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 *Os imortais do JAZZ*

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Fran
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 13 2012, 17:09

Mas sem nem se ouve, what's the problem? scratch

Nem tudo o que luz, é ouro (e vice-versa)


PS : se fosse na capa ... agora no vinil


Última edição por Fran em Qui Dez 13 2012, 17:11, editado 1 vez(es)
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 13 2012, 17:10

Fran escreveu:
Mas sem nem se ouve, what's the problem? scratch

Nem tudo o que luz, é ouro (e vice-versa)
Eu disse que não se ouvia? confused

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afonso
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 13 2012, 20:20

António José da Silva escreveu:
Mais uma maravilhosa descrição. O primeiro então, deixou-me mesmo com água na boca. Se não fosse a escassez de euros, ia já procurar um.


Obrigado pelo trabalho que tens em prole de todos nós.


Quantos queres ?


http://www.jazzmessengers.com/used-jazz-lps/product106446


http://www.jazzmessengers.com/category1420/chet-baker-waxtime-jazz-at-ann-arbor-95024


Esta loja tem muita coisa...
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 13 2012, 20:58

afonso escreveu:



Quantos queres ?


.


Finalmente uma alma caridosa, estava a ver que ninguém perguntava. Ora falando em euros, todos os que possas dispensar.





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afonso
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 13 2012, 21:05



Mister W,



Mais por favor ...

A maior parte dos que falaste e que não tenho já vem a caminho de Barcelona...

http://img546.imageshack.us/i/imagepog.jpg/
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 13 2012, 21:28



E que tal um Workshop no PortugÁudio acerca de alguns mestres do Jazz ...


...isso é que era um luxo
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 13 2012, 21:29

afonso escreveu:


Mister W,

Mais por favor ...

A maior parte dos que falaste e que não tenho já vem a caminho de Barcelona...

http://img546.imageshack.us/i/imagepog.jpg/

Ah valente!
Mas está aí um que eu não tenho e que gostava muito de ter... O "Ivory Hunters" do Bob Brookmeyer com Bill Evans! Maravilha!

Mas se quiseres mais, não hà qualquer problema... passas cá por casa e tomas nota... e na dúvida, ainda podes ouvir. Queres melhor?!
Parabéns pelas excelentes compras!

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 13 2012, 21:30

Ulrich escreveu:


E que tal um Workshop no PortugÁudio acerca de alguns mestres do Jazz ...


...isso é que era um luxo


Workshop não digo, mas que eles (mestres do Jazz) vão tocar, disso não tenhas a menor duvida.

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 13 2012, 21:31

Ulrich escreveu:


E que tal um Workshop no PortugÁudio acerca de alguns mestres do Jazz ...
...isso é que era um luxo

Mestres do Jazz?! scratch Já morreram quase todos... RIP

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 13 2012, 21:33

Mister W escreveu:
Ulrich escreveu:


E que tal um Workshop no PortugÁudio acerca de alguns mestres do Jazz ...
...isso é que era um luxo

Mestres do Jazz?! scratch Já morreram quase todos... RIP


não te faças de despercebido ...uma crónica Live
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 13 2012, 21:33

Mister W escreveu:
Ulrich escreveu:


E que tal um Workshop no PortugÁudio acerca de alguns mestres do Jazz ...
...isso é que era um luxo

Mestres do Jazz?! scratch Já morreram quase todos... RIP



Com os excelentes sistemas nacionais que vão estar presentes, até vai parecer que continuam vivos.

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 13 2012, 21:48

Mister W escreveu:
Fran escreveu:
Mas sem nem se ouve, what's the problem? scratch

Nem tudo o que luz, é ouro (e vice-versa)
Eu disse que não se ouvia? confused
Quaseeeeeeeeeeeee ...
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Sex Dez 14 2012, 13:24

Amigos,
Podíamos falar dos inevitáveis "Blue Train", "A Love Supreme" ou das sessões ao vivo no Village Vanguard, todas elas obras de importância vital na discografia de John Coltrane e no panorama Jazz norte-americano. A seu tempo, teremos, certamente, oportunidade de as abordar. Vamos no entanto, falar de um trabalho que, apesar de menos conhecido, não é (na minha opinião) inferior a muitos outros do genial Saxofonista.
John Coltrane - Lush Life (1961, Fantasy/Prestige Records PR7581)
Pertencente à fase em que Coltrane ainda não se havia "entregue" ao Free Jazz e à espiritualidade cósmica, este é um trabalho de Jazz clássico, mas igualmente inovador.
Apesar do seu lançamento só ocorrer em 1961, as gravações dos temas deste disco tiveram lugar entre 1957 e 1958, ou seja, depois de Coltrane ter deixado a banda de Miles Davis e quando já dava os primeiros passos na carreira a solo (que se viria a afigurar curta em virtude do seu falecimento prematuro em 1967).
Mesmo com apenas 5 temas e uma duração total pouco superior a 35 minutos, são várias as formações e os músicos que dão voz a esta obra. Na contra-capa da re-edição da editora Esquire (ver foto), podemos ver a indicação de "John Coltrane Trio, Quartet and Quintet", tão diversas são as formações que participam nos 5 temas. Da formação "fixa" fazem apenas parte John Coltrane, Red Garland (piano) e Paul Chambers (baixo).
O inicio do 1º tema do disco "Like Someone in Love" em jeito de solo, é absolutamente deslumbrante e de uma claridade e detalhe imensos. Dá a ideia que temos o ouvido na campânula do Saxofone de Coltrane. Aliás, o tema é todo deslumbrante, do primeiro ao último minuto, com variações rítmicas algo complexas, ao jeito da genialidade de Coltrane.
No lado 2, o ajustado Lush Life, com quase 14 minutos de duração, é de uma beleza profunda e contagiante. Popularizado por Nat King Cole, numa versão cantada, Lush Life conta com a participação de Donald Byrd (único tema do álbum) e o seu excelente desempenho é digno de registo e dos maiores elogios.
Por último, para além do único tema da autoria de John Coltrane - "Trane's So Blues" - destacaria também o inconfundível "I Love You" de Cole Porter.
Por tudo isto e muito mais, Lush Life é um trabalho absolutamente essencial (entre muitos outros) com uma sonoridade e harmonia únicas e dignas de um dos maiores intérpretes de Jazz de todos os tempos.
A titulo de curiosidade (embora fora do contexto), gostaria de relatar um breve episódio que atesta da singular importância atribuída a este saxofonista. Como certamente sabem, a carreira de John Coltrane sempre fora influenciada pela religião e pela espiritualidade (incutidas desde a sua infância), embora tais influências só se façam notar, de forma mais evidente, na derradeira parte da sua carreira (após "Love Supreme"). Coltrane torna-se um coleccionador de livros (The Gospel of Sri Ramakrishna, Bhagavad Gita, The Tibetan Book of the Dead...*) e um estudioso de obras como a Cabala, o Alcorão ou a Biblia, entre diversas outras sobre Astrologia, Hinduísmo ou Budismo.
Apesar de existir quem defendesse que as ideias mais extremas de Coltrane (i.e. espiritualidade cósmica, estrutura universal musical, etc.) estariam relacionadas com o consumo de drogas, John Coltrane foi canonizado pela Igreja Ortodoxa Africana como Santo John William Coltrane (para além de outros reconhecimentos a titulo póstumo, como o Pulitzer Prize Special Citation de 2007).
Portanto, a partir de agora, quando se quiserem referir ao saxofonista, façam o favor de o chamar de Santo Coltrane!
Por agora, ficamos por aqui... com a promessa de voltarmos a falar do Santo que tocava Saxofone.
Fiquem em Paz
Mister W

*In Wikipédia

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Dez 16 2012, 01:10

Caríssimos,
Quem melhor para se seguir a John Coltrane neste tópico, do que o seu grande amigo Eric Dolphy?

Este Senhor é um dos incontornáveis na história do Jazz, pois para além de possuir uma apurada técnica e um forte sentido de improviso (não apenas no Saxofone, como vamos ver...) foi também um dos pioneiros na utilização de sonoridades que teriam um papel crucial no aparecimento do Free Jazz (apelidado de "Anti-Jazz" pelos mais conservadores). De entre os vários músicos com quem tocou, destacam-se John Coltrane e Charles Mingus, tendo feito parte das formações mais interessantes dos geniais e carismáticos "leaders".
Infelizmente, Doplhy teve uma carreira extremamente curta, em virtude de uma morte repentina ao 36 anos de idade (vitima de doença) durante uma estadia na Alemanha.
Mesmo assim, o seu legado discográfico é considerável, não só pela regularidade das gravações de então (chegavam a ser gravados 6 e 7 discos por ano), como também pelo facto de alguns dos trabalhos que circulam no mercado, terem sido editados a título póstumo.
Á semelhança do que aconteceu com Coltrane, também aqui, em vez de optar por um dos seus trabalhos mais óbvios (Outward Bound, Out There, Iron Man ou Out to Lunch), optei por um menos popular, pelo menos, por cá...

Eric Dolphy - Last Date (1964, Fontana, Japan - Mono)

Este trabalho, apesar de não ser um dos mais consagrados de Eric Dolphy, é certamente um dos mais marcantes, já que é o último trabalho discográfico (facto nem sempre consensual entre os historiadores) da sua curta, mas bem documentada, carreira.

Esta alegada derradeira actuação ao vivo, realizou-se em Junho de 1964, em Hilversum na Holanda e conta com o acompanhamento de um Trio Holandês que Dolphy apenas conhecera uns dias antes, aquando da sua chegada à Holanda (facto curiosamente relatado na contra-capa desta edição Japonesa, que tive a felicidade de adquirir à uns tempos atrás). No entanto, o entrosamento parece ter sido extremamente fácil e agradável, tal era o conhecimento, não só do repertório de Dolphy como da sua técnica, por parte deste Trio de admiradores. Misja Mengelberg no piano (a quem Dolphy chama carinhosamente de "Mingleburgh"), Jacques Schols no baixo e Han Bennink na bateria. E talvez tenha sido esta proximidade recente, que tenha conferido a este trabalho, a grandiosidade que ele carrega. "Last Date" é enigmático e brilhante.
O desempenho de todos (sem excepção) é de uma enorme espontaneidade (não fosse o Jazz, o género do improviso). Estes músicos holandeses, provaram com este trabalho, que o Jazz, apesar das suas raízes, é um género universal.
Apesar de uma forte e harmoniosa secção rítmica, o som de Dolphy deixa transparecer vários indicios do que se viria a apelidar de "Avant-Guarde" ou "Free-Jazz"; apesar do músico nunca se ter deixado "agarrar" por nenhum género em particular. As suas competências na flauta e no clarinete são igualmente profundas e evidentes neste trabalho, em que o músico vai alternando, inteligentemente, entre o saxofone (alto), a flauta e o clarinete (baixo).
Nos 6 temas que fazem parte desta obra, 3 são originais da autoria de Eric Dolphy, contrariando a ideia de que seria apenas um excepcional executante. Os demais temas são: "Epistrophy" de Thelonious Monk, "You Don't Know What Love Is" (D.Raye/De Paul) e por fim "Hypochristmutreefuzz" da autoria de Misja Mengelberg, o extraordinário pianista desta formação holandesa (embora Misja tivesse nascido na Ukrania).

Esta obra-prima (gravada no mês em que Dolphy faleceu) é extremamente representativa da carreira deste prodigioso e pouco convencional músico, originário de Los Angeles (mas apaixonado pela Europa).

Até ao meu regresso...
Mister W


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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Dez 16 2012, 11:41



Mais duas excelentes crónicas
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 16:26

Natural da California (L.A.) Dexter Gordon é um dos nomes importantes da cena Bop dos anos 40. Iniciou-se precisamente em 1940, com Lionel Hmpton e Illinois Jacquet e chegou a tocar para nomes como Nat King Cole, Louis Armstrong e Dizzy Gillespie, entre outros.
Dexter Gordon teve uma vida extremamente preenchida e nos anos 50 (como parecia habitual com os músicos de então) teve alguns problemas com drogas que o levaram à prisão e a alguns momentos de inactividade na sua carreira. Contudo, no inicio dos anos 60 viria a gravar vários trabalhos para a Blue Note, facto que lhe valeria uma popularidade que até então não tinha experimentado. Em 1962 mudou-se para a Europa, onde viria definitivamente a cimentar a sua carreira; principalmente ao serviço da SteepleChase, com quem gravaria alguns dos melhores trabalhos da sua carreira. Apesar de visitar ocasionalmente os Estados Unidos (principalmente para gravar), a sua estadia na Europa viria a prolongar-se até 1976, ano em que regressaria de vez ao seu pais natal. Este pouco provável regresso, teve uma vasta cobertura por parte dos media e provocou alguma euforia nos seus admiradores que tentavam, a todo o custo, vê-lo actuar ao vivo.

A partir dos anos 80 a sua saúde foi-se deteriorando, o que provocou uma enorme instabilidade na sua carreira e longos periodos de inactividade. Contudo, Gordon viria ainda a surpreender os seus seguidores, ao aceitar um papel de actor no filme "Round Midnight", no qual teria um desempenho extremamente comovente e realista, que lhe viria a valer uma nomeação para um Academy Award, 4 anos após o seu falecimento (1990).
Um vida repleta de emoções só poderia dar bons resultados no que ao Jazz diz respeito e o álbum "Go!" é um do melhores exemplos disso.

Dexter Gordon - GO! (1962, Blue Note / Valentim Carvalho, Portugal 1979)
O Jazz não tem que ser sempre melancólico e introspectivo e este trabalho corrobora precisamente essa ideia. Go! é um dos mais descontraídos e alegres trabalhos da extensa carreira de Dexter Gordon, que não poderia ficar de fora deste tópico sobre os mais aclamados discos de Jazz de sempre.

O quarteto que dá "voz" a esta obra, parece exercer algum tipo de magia na forma fluente e natural como os sons são produzidos, pelos vários instrumentos. A sua sonoridade é produzida com a maior da harmonia e detalhe; tudo parece perfeito. Faz parte desta formação o extraordinário pianista Sonny Clark, bem como Butch Warren e Billy Higgins, no baixo e bateria, respectivamente.
Apesar de ser bastante difícil nomear algum tema, pelo facto deste ser um disco extremamente homogéneo e regular, poderia falar de temas como "Cheese Cake", "I Guess I'll Hang My Tears Out To Dry" ou as extraordinárias versões de "Love for Sale" e "Where Are You"...
Uma breve referência para esta edição nacional da Valentim de Carvalho, numa época em que os discos (de Jazz e não só) traziam a acompanhá-los um insert com uma descrição em Português, do artista e da obra (ou apenas uma tradução da contra-capa). Estou certo que alguns de Vós recordam, com saudade, estes inserts nacionais... Outros tempos! Tempos em que ainda se fazia alguma coisa em prol da cultura do povo...
Por último, deixo a minha recomendação deste disco, principalmente para os que não estão muito familiarizados com o Jazz. Por ser um disco alegre e simpático, a sua audição é extremamente agradável e portanto, ideal para quem se está a iniciar nas lides Jazzísticas. Este trabalho, enquadra-se numa sonoridade da linha de "Time Out" de Dave Brubeck, abordado recentemente por aqui (e que recebeu inúmeros elogios).

Até Breve
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 16:36

Um dos do Cascais Jazz, remember?!
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 16:46

Fran escreveu:
Um dos do Cascais Jazz, remember?!
Infelizmente só de ouvir falar... Sad Creio que até esteve em mais do que um...

Alguém esteve presente nesse(s) Concerto(s)? Vá lá, cinquentões do AAP, satisfaçam-nos a curiosidade... scratch
Ou então, alguém que tenha o livro (publicado há uns tempos) sobre a história do Cascais Jazz. study

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 16:51

Mister W escreveu:
Fran escreveu:
Um dos do Cascais Jazz, remember?!
Infelizmente só de ouvir falar... Sad Creio que até esteve em mais do que um...

Alguém esteve presente nesse(s) Concerto(s)? Vá lá, cinquentões do AAP, satisfaçam-nos a curiosidade... scratch
Ou então, alguém que tenha o livro (publicado há uns tempos) sobre a história do Cascais Jazz. study

O remember, não era propriamente relativo ao concerto, pois eras muito xavalinho para lá estares.


A "história" dos anos do Cascais Jazz, desde o seu inicio, penso que até aos seus ultimos dias (Dexter Gordon no primeirissimo, 1971, com regresso em 1978)



PS : eu cheguei a ir ao Cascais Jazz, penso que por duas vezes (tenho de confirmar lá em casa, nos bilhetes que ainda preservo), só que já foi nos anos 80, na época não áurea do Festival de Jazz de Cascais, e fui ao dia dos Blues (havia um dia só dedicado aos Blues) nos Salesianos
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 17:01

Fran escreveu:
Mister W escreveu:
Fran escreveu:
Um dos do Cascais Jazz, remember?!
Infelizmente só de ouvir falar... Sad Creio que até esteve em mais do que um...

Alguém esteve presente nesse(s) Concerto(s)? Vá lá, cinquentões do AAP, satisfaçam-nos a curiosidade... scratch
Ou então, alguém que tenha o livro (publicado há uns tempos) sobre a história do Cascais Jazz. study

O remember, não era propriamente relativo ao concerto, pois eras muito xavalinho para lá estares.


A "história" dos anos do Cascais Jazz, desde o seu inicio, penso que até aos seus ultimos dias (Dexter Gordon no primeirissimo, 1971, com regresso em 1978)


No concerto de 1978 já tinha 11 anitos... Se o meu pai fosse "aficcionado" até podia ter ido com ele... (lá estou eu a delirar outra vez! Evil or Very Mad)

Esse link é excelente, enquanto não compro o livro... Wink
Quando olho para todos esses nomes que passaram por cá... Neutral é mesmo das poucas alturas (a única) em que gostava de ser um pouco mais velho...


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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 17:06

Mister W escreveu:
... No concerto de 1978 já tinha 11 anitos... Se o meu pai fosse "aficcionado" até podia ter ido com ele... (lá estou eu a delirar outra vez! Evil or Very Mad) ...
Yep, era o que tu mais ouvias com 11 anos ... claro, delirio, só pode ... e se tens ido, se calhar hoje em dia odiavas o Jazz.

Olha, eu lembro-me e bem (como já o referi num tópico em que me "senti ofendido"), e não fui, porque não me interessava por essas coisas, e também porque me "faltou" a coragem, já que tinha 15 aninhos.

Mas no ano seguinte, vinguei-me e pela primeira vez, assisti a um concerto, e logo no nosso Fillmore Wink

Vá, "baba-te" aí (1971) lol!





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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 19:05



Mais uma boa crónica Mister, do Dexter G anida não tenho nada , mas vai ter de ser


Esses Vídeos que colocaste são umas pérolas, Sócio, logo vou ver com calma ...

...mas aquele cartaz de 1971...what the f... ...awesome
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 19:24

Obrigado por mais duas grandes crónicas. Não tinha ainda falado do incontornável John Coltrane que adoro e vens logo de seguida com o Dexter que adoro. Um som fabuloso e único ao saxofone. Tenho várias obras, mas não as que mencionas, infelizmente.
Os teus dotes de cronista estão mais que comprovados. Os teus leitores são avidos e querem mais.

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 19:35


Thanks, Fran
(recordar é viver)

cheers
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 19:59

E já agora, para que as coisas não fiquem "pela metade", aqui vão os dois tickets de 1983 e 1984, ambos no Pavilhão dos Salesianos ... frente e verso, pois como estes bilhetes nada referiam, eu escrevia na parte de trás dos mesmos, quem tinha tocado ... engraçado a nota na parte de trás do 1983, António Pinho Vargas a tocar com 3 gajos dos Jáfumega




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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 21:10

António José da Silva escreveu:
Obrigado por mais duas grandes crónicas. Não tinha ainda falado do incontornável John Coltrane que adoro e vens logo de seguida com o Dexter que adoro. Um som fabuloso e único ao saxofone. Tenho várias obras, mas não as que mencionas, infelizmente.
Os teus dotes de cronista estão mais que comprovados. Os teus leitores são avidos e querem mais.

Mais, mais,
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 22:20

Realmente que viu o Miles, assistiu a um momento histórico no panorama musical nacional.

pelo mas fiquei fascinado com estes videos.
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 23:22

Ulrich escreveu:
Realmente que viu o Miles, assistiu a um momento histórico no panorama musical nacional.

pelo mas fiquei fascinado com estes videos.
Em 71, adorava tê-lo visto, pois os finais de 60 e anos 70, são o que mais gosto desse "monstro".


Mesmo assim, já não foi mau lol! ter tido o prazer de assistir ao seu concerto, no Coliseu dos Recreios em 2 de Abril de 1989.

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 23:28

Fran escreveu:


Mesmo assim, já não foi mau lol! ter tido o prazer de assistir ao seu concerto, no Coliseu dos Recreios em 2 de Abril de 1989.


Sortudo... ...
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qua Dez 19 2012, 23:29

Ulrich escreveu:
Fran escreveu:


Mesmo assim, já não foi mau lol! ter tido o prazer de assistir ao seu concerto, no Coliseu dos Recreios em 2 de Abril de 1989.


Sortudo... ...


Sortudo é favor.

Ainda bem para ti amigo.

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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 20 2012, 00:41


Pois é, Eu e o Fran estivemos lá nessa mesma noite:



Mas passados quase 23 anos, agora a dúvida é :

Quantas noites mais é que vão ter de nos aturar aos dois juntos ?

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 20 2012, 10:41

Jorge Ferreira escreveu:

Pois é, Eu e o Fran estivemos lá nessa mesma noite:



Mas passados quase 23 anos, agora a dúvida é :

Quantas noites mais é que vão ter de nos aturar aos dois juntos ?


Aturar? Aos dois?...
O Miles já "fugiu"... (não resisti.. Smile )
Desculpa MisterW

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 20 2012, 10:56

Jorge Ferreira escreveu:

Pois é, Eu e o Fran estivemos lá nessa mesma noite:



Mas passados quase 23 anos, agora a dúvida é :

Quantas noites mais é que vão ter de nos aturar aos dois juntos ?

Foi bom foi "aturar" o Kenny Garrett, que abafou completamente o enormérrimo Miles, por mais que me custe dizê-lo (deves partilhar da mesma opinião, certo Jorge?!) ... aliás, a memória que tenho do concerto, é exactamente a desse saxofonista/flautista, com Miles a andar em "camara lenta" de um lado para o outro, e do resto, népias, não ficou cá nada.



PS : eu nunca fui muito de Jazz, como se nota, mas um "quase Deus", nunca se perde ... contrariamente a uns quantos foristas desta praça ... fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuui
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Dez 20 2012, 23:25

Fran escreveu:
E já agora, para que as coisas não fiquem "pela metade", aqui vão os dois tickets de 1983 e 1984, ambos no Pavilhão dos Salesianos ... frente e verso, pois como estes bilhetes nada referiam, eu escrevia na parte de trás dos mesmos, quem tinha tocado ... engraçado a nota na parte de trás do 1983, António Pinho Vargas a tocar com 3 gajos dos Jáfumega






Ou muito me engano ou este post ficaria bem neste tópico...
http://www.audioanalogicodeportugal.net/t190-os-nossos-concertos-ingressos?highlight=ingressos

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Sex Dez 21 2012, 10:22

zaratustra escreveu:
Fran escreveu:
E já agora, para que as coisas não fiquem "pela metade", aqui vão os dois tickets de 1983 e 1984, ambos no Pavilhão dos Salesianos ... frente e verso, pois como estes bilhetes nada referiam, eu escrevia na parte de trás dos mesmos, quem tinha tocado ... engraçado a nota na parte de trás do 1983, António Pinho Vargas a tocar com 3 gajos dos Jáfumega






Ou muito me engano ou este post ficaria bem neste tópico...
http://www.audioanalogicodeportugal.net/t190-os-nossos-concertos-ingressos?highlight=ingressos

Não te enganas, não senhor ... simplesmente foi postado aqui, para de certa maneira, dar sequência e consequente conclusão ao exposto sobre o Cascais Jazz.

O ideal, seria duplicá-lo, ficando aqui, e no tópico por ti mencionado Zara
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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Sex Dez 21 2012, 10:39

Fran escreveu:
Jorge Ferreira escreveu:

Pois é, Eu e o Fran estivemos lá nessa mesma noite:


Mas passados quase 23 anos, agora a dúvida é :
Quantas noites mais é que vão ter de nos aturar aos dois juntos ?

Foi bom foi "aturar" o Kenny Garrett, que abafou completamente o enormérrimo Miles, por mais que me custe dizê-lo (deves partilhar da mesma opinião, certo Jorge?!) ... aliás, a memória que tenho do concerto, é exactamente a desse saxofonista/flautista, com Miles a andar em "camara lenta" de um lado para o outro, e do resto, népias, não ficou cá nada.

Eu disse que foi à quase 23 anos, mas enganei-me, na verdade já foi à quase 24 anos, como o tempo passa...

Nós os dois já tinhamos falado aqui no forum acerca dessa grande prestação do Kenny Garrett nesse concerto,
foi quem tocou mais e de forma mais vibrante sem dúvida...

Nesse concerto também gostei do teclista Kei Akagi, músico que mais tarde conheci melhor através das suas gravações para as editoras audiófilas da Audioquest e da Reference Recordings.

O Miles já estava muito debilitado fisicamente, tocava umas notas de vez em quando (poucas, mas sempre inconfundíveis),
mas era sobretudo um Maestro que orientava e conduzia os músicos, deixando os músicos brilhar com toda a energia própria da sua juventude (de quem tem ainda de conquistar o seu espaço na história da música e algo a provar).

Mas a imagem do Miles por si só já era meio concerto, vestido com aquelas roupas brilhantes, espampanantes, bem coloridas em tons de amarelo se bem me lembro e com uns oculos escuros enormes como sempre...

Miles tocava apenas umas notas esporádicas aqui e ali, "Less is More" era o conceito, conceito que Miles foi "obrigado" a adoptar devido às suas debilidades físicas, resultado de muitos anos de má vida...

Mas Miles ainda fez uns solos engraçados, com aquela sua forma característica de tocar com as pernas semi flectidas a tocar no meio do palco com o trompete virado para o chão (uma técnica sua que não era apenas uma questao de estilo, mas para tirar partido do som do trompete a reflectir no chão).

Ainda deu para ver e ouvir uma bela amostra do Miles quanto a mim (para quem não teve oportunidade de o ouvir ao vivo no final dos anos 50 nem durante os anos 60).

Neste concerto e principalmente na forma como ele tocou o "Time After Time" da Cindy Lauper,
valeu bem a pena ouvi-lo sem dúvida!

Miles era sem dúvida uma questão de Estilo, um artista estilizado ao máximo, quer ao nível do visual, quer ao nível da sua postura e mais ainda na forma como fazia a sua profunda gestão dos silêncios.

Mas quando ele tocava uma nota, era o som do trompete do Miles que estava lá, simplesmente inconfundível!!!
Ainda capaz de nos trazer aquele arrepio na nuca e de ficarmos com pele de galinha...

Um Mestre a gerir a espectativa e ansiedade do público, dando-lhe apenas uns rebuçados de quando em vez,
e aos poucos e poucos capaz de com aparentemente muito pouco conseguir levá-lo à loucura,
Miles não precisava de tocar muito, pois quem sabe sabe, e Miles sabia.

Com os meus quase 21 anitos de idade, este foi sem dúvida o concerto que me levou a virar também para o Jazz,
e no meu caso dificilmente esse novo caminho poderia ter tido um melhor começo do que este...


Abraços,
Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Sex Dez 21 2012, 11:01

Penso que nessa altura, o Miles tinha acabado de recuperar de uma pneumonia Neutral , e com já mais de 60 anos, a coisa "não mata, mas mói"


PS : obviamente a sua presença, por si só, já impressionava e "bastava", um pouco à semelhança do concerto havido uns anos anos no Dramático de Cascais, com outro "monstro", James Brown
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Dez 23 2012, 15:24


Boas,
Creio que ainda não falámos deste nome incontornável, mas por vezes subestimado, do panorama Jazz (e da Blue Note) das décadas de 50 e 60.

Para muitos, Hank Mobley encontra-se ao nível de outros consagrados como Sonny Rollins, Stan Getz ou mesmo de John Coltrane, tal é a intensidade que coloca nas suas geniais interpretações. Um dos iniciadores do movimento Hard-Bop, Hank Mobley tocou com músicos como Dizzy Gillespie ou Max Roach e mais tarde com Horace Silver, Art Blakey e Kenny Dorham. Chegou a fazer parte da banda de Miles Davis (durante um curto período) enquanto este procurava um substituto de John Coltrane. Estabeleceu ainda uma relação de cumplicidade e excelente parceria com Lee Morgan que participou em vários dos seus trabalhos. Outros dos nomes que podemos ouvir nos seus discos são Freddie Hubbard e Donald Bird.

Voltaremos por certo a abordar, com maior detalhe, a vasta obra deste excelente músico e compositor que é um dos nomes que mais ajuda a preencher as prateleiras da minha colecção de discos... Algumas dessas referências são No Room for Squares, A Caddy for Daddy, Workout, Roll Call, Dippin', Hi-Voltage, The Flip, A Slice of the Top, The Turnaround, etc. (sem qualquer ordem).

Hank Mobley - Soul Station (1960, Blue Note 4031)
Muitos outros poderíamos abordar, mas trago-vos um trabalho que é normalmente referido nas listas dos melhores discos de Jazz de sempre e na minha opinião de forma legitima.

São apenas 6 temas, mas que fazem a maravilha e o contentamento de qualquer apreciador de Jazz, mesmo dos menos envolvidos. Para além dos 4 temas da autoria de Mobley, fazem parte dois excelentes standards que dão pelo nome de "Remember" e "If I Should Lose You".
Começando precisamente com "Remember", este excelente disco é extremamente regular (aliás, como a sua carreira) e ouve-se de forma descontraída mas igualmente apaixonada, tal é o calor das melodias criadas (ou escolhidas) por este excelente compositor, mas essencialmente instrumentista.
Apesar de ter lançado inúmeros trabalhos até à data, Soul Station é curiosamente o primeiro em que Mobley surge sem qualquer acompanhante (Saxofone ou Trompete) mas apenas com a extraordinária secção rítmica, constituída por experientes músicos como Art Blakey, Wynton Kelly e Paul Chambers; e esse foi certamente um dos motivos por detrás do sucesso desta obra. Além disso, Hank Mobley atravessava a melhor fase da sua carreira e a extrema confiança e o sentimento que colocava nas suas interpretações, aliada ao som extremamente limpo e pouco complicado, foram certamente as outras razões.

É certamente um dos discos indispensáveis para quem procura clássicos de Jazz com um som intemporal. Por tudo o que já foi dito e ficou por dizer, não hesito em atribuir-lhe nota máxima.

Até ao meu regresso... aproveitando desde já para Vos desejar, a todos e às famílias respectivas, um Feliz Natal... e já agora, com muitos discos em vez das tradicionais peúgas...

Mister W

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Dez 23 2012, 16:02

É mesmo, e legitimamente, um dos imortais do Jazz.
Se me é permitido, gostaria de adicionar o álbum "A Silce Of The Top", onde "contracena" com Lee Morgan, e McCoy Tyner só para mencionar alguns. Outro grande álbum onde se reunem alguns dos que mencionastes acima, é o "Tenor Conclave" onde os artistas são os seguintes; Hank Mobley, Al Cohn, John Coltrane e Zoot Sims.

Tudo grandes obras para adicionar a mais uma deliciosa crónica do grande W.

Tenho esta versão de nome pomposo, mas não recomendo (não é má de todo, mas podia ser bem melhor).







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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Dom Dez 23 2012, 16:46

António José da Silva escreveu:
É mesmo, e legitimamente, um dos imortais do Jazz.
Se me é permitido, gostaria de adicionar o álbum "A Silce Of The Top", onde "contracena" com Lee Morgan, e McCoy Tyner só para mencionar alguns. Outro grande álbum onde se reunem alguns dos que mencionastes acima, é o "Tenor Conclave" onde os artistas são os seguintes; Hank Mobley, Al Cohn, John Coltrane e Zoot Sims.

Tudo grandes obras para adicionar a mais uma deliciosa crónica do grande W.

Tenho esta versão de nome pomposo, mas não recomendo (não é má de todo, mas podia ser bem melhor).





Esse "Tenor Conclave" não conheço... Sad é dos poucos dele que não é da Blue Note.
Quanto a essa re-edição do "A Slice of The Top" (de 1995, creio) deve ser melhor do que aquela que eu possuo, uma Blue Note (de 2002 ou 2005) que deixa um pouco a desejar... Enfim, dá para matar o vício! Neutral
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Jan 10 2013, 15:43

Caros Amigos,
Como tenho reparado que goza de bastante popularidade entre os membros do Fórum, cheguei à conclusão que a primeira crónica do ano, devia precisamente abordar a Bossa Nova.
Apesar de ser um parente algo afastado do Jazz, as suas ligações e intercâmbios com este, são inúmeras; e até pela afinidade que possuímos como país "irmão", achei por bem dedicar um pouco deste nosso espaço, em jeito de homenagem, à Bossa Nova e seus derivados.

É evidente que muito haveria para dizer sobre este género latino, contudo, para abreviar um pouco um tema que daria por certo "pano para mangas", fiz uma selecção de algumas das minhas obras favoritas e que considero serem representativas do género em questão. Em cada crónica, abordarei um artista ou um grupo de obras.
Espero que gostem e que contribuam com mais exemplos, que por falta de espaço ou de conhecimento, não sejam por mim abordados.

Uma das referência obrigatórias deste género, dá pelo nome de Laurindo José de Araujo Almeida Nóbrega Neto, ou simplesmente Laurindo Almeida; nasceu em 1917 perto de Santos no estado de São Paulo e teve desde cedo uma forte educação musical, motivada pela sua família.
Depois de algumas experiências no Rio de Janeiro (ex: Rádio Magrink Veiga, Orquestra Casino da Urca...) Laurindo Almeida foi para os Estados Unidos em 1947, para se juntar à Orquestra de Stan Kenton, como guitarrista solo.
A partir daí, o seu extraordinário talento, dedicação e gosto refinado fizeram o resto e em breve seria alvo de um enorme reconhecimento por toda a América do Norte e Sul.

Sucederam-se inúmeras obras, espectáculos e participações com alguns dos mais conceituados músicos, como Baden Powell, Stan Getz ou Herbie Mann.
Laurindo desempenhou um papel fundamental como musico, mas também como Compositor de inúmeras e variadas obras, desde o Jazz, à música Clássica e Latina, para além de inúmeras contribuições para a Televisão e Cinema.
Foi pioneiro e um dos principais responsáveis pelo reconhecimento da Bossa Nova, que ajudou a catapultar para paragens internacionais. Foi um extraordinário executante de guitarra, com uma incomparável técnica e sentido de "timing" só ao alcance dos melhores. Sabe-se que Django Reinhardt (que teve a oportunidade de ver tocar ao vivo) foi uma das suas principais inspirações artísticas ao longo da sua vida).

Laurindo Almeida Quartet featuring Bud Sud Shank (1955, Pacific Records) - 1979, King Records, Japan
Este excelente trabalho dá-nos a conhecer a forte interligação entre a música nativa Brasileira e o Jazz Norte-Americano (cuja coesão se mantêm até aos nossos dias) e que viria a originar um novo estilo apelidado de Jazz Samba.
A receita é simples. Um virtuoso da guitarra, com uma guitarra clássica espanhola sem amplificação, de nome Laurindo Almeida e uma referência do saxofone alto, multi galardoada, que dá pelo nome de Bud Shank. Junta-se uma secção ritmica competente e tudo o resto fluí de uma forma natural. São estes os principais ingredientes que fazem desta, uma receita de sucesso.

A estrutura músical deste trabalho é principalmente latina, sendo o Jazz, através do Saxofone de Bud Shank, um complemento que confere tranquilidade, harmonia e um toque de requinte a toda a obra. Estes registos, completamente instrumentais, deste estilo de fusão que emergia no inicio dos anos 50, pautam-se essencialmente por uma sonoridade extremamente agradável e descontraída, que serve na perfeição como música de ambiente, para qualquer ocasião.
Fazem igualmente parte da formação, Harry Babasin (Baixo) e Roy Harte (bateria) que apesar do seu papel secundário, têm um desempenho muito agradável no que à secção rítmica diz respeito.
(re-edição da Pure Pleasure Analogue WP1412)

Laurindo Almeida & Bud Shank - Braziliance, Vol.2 (1958, Pacific Records) - 1962, World-Pacific Records, USA
Na sequência do aclamado "Braziliance, Vol. 1" de 1955 (considerado por muitos um dos primeiros discos de fusão Jazz/Bossa Nova) e após um considerável interregno, Bud Shank e Laurindo Almeida, decidem juntar-se novamente e gravar "Braziliance, Vol.2" que seria editado em 1958.
Á semelhança do que acontecera anteriormente, a estrutura deste trabalho assenta na fusão de ritmos brasileiros com o improviso do Jazz de então (Cool Bop). No entanto, notam-se algumas diferenças, nomeadamente uma maior liberdade nos arranjos e por vezes uma maior influência do Jazz, com Bud Shank a assumir maior protagonismo através de solos mais longos. Para além do saxofone alto, é também introduzida a flauta, executada com mestria por Bud Shank e que confere um requinte adicional a esta obra.

Este Quarteto completa-se com dois excelentes músicos, como é o caso de Gary Peacock (baixo) e Chuck Flores (bateria) cujo desempenho, apesar de não ser exuberante (a música não o permite) é extremamente adequado e confere a esta obra, uma estrutura rítmica de bom nível.
Por tudo isto, "Braziliance - Volume 2" é um trabalho de referência, extremamente agradável e que não hesito em recomendar, pois junta dois excelentes instrumentistas e compositores que (infelizmente) só se voltariam a juntar alguns anos mais tarde (nos anos 70) num projecto de nome L.A. Four (com Ray Brown e Shelly Manne).

Stan Getz with Laurindo Almeida (1963, Verve) - 2007, Verve, USA
Fruto do crescente respeito e admiração que Laurindo Almeida estava a provocar na comunidade artística de então, outras partcipações surgiram, como é o caso deste extraordinário registo de 1963, em que Laurindo gravou com o ícone do saxofone e do Jazz norte-americano, Stan Getz.
Este seria aliás, um ano extremamente proveitoso para Stan Getz, em termos de Bossa Nova, tendo sido editados vários trabalhos de referência, com participações de Luiz Bonfá, João Gilberto e Charlie Byrd e que decerto abordaremos mais adiante, nesta incursão pela Bossa Nova.

Este trabalho é efectivamente uma referência dentro do género, não somente pelas extraordinárias interpretações de Getz e Almeida e pelos excelentes arranjos, como também pela secção rítmica, a cargo de músicos como George Duvivier (baixo), Edison Machado (bateria) ou Luiz Parge e José Paulo (ritmos latinos), entre outros. Mas deve igualmente ser feita uma alusão à excelente produção da equipa de Creed Taylor e à Verve Records que possibilitou esta extraordinária prensagem (no meu caso, trata-se da re-edição V6-8665).
Pena é que uma editora tão conceituada como a Verve, não tenha (ou não queira) os seus sistemas equipados com caracteres Portugueses como o Ç (C cedilhado) transformando o "Menina Moça" em "Menina Moca" (para não falar de outras incorrecções...).

Resumindo, esta obra é de um extremo bom-gosto e de uma sonoridade contagiante. Os solos de Stan Getz são de uma profundidade arrepiante, ao nível dos seus melhores trabalhos a solo. O registo da guitarra de Laurindo Almeida é absolutamente delicioso, dando simultaneamente a ideia de naturalidade e de tri-dimensionalidade.
Fazem parte deste trabalho, excelentes versões instrumentais de temas como Menina Moça, Samba do Sahra, Outra Vez e Winter Moon, o que, por sí só, deixa antever um excelente trabalho recheado de temas intemporais do Bossa Nova, aqui com uma nova "roupagem" e exemplarmente convertidos em Jazz Samba.

Por último, ficam mais dois exemplos de parcerias de Laurindo Almeida.

Ray Brown & Laurindo Almeida - Moonlight Serenade (1981 - Kingston Records) 2003 Jeton (Direct-to-Disc) JET33004
Laurindo Almeida/Charlie Byrd - Tango (1985 - Concord) Groove Note GRV1021-3 SACD

Até breve, com mais uma referência deste (sub) género musical, que viria a dar um novo rumo à música originária do Brasil e Estados Unidos.

Reitero os Votos de Um Bom Ano na companhia de Boas Músicas... e não só.
Mister W



Última edição por Mister W em Qui Jan 10 2013, 17:07, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Jan 10 2013, 16:00

afonso escreveu:


Um disco que estou sempre a ouvir e nunca me farto dele.

Se calhar é porque é a versão original de 1963 da Verve e está Mint.



Stan Getz with Laurindo Almeida.







Excepcional.






Última edição por afonso em Qui Jan 10 2013, 16:24, editado 1 vez(es)
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Duarte Rosa
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Jan 10 2013, 16:12

Mister W escreveu:
Caros Amigos,
Como tenho reparado que goza de bastante popularidade entre os membros do Fórum, cheguei à conclusão que a primeira crónica do ano, devia precisamente abordar a Bossa Nova.
Apesar de ser um parente algo afastado do Jazz, as suas ligações e intercâmbios com este, são inúmeras; e até pela afinidade que possuímos como país "irmão", achei por bem dedicar um pouco deste nosso espaço, em jeito de homenagem, à Bossa Nova e seus derivados.

É evidente que muito haveria para dizer sobre este género latino, contudo, para abreviar um pouco um tema que daria por certo "pano para mangas", fiz uma selecção de algumas das minhas obras favoritas e que considero serem representativas do género em questão. Em cada crónica, abordarei um artista ou um grupo de obras.
Espero que gostem e que contribuam com mais exemplos, que por falta de espaço ou de conhecimento, não sejam por mim abordados.

Uma das referência obrigatórias deste género, dá pelo nome de Laurindo José de Araujo Almeida Nóbrega Neto, ou simplesmente Laurindo Almeida; nasceu em 1917 perto de Santos no estado de São Paulo e teve desde cedo uma forte educação musical, motivada pela sua família.
Depois de algumas experiências no Rio de Janeiro (ex: Rádio Magrink Veiga, Orquestra Casino da Urca...) Laurindo Almeida foi para os Estados Unidos em 1947, para se juntar à Orquestra de Stan Kenton, como guitarrista solo.
A partir daí, o seu extraordinário talento, dedicação e gosto refinado fizeram o resto e em breve seria alvo de um enorme reconhecimento por toda a América do Norte e Sul.

Sucederam-se inúmeras obras, espectáculos e participações com alguns dos mais conceituados músicos, como Baden Powell, Stan Getz ou Herbie Mann.
Laurindo desempenhou um papel fundamental como musico, mas também como Compositor de inúmeras e variadas obras, desde o Jazz, à música Clássica e Latina, para além de inúmeras contribuições para a Televisão e Cinema.
Foi pioneiro e um dos principais responsáveis pelo reconhecimento da Bossa Nova, que ajudou a catapultar para paragens internacionais. Foi um extraordinário executante de guitarra, com uma incomparável técnica e sentido de "timing" só ao alcance dos melhores. Sabe-se que Django Reinhardt (que teve a oportunidade de ver tocar ao vivo) foi uma das suas principais inspirações artísticas ao longo da sua vida).

Laurindo Almeida Quartet featuring Bud Sud Shank (1955, Pacific Records) - 1979, King Records, Japan
Este excelente trabalho dá-nos a conhecer a forte interligação entre a música nativa Brasileira e o Jazz Norte-Americano (cuja coesão se mantêm até aos nossos dias) e que viria a originar um novo estilo apelidado de Jazz Samba.
A receita é simples. Um virtuoso da guitarra, com uma guitarra clássica espanhola sem amplificação, de nome Laurindo Almeida e uma referência do saxofone alto, multi galardoada, que dá pelo nome de Bud Shank. Junta-se uma secção ritmica competente e tudo o resto fluí de uma forma natural. São estes os principais ingredientes que fazem desta, uma receita de sucesso.

A estrutura músical deste trabalho é principalmente latina, sendo o Jazz, através do Saxofone de Bud Shank, um complemento que confere tranquilidade, harmonia e um toque de requinte a toda a obra. Estes registos, completamente instrumentais, deste estilo de fusão que emergia no inicio dos anos 50, pautam-se essencialmente por uma sonoridade extremamente agradável e descontraída, que serve na perfeição como música de ambiente, para qualquer ocasião.
Fazem igualmente parte da formação, Harry Babasin (Baixo) e Roy Harte (bateria) que apesar do seu papel secundário, têm um desempenho muito agradável no que à secção rítmica diz respeito.
(re-edição da Pure Pleasure Analogue WP1412)

Laurindo Almeida & Bud Shank - Braziliance, Vol.2 (1958, Pacific Records) - 1962, World-Pacific Records, USA
Na sequência do aclamado "Braziliance, Vol. 1" de 1955 (considerado por muitos um dos primeiros discos de fusão Jazz/Bossa Nova) e após um considerável interregno, Bud Shank e Laurindo Almeida, decidem juntar-se novamente e gravar "Braziliance, Vol.2" que seria editado em 1958.
Á semelhança do que acontecera anteriormente, a estrutura deste trabalho assenta na fusão de ritmos brasileiros com o improviso do Jazz de então (Cool Bop). No entanto, notam-se algumas diferenças, nomeadamente uma maior liberdade nos arranjos e por vezes uma maior influência do Jazz, com Bud Shank a assumir maior protagonismo através de solos mais longos. Para além do saxofone alto, é também introduzida a flauta, executada com mestria por Bud Shank e que confere um requinte adicional a esta obra.

Este Quarteto completa-se com dois excelentes músicos, como é o caso de Gary Peacock (baixo) e Chuck Flores (bateria) cujo desempenho, apesar de não ser exuberante (a música não o permite) é extremamente adequado e confere a esta obra, uma estrutura rítmica de bom nível.
Por tudo isto, "Braziliance - Volume 2" é um trabalho de referência, extremamente agradável e que não hesito em recomendar, pois junta dois excelentes instrumentistas e compositores que (infelizmente) só se voltariam a juntar alguns anos mais tarde (nos anos 70) num projecto de nome L.A. Four (com Ray Brown e Shelly Manne).

Stan Getz with Laurindo Almeida (1963, Verve) - 2007, Verve, USA
Fruto do crescente respeito e admiração que Laurindo Almeida estava a provocar na comunidade artística de então, outras partcipações surgiram, como é o caso deste extraordinário registo de 1963, em que Laurindo gravou com o ícone do saxofone e do Jazz norte-americano, Stan Getz.
Este seria aliás, um ano extremamente proveitoso para Stan Getz, em termos de Bossa Nova, tendo sido editados vários trabalhos de referência, com participações de Luiz Bonfá, João Gilberto e Charlie Byrd e que decerto abordaremos mais adiante, nesta incursão pela Bossa Nova.

Este trabalho é efectivamente uma referência dentro do género, não somente pelas extraordinárias interpretações de Getz e Almeida e pelos excelentes arranjos, como também pela secção rítmica, a cargo de músicos como George Duvivier (baixo), Edison Machado (bateria) ou Luiz Parge e José Paulo (ritmos latinos), entre outros. Mas deve igualmente ser feita uma alusão à excelente produção da equipa de Creed Taylor e à Verve Records que possibilitou esta extraordinária prensagem (no meu caso, trata-se da re-edição V6-8665).
Pena é que uma editora tão conceituada como a Verve, não tenha (ou não queira) os seus sistemas equipados com caracteres Portugueses como o Ç (C cedilhado) transformando o "Menina Moça" em "Menina Moca" (para não falar de outras incorrecções...).

Resumindo, esta obra é de um extremo bom-gosto e de uma sonoridade contagiante. Os solos de Stan Getz são de uma profundidade arrepiante, ao nível dos seus melhores trabalhos a solo. O registo da guitarra de Laurindo Almeida é absolutamente delicioso, dando simultaneamente a ideia de naturalidade e de tri-dimensionalidade.
Fazem parte deste trabalho, excelentes versões instrumentais de temas como Menina Moça, Samba do Sahra, Outra Vez e Winter Moon, o que, por sí só, deixa antever um excelente trabalho recheado de temas intemporais do Bossa Nova, aqui com uma nova "roupagem" e exemplarmente convertidos em Jazz Samba.

Por último, ficam mais dois exemplos de parcerias de Laurindo Almeida.


Até breve, com mais uma referência deste (sub) género musical, que viria a dar um novo rumo à música originária do Brasil e Estados Unidos.

Reitero os Votos de Um Bom Ano na companhia de Boas Músicas... e não só.
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Qui Jan 10 2013, 17:11



Por falar em Laurindo Almeida, estive hoje para comprar este disco na edição US de 71 da Reprise Records.



http://www.discogs.com/Sammy-Davis-Jr-And-Laurindo-Almeida-Sammy-Davis-Jr-Sings-And-Laurindo-Almeida-Plays-And-The-Results-/master/331089
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Sex Jan 11 2013, 03:25

Obrigado por mais este magnifico texto e incursão por este género do Jazz. Tenho dois dos álbuns que mencionas e são realmente excelentes.

Também gostaria de incluir um homem do qual tenho bastantes álbuns e que foi um grande ícone da Bossa Nova, e com quem Laurindo Almeida "contracena" no ultimo álbum da tua crónica de hoje. Trata-se de Charlie Byrd, um fabuloso guitarrista de Jazz e que também teve grande contributo para a globalização desta ramificação do Jazz.

Ficam aqui alguns dos álbuns que tenho dele e que recomendo fortemente. Para quem gosta de Bossa, é um artista a não perder.

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Sex Jan 11 2013, 10:45

António José da Silva escreveu:
Obrigado por mais este magnifico texto e incursão por este género do Jazz. Tenho dois dos álbuns que mencionas e são realmente excelentes.

Também gostaria de incluir um homem do qual tenho bastantes álbuns e que foi um grande ícone da Bossa Nova, e com quem Laurindo Almeida "contracena" no ultimo álbum da tua crónica de hoje. Trata-se de Charlie Byrd, um fabuloso guitarrista de Jazz e que também teve grande contributo para a globalização desta ramificação do Jazz.

Ficam aqui alguns dos álbuns que tenho dele e que recomendo fortemente. Para quem gosta de Bossa, é um artista a não perder.
Nem mais! Charlie Byrd também pertence ao lote de grandes guitarristas de Bossa Nova, apesar da sua formação ser essencialmente clássica e mesmo sendo originário dos Estados Unidos. Mais um dos inúmeros americanos que se apaixonaram e converteram às sonoridades tropicais!
Esse Jazz Samba com Stan Getz é fabuloso. As versões instrumentais de "Desafinado", "O Pato" ou "Samba de Uma Nota Só" são arrepiantes! sunny

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Sex Jan 11 2013, 10:46

Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
Obrigado por mais este magnifico texto e incursão por este género do Jazz. Tenho dois dos álbuns que mencionas e são realmente excelentes.

Também gostaria de incluir um homem do qual tenho bastantes álbuns e que foi um grande ícone da Bossa Nova, e com quem Laurindo Almeida "contracena" no ultimo álbum da tua crónica de hoje. Trata-se de Charlie Byrd, um fabuloso guitarrista de Jazz e que também teve grande contributo para a globalização desta ramificação do Jazz.

Ficam aqui alguns dos álbuns que tenho dele e que recomendo fortemente. Para quem gosta de Bossa, é um artista a não perder.
Nem mais! Charlie Byrd também pertence ao lote de grandes guitarristas de Bossa Nova, apesar da sua formação ser essencialmente clássica e mesmo sendo originário dos Estados Unidos. Mais um dos inúmeros americanos que se apaixonaram e converteram às sonoridades tropicais!
Esse Jazz Samba com Stan Getz é fabuloso. As versões instrumentais de "Desafinado", "O Pato" ou "Samba de Uma Nota Só" são arrepiantes! sunny




Da próxima levo-te o ultimo que apresentei e que é ao vivo. Uma maravilha de álbum duplo.

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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Sex Jan 11 2013, 10:51

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
Obrigado por mais este magnifico texto e incursão por este género do Jazz. Tenho dois dos álbuns que mencionas e são realmente excelentes.

Também gostaria de incluir um homem do qual tenho bastantes álbuns e que foi um grande ícone da Bossa Nova, e com quem Laurindo Almeida "contracena" no ultimo álbum da tua crónica de hoje. Trata-se de Charlie Byrd, um fabuloso guitarrista de Jazz e que também teve grande contributo para a globalização desta ramificação do Jazz.

Ficam aqui alguns dos álbuns que tenho dele e que recomendo fortemente. Para quem gosta de Bossa, é um artista a não perder.
Nem mais! Charlie Byrd também pertence ao lote de grandes guitarristas de Bossa Nova, apesar da sua formação ser essencialmente clássica e mesmo sendo originário dos Estados Unidos. Mais um dos inúmeros americanos que se apaixonaram e converteram às sonoridades tropicais!
Esse Jazz Samba com Stan Getz é fabuloso. As versões instrumentais de "Desafinado", "O Pato" ou "Samba de Uma Nota Só" são arrepiantes! sunny


Da próxima levo-te o ultimo que apresentei e que é ao vivo. Uma maravilha de álbum duplo.
Venha ele!
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Sex Jan 11 2013, 12:47

Eu fico sempre maravilhado com os dicos de que vocês falam aqui neste tópico

Há também um aspecto que é interessante, pelo menos para mim, é que mostra o longo caminho que ainda tenho de percorrer para aprender e ouvir todas estas maravilhas do Jazz e do Vinil, pois são duas coisas que tanto gosto

Mister W e AJS, não sei se conhcem José James, de certeza que sim, eu gosto muito, ele lançou um Album novo este mês e vai sair também em Duplo LP e edição da Blue Note, deve ser super
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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Sex Jan 11 2013, 13:00


Discos de Bossa Nova tenho estes 8 originais mono da Verve, com estes musicos;


Laurindo Almeida
Charlie Byrd
Astrud Gilberto
João Gilberto
Antonio Carlos Jobim
Stan Getz
Luiz Bonfá






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MensagemAssunto: Re: *Os imortais do JAZZ*   Sex Jan 11 2013, 13:30

Duarte Rosa escreveu:
Eu fico sempre maravilhado com os dicos de que vocês falam aqui neste tópico

Há também um aspecto que é interessante, pelo menos para mim, é que mostra o longo caminho que ainda tenho de percorrer para aprender e ouvir todas estas maravilhas do Jazz e do Vinil, pois são duas coisas que tanto gosto

Mister W e AJS, não sei se conhcem José James, de certeza que sim, eu gosto muito, ele lançou um Album novo este mês e vai sair também em Duplo LP e edição da Blue Note, deve ser super

Duarte,
Sei apenas que é uma das promessas da música de fusão norte-americana e que mistura o Jazz com Funky e algum Hip-Hop. Do pouco que conheço, destaco a forte secção rítmica e a secção de metais. Apesar de não ser um especial admirador do Jazz cantado (com excepções) não à dúvida que José James tem uma excelente voz.
Ouvi um tema chamado "The Dreamer", que me agradou particularmente (a voz, a profundidade do trompte...) e parece ter uma produção e prensagem excelentes.
Tenho que ouvir melhor ... Very Happy
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