sabem fizeram muitas emissões
e gravações de muito boa qualidade.

Ainda se produz, com as referências RTF64 ou RTF64
bicône (o de dupla membrana, que tem melhor resposta
nos agudos) e a companhia tem outros produtos.

E decidi fazer os meus primeiros pavilhões com este
altifalante, que tem características próximas dos Lowther,
mas uma resposta mais uniforme. Houve pelo menos
5 protótipos até chegar à solução...





O que é que é preciso para um altifalante poder ser
utilizado num pavilhão? (Não vou explicar os parâmetros
Thiele-Small que quase toda a gente aqui deve conhecer)

A frequência de ressonância (Fs) não é o mais importante,
embora se queira o mais baixa possível, pois
a reactância do próprio pavilhão anula-a como num "bass
reflex" (Olson e outros autores), o que lhe permite
reproduzir frequências muito abaixo desta frequência,
sendo que a única verdadeira limitação são a linearidade
do driver e as características do próprio pavilhão...

É importante a membrana ser leve <10gramas, ter
pequena excursão linear (neste caso 4mm), ter um volume
equivalente (Vas) não demasiado grande (75 litros para o
Supravox, melhor que o Lowther PM2a com 115), pois é
preciso comprimi-lo para obter pressão, e um "Qts", ou
inércia total eléctrica e mecânica o mais baixa possível e
em qualquer dos casos bastante inferior a 1.

Quanto ao pavilhão, se como Voigt demonstrou, e é
essa a solução adoptada por Klipsch, a curva mais
adequada a um pavilhão frontal é a Tractrix, nos pavilhões
traseiros a melhor parece ser a Exponencial pura.

A ideia, é sempre reforçar as frequências do altifalante
e obter mais potência usando o pavilhão.

Se nos primórdios (e nalguns casos ainda hoje) era
necessário reforçar a onda frontal, como desde os anos
40 dispomos de full-range que são lineares até aos 20kHz,
em emissão directa frontal, a única coisa que faz sentido,
quanto a mim, é reforçar os graves que é onde há perdas
e os pavilhões frontais já não fazem sentido.



Neste exemplo, que é do tipo usado pelo nosso amigo
Ricardo Onga-ku, a onda traseira não é aproveitada, mas
sim amortecida dentro da caixa, e o que se perde em
potência por trás, procura-se recuperar pela frente... não
vejo o interesse...

Se por outro lado existir uma câmara de compressão
(Vf na figura), isso aumenta ainda mais a potência do
altifalante pois aumenta o "sopro" para dentro do pavilhão






Porém, a onda traseira também é perdida... e além disso
o ângulo de difusão da membrana é estreitado pelo
pavilhão, tornando o sistema demasiado direccional, o
que só é bom se o ouvinte estiver a muitos metros de
distância. É um sistema que só é geralmente usado em
"public-address", por exemplo em estádios... e foi por
causa destes problemas que se desenvolveram os
pavilhões muiti-celulares, com maior dispersão sonora


O que nos traz às colunas que utilizam directamente
a onda frontal produzida pela membrana nos médios e
agudos, e em que há uma câmara de compressão que
não interfere nestas frequências, pois tem uma abertura,
através da qual recupera a onda traseira e a amplifica
graças a um pavilhão...


Do meu ponto de vista, é preciso pensar num pavilhão
como se fosse um "bass-reflex"...



... MAS que em vez de ter um tubo cilíndrico estreito com
apenas UMA frequência de ressonância, por ser uma
"corneta" exponencial tem um tubo que alarga, e
responde a toda uma gama de frequências!!!

E enquanto no bass-reflex se quer que a caixa seja
grande e amortecida para haver o menor sopro
possível para dentro do tubo para evitar o tal VOUFF e o
"baixo de uma nota só"...

...no nosso caso queremos VOUFF e sopro para dentro do
pavilhão para podermos amplificar TODAS as frequências
graves e não apenas uma delas!!!

Para calcular a pressão, faço o cálculo usando um
programa qualquer que calcule o volume de um
bass-reflex, mas em que procuro obter um comprimento
do "port" (o tubo ou abertura) o mais longo possível,
para duas situações: a) uma caixa que corresponda ao
volume da câmara com compressão de 1/4 ou menos do
Vas (ou seja uma compressão de 4x ou superior) e b) uma
caixa que corresponda ao volume total interno da coluna,
incluindo o pavilhão que ela tem lá dentro.

No primeiro caso, a abertura deve corresponder à área
da garganta, e no segundo, à área da bôca do pavilhão.

Se se conseguirem satisfazer as condições de a) no
primeiro caso, a área ser entre 1/3 e 1/4 da área da
membrana e o comprimento do tubo ser de pelo menos
1/4 do comprimento do pavilhão, e b) no segundo, o
comprimento do tubo ser aproximadamente o do próprio
pavilhão, em ambos os casos para a frequência que se
pretende atingir ou mais baixa - estamos bem....

Porquê? Porque isto significa que vamos ter pressão
suficiente para fazer vibrar uma coluna de ar para dentro
do pavilhão, a partir da câmara de compressão, e se
pensarmos no pavilhão como um bass-reflex, em que o
"port" está integrado no volume, que a onda chega até
à bôca.

Mas qual é o comprimento??? Fácil: a solução utilizada
já nos instrumentos musicais desde o século XVII pelo
menos, é usar os nós de vibração das oitavas (os
segundos harmónicos).

Uma flauta, que desce a 280Hz, mais ou menos, tem em
geral cerca de 50-60cm de comprimento, o que equivale a
METADE do comprimento de onda correspondente a essa
frequência, ou seja à oitava superior, 560Hz. No caso do
fagote, que desce a 30Hz, a que corresponderia um
comprimento de onda de 11 metros, o comprimento
do tubo é de cerca de 5,5 metros, ou seja, metade
também. Um piano de concerto tem a corda mais grave
com metade do comprimento da onda mais grave; e um
vertical com 1/4, e dá a mesma nota... embora com
menos potência... (havendo neste caso regulação por se
tratar de uma corda metálica sob tensão).

Já estou a ver o jpamplifiers a dizer que os pianos, mesmo
de cauda, têm distorção... e qual flauta qual o quê: só
mesmo uma trompa alpina que tem o comprimento de
onda todo, inteirinho!!! Lol

Como a pressão sonora obtida com um driver eléctrico
é superior à da vibração da palheta accionada pelo sopro
humano, que apenas faz vibrar uma coluna de ar à
pressão atmosférica, e devido às óbvias limitações de
espaço, ficamo-nos por 1/4 do comprimento de onda da
frequência mais baixa que pretendemos reproduzir.

Este é o método adoptado por todas as marcas, excepto
quando se faziam pavilhões para os Cinemas... que
usavam metade da onda como os pianos de cauda.

Numa simulação isto dá que para uma superfície de
membrana Sd de 263mm2, e para uma Fo (frequência
mais baixa a reproduzir) de cerca de 40Hz, a que
corresponderiam 8,58 metros, tendo em conta um Vas
de 75 litros - o comprimento devem ser 2,15 metros,
a área da garganta entre 65 e 87 cm2, e o volume da
câmara de compressão =< 18 litros.

Assim, e no caso do Fostex FE206E que é o driver que
utilizo actualmente pois o Supravox exige um pavilhão
muito maior (e já fiz vários, mas neste momento está à
espera que eu tenha espaço), e que tem uma Fs de 39Hz,
um Vas de 54,53 Litros, e uma Sd de 206cm2,
para uma câmara de compressão com 12 litros, e um
"port" de 78 cm2, cerca de 1/3 da Sd, temos um
comprimento de 1,15 metros, mais de um quarto do
comprimento necessário para uma frequência de 39Hz.

A 30Hz, seriam 2,02 metros... o que significa que quanto
mais baixa a frequência mais longe vai o sopro para
dentro do pavilhão, a partir da câmara de compressão...
que é o que nós queremos!

Se construirmos um pavilhão com uma curva exponencial
com uma garganta de 78cm2, para uma Fo de 39Hz,
usando por exemplo o calculador disponível em
http://fullrangedriver.com/singledriver/exphypcalc.html
isto dá um comprimento total, para uma coluna de
encostar à parede, de 3,72 metros. A cerca de metade
deste comprimento, isto dá uma bôca de 1.120-1.130cm2.

Como temos limitações de espaço, podemos fazer ao
contrário, e ver que frequência podemos obter com o
comprimento disponível. E depois de vários protótipos
desenhados em papel, fixei-me nas seguintes dimensões
interiores: 28x40x80. Isto dá 89 litros. Subtraindo o
volume interno do magneto e as madeiras, mas não a
câmara de compressão, que tal como o tubo do
bass-reflex, entra no cômputo do colume, ficam cerca de
85 litros, mais ou menos, e um comprimento do pavilhão
de 205cm.

Ora, então qual seria a resposta de um Fostex 206e em
bass-reflex numa caixa de 85 litros com um port de 1.120
cm2 e 205 cm de comprimento?

Pelos programas de simulação daria 29,5Hz!!!

CLARO QUE ISTO SÃO APROXIMAÇÕES, E TENTATIVAS
DE PERCEBER O FUNCIONAMENTO ATRAVÉS DE
EXTRAPOLAÇÕES... isto é uma ARTE mais do que uma
ciência...

Mas todavia quer dizer que podemos contar com uma
resposta da câmara de compressão de 12 litros, com
aquela abertura de 78cm2, suficiente para injectar pressão
no pavilhão, onde ela vai progressivamente diminuir
mas fazer aumentar a amplitude das frequências mais
graves até à bôca, que com 1.120cm2 e estando a 205
centímetros de distância ainda deve ser capaz de
responder a uma onda mais ou menos de 35Hz... vá lá!

E como o comprimento do pavilhão estudado é de 203cm,
isso corresponde a 1/4 da onda de 42Hz, e a mais de 1/4
do comprimento resultante da progressão exponencial para
36-39Hz, que encurta o pavilhão mais do que a
hiperbólica, embora menos do que a tractrix, o que
significa que é previsível que a resposta desça pelo menos
a 40Hz (e de facto chega lá...)... não sei se acompanharam
este raciocínio, mas não vão faltar comentários...

PARA OS QUE DESEJARIAM UMA EXPLICAÇÃO MAIS
CIENTÍFICA E MAIS EXACTA, tenho de referir que

a) em muitos altifalantes de marcas reputadas (Tannoy,
Klipsch, etc) o encurtamento dos pavilhões é ainda mais
pronunciado;

b) como Olson (o incontornável) demonstrou que, ao
contrário dos pavilhões de médios e agudos, nos de
graves, a regularidade da expansão do pavilhão é de
somenos importância, razão pela qual eles podem ser
dobrados e ter secções rectilíneas

c) eu fiz a partir de planos com medidas exactas o
"reverse-engineering" de algumas Lowther e Tannoy, e
descobri que todas elas tinham correcções das medidas
ideais para satisfazer as necessidades práticas das
dimensões admissíveis.

Isto são colunas para quem não pode ter em casa uns
"horns" da Western Electric...


A construção é em MDF de 19mm

A selagem interna com acrílico é muito importante



AINDA continua... mas vai acabar já de seguida Cool...
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O meu sistema/4 - colunas (realização)   Qui Jun 20 2013, 16:43

Fantástico trabalho nessas colunas e no teu trabalhoso texto. Confesso que é muita areia para o meu pequeno carro de mão (ou será só um balde??), mas leio com muito agrado. Adoraria ouvir essas tuas obras a tocar na simbiose para que foram criadas.

O JPamplifiers tem um magnifico Horn construido por ele que acho que deveria de postar aqui, uma coisa monstruosa que aguarda (se não me engano) drivers para ser experimentado. Quem sabe não se podiam ajudar mutuamente. Penso que aquilo poderá cantar e muito.

Sei que já agradeci, aplaudi e fiz várias vénias aos teus magníficos posts, mas aqui fica mais um agradecimento.

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Mr Bojangles
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MensagemAssunto: Re: O meu sistema/4 - colunas (realização)   Qui Jun 20 2013, 16:50

Como sempre fabuloso. Dá muita vontade de ouvir. Parabéns!
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Audiovac
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MensagemAssunto: O meu sistema/4 - ÚLTIMO EPISÓDIO (Olson's secret...)   Qui Jun 20 2013, 18:08

Há um segredo muito importante que foi esquecido
inclusivamente pela Lowther!!!!

É que a maior parte das pessoas copia ou inspira-se nos
modelos da Jensen...

...da Tannoy...


etc... mas esquece-se de que eles foram concebidos
para utilizar altifalantes coaxiais de 2 e 3 VIAS!!!

Ou seja, apenas projectavam para trás os GRAVES!!!

A Lowther, que faz monovias full-range, sempre procurou
pelo contrário aumentar o rendimento, reduzindo a
dimensão das câmaras de compressão



...mas embora o resultado seja bom, não é tão bom como
o das Tannoy porque há sempre tendência a os médios
passarem para o pavilhão de graves, e se se reduz
demasiado a câmara de compressão, o som fica "duro"
como a suspensão de um Fórmula 1...

Por isso é que apesar de tudo as Acousta soam melhor do
que as Fidelio!!! Têm menos compressão...

Mas.....o INCONTORNÁVEL Senhor harry F. Olson já tinha
encntrado a solução para os full-range na sua famosa
patente 2.224.919 pedida em 31 de Março de 1937 e
concedida em 17 de Dezembro de 1940, que parece ter
ficado perdida nos corredores da História (e ainda tem
muito para contar):

São aqueles pequenos "baffles", como lhe chama, 29 na
figura - que aliás foi reproduzida em inúmeros locais mas
com aquele "pormenor" apagado - que por terem uma
abertura 31 menor do que a garganta do pavilhão 19, não
só funcionam como um filtro passa-baixo como impedem
o retorno dos graves para dentro da câmara de
compressão 27.... e como ele explica, podem ter várias
formas e ser em número variável, um ou mais.

E depois de ter feito esta pequena adaptação com uma
régua regulável


voltei a confirmar que houve talvez mais coisas que foram
esquecidas, do que as que foram inventadas, pelo menos
neste domínio, desde 1937!!!

O resultado é excelente, a separação de frequências
imediatamente audível, e tem a vantagem de aumentando
a compressão mas sendo regulável, permitir controlar o
atraso da onda traseira que deve ser de 1/2 ciclo para ela
se ir adicionar em vez de subtrair à onda da frente.

Et voilà!!!

Mais uma vez, nem o microfone do Samsung capta abaixo
dos 50 ou 60 Hz, nem os computadores os reproduzem...


Mas as minhas colunas, SIM!!! E em fase... Cool



Ao ler estas patentes do Sr. Olson e outros escritos desta
época sinto-me como no filme do Mel Brooks, quando o
"Dr. Frankensteen" acabado de chegar à Transilvânia
começa a ler o livro do avô, que a Frau Blucher lhe deixou
debaixo do violino (ainda quente), com o título:
..."How I did It, by Viktor Frankenstein"....





Abraço a todos!!! Smile
Jorge
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: O meu sistema/4 - colunas (realização)   Qui Jun 20 2013, 18:26

Caro Audiovac,

O esforço de investigação empreendido nesse projecto é meritório e acredito que tenham dado frutos dentro das limitações inerentes à topologia, que alia a utilização de um único altifalante de banda larga a uma back loaded folded horn.
E essas limitações devem-se ao facto de se utilizar apenas um altifalante para cobrir uma gama tão ampla de frequências ainda que no seu caso tenha procurado compensar a tendência contra-natura da resposta de frequências do altifalante que ascende mais de 10 dB dos graves ao extremo agudo aproveitando e amplificando a onda traseira.

Compreendo que não veja interesse em "desperdiçar" a onda traseira mas esse aproveitamento só faz sentido numa monovia, já que o desempenho nunca será equivalente ao de um altifalante concebido para reproduzir estas frequências.

Além disso gostava de efectuar uma audição comparativa entre uma corneta de graves (fs-300Hz) dobrada de paredes rectas, uma de perfil exponencial tipo tractrix ou jmlc e avaliar as medições das mesmas.
A minhas investigações e a experiência com uma corneta de perfil tractrix levam-me a duvidar da demonstração do Olson e dos seus labirintos de paredes rectas repletos de cantos e cotovelos.

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: O meu sistema/4 - colunas (realização)   Qui Jun 20 2013, 18:30

Audiovac escreveu:
O resultado é excelente, a separação de frequências
imediatamente audível, e tem a vantagem de aumentando
a compressão mas sendo regulável, permitir controlar o
atraso da onda traseira que deve ser de 1/2 ciclo para ela
se ir adicionar em vez de subtrair à onda da frente.

Qual é o interesse de se optar por um único altifalante para obter uma supostamente maior coerência e em seguida criar um atraso na onda traseira? scratch Suspect

R
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Audiovac
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MensagemAssunto: Ricardo:   Qui Jun 20 2013, 19:00

Não tenho dúvidas de que os seus pavilhões são mais
perfeitos do que os meus.

Duvido é que os seus filtros não atrasem mais do que meia
onda...

E quanto à sincronização dos 3 altifalantes, metidos em
3 cornetas diferentes, tudo com constantes de tempo diferentes... e fases diferentes... e sensibilidades
diferentes...

Não é a "lisura" matemática das curvas que importa,
pois a história demonstra que TODAS já foram utilizadas,
em liso e com ângulos, com muito bons resultados.

Só que as Tractrix não servem para os graves... o que
você deve ter é um woofer, e se lhe pôs uma corneta
tractrix ou outra coisa qualquer continua a ser um woofer
que provavelmente lhe sobreamplifica os graves e você
gosta disso.

Mas tente comparar música ao vivo, órgão, contrabaixo,
fagote, etc, com o que o seu woofer lhe dá... vai achar
que a música ao vivo é que é má... provavelmente.

Jorge
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MensagemAssunto: Re: O meu sistema/4 - colunas (realização)   Qui Jun 20 2013, 19:31

Audiovac escreveu:
Não tenho dúvidas de que os seus pavilhões são mais
perfeitos do que os meus.

Duvido é que os seus filtros não atrasem mais do que meia
onda...

E quanto à sincronização dos 3 altifalantes, metidos em
3 cornetas diferentes, tudo com constantes de tempo diferentes... e fases diferentes... e sensibilidades
diferentes...

Não é a "lisura" matemática das curvas que importa,
pois a história demonstra que TODAS já foram utilizadas,
em liso e com ângulos, com muito bons resultados.

Só que as Tractrix não servem para os graves... o que
você deve ter é um woofer, e se lhe pôs uma corneta
tractrix ou outra coisa qualquer continua a ser um woofer
que provavelmente lhe sobreamplifica os graves e você
gosta disso.

Mas tente comparar música ao vivo, órgão, contrabaixo,
fagote, etc, com o que o seu woofer lhe dá... vai achar
que a música ao vivo é que é má... provavelmente.

Jorge

Caro Jorge,

Porque acha que um perfil Tractrix não serve para os graves?
Mas admito que seriam muito grandes...


Quanto ao woofer numa corneta, tenho a ideia de que se o colocarmos numa caixa selada e entre esta e a corneta estiver uma câmara de compressão ele comportar-se como uma qualquer unidade de compressão ou como o seu mid-woofer de banda alargada da Fostex nas suas back-loaded, com a vantagem de não necessitarmos de desfasamento temporal entre a onda da frente e a traseira e a "muleta" que simula o grave que este altifalante não consegue (re)produzir com a mesma intensidade do que a gama média e ainda menos do que o agudo.
Além disso quando combinamos dois altifalantes de sensibilidade diferente podemos atenuar o mais sensível de forma simples recorrendo a resistências.
Um sistema acústico multi-via combina altifalantes que estão a trabalhar na sua gama óptima, aquela para a qual foram concebidos, ao contrário do erradamente chamado full-range cujo desempenho pode ser comparado ao de um canivete suíço: tem uma lâmina mas não é tão eficaz como uma faca, tem uma ponta de chave de fendas mas não é tão funcional como a dita-cuja, tem uma lâmina serrilhada mas não se compara a um serrote...

Conforme já referi, neste seu tópico está bem patente a profunda investigação que elaborou em torno do tema das topologias single-driver e back-loaded folded horn mas acho importante sublinhar algumas desvantagens de ambas para não alimentar ainda mais o estatuto mítico, a meu ver enormemente exagerado (ao ponto de iludir muita gente), que o desempenho destas topologias goza no hoje mundo audiófilo um pouco por todo o planeta...

Tenho pena de não poder efectuar uma escuta comparativa ou as medições das duas soluções, back-loaded folded horn e tractrix.

Também tenho pena que o meu woofer esteja montado numa caixa bass reflex, mas isso é outra história...

R
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MensagemAssunto: Caixa bass reflex...   Qui Jun 20 2013, 22:35

Está a ver como eu adivinhei???...

Mais graves não quer dizer melhores graves...

A minha filosofia em áudio é "Less is more..." por
isso mesmo!!!

As Tractrix, como têm um "flare" muito pronunciado,
fazem perder intensidade aos graves pois as ondas a
amplificar são muito compridas, e como elas abrem
de repente, há junto da boca uma perda de pressão
que ainda encurta mais a corneta que já de si, pelo modo
de construção, é mais curta do que a exponencial, que
por sua vez também é mais curta do que seria o
comprimento REAL da onda a amplificar...

A única que tem praticamente o comprimento da onda
é a hiperbólica, e por isso é que os melhores pavilhões
de graves são, quanto a mim, os "hipex", que são uma
combinação das duas curvas (na realidade, uma
exponencial com um factor "M" menor do que 1...), ou
mesmo o catenóide!

Estas minhas são exponenciais, por falta de espaço.
Eu queria fazer o melhor possível com as menores
dimensões possíveis. That's all.

Aliás, chamei-lhes "S.Luiz", mas tenho previsto outro
projecto com as Supravox que se vai chamar "S.Carlos"
e ESSAS, vão ser GRANDES!!!

Abraço,
Jorge Cool
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MensagemAssunto: Re: O meu sistema/4 - colunas (realização)   Sex Jun 21 2013, 08:14

Eu também comungo da filosofia "less is more" mas no caso das monovias, segundo a minha experiência com as ditas e de acordo com o que consigo avaliar (de um ponto de vista técnico), "less is too little...or not enough".
A utilização de um altifalante de banda larga numa topologia BLFH minimiza de certa forma a deficiência ao nível da resposta de frequência nos graves mas ainda não estou convencido que se trate de uma solução, apenas de uma "muleta" como o bass reflex.

Há que diferenciar entre "mais" graves (maior intensidade, que resulta de uma má "integração" das unidades ou de um mau posicionamento das colunas) de uma maior extensão nos graves (capacidade de reproduzir sons de frequência mais baixa e por conseguinte uma gama de frequências mais alargada, normalmente conseguida com recurso a altifalantes de graves de maiores dimensões e caixas de grande volume mas também possível com conjuntos de altifalantes em paralelo ou série e com suspensões que permitem uma longa excursão).

Até hoje os "melhores" graves (maior "limpidez" ou ausência de distorções) que ouvi foram reproduzidos por um par de woofers de 12'' em caixa selada, segundo as especificações do fabricante estas colunas produzem a 95dB:

THD 2ª harmónica ≤ 2% @ 20-100Hz / ≤0,6% @ 100-20.000Hz
THD 3ª harmónica ≤ 1% @ 20-100Hz / ≤1% @ 100-20.000Hz

Não tenho a medição das minhas colunas mas estas S100 utilizam os mesmo altifalantes numas caixas um pouco mais pequenas:


Recentemente deram-me a conhecer uma medição (simulada, mas muito próxima da real) de uma corneta de graves de perfil exponencial hiperbólico a 113dB (woofer em caixa selada com câmara de compressão) que me deixou muitíssimo impressionado:


Fiquei com água na boca.

Boas escutas,
Ricardo
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Audiovac
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MensagemAssunto: Crossovers e atrasos   Dom Jun 23 2013, 13:16

Sugiro a leitura completa, mas leia atentamente a parte "Mechanical"
http://en.wikipedia.org/wiki/Audio_crossover

Idem, repare que a tolerância do "delay" aumenta com as
frequências mais baixas (no exemplo 500Hz), mas os back-loaded
horns usam-se abaixo dessa frequência, e a ideia do atraso da onda
é fazer com que o ponto de anulação surja à frequência o mais
baixa possível
http://en.wikipedia.org/wiki/Group_delay_and_phase_delay#Group_delay_in_audio

E aqui, um artigo sobre as rotações de fase produzidas pelos
crossovers, que obviamente se multiplicam se houver mais do que
duas vias, e que demonstra que mesmo usando um crossover
perfeito no banco de ensaio, ele interage com as variações de
impedância do driver em função das frequências... E num
sistema multivias, cada uma delas tem o seu próprio padrão de
variações de impedância
http://www.firstwatt.com/pdf/art_coherent_xvr.pdf

O que não quer dizer que umas colunas multivias sejam más, mas
apenas que não estão imunes a atrasos (ou avanços) das ondas,
pois a rotação de fase é exactamente isso.

Mas o problema é que daí resulta sempre distorção quando as
ondas se sobrepõem e criam harmónicos, que só são toleráveis
nos graves pois o ouvido humano não distingue as rotações de fase
nem os harmónicos nessas frequências... embora seja muito
sensível às frequências mais elevadas, razão pela qual é muito
mais difícil (mas não impossível) realizar um projecto multivias.

No que diz respeito aos back-loaded horns, em que a saída por
trás está 180º em relação à da frente, se não houver
atrasos, haverá anulação se ambas produzirem as mesmas
frequências com a mesma constante de tempo, pelo que é
necessário atrasar a onda para que a anulação se produza à mais
baixa frequência possível.

Este artigo que diz respeito não às colunas, mas à gravação e
reprodução stereo, explica como se usam precisamente os atrasos
(ou avanços) com o posicionamento dos microfones para encontrar
os pontos em que as diferenças de tempo produzem não anulações,
mas adições e reforços sonoros em vez de silêncio... E a base da
teoria também se aplica às colunas...
http://www.independentrecording.net/irn/resources/phasepol/content/txt_phase_rotation.htm

São várias páginas, mas (quanto a mim) de grande interesse.

Peço desculpa, é tudo em inglês...

Nenhum sistema é perfeito. O que interessa é o som.

Abraço
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O meu sistema/4 - colunas (realização)   Dom Jun 23 2013, 13:21

Audiovac escreveu:


Nenhum sistema é perfeito. O que interessa é o som.

Abraço



Nem mais. Em qualquer sistema ou topologia usada, seja a nível de amplificação, colunas etc., existem sempre alguns compromissos e em todas as opções tomadas, há melhor executado e existe o menos bem executado.

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: O meu sistema/4 - colunas (realização)   Dom Jun 23 2013, 18:04

António José da Silva escreveu:
Audiovac escreveu:


Nenhum sistema é perfeito. O que interessa é o som.

Abraço



Nem mais. Em qualquer sistema ou topologia usada, seja a nível de amplificação, colunas etc., existem sempre alguns compromissos e em todas as opções tomadas, há melhor executado e existe o menos bem executado.

Mas penso que todos concordamos que há topologias com maior potêncial ao nível do desempenho do que outras. Wink

R
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