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 O Rock em Portugal

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vlopes
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MensagemAssunto: O Rock em Portugal   Ter Set 07 2010, 21:46

Hoje dei de caras com este artigo que achei interessante partilhar convosco :

ANM - A Nossa Música
O Rock em Portugal

1960-1969

1970-1979

1980-1989
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Milton
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Qua Set 08 2010, 00:13

E fizeste muito bem !
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Qua Set 08 2010, 00:26

Milton escreveu:
E fizeste muito bem !

Ele ás vezes faz coisas boas...
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vlopes
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Qua Set 08 2010, 14:22

O ROCK EM PORTUGAL 1970-1979

"Ao contrário dos anos 60, a década de 70 acabou por se revelar profícua na construção de projectos excepcionalmente válidos para o desenvolvimento do rock'n 'roll. Basicamente podemos perspectivar o fenómeno em três intervalos de tempo diferenciados: os primeiros quatro anos até Abril de 74; o período do pós-revolução que seguiu; a chegada até nós do punk-rock no final da década e o germinar das raízes da música moderna. Tematicamente, é impossível criar fossos absurdos entre a vaga psicadelista que despontou em 67 e a realidade do nosso rock a partir de 1970. Por isso, teremos de iniciar esta abordagem precisamente com base na análise da herança deixada por esses conturbados anos 60. Conforme foi referido no resumo da década de 60, o cenário português acabou por actuar como um «pau de dois bicos» para o rock. Se, por um lado, o seu sistema ditatorial servia como motivo de inspiração perfeito para a contestação natural do rock, as suas regras, determinadas segundo modelos severos de vigia, impossibilitavam a sua expansão ao imaginário de todos os jovens portugueses, mantendo-se o fenómeno restrito às zonas urbanas mais populosas, com Lisboa e o Porto à cabeça, muito naturalmente.

Apesar disso, o rock impôs-se fortemente como veículo de vida e atitude de muitos portugueses, podendo a sua história entre nós, durante a década de 70, ser compreendida a partir do relato de um episódio que ilustra bem a sua importância, em todas as suas facetas: musical, social e política. Tudo se passou em torno de um festival agendado para o Verão de 70, em Oeiras. No meio de um cartaz essencialmente rock, despontava o nome de Zeca Afonso, tido pelas autoridades como uma figura perigosa para a nação. De braço dado, o rock e a canção popular portuguesa, preparavam-se para comemorar juntos algumas horas de música. O público afluíu em massa e, horas antes do concerto, as ruas de Oeiras encontravam-se apinhadas de jovens que, de um modo ou outro, aguardavam o início do espectáculo. Devido à presença de Zeca Afonso, a polícia determinou o cancelamento do festival e deu ordens para carregar sobre a população, no sentido de a dispersar com a máxima brevidade possível. Num instante, surgiram inúmeros casse-têtes e matilhas de cães treinados, provocando um pandemónio incrível, arrastando consigo cenas de lamentável violência. Contudo, dado que nas ruas de Oeiras se passeavam não só os interessados no concerto, como igualmente transeuntes alheios à sua realização, a carga atingiu também inocentes circunstanciais. Ora, uma dessas pessoas era, nada mais nada menos, do que uma familiar directa de um alto oficial da PIDE. Para infelicidade dos repressores, essa senhora encontrava-se num estado de gravidez adiantada e, em consequência das agressões sofridas por parte de um dos cães largados pela polícia, acabou por sofrer um aborto intencional. O feitiço virava-se assim contra o feiticeiro, culminando tudo numa repreensão duríssima contra o responsável pela ordem de repressão. Apesar do rock ter sido beneficiado por uma infeliz e lamentável coincidência exterior, este caso ficou arquivado para a história como o arranque oficial das suas actividades em Portugal, na década de 70.

A montra de Vilar de Mouros
Desta época, extensível até 24 de Abril de 1974 e à sua revolução popular, guarda-se o registo da evolução de vários grupos importantes provenientes da década anterior, a par do surgimento de novos valores. No grupo dos primeiros, incluem-se a Filarmónica Fraude, os Objectivo, os Pop Five Music lncorporated, os Chinchilas e os Psico, nomes já abordados durante o capítulo reservado à década de 60. O somatório das suas aventuras no domínio da experimentação do rock, com outras texturas sonoras alheias a este, providenciou a nata do que melhor foi feito em Portugal no início dos anos 70.

Como uma bomba de efeito retardado, a cultura hippy explode em Portugal com o máximo da sua intensidade, apesar do fenómeno ter entrado em decadência nos seus palcos naturais, Inglaterra e Estados Unidos. Segundo o modelo de sucesso alcançado em festivais como Woodstock e Monterey, os portugueses organizam a nossa resposta em Vilar de Mouros, a 7 e 8 de Agosto de 71, apresentando um cartaz musical que iria fazer história durante muitos anos depois. Elton John e os Manfred Man actuaram como atracções internacionais para uma agenda que incluía também a produção nacional, representada pelo Quarteto 1111, Objectivo, Pentágono, Sindicato, Beatnicks, Chinchilas, Pop Five Music lncorporated, Psico, Celos, Contacto, Bridge e Mini-Pop, um grupo formado em 69 por crianças que variavam entre os 8 e os 12 anos de idade.

Apesar de frequentarem ainda a escola primária e os primeiros anos do Liceu, estes miúdos do Porto não deixavam por isso de se apresentarem em público segundo a estética mais clássica do rock, trajando roupas exóticas e exibindo cabelos comprido, bem dentro da moda. Eles eram os irmãos Pedro, Mário e Eugénio Barreiros, a quem se juntou o amigo Abílio Queirós. Doze anos depois esta efémera aventura rock com marcadas insinuações iria dar origem aos Jafúmega um dos grupos mais marcantes do início da década de 80.

Explosão «hippy» em Portugal
Mas a idade hippy ir-se-ia revelar fundamental enquanto fonte de inspiração dos músicos portugueses. Um dos primeiros grupos a aderir ao advento do flower power foram os Beatnicks, um projecto que nunca chegou a atingir a estabilidade desejada pelos seus mentores, devido à constante onda de mudanças que foi afectando a sua formação. Na prática, podemos dividir a sua existência em três períodos. Entre 71 e 72, foram marcados pelo fascínio do guitarrista Rui Pipas (um dos mártires do nosso rock) pela energia do hard-rock, tendo editado «Christine Goes To Town», um EP que nunca chegou a ter o esperado impacte lógico devido ao súbito abandono de Pipas para formar os Albatroz, um outro projecto totalmente consagrado à fúria do rock pesado.

Entretanto, e devido a problemas relacionados com a fuga ao serviço militar, três membros do grupo abandonam Portugal e refugiam-se na Bélgica, de onde só regressam após a revolução de 74. Um ano depois, entra para o grupo um novo elemento que se iria revelar de importância extrema em palco, Lena D' Água, a filha do futebolista José Águas. Juntamente com Tó Leal (também na voz), eles iriam percorrer o país inteiro em espectáculos sucessivos, transformando os Beatnicks num dos grupos mais populares dos anos 70 em Portugal. Nesta altura, o grupo viajava pelo universo da electrónica, versionando ao vivo nomes como Brian Eno e os Roxy Music. Mais tarde, em 77, com a saída de Lena D' Água e a entrada de António Emiliano para os teclados, os Beatnicks preenchem o seu último capítulo de vida, numa tentativa desesperada de sobreviver às novas tendências do rock, que apontavam directamente para o punk, ao invés do sabor progressivo que o grupo ainda alimentava"


Esta é a decada das minhas referencias e memorias mais vivas .
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Qua Set 08 2010, 14:32

Dá para aprender/reviver umas coisas.
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vlopes
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Qua Set 08 2010, 14:46

António José da Silva escreveu:
Dá para aprender/reviver umas coisas.

por exemplo que dos mini-pop, sairam anos mais tarde os Jafumega!
quem diria...

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*©uℓto do Ʋıƞıℓ ®
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Qua Set 08 2010, 17:59

vlopes escreveu:
António José da Silva escreveu:
Dá para aprender/reviver umas coisas.

por exemplo que dos mini-pop, sairam anos mais tarde os Jafumega!
quem diria...


Caro AJS quando os quiseres ouvir avisa, os mini eram muito bons mesmo, os seus singles e eps eram de espantar.

quanto ao site já o conhecia.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Qua Set 08 2010, 18:01

*©uℓto do Ʋıƞıℓ ® escreveu:
...quando os quiseres ouvir avisa...


Um dia destes, emprestas-me algumas preciosidades para eu passar para cassete.
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vlopes
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Qua Set 08 2010, 19:28

*©uℓto do Ʋıƞıℓ ® escreveu:
vlopes escreveu:
António José da Silva escreveu:
Dá para aprender/reviver umas coisas.

por exemplo que dos mini-pop, sairam anos mais tarde os Jafumega!
quem diria...


Caro AJS quando os quiseres ouvir avisa, os mini eram muito bons mesmo, os seus singles e eps eram de espantar.

quanto ao site já o conhecia.


Admirava-me era se fosse uma novidade para ti!
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Vodoo
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Qui Set 09 2010, 01:28

E dos Portugueses dos que gosto mais são destes, Tantra, Roxigénio, Psico Go grall blues band













Alguêm se lembra disto ???

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zaratustra
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Qui Set 09 2010, 01:40

Claro que lembra.
Excepto os Tantra, vi isso tudo ao vivo (há milhões de anos...).
Então e os Arte e Ofício, Petrus Castros, JáFumega, blá-blá-blá......?
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Vodoo
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Qui Set 09 2010, 01:42



E actualmente dos que gosto mais são estes, e estava algures aqui neste concerto em 2007 !!!



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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Sab Set 22 2012, 11:47

Mais um bom artigo sobre o nosso Rock e que fala também sobre a Groovie Records


http://ipsilon.publico.pt/musica/texto.aspx?id=290220





Antes do "Chico Fininho", a história do rock português já ia longa. Primeiro no MySpace e depois em secretas edições em vinil, a Groovie Records anda a desenterrar a história ignorada, mas épica, do tempo em que o rock ainda era "pouco edificante"

Quem tem memória visual de Lisboa nos anos de viragem 80-90 só pode lembrar-se dessa figura exótica e camaleónica de Luís Futre (primo do ex-jogador, e também ele vindo do Montijo), que encarnava com exuberância de acessórios e indumentária numa expressão petrificada, o imaginário marginal do rock. Luís Futre nunca tocou numa banda, mas apadrinhou a existência de várias e a sua colecção de discos anda por aí espalhada aos quatro ventos, a divulgar o rock e a inspirar a criação de novas bandas. Aos 44 anos, agora com o cabelo curto, uns óculos de massa e roupa mais discreta, a fazer lembrar os mods dos anos 60, Futre trabalha com Edgar Raposo na Groovie Records - que no mês passado esteve no Atelier Real, em Lisboa, promovendo uma série de encontros e sessões de trabalho com figuras centrais e marginais do rock português desde os anos 50.

Rock português, anos 50. Isso existe? Para a geração do Futre e do Edgar, que cresceu a ouvir dizer que o pai do rock português era o Rui Veloso, parece uma incongruência, mas a história do rock é um conto de fadas ruidoso e a realidade confunde-se com as lendas. A Groovie Records tem vindo a desenterrá-las do esquecimento. Primeiro no MySpace, depois em secretas edições em vinil, a editora anda a revelar o rock que se praticou em Portugal na transição para os anos 60 (Portuguese Nuggets), e também o que era tocado em Angola, Moçambique, África do Sul, Madagáscar (Cazumbi)! Em 2008, quando morreu Joaquim Costa, esse renegado do rock'n'roll, publicaram-lhe o primeiro disco.

Luís Futre conheceu Joaquim Costa (1936-2008) em 1985, na Feira da Ladra. "Estava com uma camisola dos Cramps, um cota veio ter comigo e perguntou: ‘Não me consegues arranjar a compilação ‘Rockabilly Psychosis', que tem o Phantom?' Fiquei fascinado pela pessoa, em virtude de acompanhar o rock'n'roll e a cena underground desde a década de 50." Joaquim Costa contou-lhe a história do rock português, a esquecida, a ignorada e a desconhecida. Ficou a saber que o rock chegou a Portugal através do cinema, e que foi o realizador Leitão de Barros a divulgá-lo, através das noites de Verão que organizava no Jardim da Estrela. Com o dinheiro que ganhou a actuar nessas festas, Joaquim Costa financiou sessões no estúdio da Rádio Graça, fez três acetatos e criou as capas dos discos que haveriam de ficar inéditas até ao ano da sua morte. Futre ficou assim a conhecer aquele que foi um pioneiro da ética de trabalho "do-it-yourself" , que ele mesmo haveria de fomentar em meados dos anos 90 com a editora Beekeeper, quando, associado a Elsa Pires, lançou o álbum "Teenagers from Outerspace".

Edgar Raposo, fundador da Groovie Records, era vizinho de Joaquim Costa. Actualmente trabalha com Pedro Carvalho Costa num documentário sobre ele: "O Joaquim foi um punk na atitude ‘do-it-yourself', na rebeldia, no anti-sistema. Dizia que o rock era para ser cantado em inglês, que cantar rock em português era uma palhaçada. Tinha uma opinião muito própria e um conhecimento muito vasto sobre a história do rock'n'roll."

Daniel Bacelar (n. 1943) gravou o seu primeiro disco aos 17 anos e integrou Os Conchas. O seu percurso é exemplar do contexto sócio-profissional em que surgiram os pioneiros do rock em Portugal: empregado na TAP desde os 22 anos, com possibilidades para viajar, comprar discos e equipamento, o seu primeiro contacto com o rock foi através de uma "pen-pal" (amiga por correspondência para praticar inglês), que lhe enviou, era ele adolescente, duas canções de Ricky Nelson. A estreia de Daniel Bacelar em palco foi "pouco edificante", num programa da RTP ao vivo na Feira das Indústrias, acompanhado de Jorge Machado e o seu Conjunto. Tinham acabado de gravar um disco juntos e acharam que não era preciso ensaiar. "No dia seguinte telefonei para o Sr. Melo Pereira, director do departamento de programas recreativos da RTP, e ele respondeu-me: ‘Pois é Daniel,o Jorge realmente meteu uma aguada desgraçada e todos nós vimos isso, mas quem se lixa é o mexilhão!' Vi imediatamente que seria muito difícil ter uma carreira artística. A aviação deu-me aquilo que muita gente não teve a oportunidade de ter: meter-me no avião e ir ver este ou aquele espectáculo em sítios bem longe, e conhecer gente bem interessante." O rock, para ele, passou a ser uma reunião entre amigos, nos intervalos do trabalho.

Um mundo desconhecido

Em colaboração com a Iplay, a Groovie Records prepara entretanto os discos dos grandes grupos da segunda geração de rock português (Quarteto 1111 e Filarmónica Fraude), assim como uma série de bandas portuenses originalmente editadas pela Rapsódia e a Belter: Jess & James, Tártaros, Espaciais. "Existe mais um punhado de bandas que gostaríamos de ver disponíveis em formato LP, mas as negociações com as editoras responsáveis estão complicadas. Preferem ter o material guardado a apodrecer do que relançá-lo. Por vezes parece que a tal ditadura rígida e inflexível [dos "anos de chumbo" do rock português] permanece, de alguma forma", lamenta Edgar Raposo.

Para João Carlos Calixto, investigador e documentalista musical (colabora com a RTP na série em produção "Estranha Forma de Vida", dedicada à música popular portuguesa desde a década de 30), José Cid é o nome transversal a muitos dos projectos que aconteceram nessa época: "Muitos foram os cantores e grupos que gravitavam na sombra do Quarteto 1111, ensaiando na garagem de Michel Mounier (baterista) e gravando discos produzidos por José Cid e por António Moniz Pereira (guitarrista). Contam-se nomes como Tonicha, José Cheta, Simone de Oliveira, José Jorge Letria e projectos mais experimentais, como Evolução ou Plexus. Em termos de festivais, houve o Festival dos Salesianos, em 1969, que no próprio dia foi impossibilitado de se realizar por carga policial sobre a multidão, e que estava a ser organizado por José Cid; e o Festival de Vilar de Mouros de 1971, em que participaram o Quarteto 1111, os Pop Five Music Incorporated, Chinchilas, Sindicato e Pentágono."

E estudos sobre essa época? "Tudo está por fazer! Está agora a ser elaborada uma tese na Universidade Nova sobre o rock português na década de 70, por Ricardo Andrade, e há textos soltos aqui e ali". Há, por exemplo, "Nova Vaga - O Rock em Portugal - 1955-1974 - História e Catálogo de Edições Nacionais" (Groovie Records, 2008).

Vítor Gomes e "Franjas", convidados para integrarem o ciclo de conversas no Atelier Real são, segundo Edgar Raposo, as primeiras referências no que diz respeito à noção de "undergound" e psicadelismo: "O Franjas teve os Steamers, que foi das poucas - talvez a única - bandas com essa coisa de garage psych, inspirada no rock californiano dos Seeds ou Blues Magoos. Pena só terem gravado um disco. Ainda tivemos os The Jets, um pouco antes, que deram início a esse movimento. A primeira capa de disco com influência psicadélica em Portugal é deles."

A Groovie Records especializou-se na música obscura dos anos 60, reeditando excentricidades de todo o mundo (inlcuindo Ásia e Norte de África) nas áreas do garage rock e do psicadelismo. Dir-se-ia uma editora revivalista, não se desse o caso da música que editam ser praticamente desconhecida: "Essa história da nostalgia é uma desculpa, falta de informação por vezes. Agora anda toda a gente aí nos anos 80, a década em que a música pop e mainstream foi a pior dos últimos 50 anos. Isso sim é um revivalismo, com grandes objectivos económicos por trás".

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Sab Set 22 2012, 12:16



Está muito bom, thanks pela partilha
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Fran
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Sab Set 22 2012, 13:26

Já agora, e tendo em conta que falaram dessa maralha toda, vejam isto (com tempo), sff

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Milton
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Sab Set 22 2012, 22:27

Fran escreveu:
Já agora, e tendo em conta que falaram dessa maralha toda, vejam isto (com tempo), sff


Tenho estado a ver o video aos bochechos e ainda me faltam perto de 15 minutos, mas desde já te digo que devia passar no Canal de História.
Esse video é muito bem feito !
Obrigado Francisco !

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Fran
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Sab Set 22 2012, 22:54

Milton escreveu:
Fran escreveu:
Já agora, e tendo em conta que falaram dessa maralha toda, vejam isto (com tempo), sff


Tenho estado a ver o video aos bochechos e ainda me faltam perto de 15 minutos, mas desde já te digo que devia passar no Canal de História.
Esse video é muito bem feito !
Obrigado Francisco !
De nada João, e desde já, agradeço o teus agradecimentos , mas em abono da verdade, foi o "nosso" Cor do Vox, que me o passou via "fuças" (aka facebook)
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Dom Set 23 2012, 16:28


Acabei agora de ver, e é de facto uma obra de arquivo
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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: O Rock em Portugal   Dom Set 23 2012, 19:29


Já vi...Muito bom!!
Obrigado Fran e Cordovox, pela partilha.
cheers
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O Rock em Portugal
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