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 *Os imortais do JAZZ*

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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Set 09 2014, 01:11

zaratustra escreveu:
Parabéns, Mister W.

As crónicas com W já se tornaram um clássico e, certamente, passarão à categoria das incontornáveis aqui no AAP.

A propósito das crónicas com W e uma vez que já vamos em sete páginas de tópico e cerca de setenta álbuns diagnosticados... apetece-me lançar uma proposta ao AAP...

Seria entendido como interessante colocar uma listagem dos ditos cujos logo na primeira página do tópico e imediatamente a seguir à apresentação do mesmo pelo Mister W???
Obviamente com a possibilidade de se ir acrescentando de acordo com novas entradas...

Setenta álbuns?! Shocked

Excelente ideia! Seria como um Index (de preferência por ordem alfabética) através do qual se poderia aceder directamente á crónica do álbum em questão(?). Essa possibilidade aparece em alguns sites/blogues e utiliza um link associado a cada item/álbum.
O problema é que já não consigo editar o primeiro post... Será que a Administração consegue dar-me essa possibilidade?

Obrigado zaratustra!
cheers
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Set 09 2014, 01:22

Mister W, falastes num álbum dele que adoro, “Criss Cross”.

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Set 09 2014, 01:29

Mister W escreveu:
zaratustra escreveu:
Parabéns, Mister W.

As crónicas com W já se tornaram um clássico e, certamente, passarão à categoria das incontornáveis aqui no AAP.

A propósito das crónicas com W e uma vez que já vamos em sete páginas de tópico e cerca de setenta álbuns diagnosticados... apetece-me lançar uma proposta ao AAP...

Seria entendido como interessante colocar uma listagem dos ditos cujos logo na primeira página do tópico e imediatamente a seguir à apresentação do mesmo pelo Mister W???
Obviamente com a possibilidade de se ir acrescentando de acordo com novas entradas...

Setenta álbuns?! Shocked

Excelente ideia! Seria como um Index (de preferência por ordem alfabética) através do qual se poderia aceder directamente á crónica do álbum em questão(?). Essa possibilidade aparece em alguns sites/blogues e utiliza um link associado a cada item/álbum.  
O problema é que já não consigo editar o primeiro post... Será que a Administração consegue dar-me essa possibilidade?

Obrigado zaratustra!
cheers


Podemos sim senhora. O problema é que não cabe tudo num só post, eu já o tentei com as tuas crónicas dos menos badalados.

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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Set 09 2014, 01:43

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:
zaratustra escreveu:
Parabéns, Mister W.

As crónicas com W já se tornaram um clássico e, certamente, passarão à categoria das incontornáveis aqui no AAP.

A propósito das crónicas com W e uma vez que já vamos em sete páginas de tópico e cerca de setenta álbuns diagnosticados... apetece-me lançar uma proposta ao AAP...

Seria entendido como interessante colocar uma listagem dos ditos cujos logo na primeira página do tópico e imediatamente a seguir à apresentação do mesmo pelo Mister W???
Obviamente com a possibilidade de se ir acrescentando de acordo com novas entradas...

Setenta álbuns?! Shocked

Excelente ideia! Seria como um Index (de preferência por ordem alfabética) através do qual se poderia aceder directamente á crónica do álbum em questão(?). Essa possibilidade aparece em alguns sites/blogues e utiliza um link associado a cada item/álbum.  
O problema é que já não consigo editar o primeiro post... Será que a Administração consegue dar-me essa possibilidade?

Obrigado zaratustra!
cheers

Podemos sim senhora. O problema é que não cabe tudo num só post, eu já o tentei com as tuas crónicas dos menos badalados.

Obrigado António

A lista já lá mora (no 1º post). Agora só falta criar os links respectivos. Amanhã tento ver isso...



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TD124
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Set 09 2014, 09:42

Afim de "decorar" o excelente trabalho do Mister W, traduzi um texto (cronica) do critico Michel Contat, que expôe à volta de um disco, a complicada relação que possuiram o Miles Davis e o Monk!...

Miles Davis and Thelonious Monk: Desacordos perfeitos

Eles sò gravaram uma vez juntos. Na véspera do Natal de 1954, e sò precisaram de algumas horas para revolucionar o jazz e marcar o territorio deles. O disco sera publicado com o titulo “Miles Davis and the modern Jazz giants”, a ambiência no estudio, eléctrica, serà citada em todas os livros sobre o jazz.

No dia 24 de dezembro de 1954, Miles Davis (1926-1991) e o Thelonious Sphere Monk (1917-1982) gravam pela primeira vez juntos. Não hà um unico livro sobre eles, ném uma historia do jazz que não comente a controvérsia que existiu nessa noite. A unica certeza que temos : é que houve trovoada no ar e que o resultado é uma obra prima. O « leader » é o Miles, pois é o disco dele, e assim serà editado. A iniciativa deste disco é do productor Bob Weinstock, que criou em 1949 a Prestige records. Elle contratou o Modern jazz quartet, que vende pouco, e o Miles Davis que està a subir em prestigio. Reunir uns quantos do MJQ com o Miles e Monk, é um grande golpe da parte deste pequeno editor.

Se é verdade que o Weinstock, tém o instinto para descobrir grandes musicos, também é verdade que è « pão-duro » para pagar as gravações : não hà repetições, nunca hà segunda tentativa. Ele escolhe o estudio de um amador de jazz que se tornou engenheiro de son, Rudy Van Gelder, em Hackensack na Nova Jersey. As sessões começam tarde e os musicos chegam de Nova Iorque jà cansados. E nesta véspera de Natal, faz um frio capaz de gelar um peru.

Nessa noite no estudio :Percy Heath, o contrabaixista, um homém calmo com uma maneira de tocar precisa, justa; Milt Jackson que é a nova estrela do vibraphone, e o Kenny Clarke, o ancião, que inventou o estilo bop com a bateria como o Charlie Parker no saxophone alto, o Dizzy Gilespie està na trompete e o Monk no piano. O Monk é o mestre. Foi ele que criou a transição entre o gospel, a maneira de tocar piano dita « stride » (herdeira do ragtime) e a vanguarda com os seus acordos dissonantes e a maneira estranha de os colocar no tempo. O delicado Miles estudou com ele. Ele admira-o apesar de regularmente gozar sobre a sua personalidade. A ideia de gravar com este gigante inquieta-o, pois o Monk é 1,85m de carne e osso. Do seu lado, o « sphere » talvez queira dar uma aula a este jovem trompetista do quinteto do Charlie Parker, aonde aprendeu a tocar submergido pelo som e pela pirotecnia tecnica do Bird. Como o Monk ele construiu um estilo proprio, unico e inimitàvel.

A tensão é perceptivel… e o drama explode

O Miles e o Monk são dois sobreviventes. O primeiro, influenciado pelo Parker, drogado célebre, tinha caido nessa armadilha, e sò saiu limpo apòs douze dias fechado na casa do seu pai, que era dentista no Illinois. Mas a carreira tinha sofrido disto e ele tentava recuperar o tempo perdido. O Monk que tinha sido preso à Rikers Island por pocessão de droga, saiu na véspera dos seus 31 anos, em outubro 1951, e tinha acabado de recuperar temporariamente a « cabaret card », sem a qual ele tinha sido interdito de tocar durante muitos anos nos clubes Nova Iorquinos.

A sessão começa mal. Sem explicação, o Miles pede ao Monk de não tocar ao mesmo tempo que ele faz um longo solo durante um blues do Milt Jackson (Bag’s Groove). Chateado, o Monk obedeçe mas mete-se a dansar como um urso à volta do Miles, e senta-se depois ao piano para acompanhar o vibrafonista, apòs ter feito um solo que subverte inteligentemente a pauta do blues. Impecàvel. Vão seguir uma composição do Monk (Bemsha Swing), e uma do Miles (Swing Spring) compostas nesse instante. Cada um se apaga durante a intervenção do outro.

Mas a tensão roda. E o drama arrebenta no tema (The man i love), uma balada muito célebre do Gershwin, que é uma composição classica com 32 medidas e uma ponte. A introdução faz-se com um tempo muito lento do vibraphone. Interrupção. O Monk pergunta: “E eu entro quando?” o Miles responde aborrecido « Quando for necessario », e dirigindo-se ao engenheiro de som diz-lhe, “guarda o que venho de dizer”, como para guardar a prova da mà vontade do pianista. A introdução recomeça e apòs esta, o Miles interpreta de maneira sugerida mas reconhecivel a melodia, com um som majestuoso, nuances novas, grandiosas, aonde os acordos do Monk e as frases do Milt Jackson açentuam a emoção. O tempo é depois desdobrado no vibraphone, a bateria e a contrabaixa tocam o ritmo unidos. A pauta na qual os solistas improvisam jà està em 64 medidas. A primeira intervenção do Jackson é  inspirada, pois està a se dar bem com o acompanhamento do Monk. Chega então o solo do « proféta » : enquanto a ritmica toca imperturbàvel, ele volta ao tema de base e retoca-o de maneira alusiva, rasgando-o com frases abruptas, discordantes, acordos minerais e silêncios perturbantes. O Miles, partilhado entre admiração e irritação, ouve o Monk conquistar o poder nesta faixa. Ele dà ordem imediatamente, para repetir a gravação que atinge dessa vez o sublime. Mas o Monk, durante o solo dele, persiste ainda mais nas alusões melodicas e de repente, pàra de tocar durante 8 longas medidas. O Miles, furioso, lembra-lhe a medida com uma frase de trompete quase militar. O Monk fecha então o seu acompanhamento em tricotando na melodia acordos, aonde se sente uma mistura de tristeza e còlera. O Miles, imperial, ataca então um solo sublimo, no principio com a trompete nua, e depois com a sua famosa surdina, voltando de novo ao tempo do inicio sem surdina, acompanhado pelos quatro que pareçem siderados pelo nascimento de tanta beleza musical.

Imediatamente o boato apareçe em Nova Iorque  que houve porrada entre o Miles e o Monk. Esta lenda foi repetida na prensa, sobretudo à medida que se tornavam célebres. Uns anos mais tarde, na sua autobiografia*, o Miles declarou o amor que tinha pelo « sphere » e restabeleçe a verdade. « Nessa noite, nòs fizémos todos uma grande musica.[…] Eu tinha-lhe pedido simplesmente de não tocar ao mesmo tempo que eu, porque o Monk nunca soube acompanhar um « soprador ». Os unicos que conseguiram isso foram o Coltrane, o Rollins e o Charlie Rouse ». As reversões dos acordos do Monk, desconcentravam o Miles que buscava espaço na musica de acordo com o conçeito de “respiração espacial”, uma técnica do pianista Ahmad Jamal. O Miles vai concluir em dizendo que “neste disco, o som do Monk é bom e natural, como eu queria…”. Do outro lado, o Monk gozador vai declarar sorridente a um jornalista: ”mas o Miles estaria morto se tivesse tentado me bater!, a verdade é que ele aprendeu comigo a maneira de “não tocar” dele”. O que ele resume numa frase implacàvel: “O barulho mais potente do mundo é o silêncio.” A sessão do 24 dezembro 1954, foi o unico encontro deles num estudio...
Até+

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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Set 09 2014, 10:41



Obrigado Paulo pela partilha. Essa época foi sublime e felizmente temos tantos testemunhos bem gravados dessa altura.
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Set 09 2014, 12:26

TD124 escreveu:

... a complicada relação que possuiram o Miles Davis e o Monk!...[/i]

Miles Davis and Thelonious Monk: Desacordos perfeitos

[justify]Eles sò gravaram uma vez juntos. Na véspera do Natal de 1954...

Belo texto sobre uma bela, mas pouco pacífica, sessão...

O tema "Bag's Groove" desta sessão pode ser encontrado no álbum com o mesmo nome, editado originalmente em 1957. Na verdade, este álbum tem os dois takes referidos no texto traduzido pelo Paulo.

Um bem-haja
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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Set 09 2014, 12:35

Na minha humilde opinião o Miles aprendeu a importância dos silêncios com o próprio Monk,
mas nessa sessão de gravação Miles não teve problemas nenhuns em repreender o Mestre...

Afinal de contas o disco era do Miles, convinha que Monk o deixasse tocar...
Como se fosse possível o Miles deixar passar uma coisa dessas sem dar a reprimenda...

De facto essa foi a única sessão de gravação do Miles com o Monk.

Apesar das pessoas serem fácilmente enganadas pelo disco da Columbia "Miles & Monk at Newport",
pois na verdade não tocam juntos nesse disco.

No lado A é uma actuação do Miles em 1958 e no lado B é uma actuação do Monk em 1963.
enfim...manobras de marketing manhosas...

Cumprimentos e Boas Audições,
Jorge Ferreira

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Set 09 2014, 13:12

Jorge Ferreira escreveu:
Na minha humilde opinião o Miles aprendeu a importância dos silêncios com o próprio Monk,
mas nessa sessão de gravação Miles não teve problemas nenhuns em repreender o Mestre...

Afinal de contas o disco era do Miles, convinha que Monk o deixasse tocar...
Como se fosse possível o Miles deixar passar uma coisa dessas sem dar a reprimenda...

De facto essa foi a única sessão de gravação do Miles com o Monk.

Apesar das pessoas serem fácilmente enganadas pelo disco da Columbia "Miles & Monk at Newport",
pois na verdade não tocam juntos nesse disco.

No lado A é uma actuação do Miles em 1958 e no lado B é uma actuação do Monk em 1963.
enfim...manobras de marketing manhosas...

Cumprimentos e Boas Audições,
Jorge Ferreira


Eu que o diga....
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