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 "Cultura Audio..."

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Milton
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Ter Mar 12 2013, 16:46

ricardo onga-ku escreveu:


Pronto, já me confessei... Embarassed

R


E quem confessa não merece castigo... lol!
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MicroGruas
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Ter Mar 12 2013, 17:13

ricardo onga-ku escreveu:


Dá-me vontade de iniciar uma votação para determinarmos quem é que afinal sabe como soam os instrumentos acústicos e as vozes ao vivo, quem já escutou uma orquestra...claro que para quem apenas escuta música amplificada gravada em estúdio a alta-fidelidade acaba por ter pouco interesse.
Não consigo conter um sorriso quando me lembro das vezes em que escutei demonstrações de sistemas de alta-fidelidade com gravações do Jean Michel Jarre.

R


nem sei bem por onde começar

tanto oiço musica acustica como musica não acustica.

não percebo bem esta distinção! Oiço pink Floyd the wall! é acustica ou musica amplificada? como é musica amplificada, será que é menos "musica"?

não me importa muito qual a origem, se aacustica ou amplificada, porque senão estamos a escolher musica pela sua forma de gravação e nao pela sua qualidade intrinseca.

Por isso digo que tal distinção nao me diz nada. neste aspecto.
claro que ouvir uma guitarra ao vivo e amplficada é diferente. muito diferente. mas não vou deixar de ouvir uma peça de musica porque é amplificada ou não.

Por isso digo que esta premissa não me serve como ponto de partida.

continuo mais tarde...... muito a





Sera que o Jean Michel Jarre é mau musico porque faz musica electrónica!!!
(não é o meu preferido) E KraftWerk? é má musica?

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Ter Mar 12 2013, 18:48

microseiki escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:


Dá-me vontade de iniciar uma votação para determinarmos quem é que afinal sabe como soam os instrumentos acústicos e as vozes ao vivo, quem já escutou uma orquestra...claro que para quem apenas escuta música amplificada gravada em estúdio a alta-fidelidade acaba por ter pouco interesse.
Não consigo conter um sorriso quando me lembro das vezes em que escutei demonstrações de sistemas de alta-fidelidade com gravações do Jean Michel Jarre.

R


nem sei bem por onde começar

tanto oiço musica acustica como musica não acustica.

não percebo bem esta distinção! Oiço pink Floyd the wall! é acustica ou musica amplificada? como é musica amplificada, será que é menos "musica"?

Hombre,

Não é uma questão de ser mais ou menos música, falava exclusivamente em música adequada para avaliação porque para escutar cada qual escolhe o que mais gostar.
Para determinar subjectivamente ou pela escuta se o som é "natural" ou "realista" é necessário música acústica não amplificada gravada num espaço com reverberação natural; compara-se a reprodução à nossa memória da realidade.
Se usarmos música gravada em estúdio, um espaço surdo sem "palco" ou qualquer espécie de "ambiência", dificilmente conseguiremos avaliar a sua naturalidade, especialmente se os instrumentos forem eléctricos ou electrónicos...apenas poderemos afirmar que esta ou aquela gravação soa melhor ou pior neste ou naquele sistema.

R


Última edição por ricardo onga-ku em Qua Mar 13 2013, 10:23, editado 1 vez(es)
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rcarreira
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Ter Mar 12 2013, 20:06



Este tópico é interessantíssimo Smile
Creio que se formos olhar para um amplificador (ou pré, ou colunas, ou gira-discos, ou....) construido "sem olhar a meios", o mais lógico será que um feito e construido agora seja melhor, porque já beneficiou de toda a evolução no que diz respeito a materiais, componentes, topologias e meios de simulação e análise de circuitos. Também os instrumentos de medida usados serão melhores e mais exactos e, resumindo, sabe-se mais.
Por outro lado temos de ver que tipo de componentes são normalmente "comparados" com os vintage. Ora se vamos comparar um reciever de 300€ feito agora com um vintage em bom estado que custe o mesmo no mercado de segunda mão, é injusto para o equipamento novo. Estamos a comparar um aparelho feito para ser barato com um que quando era novo era muito mais dispendioso e feito numa altura em que os aparelhos de certa gama eram construidos para durar. Alem disso a maior parte dos mais baratos e manhosos já se avariaram e/ou foram deitados fora há muito.
Prefiro ter um sintonizador analogico com 30 anos do que um moderno daqueles cheios de RDS, que provavelmente pelo preço que paguei pelo meu Yamaha T7 iria ser uma porcaria do pior. Mas não duvido que neste momento se façam sintonizadores maravilhosos, mas esses não custam 70 ou 80€. Mas não me atrevo é a comparar o T7 com um moderno que custe o equivalente ao que ele custou novo...
Outro factor a ter em conta é que para muita gente os aparelhos modernos que poderiam comprar novos são, em grande parte, totalmente desprovidos de charme e isso também é importante. Pessoalmente agrada-me mais o design dos aparelhos dos anos 70/80 do que os dos ultimos 15 ou 20 anos e acho que isso também é importante para muita gente.
Há também aquele desejo de conseguir ter os objectos com que se sonhava na adolescencia a olhar para os catálogos, que na altura eram completamente inatingiveis e agora aparecem no ebay ou no olx pelo preço de um bom jantar para duas pessoas. Se entrar numa loja e for comprar um amplificador novo que custe o mesmo que um jantar saio de lá sem nada...

Ricardo
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qua Mar 13 2013, 10:10

[quote="ricardo onga-ku"]
microseiki escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:

...

Dá-me vontade de iniciar uma votação para determinarmos quem é que afinal sabe como soam os instrumentos acústicos e as vozes ao vivo, quem já escutou uma orquestra...

R

...
tanto oiço musica acustica como musica não acustica.

não percebo bem esta distinção! Oiço pink Floyd the wall! é acustica ou musica amplificada? como é musica amplificada, será que é menos "musica"?[/quote]

Hombre,

Não é uma questão de ser mais ou menos música, falava exclusivamente em música adequada para avaliação porque para escutar cada qual escolhe o que mais gostar.
...

R

rcarreira escreveu:


... Ora se vamos comparar um reciever de 300€ feito agora com um vintage em bom estado que custe o mesmo no mercado de segunda mão, é injusto para o equipamento novo. Estamos a comparar um aparelho feito para ser barato com um que quando era novo era muito mais dispendioso e feito numa altura em que os aparelhos de certa gama eram construidos para durar. ...

Pessoalmente agrada-me mais o design dos aparelhos dos anos 70/80 do que os dos ultimos 15 ou 20 anos e acho que isso também é importante para muita gente.

...Há também aquele desejo de conseguir ter os objectos com que se sonhava na adolescencia a olhar para os catálogos, que na altura eram completamente inatingiveis e agora aparecem no ebay ou no olx pelo preço de um bom jantar para duas pessoas...

Ricardo

Tudo isso que vém de ser dito, são evidências, então (possivelmente) grandes verdades...

Até+
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qua Mar 13 2013, 11:15

ricardo onga-ku escreveu:


tanto oiço musica acustica como musica não acustica.

não percebo bem esta distinção! Oiço pink Floyd the wall! é acustica ou musica amplificada? como é musica amplificada, será que é menos "musica"?

Hombre,

Não é uma questão de ser mais ou menos música, falava exclusivamente em música adequada para avaliação porque para escutar cada qual escolhe o que mais gostar.
Para determinar subjectivamente ou pela escuta se o som é "natural" ou "realista" é necessário música acústica não amplificada gravada num espaço com reverberação natural; compara-se a reprodução à nossa memória da realidade.
Se usarmos música gravada em estúdio, um espaço surdo sem "palco" ou qualquer espécie de "ambiência", dificilmente conseguiremos avaliar a sua naturalidade, especialmente se os instrumentos forem eléctricos ou electrónicos...apenas poderemos afirmar que esta ou aquela gravação soa melhor ou pior neste ou naquele sistema.

R[/quote]

Por acaso utilizo como referencias tanto musica dita de acustica, bem como "amplificada", isto porque o equipamento a ser adquirido tera de agradar nas duas vertentes.

Carlos Herédia da chesky (CD)
Akira de Geinoh Yamashirogumi JVC (CD) no meu gosto, uma das melhores peças musicais de todos os tempos.

LPs

Keith Jarret Knoll Concert
Dexter Gordon (diversos)
Chet Baker (diversos)
Deep purple - made in japan
Astor Piazzola
.........
DeutscheGrammophone Classica (cada vez mais gosto de classico)

Penso que ao analisarmos as qualidades (ou desqualidades) devemos utilizar uma variedade grande de peças musicais




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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qua Mar 13 2013, 11:28

microseiki escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
microseiki escreveu:


tanto oiço musica acustica como musica não acustica.

não percebo bem esta distinção! Oiço pink Floyd the wall! é acustica ou musica amplificada? como é musica amplificada, será que é menos "musica"?

Hombre,

Não é uma questão de ser mais ou menos música, falava exclusivamente em música adequada para avaliação porque para escutar cada qual escolhe o que mais gostar.
Para determinar subjectivamente ou pela escuta se o som é "natural" ou "realista" é necessário música acústica não amplificada gravada num espaço com reverberação natural; compara-se a reprodução à nossa memória da realidade.
Se usarmos música gravada em estúdio, um espaço surdo sem "palco" ou qualquer espécie de "ambiência", dificilmente conseguiremos avaliar a sua naturalidade, especialmente se os instrumentos forem eléctricos ou electrónicos...apenas poderemos afirmar que esta ou aquela gravação soa melhor ou pior neste ou naquele sistema.

R

Por acaso utilizo como referencias tanto musica dita de acustica, bem como "amplificada", isto porque o equipamento a ser adquirido tera de agradar nas duas vertentes.

Carlos Herédia da chesky (CD)
Akira de Geinoh Yamashirogumi JVC (CD) no meu gosto, uma das melhores peças musicais de todos os tempos.

LPs

Keith Jarret Knoll Concert
Dexter Gordon (diversos)
Chet Baker (diversos)
Deep purple - made in japan
Astor Piazzola
.........
DeutscheGrammophone Classica (cada vez mais gosto de classico)

Penso que ao analisarmos as qualidades (ou desqualidades) devemos utilizar uma variedade grande de peças musicais

Ora aí está.
Deves utilizar os géneros musicais que aprecias para determinar se o som te "agrada", mas para avaliar se o som é "bom" isso apenas é possível com música acústica não amplificada gravada num espaço com reverberação natural.

Mas importa também que a gravação tenha sido efectuada a partir de uma perspectiva realista.
O famoso Köln Concert não é muito adequado porque o microfone está localizado demasiado próximo do instrumento, num ponto de escuta irrealista onde jamais algum ser humano (muito menos um "espectador") colocaria os seus ouvidos...


A técnica de close-micing é um dos meus ódios de estimação: não só adultera a perspectiva sonora como reduz a informação espacial da sala e altera o timbre e acrescenta-lhe ruídos mecânicos indesejáveis que nos distraem da sonoridade do instrumento.

Há uma "escola" audiófila que os adora, e que muitas vezes os confunde com resolução...como diz um amigo, gostam de ouvir "sons".

Boas escutas,
R
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Pierre
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qua Mar 13 2013, 11:43

ricardo onga-ku escreveu:

Ora aí está.
Deves utilizar os géneros musicais que aprecias para determinar se o som te "agrada", mas para avaliar se o som é "bom" isso apenas é possível com música acústica não amplificada gravada num espaço com reverberação natural.

Mas importa também que a gravação tenha sido efectuada a partir de uma perspectiva realista.
O famoso Köln Concert não é muito adequado porque o microfone está localizado demasiado próximo do instrumento, num ponto de escuta irrealista onde jamais algum ser humano (muito menos um "espectador") colocaria os seus ouvidos...


A técnica de close-micing é um dos meus ódios de estimação: não só adultera a perspectiva sonora como reduz a informação espacial da sala e altera o timbre e acrescenta-lhe ruídos mecânicos indesejáveis que nos distraem da sonoridade do instrumento.

Há uma "escola" audiófila que os adora, e que muitas vezes os confunde com resolução...como diz um amigo, gostam de ouvir "sons".

Boas escutas,
R

Ricardo.

O que sugeres em CD que tenha essas particularidades de gravaçã0 / captação?
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qua Mar 13 2013, 11:44

microseiki escreveu:
Akira de Geinoh Yamashirogumi JVC (CD) no meu gosto, uma das melhores peças musicais de todos os tempos.

Em meados de 90 assisti um concerto de tambores Japoneses organizado pela Embaixada do Japão e que teve lugar no Teatro Gil Vicente em Cascais.
Não tenho nenhum disco mas deve ser muito difícil de reproduzir com realismo.
Sinto o mesmo com a peça para Seis Marimbas do Steve Reich cujo ensaio escutei na Gulbenkian e me impressionou de tal forma que comprei o CD.
O meu actual sistema não se porta muito mal mas estou certo que a reprodução seria melhor se a unidade de graves (não esta) residisse numa caixa selada...

Boas escutas,
Ricardo
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qua Mar 13 2013, 21:36

Pierre escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
A técnica de close-micing é um dos meus ódios de estimação: não só adultera a perspectiva sonora como reduz a informação espacial da sala e altera o timbre e acrescenta-lhe ruídos mecânicos indesejáveis que nos distraem da sonoridade do instrumento.

Há uma "escola" audiófila que os adora, e que muitas vezes os confunde com resolução...como diz um amigo, gostam de ouvir "sons".

Ricardo.

O que sugeres em CD que tenha essas particularidades de gravaçã0 / captação?

Tanto quanto sei a BIS e a DORIAN raramente utilizam mais de 2 microfones.
Tens também a WATER LILY ACOUSTICS mas não tenho nenhum dos seus álbuns.
A BIS e a TELARC não utilizam compressão dinâmica nas suas gravações mas julgo que esta última há muito que aderiu ao multi-micing...
Isto para clássica, em jazz julgo que a CHESKY também grava com "realismo".

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 07:24

ricardo onga-ku escreveu:
...

... as minhas ss minhas colunas foram concebidas de modo a produzir essa "apresentação" mais "agradável" e natural, recorrendo a uma curva resposta de frequências não perfeitamente plana mas que se apresenta como uma linha ligeiramente descendente dos graves para os agudos, com a ligeira atenuação nos médios típica da BBC, o extremo agudo a perder intensidade antes de chegar aos 20kHz, e a distorção (de caixa) que produzem incide principalmente na 2ª harmónica.

Pronto, já me confessei... Embarassed

R

Se a tua confessão, é dizer que gostas da receita do som inglês clàssico..., não te sintas envergonhado pois é o caso de muita gente. Até hoje, ninguém tém a receita da musicalidade universal, mas hà vàrias receitas musicais, e estudei-as quase todas afim de percebê-las. A receita inglesa, continua a ser uma das mais agradàveis à escuta, e um modelo de elegância... "God save the Kingdom !!!"

Até+

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 08:02

Vai aqui uma pergunta que gostaria que os entendidos me respondessem.
Podem (por exemplo) dois amplificadores medirem igual (ou muito idêntico) e mesmo assim soarem de modo diferente?

Se sim (soar diferente), deita por terra a busca do som linear/correto pela medição.
Se não (soam diferente) apoia quem busca o som linear/correto pelas medições.

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 09:14

Podes encontrar uma reposta no famoso desafio do Bob Carver que afirmava conseguir pôr o seu amplificador de potência solid-state de 500€ a tocar como qualquer amplificador high-end (ou outro):

http://www.stereophile.com/content/carver-challenge

Mas tens de ler até ao fim porque não eu ando aqui para alimentar preguiçosos. Razz

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 09:24

Os amplificadores têm sonoridade própria?

Claro que têm, caso contrário de que modo se diferenciariam da manada numa loja aquando da escolha comparativa, pelo estética das caixas, as funções acessórias ou o preço?

Têm também porque é do interesse comercial das marcas que exista um som reconhecível, e se possível com características "especiais" como o Pace Rhythm and Timing inventado pela Naim (por via de umqualquer reviewer) para fascinar os mais crédulos e alimentar o fascínio em torno daquela que é talvez a marca com os seguidores mais fiéis...

E porque certos engenheiros e designers de circuitos e colunas julgam ter descoberto aquilo que representa (para eles, claro está) a "musicalidade".

Eu prefiro a filosofia Keep It Simple Stupid e os amplificadores não devem ser mais do que "um fio com ganho", ou seja, amplificar o sinal sem o colorir.

R
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 09:34

Para quem consegue ler a língua de Jules Verne, aqui fica um artigo engraçado sobre as "tendências" que dividem os actuais criadores de moda, perdão, de audio: a "holística" e a "detalhista".

http://www.strad-audio.com/achat-cables-audio.php#verite

Um pequeno excerto:

La Musique et sa reproduction

Tout porte à croire que les concepteurs de matériel haute-fidélité, lorsqu’ils créent leurs appareils, n’ont qu’un objectif en tête : respecter la "vérité" contenue sur le disque ou la source, quelle qu’elle soit. La seule doctrine est par conséquent plus ou moins proche de ce fantasme un peu fumeux d’une époque bénie : le fil droit avec du gain.

Cependant, il apparaît à travers les pseudo-évolutions de la haute-fidélité, que, pour reprendre les termes décrits dans une ancienne chronique toujours d’actualité quelques années plus tard, deux tendances majoritaires se dessinent dans les propositions de restitution du signal musical:

- l'approche "holistique"
- l'approche "détailliste"

Issues d’une démarche contrôlée ou non, force est de constater que c’est autour de ces deux options que se cristalliseront les produits présentés sur le marché tout comme, là aussi de façon plus ou moins construite, les deux courants de pensée dominants autant dans les esprits des acteurs que des utilisateurs…(...)


Boa leitura,
R
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 09:42

ricardo onga-ku escreveu:
Eu prefiro a filosofia Keep It Simple Stupid e os amplificadores não devem ser mais do que "um fio com ganho", ou seja, amplificar o sinal sem o colorir.

R

Talvez de acordo com essa afirmação, cada dia que passa, estou mais estupefacto com a música que um Creek 4040S2 dos anos 80 transmite. Shocked
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 09:54

Pierre escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Eu prefiro a filosofia Keep It Simple Stupid e os amplificadores não devem ser mais do que "um fio com ganho", ou seja, amplificar o sinal sem o colorir.

R

Talvez de acordo com essa afirmação, cada dia que passa, estou mais estupefacto com a música que um Creek 4040S2 dos anos 80 transmite. Shocked

Acho essa expressão interessante...o amplificador "transmite" a música ou melhor "reproduz", em conjunto com os restantes equipamentos, o sinal que contém um conjunto de sons mais ou menos organizados sons que constituem a música, e a música "provoca" as emoções.

R
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Pierre
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 10:33

ricardo onga-ku escreveu:

Acho essa expressão interessante...o amplificador "transmite" a música ou melhor "reproduz", em conjunto com os restantes equipamentos, o sinal que contém um conjunto de sons mais ou menos organizados sons que constituem a música, e a música "provoca" as emoções.

R

Então...transistors -transmissão.

Bem mas, seja como for e voltando ao assunto laboratório vs audição, este Creek na bancada do Joaquim Pinto deu resultados muito satisfatórios, segundo o Mestre e em meu espaço com umas Rega RS1 está a dar-me música.
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 13:37

ricardo onga-ku escreveu:

http://www.strad-audio.com/achat-cables-audio.php#verite


Este texto é simplesmente , a forma como ele aborda as questões, passo a passo, assertivo sem ser demasiado snob...

...algumas reflexões exigem uma segunda ou terceira leitura para digerir o ponto de vista.

Vou reler mais umas vezes, determinados conceitos só irei interiorizar daqui alguns anos...mas lembra-me-ei deste texto.

Thanks pela partilha
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 14:24

ricardo onga-ku escreveu:
Os amplificadores têm sonoridade própria?

Claro que têm, caso contrário de que modo se diferenciariam da manada numa loja aquando da escolha comparativa, pelo estética das caixas, as funções acessórias ou o preço?



Que existem muitos "sons" diferentes de amplificadores para amplificadores (e colunas, tuners, decks de cassete etc.) eu sei, mas a pergunta era se essas diferenças também existem com amplificadores com medições idênticas.

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 17:24

António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Os amplificadores têm sonoridade própria?

Claro que têm, caso contrário de que modo se diferenciariam da manada numa loja aquando da escolha comparativa, pelo estética das caixas, as funções acessórias ou o preço?



Que existem muitos "sons" diferentes de amplificadores para amplificadores (e colunas, tuners, decks de cassete etc.) eu sei, mas a pergunta era se essas diferenças também existem com amplificadores com medições idênticas.

Sim, existem diferenças mesmo em aparelhos com medidas muito proximas. O Jean Hiraga trabalhou muito o assunto sem nunca encontrar resposta plausivel. No principio estava persuadido que a forma do espectro de distorsão, era o responsàvel disso, e finalmente hà exceções... E mais um dos mistérios do audio, e não é este topico. Aqui fala-se cultura !!! Toca a andar, vai trabalhar

Até+

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 17:27

TD124 escreveu:
António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Os amplificadores têm sonoridade própria?

Claro que têm, caso contrário de que modo se diferenciariam da manada numa loja aquando da escolha comparativa, pelo estética das caixas, as funções acessórias ou o preço?



Que existem muitos "sons" diferentes de amplificadores para amplificadores (e colunas, tuners, decks de cassete etc.) eu sei, mas a pergunta era se essas diferenças também existem com amplificadores com medições idênticas.

Sim, existem diferenças mesmo em aparelhos com medidas muito proximas. O Jean Hiraga trabalhou muito o assunto sem nunca encontrar resposta plausivel. No principio estava persuadido que a forma do espectro de distorsão, era o responsàvel disso, e finalmente hà exceções... E mais um dos mistérios do audio, e não é este topico. Aqui fala-se cultura !!! Toca a andar, vai trabalhar

Até+


O que demonstra que a medição per si não pode constituir o fator unico na escolha de um componente e que a escuta é em ultima instância aquela que nos irá fazer decidir entre a mais valia de um aparelho sobre o outro.

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 19:50

ricardo onga-ku escreveu:

Mas tens de ler até ao fim porque não eu ando aqui para alimentar preguiçosos. Razz

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 20:24

[quote="António José da Silva"]
TD124 escreveu:
António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Os amplificadores têm sonoridade própria?

Claro que têm, caso contrário de que modo se diferenciariam ...


Que existem muitos "sons" diferentes de amplificadores para amplificadores...

Sim, existem diferenças mesmo em aparelhos com medidas muito proximas. O Jean Hiraga trabalhou muito o assunto ...
Até+


O que demonstra que a medição per si não pode constituir o fator unico na escolha de um componente e que a escuta é em ultima instância aquela que nos irá fazer decidir entre a mais valia de um aparelho sobre o outro.

Sim, "l'oreille est le seul juge..." ou seja, o ouvido é o unico juiz, e é uma grande verdade !... mas é ai que està o problema. Não temos todos a mesma cultura musical ou audiofila. Os que não conhecem o vinho, quando compram uma garrafa ou téem sorte, ou fazem confiança ao vendedor ou enganam-se... no audio é mais ou menos a mesma coisa, ou então não se é exigente. E nesse caso somos felizes,... pois tudo é bom !!!

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 21:25

Já dizia São Mateus: "Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu."

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 21:33

[quote="TD124"]
António José da Silva escreveu:
TD124 escreveu:
António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Os amplificadores têm sonoridade própria?

Claro que têm, caso contrário de que modo se diferenciariam ...


Que existem muitos "sons" diferentes de amplificadores para amplificadores...

Sim, existem diferenças mesmo em aparelhos com medidas muito proximas. O Jean Hiraga trabalhou muito o assunto ...
Até+


O que demonstra que a medição per si não pode constituir o fator unico na escolha de um componente e que a escuta é em ultima instância aquela que nos irá fazer decidir entre a mais valia de um aparelho sobre o outro.

Sim, "l'oreille est le seul juge..." ou seja, o ouvido é o unico juiz, e é uma grande verdade !... mas é ai que està o problema. Não temos todos a mesma cultura musical ou audiofila. Os que não conhecem o vinho, quando compram uma garrafa ou téem sorte, ou fazem confiança ao vendedor ou enganam-se... no audio é mais ou menos a mesma coisa, ou então não se é exigente. E nesse caso somos felizes,... pois tudo é bom !!!

Até+

O vinho é um exemplo interessante, pois realça um tipo diferente de cultura. Em Portugal somos uns felizardos e estamos habituados a beber muitos vinhos diferentes e de grande qualidade, então desenvolvemos esta capacidade de, mesmo sem perceber nada daquilo dos "tons de madeira" e da adestringencia, distinguir um bom vinho de um mau. Dois exemplos, num programa de TV estrangeiro adicionaram um corante a um vinho branco "transformando-o" num tinto, levaram-no a uma prova de vinhos, onde ninguém percebeu que estava a beber um vinho branco "pintado" de tinto. Numa cave de vinhos na California (eles têm vinhas lindas por lá) estavamos a provar uns vinhos de 30 ou 40 dolares a garrafa, muitos comentários elogiosos por parte de entendidos e eu a pensar "isto em Portugal nem por 3€ para temperar a carne". E eu não percebo nada de vinhos... Limito-me a apreciar Smile
E acho que com o audio e a musica é a mesma coisa, quando toda a vida se ouve musica (gravada e ao vivo) e se desenvolve um gosto especial por isso, acho que ganhamos uma capacidade "inconsciente" de saber o que é um bom som quando o ouvimos. Acho que todos já tivemos aquela sensação de estar num audioshow, saír de uma sala com um sistema caríssimo a tocar mal e entrar noutra com algo muito modesto e ficar maravilhado. Para mim a cultura é isso.
Agora saber o "porquê" de um sistema tocar bem ou não é o Conhecimento e isso só está ao alcance de alguns...

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 21:50

rcarreira escreveu:


O vinho é um exemplo interessante, pois realça um tipo diferente de cultura. Em Portugal somos uns felizardos e estamos habituados a beber muitos vinhos diferentes e de grande qualidade, então desenvolvemos esta capacidade de, mesmo sem perceber nada daquilo dos "tons de madeira" e da adestringencia, distinguir um bom vinho de um mau. Dois exemplos, num programa de TV estrangeiro adicionaram um corante a um vinho branco "transformando-o" num tinto, levaram-no a uma prova de vinhos, onde ninguém percebeu que estava a beber um vinho branco "pintado" de tinto. Numa cave de vinhos na California (eles têm vinhas lindas por lá) estavamos a provar uns vinhos de 30 ou 40 dolares a garrafa, muitos comentários elogiosos por parte de entendidos e eu a pensar "isto em Portugal nem por 3€ para temperar a carne". E eu não percebo nada de vinhos... Limito-me a apreciar Smile
E acho que com o audio e a musica é a mesma coisa, quando toda a vida se ouve musica (gravada e ao vivo) e se desenvolve um gosto especial por isso, acho que ganhamos uma capacidade "inconsciente" de saber o que é um bom som quando o ouvimos. Acho que todos já tivemos aquela sensação de estar num audioshow, saír de uma sala com um sistema caríssimo a tocar mal e entrar noutra com algo muito modesto e ficar maravilhado. Para mim a cultura é isso.
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Eu tenho a sorte de estar numa zona com bastantes Caves e Produtores,tenho vários amigos ligados ao sector e muitas conversas giram à volta do mundo dos vinhos, maioria na nossa zona.

Nunca me esquecerei de um Senhor dono de umas Caves, com quem tive o privilégio de privar muitas vezes, mas serão sempre poucas dado que faleceu já com uma bela idade no ano passado, e me ensinou muito acerca deste mundo, e ele dizia : o melhor vinho é aquele que eu gosto...

Eu faço-lhe justiça com esta homenagem.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 21:52

rcarreira escreveu:


O vinho é um exemplo interessante, pois realça um tipo diferente de cultura. Em Portugal somos uns felizardos e estamos habituados a beber muitos vinhos diferentes e de grande qualidade, então desenvolvemos esta capacidade de, mesmo sem perceber nada daquilo dos "tons de madeira" e da adestringencia, distinguir um bom vinho de um mau. Dois exemplos, num programa de TV estrangeiro adicionaram um corante a um vinho branco "transformando-o" num tinto, levaram-no a uma prova de vinhos, onde ninguém percebeu que estava a beber um vinho branco "pintado" de tinto. Numa cave de vinhos na California (eles têm vinhas lindas por lá) estavamos a provar uns vinhos de 30 ou 40 dolares a garrafa, muitos comentários elogiosos por parte de entendidos e eu a pensar "isto em Portugal nem por 3€ para temperar a carne". E eu não percebo nada de vinhos... Limito-me a apreciar Smile
E acho que com o audio e a musica é a mesma coisa, quando toda a vida se ouve musica (gravada e ao vivo) e se desenvolve um gosto especial por isso, acho que ganhamos uma capacidade "inconsciente" de saber o que é um bom som quando o ouvimos. Acho que todos já tivemos aquela sensação de estar num audioshow, saír de uma sala com um sistema caríssimo a tocar mal e entrar noutra com algo muito modesto e ficar maravilhado. Para mim a cultura é isso.
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Essa dos vinho posso confirmar. Em Inglaterra um vinho de 15 euros não chega aos calcanhares de um de 3 em Portugal, seja qual for a origem dele.


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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 22:17

António José da Silva escreveu:


Essa dos vinho posso confirmar. Em Inglaterra um vinho de 15 euros não chega aos calcanhares de um de 3 em Portugal, seja qual for a origem dele.


No entanto há por aí umas belas cervejas e por cá é mais complicado Smile Não temos essa cultura, e é pena...
Mas voltando ao audio e à questão do vintage. Numa altura em que praticamenente não se vendem sistemas stereo nas lojas de "consumo de massas", ou são aqueles conjuntos surround horriveis, ou daquelas coisinhas mono para encaixar o iPod, acho bestial que alguém que já nasceu depois de o vinil e o analogico terem sido declarados "mortos", esteja a contribuir para o seu regresso indo buscar ao sotão as aparelhagens dos pais e dos avós.
Assim há mais espereança no futuro Smile
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 22:20

Tenho alguma dificuldade em "engolir" a analogia do vinho pois trata-se do original e não de uma reprodução; o vinho a meu ver apenas pode ser comparado ao evento musical original.

Prefiro esta analogia da reprodução fotografia de uma obra de arte, por exemplo de uma pintura, que escrevi em tempos num outro tópico:

Comecemos então por estabelecer um paralelismo entre o registo e reprodução doméstica de uma peça musical e o registo e reprodução fotográfica de uma pintura.
Em ambos os casos o objecto é uma obra de arte e a reprodução quer de um quer de outro será mais realista quanto mais fiel for a reprodução do seu registo (registo esse que nem sempre é muito fiel, mas isso é outra história).
Claro que existem limitações óbvias: uma sonata para violoncelo e piano nunca soará nas nossas casas como soaria numa sala dedica por razões de acústica e de escala, mas também por limitações técnicas inerentes ao equipamento de captura e reprodução, o mesmo se passando com a impressão de uma pintura de um grande mestre num poster de papel acetinado.

Vejamos o exemplo da fotografia.
Em primeiro lugar, é necessário que a pintura esteja adequadamente iluminada e a sua superfície esteja paralela ao plano do sensor digital ou do filme, caso sejam amantes do analógico.


"Blow-Up" - Michelangelo Antonioni, 1966

Em seguida importa que seja escolhida uma lente que produza contraste e saturação naturais, e que não introduza distorções geométricas ou aberrações cromáticas.


Distorção geométrica tipo barril


Aberração cromática

Agora o fotógrafo responsável deverá colocar a máquina sobre um tripé e usar o temporizador ou um comando de obturador por forma a evitar vibrações e escolher uma abertura adequada que permita captar uma resolução uniforme sobre toda a superfície da fotografia.


Nitidez no canto do enquadramento a diferentes aberturas f

A exposição deverá ser determinada com o auxílio de um fotómetro de luz incidente e deverá ser utilizado o ISO mais baixo para evitar o aparecimento de ruído digital ou de grão.


Ruído digital

A partir deste momento a imagem pode ser registada em formato digital ou suporte analógico para posterior manuseamento e impressão.

Em seguida a imagem é aberta no Photoshop onde são efectuadas algumas correcções e depois enviada para a impressora, ou o filme cuidadosamente revelado é levado para o ampliador onde são efectuadas impressões de teste e afinação da imagem final, recorrendo eventualmente a máscaras caso seja necessário.
No caso do workflow digital é extremamente importante que a imagem tenha sido capturada no formato RAW, com o maior gamut de cores possível (p.ex. ProPhoto RGB) e com a máxima resolução (megapixels) e profundidade de cores (bits) e que o monitor e a impressora/papel estejam adequadamente calibrados.
A lente do ampliador deverá ter as características anteriormente referidas e a abertura deverá ser a adequada, sendo ainda importante que os líquidos de revelação tenham sido misturados nas proporções exactas e estejam à temperatura ideal.

Em ambos os casos deverá ser escolhido um papel neutro por forma a não alterar em nada a qualidade do registo.


"Nighthawks" - Edward Hopper, 1942

Agora troquem a câmara e o sensor ou filme pelo microfone, o amplificador e o disco rígido ou o gravador de fita, a destreza do fotógrafo pela de um engenheiro de som.
Também os microfones, que requerem um posicionamento adequado, deverão ter uma resposta de frequências plana e permitir o registo de uma gama dinâmica alargada e o amplificador deverá introduzir o menor nível de distorção e ruído, o mesmo se passando com o conversor A/D ou o gravador de fita.
O responsável pela mistura deverá utilizar equipamento transparente, corrigindo erros e manipulando o sinal apenas o necessário para que este possa ser reproduzido por um sistema de reprodução doméstica.
Segue-se o referido sistema, que sendo o elo mais fraco deverá ainda assim ser o mais linear possível, introduzindo um mínimo de distorções ou colorações por forma a que a transdução do registo de sinal eléctrico para som na sala seja feita com a maior fidelidade possível.

Na minha opinião, podemos ainda concluir que, ao contrário do que se passa com um instrumento musical cuja função é a de produzir sons (notas) com a maior e mais bela riqueza harmónica possível e ele próprio uma peça integrante e fabricante da obra de arte, um sistema de reprodução doméstica é um conjunto de instrumentos de precisão que fazem parte da cadeia que tem início no microfone e cuja função é captar, registar e reproduzir o registo dessa obra de arte (a beleza tímbrica de vozes e instrumentos, a acústica das grandes salas de concerto ) com a maior exactidão possível tendo em conta as limitações técnicas com que hoje (2010) nos deparamos e as limitações acústicas da nossa sala.

"A ciência desenha a onda; a poesia enche-a de água." - Teixeira Pascoaes

Penso, portanto, que não será polémico afirmar que o objectivo de um sistema de reprodução doméstica de alta fidelidade é o de reproduzir com exactidão o registo de uma peça musical no conforto das nossas casas.
A ideia é registar um dado evento musical num suporte físico, que pode ser adquirido por qualquer pessoa, ou transmitido por radiodifusão de forma a que o referido evento possa ser reproduzido pelo conjunto de equipamentos que compõe o nosso sistema.

Esta maravilhosa invenção, que evoluiu a passos largos durante todo o século passada graças aos avanços em diversos campos da física, permitiu a divulgação quase universal dessa enorme arte que é a música, possibilitando a audição repetida das obras que apreciamos e a escuta de grandes interpretações que se deram em outros tempos e lugares distantes.

Para os interessados nessa história proponho a leitura de A Tiny History of High Fidelity


Boas leituras,
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Qui Mar 14 2013, 23:47


Caro Ricardo,
Permite-me discordar contigo (por isso é que estas coisas têm piada).
Eu acho que o audio pode ser visto como uma arte por si. Desde o design dos equipamentos aos conhecimentos, imaginação, inteligencia e arte que estão por trás dos circuitos e topologias utilizados na sua construção. Da mesma forma como o funcionamento de um motor de combustão interna ou um relogio pode ser lindo, têm por trás pessoas que puseram tanto de si na sua concepção como um artista que pinta um quadro ou um musico que compõe uma sonata.
O facto de servirem para´reproduzir música só lhes acrescenta encanto... Se também olharmos para a musica, esta sempre acompanhou as possibilidades técnicas da época em que foi feita, quer ao nível dos instrumentos usados, quer mais recentemente com a electrónica. Nos ultimos 100 anos pode-se dizer que a musica foi tão influenciada pelos equipamentos usados para a reproduzir, como antes tinha sido pelos instrumentos musicais. Em todos os campos há evidencias disto, na chamada musica popular, a existencia de amplificação permitiu o aparecimento de coisas como guitarras electricas, a amplificação da voz, mais recentemente o sampling e a utilização de gira-discos no processo de criação musical. Até a duração das musicas é determinada de certa forma pelos processos de reprodução em que irá ser editada.
Na chamada musica erudita também. Aqueles concertos para orquestra e gravador de fita, ou para um instrumento e electronica ao vivo, para além da divulgação sem precedentes de obras de compositores já desaparecidos e da forma como muitos musicos se dedicaram principalmente às gravações em estúdio, deixando de dar concertos.
Sim, dificilmente se terá o mesmo som em casa que se tem numa sala de concertos. Para além dos motivos mais obvios, como se fosse ouvir uma sinfonia com o mesmo volume que se ouve numa sala de concertos, a meio do segundo andamento tinha cá a polícia, isto se tivesse dinheiro para comprar um sistema que o permitisse, há a questão da dinâmica e aquela "coisa" de estarmos a ouvir algo gravado numa sala, com uma determinada acustica, noutra sala com uma acustica completamente diferente. Aqui aparecem as gravações feitas quase com os micros dentro dos instrumentos em salas com acusticas "mortas". Cria-se a ilusão de que os instrumentos estão a ser tocados na sala onde a gravação está a ser reproduzida... Mas aí está, é subjectivo e nem toda a gente gosta.
Para mim o som que oiço em casa não é uma reprodução de um original, mas um original em si, pois estamos a ouvir o resultado do que os musicos tocaram e que o engenheiro de som gravou, depois foi misturado e trabalhado tendo em vista ser reproduzido num sistema stereo domestico. Mesmo se falarmos numa daquelas gravações audiofilas feitas para soarem extremamente realistas, são novamente o resultado da intenção de as reproduzir num sistema stereo doméstico e gravar coisas bem é, também, uma arte.

A fotografia é uma arte só por si. Ninguém pode dizer que numa época em que há máquinas fotográficas com dezenas de megapixeis, lentes como nunca antes houve, faz sentido fotografar a preto e branco, que a ultima vez que reparei, deixa de fora uma parte muito importante da realidade. No entanto fotografa-se muito a preto e branco, mesmo com maquinas capazes de não sei quantos bits de cor... E a fotografia a preto e branco, mesmo que "incompleta" relativamente à realidade é capaz de transmitir coisas que a cores não se consegue.
Há também toda uma escola de fotografia que se borrifa completamente em questões "burguesas" como focagem, profundidade de campo e nitidez. Pegam em máquinas com lentes de plástico e fotografam.
É o fotografo e a sua noção de como a imagem vai ficar no fim para que se destina que faz a fotografia. Por isso é que há fotografos bons e outros que nem por isso, mesmo que usem maquinas iguais com lentes iguais.
Não vou falar do photoshop, que para mim é como aquelas maquinetas para afinar as vozes das boys band e das namoradas dos futebolistas, compreendo que o usem para retocar as borbulhas da moça da capa da revista, resolver problemas de enquadramento na imprensa, fotografias publicitárias e pouco mais. Sinto-me um bocado insultado quando alguém usa o photoshop para inventar uma profundidade de campo pequena numa foto tirada com a maquina em auto e ainda mais quando o usam para fazer um fundo arrastado, mas pronto, sou um bocado fundamentalista nestas coisas e só há pouco tempo é que aderi ao autofocus.
Da mesma forma que uma fotografia é uma transposição da realidade para um meio limitado, cujo sucesso está completamente dependente das capacidades do fotografo usar correctamente o equipamento para criar uma ilusão em quem vê a foto, gravar musica para ser reproduzida em casa é uma arte, como a propria musica em si, os instrumentos em que é tocada e os equipamentos que a irão reproduzir.
E o que é que isto tem a ver com o vinho? Bem, da mesma forma que se aprende a apreciar um bom vinho, ou uma boa fotografia, ou quadro, também se aprende a apreciar uma boa reprodução de um disco gravado. Um exemplo para terminar.
Gosto muito de Pink Floyd, já ouvi o The Wall umas centenas de vezes desde que me gravaram uma cassete em 1987 e depois comprei o LP que ainda tenho. O The Wall foi pensado, tocado e gravado para ser ouvido numa aparelhagem stereo, portanto a aparelhagem e as suas limitações, fizeram parte do processo criativo e pode ser considerada como um instrumento. No ano passado fui ver o The Wall ao vivo no pavilhão atlântico. Acustica horrivel, som mauzito, mas estavam ali os artistas à minha frente, valeu (e muito!!) pela parte visual, mas a musica mesmo, essa foi feita para ser ouvida em casa Smile

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 00:13

Gostei.

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 00:30

Eu percebo os teus pontos de vista mas parece-me que estás a confundir produção com reprodução.

É verdade que a fotografia pode usada como veículo ou meio de expressão artística mas no exemplo que dei a fotografia é apenas uma ferramenta de registo, tal como o equipamento de gravação, e a imagem, produto dessa ferramenta, vai depois ser reproduzida tal como o som de uma gravação.
Não é a analogia perfeita mas parece-me adequada para ilustrar a minha perspectiva.

Gostava ainda de mencionar que algumas editoras como a BIS ou a TELARC afirmam não utilizar compressores dinâmicos o que significa que a amplitude entre os pianissimi e fortissimi é registada tal como os microfones a "escutaram".
Nas gravações de música orquestral essa gama dinâmica não excede o limite de um CD que ronda os 90dB (valor que está acima das capacidades da maioria dos sistemas) e é perfeitamente reproduzível em ambiente doméstico; isso deve-se certamente à distância a que os microfones são colocados.

Sou da opinião que em gravações deste género musical (música erudita ocidental) é indispensável uma boa colocação dos microfones, que apenas devem ser dois, mas qualquer "mistura" ou "trabalho" efectuado posteriormente é um crime que devia ser punido com a pena capital.
Já no que se refere à música gravada em estúdio a coisa muda de figura e aqui esse processo de "manipulação" do sinal é uma ferramenta criativa que faz parte integrante da obra e é indispensável para se obter um bom "produto".

Este "produto" tem aqui uma conotação negativa pois como sabemos a qualidade do som e até artística da música ligeira (pop/rock/etc.) tem sofrido muito nas mãos gananciosas das editoras discográficas.

Quanto às salas, estou plenamente de acordo; para se escutar o ambiente sonoro de uma gravação ao vivo não amplificada efectuada num espaço com reverberação natural seria melhor que a nossa sala fosse quase surda ou anecóica...
Mas a interferência ou coloração acústica produzida pela nossa sala pode ser de certa forma corrigida com mobiliário e atenuada recorrendo a uma escuta de proximidade (nearfield).
Além disso, se utilizarmos colunas (bem concebidas) com um padrão de dispersão controlado, apontadas para o ponto de escuta e afastadas das paredes laterais, as gamas média e alta (responsáveis pela informação espacial) não serão muito afectadas.

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P.S.: gostava de deixar claro que estou plenamente ciente que esta aproximação "purista" à reprodução tem a desvantagem de não embelezar as más gravações (ou as artisticamente falando más músicas), que soam de uma forma crua e nua em toda sua esplendorosa miséria...
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MicroGruas
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 10:24

rcarreira escreveu:

Caro Ricardo,
Gosto muito de Pink Floyd, já ouvi o The Wall umas centenas de vezes desde que me gravaram uma cassete em 1987 e depois comprei o LP que ainda tenho. O The Wall foi pensado, tocado e gravado para ser ouvido numa aparelhagem stereo, portanto a aparelhagem e as suas limitações, fizeram parte do processo criativo e pode ser considerada como um instrumento. No ano passado fui ver o The Wall ao vivo no pavilhão atlântico. Acustica horrivel, som mauzito, mas estavam ali os artistas à minha frente, valeu (e muito!!) pela parte visual, mas a musica mesmo, essa foi feita para ser ouvida em casa Smile



Pavilhão Atlantico tem das piores acusticas que alguma vez ouvi!!!!!!!!!!

impressionante como conseguiram fazer algo tão MAU!!!!!

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Pierre
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 10:44

microseiki escreveu:


Pavilhão Atlantico tem das piores acusticas que alguma vez ouvi!!!!!!!!!!

impressionante como conseguiram fazer algo tão MAU!!!!!



Foi feito à pressa e sem qualquer intenção em sala de concertos.
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TD124
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MensagemAssunto: A ciência o empirismo e a Arte esquecida...   Sex Mar 15 2013, 11:36


Por detràs deste titulo nostalgico e algo hermético, esconde-se um dos (reais) problemas do audio moderno, e talvez de sempre. Numa época, e sobretudo num dominio, aonde as ideias se multiplicam, as teorias se acumulam e aonde é ainda uma certa forma de crença que predomina, como tentar, ou pensar de outra maneira ?...

Antes de tudo, parece-me importante fazer uma observação a proposito do acto creativo. Até que ponto um aparelho que é uma replica de um aparelho antigo é uma criação ?..., até que ponto a modificação de um aparelho existente é uma criação ?..., aonde começa a criação e acaba o pelagiato e vice versa ???... A França deu uma semi-resposta em considerando que “toda ideia, reproductivel ou não, de origem pessoal e inovadora, conduzindo a resultados concretos e universais » é protegida ao titulo de « propriedade intelectual », o que é o caso de alguns dos meus esquemas, que mesmo quando são vendidos, me pertençem sempre até, 25 anos apòs a minha morte… Mas, o que fazer com a modificação de um dos meus esquemas por um outro ? A legislação deu uma resposta à metade, ou seja, que « toda pessoa pode se inspirar de um trabalho à condição de não copiar a integralidade, mas que essa produção não pode ser protegida pela noção de propriedade intelectual ». Ficàmos na mesma, mudando criação por produção…, então vamos là ver com paciência e atenção os problemas em jogo no acto de criação ou mesmo, de produção !...

A ciência é fundamental no Audio, pois este dominio é uma subdisciplina da eléctronica e da fisica, que engloba o « tratamento de sinal », a « electro-mecânica » e a « electro-acustica ». No que diz respeito ao « tratamento do sinal », ou seja a amplificação e a electronica em geral, o problema é relativamente simples. Quase todos os parâmetros estão modelisados, e a partir dai qualquer pessoa que tenha os conhecimentos necessarios, pode criar ou construir um aparelho. A matemàtica e o contrôle desta ultima, asseguram que no fim o aparelho vai funcionar, com uma margem de erro muito fraca. Atenção !, eu disse funcionar, não soar divinamente, pois isso é outra coisa…

Visto assim é muito tentador, de ver a ciência como a principal aliada da criação no audio. Na realidade é uma grande ferramenta, imensa mesmo, mas que tém limites infelismente. Quando conheci o Jean Hiraga no fim dos anos 90 e que comecàmos a simpatisar, a primeira pergunta que lhe fiz foi, qual é o segredo da musicalidade se ela existe ???... até hoje não obtive resposta, e as que tive não me alimentaram, pois foram filosoficas, dogmaticas ou estereotipadas… Compreendi então, que a ciência tinha limites, e que de todas as maneiras a ferramenta universal não existe. Então começei a me interessar a outras coisas, como à maneira de pensar dos electroacusticos.

A electroacustica é um dominio estranho, e para mim eléctronico, é mesmo com os cabos o dominio mais empirico do audio. As modelisações em electroacustica são relativamente recentes, e até hà pouco tempo, as principais formulas para o càlculo eram complétamente empiricas, mas funcionavam mais ou menos. Mas se quizermos fazer umas colunas com carga TQWT (quarto de onda) ou com labirinto dobrado atràs ou do tipo DA-Line etc…, as formulas são escassas e empiricas. Certos electroacusticos, são então obrigados a trabalhar com a convição, crença e conhecimento que o tempo e a experiência vão lhes fornecer. Um trabalho de alquimista então !!!...

Mas esses alquimistas ou màgicos existém ? Podem eles verdadeiramente fazer avançar o problema ? Deixem-me vos contar uma historia então. Hà três anos atràs, um homém da minha idade vém me ver ao trabalho e diz-me. Desculpe-me, sou fabricante de cabos e admiro muito o seu trabalho, seria muito interessante para mim que voçê me dissesse o que pensa do meu trabalho !. A minha primeira reação foi de me dizer, mais um que faz cabos ! ainda por cima dà-me graxa para me convençer, que as sardinhas dele são melhores que as do vizinho !!!...

Ele dis-me que fabrica cabos a partir do condutor « nu », o que quer dizer que é ele que monta o isolante, determina a geometria e o espaço de blindagem. Isto pôs-me curioso e açeitei de fazer uma escuta. Fui formado pelo Hiraga à escuta, o que quer dizer que em meio « professional », não tenho estados de alma, é objectividade e basta !!! Desde as primeiras notas foi um choque, e a expressão é fraca, tanto estava perturbado pelas diferenças que ouvia. Uma ou duas vezes levantei-me para ir ver atràs dos aparelhos o que ele fazia, afim de verificar que não havia manipulação. No fim disse-lhe altivamente e secamente (também sou estupido às vezes…), que o ideal é que me deixasse os cabos uns dias e que logo falàva-mos mais tarde…

Vim para casa com os cabos e meti-os no meu sistema, depois levei-os à casa de todos os amigos com um sistema, e sempre o mesmo resultado…, mais tudo e sobretudo, mais MUSICA !!! Acabei por telefonar-lhe a dizer o resultado, que era : Eu quero comprar os seus cabos !!!. Tornàmo-nos amigos, aprendi e aprendo, imenso com ele e com a maneira de pensar, e de trabalhar dele. Breve, o empirismo apareçeu-me, como sendo uma ferramenta também muito potente. Mas, ter numa mão a ciência e na outra o empirismo não chega. Hà muitas pessoas que se gabam disso, como os criadores franceses das colunas que o Ricardo postou como exemplo. Falar e às vezes muito bem é possivel, e lê-se muita coisa justa e de interesse. Mas que a obra esteja em correlação com o que é escrito é outra, e é aqui que a raridade é legião, então o discurso torna-se em arte de venda elegante…

Então a arte esquecida é o quê ?... é a Musica evidentemente !!! Quando leio o texto do Ricardo que diz que os construtores buscam o respeito do que està gravado, ném vou rir, pois a realidade é triste. Nos dias de hoje, e jà era verdade no passado saibam !, são dois os elementos que guiam a criação de um (novo) produto. A vontade que ele seja original (para se desmarcar da concorrência…) e que ele seja melhor à medida (para afirmar uma superioridade técnica…), estes dois elementos tendo como objectivo a valorisação da marca ou do designer ! E a Musica então ?..., quase ninguém se preocupa na realidade, pois a sua reprodução na realidade é muito complexa e vou-me explicar.

Quando o Ricardo compara a reprodução musical à fotografia, o exemplo é interessante, mas o ângulo abordado é no meu sentido mau, muito mau mesmo pois exclusivamente, e puramente técnico. Vamos abordà-lo de outra maneira. Imaginém uma mulher linda, mas com muita classe e com uma personalidade perturbante… ! Para traduzir a beleza dela basta ser fotografo, mas para traduzir a personalidade é necessario ser fotografo artista… Na reprodução musical é a mesma coisa, pois para reproduzir as notas basta que o aparelho seja bem feito. Mas para reproduzir as làgrimas em suspensão da Maria Callas cantando a Madame Butterfly ao teatro La Scala de Milão, a coisa é bem diferente, e vamos exigir do aparelho uma verdadeira capacidade de reprodução emotiva…

Quando um aparelho tém como objectivo a excelência técnica, eu chamo a isso um exercicio de estilo, e o acto é respeitàvel. Quando ao contràrio, um aparelho tém como objectivo de procurar uma emoção à escuta dele, chamo a isso uma obra pessoal, e também é respeitàvel. Mas ném num caso, ném no outro a noção real de Alta-Fidelidade é completa. O melhor aparelho nascerà de alguém, que desembaraçado da técnica e do empirismo, terà numa mão o realismo e na outra a sensibilidade… vamos então todos esperar por esse aparelho milagroso, que nos ferà falar de musica e não de audio. Mas até là vamos continuar a nos cultivar, e a ter prazer em discutir… de Audio !!!

Até+

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 11:53

Pierre escreveu:
microseiki escreveu:


Pavilhão Atlantico tem das piores acusticas que alguma vez ouvi!!!!!!!!!!

impressionante como conseguiram fazer algo tão MAU!!!!!



Foi feito à pressa e sem qualquer intenção em sala de concertos.

Esta é a questão fulcral...afinal trata-se de um pavilhão multi-usos.
E como qualquer "canivete suiço", desenrasca na maioria das situações mas não é especialmente eficaz em nenhuma delas.
Ao contrário da música erudita e do jazz, a música ligeira dificilmente soará bem ao vivo porque tanto quanto sei não existem projectos de auditórios para música amplificada.
Além disso o som da música amplificada sofre, tal como a reprodução doméstica, dos problemas de integração das colunas nas salas que nós tão bem conhecemos.
E para piorar as coisas temos esta tendência doentia da nossa sociedade em aumentar o volume em tudo quanto é sítio, desde o cinema aos espectáculos de dança passando também pelas festas da escola, bares e discotecas...

R
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 12:03

TD124 escreveu:
António José da Silva escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
Os amplificadores têm sonoridade própria?

Claro que têm, caso contrário de que modo se diferenciariam da manada numa loja aquando da escolha comparativa, pelo estética das caixas, as funções acessórias ou o preço?



Que existem muitos "sons" diferentes de amplificadores para amplificadores (e colunas, tuners, decks de cassete etc.) eu sei, mas a pergunta era se essas diferenças também existem com amplificadores com medições idênticas.

Sim, existem diferenças mesmo em aparelhos com medidas muito proximas. O Jean Hiraga trabalhou muito o assunto sem nunca encontrar resposta plausivel. No principio estava persuadido que a forma do espectro de distorsão, era o responsàvel disso, e finalmente hà exceções... E mais um dos mistérios do audio, e não é este topico. Aqui fala-se cultura !!! Toca a andar, vai trabalhar

Até+

Dai eu achar que as medições não serem o factor determinante de analise . Pode quando muito ser um ponto de partida e somente isso.

Depois como ja aqui foi dito e eu ja o disse noutro tópico (não sei qual), o equipamento trabalha num sistema - fonte, amplificação, colunas, sala - assim as relações comportamentais entre cada um dos equipamentos produzem um resultado final distinto.

Por se ter falado em vinhos, considero o Srº Hiraga, Srº Shindo e mais alguns, como enologos do audio.
Ou seja, são conhecedores das caracteristicas de componentes e das eventuais reações nas conjugações entre esses componentes.

Talvez eu seja mais influenciada por uma perspectiva subjectivista do que objectivista. Mas o que me preocupa é se o resultado final me agrada ou não.

Outra questão correlacionada, é eu saber aceitar as limitações de cada equipamento ou sistema e saber conviver com isso.
Perfeição nao existe, e na reprodução musical estamos a falar de "copias" de "cópias" e assim estamos a colocar variaveis no processo.

Apreendi a conviver com as situações de compromisso do meu sistema. Mas o que ele me tem transmitido tem sido prazer despreocupado.

Quando oiço o close mic do Keith Jarret - Knoll concert - nao estou minimamente interessado se o mic esta bem ou mal colocado. se eu me posso imaginar sentado na sala de espetaculos, mas sim na EMOÇÃO que o Keith Jarret quer transmitir.

Não é a espacialidade ou noção de palco que eu estou a ouvir, nem me apercebo disso! O que pretendo é mesmo abstrair-me dessas mesmas classificações tecnicistas ou objectivistas.
Não quero estar a pensar se o interprete esta mais á esquerda ou a direita, mais alto ou mais baixo. se o microfone esta bem ou mal colocado.
Essas preocupações objectivistas - extensão de frequencia, linearidades, distroções etc - afastam-me do prazer da musica.

Se evolui ou regredi, não sei, mas desde que me dê prazer ouvir as minhas musicas, So be it!!!!

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 12:06

TD124 escreveu:

Quando o Ricardo compara a reprodução musical à fotografia, o exemplo é interessante, mas o ângulo abordado é no meu sentido mau, muito mau mesmo pois exclusivamente, e puramente técnico. Vamos abordà-lo de outra maneira. Imaginém uma mulher linda, mas com muita classe e com uma personalidade perturbante… ! Para traduzir a beleza dela basta ser fotografo, mas para traduzir a personalidade é necessario ser fotografo artista… Na reprodução musical é a mesma coisa, pois para reproduzir as notas basta que o aparelho seja bem feito. Mas para reproduzir as làgrimas em suspensão da Maria Callas cantando a Madame Butterfly ao teatro La Scala de Milão, a coisa é bem diferente, e vamos exigir do aparelho uma verdadeira capacidade de reprodução emotiva…

Quando um aparelho tém como objectivo a excelência técnica, eu chamo a isso um exercicio de estilo, e o acto é respeitàvel. Quando ao contràrio, um aparelho tém como objectivo de procurar uma emoção à escuta dele, chamo a isso uma obra pessoal, e também é respeitàvel. Mas ném num caso, ném no outro a noção real de Alta-Fidelidade é completa. O melhor aparelho nascerà de alguém, que desembaraçado da técnica e do empirismo, terà numa mão o realismo e na outra a sensibilidade… vamos então todos esperar por esse aparelho milagroso, que nos ferà falar de musica e não de audio. Mas até là vamos continuar a nos cultivar, e a ter prazer em discutir… de Audio !!![/justify]

Até+



É essa emoção que procuro no meus momentos "Zen" em casa, quando estou distraidamente a fumar um Cohiba Robusto, ou um uma pitada de Sweet Kilarney da peterson com Mastro de Paja.
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 12:18

TD124 escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
...

... as minhas ss minhas colunas foram concebidas de modo a produzir essa "apresentação" mais "agradável" e natural, recorrendo a uma curva resposta de frequências não perfeitamente plana mas que se apresenta como uma linha ligeiramente descendente dos graves para os agudos, com a ligeira atenuação nos médios típica da BBC, o extremo agudo a perder intensidade antes de chegar aos 20kHz, e a distorção (de caixa) que produzem incide principalmente na 2ª harmónica.

Pronto, já me confessei... Embarassed

R

Se a tua confessão, é dizer que gostas da receita do som inglês clàssico..., não te sintas envergonhado pois é o caso de muita gente. Até hoje, ninguém tém a receita da musicalidade universal, mas hà vàrias receitas musicais, e estudei-as quase todas afim de percebê-las. A receita inglesa, continua a ser uma das mais agradàveis à escuta, e um modelo de elegância... "God save the Kingdom !!!"

Até+

Até o Ricardo é um Objectivista subjectivista
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 12:24

microseiki escreveu:
TD124 escreveu:

Quando o Ricardo compara a reprodução musical à fotografia, o exemplo é interessante...

Até+



É essa emoção que procuro no meus momentos "Zen" em casa, quando estou distraidamente a fumar um Cohiba Robusto, ou um uma pitada de Sweet Kilarney da peterson com Mastro de Paja.

Um cohiba "robusto", pode-se fumar "distraidamente"? se ainda fosse um Hoyo de monterrey !!!...

Até+

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 12:26

microseiki escreveu:
TD124 escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
...
...
Pronto, já me confessei... Embarassed

R
Se a tua confessão, é dizer que gostas da receita do som inglês clàssico...,

Até+

Até o Ricardo é um Objectivista subjectivista

E verdade!, jà não se pode fazer confiança em ninguém ... tudo muda, mesmo as pessoas

Até+

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 12:36










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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 12:45

microseiki escreveu:


...

Jà não fumo cachimbo hà muitos anos..., mas os da direita ainda pratico !!!, mas estamos

A menos que a pratica se faça durante a escuta, nesse caso estamos

Até+

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 12:54

para uma refeição leve

o Davidoff robusto - realmente distraido





Para algo mais substacial e para quem gosta de um picante
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O Cohiba Robusto porque gosto e porque gosto e porque gosto....................
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 13:03

TD124 escreveu:
Quando o Ricardo compara a reprodução musical à fotografia, o exemplo é interessante, mas o ângulo abordado é no meu sentido mau, muito mau mesmo pois exclusivamente, e puramente técnico. Vamos abordà-lo de outra maneira. Imaginém uma mulher linda, mas com muita classe e com uma personalidade perturbante… ! Para traduzir a beleza dela basta ser fotografo, mas para traduzir a personalidade é necessario ser fotografo artista… Na reprodução musical é a mesma coisa, pois para reproduzir as notas basta que o aparelho seja bem feito. Mas para reproduzir as làgrimas em suspensão da Maria Callas cantando a Madame Butterfly ao teatro La Scala de Milão, a coisa é bem diferente, e vamos exigir do aparelho uma verdadeira capacidade de reprodução emotiva…


Reprodução acto de realizar um objecto igual a outro "a reprodução de um quadro"

(fonte: http://www.lexico.pt)



Caro Paulo,

No meu exemplo a fotografia, tal como a gravação, é apenas um instrumento de registo de uma obra de Arte para posterior reprodução e não um meio de expressão artística.
Os artistas plásticos/instrumentistas produzem a Pintura/Música, a que chamamos Arte e ambos os sistemas registam a Arte para posterior reprodução.

Se eu te enviar uma fotografia, a imagem de uma escultura, para tu reproduzires na tua impressora e entregares a meia dúzia de críticos da tua cidade, fará sentido que impressora a altere, mesmo que essa alteração te pareça benéfica ou é melhor que impressão seja igual à imagem contida no ficheiro? (se a alterar, deixa de ser uma reprodução e passa a ser uma outra coisa qualquer sobre a qual eu, o artista, já não tenho controlo)

Vou usar o teu exemplo da mulher linda (como vês também sei ser subjectivo)...
Vais a uma exposição retrospectiva do trabalho do Yousuf Karsh e apaixonas-te por uma imagem da Audrey Hepburn, uma obra Arte saída das mãos deste grande mestre da fotografia de retrato.


Queres levá-la para casa (à fotografia), mostrá-la aos teus amigos.
Qual será a forma de reprodução mais eficaz para captar a emotividade da obra: puxas do teu Moleskin e pintas uma aguarela que depois digitalizas e envias por email ou optas por enviar um ficheiro captado pela tua reflex digital?

A Arte está na Música, no evento musical quando este existe ou na compilação de retalhos que dá forma às músicas ligeiras dos nossos dias, na inspiração do artista, na sua técnica e expressividade.
Não vejo arte no modo como a Arte é reproduzida, quanto muito posso "vê-la" na estética, manufactura ou concepção dos equipamentos de reprodução.

E não consigo perceber como um sistema ou equipamento será capaz de alterar a qualidade da interpretação artística, como poderá melhorar a obra de Arte...

Talvez possa "alterar" (prefiro não escrever melhorar) a reprodução do Som da gravação (registo) para que este emocione mais quem o escuta, mas aí entramos no reino da subjectividade porque aquilo que me comove pode não ser o mesmo que comove os outros (aliás, não é certamente a julgar pelas conversas internéticas sobre este tema em que tenho participado e pelas visitas a diversos xôs cá do burgo).
E será que essas "alterações" não trazem efeitos secundários indesejáveis, será que não afectam negativamente algumas características do som reproduzido, acentuado certos aspectos da obra de Arte em detrimento de outros?
Além disso, a razão porque se chama coloração a uma distorção é porque esta tinge de forma indiscriminada as gravações que dela beneficiam e as que sofrem com o seu uso...é como usar orégãos para todos os pratos que confecionamos; pode resultar numa salada mas provavelmente será um desastre no sushi e até corremos o risco de ficar cansados do seu sabor.

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Última edição por ricardo onga-ku em Sex Mar 15 2013, 13:28, editado 3 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 13:08

TD124 escreveu:
microseiki escreveu:


...

Jà não fumo cachimbo hà muitos anos..., mas os da direita ainda pratico !!!, mas estamos

A menos que a pratica se faça durante a escuta, nesse caso estamos

Até+


Tenho o habito nos meus momentos de ouvir a minha musica ou a fumar uma cachimbada ou um charuto e os paladares identifico-os tambem com os tipos de musica bem como com a forma de ouvir musica ou como gosto da apresentação sonora dos aparelhos.
è como a gastronomia!!

Ter a possiblidade de poder juntar estes pequenos prazeres é um privilégio!!! São os meus momentos!! fora das reuniões, do trabalho, do reboliço diário!
Poder abstrair-me destas realidades, e poder ter estes momentos SÓ MEUS, é mesmo um privilégio! se calhar por isso separei-me da mulher


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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 13:09

microseiki escreveu:
para uma refeição leve o Davidoff robusto - realmente distraido
...
Para algo mais substacial e para quem gosta de um picante Monte Cristo N2 Torpedo
...


O Cohiba Robusto porque gosto e porque gosto e porque gosto....................

Muito bom gosto sim senhor. Eu é mais Partagàs, do tipo série D N°4 ou lusitanias... e os torpedos da Vegas Robaina "Unicos", mas gostos são gostos !!! Como no audio

Até+

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 13:16

microseiki escreveu:
TD124 escreveu:
microseiki escreveu:

...
Jà não fumo cachimbo hà muitos anos...
Até+
...
Poder abstrair-me destas realidades, e poder ter estes momentos SÓ MEUS, é mesmo um privilégio! se calhar por isso separei-me da mulher
...

Eu jà me separei de três, e portanto eram audiofilas e melomanas... porque terà sido então

Talvez como no audio, para mudar pelo prazer de mudar ...

Até+

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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 13:31

ricardo onga-ku escreveu:
TD124 escreveu:
Quando o Ricardo compara a reprodução musical à fotografia, o exemplo é interessante, mas o ângulo abordado é no meu sentido mau, muito mau mesmo pois exclusivamente, e puramente técnico. Vamos abordà-lo de outra maneira. Imaginém uma mulher linda, mas com muita classe e com uma personalidade perturbante… ! Para traduzir a beleza dela basta ser fotografo, mas para traduzir a personalidade é necessario ser fotografo artista… Na reprodução musical é a mesma coisa, pois para reproduzir as notas basta que o aparelho seja bem feito. Mas para reproduzir as làgrimas em suspensão da Maria Callas cantando a Madame Butterfly ao teatro La Scala de Milão, a coisa é bem diferente, e vamos exigir do aparelho uma verdadeira capacidade de reprodução emotiva…


Reprodução acto de realizar um objecto igual a outro "a reprodução de um quadro"

(fonte: http://www.lexico.pt)



Caro Paulo,

No meu exemplo a fotografia, tal como a gravação, é apenas um instrumento de registo de uma obra de Arte para posterior reprodução e não um meio de expressão artística.
Os artistas plásticos/instrumentistas produzem a Pintura/Música, a que chamamos Arte e ambos os sistemas registam a Arte para posterior reprodução.

Se eu te enviar uma fotografia, a imagem de uma escultura, para tu reproduzires na tua impressora e entregares a meia dúzia de críticos da tua cidade, fará sentido que impressora a altere, mesmo que essa alteração te pareça benéfica ou é melhor que impressão seja igual à imagem contida no ficheiro? (se a alterar, deixa de ser uma reprodução e passa a ser uma outra coisa qualquer sobre a qual eu, o artista, já não tenho controlo)

Vou usar o teu exemplo da mulher linda (como vês também sei ser subjectivo)...
Vais a uma exposição retrospectiva do trabalho do Yousuf Karsh e apaixonas-te por uma imagem da Audrey Hepburn, uma obra Arte saída das mãos deste grande mestre da fotografia de retrato.


Queres levá-la para casa (à fotografia), mostrá-la aos teus amigos.
Qual será a forma de reprodução mais eficaz para captar a emotividade da obra: puxas do teu Moleskin e pintas uma aguarela que depois digitalizas e envias por email ou optas por enviar um ficheiro captado pela tua reflex digital?

A Arte está na Música, no evento musical quando este existe ou na compilação de retalhos que dá forma às músicas ligeiras dos nossos dias, na inspiração do artista, na sua técnica e expressividade.
Não vejo arte no modo como a Arte esta é reproduzida, quando posso vê-la nos equipamentos de reprodução.

E não consigo perceber como um sistema ou equipamento será capaz de alterar a qualidade da interpretação artística, como poderá melhorar a obra de Arte...

Quando muito poderá "alterar" (prefiro não escrever melhorar) a reprodução do Som da gravação (registo) para que este emocione mais quem o escuta, mas aí entramos no reino da subjectividade porque aquilo que me comove pode não ser o mesmo que comove os outros (aliás, não é certamente a julgar pelas conversas internéticas sobre este tema em que tenho participado e pelas visitas a diversos xôs cá do burgo).
Será que essas "alterações" não trazem efeitos secundários indesejáveis, será que não afectam negativamente algumas características do som reproduzido, acentuado certos aspectos da obra de Arte em detrimento de outros?
Além disso, a razão porque se chama coloração a uma distorção é porque esta tinge de forma indiscriminada as gravações que dela beneficiam e as que sofrem com o seu uso...é como usar orégãos para todos os pratos que confecionamos; pode resultar numa salada mas provavelmente será um desastre no sushi e até corremos o risco de ficar cansados do seu sabor.

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Penso que já se chegou a uma conclusão! é que equipamentos com valores de medição semelhantes e ate iguais podem e tem sonoridades diferentes!

agora temos de chegar a conclusão ou nao se estamos a falar de definição de som, ou de outra coisa e o que isto quer dizer.

temos que aceitar que existe um "som Britanico" um "som Alemao" um "som japonês" etc. e penso que isto é um dado adquirido, seja uma forma correcta ou nao.
depois temos de aceitar que um sistema que pode medir na perfeição - e estamos a falar de um sistema - vai concerteza medir diferentemente numa outra sala.

certo ou errado?

Ricardo, ao que te referes quando falas d pixelização de uma foto? de definição? reprodução exacta? é que duas maquinas fotograficas com o mesmo numero de pixeis e essas variaveis semelhante, tambem tem imagens finais diferentes? não?

é que me parece estarmos aqui a falar de coisas distintas!
scratch



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MensagemAssunto: Re: "Cultura Audio..."   Sex Mar 15 2013, 14:29

Chegaste a ler o artigo sobre o Desafio de Carver?

Is it possible to make a $700 "mainstream-audio" power amplifier sound exactly like a high-priced perfectionist amplifier?
Bob Carver, of Carver Corporation, seemed to think he could, so we challenged him to prove it.


http://www.stereophile.com/content/carver-challenge


microseiki escreveu:
Penso que já se chegou a uma conclusão! é que equipamentos com valores de medição semelhantes e ate iguais podem e tem sonoridades diferentes!

Eu não concordo com essa conclusão, só falta dizer que os equipamentos têm alma e que certos designers têm o toque de Midas...afinal estamos no século XXI e Audio é ciência, não bruxaria.

Existem medições para diversos parâmetros que caracterizam a sonoridade de um equipamento.
Do meu ponto de vista, se dois equipamentos electrónicos (as colunas são um caso à parte devido às suas características "mecânicas") têm valores de medição semelhante e sonoridade diferente pode dar-se uma de duas hipóteses:

- a metodologia utilizada na escuta ou avaliação subjectiva não era adequada o que invalida os resultados
- a característica que os distingue (ainda) não é mensurável, ou não foi medida

Já nos anos 50 (Shorter/BBC) se efectuavam estudos no sentido de demonstrar que a medição de distorção harmónica total (THD) é falaciosa e incapaz de caracterizar de forma representativa a sonoridade de um equipamento.

microseiki escreveu:
agora temos de chegar a conclusão ou nao se estamos a falar de definição de som, ou de outra coisa e o que isto quer dizer.

Primeiro é preciso definir "Definição", já que se trata de um adjectivo usado em avaliação Subjectiva...

Segundo o mestre Paulo td124, "Definição" / "Transparência" - a "Definição" é a quantidade de microinformaçoes (detalhes) extraidas pelo aparelho e perfeitamente diferenciadas e audiveis. A "Transparência" é mais complexo pois, é a capacidade de um aparelho a diferenciar notas, timbres, vozes etc proximas sém alguma ambiguidade nem confusao.

Para mim, só existe "Transparência" (a que os ingleses afectuosamente apelidam de "garbadge in, grabadge out"), a "Definição" é uma impressão subjectiva que pode estar relacionada com alguma aberração na resposta de frequências ou num posicionamento incivilizado do microfone...
P.ex., a ressonância do cone em alumínio de certas unidades de médios ou médio-grave pode dar uma impressão de maior "Definição".

microseiki escreveu:
temos que aceitar que existe um "som Britanico" um "som Alemao" um "som japonês" etc. e penso que isto é um dado adquirido, seja uma forma correcta ou nao.

Existe de facto um "som Britânico", que resultou em grande parte do trabalho do Departamento de Pesquisa da BBC.
Nos outros países não encontro um único "som" característico mas vários.

microseiki escreveu:
depois temos de aceitar que um sistema que pode medir na perfeição - e estamos a falar de um sistema - vai concerteza medir diferentemente numa outra sala.

certo ou errado?

Um sistema mede sempre da mesma forma, o que varia é a sonoridade resultante da relação entre o som transduzido pelas colunas e a sala onde estas estão colocadas.
Até poderia arriscar que se um sistema mede bem, terá sempre melhor desempenho na sala do que outro que mede mal...
É possível, através do padrão de dispersão de umas colunas, determinar se o seu desempenho é mais ou menos afectado pela sala.
O problema é que a maioria dos audiófilos gosta de uma distorção produzida pela sala que é conhecida como "palco audiófilo".

microseiki escreveu:
Ricardo, ao que te referes quando falas d pixelização de uma foto? de definição? reprodução exacta? é que duas maquinas fotograficas com o mesmo numero de pixeis e essas variaveis semelhante, tambem tem imagens finais diferentes? não?

é que me parece estarmos aqui a falar de coisas distintas!

Em fotografia digital existem 3 variáveis que devemos ter em conta:

O número de pixels define a resolução e as dimensões da imagem capturada mas existe uma relação entre ambas, ou seja, se apenas queres uma imagem para imprimir no formato 10x15cm a maior resolução não te vai dar mais detalhe, tal como um ficheiro de 24bits não contém mais detalhe do que um de 16bits se a gama dinâmica do sinal for inferior a 90dB.

Depois temos a resolução cromática que é definida pelo número de bits para cada uma das cores (RGB); quanto maior for este número, mais precisa será a representação da cor:


8bit=256 tonalidades de Red+Green+Blue
16bit=65.536 tonalidades de Red+Green+Blue


A terceira variável tem a ver com a precisão cromática, ou seja, a fidelidade com que cada cor é convertida para digital (e que pode ser optimizada recorrendo a um método de calibração):


Neste gráfico, onde os quadrados representam a cor original
e os círculos representam a cor convertida pela câmara
podemos visualizar o "desvio" produzido pela máquina

A máquina que medir melhor terá o melhor desempenho (de um ponto de vista técnico) mas isso não significa que irás gostar mais do resultado pois podes não gostar de imagens muito detalhadas ou preferir uma tonalidade mais quente do que a realidade.

R


Última edição por ricardo onga-ku em Sex Mar 15 2013, 14:42, editado 3 vez(es)
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