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 À descoberta dos gira discos !...

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TD124
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MensagemAssunto: A motricidade por correia   Ter Abr 16 2013, 19:01

A motricidade por correia


Na realidade esta técnica é mais uma espécie de "filosofia aplicada", do que um simples meio de tracção, quando aplicado ao dominio do gira discos. A motricidade a roda, pelo seu principio semi-directo, (motor/roda/prato) em contacto permanente, obriga a utilisar motores potentes pois a estabilidade de rotação é directamente ligada, à capacidade de tracção do motor. A utilisação do prato como "volante de inercia" é pouco eficaz, pois a roda està em contacto permanente com o prato e com o motor, o que trava a inercia do prato. Trata-se de uma motricidade linear, aonde a estabilidade é feita do equilibrio entre peso do prato e potência do motor. As leis da "redução" pois o prato tém um diâmetro superior à roda, obrigam o motor a rodar muito depressa (entre 1000 e 1800 rpm), o que aumenta o nivel de vibração e obriga a utilisar motores equilibrados dinamicamente, e obrigatoriamente muito caros a produzir. Com a correia esta filosofia vai mudar radicalmente, o que vai abrir novos horizontes de concepção. O objectivo é de utilisar motores pequenos e de deixar o prato funcionar como um "volante de inércia", a potência do motor servindo apenas a compensar, a travagem natural do prato pelo atrito eixo/chumaçeira. Como não hà intermediario entre o motor e o prato, a velocidade de rotação do motor pode ser mais baixa, e a sua potência muito mais pequena, o que é uma enorme avantagem vibratoria como veremos mais abaixo.

Pode parecer estranho, que na aparência, ninguém tenha compreendido as avantagens da motricidade por correia, durante os anos sessenta. Mas, à quarenta anos atràs sabiamos menos coisas que hoje, e parece-me humano de levar (algum) tempo a compreender a totalidade de um fenomeno. A percepção imediata das coisas complexas, sò os génios, os visionàrios e os artistas conseguem atingir, e não vamos pedir aos fabricantes de se classificar em nenhuma delas, mesmo se hà alguns génios e visionàrios na historia do audio. Como jà disse, a simplicidade do sistema, levou as marcas a ver esta técnica, simplesmente como uma maneira evidente de produzir giras mais baratos. Se é certo que ao nivel profissional este tipo de tração, não corresponde às necessidades especificas de arranque imediato e etc (e ainda depende...), ao nivel doméstico a situação é complétamente diferente. A motricidade por correia ofereçe uma gama de possibilidades e astucias de utilisação, que sò a imaginação e a competência podem limitar. Esta técnica acoplada à suspensão, pode verdadeiramente ofereçer um nivel técnico excelente, e resolver vàrios problemas de leitura. Vamos là ver juntos as diferentes variantes da motricidade por correia, assim que as avantagens e inconvenientes:

Como podem ver pelas imagens, a aplicação da correia pode ser feita de vàrias maneiras. A primeira utilisação pela Philips em 1950 (Fig.1), ainda é muito influenciada pela roda, pois a correia esfrega o prato na periferia, o que permite o movimento. Mas logo depois, a técnica adoptada é de afastar o motor e de fazer rodar o prato com a correia à volta deste (fig.2), e assim vàrias topologias são, ou vão ser possiveis com o tempo. Paralelamente a esta técnica apareçe a suspensão, que vai permitir de isolar quase complétamente o motor, do plano suporte do prato. O gira a roda era monolitico, o que quer dizer que o prato e o motor estavam fixos no mesmo plano, este ultimo sendo isolado por borrachas anti-vibração. Com a correia, a geometria do gira vai ser "repensada", e dividida em dois blocos para generalisar. Uma placa que possede o eixo/chumaçeira e o braço em fixação rigida e desacoplada do corpo por uma suspensão, e o chassis aonde o motor està fixado. Graças a esta astucia o rumble vai descer em flecha, pois as vibrações do motor vão ser filtradas pela correia e pela suspensão. Uma nova geração de giras vém de nascer, vamos là ver isto no detalhe:

As avantagens da correia como vém de ser dito são vàrias, pois a separação do motor em relação ao plano do prato, limita a transmissão das vibrações de rotação do motor, e a correia pela estructura elastica (borracha) filtra também estas mesmas vibrações. Como o motor é mais pequeno, pois muito menos potente, e roda a uma velocidade inferior, este mesmo produz muito menos vibrações de rotação (mesmo quando é de fraca qualidade e não equilibrado). A suspensão isola os orgãos de leitura prato/braço/célula das vibrações externas, que estas sejam mecânicas ou por via aérea. Isto dà como resultado que o terrivel "rumble", vai fundir como neve ao sol, e este parâmetro permite à célula de ler com precisão os sucalcos que não são acessiveis com niveis de rumble importantes (por causa do curto-circuito de amplitude), e de permitir niveis sonoros na sala sem efeito "larsen", muito superiores. A estrutura aberta da motricidade por correia vai permitir geometrias diferentes de concepção, como a separação do motor em relação ao gira (Verdier, Avid, VPI, etc), a utilisação de correias, chatas, redondas, quadradas, multiplas, em fio (Verdier), ou em fita magnética etc. Vamos poder utilisar vàrias técnicas de acoplagem como a tracção por sub prato, pela periferia de prato, desacoplada por polia intermediaria ou por "volante de inércia" etc. Todas estas astucias, tém qualidades e defeitos, mas permitem de provar a multitude de possibilidades desta motricidade.

Os inconvenientes são multiplos também, pois nada é perfeito. A acoplagem "elàstica" cria solavancos de tração, pois quando o motor tira a correia estica e depois volta ao seu estado normal, e isto a cada mudança de polo do motor. A fraca potência do motor não pode lutar contra as "micro-travagens" de leitura, e sò o peso do prato pela inércia pode ajudar. As vibrações de tracção são multiplas e agravadas pela suspensão, pois o motor puxa em permanência o prato, que estando suspendido vai oscilar horizontalmente, o que provoca erros de leitura e de separação dos canais. Este ultimo, sendo o inconveniente mais grave desta técnica, e que sò mais tarde serà resolvido...
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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 16 2013, 19:08

Mais uma crónica para o fim de semana, a juntar às dos imortais do Jazz recentes. As duas merecem tempo para ler, apreciar e assimilar.

Obrigado TD124
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Mr Bojangles
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 16 2013, 19:12

Caro TD124,
Muito obrigado por este verdadeiro tratado sobre os giradiscos em vários capítulos, que tenho acompanhado muito atentamente
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 16 2013, 20:44

Bravo Mais uma excelente incursão nas profundezas da origem.

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 16 2013, 21:56

Mais uma "lição" emocionante, obrigado!

Fez-me revisitar o tópico da análise à velocidade dos giras: http://www.audioanalogicodeportugal.net/t3296-analise-a-velocidade-dos-giras

Um abraço,
Ricardo
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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 16 2013, 22:45

António José da Silva escreveu:
Bravo Mais uma excelente incursão nas profundezas da origem.


Caro António na qualidade de administrador poderias juntar todos os textos, compilados, num único post imutável?

Tornava mais fácil a leitura destes brilhantes textos!

Abraço
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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 16 2013, 22:53

Alexandre Vieira escreveu:
António José da Silva escreveu:
Bravo Mais uma excelente incursão nas profundezas da origem.


Caro António na qualidade de administrador poderias juntar todos os textos, compilados, num único post imutável?

Tornava mais fácil a leitura destes brilhantes textos!

Abraço
Isso já foi falado entre nòs e está nos nossos planos faze-lo , talvez no final da "saga".

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MicroGruas
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 16 2013, 23:44

para o top dos upgrades do Micro Seiki RX5000 este era/é o sistema completo





o primeiro rx5000 funcionaria como "atenuador" das más influencias do motor (RY 5000) e ao mesmo tempo a inercia ajudaria a establizar a rotação (flywheel) do segundo RX5000.

Mas tambem havia o HS-80, um flywheel que ajudava somente na estabelizaçao da rotação.







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BAILOTE
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Maio 02 2013, 18:05

Antes de mais, que nunca será de mais, os meus sinceros Parabens e humildes agradecimentos ao TD124 pelos textos mestrados que me levaram para o infinito vicio pelos GDs (algo de que fui completamente assaltado).

Aproveito para dizer que tenho tido uma luta incansável no sentido de obter o final equilibrio do meu modificado TD166mk5 e depois destes sabios e excelentes textos até me sinto constrangido de escrever seja o que for...mas como me sinto em familia direi que sou um filho rebelde com vontade de crescer e sem medo de errar, por isso tenho feito uma trapalhada do caraças a apertar e a desapertar as porcas das 3 molas do meu GD no sentido de eliminar o roçar do prato no batente que tem por baixo e então subi aos 10mm o prato embora de vez em quando quando arranca ainda roça mas basta pressionar um pouco as molas para ficar silencioso...Agora tenho as molas mais duras e não sei se esse aspeto influencia negativamente o efeito de absorção das molas mas por outro lado sinto que horizontalmente tem mais estabilidade e separa bem os canais. Outra dificuldade prende-se com o nivel do braço em relaçaõ ao prato que pelas medições parece ter um ligeiro desnivel de trás para a frente do braço e não estou a vêr como fazer descer a parte trás do braço para obter o nivelamento total...e se isso está a prejudicar a agulha !! De resto estou completamente de acordo com o nivel silencioso que este metodo implica...

Bem Haja
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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Maio 02 2013, 19:15

Caro TD 124.
Muito obrigado por mais esta viagem deliciosa. Por apreciar muito a leitura de umas 4 ou 5 crónicas aqui do AAP, esta uma delas, gosto de as ler com o tempo necessário para as disfrutar e entranhar...
Por razões de trabalho, quase 3 semanas foram necessárias para ler a última aventura

Mas nem que fosse 3 anos, vale sempre a pena ler estas reflexões escritas sem outra intenção que não a da partilha. E isso ainda faz apreciar mais as palavras.


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MicroGruas
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Maio 02 2013, 22:48

ansioso pela continuação do amigo TD 124

aguardo
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TD124
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MensagemAssunto: Os anos setenta...   Qui Jun 13 2013, 10:42


Contexto historico

Os anos setenta vão ser vão ser uma época de revoluções no mundo da alta fidelidade, e isto tanto a nivel tecnologico que conceptual e ou ideologico. Também vai ser a unica década, aonde as três tecnologias de motricidade dos giras (roda, correia e directa), vão coexistir durante um certo tempo. Mas os dias estão contados para a roda, pois o Direct Drive vai portar um golpe fatal a esta tecnologia, mesmo no dominio professional. Os japoneses estão prestes a atingir uma victoria total sobre o audio ocidental, e a poder saborear o fruto do trabalho produzido durante os quinze anos passados. Os giras a roda eram puras màquinas mecânicas e os a correia de uma certa maneira também, ora que a motricidade directa vai embarcar muita electronica, dominio no qual os japoneses tinham progredido muito, e produziam a fraco custo. Se os anos sessenta foram dos alemães na gama média, pois inundaram o mundo de Dual, Elac e Braun, esta década vai anunciar a mudança do vento, e o futuro vai ser definitivamente japonês.  A motricidade directa vai permitir de fabricar aparelhos mais leves, que funcionam em todos os continentes sem mudança de pulias ou de motor e com caixas em plastico, o que permite uma produção intensiva e a baixo custo, contra a qual nenhum pais ocidental vai poder resistir.

È sobretudo a EMT que vai sofrer durante cinco anos, pois o SP10 mk1 da Technics apesar de possuir uma eléctronica pouco eficaz em regulação da velocidade (taquimetro), custa relativamente barato e é tão bem fabricado que muitas estações e estudios vão se equipar com esta màquina. Ao mesmo tempo a ergonomia dos aparelhos profissionais da Technics e da Sony  que vém de entrar no baile, é muito boa e podem rivalisar com a EMT a vàrios niveis de qualidade. A grande firma alemâ tinha compreendido o interesse de diminuir as peças em movimento num gira (baixar a frequência de resonância), o que explica o interesse pela correia desde os anos sessenta, e a fusão com a Thorens que culminou com a criação do TD 125 (jà com uma regulação electronica). A EMT sabe que a unica maneira de sobreviver face às màquinas japonesas é de fazer melhor, mas a saida do SP10 mk2 com uma eléctronica de corrida e do TTS-6000 da Sony complicam ainda mais a capacidade de contra-ataque dos alemães. Mas em 1975 a EMT apresenta o "EMT Plattenspieler 950", e prova de novo ao mundo e à maneira deles ou seja, sem concessões algumas, que no dominio professional eles são os patrões. O 950 possui a melhor eléctronica de regulação do momento, uma fabricação mecânica exemplar e uma ergonomia fabulosa, que vai estabelecer novos codigos no dominio. Os alemães vão conseguir alcançar o sésamo que os japoneses procuravam sem encontrar, que era a criação de um sinal de grande estabilidade e independente das condições exteriores, afim de basear a regulação do motor com grande fineza e estabilidade. Mas, pouco tempo depois os japoneses vão integrar o quartzo como elemento gerador do sinal, e o DirectDrive alcança a idade adulta num tempo recorde, pois estamos apenas a metade dos anos setenta. Firmas como a Denon vão construir màquinas fabulosas como o DP100 com o objectivo de destronar o EMT 950, mas sò a Sony vai conseguir essa proeza graças ao “milagroso” PX-9, mas no fim da década ou seja, tarde!... muito demasiado tarde.

Entretanto ao nivel da Alta-Fidelidade o Direct Drive controlado a quartzo, deu asas novas a esta tecnologia, e todos os construtores japoneses, possédem um ou vàrios modelos disponiveis e isto de maneira, a cobrir todos niveis do mercado da entrada até ao topo de gama. Os dias da correia pareçem estar contados, e a roda moribunda està prestes a falecer, o que se vai produzir com o fecho de produção do Garrard 401 em 1976. A nobre e altiva marca britânica que acompanhou a segunda guerra mundial com o 201, marcou o mundo da “broadcast” desde 1953 com o 301, vai fechar as portas em silêncio mas de cabeça levantada, pois sabendo perfeitamente, que as marcas morrem mas os mitos não... Sò a Lenco é que vai continuar a produzir o L-80, ainda uns anitos, mas o gira a roda faz figura de tractor num mundo de carros de corrida. A superioridade técnica da motricidade directa a quartzo, decima pouco a pouco todas as marcas ocidentais, incapazes de rivalisar neste dominio técnologico e eléctronico, e o futuro pareçe escrito para os japoneses mas, um grão de areia inesperado vai modificar a visão do mundo e criar a ambiguidade que bloca a supremacia do Direct Drive. Uma pequena firma escocesa fez em 1972 um gira a correia, que em aparência não é nada mais do que um Thorens TD 150 amelhorado, mas que na realidade é “filosoficamente” muito mais que uma simples copia. O Linn LP12 (Sondek de nome gaélico...) é o herdeiro da tradição britânica da mecânica dos giras, e neste aspecto o digno filho dos Garrard, pois ele perpétua uma visão diferente, pessoal e radical da leitura dos vinilos. Num mundo inundado por aparelhos cheios de eléctronica e com ergonomias bem pensadas, o LP12 com o 33rpm como unica velocidade e a motricidade por correia, mas fabricado com os melhores materiais e construido com tolerâncias relojoeiras, vai tomar o mundo a contrapé, e ser a màquina que bloqueia a supremacia do Direct Drive e inicia uma nova visão do audio. A Linn vençe no dominio no qual a EMT/Thorens e outros falharam, ou seja, ela dà o titulo de nobreza à tecnologia da correia a contraplaca suspendida, coisa que o TD125, 160, 166 e outros AR não conseguiram alcançar, e abre a via a uma nova geração de giras que vão nascer, tendo como fio condutor a originalidade, a pertinência e o radicalismo...

Um ano apenas apòs a saida do LP12 uma outra marca britânica ainda mais pragmatica, vai sair um gira que vai marcar até aos dias de hoje a historia, e evidentemente trata-se do Rega Planar. Desta vez o minimalismo é rei, e este gira sem suspensão e de uma simplicidade biblica, mas de uma beleza intemporal, vai fazer ainda mais vacilar as convições da industria japonesa. Na realidade é a “filosofia indirecta” que acompanha estas màquinas que vai criar a duvida, pois os ingleses vão opor à analise tradicional e objectiva dos giras (medida), uma anàlise puramente subjectiva (escuta), e isto vai ser uma verdadeira revolução!!!. Num mundo aonde a qualidade dos aparelhos era definida pela fabricação, pelos materiais utilisados e pelo rumble, estabilidade de rotação, etc..., o aparecimento da qualidade da escuta como parâmetro fundamental de anàlise, vai baralhar complétamente as cartas e representar um novo desafio para os niponicos. Mas os japoneses vão reagir quase imediatamente, e é na cultura deles que vão encontrar as soluções, pois na realidade o “subjectivismo” foi criado nos anos sessenta pela escola audiofila japonesa. Marcas como a Micro-Seiki, Sansui, Luxman, Trio/Kenwood e mais tarde Nakamichi vão realisar aparelhos de uma qualidade objectiva/subjectiva magnifica, tendo como fio condutor a motricidade directa, assim que eléctronicas, mecânicas e suspensões rivalisando de inteligência e de qualidade entre elas. O japão vai fazer como a alemanha fez na década precedente vivendo entre deus e o diabo, e à excepção de Micro-Seiki, quase todos os construtores fabricam modelos de grande nivel técnico e subjectivo, ao mesmo tempo que inundam o mercado com modelos em plastico de nivel muito fraco. Esta situação vai criar uma ambiguidade que não permite de classificar as marcas japonesas de “audiofilas”, e somente uns quantos construtores niponicos atingem a reputação mundial que mereçem, no topo de gama...

Mas a brecha està feita e o futuro serà o combate entre a escola japonesa da motricidade directa e a ocidental por correia. Uma certa forma de “tratado das tordesilhas dos giras” vai ser o motor da oposição que ocuparà o mundo da Alta-Fidelidade no final desta década. Os ocidentais vão rivalisar de pertinência, inteligência e mesmo de manha, afim de conquistar o cimo da montanha e novas marcas (algumas efémeras) como a Gale, Well Tempered, Heybrook, Oracle e mesmo Bang & Olufsen vão acompanhar a Linn, Rega e Thorens nos afrontamentos contra os potentes exércitos niponicos feitos da Trio/Kenwood, Sony, Luxman, Micro-Seiki, Pioneer, Denon, JVC, Technics, Sansui, CEC, entre outros. Algumas das mais belas màquinas da historia nasçeram nesta época, e é necessario constatar, que tanto de um lado como do outro a nobreza e a vontade de fazer avançar o mundo da leitura dos vinilos, são os pilares intelectuais. O dualismo que não existiu entre a motricidade por roda e a correia, vai atigir um nivel paroxistico com a correia/direct-drive, à frente dos olhos fatigados e moribundos do Lenco L80. Sò o sempre eterno "EMT Plattenspieler 930", que vacilou vàrias vezes em 25 anos  mas, resistiu sempre aos ataques do TD124 e depois do SP10 e outros Sony e Denon, em velho sàbio guerreiro contempla a guerra correia/DD, do alto do pedestral dos mitos imaculados, intocàvel e estrangeiro a qualquer forma de dualismo, sozinho no reino dos deuses pois sò à lugar para um!. Este aparelho sabe que a motricidade por roda desaparecerà com ele, e com ele serà o mundo do vinilo tal qual é conhecido que acabarà. O céu assombriu-se para os giras no fim da década, e a luta intelectual pela técnica tornou-se em luta de sobrevivência, pois o que està nesse momento em jogo é a morte anunciada do mundo analogico...

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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Jun 13 2013, 11:38

:oo--oo:Mais um degrau nesta "stairway to heaven"

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Jun 13 2013, 12:08

TD124 escreveu:

Contexto historico

Os anos setenta vão ser vão ser uma época de revoluções no mundo da alta fidelidade, e isto tanto a nivel tecnologico que conceptual e ou ideologico. Também vai ser a unica década, aonde as três tecnologias de motricidade dos giras (roda, correia e directa), vão coexistir durante um certo tempo. Mas os dias estão contados para a roda, pois o Direct Drive vai portar um golpe fatal a esta tecnologia, mesmo no dominio professional. Os japoneses estão prestes a atingir uma victoria total sobre o audio ocidental, e a poder saborear o fruto do trabalho produzido durante os quinze anos passados. Os giras a roda eram puras màquinas mecânicas e os a correia de uma certa maneira também, ora que a motricidade directa vai embarcar muita electronica, dominio no qual os japoneses tinham progredido muito, e produziam a fraco custo. Se os anos sessenta foram dos alemães na gama média, pois inundaram o mundo de Dual, Elac e Braun, esta década vai anunciar a mudança do vento, e o futuro vai ser definitivamente japonês.  A motricidade directa vai permitir de fabricar aparelhos mais leves, que funcionam em todos os continentes sem mudança de pulias ou de motor e com caixas em plastico, o que permite uma produção intensiva e a baixo custo, contra a qual nenhum pais ocidental vai poder resistir.

È sobretudo a EMT que vai sofrer durante cinco anos, pois o SP10 mk1 da Technics apesar de possuir uma eléctronica pouco eficaz em regulação da velocidade (taquimetro), custa relativamente barato e é tão bem fabricado que muitas estações e estudios vão se equipar com esta màquina. Ao mesmo tempo a ergonomia dos aparelhos profissionais da Technics e da Sony  que vém de entrar no baile, é muito boa e podem rivalisar com a EMT a vàrios niveis de qualidade. A grande firma alemâ tinha compreendido o interesse de diminuir as peças em movimento num gira (baixar a frequência de resonância), o que explica o interesse pela correia desde os anos sessenta, e a fusão com a Thorens que culminou com a criação do TD 125 (jà com uma regulação electronica). A EMT sabe que a unica maneira de sobreviver face às màquinas japonesas é de fazer melhor, mas a saida do SP10 mk2 com uma eléctronica de corrida e do TTS-6000 da Sony complicam ainda mais a capacidade de contra-ataque dos alemães. Mas em 1975 a EMT apresenta o "EMT Plattenspieler 950", e prova de novo ao mundo e à maneira deles ou seja, sem concessões algumas, que no dominio professional eles são os patrões. O 950 possui a melhor eléctronica de regulação do momento, uma fabricação mecânica exemplar e uma ergonomia fabulosa, que vai estabelecer novos codigos no dominio. Os alemães vão conseguir alcançar o sésamo que os japoneses procuravam sem encontrar, que era a criação de um sinal de grande estabilidade e independente das condições exteriores, afim de basear a regulação do motor com grande fineza e estabilidade. Mas, pouco tempo depois os japoneses vão integrar o quartzo como elemento gerador do sinal, e o DirectDrive alcança a idade adulta num tempo recorde, pois estamos apenas a metade dos anos setenta. Firmas como a Denon vão construir màquinas fabulosas como o DP100 com o objectivo de destronar o EMT 950, mas sò a Sony vai conseguir essa proeza graças ao “milagroso” PX-9, mas no fim da década ou seja, tarde!... muito demasiado tarde.

Entretanto ao nivel da Alta-Fidelidade o Direct Drive controlado a quartzo, deu asas novas a esta tecnologia, e todos os construtores japoneses, possédem um ou vàrios modelos disponiveis e isto de maneira, a cobrir todos niveis do mercado da entrada até ao topo de gama. Os dias da correia pareçem estar contados, e a roda moribunda està prestes a falecer, o que se vai produzir com o fecho de produção do Garrard 401 em 1976. A nobre e altiva marca britânica que acompanhou a segunda guerra mundial com o 201, marcou o mundo da “broadcast” desde 1953 com o 301, vai fechar as portas em silêncio mas de cabeça levantada, pois sabendo perfeitamente, que as marcas morrem mas os mitos não... Sò a Lenco é que vai continuar a produzir o L-80, ainda uns anitos, mas o gira a roda faz figura de tractor num mundo de carros de corrida. A superioridade técnica da motricidade directa a quartzo, decima pouco a pouco todas as marcas ocidentais, incapazes de rivalisar neste dominio técnologico e eléctronico, e o futuro pareçe escrito para os japoneses mas, um grão de areia inesperado vai modificar a visão do mundo e criar a ambiguidade que bloca a supremacia do Direct Drive. Uma pequena firma escocesa fez em 1972 um gira a correia, que em aparência não é nada mais do que um Thorens TD 150 amelhorado, mas que na realidade é “filosoficamente” muito mais que uma simples copia. O Linn LP12 (Sondek de nome gaélico...) é o herdeiro da tradição britânica da mecânica dos giras, e neste aspecto o digno filho dos Garrard, pois ele perpétua uma visão diferente, pessoal e radical da leitura dos vinilos. Num mundo inundado por aparelhos cheios de eléctronica e com ergonomias bem pensadas, o LP12 com o 33rpm como unica velocidade e a motricidade por correia, mas fabricado com os melhores materiais e construido com tolerâncias relojoeiras, vai tomar o mundo a contrapé, e ser a màquina que bloqueia a supremacia do Direct Drive e inicia uma nova visão do audio. A Linn vençe no dominio no qual a EMT/Thorens e outros falharam, ou seja, ela dà o titulo de nobreza à tecnologia da correia a contraplaca suspendida, coisa que o TD125, 160, 166 e outros AR não conseguiram alcançar, e abre a via a uma nova geração de giras que vão nascer, tendo como fio condutor a originalidade, a pertinência e o radicalismo...

Um ano apenas apòs a saida do LP12 uma outra marca britânica ainda mais pragmatica, vai sair um gira que vai marcar até aos dias de hoje a historia, e evidentemente trata-se do Rega Planar. Desta vez o minimalismo é rei, e este gira sem suspensão e de uma simplicidade biblica, mas de uma beleza intemporal, vai fazer ainda mais vacilar as convições da industria japonesa. Na realidade é a “filosofia indirecta” que acompanha estas màquinas que vai criar a duvida, pois os ingleses vão opor à analise tradicional e objectiva dos giras (medida), uma anàlise puramente subjectiva (escuta), e isto vai ser uma verdadeira revolução!!!. Num mundo aonde a qualidade dos aparelhos era definida pela fabricação, pelos materiais utilisados e pelo rumble, estabilidade de rotação, etc..., o aparecimento da qualidade da escuta como parâmetro fundamental de anàlise, vai baralhar complétamente as cartas e representar um novo desafio para os niponicos. Mas os japoneses vão reagir quase imediatamente, e é na cultura deles que vão encontrar as soluções, pois na realidade o “subjectivismo” foi criado nos anos sessenta pela escola audiofila japonesa. Marcas como a Micro-Seiki, Sansui, Luxman, Trio/Kenwood e mais tarde Nakamichi vão realisar aparelhos de uma qualidade objectiva/subjectiva magnifica, tendo como fio condutor a motricidade directa, assim que eléctronicas, mecânicas e suspensões rivalisando de inteligência e de qualidade entre elas. O japão vai fazer como a alemanha fez na década precedente vivendo entre deus e o diabo, e à excepção de Micro-Seiki, quase todos os construtores fabricam modelos de grande nivel técnico e subjectivo, ao mesmo tempo que inundam o mercado com modelos em plastico de nivel muito fraco. Esta situação vai criar uma ambiguidade que não permite de classificar as marcas japonesas de “audiofilas”, e somente uns quantos construtores niponicos atingem a reputação mundial que mereçem, no topo de gama...

Mas a brecha està feita e o futuro serà o combate entre a escola japonesa da motricidade directa e a ocidental por correia. Uma certa forma de “tratado das tordesilhas dos giras” vai ser o motor da oposição que ocuparà o mundo da Alta-Fidelidade no final desta década. Os ocidentais vão rivalisar de pertinência, inteligência e mesmo de manha, afim de conquistar o cimo da montanha e novas marcas (algumas efémeras) como a Gale, Well Tempered, Heybrook, Oracle e mesmo Bang & Olufsen vão acompanhar a Linn, Rega e Thorens nos afrontamentos contra os potentes exércitos niponicos feitos da Trio/Kenwood, Sony, Luxman, Micro-Seiki, Pioneer, Denon, JVC, Technics, Sansui, CEC, entre outros. Algumas das mais belas màquinas da historia nasçeram nesta época, e é necessario constatar, que tanto de um lado como do outro a nobreza e a vontade de fazer avançar o mundo da leitura dos vinilos, são os pilares intelectuais. O dualismo que não existiu entre a motricidade por roda e a correia, vai atigir um nivel paroxistico com a correia/direct-drive, à frente dos olhos fatigados e moribundos do Lenco L80. Sò o sempre eterno "EMT Plattenspieler 930", que vacilou vàrias vezes em 25 anos  mas, resistiu sempre aos ataques do TD124 e depois do SP10 e outros Sony e Denon, em velho sàbio guerreiro contempla a guerra correia/DD, do alto do pedestral dos mitos imaculados, intocàvel e estrangeiro a qualquer forma de dualismo, sozinho no reino dos deuses pois sò à lugar para um!. Este aparelho sabe que a motricidade por roda desaparecerà com ele, e com ele serà o mundo do vinilo tal qual é conhecido que acabarà. O céu assombriu-se para os giras no fim da década, e a luta intelectual pela técnica tornou-se em luta de sobrevivência, pois o que està nesse momento em jogo é a morte anunciada do mundo analogico...

Gostei de ler e saber de mais umas coisas, sim senhor! Parabéns TD 124!
Mas... não acredito no desaparecimento do mundo analógico. Cada vez mais será protegido pelos puristas, e além disso, o próprio valor, não só a nível histórico como também comercial. A prova está nos novos fabricantes que vão aparecendo após o domínio dos direct-drive, sem desconsiderar estes.
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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Jun 13 2013, 13:50

PAINTER escreveu:
TD124 escreveu:
 O céu assombriu-se para os giras no fim da década, e a luta intelectual pela técnica tornou-se em luta de sobrevivência, pois o que està nesse momento em jogo é a morte anunciada do mundo analogico...



Gostei de ler e saber de mais umas coisas, sim senhor! Parabéns TD 124!
Mas... não acredito no desaparecimento do mundo analógico. Cada vez mais será protegido pelos puristas, e além disso, o próprio valor, não só a nível histórico como também comercial. A prova está nos novos fabricantes que vão aparecendo após o domínio dos direct-drive, sem desconsiderar estes.

O tempo que o td124 reflete no seu belo texto é o final da decada de 70, e nessa altura o mundo analógico estrebuchava.
Acredito até que nos anos seguintes , com incidencia no fim da decada de 80 e principio de 90, terá havido momentos de produção zero ao nivel do analogico...

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Jun 13 2013, 14:03

Excelente, é um previlégio poder ler histórias destas. Obrigado td124.
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Jun 13 2013, 14:31

Milton escreveu:
PAINTER escreveu:
TD124 escreveu:
 O céu assombriu-se para os giras no fim da década, e a luta intelectual pela técnica tornou-se em luta de sobrevivência, pois o que està nesse momento em jogo é a morte anunciada do mundo analogico...






Gostei de ler e saber de mais umas coisas, sim senhor! Parabéns TD 124!
Mas... não acredito no desaparecimento do mundo analógico. Cada vez mais será protegido pelos puristas, e além disso, o próprio valor, não só a nível histórico como também comercial. A prova está nos novos fabricantes que vão aparecendo após o domínio dos direct-drive, sem desconsiderar estes.




O tempo que o td124 reflete no seu belo texto é o final da decada de 70, e nessa altura o mundo analógico estrebuchava.
Acredito até que nos anos seguintes , com incidencia no fim da decada de 80 e principio de 90, terá havido momentos de produção zero ao nivel do analogico...



E talvez ném sequer Milton! A historia vai nos dizer nos proximos capitulos... Wink

Até+

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Jun 13 2013, 15:29

Soberbo!!! Como sempre!

Obrigado pela partilha!!!
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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Jun 13 2013, 16:42

Obrigado por este novo episódio da guerra dos mundos. Primeiro os mundos dos motores e dos continentes, e dentro em breve os mundos das ideologias...

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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Jun 13 2013, 16:43

Este pode não ser o melhor tópico do AAP, mas não há outro melhor... 
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PAINTER
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Jun 13 2013, 21:35

Rui Mendes escreveu:
Este pode não ser o melhor tópico do AAP, mas não há outro melhor... 

Por acaso acho o tópico o principal, falar da evolução cultural e técnica do disco vinil, com discussões divergentes e convergentes. Eu posso entender uma coisa como vejo, e ao ler ou trocar palavras de conhecimento convosco... até posso mudar de ideias, n'é?
Estamos aqui pelo mesmo, cultivamos o culto do vinil!!! Não é assim?
Com humor, com seriedade, gosto de vir aqui (AAP). Bem hajam vocês todos!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Jun 13 2013, 21:54

Mais uma lição de como bem passar o conhecimento. Muitos podem saber, mas não são muitos que o sabem transmitir com esta qualidade. Parabéns Paulo.

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TD124
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MensagemAssunto: A motricidade directa...   Ter Set 03 2013, 12:45

A motricidade directa
     
Concrétamente a motricidade directa ou “direct-Drive”, consiste a fixar o prato directamente no eixo do motor, este ultimo rodando à velocidade de 33 ou 45 rpm. Esta técnica permite de reduzir dràsticamente as peças em movimento e historicamente pertençe legalmente à Thorens, mesmo se a primeira aplicação foi o Garrard 201 nos anos trinta. Criticada ou adulada, esta tecnologia de gira-discos divide os audiofilos e isto desde o nascimento destes aparelhos. Uns vêem nela uma grande falta de nobreza, isto sendo devido à mecânica simples e ou, à eléctronica (complexa) embarcada, ora que outros consideram esta tecnologia como o apogeu do desenvolvimento historico dos giras, e a técnica mais perfeita no dominio da estabilidade de rotação. Evidentemente, e como sempre, os dois estão enganados e tém razão ao mesmo tempo... vamos là ver então o que faz destas maquinas, algo tão à parte no mundo dos gira discos.

O “Direct-drive” nasce da analise das técnicas de motricidade precedentes e da compreensão dos limites, ou desavantagens destas ultimas. O numero de peças em movimento para fazer rodar o prato é um problema desde sempre, pois isto cria resonâncias multiplas e muito dificeis a eliminar. Se fizer-mos uma analise do Thorens TD124, vamos ver que este aparelho posséde quatro pontos (eixos) em movimento permanente, que são; o motor, a roda intermediaria, a roda de tração e o prato. Cada um destes eixos vai criar uma resonância propria, a frequências diferentes que se acumulam e acabam por produzir a “cacofonia” que dà pelo nome de “rumble”, na lingua da sua majestade. Em comparação a motricidade directa sò posséde um ponto (eixo) em movimento permanente, ou seja “quatro vezes menos” do que o TD124,  três vezes menos do que um Garrard 301 e duas vezes menos do que o Linn LP12. Ao mesmo tempo a fraca rotação do motor, que roda a 33 1/3 e a 45 rpm, cria muito menos vibrações do que um motor a roda (1800 rpm) e mesmo do que um motor a correia (200 rpm), o que representa outro ponto forte.

 
Jà sinto alguns de entre vòs se dizer, que as resonâncias das outras técnicas podem ser  limitadas pela qualidade do maquinamento das peças. De uma parte é verdade, mas é uma verdade aparente apenas, pois o preço a pagar pelo “relativamente fraco” rumble do TD124 é a equilibragem dinâmica de todas as peças em movimento e uma grande precisão de fabricação e de ajustagem, o que custa extremamente caro a produzir. Ora um “direct drive” feito com as mesmas tolerâncias vai produzir muito menos rumble e isto a um preço muito mais baixo, o que representa uma avantagem a todos niveis. Esta técnica pelo fraco rumble produzido, vai permitir a ausência de suspensão (mesmo se existem alguns com suspensões muito refinadas), o que representa outra avantagem suplementar ao nivel da escuta, pois elimina mais uma resonância. Visto sobre este ângulo, a filosofia da motricidade directa é praticamente perfeita e representa um grande passo para a frente na tecnologia dos gira-discos. Efectivamente, e isto é vàlido ainda hoje, a motricidade directa apresenta caracteristicas no papel superiores a todas as outras técnicas, mas a realidade é bem diferente, e são as deficiências praticas e conceptuais desta tecnologia que vão determinar os seus defeitos e limites...

O primeiro limite de ordem pratica é o motor, pois é praticamente impossivel de fabricar um motor que rode (naturalmente estàvel), a rotações tão fracas. È preciso ver que o prato estando fisicamente ligado ao motor, o minimo erro de rotação deste ultimo é transmitido directamente e multiplicado pelo diâmetro do prato. A unica solução (limitando as peças em movimento) é de “obrigar” o prato a rodar devagarinho, graças a uma assistência eléctronica. Isto é vàlido, tanto para os motores em corrente alternativa (sincronos ou AC) que para os em corrente directa (DC), mesmo se para estes ultimos o problema seja diferente. Ora estabilisar um motor é dificil, mesmo quando este roda à sua velocidade nominal, e torna-se muito complicado quando é necessario, ainda por cima, controlà-lo a uma velocidade baixa (com passo irregular). Estes problemas vão ser aperfeiçoados, e alguns mesmo eliminados, durante os dez a douze anos de reino desta tecnologia. È sobretudo a eléctronica que vai evoluir e assim permitir a esta técnica de se tornar madura.


A primeira regulação utilisada é do tipo taquimetro, ou seja como um indicador de velocidade de um carro. O sistema mede o tempo que o prato leva a rodar entre dois pontos e depois acelera ou trava electronicamente o motor para estabilisar a velocidade. O problema desta técnica (Technics SP10 MK I) é que o prato està sempre a oscilar a mais ou a menos à volta da velocidade teorica, e que sò apòs vàrias horas de funcionamento continuo a rotação se estabilisa. Para evitar este problema, uma outra solução é de criar um sinal de frequência extremamente estàvel, e de obrigar o motor a rodar de uma maneira sincrona a este sinal. È o caso do Technics SP10 MK II, mas é sobretudo a EMT que consegue esta proeza graças a um gerador de sinal de uma estabilidade em temperatura fantàstica, mas com um preço de fabricação extremamente elevado. Mas a aparição do “Quartzo” como gerador de impulsos no meio dos anos setenta, vai democratisar a eléctronica e impor-se como o meio universal de regulação da velocidade. A elèctronica atinge niveis sublimes de refinamento, ao ponto de suavisar a transição entre polos do motor, conduzindo a erros de rotação não medivéis.

A aparição dos motores “passo a passo” do tipo informàtica nos anos setenta abre novas perspectivas à motricidade directa, pois estes podem ser controlados de modo digital e atingir estabilidades de rotação ainda melhores, e com menos vibrações de funcionamento. Mas esta técnica torna-se viàvel no começo dos anos oitenta, e o CD està prestes a nascer, então as marcas jà não investem em pesquisa nos gira-discos que estão comercialmente prestes a tornar-se obsoletos. O nascimento do CD marca o fim desta tecnologia, que foi sobretudo utilisada pelos japoneses, pois o unico pais a desenvolver motores especificos, e técnicas para esta utilisação. Isto não impede que marcas modernas como a Grand Prix Audio de fabricar giras como o Monaco, utilisando as mais recentes técnicas de sincronisação digitais para controlar o movimento do prato. Outro problema que atinge esta técnica é a presença de campos magnéticos e de interferências electromagnéticas, em baixo do prato, que podem interferir com a célula, mesmo quando correctamente blindados...

Como todas as técnicas, a motricidade directa deixa na historia màquinas fabulosas e outras para esqueçer. Nos melhores representantes, deve-se respeitar as qualidades de ataque da nota e de tensão no grave, que não possede o lado quente e fofo, tipico dos giras a correia suspendidos classicos. A escuta tém algo de ràpido, imediato e franco, que finalmente sò os grandes giras a roda igualam, mas com contornos menos finos... como explicar então que seja a correia que vai continuar a ser a boia de salvação do vinil ???... logo veremos no proximo episodio ...

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 03 2013, 13:15

 
Sempre a aprender, obrigado!
  
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 03 2013, 13:15

   
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 03 2013, 13:35

Já tinha saudades....  


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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 03 2013, 13:46

Obrigado por mais uma bela lição !

Aproveito para perguntar se os td124 e 135 têm uma mistura de assinaturas sonicas derivadas da sua tração mista, ou pelo contrario conseguem elevar-se a um patamar próprio e inigualável ?

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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 03 2013, 15:15

Obrigado Paulo, por mais este olhar cativante sobre a história dos nossos queridos meninos.  
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 03 2013, 16:41

Milton escreveu:
Obrigado por mais uma bela lição  !

Aproveito para perguntar se os td124 e 135 têm uma mistura de assinaturas sonicas derivadas da sua tração mista, ou pelo contrario conseguem elevar-se a um patamar próprio e inigualável ?
Olà Milton,

hà uma regra (quase uma lei !) no audio, e os giras não são excepção que diz " Um concepto unico, produz um som unico, que este seja bom ou mau..."

Efectivamente os TD 124 e 135, possédem um som unico que é o resultado da tração mixta que possedem. Mas... paradoxalmente, o resultado sonoro proprio e inigualàvel, é mais proximo de uma tecnologia a roda do que a correia, pelo facto que técnicamente eles pertençem ao grupo dos giras a "tração por roda". Mas uma comparação directa, feita com deontologia, mostra que esses aparelhos possédem uma sonoridade unica, pois esta é mais delicada, mais equilibrada e moderna que a dos outros aparelhos do mesmo grupo...

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 03 2013, 16:50

TD124 escreveu:
Milton escreveu:
Obrigado por mais uma bela lição  !

Aproveito para perguntar se os td124 e 135 têm uma mistura de assinaturas sonicas derivadas da sua tração mista, ou pelo contrario conseguem elevar-se a um patamar próprio e inigualável ?
Olà Milton,

hà uma regra (quase uma lei !) no audio, e os giras não são excepção que diz " Um concepto unico, produz um som unico, que este seja bom ou mau..."

Efectivamente os TD 124 e 135, possédem um som unico que é o resultado da tração mixta que possedem. Mas... paradoxalmente, o resultado sonoro proprio e inigualàvel, é mais proximo de uma tecnologia a roda do que a correia, pelo facto que técnicamente eles pertençem ao grupo dos giras a "tração por roda". Mas uma comparação directa, feita com deontologia, mostra que esses aparelhos possédem uma sonoridade unica, pois esta é mais delicada, mais equilibrada e moderna que a dos outros aparelhos do mesmo grupo...

Até+
Obrigado Paulo
Agora fiquei mais ansioso e espectante quanto ao 135 que em breve terei aqui !cheers 

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Set 22 2013, 18:58

Caro TD124,

Muito obrigado pelo excelente texto.

Um dia gostava de saber a tua opinião sobre os Nakamichi tx1000 e Dragon, e se conheces mais algum gira que tenha procurado resolver o problema do descentramento das prensagens.

Um abraço,

Seven
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Set 25 2013, 15:10

seven escreveu:
Caro TD124,

Muito obrigado pelo excelente texto.

Um dia gostava de saber a tua opinião sobre os Nakamichi tx1000 e Dragon, e se conheces mais algum gira que tenha procurado resolver o problema do descentramento das prensagens.

Um abraço,

Seven
Olà Seven,

nunca escutei nenhum deles, pois são aparelhos raros, mas a ideia do sistema de recentragem do disco é interessante, pois diminui ou elimina o "swing" lateral da célula durante a leitura com grandes avantagens no que diz respeito à diminuição da diafonia e aumento da dinamica... mas, infelismente a mecanica de movimento do prato, aumenta as peças em movimento o que é nefasto para a frequência de resonância global!... mas suponho que eles tiveram em conta este fenomeno durante o estudo e fabricação do gira...

Pessoalmente so conheço uma marca que é a Tegaraki que usa um sistema assim no modelo Sygma 3000 ou 5000, jà não me recordo... pois o Sr Tegaraki foi o engenheiro chefe do tx1000, para a Nakamichi...

Obrigado e até+

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Set 25 2013, 16:05

Caro TD124,

Obrigado pela resposta.

Fiquei muito curioso sobre os Tegaraki, mas não encontrei rigorosamente nada sobre eles, nem uma única imagem, tens algum link ou imagem?

Um abraço e mais uma vez obrigado,

Seven
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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Set 25 2013, 16:16

É Teragaki e não Tegaraki.

http://www.theaudiofeast.com/Photo-Gallery-Teragaki.html

http://www.teragaki-takeshi.jp/works/players.html

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Set 25 2013, 16:21

Ok!

Muito obrigado, vou investigar!

Já ouviste alguma vez?

Ou alguém aqui do fórum, AJS? Micro-seiki? outros?

Abraço,

Seven
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Set 25 2013, 16:30

Eu, nem o cheiro.  

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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Set 25 2013, 16:36

seven escreveu:
Ok!

Muito obrigado, vou investigar!

Já ouviste alguma vez?

Ou alguém aqui do fórum, AJS? Micro-seiki? outros?

Abraço,

Seven
Isso são giradiscos muuuuuuiito exclusivos e "baratuchos". Aposto que não há nenhum na peninsula iberica....

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Set 25 2013, 16:46

Milton escreveu:
seven escreveu:
Ok!

Muito obrigado, vou investigar!

Já ouviste alguma vez?

Ou alguém aqui do fórum, AJS? Micro-seiki? outros?

Abraço,

Seven
Isso são giradiscos muuuuuuiito exclusivos e "baratuchos". Aposto que não há nenhum na peninsula iberica....
Sim enganei-me no nome, é Teragaki "Sygma series", quanto a não haver na peninsula ibérica !!!, o PX9 é muitissimo raro e o amigo CNeves tém um !!!...  

Eu ouvi o Sygma 3000  , e é um gira correcto,... mas muito inferior ao meu TD124  

Estou a gozar, é um gira espectacular pela fineza de restituição ...

Até+

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Set 25 2013, 17:27

Não sabia que o Sony px9 era um Teragaki...estamos sempre a aprender !
 

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Set 25 2013, 17:46

Milton escreveu:
Não sabia que o Sony px9 era um Teragaki...estamos sempre a aprender !
 
Eu não disse nada disso... acho eu  

O que eu quiz dizer, é que da mesma maneira que hà um Sony PX9 em Lisboa, ora que se poderia pensar que os (à volta...) cinquenta existentes estivessem no Japão e nos EUA... talvez haja um Sygma, escondido em qualquer lado na peninsula ibérica...  ... talvez em Barcelona haja um, tenho que investigar, pois hà um apaixonado com a gita e cabedal para isso !...

Aqui em França não hà nenhum no meu conhecimento, eu ouvi um nos anos 2000/2001 em Paris, num Show dedicado ao vinilo... e tinha vindo directamente do Japão emprestado...

Até+

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Set 25 2013, 19:03

TD124 escreveu:
Milton escreveu:
Não sabia que o Sony px9 era um Teragaki...estamos sempre a aprender !
 
Eu não disse nada disso... acho eu  

+
Ah, ok.
Não ligues que estou cada vez mais xéxé...lol! 
Fiquei a pensar que o sr Teragaki tivesse colaborado com a Sony, o que não seria descabido.

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 12:33

salut TD124,

não sei como é em França mas em Portugal há cada vez mais oferta de self publishing...compilavas este material todo que anda disperso por vários tópicos, trabalhavas um pouco mais o conteúdo e publicavas um livro feito à tua medida e sem editores pelo caminho Wink

acho que informação a este nivel e em português não existe em mais lado nenhum e se por um lado os fóruns servem para partilhar conhecimento por outro lado não são propriamente um suporte ao nível de uma edição escrita, pensada e organizada com pés e cabeça como um livro.

que dizes? segundo sei o self publising não fica nada caro e poderias amortizar facilmente o investimento no preço do livro e ainda fazias uns cobres para um Haute Médoc ou um Saint-Mont Wink

apenas um desabafo de alguem que não gostaria de ver toda este informação perdida de hoje para amanha

abraço

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 13:33

mango escreveu:
salut TD124,

não sei como é em França mas em Portugal há cada vez mais oferta de self publishing...compilavas este material todo que anda disperso por vários tópicos, trabalhavas um pouco mais o conteúdo e publicavas um livro feito à tua medida e sem editores pelo caminho Wink

acho que informação a este nivel e em português não existe em mais lado nenhum e se por um lado os fóruns servem para partilhar conhecimento por outro lado não são propriamente um suporte ao nível de uma edição escrita, pensada e organizada com pés e cabeça como um livro.

que dizes? segundo sei o self publising não fica nada caro e poderias amortizar facilmente o investimento no preço do livro e ainda fazias uns cobres para um Haute Médoc ou um Saint-Mont Wink

apenas um desabafo de alguem que não gostaria de ver toda este informação perdida de hoje para amanha

abraço

Concordo em absoluto com o Mango !
Até podes inscrever-te no Crowdfunding e assim reunires os fundos necessarios para a publicação.
http://ppl.com.pt/

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 16:41

mango escreveu:
salut TD124,

não sei como é em França mas em Portugal há cada vez mais oferta de self publishing...compilavas este material todo que anda disperso por vários tópicos, trabalhavas um pouco mais o conteúdo e publicavas um livro feito à tua medida e sem editores pelo caminho Wink

acho que informação a este nivel e em português não existe em mais lado nenhum e se por um lado os fóruns servem para partilhar conhecimento por outro lado não são propriamente um suporte ao nível de uma edição escrita, pensada e organizada com pés e cabeça como um livro.

que dizes? segundo sei o self publising não fica nada caro e poderias amortizar facilmente o investimento no preço do livro e ainda fazias uns cobres para um Haute Médoc ou um Saint-Mont Wink

apenas um desabafo de alguem que não gostaria de ver toda este informação perdida de hoje para amanha

abraço


Ora aqui está uma grande ideia. O valor da prensagem seria amortizado com facilidade, pois só no AAP seria um best seller.  

A nível do áudio, seria um Livro de grande qualidade informativa e escrito da forma que nós sabemos, um regalo.

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 17:43

mango escreveu:
salut TD124,

não sei como é em França mas em Portugal há cada vez mais oferta de self publishing...compilavas este material todo que anda disperso por vários tópicos, trabalhavas um pouco mais o conteúdo e publicavas um livro feito à tua medida e sem editores pelo caminho Wink

acho que informação a este nivel e em português não existe em mais lado nenhum e se por um lado os fóruns servem para partilhar conhecimento por outro lado não são propriamente um suporte ao nível de uma edição escrita, pensada e organizada com pés e cabeça como um livro.

que dizes? segundo sei o self publising não fica nada caro e poderias amortizar facilmente o investimento no preço do livro e ainda fazias uns cobres para um Haute Médoc ou um Saint-Mont Wink

apenas um desabafo de alguem que não gostaria de ver toda este informação perdida de hoje para amanha

abraço

Salut mango,

obrigado pelas palavras e pelo elogio subjacente... mas o que està escrito é propriedade do AAP, antes de ser meu, pois é a minha doação a este espaço... e é assim que me sinto bem aqui...

Então se os administradores, acharem bem de compilar isto tudo afim de constituir um livreco que vos desse prazer, é andar para a frente, e o dinheiro serviria como fundo para que o AAP promovesse encontros, partilhas, comidas e beberes assim que outras tertulias entre membros...

Està dito!... mas obrigado pela intervenção que sincéramente me toca!...

Abraço e até+

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 20:34

TD124 escreveu:
mango escreveu:
salut TD124,

não sei como é em França mas em Portugal há cada vez mais oferta de self publishing...compilavas este material todo que anda disperso por vários tópicos, trabalhavas um pouco mais o conteúdo e publicavas um livro feito à tua medida e sem editores pelo caminho Wink

acho que informação a este nivel e em português não existe em mais lado nenhum e se por um lado os fóruns servem para partilhar conhecimento por outro lado não são propriamente um suporte ao nível de uma edição escrita, pensada e organizada com pés e cabeça como um livro.

que dizes? segundo sei o self publising não fica nada caro e poderias amortizar facilmente o investimento no preço do livro e ainda fazias uns cobres para um Haute Médoc ou um Saint-Mont Wink

apenas um desabafo de alguem que não gostaria de ver toda este informação perdida de hoje para amanha

abraço

Salut mango,

obrigado pelas palavras e pelo elogio subjacente... mas o que està escrito é propriedade do AAP, antes de ser meu, pois é a minha doação a este espaço... e é assim que me sinto bem aqui...

Então se os administradores, acharem bem de compilar isto tudo afim de constituir um livreco que vos desse prazer, é andar para a frente, e o dinheiro serviria como fundo para que o AAP promovesse encontros, partilhas, comidas e beberes assim que outras tertulias entre membros...

Està dito!... mas obrigado pela intervenção que sincéramente me toca!...

Abraço e até+
Caro TD 124

A tua competência e genorisidade é por demais evidente que é ao nível de um TD - 166! Penso que não te consigo fazer um melhor elogio que este.

Por isso um grande bem-haja!

 
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 21:04

Alexandre Vieira escreveu:


A tua competência e genorisidade é por demais evidente que é ao nível de um TD - 166!
 

O nosso Paulo Marcelo é assim tão incompetente?  

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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 21:11

António José da Silva escreveu:
Alexandre Vieira escreveu:


A tua competência e genorisidade é por demais evidente que é ao nível de um TD - 166!
 
O nosso Paulo Marcelo é assim tão incompetente?  
O elogio apenas é inteligível a verdadeiros conhecedores...  
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 21:21

Alexandre Vieira escreveu:

O elogio apenas é inteligível a verdadeiros conhecedores...  

O que significa "inteligível"?  


E eu que pensava que era o futebol que indrucava e dava coltrura.  

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 21:36

António José da Silva escreveu:
Alexandre Vieira escreveu:

O elogio apenas é inteligível a verdadeiros conhecedores...  
O que significa "inteligível"?  


E eu que pensava que era o futebol que indrucava e dava coltrura.  


in·te·li·gí·vel
(latim intelligibilis, -e)


adjectivo de dois géneros



1. Que se entende ou é fácil de ser compreendido (ex.: discurso inteligível). = ACESSÍVEL, CLARO, COMPREENSÍVEL ≠ ININTELIGÍVEL

2. Que se ouve bem (ex.: vozes pouco inteligíveis). = AUDÍVEL ≠ ININTELIGÍVEL

adjectivo de dois géneros e substantivo masculino



3. [Filosofia] Que ou o que só pode ser compreendido pela inteligência, pela razão, não pelos sentidos (ex.: mundo inteligível; o bem pertence ao domínio do inteligível). ≠ SENSÍVEL


"inteligível", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/intelig%c3%advel [consultado em 26-09-2013].


 
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 21:43

Estava a brincar, mas obrigado na mesma.


lol! 

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