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 *Os menos badalados do JAZZ*

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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 25 2013, 14:26

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:

O mais certo é ter ido passar férias a casa de algum audiófilo (com material a sério) e por se sentir lá bem, não quer regressar... fdp!

Só te resta a aquisição de um sistema decente.

És capaz de ter alguma razão, mas prefiro antes investir em discos "decentes"...



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afonso
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 25 2013, 14:33




Bem, espero que não chova muito para a proxima semana, pois parece que vou ter que fazer 3km a pé desde casa.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 25 2013, 14:56

Mister W escreveu:


És capaz de ter alguma razão, mas prefiro antes investir em discos "decentes"...



Sim, acho que está na altura de começares. lol!

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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 25 2013, 15:19

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:


És capaz de ter alguma razão, mas prefiro antes investir em discos "decentes"...


Sim, acho que está na altura de começares. lol!

Tás-te a esticar tás...
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chicosta
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 25 2013, 18:39

afonso escreveu:
Mister W escreveu:
Vinil escreveu:
Aqui vai o meu pequeníssimo contributo. Na altura em que falei deste album no 33rpm passou despercebido, mas gosto muito da sonoridade desta gravação e o facto de ser português torna-o exótico.

Sexteto de Jazz de Lisboa
http://33rpm-discos.blogspot.pt/2012/05/ao-encontro-do-sexteto-de-jazz-de.html

Caro Vinil,
Não respondi de imediato à sua nota porque primeiro fui à procura do disco ... mas infelizmente (ainda) não o encontrei ... Crying or Very sad

Eu tenho esse disco e recordo-me que na altura fiquei surpreendido pela qualidade do som e dos músicos. Foi-me oferecido por alguém ligado ao Jazz (creio que de um programa de rádio...) possivelmente à cerca de 20 anos.
Vou continuar à procura, pois gostava de o re-ouvir. Possivelmente está em casa do meu irmão que em determinada altura (quando foi viver para Guimarães) abarbatou alguns discos ... Tenho a certeza que tem que estar nalgum lado, pois não me lembro de me desfazer dele.
Obrigado pela recordação. Wink








Porra !. Esse disco "escorregou-me" há pouco tempo das minhas mãos.

Tenho que tentar lembrar-me aonde o vi !

Tive-o hoje na mão!
40€, negociáveis...
Como o valor k eu estava disposto a dar andava muito longe dos 40€, nem tentei negociar.

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 25 2013, 18:41

chicosta escreveu:


Tive-o hoje na mão!
40€, negociáveis...
Como o valor k eu estava disposto a dar andava muito longe dos 40€, nem tentei negociar.



Partindo do principio que estão a falar do Sexteto de Jazz de Lisboa, comprei-o aqui no fórum por 7 euros se a memória não me falha.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 03 2013, 14:32

Caríssimos,
Dois dos nomes que devem constar destas (ou de outras) crónicas sobre Jazz, são o de Ken McIntyre, o multi-talentoso músico e compositor e o da editora Steeplechase Records. Sendo esta uma das minhas editoras preferidas, na sequência desta crónica, conto abordar outros músicos e trabalhos da Steeplechase. Para já, fica-mo-nos pelo Ken McIntyre.

Natural de Boston mas com raízes e influências caribenhas e afro-americanas, Kenneth Arthur McIntyre deixou a sua marca nas inúmeras composições e arranjos que podem ser ouvidas, tanto nos seus registos a solo, como sideman, ou em várias participações, durante os anos 60 e 70.
O mérito e reconhecimento que alcançou não são condizentes com a sua versatilidade e os seus inúmeros talentos, dos quais se destaca o desempenho de vários instrumentos como o Saxofone Alto, a Flauta, o Clarinete, e o Oboé, mas também outros, tão distintos como o Piano, o Baixo (puplo) ou a Bateria.
Da sua carreira contam inúmeras gravações e/ou participações com nomes como Charlie Haden, Jaki Byard, Nat Adderley, Eric Dolphy, Cecil Taylor, Ron Carter e David Murray, para além de ter pertencido ao agrupamento de Beaver Harris (and the 360 Degree Ensemble).

Apesar de ter gravado com Cecil Taylor e Eric Dolphy para a United Artists, no inicio do seu percurso, o seu nome é claramente associado à Steeplechase, com quem viaria a manter uma longa e frutífera relação de vários anos. Na sua carreira a solo, viria a gravar perto de 15 àlbuns, um dos quais a titulo póstumo. Do seu legado como Compositor, constam (dizem) mais de 400 temas a adicionar mais 200 arranjos da sua autoria.

Deve ser salientada a enorme contribuição de Ken McIntyre no ensino, onde durante mais de 30 anos, prestou os seus serviços em Escolas Públicas e Universidades, tendo influenciando várias gerações de Músicos.
Em 1983 Ken McIntyre criou uma organização sem fins lucrativos, chamada CAAMO (Contemporary African American Music Organization) e que tinha como principal missão promover a livre-expressão na música ou noutras formas de arte com origens Afro-Americanas. Para além de promover vários espectáculos e workshops a CAAMO produziu os últimos trabalhos de Ken McIntyre.

Ken McIntyre que adoptou o nome de Makanda Ken McIntyre, mais do que um Músico e Compositor de Jazz, foi um cidadão empenhado na defesa de causas múltiplas e mesmo após a sua morte (em 2001) foram várias as iniciativas que se mantiveram activas. Para tal, foi criada a organização Makanda Project, formada essencialmente por Músicos e Professores, que tem como objectivo principal, a preservação do legado de Ken McIntyre e a continuação das suas iniciativas.

Ken McIntyre - Home (1975, SteepleChase SCS-1039, Denmark)
Surpreendente trabalho de McIntyre que incluí 10 excelentes temas originais, da sua autoria, denotando uma extraordinária capacidade criativa e um enorme sentido de diversidade, que vai desde o blues até a um Jazz mais liberto (Avant-Garde).

Igualmente admirável é o facto de Ken McIntyre tocar vários instrumentos neste trabalho, que vão desde o Saxofone (alto), à Flauta, ao Oboé, ao Clarinete (baixo) e ao Bassoon (creio que a tradução mais adequada será Fagote).
Jaki Byard no piano (eléctrico e clássico), Reggie Workman no baixo e Andrei Strobert na bateria, completam a formação que dá voz a este extraordinário desfile de grandes temas. O 2º tema (Cousin Elma) tem um balanço único, só possível com uma grande capacidade criativa. Este tema é vibrante e intenso, com um desempenho de alto nível. Digno dos grandes clássicos. Segue-se "Charlotte" num registo mais calmo, mas igualmente contagiante... aliás, essa talvez seja a característica que melhor define esta excepcional obra. Depois de duas ou três audições, este disco começa a despertar em nós, um invulgar interesse.
Nota: Pelo que me pude aperceber, este trabalho foi também editado como "Hindsight" SCS-1014.

Aos temas mais clássicos, sucedem-se outros com uma maior liberdade rítmica; aos mais tristes sucedem-se outros mais alegres e essa diversidade, constitui um dos principais interesses desta obra, que não chega a ser monótona, nem por um breve instante.
A inclusão de instrumentos como o Oboé ou a Flauta (etc.) acrescentam a alguns temas, uma pitada de mistério e sedução, que resulta em pleno.

Por tudo o que já referi e mesmo não sendo um dos nomes mais sonantes do panorama Jazz dos anos 60 e 70, é sem dívida um trabalho a ter em conta e que não hesito em recomendar.

Ken McIntyre Trio - Chasing the Sun (1979, SteepleChase SCS-1114, Denmark)
Num registo algo diferente e sobretudo mais intimista (e menos enérgico) é sob a forma de um Trio, que McIntyre nos dá a conhecer este trabalho de grande profundidade. Algo de que McIntyre não prescinde é a composição integral dos temas (7) que fazem parte deste álbum.
Mais uma vez, a secção rítmica tem um desempenho e uma personalidade digna dos maiores elogios. Para além de McIntyre, o Trio é composto por Hakim Jami (baixo) e Beaver Harris (bateria).

O que me atrai neste trabalho, não são apenas as excelentes interpretações individuais dos músicos que nele participam. Esta obra funciona, principalmente, como um todo e o seu resultado é extremamente coerente e agradável.
O álbum vai decorrendo num compasso uniforme, quase hipnótico, tal é a sedução que exerce sobre nós. A flauta é sabiamente inserida em determinadas passagens do álbum que lhe conferem uma maior envolvência e tri-dimensionalidade. Contudo, na parte final do Lado B, esse registo de maior regularidade é progressivamente alterado por uma preponderância mais individualista que se traduz na inclusão de alguns solos e até mesmo de alguns desvarios instrumentais.

Diferente do trabalho anterior, mas igualmente possuidor de uma irrefutável qualidade, esta obra tem de ser ouvida e sentida, pois só assim nos poderemos aperceder da sua real dimensão.

Por último, uma palavra para a SteepleChase Records, sem a qual, a prensagem destas magnificas edições, não seria possível.
Quanto ao Ken McIntyre e à sua "enorme" carreira, terei ainda muito que descobrir. Mas não há problema ... não tenho pressa.

Até Breve, com mais uma incursão pela SteepleChase Records.
Mister W



Última edição por Mister W em Dom Fev 03 2013, 17:35, editado 1 vez(es)
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 03 2013, 17:21



Não conhecia este Senhor ...

...já estive a pesquisar, e não existe muita coisa...vou aprofundar , ver se existem alguns ficheiros perdidos no Ciberespaço
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 03 2013, 17:26

Pena ser nos states....

http://www.ebay.co.uk/itm/Ken-McIntyre-Trio-Chasing-The-Sun-Rare-1979-Jazz-LP-Steeplechase-Near-Mint-/380560224973?pt=Music_on_Vinyl&hash=item589b2832cd

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 03 2013, 17:40

excelente post

No outro dia passaram-me estes discos de editoras nacionais da steeplechase records;


http://www.discogs.com/Chet-Baker-Quartet-No-Problem/master/284075


http://www.discogs.com/Dexter-Gordon-Quartet-Niels-Henning-Ørsted-Pedersen-Philip-Catherine-Billy-Higgins-Something-Differ/master/516532

http://www.discogs.com/Kenny-Drew-Niels-Henning-Ørsted-Pedersen-Duo-Live-In-Concert/release/1737835

http://www.discogs.com/Dexter-Gordon-Quartet-The-Apartment/release/3338089



Mas ainda vou a tempo de ir busca-los


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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 03 2013, 17:41

António José da Silva escreveu:
Pena ser nos states....

http://www.ebay.co.uk/itm/Ken-McIntyre-Trio-Chasing-The-Sun-Rare-1979-Jazz-LP-Steeplechase-Near-Mint-/380560224973?pt=Music_on_Vinyl&hash=item589b2832cd

Shocked Pois é, os States são um mundo à parte... De qualquer das formas, estes SteepleChase como são discos europeus, acabam por aparecer e a preços razoáveis...

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 03 2013, 17:44

afonso escreveu:
excelente post

No outro dia passaram-me estes discos de editoras nacionais da steeplechase records;


http://www.discogs.com/Chet-Baker-Quartet-No-Problem/master/284075


http://www.discogs.com/Dexter-Gordon-Quartet-Niels-Henning-Ørsted-Pedersen-Philip-Catherine-Billy-Higgins-Something-Differ/master/516532

http://www.discogs.com/Kenny-Drew-Niels-Henning-Ørsted-Pedersen-Duo-Live-In-Concert/release/1737835

http://www.discogs.com/Dexter-Gordon-Quartet-The-Apartment/release/3338089

Mas ainda vou a tempo de ir busca-los

O último não é...
Em relação aos outros, se os preços forem razoáveis, costumam ser boas opções (apesar de não conhecer esses re-edições nacionais que referes...).




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afonso
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 03 2013, 17:45

Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
Pena ser nos states....

http://www.ebay.co.uk/itm/Ken-McIntyre-Trio-Chasing-The-Sun-Rare-1979-Jazz-LP-Steeplechase-Near-Mint-/380560224973?pt=Music_on_Vinyl&hash=item589b2832cd

Shocked Pois é, os States são um mundo à parte... De qualquer das formas, estes SteepleChase como são discos europeus, acabam por aparecer e a preços razoáveis...



http://www.groovecollector.com/mp/mcintyre-ken-chasing-the-sun/r/2956087394/


Mas é caro
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 03 2013, 17:47

afonso escreveu:
Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
Pena ser nos states....

http://www.ebay.co.uk/itm/Ken-McIntyre-Trio-Chasing-The-Sun-Rare-1979-Jazz-LP-Steeplechase-Near-Mint-/380560224973?pt=Music_on_Vinyl&hash=item589b2832cd

Shocked Pois é, os States são um mundo à parte... De qualquer das formas, estes SteepleChase como são discos europeus, acabam por aparecer e a preços razoáveis...



http://www.groovecollector.com/mp/mcintyre-ken-chasing-the-sun/r/2956087394/


Mas é caro


Parece-me que mesmo vindo da América, o outro fica mais em conta.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 03 2013, 17:49

afonso escreveu:
Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
Pena ser nos states....

http://www.ebay.co.uk/itm/Ken-McIntyre-Trio-Chasing-The-Sun-Rare-1979-Jazz-LP-Steeplechase-Near-Mint-/380560224973?pt=Music_on_Vinyl&hash=item589b2832cd

Shocked Pois é, os States são um mundo à parte... De qualquer das formas, estes SteepleChase como são discos europeus, acabam por aparecer e a preços razoáveis...

http://www.groovecollector.com/mp/mcintyre-ken-chasing-the-sun/r/2956087394/

Mas é caro

Não é barato de facto, mas é um disco novo!
Já não me recordo bem de quanto dei pelo meu, mas decerto que andou perto dos 20 Euros (usado)... por isso... scratch
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 03 2013, 17:52

Mister W escreveu:
afonso escreveu:
excelente post

No outro dia passaram-me estes discos de editoras nacionais da steeplechase records;


http://www.discogs.com/Chet-Baker-Quartet-No-Problem/master/284075


http://www.discogs.com/Dexter-Gordon-Quartet-Niels-Henning-Ørsted-Pedersen-Philip-Catherine-Billy-Higgins-Something-Differ/master/516532

http://www.discogs.com/Kenny-Drew-Niels-Henning-Ørsted-Pedersen-Duo-Live-In-Concert/release/1737835

http://www.discogs.com/Dexter-Gordon-Quartet-The-Apartment/release/3338089

Mas ainda vou a tempo de ir busca-los

O último não é...
Em relação aos outros, se os preços forem razoáveis, costumam ser boas opções (apesar de não conhecer esses re-edições nacionais que referes...).






O ultimo é licensed THrough steeplechase records


7,5 euros cada. Dargil quase de certeza.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 03 2013, 17:59

afonso escreveu:
Mister W escreveu:
afonso escreveu:
excelente post

No outro dia passaram-me estes discos de editoras nacionais da steeplechase records;


http://www.discogs.com/Chet-Baker-Quartet-No-Problem/master/284075


http://www.discogs.com/Dexter-Gordon-Quartet-Niels-Henning-Ørsted-Pedersen-Philip-Catherine-Billy-Higgins-Something-Differ/master/516532

http://www.discogs.com/Kenny-Drew-Niels-Henning-Ørsted-Pedersen-Duo-Live-In-Concert/release/1737835

http://www.discogs.com/Dexter-Gordon-Quartet-The-Apartment/release/3338089

Mas ainda vou a tempo de ir busca-los

O último não é...
Em relação aos outros, se os preços forem razoáveis, costumam ser boas opções (apesar de não conhecer esses re-edições nacionais que referes...).



O ultimo é licensed THrough steeplechase records

7,5 euros cada. Dargil quase de certeza.

OK, como vi Inner City que é uma editora de Nova Iorque...

A esse preço acho que valem a pena. Esse do Kenny Drew com o Nils Pederson deve ser excelente (curioso, tenho um com os dois, que se chama DUO mas não é ao vivo...) e o do Chet Baker também é bom...


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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 03 2013, 18:03


Obrigado pela dica MIster w.
Quando arranjar tempo vou buscar-los.

Já vistes as minhas compras de hoje ? 2,5 euros cada e estão novos.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 10 2013, 21:25


Caros Amigos,
Venho falar-vos daquele músico Dinamarquês que tem o nome longo e complicado (certamente mais difícil de escrever do que de pronunciar) mas apesar desta dificuldade, achei que o Copy/Paste iria facilitar consideravelmente a minha tarefa e evitar que fossem dados erros, cada vez que tivesse que escrever o nome em questão. Trata-se de Niels-Henning Ørsted Pedersen (ou NHØP, para facilitar), um dos grandes músicos europeus de Jazz, mas muito aclamado pelos músicos norte-americanos com que teve inúmeras participações.

Antes de avançar, gostava de deixar claro que esta crónica devia constar do tópico *Os Imortais do Jazz* e só não acontece para dar seguimento à incursão, que aqui estou a fazer, sobre a SteepleChase Records. Além disso, é importante referir que se trata apenas de re-visitar de forma superficial, alguns trabalhos da SteepleChase (e não só) em que o músico participa, não tendo este texto quaisquer pretensões bibliográficas ou históricas (como já referí em situações anteriores).

Niels Pedersen começou por estudar piano mas rapidamente se sentiu atraído pelo instrumento que o viria a consagrar internacionalmente, o contra-baixo. Desde cedo, Niels Pedersen começou a integrar as listas dos melhores baixistas europeus e consequentemente, dos mais requisitados. Começou desde muito cedo, a integrar bandas na Dinamarca (como profissional) e conhece-se a sua recusa, com apenas 17 anos de idade, em integrar a Orquestra de Count Basie (sonho de qualquer músico). Em vez disso, tocou como baixista residente no mítico Café Montmartre e integrou a Danish Radio Orquestra.
Nos anos 60, colaborou, participou e gravou com alguns dos nomes mais importantes do Jazz norte-americano (alguns residentes na Dinamarca, outros que por lá passavam em digressão) como Ben Webster, Bud Powell, Bill Evans, Count Basie, Sonny Rollins, Dizzie Gillespie, Dexter Gordon, Jackie McLean, Roland Kirk, entre outros.

Nos anos 70, foi membro do Trio de Oscar Peterson, que viria a escrever o seguinte sobre o seu grande amigo:
"From the first night that my dear friend Audrey Genovese of Chicago played a Dexter Gordon record that featured Niels Pedersen on bass, I realized that this musical giant and I might someday have the pleasure and occasion of not just meeting but also playing together. After hearing this phenomenal talent on bass, I realized that somehow, someday we should meet, thereby giving me the opportunity to also play with him. This vision and thought took place in the early 1970s, when I was fortunate enough to be able to invite him to join my then trio."

Já nos anos 80, tocou com Joe Pass, Stéphane Grappelli e Kenny Drew, com quem gravou inúmeros trabalhos, em dueto ou com outros elementos.
Como leader gravou inúmeros obras, tendo essencialmente trabalhado para a SteepleChase, com quem se identificava profundamente (também por ser uma editora do seu pais). O registo das muitas participações que teve, ficou a cargo da SteepleChase e da Pablo Records, entre outras.

O seu papel na divulgação da música tradicional (folk) dinamarquesa, foi vários vezes reconhecido, tendo recebido vários prémios dentro e fora do seu país natal, como o Nordic Council Music Prize em 1991.

Faleceu em 2005 com 58 anos, quando nada o fazia prever, vitima de complicações cardíacas. Até à data da sua morte, manteve sempre uma enorme actividade e vários projectos em curso, o último dos quais (só desfeito com a sua morte) consistia num Trio do qual fazia parte o pianista Mulgrew Miller (com quem tinha trabalhado e feito uma digressão mundial em 1999) e o baterista Alvin Queen.

Kenny Drew / Niels-Henning Ørsted Pedersen - Duo (1973, SteepleChase Records SCS-1002), Japan
Este é um dos inúmeros trabalhos que fazem parte de uma parceria histórica entre Niels Pedersen e Kenny Drew. Os resultados deste trabalho superaram as expectativas e o entusiasmo dos dois intervenientes com este projecto, foi tão evidente que, decorrido menos de um ano, viriam a lançar "Duo 2" que é igualmente um excelente trabalho.
O contra-baixo e o piano parecem terem sido feitos um pró outro, tal o enquadramento e a coordenação imposta pelos dois extraordinários executantes. Musicalmente, creio que não estarei muito longe, se disser que se trata de um Bop algo tradicional, mas com várias "pinceladas" de um som mais moderno e sofisticado.
O repertório é constituído por temas intercalados de Kenny Drew e de Niels Pedersen, mas também por alguns temas tradicionais (suponho que dinamarqueses...) de muito bom gosto, bem como o standard "Wave" de Tom Jobim e "Do you know what it means to miss New Orleans" de Louis Alter.

Joe Albany & Niels-Henning Ørsted Pedersen - Two's Company..." (1974, SteepleChase Records SCS-1019), Denmark
Esta é outra das parcerias de Niels Pedersen, desta feita com o peculiar pianista norte-americano Joe Albany. Embora num formato de dueto, a sonoridade é no entanto, algo diferente da anterior, pesem embora as influência e origens de Joe Albany, que foi um dos primeiros pianistas da era Bop (embora pela sua vida errante, só começasse a gravar com frequência nos anos 70). Este trabalho, tem mais variações rítmicas e alguns "rasgos" que se enquadram num género mais clássico.
Como aconteceu no trabalho com Kenny Drew, também aqui o entrosamento é perfeito. Aliás, essa é uma das principais características de Niels Pedersen, a sua extraordinária flexibilidade e adaptabilidade. Talvez por isso, na passagem de músicos norte-americanos por países escandinavos na década de 60, era conhecida a pretensão destes em ter o famoso baixista a tocar na(s) sua(s) banda(s).
Este é de facto, mais uma excelente parceria registada nesta excelente prensagem da SteepleChase, com 6 standards de longa data e com uma duração total de 38 minutos... O repertório é constituído integralmente por temas da autoria de terceiros, como os clássicos "Star Eyes" (DePaul/Raye), "Out of Nowhere" (Green) ou "Lover Man" (Ramirez).

Kenny Drew Trio - Dark Beauty (1974, SteepleChase SCS-1016), Teichiku Records, Japan
Mudando de formato, falo-vos de um trabalho do Trio de Kenny Drew de que Niels Pedersen, faz obviamente parte, bem como o baterista Albert "Tootie" Heath.
O excelente pianista que é Kenny Drew, demonstra neste trabalho, a sua evolução e maturidade. Apesar de ser um disco com claras influências de hard-bop, o desempenho de Drew bem como o repertório seleccionado, aproxima-se de uma vertente mais clássica e até introspectiva. Com excepção de alguns temas (principalmente no Lado 2) este trabalho é, em termos gerais, bastante tranquilo e requintado e fazem dele parte, grandes clássicos como "It Could Happen To You", "Love Letters" ou "Summer Night", embora intercalados com temas da autoria de Kenny Drew como "Blues Inn" ou "Dark Beauty".
A excelente sonoridade global desta obra é, quanto a mim, o seu principal atributo, pese embora existirem espaços, ao longo de todo o trabalho, em que os diferentes protagonistas dão aso à sua imaginação e deliciam-nos com alguns solos extraordinários. No entanto, é algo estranho falar de solos, quando a secção rítmica deste trabalho parece desenrolar-se com solos sucessivos, tanto por parte do baixista, como também do próprio baterista... mas isso será talvez, algo que advém da minha interpretação.

Poderia facilmente recomendar este trabalho, embora, dos discos que fazem parte desta crónica, seja para mim algo difícil e até injusto, destacar alguns em deterimento de outros. Todos eles, embora diferentes, são excelentes trabalhos, pelo que não os hesitaria em recomendar a todos.

Niels-Henning Ørsted Pedersen Trio - Trio 1 Live (1978, SteepleChase Records SCS-1083), Denmark
Mantendo o formato mas alterando os seus constituintes, passamos ao excelente Trio constituido por Niels Pedersen, Philip Catherine e Billy Hart. Trata-se de um gravação ao vivo de 1977, no Montmartre em Copenhaga e é constituído por 5 temas, dos quais dois originais de Niels Pedersen, dois de Philip Catherine e o standard "Autumn Leaves" de Kosma.
A excepcional qualidade deste registo, permite-nos seguir o desempenho de cada um dos músicos de forma isolada. E garanto-vos que esse exercício vale mesmo a pena, já que os três músicos se encontram numa excelente forma e apuramento técnico e deixam-nos maravilhados com os seus rasgos de genialidade.
A acrescentar à habitual qualidade dos discos da SteepleChase, este exemplar pertence a uma prensagem audiófila que confere a esta edição uma transparência e profundidade tal que nos parece transportar para a sala onde o espectáculo decorre. Desde as palmas do público aré ao tilintar prolongado dos pratos (da bateria), tudo neste registo é de um realismo que chega a impressionar. A definição do baixo de Niels Pedersen e os acordes, sem distorção, da Gibson de Philip Catherine, são de uma enorme beleza e profundidade.
Billy Hart, que alguns de Vós por certo conhecem de outras "andanças", é um baterista de grande sensibilidade, dificultando a tarefa do ouvinte em perceber quando está a improvisar.
Apesar de ser um trabalho de equipa, constituído por excelentes músicos, a liderança e o carisma de um músico genial, acaba por transparecer ao longo deste trabalho. O desempenho de Niels Pedersen neste disco, como em tantos outros, faz-nos aperceber das suas enormes qualidades técnicas, mas acima de tudo da sua enorme sensibilidade musical.

N.H.Ø.P./Mikkelborg - Homage/Once Upon a Time (1990, Sonet Dansk Grammofon SLP1662), Denmark
Esta não é uma edição da SteepleChase, embora se fosse, não considero que alguém ficasse a perder e também não acho que alguém notasse. Quero com isto dizer, que a qualidade deste Sonet SLP1662, feito na Dinamarca, é bastante boa. Já em relação ao seu conteúdo, este é certamente o mais diferente de todos os álbuns analisados nesta crónica. Primeiro, porque dificilmente se notam quaisquer influências de um Jazz mais tradicional como o hard-bop. Depois porque se trata de um som mais ambiental e erudito, com coros de fundo e passagens que convidam a ambientes mais contemplativos. Por último, mas não menos importante, porque este registo não está confinado ao desempenho de um duo/trio (como os demais), embora tudo se desenrole à volta do baixo de Niels Pedersen e principalmente do trompete de Palle Mikkelborg.
Intervêm pontualmente neste trabalho, outros músicos/instrumentos como a harpa, piano/teclados, trompetes, trombones e saxofones, bateria e outros instrumentos de percussão, viola, violinos, vozes (coro ARS Nova Choir) entre outros.

Uma grande parte dos temas deste àlbum, são da autoria de Mikkelborg, outros são temas tradicionais dinamarqueses adaptados por Mikkelborg.
Palle Mikkelborg é um reconhecido nome do meio artístico dinamarquês pelos seus trabalhos como trompetista, compositor e produtor discográfico. Como músico, sempre optou pela vertente mais progressiva do Jazz e entre inúmeras participações (Gary Peacock, Jan Gabarek, Gil Evans ou Miles Davis) possui vários discos a solo, editados pela ECM. Em 2001 foi galardoado com o prestigioso Nordic Council Music Prize.
A participação de Niels Pedersen é bastante interessante, já que temos a oportunidade de o ouvir num tipo de registo menos habitual, mas no qual se enquadra igualmente bem.
Este é um trabalho bastante afastado do Jazz mais tradicional e que decerto agradará aos que procuram sonoridades mais alternativas.

Por agora já chega.
Até à próxima, com mais uns títulos desta excelente editora que é a SteepleChase Records.

Boa Noite
Mister W Wink



Última edição por Mister W em Dom Fev 10 2013, 21:31, editado 1 vez(es)
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zaratustra
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 10 2013, 21:29

Niels-Henning Ørsted Pedersen... um dos grandes contrabaixos do jazz...!

Para mim, sempre foi grande.

Obrigado Mister W.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 10 2013, 21:34

zaratustra escreveu:
Niels-Henning Ørsted Pedersen... um dos grandes contrabaixos do jazz...!

Para mim, sempre foi grande.

Obrigado Mister W.

Eu é que agradeço... e já reparei que há por aí muito material da SteepleChase... bounce
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zaratustra
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 10 2013, 22:08

Mister W escreveu:
zaratustra escreveu:
Niels-Henning Ørsted Pedersen... um dos grandes contrabaixos do jazz...!

Para mim, sempre foi grande.

Obrigado Mister W.

Eu é que agradeço... e já reparei que há por aí muito material da SteepleChase... bounce


Conheço este senhor desde 1980 (sensivelmente) e poucos anos depois reparei que tinha vários LPs em que ele participava (talvez uma dezena: Jasper Van't Hof, Philip Catherine, Tete Montoliu, Martial Solal, Horace Parlan, Kenny Drew... edições pt Dargil da SteepleChase ou MPS). Não conheço um em que ele seja menos que bom. Só há poucos anos é que o conheci como cabeça de cartaz, através de umas reedições SteepleChase.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 10 2013, 22:50



Gostei muito desta crónica, adoro o NHØP, e estas cronicas tocam-nos mais quando já conhecemos os intervenientes.

Pouco mais posso acrescentar em relação ao Artista, em relação à Steeplechase, cada vez gosto mais , o som é do mais fantástico que já ouvi.

Obrigado por mais este belo texto.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Fev 11 2013, 18:54

Em homenagem a mais esta deliciosa crónica, e ao objeto da mesma, roda um álbum onde a performance de Niels Pedersen é qualquer coisa de abismal.


Oscar Peterson, Joe Pass, Niels Pedersen - The Paris Concert / Salle Pleyel, 1978







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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Fev 11 2013, 18:57

Caros resistentes,
Ainda no âmbito das últimas crónicas, gostava de incluir três excelentes trabalhos que embora sobejamente "badalados", não gostava de deixar de fora deste tema.
Refiro-me à fase em que Chet Baker trabalhou para a SteepleChase, que embora extremamente curta na sua duração (pouco mais de um ano) foi contudo, extremamente produtiva, já que durante o referido contrato foram editados meia-duzia de Long-Plays. Mas mais do que pela quantidade, esta ligação de Chet Baker com a editora Dinamarquesa, pautou-se pela excelente qualidade dos trabalhos editados, numa fase menos dada a "comercialismos" por parte do genial mestre do Trompete.

Chet Baker Trio - This is Always (1979, SteepleChase) - 1982, SCS1168, USA
Este é sem dúvida, um grande clássico do Jazz, executado por um brilhante trio composto por Chet Baker, Niels Pedersen e Doug Raney. Do repertório faz parte uma cuidada selecção de grandes temas (4), como "How Deep is the Ocean" de Irving Berlin ou "Love for Sale" de Cole Porter, todos eles com excelentes versões produzidas pelo carismático Nils Winther.

Este é um trabalho, maduro, requintado e despretencioso, que junta três músicos que não precisam de provar o seu valor e que tocam pelo seu exclusivo prazer e esse estado de "alma" é perfeitamente audível durante todo o disco, mas em particular na excelente e longa versão de "Love for Sale".
A participação de Niels Pedersen não se resume a este trabalho e embora não havendo, neste tipo de registos, espaço para grandes destaques instrumentais (esses ficam a cargo de Chet Baker) Pedersen sente-se bem integrado e valoriza o projecto em questão, para além da relação que mantinha com o genial mestre do trompete. Não se pense com isto, que neste trabalho, não podemos ouvir os excelentes solos de Pedersen. Podemos encontrá-los, por exemplo em "This is Always" (Coleman) ou "Love for Sale" (Porter) e embora não sejam tão extensos como noutras circunstâncias, são contudo, igualmente apelativos e fazem jus ao nome do seu executante.
Quanto ao guitarrista Doug Raney, os mais familiarizados com estas coisas, decerto sabem que é filho do excelente guitarrista Jimmy Raney, cuja ponto mais alto da sua carreira já tem algumas décadas. Em relação a Doug Raney e ao seu desempenho neste registo, posso adiantar que é extremamente agradável, sem ser exuberante. Para quem conhece algum do trabalho de Doug Raney (a abordar em breve) esta não será propriamente uma novidade mas apenas uma confirmação de outros trabalhos e participações.
Quanto a Chet Baker não haverá muito para dizer e quem conhece minimamente o seu trabalho, decerto concordará, que o seu desempenho foi pautado por uma regularidade e qualidade irrepreensíveis, mesmo nos momentos menos felizes em que o músico optou por géneros musicais menos adequados ao seu invulgar nível e reconhecido estatuto. Este não é porém, nenhum desses casos e tanto a nível músical como técnico, Chet Baker encontra-se ao seu melhor nível, ou seja, genial.

Chet Baker Trio - Daybreak (1979, SteepleChase) - 1980, SCS1142, USA
Registado no mesmo ano e no mesmo concerto de 4 de Outubro no Montmartre em Copenhaga, este "Daybreak" conta apenas com quatro temas, embora longos como as versões ao vivo normalmente exigem.
Os ingredientes eram de facto os melhores (músicos, concerto, editora, produção...) e por isso a SteepleChase fez "render o peixe" e lançou outro disco tendo por base o mesmo espectáculo deste fantástico Trio.
Um vez que até o produtor é o mesmo, só podíamos esperar uma sonoridade semelhante e isso é o que realmente acontece. A única diferença poderá eventualmente recair numa sonoridade mais swing dos temas escolhidos e numa maior participação de Chet Baker na vocalização dos mesmos (mas mesmo assim, algo diminuta).
Apesar da excelente integração de Doug Raney e Niels Pedersen, com contribuições de grande recorte técnico, tanto a nível da secção rítmica como de solos individuais ou em dueto (contrabaixo / guitarra), o grande destaque vai uma vez mais para Chet Baker que mantém uma intensidade irrepreensível, ao longo dos vários temas, mesmo atendendo à duração considerável das suas intervenções. A sua forma exclusiva de "atacar" cada nota com um enorme empenho e rigor, resultam num som intenso e caloroso, extremamente apelativo e que esteve certamente na base dos seus grandes sucessos anteriores.
Do curto repertório seleccionado para este disco, foi mais uma vez, dada prioridade absoluta a temas clássicos como "Down" de Miles Davis ou "For Minor's Only" de Jimmy Heath e essa fórmula parece ter resultado plenamente, como já acontecera no disco que visitámos anteriormente.

Chet Baker Trio - The Touch of Your Lips (1979, SteepleChase) - 1979, SCS1122, Holland
Este é o último desta série de três discos, mas talvez devesse ser o primeiro já que se refere a um espectáculo realizado em Junho de 1979, enquanto os anteriores datam de Outubro do mesmo ano. (No entanto, como não existem quaisquer pretensões de um rigor cronológico, vamos manter esta ordem...).
Uma das diferenças que primeiro salta à vista (ao ouvido, para bem dizer) é o som mais grave do trompete de Chet Baker, que até acaba por conferir um aspecto mais intimista e profundo a temas como "I Waited for You" de Gil Fuller ou "Star Eyes" (DePaul/Raye). Contudo, a sonoridade mais aguda que tanto caracteriza o trompete de Chet Baker, parece ir recuperando "forma" ao longo dos temas deste disco. Poderá ser apenas algo gerado pela minha percepção auditiva, mas acredito que existirão opiniões idênticas.
O facto desta série de discos ter sido editada no formato "Audiophile Edition", confere-lhes uma qualidade irrepreensível que os assemelha a discos de estúdio. O registo músical desta série e deste disco em particular, pela sonoridade descontraída (Cool Jazz) e pelos seus momentos de silêncio (ou quase), seria decerto muito pouco atractivo e até mesmo, algo desagradável, caso não tivesse uma qualidade à altura e certamente não estaríamos aqui a falar deles.

Á semelhança do que acontece nestes registos ao vivo, embora muito pontualmente, Chet Baker dá novamente voz a grandes temas como "But Not For Me" ou "The Touch of Your Lips" da autoria dos Gershwin e de Ray Noble, respectivamente. Todos grandes temas, sem excepção, que fazem deste trabalho mais uma extraordinária obra, essencial para qualquer coleccionador de Jazz.

Para já é tudo, embora esta incursão pela SteepleChase ainda esteja longe do seu término.

Portanto, até ao meu regresso, se não for antes.
Um Abraço
Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Fev 13 2013, 13:28

Acrescentaria tb este como mais um excelente disco do CB e da steeplechase
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anibalpmm
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Fev 13 2013, 13:32

Mister W escreveu:

Caros Amigos,
Venho falar-vos daquele músico Dinamarquês que tem o nome longo e complicado (certamente mais difícil de escrever do que de pronunciar) mas apesar desta dificuldade, achei que o Copy/Paste iria facilitar consideravelmente a minha tarefa e evitar que fossem dados erros, cada vez que tivesse que escrever o nome em questão. Trata-se de Niels-Henning Ørsted Pedersen (ou NHØP, para facilitar), um dos grandes músicos europeus de Jazz, mas muito aclamado pelos músicos norte-americanos com que teve inúmeras participações.

Antes de avançar, gostava de deixar claro que esta crónica devia constar do tópico *Os Imortais do Jazz* e só não acontece para dar seguimento à incursão, que aqui estou a fazer, sobre a SteepleChase Records. Além disso, é importante referir que se trata apenas de re-visitar de forma superficial, alguns trabalhos da SteepleChase (e não só) em que o músico participa, não tendo este texto quaisquer pretensões bibliográficas ou históricas (como já referí em situações anteriores).

Niels Pedersen começou por estudar piano mas rapidamente se sentiu atraído pelo instrumento que o viria a consagrar internacionalmente, o contra-baixo. Desde cedo, Niels Pedersen começou a integrar as listas dos melhores baixistas europeus e consequentemente, dos mais requisitados. Começou desde muito cedo, a integrar bandas na Dinamarca (como profissional) e conhece-se a sua recusa, com apenas 17 anos de idade, em integrar a Orquestra de Count Basie (sonho de qualquer músico). Em vez disso, tocou como baixista residente no mítico Café Montmartre e integrou a Danish Radio Orquestra.
Nos anos 60, colaborou, participou e gravou com alguns dos nomes mais importantes do Jazz norte-americano (alguns residentes na Dinamarca, outros que por lá passavam em digressão) como Ben Webster, Bud Powell, Bill Evans, Count Basie, Sonny Rollins, Dizzie Gillespie, Dexter Gordon, Jackie McLean, Roland Kirk, entre outros.

Nos anos 70, foi membro do Trio de Oscar Peterson, que viria a escrever o seguinte sobre o seu grande amigo:
"From the first night that my dear friend Audrey Genovese of Chicago played a Dexter Gordon record that featured Niels Pedersen on bass, I realized that this musical giant and I might someday have the pleasure and occasion of not just meeting but also playing together. After hearing this phenomenal talent on bass, I realized that somehow, someday we should meet, thereby giving me the opportunity to also play with him. This vision and thought took place in the early 1970s, when I was fortunate enough to be able to invite him to join my then trio."

Já nos anos 80, tocou com Joe Pass, Stéphane Grappelli e Kenny Drew, com quem gravou inúmeros trabalhos, em dueto ou com outros elementos.
Como leader gravou inúmeros obras, tendo essencialmente trabalhado para a SteepleChase, com quem se identificava profundamente (também por ser uma editora do seu pais). O registo das muitas participações que teve, ficou a cargo da SteepleChase e da Pablo Records, entre outras.

O seu papel na divulgação da música tradicional (folk) dinamarquesa, foi vários vezes reconhecido, tendo recebido vários prémios dentro e fora do seu país natal, como o Nordic Council Music Prize em 1991.

Faleceu em 2005 com 58 anos, quando nada o fazia prever, vitima de complicações cardíacas. Até à data da sua morte, manteve sempre uma enorme actividade e vários projectos em curso, o último dos quais (só desfeito com a sua morte) consistia num Trio do qual fazia parte o pianista Mulgrew Miller (com quem tinha trabalhado e feito uma digressão mundial em 1999) e o baterista Alvin Queen.

Kenny Drew / Niels-Henning Ørsted Pedersen - Duo (1973, SteepleChase Records SCS-1002), Japan
Este é um dos inúmeros trabalhos que fazem parte de uma parceria histórica entre Niels Pedersen e Kenny Drew. Os resultados deste trabalho superaram as expectativas e o entusiasmo dos dois intervenientes com este projecto, foi tão evidente que, decorrido menos de um ano, viriam a lançar "Duo 2" que é igualmente um excelente trabalho.
O contra-baixo e o piano parecem terem sido feitos um pró outro, tal o enquadramento e a coordenação imposta pelos dois extraordinários executantes. Musicalmente, creio que não estarei muito longe, se disser que se trata de um Bop algo tradicional, mas com várias "pinceladas" de um som mais moderno e sofisticado.
O repertório é constituído por temas intercalados de Kenny Drew e de Niels Pedersen, mas também por alguns temas tradicionais (suponho que dinamarqueses...) de muito bom gosto, bem como o standard "Wave" de Tom Jobim e "Do you know what it means to miss New Orleans" de Louis Alter.

Joe Albany & Niels-Henning Ørsted Pedersen - Two's Company..." (1974, SteepleChase Records SCS-1019), Denmark
Esta é outra das parcerias de Niels Pedersen, desta feita com o peculiar pianista norte-americano Joe Albany. Embora num formato de dueto, a sonoridade é no entanto, algo diferente da anterior, pesem embora as influência e origens de Joe Albany, que foi um dos primeiros pianistas da era Bop (embora pela sua vida errante, só começasse a gravar com frequência nos anos 70). Este trabalho, tem mais variações rítmicas e alguns "rasgos" que se enquadram num género mais clássico.
Como aconteceu no trabalho com Kenny Drew, também aqui o entrosamento é perfeito. Aliás, essa é uma das principais características de Niels Pedersen, a sua extraordinária flexibilidade e adaptabilidade. Talvez por isso, na passagem de músicos norte-americanos por países escandinavos na década de 60, era conhecida a pretensão destes em ter o famoso baixista a tocar na(s) sua(s) banda(s).
Este é de facto, mais uma excelente parceria registada nesta excelente prensagem da SteepleChase, com 6 standards de longa data e com uma duração total de 38 minutos... O repertório é constituído integralmente por temas da autoria de terceiros, como os clássicos "Star Eyes" (DePaul/Raye), "Out of Nowhere" (Green) ou "Lover Man" (Ramirez).

Kenny Drew Trio - Dark Beauty (1974, SteepleChase SCS-1016), Teichiku Records, Japan
Mudando de formato, falo-vos de um trabalho do Trio de Kenny Drew de que Niels Pedersen, faz obviamente parte, bem como o baterista Albert "Tootie" Heath.
O excelente pianista que é Kenny Drew, demonstra neste trabalho, a sua evolução e maturidade. Apesar de ser um disco com claras influências de hard-bop, o desempenho de Drew bem como o repertório seleccionado, aproxima-se de uma vertente mais clássica e até introspectiva. Com excepção de alguns temas (principalmente no Lado 2) este trabalho é, em termos gerais, bastante tranquilo e requintado e fazem dele parte, grandes clássicos como "It Could Happen To You", "Love Letters" ou "Summer Night", embora intercalados com temas da autoria de Kenny Drew como "Blues Inn" ou "Dark Beauty".
A excelente sonoridade global desta obra é, quanto a mim, o seu principal atributo, pese embora existirem espaços, ao longo de todo o trabalho, em que os diferentes protagonistas dão aso à sua imaginação e deliciam-nos com alguns solos extraordinários. No entanto, é algo estranho falar de solos, quando a secção rítmica deste trabalho parece desenrolar-se com solos sucessivos, tanto por parte do baixista, como também do próprio baterista... mas isso será talvez, algo que advém da minha interpretação.

Poderia facilmente recomendar este trabalho, embora, dos discos que fazem parte desta crónica, seja para mim algo difícil e até injusto, destacar alguns em deterimento de outros. Todos eles, embora diferentes, são excelentes trabalhos, pelo que não os hesitaria em recomendar a todos.

Niels-Henning Ørsted Pedersen Trio - Trio 1 Live (1978, SteepleChase Records SCS-1083), Denmark
Mantendo o formato mas alterando os seus constituintes, passamos ao excelente Trio constituido por Niels Pedersen, Philip Catherine e Billy Hart. Trata-se de um gravação ao vivo de 1977, no Montmartre em Copenhaga e é constituído por 5 temas, dos quais dois originais de Niels Pedersen, dois de Philip Catherine e o standard "Autumn Leaves" de Kosma.
A excepcional qualidade deste registo, permite-nos seguir o desempenho de cada um dos músicos de forma isolada. E garanto-vos que esse exercício vale mesmo a pena, já que os três músicos se encontram numa excelente forma e apuramento técnico e deixam-nos maravilhados com os seus rasgos de genialidade.
A acrescentar à habitual qualidade dos discos da SteepleChase, este exemplar pertence a uma prensagem audiófila que confere a esta edição uma transparência e profundidade tal que nos parece transportar para a sala onde o espectáculo decorre. Desde as palmas do público aré ao tilintar prolongado dos pratos (da bateria), tudo neste registo é de um realismo que chega a impressionar. A definição do baixo de Niels Pedersen e os acordes, sem distorção, da Gibson de Philip Catherine, são de uma enorme beleza e profundidade.
Billy Hart, que alguns de Vós por certo conhecem de outras "andanças", é um baterista de grande sensibilidade, dificultando a tarefa do ouvinte em perceber quando está a improvisar.
Apesar de ser um trabalho de equipa, constituído por excelentes músicos, a liderança e o carisma de um músico genial, acaba por transparecer ao longo deste trabalho. O desempenho de Niels Pedersen neste disco, como em tantos outros, faz-nos aperceber das suas enormes qualidades técnicas, mas acima de tudo da sua enorme sensibilidade musical.

N.H.Ø.P./Mikkelborg - Homage/Once Upon a Time (1990, Sonet Dansk Grammofon SLP1662), Denmark
Esta não é uma edição da SteepleChase, embora se fosse, não considero que alguém ficasse a perder e também não acho que alguém notasse. Quero com isto dizer, que a qualidade deste Sonet SLP1662, feito na Dinamarca, é bastante boa. Já em relação ao seu conteúdo, este é certamente o mais diferente de todos os álbuns analisados nesta crónica. Primeiro, porque dificilmente se notam quaisquer influências de um Jazz mais tradicional como o hard-bop. Depois porque se trata de um som mais ambiental e erudito, com coros de fundo e passagens que convidam a ambientes mais contemplativos. Por último, mas não menos importante, porque este registo não está confinado ao desempenho de um duo/trio (como os demais), embora tudo se desenrole à volta do baixo de Niels Pedersen e principalmente do trompete de Palle Mikkelborg.
Intervêm pontualmente neste trabalho, outros músicos/instrumentos como a harpa, piano/teclados, trompetes, trombones e saxofones, bateria e outros instrumentos de percussão, viola, violinos, vozes (coro ARS Nova Choir) entre outros.

Uma grande parte dos temas deste àlbum, são da autoria de Mikkelborg, outros são temas tradicionais dinamarqueses adaptados por Mikkelborg.
Palle Mikkelborg é um reconhecido nome do meio artístico dinamarquês pelos seus trabalhos como trompetista, compositor e produtor discográfico. Como músico, sempre optou pela vertente mais progressiva do Jazz e entre inúmeras participações (Gary Peacock, Jan Gabarek, Gil Evans ou Miles Davis) possui vários discos a solo, editados pela ECM. Em 2001 foi galardoado com o prestigioso Nordic Council Music Prize.
A participação de Niels Pedersen é bastante interessante, já que temos a oportunidade de o ouvir num tipo de registo menos habitual, mas no qual se enquadra igualmente bem.
Este é um trabalho bastante afastado do Jazz mais tradicional e que decerto agradará aos que procuram sonoridades mais alternativas.

Por agora já chega.
Até à próxima, com mais uns títulos desta excelente editora que é a SteepleChase Records.

Boa Noite
Mister W Wink

Acrescentaria este exemplar, ainda por cima com uma excelente colaboração
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Fev 13 2013, 13:55

Boas contribuições!
O do Archie Shepp, que ainda não tenho...Sad, pelo que já ouví deve ser muito bom!
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Fev 13 2013, 14:32

Mister W escreveu:
Boas contribuições!
O do Archie Shepp, que ainda não tenho...Sad, pelo que já ouví deve ser muito bom!
Tanto o do CBaker como o do Archie Shepp são dois excelentes discos de gosto muito
Não tenho muitas edições da steeplechase mas as q tenho são todas excelentes
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Fev 13 2013, 15:18

anibalpmm escreveu:
Mister W escreveu:
Boas contribuições!
O do Archie Shepp, que ainda não tenho...Sad, pelo que já ouví deve ser muito bom!
Tanto o do CBaker como o do Archie Shepp são dois excelentes discos de gosto muito
Não tenho muitas edições da steeplechase mas as q tenho são todas excelentes
Esse com o Duke Jordan conheço bem, pena ser em CD... No Tenho que ver se arranjo uma cópia em ouro negro... tongue
A SteepleChase é das poucas editoras em que me dou ao luxo de comprar discos às escuras... Por vezes nem conheço o Artista em questão e acho que nunca me arrependi de nenhuma compra... Smile

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 14:48

Caros Amigos do Analógico,
Desta vez não vos trago uma crónica sobre mais um desses geniais criadores de Jazz, mas antes, um apelo, ou numa época particularmente sensível a causas sociais, uma "reivindicação".

Muitos de Vós (não apenas os mais envolvidos no fenómeno do Jazz, mas também outros que visitem a FNAC ou outras lojas) já ouviu certamente falar do nome Clean Feed (não é nenhum produto de limpeza, garanto-vos).
Trata-se de uma editora nacional de música, fundada em 2001, cuja evolução e dinamismo tem vindo a despertar o interesse do pessoal do meio e de milhares de clientes por todo o mundo, ao ponte de possuir já, uma invejável rede de distribuição internacional.

Para os mais cépticos, passo a transcrever dois pequenos excertos de artigos retirados da imprensa norte-americana:

"So it should not be altogether shocking that one of the most vibrant record companies on the scene is based in Lisbon".
in New York Times by Nate Chinen

"With its growing catalog of fearless improvisers- American and European, established and emerging- Clean Feed isn't merely documenting it's era in Jazz, but helping to shape it".
in Village Voice by Francis Davis

Os mais atentos, dir-me-ão de imediato: "Mas essa editora não trabalha apenas com CDs?!" (... e os mais fundamentalistas decerto que me rogarão pragas...).
Pois é. É um facto. A Clean Feed Records só trabalha com o formato digital de nome Compact Disc, mas é precisamente por isso que tenho vindo a questionar-me sobre os planos futuros desta empresa de renome. Com a crise instalada no mercado dos CDs, com o expectável desaparecimento deste formato e com o emergente ressurgimento do vinil, não seria de esperar que a Clean Feed diversificasse a sua actividade e começasse a apostar gradualmente em formatos como o Long Play em vinil?
Para além de ser uma empresa destemida, não tem a Clean Feed como lema ("core business"!) a comercialização de produtos de qualidade a baixo custo? Pois então, já está na altura de avançarem, sem quaisquer receios, para o mercado do vinil.

Admito que quando iniciaram a sua actividade em 2001, a decisão ponderada de optarem pelo CD tenha sido a mais sensata e acertada. Contudo, decorridos pouco mais de 10 anos, o mercado alterou-se drasticamente e o tempo de vida do CD parece ter os dias contados. Fosse o principal objectivo da Clean Feed a obtenção desmesurada de lucros, decerto que a introdução do vinil não seria a forma mais recomendável de garantir a estabilidade da empresa... No entanto, por se tratar de uma empresa jovem, aventureira, alternativa e principalmente, aberta a novos desafios, o vinil será por certo uma boa opção.

Estou certo que a grande maioria dos membros deste fórum, que partilha do meu ponto de vista (não fosse este um fórum de defesa dos formatos analógicos) se juntará a esta causa e que, sempre que possível, a possam divulgar das mais diversas formas e meios. Tenho alguma esperança que os responsáveis da editora em questão, possam um dia confrontar-se com esta corrente e que, quem sabe, possa levá-los a decidir em função da mesma.

Para os menos familiarizados com as edições desta editora, posso assegurar-vos que vários nomes consagrados do Jazz que se faz hoje em dia (em Portugal e lá fora) trabalham com a Clean Feed (para além de algumas re-edições de obras mais antigas). São os casos de Carlos Bica (Frank Mobus e Jim Black), Carlos Barreto e os Lokomotiv, Jason Moran, Erik Revis, Bernardo Sassetti, Anthony Braxton, Steve Lacy, Elliott Sharp, Scott Fields, EMJO (European Movement Jazz Orchestra), LAMA, Tony Malaby, entre muitos outros que poderão ser consultados no site respectivo http://www.cleanfeed-records.com/

Na próxima crónica deste tópico, serão abordadas algumas das obras (de artistas nacionais) desta excelente editora, que decerto aderirá ao vinil, muito em breve.

Até mais ver.
Mister W


Última edição por Mister W em Qui Fev 14 2013, 15:13, editado 1 vez(es)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 15:04

O AAP pode inclusivamente (tentar) abordá-los nesse sentido.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 15:15

António José da Silva escreveu:
O AAP pode inclusivamente (tentar) abordá-los nesse sentido.
Seria uma iniciativa de louvar e imagina que éramos bem sucedidos!...
Descontos de 50% nas compras em grupo!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 15:17

Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
O AAP pode inclusivamente (tentar) abordá-los nesse sentido.
Seria uma iniciativa de louvar e imagina que éramos bem sucedidos!...
Descontos de 50% nas compras em grupo!

Um email acaba de seguir, tentar não custa.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 15:20

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
O AAP pode inclusivamente (tentar) abordá-los nesse sentido.
Seria uma iniciativa de louvar e imagina que éramos bem sucedidos!...
Descontos de 50% nas compras em grupo!

Um email acaba de seguir, tentar não custa.

Boa!
Já estou a imaginar a primeira edição em vinil... vai ser esta:
http://www.cleanfeed-records.com/disco2.asp?intID=397
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 15:25

Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
O AAP pode inclusivamente (tentar) abordá-los nesse sentido.
Seria uma iniciativa de louvar e imagina que éramos bem sucedidos!...
Descontos de 50% nas compras em grupo!

Um email acaba de seguir, tentar não custa.

Boa!
Já estou a imaginar a primeira edição em vinil... vai ser esta:
http://www.cleanfeed-records.com/disco2.asp?intID=397


Seria excelente.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 15:42

Penso que o mercado vai dar uma grande volta, em França, as lojas "fisicas" que estão a sobreviver, e falo de lojas que so vendem musica, são as que voltaram a apostar no vinil, presentemente, 75% das vendas são de LPs e os outros 25% são CDs, vi uma reportagem recentemente no Canal D8.



Na minha humilde opinião, acho que estamos a chegar ao inicio de mais um ciclo Orquestra

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 16:27

Muitos dos lançamentos (umas centenas, à vontadinha), podem ser consultados aqui :

http://rateyourmusic.com/label/clean_feed/1
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 16:43

Duarte Rosa escreveu:
Penso que o mercado vai dar uma grande volta, em França, as lojas "fisicas" que estão a sobreviver, e falo de lojas que so vendem musica, são as que voltaram a apostar no vinil, presentemente, 75% das vendas são de LPs e os outros 25% são CDs, vi uma reportagem recentemente no Canal D8.


Na minha humilde opinião, acho que estamos a chegar ao inicio de mais um ciclo Orquestra

Não tinha a ideia que a diferença fosse tão grande, mas ainda bem (pelo menos em França)! bounce De outra forma, a nossa sugestão nem sequer fazia sentido... No
No entanto, este ressurgimento do vinil e as vendas que consegue atrair, ainda não têm grande expressão em termos da globalidade do mercado. É apenas um nicho mas pelo menos a tendência de crescimento é altamente positiva ao contrário do CD.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 16:49

Mister W escreveu:
. É apenas um nicho...


Mas um nicho que está cada vez a dar mais lucro e a despertar mais e mais interesse.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 17:15

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:
. É apenas um nicho...
Mas um nicho que está cada vez a dar mais lucro e a despertar mais e mais interesse.
De facto o crescimento das vendas de vinil é interessante e está a despertar o interesse de algumas empresas pequenas/médias mas isso não significa que o retorno tenha alguma expressão, em termos de mercado.

Aliás, como podes ver no gráfico de barras, desde praticamente o inicio dos anos 90 que as receitas do vinil deixaram de ter expressão no mercado norte-americano, que ao que julgo saber é o mercado mais forte nas vendas de vinil...

Em termos percentuais de vendas (não de lucro) em 2010 o vinil representava 1.3 e o CD perto de 50%. Decorridos 3 anos, a situação alterou-se consideravelmente e a tendência é cada vez mais o CD perder espaço para o Vinil, nos formatos físicos.
Será muito interessante ver como vai acabar este ano.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 17:22

Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:
. É apenas um nicho...
Mas um nicho que está cada vez a dar mais lucro e a despertar mais e mais interesse.
De facto o crescimento das vendas de vinil é interessante e está a despertar o interesse de algumas empresas pequenas/médias mas isso não significa que o retorno tenha alguma expressão, em termos de mercado.

Aliás, como podes ver no gráfico de barras, desde praticamente o inicio dos anos 90 que as receitas do vinil deixaram de ter expressão no mercado norte-americano, que ao que julgo saber é o mercado mais forte nas vendas de vinil...

Em termos percentuais de vendas (não de lucro) em 2010 o vinil representava 1.3 e o CD perto de 50%. Decorridos 3 anos, a situação alterou-se consideravelmente e a tendência é cada vez mais o CD perder espaço para o Vinil, nos formatos físicos.
Será muito interessante ver como vai acabar este ano.
Não te esqueças que nos States, os CDs são ao preço da uva mijona (taxados como cultura), contrariamente ao que se passa na Europa.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 17:28

Apesar de nos estarmos a afastar dos menos badalados, gostaria de dizer que o facto de ser um nicho de mercado (e assim irá permanecer), não significa que não possa ser enormemente lucrativo, e existem muitos exemplos desses e em muitos ramos de negócio diferentes. Vale mais um nicho lucrativo, do que um que vende em massas e que já não sabem o que fazer nem onde espremer mais para dar lucro, como disse o dono da Pallas (eles fazem milhares de CD).

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Fev 14 2013, 17:38

António José da Silva escreveu:
Apesar de nos estarmos a afastar dos menos badalados, gostaria de dizer que o facto de ser um nicho de mercado (e assim irá permanecer), não significa que não possa ser enormemente lucrativo, e existem muitos exemplos desses e em muitos ramos de negócio diferentes. Vale mais um nicho lucrativo, do que um que vende em massas e que já não sabem o que fazer nem onde espremer mais para dar lucro, como disse o dono da Pallas (eles fazem milhares de CD).

Sem dúvida. Também sou da opinião que o vinil deve crescer mas de forma moderada e equilibrada, pois no dia em que voltar a ser um formato de massas certamente que deixará de ter o encanto e a qualidade que lhe é reconhecida, para além de começar a imperar a especulação.

Quando digo que as receitas (lucro) não têm expressão, refiro-me ao mercado na sua globalidade (e em comparação com outros formatos). É claro que existirão sempre algumas empresas de pequena e média dimensão que se vão fartar de ganhar dinheiro, neste caso com o vinil.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Fev 16 2013, 00:08

Meus Caros,
Como o prometido é devido, aqui estou eu para falar, embora de forma superficial, das edições nacionais da CleanFeed e possivelmente de outras.

Eu sei que o formato é extremamente importante por estas bandas (e concordo plenamente) mas não podia deixar de fora a música que se faz por cá, ainda para mais quando estamos a falar de música de grande qualidade, na minha modesta opinião. Para além disso, conforme já foi referido na crónica anterior, talvez esta seja uma forma de divulgar as nossas ideias e acima de tudo, demonstrar que existe uma "clientela" claramente interessada num produto praticamente inexistente (refiro-me não só ao Jazz, mas à generalidade da música Portuguesa em vinil).

Vamos pois, começar com alguns trabalhos da internacionalmente reconhecida editora CleanFeed. Apesar de existirem inúmeros autores e interpretes nacionais de grande qualidade, vou apenas exemplificar alguns dos trabalhos que conheço. A vossa participação será, como de costume, bem vinda, caso pretendam acrescentar nomes e fotos de outros trabalhos que se enquadrem no tema em questão.

Carlos Bica & Azul - Things About (2011, Clean Feed cf239cd)
Este é (mais) um registo muito interessante do Trio de longa data liderado pelo contra-baixista Carlos Bica, com Frank Mobus na Guitarra e Jim Black na Bateria e Percussão.

Carlos Bica, reside actualmente na Alemanha (ao que sei) depois de ter estudado música em Lisboa (Estoril) e em Würzburg, onde desenvolveu as suas capacidades de excelente instrumentista e um dos mais importantes músicos portugueses (prémio que já conquistou em 98). A sua enorme experiência foi conseguida ao longo de participações com músicos de renome, como Lee Konitz, Ray Anderson, Kenny Wheeler, Paolo Fresu e Markus Stockhausen, entre muitos outros. No panorama Nacional, as suas participações são igualmente extensas e incluem nomes como António Pinho Vargas, Mário Laginha, João Paulo Esteves, Carlos do Carmo, Camané, José Mário Branco e Maria João, com quem trabalhou vários anos e cuja parceria abordaremos mais à frente.
De regresso a este disco... pese embora algumas partes de uma sonoridade mais obscura e intensa é, na sua globalidade, um trabalho muito agradável e apelativo. A interacção e cumplicidade dos músicos, sobressai ao longo de todo o disco, pela "performance" fluída e por um registo (calmo) quase sempre constante (com a excepção de "Flow").
A guitarra de Frank Mobus, através do seu som característico, tem um papel determinante em toda a obra e a bateria de Jim Black, quase sempre executada por vassouras, é o elemento pendular da secção rítmica.
Quanto a Carlos Bica, o seu vasto percurso como músico, não deixa grandes dúvidas em relação às suas qualidades artísticas e este disco não é excepção. O seu desempenho, que por vezes incluí arco, é extremamente cativante e permite-nos embarcar em viagens inesquecíveis, como no tema "2011".
A maioria das composições pertencem a Carlos Bica ou ao Trio, com excepção de "Canção Vazia" de João Paulo e "Flow" de Jim Black.
A produção é igualmente de Carlos Bica
A gravação ocorreu em Julho de 2011, nos estúdios P4 em Berlim e a mistura na Valentim de Carvalho em Paço de Arcos.

Mário Laginha Trio - Espaço (2007, Clean Feed cf090cd)
Trago-vos agora um dos nomes incontornáveis do panorama músical português, Mário Laginha, num registo de excelente (sua) produção, que dá pelo nome de "Espaço".

Este trabalho do Trio constituído por Mário Laginha, Bernardo Moreira (Contra-Baixo) e Alexandre Frazão (Bateria) transporta-nos para o mundo das formas, geométricas... mas essencialmente musicais, num paralelismo pleno de criatividade, cuja autoria pertence integralmente a Mário Laginha.
Temas de um Jazz ritmado q.b. intercalam com excelentes interpretações a solo, onde o extraordinário executante dá forma às suas influências clássicas como nos temas "Tanto Espaço" ou "Plano". A musicalidade que emana do piano do genial compositor, faz-nos ficar colados às colunas de som, durante os cerca de 40 minutos de duração desta obra. Dos restantes músicos, muito poderia ser dito, desde a enorme versatilidade de Alexandre Frazão (que por cá, já tocou "com todos" e em todos os estilos) até à forte experiência internacional de Bernardo Moreira, que já colaborou com lendas do Jazz como Benny Golson, Freddie Hubbard, Curtis Fuller, Wayne Shorter, Art Farmer e Kenny Wheeler. Integra actualmente o Rui Caetano Trio, que é um projecto que recomendo sem hesitar (últimos trabalhos: "Reflexos" e "Invisível").
Para além da inegável qualidade sonora da CleanFeed, um dos aspectos que ainda não foi referido, é o extremo cuidado desta editora, na componente gráfica das suas edições. Neste caso em particular, destaca-se um pequeno booklet como complemento à obra músical, que incluí várias fotos (do próprio Mário Laginha) de inegável qualidade arquitectónica e fotográfica. Por tudo isto, "Espaço" não é apenas um trabalho musical, mas uma obra que incorpora várias actividades artísticas que se completam.

Carlos Barretto - Lokomotiv (2003, Clean Feed cf016cd)
Carlos Barretto é sem dúvida um dos grandes resistentes em matéria de Jazz nacional e o seu nome, encontra-se, desde há muito, ligado a vários projectos de grande relevância. Com apenas 10 anos, estudou piano e solfejo no Conservatório Nacional de Lisboa, o que demonstra que desde muito cedo se começou a interessar pela música, em parte por influência familiar. Contudo, a influência do Festival de Jazz de Cascais depressa o faria mudar para o Contra-Baixo. Mais tarde, viveu em Viena e em Paris onde estudou e tocou com grandes nomes do Jazz que contribuiram para aperfeiçoar as suas grandes capacidades técnicas. Estes são apenas alguns exemplos do seu percurso empreendedor e que resultaria num dos mais geniais criadores nacionais deste género músical.
Apesar de ter passado por vários géneros e estilos, Carlos Barretto começou a focar-se cada vez mais na arte do improviso e é esse "território" com o qual mais parece identificar-se. Este trabalho de estúdio de 2003, dá-nos precisamente conta dessa preferência, apesar de outras influências como o Jazz-Rock. A sonoridade, pouco previsível, deste trabalho, situa-o no melhor que se faz por cá, no que podemos apelidar de Free-Jazz.
Os elementos que incorporam a criatividade de Carlos Barretto como compositor, parecem não ter limites e este trabalho é sem dúvida, uma excelente experiência dentro do género.
Este quarteto, viria mais tarde a adoptar o nome de Lokomotiv, nome que, aliás, mantêm até aos dias de hoje. Fazem dele parte: Carlos Barretto (Contra-baixo), François Corneloup (Saxofone Baritono), Mário Delgado (Guitarras) e José Salgueiro (Bateria).
Ao que julgo saber, Carlos Barretto mantém vários projectos em plena actividade, como é o caso dos "Lokomotiv", do "Quarteto Carlos Barretto" e de "Solo Pictórico" o mais arrojado dos seus projectos, em que o músico através de actuações a solo, combina a pintura e a música, num espectáculo extremamente introspectivo e pessoal (normalmente levado a cabo em salas de dimensão reduzida e com pouca audiência).

Posto isto, vou ouvir um disco a sério, pois hoje já ouvi demasiados CDs... embora tenha que reconhecer a sua qualidade... musical (apenas).

Até Breve
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Fev 16 2013, 02:53

Mister W escreveu:
Meus Caros,
Como o prometido é devido, aqui estou eu para falar, embora de forma superficial, das edições nacionais da CleanFeed e possivelmente de outras.
........
Mister W

Da Cleanfeed tenho um CD...
É uma gravação ao vivo num espectáculo do Jazz em Agosto '11 na Fundação Calouste Gulbenkian, e consiste 'apenas' num tema de 53mins!

Hairbones - Snakelust (To Kenji Nakagami)
http://www.discogs.com/Hairybones-Snakelust-To-Kenji-Nakagami/release/3662504

É uma obra impressionante de Free Jazz à qual só cheguei pela curiosidade que tenho acerca do trompetista Toshinori Kondo que conheço de um outro álbum que adoro!
Como não possuo o dom da escrita, apenas posso dizer que não é uma obra fácil, mas que quem gostar de Free Jazz vai gostar de conhecer este Hairbones - Snakelust (To Kenji Nakagami)!
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Fev 16 2013, 08:57

chicosta escreveu:
Mister W escreveu:
Meus Caros,
Como o prometido é devido, aqui estou eu para falar, embora de forma superficial, das edições nacionais da CleanFeed e possivelmente de outras.
........
Mister W

Da Cleanfeed tenho um CD...
É uma gravação ao vivo num espectáculo do Jazz em Agosto '11 na Fundação Calouste Gulbenkian, e consiste 'apenas' num tema de 53mins!

Hairbones - Snakelust (To Kenji Nakagami)
http://www.discogs.com/Hairybones-Snakelust-To-Kenji-Nakagami/release/3662504

É uma obra impressionante de Free Jazz à qual só cheguei pela curiosidade que tenho acerca do trompetista Toshinori Kondo que conheço de um outro álbum que adoro!
Como não possuo o dom da escrita, apenas posso dizer que não é uma obra fácil, mas que quem gostar de Free Jazz vai gostar de conhecer este Hairbones - Snakelust (To Kenji Nakagami)!
Apesar de desconhecer esse trompetista (presumivelmente) japonês, não duvido que esse titulo seja muito bom, pois nele participam grandes músicos como o alemão Peter Broetzmann (um dos mais importantes músicos europeus de Jazz) e o baterista norueguês Paal Nilssen-Love que entre outros trabalhos de referência (por ex. com Mats Gustafsson) participou naquele que foi considerado pela crítica, um dos melhores álbuns de 2012, "The Cherry Thing" (Neneh Cherry & The Thing).
Fiquei curioso... scratch

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Fev 16 2013, 17:19

Mister W escreveu:
Meus Caros,
Como o prometido é devido, aqui estou eu para falar, embora de forma superficial, das edições nacionais da CleanFeed e possivelmente de outras.

Eu sei que o formato é extremamente importante por estas bandas (e concordo plenamente) mas não podia deixar de fora a música que se faz por cá, ainda para mais quando estamos a falar de música de grande qualidade, na minha modesta opinião. Para além disso, conforme já foi referido na crónica anterior, talvez esta seja uma forma de divulgar as nossas ideias e acima de tudo, demonstrar que existe uma "clientela" claramente interessada num produto praticamente inexistente (refiro-me não só ao Jazz, mas à generalidade da música Portuguesa em vinil).

Vamos pois, começar com alguns trabalhos da internacionalmente reconhecida editora CleanFeed. Apesar de existirem inúmeros autores e interpretes nacionais de grande qualidade, vou apenas exemplificar alguns dos trabalhos que conheço. A vossa participação será, como de costume, bem vinda, caso pretendam acrescentar nomes e fotos de outros trabalhos que se enquadrem no tema em questão.

Carlos Bica & Azul - Things About (2011, Clean Feed cf239cd)
Este é (mais) um registo muito interessante do Trio de longa data liderado pelo contra-baixista Carlos Bica, com Frank Mobus na Guitarra e Jim Black na Bateria e Percussão.

Carlos Bica, reside actualmente na Alemanha (ao que sei) depois de ter estudado música em Lisboa (Estoril) e em Würzburg, onde desenvolveu as suas capacidades de excelente instrumentista e um dos mais importantes músicos portugueses (prémio que já conquistou em 98). A sua enorme experiência foi conseguida ao longo de participações com músicos de renome, como Lee Konitz, Ray Anderson, Kenny Wheeler, Paolo Fresu e Markus Stockhausen, entre muitos outros. No panorama Nacional, as suas participações são igualmente extensas e incluem nomes como António Pinho Vargas, Mário Laginha, João Paulo Esteves, Carlos do Carmo, Camané, José Mário Branco e Maria João, com quem trabalhou vários anos e cuja parceria abordaremos mais à frente.
De regresso a este disco... pese embora algumas partes de uma sonoridade mais obscura e intensa é, na sua globalidade, um trabalho muito agradável e apelativo. A interacção e cumplicidade dos músicos, sobressai ao longo de todo o disco, pela "performance" fluída e por um registo (calmo) quase sempre constante (com a excepção de "Flow").
A guitarra de Frank Mobus, através do seu som característico, tem um papel determinante em toda a obra e a bateria de Jim Black, quase sempre executada por vassouras, é o elemento pendular da secção rítmica.
Quanto a Carlos Bica, o seu vasto percurso como músico, não deixa grandes dúvidas em relação às suas qualidades artísticas e este disco não é excepção. O seu desempenho, que por vezes incluí arco, é extremamente cativante e permite-nos embarcar em viagens inesquecíveis, como no tema "2011".
A maioria das composições pertencem a Carlos Bica ou ao Trio, com excepção de "Canção Vazia" de João Paulo e "Flow" de Jim Black.
A produção é igualmente de Carlos Bica
A gravação ocorreu em Julho de 2011, nos estúdios P4 em Berlim e a mistura na Valentim de Carvalho em Paço de Arcos.

Mário Laginha Trio - Espaço (2007, Clean Feed cf090cd)
Trago-vos agora um dos nomes incontornáveis do panorama músical português, Mário Laginha, num registo de excelente (sua) produção, que dá pelo nome de "Espaço".

Este trabalho do Trio constituído por Mário Laginha, Bernardo Moreira (Contra-Baixo) e Alexandre Frazão (Bateria) transporta-nos para o mundo das formas, geométricas... mas essencialmente musicais, num paralelismo pleno de criatividade, cuja autoria pertence integralmente a Mário Laginha.
Temas de um Jazz ritmado q.b. intercalam com excelentes interpretações a solo, onde o extraordinário executante dá forma às suas influências clássicas como nos temas "Tanto Espaço" ou "Plano". A musicalidade que emana do piano do genial compositor, faz-nos ficar colados às colunas de som, durante os cerca de 40 minutos de duração desta obra. Dos restantes músicos, muito poderia ser dito, desde a enorme versatilidade de Alexandre Frazão (que por cá, já tocou "com todos" e em todos os estilos) até à forte experiência internacional de Bernardo Moreira, que já colaborou com lendas do Jazz como Benny Golson, Freddie Hubbard, Curtis Fuller, Wayne Shorter, Art Farmer e Kenny Wheeler. Integra actualmente o Rui Caetano Trio, que é um projecto que recomendo sem hesitar (últimos trabalhos: "Reflexos" e "Invisível").
Para além da inegável qualidade sonora da CleanFeed, um dos aspectos que ainda não foi referido, é o extremo cuidado desta editora, na componente gráfica das suas edições. Neste caso em particular, destaca-se um pequeno booklet como complemento à obra músical, que incluí várias fotos (do próprio Mário Laginha) de inegável qualidade arquitectónica e fotográfica. Por tudo isto, "Espaço" não é apenas um trabalho musical, mas uma obra que incorpora várias actividades artísticas que se completam.

Carlos Barretto - Lokomotiv (2003, Clean Feed cf016cd)
Carlos Barretto é sem dúvida um dos grandes resistentes em matéria de Jazz nacional e o seu nome, encontra-se, desde há muito, ligado a vários projectos de grande relevância. Com apenas 10 anos, estudou piano e solfejo no Conservatório Nacional de Lisboa, o que demonstra que desde muito cedo se começou a interessar pela música, em parte por influência familiar. Contudo, a influência do Festival de Jazz de Cascais depressa o faria mudar para o Contra-Baixo. Mais tarde, viveu em Viena e em Paris onde estudou e tocou com grandes nomes do Jazz que contribuiram para aperfeiçoar as suas grandes capacidades técnicas. Estes são apenas alguns exemplos do seu percurso empreendedor e que resultaria num dos mais geniais criadores nacionais deste género músical.
Apesar de ter passado por vários géneros e estilos, Carlos Barretto começou a focar-se cada vez mais na arte do improviso e é esse "território" com o qual mais parece identificar-se. Este trabalho de estúdio de 2003, dá-nos precisamente conta dessa preferência, apesar de outras influências como o Jazz-Rock. A sonoridade, pouco previsível, deste trabalho, situa-o no melhor que se faz por cá, no que podemos apelidar de Free-Jazz.
Os elementos que incorporam a criatividade de Carlos Barretto como compositor, parecem não ter limites e este trabalho é sem dúvida, uma excelente experiência dentro do género.
Este quarteto, viria mais tarde a adoptar o nome de Lokomotiv, nome que, aliás, mantêm até aos dias de hoje. Fazem dele parte: Carlos Barretto (Contra-baixo), François Corneloup (Saxofone Baritono), Mário Delgado (Guitarras) e José Salgueiro (Bateria).
Ao que julgo saber, Carlos Barretto mantém vários projectos em plena actividade, como é o caso dos "Lokomotiv", do "Quarteto Carlos Barretto" e de "Solo Pictórico" o mais arrojado dos seus projectos, em que o músico através de actuações a solo, combina a pintura e a música, num espectáculo extremamente introspectivo e pessoal (normalmente levado a cabo em salas de dimensão reduzida e com pouca audiência).

Posto isto, vou ouvir um disco a sério, pois hoje já ouvi demasiados CDs... embora tenha que reconhecer a sua qualidade... musical (apenas).

Até Breve
Mister W


Falando em Clean Feed...

... assim de relance, acrescentaria este TGB, bem conseguido álbum da tripla portuguesa Sérgio Carolino, Mário Delgado, Alexandre Frazão...




http://www.cleanfeed-records.com/disco2.asp?intID=160

http://www.discogs.com/Carolino-Delgado-Fraz%C3%A3o-TGB-Tuba-Guitarra-Bateria/release/2120193




Última edição por zaratustra em Sab Fev 16 2013, 21:29, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Fev 16 2013, 21:25


Ainda no seguimento da última crónica, gostava de Vos falar de mais alguns trabalhos nacionais (de diferentes editoras) que considero dignos de belas prensagens em vinil, pois creio que nunca tal aconteceu (p.f. corrijam-me se estiver enganado). Apesar de não os abordar individualmente a todos, fica a certeza porém, de que se tratam de excelentes obras do Jazz "Made in Portugal" e não fosse a falta de divulgação com que normalmente se debatem, estariam certamente a rivalizar com o melhor que se faz por essa Europa fora.

Carlos Bica & Azul - Azul (1996, Emarcy/Polygram )
Começo por um best-seller do Trio de Carlos Bica, votado como Álbum do Ano em Portugal (em 96) e elogiado um pouco por toda a Europa, mas principalmente no pais onde o músico reside (a Alemanha).
Com uma duração de 12 temas e perto de 70 minutos, "Azul" é um obra de grande qualidade e diversidade que não se cinge a nenhum estilo do Jazz em particular e apresenta um vasto repertório que visita uma variada panóplia de sonoridades. Para isto contribuem certamente as diferenças culturais dos músicos, oriundos de diferentes países e que os leva a procurar novas sonoridades e tendências. Os elementos deste trio, tem um desempenho tremendo, não só individualmente, mas também como um todo. Numa das inúmeras críticas, pode ler-se:
Each member of the trio is exciting as a soloist, accompanist and musical painter. Fusion sounds are locked out. Nevertheless (or just because of that) the music sounds fresh, unused and – beautiful(Zitty - Germany)
O Trio é composto pelos habituées, Frank Mobus e Jim Black (para além de Carlos Bica) e conta ainda com a participação de Ray Anderson no (Trombone) e de Maria João, que através da sua voz inconfundível, tem um soberba interpretação em "A Madrugada de um homem condenado a ser poeta".

Para quem possa ter algumas dúvidas sobre as potencialidades do Jazz nacional, recomendo uma audição desta obra (embora a formação não seja propriamente nacional...) que dificilmente deixa de atrair quem se aventura a "dar-lhe ouvidos".

Barretto - Olhar (1999, UpBeat Records UB1005)
Num registo mais clássico e melódico, temos mais este registo de referência do Quarteto de Carlos Barretto. Apesar de se tratar de um trabalho liderado por Carlos Barretto, a "democracia" desta obra, sobressai a vários níveis, desde o alinhamento da formação até aos temas, cuja composição pertence aos seus vários elementos (Barretto 3, Sassetti 2, Sambeat 2, Barreiros 1).
Com uma formação diferente da que viria a constituir os Lokomotiv (em 2003) também no Jazz praticado por este Quarteto, as diferenças são consideráveis. Mais virado para algumas das tendências da época (Keith Jarrett, Chick Corea, Michael Brecker...) e longe do rumo que Carlos Barretto viria, mais tarde, a dar aos Lokomotiv, este trabalho assenta num conceito mais tradicional de um quarteto de Jazz clássico, mas nem por isso, devemos desvalorizar esta excelente obra ou torná-la menos apelativa.
Para além do desempenho regular de Carlos Barretto, este trabalho tem no jovem prodígio, Bernardo Sassetti, um dos seus principais protagonistas e seguramente o principal responsável pela sonoridade harmoniosa que sobressai ao longo dos 8 temas. A delicadeza e a eficácia com que Sassetti percorre as teclas do seu Piano é absolutamente estonteante e este disco poderá ser um bom começo para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a obra do malogrado pianista. Também como Compositor, Bernardo Sassetti demonstra as suas competências, como se constata no tema que abre e que dá nome ao disco ("Olhar") mas também no contagiante "Narayama", pela enorme sensibilidade do seu autor.

Também o grande e experiente saxofonista espanhol, Perico Sambeat, merece um destaque especial, pelo contributo inexcedível e acima de tudo pela marca que deixa nesta obra. O quarteto fica completo, com o igualmente experiente baterista, Mário Barreiros (que alguns conhecem dos Jafumega) embora a sua actividade de Professor e Produtor não lhe deixe muito tempo (infelizmente) para participações mais regulares em registos de Jazz.

Kolme - Kolme (2012, ESC010)
Este é um projecto único e possivelmente um dos melhores que já teve lugar em território nacional. Para tal, foi preciso, antes de mais, juntar três dos melhores músicos portugueses... mas só isso não chega. Foi igualmente necessário que os ditos músicos, tivessem um mente aberta e principalmente, estivessem na disposição de criar algo verdadeiramente inovador, no panorama musical português. A ideia deve entusiasmar qualquer um e efectivamente as composição de Ruben Alves pareciam estar à altura de tão ambicioso projecto.
Para dar corpo a tão belas composições, juntaram-se ao piano de Ruben Alves, o baixo intenso e marcante de Miguel Amado e a percussão rigorosa e complexa de Carlos Miguel e da combinação das contribuições individuais dos três excelentes músicos resultou uma obra inédita de inúmeras influências que nos transporta através de imagens deslumbrantes para paisagens longínquas.

Esta obra tem uma abordagem inédita, já que a sua intensidade e as emoções que tende a despertar são pouco habituais. Kolme é muito mais do que um projecto e um primeiro disco; é acima de tudo, uma tendência e uma atitude inconformada que libertou uma nova linguagem musical e um formato de Jazz difícil de igualar.
Estes são argumentos mais do que suficientes para que esta magnifica obra-prima esteja entre os melhores de 2012 e não só... Absolutamente obrigatório. Só não consigo entender, como é que um projecto desta envergadura, não tem uma prensagem em vinil, mesmo que fosse num número limitado de cópias. Estou confiante que tal ainda vai acontecer.

Além disso, espero sinceramente que este projecto não se fique por um primeiro registo e que consiga dar um novo rumo ao panorama musical nacional. Parabéns ao Trio e Boa Sorte para viagens futuras.
Já agora, Kolme quer dizer Três, em filandês.

Os seguintes trabalhos são igualmente referências de valor inegável do Jazz que se faz em Portugal e a minha confiança sobre uma eventual edição em vinil, é igualmente extensível a todos eles.

Até Breve
Mister W

Mário Laginha, Piano - Canções & Fugas (2006, Emarcy/Universal Portugal)



Mário Laginha Trio - Mongrel Chopin (2010 ONC/Antena 2)


Carlos Barretto - Silêncios (2000, Foco Musical FM0004CB)

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 17 2013, 18:54


Agradeço-te desde já a contribuição para a minha educação musical , no que diz respeito ao Jazz Nacional, conheço muito pouco.

Tens toda a razão em relação à Clean Feed, as capas são boas e a música, tenho a certeza que está dentro do standard contemporâneo .

Sendo assim estão reunidas as condições para o sucesso na venda de edições em vinil.

O consumidor de vinil é melhor porque não é só consumidor de música é também consumidor de objectos: colecciona .

Sendo assim é um mercado muito melhor para explorar do que os streamings .

A Clean Feed já respondeu?
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Fev 17 2013, 19:13

Ulrich escreveu:

Agradeço-te desde já a contribuição para a minha educação musical , no que diz respeito ao Jazz Nacional, conheço muito pouco.

Tens toda a razão em relação à Clean Feed, as capas são boas e a música, tenho a certeza que está dentro do standard contemporâneo .

Sendo assim estão reunidas as condições para o sucesso na venda de edições em vinil.

O consumidor de vinil é melhor porque não é só consumidor de música é também consumidor de objectos: colecciona .

Sendo assim é um mercado muito melhor para explorar do que os streamings .

A Clean Feed já respondeu?

Creio que não Ulrich, mas essa pergunta terá que ser respondida pelo António já que foi ele a estabelecer o contacto.

Em relação ao Jazz nacional (mas também às edições nacionais de títulos de outros países) a CleanFeed é apenas um exemplo, certamente o mais flagrante pela sua dimensão considerável e pela exposição internacional que já conseguiu. No entanto, existem mais casos (como foi exemplificado acima) e o nosso desejo aplica-se igualmente a todos eles.
Obrigado pelas palavras.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   

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