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 *Os menos badalados do JAZZ*

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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 17 Fev - 19:13

Ulrich escreveu:

Agradeço-te desde já a contribuição para a minha educação musical , no que diz respeito ao Jazz Nacional, conheço muito pouco.

Tens toda a razão em relação à Clean Feed, as capas são boas e a música, tenho a certeza que está dentro do standard contemporâneo .

Sendo assim estão reunidas as condições para o sucesso na venda de edições em vinil.

O consumidor de vinil é melhor porque não é só consumidor de música é também consumidor de objectos: colecciona .

Sendo assim é um mercado muito melhor para explorar do que os streamings .

A Clean Feed já respondeu?

Creio que não Ulrich, mas essa pergunta terá que ser respondida pelo António já que foi ele a estabelecer o contacto.

Em relação ao Jazz nacional (mas também às edições nacionais de títulos de outros países) a CleanFeed é apenas um exemplo, certamente o mais flagrante pela sua dimensão considerável e pela exposição internacional que já conseguiu. No entanto, existem mais casos (como foi exemplificado acima) e o nosso desejo aplica-se igualmente a todos eles.
Obrigado pelas palavras.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 17 Fev - 19:16

Ulrich escreveu:


A Clean Feed já respondeu?


Para já, nada. Mas a esperança não morre.

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 17 Fev - 19:20

António José da Silva escreveu:
Ulrich escreveu:


A Clean Feed já respondeu?


Para já, nada. Mas a esperança não morre.

Tenho a certeza que se mandassem fazer na Pallas, só o simples facto de serem feitos lá teria um mercado per si,

mas compreendo que nos dias de hoje possa ser uma aventura económica
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 17 Fev - 19:34

Ulrich escreveu:
António José da Silva escreveu:
Ulrich escreveu:


A Clean Feed já respondeu?

Para já, nada. Mas a esperança não morre.
Tenho a certeza que se mandassem fazer na Pallas, só o simples facto de serem feitos lá teria um mercado per si,
mas compreendo que nos dias de hoje possa ser uma aventura económica

Ao que sei, a maior fatia do mercado actual da CleanFeed não é nacional e certamente que iria continuar a ser assim caso decidissem entrar no mercado do vinil. Wink
Para teres uma ideia, a festa de comemoração do 10º Aniversário da CleanFeed, ocorreu nos Estados Unidos... Shocked
http://www.northseajazz.com/en/clean-feed-records

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 17 Fev - 19:38

Mister W escreveu:
Ulrich escreveu:
António José da Silva escreveu:
Ulrich escreveu:


A Clean Feed já respondeu?

Para já, nada. Mas a esperança não morre.
Tenho a certeza que se mandassem fazer na Pallas, só o simples facto de serem feitos lá teria um mercado per si,
mas compreendo que nos dias de hoje possa ser uma aventura económica

Ao que sei, a maior fatia do mercado actual da CleanFeed não é nacional e certamente que iria continuar a ser assim caso decidissem entrar no mercado do vinil. Wink
Para teres uma ideia, a festa de comemoração do 10º Aniversário da CleanFeed, ocorreu nos Estados Unidos... Shocked
http://www.northseajazz.com/en/clean-feed-records


Sendo assim será que já não está na calha esse passo em frente...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 18 Fev - 15:18


Estimados Membros do AAP,
Depois de uma breve incursão pelo Jazz nacional, que pelos vistos não obteve um grande (e desejado) reconhecimento, regressamos ao vinil e ao Jazz que se faz, ou neste caso, que se fez, lá por fora.

Gunter Hampel é um compositor e multi-instrumentista alemão nascido em 1937, que ficou fortemente ligadado ao Avant-Guarde e ao Free-Jazz no decorrer da sua extensa e produtiva carreira. Desde muito cedo iniciou a aprendizagem de vários instrumentos e na sua vasta obra, podemos ouvi-lo tocar vibrafone, clarinete, saxofone, flauta e piano, entre outros.

Apesar da sua forte conotação com o Free Jazz, Hampel nunca erradicou a melodia dos seus temas e mesmo nos seus registos mais extremos, encontramos algumas componentes melódicas que conferem à sua obra, uma originalidade pouco habitual. Estes elementos aliados a uma forte veia criativa, geram um irrefutável interesse de um público de gostos bastante diversos.
O seu eventual descontentamento com as editoras com quem trabalhou no inicio da sua carreira, levou-o a criar a sua própria editora, a Birth Records, que viria a utilizar para gravar e lançar uma grande parte da sua vasta obra.
A sua crescente popularidade levou-o a trabalhar com músicos como John McLaughlin, Pierre Courbois, Laurie Allan, Perry Robinson e Anthony Braxton com quem gravou um dos seus álbuns de maior sucesso, "The 8th of July 1969" que incluiu também Willem Breuker e a sua exposa de então, Jeanne Lee. Passado pouco tempo, formou a "Galaxy Dream Band" que iria durar até ao inicio dos anos 80 e com a qual viria a editar um número considerável de álbuns (cerca de 15). Depois disso, continuou de forma extremamente activa a sua carreira, quer através de registos como leader quer em várias participações, sendo os últimos registos que se lhe conhecem datados de 2009, altura em que já teria ultrapassado os 70 anos de idade.

Gunter Hampel Quintet - Heart Plants (1965, Columbia) 1969, MPS Japan
Este é o primeiro trabalho de Gunter Hampel e um dos poucos que gravou fora da editora que fundou. Quando foi lançado, a recepção de Heart Plants foi muito positiva, ao ponto de lhe ter sido atribuída a classificação de 5 estrelas pela revista Down Beat.

A sonoridade deste trabalho é intensa e variada e as suas influências de Free-Jazz, embora se façam notar ao longo de todo o registo, são de certa forma ofuscadas pela qualidade das composições e pelo desempenho irrepreensível dos seus executantes.
A secção ritmica é constituída pelo rigor do contra-baixo e da bateria (e por vezes do piano). A partir dai são vários os instrumentos que enriquecem esta obra, quer através dos solos de flauta e vibrafone, conduzidos pelo brilhantismo de Gunter Hampel quer pelo igualmente genial trompete de Manfred Schoof, um dos grandes nomes do Jazz europeu e igualmente apontado como um dos responsáveis pelo aparecimento do Free-Jazz.
A formação completa deste trabalho é a seguinte: Gunter Hampel (vibrafone, flaute...), Manfred Schoof (trompete), Alexander Von Schlippenbach (piano), Buschi Niebergall (baixo) e Pierre Courbois (bateria)
Pese embora alguma dificuldade na obtenção deste titulo, não deixo contudo de o recomendar (pois trata-se de um dos meus preferidos) já que nos leva a uma experiência musical diferente, através de temas recheados de atractivos. No entanto, a minha recomendação deixará de fazer sentido nos casos em que não existe qualquer empatia (ou simpatia, no mínimo) com o género musical em questão.
Na impossibilidade de obtenção de uma cópia deste àlbum, existirão certamente outros, da longa carreira de Gunter Hampel ou dos Galaxy Dream Band, que não se ficam atrás, pelo que as hipóteses de escolha são bastante variadas e aumentam exponencialmente.

Até Breve
Mister W

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 18 Fev - 15:43

Interessante, mais um desconhecido que afinal tem muita coisa. Vou indagar o meu amigo alemão e especialista em edições da antiga DDR, pois um dos álbuns é dessa editora.

Obrigado pelo teu sempre empenho que não tem preço.


JAZZBÜHNE BERLIN '81 - GUNTER HAMPEL - JEANNE LEE -



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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 18 Fev - 16:57

António José da Silva escreveu:
Interessante, mais um desconhecido que afinal tem muita coisa. Vou indagar o meu amigo alemão e especialista em edições da antiga DDR, pois um dos álbuns é dessa editora.
Obrigado pelo teu sempre empenho que não tem preço.
JAZZBÜHNE BERLIN '81 - GUNTER HAMPEL - JEANNE LEE -

Talvez directamente na origem (i.e. na Alemanha) seja mais fácil adquirir os discos dele, já que nos States e no UK costumam esticar-se nos preços, principalmente quando se tratam dos originais da Birth Records. Evil or Very Mad
Boa Sorte! Cool

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 18 Fev - 17:00

Vou perguntar ao gajo.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 18 Fev - 17:27

António José da Silva escreveu:
Vou perguntar ao gajo.
Só agora?!
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter 19 Fev - 22:41

Caros Foristas,
É com alguma frequência que leio por aqui (e não só) atribuir-se como principal causa da dinâmica (ou do aumento desta) a factores tão diversos como uma célula/agulha, um par de colunas ou uma re-edição "especial de corrida" de um disco de que gostamos. Pois bem, confesso que tenho alguma dificuldade em compreender tal fenómeno, tão somente porque considero que a dinâmica advém, única e exclusivamente, do desempenho de um ou mais instrumentos e do empenho de quem lhes dá "vida". Se me disserem que essa dinâmica poderá ser transmitida com maior ou menor realismo, em função da qualidade dos sistemas ou dos formatos utilizados, ainda consigo compreender... De outro modo, estamos certamente a falar de conceitos de dinâmica diferentes (apesar de achar que só existe um).

Tudo isto para dar inicio a mais uma crónica sobre um músico que embora pouco reconhecido, me tem proporcionado momentos de enorme prazer musical, tal é o empenho e paixão que coloca nas suas actuações.
Chama-se Bill Hardman, um trompetista conotado com o estilo inconfundível de Clifford Brown, que iniciou a sua carreira nos anos 50 e que se manteve no activo até final dos anos 80.
Nos anos 50 trabalhou com Jackie McLean, com quem gravou o seu primeiro trabalho (1956), Charles Mingus, Horace Silver e os Jazz Messanger's de Art Blakey. Nos anos 60 gravou o seu primeiro trabalho a solo (i.e., como leader), integrou por várias vezes a banda de Lou Donaldson e voltou a trabalhar com Art Blakey e com Charles Mingus, para além de ter formado um grupo com Junior Cook. Nos nos 70, intercalou várias participações com a gravação de mais dois álbuns como leader, a que se juntaram outros dois no inicio dos anos 80. A gravação do seu último trabalho data de 1989 (What's Up - SteepleChase) antes de falecer no ano seguinte em Paris.

Apesar do número de participações como sideman ser bastante superior aos seus trabalhos como leader (contam-se pouco mais de meia-dúzia) é principalmente nestes últimos que me tenho deparado com a magia e o enorme talento deste músico e compositor. Para já, começamos por abordar o seu primeiro trabalho, que considero digno de qualquer discografia; se for de Jazz, tanto melhor...

Bill Hardman Quintet - Bill Hardman (1961, Savoy) 1990, Savoy/King Record, Japan
Não sei quais as pretensões deste trabalho na época em que foi lançado, mas passados todos estes anos, este disco soa claramente a um daqueles clássicos intemporais do Jazz, como o "Time-Out" (Dave Brubeck) ou o "Blues-Ette" (Curtis Fuller). Pena é que a sua visibilidade não esteja à altura de um verdadeiro clássico, mas isso é de somenos importância.
O primeiro tema ("Capers") permite-nos perspectivar a dimensão desta obra. O seu som melódico e refrescante com o trompete e o saxofone a ecoar em uníssono, tem um efeito extraordinário e pouco habitual. A qualidade assentua-se e no segundo tema, mais calmo, sobressai um solo rouco e melancólico em que Bill Hardman demonstra a sua excelente técnica com o instrumento que elegera.
O saxofone (alto) de Sonny Red Kyner (que já teve direito a uma longa crónica neste espaço) interage com o trompete de Hardman com uma sintonia irrepreensível, demonstrando tratar-se de uma dupla de respeito. O piano de Ron Mathews não se fica apenas pela secção rítmica mas também entra no "bailado" contagiante dos solos de excelente recorte. E a receita aplica-se também à bateria primorosamente conduzida por Jimmy Cobb, em que sobressai um fantástico solo em "Jo B" a fechar o Lado A. Por fim, o baixo de grande solidez fica a cargo de Doug Watkins mas também de Bob Cunningham (no primeiro e último tema do disco).
Fantástico quinteto que reúne músicos de múltiplos recursos e que incorporam um espirito de equipa com um bem-estar que salta à vista, mas principalmente aos ouvidos.
Sobre Bill Hardman tem de ser referido o seu papel de compositor, já que a maioria dos temas são de sua autoria (com excepção do standard "Angel Eyes" e "Assunta"). Na vertente do músico, o seu som intenso é extremamente apelativo e parece ter algo de misterioso. Em algumas passagens fez-me lembrar alguns momentos de Donald Bird nas suas notas (agudas) mais extensas. Mas mais do que explicado, Bill Hardman merece ser ouvido.

Bill Hardman Quintet - Saying Something (1961, Savoy) 1986, Savoy Jazz SJL1164, USA
Este continua a ser o primeiro trabalho de Bill Hardman como leader (sendo que o seguinte só aconteceria em 1975) já que se encontra aqui representado em duas prensagens distintas. O que me levou a adquirir a segunda (esta, portanto), não foi apenas o facto de ter por este disco uma enorme admiração (também foi), mas principalmente porque a segunda edição inclui o tema inédito "With Malice Toward None" do qual gosto particularmente.
Mas as diferenças não se ficam por aqui. Para além da prensagem e da capa (que já deu para ver) esta re-edição de 1986 pertence à renovada Savoy Jazz e o seu registo é em Stereo, enquanto que a anterior é Mono.
Este é um trabalho que não hesito em recomendar e quanto à edição, sugiro que "agarrem" a primeira que Vos aparecer à frente.

Não havendo muito mais para falar desta obra, fica a promessa de regressar com outros trabalhos (infelizmente não muitos) desta grande figura do Jazz, sobre quem um crítico da época disse:
"Bill Hardman has been "Saying Something" since he arrived and continues to do so, teaching and performing with the top Jazz organizations".

Até ao meu regresso... se não for antes.
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 24 Fev - 17:50

Quando pus a tocar o disco de que vos vou falar mais à frente e que já não ouvia à algum tempo, lembrei-me de fazer uma breve referência sobre aquele que é considerado um dos dos maiores saxofonistas soprano de todos os tempos.
Refiro-me a Steven Norman Lackritz ou simplesmente Steve Lacy, nascido em Nova Yorque e que ficou fortemente ligado ao Jazz improvisado e experimental, apesar do seu longo percurso incluir passagens por outros "territórios" como o Jazz de "Dixieland" com o qual iniciaria a sua carreira (inspirado por Sidney Bechet). Depois de ter saltado vários estilos durante os anos 50, Steve Lacy juntou-se a Cecil Taylor (55-57) com quem viria a iniciar o seu percurso no Free Jazz. Seguiram-se trabalhos com Gil Evans e uma passagem pelo Quinteto de Thelonious Monk.
No inicio dos anos 60 formou um quarteto com o trombonista Roswell Rudd que iria durar até 1964 altura em que se juntou ao trompetista italiano Enrico Rava, conhecido pela sua ligação ao som de "Dixieland".

Decorridos cerca de três anos, Steve Lacy decide mudar-se para a europa (1967) tendo vivido em Italia e em França onde voltou a concentrar-se no Free Jazz e onde teve a oportunidade de melhorar os seus instintos de improvisador mas também de compositor. Durante a sua estadia na Europa, tocou com vários músicos (incluindo a sua esposa e violinista/vocalista Irene Aebi) e participou em projectos com Gil Evans, Mal Wadron ou Misha Mengelberg.

Apesar da sua estreita e frequente relação com o Free-Jazz, as composições de Lacy são normalmente bem estruturadas e incluem uma considerável componente melódica. Do seu vasto legado faz parte um considerável número de obras, gravadas com uma regularidade impressionante, desde 1957 até ao ano que precedeu a sua morte em 2004. Nem o cancro que o atormentou durante vários anos o impediu de enriquecer a extraordinária obra que nos deixou e mesmo após a sua morte têm sido pontualmente lançadas algumas obras suas.

Steve Lacy - Ballets (1981 hatArt) - 1982, Hat Hut Records, Switzerland
Esta obra-prima de Steve Lacy dá pelo nome de "Ballets" e é-nos apresentada sob a forma de uma box com um duplo àlbum registado parcialmente ao vivo.
O protagonismo do primeiro disco vai inteiramente para Steve Lacy que através de uma actuação a solo, inicia este registo com uma série de notas soltas e espaçadas que se vão juntando até tomarem forma... ou não. Esta é uma das várias receitas deste trabalho, em que Steve Lacy num exercício de grande criatividade nos transporta para o seu universo exclusivo. A sonoridade e a técnica de Lacy fundem-se nas suas actuações através do seu improviso genuíno e mecânico.
O 2º disco incorpora uma actuação do Sexteto de Steve Lacy e dá-nos conta de registos mais ricos, não só a nível instrumental (como seria de esperar) mas também em termos harmónicos e de composição. Tal não significa que neste 2º disco a componente de improviso livre não esteja igualmente bem patente.
Compõem o sexteto de Steve Lacy: Bobby Few (Piano & Fender Piano), Irène Aebi (Cello, Violin & Voice), Jean-Jacques Avenel (Bass), Oliver Johnson (Drums & Percussion), Steve Potts (Alto & Soprano Sax) e Steve Lacy (Soprano Sax, Footgong, Voice & Bells).
O 1º disco foi registado em 1980 numa actuação ao vivo em Porrentruy na Suiça (L'Ancienne Eglise des Jesuites) enquanto que o 2º foi registado em 1981, no Studio Davout em Paris.
Aos eventuais interessados, não aconselho a compra deste disco sem antes ouvirem alguns excertos, pois admito que a sua audição possa não ser fácil (principalmente o 1º disco). Caso não conheçam nada da obra de Steve Lacy, reconheço que este não seja o melhor trabalho para se iniciarem. Acredito que outros trabalhos como "The Straight Horn of Steve Lacy" ou "Sidelines" farão melhor esse papel. Falaremos deles em breve, neste tópico.

Ate Breve
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Fran
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 24 Fev - 18:53

Esse não é o tal gajo cheio d'a estilo, que come alho com limalhas d'aço?!


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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 24 Fev - 19:04

Fran escreveu:
Esse não é o tal gajo cheio d'a estilo, que come alho com limalhas d'aço?!
É o chamado Comálho! smedley

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua 13 Mar - 18:23

Amigos,
Depois de ter abordado, neste tópico, obras com origens tão destintas como o Brazil, Estados Unidos, Alemanha, Escandinávia e Portugal (entre outros), considerei oportuno fazer uma breve incursão pelo Jazz originário do pais do sol nascente. Contrariamente ao que se poderia esperar, não vou iniciar esta crónica com as famosas edições da Three Blind Mice, pois poderia contribuir para reforçar a ideia (errada) de que as obras de Jazz deste vasto mercado, estão confinadas a tão distinta editora. Falaremos de alguns dos discos da TBM, mais adiante.

Para iniciar esta breve passagem pelo Jazz Made in Japan, achei por bem trazer-vos um dos mais conceituados músicos de Jazz japoneses. Refiro-me ao trompetista Terumasa Hino, nascido em Tóquio em 1942, com um percurso iniciado nos finais dos anos 60 (que continua até aos dias de hoje) do qual consta uma extensa discografia repleta de trabalhos como leader e de participações com os mais diversos músicos e compositores, destacando-se Gil Evans, Elvin Jones e Jackie McLean. Gravou para inúmeras editoras, mas os trabalhos com maior projecção foram principalmente os que lançou pela Blue Note, Enja e Sony/Columbia.

O facto de ter vivido nos Estados Unidos, deu-lhe um maior reconhecimento (principalmente a partir dos anos 70) que de outra forma dificilmente atingiria.
As suas influências têm por base alguns dos mais consagrados trompetistas norte-americanos mas principalmente a inconfundível sonoridade de Miles Davis, facto que o músico nunca negou. Contudo, Terumasa Hino é um músico extremamente flexível e a partir dos anos 80 começou a explorar outros géneros, de entre os quais, o Jazz de fusão.

Terumasa Hino - May Dance - 1977, Flying Disk/Victor (VIJ-6002) Japan
Excelente disco em que Terumasa Hino "contracena" com músicos norte-americanos, como aconteceu noutras ocasiões. Este trabalho intercala momentos algo parados, com rasgos de grande criatividade onde sobressaem as influências de Miles Davies na sua fase mais psicadélica. O desempenho de Hino ao longo de toda a obra é absolutamente deslumbrante, contudo, este trabalho não se resume apenas ao genial trompetista Japonês, já que constituem esta formação nomes bem conhecidos da cena Jazz norte americana e que conferem a esta obra um maior equilíbrio de valias instrumentais.
O conceituado guitarrista John Scotfield, tem neste trabalho um desempenho extremamente competente e em jeito de retribuição, Terumasa Hino participou num trabalho de John Scotfield (no mesmo ano) de nome "East Meets West". Os igualmente referenciados Ron Carter (baixo) e Tony Williams (bateria) completam o quarteto e dão a este disco, uma consistência rítmica de valor, bem como alguns momentos individuais de solos de grande valia técnica.
Apesar das qualidades técnicas que indubitavelmente encontramos nas actuações destes músicos, esta obra é acima de tudo, bastante agradável e pode ser ouvida de forma descontraída.
Haverá por certo muitos outros trabalhos de valor na extensa obra deste enorme trompetista Japonês. Dos que conheço, este ocupa um lugar de destaque e a sua recomendação é por isso inevitável.

Ken McIntyre Sextet featuring Terumasa Hino - Introducing the Vibrations - 1976, SteepleChase (SCS-1065) Denmark
Apesar de não se tratar propriamente de um disco de origem Japonesa, não poderia deixar passar esta oportunidade sem falar deste excelente trabalho, em que Terumasa Hino é apresentado como especial convidado de uma das principais referências da editora SteepleChase, o multi-instrumentista Ken McIntyre.

Mesmo não tendo o protagonismo que se lhe conhece de outras obras (principalmente as suas), Hino tem um papel de grande relevância neste trabalho, justificando plenamente o titulo de convidado especial. Em vários temas o trompete de Hino funciona como eco dos vários instrumentos executados por Ken McIntyre (saxofone alto, flauta, clarinete baixo, oboé, etc.) conferindo uma musicalidade hipnótica e extremamente intensa aos mesmos.
Não sendo um disco de fácil audição (ou pelo menos, de percepção imediata) este "Introducing the Vibrations" é contudo, uma extraordinária obra, recheada de variações instrumentais e de múltiplas nuances rítmicas, onde o trompete de Hino se encaixa de forma exemplar.
O repertório é da autoria de McIntyre, apesar de remontar a um periodo (56-62) muito anterior à gravação deste trabalho.

Fazendo parte do periodo áureo de Ken McIntyre (74-78), que coincide com a sua passagem pela SteepleChase, este disco assenta num registo post-bop/avant-garde (como os demais deste período) mas vai um pouco mais longe na sua arrojada concepção e riqueza rítmica, protagonizada por um Sexteto que infelizmente, não se voltaria a repetir (Richie Harper no piano, Alonzo Gardner no baixo, Andrei Strobert na bateria e Andy Vega nas congas e percussão, para além de McIntyre e Hino).
Os 40 minutos de duração deste trabalho são absolutamente geniais mas requerem uma predisposição para um Jazz deste género. Para os menos dados a estas "andanças", outros discos de Ken McIntyre serão certamente mais apelativos como é o caso de "Hindsight" ou "Chasing the Sun". Seja como for, não deixarei de recomendar esta excepcional obra que, sem qualquer dúvida, figura na lista das minhas preferências.

Até mais ver, para darmos seguimento a esta incursão pelo Jazz de origem Japonesa.
Boas Audições
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua 13 Mar - 21:59



Adoro esse período Japonês, e o Terumasa é um ícone...a qualidade da Flying Disk é comparável à East Wind e TBM, só que num registo mais moderno e isso transparece nas audições.

Vou aguardar por mais pérolas de Chez Monsieur DoubleV
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua 13 Mar - 22:20

Ulrich escreveu:

Adoro esse período Japonês, e o Terumasa é um ícone...a qualidade da Flying Disk é comparável à East Wind e TBM, só que num registo mais moderno e isso transparece nas audições.
Vou aguardar por mais pérolas de Chez Monsieur DoubleV

Caro Ulrich,
Reconheço que a TBM é por vezes sobre-valorizada pelo facto dos discos serem mais raros e sobretudo mais caros... e nem todas as edições têm aquele som absolutamente fascinante dos discos do Yamamoto (e outros). Mas principalmente esses, têm um som do outro mundo!
Gracias,
Mister Doble-Uve

P.S. Ouví dizer que também vais comprar o Jazz Life? Eu aguardo ansiosamente pelo meu...


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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua 13 Mar - 22:35

Mister W escreveu:
Ulrich escreveu:

Adoro esse período Japonês, e o Terumasa é um ícone...a qualidade da Flying Disk é comparável à East Wind e TBM, só que num registo mais moderno e isso transparece nas audições.
Vou aguardar por mais pérolas de Chez Monsieur DoubleV

Caro Ulrich,
Reconheço que a TBM é por vezes sobre-valorizada pelo facto dos discos serem mais raros e sobretudo mais caros... e nem todas as edições têm aquele som absolutamente fascinante dos discos do Yamamoto (e outros). Mas principalmente esses, têm um som do outro mundo!
Gracias,
Mister Doble-Uve

P.S. Ouví dizer que também vais comprar o Jazz Life? Eu aguardo ansiosamente pelo meu...



Dentro da East Wind passa-se o mesmo, mas posso confidenciar que no top 3 está este:

http://www.discogs.com/Masaru-Imada-Trio-1-Planets/release/3990442 , o som é simplesmente soberbo, limpo e nítido, um disco bastante em conta, de uma editora pouco conhecida , mesmo com OBI.

P.S. : Seu malandrão ...quem é que te anda a informar smedley ...já o tinha namorado algumas vezes e como surgiu...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua 13 Mar - 22:54

Ulrich escreveu:

Dentro da East Wind passa-se o mesmo, mas posso confidenciar que no top 3 está este:

http://www.discogs.com/Masaru-Imada-Trio-1-Planets/release/3990442 , o som é simplesmente soberbo, limpo e nítido, um disco bastante em conta, de uma editora pouco conhecida , mesmo com OBI.

P.S. : Seu malandrão ...quem é que te anda a informar smedley ...já o tinha namorado algumas vezes e como surgiu...
Os discos da East Wind compram-se com 20 ou 30 Euros, já os da TBM...
Conheço o Masaru Imada mas não conheço essa editora...
Existem outras editoras bastante boas e acessíveis como a Union, FullHouse, Yupiteru, Teichiku, Zen, Electric Bird, Trio (Kenwood), etc.

P.S. Grande compra! Wink
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua 13 Mar - 23:05

Mister W escreveu:

Os discos da East Wind compram-se com 20 ou 30 Euros, já os da TBM...
Conheço o Masaru Imada mas não conheço essa editora...
Existem outras editoras bastante boas e acessíveis como a Union, FullHouse, Yupiteru, Teichiku, Zen, Electric Bird, Trio (Kenwood), etc.

P.S. Grande compra! Wink

Olhe que não ...olhe que não...discos da East Wind, os melhores com OBI são mais difíceis de encontrar do que da TBM...eu que o diga..ando à meses atrás de 4 que não aparecem, com OBI claro, nem por nada...

Este Masaru comprei porque adoro a capa e ao vivo é ainda mais bonita e o som é fantástico

P.S. diria mais: Fantástica compra Wink
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua 13 Mar - 23:11

Ulrich escreveu:
Mister W escreveu:

Os discos da East Wind compram-se com 20 ou 30 Euros, já os da TBM...
Conheço o Masaru Imada mas não conheço essa editora...
Existem outras editoras bastante boas e acessíveis como a Union, FullHouse, Yupiteru, Teichiku, Zen, Electric Bird, Trio (Kenwood), etc.
P.S. Grande compra! Wink

Olhe que não ...olhe que não...discos da East Wind, os melhores com OBI são mais difíceis de encontrar do que da TBM...eu que o diga..ando à meses atrás de 4 que não aparecem, com OBI claro, nem por nada...

Este Masaru comprei porque adoro a capa e ao vivo é ainda mais bonita e o som é fantástico
P.S. diria mais: Fantástica compra Wink

Este não é o local próprio mas se estiveres interessado posso-te arranjar alguns da East Wind a 30 Euros...
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua 13 Mar - 23:47

Obrigado W por mais este abre olhos no que ao Jazz menos badalado diz respeito. A ver se me inteiro um pouco mais sobre o trabalho desse senhor. Curiosamente, tenho uma prensagem japonesa com o belo OBI, mas ainda mal ouvi.




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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui 14 Mar - 0:03

António José da Silva escreveu:
Obrigado W por mais este abre olhos no que ao Jazz menos badalado diz respeito. A ver se me inteiro um pouco mais sobre o trabalho desse senhor. Curiosamente, tenho uma prensagem japonesa com o belo OBI, mas ainda mal ouvi.
Quando ouvires melhor és capaz de ter uma agradável surpresa... Wink
Já agora, sabes qual é a editora?
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui 14 Mar - 0:05

Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
Obrigado W por mais este abre olhos no que ao Jazz menos badalado diz respeito. A ver se me inteiro um pouco mais sobre o trabalho desse senhor. Curiosamente, tenho uma prensagem japonesa com o belo OBI, mas ainda mal ouvi.
Quando ouvires melhor és capaz de ter uma agradável surpresa... Wink
Já agora, sabes qual é a editora?

Se não me engano, e tenho bastante certeza, é da Flying Disk.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 15 Mar - 13:34

Prezados Resistentes,
Na continuação da crónica anterior, trago-vos mais dois nomes do Jazz feito no Japão que embora bastante diferentes, tiveram (e continuam a ter) um sucesso e um reconhecimento assinalável, não apenas entre-portas mas um pouco por todo o mundo e em especial nos Estados Unidos onde o estilo e principalmente a técnica dos músicos orientais sempre foi bastante apreciada.

Hozan Yamamoto - Silver World (1971, Philips FX-8509) - 1974, Fontana (PAT-1063) Japan
Hozan Yamamoto é um conceituado músico Japonês que ao longo da sua carreira tem sido reconhecido e condecorado pela sua inegável importância na música e na cultura Japonesa. Para tal contribuiu a sua vasta experiência adquirida como catedrático mas principalmente através das suas inúmeras actuações, composições e gravações (contam-se às centenas). Para além de músico e compositor, desempenha também várias actividades como orador na Tokyo National University of Fine Arts and Music.
A sua principal especialidade como músico, assenta no shakuhachi, uma flauta de bambu japonesa (de origem chinesa) que lhe conferiu um enorme sucesso e o ajudou a catapultar internacionalmente. São conhecidas as suas participações com vários músicos de renome, como é o caso de Ravi Shankar, Gary Peacock e Karl Berger.

Esta excelente obra tem a capacidade de nos transportar para um local onde absolutamente nada parece existir para além da música... uma música de uma profundidade difícil (para não dizer impossível) de descrever por palavras. A sonoridade deste trabalho tem algo de mágico, de espiritual, mas por vezes também, de profundamente triste, melancólico talvez...
A estrela principal deste trabalho é a flauta de bambu, magistralmente executada por Yamamoto. Contudo, os demais intervenientes, cumprem de forma irrepreensível o seu papel, chegando por vezes a ter algum protagonismo (individual) de um recorte técnico muito interessante. A formação é constituída por Masabumi Kikuchi (Piano), Gary Peacock (Baixo), Hiroshi Murakami (Bateiria) e Hozan Yamamoto (Flauta).
Apesar de alguma dificuldade na obtenção dos seus discos (principalmente os que não tiveram re-edição) deixo aqui a minha recomendação inequívoca deste "Silver World" ou de outros deste grande mestre da flauta.

Manabu Ohishi Trio - Nebula - 2005, EWE Records, USA
Num registo bastante diferente do anterior, este trabalho assenta essencialmente na sonoridade do piano do seu leader e compositor. Este Trio formado em 1996, é um dos agradáveis representantes do Jazz contemporaneo de origem Japonesa.
Manabu Ohishi nasceu em 1963 em Yokohama e depois de se ter formado na Escola de Música Yamaha Nemu, deu inicio à sua carreira como músico e compositor, embora os seus primeiros trabalhos só apareçam no final dos anos 90. A sua curta carreira como leader, conta apenas com 6 trabalhos, dos quais 4 editados pela norte-americana EWE Records.
Este trabalho (Nebula) teve (e continua a ter) uma aceitação muito considerável, sendo uma referência constante do Jazz contemporâneo nipónico. Para esta aceitação, contribuiu por certo, o estilo Jazz "easy-listening" com um piano clássico, um baixo robusto de som seco e uma bateria quase sempre executada por vassouras. Tudo isto resulta extremamente bem, numa sonoridade muito equilibrada que não atrai apenas os amantes de Jazz mas um publico muito mais vasto.
Embora numa toada, quase sempre, bastante tranquila, sobressaem de quando em vez, algumas passagens mais ritmadas, com nuances latinas do tipo Bossa Nova.
Uma referência breve para a boa qualidade desta prensagem (HQ 180 gramas) que apesar de ser limitada (segundo consta no próprio disco) não creio que os interessados tenham grande dificuldade na sua aquisição.
A titulo de curiosidade, Manabu Ohishi participou (com um tema) na compilação Japonesa de 2005 "The Most Relaxing New Age Music in the Universe" o que por sí só, deixa antever a vertente músical que podemos encontrar nas suas obras.

Adeus e até ao meu regresso... se não for antes.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 15 Mar - 15:57

Tenho que investigar/ouvir esse homem do bambu.

Quanto ao segundo, que como sabes também tenho, Foi uma daquelas recomendações do Jorge que dificilmente desagrada a alguém, mesmo que o meu tipo de Jazz não seja bem este. Mas é muito bom em todos os sentidos.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 15 Mar - 23:21


Para mim, e isto e muito pessoal, da geração 60/70 o Masabumi Kikuchi é o meu pianista preferido, pela sonoridade do ataque, tanto como líder e também pelo projecto posterior em Tethered Moon.

Claro que gosto muito do Tsuyoshi Yamamoto e Masaru Imada, que têm carreiras super consistentes, tenho também um disco com o Kunihiko Sugano que me surpreendeu.

Dentro destes 4 temos um mundo de álbuns top
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 17 Mar - 19:55

Ulrich escreveu:

Para mim, e isto e muito pessoal, da geração 60/70 o Masabumi Kikuchi é o meu pianista preferido, pela sonoridade do ataque, tanto como líder e também pelo projecto posterior em Tethered Moon.
Claro que gosto muito do Tsuyoshi Yamamoto e Masaru Imada, que têm carreiras super consistentes, tenho também um disco com o Kunihiko Sugano que me surpreendeu.
Dentro destes 4 temos um mundo de álbuns top
Tx Ulrich!
O Masabumi Kikuchi é de facto mais um dos consagrados músicos Japoneses. Ele participa nesse disco que eu referí do Hozan Yamamoto (Silver World).

Concordo que neste periodo há muito material para explorar de grande qualidade. Infelizmente, a partir dos anos 90 muita coisa (destes e de outros músicos) só foi editada em CD... mas espero que entretanto, alguns títulos sejam recuperados em vinil a preços decentes... scratch
Vou tentar, dentro das minhas limitações, abordar mais uns quantos nomes do Jazz Nipónico sunny mas se tiveres alguns discos que consideres que vale a pena destacar... avança meu amigo. cheers
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 17 Mar - 20:26

Mister W escreveu:


Concordo que neste periodo há muito material para explorar de grande qualidade.


E do que estamos à espera....?

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 17 Mar - 21:03

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:


Concordo que neste periodo há muito material para explorar de grande qualidade.
E do que estamos à espera....?

Pois... mas para explorar é preciso investir, adquirir, comprar... Capisce? scratch

N.B. Se quiseres patrocionar... bounce

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 17 Mar - 21:52

Mister W escreveu:
...mas se tiveres alguns discos que consideres que vale a pena destacar... avança meu amigo. cheers

Como já referi no início . não me sinto à vontade para correr...ainda estou a aprender a andar...


mas vou dando umas achegas quando sentir que posso acrescentar algo
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 17 Mar - 23:51

Mister W escreveu:


Pois... mas para explorar é preciso investir, adquirir, comprar... Capisce? scratch

N.B. Se quiseres patrocionar... bounce



Já estamos a patrocinar o espaço onde podes colocar todo esse teu saber, o que queres mais. lol!


Olha que este teu tópico, e sem desprimor a outros de grande valia, é para mim, e penso que muitos outros, um dos melhores do AAP. Eu tenho aprendido muito e tenho gasto algumas libras à tua conta.


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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 18 Mar - 12:44

António José da Silva escreveu:

Já estamos a patrocinar o espaço onde podes colocar todo esse teu saber, o que queres mais. lol!

Olha que este teu tópico, e sem desprimor a outros de grande valia, é para mim, e penso que muitos outros, um dos melhores do AAP. Eu tenho aprendido muito e tenho gasto algumas libras à tua conta.

É o que se chama "dar uma no cravo e outra na ferradura" (ao contrário)
Quanto às libras que gastas estou certo que no momento de ouvires os discos já não voltas a pensar nelas (nas libras).
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 25 Mar - 19:09

Dando continuação à última crónica, trago-vos mais dois excelentes trabalhos que embora figurem na minha colecção de música em formato CD, creio já terem sido também editados em vinil (um deles pelo menos). Mais do que o suporte físico, importa salientar que se tratam de duas belas obras de Jazz clássico, desempenhadas com grande mestria e registadas com grande qualidade e com um nível de detalhe absolutamente impressionante.
Tratam-se portanto de dois títulos que não deixarei de recomendar (independentemente do formato) principalmente para quem gosta de emoções fortes. Emoções que só a música consegue transmitir.

Smooth Jazz Festival - Vários (2004, FIM SACD 055, USA)
Este primeiro titulo reúne uma selecção de extremo bom gosto, executada por músicos japoneses como Tsuyoshi Yamamoto e Yuri Honing, mas também por outros nomes como Teresa Perez, John Whitney, Jeremy Monteiro, Dave Packer, entre outros.
O tema que dá inicio a esta obra, não deixa quaisquer dúvidas sobre o que vamos encontrar a seguir. Trata-se do imortal "Theme from Spartacus" executado pela inquestionável mestria do Trio de Tsuyoshi Yamamoto, que conta com outro tema neste disco; o reconhecido "Misty" de Errol Gardner, que faz igualmente parte do afamado àlbum do Trio com o mesmo nome (para além de Autumn in Seattle).
Os temas seguintes são igualmente intensos e extremamente musicais o que faz com que esta obra, tenha um efeito quase que hipnótico, não apenas sobre os apreciadores de Jazz mas principalmente sobre um público mais vasto e abrangente, em termos de gostos.
O piano a cargo de Jeremy Monteiro no segundo tema, é igualmente contagiante e transforma aquela que poderia ser apenas mais uma versão do "Falling in Love with Love", num fantástico registo, pleno de intensidade e requinte.
Segue-se o saxofone tenor de Yuri Honing, cuja profundidade é indescritível por mais que me esforce na aplicação de adjectivos... Poderei apenas acrescentar que esta versão do "Somewhere Over the Rainbow" é, sem dúvida, uma das minhas preferidas... por culpa precisamente da sonoridade do saxofone de Yuri Honing.
Entre clássicos imortais como "Besame Mucho" (aqui recriado pela harmónica de Dave Pecker) ou outros como "Charade" de Henry Mancini (executado pelo John Whitney Trio) esta extraordinária selecção de temas da First Impression Music ouve-se com o maior dos prazeres. Para além da música, a qualidade do registo, convenhamos, é em parte responsável pelas sensações que esta obra nos proporciona. Tanto melhor se o leitor de CD's possibilitar a leitura HDCD-24Bit ou Super Audio. O grande senão destas edições (à semelhança do que acontece com as prensagens de vinil mais cuidadas, normalmente apelidadas de audiófilas) é mesmo o preço exagerado que pedem por elas.
Independentemente do seu formato e preço, esta é uma daquelas obras que merece ser ouvida, nem que seja por uma vez. A combinação de músicos de grande classe com um repertório de temas clássicos, resulta numa atmosfera de grande exclusividade. Sit back and enjoy!

Tsuyoshi Yamamoto - Autumn in Seattle - (2011, FIM UHD 043, USA)
Em termos de sonoridade não se pode dizer que este trabalho esteja muito longe do anterior até pela forte inflência da editora, que é a mesma (bem como dois temas de Yamamoto). Já em termos músicais este excelente trabalho assenta principalmente no virtusismo do pianista nipónico em contraste com a maior diversidade instrumental do trabalho anterior.
O primeiro tema "The Way We Were" gravado originalmente em 1975, é de uma beleza e melâncolia estonteantes. O piano é de uma intensidade tal que dá a ideia de estarmos dentro dele. Algumas teclas parecem, por vezes "emperrar", percepção que nos é transmitida pelo som seco que as mesmas produzem. Essa é contudo (certamente) uma característica fruto de uma técnica inovadora introduzida por este grande pianista.

Apesar da grande regularidade deste trabalho, em termos qualitativos, poderei eventualmente destacar os "standards": "Raindrops Keep Falling on My Head", "As Time Goes By" ou "No Problem" bem como "Autumn in Seattle" da autoria de Yamamoto que rapidamente alcançaria o estatuto de grande clássico do Jazz.
Apesar da estrutura deste trabalho assentar essencialmente no piano de Yamamoto, não podemos cometer o erro de nos esquecer dos restantes constituintes deste Trio, pois a sua participação é imprescindível. Falamos de Ken Kaneko, no contra-baixo e de Toshio Osumi na bateria. Apesar do desempenho destes dois músicos estar, de certa forma, confinado à secção ritmíca (com pequenas excepções), apercebemo-nos do seu extraordinário sentido de improvisação, pelas variações que conseguem impor ao longo de toda a obra e que, por vezes, são perceptíveis nos mais pequenos detalhes.
O realismo e os detalhes fizeram com que esta se transformasse numa das obras preferidos dos "audiófilos" e para tal contribuiram certamente os recursos utilizados.
A primeira edição ocorreu em 2001, nos estúdios Onkio Haus em Tokio (gravação) bem como no JVC Mastering Center em Yokohama (mistura) e foi utilizado um formato analógico através de um Struder A829. Não obstante, a primeira edição foi lançada em formato digital (XRCD2). Esta edição de 2011, aqui abordada, utiliza o formato Ultra HD-32 Bit.
Para os menos tolerantes a estes formatos, este trabalho foi alvo de uma re-edição recente em vinil, cuja qualidade que imagino irrepreensível, tenho toda a curiosidade em ouvir e quem sabe, um dia, adquirir (apesar dos preços absurdos destas edições).

Fica a promessa de que os próximos titulos a abordar neste tópico, irão ter por base discos autênticos... em vinil.

Até lá, boas audições.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 26 Abr - 18:42

Caros Amigos,
Esta incursão pelo Jazz originário do Japão, não faria muito sentido se não abordássemos uma das editoras que goza de maior prestigio não apenas dentro, mas principalmente fora de portas. Refiro-me á Three Blind Mice ou simplesmente TBM, cuja fundação remonta a 1970 e que teve como principal objectivo a divulgação do Jazz que imergia na altura e do qual se destacariam músicos como Terumasa Hino, Tsuyoshi Yamamoto, Isao Suzuki e George Kawaguchi, entre outros.

Agraciada com vários prémios, a TBM - cuja produção e mistura/gravação ficavam normalmente a cargo de nomes como Takeshi Fujii e Yoshihiko Kannari - começou por ser reconhecida pela invulgar qualidade do seu som que fazia com que os seus discos fossem mais procurados pelos chamados "audiófilos" do que propriamente por amantes de Jazz.

A procura de títulos da TBM tem vindo a aumentar e os seus discos continuam a valorizar, chegando a atingir valores bastante altos.
Deixo-vos com dois dos trabalhos de referência da editora.

Suzuki Isao Quartet +1 - Blue City (1974, Three Blind Mice TBM24, Japan)
Um dos bons exemplos do Jazz originário do país do Sol Nascente é o de Isao Suzuki, um baixista (e violoncelista) de créditos firmados no panorama do Jazz nipónico.
Neste trabalho, Isao Suzuki lidera o seu Quarteto habitual - também ele recheado de excelentes músicos - ao qual se junta o pianista convidado, Kunihiko Sugano.

Para além de Suzuki e Sugano, integram o quarteto Nobuyoshi Ino (baixo), Tetsujiro Obara (bateria) e Kazumi Watanabe (guitarra).

Fazem parte deste trabalho, quatro temas, dois quais dois são "covers": "Body and Soul" e "Play Fiddle Play".

Apesar do protagonismo principal recair sobre Isao Suzuki, os demais músicos tem um excelente desempenho, não apenas individualmente mas sobretudo colectivamente. Aliás, este é um disco de uma banda de Jazz de grande autenticidade e sobretudo com uma apurada técnica e estética músical.
Os temas fluem naturalmente, com um ambiente típico de Jazz Café (embora este seja um disco de estúdio) onde se fundem sonoridades clássicas com outras mais ao estilo mainstream.

Todos estes elementos, já constituem per si um forte atractivo que justifica plenamente a compra deste disco. Mas ainda há mais. O detalhe e a intensidade que a TBM consegue dar aos seus registos é algo difícil de descrever.
As cordas do contra-baixo (tanto de Suzuki como de Nobuyoshi Ino) são dedilhadas até ao limite das suas capacidades... ou pelo menos, essa é a ideia com que ficamos (especialmente nos solos); a guitarra de Watanebe tem um som tão despretencioso como natural; o piano igualmente realista, faz-nos facilmente acreditar, que se trata de uma "performance" ao vivo... enfim, tudo parece fazer sentido neste fantástico testemunho da editora nipónica.

Os vários detalhes, quando somados, resultam num trabalho de grande intensidade e beleza, a que poucos decerto resistirão. Este disco, só peca pelo escasso número de temas (apesar dos seus quase 40 minutos de duração) cuja audição nos fazem ficar com "água na boca".

Tsuyoshi Yamamoto Trio - Midnight Sugar (1974, Three Blind Mice TBM23, Japan)
No mesmo ano de Blue City, a Tree Blind Mice editaria aquele que é por muitos considerado uma das mais importantes obras da editora e de Yamamoto (a par com o igualmente sublime Autumn in Seattle já abordado nesta crónica). E não é para menos. O som deste disco, a interacção entre os músicos que nele participam mas sobretudo, as composições que dele fazem parte, constituem de facto um obra de grande beleza, que tem vindo a acumular seguidores de diferentes gerações.

A maior fatia do mérito deste trabalho recaí obrigatoriamente sobre o seu criador e leader, de quem não se conhece muito (para além da sua música) já que a sua personalidade reservada nunca foi dada a grandes "vedetismos" ou excessos de popularidade.

Tsuyoshi Yamamato nasceu em 1946 e desde muito cedo começou a tocar piano (na escola primária). Mais tarde, também aprendeu trompete (no liceu) mas regressaria novamente ao piano quando o seu interesse pelo Jazz se começou definitivamente a manifestar, em parte impulsionado pela admiração que sentia por Art Blakey, um dos seus ídolos.
Ainda na Universidade, integrou os Samurais de Mickey Curtis, facto que marcou o inicio da sua actividade de músico profissional.
Participou em várias tornées e tocou com vários músicos (fez parte do Masaru Imada Trio), até formar a sua própria banda em 1973.

A sua técnica apurada e o estudo daqueles que mais idolatrava (Bobby Timmonds, Red Garland, Randy Weston e sobretudo Wynton Kelly) incutiram-lhe o espirito de persistência e motivação de que necessitava. De resto, as suas capacidades tratariam de moldar com grande naturalidade a sua incomparável técnica, que muitos afirmavam ser tão músical como natural e tão melódica como descontraída. Eram estas virtudes que Yamamoto transmitia ao seu Trio, ao que se sabe, com sucesso. Deste extraordinário Trio, fazia parte Isoo Fukui no baixo e Tetsujiro Obara na bateria.
Midnight Sugar é uma obra única, um disco com cinco temas extremamente cativantes (dois da autoria de Yamamoto) que nos leva numa viagem inesquecível de cerca de 40 minutos. Mas esta exclusividade só é possível quando os próprios músicos detêm uma técnica que os diferencia da "concorrência". Yamamoto é o caso mais flagrante, já que toca piano como ninguém, mas os restantes elementos são igualmente merecedores de um forte aplauso.
A interacção dos três músicos é tão sublime quanto natural, chegando a parecer fácil tal é a forma aparentemente despreocupada das suas "performances".
Os vários temas são interpretados com um prazer e uma alegria absolutamente contagiantes, fazendo-se reflectir da melhor forma no resultado final da obra e no prazer de quem a escuta. O empenho deste Trio é de tal ordem que repetidas vezes nos apercebemos de alguns pequenos gritos de entusiasmo e incentivo.

Por mais que me esforce, duvido que consiga caracterizar com uma precisão aceitável, a qualidade deste trabalho, por isso fico-me por aqui...

Até Breve para mais uma crónica do Jazz no Japão.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 26 Abr - 19:37



Keep them coming Mister.

Obrigado pela partilha.

Agora toca a esquecer o que li, para ver se não os arranjo lol!
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 26 Abr - 19:48

Rui Mendes escreveu:


Keep them coming Mister.

Obrigado pela partilha.

Agora toca a esquecer o que li, para ver se não os arranjo lol!


Eu gravei ambos os álbuns para Metal. Ouvi-los é uma experiência sensorial única, tal a qualidade da gravação e musical.

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Última edição por António José da Silva em Sex 26 Abr - 20:26, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 26 Abr - 20:09

António José da Silva escreveu:
Rui Mendes escreveu:


Keep them coming Mister.

Obrigado pela partilha.

Agora toca a esquecer o que li, para ver se não os arranjo lol!

Eu gravei ambos os álbuns para Metal. Ouvi-los é uma experiência sensorial única, tal a qualidade da gravação e musical.

É de facto assim! E mesmo não sendo o tipo de Jazz que mais me agrada, assim que começam a tocar, nada mais parece importar. cheers Trata-se essencialmente de música de qualidade tocada por excelentes músicos !
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua 1 Maio - 22:53

Mister W

Fica aqui uma sugestão minha para os menos badalados.

Yusef Lateef


( se calhar devia estar no tópico dos imortais )



https://www.youtube.com/watch?v=md7QD7gCTls


Aqui tocando flauta...


Cpts


Afonso
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter 14 Maio - 20:18

Caros AAPistas,
Na continuação das últimas crónicas sobre o Jazz originário do Japão, trago mais dois exemplos que apesar de não gozarem da popularidade dos anteriores, são relativamente conhecidos de quem se interessa pelo Jazz Nipónico.

Takehiro Honda - This is Honda (1972, Trio Records PA7005, Japan)
Nascido em 1945 com o nome de Iwata Shizuoka, Takehiro Honda é um pianista de Jazz Japonês que participou num considerável número de discos e que conta igualmente com alguns trabalhos como leader.
A excelente técnica que possui, fica certamente a dever-se às muitas horas de treino, já que consta que tenha começado a tocar piano com apenas 5 anos de idade. Para aperfeiçoar a sua técnica, frequentou o Colégio de Música Kunitachi, onde integrou um Quarteto com Kazunori Takeda, um promissor saxofonista.

Em 1969 gravou o seu primeiro disco, que seria lançado em 1970 com o nome "The Trio". Em 1973, formou os Native Son que tiveram alguma visibilidade fora do Japão. Para além dos vários discos gravados (cerca de 6) os Native Son fizeram várias tournés, entre as quais uma internacional.

Para além de ter sido casado com a cantora de Jazz Chico Honda, Takehiro também tocou no Quarteto de Sadao Watanabe (anos 70); estes factos deram-lhe alguma exposição adicional, sem no entanto atingir o reconhecimento dos músicos mais populares da década de 70.
Dos créditos de Takehiro Honda, fazem ainda parte actuações e gravações com Hiroshi Murakami, Motohiko Hino, Hiroshi Fukumura, Ron Carter, Tony Williams e Shigeharu Mukai.

Este trabalho que aqui trago, segue uma linha de Jazz em muito idêntica aos clássicos da TBM, que reinavam nos anos 70. Á semelhança do Trio de Yamamoto, esta formação é igualmente composta por um baixo, bateria e piano.

Gravado em Abril de 1972 no Iino Hall, "This is Honda" tem inicio com uma excelente versão de "You Don't Know What Love Is" desempenhada com grande mestria pelo trio composto por: Yoshio Suzuki (baixo), Fumio Watanabe (bateria) e Takehiro Honda (piano).
Os restantes temas, como "Round About Midnight" de Thelonious Monk, são igualmente apelativos e traduzem o resultado de um Jazz vibrante e melódico, executado por uma trio extraordinariamente bem entrosado.

Mesmo em termos de qualidade, esta gravação da Trio Records não se fica muito aquém dos populares registos da TBM. Infelizmente, não abundam re-edições dos trabalhos de Honda e por isso temos que nos limitar(!) às edições originais dos seus discos, o que por vezes se torna dispendioso. Existe apenas uma re-edição recente deste trabalho (2003) pela Absord Music Japan, Art Union, mas creio que apenas em formato CD.

Takehiro Honda faleceu em 2006 mas deixou-nos o seu filho, Tamaya Honda, que também é músico de Jazz (mais ligado ao Free Jazz). Um dia ainda vamos ouvir falar dele.

SleepWalker ‎– The Voyage / Into The Sun (2005, Especial Records ESP010 Yellow, Japan)
Com frequência temos a tendência de associar os agrupamentos Japaneses dos anos 70 e 80, às brilhantes interpretações de standards da época e á reprodução de temas dos seus músicos favoritos do Jazz que se fazia nos Estados Unidos. Esse facto indiscutível, baseava-se por vezes em imitações de grande qualidade, de vozes e de instrumentos como o piano ou o trompete, mas noutros casos, as versões eram cunhadas com a personalidade e a técnica dos músicos que as interpretavam.

Foi essencialmente neste contexto que o Jazz nipónico se foi desenvolvendo, até atingir um reconhecimento e respeito considerável no mercado internacional.
Contudo, existiram algumas formações marginais a essa topologia, que sempre optaram pela criação das suas composições, apesar das evidentes influências que recebiam do Jazz norte-americano. O exemplo que se segue enquadra-se perfeitamente nesse contexto.
Refiro-me ao quarteto SleepWalker, que baseia a sua sonoridade no Jazz espiritual, com improvisação de piano, um baixo robusto, uma percussão forte e várias influências de saxofone. Integram este quarteto: Masato Nakamura (sax), Hajime Yoshizawa (piano), Kiyoshi Ikeda e Tomokazu Sugimoto (baixo) e Nobuaki Fujii (bateria).

O inicio da sua carreira esteve fortemente ligado ao fenómeno já descrito de imitação das suas bandas favoritas. Contudo, essa fase foi ultrapassada e desde os anos 90 que os SleepWalker passaram a basear o seu repertório quase exclusivamente em composições da sua autoria.

Este registo EP12" de dois temas deixa-nos um testemunho evidente da sua extraordinária ambição e criatividade e para quem, como eu, tem uma forte admiração por Pharoah Sanders, este trabalho atinge um maior relevo ainda. A participação de Pharoah Sanders, confere a este trabalho uma profunda espiritualidade, que de outra forma seria difícil almejar.

Podemos apelidar este som de Jazz espiritual do Japão, mas as influências claras dos anos de Pharoah Sanders na Impulse são por demais evidentes. Para quem não conhece, diria que os trabalhos de Sanders ao serviço da Impulse, no inicio da sua carreira, constituem algumas das obras de maior relevo na história do Jazz (Tauhid, Kharma, Jewels of Thought, Thembi, Black Unity, etc.).

O tema "The Voyage" é absolutamente essencial, com os solos rasgados e deformados de Sanders, suportados por uma excelente secção rítmica e uma batida "funky" qb.
O segundo tema, "Into The Sun" é igualmente obrigatório e prova que os SleepWalker possuem um estilo e uma personalidade distinta (que não depende de Pharoah Sanders).
Masato Nakamura que no primeiro tema tinha optado pelo saxofone tenor, tem aqui um belo desempenho de soprano. Hajime Yoshizawa troca o piano do 1º tema pelo CP70 (orgão da Yamaha) de forma a conferir algum psicadelismo ao tema, com a introdução de novos sons. Os demais elementos têm um desempenho irrepreensível no baixo e na bateria. Sem dúvida, tratam-se todos de grandes músicos mas a surpresa deste tema está guardada para a participação vocal da convidada Bembe Segue. Grande desempenho vocal que parece entrar em disputa com o saxofone de Nakamura.

Tratam-se de dois temas de estudio mas que reflectem intencionalmente o espirito de uma actuação ao vivo.

Não conheço mais trabalhos dos SleepWalker e admito que só comprei este disco pela participação de Pharoah Sanders. Contudo, este nome passou a constar das minhas prioridades e não descansarei enquanto não conhecer outros trabalhos da sua obra, apesar de recear que não sejam muito fáceis de obter. Seja como for, SleepWalker é sem qualquer dúvida, um nome a reter.

Dou aqui por terminada a minha incursão pelo Jazz Japonês, não significando no entanto, que não voltaremos a abordar outros projectos de interesse.

Ate Breve
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 17 Maio - 5:50

Obrigado amigo W, mais um "abre olhos" para outros horizontes. Esse SleepWalker ‎– The Voyage / Into The Sun (2005, Especial Records ESP010 Yellow, Japan) vou querer que me emprestes e se for mesmo bom, como parece ser o caso, é de pensar a sua aquisição.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 17 Maio - 6:15

Mister W escreveu:
Ulrich escreveu:
Mister W escreveu:

Os discos da East Wind compram-se com 20 ou 30 Euros, já os da TBM...
Conheço o Masaru Imada mas não conheço essa editora...
Existem outras editoras bastante boas e acessíveis como a Union, FullHouse, Yupiteru, Teichiku, Zen, Electric Bird, Trio (Kenwood), etc.
P.S. Grande compra! Wink

Olhe que não ...olhe que não...discos da East Wind, os melhores com OBI são mais difíceis de encontrar do que da TBM...eu que o diga..ando à meses atrás de 4 que não aparecem, com OBI claro, nem por nada...

Este Masaru comprei porque adoro a capa e ao vivo é ainda mais bonita e o som é fantástico
P.S. diria mais: Fantástica compra Wink

Este não é o local próprio mas se estiveres interessado posso-te arranjar alguns da East Wind a 30 Euros...

Eu também estou interessado

Mr. W mais uma vez, parabéns, a minha aprendizagem neste topico é uma constante
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab 13 Jul - 15:02



Benny Bailey Quintet - How Deep Can You Go? - 1976, EMI/Harvest, Sweden
Apesar do seu reconhecimento advir principalmente das suas participações com Dizzy Gillespie, Quincy Jones, Lionel Hampton ou da Big Band de Kenny Clarke e Francy Boland, a carreira como band-leader, deste excelente trompetista que dá pelo nome de Benny Bailey, não pode ser, em momento algum, descurada.

Os mais envolvidos com o Jazz dos anos 50/60 (e por aí) podem não concordar com a inserção desta crónica neste tópico (dos menos badalados); contudo a minha decisão teve principalmente a ver com a carreira "a solo" de Benny Bailey, que não chegou a ter a mesma visibilidade do seu percurso como "side-man". Pessoalmente, prefiro a fase da sua carreira como leader, pois considero que a mesma possui uma enorme riqueza e uma maior liberdade, certamente fruto das suas composições.

Depois de ter adquirido o fantástico "Mirrors" de 1971 (que creio já ter abordado por aqui) não poderia deixar de fora este "How Deep Can You Go?" de 1976, gravado em Estocolmo e que inclui um lote considerável de músicos nórdicos (com a excepção de Red Mitchell e do próprio Benny Bailey).

Bass – Red Mitchell
Drums – Leif Wennerström
Engineer – Björn Norén
Piano – Lars Sjösten
Producer – Gunnar Lindquist
Saxophone – Bernt Rosengren
Trumpet – Benny Bailey

O desempenho de Bailey é extremamente inovador e exclusivo. O som impetuoso que consegue tirar do seu trompete é extraordinariamente belo e revelador de uma enorme valia técnica. Quando ouvimos a música de Benny Bailey apercebemo-nos facilmente da forma genuína e emotiva com que aborda as suas prestações, não apenas como músico mas também como compositor (apesar dos temas deste trabalho não serem todos da sua autoria).  

Estes dois trabalhos que recentemente acrescentei à minha colecção, deixaram-me completamente rendido sobre as qualidades deste músico e criaram em mim uma enorme curiosidade sobre os demais titulos da sua obra como band-leader.


Por enquanto fica este breve apontamento, com a certeza porém de voltarmos a visitar a carreira deste grande músico que desde cedo trocou os EUA pela Europa e que viria, inclusivamente, a falecer em Amesterdão em 2005.

Até mais ver.
Mister W
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua 17 Jul - 1:24

E um muito obrigado por mais esta sugestão que decerto alguns de nós iremos seguir. 

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 5 Ago - 15:26



Jimmy Knepper - Primrose Path (1980, HEP Records - UK)
Entre outros títulos da vasta obra do trombonista californiano Jimmy Knepper, rodou hoje um dos meus preferidos (como leader) e que dá pelo nome de "Primrose Path".

Tratando-se de um álbum de uma figura de referência na difícil arte do trombone, podemos facilmente ser levados a pensar (como é normal e aceitável) que o referido instrumento (bem como o seu interprete) ocupa um lugar de imenso destaque e protagonismo.
Pois bem, posso garantir-vos que tal efectivamente não acontece e por isso, descansem os mais cépticos sobre um eventual exagero de interpretações e solos de trombone... mas nem por isso, o trombone deixa de se fazer ouvir ao seu mais alto nível.

Este excelente álbum do Quinteto de Jimmy Knepper, tem por base uma sonoridade extremamente requintada e agradável, em que o hard-bop (ou se quiserem os mais atentos, o post-bop) se mistura com variações de um Jazz mais tranquilo e despretencioso, que poderei apelidar de Cool Jazz (mesmo correndo o risco de não estar a ser totalmente correcto).

Pois bem, etiquetas à parte, interessa salientar o equilíbrio instrumental patente ao longo dos 6 temas, em que os músicos interagem entre si, de uma forma verdadeiramente genuína e apaixonada. Mas mesmo esta homogeneidade patente ao longo de toda a obra, deixa transparecer as excelentes prestações do pianista Pete Jacobsen e do saxofonista tenor, Bobby Wellins (para além, do próprio Jimmy Knepper). David Green (baixo) e Ron Parry (bateria) dão corpo a uma secção rítmica de elevada competência (juntamente com Pete Jacobsen).

Para além dos temas da autoria de Jimmy Knepper (50%) os demais pertencem a Pete Jacobsen, Vernon Duke (com Yip Harberg) e Thelonious Monk com uma excelente prestação de 'Round About Midnight.

Da carreira de Jimmy Knepper como band leader fazem parte cerca de 10 títulos, gravados entre 57 e 86, mas como sideman a sua obra é consideravelmente mais vasta e o seu nome pode ser encontrado em inúmeros trabalhos de Charles Mingus, Thad Jones/Mel Lewis Orchestra, George Adams & Dannie Richmond, Gill Evans, entre muitos outros.

No inicio da sua carreira como músico, tocou em várias bandas, mas sobretudo orquestras, como foi o caso de Woody Herman, Claude Thornhill, Stan Kenton, Benny Goodman ou Charlie Barnet, mas o seu ponto mais alto foi indiscutivelmente, a parceria e colaboração com o seu amigo Charles Mingus, que um dia se referiu às suas capacidades, da seguinte forma:
"Jimmy Knepper can do anything on his horn, shout, laugh or cry...".

Até à próxima, se não for antes...

Mister W


Última edição por Mister W em Seg 5 Ago - 22:13, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 5 Ago - 21:14

Mister W escreveu:


Jimmy Knepper - Primrose Path (1980, HEP Records - UK)
Entre outros títulos da vasta obra do trombonista californiano Jimmy Knepper, rodou hoje um dos meus preferidos (como leader) e que dá pelo nome de "Primrose Path".

Tratando-se de um álbum de uma figura de referência na difícil arte do trombone, podemos facilmente ser levados a pensar (como é normal e aceitável) que o referido instrumento (bem como o seu interprete) ocupa um lugar de imenso destaque e protagonismo.
Pois bem, posso garantir-vos que tal efectivamente não acontece e por isso, descansem os mais cépticos sobre um eventual exagero de interpretações e solos de trombone... mas nem por isso, o trombone deixa de se fazer ouvir ao seu mais alto nível.

Este excelente álbum do Quinteto de Jimmy Knepper, tem por base uma sonoridade extremamente requintada e agradável, em que o hard-bop (ou se quiserem os mais atentos, o post-bop) se mistura com variações de um Jazz mais tranquilo e despretencioso, que poderei apelidar de Cool Jazz (mesmo correndo o risco de não estar a ser totalmente correcto).

Pois bem, etiquetas à parte, interessa salientar o equilíbrio instrumental patente ao longo dos 6 temas, em que os músicos interagem entre si, de uma forma verdadeiramente genuína e apaixonada. Mas mesmo esta homogeneidade patente ao longo de toda a obra, deixa transparecer as excelentes prestações do pianista Pete Jacobsen e do saxofonista tenor, Bobby Wellins (para além, do próprio Jimmy Knepper). David Green (baixo) e Ron Parry (bateria) dão corpo a uma secção rítmica de elevada competência (juntamente com Pete Jacobsen).

Para além dos temas da autoria de Jimmy Knepper (50%) os demais pertencem a Pete Jacobsen, Vernon Duke (com Yip Harberg) e Thelonious Monk com uma excelente prestação de 'Round About Midnight.

Da carreira de Jimmy Knepper como band leader fazem parte cerca de 10 títulos, gravados entre 57 e 86, mas como "sideman" a sua obra é consideravelmente mais vasta e o seu nome pode ser encontrado em inúmeros trabalhos de Charles Mingus, Thad Jones/Mel Lewis Orchestra, George Adams & Dannie Richmond, Gill Evans, entre muitos outros.

No inicio da sua carreira como músico, tocou em várias bandas, mas sobretudo orquestras, como foi o caso de Woody Herman, Claude Thornhill, Stan Kenton, Benny Goodman ou Charlie Barnet, mas o seu ponto mais alto foi indiscutivelmente, a parceria e colaboração com o seu amigo Charles Mingus, que um dia se referiu às suas capacidades, da seguinte forma:
"Jimmy Knepper can do anything on his horn, shout, laugh or cry...".

Até à próxima, se não for antes...

Mister W

Parece-me pela tua descrição do Album, que é um winner para mim  

Obrigado por mais esta partilha Mister
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 5 Ago - 21:21

Ainda vou ler, mas com calma. É que estes posts do W, merecem 100% da minha atenção. 

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 16 Ago - 13:55



Michael Carvin Quintet - The Camel (1975, Steeplechase SCS1030, Danmark)
Pese embora alguma limitação no que toca à diversidade de estilos, a Steeplechase sempre constituiu um marco importante na história do Jazz (sobretudo nos anos 70 e 80); mas sobre a qualidade das suas edições, creio que não haverá muito mais a acrescentar, uma vez que os exemplos partilhados neste espaço costumam ser inteiramente consensuais.

Trago-vos desta feita, um dos meus discos preferidos da editora nórdica e que creio nunca ter sido abordado por aqui.
Trata-se de um trabalho do baterista Michael Carvin, que alguns decerto reconhecerão de participações em vários discos (Dizzy Gillespie, McCoy Tyner, Dexter Gordon, Hampton Hawes, Jackie McLean, Hugh Masekela e muitos outro) mas que nunca viram em registos como band leader. De facto, o número de trabalhos em seu nome representa uma ínfima parte da longa carreira deste baterista que conta com cerca de 250 discos gravados(!). Mas o facto de serem poucos, não significa que não sejam bons, como se pode comprovar pelo fantástico trabalho que dá pelo simpático nome de "The Camel"

O disco começa com um tema intensamente ritmado (Osun) com fortes influências latinas. Depois temos uma versão de Naima de John Coltrane e Kwebena's Blues de Ron Burton (pianista), todas com excelentes interpretações individuais e colectivas.
Ainda sob a influência Blues, o tema de abertura do Lado 2, M.C. Blues dá continuidade à alma imensa que caracteriza esta obra.  
Para terminar, o tema que dá nome ao disco, em que os músicos se libertam num desempenho absolutamente alucinante.

Durante os 5 temas deste disco, ficamos com a clara sensação que este quinteto está a tocar para nós.

O desempenho da secção de metais é arrepiante, dando a ideia de termos os seus executantes a tocar a uma curta distância dos nossos ouvidos. Tanto Sonny Fortune no(s) saxofone(s) como Cecil Bridgewater no trompete (e demais cornetas), conferem a este trabalho um sentido completamente genuíno e despretencioso.

A secção rítmica, composta por Ron Burton (piano) e Calvin Hill (baixo), está igualmente à altura deste desafio e os seus dois elementos, mesmo sem terem o protagonismo dos demais, não deixam de imprimir o seu cunho pessoal a este trabalho.

Por fim Michael Carvin, num desempenho que, sem ser demasiado individualista, não deixa contudo de se evidenciar... e a qualidade da gravação da sua bateria, contribui certamente para tal. Tanto a naturalidade como a sensação do seu posicionamento são extremamente convincentes. Desde o som seco mas potente das tarolas, ao eco produzido pelos tímbalos, todos os componentes da bateria conferem uma enorme sensação de tridimensionalidade.

A qualidade sonora deste registo, deve ser vista apenas como um bónus extra, num trabalho de grande valor musical, que tanto agradará aos incondicionais seguidores deste género, como tão somente, aos que se sentem atraídos pela boa música e que gostam, acima de tudo, de ouvir um bom disco.  

Até mais,
Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 16 Ago - 14:21

 

Mais um a procurar Smile

Obrigado pela partilha Mister.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 16 Ago - 14:51


Obrigado.  

Steeplechase scs 1030 ?
http://www.discogs.com/Dexter-Gordon-Orchestra-More-Than-You-Know/release/3957443
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 16 Ago - 15:12

Também tenho esse álbum e partilho inteiramente da oponião apaixonada do W.

Logo em casa já vou ler melhor.

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