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 *Os menos badalados do JAZZ*

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Jan 13 2013, 21:12

Assim que acabar o jogo, já vou ler.
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chicosta
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Jan 13 2013, 21:17

António José da Silva escreveu:
Assim que acabar o jogo, já vou ler.

Já li no intervalo!
Mais tentações...

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Jan 13 2013, 21:19

chicosta escreveu:
António José da Silva escreveu:
Assim que acabar o jogo, já vou ler.

Já li no intervalo!
Mais tentações...



Então o melhor é nem ler.


lol!

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Jan 13 2013, 21:30

chicosta escreveu:
Estava eu hoje a ouvir um álbum de jazz recentemente sacado da net e que tenho ouvido em modo 'repeat', quando ao pesquisar algo mais na net descubro que o seu autor faleceu no passado mês de Novembro com apenas 22 anos!
Penso ser desconhecido de todos, mas uma rápida pesquisa no Google dá para ver que era um prodígio do piano!
Aos 15 anos tocou com o seu trio no Tokio Jazz Festival, aos 16 a Sony Japan edita dois trabalhos seus!
Em 2011 edita o álbum que estou a ouvir, Endless Planets!
E são as suas 3 obras...
Além destes 3 trabalhos, colabora com artistas de outras áreas (e também músicos de jazz) tais como Flying Lotus, Robert Glasper, Erykah Badu, Jaga Jazzist, Cinematic Orchestra, etc...
RIP Austin Peralta. (para o pessoal mais radical, o seu pai era um famoso skater, Stacy Peralta)
Infelizmente, à parte as colaborações, penso que nenhum dos seus álbuns foi editado em vinyl.
Visto eu não ter o dom da palavra, espero que o nosso Mister W conheça o miúdo e desenvolva o tema!
Não conhecia mas já estive a ver alguns videos e o miúdo toca (ou tocava) que se farta.
É uma pena, de facto.
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Jan 13 2013, 21:37


Mais uma crónica fantástica ...

...fiquei com muita curiosidade acerca dos trabalhos com flauta.

A flauta não é muito comum nos paradigmas mainstrem da época mas emite uma suavidade fantástica
que confere aos temas um brilho especial e quase místico.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 14 2013, 10:56

Magnifico amigo W. Como sabes, tenho a prensagem japonesa do Out Of The Blue e gosto muito. Fiquei um tanto ou quanto embeiçado pela descrição do The Mode, que irá ser a próxima aquisição quando for a tua casa. lol!

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 14 2013, 16:22

Pierre escreveu:

Um nome a ter em conta:

Nick Brignola Quartet
(Hard Bop)


Concordo! Gostava de conhecer mais coisas dele, pois para além de algumas colaborações pontuais, o único trabalho que conheço/tenho dele é este de 1977 (Baritone Madness) com o Peper Adams e o Dave Holland e é de facto uma loucura!
Segundo sei, foi uma grande referência do saxofone barítono e chegava a ser comparado com o monstro sagrado desse instrumento, o grande Gerry Mulligan.


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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 17 2013, 18:58

Amigos,
Como não só de "Happy Endings" se escreve a história do Jazz, venho falar-vos de um músico, cuja carreira está ligada a um dos episódios mais trágicos e marcantes de que o Jazz tem memória. Como não é muito conhecido na Europa, achei por bem deixar um testemunho sobre esse músico, de que gosto particularmente e que dá pelo nome de Frank Rosolino.

Apesar de algo subestimado, Frank Rosolino foi um dos proeminentes trombonistas de Jazz dos anos 50 e chegou mesmo a ser considerado um dos melhores, ao lado de nomes como Curtis Fuller ou J.J. Johnson.

Para além de ter tocado em várias Big Bands (destacando-se as de Stan Kenton e Gene Kupa) teve também a oportunidade de tocar com inúmeros músicos de renome dos anos 60 e 70, como Frank Sinatra, Tony Bennett, Mel Tormé, Sarah Vaughan, Peggy Lee, Michel Legrand, Quincy Jones, entre outros. Participou em bandas-sonoras de filmes como "I Want to Live!" e "Sweet Smell of Success", com a banda de Shelly Manne. Obteve uma forte visibilidade ao participar regularmente num dos programas de grande audiência da televisão norte-americada, "The Steve Allen Show" mas também em "The Tonight Show" e "The Merv Griffin Show" como artista convidado.
Também lhe era reconhecido um invulgar talento como vocalista, numa forma específica de improviso de Jazz (non-sense e bem-humorado) chamado de Scat-Singing e chegou mesmo a gravar um álbum cantado ("Turn Me Loose") para além do desempenho de Trombone. Como sideman participou em trabalhos de Moacir Santos, Paulinho Da Costa, Horace Silver e nos anos 70, tocou com Quincy Jones e o grupo Supersax, que viria a ser galardoado com um Grammy Award.

O facto de ser uma pessoa bem disposta e com um apurado sentido de humor não evitou que começasse a ter depressões nervosas e problemas de índole psicológica e em Novembro de 1978, sem nada o fazer prever, Frank Rosolino cometeu suicídio depois de ter tirado a vida aos seus dois filhos.

Frank Rosolino & Conte Candoli - Just Friends (1975, MPS Germany)
A sua morte parece ter largamente condicionado a sua popularidade e o número escasso de re-edições da sua obra, dá de certa forma, a ideia de que o mundo do Jazz estaria na disposição de apagar o seu contributo... o que não seria o caso, como mais tarde se comprovou.
Este trabalho, que em boa hora consegui adquirir, dá-nos conta de um concerto ao vivo, em que Frank Rosolino contracena com o seu amigo e trompetista Conte Candoli. Trata-se pois de uma reunião de dois grandes instrumentistas do West Cost e importantes membros da Orquestra de Stan Kenton.
A interacção entre os dois é fabulosa e a combinação entre o trombone e o trompete é, sem dúvida, extremamente feliz. Os restantes elementos que compõem este quinteto, apesar de desconhecidos (para mim) também têm um bom contributo para a sonoridade final desta obra.
Do repertório, fazem parte standards como "Stella by Starlight" (Young/Washington), "Well You Needn't" (Monk), "Quiet Nights" (Jobim/Lees) e uma excelente versão de "My Funny Valentine".

Pela boa surpresa que foi esta obra e por se tratar de um dos meus instrumentos de eleição (trombone) vou ficar atento e ver se consigo outros trabalhos de Rosolino, embora, posso adiantar que os seus discos não aparecem com muita frequência nem têm preços muito convidativos e o facto de praticamente não existirem re-edições, não abona a meu/nosso favor.

Para já é o que temos e acreditem que não é pouco, tal a qualidade desta excelente pérola da MPS.

Até à Vista.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 17 2013, 19:27

Obrigado W, mais um artista a ter na mira. A ver se agarro um disco desse homem. Também eu estou cada vez mais maravilhado com o trombone.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 17 2013, 19:31

Não foi tarde nem foi cedo, e por 4 libras, já cá canta....
Frank Rosolino & Conte Candoli - Just Friends (1975, MPS Germany)

Confio no teu bom gosto.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 17 2013, 20:00

António José da Silva escreveu:
Não foi tarde nem foi cedo, e por 4 libras, já cá canta....
Frank Rosolino & Conte Candoli - Just Friends (1975, MPS Germany)

Confio no teu bom gosto.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 17 2013, 20:09

O meu album favorito com o Frank Rosolino não é dele, apenas tem a sua participação como sideman (e que bela participação ele teve nesse album), é o "Jazz Giant" do grande Benny Carter para a Contemporary em 1957.

É um dos meus albuns favoritos de Jazz, especialmente na reedição audiófila a 45rpm da Analogue Productions que além da música ser fabulosa também tem um som fabuloso!!!

Bela crónica como sempre Mister


Abraços,
Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 17 2013, 20:14

António José da Silva escreveu:
Não foi tarde nem foi cedo, e por 4 libras, já cá canta....
Frank Rosolino & Conte Candoli - Just Friends (1975, MPS Germany)

Confio no teu bom gosto.
Boa! Grande compra! Vais gostar!
O meu acho que custou 12 Euros... Sad

Infelizmente, acho que as pechinchas do Frank Rosolino se devem resumir a esse disco e pouco mais...
Acho que ninguém quis fazer re-edições por causa dos antecedentes dele... Evil or Very Mad

A viúva dele andou a tentar convencer uma editora a pegar numas gravações inéditas que ela encontrou... e só em 2006(!) é que saiu esse último disco. Chama-se "The Last Recording". Deve ser muito bom...

P.S. Jorge, vê lá se consegues arranjar este Last Recording dele...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 17 2013, 20:17

Tens alguns no eBay, uns mais caros, outros, nem por isso

http://www.ebay.com/sch/i.html?_nkw=Frank+Rosolino&_sacat=0&_odkw=Frank+Rosolino+%26+Conte+Candoli+-+Just+Friends&_osacat=0&_from=R40


PS : este, por exemplo http://www.ebay.com/itm/Frank-Rosolino-Quintet-1985-reissued-from-1957-NM-/280689068287?pt=Music_on_Vinyl&hash=item415a5f48ff


Última edição por Fran em Qui Jan 17 2013, 20:18, editado 1 vez(es)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 17 2013, 20:18

Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
Não foi tarde nem foi cedo, e por 4 libras, já cá canta....
Frank Rosolino & Conte Candoli - Just Friends (1975, MPS Germany)

Confio no teu bom gosto.
Boa! Grande compra! Vais gostar!
O meu acho que custou 12 Euros... Sad

Infelizmente, acho que as pechinchas do Frank Rosolino se devem resumir a esse disco e pouco mais...
Acho que ninguém quis fazer re-edições por causa dos antecedentes dele... Evil or Very Mad

A viúva dele andou a tentar convencer uma editora a pegar numas gravações inéditas que ela encontrou... e só em 2006(!) é que saiu esse último disco. Chama-se "The Last Recording". Deve ser muito bom...

P.S. Jorge, vê lá se consegues arranjar este Last Recording dele...


Ainda irei pagar 3/4 euros de porte, mas por um disco da MPS, é um valor mais do que bom, mesmo que fosse mais. Só falta o homem saber tocar trombone e estou satisfeito. lol!

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 17 2013, 20:26

Fran escreveu:
Tens alguns no eBay, uns mais caros, outros, nem por isso

http://www.ebay.com/sch/i.html?_nkw=Frank+Rosolino&_sacat=0&_odkw=Frank+Rosolino+%26+Conte+Candoli+-+Just+Friends&_osacat=0&_from=R40

PS : este, por exemplo http://www.ebay.com/itm/Frank-Rosolino-Quintet-1985-reissued-from-1957-NM-/280689068287?pt=Music_on_Vinyl&hash=item415a5f48ff

Thanks Fran!
Estão aí uns quantos interessantes, pena é que muitos sejam CD's ou que se encontrem nos States... Sad



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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 17 2013, 20:37



5

http://www.jazzmessengers.com/ecommerce/search/search.cfm?searchCriteria=Frank+rosolino&customTagsSearchList=
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 17 2013, 21:25

Mister W escreveu:
... ou que se encontrem nos States... Sad
Não vejo qq impedimento o facto de estarem no continente Americano ... se fizeres bem as continhas, vais ver que vale mesmo a pena.


PS : ainda hoje, recebi um só LP, vindo de lá ... não te esqueças que o dólar, até está bastante bonzinho para nós

PS' : as 4 libras que o António pagou, acrescido dos portes, não fica muito aquém de 10€
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 17 2013, 22:10

Fran escreveu:
Mister W escreveu:
... ou que se encontrem nos States... Sad
Não vejo qq impedimento o facto de estarem no continente Americano ... se fizeres bem as continhas, vais ver que vale mesmo a pena.


PS : ainda hoje, recebi um só LP, vindo de lá ... não te esqueças que o dólar, até está bastante bonzinho para nós

PS' : as 4 libras que o António pagou, acrescido dos portes, não fica muito aquém de 10€


De facto o mercado Norte-Americano não tem nada a ver com o Europeu... então dentro do Jazz a diferença é abismal. Muito maior quantidade a muito melhor preços.

O problema é mesmo estar limitado a mandar vir 1 ou 2 discos de cada vez e assim acaba por sair bem mais caro. Eu tenho alguns sítios na Europa, de onde mando vir discos regularmente, em que não pago portes nenhuns!
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Fran
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 18 2013, 10:57

Mister W escreveu:
... O problema é mesmo estar limitado a mandar vir 1 ou 2 discos de cada vez e assim acaba por sair bem mais caro. Eu tenho alguns sítios na Europa, de onde mando vir discos regularmente, em que não pago portes nenhuns!
O mercado americano no que há musica e vinil toca, é o melhor (quantidade e qualidade), seja ela jazz ou rock (clássica, não sei)

Eu também se pudesse mandar vir da Europa, obviamente não me "sujeitava" a esperar tanto tempo, mas o problema é que muitos dos discos que eu quero, ou não existem no mercado europeu, ou se existem, saem bem mais caros (é que a Libra, por exemplo, vale quase o dobro do dólar) do que mandar vir dos States, daí a razão de eu te ter dito para fazeres bem as continhas.

Por experiência própria, podes mandar vir até 4/5 LPs, que não há crise em termos alfandegários e 21/24 dólares de portes para 4 LPs, são 16/18 euros, mais coisa menos coisa, o que não me parece nada por aí além, tendo em conta o numero de discos.

Agora se consegues mandar vir discos sem portes, então isso é o ideal (claro, desde que o preço do disco não seja muito caro, mas mais uma vez reforço/insisto, não há nada como fazer as continhas).


Cpts
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 18 2013, 11:09

Fran escreveu:
Mister W escreveu:
... O problema é mesmo estar limitado a mandar vir 1 ou 2 discos de cada vez e assim acaba por sair bem mais caro. Eu tenho alguns sítios na Europa, de onde mando vir discos regularmente, em que não pago portes nenhuns!
O mercado americano no que há musica e vinil toca, é o melhor (quantidade e qualidade), seja ela jazz ou rock (clássica, não sei)

Eu também se pudesse mandar vir da Europa, obviamente não me "sujeitava" a esperar tanto tempo, mas o problema é que muitos dos discos que eu quero, ou não existem no mercado europeu, ou se existem, saem bem mais caros (é que a Libra, por exemplo, vale quase o dobro do dólar) do que mandar vir dos States, daí a razão de eu te ter dito para fazeres bem as continhas.

Por experiência própria, podes mandar vir até 4/5 LPs, que não há crise em termos alfandegários e 21/24 dólares de portes para 4 LPs, são 16/18 euros, mais coisa menos coisa, o que não me parece nada por aí além, tendo em conta o numero de discos.

Agora se consegues mandar vir discos sem portes, então isso é o ideal (claro, desde que o preço do disco não seja muito caro, mas mais uma vez reforço/insisto, não há nada como fazer as continhas).
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Um dia destes vou experimentar... quando o orçamento o permitir...
Não vai ser fácil escolher 3 ou 4 discos...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 18 2013, 11:14

Mister W escreveu:
... Um dia destes vou experimentar... quando o orçamento o permitir...
Não vai ser fácil escolher 3 ou 4 discos...
Nada como experimentares, pois caso nunca o faças, nunca poderás opinar ou chegar a conclusão alguma Wink

A escolha de 3 ou 4 LPs do mesmo seller, é que poderá não ser tarefa fácil (mas por vezes, deparamo-nos com surpresas agradáveis )
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 18 2013, 22:50


Como creio já ter referido, esta classificação dos "menos badalados" é por vezes bastante subjectiva e este é decerto um dos casos mais flagrantes. Blue Mitchell apesar de não gozar de uma popularidade internacional muito relevante, não deixa de ser uma das grandes referências do Jazz e um dos trompetistas norte-americanos mais conceituados.

Depois de ter estudado trompete na Universidade, Blue Mitchell desde cedo começou a integrar bandas de R&B (como a de Jimmy Heath) e a participar nas suas digressões. No entanto, o seu enorme talento começou a tomar forma em participações com Cannonball Adderley, com quem chegou a gravar e com The Horace Silver Quintet onde tocou até 64, apesar de paralelamente, já ter iniciado a sua carreira a solo, cujo primeiro trabalho remonta a 1959.
Seguiram-se trabalhos com Junior Cook, Al Foster, entre outros e no final dos anos 60 viria mesmo a experimentar outros géneros musicais como a Pop, a Soul, o Blues e o Rock, destacando-se as digressões que fez com Ray Charles e mais tarde com John Mayall.

Mitchell demonstrava uma enorme flexibilidade na adaptação a diferentes estilos e nos anos 70 são-lhe conhecidas participações em discos de Funk, Pop e Jazz e algumas incursões em Big-Bands como a de Bill Holman, Louie Bellson, Bill Berry e Tony Bennett. A sua carreira como solista começava também a incorporar muitas dessas influências, embora nem sempre do agrado dos seus seguidores de longa data, que esperavam dele uma ligação quase exclusiva ao Hard-Bop.

Apesar da sua morte prematura aos 49 anos de idade, podemos encontrar nos seus quase 30 anos de carreira, uma quantidade interminável de registos, participações e géneros, de um músico com um enorme talento mas também com um considerável sentido crítico.
Deixou-nos uma tonalidade de grande beleza e uma forma lírica de tocar trompete absolutamente deslumbrante. Introduziu no Jazz uma maior componente "Funk", "Soul" e "Swing" que teve inúmeros seguidores e que se mantém até aos dias de hoje.

Blue Mitchell - Blue's Moods (1960, Riverside) - 1984, OJC-138 USA
Este trabalho começa da melhor forma, através do tema "I'll Close My Eyes" em que tanto Blue Mitchell como Wynton Kelly, têm um desempenho absolutamente irrepreensível (o último com um fantástico solo de piano ), mas denotando igualmente um forte enquadramento com os demais elementos da formação: Sam Jones no baixo e Roy Brooks na bateria.
O som do trompete de Blue Mitchell é agressivo e estridente q.b., fazendo por vezes lembrar Miles Davis (sobretudo nas notas mais longas) mas a sua agilidade e elevado sentido musical, depressa nos fazem esquecer de eventuais influências e levam-nos a concentrar exclusivamente nas suas extraordinárias capacidades interpretativas.

A carreira de Blue Mitchell encontra-se recheada de tesouros, contudo, de todos os que já tive o previlégio de ouvir, Blue's Moods é com certeza um dos melhores, senão mesmo o melhor. Desde as versões de standards como "I'll Close My Eyes" ou "When I Fall in Love" até aos temas inéditos de Mitchell como "Kinda Vague" ou "Sir John", tudo nesta obra é de uma harmonia e beleza estonteantes. O lirismo que Mitchell coloca na execução do trompete, faz com que os seus temas sejam portadores de uma beleza e sensibilidade pouco comuns.
Este é portanto um álbum que, como já deprenderam, não hesito em recomendar e que figura no restrito lote de trabalhos de excelência, a todos os níveis (desempenho dos músicos, selecção de temas, prensagem, art-cover, etc.). Se não estivesse incluído nesta crónica, estaria certamente na dos "Imortais do Jazz".

Blue Mitchell - Step Lightly (1963, Blue Note) - 2004, Blue Note USA
A estreia de Blue Mitchell com a Blue Note não correu da melhor forma já que este trabalho, cuja gravação original remonta a 1963, só foi editado pela primeira vez nos anos 80. Desconhecem-se as razões, mas já se falou que os tapes onde a gravação original se encontrava, simplesmente se perderam.

Polémicas à parte, importa dizer que Step Lightly é um trabalho extremamente equilibrado e bem conseguido que conta com a participação de Joe Henderson (sax tenor), Leo Wright (sax alto), Herbie Hancock (piano), Gene Taylor (baixo), Roy Brooks (bateria) e Blue Mitchell (trompete).
O primeiro tema ("Mamacita" de Joe Henderson) faz lembrar o grande clássico "Cantaloupe", embora as diferenças sejam óbvias. Seguem-se "Sweet and Lovely" em que a melancolia do trompete de Blue Mitchell combina na perfeição com a rouquidão do saxofone de Joe Henderson, mais um punhado de excelente temas, sem esquecer o ritmado "Bluesville" (Sonny Red) e "Cry Me a River" (Arthur Hamilton) em que o trompete de Mitchell é dono de uma presença e de uma autoridade dificilmente encontradas neste ou em qualquer outro instrumento. Os temas referidos são intercalados com outros temas inéditos, o que resulta num trabalho equilibrado e de enorme bom gosto.
Posso afirmar que Step Lightly é outro dos álbuns de Blue Mitchell que vale mesmo a pena, no entanto corro o risco de chegar ao fim desta crónica e de ter recomendado a totalidade dos discos que nela constam. Por isso, não liguem...

Blue Mitchell - The Thing To Do (1964, Blue Note) - 2004 Blue Note USA
Num periodo em que Blue Mitchell gozava de uma enorme confiança, pelos sucessos recentemente alcançados (embora não fosse muito dado à fama) este trabalho deixa precisamente transparecer a sua excelente forma como trompetista, resultando em mais uma bela obra do autor ao serviço da Blue Note.

Mitchell conta neste trabalho com o jovem Chick Corea que tem a particularidade (segundo se diz) de o desafiar regularmente, à semelhança do que Herbie Hancock costumava fazer com Miles Davis. Seja como for, parece ter resultado, já que o desempenho de Blue Mitchell neste trabalho é absolutamente divinal; ao nível dos seus melhores registos.
O repertório é igualmente digno de um grande disco. Desde o hit "Fungii Mama" da autoria de Blue Mitchell, ao sensacional "Step Lightly" de Joe Henderson aqui desempenhado por Junior Cook com um grande sentimento. De salientar ainda o tema da autoria de Chick Corea, de nome "Chicks Tune" e que põe a descoberto as enormes capacidades do jovem pianista de Boston que se tinha mudado para Nova Iorque à poucos anos.
A secção ritmica, constituida por Gene Taylor e Al Foster, no baixo e na bateria, tem um desempenho de grande personalidade. Segundo os comentários de Ira Gitler, sempre pareceu existir um sentimento generalizado de enorme descontracção na preparação e gravação deste trabalho. Nunca existiram quaisquer situações de stress ou pressão, em virtude de atrasos no cumprimento de prazos, como normalmente acontece nestas situações. Ao invés, sempre existiu a convicção generalizada e a ideia de que tudo sairia naturalmente. Este episódio serve, antes de mais, para ilustrar o estado de espirito que reinava nos elementos desta formação e quando assim acontece as hipóteses de sucesso parecem aumentar exponencialmente.

É frequente ouvir que este trabalho, também serviu para acentuar a grande ligação entre Mitchell e Cook (desde os tempos do grupo de Horace Silver) que sempre se pautou por um grande entrosamento e que neste trabalho sai largamente reforçado. A sonoridade tranquila e requintada desta obra, será por certo, consequência do estado de espirito que se fazia sentir, mas não só. A interacção entre estes dois grandes músicos, terá igualmente a sua quota de responsabilidade.

Estes são certamente, ingredientes mais que suficientes, para garantir que esta seja uma obra especial. No entanto, deixarei essa análise ao Vosso critério, quando tiverem possibilidade de a ouvir.

Blue Mitchell - Vital Blue (1971, Mainstream, USA)
Blue Mitchell teve para esta obra um "approach" bastante diferente da anterior, começando por expandir o Quinteto de então, do qual só permanece o pianista e o baterista, em que são incluídos dois saxofones e uma voz feminina (proveniente da banda de Ray Charles). Para além de Blue Mitchell (trompete), participam neste trabalho, os experimentados Walter Bishop (piano), Stan Gilbert (baixo), Doug Sides (Drums), Joe Henderson (flauta e sax tenor), Ernie Watts (sax tenor) e Susaye Greene (efeitos vocais).
Temas como "Unseen Sounds" dão ares de uma sonoridade com influências avant-guarde, apesar da linha mestra deste trabalho derivar de um hard-bop mais tradicional (por vezes a lembrar uma Big Band) com umas pinceladas de blues e de funk. As influências são inúmeras, variam de tema para tema e algumas delas só vão sendo detectadas com o tempo.

A diversidade que se verifica neste trabalho é provavelmente a sua característica mais atractiva. Não me refiro apenas à flauta, aos dois saxofones ou à introdução de efeitos vocais, mas também à forma de tocar, aos solos de saxofone e à estrutura de certos temas, que acentuam as diferenças que fazem deste trabalho algo único e de uma beleza sui generis. Temas como "I Love You" com um ritmo marcadamente "Bossa Nova" ou o registo mais introspectivo de "For All We Know" conferem a este disco uma sonoridade muito interessante e nunca ouvida no vasto repertório de Blue Mitchell.

Apesar de ser o trabalho que requer uma audição mais cuidada, depois de o conhecermos minimamente, acaba por ser um dos mais agradáveis de ouvir. O facto de ser bastante diferente dos demais, por certo ajuda a que exista uma maior proximidade do seu som e que, como se costuma dizer "fique no ouvido".

Blue Mitchell - A Blue Time (1980, Milestone Records, USA)
A "Blue Time" corresponde a uma selecção de temas da carreira de Blue Mitchell entre 1958 e 1962 e re-visita algumas obras como "Big Smith", "Blue Soul", "Blue's Mood", entre outros, num total de 16 temas. O repertório deste duplo álbum é portanto constituído, não somente com trabalhos da carreira a solo de Blue Mitchell, mas recua até 1958 e aborda algumas das suas participações com Jimmy Heath ou Benny Golson. A titulo de exemplo, fazem parte dos dois LP's, temas como: "Blues March", "The Nearness of You", "But Beautiful", "I'll Close My Eyes", "Sir John", "I Can't Get Started", entre outros.
Trata-se pois de uma edição muito razoável, em formato de compilação e "gatefold" e é um disco ideal para quem não pretende adquirir todas as obras do referido período, mas mesmo assim, pretende ficar com alguns dos temas mais relevantes de Blue Mitchell e de músicos como Pepper Adams, Art Blakey, Roy Brooks, Paul Chambers, Curtis Fuller, Jimmy Cleveland, Burt Collins, Tommy Flanagan ou Benny Golson (ver foto).

Por ser um trabalho de qualidade e que normalmente se consegue arranjar a um preço simpático, não deixarei obviamente de o aconselhar.
Em jeito de comentário final, gostava de referir que esta incursão pela carreira discográfica de Blue Mitchell como leader, está longe de ser representativa, em função do número de obras que nos faltaria analisar. Creio contudo, que a primeira parte e para mim, a mais importante, foi coberta de forma satisfatória.
Gostaria de ver uma 2ª parte desta crónica, que abrangesse o período entre 1975 e o final da carreira de Blue Mitchell. No entanto, vou desde já demarcar-me dessa tarefa, primeiro porque essa parte da carreira de Mitchell não me agrada particularmente (pelo menos o que conheço) e depois porque não possuo praticamente discos desse período...

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 18:13


Após a inesperada morte de Clifford Brown em 1956 com apenas 25 anos, surgiram vários trompetistas influenciados pelo seu génio. Refiro-me a Lee Morgan, Freddie Hubbard e Booker Little, curiosamente todos eles nascidos em 1938.

Booker Little nasceu em Memphis e com 14 anos, depois de ter experimentado vários instrumentos, decidiu-se pelo trompete. Além de Booker, vários jovens músicos de Memphis, desenvolviam o seu talento sob a influência do grande pianista da época, Phineas Newborn Jr., entre eles Louis Smith, primo de Booker Little e um talentoso trompetista com quem Booker praticava
Em 1954, Booker Little foi para Chicago e em quatro anos, obteve um Bacharel em Música, através da sua especialização no trompete, para além de ter igualmente estudado teoria, composição e orquestração.
Nestes quatro anos, para além de ter conhecido Sonny Rollins de quem se tornou amigo (e com que chegou a partilhar a habitação) Booker começou a tocar com Johnny Griffin e os MJT +3. Foi também através de Sonny Rollins que Booker conheceu (por volta de 1955) Max Roach e Clifford Brown, que viria a falecer passado pouco tempo.

Booker viria a gravar o seu primeiro trabalho com Max Roach em 1958 ("Max Roach +4 on the Chicago Scene"), numa colaboração de vários meses e da qual resultariam outros trabalhos. No mesmo ano, nascia também o primeiro álbum de Booker Little como leader (Booker Little Four) que combinava standards com temas originais e que contava com a participação de Max Roach, George Coleman, Art Davis e o pianista Tommy Flanagan.
A sua sonoridade melancólica e o intercalar repentino de variações, pareciam beber as suas principais influências no Hard Bop, mas desde cedo se começaram também a notar alguns indícios de um Jazz mais elaborado do tipo Avant-Guarde. Essa busca por um som mais liberto, estão certamente por detrás das suas participações com John Coltrane (Africa/Brass) e Eric Dolphy (Five Spot).

Infelizmente, a sua carreira estava a chegar ao fim e com apenas 23 anos de idade, Booker Little faleceu de uremia, facto que seria considerado uma das perdas mais trágicas e prematuras de um dos mais promissores músicos de Jazz. Restam-nos contudo, as suas poucas, mas convincentes contribuições para com a música e em particular para com o Jazz.

Booker Little - Booker Little (1960, Bainbridge) - 1975, Time/Teichiku Records Japan
Este é o segundo trabalho da curta carreira de Booker Little como leader, que conta apenas com 5 álbuns mais umas quantas participações.

Apesar de sempre ter tido alguma curiosidade pela forma apaixonada com que a crítica se costumava referir a este músico, nunca tive a oportunidade de conhecer o seu trabalho... até à cerca de dois meses atrás, pois consegui acrescentar uma bela cópia desta obra, à minha colecção. Mas a excelente capa desta edição japonesa (em formato gatefold) seria apenas a primeira de muitas surpresas com que me viria a confrontar.
Assim que coloquei o disco a tocar e depois de ouvir, tanto o primeiro tema ("Opening Statement") como o seguinte ("Minor Sweet") fiquei de imediato com a ideia que estava perante um caso sério de qualidade artística. A partir daí a performance de tão extraordinário(s) músico(s), foi sempre em crescendo; mas convém salientar, que não me refiro apenas a Booker Little e à sua forma de tocar exclusiva, mas também a Tommy Flanagan no piano, a Roy Hanes na bateria e Scott La Faro, um dos mais extraordinários baixistas de sempre, que viria a perder a vida em 1961 (com apenas 25 anos) num trágico acidente de automóvel. Seguir o seu desempenho neste trabalho é um excelente exercício... mas os demais músicos não se ficam atrás.
Agora começo, por fim, a compreender a forma apaixonada com que a imprensa especializada se referia a este músico, colocando o seu talento ao nível de músicos geniais como Clifford Brown (a quem Little viria a suceder).
De facto, a facilidade com que Little desempenha alguns dos solos deste trabalho, como em "The Grand Valse" ou "Who Can I Turn To" no Lado 2, deixou-me completamente estático... e entretanto o disco chegou ao fim... e continuou a rodar...

Não me vou alargar mais nesta análise; primeiro porque não tenho muitos mais adjectivos que descrevam com justiça esta obra-prima e segundo, porque sou da opinião que este disco merece ser ouvido...

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 18:39

Mister W escreveu:

Após a inesperada morte de Clifford Brown em 1956 com apenas 25 anos, surgiram vários trompetistas influenciados pelo seu génio. Refiro-me a Lee Morgan, Freddie Hubbard e Booker Little, curiosamente todos eles nascidos em 1938.

Booker Little nasceu em Memphis e com 14 anos, depois de ter experimentado vários instrumentos, decidiu-se pelo trompete. Além de Booker, vários jovens músicos de Memphis, desenvolviam o seu talento sob a influência do grande pianista da época, Phineas Newborn Jr., entre eles Louis Smith, primo de Booker Little e um talentoso trompetista com quem Booker praticava
Em 1954, Booker Little foi para Chicago e em quatro anos, obteve um Bacharel em Música, através da sua especialização no trompete, para além de ter igualmente estudado teoria, composição e orquestração.
Nestes quatro anos, para além de ter conhecido Sonny Rollins de quem se tornou amigo (e com que chegou a partilhar a habitação) Booker começou a tocar com Johnny Griffin e os MJT +3. Foi também através de Sonny Rollins que Booker conheceu (por volta de 1955) Max Roach e Clifford Brown, que viria a falecer passado pouco tempo.

Booker viria a gravar o seu primeiro trabalho com Max Roach em 1958 ("Max Roach +4 on the Chicago Scene"), numa colaboração de vários meses e da qual resultariam outros trabalhos. No mesmo ano, nascia também o primeiro álbum de Booker Little como leader (Booker Little Four) que combinava standards com temas originais e que contava com a participação de Max Roach, George Coleman, Art Davis e o pianista Tommy Flanagan.
A sua sonoridade melancólica e o intercalar repentino de variações, pareciam beber as suas principais influências no Hard Bop, mas desde cedo se começaram também a notar alguns indícios de um Jazz mais elaborado do tipo Avant-Guarde. Essa busca por um som mais liberto, estão certamente por detrás das suas participações com John Coltrane (Africa/Brass) e Eric Dolphy (Five Spot).

Infelizmente, a sua carreira estava a chegar ao fim e com apenas 23 anos de idade, Booker Little faleceu de uremia, facto que seria considerado uma das perdas mais trágicas e prematuras de um dos mais promissores músicos de Jazz. Restam-nos contudo, as suas poucas, mas convincentes contribuições para com a música e em particular para com o Jazz.

Booker Little - Booker Little (1960, Bainbridge) - 1975, Time/Teichiku Records Japan
Este é o segundo trabalho da curta carreira de Booker Little como leader, que conta apenas com 5 álbuns mais umas quantas participações.

Apesar de sempre ter tido alguma curiosidade pela forma apaixonada com que a crítica se costumava referir a este músico, nunca tive a oportunidade de conhecer o seu trabalho... até à cerca de dois meses atrás, pois consegui acrescentar uma bela cópia desta obra, à minha colecção. Mas a excelente capa desta edição japonesa (em formato gatefold) seria apenas a primeira de muitas surpresas com que me viria a confrontar.
Assim que coloquei o disco a tocar e depois de ouvir, tanto o primeiro tema ("Opening Statement") como o seguinte ("Minor Sweet") fiquei de imediato com a ideia que estava perante um caso sério de qualidade artística. A partir daí a performance de tão extraordinário(s) músico(s), foi sempre em crescendo; mas convém salientar, que não me refiro apenas a Booker Little e à sua forma de tocar exclusiva, mas também a Tommy Flanagan no piano, a Roy Hanes na bateria e Scott La Faro, um dos mais extraordinários baixistas de sempre, que viria a perder a vida em 1961 (com apenas 25 anos) num trágico acidente de automóvel. Seguir o seu desempenho neste trabalho é um excelente exercício... mas os demais músicos não se ficam atrás.
Agora começo, por fim, a compreender a forma apaixonada com que a imprensa especializada se referia a este músico, colocando o seu talento ao nível de músicos geniais como Clifford Brown (a quem Little viria a suceder).
De facto, a facilidade com que Little desempenha alguns dos solos deste trabalho, como em "The Grand Valse" ou "Who Can I Turn To" no Lado 2, deixou-me completamente estático... e entretanto o disco chegou ao fim... e continuou a rodar...

Não me vou alargar mais nesta análise; primeiro porque não tenho muitos mais adjectivos que descrevam com justiça esta obra-prima e segundo, porque sou da opinião que este disco merece ser ouvido...

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Quem quer?
http://www.ebay.co.uk/itm/BOOKER-LITTLE-Self-Titled-LP-TIME-RECORDS-52011-SERIES-2000-ORIG-US-1960-DG-MONO-/261153427502?pt=Music_on_Vinyl&hash=item3ccdf5102e

Mais uma excelente crónica a abrir o apetite!
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 19:52

chicosta escreveu:

Quem quer?
http://www.ebay.co.uk/itm/BOOKER-LITTLE-Self-Titled-LP-TIME-RECORDS-52011-SERIES-2000-ORIG-US-1960-DG-MONO-/261153427502?pt=Music_on_Vinyl&hash=item3ccdf5102e

Mais uma excelente crónica a abrir o apetite!
O meu foi mais barato e está em melhor estado... e muito provavelmente tem melhor som!* lol!

*Mesmo assim, gostava de ouvir esse... Very Happy

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 20:22

Ainda durante a noite irei saborear mais esta crónica.


Entretanto, fica esta reedição.

http://www.ebay.co.uk/itm/Quartet-180g-fold-open-edition-by-Little-Booker-/251056786821?pt=UK_Records&hash=item3a74268d85

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 20:30

António José da Silva escreveu:
Ainda durante a noite irei saborear mais esta crónica.


Entretanto, fica esta reedição.

http://www.ebay.co.uk/itm/Quartet-180g-fold-open-edition-by-Little-Booker-/251056786821?pt=UK_Records&hash=item3a74268d85

Também já tinha visto, e provavelmente vai ser uma das compras do próximo mês.
Mister W, alguma vez ouviste ou sabes da qualidade de som desta reedição?
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 20:51

Até adquirir esse álbum de Booker Little (1960), este trompetista era-me totalmente desconhecido.

Foi com imensa alegria que o conheci através do referido LP, no meu caso, edição Key Records 399745.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 21:08

chicosta escreveu:
António José da Silva escreveu:
Ainda durante a noite irei saborear mais esta crónica.


Entretanto, fica esta reedição.

http://www.ebay.co.uk/itm/Quartet-180g-fold-open-edition-by-Little-Booker-/251056786821?pt=UK_Records&hash=item3a74268d85

Também já tinha visto, e provavelmente vai ser uma das compras do próximo mês.
Mister W, alguma vez ouviste ou sabes da qualidade de som desta reedição?

Nunca ouvi falar desse re-edição da Key Records... mas a avaliar pelo preço (se não for especulação) deve ser muito razoável...

Só sabia da existência das edições da Time Records, da Bainbridge e da que eu tenho que é feita pela Teichiku Records e que não é nada de outro mundo, se comparada com outras edições Japonesas.

Creio que a da Bainbridge de 1981 é a que tem uma capa diferente (foto do Bokker Little).
Parece ainda existir um outro disco com as mesmas músicas, que se chama "The Legendary Quartet Album" e que foi re-editado pela Island.
Não é uma grande ajuda, mas é a ajuda possível...



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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 21:29

Tem exatamente as mesmas musicas e encontra-se mais em conta. Na volta, vou experimentar e depois comparamos.

 photo R-2252974-1274715726_zpsd6029b78.jpeg


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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 21:31

Ainda a propósito do Booker Little (1960)... a edição Key Records não me parece má de todo (de qualquer modo, não conheço outra para poder comparar).
A capa, gatefold, tem um acabamento 5 estrelas. Outras 5 para a rodela negra.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 21:35

António José da Silva escreveu:
Tem exatamente as mesmas musicas e encontra-se mais em conta. Na volta, vou experimentar e depois comparamos.

 photo R-2252974-1274715726_zpsd6029b78.jpeg


Este em VG+ já cá canta por 5 libras.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 21:57

António José da Silva escreveu:
António José da Silva escreveu:
Tem exatamente as mesmas musicas e encontra-se mais em conta. Na volta, vou experimentar e depois comparamos.

 photo R-2252974-1274715726_zpsd6029b78.jpeg

Este em VG+ já cá canta por 5 libras.

Desde que esteja em bom estado... acho que fizeste uma bela compra e poupaste uns cobres...

Apesar de não conhecer muito bem a Bainbridge, acho que se trata de um re-edição de 1981, o que dá algumas garantias em termos de qualidade.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 22:01

Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
António José da Silva escreveu:
Tem exatamente as mesmas musicas e encontra-se mais em conta. Na volta, vou experimentar e depois comparamos.

 photo R-2252974-1274715726_zpsd6029b78.jpeg

Este em VG+ já cá canta por 5 libras.

Desde que esteja em bom estado... acho que fizeste uma bela compra e poupaste uns cobres...

Apesar de não conhecer muito bem a Bainbridge, acho que se trata de um re-edição de 1981, o que dá algumas garantias em termos de qualidade.


Ainda nem sei porque razão fiquei tão entusiasmado, visto que ainda nem li a crónica.


Isto demonstra forte fé no teu gosto musical.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 22:06

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
António José da Silva escreveu:
Tem exatamente as mesmas musicas e encontra-se mais em conta. Na volta, vou experimentar e depois comparamos.

 photo R-2252974-1274715726_zpsd6029b78.jpeg

Este em VG+ já cá canta por 5 libras.

Desde que esteja em bom estado... acho que fizeste uma bela compra e poupaste uns cobres...

Apesar de não conhecer muito bem a Bainbridge, acho que se trata de um re-edição de 1981, o que dá algumas garantias em termos de qualidade.

Ainda nem sei porque razão fiquei tão entusiasmado, visto que ainda nem li a crónica.

Isto demonstra forte fé no teu gosto musical.

Nem precisas de ler... acredita que esse é mesmo obrigatório.
Além disso, não sou apenas eu a dizê-lo. O zaratustra também partilha da minha opinião.



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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Jan 21 2013, 23:44

Mister W escreveu:
O zaratustra também partilha da minha opinião.





Sendo assim já fico mais descansado. lol!

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Jan 22 2013, 00:26

Acabei de ler então mais esta tua (muito) apaixonada crónica, e se o álbum se aproximar nem que seja um pouco á tua descrição, então é bingo garantido.

E nunca é demais agradecer a tua enorme entrega ao AAP por intermédio deste verdadeiro serviço publico que tanto nos tem ensinado e que tantos nomes menos conhecidos do Jazz nos tem trazido. Tem sido uma mais valia inestimável.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Jan 22 2013, 01:40

António José da Silva escreveu:
Acabei de ler então mais esta tua (muito) apaixonada crónica, e se o álbum se aproximar nem que seja um pouco á tua descrição, então é bingo garantido.

E nunca é demais agradecer a tua enorme entrega ao AAP por intermédio deste verdadeiro serviço publico que tanto nos tem ensinado e que tantos nomes menos conhecidos do Jazz nos tem trazido. Tem sido uma mais valia inestimável.

Agradeço as tuas palavras e só posso dizer que faço estas crónicas com todo o gosto.
Em relação à análise dos discos, apaixonada ou não, trata-se sempre de um processo altamente subjectivo e que tem a ver com gostos músicais... mas mesmo assim acredito que vais gostar do Booker Little mas também do Blue Mood's do Blue Mitchell, se é que ainda não conheces...

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Jan 22 2013, 01:44

Mister W escreveu:
...mas também do Blue Mood's do Blue Mitchell, se é que ainda não conheces...



Esse ainda não, mas infelizmente, as compras para este mês já eram...

O Blue Mood's vou (em principio) ouvi-lo mas por empréstimo.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Jan 22 2013, 01:50

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:
...mas também do Blue Mood's do Blue Mitchell, se é que ainda não conheces...


Esse ainda não, mas infelizmente, as compras para este mês já eram...

O Blue Mood's vou (em principio) ouvi-lo mas por empréstimo.

Sem problema. Fica-te bem mais barato, com um almocito a coisa resolve-se...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Jan 22 2013, 01:52

Mister W escreveu:


...com um almocito a coisa resolve-se...


Estava a ver que ninguém me convidava. lol!

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Jan 22 2013, 14:38

Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
António José da Silva escreveu:
Tem exatamente as mesmas musicas e encontra-se mais em conta. Na volta, vou experimentar e depois comparamos.

 photo R-2252974-1274715726_zpsd6029b78.jpeg
Este em VG+ já cá canta por 5 libras.

Desde que esteja em bom estado... acho que fizeste uma bela compra e poupaste uns cobres...
Apesar de não conhecer muito bem a Bainbridge, acho que se trata de um re-edição de 1981, o que dá algumas garantias em termos de qualidade.

Facto curioso.
Eu sabia que tinha duas re-edições do mesmo disco do Kenny Dorham, "ShowBoat", só que já não me lembrava ao certo quais eram as editoras.
Hoje fui ver e confirmei o que tinha suspeitado...

A primeira é precisamente uma Time/Teichiku Records Made in Japan de 1975


A segunda trata-se de uma Bainbridge, Made in USA de 1981

Pus-me a ouvir os dois discos e embora não tenha sido uma audição muito cuidada, tenho a dizer o seguinte:

As diferenças efectivamente existem, mas não são tão flagrantes como se poderia inicialmente suspeitar. Na edição japonesa, os agudos são mais prolongados, mas dá a ideia que isso nem sempre acontece. Lembro-me do som dos pratos cuja duração parece prolongar-se um pouco mais.
Parece existir também um pouco mais de detalhe e transparência (na Jap) mas não creio que seja assim tão evidente. A gravação da edição Japonesa está ligeiramente mais alta.
No entanto, a edição da Bainbridge tem uma excelente qualidade e surpreendeu-me pela positiva.

Uma segundo audição é imprescindível, para confirmar estas ou outras diferenças. A segunda audição vai decorrer num sistema melhor e com umas colunas com maior sensibilidade e resolução (PMC Twenty22).


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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Jan 22 2013, 14:41

São bons indícios. Confirma lá então melhor sff.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 24 2013, 20:11

Caros AAPistas,
Trago-vos um saxofonista sobre o qual, infelizmente, não existe muito material, pelo simples facto de ter sido vitima de uma morte prematura por volta dos 31 anos de idade.

Porém, num curto espaço de tempo (entre 1956-57) Ernie Henry deixou-nos três álbuns a solo dos quais abordaremos dois, de excelente qualidade. Antes disso, tocou com músicos como Max Roach, Tadd Dameron, Fats Navarro ou Charlie Ventura e integrou a Orquestra de Dizzy Gillespie de 1948 a 49. Nos anos seguintes, fez parte da banda de Illinois Jacquet, gravou com Thelonius Monk (o excelente "Brilliant Corners") e trabalhou com Charles Mingus, Kenny Dorham, Wynton Kelly, Kenny Drew, entre outros. Nos anos que precederam a sua morte, participou na digressão de Dizzy Gillespie e gravou os três álbuns que integram a sua discografia.

Ernie Henry - Presenting Ernie Henry (1956, Riverside Records) 1974, Victor Musical Industries Japan
A este primeiro trabalho de Ernie Henry está inevitavelmente associado o nome de Kenny Dorham, que em 1956 já era um trompetista admirado e reconhecido por todos e que participa neste disco com o intuito de dar a conhecer o seu talentoso amigo Ernie Henry.

Henry é um saxofonista (alto) dotado de uma excelente técnica e de um som refrescante. Como compositor de temas de Jazz, demonstrava igualmente uma interessante aptidão para ideias inovadoras. Para além disso, a experiência adquirida em várias participações e digressões desde o final dos anos 40, viriam a ter um papel relevante na execução deste seu primeiro trabalho. O seu momento parece, por fim, ter chegado!
Deste trabalho fazem parte 7 temas, dos quais, 5 são originais da autoria de Henry cujo resultado parece ter superado todas as expectativas, tendo mesmo recolhido uma forte aceitação por parte da critíca de então que não se cansava de salientar as potencialidades do emergente saxofonista.
A formação deste trabalho baseia-se num quinteto, composto por Kenny Dorham e por outros amigos com quem Henry já trabalhara. A saber: Kenny Dorham (trompete), Kenny Drew (piano), Wilbur Ware (baixo), Art Taylor (bateria) e Ernie Henry (saxofone Alto).
O desempenho de Ernie Henry e Kenny Dorham sobressai nesta obra, apesar da igualmente boa prestação dos restantes elementos. A forte cumplicidade entre os dois, transparece a cada nota que é emitida pelos seus instrumentos, que é algo que só se consegue com muita dedicação, trabalho conjunto e sobretudo com muita coerência de ideias.
A aceitação deste trabalho, pela comunidade ligada ao Jazz, foi de tal ordem, que Henry depressa se transformou numa das mais distintas "vozes" do saxofone alto, sendo reconhecidas as suas influências de Charlie Parker, sem no entanto o terem transformado em mais um clone da consagrada lenda.

Ernie Henry - Last Chorus (1957, Riverside/Milestone Records) 1977, Victor Musical Industries Japan
Deste segundo trabalho de Ernie Henry fazem parte um conjunto incompleto de temas (4) que foram gravados com o seu Octeto, mas que nunca viria a terminar em virtude do seu falecimento no final de 57. Devido a esse insólito facto, este álbum é conhecido como o trabalho incompleto de Ernie Henry. Mas a obra não ficou incompleta e o disco acabaria mesmo por ser editado, já que foram acrescentados outros temas com a participação de Henry, no Kenny Dorham Quartet e no agrupamento de Thelonious Monk (1 tema cada) e ainda integrados dois temas de Ernie Henry com o Seu Quarteto e Quinteto.
Depois de escutado, este trabalho soa a tudo menos a incompleto, pois a selecção dos temas e a coerência utilizada na sua produção e uniformização, resultaram em pleno.
Ernie Henry encontrava-se no seu melhor nível e o tema de abertura, uma fantástica versão de "Autumn Leaves" (com arranjos de Benny Golson) é bem exemplo disso. Ainda no Lado 1 (com o Ernie Henry Octet) faz parte outro extraordinário standard, "All the Things you Are" em que Henry tem um desempenho extremamente fluído e desprendido, algo apenas ao alcance de nomes míticos do Jazz.

Este trabalho é um autêntico desfile de alguns dos mais extraordinários músicos de Jazz de todos os tempos, que figuram nas várias formações que dele participam. Ficam alguns exemplos:
Do Ernie Henry Octet fazem parte nomes como Lee Morgan (trompete), Melba Liston (trombone) Benny Golson (sax tenor), Cecil Payne (sax baritono), Wynton Kelly (piano), Paul Chambers (baixo), Philly Joe Jones (bateria).
Do Kenny Dorham Quartet, para além de Dorham e Henry, fazem parte Eddie Mathias (baixo), G.T. Hogan (bateria).
Do grupo de Thelonious Monk, para além de Monk e Henry, fazem parte Sonny Rollins (sax tenor), Oscar Pettiford (baixo) e Max Roach (bateria).
O Quarteto/Quinteto de Henry é integrado por Wynton Kelly (piano), Wilbur Ware (baixo), Philly Joe Jones (bateria)/Kenny Dorham (trompete), Kenny Drew (piano), Wilbur Ware (baixo) e Art Taylor (bateria).

Neste trabalho, Ernie Henry tocou na companhia dos seus amigos e daqueles que realmente o conheciam e essa interacção teve uma importância relevante na sonoridade e na cumplicidade resultante desta extraordinária referência do Jazz.
Por tudo isto, este é um álbum histórico, que apesar dos contratempos, acabou por fintar o destino e provar que não existem impossíveis quando a determinação e o empenho são factores determinantes no processo.

A grande incógnita, sobre o que seria a carreira de Ernie Henry se não tivesse terminado com a sua morte aos 31 anos, irá persistir eternamente. Contudo, quem o conheceu e lhe reconheceu capacidades únicas como músico (e como ser humano) garante que Henry iria atingir uma posição de elevado destaque no Jazz, possivelmente ao nível de um Clifford Brown.

Até Breve
Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 24 2013, 20:45

Mais um (ex)desconhecido que o nosso amigo apresentou a crescente comunidade AApiana de amigos.
Confesso que desconheço (cia), mas fica já na lista dos "por descobrir" e com urgência.
Quanto ao resto, não vou elogiar a tua crónica, vou pedir mais que vai dar ao mesmo.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Jan 24 2013, 22:20



Boa, não conhecia mesmo nada,nem nunca tinha passado por este ...


...de facto esse Last Chorus é um All Star team .


Obrigado por mais uma bela crónica
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 25 2013, 11:16

Mister W escreveu:
Vinil escreveu:
Aqui vai o meu pequeníssimo contributo. Na altura em que falei deste album no 33rpm passou despercebido, mas gosto muito da sonoridade desta gravação e o facto de ser português torna-o exótico.

Sexteto de Jazz de Lisboa
http://33rpm-discos.blogspot.pt/2012/05/ao-encontro-do-sexteto-de-jazz-de.html

Caro Vinil,
Não respondi de imediato à sua nota porque primeiro fui à procura do disco ... mas infelizmente (ainda) não o encontrei ... Crying or Very sad

Eu tenho esse disco e recordo-me que na altura fiquei surpreendido pela qualidade do som e dos músicos. Foi-me oferecido por alguém ligado ao Jazz (creio que de um programa de rádio...) possivelmente à cerca de 20 anos.
Vou continuar à procura, pois gostava de o re-ouvir. Possivelmente está em casa do meu irmão que em determinada altura (quando foi viver para Guimarães) abarbatou alguns discos ... Tenho a certeza que tem que estar nalgum lado, pois não me lembro de me desfazer dele.
Obrigado pela recordação. Wink








Porra !. Esse disco "escorregou-me" há pouco tempo das minhas mãos.

Tenho que tentar lembrar-me aonde o vi !
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 25 2013, 13:48

afonso escreveu:
Mister W escreveu:
Vinil escreveu:
Aqui vai o meu pequeníssimo contributo. Na altura em que falei deste album no 33rpm passou despercebido, mas gosto muito da sonoridade desta gravação e o facto de ser português torna-o exótico.

Sexteto de Jazz de Lisboa
http://33rpm-discos.blogspot.pt/2012/05/ao-encontro-do-sexteto-de-jazz-de.html

Caro Vinil,
Não respondi de imediato à sua nota porque primeiro fui à procura do disco ... mas infelizmente (ainda) não o encontrei ... Crying or Very sad

Eu tenho esse disco e recordo-me que na altura fiquei surpreendido pela qualidade do som e dos músicos. Foi-me oferecido por alguém ligado ao Jazz (creio que de um programa de rádio...) possivelmente à cerca de 20 anos.
Vou continuar à procura, pois gostava de o re-ouvir. Possivelmente está em casa do meu irmão que em determinada altura (quando foi viver para Guimarães) abarbatou alguns discos ... Tenho a certeza que tem que estar nalgum lado, pois não me lembro de me desfazer dele.
Obrigado pela recordação. Wink
Porra !. Esse disco "escorregou-me" há pouco tempo das minhas mãos.
Tenho que tentar lembrar-me aonde o vi !

A tí escapou-te e eu nunca mais o encontrei... Sad
O mais certo é ter ido passar férias a casa de algum audiófilo (com material a sério) e por se sentir lá bem, não quer regressar... fdp!

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 25 2013, 14:08

Mister W escreveu:

O mais certo é ter ido passar férias a casa de algum audiófilo (com material a sério) e por se sentir lá bem, não quer regressar... fdp!



Só te resta a aquisição de um sistema decente.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Jan 25 2013, 14:26

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:

O mais certo é ter ido passar férias a casa de algum audiófilo (com material a sério) e por se sentir lá bem, não quer regressar... fdp!

Só te resta a aquisição de um sistema decente.

És capaz de ter alguma razão, mas prefiro antes investir em discos "decentes"...



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