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 Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN

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Ferpina
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MensagemAssunto: Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN   Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN EmptySex Jul 22 2011, 20:22

Nada me faltará

Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.
Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.
Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.
Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.
Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.
Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.
Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.
A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.
Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.
Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.
Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.

MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO (publicado em 2011-07-07)

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Stereo
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MensagemAssunto: Re: Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN   Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN EmptySex Jul 22 2011, 23:14

Isto lembra-me a velha anedota, que reza que, um indivíduo rico, quando morre vai bater à porta do ceu, onde lhe perguntam o que ele fez e, visto que nada tinha feito para merecer lá entrar, foi mandado de volta.
Eu mandaria-a-o era «dar uma volta ao bolhar grande», pois de volta à vida seria bom demais.

Eu sei que as molheres gostam de se mostrar, mas assim é demais! Se isto é para vender o seu peixe, eu sei que o consegue, tal como o tem conseguido, menos a mim. Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN 809774 É que uma pessoa decente não precisa de fazer ondas, invocando sentimentos, vindo de todo o tipo de convicções (de preferência os que mais renderem), nem precisa de mostrar nada, pois apenas se limita a ser, pelo que se do dever se trata, não será de caridade... Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN 809774
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Milton
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MensagemAssunto: Re: Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN   Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN EmptySex Jul 22 2011, 23:34

Stereo escreveu:
Isto lembra-me a velha anedota, que reza que, um indivíduo rico, quando morre vai bater à porta do ceu, onde lhe perguntam o que ele fez e, visto que nada tinha feito para merecer lá entrar, foi mandado de volta.
Eu mandaria-a-o era «dar uma volta ao bolhar grande», pois de volta à vida seria bom demais.

Eu sei que as molheres gostam de se mostrar, mas assim é demais! Se isto é para vender o seu peixe, eu sei que o consegue, tal como o tem conseguido, menos a mim. Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN 809774 É que uma pessoa decente não precisa de fazer ondas, invocando sentimentos, vindo de todo o tipo de convicções (de preferência os que mais renderem), nem precisa de mostrar nada, pois apenas se limita a ser, pelo que se do dever se trata, não será de caridade... Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN 809774
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João Henrique
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MensagemAssunto: Re: Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN   Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN EmptySab Jul 23 2011, 01:01

Stereo escreveu:
Isto lembra-me a velha anedota, que reza que, um indivíduo rico, quando morre vai bater à porta do ceu, onde lhe perguntam o que ele fez e, visto que nada tinha feito para merecer lá entrar, foi mandado de volta.
Eu mandaria-a-o era «dar uma volta ao bolhar grande», pois de volta à vida seria bom demais.

Eu sei que as molheres gostam de se mostrar, mas assim é demais! Se isto é para vender o seu peixe, eu sei que o consegue, tal como o tem conseguido, menos a mim. Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN 809774 É que uma pessoa decente não precisa de fazer ondas, invocando sentimentos, vindo de todo o tipo de convicções (de preferência os que mais renderem), nem precisa de mostrar nada, pois apenas se limita a ser, pelo que se do dever se trata, não será de caridade... Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN 809774

É uma opinião...
Eu respeito a mensagem, ainda para mais na hora em que foi escrita.

Se calhar estou errado, não sei, mas julgo que não, e se estiver errado quero continuar errado, e continuar a respeitar a condição humana.
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MensagemAssunto: Re: Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN   Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN EmptySab Jul 23 2011, 22:48

João Henrique escreveu:
Stereo escreveu:
Isto lembra-me a velha anedota, que reza que, um indivíduo rico, quando morre vai bater à porta do ceu, onde lhe perguntam o que ele fez e, visto que nada tinha feito para merecer lá entrar, foi mandado de volta.
Eu mandaria-a-o era «dar uma volta ao bolhar grande», pois de volta à vida seria bom demais.

Eu sei que as molheres gostam de se mostrar, mas assim é demais! Se isto é para vender o seu peixe, eu sei que o consegue, tal como o tem conseguido, menos a mim. Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN 809774 É que uma pessoa decente não precisa de fazer ondas, invocando sentimentos, vindo de todo o tipo de convicções (de preferência os que mais renderem), nem precisa de mostrar nada, pois apenas se limita a ser, pelo que se do dever se trata, não será de caridade... Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN 809774

É uma opinião...
Eu respeito a mensagem, ainda para mais na hora em que foi escrita.

Se calhar estou errado, não sei, mas julgo que não, e se estiver errado quero continuar errado, e continuar a respeitar a condição humana.

Precisamente, é neste engano que o ser humano se esbarra. E o que fica é mesmo o engano e portanto o contrário daquilo que não quer.
Mas não espero que tal seja entendido, pelo menos com a facilidade com que alguém se envolve, seja numa doutrina, num poema ou o que quer que seja. Apenas devo adevertir o ser humano para a possibilidade de estar enganado e de estar a enganar ou a ser enganado. E se o adulto toma uma postura, só por isso não lhe é conferido legitimidade, nem que invoque os ceus. Por isso, também devo alertar o ser humano, pois este não é apenas um indivíduo, na ideia de que apenas tem a imotividade, mas alguém vulnerável, que pode sofrer as consequências das intenções dos outros, mesmo invocando as melhores que se possam imaginar e porque pode e deve raciocinar.
Eu sei que existe uma imensa cultura que impede o raciocíno, como se tudo estivesse pensado e nada mais existisse que se podesse fazer para raciocinar, pois parece que pensar sobre estas propostas culturais é mais que suficiente. Mas eis que felizmente existem dúvidas; que existe em certa medida a vontade de chegar ao que se pode chamar «superior interesse»... E apesar do estudo que o ser humano possa abraçar e que lhe preencha o interesse ou mesmo a paixão, existe um outro lado que nega... E mais não digo, pois já gastei um bocado da energia que estava destinada para lavar a loiça. Último artigo de Maria José Nogueira Pinto DN 933723
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