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 À descoberta dos gira discos !...

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TD124
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MensagemAssunto: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 10:20


Dois tipos de aparelhos cristalisam o mundo do analogico. Para a maioria dos professionais, é o gravador a fita, mas para a maioria dos audiofilos é o gira discos. Este simples constato mostra, a distância que separa estes dois mundos, pois um aparelho é o começo do ciclo (a gravação), e o outro o fim do mesmo ciclo (a leitura). Como estamos num forum dedicado ao analogico, e que globalmente somos em numero, mais amadores que profissionais, o gira-discos é uma preocupação e uma paixão que nos reune, em principio. Tenho a certeza que muitos de entre vòs, gostariam de compreender como estas màquinas nasceram e evoluiram até aos dias de hoje. Desta vez vou fugir à anàlise individual dos aparelhos, afim de me concentrar sobre a evolução tecnologica global deste dominio. Este ponto de vista tém a vantagem, de contornar os parâmetros afectivos em relação a uma, ou a determinadas marcas, afim de se concentrar sobre os factos historicos.

È evidente, que a anàlise historica participa à compreensão dos fenomenos em jogo. A evolução de uma tecnologia, é o resultado de vàrios parâmetros, tanto técnologicos, como culturais, geogràficos, cronologicos e sobretudo humanos. Não é fàcil de arrumar os giras em categorias muito exactas, pois hà sempre algumas excepções e diferenças miudas, mas com um pouco de pragmatismo podemos classificà-los em quatro categorias. Vamos utilisar esta classificação como fio condutor, afim de desenrolar cronologicamente e tecnologicamente a nossa historia. Em paralèlo vamos nos fixar uma data de começo, pois a historia do gira-discos é tão antiga como a do disco. Mas entre audiofilos é essencialmente o nascimento do gira, tal qual o conheçemos hoje, que nos interessa fundamentalmente. O gramofone, as malas e moveis dos anos quarenta para ler os 78rpm, pouco contribuiram na criação do objecto actual. Mas o nascimento no começo dos anos cinquenta dos aparelhos professionais e semi-professionais, é unânimamente considerado, como o começo conceptual do gira moderno.

Pareçe-me importante antes de continuar, de fixar alguns pontos de base. Vamos considerar um gira moderno, como um aparelho autonomo, capaz de ler em boas condições um disco vinilo "microgravado". Isto implica, que o aparelho foi concebido para rodar a uma velocidade exacta e constante, limitando as vibrações internas e externas, e apto a ser equipado com um braço e uma célula de qualidade. A noção de modernidade é acentuda, pelo facto que, alguns destes aparelhos serem utilisados regularmente em sistemas contémporaneos. Assim vamos estabeleçer o inicio da nossa anàlise no começo dos anos cinquenta e dividir os aparelhos segundo quatro categorias que serão:

Gira de Primeira geração: Isto engloba essencialmente os giras concebidos nos anos cinquenta, com motricidade a roda e sem suspensão ou com uma suspensão simples. Alguns deles não incorporam o braço, e são "motores de reprodução". A maior parte destes giras são concebidos para serem encaixados num suporte isolado (caixa ). Estes giras, são eléctricamente simples, mas ao nivel mecânico, relativamente complexos.

Gira de segunda geração: Estes aparelhos apareçem nos anos sessenta, e apresentam diferenças significativas em relação aos primeiros. A motricidade é essencialmente por correia, e o braço é quase sempre incorporado no corpo. Estes giras téem uma caixa solidària do corpo, e formam estéticamente e mecânicamente um todo indivisivel. A mecânica é simples e eléctricamente também é o caso. Na maior parte dos casos o gira posséde uma suspensão mais ou menos elaborada.

Gira de terceira geração: Estes aparelhos são os mais modernos da época do vinilo, ou seja, antes do aparecimento do CD. A motricidade é essencialmente do tipo a movimento directo "Direct Drive", o que representa uma grande evolução conceptual e tecnologica. Estes aparelhos são mecânicamente os mais simples, mas extremamente complexos eléctricamente. Os "motores directos" necessitam uma eléctronica complexa para os guiar, e esta é omnipresente nestes aparelhos. A suspensão quando existe, é também muito elaborada tecnologicamente, mas essencialmente são métodos para amorteçer as resonâncias, que são utilisados.

Os giras contemporaneos: Como o nome indica, estes aparelhos são os que nasceram nos anos oitenta com o CD e que vém até aos dias de hoje. A motricidade é uma das citadas antes e concrétamente, estes aparelhos são variantes optimisadas e afinadas dos giras antecedentes. Vàrias topologias de suspensão existém, como de caixa. De uma forma conceptual, os aparelhos contemporaneos, são uma visão revista e corrigida das fraquezas técnicas, dos antepassados.

Os gira-discos existém em versão professional, semi-professional e doméstica. Um aparelho professional posséde funções especificas como; o arranque rapido, o travão, um feixe luminoso, um phono (universal) integrado, uma construção modular para facilitar a reparação e uma grande fiabilidade, afim de assegurar um funcionamento intensivo. Um gira doméstico posséde as funções de leitura basicas, uma estética mais trabalhada, e é concebido para uma utilisação doméstica não intensiva. Os aparelhos semi-professionais, são capazes de trabalhar em meio professional semi-intensivo, pois possedem as funções primordiais requiridas neste dominio e podem funcionar também, em meio intensivo doméstico, pois são mais pequenos e estéticamente mais elaborados.

Vamos là então ver juntos, a historia e a evolução destas maquinas fascinantes...

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TD124
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 11:29

Em forma de jogo... alguém pode citar os nove giras das fotos ???... São todos a roda!

Até+

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 13:51

Amigo Paulo. Mais um tópico de grande valia que enriquece e de que maneira este nosso humilde cantinho.

Decerto que irá ser um tópico muito lido e onde a aprendizagem é garantida.

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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 14:16

TD124 escreveu:
Em forma de jogo... alguém pode citar os nove giras das fotos ???... São todos a roda!

Até+

Epah, eu sei que já vi alguns desses por aqui, mas não consigo lembrar de marcas são...

Há um que me desperta curiosodade, está no ultimo grupo de 3 e é o do meio, com braço tangencial...


Obrigado pelo belo texto Paulo, cá ficamos à espera do desenrolar da narrativa.

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 14:20

Milton escreveu:


Há um que me desperta curiosodade, está no ultimo grupo de 3 e é o do meio, com braço tangencial...





É de um senhor francês que se dedicou e muito no desenvolvimento dos seus giras.

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MensagemAssunto: Os anos cinquenta...   Dom Mar 31 2013, 18:12



Contexto Historico

Estamos exactamente no meio do século vinte ou seja em 1950. O mundo alcançou a paz, desde hà cinco anos, mas os espiritos ainda estão marcados pela grande guerra. A Europa e o Japão estão em reconstrução, e os Estados Unidos estão a entrar no periodo mais prospero da sua jovem historia. A radio tém um papel primordial nesta época intermediaria, pois é graças a ela que os governos comunicam uma ideia positiva sobre os tempos a vir. A Alemanha, estigmatisada como uma nação guerreira e desumana, tenta mostrar ao mundo que mudou. È neste contexto dificil e delicado que o Wilhelm Franz fundador da Electro-Mess-Technik (EMT), lança em 1951 o gira discos que vai mudar a façe do mundo, o EMT927. Este aparelho monumental, com um prato de 44cm para ler os discos de acetato de 40cm, é capaz de ler todos os discos existentes. Equipado com um braço feito pela Ortofon e utilisando a primeira célula magnética da historia, este aparelho é o "Panzer" dos gira-discos. O EMT 927 vai definir os codigos do gira-discos professional para os trinta anos a vir, e ao mesmo tempo e de uma certa maneira, ele vai definir o nivel conceptual dos grandes giras europeus.

Mas, seria insensato de considerar o EMT 927, como o primeiro grande gira da historia. Este aparelho tém um antepassado, criado em 1930! e utilisado nas radios de quase todos os paises, e que fez a guerra com os aliados, que é o Garrard 201. Este gira, que é mais exactamente um "motor de reprodução", ou seja, um prato que não incorpora o braço, é verdadeiramente o primeiro concepto de gira-discos moderno. Feito para ser encastrado numa base ou num mòvel, este aparelho cumula o paradoxo de ser conceptualmente o primeiro "transcription motor", e de ser também o primeiro "Direct Drive" da historia, trinta anos antes do aparecimento desta tecnologia!

Ora a Garrard em 1950 anda atarefada com um projecto que està a nascer. O Monty Mortimer, acabou de conceber para a Garrard um produto fabuloso!, Não!, não é ainda o 301, mas é o motor dele. Este motor sincrono de 16Watts, fabricado com tolerâncias muito serradas e com um excelente equilibrio de peso, vai ser a base qualitativa do Garrard 301, que começa a ser produzido em 1953. Este gira perpetua a logica dos anglo-saxões, que preferem os motores de reprodução, afim de lhes juntar o braço que querem e mesmo vàrios braços. O Garrard é o oposto da logica da EMT, pois é um aparelho mecânicamente relativamente simples, fàcil a produzir pois as tolerâncias são menos serradas, muito simples de utilisação e quase tão fiàvel, devido à utilisação de peças de qualidade. Este aparelho vai equipar a BBC, e partir para todos os paises do império britanico.

Entretanto a França està no meio deste conflito conceptual alemão vs anglo-saxão, mas não se sente influenciada por algum deles. O General De Gaulle, insiste na indepêndencia intelectual e técnologica da frança, e coberto pela noção da "exception culturelle", ordona à veneràvel "ORTF" que é a radio francesa, de se equipar com material nacional, qualquer que seja o preço deste. A ordem vém a calhar, pois a frança possede grandes engenheiros na matéria, e sobretudo empresas capazes de trabalhar com altas precisões mecânicas. Assim nascem os Bourdereau, Clément, Schlumberger e outros LIE/Belin, que vão equipar os estudios da Radio France e equipar os particulares com a Hifi que està a nascer. A particularidade françesa é a indepêndência total. Os giras são fabricados segundo uma logica do tipo EMT, mas com particularidades de concepção proprias, mas sobretudo oq que é de salientar, é que os braços e as células são também de origem francesa, ambos essencialmente desenhados pelo grande engenheiro Clément. Os braços e células Clément, muito originais de concepção, são ainda muito procurados e custam verdadeiras fortunas.

E os americanos no meio disto tudo?... pois em aparência a América està atrasada, ora que nessa época eles são o mais rico e o mais técnologico pais da terra. Bom, a logica americana é muito diferente da europeia nesse momento. Os EUA não possedem uma institução nacional de radio do tipo europeu (e não querem, pois são o pais do liberalismo!), e a radiodifusão é composta por uma infinidade de médias e pequenas radios locais. Euforicos pelo estatuto de vençedores, e conscientes de se terem tornado o pais mais potente do globo, os americanos estão se barimbando para a logica europeia, e apostam orgulhosamente nas raizes culturais e tecnologicas deles. Os giras americanos da D&R, RCA, Empire, Russco, QRK, Gates e outros..., mas sobretudo os da Rek-O-Kut, são de uma simplicidade mecânica unica, que segundo os pontos de vista é genial ou rustica. Mas as tolerâncias de fabricação são muito altas e sobretudo, os americanos possédem algo que os outros não téem, que é grandes motores, de sonho mesmo. Enquanto os europeus utilisam motores sincronos a imanes permanentes (de grande qualidade é certo), os americanos utilisam nos grandes Rek-O-Kut, os motores sincronos a efeito de histerese da Ashland e da Hurst. Estes motores de uma potência incrivel, de um torque demoniaco e sem barulho, pois perfeitamente equilibrados, são de uma estabilidade de rotação unica, e um dos segredos (pois à vàrios) dessas màquinas dos EUA.

Os outros paises do mundo são actores mais passivos que activos, durante esta década. Podemos salientar os giras Carrson da Radio Italiana, os CommonWealth da Philips/Australia, Shield e Realistic no Japão assim como os AEG, Dual e Telefunken alemães e os Connoisseur ingleses. Mas objectivamente estes aparelhos não possedem uma concepção digna de rivalisar com os citados antes, e sobretudo, não oferecem a originalidade intelectual, que desmarca os grandes aparelhos, e que lhes confére o estatuto de mito. Em 1956 a EMT lança o 930, que é uma versão "civilisada", em tamanho do 927, este aparelho vai gravar para a eternidade o nome da firma alemã no marmore. Com este gira, a logica germânica do gira professional torna-se mundial, e todas as outras marcas citadas vão entrar em lento declinio, pois são incapazes de ultrapassar ou mesmo igualar, as caracteristicas técnicas deste aparelho que foi concebido num estado de graça pura. O EMT930 é nesse momento, o maior gira professional da terra, e este facto é reconhecido por todos os concurrentes. A EMT pode sonhar enfim de conquista planetaria, mas algo de inesperado vai aconteçer!...

Numa pequena comuna da suiça, uma pequena marca (sobretudo um homem), vai compreender o que as rivalidades nacionais esconderam. O Louis Thévenaz vai resumir num unico aparelho, a inteligência de todas as escolas conceptuais da época. Ele incorpora uma motricidade unica e mixta a correia e roda (originalidade conceptual françesa), um unico botão de controlo para todas as funções (simplicidade conceptual dos anglo-saxões), tolerâncias de fabricação idênticas às da EMT (lucidez industrial alemã), mais umas quantas astucias "da casa", que fazem do Thorens TD124 um mito desde a nascensa. Em 1957 a saida deste aparelho, fez o efeito de um furacão no mundo ainda pequeno da alta-fidelidade, e abala mesmo o edificio da EMT. Pequeno, bonito e sobretudo muito eficaz, o TD124 torna-se um rival do EMT para as radios, e a unica escolha possivel para os amadores exigentes e... fortunados. O aparelho custa nos EUA, o dobro de um Rek-O-Kut Rondine...!

Com o TD124, temos os actores essenciais dos anos cinquenta, então vamos poder analisar as tecnologias utilisadas por uns e outros, assim que as avantagens e defeitos associados.


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vlopes
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 20:22

Excelente narrativa como se diz agora, informação clara e tecnicamente acessivel.

Um prazer ler!


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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 20:55

E aos poucos vou percebendo um bocadinho...

Obrigado pela partilha TD124.
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grilo488
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 21:21

Excelente.
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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 21:30

A qualidade deste tópico é notável!

Muitos parabéns

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TD124
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 21:52

Os nove aparelhos do primeiro texto são por ordem:

1_CommonWealth da Philips australiana (estudio)
2_D&R turntables americano
3_Rek-O-Kut americano (estudio)
4_ Clément françês
5_LIE/Belin françês (estudio)
6_Rek-O-Kut americano
7_Bourdereau françês (estudio)
8_Schlumberger francês
9_Clément françês (estudio)

Obrigado pelo vosso apoio...

Até+

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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 22:07

TD124 escreveu:
, os americanos possédem algo que os outros não téem, que é grandes motores, de sonho mesmo.

Como...este ?
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taly
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 23:11

Carissimo TD 124
É sempre um prazer ouvi-lo ( lê-lo) a dissertar sobre gira discos. É aquilo que eu chamo de Professor... Pena é, que uns e outros (sem conhecimentos que sejam atestadoa), tentem pôr-se em bicos de pés, ou como diz uma amigo meu "em pontas sem sapatos da bailado"... alien
Mas o que importa aqui, é o conhecimento que o amigo compartilha com os leigos....
Parabéns pelo post
Abraço
Paulo
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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Dom Mar 31 2013, 23:54

taly escreveu:

Mas o que importa aqui, é o conhecimento que o amigo compartilha com os leigos....
Parabéns pelo post
Abraço
Paulo

Sem duvida !!

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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Abr 01 2013, 00:05


Leitura obrigatória!
Obrigado TD124
cheers
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Abr 01 2013, 00:07

Luis Filipe Goios escreveu:

Leitura obrigatória!
Obrigado TD124
cheers


Podes crer, até mete raiva....



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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Abr 01 2013, 00:24

Só agora é que acabei de ler mais esta saga dos giras, e é simplesmente divinal. É um privilégio poder ler as tuas crónicas. Obrigado Paulo.

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taly
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Abr 01 2013, 01:07

António José da Silva escreveu:
Só agora é que acabei de ler mais esta saga dos giras, e é simplesmente divinal. É um privilégio poder ler as tuas crónicas. Obrigado Paulo.

É sempre esclarecedor ler os post do TD 124 ( meu xará), porque explicam aos "comuns dos mortais", algumas das dúvidas que sempre tivemos!
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TD124
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MensagemAssunto: A motricidade por roda   Seg Abr 01 2013, 13:24



A motricidade por roda

Nos anos cinquenta a roda é o meio de predileção para fazer rodar o prato. Esta técnica é escolhida simplesmente, porque é a mais utilisada desde o passado, e a mais adaptada às técnicas da época. È preciso ver que nessa época a eléctronica é cara, e a mecânica mais barata, então a escolha é simples. Ao mesmo tempo os pequenos motores não existém, ou são feitos por encomenda, e custam verdadeiras fortunas. O motor é a peça mais cara dos gira-discos, ora que hoje é ao contrario. A motricidade por roda é então bem adaptada aos motores da época, e sobretudo para os giras professionais, esta técnica permite obter o torque necessario ao arranque imediato, e à motricidade dos pratos muito pesados. Vamos là ver concrétamente, como funciona este principio:

Como se pode ver pelas figuras acima, esta motricidade consiste a acionar uma roda (em borracha geralmente), pelo meio de uma polia a degraus ligada directamente ao eixo do motor. Os degraus permitem de fazer rodar a roda, mais ou menos depressa, afim de obter a velocidade necessaria. A roda està em contacto com o prato, então este vai rodar, à velocidade determinada pelo degrau da polia do motor. Um sistema mecânico, levanta e desce a roda ou o motor, afim de apresentar à roda o degrau correspondente à velocidade selecionada, e quando o gira està desligado a roda està livre de contacto, para que não se crie uma zona chata, o que aumentaria o rumble. Este principio, comum a todos os giras por roda, posséde algumas nuances de concepção como se pode ver nas imagens. A figura 1 mostra o método mais utilisado, e aonde a roda é horisontal e move o prato pelo bordo interior, este sendo o principio dos EMT, Bourdereau, Rek-O-Kut, Garrard etc. Na figura 2 o prato é movido pelo exterior, segundo o mesmo principio, e foi utilisado pela D&R Turntables americana. Na figura 3 vê-se o principio Thorens, que é mixto, pois a roda é movida por um volante de inercia que possede uma estrutura a degraus, e que é acionado por uma correia ligada a uma pulia de motor simples. Na figura 4 podemos ver o principio Lenco, que é original, simples e eficaz. Uma polia conica assegura uma variação de velocidade constante e sem ruptura, comunicando esta rotação a uma roda vertical que aciona o prato pelo "tecto", em vês do bordo.

A variação da velocidade é necessaria num movimento por roda, pois o desgaste da roda vai falsear a precisão da rotação, que vai se estabilisar a uma velocidade diferente. O sistema de regulação da velocidade mais utilisado é o travão de Eddy (Eddy brake), que permite através de um efeito eléctroestàtico (sem atrito nem contacto), de travar a rotação do motor e regular a mais ou menos a velocidade deste. Existém excepções como a Rek-O-Kut que utilisa um método "barbaro", que consiste a apertar com parafusos o motor contra a roda, o que cria uma resistência suplementar (stress mecânico por pressão), que diminui a velocidade de rotação. O sistema da Lenco permite, com a ajuda de um simples estroboscopio imprimido, de regular exactamente a velocidade e de compensar o desgaste da roda, sem a ajuda de um mecanismo qualquer. Mas é necessario notar, que esta técnica da Lenco, apareçeu nos anos sessenta, ou seja, mais de dez anos apos os outros.

A qualidade e a ajustagem da roda (e de todas as peças em movimento), é primordial neste principio de funcionamento. Ela deve ser perfeitamente concêntrica, equilibrada dinamicamente e posseder uma estrutura molécular (elasticidade) homogénea sobre toda a superficie. A roda "tém" de estar sempre no mesmo ângulo rotacional que o prato, ou seja, perfeitamente paraléla ou perpendicular no caso da Lenco. Se este não for o caso, a roda vai saltar o que falseia a velocidade, aumenta o rumble e o desgaste. A EMT e a Schlumberger, utilisam molas de tensão para assegurar este paralelismo em todas as situações, pois os giras professionais téem rodas de grande espessura, afim de aderir ou "agarrar" melhor no prato sem patinagem. Cada construtor tém as suas técnicas, mais ou menos eficazes para assegurar este ângulo de ataque perfeito da roda, ou mesmo para fabricà-la. A roda do Schlumberger, em matéria composita é um segredo como outros, de fabricação. Como podem ver pelas fotos, a espessura das rodas dos aparelhos professionais é superior à dos semi-professionais ou domésticos, pois os pratos são mais pesados em média. È interessante de constatar a originalidade do Rek-O-Kut L37, que utilisa duas rodas diferentes, uma para as 78rpm e a outra para os 33 e 45rpm. A motricidade por roda exerce uma grande pressão sobre o bordo do prato, e isto obriga a possuir eixos e chumaçeiras de grande qualidade e de grande diâmetro. O Bourdereau bate o recorde, com o seu eixo de 25mm! De espessura, mas a EMT, Rek-O-Kut e Thorens também possedem eixos de grande espessura e perfeita concentricidade. Como se vê, a concepção geral e a perfeição das peças mecânicas, de mesmo que a ajustagem destas mesmas é o principal segredo dos giras a motricidade por roda.

As avantagens dos giras a roda são vàrias, e pela analise que viemos de fazer algumas tornam-se evidentes. Os pratos de peso importante e perfeitamente equilibrados, em conjunto com eixos de grande diâmetro, alcançam niveis de rigidez que favorisam a geometria ângular de leitura e produzem resonâncias mecânicas muito baixas. A roda em contacto com o prato, amorteçe as resonâncias proprias deste, o que é favoràvel à leitura. Este sistema permite estabilidades de rotação muito boas ou excelentes (dependente do motor*), e o alto torque elimina as "microtravagens" de leitura. No dominio professional, esta técnica permite o "arranque imediato", algo que sò é possivel pela motricidade a roda, ou pelo "Direct Drive". O peso importante destes aparelhos, limita o efeito "larsen", ou seja, o rumble recebido por via aérea.

O principal inconveniente é bem conhecido, e trata-se do rumble. A origem deste são vàrias, e como sempre ligadas à estrutura global do aparelho. O motor em contacto com a roda, e por esta via com o prato, transmite as suas vibrações a este ultimo produzindo rumble. O "motor é o principal responsàvel pelo rumble"*, nestas màquinas. A existência de uma zona (mesmo infima) chata na roda, vai aumentar exponencialmente as vibrações. A ausência de suspensão (elaborada), não permite de controlar o rumble, que sò pode ser dominado (diminuido) pela qualidade mecânica. No Thorens, o motor não està em contacto com a roda, o que diminui o fenomeno. Podemos citar como um inconveniente o facto de, os motores sendo sincronos a indução e de grande potência, poderem produzir interferência com certas células delicadas. È o caso do motor do 301, que foi modificado no 401, afim de limitar esse problema. A técnica da D&R Turntables, afasta o motor do prato e evita esses problemas de indução.

*Não podia fechar esta anàlise sem falar sobre os motores desta época. Sabendo que as vibrações do motor são primordiais, pois estas são comunicadas ao prato pela roda, os grandes fabricantes faziam uma atenção muito particular a este componente. Assim a EMT como a Bourdereau, montavam o eixo motor com rolamentos de precisão, ajustados manualmente, afim de os equilibrar em ruido e vibrações. Marcas como a Garrard, Thorens, Lenco etc, conceberam os proprios motores que utilisavam. A Schlumberger, utilisava um volante de inercia no eixo, que estabilisava a rotação e que permitia uma regularidade unica. Nos EUA a Rek-O-Kut, utilisava (nos modelos de prestigio) motores equilibrados da Ashland e Hurst a "efeito de histerese". Estes motores sem imane permanente, utilisam ligas que se magnetisam e desmagnetisam em permanência, à medida que o rotor roda. Este principio permite de fazer motores a torque de arranque imenso, e com uma regularidade de rotação unica. São os motores que serão utilisados mais tarde, nos "cabestãos directos" dos gravadores a fita professionais.

Até breve, para a historia do declinio destas maquinas e algumas particularidades interessantes!...

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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Abr 01 2013, 14:49

Obrigado pela partilha.

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Abr 01 2013, 16:17

É sem duvida uma lição única e a melhor história dos giras que já alguma vez li.

Venha então o declinio do idler wheel.

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Seg Abr 01 2013, 17:45

Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap!


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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 02 2013, 12:19



O declinio da motricidade a roda

Mesmo se a motricidade por roda é a "rainha" durante a década de ciquenta, alguns exemplos concretos mostram que o vento vai, e està a mudar. Desde 1950 a Philips sai um gira portàvel que serà o primeiro aparelho a correia, que é o HX30A. Este modelo tém a particularidade que a correia não passa à volta do prato, mas através de três pulias esfrega-o de um terço, o que permite o movimento. Quatro anos mais tarde uma jovem e desconhecida empresa do New Jersey, fabrica o gira discos que serà o manifesto dos aparelhos da década seguinte. O gira da Component comp. posséde um prato pesado de 11kg, que é movido por uma correia periférica e um pequeno motor sincrono. A placa suporte està desacoplada por quatro molas aos ângulos, o que faz dele um concepto visionàrio para a época. No fim da década, a veneràvel Rek-O-Kut, utilisa jà pequenos motores da Pabst para os seus giras a roda, e sai um modelo com esse motor a correia, que é o N33 e o H33. Vamos là compreender juntos as razões de um tal declinio acelarado desta tecnologia.

No fim dos anos cinquenta o mundo mudou muito, em comparação ao que era no começo dessa década. A lembrança da guerra està mais longinqua, e os paises desenvolvidos entraram definitivamente, no mercado de consumo. Os EUA e a europa estão numa fase de desenvolvimento economico vertiginoso, e a Alta-fidelidade està em expansão constante, mesmo se ainda é muito cara. A produção automòvel, industrial e de produtos de consumo em grande escala, aumentou os preços do aço e das matérias primeiras em geral. A fabricação dos giras a roda de qualidade, torna-se demasiado custosa, ao ponto, que sò as marcas professionais ou semi professionais (pois este material é vendido caro), podem continuar a produzir com as mesmas exigências de qualidade. Trata-se de encontrar soluções mais simples, com menos peças em movimento, capazes de rivalisar ou mesmo de superar as técnicas existentes. Ao mesmo tempo a expansão da Alta-fidelidade, cria um mercado enorme, pois trata-se de equipar os particulares em gira-discos. Quase todas as marcas trabalham em modelos simples e mais baratos, podendo ser fabricados em escalas importantes, afim de conseguir corresponder às necessidades do emergente mercado do audio. Com a Alta-fidelidade doméstica, nasce um outro problema, que é a exigência estética em relação aos novos produtos, o que corresponde mal à motricidade por roda, que impõe naturalmente aparelhos altos, pesados e pouco "sexy's".

O aspecto estético não deve ser subestimado, pois com o novo mercado de consumo, este parâmetro torna-se fundamental para o sucesso de uma marca, ou de um modelo. Ao mesmo tempo e como sempre, o consumo em grande escala cria uma grande dose de derivas e perversões. Os produtos que inundam o mercado americano, e que fazem sonhar os consumidores são os carregadores de discos. O Rock & Roll vém de nascer com o King "Presley", e a produção de "singles 45rpm" atinge niveis inesperados, e nunca antes alcançados. Os carregadores de discos são o MP3, do fim dos anos cinquenta e correspondem ao desejo do publico, que é um consumo imediato e sem interrupção da musica à moda. Os jovens, os bares dancing e os clubes, vão ser grandes consumidores desses produtos. A Alta fidelidade acompanha o desenvolvimento da industria discografica, e na frenesia da descoberta, o publico vai criar uma atitude de ambiguidade entre quantidade e qualidade, pois nessa época as duas são antagonistas. Os alemães, que são os japoneses dos anos cinquenta, disparam às carregadas aparelhos em plastico que vão eclipsar muitos dos produtos de qualidade. Marcas como a Telefunken, Elac e sobretudo a Dual, vão conviver com produtos rascas e outros de qualidade no catàlogo de venda. A alemanha compreende antes dos outros, que numa sociedade liberal, o objectivo é de produzir e de vender, mais do que o vizinho afim de ganhar as "partes do mercado".

Mas não me façam dizer... o que eu não disse! Não, a alemanha não inventou os produtos rascas, pois estes sempre existiram. Mas a busca de funções segundàrias e de automatismos nos giras, é uma via sem saida. As grandes marcas tinham compreendido, que o alto desempenho de um gira-discos, passa pela atenção aos detalhes e na concentração sobre as suas funções primordiais. Tentar automatisar a leitura, pelos sistemas a carregador ou pelo retorno do braço entre outros, é dispor de menos investimento nas peças essenciais à leitura. A ergonomia toma o lugar do desempenho, e como os produtos téem de ser mais baratos, é necessario "re-inventar" métodos de motricidade mais economicos. A EMT evidentemente não se sente ameaçada, pois o 930 é o maior gira professional da planeta e vende-se muito bem, mas não é o caso dos outros construtores. A Thorens trabalha num projecto de novo gira, mesmo se o TD124 se vende bem e que é considerado o melhor gira audiofilo da época. A Garrard faz alguns carregadores, mas o 301 continua a ser o navio almirante da marca, pois a imensidão do império britanico dà-lhes um fantàstico espaço de venda e de progressão. Este erro vai ser fatal para a empresa britânica e para outros. No fim dos anos cinquenta, os três aparelhos miticos da época, ainda não sabem, que jà são espéces em vias de extinção, e contemplam a mudança de década com um desdém de deuses, ignorando que neste mundo, mesmo os deuses morrem...

Com o fim dos giras a roda, é toda uma época humana, industrial e conceptual que se fecha. Os anos cinquenta foram a década dos pioneiros, dos mecânicos visionàrios e dos empiristas. Estes homens não queriam fazer giras que tocassem bem, eles queriam simplesmente fazer grandes giras, da melhor maneira que podiam, e segundo a visão deles. A audiofilia não existia e a Alta-fidelidade era ainda uma reçém-nascida, e de todas as maneiras, como dizia o M. Mortimer da Garrard "um gira é bom... porque é bem feito!". Não eram aparelhos perfeitos, mas eram produtos autênticos, nobres, pois feitos com conhecimento, convição e afeção. È uma época de mestres e de "artesãos industriais", pois cada peça era ou feita "em casa" à mão, ou sob controle humano. Na década que vai seguir, os mecânicos vão deixar, pouco a pouco, o lugar aos electromecânicos e aos acusticos. Um novo ciclo vai nascer, e com ele novos gira-discos, e com estes novas sensações, emoções, contradições... Mas não estejam tristes, pois tal o mitico Fénix, o gira renasçe das suas cinzas mais evoluido, mais bonito e talvez melhor...

Até+

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 02 2013, 12:49

Obrigado pela partilha e grande abraço aí para a França.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 02 2013, 17:10

Mais uma aula que passou rápido demais. Um gajo lê estas crónicas a velocidade do TGV.

Magnifico Paulo, como sempre.

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 02 2013, 18:16

Só aqui neste topico o tempo passa a 78rpm...

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Ajgarcia
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 02 2013, 19:11

Excelente.
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Ter Abr 02 2013, 22:27

Isto meus amigo é que é verdadeiro serviço Publico.
Pra pessoas como eu que voltaram ao fim de muitos Anos a ganhar o "bichinho" do som analogico e que muito têm ainda de aprender e conhecer,este tópico vale ouro.
Muito obrigado pela exelente lição da Historia dos GD que nos está a proporcionar amigo Paulo.
Um forte abraço.
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MensagemAssunto: Os anos sessenta...   Qui Abr 04 2013, 23:15



Contexto historico

Os anos sessenta nascem num contexto de euforia economica, politica e social. Uma nova ordem mundial impôs-se e o "American Way of life", alastra-se à escala planetària. Todas as casas querem ter um carro, um televisor e electrodomésticos. A Alta fidelidade instala-se como um artigo de consumo normal, e os construtores tentam seduzir o consumidor do melhor que podem. A Thorens e a Garrard portam-se bem de saude, mas não é o caso da Rek-O-Kut que està moribunda. A orgulhosa marca de Long Island NY. està a pagar caro a sua irreverência. Incapaz de adaptar os seus produtos ao novo mercado, e negando-se a fabricar pequenos modelos economicos, a marca americana vai fechar as portas em silêncio, no inicio da década, apòs o falecimento do fundador George Silber . Com a Rek-O-Kut é toda uma tradição industrial, cultural mesmo, de giras americanos que desapareçe. Mas como os ultimos aparelhos da marca eram a correia, esta veneràvel empresa deixa uma chama acesa. A Dual, Elac e outras firmas alemãs, téem o caminho aberto para conquistar o oeste, o que vão fazer. Estas firmas vão ocupar o médio e baixo de gama com a Philips, e deixar migadas aos outros.

E o japão nisto tudo, pois não se ouve muito falar deles. Os japoneses passaram os anos cinquenta a estructurar as empresas deles, o que fizeram de uma maneira espetacular. As empresas japonesas reuniram-se entre elas, afim de pôr em conjunto as diferentes competências, o que criou os primeiros "grupos industriais" autonomos, capazes de abranger vàrios dominios de actividade. Isto feito os japoneses estão prestes a desembarcar no mundo ocidental, mas hà um problema. Os EUA são o palco da economia mundial, pois mais de metade dos produtos de consumo são comprados no mercado americano, e isto é um problema para os japoneses. Eles sabem que os americanos, mesmo se fizeram a guerra à alemanha, sentem-se um pouco europeus, mas que não é o mesmo caso em relação ao japão, ao qual os americanos téem um verdadeiro òdio, por causa da guerra do pacifico. Os japoneses sabem que a unica maneira de conquistar o mundo é de fazer melhor, e mais barato, e isto nesta ordem. E é o que eles vão fazer desde a metade dos anos sessenta, com giras a correia bem estudados, superiores em fiabilidade e desempenho aos alemães, e sobretudo com braços de grande qualidade, e para coroar isto tudo... mais baratos!

Mas concrétamente aonde estamos técnicamente, a roda deu lugar à correia? Não, na realidade as duas continuam a existir, e a roda vai mesmo evoluir e durar ainda alguns anitos, de tal maneira que esta década é técnicamente uma grande barafunda. Pois no começo do ano um produto fez sensação à saida, e evidentemente trata-se do Acoustic research XA. Este gira é o primeiro da historia a combinar uma motricidade por correia e uma sub-placa desacoplada do corpo, o que lhe permite de filtrar muito bem todas as vibrações. Este aparelho vai determinar o principio dos giras suspendidos como o Thorens TD150, que està prestes a nascer, assim que dos Ariston e Linn da década seguinte. Este gira-discos visionàrio vai fazer a historia, mas não vai imediatamente marcar os espiritos, e finalmente é outro aparelho que vai brilhar no começo dos anos sessenta. Uma firma suiça vém de lançar um gira a roda que vai estabelecer novos padrões, e ser um sucesso enorme durante mais de dez anos. Trata-se do L70 da Lenco que evoluirà em L75 e L78, com os anos e que é um aparelho de uma inteligência rara, e o digno herdeiro da originalidade do TD124. A Lenco criou um gira movido por roda que é diferente, pois ele utilisa uma roda vertical que equilibra e amorteçe o prato em movimento, compensa o gasto da roda graças a uma pulia conica, vém de origem equipado de um bom braço, ajusta-se (em continuo) a todas as velocidades existentes e que ainda por cima é bonito e bem feito. A roda renasce, e instala-se para mais uns quantos anos !...

È efectivamente no meio dos anos sessenta que as coisas começam a mudar. A Thorens transforma o TD124 em MKII, para responder à saida da Garrard 401, mas sobretudo a marca suiça lança um novo modelo de gira que vai fazer sensação, que é o TD150. Este aparelho rompe com a estética e com a técnica, às quais a Thorens tinha habituado. O TD 150 é uma gira a correia com uma contraplaca suspendida, e é o pai de todas as séries 160, 166 etc. Ao mesmo tempo a Lenco lança o L75 que vai ser o mais célebre da linha, tanto estampilhado com o nome Lenco que Goldring. Nesse mesmo ano a Pioneer entra no mercado ocidental com o seu PL-41 a correia, que vai ser um sucesso. Pode pareçer estranho, que apesar da saida do Acoustic research XA e do Thorens TD150, ninguém perceba o aspecto revolucionario da correia e da suspensão. Na realidade a AR era uma pequena empresa e ninguém levou a sério o XA, e o TD150 foi visto como uma versão economica do TD124. Concrétamente os grandes construtores viram na correia, uma técnica permitindo de fazer pequenos giras baratos mais nada, então vão continuar a fazer como estavam habituados, ou seja a roda! Erro fatal, pois sem saber, algumas marcas estão a cavar a sua cova. Contentanto-se de embutir uma placa de chapa, e de meter um pequeno motor a rodar com uma correia, um prato de aluminio levezinho, mais uma mola a cada canto, isto dà o Goldring/Lenco GL101. O que era eficaz e refinado técnicamente no L75, torna-se em geringonça de quincalharia no GL101 e outros Dual...

Mas uma marca compreendeu muito bem as vantagens imediatas da correia, e paradoxalmente é a EMT. Eles vão se casar com a Thorens (veremos mais tarde porquê) e restructurar as gamas de giras das duas marcas. A produção do TD124 mk2 vai ser definitivamente acabada em 1968, e um ano mais tarde a Thorens/EMT apresentam o TD125. Este gira a correia, com regulação eléctronica do motor e suspensão fluctuante, vai anunciar o fim da década e a alba de uma nova época. Ao mesmo tempo marcas como a Transcriptor, fazem produtos muito arrojados e inovadores, mas sem conseguir impôr as suas ideias. Esta ebulição culmina em 1969 com a apresentação do Technics SP-10. Os japoneses vém de fazer o primeiro gira "Direct Drive" eléctronico da historia. Construido para durar e atacando pela frente o mercado profissional da EMT, a marca alemã vacila pela primeira vez da sua historia. A "idade de ouro" da Alta-fidelidade atinge um apogeu, e acumula os paradoxos. No final da década os aparelhos mais célebres são o Garrard 401, o Thorens TD125 e o Technics SP-10, ou seja, uma aparelho a roda, um a correia e um Direct drive... Quém diria !


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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Abr 04 2013, 23:46

Mais uma imensa aula, uma aula do tamanho do mundo, tal a amplitude histotica que nela está contida. Amigo Paulo, estás de parabéns por nos proporcionares momentos com esta beleza. E acredita que tens leitores á altura.

Obrigado pelo trabalho a que te dás. Bom, vou reformular porque não se trata de um trabalho quando e feito com o gosto com que tu o fazes.

Neste caso, obrigado pelo prazer que tivestes e que é bem visível neste (e nos outros) post.

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 00:12

TD124 escreveu:


Contexto historico

Os anos sessenta nascem num contexto de euforia economica, politica e social. Uma nova ordem mundial impôs-se e o "American Way of life", alastra-se à escala planetària. Todas as casas querem ter um carro, um televisor e electrodomésticos. A Alta fidelidade instala-se como um artigo de consumo normal, e os construtores tentam seduzir o consumidor do melhor que podem. A Thorens e a Garrard portam-se bem de saude, mas não é o caso da Rek-O-Kut que està moribunda. A orgulhosa marca de Long Island NY. està a pagar caro a sua irreverência. Incapaz de adaptar os seus produtos ao novo mercado, e negando-se a fabricar pequenos modelos economicos, a marca americana vai fechar as portas em silêncio, no inicio da década, apòs o falecimento do fundador George Silber . Com a Rek-O-Kut é toda uma tradição industrial, cultural mesmo, de giras americanos que desapareçe. Mas como os ultimos aparelhos da marca eram a correia, esta veneràvel empresa deixa uma chama acesa. A Dual, Elac e outras firmas alemãs, téem o caminho aberto para conquistar o oeste, o que vão fazer. Estas firmas vão ocupar o médio e baixo de gama com a Philips, e deixar migadas aos outros.

E o japão nisto tudo, pois não se ouve muito falar deles. Os japoneses passaram os anos cinquenta a estructurar as empresas deles, o que fizeram de uma maneira espetacular. As empresas japonesas reuniram-se entre elas, afim de pôr em conjunto as diferentes competências, o que criou os primeiros "grupos industriais" autonomos, capazes de abranger vàrios dominios de actividade. Isto feito os japoneses estão prestes a desembarcar no mundo ocidental, mas hà um problema. Os EUA são o palco da economia mundial, pois mais de metade dos produtos de consumo são comprados no mercado americano, e isto é um problema para os japoneses. Eles sabem que os americanos, mesmo se fizeram a guerra à alemanha, sentem-se um pouco europeus, mas que não é o mesmo caso em relação ao japão, ao qual os americanos téem um verdadeiro òdio, por causa da guerra do pacifico. Os japoneses sabem que a unica maneira de conquistar o mundo é de fazer melhor, e mais barato, e isto nesta ordem. E é o que eles vão fazer desde a metade dos anos sessenta, com giras a correia bem estudados, superiores em fiabilidade e desempenho aos alemães, e sobretudo com braços de grande qualidade, e para coroar isto tudo... mais baratos!

Mas concrétamente aonde estamos técnicamente, a roda deu lugar à correia? Não, na realidade as duas continuam a existir, e a roda vai mesmo evoluir e durar ainda alguns anitos, de tal maneira que esta década é técnicamente uma grande barafunda. Pois no começo do ano um produto fez sensação à saida, e evidentemente trata-se do Acoustic research XA. Este gira é o primeiro da historia a combinar uma motricidade por correia e uma sub-placa desacoplada do corpo, o que lhe permite de filtrar muito bem todas as vibrações. Este aparelho vai determinar o principio dos giras suspendidos como o Thorens TD150, que està prestes a nascer, assim que dos Ariston e Linn da década seguinte. Este gira-discos visionàrio vai fazer a historia, mas não vai imediatamente marcar os espiritos, e finalmente é outro aparelho que vai brilhar no começo dos anos sessenta. Uma firma suiça vém de lançar um gira a roda que vai estabelecer novos padrões, e ser um sucesso enorme durante mais de dez anos. Trata-se do L70 da Lenco que evoluirà em L75 e L78, com os anos e que é um aparelho de uma inteligência rara, e o digno herdeiro da originalidade do TD124. A Lenco criou um gira movido por roda que é diferente, pois ele utilisa uma roda vertical que equilibra e amorteçe o prato em movimento, compensa o gasto da roda graças a uma pulia conica, vém de origem equipado de um bom braço, ajusta-se (em continuo) a todas as velocidades existentes e que ainda por cima é bonito e bem feito. A roda renasce, e instala-se para mais uns quantos anos !...

È efectivamente no meio dos anos sessenta que as coisas começam a mudar. A Thorens transforma o TD124 em MKII, para responder à saida da Garrard 401, mas sobretudo a marca suiça lança um novo modelo de gira que vai fazer sensação, que é o TD150. Este aparelho rompe com a estética e com a técnica, às quais a Thorens tinha habituado. O TD 150 é uma gira a correia com uma contraplaca suspendida, e é o pai de todas as séries 160, 166 etc. Ao mesmo tempo a Lenco lança o L75 que vai ser o mais célebre da linha, tanto estampilhado com o nome Lenco que Goldring. Nesse mesmo ano a Pioneer entra no mercado ocidental com o seu PL-41 a correia, que vai ser um sucesso. Pode pareçer estranho, que apesar da saida do Acoustic research XA e do Thorens TD150, ninguém perceba o aspecto revolucionario da correia e da suspensão. Na realidade a AR era uma pequena empresa e ninguém levou a sério o XA, e o TD150 foi visto como uma versão economica do TD124. Concrétamente os grandes construtores viram na correia, uma técnica permitindo de fazer pequenos giras baratos mais nada, então vão continuar a fazer como estavam habituados, ou seja a roda! Erro fatal, pois sem saber, algumas marcas estão a cavar a sua cova. Contentanto-se de embutir uma placa de chapa, e de meter um pequeno motor a rodar com uma correia, um prato de aluminio levezinho, mais uma mola a cada canto, isto dà o Goldring/Lenco GL101. O que era eficaz e refinado técnicamente no L75, torna-se em geringonça de quincalharia no GL101 e outros Dual...

Mas uma marca compreendeu muito bem as vantagens imediatas da correia, e paradoxalmente é a EMT. Eles vão se casar com a Thorens (veremos mais tarde porquê) e restructurar as gamas de giras das duas marcas. A produção do TD124 mk2 vai ser definitivamente acabada em 1968, e um ano mais tarde a Thorens/EMT apresentam o TD125. Este gira a correia, com regulação eléctronica do motor e suspensão fluctuante, vai anunciar o fim da década e a alba de uma nova época. Ao mesmo tempo marcas como a Transcriptor, fazem produtos muito arrojados e inovadores, mas sem conseguir impôr as suas ideias. Esta ebulição culmina em 1969 com a apresentação do Technics SP-10. Os japoneses vém de fazer o primeiro gira "Direct Drive" eléctronico da historia. Construido para durar e atacando pela frente o mercado profissional da EMT, a marca alemã vacila pela primeira vez da sua historia. A "idade de ouro" da Alta-fidelidade atinge um apogeu, e acumula os paradoxos. No final da década os aparelhos mais célebres são o Garrard 401, o Thorens TD125 e o Technics SP-10, ou seja, uma aparelho a roda, um a correia e um Direct drive... Quém diria !


Pois é, cada vez que venho a este cantinho dos "maluquinhos" do vinil... fico surpreendido!!!

PARABÉNS TD124!!! Magnífica crónica dos gira, gostei mesmo. Conhecia mais ou menos, mas não tão pormenorizada.

Já agora quero fazer uma pergunta sobre a LENCO. Tenho visto à venda um modelo que desconhecia, o 88. Onde se encaixa este modelo? É anterior ao L70? O sistema é muito idêntico...
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 08:59

PAINTER escreveu:
TD124 escreveu:
[center]

...


...

Já agora quero fazer uma pergunta sobre a LENCO. Tenho visto à venda um modelo que desconhecia, o 88. Onde se encaixa este modelo? É anterior ao L70? O sistema é muito idêntico...

O "88" foi produzido entre 1962 e 1965, então cronologicamente està entre o L70 (1960) e o L75 (1965). O sistema é exactamente o mesmo dos outros Lenco a roda, e as peças são as mesmas, menos o prato, que é um pouco diferente. O "88" é um motor de leitura, o que quer dizer que é preciso metê-lo numa base e juntar-lhe um braço, como os Garrard. Foi concebido para concurrenciar o Garrard 301, e o "99" para concurrenciar o 401...

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 10:27

Giro mesmo é o Rondine que mostraste mais atrás...se fosse um colecionador queria ter um. rabbit
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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 12:35


Excelente tópico!

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 14:28

ricardo onga-ku escreveu:
Giro mesmo é o Rondine que mostraste mais atrás...se fosse um colecionador queria ter um. rabbit

ricardo onga-ku escreveu:
Giro mesmo é o Rondine que mostraste mais atrás...se fosse um colecionador queria ter um. rabbit

lol lol lol não te metas nisso, pá! Eu comecei com essa ideia, e agora não sei o que fazer ao Garrard Zero 100S, ao PE 34HiFi e ao Lenco L75!!! Além de outras relíquias que estão à espera de vez para funcionar...

Obrigado TD-124!!! eu bem queria comprar este 88... mas chega! A ver se me contento só com o TD-166

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TD124
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 15:51

ricardo onga-ku escreveu:
Giro mesmo é o Rondine que mostraste mais atrás...se fosse um colecionador queria ter um. rabbit

Olà Ricardo,

não sei porque razão foi o Rek-O-Kut Rondine que te bateu no olho, mas talvez adivinhe... Essa foto é conhecida e pertençe ao artista fotografo contemporaneo Todd_Eberle, que fotografou em São Francisco esse gira de 1958. Como és fotografo amador, talvez seja o olho do artista que te tocou, assim que o minimalismo e a ousadia de cor desse "sublime" aparelho. Eu sempre sonhei ter um, e é o gira que mais me fez desejo desde que me apaixonei por essas màquinas. Hoje tenho três, e um deles é uma versão de estudio sem buraco no corpo, para receber um braço 12" no suporte. A restauração destes aparelhos é imensamente cara, pois são muito simples, mas sò nos estados unidos é que hà especialistas para as peças de precisão que utilisa. Então as indas e vindas, mais as alfandegas e etc... é um pesadelo. Deixo-te a foto original e uma em branco&preto do meu Rondine de estudio, que "tentei" artistica... para te fazer prazer e te dar vontade de ter (de novo...) um gira !!! Cool


Até+

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Última edição por TD124 em Qua Abr 10 2013, 16:35, editado 1 vez(es)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 16:28

TD124 escreveu:
... para te fazer prazer e te dar vontade de ter (de novo...) um gira !!! Cool


Já devias de saber que ele é intransigente e nas suas (as dele) opiniões.

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Última edição por António José da Silva em Qua Abr 10 2013, 18:19, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 18:14

António José da Silva escreveu:
TD124 escreveu:
... para te fazer prazer e te dar vontade de ter (de novo...) um gira !!! Cool


Já devias de saber que ele é intransigente e nas suas (as dele) opiniões.

Jà começou a gostar da estetica de um... é o começo do fim! Façam-lhe escutar e degustar um bom gira e està feito !!!

Até+

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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 18:44

Aqui está um Rondine a bom preço, e parece estar em bom estado...

http://www.ebay.com/itm/Rek-O-Kut-Rondine-Deluxe-B-12-H-w-matching-arm-and-headshell-Works-Parts-Repair-/151022850662?pt=Vintage_Electronics_R2&hash=item2329a9d266

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 21:31

Milton escreveu:
Aqui está um Rondine a bom preço, e parece estar em bom estado...

http://www.ebay.com/itm/Rek-O-Kut-Rondine-Deluxe-B-12-H-w-matching-arm-and-headshell-Works-Parts-Repair-/151022850662?pt=Vintage_Electronics_R2&hash=item2329a9d266

Olà Milton, como diz o anuncio:

Rek-O-Kut Rondine Deluxe B-12-H w/matching arm,and headshell. Works.Parts/Repair

Como ele diz: Funciona. Para peças / ou reparação.... Traduzindo, isto roda mas faz barulho, muito rumble e não é escutàvel !!!!

O preço é muito interessante, mas é preciso meter entre 750 e 1000€ (desenrascando-se bem...), para que volte a ser um Reko Rondine, e se o eixo e a chumaçeira estiverem marcados não hà nada a fazer, pois a chumaçeira não é camisada!...

È o risco de Ebay, e para resumir o que penso, o Ebay é bom para comprar parafusos americanos, e peças quando faltam, MAIS NADA!!!

Até+

PS: È pena, pois é uma versão com o motor a histérese da Ashland, e o braço pareçe estar em bom estado...

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 21:47

TD124 escreveu:
Milton escreveu:
Aqui está um Rondine a bom preço, e parece estar em bom estado...

http://www.ebay.com/itm/Rek-O-Kut-Rondine-Deluxe-B-12-H-w-matching-arm-and-headshell-Works-Parts-Repair-/151022850662?pt=Vintage_Electronics_R2&hash=item2329a9d266

Olà Milton, como diz o anuncio:

Rek-O-Kut Rondine Deluxe B-12-H w/matching arm,and headshell. Works.Parts/Repair

Como ele diz: Funciona. Para peças / ou reparação.... Traduzindo, isto roda mas faz barulho, muito rumble e não é escutàvel !!!!

O preço é muito interessante, mas é preciso meter entre 750 e 1000€ (desenrascando-se bem...), para que volte a ser um Reko Rondine, e se o eixo e a chumaçeira estiverem marcados não hà nada a fazer, pois a chumaçeira não é camisada!...

È o risco de Ebay, e para resumir o que penso, o Ebay é bom para comprar parafusos americanos, e peças quando faltam, MAIS NADA!!!

Até+

PS: È pena, pois é uma versão com o motor a histérese da Ashland, e o braço pareçe estar em bom estado...

Um juízo lógico... é mesmo um risco comprar algo tão raro e tão barato
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 22:12

TD124 escreveu:
Milton escreveu:
Aqui está um Rondine a bom preço, e parece estar em bom estado...

http://www.ebay.com/itm/Rek-O-Kut-Rondine-Deluxe-B-12-H-w-matching-arm-and-headshell-Works-Parts-Repair-/151022850662?pt=Vintage_Electronics_R2&hash=item2329a9d266

Olà Milton, como diz o anuncio:

Rek-O-Kut Rondine Deluxe B-12-H w/matching arm,and headshell. Works.Parts/Repair

Como ele diz: Funciona. Para peças / ou reparação.... Traduzindo, isto roda mas faz barulho, muito rumble e não é escutàvel !!!!

O preço é muito interessante, mas é preciso meter entre 750 e 1000€ (desenrascando-se bem...), para que volte a ser um Reko Rondine, e se o eixo e a chumaçeira estiverem marcados não hà nada a fazer, pois a chumaçeira não é camisada!...

È o risco de Ebay, e para resumir o que penso, o Ebay é bom para comprar parafusos americanos, e peças quando faltam, MAIS NADA!!!

Até+

PS: È pena, pois é uma versão com o motor a histérese da Ashland, e o braço pareçe estar em bom estado...
Certo, mas pelo preço já dava para arriscar...e depois temos cá um mestre em chumaceiras...digo eu...
Se não tivesse remedio só o braço no ebay dava para pagar o prejuizo....digo eu novamente...

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 22:23

Obrigado pela dica mas os tempos não estão para esses devaneios...se sairmos do Euro as nossas poupanças vão decrescer 40 ou 0%.
Além disso 500€ compram mais de 150 CDs. Wink

R
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 22:26

Ele disse CD's
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 22:27

ricardo onga-ku escreveu:
Obrigado pela dica mas os tempos não estão para esses devaneios...se sairmos do Euro as nossas poupanças vão decrescer 40 ou 0%.
Além disso 500€ compram mais de 150 CDs. Wink

R


Aqui em Inglaterra neste momento até compra uns 500 cd's ou mais. E mesmo assim...

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 22:28

Rui Mendes escreveu:
Ele disse CD's


Uma ovelha perdida. lol!

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 22:37

Rui Mendes escreveu:
Ele disse CD's

Eu não gosto deles mas são baratos, fáceis de limpar e soam bem... Cool
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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qua Abr 10 2013, 22:43

ricardo onga-ku escreveu:
Rui Mendes escreveu:
Ele disse CD's

Eu não gosto deles mas são baratos, fáceis de limpar e soam bem... Cool


Concordo com as primeiras duas, e ás vezes com a terceira.

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MensagemAssunto: Re: À descoberta dos gira discos !...   Qui Abr 11 2013, 00:10

António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Rui Mendes escreveu:
Ele disse CD's

Eu não gosto deles mas são baratos, fáceis de limpar e soam bem... Cool


Concordo com as primeiras duas, e ás vezes com a terceira.

estamos num confessionário?
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MensagemAssunto: A motricidade por correia   Ter Abr 16 2013, 19:01

A motricidade por correia


Na realidade esta técnica é mais uma espécie de "filosofia aplicada", do que um simples meio de tracção, quando aplicado ao dominio do gira discos. A motricidade a roda, pelo seu principio semi-directo, (motor/roda/prato) em contacto permanente, obriga a utilisar motores potentes pois a estabilidade de rotação é directamente ligada, à capacidade de tracção do motor. A utilisação do prato como "volante de inercia" é pouco eficaz, pois a roda està em contacto permanente com o prato e com o motor, o que trava a inercia do prato. Trata-se de uma motricidade linear, aonde a estabilidade é feita do equilibrio entre peso do prato e potência do motor. As leis da "redução" pois o prato tém um diâmetro superior à roda, obrigam o motor a rodar muito depressa (entre 1000 e 1800 rpm), o que aumenta o nivel de vibração e obriga a utilisar motores equilibrados dinamicamente, e obrigatoriamente muito caros a produzir. Com a correia esta filosofia vai mudar radicalmente, o que vai abrir novos horizontes de concepção. O objectivo é de utilisar motores pequenos e de deixar o prato funcionar como um "volante de inércia", a potência do motor servindo apenas a compensar, a travagem natural do prato pelo atrito eixo/chumaçeira. Como não hà intermediario entre o motor e o prato, a velocidade de rotação do motor pode ser mais baixa, e a sua potência muito mais pequena, o que é uma enorme avantagem vibratoria como veremos mais abaixo.

Pode parecer estranho, que na aparência, ninguém tenha compreendido as avantagens da motricidade por correia, durante os anos sessenta. Mas, à quarenta anos atràs sabiamos menos coisas que hoje, e parece-me humano de levar (algum) tempo a compreender a totalidade de um fenomeno. A percepção imediata das coisas complexas, sò os génios, os visionàrios e os artistas conseguem atingir, e não vamos pedir aos fabricantes de se classificar em nenhuma delas, mesmo se hà alguns génios e visionàrios na historia do audio. Como jà disse, a simplicidade do sistema, levou as marcas a ver esta técnica, simplesmente como uma maneira evidente de produzir giras mais baratos. Se é certo que ao nivel profissional este tipo de tração, não corresponde às necessidades especificas de arranque imediato e etc (e ainda depende...), ao nivel doméstico a situação é complétamente diferente. A motricidade por correia ofereçe uma gama de possibilidades e astucias de utilisação, que sò a imaginação e a competência podem limitar. Esta técnica acoplada à suspensão, pode verdadeiramente ofereçer um nivel técnico excelente, e resolver vàrios problemas de leitura. Vamos là ver juntos as diferentes variantes da motricidade por correia, assim que as avantagens e inconvenientes:

Como podem ver pelas imagens, a aplicação da correia pode ser feita de vàrias maneiras. A primeira utilisação pela Philips em 1950 (Fig.1), ainda é muito influenciada pela roda, pois a correia esfrega o prato na periferia, o que permite o movimento. Mas logo depois, a técnica adoptada é de afastar o motor e de fazer rodar o prato com a correia à volta deste (fig.2), e assim vàrias topologias são, ou vão ser possiveis com o tempo. Paralelamente a esta técnica apareçe a suspensão, que vai permitir de isolar quase complétamente o motor, do plano suporte do prato. O gira a roda era monolitico, o que quer dizer que o prato e o motor estavam fixos no mesmo plano, este ultimo sendo isolado por borrachas anti-vibração. Com a correia, a geometria do gira vai ser "repensada", e dividida em dois blocos para generalisar. Uma placa que possede o eixo/chumaçeira e o braço em fixação rigida e desacoplada do corpo por uma suspensão, e o chassis aonde o motor està fixado. Graças a esta astucia o rumble vai descer em flecha, pois as vibrações do motor vão ser filtradas pela correia e pela suspensão. Uma nova geração de giras vém de nascer, vamos là ver isto no detalhe:

As avantagens da correia como vém de ser dito são vàrias, pois a separação do motor em relação ao plano do prato, limita a transmissão das vibrações de rotação do motor, e a correia pela estructura elastica (borracha) filtra também estas mesmas vibrações. Como o motor é mais pequeno, pois muito menos potente, e roda a uma velocidade inferior, este mesmo produz muito menos vibrações de rotação (mesmo quando é de fraca qualidade e não equilibrado). A suspensão isola os orgãos de leitura prato/braço/célula das vibrações externas, que estas sejam mecânicas ou por via aérea. Isto dà como resultado que o terrivel "rumble", vai fundir como neve ao sol, e este parâmetro permite à célula de ler com precisão os sucalcos que não são acessiveis com niveis de rumble importantes (por causa do curto-circuito de amplitude), e de permitir niveis sonoros na sala sem efeito "larsen", muito superiores. A estrutura aberta da motricidade por correia vai permitir geometrias diferentes de concepção, como a separação do motor em relação ao gira (Verdier, Avid, VPI, etc), a utilisação de correias, chatas, redondas, quadradas, multiplas, em fio (Verdier), ou em fita magnética etc. Vamos poder utilisar vàrias técnicas de acoplagem como a tracção por sub prato, pela periferia de prato, desacoplada por polia intermediaria ou por "volante de inércia" etc. Todas estas astucias, tém qualidades e defeitos, mas permitem de provar a multitude de possibilidades desta motricidade.

Os inconvenientes são multiplos também, pois nada é perfeito. A acoplagem "elàstica" cria solavancos de tração, pois quando o motor tira a correia estica e depois volta ao seu estado normal, e isto a cada mudança de polo do motor. A fraca potência do motor não pode lutar contra as "micro-travagens" de leitura, e sò o peso do prato pela inércia pode ajudar. As vibrações de tracção são multiplas e agravadas pela suspensão, pois o motor puxa em permanência o prato, que estando suspendido vai oscilar horizontalmente, o que provoca erros de leitura e de separação dos canais. Este ultimo, sendo o inconveniente mais grave desta técnica, e que sò mais tarde serà resolvido...

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