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 *Os menos badalados do JAZZ*

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 12:38



Trombone! Trombone! Trombone! bounce

lol!
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 13:58

Caros Amigos,
Dada a sugestão e interesse demonstrados, venho então dar inicio a uma série de breves crónicas sobre o aerofone da família dos metais, de nome Trombone.

Por ter um som mais grave do que o trompete (por exemplo), este instrumento é por vezes injustamente remetido para segundo plano. O facto da sua execução ser mais difícil (do que a maioria), também tem um impacto significativo no número de praticantes e músicos.
Espero que esta série de crónicas possa contribuir para uma imagem positiva bem como para um maior reconhecimento deste excelente instrumento.

Urbie Green - Green Power, 1971 - Project 3 Total Sound Stereo, 1971 USA (Original)
Podia ter iniciado está série com outro virtuoso do trombone, mas considero que, quer pela sua genialidade quer pela sua genuinidade este é o "trombonista" de referência do Jazz.

Consta que Urbie Green começou a tocar com apenas 12 anos de idade; e refiro-me mesmo a tocar (com músicos e bandas a sério) não apenas a praticar. Ainda nos anos quarenta, o jovem artista já tocava com músicos de renome, como é o caso de Gene Krupa ou da mística banda de Tommy Reynolds. Mais tarde, tocou com Benny Goodman e Count Basie (de 53 a 63) e em simultâneo lançou os primeiros trabalhos como leader.
A sua carreira é essencialmente longa em termos de tempo, mas não tanto em quantidade de trabalhos pois conta apenas com cerca de 20 LP's. Segundo sei, a sua carreira prolongou-se até finais dos anos 90 (nasceu em 1926 e creio que ainda se encontra vivo...).

Este trabalho - Green Power - de 1971 é completamente absorvente. Além de ter um excelente swing, tem uma musicalidade que reflecte as influências da época, mas não só ... Este disco é bastante diversificado, o que o torna extremamente apelativo. Podemos encontrar desde temas mais tradicionais até temas mais alternativos, que nos dão mostras de algum psicadelismo e de uma modernidade menos habitual na época. E a qualidade do som? Excepcional, ainda para mais vindo de uma editora pouco conhecida. Tanto a sonoridade como a qualidade de som, fazem-nos crer estarmos perante uma gravação dos nossos dias e com uma maior diversidade de recursos técnicos.

Urbie Green é essencialmente um músico de estúdio, não se conhecendo muitas gravações ao vivo do artista. Infelizmente e no meu caso, nem das outras (em estúdio) já que as suas obras além de serem difíceis de encontrar, são muitas vezes conotadas como raridades, fazendo disparar o seu preço consideravelmente.
Por isso, fica o meu apelo: Se tiverem discos deste senhor ... não hesitem em dá-los a conhecer e falar um pouco deles!

"America's greatest trombonist in a super-spectacular ... Green Power".


Por último, mas não menos importante, deixo-vos com uma foto da fonte que tem servido para reavivar a memória com estes discos geniais, enquanto preparo as crónicas respectivas. Este Clearaudio Emotion CMB com a Goldring 1012GX, tem estado à altura do acontecimento, principalmente depois de uma ligeira revisão e afinação, levada a cabo pela Audio Team.

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 21:48


Estive a ouvir no Youtube, gosto muito do tom dele, muito suave...

...obrigado por mais um bocadinho bem passado
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 22:09

Ulrich escreveu:

Estive a ouvir no Youtube, gosto muito do tom dele, muito suave...
...obrigado por mais um bocadinho bem passado

Já estive a ver! Uma capa diferente do Green Power ...

O homem toca que se farta
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 22:16

Mister W escreveu:
Ulrich escreveu:

Estive a ouvir no Youtube, gosto muito do tom dele, muito suave...
...obrigado por mais um bocadinho bem passado

Já estive a ver! Uma capa diferente do Green Power ...

O homem toca que se farta

gostei porque foi um registo diferente daquele que estou habituado, e é bom
ouvir Tunes diferentes para não formatar o ouvido
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 22:52

Ulrich escreveu:
Mister W escreveu:
Ulrich escreveu:

Estive a ouvir no Youtube, gosto muito do tom dele, muito suave...
...obrigado por mais um bocadinho bem passado

Já estive a ver! Uma capa diferente do Green Power ...

O homem toca que se farta

gostei porque foi um registo diferente daquele que estou habituado, e é bom
ouvir Tunes diferentes para não formatar o ouvido
É sempre bom conhecer novas sonoridades ...

Hoje estive a ouvir Rudy Smith que é um músico que toca um instrumento chamado Steel Drums e que tem uma som muito característico. Deves gostar.
https://www.youtube.com/watch?v=5FdR2XpuBqQ
https://www.youtube.com/watch?v=GPS8tcqJ-Hw&feature=related

O disco chama-se "Still Around" e aconselho-o vivamente pois tem uma qualidade de som arrepiante. A editora chama-se "S&P Records" e tem todo o aspecto de ser uma coisa caseira... contudo... só mesmo ouvir para crer!
Abraço
MrW
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 22:58

Mister W escreveu:
instrumento chamado Steel Drums e que tem uma som muito característico. Deves gostar.
https://www.youtube.com/watch?v=5FdR2XpuBqQ
https://www.youtube.com/watch?v=GPS8tcqJ-Hw&feature=related

Nem de propósito , hoje enviaram-me o link para um concerto de um grupo, bastante eclético, que desconhecia e que também tem esse instrumento

aqui fica:

https://www.youtube.com/watch?v=88P3Jsy95T8
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 23:37

Ainda não li nada nem vou ter tempo hoje, mas já estou ansioso.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 23:49

Ulrich escreveu:
Mister W escreveu:
instrumento chamado Steel Drums e que tem uma som muito característico. Deves gostar.
https://www.youtube.com/watch?v=5FdR2XpuBqQ
https://www.youtube.com/watch?v=GPS8tcqJ-Hw&feature=related
Nem de propósito , hoje enviaram-me o link para um concerto de um grupo, bastante eclético, que desconhecia e que também tem esse instrumento
aqui fica:
https://www.youtube.com/watch?v=88P3Jsy95T8
Muito bom, não só o Steel Drums mas também o banjo (ou bandolim?) electrificado... cheers

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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Out 13 2012, 20:41

Caros Audiomaniacos!
Cá estou eu ... num Sábado, a escrever mais uma crónica sobre trompetes... enfim, podia-me dar pra pior...
Mantendo a senda do trombone, trago-vos desta vez um nome que dificilmente poderíamos deixar de associar ao referido instrumento.
Apesar de no inicio da carreira ter experimentado outros instrumentos, desde muito cedo foi considerado um dos executantes de topo, de Trombone.
Nasceu em Kansas, em 1929 e apenas interrompeu a sua longa carreira no final do ano passado (Dezembro), quando foi vitima de um ataque cardíaco que o levou à morte enquanto dormia (menos mal!).
Como normalmente acontece com os predestinados, muitos são os nomes com quem tocou, colaborou e "arranjou" e que vão desde Stan Getz, Gerry Mulligan, Bil Evans, Gimmy Giuffre, Thad Jones e Mel Lewis, Jim Hall, Clark Terry, entre outros. No entanto, grande parte da sua carreira, decidiu passá-la em estúdio a fazer arranjos, tendo-se mesmo notabilizado nessa área, o que o levou igualmente a várias incursões pela música clássica.
Após uma fase de menor actividade nos anos 70, em que apenas desempenhou as funções de Director Artístico na banda de Mel Lewis, (pelos notáveis arranjos que desenvolvia) decidiu mudar-se para a Europa onde começou a compor e a gravar com alguma regularidade. Ficam umas breves notas sobre dois dos seus trabalhos:

Bob Brookmeyer - 7 X Wilder, 1961 (Verve) - Verve, USA (Original)
Este trabalho em geito de homenagem ao amigo e compositor Alec Wilder, dá-nos a conhecer a vertente mais tranquila e harmoniosa do trombone. Mas para além do trombone, Brookmeyer acompanha dois temas ao piano, o instumento com que se iniciou nas lides artísticas.
Mas este àlbum em termos de atractivos não se fica por aqui. A excelente secção ritmítica, constituída por Bill Crow (baixo), Mel Lewis (bateria) e Jim Hall (guitarra) concebe a esta obra um perfume que se infiltra suavemente ao longo dos 7 temas do mestre e talentoso compositor Alec Wilder.
A guitarra falante de Jim Hall é o complemento ideal para o trombone de Bookmeyer com quem parece dialogar. A quimica entre os dois é notável, como se pode testemunhar em "That's the Way it Goes". E a magia continua disco fora, como é o caso de "The Wrong Blues" e "I'll be Around".
O único tema da autoria de Brookmeyer é o tributo "Blues for Alec" escrito para o seu bom amigo.
Em suma, um excelente disco, embora bastante difícil de encontrar já que não se conhecem quaisquer re-edições do mesmo (nem em CD...).



Bob Brookmeyer, Kansas City Revisited, 1958 (High-Fidelity) - Pure Pleasure, USA 2011
Ao contrário do que acabámos de abordar, este trabalho tem uma sonoridade mais forte e vibrante (i.e., swing, coll-jazz ) e com uma formação mais extensa, ao jeito de uma (mini) orquestra de Count Basie. A saber:
Al Cohn (tenor sax), Paul Quinichette (tenor sax), Nat Pierce (piano), Jim Hall (guitar), Addison Farmer (bass), Osie Johnson (drums) e Big Miller (Vocals).
Neste trabalho com uma forte secção ritmíca, Brookmeyer dedica-se apenas ao Trombone, deixando o Piano a cargo de Nat Pierce. Para além da guitarra de Jim Hall por quem Brookmeyer parece manifestar uma preferência indiscutível, sobressaem ainda os dois saxofones, com um lugar de claro destaque.
Por fim, este disco serviu igualmente para lançar a carreira de Big Miller, que tem dois excelentes desempenhos, nos temas A Blues e Travlin' Light. A sua voz potente e profunda encaixa na perfeição com a sonoridade deste disco (e dos dois temas em particular) embora tenha que admitir alguma surpresas da primeira vez que ouví estre disco, essencialmente por não estar habituado a vocalizações nos trabalhos de Bob Brookmeyer.
Decerto que não é por isso (antes pelo contrário) que este registo de 1958 deixou de resultar num excelente Long Play. De igual modo, as re-edições desta obra não abundam, apesar de, contrariamente à anterior, esta ter sido assegurada em 2011 pela Pure Pleasure Analogue, pese embora o preço excessivo praticado nestas edições (pseudo) audiófilas ... e mais não digo ...
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Out 13 2012, 21:14



Obrigado Mister, não conhecia,

mais um bom teaser a promover o trombone
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Out 17 2012, 05:23

Finalmente li as duas ultimas crónicas do grande W . É fantástico que alguém tenha todo este trabalho para nos dar a conhecer os menos badalados e isto, com muito detalhe.
Fico já de orelhas no ar e não descanso enquanto não adquiri trabalhos destes dois senhores recomendados pelo W. Ainda por cima, acho que não tenho nenhum álbum em que o trombone seja o instrumento de destaque.

Obrigado por mais esta maravilha.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Out 17 2012, 10:34

Eu acho que tenho cá por casa um 7'' desse senhor Bob Brookmeyer
Tenho de investigar/procurar Wink
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Out 17 2012, 14:53

Fran escreveu:
Eu acho que tenho cá por casa um 7'' desse senhor Bob Brookmeyer
Tenho de investigar/procurar Wink


Então vê lá se tens, tira um chapa a isso, coloca no gira e diz à malta se o gajo sopra ou não sopra bem no trombone. cheers

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Out 17 2012, 16:26

António José da Silva escreveu:
Fran escreveu:
Eu acho que tenho cá por casa um 7'' desse senhor Bob Brookmeyer
Tenho de investigar/procurar Wink


Então vê lá se tens, tira um chapa a isso, coloca no gira e diz à malta se o gajo sopra ou não sopra bem no trombone. cheers
Ó cápa , mais logo a ver se o encontro ... se não o encontrar, é porque ainda está na casa da minha Mãe (era do meu Pai)
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Out 18 2012, 17:19


Apesar de não ter gravado muitos discos como leader, este excelente solista continua a gozar de uma reputação considerável no universo do Jazz, acima de tudo pela sua originalidade e forma exclusiva de improviso, onde constantemente acrescenta detalhes que caracterizam a sua sonoridade.
Iniciou a aprendizagem do trombone desde cedo (9 anos) e a sua longa carreira (profissional) teve inicio aos 15 anos de idade, permitindo-lhe contracenar com bandas e músicos como Roy Porter, Freedie Slack ou Woody Herman.
No entanto, o empurrão que o catapultou para voos mais altos, foi sem dúvida a sua passagem (aliás, passagens) pelas bandas de Charles Mingus, entre 1956 e 1964. Seguiram-se trabalhos com músicos de renome como Stan Kenton, Herbie Mann, Gill Evans, Benny Goodman, Thad/Mel Jones, para além dos excelentes contributos no Lee Konitz Nonet e por fim na "Dinastia" Mingus, na qual já havia participado anteriormente (por duas vezes).
Nos finais dos anos 90, foi-lhe diagnosticado Parkinsson o que fez progressivamente diminuir o ritmo das suas participações, até por fim sucumbir no ano de 2003. Fica o mais importante, a obra:

The Pepper-Knepper Quintet - Pepper Adams & Jimmy Knepper, 1958 (Metrojazz) - Jazz Wokshop, Spain 2001 (Mono)
O primeiro trabalho de que Vos dou conta, trata-se de uma colaboração com Pepper Adams e que teve recentemente uma excelente re-edição de 180gr. pela Jazz Workshop espanhola (pasme-se) e que sem ela, dificilmente teríamos oportunidade de ouvir este belo trabalho.
Esta feliz combinação com o conceituado Pepper Adams resulta num trabalho de muito bom gosto, para não falar (apenas) das reconhecidas qualidades técnicas dos dois artistas... O trombone de Knepper casa na perfeição com o saxofone baritono de Peper Adams, mas nota-se que existiu um aplicado trabalho de casa, tal é a harmonia e a excelente combinação entre os dois instrumentos.
Este álbum gravado em 1958 (NY), conta essencialmente com temas da época, de compositores como Joe Hendricks, Duke Ellington e L.Feather. Apenas dois temas são da autoria de Jimmy Knepper (Adams in the Apple e Primrose Path ambos no Lado2) e um de Pepper Adams (Beaubien). Possui uma excelente secção rítmica, a que Knepper já nos habituou, primando essencialmente pela qualidade em prol da quantidade.
Uma pequena nota para a re-edição da Jazz Workshop que, em boa altura, tive a sorte de adquirir, apesar de ter torcido o nariz quando reparei tratar-se de uma prensagem espanhola. De facto, assim não é, pois tudo neste disco foi concebido com o maior dos cuidados. Desde a capa (com um brilho nunca visto) até à qualidade sonora, que apesar de não ser de topo, é sem dúvida muito razoável e cumpre sem qualquer dúvida, com a sua obrigação primeira. Trata-se do 2º disco da carreira de Jimmy Knepper como leader e nem o facto da gravação datar de 1958, tem qualquer implicação negativa no seu resultado final.



Jimmy Knepper - Primrose Path, 1980 (Hep) - Hep, UK 2012
Excelente trabalho re-editado recentemente pela britânica HEP Records, caracteriza-se essencialmente por um registo calmo e agradável, a que os interessados por um Jazz mais alternativo, não hesitarão em aderir. Com um excelente ritmo (Cool, Hard Bob...) que demarca uma fronteira para os excelentes solos de Jimmy Knepper, este disco conta igualmente com outra(s) fantástica(s) contribuição na pele do pianista Pete Jacobsen, a quem é atribuído um claro protagonismo, evidenciado pelo excelente desempenho a solo no tema da sua autoria (3º Lado A) e que por momentos nos faz esquecer estarmos perante um disco de um conceituado músico de trombone.
No entanto, tudo volta à "normalidade" no lado B e Jimmy Knepper continua a brindar-nos com a sua excelente técnica nas várias interpretações solistas, de um instrumento conhecido pelo seu som grave, mas que o Senhor Knepper consegue facilmente transformar através da suave e harmoniosa sequência de notas, executadas com a maior mestria.
São igualmente de salientar os desempenhos no Saxofone Tenor, de Bobby Wellins, no baixo de Dave Green e na Bateria de Ron Parry. O disco termina com um som mais movimentado, com Round About Midnight de Thelonious Monk e Latterday Saint do próprio Jimmy Knepper, mantendo sempre o excelente nível ao longo de toda a obra.
Gravado em Londers no ano de 1980, este é um trabalho fundamental na curta carreira de Knepper, como Leader.



Por agora é tudo, embora possa adiantar que esta incursão pelo Trombone no Jazz não vai ficar por aqui. Creio que não seria, minimamente justo e coerente, deixar de fora alguns nomes, que são imprescindíveis quando se analisa esta vertente do Jazz.
Posto isto, fiquem bem, na companhia de bons discos e não só...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Out 18 2012, 19:17

António José da Silva escreveu:
Fran escreveu:
Eu acho que tenho cá por casa um 7'' desse senhor Bob Brookmeyer
Tenho de investigar/procurar Wink


Então vê lá se tens, tira um chapa a isso, coloca no gira e diz à malta se o gajo sopra ou não sopra bem no trombone. cheers
Como o prometido, é devido, então aqui vai ... ainda não o ouvi Embarassed

Comprado pelo meu Pai em 1963 (edição UK), Bob Brookmeyer Quartet, numa gravação de 30 de Junho de 1955, com :

Jimmy Raney - guitar
Teddy Kotick - bass
Mel Lewis - drums


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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Out 18 2012, 19:19

Fran escreveu:
António José da Silva escreveu:
Fran escreveu:
Eu acho que tenho cá por casa um 7'' desse senhor Bob Brookmeyer
Tenho de investigar/procurar Wink


Então vê lá se tens, tira um chapa a isso, coloca no gira e diz à malta se o gajo sopra ou não sopra bem no trombone. cheers
Como o prometido, é devido, então aqui vai ... ainda não o ouvi Embarassed

Comprado pelo meu Pai em 1963 (edição UK), Bob Brookmeyer Quartet, numa gravação de 30 de Junho de 1955, com :

Jimmy Raney - guitar
Teddy Kotick - bass
Mel Lewis - drums







E o que esperas para ouvir isso?

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Out 18 2012, 19:25

António José da Silva escreveu:
... E o que esperas para ouvir isso?
Não sejas guloso lol!
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Out 18 2012, 22:31

Fran escreveu:
António José da Silva escreveu:
... E o que esperas para ouvir isso?
Não sejas guloso lol!

Fantástico! Um 7" original e aparenta estar em bom estado! Surprised
O baterista é o grande Mel Lewis e também tem uma guitarra na formação, que é algo de que Brookmeyer não prescinde (e com razão pois casa bem com o trombone).

Venha daí essa opinião sobre essa raridade... Very Happy
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Out 18 2012, 23:36

Mister W escreveu:
o grande Mel Lewis


Que liderou durante muitos anos a banda residente do Village Vanguard e do qual tenho um excelente álbum.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qui Out 18 2012, 23:47

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:
o grande Mel Lewis


Que liderou durante muitos anos a banda residente do Village Vanguard e do qual tenho um excelente álbum.
E qual é esse àlbum? confused


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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Out 19 2012, 00:19

Mister W escreveu:

E qual é esse àlbum? confused







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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Out 19 2012, 02:23

Esse não conheço. Deve ser um excelente disco pelo que fica, desde já, na minha longa e utópica "wish list"...

É curioso como os músicos dos anos 50, 60 e por aí (principalmente de Jazz) entravam em vários projectos em simultâneo e faziam inúmeras participações ao longo da sua carreira (o que lhes dava um grande estofo como músicos). E o caso de Mel Lewis certamente não é diferente pois para além de ter tocado em parceria com Thad Jones (vários anos) e de ter liderado a banda residente do Village Vanguard (pelos vistos mais de 20 anos) participou também em inúmeros outros trabalhos. Muitas das participações não tinham qualquer recompensa financeira e destinavam-se a promover outros músicos/amigos ou simplesmente não tinham qualquer objectivo, para além do puro prazer que a música lhes proporcionava. É por isso que esta época é tão fascinante e fértil em talentos e registos.



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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Out 19 2012, 03:39

Depois de ler mais uma excelente crónica de um menos badalado, vi-me impelido a comprar o álbum The Pepper-Knepper Quintet. Primeiro porque não tenho nada onde o trombone seja o instrumento principal (ou neste caso, paralelo com o sax de Adams), segundo pela magnifica exposição que o amigo W fez do álbum, e terceiro, porque tenho várias edições da JazzWorkshop e todas elas são excelentes. (Um deles é Pepper Adams a tocar as musicas de Mingus). A outra razão foi o preço que não foi mau de todo.

Mais uma vez, thanks Mister W for an excellent Encyclopaedia of the less"belled". lol!

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sex Out 19 2012, 08:46

António José da Silva escreveu:
Depois de ler mais uma excelente crónica de um menos badalado, vi-me impelido a comprar o álbum The Pepper-Knepper Quintet. Primeiro porque não tenho nada onde o trombone seja o instrumento principal (ou neste caso, paralelo com o sax de Adams), segundo pela magnifica exposição que o amigo W fez do álbum, e terceiro, porque tenho várias edições da JazzWorkshop e todas elas são excelentes. (Um deles é Pepper Adams a tocar as musicas de Mingus). A outra razão foi o preço que não foi mau de todo.

Mais uma vez, thanks Mister W for an excellent Encyclopaedia of the less"belled". lol!
Esse é daqueles que vai brilhar sempre que o colocares a rodar! sunny


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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Out 20 2012, 16:04

Estive hoje a ouvir este álbum, e só posso dizer que é absolutamente divinal.

Stan Getz / Bob Brookmeyer - Recorded Fall 1961


O grande W já é responsável de eu me ter tornado fã tanto do artista, como do instrumento por ele tocado. O trombone de Bob Brookmeyer é algo que só mesmo ouvindo.




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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Out 20 2012, 16:37

António José da Silva escreveu:
Estive hoje a ouvir este álbum, e só posso dizer que é absolutamente divinal.

Stan Getz / Bob Brookmeyer - Recorded Fall 1961

O grande W já é responsável de eu me ter tornado fã tanto do artista, como do instrumento por ele tocado. O trombone de Bob Brookmeyer é algo que só mesmo ouvindo.



Esse disco é maravilhoso! O Stan Getz e o Brookmeyer fazem uma "parelha" espantosa!

Infelizmente, só tenho esse em CD* ...
Muito bom mesmo, Parabéns! Wink

*É evidente que preferia ter esta fantástica obra em LP, mas convém salientar que o CD é da "Verve Master Edition" (High-res, 24Bit, 96KHz) pelo que a qualidade é muito boa... à semelhança de um outro da mesma série, o conceituado "Focus" do Stan Getz com Eddie Sauter. Nem parecem CDs! Laughing

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Out 20 2012, 16:39

O que estou a ouvir aqui no UK é um Flicflac.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Out 20 2012, 16:43

António José da Silva escreveu:
O que estou a ouvir aqui no UK é um Flicflac.

Seu grande malandro!

Nesse caso, Viva o CD!
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Out 20 2012, 16:46

Mister W escreveu:


Nesse caso, Viva o CD!


Olha que não sei não.

Mas é nisto que o digital é bom, descarrega-se, ouve-se, e depois compra-se o "the real thing".

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Out 20 2012, 16:48

António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:


Nesse caso, Viva o CD!


Olha que não sei não.

Mas é nisto que o digital é bom, descarrega-se, ouve-se, e depois compra-se o "the real thing".

Concordo a 100%
Quantos mais downloads faço, e conheço novas obras, mais LP's compro...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Out 20 2012, 19:22

chicosta escreveu:
António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:


Nesse caso, Viva o CD!


Olha que não sei não.

Mas é nisto que o digital é bom, descarrega-se, ouve-se, e depois compra-se o "the real thing".

Concordo a 100%
Quantos mais downloads faço, e conheço novas obras, mais LP's compro...

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Out 20 2012, 19:25

chicosta escreveu:
António José da Silva escreveu:
Mister W escreveu:


Nesse caso, Viva o CD!


Olha que não sei não.

Mas é nisto que o digital é bom, descarrega-se, ouve-se, e depois compra-se o "the real thing".

Concordo a 100%
Quantos mais downloads faço, e conheço novas obras, mais LP's compro...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Out 22 2012, 02:00

Pela calada da noite, aqui estou eu para incluir mais dois trabalhos à já longa série sobre o Trombone no Jazz.
Espero que gostem...

The Detroit Four - Cadillac and Mack - East World, Japan 1978 (Original)
Em vez de uma banda liderada por um trombonista, trago-vos desta vez um formato um pouco diferente, já que se trata de um Quarteto com piano, baixo, bateria e trombone, em vez do habitual saxofone ou trompete. Apesar do leader desta formação (se é que existe um) ser o conceituado pianista Barry Harris, o trombone a cargo de Charles Greenlee, assume um protagonismo de primeira linha pela sua criatividade e acima de tudo, pela sua sonoridade desconcertante. O seu desempenho em contra-tempo, poderá parecer aos menos atentos, que existe algum desacerto ou desafinação, mas ao invés, esta técnica confere à sonoridade desta formação uma originalidade e requinte únicos.

Convêm referir, com pena minha, que esta é uma "one time band" que se reuniu exclusivamente para gravar este trabalho. Alguns destes músicos, provavelmente no fim das suas carreiras, demonstram uma tranquilidade e descontracção de quem se encontra de bem com a vida e quer usufruir ao máximo, o que claramente se reflecte ao longo deste excelente disco. Os quatro amigos desempenham com paixão os cinco temas deste trabalho, três dos quais pertencem a Charlie Parker, J.J. Johnson, Roy Brooks e Nicholas Brodszky sendo o restante da autoria do próprio trombonista Charles Greenlee.

Uma última referência vai para a qualidade deste disco. Embora no final dos anos 70 ainda não se falasse (que eu saiba) em discos audiófilos, existe uma curiosa alusão a "Soundphile Series Direct Disk" da qual faz parte este obra. Fora do normal é igualmente o facto deste disco apresentar dois "inserts" no seu interior. Um com a informação do álbum e dos temas (em japonês...). O outro, da autoria da Toshiba-EMI, faz uma descrição detalhada q.b. (em inglês) sobre a tecnologia e o equipamento utilizado na criação desta obra prima do vinil (Direct Disks and the search for Pure Sound) incluindo alguns organigramas sobre "Tape Recording" e "Direct-Cut Recording". O proprietário (Toshiba-EMI) vai ao ponto de fazer recomendações sobre a manutenção do disco (Precautions to take in order to get the most enjoyment from your direct-cut disks). No meio de tantos preciosismos e de tamanha elaboração técnica, podíamos pensar que o custo do disco seria altamente inflaccionado, mas (mais uma vez surpreendentemente) não é o caso. Este disco consegue-se com relativa facilidade e a um preço bastante razoável. Por tudo isso, mas acima de tudo pelo enriquecimento que certamente irá conferir à mais completa das colecções, não posso deixar de recomendar este projecto dos Quatro de Detroit.



Grachan Moncur III - Evolution, 1963 (Blue Note) - Blue Note/Heavenly Sweetness, USA 2009
Apesar de já se ter falado sobre este disco algumas vezes, não o poderia deixar de fora desta série de crónicas sobre o Trombone no Jazz.

Filho do baixista Grachan Moncur II (1937-1945), Grachan Moncur III foi um dos primeiros trombonistas a explorar o Free-Jazz.
Este trabalho, Evolution de 1963, marca o seu primeiro trabalho como leader, apesar da sua carreira se ter iniciado anos antes, com colaborações em trabalhos que vão desde Ray Charles, Jackie McLean, Sonny Rollins, Joe Henderson e Archie Shepp entre outros. Mais recentemente trabalhou com Frank Lowe (1984), Cassandra Wilson (1985) e The Paris Reunion Band. Desde há muito que intercalou a sua carreira de músico com o ensino e o último álbum que se lhe conhece data de 2007.

Os seus trabalhos pela Blue Note (Evolution de 63 e Some Other Stuff de 64) são aclamados de forma unanime como as suas principais obras, pois para além de constituirem uma lufada de ar fresco na cena Jazzística de então, tiveram a participação de músicos de topo como Jackie McLean, Lee Morgan, Bobby Hutcherson e Herbie Hancock e Wayne Shorter (em 1964).

Os quatro temas que compõem esta obra (Evolution) transportam-nos para uma sonoridade exclusiva, de outro mundo, onde somos confrontados com um som sinistro a que se juntam umas pinceladas de um psicadelismo pouco habitial no Jazz de então.
Este disco é único no que à inovação concerne e o desempenho de todos quantos nele colaboraram, é um factor extra, mais do que suficiente, para que conste da lista de preferências dos amantes de Avant-Guarde/Free Jazz ou simplesmente de Jazz.

Um destes dias, enquanto escutava este disco, tentei abstrair-me por completo do seu autor, dos músicos e de tudo o resto, com o objectivo de tentar identificar alguma semelhança ou influência de algo ou de alguém. Pois bem, a única coisa que me foi mentalmente sugerida foram as bandas sonoras dos filmes de Hitchcook e pensando melhor, até que não são assim tão distantes...

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Out 22 2012, 23:38

Está tudo menos esquecido, ainda vou ler.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 23 2012, 10:02

Estive a ler atentamente a tua ultima crónica ao som de Grachan Moncur III - Some Other Stuff, e não posso deixar de concordar contigo. Um som bastante particular e "dark" a pender para o free, contudo sem ser demasiado "deviant", em minha opinião. Como sempre acontece nos artistas com tendências para o Free, também aqui a norma se mantém. O domínio sobre o instrumento é total e sublime. Fantástico mesmo.

Quanto aos The Detroit Four é-me impossível de opinar, mas fica já decidido unilateralmente lol! que me vais emprestar essa maravilha sónica/musical antes de eu cometer a (mais esta) loucura de adquirir este LP.

E como sempre, não posso deixar de agradecer em nome do AAP e dos seus membros, este tópico que serve e de que maneira para enriquecer o nosso fórum.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 23 2012, 10:26

António José da Silva escreveu:
Estive a ler atentamente a tua ultima crónica ao som de Grachan Moncur III - Some Other Stuff, e não posso deixar de concordar contigo. Um som bastante particular e "dark" a pender para o free, contudo sem ser demasiado "deviant", em minha opinião. Como sempre acontece nos artistas com tendências para o Free, também aqui a norma se mantém. O domínio sobre o instrumento é total e sublime. Fantástico mesmo.

Quanto aos The Detroit Four é-me impossível de opinar, mas fica já decidido unilateralmente lol! que me vais emprestar essa maravilha sónica/musical antes de eu cometer a (mais esta) loucura de adquirir este LP.

E como sempre, não posso deixar de agradecer em nome do AAP e dos seus membros, este tópico que serve e de que maneira para enriquecer o nosso fórum.

Também andas nos downloads para seleção daquilo a comprar?
Tenho ouvido a tua sugestão Stan Getz / Bob Brookmeyer, é brutal! Muito bom mesmo!
Esse Gracham Moncur também é muito bom assim como todas as sugestões que tenho seguido do nosso Mister Jazz!!!
Nos últimos tempos têm sido tantos e tão bons os downloads de 'coisas' novas que quase só tenho ouvido FLAC's...


O problema é que me estão a dar umas comichões e tou mesmo a ver no fim do mês, vou às compras...

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 23 2012, 10:34

António José da Silva escreveu:
Estive a ler atentamente a tua ultima crónica ao som de Grachan Moncur III - Some Other Stuff, e não posso deixar de concordar contigo. Um som bastante particular e "dark" a pender para o free, contudo sem ser demasiado "deviant", em minha opinião. Como sempre acontece nos artistas com tendências para o Free, também aqui a norma se mantém. O domínio sobre o instrumento é total e sublime. Fantástico mesmo.

Quanto aos The Detroit Four é-me impossível de opinar, mas fica já decidido unilateralmente lol! que me vais emprestar essa maravilha sónica/musical antes de eu cometer a (mais esta) loucura de adquirir este LP.
E como sempre, não posso deixar de agradecer em nome do AAP e dos seus membros, este tópico que serve e de que maneira para enriquecer o nosso fórum.

António,
Agradeço mais uma vez as tuas simpáticas palavras.

Quanto ao Some Other Stuff, não conheço com pena minha, mas deve andar na linha do Evolution, pois os dois trabalhos estão apenas separados por um ano... apesar desse ter a participação de peso do Herbie Hancock e do Wayne Shorter.

Em relação à tua decisão unilateral, estás completamente à vontade! As "únicas" decisões unilaterais que me custam são aquelas que o nosso Governo insiste em tomar.pale

Abraço
MrW

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Out 28 2012, 11:32

Mister W escreveu:

Um destes dias, enquanto escutava este disco, tentei abstrair-me por completo do seu autor, dos músicos e de tudo o resto, com o objectivo de tentar identificar alguma semelhança ou influência de algo ou de alguém. Pois bem, a única coisa que me foi mentalmente sugerida foram as bandas sonoras dos filmes de Hitchcook e pensando melhor, até que não são assim tão distantes...

mais uma vez...

...de facto este álbum só ouvindo, é tão vanguardista e tão bem tocado que me dá a impressão que é A obra de autor.

É inovador sem ser demasiado desconexo, e as composições são todas dele.

Não é um álbum fácil mas é uma obra para ir digerindo ao longo da nossa evolução musical Wink
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Out 29 2012, 23:17

Ulrich escreveu:
Mister W escreveu:

Um destes dias, enquanto escutava este disco, tentei abstrair-me por completo do seu autor, dos músicos e de tudo o resto, com o objectivo de tentar identificar alguma semelhança ou influência de algo ou de alguém. Pois bem, a única coisa que me foi mentalmente sugerida foram as bandas sonoras dos filmes de Hitchcook e pensando melhor, até que não são assim tão distantes...

mais uma vez...

...de facto este álbum só ouvindo, é tão vanguardista e tão bem tocado que me dá a impressão que é A obra de autor.
É inovador sem ser demasiado desconexo, e as composições são todas dele.
Não é um álbum fácil mas é uma obra para ir digerindo ao longo da nossa evolução musical Wink

Amigo Ulrich,

Não sei se o Evolution será o melhor, mas é certamente a obra que teve mais exposição, caso contrário a Blue Note não apostaria na sua recente re-edição. O Some Other Stuff é igualmente bem cotado mas infelizmente nunca tive a oportunidade de o ouvir... É uma das prioridades da minha Wish List, mas a coisa não está fácil... pois apenas existiu uma re-edição com um número reduzido de unidades. O original, esse poderá custar entre os $50 e os $100.

Tenho outros dois álbuns dele (da famosa colecção francesa da BYG Actuel) e são igualmente muito bons. O Evolution teve mais impacto porque foi o primeiro a dar a conhecer uma sonoridade bastante inovadora ...

Infelizmente a carreira do artista (apesar de ainda durar) é bastante curta e o número de obras muito reduzido (menos de 10 certamente). Temos que nos contentar com o pouco que temos, que neste caso é mesmo muito, tal é a qualidade da obra em questão.

Abraço
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Out 29 2012, 23:26

Mister W escreveu:
Ulrich escreveu:
Mister W escreveu:

Um destes dias, enquanto escutava este disco, tentei abstrair-me por completo do seu autor, dos músicos e de tudo o resto, com o objectivo de tentar identificar alguma semelhança ou influência de algo ou de alguém. Pois bem, a única coisa que me foi mentalmente sugerida foram as bandas sonoras dos filmes de Hitchcook e pensando melhor, até que não são assim tão distantes...

mais uma vez...

...de facto este álbum só ouvindo, é tão vanguardista e tão bem tocado que me dá a impressão que é A obra de autor.
É inovador sem ser demasiado desconexo, e as composições são todas dele.
Não é um álbum fácil mas é uma obra para ir digerindo ao longo da nossa evolução musical Wink

Amigo Ulrich,

Não sei se o Evolution será o melhor, mas é certamente a obra que teve mais exposição, caso contrário a Blue Note não apostaria na sua recente re-edição. O Some Other Stuff é igualmente bem cotado mas infelizmente nunca tive a oportunidade de o ouvir... É uma das prioridades da minha Wish List, mas a coisa não está fácil... pois apenas existiu uma re-edição com um número reduzido de unidades. O original, esse poderá custar entre os $50 e os $100.

Tenho outros dois álbuns dele (da famosa colecção francesa da BYG Actuel) e são igualmente muito bons. O Evolution teve mais impacto porque foi o primeiro a dar a conhecer uma sonoridade bastante inovadora ...

Infelizmente a carreira do artista (apesar de ainda durar) é bastante curta e o número de obras muito reduzido (menos de 10 certamente). Temos que nos contentar com o pouco que temos, que neste caso é mesmo muito, tal é a qualidade da obra em questão.

Abraço

é sempre bastante proveitoso trocar impressões contigo, thanks
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Out 29 2012, 23:34

Ulrich escreveu:


é sempre bastante proveitoso trocar impressões contigo, thanks



Eu já nem troco impressões, limito-me a absorver a escrita do grande W.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 30 2012, 22:44

Meus Amigos,

Podem ficar descansados que esta minha incursão pelo trombone no Jazz está quase a chegar ao fim. No entanto, falta-nos, quanto a mim, abordar aquele que foi um dos principais impulsionadores e mais originais trompetistas dos anos 50 (fins) e 60. É certo que outros poderíam ser incluidos nesta crónica (ex: J.J. Johnson, Frank Rosalino ou Kai Winding) mas correriamos o risco de nos alongar demasiado. Numa 2ª volta (se existir) voltaremos a eles.

Desta vez vamos falar de Curtis Fuller, cuja imensa dedicação ao Jazz e ao trombone se confunde com o seu próprio ser.
Depois de terminado o seu curso Universitário de música, Curtis Fuller ingressou na Banda Militar, o que lhe permitiu, desde cedo, desenvolver as suas imensas capacidades.
Cumprido o serviço militar, Fuller trabalhou inicialmente em Detroit com Kenny Burrell e Yusef Lateef mas passado uns tempos mudou-se para Nova Yorque à procura de novos projectos e desafios.
A partir daí, a sua carreira progrediu de uma forma consistente e objectiva, fazendo-se sempre acompanhar dos melhores.

Chegou a ser membro (colaborante) do agrupamento The Jazztet com Benny Golson e Art Farmer. Tocou nos Jazz Messengers de Art Blakey. Participou na tornée europeia da Dizzie Gillespie Big Band em 68, seguindo-se mais algumas sessões em New York.
No inicio dos anos 70, aventurou-se numa banda com uma sonoridade mais virada para a electrónica, com o guitarrista Bill Washer e Stanley Clarke, tendo editado o álbum Crankin'.
Integrou as Tornées de Count Basie de 1975 a 1977...
... e muito mais, que dificilmente conseguiríamos descrever neste espaço.

Grande carreira a do Senhor Fuller e segundo julgo saber, ainda continua nos dias de hoje. Pena é que a grande maioria dos seus mais recentes trabalhos (creio que a partir de 1990), tenham apenas conhecido um formato, o CD.
Fica no entanto a esperança que alguma editora se digne, em breve, a dar-lhes um formato mais digno.

Curtis Fuller - The Opener, 1957 (Blue Note) - Blue Note, Japan - 1983
Este seu primeiro trabalho para a Blue Note acontece em 1957, depois de ter iniciado, dois anos antes, a sua carreira como leader. Juntamente com Blues-ette de 1959, este é um dos discos do artista mais aclamados (pela critíca e não só).
Depois de ouvirmos este trabalho, facilmente nos apercebemos do motivo pelo qual a Blue Note se apressou a contratrar este excelente músico, que nesta fase já apresentava uma expeciência considerável e uma vasto curriculum, obtido quer ao serviço de nomes com algum relevo na cena Jazz de então, quer pelos seus registos anteriores como leader.

Este disco é interpretado por um Quinteto de respeito, pese embora os seus constituintes, não tivessem ainda o reconhecimento que mais tarde viriam a obter. São eles: Hank Mobley (Saxofone), Bobby Timmons (Piano), Paul Chambers (Baixo) e Art Taylor (Bateria). Fazem parte deste disco os três standards: "A Lovely Way to Spend an Evening", "Here's to My Lady" e "Soon", e três temas originais (dois da autoria de Curtis Fuller e um de Oscar Pettiford.

O desempenho de Curtis Fuller é deveras impressionante ao longo dos 6 temas. O seu som é quente e apaixonante em todas as suas formas e formatos e não apenas nas baladas (embora "A Lovely Way to Spend an Evening" seja o reflexo máximo da sua sedução). Os seus músicos são igualmente fundamentais neste disco. Hank Mobley, Bobby Timmons e seus team mates, chamam para sí uma parte considerável dos louros atribuidos a esta obra. Com toda a justiça, refira-se.
Curtis Fuller não rejeita o estilo reinante da época - o Hard Bop - mas ao invés integra-se nele de corpo e alma, mas com uma roupagem nova e uma sempre inovadora forma de estar. A sua originalidade foi, quanto a mim, a valência que o tornou um dos mais distintos e conceituados trombonistas de todos os tempos... e nesta obra pode-se atestar do seu real valor. Embora ainda estivesse no inicio da carreira como leader, já contava com uma experiência invulgar.


Curtis Fuller - Blues-Ette, 1959 (Savoy) - 52n Street Records, 2009
Posso afirmar com um grau elevado de certeza, que este é o álbum mais popular de Curtis Fuller e "Five Spot After Dark" o seu tema mais conhecido (ver video no final).
As suas diversas re-edições (algumas bem recentes) decerto que vulgarizaram um pouco este trabalho mas também ajudaram a cimentar o reconhecimento entre os maiores Clássicos do Jazz.

O som ritmado e relaxante é altamente contagiante e parece incutir um estado de bem-estar a todos os que nele se integram. A secção rítmica, irrepreensível, leva-nos (mesmo de forma inconsciente) a bater o pé ao longo de todo o disco. Os vários instrumentos têm uma sonoridade cristalina e apesar de distinguirem claramente uns dos outros, combinam de uma forma notável e com uma cumplicidade que transparece ao longo de todo o disco. A mestria de Benny Golson começa a tornar-se umas das preferências de Curtis Fuller e uma presença constante nos seus trabalhos. Jimmy Garrison e Al Harewood fazem uma dupla pendular na fundamental secção rítmica e Tommy Flannagan contribuí igualmente para a última, mas apresenta-se também ao seu melhor nível e com excelentes interpretações a solo.

Este é sem dúvida um álbum único, que merece estar junto dos maiores Clássicos de Jazz de sempre.
A não perder.


Curtis Fuller - Imagination, 1959 (Savoy) - Savoy, France
Apesar de ser um dos mais clássicos trabalhos de Curtis Fuller, dentro de uma vertente Hard-Bop com mais Swing, este disco é tocado de forma exemplar, já que conta com alguns dos melhores músicos da época.
Entre eles, constam: dois dos elementos que mais tarde viriam a formar os lendários Jazztet com Art Farmer: Benny Golson e McCoy Tyner, bem como, o não menos referenciado Thad Jones (trompete), complementados na secção rítmica por Jimmy Garisson e Dave Bailey (baixo e bateria).
A imprensa especializada, apontava Curtis Fuller, Thad Jones e Benny Golson como os principais talentos (imergentes) do Jazz do momento e atribuía-lhes algumas das inovações que perspectivavam um re-juvenescimento deste estilo musical e desta forma de estar.

Apesar do papel principal estar naturalmente destinado a Curtis Fuller - pelo sucesso que gozava na altura, devido à sonoridade inovadora que ousara apresentar com o seu trombone - também o papel de Benny Golson (saxofone tenor) constitui um dos principais motivos para o excelente resultado final desta obra. O seu desempenho, os seus solos e a sua parceria com Fuller, constituem sem qualquer dúvida, uma das grandes mais-valias desta obra.
Dos 5 temas deste trabalho, 3 são da autoria de Curtis Fuller, sendo igualmente de assinalar os arranjos respectivos.

Esta prensagem Francesa da Savoy, leva-me a suspeitar tratar-se de um original desta obra(!), pese embora o seu excelente estado de conservação e o facto da capa ser diferente da edição Norte-Americana. Seja como for, trata-se de uma belíssima edição (de 180 ou 200 gramas) que mantém intactas todas as suas qualidades originais.



Curtis Fuller - The Magnificient Trombone of Curtis Fuller, 1961 (EPIC) - EPIC/Stereorama, USA
O crítico de música Mike Berniker escreveu um dia, algo assim: "Determinados instrumentos como o Trompete e o Trombone, podem facilmente soar agressivos e frios nas mão de músicos inexperientes. Curtis Fuller é daqueles músicos soberbos que tem a capacidade de gerar um som quente e envolvente, através da sua entrega pessoal e do felling que aplica nas suas actuações...".
E é basicamente isto que acontece neste excelente trabalho lançado em 61. Um pouco à semelhança do The Opener, também este disco inclui um número considerável de baladas, pontualmente intercaladas com temas de um Hard-Bop mais tradicional mas igualmente envolvente. Este trabalho transborda requinte e bom gosto. A sonoridade nasalada do trombone de Fuller consegue deixar-nos a flutuar ... completamente nas nuvens (...e estou completamente sóbrio...).
Pode não ser o mais aclamado trabalho de Curtis Fuller, mas para mim está entre os melhores. Também à semelhança do "The Opener", apenas dois temas (num total de seis) são da autoria de Fuller e no que respeita à formação que teve o privilégio de participar nesta magnifica obra, foi alvo de um criteriosa selecção. Desde o lendário Les Spann (guitarra), passando por Walter Bishop Jr. (piano) e por Stu Martin (bateria). Os dois baixistas convidados são Jimmy Garrison e Buddy Cattlett.
Se procuram um disco contagiante, não hesitem em levar este pra casa ...


Curtis Fuller - Four on the Outside, 1978 (Timeless) - SoJazz, Portugal - 1978
Este é um album bastante mais ligeiro e descontraído do que os demais (aqui abordados), em que sobressai claramente o gozo e o divertimento dos seus executantes, durante toda a sua concepção.

A linha da frente deste trabalho é constituída por uma cumplicidade contagiante entre Curtis Fuller e Peper Adams. Os dois músicos parecem fazer jogos e disputas entre si. Nota-se claramente uma sinergia inesgotável entre dois dos mais geniais instrumentistas de sempre.
Esta pouco natural, combinação Trombone/Saxofone Barítono resulta na perfeição, ou será antes a enorme genialidade e cumplicidade entre os músicos que a faz resultar?!

Os restantes músicos, sem serem nomes sonantes da cena Jazz de então (ver capa), desempenham da melhor forma o seu papel, numa secção rítmica vibrante, mas sem nunca limitar a acção dos metais, ou seja, dos artistas principais. Além disso, nota-se neste disco uma maior atenção ao detalhe (sinal dos tempos) e um maior cuidado com os efeitos de percussão e outros sons ambientais, que sem dúvida ajudam a enriquecer o resultado final deste excelente trabalho.

Uma nota final para a qualidade desta prensagem, a qual só nos apercebemos tratar-se de uma edição Nacional depois de reparar-mos no "Fabricado em Portugal". Sem dúvida, uma das boas edições nacionais.
Recomenda-se.



Para terminar, para os que não conhecem a sonoridade de um trombone tocado com mestria, fica um excerto em video do emblemático "Five Spot After Dark".

https://www.youtube.com/watch?v=_BlHRPXPx-4

Apesar de longa, espero que tenham gostado desta crónica (certamente a mais completa).

Até Breve
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 30 2012, 23:18



Lá vou eu outra vez para a tentação do DISCOGS ...


...vou deixar de vir aqui





brincadeira claro lol!


muito bom
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Out 31 2012, 09:26

Mais um excelente exemplo da arte de bem escrever e transmitir ideias e sentimentos. Cada uma das tua crónicas é um homenagem ás obras que vais enumerando neste que considero um dos melhores tópicos sobre Jazz da nossa net nacional. Isto está a ficar seriamente bom.
Mais um nome a reter e a considerar para futuras aquisições.
A reedição do Blues ette é de qualidade razoável que mereça ser considerada?

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Out 31 2012, 12:37

Ulrich escreveu:

Lá vou eu outra vez para a tentação do DISCOGS ...
...vou deixar de vir aqui
brincadeira claro lol!
muito bom
Ulrich,
Desejo-te boa sorte!
As re-edições do Blues-ette e do Imagination, bem como o original do Four On the Outside deves conseguir arranjar com alguma facilidade e a preços razoáeis.
Quanto ao restantes não tenho tanta certeza que o Discogs seja o sitio certo...
Há pouco tempo ví lá a edição Original do Imagination (igual à minha) e estavam a pedir a módica quantia de 100US$. (Não fazia ideia que pudesse valer tanto...).
Abraço
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Out 31 2012, 12:45

António José da Silva escreveu:
Mais um excelente exemplo da arte de bem escrever e transmitir ideias e sentimentos. Cada uma das tua crónicas é um homenagem ás obras que vais enumerando neste que considero um dos melhores tópicos sobre Jazz da nossa net nacional. Isto está a ficar seriamente bom.
Mais um nome a reter e a considerar para futuras aquisições.
A reedição do Blues ette é de qualidade razoável que mereça ser considerada?
António,
Antes de mais agradeço as tuas palavras e tamanha simpatia...

Quanto à re-edição do Blues ette, acho-a bastante razoável até. Conheces a 52nd Street Records ? Diria que a qualidade é a normal, a que a editora nos tem habituado...
Se não quiseres arriscar, posso emprestar-te a minha cópia, para uma audição mais cuidada.
Abraços
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Qua Out 31 2012, 12:57

Mister W escreveu:


Quanto ao restantes não tenho tanta certeza que o Discogs seja o sitio certo...
Há pouco tempo ví lá a edição Original do Imagination (igual à minha) e estavam a pedir a módica quantia de 100US$. (Não fazia ideia que pudesse valer tanto...).
Abraço

de facto tens razão , não é o melhor sítio, por um lado ainda bem pale ...


lol!

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Nov 11 2012, 16:16

Pois bem, desta vez trago-vos um pianista que espero seja o primeiro de muitos, ou pelo menos de alguns, pois como decerto saberão, os pianistas no Jazz são mais que muitos...

Apesar de ter nascido (1928) e de ter iniciado a sua carreira em Nova Iorque (1928) Kenny Drew passou (a última) parte da sua vida artística na Europa, nomeadamente em Copenhaga e em Paris.
Muitos são os que atribuem o seu "sucesso moderado" à decisão de se ter mudado para a Europa, outros afirmam que caso tivesse ficado nos Estados Unidos nunca se teria tornado o músico refinado e alternativo que foi... enfim, apenas conjecturas...

Kenny Drew iniciou-se nos Estado Unidos e desde cedo começou a associar-se a músicos de topo, como é o caso de Sonny Rollins, Art Taylor e Al Haig, de quem se tornou amigo e que o apresentou a Charlie Parker. Mas podemos referir mais, como é o caso de Howard McGhee com quem se estreou nas gravações, em 1950, ou ainda nomes como Miles Davis, Lester Young, Coleman Hawkins, Art Blakey, Buddy De Franco ou Niels-Henning Orsted Pederson.
Apesar de não possuir (com pena minha) muitos trabalhos de Kenny Drew, trago-vos aqueles que mais me agradam e que desde cedo me fizeram sentir uma enorme admiração por este músico.

The Kenny Drew Trio - Caravan, 1956 (Riverside RLP224) - Milestone, 1974 Japan (Mono)
Fantástico Trio este, que demonstra um entrosamento e um sentido de banda muito apurado.
Constituído pelos talentosos Paul Chambers (baixo) e Joe Jones (bateria), este Trio desempenha com mestria este álbum, maioritariamente constituído por standards de vários autores (desde Duke Ellington, a Thelonious Monk, Harold Arlen e Vernon Duke, etc.) como é o caso de Ruby my Dear, When you Wish Upon a Star, Taking a Chance on Love ou Caravan, entre outros.
Não menos apelativos são os dois temas da autoria de Kenny Drew (Weird-D e Blues for Nica) embora se enquadrem dentro do mesmo estilo.
Este sólido repertório possibilita ao Trio um desempenho exemplar e é de facto delicioso seguir isoladamente cada um dos músicos (esta edição Mono ajuda...).

Trata-se portanto de um clássico que apesar de gravado em 1956, tem um som muito actual, certamente do agrado da facção mais conservadora do Jazz (mas não só).


Kenny Drew Quintet/Quartet - This is New, 1957 (Riverside RL12-236) - Riverside, 1974 Japan (Mono)
Com uma formação completamente renovada, também a sonoridade apresentada neste "This is New", como o próprio nome deixa antever, foi alvo de uma total renovação.

A principal alteração salta à vista, logo que começamos a escutar os primeiros minutos deste trabalho. Apesar de não se estender a todos os temas, foram incluídos um Trompete e um Saxofone (tenor), pelas mão de dois jovens entusiastas que davam pelo nome de Donald Byrd e Hank Mobley, que andavam à procura de um reconhecimento que não tardaria muito a ser unânime entre os entusiastas do Jazz e não só.

Este trabalho tem portanto um som mais "rasgadinho" do que o anterior e o piano de Drew é por vezes remetido (propositadamente) para segundo plano pelo facto de ter sido incluída esta dupla de metais (inexistente no disco anterior). Fica também uma palavra para o baixista Wilbur Ware e o baterista G.T. Hogan (que não participa em todos os temas).
Um dos aspectos que não sofreu grande alteração (em relação a Caravan) prende-se com o facto do repertório incluir alguns standards (4) bem como alguns temas escolhidos por Drew, Byrd e Sonny Rollins.

Este é um excelente trabalho, em que temas como Carol (K.Drew), Little T (D.Byrd), Paul's Pal (s.Rollins) ou You're My Thrill (Clare-Gorney) nos fazem entender a importância deste (e de outros) registo(s) no panorama Jazz do final dos anos 50.



Kenny Drew Quartet - And Far Away, 1983 (Soul Note SN1081), Italy
Por último, apresento-vos um registo bastante diferente de 1983, numa edição exclusiva (ao que julgo saber) da editora italiana Soul Note. E que registo, meus Senhores!
O cartão de visita começa quando na parte inferior da capa, identificamos a seguinte inscrição, em letras moderadamente pequenas: "with Philip Catherine, Niels-Henning Orsted Pedersen, Barry Altschul" ... Na prática, isto quer dizer que o disco já era meu mesmo antes de o ser ...
Divagações à parte, este é um excelente trabalho de mais uma renovada formação de Kenny Drew, que como já repararam, dificilmente repete os mesmos músicos... Excepção feita ao baixista N-H Orsted Pedersen com quem trabalhou e gravou alguns trabalhos durante a sua longa estadia na Dinamarca.

O facto desta prensagem (original) ser proveniente de Itália é um autêntico bluff. Primeiro, porque (segundo sei) não existe outra e segundo, porque edições como esta da Soul Note, terão sempre um lugar na minha modesta colecção.
Não, não é uma edição Japonesa (como as anteriores) mas não me parece que a diferença seja assim tão grande...

Quanto ao que realmente interessa, ou seja, o conteúdo musical, posso garantir-vos que se trata de um enorme disco. Desta vez, Kenny Drew deixa de fora os metais e substitui-os pela Guitarra Eléctrica electrizante (perdoem-me o pleonasmo) do Francês Philip Catherine.

Mas antes disso, importa referir que este não é apenas um disco tradicional de Jazz. As diversas sonoridades nele incluídas (ambientais, clássicas, mainstream Jazz, etc.) sempre conduzidas pelo piano de Kenny Drew e pela marcação exclusiva do baixo de Orsted Pedersen, são dignas dos maiores elogios. Todos, sem excepção, possuem um papel fundamental neste disco.
Desde a fantástica secção ritmica, à guitarra de F.Catherine de quem sou um seguidor confesso (principalmente dos registos com Chet Baker), aos solos de um dos mais reconhecidos baixistas de todos os tempos - Orsted Pedersen - tudo neste disco foi levado a um grau de perfeição, só possível com músicos de alto gabarito.

O repertório é diversificado, não só no seu género como também nos seus autores. O mesmo é intercalado entre temas da autoria de Philp Catherine e de Kenny Drew, apenas com a excepção de dois grandes outsiders, Cole Porter (I Love You) e Joseph Kosma (Autumn Leaves).

Receio porém que este "and Far Away" não tenha tido o reconhecimento público merecido (possivelmente por ser um Made in Italy); contudo nos meus discos de eleição constará sempre como um dos melhores.



Até Breve
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Nov 11 2012, 16:31

Mister W escreveu:
Pois bem, desta vez trago-vos um pianista que espero seja o primeiro de muitos, ou pelo menos de alguns, pois como decerto saberão, os pianistas no Jazz são mais que muitos...

Apesar de ter nascido (1928) e de ter iniciado a sua carreira em Nova Iorque (1928) Kenny Drew passou (a última) parte da sua vida artística na Europa, nomeadamente em Copenhaga e em Paris.
Muitos são os que atribuem o seu "sucesso moderado" à decisão de se ter mudado para a Europa, outros afirmam que caso tivesse ficado nos Estados Unidos nunca se teria tornado o músico refinado e alternativo que foi... enfim, apenas conjecturas...

Kenny Drew iniciou-se nos Estado Unidos e desde cedo começou a associar-se a músicos de topo, como é o caso de Sonny Rollins, Art Taylor e Al Haig, de quem se tornou amigo e que o apresentou a Charlie Parker. Mas podemos referir mais, como é o caso de Howard McGhee com quem se estreou nas gravações, em 1950, ou ainda nomes como Miles Davis, Lester Young, Coleman Hawkins, Art Blakey, Buddy De Franco ou Niels-Henning Orsted Pederson.
Apesar de não possuir (com pena minha) muitos trabalhos de Kenny Drew, trago-vos aqueles que mais me agradam e que desde cedo me fizeram sentir uma enorme admiração por este músico.

The Kenny Drew Trio - Caravan, 1956 (Riverside RLP224) - Milestone, 1974 Japan (Mono)
Fantástico Trio este, que demonstra um entrosamento e um sentido de banda muito apurado.
Constituído pelos talentosos Paul Chambers (baixo) e Joe Jones (bateria), este Trio desempenha com mestria este álbum, maioritariamente constituído por standards de vários autores (desde Duke Ellington, a Thelonious Monk, Harold Arlen e Vernon Duke, etc.) como é o caso de Ruby my Dear, When you Wish Upon a Star, Taking a Chance on Love ou Caravan, entre outros.
Não menos apelativos são os dois temas da autoria de Kenny Drew (Weird-D e Blues for Nica) embora se enquadrem dentro do mesmo estilo.
Este sólido repertório possibilita ao Trio um desempenho exemplar e é de facto delicioso seguir isoladamente cada um dos músicos (esta edição Mono ajuda...).

Trata-se portanto de um clássico que apesar de gravado em 1956, tem um som muito actual, certamente do agrado da facção mais conservadora do Jazz (mas não só).


Kenny Drew Quintet/Quartet - This is New, 1957 (Riverside RL12-236) - Riverside, 1974 Japan (Mono)
Com uma formação completamente renovada, também a sonoridade apresentada neste "This is New", como o próprio nome deixa antever, foi alvo de uma total renovação.

A principal alteração salta à vista, logo que começamos a escutar os primeiros minutos deste trabalho. Apesar de não se estender a todos os temas, foram incluídos um Trompete e um Saxofone (tenor), pelas mão de dois jovens entusiastas que davam pelo nome de Donald Byrd e Hank Mobley, que andavam à procura de um reconhecimento que não tardaria muito a ser unânime entre os entusiastas do Jazz e não só.

Este trabalho tem portanto um som mais "rasgadinho" do que o anterior e o piano de Drew é por vezes remetido (propositadamente) para segundo plano pelo facto de ter sido incluída esta dupla de metais (inexistente no disco anterior). Fica também uma palavra para o baixista Wilbur Ware e o baterista G.T. Hogan (que não participa em todos os temas).
Um dos aspectos que não sofreu grande alteração (em relação a Caravan) prende-se com o facto do repertório incluir alguns standards (4) bem como alguns temas escolhidos por Drew, Byrd e Sonny Rollins.

Este é um excelente trabalho, em que temas como Carol (K.Drew), Little T (D.Byrd), Paul's Pal (s.Rollins) ou You're My Thrill (Clare-Gorney) nos fazem entender a importância deste (e de outros) registo(s) no panorama Jazz do final dos anos 50.



Kenny Drew Quartet - And Far Away, 1983 (Soul Note SN1081), Italy
Por último, apresento-vos um registo bastante diferente de 1983, numa edição exclusiva (ao que julgo saber) da editora italiana Soul Note. E que registo, meus Senhores!
O cartão de visita começa quando na parte inferior da capa, identificamos a seguinte inscrição, em letras moderadamente pequenas: "with Philip Catherine, Niels-Henning Orsted Pedersen, Barry Altschul" ... Na prática, isto quer dizer que o disco já era meu mesmo antes de o ser ...
Divagações à parte, este é um excelente trabalho de mais uma renovada formação de Kenny Drew, que como já repararam, dificilmente repete os mesmos músicos... Excepção feita ao baixista N-H Orsted Pedersen com quem trabalhou e gravou alguns trabalhos durante a sua longa estadia na Dinamarca.

O facto desta prensagem (original) ser proveniente de Itália é um autêntico bluff. Primeiro, porque (segundo sei) não existe outra e segundo, porque edições como esta da Soul Note, terão sempre um lugar na minha modesta colecção.
Não, não é uma edição Japonesa (como as anteriores) mas não me parece que a diferença seja assim tão grande...

Quanto ao que realmente interessa, ou seja, o conteúdo musical, posso garantir-vos que se trata de um enorme disco. Desta vez, Kenny Drew deixa de fora os metais e substitui-os pela Guitarra Eléctrica electrizante (perdoem-me o pleonasmo) do Francês Philip Catherine.

Mas antes disso, importa referir que este não é apenas um disco tradicional de Jazz. As diversas sonoridades nele incluídas (ambientais, clássicas, mainstream Jazz, etc.) sempre conduzidas pelo piano de Kenny Drew e pela marcação exclusiva do baixo de Orsted Pedersen, são dignas dos maiores elogios. Todos, sem excepção, possuem um papel fundamental neste disco.
Desde a fantástica secção ritmica, à guitarra de F.Catherine de quem sou um seguidor confesso (principalmente dos registos com Chet Baker), aos solos de um dos mais reconhecidos baixistas de todos os tempos - Orsted Pedersen - tudo neste disco foi levado a um grau de perfeição, só possível com músicos de alto gabarito.

O repertório é diversificado, não só no seu género como também nos seus autores. O mesmo é intercalado entre temas da autoria de Philp Catherine e de Kenny Drew, apenas com a excepção de dois grandes outsiders, Cole Porter (I Love You) e Joseph Kosma (Autumn Leaves).

Receio porém que este "and Far Away" não tenha tido o reconhecimento público merecido (possivelmente por ser um Made in Italy); contudo nos meus discos de eleição constará sempre como um dos melhores.



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Mais uma bela crónica Mister W!

Já estou novamente com comichões no corpo todo... Será que isto vai passar sem ir às compras???
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