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 *Os menos badalados do JAZZ*

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chicosta
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 11 Nov - 16:31

Mister W escreveu:
Pois bem, desta vez trago-vos um pianista que espero seja o primeiro de muitos, ou pelo menos de alguns, pois como decerto saberão, os pianistas no Jazz são mais que muitos...

Apesar de ter nascido (1928) e de ter iniciado a sua carreira em Nova Iorque (1928) Kenny Drew passou (a última) parte da sua vida artística na Europa, nomeadamente em Copenhaga e em Paris.
Muitos são os que atribuem o seu "sucesso moderado" à decisão de se ter mudado para a Europa, outros afirmam que caso tivesse ficado nos Estados Unidos nunca se teria tornado o músico refinado e alternativo que foi... enfim, apenas conjecturas...

Kenny Drew iniciou-se nos Estado Unidos e desde cedo começou a associar-se a músicos de topo, como é o caso de Sonny Rollins, Art Taylor e Al Haig, de quem se tornou amigo e que o apresentou a Charlie Parker. Mas podemos referir mais, como é o caso de Howard McGhee com quem se estreou nas gravações, em 1950, ou ainda nomes como Miles Davis, Lester Young, Coleman Hawkins, Art Blakey, Buddy De Franco ou Niels-Henning Orsted Pederson.
Apesar de não possuir (com pena minha) muitos trabalhos de Kenny Drew, trago-vos aqueles que mais me agradam e que desde cedo me fizeram sentir uma enorme admiração por este músico.

The Kenny Drew Trio - Caravan, 1956 (Riverside RLP224) - Milestone, 1974 Japan (Mono)
Fantástico Trio este, que demonstra um entrosamento e um sentido de banda muito apurado.
Constituído pelos talentosos Paul Chambers (baixo) e Joe Jones (bateria), este Trio desempenha com mestria este álbum, maioritariamente constituído por standards de vários autores (desde Duke Ellington, a Thelonious Monk, Harold Arlen e Vernon Duke, etc.) como é o caso de Ruby my Dear, When you Wish Upon a Star, Taking a Chance on Love ou Caravan, entre outros.
Não menos apelativos são os dois temas da autoria de Kenny Drew (Weird-D e Blues for Nica) embora se enquadrem dentro do mesmo estilo.
Este sólido repertório possibilita ao Trio um desempenho exemplar e é de facto delicioso seguir isoladamente cada um dos músicos (esta edição Mono ajuda...).

Trata-se portanto de um clássico que apesar de gravado em 1956, tem um som muito actual, certamente do agrado da facção mais conservadora do Jazz (mas não só).


Kenny Drew Quintet/Quartet - This is New, 1957 (Riverside RL12-236) - Riverside, 1974 Japan (Mono)
Com uma formação completamente renovada, também a sonoridade apresentada neste "This is New", como o próprio nome deixa antever, foi alvo de uma total renovação.

A principal alteração salta à vista, logo que começamos a escutar os primeiros minutos deste trabalho. Apesar de não se estender a todos os temas, foram incluídos um Trompete e um Saxofone (tenor), pelas mão de dois jovens entusiastas que davam pelo nome de Donald Byrd e Hank Mobley, que andavam à procura de um reconhecimento que não tardaria muito a ser unânime entre os entusiastas do Jazz e não só.

Este trabalho tem portanto um som mais "rasgadinho" do que o anterior e o piano de Drew é por vezes remetido (propositadamente) para segundo plano pelo facto de ter sido incluída esta dupla de metais (inexistente no disco anterior). Fica também uma palavra para o baixista Wilbur Ware e o baterista G.T. Hogan (que não participa em todos os temas).
Um dos aspectos que não sofreu grande alteração (em relação a Caravan) prende-se com o facto do repertório incluir alguns standards (4) bem como alguns temas escolhidos por Drew, Byrd e Sonny Rollins.

Este é um excelente trabalho, em que temas como Carol (K.Drew), Little T (D.Byrd), Paul's Pal (s.Rollins) ou You're My Thrill (Clare-Gorney) nos fazem entender a importância deste (e de outros) registo(s) no panorama Jazz do final dos anos 50.



Kenny Drew Quartet - And Far Away, 1983 (Soul Note SN1081), Italy
Por último, apresento-vos um registo bastante diferente de 1983, numa edição exclusiva (ao que julgo saber) da editora italiana Soul Note. E que registo, meus Senhores!
O cartão de visita começa quando na parte inferior da capa, identificamos a seguinte inscrição, em letras moderadamente pequenas: "with Philip Catherine, Niels-Henning Orsted Pedersen, Barry Altschul" ... Na prática, isto quer dizer que o disco já era meu mesmo antes de o ser ...
Divagações à parte, este é um excelente trabalho de mais uma renovada formação de Kenny Drew, que como já repararam, dificilmente repete os mesmos músicos... Excepção feita ao baixista N-H Orsted Pedersen com quem trabalhou e gravou alguns trabalhos durante a sua longa estadia na Dinamarca.

O facto desta prensagem (original) ser proveniente de Itália é um autêntico bluff. Primeiro, porque (segundo sei) não existe outra e segundo, porque edições como esta da Soul Note, terão sempre um lugar na minha modesta colecção.
Não, não é uma edição Japonesa (como as anteriores) mas não me parece que a diferença seja assim tão grande...

Quanto ao que realmente interessa, ou seja, o conteúdo musical, posso garantir-vos que se trata de um enorme disco. Desta vez, Kenny Drew deixa de fora os metais e substitui-os pela Guitarra Eléctrica electrizante (perdoem-me o pleonasmo) do Francês Philip Catherine.

Mas antes disso, importa referir que este não é apenas um disco tradicional de Jazz. As diversas sonoridades nele incluídas (ambientais, clássicas, mainstream Jazz, etc.) sempre conduzidas pelo piano de Kenny Drew e pela marcação exclusiva do baixo de Orsted Pedersen, são dignas dos maiores elogios. Todos, sem excepção, possuem um papel fundamental neste disco.
Desde a fantástica secção ritmica, à guitarra de F.Catherine de quem sou um seguidor confesso (principalmente dos registos com Chet Baker), aos solos de um dos mais reconhecidos baixistas de todos os tempos - Orsted Pedersen - tudo neste disco foi levado a um grau de perfeição, só possível com músicos de alto gabarito.

O repertório é diversificado, não só no seu género como também nos seus autores. O mesmo é intercalado entre temas da autoria de Philp Catherine e de Kenny Drew, apenas com a excepção de dois grandes outsiders, Cole Porter (I Love You) e Joseph Kosma (Autumn Leaves).

Receio porém que este "and Far Away" não tenha tido o reconhecimento público merecido (possivelmente por ser um Made in Italy); contudo nos meus discos de eleição constará sempre como um dos melhores.



Até Breve
Mister W




Mais uma bela crónica Mister W!

Já estou novamente com comichões no corpo todo... Será que isto vai passar sem ir às compras???
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 11 Nov - 17:03

chicosta escreveu:


Mais uma bela crónica Mister W!

Já estou novamente com comichões no corpo todo... Será que isto vai passar sem ir às compras???
Caro Amigo,
... eu sei perfeitamente do que se trata, pois também padeço dessa maleita...

E o mais grave, é que hoje em dia a compra destas preciosidades se encontra à distância de um simples click do mouse ... O problema é mesmo quando temos que proceder ao pagamento ...

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 11 Nov - 22:54


Gostei muito, porque gosto muito de kenny drew, e estes registos passaram-me ao lado.

Eu até achava que ele tinha poucos trabalhos, e fiquei-me pela primeira fase até à sua ida para a Dinamarca, com o fantástico Undercurrent e os registos da SteepleChase, que o Jorge me ajudou a descobrir.

Fiquei curioso com o And Far Away porque gosto destes registos mais electricos, muito próprios dos late 70's e early 80's.

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zaratustra
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 11 Nov - 22:58

Tópico muitíssimo interessante.

Acertaste em cheio, gosto bastante de Kenny Drew.

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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 11 Nov - 23:52

Ulrich escreveu:

Gostei muito, porque gosto muito de kenny drew, e estes registos passaram-me ao lado.

Eu até achava que ele tinha poucos trabalhos, e fiquei-me pela primeira fase até à sua ida para a Dinamarca, com o fantástico Undercurrent e os registos da SteepleChase, que o Jorge me ajudou a descobrir.

Fiquei curioso com o And Far Away porque gosto destes registos mais electricos, muito próprios dos late 70's e early 80's.

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Os meus preferidos dele também são o "Undercurrent" da Blue Note e o "Everything I Love" da Steeplechase.

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 12 Nov - 9:13

Mais uma grande crónica, e mais tentação. E por falar em tentação, eu cai nela por culpa do W (Mas isso será colocado em sede própria).

Obrigado amigo José por mais esta pérola.

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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 12 Nov - 11:01


Agradeço os comentários de todos e apraz-me o facto de comungarem do meu gosto pelo músico em questão.

Deixo apenas uma pequena correcção:
"Apesar de ter nascido (1928) e de ter iniciado a sua carreira em Nova Iorque (1928)"

Claro está que a data de nascimento e de inicio de carreira não podem ser a mesma, a não ser que (como alguém disse) a mãe tivesse engolido um piano durante a gravidez! Laughing
A data de inicio de carreira correcta é 1950.
Fica corrigida a gaffe. Rolling Eyes

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Fran
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 12 Nov - 11:20

António José da Silva escreveu:
Mais uma grande crónica, e mais tentação. E por falar em tentação, eu cai nela por culpa do W (Mas isso será colocado em sede própria). ...
Ainda bem que eu "não te conheço"
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 12 Nov - 12:00

Caros Amigos,
A pedido de várias famílias, eis que chegou o momento de abordar um dos mais promissores e carismáticos músicos de Jazz de todos os tempos.
Infelizmente, a sua obra é extremamente diminuta, em virtude de uma vida errante, cujos excessos de álcool e drogas iriam culminar numa morte trágica e prematura (1927-1969).

A sua formação musical decorreu na Orquestra do Exército, onde alargou a sua experiência e os seus conhecimentos pelo instrumento que desde cedo elegera.
Durante os anos 50, colaborou activamente com vários músicos, incluindo Charlie Bernet, Lester Young, Gerry Mulligan e Stan Getz.
No final dos anos 50 ainda tocou com Don Joseph, mas a partir daí (anos 60) os seus problemas de abuso de álcool e drogas depressa o afastaram de um actividade regular como músico.
Fruscella não parece ter tido uma vida fácil, iniciada desde cedo pelo internamento num orfanato e concluída por uma série de problemas relacionados com as suas adições, que para além da sua vida puseram igualmente termo ao seu casamento com a cantora Morgana King (ao fim de 9 anos). Deixo-vos com uma breve análise do pouco que conheço dele:

Tony Fruscella - Tony Fruscella, 1955 (Atlantic 1220) - Atlantic (P-7535A) 1977, Japan
Este é efectivamente o único disco que Tony Fruscella editou em vida, como leader.

Apesar desta re-edição Japonesa de 1977 que aqui trago, se apelidar de Tony Fruscella, a edição original de 1955 dava pelo nome de "I'll Be Seeing You" que é simultaneamente o nome do primeiro tema do álbum.
Tony Fruscella era reconhecidamente um músico que se integrava no estilo Cool Jazz e cujas influências de Miles Davis e Chet Baker eram amplamente conhecidas.
Pois bem, este primeiro disco demonstra precisamente isso. A profundidade do som de Tony Fruscella é arrepiante e em certos momentos faz lembrar certas passagens do vasto repertório de Chet Baker.
A intensidade que Fruscella coloca no trompete é absolutamente deslumbrante e apaixonada. A sua entrega e dedicação são visíveis, ou melhor, audíveis e transparecem a cada nota produzida num sentimento exclusivo de quem ama a sua arte mais do que a própria vida...

Apesar de ofuscados pela notoriedade e magia deste leder e fantástico trompetista, os restantes membros desta formação, não devem ser ignorados pois o seu desempenho nesta obra é igualmente digno de registo e de um forte aplauso. Falamos dos saxofonistas Allen Eager (tenor) e Danny Bank (baritono), do trombonista Chauncey Welsch, do pianista Bill Triglia, do baixista Bill Anthony e do baterista Junior Bradley.
Esta obra é portanto, absolutamente obrigatória. Contudo, poderá não ser muito fácil de encontrar, principalmente a preços de ocasião ...



Tony Fruscella - Debut, 1981 - Spotlite (SPJ126) 1981, UK (Mono) Em virtude da curta carreira deste músico, a editora Spotlite decidiu expandir a sua discografia com dois excelentes álbuns gravados (principalmente) ao vivo.
"Debut" é precisamente o primeiro deles e como o próprio nome deixa antever, trata-se do primeiro registo gravado pelo músico. Apesar da sessão ter ocorrido em Dezembro de 1948 (Vocarium Studios, NY) apenas decorridos mais de 30 anos, a mesma foi alvo de edição.

Trata-se no entanto de um álbum com duas fases distintas: A primeiro refere-se a essa sessão de estúdio de 1948, com um quinteto formado pelo Saxofonista Alto Chick Maures, o pianista Bill Triglia, o baixista Red Mitchell e o baterista Dave Troy.
Esta parte, soa claramente a uma homenagem ao grande e inseparável amigo Chick Maurer, com quem Tony Fruscella passou grande parte da sua vida de adolescente e com quem se iniciou na arte da música. Chick Maures apesar de ser um perfeccionista e um músico extremamente refinado (como se poderá concluir pelo excerto deste disco) nunca teve qualquer tipo de visibilidade ou reconhecimento, sendo este um dos poucos registos que se conhece dele. A sua morte prematura com 34 anos também limitou a sua carreira (à semelhança do que viria a acontecer com Fruscella).
A segunda parte deste disco, remonta ao ano de 1953 e dá-nos conta de Fruscella numa actuação ao vivo no Clube Open Door (NY), em que contracena igualmente com Bill Triglia, bem como com o baixista Teddy Kotick e o baterista Art Mardigan.
Os 3 temas (longos) desta actuação, espelham bastante bem o ambiente destas sessões (em que Fruscella participou durante grande parte da sua vida artística) e parecem por vezes transportar-nos para o local, tal é o realismo e a proximidade com que os instrumentos foram registados.

Este registo em que a Spotlite decidiu em boa hora pegar, possui uma qualidade aceitável (tendo em conta o ano da gravação) pelo que a sua audição faz-se com uma dose considerável de prazer.

Sendo este um titulo que interessará por certo à maioria dos Coleccionadores, creio que poderá igualmente fazer parte da discografia de quem, como eu, considera apenas a vertente mais consumista deste hobby e escolhe os seus discos em função do prazer que estes possam retribuir.



Dada a dificuldade em obter alguns dos seus discos, apelo a todos que possuam algum material de Tony Fruscella, que façam o favor de o divulgar por aqui. A Gerência decerto que agradece...

Obrigado e Até à Próxima
Mister W


Última edição por Mister W em Seg 12 Nov - 12:07, editado 3 vez(es)
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hugo.dionisio
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 12 Nov - 12:01

Jorge Ferreira escreveu:
Ulrich escreveu:

Gostei muito, porque gosto muito de kenny drew, e estes registos passaram-me ao lado.

Eu até achava que ele tinha poucos trabalhos, e fiquei-me pela primeira fase até à sua ida para a Dinamarca, com o fantástico Undercurrent e os registos da SteepleChase, que o Jorge me ajudou a descobrir.

Fiquei curioso com o And Far Away porque gosto destes registos mais electricos, muito próprios dos late 70's e early 80's.

Sempre um prazer ler

Os meus preferidos dele também são o "Undercurrent" da Blue Note e o "Everything I Love" da Steeplechase.

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Já estive a dar uma olhadela sobre o Undercurrent e as primeiras impressões são excelentes. Mais um para a lista de supermercado, que se está a tornar demasiado extensa...

Sem dúvida, mais um grande tópico a seguir.

Abr

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hugo.dionisio
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 12 Nov - 12:13

hugo.dionisio escreveu:
Jorge Ferreira escreveu:
Ulrich escreveu:

Gostei muito, porque gosto muito de kenny drew, e estes registos passaram-me ao lado.

Eu até achava que ele tinha poucos trabalhos, e fiquei-me pela primeira fase até à sua ida para a Dinamarca, com o fantástico Undercurrent e os registos da SteepleChase, que o Jorge me ajudou a descobrir.

Fiquei curioso com o And Far Away porque gosto destes registos mais electricos, muito próprios dos late 70's e early 80's.

Sempre um prazer ler

Os meus preferidos dele também são o "Undercurrent" da Blue Note e o "Everything I Love" da Steeplechase.

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Já estive a dar uma olhadela sobre o Undercurrent e as primeiras impressões são excelentes. Mais um para a lista de supermercado, que se está a tornar demasiado extensa...

Sem dúvida, mais um grande tópico a seguir.

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O Everything I Love ainda dá mais foco ao piano, excelente de facto. Estou desgraçado!
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 12 Nov - 12:34

hugo.dionisio escreveu:
hugo.dionisio escreveu:

Já estive a dar uma olhadela sobre o Undercurrent e as primeiras impressões são excelentes. Mais um para a lista de supermercado, que se está a tornar demasiado extensa...
Sem dúvida, mais um grande tópico a seguir.
Abr
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O Everything I Love ainda dá mais foco ao piano, excelente de facto. Estou desgraçado!

Caro Hugo,
O Everything I Love é um disco a Solo pelo que não tem mais nenhum instrumento a não ser o piano. Esse disco é fenomenal, uma obra prima mesmo e com uma qualidade irrepreensível da Steeplechase. Pode no entanto, tornar-se um pouco monótono (para quem não aprecia muito o género) pela falta de variedade instrumental.

O Undercurrent por sua vez é um clássico e possivelmente o disco mais conhecido do artista (A edição da Blue Note também ajuda, em termos comerciais). Reconheço que não é dos meus preferidos, mas tem temas bastante bons como é o caso do Lion's Den, The Pot's On e Ballade.

Este é daqueles músicos que nos cria muita dificuldade a escolher mas por outro lado também não corremos o risco de escolher um disco mau, porque isso parece não existir...

Boa Sorte Wink







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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 12 Nov - 14:26

Mais uma bela crónica MisterW, é uma delicia ler os teus textos e ver as tuas fotos.

Bela prensagem japonesa essa que tu tens do album do Tony Fruscella estima-a bem, pois não consegues arranjar melhor prensagem desse album hoje em dia Smile

Eu já mandei vir à cerca de um mês atrás uma reedição Americana daquelas baratas desse album, para vender a 16€ PVP selados, mas ainda deve demorar mais um mês a chegar e vamos ver se realmente consigo arranjar...

Gostava mesmo muito de conseguir arranjá-lo, pois além de querer ficar com um para mim também gostava muito de o ter no meu catálogo para venda, são titulos como este que fazem a diferença em relação a outras lojas e elevam o meu catálogo para outro nível superior...

Porreiro teres também o disco da Spotlite com as sessões de estúdio de 1948 e ao vivo em 1953, o outro disco que a Spotlite também fez do Fruscella são também gravações ao vivo de 1953 com o Brew Moore, Bill Triglia, Teddy Kotick e Art Mardigan.

Além disso existem umas sessões ao vivo que foram feitas em 1954 também com o quinteto de Brew Moore e em 1955 uma com Hank Jones e outra com um quinteto que incluia o Phil Woods, mas não tenho conhecimento de nenhuma reedição em vinyl destas sessões de 54 e 55.

Depois do Tony Fruscella existem mais coisas gravadas mas só procurando nas participações que ele fez para:
- Allen Eager;
- Charlie Barnet;
- Lester Young
- Gerry Mulligan (Tony Fruscella foi trompetista do Gerry Mulligan durante largos meses);
- Stan Getz


Bela partilha esta que se faz por aqui e que nos enriquece a todos.



Abraços,
Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg 12 Nov - 22:01



Não conhecia , de todo, fiquei bastante curioso, vou já procurar os ficheiros para ouvir

parabéns , por mais esta bela crónica
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab 17 Nov - 16:24

Compositor e Pianista (trompetista, etc.) alemão, nascido em 1935, conhecido pela sua criatividade e pela mistura de estilos que podem ir desde o Jazz ao Rock, passando pela música Electrónica e até pela música Clássica ou Ópera.
Iniciou-se nos anos 60, conta com cerca de 30 discos de originais e segundo sei, ainda se encontrava no activo até há pouco tempo, embora de forma moderada. Foi um pioneiro e uma das principais referências do Free Jazz Europeu dos anos 60/70.

Das suas obras mais aclamadas, destacaria o primeiro disco "Free Action" de 1967 bem como os álbuns de 1970: "Music Zounds", "Output" e "The Oimels". Num patamar ligeiramente inferior (não em termos de qualidade) destacaria ainda "Et Cetera" de 1971 e os mais recentes "Solo Piano" (1984) e "Changes" (1992).
Ainda de salientar o envolvimento em "United Jazz and Rock Ensemble" que começou por ser um encontro pontual de músicos alemães (Albert Mangelsdorff, Ack van Rooyen, Hans Koller...) mas que depressa se transformou num projecto de referência no âmbito da cena Jazz Avant-Gard (com vários discos editados) e contando com músicos como Ian Carr, Charlie Mariano, Kenny Wheeler e Barbara Thompson, entre outros.

A dificuldade em obter alguns dos seus trabalhos (pela escassez das edições e pelos preços que por vezes atingem) faz com que este seja apenas um breve artigo sobre o músico em questão em vez de uma (merecida) crónica sobre a sua carreira e discografia. Pelo menos, dá para os que não conhecem, ficarem com uma pequena ideia deste músico e da sua importância no panorama Jazz Europeu. Sim, porque o Jazz não é exclusivamente Norte-Americano!

Wolfgang Dauner Trio - Music Zounds, 1970 (MPS Germany)
Este excelente trabalho de Wolfgang Dauner dá-nos a conhecer a sua personalidade como artista e como músico. Sendo, desde cedo, conotado com os géneros mais Free e Avant-Garde do Jazz, este extraordinário músico nunca pretendeu fixar-se em demasia a nenhum estilo em particular. Podemos comprovar isso neste trabalho que incluí uma parte de Jazz mais tradicional, em que Dauner exibe os seus excelentes dotes de pianista e uma segunda parte em que já se vislumbrem algumas sonoridades alternativas. Estas duas vertentes não são contudo, facilmente delineáveis, já que se mesclam ao longo de toda a obra.

Fazem igualmente parte deste trio, o Baixista Eberhard Weber e o baterista Roland Wittich, que criam uma boa estrutura ritmica que suporta os "devaneios" artísticos do seu leader.

Esta excelente edição da MPS (15270) é como tantas outras, um pouco difícil de encontrar a preços razoáveis (existe uma re-edição bem mais em conta da Crystal Jazz).
Contudo, não me inibo de afirmar que este é um daqueles discos que vale realmente um esforço adicional, pois a compensação que nos está destinada quando o colocamos a tocar é significativa. E atenção que esta recomendação não é exclusiva para os amantes de Jazz Avant-Garde, muito pelo contrário. Se gostam de um piano clássico sobretudo, bem tocado, este é um disco que decerto Vos agradará.


Wolfgang Dauner Quintet - The Oimels, 1970 (MPS Germany)
Com uma formação transformada em quinteto, também a sonoridade deste disco sofre algumas alterações em relação ao anterior.
Através de uma sonoridade mais Rock'n'Roll (ou Jazz-Rock) que até incluí várias vocalizações (normalmente raras em discos do género), Dauner demonstra, uma vez mais, o seu enorme sentido criativo.

A inclusão de guitarras faz-nos prever que Dauner se estaria a adaptar aos fenómenos musicais da época (até pela inclusão do tema de Lennon e McCartney "A Day in the Life"), mas felizmente não foi o caso e o músico soube seguir o seu trajecto e demarcar um percurso que embora peculiar, se viria a traduzir numa carreira sólida e exclusiva.

Esta é mais uma das obras de referência de Dauner pelo que, à semelhança da anterior, não hesitarei em recomenda-la.


Wolfgang Dauner - Changes, 1992 (Mood Records Germany)
Por ser bastante mais recente do que os anteriores e por se enquadrar numa época claramente diferente, este trabalho a Solo, insere-se numa sonoridade mais abrangente em termos criativos e de fusão (que vai ficando mais visível com o decorrer dos anos).

Dauner neste disco, "experimenta" vários teclados (sintetizadores) dando corpo a um trabalho que apesar de não ser dos mais bem sucedidos, é bastante demonstrativo da direcção que o músico tomava, nos anos 90.
Na última parte do disco, somos igualmente contemplados com um som mas intimista e minimalista, mas de grande profundidade e bom gosto.

Apesar de Dauner, com o passar dos anos, se envolver cada vez mais em sessões de experimentalismo, com vários instrumentos (e músicos), não há dúvida que as suas preferências recaem nos instrumentos de teclas, que indubitavelmente lhe permitem voos mais altos em virtude da sua experiência e enorme à-vontade.

Muito mais haveria para dizer sobre um músico de dimensões que ultrapassam a sua discografia (Dauner era solicitado para compor temas para bandas sonoras, anúncios, rádio, televisão, ópera etc.) mas a escassez de material não nos permite ir muito mais longe. Caso se justifique, voltarei a abordar este artista numa 2ª volta, com o intuito, não direi de completar, mas apenas de melhorar o que já aqui foi publicado.
Espero que tenham gostado.

Boas Audições
Mister W


Última edição por Mister W em Sab 17 Nov - 19:09, editado 1 vez(es)
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Fran
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab 17 Nov - 18:53

Obrigado Mr. W, bela crónica

No entanto, chamo a atenção (acrescento) para o grupo Et Cetera, onde Dauner, além dos arquiconhecidos Larry Coryell, Eberhard Weber, Jon Hiseman (yep, esse mesmo Wink ), e dos não tanto conhecidos, Pierre Cavalli (Wolfgang Dauner Quintet), Siegfried Schwab (pertenceu a quase todas as bandas de Dauner), era um dos seus membros.






E um rip do António

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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab 17 Nov - 19:09

[quote="Mister W"]
Compositor e Pianista (trompetista, etc.) alemão, nascido em 1935, conhecido pela sua criatividade e pela mistura de estilos que podem ir desde o Jazz ao Rock, passando pela música Electrónica e até pela música Clássica ou Ópera.
Iniciou-se nos anos 60, conta com cerca de 30 discos de originais e segundo sei, ainda se encontrava no activo até há pouco tempo, embora de forma moderada. Foi um pioneiro e uma das principais referências do Free Jazz Europeu dos anos 60/70.

Das suas obras mais aclamadas, destacaria o primeiro disco "Free Action" de 1967

Belo texto (na integra), obrigado pela partilha!
Este "Free Action" de 1967

é o único que possuo, foi um dos meus 1ºs lp´s. "Difícil", mas belo!
Thanks! ao sempre atento Fran!
cheers
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab 17 Nov - 19:19

Fran escreveu:
Obrigado Mr. W, bela crónica
No entanto, chamo a atenção (acrescento) para o grupo Et Cetera, onde Dauner, além dos arquiconhecidos Larry Coryell, Eberhard Weber, Jon Hiseman (yep, esse mesmo Wink ), e dos não tanto conhecidos, Pierre Cavalli (Wolfgang Dauner Quintet), Siegfried Schwab (pertenceu a quase todas as bandas de Dauner), era um dos seus membros.
[/center]
Confirmo e subscrevo.
De facto é importante referir os Et Cetera quando se fala de W.Dauner... Infelizmente não tenho nada deles...
Um Bem-Haja Fran
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab 17 Nov - 19:37

[quote="Luis Filipe Goios"]
Mister W escreveu:

Compositor e Pianista (trompetista, etc.) alemão, nascido em 1935, conhecido pela sua criatividade e pela mistura de estilos que podem ir desde o Jazz ao Rock, passando pela música Electrónica e até pela música Clássica ou Ópera.
Iniciou-se nos anos 60, conta com cerca de 30 discos de originais e segundo sei, ainda se encontrava no activo até há pouco tempo, embora de forma moderada. Foi um pioneiro e uma das principais referências do Free Jazz Europeu dos anos 60/70.

Das suas obras mais aclamadas, destacaria o primeiro disco "Free Action" de 1967

Belo texto (na integra), obrigado pela partilha!
Este "Free Action" de 1967

é o único que possuo, foi um dos meus 1ºs lp´s. "Difícil", mas belo!
Thanks! ao sempre atento Fran!
cheers
Caro Luis,
Esse é daqueles que tem que ser bem estimado... pois já começam a escassear (no mercado*)
Parabéns

*principalmente desde que os Japoneses começaram a coleccionar discos... scratch

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 18 Nov - 12:46

Mister W escreveu:
Fran escreveu:
Obrigado Mr. W, bela crónica
No entanto, chamo a atenção (acrescento) para o grupo Et Cetera, onde Dauner, além dos arquiconhecidos Larry Coryell, Eberhard Weber, Jon Hiseman (yep, esse mesmo Wink ), e dos não tanto conhecidos, Pierre Cavalli (Wolfgang Dauner Quintet), Siegfried Schwab (pertenceu a quase todas as bandas de Dauner), era um dos seus membros.
[/center]
Confirmo e subscrevo.
De facto é importante referir os Et Cetera quando se fala de W.Dauner... Infelizmente não tenho nada deles...
Um Bem-Haja Fran

Mais uma fantástica crónica Mister W, informações preciosas ...

...tem graça porque foi das primeiras conversas que tive com o Fran aqui no fórum:

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t2043p250-a-rodar-x

a meio da página acerca deste àlbum




é bastante Dark, mas esconde pedaços de Jazz de elevada qualidade técnica e sonora.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 18 Nov - 12:57

Luis Filipe Goios escreveu:
... Thanks! ao sempre atento Fran!
cheers

Mister W escreveu:
... De facto é importante referir os Et Cetera quando se fala de W.Dauner... Infelizmente não tenho nada deles...
Um Bem-Haja Fran

Ora essa, é um prazer




Xóxio escreveu:
... tem graça porque foi das primeiras conversas que tive com o Fran aqui no fórum:

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t2043p250-a-rodar-x

a meio da página acerca deste àlbum ...
Ora nem mais
Hás de me dizer, como é que consegues localizar assim um post ... foste à procura "um a um"?!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 18 Nov - 13:09

Fiquei mais uma vez esmagado com a qualidade da escrita e profundidade da informação aliado a uma capacidade de síntese que merece destaque.

Como é possível, que quanto mais discos compro, maior fica a wish list.

Mas os culpados estão perfeitamente identificados.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 18 Nov - 13:10

Ulrich escreveu:
Mais uma fantástica crónica Mister W, informações preciosas ...

...tem graça porque foi das primeiras conversas que tive com o Fran aqui no fórum
http://www.audioanalogicodeportugal.net/t2043p250-a-rodar-x
a meio da página acerca deste àlbum



é bastante Dark, mas esconde pedaços de Jazz de elevada qualidade técnica e sonora.


Pois, esse é mais um dos que eu não tenho ... Sad e pior que tudo, que não conheço No

A julgar pelos excelentes videos dos Et Cetera que o Fran publicou, não tenho dúvidas que se trata de mais um excelente trabalho.

Se fosse pelas capas, não acredito que o Dauner (e as bandas por onde passou) conseguisse vender algum discos ... affraid Assustadoramente Feias! Felizmente que o conteúdo nada tem a ver ...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 18 Nov - 13:16

António José da Silva escreveu:
Fiquei mais uma vez esmagado com a qualidade da escrita e profundidade da informação aliado a uma capacidade de síntese que merece destaque.

Como é possível, que quanto mais discos compro, maior fica a wish list.

Mas os culpados estão perfeitamente identificados.

E o meu crescente interesse pelo analógico e pelo vinil também tem um culpado, ou melhor, um grupo de culpados liderado por um culpado-mor... E também está claramente identificado! What a Face Estou-lhe com um pó que nem imaginas ...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 18 Nov - 13:19

António José da Silva escreveu:
... Como é possível, que quanto mais discos compro, maior fica a wish list. ...
É o "grande mal", da internet

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 18 Nov - 14:56

Mister W escreveu:


E o meu crescente interesse pelo analógico e pelo vinil também tem um culpado, ou melhor, um grupo de culpados liderado por um culpado-mor... E também está claramente identificado! What a Face Estou-lhe com um pó que nem imaginas ...


Num próximo encontro "mano a mano" temos que resolver este assunto há boa maneira antiga.


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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 18 Nov - 15:01

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:


E o meu crescente interesse pelo analógico e pelo vinil também tem um culpado, ou melhor, um grupo de culpados liderado por um culpado-mor... E também está claramente identificado! What a Face Estou-lhe com um pó que nem imaginas ...


Num próximo encontro "mano a mano" temos que resolver este assunto há boa maneira antiga.

Mas és tu?! scratch
Mr. W, referiu "um grupo de culpados liderado por um culpado-mor" ... tu lideras alguma coisa?!
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 18 Nov - 15:07

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:


E o meu crescente interesse pelo analógico e pelo vinil também tem um culpado, ou melhor, um grupo de culpados liderado por um culpado-mor... E também está claramente identificado! What a Face Estou-lhe com um pó que nem imaginas ...


Num próximo encontro "mano a mano" temos que resolver este assunto há boa maneira antiga.


Considera-te desafiado para um duelo! Até te deixo escolher a(s) arma(s) ... as tuas que eu não preciso!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 18 Nov - 15:10

Fran escreveu:
... tu lideras alguma coisa?!


Só coisas negativas. lol!

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter 20 Nov - 17:43

Amigos,
A história do Jazz tem-se vindo a fazer com inúmeros pianistas nos mais diversos períodos e estilos. Contudo, ao olhar para esses pianistas, fico com a ideia que uma grande parte não passaram de excelentes imitações (alguns com carreiras respeitáveis) dedicando o seu percurso artístico a seguir modelos que outros já haviam aprofundado.

Felizmente, outros houve (poucos, por certo) que se distanciaram claramente dessa forma de estar na música e souberam construir uma carreira refrescante e assaz interessante. Hampton Hawes é um deles. Os seus discos, desce cedo deixavam surpreendidos os especialistas e a própria industria, para não falar do público em geral. Entre outras distinções, o seu primeiro disco para a Contemporary (C3505) recebeu o prémio de "Arrival of the Year" pela revista Metronome.
É verdade que Hampton Hawes não deixa de admirar outros pianistas; mas isso não o obrigava a imita-los e a seguir-lhes as pisadas. Mesmo quando pontualmente tocava temas de outros (como Bud Powell, Sonny Rollins, etc.) preocupava-se sempre em atribuir-lhes uma nova roupagem e desempenhava-os com uma interpretação muito própria.

Hampton Hawes é originário de Los Angeles e espalhou a sua magia durante os anos 50 e 60 (integralmente) construindo uma vasta e sólida carreira que conta com mais de 50 títulos, entre originais e participações.
Desde cedo se integrou na cena Jazz de L.A. tendo tocado com nomes como Dexter Gordon, Sonny Criss, Howard McGhee, Wardell Gray e Shorty Rogers (com quem participou nos Lighthouse All-Stars) entre outros.

De entre os momentos menos felizes do Pianista (quem não os tem) destaca-se em 58, a pena de 5 anos de prisão por posse de heroína (consta que a sua pena foi reduzida por indicações do presidente Kennedy).
Nos anos 70 começou a usar pianos eléctricos (vulgo, orgãos) facto que desagradou os seus fãs de longa data. Regressou porem ao piano clássico/acústico mas viria a falecer em 1977 vitima de ataque cardíaco.

Quanto à sua vasta obra, recheada de belas referências, teve variadas re-edições ao longo dos tempos, o que significa que grande parte dos seus discos ainda se conseguem encontrar nos dias de hoje (a preços decentes). Aqui ficam alguns exemplos:

Hampton Hawes The Trio - This Is Hampton Hawes Vol. 2 - Contemporary C3515, 1956 USA
Este é um dos vários trabalhos que Hampton Hawes gravou com o excelente trio, constituído pelo Baixista Red Mitchell (não confundir com Blue Mitchell) e com o Baterista Chuck Thompson.
Apesar do piano sobressair de forma natural, este trio apresenta-nos um verdadeiro trabalho de equipa, em que cada membro desempenha o seu papel em função dos demais (sem se atropelarem) embora exista espaço para exibições individuais, sob a forma de pequenos solos, ao longo de todo o disco.

O som Bop muito ritmado e característico da época, dá por vezes lugar a temas mais calmos e profundos, onde Hawes parece igualmente sentir-se em casa.
Desta obra, fazem parte sete standards que o trio interpreta com um cunho muito próprio (exemplos de "Round Midnight" e "Autumn in New York") bem como dois "blues" originais (Blues for Jacque e Section Blues).


Hampton Hawes - "For Real!" (1958, Contemporary GXC3159) - Contemporary/King Records, 1974 Japan
Esta é de facto uma das obras-primas de Hawes, e quanto a mim, não se deve apenas ao genial pianista mas ao lote de excelentes músicos cuja contribuição para o sucesso deste disco é digno de registo.
Um deles dá pelo nome de Harold Land (sax tenor) que apesar de ter neste disco a sua estreia (ao que consta) tem um desempenho digno de um músico altamente experimentado. De salientar que apesar de contar com mais de 10 discos editados, este é o primeiro trabalho de Hawes a incluir um instrumento de sopro ... e parece ter resultado na perfeição pois o casamento com o piano não podia ser melhor. Pena é que esta fórmula não fosse repetida bastantes mais vezes ao longo da sua carreira.
Para além do baterista Frank Butler, o quarteto fica completo com um nome de topo, quando falamos de baixistas, Scott LaFaro.

A importância desta trabalho não se fica apenas pelos aspectos já referidos, mas também pelo facto deste ter sido um dos últimos trabalhos (senão o último) gravado por um dos mais geniais baixistas de sempre. Precisamente Scott LaFaro. Numa das fotos que aqui junto, podem ver a dedicatória incluída na capa (parte de trás) desta edição de 1961.

Abro aqui um parentesis para deixar uma palavra sobre este extraordinário músico e a sua, não menos extraordinária, contribuição para com a Música em geral.
Apesar de ter tocado com os melhores (Chet Baker, Stan Getz, Bill Evans, Miles Davis, Don Freeman, Pete La Roca, H.Hawes, entre outros) este genial músico nunca teve qualquer pretensão de iniciar uma carreira como leader, pois sentia-se útil e feliz no papel de "sideman" que lhe fora destinado. Muitos o fizeram (carreira a solo) por muito menos e com bastante sucesso ...
Entende-se facilmente que alguns tenham dito (de forma figurada), que La Faro fora o baixista mais honesto de sempre.
Para os eventuais interessados, em 2009 foi lançado um álbum (o único) de Scott La Faro, chamado "Pieces of Jade" com Don Friedman e Pete La Roca e que inclui uma entrevista com o baixista. Este disco em jeito de homenagem foi lançado como complemento ao livro da autoria da sua irmã, Helene La Faro Fernandez, com o nome Jade Visions.

De regresso ao Hampton Hawes, nada mais tenho a acrescentar a não ser que por todos os motivos referidos, mas acima de tudo por se tratar de um álbum de excelente qualidade técnica e artística, a recomendação parece por demais evidente.



Hampton Hawes Trio - The Seance (1969, Contemporary S7621) - OJC 455, 1990 US
Nas suas notas sobre este álbum Hawes escreveu: "A boa música antiga nunca pode ser má e a fraca música nova nunca pode ser boa". Talvez por isso, ele tentou capturar na performance que originou este disco, a frescura e o carisma de outros tempos.
Contudo, a evidente maturidade que o pianista (bem como o baixista Red Mitchell) foi adquirindo ao longo dos anos, faz dele um intérprete mais flexível e abrangente.

Registado ao vivo em 1966 no Mitchells Studio Club (que celebra o seu 9º mês de espectáculos com o Trio) este é mais um dos discos de referência de um dos Trios de Hampton Hawes, que conta com o baixista de longa data Red Mitchell bem como com o fóra-de-serie Donald Bailey na bateria. O desempenho deste é impressionante, já que a sua forma de tocar pode ser simultaneamente caracterizada de "devastadora" nos momentos mais enérgicos, e de "sensual" e "requintada" nos momentos de maior suavidade e contenção.
A melhor forma de caracterizar este excelente trabalho, segundo um critíco de Jazz de Los Angeles, resume-se aos seguintes adjectivos: "Swing", "Warmth" and "Inventiveness" (optei por não traduzir para não correr o risco de alterar, mesmo que de forma involuntária, o seu significado).

Para terminar, diria que se trata de mais um grande álbum executado por grandes músicos, a que de resto já há muito nos habituaram.


Hampton Hawes - Playin' in the Yard - Prestige P10077, 1974 US
Por fim (que a crónica já vai longa) trago-vos o registo ao vivo de Hawes no mítico Festival de Montreux no ano de 1973 (o segundo disco de Hawes deste Festival).
Com uma formação renovada (mais um Trio) de que fazem parte Bob Cranshaw (baixo eléctrico) e Kenny Clarke (bateria), Hawes surge aqui com dois tipos de teclados; um piano acústico e um piano eléctrico (vulgo orgão) embora utilize o último com maior frequência.
Do repertório deste disco fazem parte três dos temas originais de Hawes bem como o apropriado Playin' de Sonny Rollins e Stella by Starlight (Washington-Young).

Apesar de extremamente bem tocado, esta nova sonoridade de Hawes, com alguns traços Funky, nunca iria atingir o reconhecimento e a distinção que outrora lhe haviam sido conferidos pelo seu desempenho ao Piano Acústico.
Longe de ser um disco fraco, merece no entanto uma audição atenta, para que cada um o possa julgar como muito bem entender. Na minha opinião, esta obra, como tantas outras que primam por alguma diferença, não deixa de fazer parte integrante de uma carreira absolutamente genial a que apenas alguns podem aspirar...


Até à próxima
Mister W


Última edição por Mister W em Ter 20 Nov - 19:34, editado 1 vez(es)
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter 20 Nov - 19:19



Yes Sir. vou investigar ...

...mais uma bela crónica de um pianista que me passou ao lado study



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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui 22 Nov - 8:17

Acabei de saborear mais esta cónica e fiquei mais uma vez impressionado, tanto pela escrita como pelo conhecimento.

Mais um para investigar.

E realço a seguinte frase,



Citação :
"A boa música antiga nunca pode ser má e a fraca música nova nunca pode ser boa"


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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui 22 Nov - 10:52

António José da Silva escreveu:
Acabei de saborear mais esta cónica e fiquei mais uma vez impressionado, tanto pela escrita como pelo conhecimento.
Mais um para investigar.

E realço a seguinte frase,

Citação :
"A boa música antiga nunca pode ser má e a fraca música nova nunca pode ser boa"

Confesso que quando lida de forma isolada essa frase possa parecer um pouco Palissiana. Em inglês, sem dúvida que soa melhor e principalmente faz mais sentido. Como a minha tradução pode ter desvirtuado o significado, aqui fica o original das sábias palavras de Hampton Hawes:

Old good music can never be bad, and bad new music can never become good.


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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui 22 Nov - 10:54

Mister W escreveu:

Old good music can never be bad, and bad new music can never become good.



Nada de errado com a tua tradução e o sentido foi preservado.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui 22 Nov - 11:24

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:

Old good music can never be bad, and bad new music can never become good.



Nada de errado com a tua tradução e o sentido foi preservado.
Só o "be" (ser), pelo "become" (vir a ser) lol!
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui 22 Nov - 11:53

Fran escreveu:
António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:

Old good music can never be bad, and bad new music can never become good.



Nada de errado com a tua tradução e o sentido foi preservado.
Só o "be" (ser), pelo "become" (vir a ser) lol!

Muito Bem,
Pensei precisamente em trocar o último "ser" por "ficar" mas ...
Já faltou mais pra este tópico se transformar no "English Lessons for Beginners!" (mea culpa!)
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui 6 Dez - 15:53

Caros Amigos,
Venho falar-vos de um dos mais extraordinários saxofonistas que ja tive o privilégio de ouvir. E digo isto sem ser dotado (eu, não o visado) de conhecimentos técnicos sobre saxofone ou qualquer outro instrumento de sopro. Digo isto, porque a sonoridade de Serge Chaloff me agrada particularmente. O seu som é intenso, espontâneo, contagiante, inventivo e divertido (qb). As suas obras não têm quebras de ritmo (a não ser o ritmo inerente à sua musicalidade) e a audição das mesmas decorre sempre com um interesse constante, do primeiro ao último minuto... sem aborrecimentos.

Proveniente de uma familia de conceituados músicos (o Pai pianista e Mãe professora de música/piano), Chaloff iniciou-se desde cedo na aprendizagem de piano e clarinete e só mais tarde se viria a dedicar àquele que seria o seu instrumento de eleição e com o qual viria a atingir grande notoriedade, o Saxofone Baritono. Dado o limitado número de músicos e a fraca tradição deste instrumento no Jazz, Chaloff depressa se tornou o mais destacado baritono no Jazz (Bebop) e viria a potenciar o aparecimento de muitos que a ele se seguiram.

Serge Chaloff esteve ligado a músicos como Jimmy Giuffre e Woody Herman (2nd Herd), através dos quais teve o seu primeiro reconhecimento nos "Four Brothers", inicialmente com Stan Getz, Zoot Sims e Herbie Steward e mais tarde também com Al Cohn. Uma das grandes obras que este grupo de saxofonistas nos deixou foi o "Together Again" (The Four Brothers) de 1957 em que Chaloff, apesar do seu estado debilitado devido ao cancro com que se debatia, fez questão de participar (em alguns temas) e com uma das suas melhores performances de sempre. Viria a morrer no mesmo ano, apenas uns meses mas tarde.
Chaloff tocou igualmente com Jimmy Dorsey e Count Basie, entre outros, mas a sua adição pela heroína condicionou fortemente a sua carreira. Infelizmente, depois de se ver livre do vicio das drogas, viria a desenvolver um cancro na medula espinhal que limitou a sua mobilidade (e o confinou a uma cadeira de rodas) e que lhe causaria uma morte prematura, antes de perfazer os 35 anos de idade.

Serge Chaloff - (Serge & Boots plays) The Fable of Mable (Storyville Records, 1954) - Trio Records, Japan (Mono)
Apesar da boa prensagem desta edição, não podemos esquecer-nos que estamos perante uma gravação com quase 60 anos e com uma sonoridade muito própria da época, que tinha por base o Bebop. Tão depressa podemos passar de um ritmo alucinante de um tema como "Love is Just arorund the Corner" para uma balada como "Easy Street". Na minha opinião, ambos os estilos são reveladores das qualidades e da exclusividade de Chaloff. Contudo, no lado 2 deste trabalho, encontramos temas bastante distintos como "Fable of Mable" com registos mais alternativos (para a época) ou ao estilo de uma Big-Band (orquestrada) como "Sherry" ou "Slam".
Independentemente do género, o excelente desempenho de Chaloff e seus parceiros é extremamente confiante e sofisticado, ao ponto de ser considerado um dos melhores front-man do Jazz de então, a seguir a Gerry Mulligan que era o incontestável Number One (pois estávamos em plena Mulligan-era).

Da formação base, fazem parte: Boots Mussulli (sax alto), Serge Chaloff (sax bar), Russ Freeman (piano), Jimmy Woode (baixo) e Buzzy Drootin (bateria) embora com participações pontuais de outros músicos.
A ligação a Boots Mussulli e Russ Freeman viria a dar novos frutos, pois no mesmo ano gravariam um disto intitulado simplesmente Serge Chaloff and Boots Mussulli (Featuring Russ Freeman).

The Serge Chaloff Sextet - Boston Blow-Up! (Capitol Records, 1955) - Affinity 1981, UK
Apenas com um ano de diferença do trabalho anterior, este disco oferece-nos uma sonoridade distinta, em que se nota uma maior sofisticação e libertação em termos rítmicos. Contudo, as grandes influências continuam presentes (Parker, Ellington, Gillespie mas principalmente as big-band de Woody Herman) assentando uma vez mais no tradicional Bebop (há que lhe chame HardBop).

Este é, quanto a mim, (mais) um dos grandes clássicos do Jazz e uma referência para os inúmeros barítonos que se seguiram. De entre os críticos de Jazz (e não só) há quem defenda que Boston Blow-Up! é o melhor disco de Serge Chaloff, superando o icónico "Blue Serge" (com Sonny Clark e Leroy Vinnegar) que infelizmente não consta deste breve artigo de opinião (porque não faz parte -ainda- da minha discografia).
Continua a fazer parte desta formação, o inseparável Boots Mussulli (alto) mas desta vez a principal novidade é a inclusão de um trompetista, cujo nome é Herb Pomeroy. Fazem ainda parte, o pianista Ray Santisi (que substitui Russ Freeman), o baixista Everett Evans e o baterista Jimmy Zitano.
A qualidade sonora desta edição pode não ser a melhor (ou pelo menos não está ao nível da anterior...), é um facto, mas o repertório que consta desta obra depressa faz esquecer esse aspecto. À semelhança do trabalho anterior, os temas são variados e alternados em termos rítmicos. A melancolia de temas como "What's New?" é absolutamente tocante e profunda. A rouquidão do saxofone de Chaloff parece querer romper os altifalantes, tal é a proximidade e intensidade com que foi registada. Este disco é predominantemente, positivo e alegre e tem a energia contagiante e o estilo "swingado" encontrado nas famosas big-bands (mas num formato reduzido).
Se tiverem oportunidade, não deixem de (pelo menos) ouvir alguns destes trabalhos de um músico e compositor, que teve uma vida curta e sofrida, mas que foi capaz de criar e executar música de extraordinária beleza.

Adeus e até ao meu regresso... se não for antes.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 7 Dez - 12:14

Fantástica explanação de mais um a ter na mira. Obrigado por mais esta sugestão, e como gosto muito desse instrumento, é um que decerto vou querer adicionar à discografia.


Citação :

Adeus e até ao meu regresso... se não for antes.


Esperemos que seja......antes.

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 7 Dez - 13:07



Muito bom , também não conhecia...

...aquela capa do The Fable of Mable é uma obra de arte...

...deve ser uma delícia ouvir o LP enquanto se aprecia a beleza da capa

Mais uma óptima referência
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab 22 Dez - 20:24

Meus Caros,
Venho falar-vos de mais um extraordinário Saxofonista (alto) e compositor de Jazz, nascido em 1929 no Missouri e que tem como principais referências o controverso Stan Kenton e Lee Konitz, com quem tocou no decorrer da sua carreira.
Devido aos seus diversos interesses e actividades, a quantidade de discos que lançou é limitada, contudo, creio que a qualidade dos mesmos saiu claramente compensada. A partir de determinada altura, passou a dedicar-se, quase em exclusivo, à criação de bandas sonoras, vertente que lhe traria o devido reconhecimento, em especial pelos trabalhos nos filmes de Clint Eastwood.

Nesta breve incursão sobre Lennie Niehaus, vamos essencialmente visitar a sua carreira de solista e leader, deixando o seu trabalho como compositor e "arranjador" de bandas-sonoras, para outras núpcias.
Não é um nome consagrado, mas aquilo que conheço da sua obra tem imenso valor, aliando as grandes capacidades de instrumentista com as não menos interessantes qualidades de compositor. Vamos portanto focar-nos no período compreendido entre 1954 e 1957, que é o período fértil da sua obra (em termos discográficos) que viria a abandonar (quase) por completo em 1960, em prol dos registos cinematográficos. Conhecem-se alguns trabalhos pontuais (mais recentes) mas sem a importância das excelentes prestações da década de 50.

Lennie Niehaus - Vol. 1: The Quintets - 1954 (OJC 319) Contemporary 6358, USA
Neste primeiro trabalho a "solo" (ou melhor, como "band leader"), Niehaus apresenta-nos um som ao estilo do melhor "West Cost Jazz". Os quintetos que dão forma a esta obra, não "brincam em serviço" e este é, sem dúvida, um excelente exemplo do que estes extraordinários músicos são capazes. Tratam-se de facto de dois quintetos. A saber: Quinteto #1: Jack Montrose (Sax Tenor), Bob Gordon (Sax Baritono), Monty Budwig (Baixo) e Shelly Manne (bateria). Quinteto #2: Stu Williamson (trombone e trompete), Hampton Hawes (piano), Red Mitchell (baixo), Shelly Manne (bateria). O único elemento que faz parte das duas formações (para além de Niehaus, claro está!) é Shelly Manne que merece uma palavra de destaque pelo seu extraordinário desempenho em todo o disco. Efectivamente, um dos melhores bateristas de Jazz, de todos os tempos.

O primeiro tema parece transportar-nos ao tempo dos clássicos Bugatti, Cadillac ou Buick e aos salões onde se dançava o Foxtrot... contudo a música de que falamos aqui, é outra! Trata-se de uma época em que o BeBop e o Cool Jazz davam cartas no mercado Norte-Americano (mas não só) e Lennie Niehaus viveu e bebeu as influências desses géneros.
"I Should Care" e "Day by Day" são outros dos temas que merecem um destaque especial, não só pelos solos profundos de Niehaus, mas pelo felling que os vários elementos incorporavam durante o seu desempenho.

Para quem não conhece, diria que este trabalho representa um tipo de Jazz melódico e ritmado, característico de um determinado periodo e região. Pode não ser um Jazz muito complexo e variado na sua concepção, mas é-o certamente na sua execução e acima de tudo na sua genuinidade .
Esta obra vale certamente pelo desempenho dos vários músicos, desde Jack Monterose a Hampton Hawes (já falado por aqui), de Red Mitchell a Shelly Manne... e claro, o grande Lienhaus que percorre a escala do seu saxofone com uma agilidade e suavidade impressionantes. O som quente e rouco que dele brota é absolutamente contagiante...

Lennie Niehaus - Vol. 3: The Octet, Pt. 2 - 1955, (OJC 1767) Contemporary C3503, 1991 USA
Em termos musicais diria que este trabalho se enquadra na linha do anterior, não obstante algumas alterações na formação, com a inclusão de nomes como Bill Holman (Sax Tenor), Jimmy Giuffre (Sax Baritono), Bob Enevoldsen (trombone) ou Pete Jolly (piano). Niehaus não prescinde de formações extensas, com dois saxofones, trompete e trombone e desta vez opta por um Octeto (o que já havia acontecido em "Vol.2: The Octet" que infelizmente não possuo...).

Em termos do repertório, este trabalho conta com 12 temas, dos quais 5 originais da autoria de Niehaus bem como alguns "standards" de longa data, dos quais destacaria "Love is Here to Stay" e "They Say It's Wonderful" pelo desempenho de Niehaus, por vezes a lembrar os tempos áureos de Paul Desmond.

O "swing" próprio da época continua presente, mas Niehaus faz questão de incluir algumas surpresas e "nuances" subtis que requerem várias audições até serem descobertas (ou então um apurado ouvido...). Os desempenhos de Niehaus são cada vez melhores. O seu som é extremamente rico e exclusivo. É simultaneamente poderoso e suave, quente e refrescante. Niehaus, incorporou novas ideias e conceitos, não apenas na sua forma de tocar mas também na sua escrita.

Lennie Niehaus, Vol. 4: The Quintets and Strings - 1956, (Contemporary C3510), King Records, 1980 Japan
Por último, falamos de um dos trabalhos mais extraordinários e singulares de Lennie Niehaus e que é uma obra essencial para os coleccionadores de Jazz/Bop. O Saxofone alto de Niehaus é aqui acompanhado por um quarteto de cordas (como o título antecipa), uma secção rítmica convencional e por vezes, juntam-se ainda dois outros saxofonistas. Todo este "aparato" resulta particularmente bem e evidência as qualidades de compositor e orquestrador do artista.
O quarteto de cordas é absolutamente inovador num disco do género, mas ainda assim, existe espaço para uns apontamentos mais tradicionais e os solos de Bill Perkins, Bob Gordon e até de Stu Williamson (trompete e trombone) são um flagrante exemplo disso. Fazem igualmente parte do alinhamento, os repetentes Hampton Hawes, Monty Budwig e Shelly Manne.
Esta é uma obra extremamente diversificada, não apenas pelo rol de músicos utilizado (incluindo a inovadora secção de cordas) mas igualmente pela diversidade dos formatos e das sonoridades, o que claramente corrobora o facto de Lennie Niehaus ser um artista de múltiplos recursos.

É sempre difícil destacar partes quando o todo se encontra a um excelente nivel, mas "If I Should Lose You" é absolutamente arrepiante, pela sua melancólica tristeza e beleza. O tema que abre o disco -"All the Things You Are"- é igualmente contagiante, com a vantagem de gozar do estatuto de "impacto inicial". Destacaria ainda "Rondo" (que abre o lado B) e "Star Eyes"...
A excelente secção rítmica merece um enorme reconhecimento (apesar do som estar um pouco mais baixo do que nos outros trabalhos) já que confere um "swing" fantástico a toda a obra. Os já referenciados Hampton Hawes e Shelly Manne (que viriam a ter uma longa e bem sucedida carreira) ajudam a dar corpo a esta obra e a sua participação é absolutamente essencial.

Este nome pouco sonante (nos dias de hoje), foi um dos principais emblemas da Contemporary Records nos anos 50 e uma importante referência do BeBop Jazz de então. É destes e de outros nomes menos reconhecidos, que a longa História do Jazz (também) é feita.

Até Breve
Mister W



Última edição por Mister W em Sab 22 Dez - 21:52, editado 2 vez(es)
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zaratustra
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab 22 Dez - 21:03

Este, para mim, era praticamente desconhecido.

Vou digerir...

Obrigado e continua.

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 23 Dez - 0:29


Gostei bastante, fiquei curioso ...

...a capa do Vol3 é fantástica
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 23 Dez - 11:10

Mais um desconhecido que quero ficar a conhecer na segunda feira.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 23 Dez - 13:52

António José da Silva escreveu:
Mais um desconhecido que quero ficar a conhecer na segunda feira.

Tenho aí outras novidades que vais gostar ... principalmente umas que vieram do Japão... via UK ! silent

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Fran
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 23 Dez - 13:59

Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
Mais um desconhecido que quero ficar a conhecer na segunda feira.

Tenho aí outras novidades que vais gostar ... principalmente umas que vieram do Japão... via UK ! silent



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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 23 Dez - 14:36

Mister W escreveu:
António José da Silva escreveu:
Mais um desconhecido que quero ficar a conhecer na segunda feira.

Tenho aí outras novidades que vais gostar ... principalmente umas que vieram do Japão... via UK ! silent



Pois, não cheguei a ouvir nenhum, mas ainda vou a tempo.

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Pierre
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 23 Dez - 21:45


Um nome a ter em conta:

Nick Brignola Quartet

(Hard Bop)






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chicosta
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui 27 Dez - 21:01

Estava eu hoje a ouvir um álbum de jazz recentemente sacado da net e que tenho ouvido em modo 'repeat', quando ao pesquisar algo mais na net descubro que o seu autor faleceu no passado mês de Novembro com apenas 22 anos!
Penso ser desconhecido de todos, mas uma rápida pesquisa no Google dá para ver que era um prodígio do piano!
Aos 15 anos tocou com o seu trio no Tokio Jazz Festival, aos 16 a Sony Japan edita dois trabalhos seus!
Em 2011 edita o álbum que estou a ouvir, Endless Planets!
E são as suas 3 obras...
Além destes 3 trabalhos, colabora com artistas de outras áreas (e também músicos de jazz) tais como Flying Lotus, Robert Glasper, Erykah Badu, Jaga Jazzist, Cinematic Orchestra, etc...
RIP Austin Peralta. (para o pessoal mais radical, o seu pai era um famoso skater, Stacy Peralta)
Infelizmente, à parte as colaborações, penso que nenhum dos seus álbuns foi editado em vinyl.
Visto eu não ter o dom da palavra, espero que o nosso Mister W conheça o miúdo e desenvolva o tema!


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Duarte Rosa
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex 28 Dez - 22:12

Mestre Mr. W, não há por aí um ou outro disco de Jazz de fusão brasileiro digno de uma crónica aqui ou nos " Imortais do Jazz" ?
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 13 Jan - 21:06

Desta feita, decidi trazer-vos um músico que já foi referido algumas vezes neste tópico e de que gosto particularmente. Pena é que a sua curta carreira não esteja devidamente documentada e que tenha apenas gerado meia-dúzia de títulos... mas mesmo assim, estou certo que esta incursão valerá a pena.

Refiro-me ao saxofonista (alto) Sonny Red (ou Sylvester Kyner) da velha escola de Detroit, cuja carreira iniciada nos anos 50, durou pouco mais de 15 anos (pelo que se conhece). No entanto, esta curta e pouco reconhecida carreira, não impossibilitou que Sonny Red tivesse alguns momentos de glória por alguns trabalhos que criou e que pertencem ao grupo de obras que o Jazz imortalizou.
Tabalhou com alguns músicos de referência como Art Blakey e Frank Rosalino e depois de se mudar para Nova Iorque, colaborou com Paul Quinichette e Curtis Fuller, que lhe deram a visibilidade necessária para iniciar uma carreira como "leader". Teve ainda algumas aparições como "sideman" em trabalhos com Donald Byrd, Kenny Dorham, Clifford Jordan e Yusef Lateef, entre outros.

Conta-se que a modesta carreira deste músico de Detroit, estava de certa forma condicionada pelo nome artistico que escolhera, em virtude do mesmo sugerir vários outros músicos mais credenciados do que Red, como é o caso de Sonny Rollins, Sonny Stitt, Sonny Criss ou até mesmo Sonny Fortune...
Uma coisa é certa; ficaremos sem saber como teria sido a carreira de Sylvester Kyner caso tivesse adoptado um nome artístico diferente...

Sonny Red - Out of Blue (1960, Blue Note) - Blue Note, 2008 USA
O primeiro trabalho, que alguns de Vós já conhecem, dispensa grandes apresentações pois é um dos marcos da Blue Note e da genialidade na concepção de capas, desta vez com um latente minimalismo gráfico de enorme impacto.
Em relação ao conteúdo, creio que também não haverá muito a acrescentar, correndo o risco de me repetir, já que este álbum goza de enorme popularidade por estas bandas. Apenas um breve apontamento, para salientar que se trata de um excelente álbum de Jazz, do primeiro ao último tema.
Sonny Red pode não ter sido um genial saxofonista (como a critica parece gostar de referir) mas isso pouco importa, já que a sua criatividade bem como o resultado final das suas obras superam qualquer limitação de ordem técnica que pudesse eventualmente existir. Ao escutarmos, por exemplo, o tema "Stay as Sweet as You Are" e a profundidade do saxofone de Sonny Red, facilmente nos apercebemos das suas enormes competências como saxofonista e somos levados a concentrar-nos na sua música em vez de darmos grande importância às criticas da dita imprensa especializada.

Sonny Red - The Mode (1961, Jazzland JLP959) - Jazzland/Fantasy, 2012 USA
Este "The Mode", que conseguí finalmente adquirir (em virtude de uma re-edição recente) teve a particularidade de me surpreender novamente, pois a sua qualidade artística não se fica atrás do igualmente genial "Out of Blue".
Em "The Mode" cuja gravação ocorreu passado um ano do seu anterior trabalho, Sonny Red parece ter ganho alguma desenvoltura como saxofonista, principalmente nos solos, agora mais longos e aparentemente mais confiantes.
Neste trabalho, a vertente de compositor continua a ser explorada e o resultado são 3 excelentes temas da sua autoria. De entre os demais, gostaria de destacar o enigmático e contemplativo "Never, Never Land" que tem uma admirável interpretação de Sonny Red mas também de Cedar Walton (no piano) bem como a excelente versão de "Moon River" de Henri Mancini. São temas como estes que conferem a excelência e a maturidade apenas encontrada em grandes obras.
Os excelentes músicos que Sonny Red convidou para este registo, dão uma sonoridade bastante própria e diferente do trabalho anterior. A principal diferença tem a ver com a introdução de uma guitarra, pelas mãos de Grant Green, em parte dos temas do álbum. Aliás, a formação varia entre um Quinteto (Grant Green, Barry Harris, George Tucker e Jimmy Cobb) e um Quarteto (Cedar Walton, George Tucker e Jimmy Cobb).
"The Mode" não é apenas mais um disco agradável de Jazz/hard-bop, pois o inconformismo de Sonny Red, leva-o a aspirar por algo mais. Neste caso em particular, notam-se alguns improvisos ocasionais, fruto de uma reconhecida influência numa linha que incluía nomes como John Coltrane, Yusef Lateef e Miles Davis bem como a sua principal referência, Charlie Parker, num registo mais clássico apelidado de "chordal improvisation".

Sonny Red - Images (1962, Jazzland JLP974, USA)
A fórmula parecia resultar e passado um ano, seria lançado mais um disco, também pela Jazzland e com uma formação em tudo idêntica ao anterior.

Manteve-se Grant Green, que já tinha participado (parcialmente) em "The Mode" (com excelentes resultados, refira-se) bem como Barry Harris que era um dos pilares da secção rítmica.
A entrada do grande trompetista Blue Michell, em jeito de elemento convidado, foi a principal novidade e a formação passava, pela primeira vez a ter dois metais (um saxofone e um trompete) mas apenas em parte do disco (Lado A). Nesses temas (3), os duelos de solos começam a proliferar, certamente por "culpa" de Blue Mitchell e da sua larga experiência como trompetista.
Em traços gerais, o som é algo semelhante ao do disco anterior, possivelmente por ter sido lançado pela mesma editora. No entanto, em termos musicais, notam-se algumas diferenças. O som mais "swingado" de alguns temas, fruto de um hard-bop mais tradicional, dá-nos a ideia de estarmos perante um disco do inicio dos anos 50. Não sei se essa "roupagem" foi propositada, mas resulta claramente e o efeito é bastante agradável.
Contribuem de forma determinante para este formato, a secção rítmica constituída por George Tucker (baixo) Barry Harris (piano) e Lex Humphries ou Jimmy Cobb (bateria). A sonoridade da guitarra de Grant Green também denota algumas diferenças e o som mais crú, em termos de amplificação, encaixa-se bem nesta estrutura.
Os temas deste trabalho, são quase todos da autoria de Sonny Red. Apenas uma excepção para o tema que encerra o disco, "Bewitched, Bothered and Bewildered" (Rodgers & Hart) e mesmo apesar de não ser da sua autoria, Sonny Red desempenha-o com uma extraordinária atitude e sentimento. Temas como "Blue Sonny", "Images" e "The Rhythm Thing" (com um excelente trabalho de baixo e bateria) ajudam a completar esta obra da melhor forma.
Sem ser um trabalho tão genial como os dois anteriores, este "Images" enquadra-se num estilo hardbop da linha de Jackie Mclean (como o que a Blue Note costumava divulgar nos anos 50) que se ouve com o maior prazer e descontracção e que conta com alguns dos mais extraordinários solos de Sonny Red.

Sonny Red - Sonny Red (1971, Mainstream Records MRL324, USA)
Depois de um interregno de alguns anos, eis que surge um novo disco, com uma formação renovada e uma nova editora.
Para alguns historiadores de Jazz, este interregno deixava, de certa forma, antever a obscuridade em que Red e a sua carreira estavam na eminência de mergulhar, como consequência de alguma falta de objectivos e motivação No entanto, creio que essa antevisão estaria algo descontextualizada (não totalmente), como os resultados deste disco, iriam facilmente comprovar.

Neste trabalho, encontramos um som bastante diferente do que ouvimos até aqui, ficando a ideia de uma aparente ruptura com o passado, não só pela mudança de editora como pela renovação completa da formação (em relação à anterior): Sonny Red (flauta, saxofone alto e tenor), Cedar Walton (piano), Herbie Lewis (baixo), Billy Higgins (bateria, congas).
Uma das mais visíveis transformações foi, sem dúvida, a nova sonoridade introduzida pela flauta, mas não a única, já que o regressado Cedar Walton, através de uma "redobrada" sensibilidade, introduziu novas variações que resultaram num som mais liberto.
Dos 7 temas deste àlbum, 4 são originais da autoria de Sonny Red, que continuava a acreditar no poder das composições originais, em vez de simplesmente "agarrar" e modificar "standards" de jazz da época, que era uma fórmula muito em voga e dava aos seus executantes algumas garantias de sucesso. Sobressaem temas como "Love Song", "My Romance" e "Time for Love" onde a componente criativa é realçada.
Esta, talvez seja a mais diferente das obras de Sonny Red aqui analisadas e certamente a de maior dificuldade na sua interpretação, em virtude do som algo desconcertado e da marcação em contratempo (da secção rítmica) de algumas passagens.

Mais do que individualizar os seus trabalhos, a obra de Sonny Red, embora curta, vale como um todo e não deve ser desassociada de outros registos de comprovada relevância, quer através de colaborações pontuais, quer como "sideman" de nomes importantes da cena Jazz norte-americana.

Até Breve
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom 13 Jan - 21:12

Assim que acabar o jogo, já vou ler.

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