Áudio Analógico de Portugal
Bem vindo / Welcome / Willkommen / Bienvenu

Áudio Analógico de Portugal

A paixão pelo Áudio


Fórum para a preservação e divulgação do áudio analógico, e não só...
 
InícioPortalCalendárioPublicaçõesFAQGruposRegistrar-seConectar-se
Fórum para a preservação e divulgação do áudio analógico, e não só...

Compartilhe
 

 Há coisas dos diabos

Ir em baixo 
AutorMensagem
Goansipife
Membro AAP
Goansipife

Mensagens : 3122
Data de inscrição : 04/12/2011
Idade : 60
Localização : Freiria - Torres Vedras

Há coisas dos diabos Empty
MensagemAssunto: Há coisas dos diabos   Há coisas dos diabos EmptySeg Jun 25 2018, 14:26

Confesso que nos últimos tempos (prá aí 2 anos) sentia-me algo desiludido com o panorama musical, em termos de edições constituindo verdadeiras novidades.

“Que diabo isto cheira-me a vira o disco e toca o mesmo”. Este era, repetidamente, o sentimento que me assolava perante um novo lançamento discográfico, independentemente do género musical editado.

As minhas compras mais recentes cingiam-se a discos que, ou não tinha tido a oportunidade de adquirir em devida altura, ou a tentativa – sempre inglória – de recuperar a discografia vinílica desperdiçada nos anos noventa.

Mas há realmente coisas dos diabos. Eis senão quando, este ano, logo no início e agora próximo do meio do ano, duas lendas da nossa música e do nosso cancioneiro popular “mais elaborado e pensado” surgem com outras tantas obras, que não destoariam da classificação de discos do ano:

 Sérgio Godinho, com “Nação Valente”
 José Mário Branco, com “Inéditos 1967 – 1999”

O primeiro, canto-autor (ou como ele tanto gosta de se auto classificar de "escritor de canções")  é reconhecido por não ser um músico muito produtivo, no tocante ao lançamento de novos discos. Quando os faz, faz quase sempre bem. Muito bem mesmo.

Com um álbum onde a esmagadora maioria dos temas têm a sua assinatura nas letras, mas não nas músicas, recorre, para as fazer, a um conjunto de individualidades que Godinho mais respeita musicalmente e onde alguns têm idades para serem seus netos – excepção dos temas “Noites de Macau”, com letra e música do próprio e “Delicado”, com letra e música de Márcia (uma das “netas”), contudo, todo o álbum tem uma identidade bem própria e bem centrada na forma de Sérgio Godinho fazer / compor música, com permanente intervenção social, moderna, oportuna e de elevado nível técnico-musical.

José Mário Branco é um outro canta-autor, hoje-em-dia bem estabelecido como produtor e editor musical, nomeadamente na onda do novo Fado, começa neste duplo álbum, somente em CD, por nos oferecer um percurso de 32 anos de músicas que por estas, ou por aquelas razões nunca foram editadas ou algumas, tendo sido, não o voltaram a ser e ficaram no mais puro esquecimento.

O primeiro CD começa por cerca de 8 temas do cancioneiro Medieval Português – Canções d’Amigo” – maioritariamente musicadas pelo próprio Zé Mário. O restante disco e o segundo CD, fazem um périplo pela intervenção, folclore, fado, balada, onde muitos (para não dizer todos) os temas foram rigorosamente reeditados a partir das bandas magnéticas originais, mas, somente em CD, por expressa vontade do próprio.

É certo que durante cerca de 17 anos, muitos dos temas jamais veriam a luz do dia, barrados no crivo do lápis azul da Censura, e os outros 15 anos teriam temas, onde a opção de José Mário, acabou por relegá-los para uma qualquer gaveta. Todavia, depois de ter ouvido o álbum todo, a questão de “Porquê só agora?” se impõe dada o extraordinário espólio de letras e músicas de excepção do Cancioneiro Popular Português, em nada popularucho e carregado de actualidade e convergência temática face aos nossos dias.

Arrisco a aconselhar a aquisição indispensável destas duas obras  Há coisas dos diabos 491368

Há coisas dos diabos Nazzeo10
Há coisas dos diabos 14800010
Voltar ao Topo Ir em baixo
Evan Oliveira
Membro AAP
Evan Oliveira

Mensagens : 112
Data de inscrição : 15/11/2017
Idade : 58
Localização : Capital... da Bairrada!

Há coisas dos diabos Empty
MensagemAssunto: Re: Há coisas dos diabos   Há coisas dos diabos EmptySeg Jul 16 2018, 16:08

Ora aí está. Grande dica, muito obrigado.

Eu serei talvez mais um desses "velhos do Restelo", que não se revê nas "modernices" musicais . Mal quiçá, porque sempre aparecem coisas interessantes.
No entanto, a entusiasmada vivência musical de outrora que se foi cimentando ao longo de dezenas de anos, empurra-me inevitavelmente para o passado.
Ultimamente, tem sido o procurar algo antigo na musica Portuguesa e nem só, mas que ainda não faça parte da discografia adquirida.

Esta novidade (para mim) de novas edições destes dois monstros da musica Portuguesa é algo muito interessante.
Já tenha bastantes álbuns dos dois, sobretudo do Sérgio (que tive o prazer de receber em minha casa um dia... grande Homem...!!!) tenho tudo.

Irei pois procurar estas novidades discográficas, que com certeza, serão uma mais valia para a minha discografia.
Voltar ao Topo Ir em baixo
jorge.henriques
Membro AAP
jorge.henriques

Mensagens : 1234
Data de inscrição : 07/11/2014
Idade : 49
Localização : Águeda

Há coisas dos diabos Empty
MensagemAssunto: Re: Há coisas dos diabos   Há coisas dos diabos EmptyTer Jul 17 2018, 16:41

Estes, são discos que pretendo adquirir.
Assim que estiverem a preços apetecíveis, pumba! Cool
Voltar ao Topo Ir em baixo
Mário Franco
Membro AAP
Mário Franco

Mensagens : 2318
Data de inscrição : 27/03/2013
Idade : 61

Há coisas dos diabos Empty
MensagemAssunto: Re: Há coisas dos diabos   Há coisas dos diabos EmptyTer Jul 17 2018, 17:06

Goansipife escreveu:

 Sérgio Godinho, com “Nação Valente”
 José Mário Branco, com “Inéditos 1967 – 1999”

Há coisas dos diabos Nazzeo10
Há coisas dos diabos 14800010

Li a entrevista com o José Mário Branco (Expresso/Junho/Semana?) falta ouvir o disco. Boa sugestão. Há coisas dos diabos 754215
Voltar ao Topo Ir em baixo
Mário Franco
Membro AAP
Mário Franco

Mensagens : 2318
Data de inscrição : 27/03/2013
Idade : 61

Há coisas dos diabos Empty
MensagemAssunto: Re: Há coisas dos diabos   Há coisas dos diabos EmptyQua Jul 25 2018, 12:56

Goansipife escreveu:
Confesso que nos últimos tempos (prá aí 2 anos) sentia-me algo desiludido com o panorama musical, em termos de edições constituindo verdadeiras novidades.

“Que diabo isto cheira-me a vira o disco e toca o mesmo”. Este era, repetidamente, o sentimento que me assolava perante um novo lançamento discográfico, independentemente do género musical editado.

As minhas compras mais recentes cingiam-se a discos que, ou não tinha tido a oportunidade de adquirir em devida altura, ou a tentativa – sempre inglória – de recuperar a discografia vinílica desperdiçada nos anos noventa.

Mas há realmente coisas dos diabos. Eis senão quando, este ano, logo no início e agora próximo do meio do ano, duas lendas da nossa música e do nosso cancioneiro popular “mais elaborado e pensado” surgem com outras tantas obras, que não destoariam da classificação de discos do ano:

 Sérgio Godinho, com “Nação Valente”
 José Mário Branco, com “Inéditos 1967 – 1999”

O primeiro, canto-autor (ou como ele tanto gosta de se auto classificar de "escritor de canções")  é reconhecido por não ser um músico muito produtivo, no tocante ao lançamento de novos discos. Quando os faz, faz quase sempre bem. Muito bem mesmo.

Com um álbum onde a esmagadora maioria dos temas têm a sua assinatura nas letras, mas não nas músicas, recorre, para as fazer, a um conjunto de individualidades que Godinho mais respeita musicalmente e onde alguns têm idades para serem seus netos – excepção dos temas “Noites de Macau”, com letra e música do próprio e “Delicado”, com letra e música de Márcia (uma das “netas”), contudo, todo o álbum tem uma identidade bem própria e bem centrada na forma de Sérgio Godinho fazer / compor música, com permanente intervenção social, moderna, oportuna e de elevado nível técnico-musical.

José Mário Branco é um outro canta-autor, hoje-em-dia bem estabelecido como produtor e editor musical, nomeadamente na onda do novo Fado, começa neste duplo álbum, somente em CD, por nos oferecer um percurso de 32 anos de músicas que por estas, ou por aquelas razões nunca foram editadas ou algumas, tendo sido, não o voltaram a ser e ficaram no mais puro esquecimento.

O primeiro CD começa por cerca de 8 temas do cancioneiro Medieval Português – Canções d’Amigo” – maioritariamente musicadas pelo próprio Zé Mário. O restante disco e o segundo CD, fazem um périplo pela intervenção, folclore, fado, balada, onde muitos (para não dizer todos) os temas foram rigorosamente reeditados a partir das bandas magnéticas originais, mas, somente em CD, por expressa vontade do próprio.

É certo que durante cerca de 17 anos, muitos dos temas jamais veriam a luz do dia, barrados no crivo do lápis azul da Censura, e os outros 15 anos teriam temas, onde a opção de José Mário, acabou por relegá-los para uma qualquer gaveta. Todavia, depois de ter ouvido o álbum todo, a questão de “Porquê só agora?” se impõe dada o extraordinário espólio de letras e músicas de excepção do Cancioneiro Popular Português, em nada popularucho e carregado de actualidade e convergência temática face aos nossos dias.

Arrisco a aconselhar a aquisição indispensável destas duas obras  Há coisas dos diabos 491368

Há coisas dos diabos Nazzeo10
Há coisas dos diabos 14800010
ALINHAMENTO
CD1

Quantas sabedes amar, amigo (ou Mar de Vigo)
(Martim Codax / José Mário Branco)
Nunca editado

Ai flores do verde pinho
(D. Dinis / José Mário Branco)
Retirado do EP “Seis Cantigas de Amigo”



Leda m’and’eu
(Nuno Fernandes Torneol / José Mário Branco)
Retirado do EP “Seis Cantigas de Amigo”



Ma madre velida
(D. Dinis / José Mário Branco)
Retirado do EP “Seis Cantigas de Amigo”



Levantou-s’ a velida
(D. Dinis / José Mário Branco)
Retirado do EP “Seis Cantigas de Amigo”

Bailad’ hoje, ai filha
(Airas Nunes / José Mário Branco)
Retirado do EP “Seis Cantigas de Amigo”



Lelia doura
(Airas Nunes / José Mário Branco)
Retirado do EP “Seis Cantigas de Amigo”



Ronda do soldadinho
(José Mário Branco)
Retirado  do single “Ronda do Soldadinho”

Mãos ao ar!
(Jorge Glória / José Mário Branco)
Retirado do single “Ronda do Soldadinho”

Le proscrit de 1871
(Eugène Châtelain /  José Mário Branco)
Retirado do EP ”La Commune de Paris”

Cantar da viúva de emigrante
(José Mário Branco)
Retirado do EP “Música do filme: Gente do Norte”



Fuga do mar
(Alexandre O’Neill /  José Mário Branco)
Retirado do EP “O Ladrão do Pão”



Fim de festa
(José Mário Branco)
Nunca editado

CD2

Eu não tenho a certeza
(José Mário Branco)
Nunca editado

São João do Porto
(João Lóio / José Mário Branco)
Retirado do single “Qual é a tua, ó meu?”. Originalmente incluído no single “Marchas Populares”



Remendos e côdeas
(José Mário Branco segundo Bertolt Brecht / José Mário Branco)
Retirado do LP “100 anos de Maio”

Fantaisie Languedocienne – 1º andamento
(José Mário Branco)
Nunca editado

Fantaisie Languedocienne – 2º andamento
(José Mário Branco)
Nunca editado

Fantaisie Languedocienne – 3º andamento  
(José Mário Branco)
Nunca editado

Fim de verão (à maneira d’ Os Conchas)
(José Mário Branco)
Nunca editado

Le cafard (à maneira de Eddy Mitchell)
(José Mário Branco)
Nunca editado

Sotto il sole, sulla spiaggia (à maneira de Adriano Celentano)
(José Mário Branco)
Nunca editado

Trompete-slow (à maneira de Helmut Zacharias)
(José Mário Branco)
Nunca editado

Dô-Yô (à maneira de The Shadows)
(José Mário Branco)
Nunca editado

Quantos é que nós somos
(Manuela de Freitas e José Mário Branco / José Mário Branco)
Retirado do  LP “Obrigado, Otelo!”

Alma herida (bolero à maneira de Antonio Machin)
(José Mário Branco)
Nunca editado
Voltar ao Topo Ir em baixo
Conteúdo patrocinado




Há coisas dos diabos Empty
MensagemAssunto: Re: Há coisas dos diabos   Há coisas dos diabos Empty

Voltar ao Topo Ir em baixo
 
Há coisas dos diabos
Voltar ao Topo 
Página 1 de 1
 Tópicos similares
-
» Só coisas lindas de morrer

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Áudio Analógico de Portugal :: Música Geral-
Ir para: