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 *Os menos badalados do JAZZ*

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 14:32

Porra que eu não vos acompanho . Um gajo ainda não digeriu uma das belas cronicas, e já cá cantam mais.

Assim que poder irei ler os últimos desenvolvimentos.
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Fran
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 14:38

António José da Silva escreveu:
Porra que eu não vos acompanho . Um gajo ainda não digeriu uma das belas cronicas, e já cá cantam mais.

Assim que poder irei ler os últimos desenvolvimentos.
Nem convém que acompanhes, se não, falência pura e dura RIP

Agora a sério, o bom disto, é um gajo poder, quando quiser, dar uma "saltada" a este tópico, e ler (e aprender) um pouco, e quiçá, comprar algo.
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Fran
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 14:43

A propósito de Wolfgang Dauner, encontrei isto, de 1967, com o Jean-Luc Ponty

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 14:51

Fran escreveu:
Mister W escreveu:
... o que nos leva a concluir que o Free Jazz não é tão recente quanto isso ...
Poderá não existir desde que apareceu o Jazz, mas deve andar lá "perto" ... Wolfgang Dauner, Eric Dolphy e Art Ensemble Of Chicago, são três bons exemplos disso.
Eu entendo o que queres dizer... (talvez tenha colocado mal a questão) scratch

Creio ser preciso alguma boa vontade para comparar (e encontrar algumas semelhanças) entre as formações de então e qualquer formação de free Jazz mais actual (como por exemplo, as que postaste em video e em som...). É evidente que foram pioneiras de um estilo (ou melhor, de vários), mas o caminho percorrido até aos The Thing de Mats Gustaffson e o Ken Vandermark, foi longo e sinuoso.

Outros há, que se aproximaram bastante, como o Ornette Colleman, o Alber Ayler e o grande Steve Lacy, um dos meus preferidos.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 14:55

António José da Silva escreveu:
Porra que eu não vos acompanho . Um gajo ainda não digeriu uma das belas cronicas, e já cá cantam mais.
Assim que poder irei ler os últimos desenvolvimentos.

Não querias acção?! Ora aí tens! (pena é, que sejam quase sempre os mesmos...)
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 14:55

Mister W escreveu:
Fran escreveu:
Mister W escreveu:
... o que nos leva a concluir que o Free Jazz não é tão recente quanto isso ...
Poderá não existir desde que apareceu o Jazz, mas deve andar lá "perto" ... Wolfgang Dauner, Eric Dolphy e Art Ensemble Of Chicago, são três bons exemplos disso.
Eu entendo o que queres dizer... (talvez tenha colocado mal a questão) scratch

Creio ser preciso alguma boa vontade para comparar (e encontrar algumas semelhanças) entre as formações de então e qualquer formação de free Jazz mais actual (como por exemplo, as que postaste em video e em som...). É evidente que foram pioneiras de um estilo (ou melhor, de vários), mas o caminho percorrido até aos The Thing de Mats Gustaffson e o Ken Vandermark, foi longo e sinuoso.

Outros há, que se aproximaram bastante, como o Ornette Colleman, o Alber Ayler e o grande Steve Lacy, um dos meus preferidos.
Claro, como qualquer vertente, seja em que área da musica for, existem sempre as devidas "evoluções/metamorfoses" até à presenta data, pois daqui a 50 anos, vá-se lá saber por onde anda o Free Jazz lol!



PS : eu postei formações de free jazz mais actuais?! scratch
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 14:56

Mister W escreveu:
... (pena é, que sejam quase sempre os mesmos...)
Se fosse um tópico de "aparelhómetros", ías ver a quantidade de gente a participar/opiniar


Fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuui lol!
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 15:04

Fran escreveu:
A propósito de Wolfgang Dauner, encontrei isto, de 1967, com o Jean-Luc Ponty


E encontras-te muito bem ... (O Jean-Luc Ponty é que não era preciso ...).

Um dos discos que mora por cá, e que mais me enche a alma, é precisamente desse fantástico compositor e pianista Alemão. Quando abordarmos o tema German Jazz, ou Pianistas, ou Free-Jazz (quem é amigo, quem é?) falarei certamente dele.

Não convém dizer o nome do disco senão ainda me assaltam a casa... Eles que venham
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 15:09

Fran escreveu:
PS : eu postei formações de free jazz mais actuais?! scratch
Sim, um video do YouTube creio e um registo de som que recebeste no FaceBook. Como tu próprio acabaste de dizer, a vantagem deste tópico é ficar tudo gravado para posterior consulta, portanto se andares um pouco para trás, vais ver que encontras ...
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 15:36

Mister W escreveu:


Não querias acção?! Ora aí tens! (pena é, que sejam quase sempre os mesmos...)


Tens sido incansável e ainda bem. Quanto ao sermos sempre os mesmo, não tem problema, também somos gente.
E não te esqueças de que há muita malta que lê mas não se prenuncia. Mas o que interessa mesmo, é que com o tempo se vai criando uma enorme base de dados sobre estas maravilhosas obras que podem sempre ser consultadas pelos users mais velhos e os recém chegados.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 16:19

Mister W escreveu:
Fran escreveu:
PS : eu postei formações de free jazz mais actuais?! scratch
Sim, um video do YouTube creio e um registo de som que recebeste no FaceBook. Como tu próprio acabaste de dizer, a vantagem deste tópico é ficar tudo gravado para posterior consulta, portanto se andares um pouco para trás, vais ver que encontras ...
Ah, refereste a um link que remete para um myspace?!
Não é video nenhum (é só som), daí a minha dúvida, pois de clips, só havia postado este ultimo do Wolfgang Dauner ... só o fiz, porque o tema Free Jazz havia sido abordado, e achei coincidência ter alguém a comentar no facebook cuja página, remetia para esse som, pois não faço ideia quem seja o grupo/músicos.

É que eu de Jazz e suas variantes, não percebo puto, nem estou nada à vontade para falar (contrariamente ao Rock e suas vertentes), como já deves ter-te apercebido, mas não será por causa disso, que não continuarei a tentar dar a minha colaboração (com bacoradas à mistura) neste tópico, já que é a música que me move, seja ela qual for, e tudo o resto é secundário Wink

Abraço
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 17:06


Penso que fica aqui bem o link para este fabuloso documentário

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t2470-documentario-fabuloso-sobre-a-blue-note?highlight=blue+note


Dou ênfase ao Bud Powell, que é referido no doc como um dos maiores talentos/vanguardista
da história do Jazz, mas que apesar disso, pode ser impressão minha, não é muito divulgado.


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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 19:38

Depois da extensa incursão pelo Vibrafone, o que é que os meus amigos sugerem?
Jazz Espanhol aviso já que não tenho. lol!
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 19:40

Ulrich escreveu:

Penso que fica aqui bem o link para este fabuloso documentário
http://www.audioanalogicodeportugal.net/t2470-documentario-fabuloso-sobre-a-blue-note?highlight=blue+note
Dou ênfase ao Bud Powell, que é referido no doc como um dos maiores talentos/vanguardista
da história do Jazz, mas que apesar disso, pode ser impressão minha, não é muito divulgado.
Obrigado Ulrich
Vou copiar para uma pen. Um filme de 90 minutos merece ser visto na TV e no sofá ...
Dipois digo o que acho.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 20:10

Mister W escreveu:
Depois da extensa incursão pelo Vibrafone, o que é que os meus amigos sugerem?
Jazz Espanhol aviso já que não tenho. lol!
E que tal um pianista descendente de Cabo Verdianos, de apelido Silva
Aqui vai uma pista: dedicou uma música ao pai "Song for my father"

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 20:13

stardrake escreveu:
Mister W escreveu:
Depois da extensa incursão pelo Vibrafone, o que é que os meus amigos sugerem?
Jazz Espanhol aviso já que não tenho. lol!
E que tal um pianista descendente de Cabo Verdianos, de apelido Silva
Aqui vai uma pista: dedicou uma música ao pai "Song for my father"

Mário
Aaaah grand'a Horácio cheers cheers cheers


PS : entra no disco do Art Farmer que postei mais atrás
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stardrake
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 20:47

[/quote]Aaaah grand'a Horácio cheers cheers cheers


PS : entra no disco do Art Farmer que postei mais atrás [/quote]

Boa Fran, trata-se de Horace Silver co-fundador dos Jazz Messengers, um pianista
sempre muito solicitado para jam sessions, nomeadamente por Art Blankey.

Mário
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 20:51

stardrake escreveu:


Boa Fran, trata-se de Horace Silver co-fundador dos Jazz Messengers, um pianista
sempre muito solicitado para jam sessions, nomeadamente por Art Blankey.

Mário


E que compôs muitas musicas que se vieram a tornar grandes standards do Jazz.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 21:13

stardrake escreveu:
Mister W escreveu:
Depois da extensa incursão pelo Vibrafone, o que é que os meus amigos sugerem?
Jazz Espanhol aviso já que não tenho. lol!
E que tal um pianista descendente de Cabo Verdianos, de apelido Silva
Aqui vai uma pista: dedicou uma música ao pai "Song for my father"
Mário
Por momentos pensei em Amâncio D'Silva, um extraordinário músico originário de Goa.
Infelizmente, os discos dele não abundam pelo que os preços são pró carote. O último que ví à venda custava 85 Euros. Ainda não perdí a esperança de ter um e pode ser o "Integration". Fica uma pequena amostra, mas que dá certamente para verem a qualidade do artista.


Quanto ao Horace Silver, conheço bastantes obras mas desconhecia a sua descendência Cabo Verdiana.
Aqui aprendem-se umas coisas. study
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 21:25

Mister W escreveu:
stardrake escreveu:
Mister W escreveu:
Depois da extensa incursão pelo Vibrafone, o que é que os meus amigos sugerem?
Jazz Espanhol aviso já que não tenho. lol!
E que tal um pianista descendente de Cabo Verdianos, de apelido Silva
Aqui vai uma pista: dedicou uma música ao pai "Song for my father"
Mário
Por momentos pensei em Amâncio D'Silva, um extraordinário músico originário de Goa.
Infelizmente, os discos dele não abundam pelo que os preços são pró carote. O último que ví à venda custava 85 Euros. Ainda não perdí a esperança de ter um e pode ser o "Integration". Fica uma pequena amostra, mas que dá certamente para verem a qualidade do artista.


y:

Há umas reedições em vinil vermelho transparente com bom som e a preço acessível. Já tive o disco em minha casa (emprestado) e é mesmo excelente.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 21:36

É esta a reedição que tive em casa e que eu sei que há uns 6 anos era bastante barata.

http://www.amazon.com/Konkan-Dance-Amancio-DSilva/dp/B005NU05MA


Como se pode ver, as reedições também já estão a ganhar valor.


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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 23 2012, 21:45

António José da Silva escreveu:
É esta a reedição que tive em casa e que eu sei que há uns 6 anos era bastante barata.
http://www.amazon.com/Konkan-Dance-Amancio-DSilva/dp/B005NU05MA
Como se pode ver, as reedições também já estão a ganhar valor.

Foi mesmo esse que eu ví a 85 Euros pois os outros titulos ... só em sonhos.

De facto, uma re-edição a custar $100 ...



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Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Set 29 2012, 18:33

Caros Amigos,
Para mudarmos um pouco de ares sugiro uma paragem (obrigatória) pela Hungria. Não sendo o Jazz Hungaro tão conhecido quanto isso (pelo menos fora de portas) os mais atentos ao fenómeno Jazzístico, identificaram de imediato de quem se podia tratar. Trata-se efectivamente de um dos guitarristas mais criativos dos anos 60 e que após ter emigrado para os Estados Unidos com apenas 20 anos (em pleno regime Comunista) depressa se integrou e se imiscuiu na cena Jazz norte-americana (tocou com Charles Lloyd e Chico Hamilton na banda do último), sem nunca perder as suas raízes e repercutindo-as de forma significativa na sua musica. Vamos então aos discos:

Gabor Szabo - Spellbinder, 1966 (Impulse) - Euphoria Jazz ELP217 (Universal) USA, 2007
Este é o segundo disco da carreira do guitarrista Hungaro como leader e um dos mais aclamados. A excelência do som da guitarra de Szabo é neste disco (atrever-me-ia mesmo a dizer, mais do que noutros) sublime e a principal referência do mesmo, pesem embora, as excelentes contribuições do seu antigo "chefe" na bateria (Hamilton), de Ron Carter no baixo e de um par de excelentes percussionistas (Wille Bobo e Victor Pantoja) que conferem a este disco um toque latino.
Esta obra prima é carregada de misticismo e transporta-nos para ambientes com uma sonoridade oriental, sem nunca perder a influência "so sixties" característica da época e tão bem retratada pela Gibson de Gabor Szabo (e amplificação Toby).

Este músico, como muitos decerto concordarão, trouxe algo de novo à cena Jazz e mais tarde Jazz-Rock, sob a forma de originalidade. E como se não bastasse a sua genialidade músical, o autor brinda-nos com outra forma de arte da sua preferência, traduzida na pintura da capa deste disco. Os mais conservadores, a que este trabalho possa não ter agradado, decerto que puderam aproveitar a capa e emoldurar a sua pintura ...
Quanto a mim, nota máxima... para o disco e para a capa, cuja excelente apresentação (nesta re-edição de 2007) nunca é demais referir.





Gabor Szabo - Jazz Raga, 1967 (Impulse A9128) - Light in the Attic Records (Universal) USA, 2010
Este igualmente aclamado trabalho de Gabor Szabo é provavelmente o mais misterioso e exótico. Tal deve-se, em grande parte à sonoridade indiana que apresenta, em virtude do crescente interesse e envolvimento de Szabo e que o levaram a iniciar-se no seu estudo desde o inicio dos anos 60. Este é o primeiro de uma série de vários discos, em que a Citara (Sitar) nos é dada a conhecer, com a sua sonoridade característica, pelas mãos de Dave Szabo. Neste disco a Citara e a Guitarra envolvem-se numa disputa de ritmos e solos completamente transcendentes. Perguntam-me? mas o homem tem dois pares de mão? Não, às vezes poderá parecer, mas definitivamente só tem duas mão. Acontece que neste disco, Szabo (enquanto se envolve com a Citara) contracena com outro guitarrista, que dá pelo nome de Bob Bushnell (desta vez com Fender). Completam a formação, "Pretty" Purdie o excelente baterista, como é carinhosamente conhecido e Johnny Gregg, no baixo.
Não devem ser esquecidas, as fortes referências à música cigana e popular Húngara neste disco.
Apesar da maioria dos temas deste disco serem originais (Cool, podemos encontrar dois standards: Caravan e Summertime, para além da cover Paint it Black dos Rolling Sones.

Este trabalho é harmoniosamente exótico e exoticamente belo. Se tiver que comparar os dois (algo que não costumo por norma fazer, porque cada disco é único e reflecte um estado de alma e um momento diferente e exclusivo e portanto incomparável) a minha preferência vai para este (apesar de gostar igualmente de Spellbinder e de o achar uma excelente obra) pois Jazz Raga é de um singularidade e originalidade que as primeiras vezes que o ouvimos com mais atenção damos por nós a questionar-nos "Mas que som é este?", "Com o que é que se parece?". Felizmente, não se parece com nada, apesar das suas reconhecidas e evidentes influências (assumidas por Szabo mas que não revelarei...).

Não pode passar sem uma menção (honrosa, porque não) para a excelente qualidade desta prensagem de 2010. Pegar nesta obra (gatefold) é só por si revelador da extrema qualidade da mesma. Tudo é nela, produzido com a máxima qualidade. A capa tem um brilho que nos ofusca, as imagens são de excelente qualidade (mesmo com a idade que possuem), o disco tem uma sonoridade limpa, detalhada, profunda e por último, acompanham esta edição "gatefold", um desdobrável com informação (entrevistas) e fotos exclusivas e ainda um pequeno livro (booklet) com 30 páginas (tipo papel de jornal) editado pela Light in the Attic Records, que nos dá a conhecer o seu vasto catálogo, para além de informação diversa sobre editoras, bandas e música em geral. Estão sem dúvida alguma de Parabéns. Mesmo para os que não tencionem comprar este disco, aconselho-os a conviver com ele durante uns minutos (provavelmente mudam de opinião).
By the way. A pintura da capa é novamente da autoria de David Szabo. Só podia.

Por último, gostava de referir que nem toda a obra de David Szabo é tão sublime e apelativa como os dois exemplos acima. Tal deve-se ao facto de Szabo ter, a determinada altura, cedido aos interesses de uma sonoridade mais comercial, o que se viria a reflectir nas obras lançadas a partir de 1970. Não quero com isto dizer que não existem outras obras igualmente boas (até porque não as conheço a todas). Apenas, saliento a necessidade de um maior cuidado, sempre que nos depararmos com discos posteriores a 1970, ou 1972.
Existem apesar de tudo , algumas excepções em discos como Mizrab (CTi, 1972) em que nos damos conta da sonoridade que combinava, de forma sublime, o Jazz, com a Pop, a Gypsy (música cigana) bem como fusões de música Asiática e Indiana.
Infelizmente, David Szabo não nos deu o prazer de uma carreira longa, já que morreu em 1982, com 46 anos. Fica o incomparável testemunho que nos deixou.




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Fran
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Set 29 2012, 19:47

Mister W escreveu:
Caros Amigos,
Para mudarmos um pouco de ares sugiro uma paragem (obrigatória) pela Hungria. Não sendo o Jazz Hungaro tão conhecido quanto isso (pelo menos fora de portas) os mais atentos ao fenómeno Jazzístico, identificaram de imediato de quem se podia tratar. Trata-se efectivamente de um dos guitarristas mais criativos dos anos 60 e que após ter emigrado para os Estados Unidos com apenas 20 anos (em pleno regime Comunista) depressa se integrou e se imiscuiu na cena Jazz norte-americana (tocou com Charles Lloyd e Chico Hamilton na banda do último), sem nunca perder as suas raízes e repercutindo-as de forma significativa na sua musica. Vamos então aos discos:

Gabor Szabo - Spellbinder, 1966 (Impulse) - Euphoria Jazz ELP217 (Universal) USA, 2007
Este é o segundo disco da carreira do guitarrista Hungaro como leader e um dos mais aclamados. A excelência do som da guitarra de Szabo é neste disco (atrever-me-ia mesmo a dizer, mais do que noutros) sublime e a principal referência do mesmo, pesem embora, as excelentes contribuições do seu antigo "chefe" na bateria (Hamilton), de Ron Carter no baixo e de um par de excelentes percussionistas (Wille Bobo e Victor Pantoja) que conferem a este disco um toque latino.
Esta obra prima é carregada de misticismo e transporta-nos para ambientes com uma sonoridade oriental, sem nunca perder a influência "so sixties" característica da época e tão bem retratada pela Gibson de Gabor Szabo (e amplificação Toby).

Este músico, como muitos decerto concordarão, trouxe algo de novo à cena Jazz e mais tarde Jazz-Rock, sob a forma de originalidade. E como se não bastasse a sua genialidade músical, o autor brinda-nos com outra forma de arte da sua preferência, traduzida na pintura da capa deste disco. Os mais conservadores, a que este trabalho possa não ter agradado, decerto que puderam aproveitar a capa e emoldurar a sua pintura ...
Quanto a mim, nota máxima... para o disco e para a capa, cuja excelente apresentação (nesta re-edição de 2007) nunca é demais referir.





Gabor Szabo - Jazz Raga, 1967 (Impulse A9128) - Light in the Attic Records (Universal) USA, 2010
Este igualmente aclamado trabalho de Gabor Szabo é provavelmente o mais misterioso e exótico. Tal deve-se, em grande parte à sonoridade indiana que apresenta, em virtude do crescente interesse e envolvimento de Szabo e que o levaram a iniciar-se no seu estudo desde o inicio dos anos 60. Este é o primeiro de uma série de vários discos, em que a Citara (Sitar) nos é dada a conhecer, com a sua sonoridade característica, pelas mãos de Dave Szabo. Neste disco a Citara e a Guitarra envolvem-se numa disputa de ritmos e solos completamente transcendentes. Perguntam-me? mas o homem tem dois pares de mão? Não, às vezes poderá parecer, mas definitivamente só tem duas mão. Acontece que neste disco, Szabo (enquanto se envolve com a Citara) contracena com outro guitarrista, que dá pelo nome de Bob Bushnell (desta vez com Fender). Completam a formação, "Pretty" Purdie o excelente baterista, como é carinhosamente conhecido e Johnny Gregg, no baixo.
Não devem ser esquecidas, as fortes referências à música cigana e popular Húngara neste disco.
Apesar da maioria dos temas deste disco serem originais (Cool, podemos encontrar dois standards: Caravan e Summertime, para além da cover Paint it Black dos Rolling Sones.

Este trabalho é harmoniosamente exótico e exoticamente belo. Se tiver que comparar os dois (algo que não costumo por norma fazer, porque cada disco é único e reflecte um estado de alma e um momento diferente e exclusivo e portanto incomparável) a minha preferência vai para este (apesar de gostar igualmente de Spellbinder e de o achar uma excelente obra) pois Jazz Raga é de um singularidade e originalidade que as primeiras vezes que o ouvimos com mais atenção damos por nós a questionar-nos "Mas que som é este?", "Com o que é que se parece?". Felizmente, não se parece com nada, apesar das suas reconhecidas e evidentes influências (assumidas por Szabo mas que não revelarei...).

Não pode passar sem uma menção (honrosa, porque não) para a excelente qualidade desta prensagem de 2010. Pegar nesta obra (gatefold) é só por si revelador da extrema qualidade da mesma. Tudo é nela, produzido com a máxima qualidade. A capa tem um brilho que nos ofusca, as imagens são de excelente qualidade (mesmo com a idade que possuem), o disco tem uma sonoridade limpa, detalhada, profunda e por último, acompanham esta edição "gatefold", um desdobrável com informação (entrevistas) e fotos exclusivas e ainda um pequeno livro (booklet) com 30 páginas (tipo papel de jornal) editado pela Light in the Attic Records, que nos dá a conhecer o seu vasto catálogo, para além de informação diversa sobre editoras, bandas e música em geral. Estão sem dúvida alguma de Parabéns. Mesmo para os que não tencionem comprar este disco, aconselho-os a conviver com ele durante uns minutos (provavelmente mudam de opinião).
By the way. A pintura da capa é novamente da autoria de David Szabo. Só podia.

Por último, gostava de referir que nem toda a obra de David Szabo é tão sublime e apelativa como os dois exemplos acima. Tal deve-se ao facto de Szabo ter, a determinada altura, cedido aos interesses de uma sonoridade mais comercial, o que se viria a reflectir nas obras lançadas a partir de 1970. Não quero com isto dizer que não existem outras obras igualmente boas (até porque não as conheço a todas). Apenas, saliento a necessidade de um maior cuidado, sempre que nos depararmos com discos posteriores a 1970, ou 1972.
Existem apesar de tudo , algumas excepções em discos como Mizrab (CTi, 1972) em que nos damos conta da sonoridade que combinava, de forma sublime, o Jazz, com a Pop, a Gypsy (música cigana) bem como fusões de música Asiática e Indiana.
Infelizmente, David Szabo não nos deu o prazer de uma carreira longa, já que morreu em 1982, com 46 anos. Fica o incomparável testemunho que nos deixou.






É que esse Senhor, não dá cartas só no Jazz ... é sem duvida um do nomes mais sonantes da musica feita por Hungaros cheers
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Sab Set 29 2012, 20:04

Ainda não li, porque gosto de guardar estas pérolas escritas pelo W para a noite.

Do senhor Gabor, tenho um LP.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 30 2012, 19:33

Venho falar-vos de um saxofonista que apesar de não ser propriamente um desconhecido da cena Jazz norte-america (longe disso), também não atingiu o reconhecimento e a fama de outros, alguns seus amigos e outros com quem tocara vezes sem conta. Decerto que não foi por falta dos dotes que lhe eram sobejamente reconhecidos. Como em tantas outras vertentes da sociedade, no Jazz também acontecem coisas menos claras e de difícil explicação...
Refiro-me a Gigi Gryce e a dois discos que facilmente figurariam na minha lista de preferências, entre os 20 primeiros. Infelizmente, a forma que temos de ouvir com maior frequência o som profundo do saxofone de Gryce, passa pelas inúmeras colaborações e participações em trabalhos de terceiros, já que os trabalhos de Gigi Gryce como leader efectivamente, escasseiam.

Don Byrd and Gigi Gryce - Jazz Lab, 1957 (Columbia CL998) - Columbia
Este disco conta com a preciosa colaboração de Donald Byrd, mas não só. Trata-se efectivamente do Jazz Lab Quintet, um projecto erguido por Gryce e Byrd que contava igualmente com a participação de Wendell Marshall no baixo, Art Taylor na bateria e Tommy Flanagan no piano (embora este não fosse residente). Infelizmente, este projecto de curta duração, limitou-se a algumas sessões, mas que rapidamente fez transparecer o forte entrosamento dos músicos, que num curto espaço de tempo conseguiram erguer uma banda com uma sonoridade muito especial.

Este disco é uma testemunha preciosa (não a única) dos resultados das sessões levadas a cabo pelo Jazz Lab Quintet e a sua importância é tal, que por vezes é considerado o cartão de visita de um estilo que estava a influenciar (positivamente) o Jazz da época, o Hard Bop.
Este disco conta com uma sonoridade muito própria e dizem os críticos, "alguns dos melhores arranjos da história do Jazz bem como excelentes solos de Gryce, Byrd e Flanagan".
Para quem gosta do Jazz produzido no final dos anos 50, está é uma obra importante, se bem que, o som e a qualidade do registo levam facilmente a pensar que se trata de um trabalho de uma data muito posterior.
Fica a sugestão.

The Gigi Gryce Quintet - The Rat Race Blues, 1960 (New Jazz/Prestige 8262) - Original Jazz Classics 081
Este disco de 1960, embora bastante diferente do anterior, deve, na minha opinião, ser igualmente colocado no pódio das obras-primas, pese embora o pouco reconhecimento que lhe fora dado na altura (mais tarde, em parte recuperado).
Juntamente com o trompetista Richard Williams, o pianista Richard Wyands, o baixista Julian Euell e o baterista Granville "Mickey" Roker, Gigi Gryce tem aqui umas das suas melhores (e preferidas) formações. O som flui naturalmente e em harmonia. Nota-se uma cumplicidade verdadeira entre todos os elementos, e que viria a revelar-se fundamental no resultado final deste trabalho.
O som do Saxofone de Gryce apresenta uma profundidade tal, neste disco, que parece tocar-nos na alma! Os solos e o acompanhamento de Richard Williams são igualmente geniais. Os sons que brotam do seu trompete parecem fundir-se com os que emanam do saxofone de Gigi Gryce.
Gigi Gryce não é apenas um solista de eleição; é igualmente um excelente compositor, como poderão constatar depois de uma audição cuidada deste trabalho.
Obrigatório.

Como não conheço muito da obra de Gigi Gryce, gostava de apelar aos Caros Foristas que possuem obras lideradas por este músico de excelência, que nos dessem a conhecer as mesmas, neste tópico, com um breve comentário e se possível, com a foto da praxe.
Obrigado e Até Breve,
Mister W
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 30 2012, 19:53

Bom, Mister W is on fire. Bolas, ainda não tive a paz de espírito necessários para ler a cronica anterior (shame on me), já tu espetastes aqui mais uma pérola.

Obrigado José.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 30 2012, 20:00

António José da Silva escreveu:
Bom, Mister W is on fire. Bolas, ainda não tive a paz de espírito necessários para ler a cronica anterior (shame on me), já tu espetastes aqui mais uma pérola.

Obrigado José.

Seu malandro

lol!


Viva Mister boa dica esse Gigi Gryce
vou investigar , mas parece-me um bom cavalo para apostar
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 30 2012, 20:06

Ulrich escreveu:
António José da Silva escreveu:
Bom, Mister W is on fire. Bolas, ainda não tive a paz de espírito necessários para ler a cronica anterior (shame on me), já tu espetastes aqui mais uma pérola.
Obrigado José.
Seu malandro
lol!
Viva Mister boa dica esse Gigi Gryce
vou investigar , mas parece-me um bom cavalo para apostar

Caro Ulrich,
Acredita que é uma aposta ganha ... mas infelizmente a questão aqui é outra:
Aonde é que eles moram?! confused

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 30 2012, 21:02

António José da Silva escreveu:
Bom, Mister W is on fire. Bolas, ainda não tive a paz de espírito necessários para ler a cronica anterior (shame on me), já tu espetastes aqui mais uma pérola.
Obrigado José.

Por este andar ainda faço um livro e ofereço-to no Natal... e sabes como se vai chamar?

"As Crónicas que não leste... (mas devias ter lido)"
P.S. Isto normalmente acontece a quem tem mais olhos que barriga ... lol!
As crónicas até estão cada vez mais curtas ...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 30 2012, 21:07

Mister W escreveu:


Por este andar ainda faço um livro e ofereço-to no Natal... e sabes como se vai chamar?

"As Crónicas que não leste... (mas devias ter lido)"
P.S. Isto normalmente acontece a quem tem mais olhos que barriga ... lol!
As crónicas até estão cada vez mais curtas ...
Qualquer dia só publico mesmo as fotos ... sem texto ...







Mister W no seu best. lol!

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 30 2012, 21:58

Mister W escreveu:

"As Crónicas que não leste... (mas devias ter lido)"
P.S. Isto normalmente acontece a quem tem mais olhos que barriga ... lol!
As crónicas até estão cada vez mais curtas ...
Qualquer dia só publico mesmo as fotos ... sem texto ...




lol!

tens de de fazer umas crónicas mais tântricas ,
assim é muito andamento pró pessoal poder ler com calma, digerir, pesquisar com calma, esperar que os discos cheguem, esta parte é muito importante lol!

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 30 2012, 22:21

Ulrich escreveu:
...esperar que os discos cheguem




Espero que não me leves a mal a tentativa de corrigir/melhorar a frase acima citada.


...esperar que os euros cheguem para comprar os discos.

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Set 30 2012, 22:59

Amigo W. Já li a primeira das duas últimas crónicas, e mais uma vez tenho que sublinhar a excelência dos teus textos. Torna os álbuns mesmo apetecíveis. Descrições sublimes das obras e dos homens que as fizeram nascer.

E fui logo vasculhar...


http://www.jpc.de/jpcng/jazz/detail/-/art/Gabor-Szabo-1936-1982-Spellbinder-HQ-Vinyl/hnum/6577071


http://www.jpc.de/jpcng/home/search?fastsearch=Gabor%20Szabo%20-%20Jazz%20Raga&pd_orderby=score

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Seg Out 01 2012, 08:30

Depois de ler a segunda cronica que me faltava, vou dar então a devida atenção da próxima que ouvir este que lá tenho em casa (tanto para ouvir, e tão pouco tempo para o fazer ).




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MensagemAssunto: Sonny Stitt   Dom Out 07 2012, 15:22

Boas,
Incluir Sonny Stitt neste tópico seria decerto considerado um ultraje por alguns Jazzófilos (caso tivessem acesso a estas crónicas...) que o consideram um dos nomes sagrados do saxofone, a par dos eternamente consagrados Charlie Parker, John Coltrane, Lester Youg e Eric Dolphy entre outros (não muitos, neste nível).

Certo é que Sonny Stitt é incomparavelmente menos conhecido que os demais referidos. É igualmente certo, o incontestável valor de Sonny Stitt como compositor mas essencialmente com músico e executante de saxofone, em particular.
O motivo desta falta, ou melhor, tardio reconhecimento é contudo atribuído a uma explicação simples. Sonnny Stitt viveu durante largos anos, na sombra do seu mentor, Charlie Parker, o incontestável número um do Jazz da época (não para mim...mas isso pouco importa).
Apesar dessa "ofuscação" causada pelo Mestre, ter perdurado a quase totalidade dos anos 40 e 50, Stitt começava gradualmente a libertar-se desse pesado fardo (altura em que este disco foi gravado 1957) e no final dos 50, contava já com um inigualável número de gravações e edições (cerca de 30 discos!).
A morte de Charlie Parker em 55 (e Lester Young em 1959) contribuiu definitivamente para Sonny Stitt, alcançar o estatuto que lhe estava reservado mas que o destino teimosamente, tardava em reconhecer. De qualquer das formas, há quem defenda a teoria de que Sony Stitt seria alvo de um maior sucesso e de um vasto reconhecimento, caso tivesse vivido noutra época.

Seja como for, parece-me que Sonny Stitt sempre se demarcou dessas questões com a diplomacia que aprendera a utilizar ao longo dos tempos. E foi essa tranquilidade e modéstia, que o ajudaram a moldar a sua personalidade e a atingir a maturidade que permitiu a criação de tão belas obras musicais e de um legado, decerto difícil de repetir.

De entre a extensa e grandiosa carreira de Sonny Stitt, difícil seria enumerar as melhores obras, acima de tudo porque existem muitas que se encontram no mesmo nível. Ao invés, gostaria apenas de salientar alguns dos seus trabalhos que creio terem marcado a minha evolução como amante de Música e de Jazz:

The Sonny Stitt Quartet - Personnal Appearance, 1957 (Verve) / Polydor K.K. Japan, 1981
Neste registo de 1957 para a Verve feito essencialmente de "standards" de Jazz, Sonny Stitt vai alternando entre o saxofone alto e tenor, mostrando-se igualmente competente em qualquer deles. O desempenho é tal que Stitt parece cantar literalmente através do seu instrumento. Quincy Jones durante uma actuação de Roy Eldridge e Sonny Stitt afirmou um dia: "...and because he has so much emotion and drive in his playing all the time, you can always see his real roots".
De salientar igualmente a excelente participação de Bobby Timmons, ainda no inicio da carreira, como pianista deste disco e a quem é conferido algum protagonismo ao longo deste trabalho. Os restantes membros do Quarteto são: Edgar Willis no baixo e Kenny Dennis na bateria.
Esta re-edição japonesa de 81 (Mono) ajuda a conferir a esta obra o seu merecido reconhecimento. Não só para os seguidores de Sonny Stitt ou para os amantes de clássicos; este disco deve constar na prateleira de qualquer coleccionador ou consumidor de Jazz.

Sonny Stitt - Stitt in Orbit, 1963 (Royal Roost) / Royal Roost (LP2252), USA, 1963 (Original)
Apesar deste ser um dos seus trabalhos menos conhecidos, nem por isso deixa de merecer a minha alusão, por se tratar de um excelente trabalho, merecedor, quanto a mim, de um maior reconhecimento.
Este trabalho apresenta uma cadência rítmica de influências marcadamente Bebop, que para além de conceber a este disco uma sonoridade muito característica, serve igualmente para aveludar o ambiente no qual se enquadra a sonoridade do grande mestre do saxofone.
Os solos suaves de Stitt completam o quadro e criam uma envolvência extremamente relaxante.

Se algum dia se vierem a deparar com uma qualquer crónica ou site que atribuiu uma classificação modesta a este disco, por favor não o levem a sério ... porque certamente foi feita por alguém que nunca ouviu (de facto) este disco! Em vez disso, aconselho antes de mais, a Vossa própria audição (e só depois à formação de juízos de valores ...).


Sonny Stitt - Tune-Up, 1972 (Muse) / Coblestone Records, USA, 1972
Excelente trabalho e um dos mais cotados do artista numa igualmente boa prensagem da Coblestone Records (já que o original da Muse é bastante difícil de encontrar).

Alguém disse um dia, que as análises criticas ao desempenho de Sonny Stitt, deveriam ser efectuadas por músicos ou por conhecedores profundos da técnica do saxafone, pois de outra modo não poderiam nunca analisar convenientemente e compreender o seu desempenho singular e a sua técnica apuradíssima.
Esta é uma daquelas sessões em que claramente se percebe que Stitt está em perfeita sintonia com a sua sonoridade e com a sua habilidade técnica, parecendo (músico e instrumento) fundir-se num só elemento. E para termos essa percepção, garanto-vos que não precisamos de qualquer conhecimento académico do saxofone ... em vez disso, apenas se torna necessário o gosto pela boa música e já agora por bom Jazz.


Sonny Stitt - Sonny Stitt, Sonny Stitt, 1956 (Royal Roost) / Nippon Columbia, Japan, 1978 (Mono)
Um dos factos interessantes sobre este disco é o de nem sempre fazer parte da discografia oficial (ou pelo menos com este titulo).
O segundo aspecto curioso (que está certamente ligado ao primeiro), prende-se com o facto de não existir um consenso sobre o titulo do trabalho... (Desde "Sonny Stitt", "Sonny Stitt Plays", "Sonny Stitt Plays Sonny Stitt" ou ainda "Sonny Stitt x3" ...). A minha edição tem na parte da frente "Sonny Stitt" repetido várias vezes e na parte de trás "Sonny Stitt Plays"...
Concordo que são todos muito idênticos ... mas não são iguais! Mais complicado fica, se a pesquisa se basear no nome das faixas ... Já pus a possibilidade de ser uma colectânea, mas não creio...
Pois bem, a mim pouco me importa ... pois este é para mim um dos melhores de Stitt (dos 10 que conheço...). Este disco (Mono, refira-se) é completamente mágico, interpretado de forma sublime!
Participam neste disco: Hank Jones (Piano), Freddie Greene (Guitar), Wendell Marshall (Bass) e "Shadow" Wilson (Drums) que contribuem igualmente para a excelente sonoridade deste trabalho.
É nestas obras que se consegue entender a razão pela qual colocam Sonny Stitt entre os melhores de sempre.
Obrigatório ...


Nota: Gostava por fim de salientar que o meu conhecimento da obra de Sonny Stitt é mesmo muito limitado (apesar dos cerca de 10 discos que possuo) pois na sua extensa carreira contam-se mais de 150 registos discográficos (LP's) sem contar com compilações, edições especiais, não oficiais, entre outras... Pode-se dizer que conheço pouco mais de 10% da sua discografia, o que é manifestamente pouco, para tecer quaisquer comentários globais sobre a carreira do artista ...
Fica aqui o meu compromisso para quando atingir os 50% fazer um novo e mais completo artigo sobre o artista ...
Até Breve
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Out 07 2012, 16:12


Discos muito interessantes esses que tens dele.



Eu conheço bem o "Blows The Blues" que ele fez para a Verve e o "Salt & Pepper" que ele fez com o Paul Gonsalves para a Impulse.

Também já tive na minha coleção pessoal um dele daqueles baratos da OJC com a participação do Bud Powell e o J.J.Johnson,
grandes nomes e grande musica, mas o som é mauzinho já que a gravação é de 1950.

É este aqui :
http://www.allmusic.com/album/sonny-stitt-bud-powell-jj-johnson-mw0000203790


Abraços,
Jorge
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Out 07 2012, 16:30

Jorge Ferreira escreveu:

Discos muito interessantes esses que tens dele.

Eu conheço bem o "Blows The Blues" que ele fez para a Verve e o "Salt & Pepper" que ele fez com o Paul Gonsalves para a Impulse.

Também já tive na minha coleção pessoal um dele daqueles baratos da OJC com a participação do Bud Powell e o J.J.Johnson,
grandes nomes e grande musica, mas o som é mauzinho já que a gravação é de 1950.

É este aqui :
http://www.allmusic.com/album/sonny-stitt-bud-powell-jj-johnson-mw0000203790

Abraços,
Jorge

Jorge,
Agradeço os comentários.

Esse com o Bud Powell e o JJ Johnson é mesmo um dos primeiros daí a (expectável) fraca qualidade.

O "Salt & Pepper" é muito bom! Tenho-o em Super Audio e o som é ... razoável (eheheh). Pró bonzito vá...
Tenho um outro em CD que tem um nome curioso: "Don't Call Me Bird", tal era a perseguição que faziam ao homem sobre as suas influências ...

Esse "Blows the Blues" deve ser igualmente bom, pois pertence a uma fase que eu considero particularmente fértil na carreira do Stitt, que são os anos 70 (e não só...).

Abraço
MrW





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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Out 07 2012, 18:04



Ainda não tenho nada dele

mas fiquei com vontade de conhecer
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Out 07 2012, 18:14

Ulrich escreveu:


Ainda não tenho nada dele
mas fiquei com vontade de conhecer

Este é daqueles com quem dificilmente nos enganamos, com excepção dos primeiros discos, cujo som deixa um pouco a desejar...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Out 07 2012, 18:23

Mister W escreveu:
Caros Amigos,
Para mudarmos um pouco de ares sugiro uma paragem (obrigatória) pela Hungria. Não sendo o Jazz Hungaro tão conhecido quanto isso (pelo menos fora de portas) os mais atentos ao fenómeno Jazzístico, identificaram de imediato de quem se podia tratar. Trata-se efectivamente de um dos guitarristas mais criativos dos anos 60 e que após ter emigrado para os Estados Unidos com apenas 20 anos (em pleno regime Comunista) depressa se integrou e se imiscuiu na cena Jazz norte-americana (tocou com Charles Lloyd e Chico Hamilton na banda do último), sem nunca perder as suas raízes e repercutindo-as de forma significativa na sua musica. Vamos então aos discos:

Gabor Szabo - Spellbinder, 1966 (Impulse) - Euphoria Jazz ELP217 (Universal) USA, 2007
Este é o segundo disco da carreira do guitarrista Hungaro como leader e um dos mais aclamados. A excelência do som da guitarra de Szabo é neste disco (atrever-me-ia mesmo a dizer, mais do que noutros) sublime e a principal referência do mesmo, pesem embora, as excelentes contribuições do seu antigo "chefe" na bateria (Hamilton), de Ron Carter no baixo e de um par de excelentes percussionistas (Wille Bobo e Victor Pantoja) que conferem a este disco um toque latino.
Esta obra prima é carregada de misticismo e transporta-nos para ambientes com uma sonoridade oriental, sem nunca perder a influência "so sixties" característica da época e tão bem retratada pela Gibson de Gabor Szabo (e amplificação Toby).

Este músico, como muitos decerto concordarão, trouxe algo de novo à cena Jazz e mais tarde Jazz-Rock, sob a forma de originalidade. E como se não bastasse a sua genialidade músical, o autor brinda-nos com outra forma de arte da sua preferência, traduzida na pintura da capa deste disco. Os mais conservadores, a que este trabalho possa não ter agradado, decerto que puderam aproveitar a capa e emoldurar a sua pintura ...
Quanto a mim, nota máxima... para o disco e para a capa, cuja excelente apresentação (nesta re-edição de 2007) nunca é demais referir.





Gabor Szabo - Jazz Raga, 1967 (Impulse A9128) - Light in the Attic Records (Universal) USA, 2010
Este igualmente aclamado trabalho de Gabor Szabo é provavelmente o mais misterioso e exótico. Tal deve-se, em grande parte à sonoridade indiana que apresenta, em virtude do crescente interesse e envolvimento de Szabo e que o levaram a iniciar-se no seu estudo desde o inicio dos anos 60. Este é o primeiro de uma série de vários discos, em que a Citara (Sitar) nos é dada a conhecer, com a sua sonoridade característica, pelas mãos de Dave Szabo. Neste disco a Citara e a Guitarra envolvem-se numa disputa de ritmos e solos completamente transcendentes. Perguntam-me? mas o homem tem dois pares de mão? Não, às vezes poderá parecer, mas definitivamente só tem duas mão. Acontece que neste disco, Szabo (enquanto se envolve com a Citara) contracena com outro guitarrista, que dá pelo nome de Bob Bushnell (desta vez com Fender). Completam a formação, "Pretty" Purdie o excelente baterista, como é carinhosamente conhecido e Johnny Gregg, no baixo.
Não devem ser esquecidas, as fortes referências à música cigana e popular Húngara neste disco.
Apesar da maioria dos temas deste disco serem originais (Cool, podemos encontrar dois standards: Caravan e Summertime, para além da cover Paint it Black dos Rolling Sones.

Este trabalho é harmoniosamente exótico e exoticamente belo. Se tiver que comparar os dois (algo que não costumo por norma fazer, porque cada disco é único e reflecte um estado de alma e um momento diferente e exclusivo e portanto incomparável) a minha preferência vai para este (apesar de gostar igualmente de Spellbinder e de o achar uma excelente obra) pois Jazz Raga é de um singularidade e originalidade que as primeiras vezes que o ouvimos com mais atenção damos por nós a questionar-nos "Mas que som é este?", "Com o que é que se parece?". Felizmente, não se parece com nada, apesar das suas reconhecidas e evidentes influências (assumidas por Szabo mas que não revelarei...).

Não pode passar sem uma menção (honrosa, porque não) para a excelente qualidade desta prensagem de 2010. Pegar nesta obra (gatefold) é só por si revelador da extrema qualidade da mesma. Tudo é nela, produzido com a máxima qualidade. A capa tem um brilho que nos ofusca, as imagens são de excelente qualidade (mesmo com a idade que possuem), o disco tem uma sonoridade limpa, detalhada, profunda e por último, acompanham esta edição "gatefold", um desdobrável com informação (entrevistas) e fotos exclusivas e ainda um pequeno livro (booklet) com 30 páginas (tipo papel de jornal) editado pela Light in the Attic Records, que nos dá a conhecer o seu vasto catálogo, para além de informação diversa sobre editoras, bandas e música em geral. Estão sem dúvida alguma de Parabéns. Mesmo para os que não tencionem comprar este disco, aconselho-os a conviver com ele durante uns minutos (provavelmente mudam de opinião).
By the way. A pintura da capa é novamente da autoria de David Szabo. Só podia.

Por último, gostava de referir que nem toda a obra de David Szabo é tão sublime e apelativa como os dois exemplos acima. Tal deve-se ao facto de Szabo ter, a determinada altura, cedido aos interesses de uma sonoridade mais comercial, o que se viria a reflectir nas obras lançadas a partir de 1970. Não quero com isto dizer que não existem outras obras igualmente boas (até porque não as conheço a todas). Apenas, saliento a necessidade de um maior cuidado, sempre que nos depararmos com discos posteriores a 1970, ou 1972.
Existem apesar de tudo , algumas excepções em discos como Mizrab (CTi, 1972) em que nos damos conta da sonoridade que combinava, de forma sublime, o Jazz, com a Pop, a Gypsy (música cigana) bem como fusões de música Asiática e Indiana.
Infelizmente, David Szabo não nos deu o prazer de uma carreira longa, já que morreu em 1982, com 46 anos. Fica o incomparável testemunho que nos deixou.





A forma como estas crónicas são escritas, dá vontade de ir a correr ouvir as obras!


É a minha 1ª intervenção neste tópico, devido ao meu muito limitado conhecimento musical...

De qualquer forma, acho que deve ser motivador para o cronista saber que há quem consuma ávidamente cada um dos seus posts, e por essa razão aqui estou!
Uma vez mais, muitos parabéns, e obrigado pelas 'aulas'!

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Dom Out 07 2012, 18:47

chicosta escreveu:


A forma como estas crónicas são escritas, dá vontade de ir a correr ouvir as obras!

É a minha 1ª intervenção neste tópico, devido ao meu muito limitado conhecimento musical...

De qualquer forma, acho que deve ser motivador para o cronista saber que há quem consuma ávidamente cada um dos seus posts, e por essa razão aqui estou!
Uma vez mais, muitos parabéns, e obrigado pelas 'aulas'!


Caro chicosta,
É concerteza motivador saber que estas crónicas despertam curiosidade e interesse, pois de outra forma a elaboração das mesmas não faria qualquer sentido.

Agradeço os comentários e principalmente que me continue a brindar com o prazer da sua leitura.

Um Bem Haja
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 00:37

Hoje finalmente arranjei o tempo e a concentração que as tuas crónicas me merecem para assim poder absorver mais um dos teus magníficos textos. Tenho la o Sonny Stitt em casa mas em colaboracao com outros artistas. A ver se ouço novamente e a ver se arranjo algumas das obras por ti referenciadas.
Já vamos na terceira página deste teu tópico, e só posso esperar e desejar que venham a ser muitas e muitas mais.

Para quando as muitas relíquias que tens de trombone?

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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 01:52

Lembrei-me que este e um dos que tenho dele, mas tenho quase a certeza de que tenho mais.




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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 02:20

António José da Silva escreveu:
Lembrei-me que este e um dos que tenho dele, mas tenho quase a certeza de que tenho mais.




Esse não conheço mas deve ser igualmente bom. No final dos anos 70 (e final da sua carreira que terminou em 1982 com a sua morte) Sonny Stitt lançou alguns trabalhos de parceria com outros artistas. Recordo-me de um com Milt Jackson, com Red Holloway ou com os brasileiros Zimbo Trio. Dos que conheço, posso adiantar que se tratam de excelentes obras, essencialmente pela grande maturidade que o músico e compositor gozava nesta fase derradeira da sua longa carreira.
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 02:52

António José da Silva escreveu:


Para quando as muitas relíquias que tens de trombone?



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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 09:36

António José da Silva escreveu:
António José da Silva escreveu:


Para quando as muitas relíquias que tens de trombone?



Trombone...
Aqui vou-me atrever a dar uma sugestão e a nossa "Enciclopédia do Jazz" que desenvolva!
O trombone era um instrumento para o qual olhava não com desdém, mas como 'mais um'!
Até ao dia em que ouvi um tema que me tocou cá dentro e me fez olhar de uma forma diferente, procurar ouvir J. J. Johnson, e outros virtuosos deste instrumento! Quando ouvia algo de Afro-Beat, passei a procurar pelo som do Trombone!
A música que provocou isto foi "The Lord Is Listenin' To Ya, Hallelujah!" do álbum Carla Bley - Live! e é precisamente este álbum a minha primeira sugestão!

http://www.discogs.com/Carla-Bley-Live/release/593435



ps: não descansei enquanto não o tive na minha coleção!
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 10:26

chicosta escreveu:
António José da Silva escreveu:
António José da Silva escreveu:


Para quando as muitas relíquias que tens de trombone?

Trombone...
Aqui vou-me atrever a dar uma sugestão e a nossa "Enciclopédia do Jazz" que desenvolva!
O trombone era um instrumento para o qual olhava não com desdém, mas como 'mais um'!
Até ao dia em que ouvi um tema que me tocou cá dentro e me fez olhar de uma forma diferente, procurar ouvir J. J. Johnson, e outros virtuosos deste instrumento! Quando ouvia algo de Afro-Beat, passei a procurar pelo som do Trombone!
A música que provocou isto foi "The Lord Is Listenin' To Ya, Hallelujah!" do álbum Carla Bley - Live! e é precisamente este álbum a minha primeira sugestão!

http://www.discogs.com/Carla-Bley-Live/release/593435


ps: não descansei enquanto não o tive na minha coleção!

Caro chicosta,
Esse tema é de facto um "must" no repertório de Carla Bley.

Para além das suas longas pernas (e sem por em causa o seu inquestionável valor) sempre tive a ideia (do que conheço) que os grandes pilares da banda de Carla Bley (por vezes Quarteto) assentavam em músicos extraordinários como Steve Swallow (baixo), Vincent Chauncey (creio que é ele nesse "The Lord is Listenin...") bem como o trompete italiano de Paolo Fresu (mais tarde) do qual deixo aqui um pequeno testemunho ...

https://www.youtube.com/watch?v=0aGxmy1uzRM&feature=related

Quanto às "reliquias" do trombone a que o António se refere, não creio serem assim tantas... mas vou tentar proximamente abordar esse tema ... ao de leve!

Boas Audições Wink
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 10:32

Mister W escreveu:
chicosta escreveu:
António José da Silva escreveu:
António José da Silva escreveu:


Para quando as muitas relíquias que tens de trombone?

Trombone...
Aqui vou-me atrever a dar uma sugestão e a nossa "Enciclopédia do Jazz" que desenvolva!
O trombone era um instrumento para o qual olhava não com desdém, mas como 'mais um'!
Até ao dia em que ouvi um tema que me tocou cá dentro e me fez olhar de uma forma diferente, procurar ouvir J. J. Johnson, e outros virtuosos deste instrumento! Quando ouvia algo de Afro-Beat, passei a procurar pelo som do Trombone!
A música que provocou isto foi "The Lord Is Listenin' To Ya, Hallelujah!" do álbum Carla Bley - Live! e é precisamente este álbum a minha primeira sugestão!

http://www.discogs.com/Carla-Bley-Live/release/593435


ps: não descansei enquanto não o tive na minha coleção!

Caro chicosta,
Esse tema é de facto um "must" no repertório de Carla Bley.

Para além das suas longas pernas (e sem por em causa o seu inquestionável valor) sempre tive a ideia (do que conheço) que os grandes pilares da banda de Carla Bley (por vezes Quarteto) assentavam em músicos extraordinários como Steve Swallow (baixo), Vincent Chauncey (creio que é ele nesse "The Lord is Listenin...") bem como o trompete italiano de Paolo Fresu (mais tarde) do qual deixo aqui um pequeno testemunho ...

https://www.youtube.com/watch?v=0aGxmy1uzRM&feature=related

Quanto às "reliquias" do trombone a que o António se refere, não creio serem assim tantas... mas vou tentar proximamente abordar esse tema ... ao de leve!

Boas Audições Wink
Mister W

Nos créditos do álbum o Trombone está entrege a Gary Valente!
O Vincent Chauncey está na "French Horn", seja isso o que fôr. Tive que gogglar para ver uma foto, porque não sabia o que era...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 10:47

chicosta escreveu:

Nos créditos do álbum o Trombone está entrege a Gary Valente!
O Vincent Chauncey está na "French Horn", seja isso o que fôr. Tive que gogglar para ver uma foto, porque não sabia o que era...

Gary Valente ... só podia ter um apelido luso! Um nome a fixar ...
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MensagemAssunto: Re: *Os menos badalados do JAZZ*   Ter Out 09 2012, 12:38



Trombone! Trombone! Trombone! bounce

lol!
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