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 À descoberta dos gira discos !...

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 21:43

Estava a brincar, mas obrigado na mesma.


lol! 
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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 22:47

Sério António!!!

Desculpa não me tinha apercebido...  

Sem recentimentos o.k? Rolling Eyes 




 
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 22:50

Alexandre Vieira escreveu:
Sério António!!!

Desculpa não me tinha apercebido...  

Sem recentimentos o.k? Rolling Eyes 


 

Como é sabido que o futebol indruca e dá corltrura, confesso que fiquei algo ofendido. lol! 

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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 26 2013, 23:04

António José da Silva escreveu:
Alexandre Vieira escreveu:
Sério António!!!

Desculpa não me tinha apercebido...  

Sem recentimentos o.k? Rolling Eyes 


 
Como é sabido que o futebol indruca e dá corltrura, confesso que fiquei algo ofendido. lol! 
Eu no fim de semana vi uma espécie de jogo de futebol em Alvalade. Quando pensava que não conseguia ver nada pior nesse fim de semana, eis que Deus colocou Jesus no meu caminho para salvar o meu fim de semana.

Face a tal facto, assim derrepente só me consigo lembrar o que dizem os Escritos Sagrados:

Apocalipse 2.10
Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel aos lampiões, e dar-te-ei a coroa da vida.


O que me fez pensar...

Será que o LFV foi co-autor dos escritos????
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jotaso62
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MensagemAssunto: :: Phono Geral :: À descoberta dos gira discos !...   Dom Nov 03 2013, 16:13

Amigo td124,em especial e restantes foristas  assisti a mais uma exposição de valor onde o elogio me sabe a pouco ,perante a qualidade humana,por detraz dos exposto .reforço o que ha alguns anos penso ,e digo quando sinto "o ilustre
é humilde por natureza"
o elogio que faço ao TD124,é que é preciso gostar muito do que se faz ,e ter aquele toque de génio para chegar ao nivel que Ele tem e sobre tudo muito trabalho para passar aos outros o que sabe ,tentando elevar o nível geral.
Bem Hajam:__((:  
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Pedro Neves



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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Nov 03 2013, 17:03

Excelente post, ainda vou a meio da leitura mas tenho desde já felicitar o autor pela partilha! " O conhecimento só é válido quando compartilhado!"
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TD124
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MensagemAssunto: Os anos oitenta!...   Qua Jan 29 2014, 13:49


Contexto historico

Os anos oitenta nasçem com um céu nebulado cinzento escuro e com a ameaça concréta do fim do analogico. O vinilo apòs vàrias décadas de reino como formato priviligiado de“distribuição“ da musica, vai entrar num declinio acelarado. A Philips e a Sony, reunidas nesta ocasião véem de anunciar a criação de um novo format audio, inovador e radical, que vai transformar para sempre a evolução do audio e suplantar o vinilo técnicamente. Mas na realidade, uma anàlise atentiva mostra que o vinilo jà està moribundo, pois as guerras internas tecnologicas entre oriente e ocidente, audiofilos contra melomanos e objectivistas contra subjectivistas conduziram a um impasse. Asfixiado e enfraquecido por estas batalhas, o mundo do vinilo no começo desta década é patético e complexo a analisar…

Se excluirmos a Rek-o-Kut, Garrard e a Acoustic Research (resumindo), pràticamente todos os actores da evolução do vinilo ainda existem e estão activos, mas jà não são o que eram, pois endormecidos pelo dinheiro fàcil que ganham, “emburguezaram-se“ e a pertinência tecnologica desapareceu. Se excluirmos a Sony que paradoxalmente vém de lançar o seu PX9, que é uma màquina criada/pensada para atacar a EMT, mais do que para fazer progredir a leitura vinilo, não hà nada de novo no horizonte analogico neste começo de década. A Linn defende com convição e grande sentido comercial o subjectivismo e convida os audiofilos a ouvir em vez de consultar as especificações técnicas. Do outro lado os japoneses, liderados pela Technics que se impôs como uma grande marca lider, defende o progresso tecnologico que acompanha as suas màquinas e que é sinonimo de evolução sonora. E no meio desta semântica, o velho sàbio EMT930 que continua a ser produzido (cumulo absoluto do paradoxo), contempla fatigado e esmorecido o suicidio intelectual e tecnologico do analogico…, pois verdade seja dita, o CD não tinha necessidade de ser muito bom nessa época, simplesmente porque o vinilo jà estava concéptualmente morto !...

Mas ao mesmo tempo, alguns sinais discretos anunciavam a possibilidade de um longinquo raio de luz. Desde os anos oitenta, uma jovem e modesta firma, tinha reinventado a filosofia dos giras suspendidos através de conceptos inovadores. Três anos apòs uma outra empresa, através de meios também diferentes, vai mostrar que as tecnologias existentes ainda podem evoluir e fazer concurrência subjectiva ao recém nascido CD. A Pink Triangle e a Roksan, vinham de criar a faisca do que seria a renascensa intelectual do vinilo, e contra toda expectativa o moribundo formato entrou numa nova fase da sua longa vida. O jovém CD vai dar uma ajuda inesperada a esta renascensa, pois o formato vais ter um acolho partilhado. Paradoxalmente e sem explicação aparente, os melomanos amadores de musica clàssica vão adoptar imediatamente o CD, e são finalmente os amadores de Rock/Jazz que vão ser mais reticentes à escuta. Os vinilos vendem-se por camiões a tostões, e certas maquinas como as Linn, atingem preços de venda em segunda mão, inferiores a qualquer leitor de CD, o que ajuda o mercado da segunda mão. No mundo ainda esotérico e confidencial da audiofilia, as coisas também estão a mudar. Na revista l’Audiophile o JC Verdier està a conceber a “sua Platine“, o Pierre Lurné também està a fazer o seu gira Minimum, que culminarà com a associação com a Goldmund e a criação dos grandes giras da marca.

Marcas como a Micro-Seiki, vão voltar à correia porque a baixa de venda dos giras, conduziu a industria japonesa a abandonar as tecnologias do vinilo e a se lançar na produção de leitores de CD. As pequenas empresas jà não podem comprar motores “Direct-Drive“, e não téem a possibilidade finançeira de fabricà-los em interno. Então a correia torna-se a tecnologia mais acessivél, para fazer giras artesanais e em pequena quantidade, e eis que a “modesta“ correia, se torna a tecnologia de motricidade principal dos giras dos anos oitenta !!!... O direct drive continua a ser produzido, mas jà não hà pesquisa e são essencialmente giras de entrada, para equipar aqueles que ainda téem alguns vinilos. Sò os grandes giras da Goldmund e alguns exercicios de estilo da Nakamichi, Sony, Technics e Pioneer são ainda Direct drive, mas a tecnologia està moribunda, pois vai ser abandonada de todos à excepção da Technics que a criou. A correia então, graças a novas marcas vai progredir de uma maneira exponencial e atingir nos anos oitenta, ou seja vinte anos apòs a sua criação, o devido interesse e respeito. Empresas como a Sota, Oracle, Goldmund, Versa Dinamics, Verdier, Audioméca, Roksan, Pink Triangle, etc… vão ser o motor de uma nova geração de màquinas.

O sublissimo e tràgico album Closer dos Joy Division, vais ser a musica de funeral do EMT930, que deixa de ser produzido em finais de 1981. Mas desta vez a historia não se vai repetir, pois o velho sàbio, em màquina seminal  e eterna, não vai desapareçer no silêncio da evolução, mas vais ser celebrado pela nova geração. No cortejo funebre do mais influente gira da historia vamos encontrar o JC Verdier, T Moghaddam, A Koubessérian, P Lurné, A Koîzumi, etc…, que vão fazer dele mais do que um mito, mas uma lenda viva. O desaparecimento do EMT930 é o electrochoque, de onde vai nascer uma nova maneira de pensar as màquinas da nova geração. Todos vão compreender que o EMT930, não cristalisa uma técnica, mas uma ideia eterna e metafisica do homem que é o absoluto da transcendência pessoal. Numa época aonde o grande Fish dos Marillion, apregoava no final do magnifico Fugazzi :

Where are the prophets, where are the visionaries, where are the poets… to breach the dawn of the sentimental mercenary

A nova geração comprendeu que o futuro seria de reinventar os sentimentos!... e de ir buscar a inspiração no interior deles mesmos, no sitio aonde os Mortimer, Wilhelm Franz e outros Thévenaz a tinham encontrado. O grito dos Marillion, tinha sido ouvido e os novos visionàrios vinham de nascer!... e com eles, o vinilo saiu do estado de coma, para continuar uma nova existência…

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Jan 29 2014, 15:16

Paulo,

Sabes quais a causas que determinaram o fim da L'Audiophile?
É difícil de perceber como é que uma revista que deu ao mundo tantos projectos interessantes deixou de existir...

Um abraço,
Ricardo
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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Jan 29 2014, 16:01

Obrigado Paulo por mais este cativante texto   
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zaratustra
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Jan 29 2014, 16:06

Obrigado Paulo por este périplo, colocando o teu saber e poder de síntese ao serviço da comunidade.
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TD124
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Jan 29 2014, 16:22

ricardo onga-ku escreveu:
Paulo,

Sabes quais a causas que determinaram o fim da L'Audiophile?
É difícil de perceber como é que uma revista que deu ao mundo tantos projectos interessantes deixou de existir...

Um abraço,
Ricardo

Levo esta tua pergunta para o "Waltz...", a fim de lhe dar uma resposta num local mais adaptado...

Até+

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Jan 29 2014, 23:02

Grande amigo Paulo. É sempre um prazer ler estas tuas lições de história do áudio em geral, e em particular do gira discos.

No fim temos que fazer uma compilação desta maravilhosa obra.  

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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Jan 30 2014, 06:29

Se calhar, só com copy paste, pode-se iniciar uma wiki no fórum...   
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Jan 30 2014, 15:35

Espetacular! Mto bom!   
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TD124
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MensagemAssunto: Os anos noventa !!!...   Dom Ago 17 2014, 15:11

Os anos noventa vão ser a década mais sombria da historia dos giras discos. Contràriamente ao que se pensa, na década dos oitenta a venda dos vinilos continuou a ser superior à dos CD’s até ao ano 89, mas nessa data a curva de venda inversou-se, e o CD instalou-se numa supremacia total e irreversivel ao nivel mundial. A venda de gira-discos e acessorios atingiu o nivel mais baixo de sempre e mesmo em segunda mão o destino do vinilo como fonte de qualidade parece estar condenado a curto termo. Evidentemente, não hà verdadeiramente nada de novo tecnologicamente e a evolução do formato não é uma prioridade para ninguém, que seja para os construtores, editores ou mesmo para os artistas. A LINN propõe modificações (upgrades) para a LP12, a Rega apòs ter desenvolvido os seus braços nos anos oitenta, brinca com a estética e as variantes dos Planar e os japoneses estão demasiado atarefados a fazer leitores de CD, para gastar dinheiro no vinilo, pois mesmo a Technics tornou-se num veneravel fabricante de leitores digitais. Por obrigação comercial, alguns construtores japoneses ainda possuem um ou dois giras (direct drive ou a correia) no catàlogo, mas são apenas versões em plastico, mais para « desenrascar » que verdadeiramente màquinas estudadas e fabricadas num objectivo de qualidade. Sò a Technics, continua pragmaticamente a produzir o SL1200, que se installou como a referência absoluta dos Disk-Jockey’s, do Rap/Trip Hop… e da musica eléctronica que està em plena explosão comercial…

Mas, tal um Fénix os giras continuam por milagre a renascer das cinzas, e às vezes mais fortes do que antes. Um duplo fenomeno, vai ajudar o vinilo a ressaltar no inicio da década e dà-lhe mesmo um impulso complétamente inesperado. Graças ao desenvolvimento ràpido do computador (Personal Computer ou PC), os trabalhos da revista l’Audiophile (França), Glass Audio (EUA) ou da Radio MJ (Japão), são copiadas nos disk’s flexiveis e dão a volta da terra, internacionalisando os métodos e a filosofia da audiofilia. Os europeus e americanos vão então conheçer os trabalhos do JC Verdier com a sua (Platine), do Pierre Lurné com a (Audioméca), do « Le Tallech » com o gira éponimo e mesmo da « Snecma mércure » com o monumental gira sem eixo em banho de mercurio !!!..., estes gira-discos (loucos e desconhecidos) vão ser o virus inoculado, que lança um interesse novo em relação aos gira discos audiofilos, mas também aos antigos. Os designeres citados antes, sendo uns grandes admiradores das màquinas do passado, vão explicar que a concepcão moderna das màquinas deles, partem da anàlise dos TD124, EMT 930 e dos Garrard 301/401. Estas velhas màquinas vão então sair da obscuridade (ésotérismo) no inicio dos anos 90, e o publico (re) ou descobre, o imenso potencial destas maravilhas quando são bem utilisadas. Na Inglaterra a Loricraft, lança um negocio de restauração dos Garrard e o preço dos aparelhos descola rapidamente, para atingir os niveis de hoje, a mesma coisa vai se produzir com os TD124 e EMT, sem falar de outras marcas mais confidenciais.

Em paralelo com o fenomeno da divulgação internacional da “audiofilia como disciplina filosofica”, um milagre vai-se produzir num mundo apàtico e sem alma, e que por isso vai passar desapercebido, e trata-se da criação do Pink Triangle « Anniversary » !!!. Este gira-discos, verdadeiro monumento e manifesto da inteligência humana, é o Albert Ayler dos giras, ou seja, o « ser » que fecha uma época no silêncio frio do desinteresse e da incompreensão. Este gira reinventa quase todos os aspectos da tração por correia, como se tivessem sido necessario 35 anos para compreender os mistérios desta tecnologia. Mas, é demasiado tarde, muito tarde mesmo pois os audiofilos dos anos sessenta são demasiado velhos para compreender esta obra, os dos anos setenta demasiado convencidos pelos dogmas e os dos anos oitenta estão persuadidos que o CD é o futuro e muito superior ao vinilo em todos os aspectos. O « Anniversary » é a laje mortuaria da marca, e o simbolo de um mundo moribundo que agonisa sem fôlego. O ultimo Pink Triangle vai então começar a subida lenta e penivel, que conduz os aparelhos culto a se tornarem mitos. Hoje ao lado do veneràvel Odin (EMT930), este aparelho é considerado como uma obra prima do analogico e o seu preço de segunda mão é superior ao preço novo em 1995…

Mas, apesar destes dois fenomenos, o mundo do vinilo não se vai catapultar para um patamar acima, mas ao contràrio enterrar-se numa lenta e asfixiante guerra clânica, uma a mais e que serà a demais !!!... A audiofilia com o nascimento da Internet, torna-se num fenomeno mundial e publico, com a ajuda dos forums. Em vez de criar uma nova concepção do analogico, esta publicidade inesperada, cria e alimenta uma série de dogmas, escolas e convicções que vão dar inicio a vàrios tipos de audiofilos, xenofobos e intolerantes. De um dia para o outro vamos acordar com os adeptos do « revival », que sò juram pelos Garrard, TD124, EMT’s série 930 e outras reliquias do tipo, pelos adeptos da « British touch » para os quais, sò a LINN, Roksan e outros Rega valem a pena, os « tecnologicos » que continuam fiéis ao Direct Drive e ao concepto japonês de motricidade directa e de desenvolvimento tecnologico, e enfim os « audiofilos », que erigem estàtuas e louvoures aos « La Platine » do Verdier, « Minimum » do P. Lurné e outros giras pesados da Onken e derivados, sendo esta (para eles) a unica via para os giras de qualidade. Paises como a Alemanha, vão criar às dezenas marcas artesanais que copiam o gira Verdier, sem génio nem reflexão, simplesmente porque a noção de gira pesado, metàlico e bem feito é bem aceite pela cultura industrial/comercial germânica,… mesmo se não soar muito melhor que outros. Esta ultima frase é voluntariamente exagerada, mas suficientemente proxima da realidade, para representar um sinal de alarme… pois o Verdier vende 99%, dos giras dele ainda hoje na Alemanha…

Os anos noventa vão se acabar então, num clima ainda pior do que começaram, no que diz respeito à evolução dos gira-discos. Algumas empresas europeias, americanas e mesmo japonesas vão se criar com o intuito de produzir belas màquinas, mas na realidade são pratos rescaldados que não trazem nada de novo ao nivel da evolução subjectiva ou objectiva. O mesmo marasmo existe no dominio das células e braços, aonde a multiplicação das marcas e dos artesãos, são uma ilusão de evolução, pois fora trabalhar com materiais exoticos e caros, ninguém vai criar novas tecnologias e tendências susceptiveis de fazer avançar o analogico globalmente. O vinilo construiu um mercado « de niche », e com a multiplicação das modas e a universalisação da informação, um publico nasceu que pode alimentar os pequenos sectores como o do analogico. Certos artesãos desenvolvem braços leves, outros braços pesados e outros médios… a célula MC que se tornou uma norma de qualidade, apòs vàrios decénios de sombra existem hoje em alta, média e baixa elasticidade (compliance), alto ou baixo ganho, afim de corresponder a todos os gostos e cores de um publico que se diz audiofilo…     e que esqueçe que a regra primeira da audiofilia é de banir os dogmas !!!

Não vou acabar esta viagem com as minhas ultimas palavras, pois são amargas e desesperadas o que não é o meu estilo, ném algo do qual gusto. Pois mesmo se é verdade que o vinilo entrou num impasse e que ao fundo é o cemitério que o espera, em termos subjectivos, talvez os anos noventa tenham sido os mais ricos, loucos e pertinentes da historia desta tecnologia. A coabitação dos TD124, SP10, Xerxes, Linn, Micro Seiki e outros, abriu a mente e os ouvidos de muitos audiofilos que hoje podem contemplar e mesmo comparar, cinquenta anos de tecnologia vinilo. Dessa confrontação nasceu a duvida, que é o elemento fundamental da evolução do progresso e da busca da verdade. Sabemos hoje, que alguns produtos antigos são superiores a alguns modernos e vice-versa, que seja nos giras nos braços e nas células. Aprendemos e ouvimos, que certas tecnologias de segunda classe, podem ser superiores a outras, que o preço não faz tudo e sobretudo… estamos a aprender todos os dias, que o melhor é o que hà de vir !!!... como sempre, pois o homem està sempre a aprender e a se ultrapassar !...

Até+

Não sei se valerà a pena abordar os anos 2000, pois é « quase » igual, e espero que tenham gostado desta pequena viagem historica, pois considero-a acabada. Quiz com esta viagem através dos giras, enlaçar toda a alta-fidelidade como um tudo implicado. Evidentemente, esqueçam os meus tiques poético/emocionais e guardem os factos, pois sò eles são interessantes para o futuro…

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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Ago 17 2014, 15:37

   
Obrigado Paulo, para ler e reler(eu)  
Uma vénia!!!
Um agradecimento!!!
Um até já!!!
    



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stardrake
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Ago 17 2014, 18:09

  Obrigado Paulo

Mário
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Ago 17 2014, 18:54

Mais uma fantástica crónica histórica.   


A ver se arranjas algo que se segue sff.

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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Ago 17 2014, 21:21

Parabéns Caro TD124 (Paulo)!
  

Grande reflexão, pese embora eu não esteja assim tão pessimista. Na realidade muitos giras estão a ser lançados, nos últimos anos, quer com verdadeiras novidades tecnológicas, quer com com verdadeiras evoluções de técnicas há muito desenvolvidas.

Exemplos, entre outros: Well Tempered Amadeus, Rega rp 8 e rp 10, Monarch, Kronos Audio, Clear Audio, SME e, não menos importante, os RBs (Rui Borges).

Mas, para mim, o mais importante disto tudo, existem inúmeros músicos a querem voltar a editar em vinil. Nacionais e estrangeiros.

Repito, apesar de estar mais otimista, os meus sinceros parabéns! É uma ótima reflexão!   
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afonso
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Ago 17 2014, 21:24



Já estava com saudades de ler algo tão cativante e interessante.  


Felizmente ainda se vão arranjando uns Micro Seiki em muito bom estado...  
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TD124
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Ago 18 2014, 11:12

Goansipife escreveu:
Olà...

Grande reflexão, pese embora eu não esteja assim tão pessimista. Na realidade muitos giras estão a ser lançados, nos últimos anos, quer com verdadeiras novidades tecnológicas, quer com com verdadeiras evoluções de técnicas há muito desenvolvidas.

Amigo Goansipife, antes de tudo obrigado pela leitura e as palavras de amizade. Eu hesitei, antes de fazer uma cronica sobre os anos 2000, e decidi de não a fazer, pois considero (anàlise pessoal é certo...) que não trouxeram quase nada a mais em relação aos anos noventa. Mas atenção!, pois o meu pessimismo em algumas frases, creio que foi temperado pelo ultimo paragrafo, e penso verdadeiramente que o futuro pode nos trazer algumas surpresas boas, acredito a sério!!!...

Exemplos, entre outros: Well Tempered Amadeus, Rega rp 8 e rp 10, Monarch, Kronos Audio, Clear Audio, SME e, não menos importante, os RBs (Rui Borges).

As marcas que cita, são bons exemplos de giras de qualidade é evidente e alguns são mesmo classicos modernos. A Well Tempered, Rega e SME jà faz vàrios anos (30 ao menos) que andam por ai, de mesmo a Clear Audio, não pode ser considerada uma jovem empresa dos anos 2000. Mas, não vejo nas marcas que cita, uma descoberta técnica que sirva os interesses do audio analogico (gira-discos) para uma evolução global. Sò a suspensão por flexão (em oposição à pressão) do Rui Borges, me pareçe merecer um tratamento à parte, e representa uma evolução inteligente e pragmatica das suspensões clàssicas... para o resto, são aplicações de qualidade de ideias conhecidas. Eu falei do PT "Anniversary", é preciso ver que "tudo" foi copiado nesse aparelho, desde o motor DC, prato em acrilico, eixo inversado, utilisação da fibra de carbono e do derenid, suspensão dupla e directiva, etc, etc, etc... o que prova que quando um aparelho faz um salto para a frente, reboca todos os outros com ele!... ora que não é o caso das marcas que cita, infelismente... mas, este é o meu ponto de vista e não uma critica a um ou outro constructor!!!...

Mas, para mim, o mais importante disto tudo, existem inúmeros músicos a querem voltar a editar em vinil. Nacionais e estrangeiros.

Sim é verdade!... mas quando vejo que faz 22 anos que o CD nasceu, e que até agora os musicos não fizeram "grande coisa" para preservar o vinilo, tenho o sentimento que hoje o vinilo lhes interessa, pois o CD é copiavel e não se vende, ora que o vinilo està em progressão... então penso que é por interesse, e não por convição!!!...

Deixo-lhe uma ultima reflexão, que resume a amargura de algumas frases do meu texto: Actualmente, 90% das marcas de gira utilizam o mesmo motor!!!... e no total hà cerca de 5 modelos de motor que cobrem 99% da produção... ora que nos anos cinquenta, cada marca tinha o seu motor especifico e que nos anos sessenta era quase a mesma coisa!!!... Quando se pensa, que um Rega tem um prato de 1 ou 2 Kg, certos giras um prato em acrilico de menos de 1Kg e outros um prato em zamac de 5Kg... e todos utilisam o mesmo motor, dà um pouco a reflectir técnicamente não ???... e compreende-se que certos giras modernos o motor aqueçe e sobre outros não!!!

Até+

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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Ago 18 2014, 12:19

Caro TD124,

Estou 100% de acordo! Só não digo 1000% porque, pessoalmente, não quero ainda atirar a toalha ao chão   
É claro que a roda e a pólvora já foram inventadas há séculos. É verdade que as marcas que menciono e outras, ainda não inventaram nada de realmente novo. Apostam em fazer, quando de um laivo de maior seriedade, algumas evoluções de tecnologias, hoje-em-dia mais acessíveis e mais fáceis de "manusear" no processo produtivo.
Também é verdade que a esmagadora maioria dos músicos aposta em seguir caminhos, por vezes ardilosos, mas quase sempre mais fáceis, para se protegerem comercial e financeiramente. Tal como as editoras. Estão todos à espera de um D. Sebastião qualquer, que lhes traga a receita mágica e sem grande esforço, para encherem mais os cofres.
A última reflexão também é muito boa e verdadeira!
Nos anos passados, que menciona, as empresas produtoras de audio e tecnologias de audio, para além do factor lucro, tinham também o orgulho de serem realmente inovadoras e de cumprirem com a sua responsabilidade social, ao irem ao encontro do real interesse dos clientes para quem trabalhavam e produziam. Hoje, só lhes resta o primeiro interesse. O LUCRO!
No entanto continuo com a esperança de, em Vinil, em "CDil", em "FLACil", ou num outro "il" qualquer que queiram inventar, continuar a ouvir a minha música com o máximo de qualidade possível. Mas também continuo a acreditar que esta esperança só será viável no âmbito analógico.   

Abraço
Gonçalo
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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Ago 18 2014, 15:19

Obrigado Paulo por este Tópico maravilhoso que agora, no seu âmago, terminou.

Ficámos todos mais cultos pela generosidade do empenho...     
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Ago 18 2014, 19:08

Goansipife escreveu:

No entanto continuo com a esperança de, em Vinil, em "CDil", em "FLACil", ou num outro "il" qualquer que queiram inventar, continuar a ouvir a minha música com o máximo de qualidade possível. Mas também continuo a acreditar que esta esperança só será viável no âmbito analógico.   

Abraço
Gonçalo


Provavelmente não será só no âmbito analógico. Mas estou convencido que todos os formatos futuros que se preocupem com a qualidade sonora, passarão a ser nichos de mercado, infelizmente.

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Última edição por António José da Silva em Seg Ago 18 2014, 20:11, editado 1 vez(es)
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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Ago 18 2014, 20:10

Parabéns ao nosso Amigo Paulo TD124 pelo magnifico tópico.

Obrigado pelo excelente trabalho e pela generosa partilha.

Cumprimentos,
Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Ago 18 2014, 21:49

Goansipife escreveu:
Olà...

Grande reflexão, pese embora eu não esteja assim tão pessimista. Na realidade muitos giras estão a ser lançados, nos últimos anos, quer com verdadeiras novidades tecnológicas, quer com com verdadeiras evoluções de técnicas há muito desenvolvidas.

não querendo contradizer ninguém, até porque sou um ignorante nestas questões, mas queria aqui deixar a pergunta aos entendidos, o Continuum caliburn não é uma novidade tecnológica dos anos 2000?


Última edição por anibalpmm em Seg Ago 18 2014, 23:37, editado 1 vez(es)
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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Ago 18 2014, 22:06

Paulo, obrigado pelo belo texto e reflexão !

Encore !!

  

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afonso
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Ago 18 2014, 22:35

TD124 escreveu:
Goansipife escreveu:
Olà...

Grande reflexão, pese embora eu não esteja assim tão pessimista. Na realidade muitos giras estão a ser lançados, nos últimos anos, quer com verdadeiras novidades tecnológicas, quer com com verdadeiras evoluções de técnicas há muito desenvolvidas.

Amigo Goansipife, antes de tudo obrigado pela leitura e as palavras de amizade. Eu hesitei, antes de fazer uma cronica sobre os anos 2000, e decidi de não a fazer, pois considero (anàlise pessoal é certo...) que não trouxeram quase nada a mais em relação aos anos noventa. Mas atenção!, pois o meu pessimismo em algumas frases, creio que foi temperado pelo ultimo paragrafo, e penso verdadeiramente que o futuro pode nos trazer algumas surpresas boas, acredito a sério!!!...

Exemplos, entre outros: Well Tempered Amadeus, Rega rp 8 e rp 10, Monarch, Kronos Audio, Clear Audio, SME e, não menos importante, os RBs (Rui Borges).

As marcas que cita, são bons exemplos de giras de qualidade é evidente e alguns são mesmo classicos modernos. A Well Tempered, Rega e SME jà faz vàrios anos (30 ao menos) que andam por ai, de mesmo a Clear Audio, não pode ser considerada uma jovem empresa dos anos 2000. Mas, não vejo nas marcas que cita, uma descoberta técnica que sirva os interesses do audio analogico (gira-discos) para uma evolução global. Sò a suspensão por flexão (em oposição à pressão) do Rui Borges, me pareçe merecer um tratamento à parte, e representa uma evolução inteligente e pragmatica das suspensões clàssicas... para o resto, são aplicações de qualidade de ideias conhecidas. Eu falei do PT "Anniversary", é preciso ver que "tudo" foi copiado nesse aparelho, desde o motor DC, prato em acrilico, eixo inversado, utilisação da fibra de carbono e do derenid, suspensão dupla e directiva, etc, etc, etc... o que prova que quando um aparelho faz um salto para a frente, reboca todos os outros com ele!... ora que não é o caso das marcas que cita, infelismente... mas, este é o meu ponto de vista e não uma critica a um ou outro constructor!!!...

Mas, para mim, o mais importante disto tudo, existem inúmeros músicos a querem voltar a editar em vinil. Nacionais e estrangeiros.

Sim é verdade!... mas quando vejo que faz 22 anos que o CD nasceu, e que até agora os musicos não fizeram "grande coisa" para preservar o vinilo, tenho o sentimento que hoje o vinilo lhes interessa, pois o CD é copiavel e não se vende, ora que o vinilo està em progressão... então penso que é por interesse, e não por convição!!!...

Deixo-lhe uma ultima reflexão, que resume a amargura de algumas frases do meu texto: Actualmente, 90% das marcas de gira utilizam o mesmo motor!!!... e no total hà cerca de 5 modelos de motor que cobrem 99% da produção... ora que nos anos cinquenta, cada marca tinha o seu motor especifico e que nos anos sessenta era quase a mesma coisa!!!... Quando se pensa, que um Rega tem um prato de 1 ou 2 Kg, certos giras um prato em acrilico de menos de 1Kg e outros um prato em zamac de 5Kg... e todos utilisam o mesmo motor, dà um pouco a reflectir técnicamente não ???... e compreende-se que certos giras modernos o motor aqueçe e sobre outros não!!!

Até+

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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Ago 18 2014, 23:26

afonso escreveu:
TD124 escreveu:
Goansipife escreveu:
Olà...

Grande reflexão, pese embora eu não esteja assim tão pessimista. Na realidade muitos giras estão a ser lançados, nos últimos anos, quer com verdadeiras novidades tecnológicas, quer com com verdadeiras evoluções de técnicas há muito desenvolvidas.

Amigo Goansipife, antes de tudo obrigado pela leitura e as palavras de amizade. Eu hesitei, antes de fazer uma cronica sobre os anos 2000, e decidi de não a fazer, pois considero (anàlise pessoal é certo...) que não trouxeram quase nada a mais em relação aos anos noventa. Mas atenção!, pois o meu pessimismo em algumas frases, creio que foi temperado pelo ultimo paragrafo, e penso verdadeiramente que o futuro pode nos trazer algumas surpresas boas, acredito a sério!!!...

Exemplos, entre outros: Well Tempered Amadeus, Rega rp 8 e rp 10, Monarch, Kronos Audio, Clear Audio, SME e, não menos importante, os RBs (Rui Borges).

As marcas que cita, são bons exemplos de giras de qualidade é evidente e alguns são mesmo classicos modernos. A Well Tempered, Rega e SME jà faz vàrios anos (30 ao menos) que andam por ai, de mesmo a Clear Audio, não pode ser considerada uma jovem empresa dos anos 2000. Mas, não vejo nas marcas que cita, uma descoberta técnica que sirva os interesses do audio analogico (gira-discos) para uma evolução global. Sò a suspensão por flexão (em oposição à pressão) do Rui Borges, me pareçe merecer um tratamento à parte, e representa uma evolução inteligente e pragmatica das suspensões clàssicas... para o resto, são aplicações de qualidade de ideias conhecidas. Eu falei do PT "Anniversary", é preciso ver que "tudo" foi copiado nesse aparelho, desde o motor DC, prato em acrilico, eixo inversado, utilisação da fibra de carbono e do derenid, suspensão dupla e directiva, etc, etc, etc... o que prova que quando um aparelho faz um salto para a frente, reboca todos os outros com ele!... ora que não é o caso das marcas que cita, infelismente... mas, este é o meu ponto de vista e não uma critica a um ou outro constructor!!!...

Mas, para mim, o mais importante disto tudo, existem inúmeros músicos a querem voltar a editar em vinil. Nacionais e estrangeiros.

Sim é verdade!... mas quando vejo que faz 22 anos que o CD nasceu, e que até agora os musicos não fizeram "grande coisa" para preservar o vinilo, tenho o sentimento que hoje o vinilo lhes interessa, pois o CD é copiavel e não se vende, ora que o vinilo està em progressão... então penso que é por interesse, e não por convição!!!...

Deixo-lhe uma ultima reflexão, que resume a amargura de algumas frases do meu texto: Actualmente, 90% das marcas de gira utilizam o mesmo motor!!!... e no total hà cerca de 5 modelos de motor que cobrem 99% da produção... ora que nos anos cinquenta, cada marca tinha o seu motor especifico e que nos anos sessenta era quase a mesma coisa!!!... Quando se pensa, que um Rega tem um prato de 1 ou 2 Kg, certos giras um prato em acrilico de menos de 1Kg e outros um prato em zamac de 5Kg... e todos utilisam o mesmo motor, dà um pouco a reflectir técnicamente não ???... e compreende-se que certos giras modernos o motor aqueçe e sobre outros não!!!

Até+

TD124

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Ora como não é direct drive ou tangencial não deve prestar para nada...  

Paulo excelente artigo uma vez mais, parabéns e se fizer favor venham daí mais artigos!   
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Ago 19 2014, 10:52

Alexandre Vieira escreveu:
...
e se fizer favor venham daí mais artigos!   

Efectivamente, apòs a intervenção (e graças a ela!!!) do amigo Goansipife, vou escrever um ultimo episodio sobre os anos 2000. Continuo convencido, que houve pouca evolução objectiva, mas hà tanta energia, paixão e dedicação nesta decénia!... que seria uma falta de respeito, de não louvar um grupo de marcas (como o Rui Borges), ao seu justo valor e dar-lhes um lugar nesta bela e longa historia, que continua ainda e sempre a criar e a inventar!!!...

Assim teremos abordado os anos 50, 60, 70, 80, 90 e 00... sessenta anos de mecânica musical!!!

Viva o analogico feito em homenagem à musica!!!...

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Ago 19 2014, 10:59

TD124 escreveu:
Alexandre Vieira escreveu:
...
e se fizer favor venham daí mais artigos!   

Efectivamente, apòs a intervenção (e graças a ela!!!) do amigo Goansipife, vou escrever um ultimo episodio sobre os anos 2000. Continuo convencido, que houve pouca evolução objectiva, mas hà tanta energia, paixão e dedicação nesta decénia!... que seria uma falta de respeito, de não louvar um grupo de marcas (como o Rui Borges), ao seu justo valor e dar-lhes um lugar nesta bela e longa historia, que continua ainda e sempre a criar e a inventar!!!...

Assim teremos abordado os anos 50, 60, 70, 80, 90 e 00... sessenta anos de mecânica musical!!!

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Desde já obrigado   
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Ago 19 2014, 12:36

E ai dele que não abordasse os 00.   


 lol! 

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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Ago 19 2014, 20:31

TD124 escreveu:
Alexandre Vieira escreveu:
...
e se fizer favor venham daí mais artigos!   

Efectivamente, apòs a intervenção (e graças a ela!!!) do amigo Goansipife, vou escrever um ultimo episodio sobre os anos 2000. Continuo convencido, que houve pouca evolução objectiva, mas hà tanta energia, paixão e dedicação nesta decénia!... que seria uma falta de respeito, de não louvar um grupo de marcas (como o Rui Borges), ao seu justo valor e dar-lhes um lugar nesta bela e longa historia, que continua ainda e sempre a criar e a inventar!!!...

Assim teremos abordado os anos 50, 60, 70, 80, 90 e 00... sessenta anos de mecânica musical!!!

Viva o analogico feito em homenagem à musica!!!...

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Bem merecido, já agora se houver tempo para falar daquele braço que está fixado a uma bola de golf...

A gerência agradece !   
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Set 01 2014, 15:44

Alexandre Vieira escreveu:
...

Bem merecido, já agora se houver tempo para falar daquele braço que está fixado a uma bola de golf...
A gerência agradece !   

Olà Alexandre Vieira,

suponho que fala do braço da Well Tempered, pois não conheço outro!!!... e o que é que posso dizer que ainda não tenha sido dito ???...

Trata-se de um braço bem pensado (é raro...), leve (rarissimo...) e muito original (rarississimo...)!!!...

Vàrias originalidades tornam esse braço unico, nomeadamente o facto de ser um uni-pivot autoamortecido. O eixo de flexão não é a bola ao contrario do que se pensa, mas o fio que liga esta ao mastro de suporte do fio. A bola està mergulhada que parcialmente, então não aboia no liquido de silicone, mas està em contacto com este afim de amorteçer as vibrações de leitura, travar os efeitos de "pinça" nas modulações fortes e compensar em parte o efeito de antiskating criado pelo enrolamento do fio...

A utilisação da bola de golf é ditada pelas fracas tolerâncias de fabricação destas, pelo amortecimento natural do nucleo e sobretudo por causa das covinhas em superficie. Estas saliências tém a particularidade de aumentar a superficie de contacto com o liquido, sem aumentar o diâmetro. Ao mesmo tempo criam um efeito de "cavidade", que regularisa a rotação (em todos os sentidos no liquido...) o que reduz os solavancos laterais no plano horizontal e o efeito de pinça estilete/braço no sentido vertical... o que pode ser muito favoràvel com células de elasticidade média...

Para resumir, é um braço de peso leve, o que é avantajoso para dissipar as resonâncias de leitura rapidamente, mas que se comporta como um pivot de braço médio leve, o que permite de bem controlar os ângulos de leitura das células e de "fracturar" as frequências de resonância principais...

Ràpidamente é o que posso dizer, mas hà muito mais evidentemente... mas estamos num topico que não é destinado aos braços... Wink

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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Set 01 2014, 16:26

Ora o que posso dizer mais..., que não tenha sido dito pelo Paulo. Apesar de conviver com este braço todos os dias, só posso reforçar aquilo que ele disse tão bem tecnicamente falando.
O braço tem a particularidade de seguir a espira do disco "livremente", com um atrito praticamente próximo do ideal.

Este gira-discos tem ainda a particularidade de toda a sua construção ser bem pensada desde a base (plinto) até ao material do prato e à correia que o move, que é a correia mais fina que conheço, feita de um material sintético, tipo fio de pesca, capilar, mas suficientemente forte para se manter por muitas e muitas horas sem alterar as suas características. Claro está se não houver nenhum azar.

Na realidade, a primeira coisa que me atraiu no gira-discos foi a criatividade posta na sua construção, principalmente a do braço.

Sonicamente, para mim, é dos gira-discos mais musicais que ouvi e que me reconciliou com o analógico. Melhor não consigo dizer
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fredy
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Set 01 2014, 17:49

Olá
Para mim foi o gira que mais gostei de ouvir no Auditório do Audio Team até hoje e já lá ouvi nnnnnnnn giras
Fredie
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 02 2014, 07:56

fredy escreveu:
Olá
Para mim foi o gira que mais gostei de ouvir no Auditório do Audio Team até hoje e já lá ouvi nnnnnnnn giras
Fredie


Idem.....

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MensagemAssunto: Os anos 2000!!!...   Ter Set 09 2014, 13:10

O século vinte vai cambiar, mas sem real influência sobre a evolução tecnologica do vinilo. Não quero dizer com isto que não vão aparecer produtos interessantes, pois não é o caso como vamos ver juntos. Mas o inico do século XXI, vai ser marcado pela consolidação de ideias e projectos do século anterior, mais do que a criação visionaria de um novo modo de pensar o vinilo. A década de 2000 é então, o apogeu de algumas tendências ressentidas essencialmente nos anos noventa. As grandes marcas historicas como a Rega, Thorens, Linn, Roksan etc, ainda existem e produzem gira-discos, mas são versões amelhoradas e re-estilisadas dos aparelhos clàssicos deles, sém que se note a presença de esforços de pesquisa ou tentativas de revolução, quanto às técnicas tradicionais. A grande surpresa comercial, é a jovem empresa dos anos noventa Pro-Ject, que neste inicio de século tornou-se o maior productor em quantidade de gira-discos, e que ofereçe uma relação preço qualidade jamais vista antes num produto europeu.

No entanto, algo mudou ao nivel do consumo da musica. O CD sem fôlego e extenuado pelas lutas de formato dos anos noventa (SACD, DVD audio), começa a perder ritmo em relação à desmaterialisação que se torna pouco a pouco a norma digital. Incapaz de se regenerar por causa das eternas guerras comerciais e enfraquecido pela queda brutal e continua das vendas, o CD abre uma brecha permitindo a aparição de um novo formato, e que pela ausência deste ultimo é o vinilo que o vai ocupar ! Assim, vamos presenciar uma ascensão fulgurante e inesperada deste formato, antigo e moribundo, e que contra a tendência tecnologica da época, vai subjugar os mais novos e tornar-se numa moda. Os editores de musica vão aproveitar deste fenomeno, para re-editar os fundos de catàlogo em vinilo, e as poucas empresas de pressagem ainda activas, atingem ritmos de produção jamais alcançados no passado. O vinilo està de novo lançado por uns anitos, ou enquanto não houver uma nova oferta de formato digital. Este fenomeno vai ser uma nova aurora para os fabricantes, que vão encontrar sangue novo para comprar os giras que ainda se produzem. Vai ser também uma oportunidade, para algumas empresas modernas, de acreditar que se podem ainda produzir novos produtos, com a mais valia da inovação, qualidade e pertinência.

São estas novas empresas que vão levantar alto o estandarte da paixão. Conscientes e conheçedores dos cinquenta anos passados, estes novos construtores vão dar soluções logicas, originais e às vezes inesperadas aos problemas técnicos do passado. Assim vão nascer uma geração de màquinas insolitas, tanto pela técnica que pelas ideias aplicadas. O cumulo do paradoxo, é que as três motricidades vão conviver de novo como nos anos setenta. A analise destes aparelhos prova, se é necessario, que finalmente a unica coisa que existe de grande no audio são os homens. Vamos là então ver juntos e analisar quatro marcas actuais, que no meu ponto de vista resumem o estado da tecnologia do vinilo de hoje em dia.

O gira discos da ELP é finalmente a unica revolução do vinilo apòs o Technics SP10. Mesmo se a motricidade é por correia, na realidade é um leitor optico (como um CD) que lê o disco através de 5 feixes laser. Trata-se de uma leitura analogica e sém contacto, mas controlada digitalmente. O aparelho tém uma gaveta aonde se pousa o vinilo, e que é lido sem braço ném célula, tangencialmente por um bloco optico que extrai o relevo dos sulcos e os transforma em sinal audio. Um phono RIAA incorporado, corrige o sinal que é enviado ao sistema como uma fonte qualquer. O aparelho pode ser telecomandado ao nivel de operações de base como a pausa, mudança de faixa, stop etc…, o que faz dele tanto ao nivel visual que de utilisação, um « leitor de vinilos ». O aparelho é vendido a um preço elevado, mas justificado, e que na realidade é muito inferior aos preços praticados nos giras de topo modernos. Este aparelho é uma verdadeira revolução (e a unica…) e foi rapidamente adoptado pelos grandes centros de arquivagem musical.

« A Alta-Fidelidade é uma historia de homéns… », e a marca Rui Borges Turntables é um bom exemplo desta afirmação. Num século altamente industrialisado e automatisado, este homém vai reactivar o termo de « artesão » e perpétuar uma tradição, jà começada pelos Verdier, Pierre Lurné, Kuzma, Simon Yorke etc… O Rui Borges, vai atacar o problema da suspensão de uma maneira diferente, e esta sera uma das astucias que conduzem à singularidade destes giras. A proveitando do fenomeno natural de flexão de um material, para « suspender » o prato e acoplado a suspensões viscoelasticas em borracha, ele rompe com a tradição das molas utilisadas desde os anos sessenta. Mas o que mais singularisa esta marca, é o facto de a maioria dos constituintes ser feita em « casa », nomeadamente o conjunto das peças mecânicas. Torneadas obcessionalmente pelo Rui Borges, medidas e ajustadas peça a peça, estes giras são obras humanas em todos os sentidos e prefiguram o retorno do homém ao centro do universo. Outra singularide inesperada desta marca, é de ter nascido num pais sém tradição de fabricação de giras, o que indica que o século XXI serà ao nivel audiofilo talvez diferente.

O gira-discos « Grand Prix Monaco » é menos visionàrio, radical e moderno que o ELP, mas não deixa de ser um projecto que constitui o apogeu de uma tecnologia antiga que é o « direct-drive ». Este aparelho que nasce de uma « folha branca », dà uma resposta credivel e tecnologica a vàrios problemas que os giras a motricidade directa, arrastaram sem resolução durante vinte anos. A regulação da motricidade é feita por calculo DSP (processador especialisado), a partir de uma leitura optica de 4700!!! Traços laser gravados com precisão em baixo do prato. A leitura destes traços, acoplada à potência de càlculo do DSP), permite de corrigir a velocidade 4000 vezes por segundo e de assegurar uma regularidade e estabilidade de rotação unica. Tudo neste aparelho é estudado em função da utilisação sem limite aparente. Os materiais quase todos oriundos do sector aeronautico ou espacial, são maquinados com tolerâncias que sò podem ser medidas ao laser. Este é verdadeiramente o mais moderno, dos giras de concepção clàssica, e muito haveria a dizer sobre ele…

O Lenco do Jean Nantais Turntables, é o fruto da obcessão deste homem nos amelhoramentos do « velho » L75 da Lenco, e hoje é jà um mito, muito copiado tanto por empresas que nos meios do DIY. A genese deste aparelho foi apresentada ao publico num “mega topico” do forum audiogon, que é até aos dias de hoje o mais longo e participado topico de audio num forum especialisado. A reputação do Lenco L75, deve quase tudo a este homem que é o fundador do reconhecimento actual que usufrui esta maquina. Ao contràrio do fenomeno de “revival” dos anos 90, que consistia na renovação dos Garrard, Thorens, EMT’s e outros, a filosofia aqui é ao contràrio pois trata-se de os modificar e não de restaurar, ou seja é do « tuning » absoluto. O cumulo absoluto desta filosofia atingirà o seu apogeu, no dia em que o célebre critico Arturo Salvatore, considera o Jean Nantais Lenco référence como o melhor gira-discos actual, todos os niveis confundidos…, o que posiciona esta maquina (modificada) e velha de 50 anos no topo do mundo !!!... quém diria…

E aqui estamos então hoje, partilhados entre modernidade, tradição e passado como sempre. Não creio que tecnologicamente o vinilo possa, ou deva evoluir mais. Um longo ciclo de mais de sessenta anos està a se esgotar, e perpétuà-lo seria reciclar ou copiar, o que me pareçe ser uma atitude antinomica face à evolução e mesmo humanamente redutora. O vinilo teve uma longa e rica vida, aonde atingiu apogeus de inteligência sensivel e marcou os espiritos e corações. Un novo ciclo tém (deve !!!...) de se abrir, afim de deixar estes velhos guerreiros encontrar enfim o repouso que mereçem. A leitura mecânica està ultrapassada nos seus limites, e alguns dos aparelhos citados atràs, são mais precisos do que o burim gravador, que cria a matriz do que lemos. Quando a màquina ultrapassa o nivel técnico do suporte que lê, jà estamos a andar para tràs e a fazer do audio no lugar de alta fidelidade. O que não me impedirà, como é certamente o vosso caso, de me lembrar com nostalgia essa longiqua tarde, aonde em Almada comprei o primeiro Marillion e o Led Zeppelin II. Foram os meus primeiros discos que tive… e o começo de uma longa paixão !...
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 09 2014, 14:22

TD124 escreveu:
O que não me impedirà, como é certamente o vosso caso, de me lembrar com nostalgia essa longiqua tarde, aonde em Almada comprei o primeiro Marillion e o Led Zeppelin II. Foram os meus primeiros discos que tive… e o começo de uma longa paixão !...

Até+



Forma magnifica de terminar no inicio.


Foi ao longo de várias crónicas, uma magnifica viagem cheia de reflexões, paixões e muito saber que sabes servir como muito poucos.

Eu por mim, a história só agora verdadeiramente começou....

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TD124
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 09 2014, 15:15

António José da Silva escreveu:

...
Eu por mim, a história só agora verdadeiramente começou....

Meu amigo, pouco importa quando as historias humanas começam ou acabam... sò as sensações que deixam são importantes...

O nosso amigo Leonardo finalisou hà vàrios séculos a Mona Lisa!... mas o misterioso sorriso ficou para a eternidade...

Abraço

Paulo

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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 09 2014, 17:08

Obrigado Paulo por este tópico.

Este último apontamento fazia falta para finalizar de forma suave esta bela viagem que nos mostraste. Brilhante no conteúdo, na generosidade e... na prosa!
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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 09 2014, 21:54

O que seria deste forum sem o nosso TD124...

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zaratustra
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 09 2014, 22:10

Os meus parabéns ao TD124 por esta saga dos giras... muito bem sintetizada.

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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 09 2014, 23:06

Muito Bom! Paulo. Mais uma vez.
É, como foi dito: um final iniciante de muitas emoções. Das poucas que temos a certeza que não irão terminar.

Viva o vinil cheers
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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 09 2014, 23:39

Depois de todos os elogios que foram feitos só me resta aplaudir e regozijar-me por termos aqui uma pessoa que representa como que um alicerce do próprio fórum !

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Set 09 2014, 23:49


Ler e aprender, "merci" Paulo

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PedroGV
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Set 10 2014, 15:49

Excelente texto a todos os níveis.

Muito obrigado.
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Digital Man
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Set 10 2014, 20:22

TD124 escreveu:

No entanto, algo mudou ao nivel do consumo da musica. O CD sem fôlego e extenuado pelas lutas de formato dos anos noventa (SACD, DVD audio), começa a perder ritmo em relação à desmaterialisação que se torna pouco a pouco a norma digital. Incapaz de se regenerar por causa das eternas guerras comerciais e enfraquecido pela queda brutal e continua das vendas, o CD abre uma brecha permitindo a aparição de um novo formato, e que pela ausência deste ultimo é o vinilo que o vai ocupar ! Assim, vamos presenciar uma ascensão fulgurante e inesperada deste formato, antigo e moribundo, e que contra a tendência tecnologica da época, vai subjugar os mais novos e tornar-se numa moda. Os editores de musica vão aproveitar deste fenomeno, para re-editar os fundos de catàlogo em vinilo, e as poucas empresas de pressagem ainda activas, atingem ritmos de produção jamais alcançados no passado. O vinilo està de novo lançado por uns anitos, ou enquanto não houver uma nova oferta de formato digital. Este fenomeno vai ser uma nova aurora para os fabricantes, que vão encontrar sangue novo para comprar os giras que ainda se produzem. Vai ser também uma oportunidade, para algumas empresas modernas, de acreditar que se podem ainda produzir novos produtos, com a mais valia da inovação, qualidade e pertinência.

Os formatos físicos (digitais ou analógicos) nunca mais voltarão a ser o que eram.

Dito isto, acredito e concordo que o vinil vai continuar a crescer nos próximos anos tornando-se o formato físico dominante, embora ficando sempre muito longe dos números da sua era dourada e muito mais da era dourada do CD.
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tomaz
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 11 2014, 01:13

Caro TD124,

Brilhante e um deleite imenso a ler.

Grato por este contributo e pelo que por aqui se aprende e descobre.

Sou feliz proprietário de um RB ULTIMO e um Garrard 401 também restaurado pelo Mestre Rui Borges e apesar da tenra idade na altura do aparecimento do CD nunca me rendi a ele e na altura usava um Sony e quando pude um Pro-ject.

Toda a minha adolescência até agora nunca deixei de frequentar concertos dos mais variados tipos e nos mais diversos locais e essa foi sempre a minha referência. Apesar de toda a argumentação técnica-científica, o som extraido do vinil é o que mais se aproxima do som que conheço e vivencio nas performances musicais ao vivo e estou a incluir aqui música escutada directamente e não de colunas em sala ou ao ar livre.

Muito obrigado e viva a música!

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TD124
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 25 2014, 13:11

tomaz escreveu:
Caro TD124,
...
Sou feliz proprietário de um RB ULTIMO e um Garrard 401 também restaurado pelo Mestre Rui Borges ...

... Apesar de toda a argumentação técnica-científica, o som extraido do vinil é o que mais se aproxima do som que conheço e vivencio ...

Amigo Tomaz, voçê dà vida ao proverbio que diz que "a Alta-Fidelidade não avança nem recua... simplesmente continua!"... algo que deve sentir à escuta dessas belezas afastadas de mais de 50 anos!... Bravo e longa vida para aproveitar as emoções que esses aparelhos distilam...

Quanto ao resto, a ciência sò é valida no campo ciêntifico!... as emoções não são o seu dominio!!!...

Até+

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cabb
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Set 25 2014, 18:07

TD124 escreveu:
tomaz escreveu:
Caro TD124,
...
Sou feliz proprietário de um RB ULTIMO e um Garrard 401 também restaurado pelo Mestre Rui Borges ...

... Apesar de toda a argumentação técnica-científica, o som extraido do vinil é o que mais se aproxima do som que conheço e vivencio ...

Amigo Tomaz, voçê dà vida ao proverbio que diz que "a Alta-Fidelidade não avança nem recua... simplesmente continua!"... algo que deve sentir à escuta dessas belezas afastadas de mais de 50 anos!... Bravo e longa vida para aproveitar as emoções que esses aparelhos distilam...

Quanto ao resto, a ciência sò é valida no campo ciêntifico!... as emoções não são o seu dominio!!!...

Até+

Já me estava a sentir velho e surdo, por dar cada vez mais valor a equipamentos de som com 20 a 30 anos e que me agradam ao ouvido, pelo menos tanto quanto os dos dias de hoje. E vocês vieram tranquilizar-me.
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