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 *Os imortais do JAZZ*

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Sab Maio 18 2013, 17:47

Rui Mendes escreveu:
Mister W escreveu:

Desta incursão pela Bossa-Nova não podia faltar o nome de um músico virtuoso e apaixonado, que se encontra entre os principais arquitectos deste estilo (e do Samba-Canção) e sem dúvida, um dos maiores contributos para a música popular brasileira do século XX. Trata-se do guitarrista e compositor Luiz Bonfá, cujo maior reconhecimento advém das suas composições para o filme "Black Orpheus", entras as quais sobressai "Manhã de Carnaval". Contudo, a sua carreira vai muito para além da banda sonora desse filme e o seu enorme legado discográfico é bem o exemplo disso.


E esta hém?!?!

http://www.sabado.pt/Multimedia/Videos/Artes/Fotogaleria-(18).aspx


Quando falta a inspiração.....
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Out 07 2013, 21:26



Art Farmer - Brass Shout (1959, United Artists) 1976, King Record GXC3130, Japan

Não é fácil abordar um músico como Art Farmer, tal é a dimensão de tão extraordinário artista, seja como leader ou sideman, como co-leader dos Jazztet, como músico convidado num número interminável de trabalhos ou até pelas suas participações ligadas ao cinema.  

Apesar de ter sido fortemente subestimado na fase inicial da sua carreira, Farmer atingiu porém um estádio de topo, só ao alcance das principais lendas do Jazz. Para além de um currículo absolutamente invejável, Farmer ficou igualmente conhecido por popularizar o fliscorne (flughelhorn) até então pouco utilizado no Jazz.

Um dos meus discos favoritos deste enorme músico, infelizmente não tem tido (nos tempos mais recentes) a divulgação merecida, já que as re-edições não abundam (na verdade, só conheço esta de 1976)

"Brass Shout" é um disco extraordinário, em que Farmer nos apresenta um formato pouco habitual - Tenteto - para além de contar com a colaboração nos arranjos de Benny Golson, com quem viria, alguns meses depois, a formar o mítico Jazztet (1959-1962).

Uma lista de vários ilustres, constituída por Art Farmer, Lee Morgan, Ernie Royal, Curtis Fuller, Jimmy Cleaveland, Don Butterfield, Percy Heath, Julius Watkins, Philly Joe Jones e Bobby Timmons, dá voz a este trabalho. Mas para além da formação principal, participam pontualmente outros convidados não menos ilustres, como Elvin Jones, Philly Joe Jones ou o trompetista Wayne Andre.

Para além da diversidade, da qualidade dos músicos e dos arranjos de Benny Golson, temas intemporais como "Autumn Leaves", "Moanin'", "Stella by Starlight" ou "Five Spot After Dark" fazem com que esta seja uma obra de referência do Jazz dos anos 50/60.

A participação de peso, de nomes como Curtis Fuller ou Lee Morgan é complementada de forma exemplar pelos solos de Art Farmer.
O facto de estarmos perante uma "Big-Band" pode levar-nos a pensar que se trata de um disco com uma sonoridade demasiado orquestrada; no entanto asseguro-vos que não é o caso. A participação dos vários intervenientes é coordenada de uma forma exemplar, evitando o "congestionamento" instrumental, muito comum nas formações de Jazz mais extensas. Essa intervenção moderada deste extenso colectivo (que por vezes parece reduzido), deixa o espaço necessário para os solos absolutamente deliciosos de Art Farmer... mas não só.

O único senão deste trabalho é mesmo o seu som demasiado "preso", o que poderá justificar o facto de não existirem re-edições recentes. Mesmo tratando-se de uma edição Japonesa, o som abafado não iria certamente encontrar muitos adeptos na facção mais "audiófila" dos amantes de Música (não digo de Jazz de propósito, pois estes normalmente remetem as qualidades "audiófilas" para segundo plano).

Até mais ver... ou ouvir.

Mister W


Última edição por Mister W em Seg Out 07 2013, 22:43, editado 1 vez(es)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Out 07 2013, 21:42

Esse não tenho, mas entre os poucos que possuo, existem boas pérolas do Jazz tais como o Art Farmer/Benny Golson - Meet The Jazztet com o Curtis Fuller, McCoy Tyner, entre outros.

O nosso mister W não descora nenhuma das lendas.  

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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Out 08 2013, 08:04

Mais uma excelente crónica Mister  

Este tópico é fenomenal  
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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Out 08 2013, 09:00

Eu gosto mais da crónica do que do Jazz!

Parabéns! Muito bom!

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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Out 13 2013, 09:52


Stan Getz & Chet Baker - Stan Meets Chet (1958, Verve 837436)


Stan Getz & Chet Baker - Line for Lyons (1983, Sonet SNTF899)

O seu vasto legado e a forma como se entregaram à música, valeram a estes dois interpretes algumas das mais honrosas distinções e prémios que um músico pode almejar. Sobre o seu valor artístico, poucas dúvidas restarão (para mim nenhumas) e já muito foi dito e escrito acerca da sua importância para a história do Jazz.

Mas se artisticamente não havia nada a apontar, já no que toca às personalidades a coisa mudava consideravelmente de figura e a incompatibilidade entre os dois justificou as raras vezes que tocaram juntos. Ao que sei, o estilo mais "mandão" de Stan Getz (sempre habituado a liderar grupos de pessoas) não encaixava lá muito bem na personalidade mais pacata de Chet Baker.    

Mas apesar dos dois não se gramarem, existia uma evidente compatibilidade nos seus estilos (West Cost) que embora diferentes, resultavam em pleno, como se pode comprovar por estes dois fantásticos álbuns ao vivo, (infelizmente) separados por 25 anos.

Quem não conheça de antemão as divergências entre os dois, dificilmente nota alguma coisa pela audição dos discos... e de facto, em termos musicais, tudo funciona bem (com excepção de um pequeno desentendimento no clássico "I'll Remember April").

No entanto, convido-vos a assistirem ao seguinte video, de um excerto do concerto de Estocolmo (que deu lugar ao "Line for Lyons"). Aqui torna-se evidente que algo não está bem. A frieza que parece reinar no palco, personificada sobretudo por Baker (que ignora o seu parceiro por completo) aliada ao cinismo de Getz, denota um evidente mal-estar, para não lhe chamar outra coisa. O minuto 5:20 mostra-nos que Chet Baker foi simplesmente deixado para trás, provando mais uma vez que não existia grande comunicação entre os dois... para além da música. Essa sim, é altamente recomendável e estes dois trabalhos são exemplos máximos do que o Jazz Clássico tem para oferecer.

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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Out 13 2013, 10:14

 

A ver se arranjo esses discos 
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Out 13 2013, 10:27

Rui Mendes escreveu:
 

A ver se arranjo esses discos 
Eu acho que tive mais dificuldade em arranjar o Line for Lyons, mas acredito que não seja dificil... no Discogs, ou outros...
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afonso
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Out 13 2013, 10:44



O Stan meets Chet em edição audiofila ORG 45 rpm...


http://www.discogs.com/Stan-Getz-Chet-Baker-Stan-Meets-Chet/release/2511453
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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Out 13 2013, 10:47

Obrigado aos dois pelos inputs 
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Out 13 2013, 11:09

Rui Mendes escreveu:
Obrigado aos dois pelos inputs 
Olha só este CD! Na perspectiva "o caro é melhor" deve ter um som do outro mundo... lol! 

http://www.discogs.com/buy/CD/Stan-Getz-Chet-Baker-Line-For-Lyons/122918320?ev=bp_titl


Última edição por Mister W em Dom Out 13 2013, 11:37, editado 1 vez(es)
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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Out 13 2013, 11:29

Deve ter tido certamente um triplo tratamento criogénico lol!
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Out 13 2013, 11:36

Rui Mendes escreveu:
Deve ter tido certamente um triplo tratamento criogénico lol!
Ele precisava era de um tratamento ao cortex central... Neutral Laughing 


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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Out 13 2013, 14:33

Mister W escreveu:
...Chet Baker foi simplesmente deixado para trás...


Ou então estava com a moca. lol! 


Mais uma excelente demonstração de bem escrever o Jazz. Obrigado W.  

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Out 13 2013, 16:42

Obrigado W, dois discos muito bons!!!!!!

 
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Mar 30 2014, 18:59


Em primeira mão.

Cecil Taylor – Unit Structures (1966, Blue Note ‎BST 84237, USA)

A música deste pianista está longe de ser compreendida e aceite de forma consensual. Mas uma coisa é certa: poucos ousaram inovar e levar o Jazz a limites tão extremos como Cecil Taylor.

Tendo por base uma técnica de improviso pouco ortodoxa, a sua abordagem à música é extremamente enérgica e física, resultando numa sonoridade complexa de polirritmias abstractas, onde não há lugar para as melodias e batidas mais regulares do Jazz. A sua forma de tocar piano é encarada como se de um instrumento de percussão se tratasse, como o próprio refere:
Na música dos brancos, o toque mais admirado entre os pianistas é a leveza. O mesmo se aplica aos percussionistas brancos. Nós na música negra, pensamos no piano como um instrumento de percussão. Batemos no teclado, entramos no instrumento”.

Cecil Percival Taylor nasceu em Long Island, Nova Iorque no ano de 1929 e na sua juventude estudou no College of Music de Nova Iorque e no New England Conservatory, o que atesta a sua forte formação clássica.

No inicio da sua carreira, Taylor esteve ligado ao R&B e às formas mais convencionais do Jazz, tendo tocado piano nas bandas de Johnny Hodges ou Lawrence Brown e formado uma banda com Steve Lacy. Contudo, no final dos anos 50, alavancado pela corrente experimentalista que se começava a fazer sentir, adoptou uma sonoridade mais abstracta, marcada pela improvisação e por estilos como o Free Jazz.

Na epóca, imperava aquele que foi considerado o maior inovador do Jazz, Ornette Coleman. O impacto da sua música e a atenção que absorvia eram de tal ordem, que outros como Cecil Taylor, passavam quase desapercebidos. Consta mesmo que as dificuldades por que passou durante vários anos, levaram-no a procurar trabalhos servis, para poder sobreviver.

A sua persistência e a convicção no caminho que escolhera, começarem por fim a trazer-lhe algum reconhecimento, quando em 1966 gravou para a Blue Note os àlbuns “Unit Structures” e “Conquistador!” que lhe abriram horizontes a um público mais alargado na Europa e o no Japão.

Sempre muito criterioso na escolha dos seus parceiros, neste trabalho Taylor faz-se acompanhar de músicos que souberam corresponder com a intensidade desejada de uma obra deste calibre e que decerto os influenciou nas suas carreiras futuras. Refiro-me a Eddie Gale (trompete), Jimmy Lyons (sax alto), Ken McIntyre (sax alto, oboé e clarinete baixo), Henry Grimes e Alan Silva (contra-baixos) e Andrew Cyrille (bateria).

“Unit Structures” vai de encontro aos movimentos experimentalistas da época, em que artistas de vários géneros e tendências procuravam novas formas de expressão. Cecil Taylor não é excepção e a sua veia de poeta sucumbe aos encantos de um universo imaginário e teatral, do qual nos dá conta nas notas do disco. Para além de músico, Taylor é igualmente um poeta irreverente. Aos 85 anos continua em plena actividade e para além da música, mantém uma carreira paralela como professor e orador convidado em várias faculdades.

Para os mais cépticos em relação à música de Cecil Taylor, mas que mesmo assim se sentem tentados em dar uma oportunidade à sua obra, fica uma sugestão:
Ignorem  o facto de se tratar de um disco de Jazz, fechem os olhos e deixem-se levar pela intensidade desta magnifica obra.

Até sempre.
Mister W
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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Mar 30 2014, 19:29

 

Obrigado pela partilha Mister W
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Mar 30 2014, 19:51

Rui Mendes escreveu:
 

Obrigado pela partilha Mister W

Obrigado pela leitura!   
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Mar 30 2014, 21:01

Mais uma cronica digna dos maiores elogios, e por várias razões. A primeira, é o enquadramento histórico que conferes aos teus resumos do artista e álbum em questão. A segunda e não menos importante, é a própria descrição do álbum/s desse mesmo artista, pois consegues como muito poucos, descrever todas as nuances de um álbum e transportar-nos para dentro desse mesmo álbum. Adoraria conseguir colocar em palavras o que sinto em relação à musica como tu o fazes, mas infelizmente falta-me a arte para tal.

Quanto ao Cecil, comecei a ouvi-lo há alguns anos atrás puramente pela sua enorme técnica ao piano que é algo de inolvidável. Existem muitos grandes pianistas, mas este destaca-se por ser um dos maiores.

Quanto ao álbum propriamente dito, é uma coisa que só ouvindo. Um álbum de Free com um aceleramento fantástico.
Convém acautelar que é mesmo um álbum de Free, isto para aqueles a quem este género não "entra".


Mister W. Os meus sinceros parabéns.   

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Mar 30 2014, 21:21

Mister W,



Parabéns por mais uma excelente crónica.  
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Mar 30 2014, 21:44

O problema das crónicas do W, é a maneira como nos contagiam!!! Depois quase que somos obrigados a comprar o disco   

Tenho aprendido muito a ler as crónicas do W e a ouvir e aprender os discos que ele fala e apresenta.

Parabéns   
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Mar 30 2014, 21:51

Duarte Rosa escreveu:
O problema das crónicas do W, é a maneira como nos contagiam!!! Depois quase que somos obrigados a comprar o disco   
 


Levado pela efusividade da crónica, nem me lembrei desse pequeno (grande) pormenor, senão nem o teria elogiado.  

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Mar 31 2014, 11:50


Obrigado a todos. É de facto gratificante ler os vossos comentários.

Quanto ao Cecil Taylor, estou longe de ser um conhecedor razoável da sua obra. Apesar de ter alguns discos dele, confesso que os únicos que consigo ouvir com alguma regularidade são os mais "comerciais" (se é que essa palavra existe no universo Tayloriano) e que se tornaram igualmente os mais populares da sua obra.

Independentemente do valor deste músico genial, tenho outros que não devem ter tocado mais de meia-dúzia de vezes... pois têm uma sonoridade muito agressiva e requerem um estado de espirito adequado. Discos como "Tzotzil Mummers Tzotzil" de 1988, sugerem-me um novo género músical, o Punk-Jazz(!?)...

Por isso, se quiserem entrar na música de Taylor, façam-no com calma (como eu) e comecem pelos dois discos referidos (Blue Note).

Ontem, depois de ouvir o "Unit Structures", ouvi um disco carregado de melodia e sensualidade que dá pelo nome de "Shukuru"... e é precisamente esta diversidade de géneros e estilos, que faz do Jazz um dos géneros musicais mais maravilhosos e completos.

Abraço
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Mar 31 2014, 11:53

Mister W escreveu:
... e é precisamente esta diversidade de géneros e estilos, que faz do Jazz um dos géneros musicais mais maravilhosos e completos.

Abraço



Sem duvida.   

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Jul 10 2014, 13:00


Yusef Lateef - The Doctor is In ...and Out (1976, Atlantic SD1685, USA)

Em jeito de homenagem a este nome maior do Jazz, recentemente falecido (23Dez2013 com 93 anos) deixo-vos com uma bela narrativa da sua autoria.

RHYTHM

The little boy walked into the kitchen and searched for something to eat. He was hungry. He found no food. Then, he returned to the living room, where he took the same position as before with his toys: an empty cardboard box and a large wooden spoon.

The boy paused in his playing and thought, “When will ma-mee come home? I’m hungry. She promised to bring me some cornflakes and milk”. At this moment he dipped the large wodden spoon into the box and scooped up what he imagined to be a large spoonful of cornflakes and milk. After finishing his make-believe meal he began to cry, for the hunger pains were beginning to increase.

Again he went to the kitchen to look for food. This time he found, inside the pantry, two slices of old dry bread that he had overlooked before. As he pulled the bread from the waxed paper he discovered two starved roaches. He then took his finger nails and scraped the dead roaches from the bread. A consistent flow of tears rolled down his thin cheeks as he enjoyed the old dry bread.
He brushed the crumbs from his shirt, drank a big glass of water, wiped the tears from his eyes and returned to his toys.

He was beating the rhythm: BOOMP BOOMP a BOOMP BOOMP BOOMP on the cardboard box with the wooden spoon when suddenly a voice came from outside the door, “Open the door, Junior, it’s your ma-mee”.
“All right, ma-mee, I’m coming”, the boy replied, as he skipped quickly to the door, stood on his toes and unfastened the three safety looks.
“Did you miss me, Junior?” his mother asked as she entered.
“Yes ma-mee, I’m hungry. Did you bring me some cornflakes and milk?”
“Yes, Junior, wash your face and hands and come to the kitchen”.
She knew by the blurred color of Junior’s eyes that he had been crying, but she tried to disguise her feelings.

On the way to the kitchen she pulled a box of cornflakes, a carton of milk and a small box of sugar from underneath her baggy coat.
She managed to hold back some of her tears as she prepared the cornflakes and milk, and just before Junior entered the kitchen she dried her last tear and placed a smile on her face.

The boy hummed happily as he enjoyed his cornflakes and milk.
“You’re good ma-mee, you’re the best ma-mee in the world!” said the boy as he reached for some more sugar.

That evening while Junior was playing with his toys, ma-mee with love in her eyes, was watching him and thinking: “O God, plese forgive me for stealing these cornflakes and milk and sugar… You see, I’m a poor woman and Junior’s father died last year. The little bit of money we have in the bank is just about gone now. I can’t stand to see my child go hungry. That’s why I did it.
Please forgive me. I know what to do now. I’ll go to school and be somebody. I’ve never been on the welfare and I don’t ever intend to be. And I’m not gonna stand on the corner either. I can’t do that. I never have and I never will be a prostitute”.
“I know, yes, I know what I’ll do. I’ll be a nurse. I want my Junior to eat good food so he can think right and grow strong and I want him to get a good education. And, Lord, when I start working at the hospital, I’m gonna pay the store for the food I stole today”.

The little boy began to tap his favorite rhythm on the cardboard box. This interrupted his mother’s thoughts.
“Junior”, she said.
“Yes, ma-mee” the boy replied.
“I’m go-in to school and be a nurse”.
“Gee! Ma-mee, youre the best ma-mee in the world.”
BOOMP BOOMP a BOOMP BOOMP BOOMP;
BOOMP BOOMP a BOOMP BOOMP BOOMP.

(By: Yusef Lateef)

OBS: Os interessados poderão encontrar a tradução deste texto e mais informações sobre este genial artista em: http://thejazzspot.tumblr.com/search/Yusef+Lateef
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Jul 10 2014, 14:08

Obrigado W, belo texto. Será auto-biográfico?

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Jul 10 2014, 14:16

Estou a ouvir o álbum, e é bem interessante.  

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Jul 10 2014, 14:21

António José da Silva escreveu:
Obrigado W, belo texto. Será auto-biográfico?

Creio que não. Á semelhança da maioria dos livros que escreveu, este deve ser ficção e acima de tudo uma crítica social à América dos anos 70.
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Jul 10 2014, 14:25

António José da Silva escreveu:
Estou a ouvir o álbum, e é bem interessante.  

O som do Lateef é único.   

Devido à diversidade instrumental pode-se apelidar de World Music (mesmo muito antes de se utilizar o termo).
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Jul 10 2014, 14:34

Mister W escreveu:


Devido à diversidade instrumental pode-se apelidar de World Music (mesmo muito antes de se utilizar o termo).


Olha que és capaz de ter razão.

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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Ago 25 2014, 14:13



Albert Ayler Trio – Spiritual Unity (1965, ESP Disk 1002 Mono, USA / Re. 1978 Jap)

Apesar de considerado um dos solistas mais maltratados da vanguarda do Jazz de Nova Iorque, Albert Ayler foi um dos mais brilhantes e influentes músicos que esta forma de música já conheceu.

Nascido em Cleveland (Ohio) em 1936, o seu interesse precoce pela música foi correspondido pelo incentivo do seu pai que o ensinou a tocar saxofone (alto) e com ele integrou um duo que costumava tocar em igrejas e centros comunitários. Enquanto prosseguia a sua formação, Albert começou por integrar bandas locais, mas por volta de 1956, viu-se forçado a alistar-se no exército por questões financeiras. Foi através da banda militar, com quem viajaria para a Europa em 59, que continou a sua formação músical.

Numa época em que o jazz passava por transformações diversas com as experiências de Ornette Coleman, Cecil Taylor e John Coltrane, a estadia de Albert Ayler em Orléans (França) viria a revelar-se crucial no aperfeiçoamento do seu estilo diferenciado, pois costumava tocar frequentemente com várias bandas em Paris onde se misturavam estilos tão distintos como o rhythm and blues, o jazz, os espirituais ou até a música militar.

Ayler tocava saxofone soprano, alto e principalmente tenor, e possuia um som sinuoso que se destacava fortemente dos demais saxofonistas. Mas para além do seu som, possuía um vocabulário de opções músicais absolutamente impar e eclético. A sua excentricidade era transposta para os seus solos com uma naturalidade e velocidade de tal ordem que tornava praticamente impossível discutir ou classificar a sua música. Certamente por não a compreenderem e não a poderem catalogar dentro dos padrões habituais, muitos se limitavam a renegá-la.

As influências iniciais de R&B foram dando lugar ao Jazz e ás suas formas mais radicais, fruto da atracção pela cena Avant-gard que dispoletava em Nova Iorque. Albert Ayler tocou durante algum tempo com Cecil Taylor mas as suas maiores influências são-lhe atribuídas ao baterista Sonny Murray e ao seu irmão, o trompetista Donald Ayler com quem formou um trio e fez parte do quinteto que gravou “Spirits Rejoice”.

O seu percurso foi abruptamente interrompido pela sua morte em 1970 em circunstâncias trágicas e misteriosas que alimentaram várias teorias relacionadas a suicidio ou homicidio. Mas apesar da sua curta carreira (62-70), Ayler deixou-nos um legado considerável, composto na sua maioria por trabalhos lançados por editoras independentes. A única excepção refere-se á sua ligação á Impulse Records que produziu 4 dos seus trabalhos (em vida). Após a sua morte, foram editadas várias obras suas, sobretudo de espectáculos ao vivo.  

Á semelhança da sua música, também a discografia de Albert Ayler se apresenta pouco concensual já que alguns dos discos editados em vida, tiveram edições com títulos e capas diferentes, dependendo do país e dos direitos discográficos. O aparecimento do CD e mais recentemente dos downloads, vieram definitivamente complicar ainda mais a situação.  

Por muitos considerado uma obra-prima e um álbum muito à frente do seu tempo, “Spiritual Unity” foi também um dos trabalhos mais determinantes do percurso seguido por Ayler.

Este foi o primeiro disco de Jazz duma editora recentemente formada (1963), a ESP-Disk, cujo dono - Bernard Stollman - estava determinado em apostar em artistas pouco conhecidos de música improvisada. Com excepção de Paul Bley e Ornette Colleman, muitos foram os músicos que obtiveram reconhecimento como leaders por via das edições da ESP-Disk: Gato Barbieri, Bob James, Marion Brown, Roswell Rudd, Burton Greene, Sunny Murray, Milford Graves, Sonny Simmons ou Albert Ayler, são alguns desses nomes.
Apesar de ter ficado fortemente ligada ao Jazz, esta pequena editora, ganhou uma notoriedade inesperada com grupos de rock como os Fugs e os Pearls Before Swine, que viam o seu sucesso crescer enquanto entoavam palavras de ordem contra a guerra do Vietname.

Infelizmente, a prosperidade da ESP não foi duradoura, principalmente pelo decréscimo do sucesso que a “new music” vinha a ter nos EUA. Outros factores como o crescimento do fenómeno de “bootleging” (pirataria) ou a falta de uma política protectiva que via os seus principais artistas assinar por editoras como a Columbia ou a Impulse, originaram dificuldades acrescidas e o encerramento definitivo em 1975. A partir de 1991 várias empresas europeias (ZYX, Calibre, Abraxas) apostaram na re-edição de uma parte considerável do catálogo da ESP, atestando da sua imporância na história da música moderna.      

Para além de continuar a ser uma das produções incontornáveis da ESP, “Spiritual Unity” foi a obra que trouxe em definitivo a música de Albert Ayler para os escaparates do avant-garde. Até mesmo o intocável John Coltrane partilhou das ideias de Albert Ayler. O seu àlbum “Ascension” (que corresponde à entrada de Coltrane no mundo do free-jazz) editado cerca de um ano depois de “Spiritual Unity” comprova a influência de Ayler na sua música.

Para os ouvidos menos expostos às sonoridades do Free-Jazz, alguns momentos de "Spiritual Unity" poderão parecer algo caóticos. Contudo, assim que começamos a entrar na música deste genial compositor, essa impressão dá lugar à percepção de um estilo imensamente libertador.

As quatro composições que integram a edição original deste álbum, têm por base temas tradicionais americanos (folk), melodias gospel, hinos militares ou canções infantis. Mas o aspecto mais surpreendente da música de Ayler é a forma genial como se distância das melodias originais, desconstruindo-as e reconstruindo-as a seu belo prazer. Ayler apodera-se das formas musicais mais simples e reveste-as de uma alma imensa e de um poder incrivelmente visceral.

Detentor de um amplo vibrato, Ayler exprime-se com um vasto arsenal de efeitos que se assemelham a gritos, gemidos e outras expressões sonoras que denotam uma atracção imensa pelo transcendente, como de resto fica comprovado pelas visões sobrenaturais do reino dos espiritos, evocadas ao longo dos temas “The Wizard”, “Spirits” e “Ghosts”.

O trio que levou a cabo esta obra, tem em Gary Peacock (baixo) e Sunny Murray (bateria) dois elementos de grande valor que demonstraram uma enorme maturidade perante o desafio de acompanhar um músico tão imprevisível como Ayler. A improvisação colectiva em que o trio se insere, obedece a uma estrutura unificada em que cada músico interage com os demais com grande confiança e autênticidade.

Além de um extraordinário compositor e de um músico virtuoso, Albert Ayler foi um enorme combatente que nunca desistiu das suas convicções, apesar dos transtornos que as mesmas lhe foram consecutivamente causando. Nem as dificuldades financeiras com que normalmente se deparava o fizeram ceder e optar por um estilo mais acessível e sobretudo, economicamente mais rentável.

A iconoclastia transmitida pelo seu repertório, representava uma ameaça para o sistema musical vigente, onde as formas mais tradicionais eram fortemente acarinhadas por se tratarem de um negócio lucrativo. A música de Ayler desafiou as normas das estruturas harmónicas uniformes, das formas clássicas, da aplicação de princípios matemáticos na música, das melodias agradáveis e cantáveis... e foi por isso considerada agressiva e provocatória e por isso foi frequentemente alvo de incompreensão, indiferença e perseguição.

Mas nem toda esta hostilidade conseguiu modificar a sua personalidade humilde, provida de uma majestosa espiritualidade que fez com que este extraordinário artista passasse a integrar o restrito lote de músicos lendários (mártires ou santos) como Bessie Smith ou John Coltrane.

Mister W


Última edição por Mister W em Seg Ago 25 2014, 19:20, editado 1 vez(es)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Ago 25 2014, 15:00

Fantástica abordagem a um dos mais magníficos executantes do saxofone, e sua técnica.

Um álbum deveras fantástico que adquiri em 2009 e que volta não volta, dá as suas voltas no prato.
Quem não estiver habituado ao Free, convêm ouvir com tempo. Não são obras para se dar uma "ouvidela" rápida. São álbuns que fazem lembrar o antigo slogan da CP, que incitavam a parar, ouvir e olhar.
Também gostaria de dizer que é uma musica com um caos aparente, mas para quem se der ao trabalho de verdadeiramente ouvir, existe sempre um fio condutor a qual os artistas voltam vezes sem conta e que nos proporcionam uma rede se segurança que não nos deixa cair. É simplesmente genial.


Fica aqui a minha reedição.






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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Ago 25 2014, 16:25

António José da Silva escreveu:
Fantástica abordagem a um dos mais magníficos executantes do saxofone, e sua técnica.

Um álbum deveras fantástico que adquiri em 2009 e que volta não volta, dá as suas voltas no prato.
Quem não estiver habituado ao Free, convêm ouvir com tempo. Não são obras para se dar uma "ouvidela" rápida. São álbuns que fazem lembrar o antigo slogan da CP, que incitavam a parar, ouvir e olhar.
Também gostaria de dizer que é uma musica com um caos aparente, mas para quem se der ao trabalho de verdadeiramente ouvir, existe sempre um fio condutor a qual os artistas voltam vezes sem conta e que nos proporcionam uma rede se segurança que não nos deixa cair. É simplesmente genial.  


Fica aqui a minha reedição.





Vermelho????? deve ser por seres do Benfica
Brincadeiras à parte é um excelente disco e uma excelente crônica
Foi o disco com q fiz a minha introdução ao FREE jazz
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Rui Mendes
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Ago 25 2014, 16:53

Obrigado por mais esta grande partilha Mister W.

A ver se arranjo um, necessariamente de outra côr da dessa reedição horrível do AJS... lol!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Ago 25 2014, 19:13

Rui Mendes escreveu:
Obrigado por mais esta grande partilha Mister W.

A ver se arranjo um, necessariamente de outra côr da dessa reedição horrível do AJS... lol!



Quando for a tua casa, levo este para veres bem a gloriosa cor vermelho sangue transparente, e ouvires a obra musical.

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Set 03 2014, 19:17


Lembrei-me deste texto por sugestão do anibalpmm no tópico dos "discos que tocam"...
Não sei se já o tinha publicado por aqui. Se for o caso, as minhas desculpas, mas nunca é demais enaltecer esta ou qualquer outra obra-prima.

Stan Getz/Kenny Barron - People Time - 1992, EmArcy, Gitanes Jazz Productions (Polygram S.A.), France (2xCD)


Caros Amigos,

Apesar de possuir na minha colecção um número considerável de discos do Stan Getz, gostava de começar por salientar que este admirável saxofonista está longe de ser um dos meus músicos preferidos. No entanto, tal não impede que esta obra que aqui Vos trago, seja por mim considerada um dos mais profundos e belos discos de Jazz de que tenho memória.

Trata-se de um disco gravado ao vivo, numa série de concertos no mítico Café Montmartre em Copenhaga (3,4, 5 e 6 Março'91) em que Stan Getz se faz acompanhar exclusivamente pelo grande pianista Kenny Barron... embora sejamos, por vezes, levados a pensar que estamos perante uma orquestra, tal a grandiosidade da prestação dos dois músicos.

Do repertório fazem parte grandes standards de Jazz como "Night & Day", "Est of the Sun (and west of the moon)", "First Song (for Ruth)" e muitos outros que nos são apresentados num belo exemplar duplo com quase duas horas de duração.

É conhecida a situação delicada da saúde de Stan Getz, como consequência de um cancro em fase terminal. A aparente normalidade do seu desempenho nesta série de concertos, só foi possível graças a uma forte, mas controlada, medicação.

Apesar de existirem outras situações semelhantes (Miles Davis por exemplo, que no final da sua carreira apresentava uma condição física muito debilitada e reveladora de grande sofrimento) este é certamente aquele que mais impacto teve em mim. O sentimento colocado pelo saxofonista em cada nota, é absolutamente arrepiante e tem a faculdade de nos hipnotizar durante toda a actuação.

Já me questionei sobre o que leva este músicos, nestas situações por vezes extremas, a optarem por dar concertos em vez de ficarem no conforto dos seus lares e junto dos que lhes são mais próximos. Nestas fases da carreira, o dinheiro deixou à muito de ser um motivo relevante, ainda para mais quando a esperança de vida já é curta.

Pois bem, não tenho dúvidas que será o espirito de missão e a responsabilidade de se encontrarem com o seu público (e de deixarem um testemunho) que move estes artistas num derradeiro e heróico esforço. Dá a ideia que, nestes casos, os músicos pretendem aproveitar os seus últimos momentos de vida e como tal, o empenho que colocam nas suas actuações é absolutamente transcendente mas igualmente genuíno.

No livrete informativo que acompanha os discos, podemos testemunhar, através das palavras de Kenny Barron, para além de vários episódios do percurso e da relação dos dois músicos, o estado debilitado da saúde de Stan Getz. Esta foi, não só, a última vez que os dois tocaram juntos, mas principalmente a última vez em que os dois estiveram juntos. Stan Getz viria a falecer cerca de 3 meses após a realização destes concertos (6 Junho 1991).

Esta obra é quase "perfeita"; desde o desempenho dos músicos, à selecção e enquadramento dos temas, ao comportamento exemplar do público (conhecedor, como acontece normalmente com o público nórdico)... enfim, tudo acontece naturalmente e no momento certo.

O "quase", refere-se apenas ao facto de não existir uma edição em vinil... Infelizmente, este magnifico trabalho só existem em CD (duas edições) e mesmo este, não teve (incompreensivelmente, na minha opinião) a merecida divulgação e esse facto viria a conceder-lhe alguma exclusividade e a torna-lo num objecto de culto (mas nem por isso difícil de encontrar).

Para aqueles que ainda conservam um "velhinho" leitor de CDs, recomendo vivamente a compra desta grande obra musical.

Por agora me despeço.
Cpts,
Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Set 03 2014, 21:36

sublinho e subscrevo todas as palavras
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Set 04 2014, 01:10

Mais um fantástico relato do nosso W.

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Set 04 2014, 16:35

E o Monk, aonde està???...

Não basta ter tido uma vida dificil e tragica, ainda é esquecido apòs a sua morte!!!...

È preciso que seja eu a escrever ???...

Belo trabalho na mesma...

Abraço

Paulo

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Set 04 2014, 17:13

TD124 escreveu:
E o Monk, aonde està???...

Não basta ter tido uma vida dificil e tragica, ainda é esquecido apòs a sua morte!!!...

È preciso que seja eu a escrever ???...  

Belo trabalho na mesma...

Abraço
Paulo

Caro Paulo,
Essa é de facto uma falha neste tópico, mas há mais...

Podes avançar, com o Monk ou com qualquer outro. Os teus textos são sempre bem-vindos.

Abraço
José


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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Set 04 2014, 17:28

Mister W escreveu:


Caro Paulo,
...
Podes avançar, com o Monk ou com qualquer outro. Os teus textos são sempre bem-vindos.

Abraço
José  

Ah não José!!!... tu escreves de musica e eu de audio... senão vou-te pedir em troca um texto (cronica) compléto sobre o teu Russcoff !!!

Não!, eu gosto de te ler então faz ai uma homenagem a esse imenso pianista, pois ele mereçe-a... cheers

Grande abraço para ti...

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Set 04 2014, 17:47

TD124 escreveu:
Mister W escreveu:


Caro Paulo,
...
Podes avançar, com o Monk ou com qualquer outro. Os teus textos são sempre bem-vindos.

Abraço
José  

Ah não José!!!... tu escreves de musica e eu de audio... senão vou-te pedir em troca um texto (cronica) compléto sobre o teu Russcoff !!!

Não!, eu gosto de te ler então faz ai uma homenagem a esse imenso pianista, pois ele mereçe-a... cheers

Grande abraço para ti...


Combinado... (estava só a ver se pegava...)

Quanto ao Russcoff... já podes ver o projecto final aqui:
http://www.audioanalogicodeportugal.net/t3388p50-my-new-vintage-setuphttp://www.audioanalogicodeportugal.net/t3388p50-my-new-vintage-setup
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Set 07 2014, 23:33


Thelonious Monk - Plays Duke Ellington (1956, Riverside Records, RLP12-201 / Re. 1982, OJC-024)

Este virtuoso do piano que aos 5 anos de idade já tocava com grande determinação e carácter, foi ao longo da sua carreira um alvo frequente de incompreensão e intolerância perante a sua música invulgar e algo bizarra.

Thelonious Sphere Monk dispoletou para a música com o aparecimento do bebop dos anos 40 e teve nas inovações harmónicas de Charlie Parker e Bud Powell, a base da sua música que era simultaneamente a sua linguagem pessoal e por isso tornava-se dificil de acompanhar.

Para além de ter composto e gravado pouco (nas décadas de 40 e 50) Monk não facilitava as coisas quando se tratava de agradar ao seu público. Recusava-se a dar entrevistas, a comparecer em eventos promocionais ou a participar em qualquer outra actividade pública que não fosse a interpretação músical.

Apesar de ser frequentemente criticado e apelidado de excentríco, o seu comportamento advém de uma necessidade quase instintiva de auto-defesa pelo facto de ser uma pessoa extremamente reservada. A sua esposa Nellie era a única pessoa em quem confiava, o que por si demonstra o carácter extremo da sua instabilidade.

O facto de não se dar a conhecer dificultava a sua relação com o público, que não o levava a sério e se afastava naturalmente. Apenas os mais persistentes ousavam penetrar na sua música, tentando acompanhar a sua linguagem.

O seu estilo difícil de seguir, também lhe dificultava a vida na altura de reunir músicos para gravar. Por isso, costumava recorrer aos métodos de Jelly Roll Morton e Duke Ellington que consistiam em trabalhar de dentro da banda, moldando e conduzindo os seus músicos. Como esse era um processo algo moroso e complexo, Monk preferia recorrer aos mesmos músicos, já que estes compreendiam as suas pretensões e dispensavam grandes explicações e ensaios. Neste contexto, torna-se imprescindível falar de músicos como Charlie Rouse (saxofone) ou Ray Copeland (trompete) e de obras-primas como “Misterioso”, “Criss Cross”, “Little Rootie-Tootie” ou ”Brilliant Corners”, (entre outras) das quais resultaria uma quantidade considerável de standards intemporais.

Optei contudo por trazer a este espaço um trabalho singular que na época causou alguma surpresa por se tratar de um álbum inteiramente composto por standards da autoria de Duke Ellington (sozinho ou acompanhado).

Apesar de não ser um trabalho de originais, este disco gravado em 1955, reverte-se de particular importância para a carreira de Monk já que viria a estabelecer uma aproximação com muitos daqueles que consideravam a sua música demasiado difícil.

Na verdade, a gravação deste álbum foi sugerida pela própria editora, sabendo de antemão o grande respeito que Monk mantinha por Duke Ellington mas reconhecendo também a dificuldade em convencer o pianista a gravar um disco de standards. Porém, Monk aprovou o projecto sem hesitar e após uma breve ausência (em que se fez munir de uma pilha de papéis com a música de Ellington) anunciou estar preparado para avançar. Estavam portanto lançadas as cartas para o nascimento de uma obra pioneira (a vários níveis) e que se viria a revelar extremamente marcante.

Monk faz-se acompanhar de dois músicos talentosos e experientes. Oscar Petitford, fazia parte de um grupo restricto dos mais distintos contra-baixistas da época, tendo contribuido como poucos para moldar o estilo deste instrumento ao Jazz moderno. Kenny Clarke era um velho conhecido pois  trabalhara com Monk no inicio dos anos 40 (quando o bop dava os primeiros passos) e é apontado como um dos iniciadores do Jazz moderno. Além disso, continuava a ser um baterista de créditos confimados.

Os elementos deste trio tinham assim a enorme vantagem de se conhecerem (a si e á sua música) como ninguém, o que constituía um enorme trunfo para a gravação desta ou de outra obra. A harmonia e a complicidade existente entre eles, era praticamente instintiva.  

Com músicos deste nível  e com a riqueza das composições de Ellington, Monk pôde aplicar-se da melhor forma e fazer valer os seus atributos através de um estilo firme e ritmado, numa abordagem lírica sem paralelo. O rigor que coloca nas suas interpretações é pontualmente salpicado com lampejos de humor e toques de uma improvisação inesperada, sem nunca, perder o sentido. Mesmo não fazendo parte do seu lote de criações, as suas interpretações de temas como “It Don't Mean a Thing If It Ain't Got That Swing” ou “Sophisticated Lady” passaram a ser uma passagem obrigatória no percurso deste genial pianista.

Sem ser uma das suas obras de referência, “Thelonious Monk plays Duke Ellington” viria a ter uma forte influência na carreira deste invulgar músico. Para além de passar a incluir vários standards nos seus futuros trabalhos (sem esquecer a importância das suas composições) Monk passou a tocar regularmente em concertos, festivais e clubes, levando a sua popularidade a aumentar até niveis nunca antes atingidos.

Apesar do reconhecimento tardio, este extraordinário músico, também conhecido pela sua vasta colecção de chapéus, viria a tornar-se uma figura incontornável e uma das maiores influências do Jazz moderno. Esta instabilidade na relação com o seu público, é-nos apresentada pelo crítico e escritor Dave Gelly neste interessante excerto:

A reputação que Monk teve junto do público ao longo da sua vida, passou por três fases distintas: no início, foi visto como um lunático inofensivo; depois, como um excêntrico elegante e, finalmente, como um reverenciado nome do jazz. Muito provavelmente, o próprio Monk não deu por nada disto, a não ser pelo facto de começar a trabalhar com maior regularidade (nas duas últimas fases) e pelos pianos estarem então mais afinados”.

Até Breve
Mister W


Última edição por Mister W em Seg Set 08 2014, 09:54, editado 4 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Set 08 2014, 09:43

Mister W escreveu:

Thelonious Monk - Plays Duke Ellington (1956, Riverside Records, RLP12-201 / Re. 1982, OJC-024)

Este virtuoso do piano que aos 5 anos de idade já tocava com grande determinação e carácter, foi ao longo da sua carreira um alvo frequente de incompreensão e intolerância perante a sua música invulgar e algo bizarra. ...

Até Breve
Mister W

Obrigado e Bravo!!!...

Até+

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Set 08 2014, 12:24

A ver se leio no avião, ou mais logo. Mas desde já...

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Set 08 2014, 15:42

Mister W, a propósito do People Time do Getz/Barron, há outro album de uns anos antes também com eles os dois e que eu adoro e que não é muito conhecido: Voyage de 1986

É um disco fantástico, Stan "The Sound" Getz toca de forma brilhante e com uma alma "do caraças" Smile



Também sou grande apreciador do seu Dynasty dos anos 70, um LP duplo musicalmente fantástico!



"The Sound" com aquele orgão e guitarra... ui ui ui

Smile
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Set 08 2014, 19:51

ViciAudio escreveu:
Mister W, a propósito do People Time do Getz/Barron, há outro album de uns anos antes também com eles os dois e que eu adoro e que não é muito conhecido: Voyage de 1986

É um disco fantástico, Stan "The Sound" Getz toca de forma brilhante e com uma alma "do caraças" Smile

Também sou grande apreciador do seu Dynasty dos anos 70, um LP duplo musicalmente fantástico!

"The Sound" com aquele orgão e guitarra... ui ui ui

Obrigado pela sugestão. Não conheço o Voyage, mas pelo que estive a ouvir, a sonoridade (rebuscada e madura) é idêntica ao do "People Time", embora este seja um álbum ao vivo, sem percussão nem baixo o que lhe confere um ambiente mais intimista...

Também gosto muito do "Spring is Here" gravado ao vivo em 1981 (San Francisco) mas só editado em 1992 (mesmo ano do People Time) após a sua morte. Tenho em SACD da Groove Note, mas creio que existe em vinil da Concord.

Depois temos ainda o incontornável "Live at Montmartre" (á semelhança do "People Time" também gravado nesta sala) com o Niels-Henning O. Pedersen, gravado em 1977 (creio) e editado pela SteepleChase (em Portugal pela Dargil).

Enfim, quando se fala do Stan Getz temos que terminar com... etc. etc. etc. senão corremos o risco de nos perder-mos na sua interminável discografia...
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zaratustra
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Set 08 2014, 21:12

Parabéns, Mister W.

As crónicas com W já se tornaram um clássico e, certamente, passarão à categoria das incontornáveis aqui no AAP.

A propósito das crónicas com W e uma vez que já vamos em sete páginas de tópico e cerca de setenta álbuns diagnosticados... apetece-me lançar uma proposta ao AAP...

Seria entendido como interessante colocar uma listagem dos ditos cujos logo na primeira página do tópico e imediatamente a seguir à apresentação do mesmo pelo Mister W???
Obviamente com a possibilidade de se ir acrescentando de acordo com novas entradas...

Em caso afirmativo aqui vai o que já foi analisado até à data:

MILES DAVIS - SKETCHES OF SPAIN (1960 SONY MUSIC DISTRIBUTION)

CANNONBALL ADDERLEY - SOMETHIN' ELSE (1958 BLUE NOTE)

THE DAVE BRUBECK QUARTET - TIME OUT (1959 COLUMBIA RECORDS)

KENNY DORHAM - QUIET KENNY (1959, PRESTIGE RECORDS)

BILL EVANS - WALTZ FOR DEBBY (1961 ZETA RECORDS)

CHARLIE HADEN WITH CHET BAKER, ENRICO PIERANUNZI, BILLY HIGGINS - SILENCE (1989 SOUL NOTE RECORDS/2010 GET BACK)

JOE PASS - VIRTUOSO (PABLO RECORDS, USA 1974)

JOE PASS - VIRTUOSO #2 (PABLO RECORDS, GERMANY 1977)

JOE PASS - VIRTUOSO #3 (PABLO RECORDS, GERMANY 1978)

SONNY ROLLINS - WAY OUT WEST (CONTEMPORARY 1957)

CHET BAKER QUARTET - JAZZ AT ANN ARBOR (1954, PACIFIC JAZZ PJ1203)

CHET BAKER & WOLFGANG LACKERSCHMID - BALLADS FOR TWO (1979, SANDRA PRODUCTIONS SMP2102)

JOHN COLTRANE - LUSH LIFE (1961, FANTASY/PRESTIGE RECORDS PR7581)

ERIC DOLPHY - LAST DATE (1964, FONTANA, JAPAN - MONO)

DEXTER GORDON - GO! (1962, BLUE NOTE / VALENTIM CARVALHO, PORTUGAL 1979)

HANK MOBLEY - SOUL STATION (1960, BLUE NOTE 4031)

LAURINDO ALMEIDA QUARTET FEATURING BUD SUD SHANK (1955, PACIFIC RECORDS) - 1979, KING RECORDS, JAPAN

LAURINDO ALMEIDA & BUD SHANK - BRAZILIANCE, VOL.2 (1958, PACIFIC RECORDS) - 1962, WORLD-PACIFIC RECORDS, USA

STAN GETZ WITH LAURINDO ALMEIDA (1963, VERVE) - 2007, VERVE, USA

BOLA SETE - AT THE MONTEREY JAZZ FESTIVAL (1966, VERVE) 1966, VERVE V-8689, USA

TOQUINHO E VINICIUS - O POETA E O VIOLÃO (1975, RGE) 1980, VADECA, PORTUGAL

JOÃO GILBERTO - EU SEI QUE VOU TE AMAR, AO VIVO (1994, EPIC) 2007 SONY/BMG, BRASIL (CD)

ANTÓNIO CARLOS JOBIM - THE COMPOSER OF DESAFINADO, PLAYS (1963, POLYGRAM) - 2010, VERVE (V6-8547) EU

ANTÓNIO CARLOS JOBIM - WAVE (1967, A&M RECORDS) - 2007, LILITH RECORDS, RUSSIA

ANTÓNIO CARLOS JOBIM - STONE FLOWER (1970, EPIC/LEGACY) - 2008, CTI USA

ANTÓNIO CARLOS JOBIM - LOOK TO THE SKY (1967, A&M) - 1970 A&M ENGLAND

ANTÓNIO CARLOS JOBIM E A NOVA BANDA - PASSARIM - 1987, VERVE BRASIL

ANTÓNIO CARLOS JOBIM - GABRIELA (1983, RCA) - 1983, POLYGRAM PORTUGAL

BADEN POWELL - TRISTEZA ON GUITAR (1966, MPS) SABA GERMANY

BADEN POWELL - SOLITUDE ON GUITAR (1973, SONY MUSIC DISTRIBUTION) 2011, COLUMBIA RECORDS/CBS HOLLAND

BADEN POWELL - CANTA VINÍCIUS DE MORAES E PAOLO CÉSAR PINHEIRO (1977, UNIVERSAL MUSIC) 2005 UNIVERSAL MUSIC FRANCE (CD)

ASTRUD GILBERTO - THE ASTRUD GILBERTO ALBUM (1965, VERVE) - 2010, VERVE EU

ASTRUD GILBERTO - LOOK TO THE RAINBOW (1966, VERVE) - VERVE UK

ASTRUD GILBERTO - WITH TURRENTINE - (1971, CTI/CBS RECORDS) 2001, WAH WAH RECORDS SPAIN

ASTRUD GILBERTO - THIS IS ASTRUD GILBERTO (1984, VERVE) - VERVE, WEST GERMANY

LUIZ BONFÁ - O VIOLÃO E O SAMBA (1962, EMI MUSIC) 2008, EMI EU (CD)

LUIZ BONFÁ - (COMPOSER OF BLACK ORPHEUS) PLAYS AND SINGS BOSSA NOVA (1963, POLYGRAM) - VERVE, USA

STAN GETZ / LUIZ BONFA - JAZZ SAMBA ENCORE! (1963, VERVE) - VERVE, USA

LUIZ BONFÁ - AMOR!: THE FABULOUS GUITAR OF LUIZ BONFA (1959, ATLANTIC) - 2001 COLLECTABLES EU (CD)

JOÃO GILBERTO - CHEGA DE SAUDADE (1959, ÉL) - DOXY, 2010 EU

JOÃO GILBERTO - BOSSA NOVA! (1961, ÉL) - DOXY, 2011 EU

STAN GETZ/JOÃO GILBERTO - GETZ/GILBERTO #1 #2 (1963, 1964) - 2009 VERVE, US

JOÃO GILBERTO - JOÃO GILBERTO (ÁGUAS DE MARÇO) - (1973, POLYDOR) - 2009 KLIMT, FRANCE

STAN GETZ FEATURING JOÃO GILBERTO - THE BEST OF TWO WORLDS (1976, CBS) - CBS/COLUMBIA RECORDS, USA

JOÃO GILBERTO - O MELHOR DE JOÃO GILBERTO (DE 1958 A 1961) - 1983, EMI-VALENTIM DE CARVALHO, PORTUGAL

CANNONBALL ADDERLEY - CANNONBALL ADDERLEY QUINTET IN CHICAGO (1959, VERVE), MERCURY RECORDS, USA

JULIAN "CANNONBALL" ADDERLEY - IN THE LAND OF HI-FI (1956, MERCURY), EMARCY USA

JULIAN "CANNONBALL" ADDERLEY - CANNONBALL ADDERLEY (1955, MERCURY), EMARCY HOLLAND, MONO

CANNONBALL ADDERLEY WITH SÉRGIO MENDES AND THE BOSSA RIO SEXTET (1962, RIVERSIDE), CAPITOL USA

CANNONBALL ADDERLEY - SOMETHIN' ELSE (1958, BLUE NOTE) - 1984, BLUE NOTE FRANCE

FREDDIE HUBBARD - OPEN SESAME (1960, BLUE NOTE 4040) - 2010, BLUE NOTE, USA

FREDDIE HUBBARD - HUB CAP (1961, BLUE NOTE 84073) - 1984, MANHATTAN RECORDS (CAPITOL), FRANCE

FREDDIE HUBBARD - HERE TO STAY (1976, BLUE NOTE ‎BN-LA496-H2, USA)

FREDDIE HUBBARD - THE BODY & THE SOUL (1963, IMPULSE AS-38, USA) - RE-EDIÇÃO IMPULSE (DATA?)

FREDDIE HUBBARD - BREAKING POINT (1964, BLUE NOTE BLP4172) - 1966, BLUE NOTE BST84172, USA

FREDDIE HUBBARD - THE HUB OF HUBBARD (1969, MPS 15267) - 1978, MPS C064-61224, HOLLAND

JOHN COLTRANE - OLÉ COLTRANE - 1962, ATLANTIC 1373, USA

SONNY ROLLINS - EAST BROADWAY RUN DOWN (1966, IMPULSE AS-9121) - 2009, IMPULSE USA

FREDDIE HUBBARD - RED CLAY (1970, CTI) - 2010, MUSIC ON VINYL, USA

FREDDIE HUBBARD - STRAIGHT LIFE (1970, CTI) - 1997, CTI/LEGACY, USA (CD)

FREDDIE HUBBARD - FIRST LIGHT (1971, CTI) - 1979, CTI, KING RECORD LAX3242, JAPAN

MILT JACKSON - SUN FLOWER - 1972, CTI (CTL15) UK

ART FARMER - BRASS SHOUT (1959, UNITED ARTISTS) 1976, KING RECORD GXC3130, JAPAN

STAN GETZ & CHET BAKER - STAN MEETS CHET (1958, VERVE 837436)

STAN GETZ & CHET BAKER - LINE FOR LYONS (1983, SONET SNTF899)

CECIL TAYLOR – UNIT STRUCTURES (1966, BLUE NOTE ‎BST 84237, USA)

YUSEF LATEEF - THE DOCTOR IS IN ...AND OUT (1976, ATLANTIC SD1685, USA)

ALBERT AYLER TRIO – SPIRITUAL UNITY (1965, ESP DISK 1002 MONO, USA / RE. 1978 JAP)

STAN GETZ/KENNY BARRON - PEOPLE TIME - 1992, EMARCY, GITANES JAZZ PRODUCTIONS (POLYGRAM S.A.), FRANCE (2XCD)

THELONIOUS MONK - PLAYS DUKE ELLINGTON (1956, RIVERSIDE RECORDS, RLP12-201 / RE. 1982, OJC-024)


Um abraço
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Seg Set 08 2014, 21:46

É uma excelente ideia que até já foi abordada. É uma questão de se pensar no assunto. Inclusive, seria uma ideia bonita de se compilar tudo numa revista a cores para se poder ter em casa.

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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Set 09 2014, 00:26

zaratustra escreveu:
Parabéns, Mister W.

As crónicas com W já se tornaram um clássico e, certamente, passarão à categoria das incontornáveis aqui no AAP.


Seria entendido como interessante colocar uma listagem dos ditos cujos logo na primeira página do tópico e imediatamente a seguir à apresentação do mesmo pelo Mister W???
Obviamente com a possibilidade de se ir acrescentando de acordo com novas entradas...

Em caso afirmativo aqui vai o que já foi analisado até à data:

.............


Excelente trabalho (e, sugestão) meu caro!!!
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Ter Set 09 2014, 01:11

zaratustra escreveu:
Parabéns, Mister W.

As crónicas com W já se tornaram um clássico e, certamente, passarão à categoria das incontornáveis aqui no AAP.

A propósito das crónicas com W e uma vez que já vamos em sete páginas de tópico e cerca de setenta álbuns diagnosticados... apetece-me lançar uma proposta ao AAP...

Seria entendido como interessante colocar uma listagem dos ditos cujos logo na primeira página do tópico e imediatamente a seguir à apresentação do mesmo pelo Mister W???
Obviamente com a possibilidade de se ir acrescentando de acordo com novas entradas...

Setenta álbuns?! Shocked

Excelente ideia! Seria como um Index (de preferência por ordem alfabética) através do qual se poderia aceder directamente á crónica do álbum em questão(?). Essa possibilidade aparece em alguns sites/blogues e utiliza um link associado a cada item/álbum.
O problema é que já não consigo editar o primeiro post... Será que a Administração consegue dar-me essa possibilidade?

Obrigado zaratustra!
cheers
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   

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