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 A obra de uma vida

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António José da Silva
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MensagemAssunto: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 17:09

Já abordei este assunto por alto, mas hoje decidi-me a fazer a reportagem que Rainer Horstmann e o AAP tanto merecem. Rainer teve a amabilidade de me enviar as fotos e as explicações necessárias para fazer esta reportagem, o que eu agradeço.

Do que se trata? Bom, trata-se de um gira discos, mas não um gira discos qualquer, pois o gira em causa é "só" o estudo de algo muito mais importante. Uma maquina de cortes para vinil com a evolução tecnológica de hoje. As maquinas existentes tem perto de 30 anos e estão-se a acabar. Para alem disso, ficaram paradas no tempo (tecnológico) e hoje é possível fazer bem melhor. Mais precisão no corte, possibilitando até 30 min. livres de distorção em cada lado e com ausência de rumble. Tudo isto resultando num surface noise muito reduzido e com a consequência de gravações de muito maior qualidade do que aquelas que se conseguem obter hoje.
As maquinas antigas como as da Neumann já não se fazem. Com o mercado do vinil a crescer consistentemente a uma media de 30% ao ano, vão ser necessarias maquinas de corte dentro em breve, e foi com isto em mente que Rainar se fez ao trabalho há uns anos atrás. E que trabalho.


Alguns breves dados sobre o gira-discos que brevemente (talvez daqui a três anos) será uma maquina de corte nunca antes vista.
-Inicio do projeto há 9 anos atrás.
-Tudo executado pelo próprio Rainar nas sua oficinas, excetuando a parte eletrónica de controlo do braço tangencial que foi desenhada por dois amigos do ramo.
-Todo o material usado é o topo do que a tecnologia industrial tem para oferecer neste momento.
-O motor stepper para o braço tangencial é de 800 steps por volta. Se juntarmos a esta precisão o chip-microprocessador eletrónico que foi desenvolvido propositadamente para esta finalidade e que controla o motor com 256 micro-passos, chega-se a conclusão de que o braço tangencial controlado por laser consegue-se movimentar com uma precisão de 0,000024 mm por impulso. Reparem bem na precisão. Isto vai possibilitar que a cabeça de corte se mantenha no tracking angle numa tolerância máxima de 0.2 graus. Números deveras impressionantes mas que não acabam aqui.
-O prato pesa 25Kg e é suportado por um rolamento magnético de anel codificado de 24.000 codes. A isto juntou dois motores regulados por controladores de frequência e conseguiu uma constância de rotação inferior a 0,001 %.
-Quanto aos custo, o Rainer gastou até hoje 180.000 euros em material e um total de 3500 horas de trabalho e investigação e irá necessitar de mais 500 horas para finalizar o projeto.
-O custo total está estimado em 500.000 euros. A intenção não é porem fazer gira-discos para gente rica. A ideia como já foi dito é desenvolver a melhor maquina de corte de sempre.


Espero que tenham gostado de ler como eu tive em escrever esta reportagem. Ficam algumas fotos para poderem apreciar a obra e o sonho de uma vida.
























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Última edição por António José da Silva em Sab Fev 18 2012, 17:56, editado 1 vez(es)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 17:17

Mais uma imagem onde é exemplificado a medição a laser que juntamente com o resto do controlo mantém a o corte muito perto da perfeição.




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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 17:30


Fantástico, já o havia dito , mas com estes pormenores é ainda mais impressionante

Quer isto dizer que o pessoal que tem boas edições vai ter de trocar por edições feitas com "esta" maquina de corte
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 17:35

Fiz o pedido para ele se inscrever no AAP coisa que já fez e espero que venha aqui dar um ar da sua graça aqui no tópico. Seria algo que muito me honraria.
Estamos a combinar um encontro em Portugal onde poderia aprender mais sobre este belo projeto.

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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 17:40


Fantástico, obrigado pela partilha, amigo António.
Belíssimo trabalho, faço votos para que vingue.

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 17:44

Luis Filipe Goios escreveu:

Fantástico, obrigado pela partilha, amigo António.
Belíssimo trabalho, faço votos para que vingue.


Sim, também eu. Seria algo de muito bonito poder ter em casa vinil cortado por esta maquina que cujo desenvolvimento fomos vendo e atestar da qualidade deste Cut e prensagem. Como o Rainer faz também trabalhos para a Pallas, pode ser que sejam eles os primeiros a ter a maquina.

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vlopes
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 19:47

hi tec!!!



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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 20:27

Fabuloso tópico!

Vamos ver se o homem acaba a máquina,
e depois se na prática vamos notar melhorias significativas na audição dos LP's já fabulosos que a Pallas faz.

Nada é perfeito e é sempre possível melhorar,
até quando o que existe já é muito bom e parece não ser passível de melhorar muito, até que...aparece algo melhor e ouvimos a diferença...

Só de facto quando surge algo melhor é que se vê que afinal era possível,
era bom que realmente notassemos grandes melhorias sonoras na audição.

E alguém vai ter de desenvolver máquinas de corte novas mais ano menos ano, isso é um facto.

Esperemos que a coisa funcione e que de facto se note um grande salto na qualidade do vinyl.

Mas quando se usa microprocessadores e lasers, nunca se sabe o que vai sair dali...

Recordo que em 1963 a RCA Victor criou o sistema Dynagroove que usava pela primeira vez computadores,
este sistema modificava o sinal audio que alimentava a cabeça de corte para moldar a forma da espira de acordo com os requisitos de tracking que uma agulha teria ao ler o disco. A RCA disse na altura que a tecnologia Dynagroove tinha o efeito de acrescentar mais claridade e brilho, presença realistica, notas com corpo, e que eliminava virtualmente o ruido de fundo e a distorção nas espiras mais interiores.
Ainda segundo a RCA esta técnica acrescentava um maior realismo musical com uma técnica engenhosa e sofisticada.

O que é facto é que os fabulosos RCA Living Stereo ficaram a tocar bastante pior quando começaram a ser feitos com este Dynagroove.

Este processo também não foi muito bem recebido pela crítica, nomeadamente pelo fundador da Stereophile J. Gordon Holt que em 1964 escreveu uma crítica altamente desfavorável chamada "Down with Dynagroove!".

O sistema Dynagroove também foi altamente criticado por Goddard Lieberson da editora da concorrência Columbia, que disse ser um passo atrás na reprodução fiel da performance dos artistas.

Finalmente Harry Pearson fundador da The Absolute Sound (TAS) também criticou o som do sistema.

Holt, um notável engenheiro audio designer e escritor disse que o sistema Dynagroove introduzia "pre-distorção" no processo de mastering,
fazendo com que os discos soassem pior quando tocados num sistema de alta qualidade.

Holt estava correcto técnicamente:

"Dynagroove process used tracing compensation, which pre-distorted the record groove to cancel out the distortion created by playback with a conical-shaped stylus (which could not track the record groove accurately in the high frequencies, especially in the inner grooves of an LP record). The process worked well with playback via a conical stylus, typical of most phono cartridges prior to about 1964. However, if you played a Dynagroove record with an elliptical-shaped stylus, this pre-distortion became audible. As the decade of the 1960s progressed, high quality playback cartridges increasingly used elliptical stylus. This development made tracing compensation obsolete by about 1970, and RCA quietly stopped using the technique.
The other technique used with Dynagroove was a dynamic equalizer, which varied the tonal quality of the recording according to the loudness of the sound. Loud passages were reproduced with little tonal change, but softer passages had boosted lows and highs. Harry Olsen, RCA's chief engineer, advocated the use of dynamic equalization for two reasons: 1) the process would help keep softer musical passages above the noise floor of the LP disc, and 2) music processed through the dynamic equalizer would, in theory, tend to have a tonal balance closer to what the listener would hear in a live performance.
This latter characteristic was based on Olsen's work comparing consumer playback of recorded music to live musical performance. Olsen found that most people listened to records at sound levels about 20 decibels lower than actual live performances. Human hearing is not linear with level change, but tends to perceive softer sounds as having less bass content. The dynamic equalizer was an attempt to compensate for the reduction in bass that would be perceived by listening to records at typical levels. As noted above, critical reaction to this technique was mixed. RCA stopped using dynamic equalization about the same time they stopped using tracing compensation in the late 1960s."

O que é facto é que actualmente não existem dúvidas que os RCA Living Stereos antes do Dynagroove eram fabulosos e que o Dynagroove estragou muitas edições que de outro modo seriam concerteza fabulosas.

Portanto é preciso muito cuidado com estas coisas,
mas vamos esperar que resulte e vamos depois ouvir com atenção.


Abraço,
Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 20:34

Obrigado Jorge por mais um post de grande qualidade o que já vem sendo um feliz hábito.
Tenho que dizer que o que mencionas acima nada tem a haver com o que o Rainer está a fazer pois ele não está a desenvolver nada para a cabeça de corte mas sim e tão somente a maneira mais perfeita possível de andar com a cabeça. É a máquina de corte que está a ser sujeita a um aperfeiçoamento nunca antes visto.

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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 20:44

António José da Silva escreveu:
Obrigado Jorge por mais um post de grande qualidade o que já vem sendo um feliz hábito.
Tenho que dizer que o que mencionas acima nada tem a haver com o que o Rainer está a fazer pois ele não está a desenvolver nada para a cabeça de corte mas sim e tão somente a maneira mais perfeita possível de andar com a cabeça. É a máquina de corte que está a ser sujeita a um aperfeiçoamento nunca antes visto.

Sim eu sei, eu li com atenção o teu post. Eu também não disse que ele estava a desenvolver a mesma coisa...

Apenas quiz com o exemplo do Dynagroove chamar a atenção que por vezes o que se pensa que é melhor,
passados uns anos chega-se à conclusão que estragou alguma coisa e que afinal é pior...

O que não quer dizer que venha a ser o caso.

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 20:46

Jorge Ferreira escreveu:


O que não quer dizer que venha a ser o caso.



Esperemos bem que não e parece que não será o caso. A ver se o homem se despacha com o projeto.

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 20:58

Este tópico começou com uma interessante reportagem, uma prova viva de que o Audio é Ciência, está a tornar-se numa conversa cada vez mais prenhe.

Na minha opinião, as gravações da Living Stereo (RCA) e Living Presence (Mercury) pecavam por utilizar microfones que acentuavam o extremo agudo, como p.ex. o Neumann U47, e colocavam-nos demasiado espaçados:



O resultado é um som artificialmente "brilhante" (com excesso de "presença") e uma imagem desequilibrada.
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Duarte Rosa
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 21:00

Fantástico António, grande post e grande projecto

Espero que o Vinil vingue e se torne um formato mais comum novamente Orquestra
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 21:02

ricardo onga-ku escreveu:
Este tópico começou com uma interessante reportagem, uma prova viva de que o Audio é Ciência, está a tornar-se numa conversa cada vez mais prenhe.

Na minha opinião, as gravações da Living Stereo (RCA) e Living Presence (Mercury) pecavam por utilizar microfones que acentuavam o extremo agudo, como p.ex. o Neumann U47, e colocavam-nos demasiado espaçados:



O resultado é um som artificialmente "brilhante" (com excesso de "presença") e uma imagem desequilibrada.


Mas aí já estamos a entrar mais no aspeto da gravação propriamente dita o que já foge ao aspeto do corte. Mas não deixa de não ser um assunto interessante.

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 21:03

Duarte Rosa escreveu:
Fantástico António, grande post e grande projecto

Espero que o Vinil vingue e se torne um formato mais comum novamente Orquestra

Obrigado Duarte. Este tipo de investigação e esta paixão que alguns ainda mostram pelo analógico, dá gosto divulgar. O Rainer está de parabéns.

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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 21:18

ricardo onga-ku escreveu:
Este tópico começou com uma interessante reportagem, uma prova viva de que o Audio é Ciência, está a tornar-se numa conversa cada vez mais prenhe.

Na minha opinião, as gravações da Living Stereo (RCA) e Living Presence (Mercury) pecavam por utilizar microfones que acentuavam o extremo agudo, como p.ex. o Neumann U47, e colocavam-nos demasiado espaçados:



O resultado é um som artificialmente "brilhante" (com excesso de "presença") e uma imagem desequilibrada.

Sim Ricardo tens razão,
o resultado dessas duas excelentes editoras americanas do final dos anos 50 e início dos anos 60 era um som artificialmente mais brilhante, mas que sabe bem ouvir muitas dessas edições originais sabe...

Vamos lá ver uma coisa, os discos eram feitos para serem ouvidos nos sistemas algo limitados da época.

Tal como mencionado na entrevista feita por Michael Fremer a Jack Pfeiffer, o Produtor de muitos dos originais RCA Living Stereo ("Shaded Dogs"):

Fremer: "So the people that think the originals are the holy grail, those are the magic, they're mistaken?"
Pfeiffer: "They are totally mistaken."

Pfeiffer: "They (the "original" RCA Shaded Dogs) had to be tailored to the deficiencies of the cutting and the playback system of the day. We used to listen to lacquers... on our own systems, you know, in the office and also at home, and we'd make judgments about... whether the compression was too great or whatever, because when the mix down was made to make the production master, they tried to limit the bass, they tried to limit the dynamics, and to some extent, they tried to limit the high frequency content at the end because they knew that that was going to be on the inside (center) of the record."

As reedições audiófilas feitas pela Classic Records de muitos dos melhores RCA Living Stereo e Mercury Living Presence misturados por Bernie Grundman mostraram que de facto era possível fazer muito melhor com as masters.

Até mesmo os DECCA SXL's (LONDON Bluebacks nos states) têm os seus issues, por exemplo no livro "The Audiophiles Guide to London Bluebacks" escrito por Robert Moon e Michael Gray temos o seguinte:

"...there is a harsh brightness to the Decca-London early stereo records because the disc cutters were weak in reproducing frequencies above 10khz. The pressings made after 1968--to my knowledge all FFRR--were made with the Neumann SX-68 helium-cooled disc cutter which could reveal the sweet high frequenices on the original tape. It's for that reason that the later FFRR pressings are often superior to the early FFSS pressings."

Mas o objectivo aqui não era falar nas fabulosas gravações da RCA Living Stereo, Mercury Living Presence, EMI ASD's, DECCA SXL's, COLUMBIA SAX's...

Sendo que cada uma delas tem a sua assinatura sónica diferente e umas com uma curva mais linear que outras,
mas apesar de tudo todas elas são excelentes à sua maneira quando as ouvimos ainda hoje em dia num sistema de alta qualidade.

Até existem editoras com discos de musica clássica tão bons ou melhores que os das editoras mais famosas como por exemplo a Harmonia Mundi, Proprius, Sheffield Lab, Water Lily, Argo/L'osieau-Lyre, pierre verany, reference recordings, Erato, Hyperion, Lyrita, Philips...

E as reedições audiófilas da chesky, classic records, analogue productions, speakers corner, mobile fidelity, Alto, king super analogue...

Mas a ideia era falar nas alterações nas maquinas de corte feitas pela técnica Dynagroove da RCA e alertar para eventuais perigos de controlar o movimento da cabeça de corte com um microprocessador e lasers por exemplo...


Abraço,
Jorge
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 22:16

Será correcto concluir que hoje é possível obter uma gama dinâmica mais larga no corte do que na altura?
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 22:20

ricardo onga-ku escreveu:
Será correcto concluir que hoje é possível obter uma gama dinâmica mais larga no corte do que na altura?


Pode-se concluir que sim. Mas é algo que posso indagar melhor.

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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 22:36

ricardo onga-ku escreveu:
Será correcto concluir que hoje é possível obter uma gama dinâmica mais larga no corte do que na altura?

Bem,
Na altura também já era possível fazer melhor eles é que cortavam os discos tendo em vista as células que na altura as pessoas tinham.

E também dá para perceber do excerto que coloquei daquele livro sobre os DECCA/LONDON que as próprias cabeças de corte evoluiram ainda pelo menos até ao final da década de 60.

Durante a década de 70 é que as edições começaram a piorar quando algumas editoras começaram a usar amplificadores a transistores ranhosos com muito mau som durante o processo de masterização/corte.

As máquinas de corte que são usadas hoje em dia serão concerteza das melhores que existem e têm algumas delas alguns upgrades importantes incluindo nos sistemas de masterização (cablagens e amplificadores).

Tens de ouvir alguns RCA Living Stereo feitos pela Classic Records, ou os LONDON Blueback recentemente editados pela ORG, ou mesmo os da Reference Recordings que voltaram a editar agora em vinyl e que são fabulosos.

Mas claro que as melhores maquinas de corte que existem hoje em dia têm pelo menos 30 anos ou mais tal como diz o António, de certeza que existe tecnologia actualmente para fazer melhor, não sei é se existe mecânica tão boa como a de antigamente já para não falar no conhecimento sobre o assunto...

Porque é que as valvulas antigas tocam muito melhor que as feitas actualmente com mais tecnologia disponível ? ah pois é... e a transmissão do saber será que se fez ?

Quem faz as maquinas são os homens.

Já agora um video que mostra as máquinas de corte do Bernie Grundman:



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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 18 2012, 23:39

O "equipamento" da Reference Recordings:

http://referencerecordings.blogspot.com/2010/07/lp-report-featuring-paul-stubblebine.html
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Milton
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Dom Fev 19 2012, 00:58

Esta belissima reportagem vem confirmar que o formato está vivinho da silva e ainda tem muito para dar...

Eu é que ainda não percebi porque é que ainda não pensaram em fazer um braço de corte pivotado...

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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Dom Fev 19 2012, 01:23

Milton escreveu:
Esta belissima reportagem vem confirmar que o formato está vivinho da silva e ainda tem muito para dar...

Eu é que ainda não percebi porque é que ainda não pensaram em fazer um braço de corte pivotado...

:GDM:
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Milton
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Dom Fev 19 2012, 13:17

Vodoo escreveu:
Milton escreveu:
Esta belissima reportagem vem confirmar que o formato está vivinho da silva e ainda tem muito para dar...

Eu é que ainda não percebi porque é que ainda não pensaram em fazer um braço de corte pivotado...

:GDM:
Na tentendo.....

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MensagemAssunto: Um produto do Rainer   Seg Mar 12 2012, 21:06

Graças á generosidade do Antonio que me ofereceu este disquinho, hoje tive a oportunidade de ouvir uma produção do Rainer, na phonomaschine, e gravado na d-tone studio da alemã Pallas.

O Lp da dupla alemã Mikael Kruse e Detlef Blank, leva-nos ate á decada de 70, num estilo musical de Simon & Garfunkel, que nos faz lembrar o concerto de central park, numa gravação de muito bom nivel em vinyl de 180grs, e numa capa de memorias fotograficas dos musicos que tocam juntos desde 1980.









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MicroGruas
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Seg Mar 12 2012, 21:22

Caro António,

ainda bem que convidou Herr Rainer para participar neste forum.

MAQUINÃO do caraças!

Herr Rainer encontra-se mesmo empenhado na exactidão/precisão do seu leitor!

Mas depois vai ter de desenhar uma Celula para acompanhar o Maquinão - se nao encontraremos coloraçoes (seja la o que isto é). e depois temos sempre a gravação!

se for uma dessas digitalites convertidas para analogico, Nao sei nao! ele vai reproduzir uma digitalite em ouro negro!

Mas, eu para aqui a falar e no fundo estou é com inveja de nao poder comprar uma daquelas Maquinas, e pior de nao ter capacidade para fazer uma !

DEAR Herr Rainer

Keep following your dream - and ours!

What a site that machine

ainda me falta ler com atenção doutos "posts" acima colocados!
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Seg Mar 12 2012, 21:43

vlopes escreveu:
Graças á generosidade do Antonio que me ofereceu este disquinho, hoje tive a oportunidade de ouvir uma produção do Rainer, na phonomaschine, e gravado na d-tone studio da alemã Pallas.

O Lp da dupla alemã Mikael Kruse e Detlef Blank, leva-nos ate á decada de 70, num estilo musical de Simon & Garfunkel, que nos faz lembrar o concerto de central park, numa gravação de muito bom nivel em vinyl de 180grs, e numa capa de memorias fotograficas dos musicos que tocam juntos desde 1980.










Obrigado pela partilha, o aspecto das capas é óptimo

que tal a gravação?
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vlopes
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Seg Mar 12 2012, 21:49

A gravação é de muito bom nivel, com uma excelente separação dos agudos e medios.
um som muito detalhado, e transparente, mesmo ao gosto da minha AT 440Mla

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Milton
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Seg Mar 12 2012, 21:53

vlopes escreveu:
A gravação é de muito bom nivel, com uma excelente separação dos agudos e medios.
um som muito detalhado, e transparente, mesmo ao gosto da minha AT 440Mla

Epa , isso é muita fruta para para um caixote tão pequeno.....

Ficava a matar debaixo da minha AT-OC.....

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vlopes
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Seg Mar 12 2012, 21:57

Milton escreveu:
vlopes escreveu:
A gravação é de muito bom nivel, com uma excelente separação dos agudos e medios.
um som muito detalhado, e transparente, mesmo ao gosto da minha AT 440Mla

Epa , isso é muita fruta para para um caixote tão pequeno.....

Ficava a matar debaixo da minha AT-OC.....

eu deixo-te dar uma voltinha nele, no problem!

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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Seg Mar 12 2012, 22:08

vlopes escreveu:
A gravação é de muito bom nivel, com uma excelente separação dos agudos e medios.
um som muito detalhado, e transparente, mesmo ao gosto da minha AT 440Mla


isso é música para os meus ouvidos Orquestra , apesar de ter trocado este fds de célula, visto que tirei a AT440mla para fazer uma "mega" rodagem à AT95e e assim poder verificar, ou não, a veracidade do "mito urbano" que esta última encerra.

na minha opinião, essa obra torna-se ainda mais especial visto que, graças ao AJS, conhecemos melhor e história "behind the scenes" do agora famigerado Phonomaschine do Herr Rainer king

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vlopes
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Seg Mar 12 2012, 22:15

em off topic diz-me lá o que vale a AT95e comparada com a 440?



porque já ouvi MC´s de muitas centenas de euros que não têm a definiçao e detalhe da 440....
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Ulrich
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Seg Mar 12 2012, 22:28

vlopes study escreveu:
em off topic diz-me lá o que vale a AT95e comparada com a 440?



porque já ouvi MC´s de muitas centenas de euros que não têm a definiçao e detalhe da 440....

Viva V.,
-1º a 440 em 10X mais horas de rodagem do que a 95
-2º como já disse a 440 tornou-se a minha referência, o meu norte
-3º este fds, com a brincadeira das fotos e trocar de cabeças, finalmente consegui avaliar três células diferentes
-4º a minha parca experiência resume-se a estas 3 células

Dito isto, o que foi mais gritante foi o ganho, muito mais baixo na 95 do que na 440, e foi isto que me levou a suspeitar da falta de rodagem.

Ainda por cima, graças à "Knoste" (thanks Brasas), consegui ter condições quasi-ideais para a tal experiência.

Estou a fazer este teste , mas uma coisa garanto em termos de célula estou sossegado por uma larga temporada

espero ter conseguido transmitir o meu "feeling"
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MASantos
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MensagemAssunto: Re: A obra de uma vida   Sab Fev 27 2016, 12:21

Não consigo ver nenhuma das imagens, já experimentei 2 browsers diferentes.

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