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 O violoncelo do Rei

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: O violoncelo do Rei   Dom Nov 25 2012, 12:19

Ontem passei a manhã indeciso entre ir o audio-xô de Santo Amaro e ou a um recital de violoncelo e piano onde a estrela era none other than um Stradivarius que foi pertença D. Luís (1838-1889), Rei de Portugal.

Segundo o folheto-programa, este instrumento foi comprado em França por 20.000 Francos de então e era tocado por Sua Majestade nos serões musicais da família Real, acompanhado ao piano por sua mãe D. Maria II e à voz por El-Rei D. Fernando.

Em 1937 foi cedido por decreto ao Conservatório Nacional que o remeteu para as caves do Convento de Mafra onde esteve sujeito a humidade, ratos e ao malfadado "caruncho"...de repente isto lembra-me a história de um valioso apartamento esquecido em Manhattan.

Bem o que importa é que, apesar das marcas deixadas pela negligência de alguns irresponsáveis ainda visíveis após o restauro, o instrumento de 1725 ainda soa divinalmente com uma riqueza harmónica que nos comove as mais profundas entranhas...convém no entanto mencionar que o violoncelo é o meu instrumento de eleição e que a minha opinião não é totalmente desprovida de subjectividade.
Já não escutava um violoncelo tão perto há uma dezena de anos (Wispelwey, Festa da Música) e tinha-me esquecido da ressonância enfeiticante que aquela caixa de paredes é capaz de produzir ou que podia descer tão baixo na escala - em concerto o instrumento parece soar mais frágil e comedido - e mais uma vez constatei que a maioria das gravações acentua os agudos de forma artificial.

Beethoven feat. Stradivari

Passemos ao repertório: no primeiro dia o recital começou com a Sonata em Fá Maior Op. 5, N. 1, tendo-se seguido 12 Variações sobre um tema da Oratória Judas Macabeus de Händel em Sol Maior, 7 Variações sobre o tema Bei Männern, welche Liebe fühlen da Ópera A Flauta Mágica de Mozart em Mi bemol Maior e a fechar a Sonata em Lá Maior, Op. 69.

Os instrumentistas eram o Rui Borralhino ao violoncelo e Christoph Berner ao piano, se não estou em erro o instrumento pessoal do Compositor Luís de Freitas Branco (1890-1955), e gostei muito da interpretação de ambos, embora parecesse aos meus ouvidos incultos que o Austríaco por vezes tinha umas mãos "pesadas" (seria do piano?)...de qualquer modo, concerto é concerto.
As minhas referências auditivas são o Rostropovich para as Sonatas (EMI) e o Wispelwey para as Variações (Channel Classics) e devo dizer que fiquei verdadeiramente surpreendido com a expressividade do Rui Borralhino, cuja técnica me pareceu acima de qualquer reparo, um pouco suave nas Sonatas mas bastante cativante nas Variações.

Última nota para o espaço: quem é que se iria lembrar de fazer um Museu da Música, cujo suporte existencial é o silêncio, numa estação de Metropolitano?
Mais uma prova de que vivemos num país de doidos...
É óbvio que a chegada dos comboio à estação produz imenso ruído, pior do que aquele que se escutava nas salas do Cinema Quarteto, de tal forma perturbador que me perguntei várias vezes para que raio estariam eles a gravar o espectáculo.
Além do mais o espaço do museu não reúne as condições acústicas (o pé direito é mais baixo do que o da minha casa) nem de conforto (cadeiras dobráveis, muito ruidosas) necessárias a um evento deste género...


Apesar de tudo gostei bastante, acho que a opção por não ir ao xô foi acertada, mas infelizmente não sei se estarei em condições de escutar a segunda parte esta tarde pois penso que estou a "chocar" uma gripe.

R



Última edição por ricardo onga-ku em Seg Nov 26 2012, 11:10, editado 5 vez(es)
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Milton
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MensagemAssunto: Re: O violoncelo do Rei   Dom Nov 25 2012, 13:33

Ouvi na antena 2 do radio do carro que esse espetaculo iria ter lugar , mas depois com o transito perdi-me da noticia, é uma pena os radios dos carros não terem a possibilidade de gravação para podermos fazer um recuo temporal(ao genero do MEO).

Gostei de te ler e de saber que o Stradivarius está recuperado e ainda capaz de transmitir as melhores emoções.
Esse ainda assim, teve melhor fim do que o Stradivarius do José Relvas, não é o Relvas desta republica de bananas mas o Relvas que vivia em Alpiarça, e em 1910 proclamou a republica da varanda da Camara de Lisboa, dizia eu que o Stradivarius deste Relvas foi vendido, juntamente com um quadro de Monet, para fazer face às despesas da sua esposa em Paris.

As melhoras.

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MJC
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MensagemAssunto: Re: O violoncelo do Rei   Dom Nov 25 2012, 19:14

Caro Ricardo,

Fizeste a escolha certa, mas pelas razões que te enumerei, sou muito suspeito.

Ainda bem que gostaste do Chevillard.

Se as gravações acentuam os agudos, o que dizer da esmagadora maioria das colunas...

Toma cautela com esses síndromes gripais. O que vale é que o teu seguro de saúde contempla médica 24h por dia.

Um abraço,

MJ
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: O violoncelo do Rei   Seg Nov 26 2012, 11:06

Bom dia Mário,

Ontem acabei por ficar em casa, com as dores no corpo de quem foi atropelado por um elefante.
Mas parece que desta vez a maleita foi de pouca dura e hoje já me sinto bastante recobrado.

Um abraço,
Ricardo
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greytear
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MensagemAssunto: Re: O violoncelo do Rei   Seg Nov 26 2012, 11:46

Prezado Ricardo,

A escolha foi, no meu entendimento, a mais acertada.
Pedia-te apenas um esclarecimento: o violoncelista era mesmo o Rui Borralhino, conforme escreveste, ou o Bruno Borralhinho?

Muito obrigado.
Cumprimentos,
luis
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: O violoncelo do Rei   Seg Nov 26 2012, 13:09



Confesso que não entendo a comparação dos dois eventos sendo que uma escolha é boa e outra má ...

não é todos os dias que podemos ouvir um Stradivarius, mas também não é todos os dias que podemos ouvir tantos sistemas no mesmo local.

Tudo vale a pena, quando não temos as ideias formatadas, existe sempre qualquer coisa para aprender
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: O violoncelo do Rei   Seg Nov 26 2012, 14:03

greytear escreveu:
Prezado Ricardo,

A escolha foi, no meu entendimento, a mais acertada.
Pedia-te apenas um esclarecimento: o violoncelista era mesmo o Rui Borralhino, conforme escreveste, ou o Bruno Borralhinho?

Muito obrigado.
Cumprimentos,
luis

Tens razão é Bruno e não Rui...
Vou corrigir.

Obrigado,
Ricardo
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ricardo onga-ku
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Localização : Terra d'Angles

MensagemAssunto: Re: O violoncelo do Rei   Seg Nov 26 2012, 14:29

Ulrich escreveu:


Confesso que não entendo a comparação dos dois eventos sendo que uma escolha é boa e outra má ...

não é todos os dias que podemos ouvir um Stradivarius, mas também não é todos os dias que podemos ouvir tantos sistemas no mesmo local.

Tudo vale a pena, quando não temos as ideias formatadas, existe sempre qualquer coisa para aprender

Comigo as oportunidades de soltura são reduzidas e não é invulgar existir mais de uma opção.
Este fim de semana os astros alinharam-se: a minha mulher assistiu a um congresso e consegui empandeirar os miúdos para casa da sogra.
Há duas semanas levei o mais pequeno ao Museu da Música e trouxe comigo um panfleto que anunciava o concerto, e já sabia que no mesmo fim de semana se iria realizar o xô.
Como as oportunidades para ouvir música ao vivo não são muitas acabei por optar pelo Stradivarius.
À saída, passava pouco das 18h ainda pensei dar uma saltada a Santo Amaro mas o tempo estava bera, a gripe começava a dar sinais da sua força e não me apetecia "estragar" os ouvidos e acima de tudo uma boa memória...no Domingo não me conseguia mexer.

O meu interesse nos xôs reside exclusivamente em ouvir as colunas de banda larga com música adequada para o efeito, de preferência orquestral; tive pena de não ter escutado o sistema da TAD em condições (da última vez tocavam "aos berros" gravações "audiófilas") e as ATC.
Fica para uma próxima vez.

R
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