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 De Bestas a Bestiais

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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQua Out 24 2018, 13:02

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Vinte anos apos o seu lançamento, o album Ocean Songs dos Dirty Three continua o seu lento caminho pelos subterraneos do esquecimento, da ignorância. Verà um dia a luz e serà um dia reconhecido como a obra fundamental que é ?... pareçe-me dificil a prever mas espero que tal aconteça. Em primeiro lugar porque a arte (musica) necessita de obras assim, pois tal é o seu fundamento e essência. Em segundo porque a humanidade sempre necessitou de se confrontar com o indizivel. Este epurado e ambicioso album conjuga estes dois elementos numa perfeição formal que sò é possivel quando a honestidade atinge o seu mais alto nivel de exigência, quando ela se torna orgânica e necessaria!...

Os Dirty Three liderados pelo Warren Ellis (violonista do Nick Cave), pelo guitarrista Mick Turner e pelo baterista Jim White formam um trio de Rock que magnifica o binàrio como outrora o Trio do Bill Evans tinha feito com o Jazz. A voz està ausente afim de exaltar a potência catàrtica da musica e a construção reactiva do tipo tensão/resolução conduziu a ser armazenada na gaveta do Post-Rock. Os três primeiros albuns do grupo criaram as condições ideais para que o trio seja considerado como "culto", mas esta quarta obra perturbou os auditores e mesmo a critica. Concebido apòs um "esgotamento cerebral" do Warren Ellis, este disco aparenta-se a um "ovni musical" aonde a urgência criativa é sublimada pelo resultado. Falsamente melancolico, intensamente contemplativo e altamente hipnotico o Ocean Songs convida o auditor a uma viagem introspectiva...

Muitos discos se reclamam da herança do Spirit of Eden simplesmente porque fogem ao discurso tradicional do rock, ao contràrio o Ocean Songs vai muito mais longe pois a sua beleza não é simplesmente formal, ela é sobretudo espiritual. Construido como uma ode obcessional ao Oceano, ela é fundamentalmente um hino ao elemento fundador da existência, ao berço da vida. Exaltar a beleza e a imensidão do "deserto de àgua" pela musica torna esta obra desmedida, ambiciosa e intensa ... quase mistica. Ir buscar respostas ao "existencialismo" ném em Deus, ném no homém, mas no Oceano, é virtuoso intelectualmente e avassalador artisticamente!!!...
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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQua Out 24 2018, 19:18

TD124 escreveu:
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Vinte anos apos o seu lançamento, o album Ocean Songs dos Dirty Three continua o seu lento caminho pelos subterraneos do esquecimento, da ignorância. Verà um dia a luz e serà um dia reconhecido como a obra fundamental que é ?... pareçe-me dificil a prever mas espero que tal aconteça. Em primeiro lugar porque a arte (musica) necessita de obras assim, pois tal é o seu fundamento e essência. Em segundo porque a humanidade sempre necessitou de se confrontar com o indizivel. Este epurado e ambicioso album conjuga estes dois elementos numa perfeição formal que sò é possivel quando a honestidade atinge o seu mais alto nivel de exigência, quando ela se torna orgânica e necessaria!...

Os Dirty Three liderados pelo Warren Ellis (violonista do Nick Cave), pelo guitarrista Mick Turner e pelo baterista Jim White formam um trio de Rock que magnifica o binàrio como outrora o Trio do Bill Evans tinha feito com o Jazz. A voz està ausente afim de exaltar a potência catàrtica da musica e a construção reactiva do tipo tensão/resolução conduziu a ser armazenada na gaveta do Post-Rock. Os três primeiros albuns do grupo criaram as condições ideais para que o trio seja considerado como "culto", mas esta quarta obra perturbou os auditores e mesmo a critica. Concebido apòs um "esgotamento cerebral" do Warren Ellis, este disco aparenta-se a um "ovni musical" aonde a urgência criativa é sublimada pelo resultado. Falsamente melancolico, intensamente contemplativo e altamente hipnotico o Ocean Songs convida o auditor a uma viagem introspectiva...

Muitos discos se reclamam da herança do Spirit of Eden simplesmente porque fogem ao discurso tradicional do rock, ao contràrio o Ocean Songs vai muito mais longe pois a sua beleza não é simplesmente formal, ela é sobretudo espiritual. Construido como uma ode obcessional ao Oceano, ela é fundamentalmente um hino ao elemento fundador da existência, ao berço da vida. Exaltar a beleza e a imensidão do "deserto de àgua" pela musica torna esta obra desmedida, ambiciosa e intensa ... quase mistica. Ir buscar respostas ao "existencialismo" ném em Deus, ném no homém, mas no Oceano, é virtuoso intelectualmente e avassalador artisticamente!!!...

Não conheço De Bestas a Bestiais - Página 2 447836

Mas vou conhecer! De Bestas a Bestiais - Página 2 843159

Obrigado por este Apontamento!

Este tópico começa cada vez mais a ficar um caso sério! De Bestas a Bestiais - Página 2 4019496139
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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQua Out 24 2018, 22:38

Estou a gostar mesmo deste projecto.

De Bestas a Bestiais - Página 2 754215 De Bestas a Bestiais - Página 2 754215 De Bestas a Bestiais - Página 2 754215
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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptySeg Nov 05 2018, 15:20

De Bestas a Bestiais - Página 2 61xlya10

Existem albums que foram desdenhados por razões puramente dogmaticas e o Medicine Show é um belo exemplo. Apòs o excelente acolho do primeiro album The Days of Wine and Roses os The Dream Syndicate são reconhecidos como o apogeu do estilo que foi apelidado como Paisley underground. Este estilo oriundo da california, mais exactamente de Los Angeles, é uma mistura de psicadelico e garage mas com belas harmonias vocais e um jogo de guitarra aberto e virtuoso ... tudo isto executado com uma energia no estilo do punk-rock. Como todos os estilos marginais, a difusão da musica passa pelos clubes e por pequenos editores especialisados.

Como sempre e desde que existe uma forma de "underground", o publico tém tendência a ver a musica como pertinente e sincéra ao contràrio da produção "mainstream". Ora o sucesso do primeiro album levou um grande editor a se interessar à musica dos TDS e a assinar um contrato para este segundo album. Esta atitude foi vista como uma traição e tanto o publico como a presse dinamitaram o album desde que saiu. O sucesso foi tão fraco que mesmo o CD sò foi editado vinte anos apòs a saida do album ... e que concrétamente os TDS não produziram mais nenhum album estudio com a editora A&M. Um album com arestas não polidas que vém de uma editora anternativa é considerado como uma gravação autêntica, mas se vém de uma grande editora então é considerado como uma ofensa ao auditor. Combater os dogmas constroi novos dogmas !...

O Medicine Show é considerado como um dos grandes albums esquecidos dos anos oitenta. O disco levou seis meses de gravação no estudio e em diversos pontos é mais conseguido do que o The Days of Wine and Roses. As linhas de guitarra, a escrita assim que a produção são globalmente superiores às do primeiro album ... mesmo se ambos partilham as asperidades (defeitos ???...) que assinam a musica alternativa. Neste album a influência dos Velvet Underground é menos afirmada pois a atmosféra é mais psicadelica, no entanto o clima sombrio assim que a energia espontânea das guitarras permaneçe quase idêntica. No final temos um album que é hoje venerado como um clàssico, ora que foi simplesmente ignorado aquando da saida em 1984. Tudo isto porque foi gravado numa grande editora !...

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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyTer Nov 06 2018, 10:08

TD124 escreveu:
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Existem albums que foram desdenhados por razões puramente dogmaticas e o Medicine Show é um belo exemplo. Apòs o excelente acolho do primeiro album The Days of Wine and Roses os The Dream Syndicate são reconhecidos como o apogeu do estilo que foi apelidado como Paisley underground. Este estilo oriundo da california, mais exactamente de Los Angeles, é uma mistura de psicadelico e garage mas com belas harmonias vocais e um jogo de guitarra aberto e virtuoso ... tudo isto executado com uma energia no estilo do punk-rock. Como todos os estilos marginais, a difusão da musica passa pelos clubes e por pequenos editores especialisados.

Como sempre e desde que existe uma forma de "underground", o publico tém tendência a ver a musica como pertinente e sincéra ao contràrio da produção "mainstream". Ora o sucesso do primeiro album levou um grande editor a se interessar à musica dos TDS e a assinar um contrato para este segundo album. Esta atitude foi vista como uma traição e tanto o publico como a presse dinamitaram o album desde que saiu. O sucesso foi tão fraco que mesmo o CD sò foi editado vinte anos apòs a saida do album ... e que concrétamente os TDS não produziram mais nenhum album estudio com a editora A&M. Um album com arestas não polidas que vém de uma editora anternativa é considerado como uma gravação autêntica, mas se vém de uma grande editora então é considerado como uma ofensa ao auditor. Combater os dogmas constroi novos dogmas !...

O Medicine Show é considerado como um dos grandes albums esquecidos dos anos oitenta. O disco levou seis meses de gravação no estudio e em diversos pontos é mais conseguido do que o The Days of Wine and Roses. As linhas de guitarra, a escrita assim que a produção são globalmente superiores às do primeiro album ... mesmo se ambos partilham as asperidades (defeitos ???...) que assinam a musica alternativa. Neste album a influência dos Velvet Underground é menos afirmada pois a atmosféra é mais psicadelica, no entanto o clima sombrio assim que a energia espontânea das guitarras permaneçe quase idêntica. No final temos um album que é hoje venerado como um clàssico, ora que foi simplesmente ignorado aquando da saida em 1984. Tudo isto porque foi gravado numa grande editora !...



É uma banda que sempre tive em atenção sem no entanto dar atenção particular às especificidades da sua obra. Vou ouvir e depois comentarei.

Abraço e obrigado pela pista De Bestas a Bestiais - Página 2 754215
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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQua Nov 07 2018, 22:18

Gostei mesmo, um rock afirmativo muito na linha aqui e ali de Television, que me parece ser um obvia influência De Bestas a Bestiais - Página 2 58893
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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQua Nov 07 2018, 22:38

De Bestas a Bestiais - Página 2 R-1147935-1365095811-4647.jpeg

Cindy Kat ‎– VOL1


Os Cindy Kat são uma banda portuguesa que surgiu alguns anos antes do seu álbum de estreia em 2006, quando Paulo Abelho (Sétima Legião, Golpe de Estado) e João Eleutério (Comboio Fantasma, BCN) se juntaram para compor bandas sonoras para teatro e eventos culturais num estúdio comum a ambos. O nome Cindy Kat surgiu com o passar do tempo.

A entrada na banda de Pedro Oliveira, vocalista dos Sétima Legião (uma banda que fez enorme história na música portuguesa), só surgiu quando foram convidados para uma apresentação ao vivo do seu trabalho na discoteca Frágil, em Lisboa. A partir daí, o entusiasmo de Pedro Oliveira levou-o a criar uma versão de 'Glória', o primeiro tema editado pelos Sétima Legião, e a querer colaborar activamente nos Cindy Kat. O single de estreia, 'Polaroide', chegou em 2006 aos portugueses.

O primeiro album dos "Cindy Kat" conta com a participação de convidados muito especiais e surpreendentes. Gomo dá voz a "Distância. JP Simões protagoniza um dos momentos altos deste "Cindy Kat", com o tema "Míudo" a que deu letra e uma interpretação no mínimo brilhante. Sam (General D, MDA) dá voz e letra a duas canções "Nova Convention" e "Fix My Phaser". Outro dos temas é "A Saída" com Pedro Abrunhosa.

A produção do álbum Cindy Kat Vol.1, steve a cargo dos próprios Cindy Kat e de Tiago Lopes, que trabalha há vários anos em projectos como Rodrigo Leão e Golpe de Estado.

A música dos Cindy Kat é pontualmente dominada por surtos de grande intensidade rítmica, outras vezes entregue à contemplação de paisagens e cenários feitos de sons, não perdendo nunca a máquina um firme sentido de carne e humanidade. Polaroids é precisamente uma manifestação desta carta de intenções, uma canção pop épica, forte na componente melodista, com um refrão poderoso e saudavelmente herdeiro da boa escola Sétima Legião (afinal estão aqui dois músicos desse colectivo, um deles inclusivamente o vocalista), um disco obrigatório, diria mesmo que é o álbum que faltava aos Sétima Legião, mas bastante mais rico que qualquer álbum que os Sétima possam ter elaborado, tem muita gente que trás um enorme brilho ao projecto pautado por extremo bom gosto e com uma maior preocupação na melodia e interpretação que todos os anteriores trabalhos dos Sétima Legião. Este disco passou ao lado de muita gente, mas quem com ele privou não consegue ficar indiferente.

É um trabalho adulto, completo e acreditem ou não irá tornar-se um enorme disco de culto (se já não o é).

Ainda se encontram cd´s a muito bom preço, desde 5 euros.

Não acredito em reedições deste álbum, por isso toca a comprar.


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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQua Nov 14 2018, 23:27

De Bestas a Bestiais - Página 2 Asas

Este álbum assumiu em 2017 proporções quase míticas devido à enorme expectativa anterior ao seu lançamento. O grupo se reuniu em 2012 para uma performance em uma sala de concertos holandesa quando Nico Muhly foi contratado para fazer uma nova obra. Nico rapidamente alistou seus amigos Sufjan Stevens e Bryce Dessner (The National) para ajudar, e através de Stevens, McAlister foi trazido para o rebanho.

Mas aquando do seu lançamento teve um enorme problema, a expectativa era tão grande que a maior parte da crítica matou-o assim que saiu. As publicações mais influentes na música consideraram este um registo menor da carreira de Sufjan Stevens, e pior ainda considerou que a soma das partes ainda era pior que qualquer um dos elementos individualmente. Disseram-se enormidades acerca do disco, tanto que chegaram a comparar a voz de Sufjan à de Cher pelo uso abusivo de modulações electrónicas na voz.

Com a rapidez de escreveram criticas ouviram mal o disco. O planetaruim exige audição repetida, as passagens e os movimentos fazem com que as músicas individuais se destaquem menos, pois não é completamente óbvio quando uma faixa está terminando e outra está começando. O álbum quase parece modular na senda da técnica de criação que Brian Wilson usou em Smile. Quando se ouve este disco é preciso estar num dia de abstração absoluta, num daqueles dias em que ouvir música se torna no momento mais importante do dia.

Os menos conscientes da trajetória de Sufjan podem ver partes deste registro como uma recauchutagem do território percorrido em Age of Adz  e os que são apenas fãs do desgosto acústico de Carrie e Lowell ou da narrativa clara de Illinois vão encarar este registo como que obtuso e abrasivo por decurso à mera justaposição; mas aqueles prontos para saltar para o buraco negro e ver o que está do outro lado vão encontrar muita coisa para explorar nesta obra.

Simplificando, este é um álbum incrível. Com as letras incríveis de Stevens, o senso de orquestra épica de Muhly, o estilo distinto de Dessner e o senso de melodia e o ritmo e a percussão únicos de McAlister. As quatro partes somam-se a num absoluto e fantástico todos. A título de exemplo realço os arranjos de orquestra, percussão e vocais e letras de “Marte” como apenas um exemplo, da magnificência da obra.

De Bestas a Bestiais - Página 2 Sufjan-stevens-nico-dessner-tour-dates-2017-planetarium


E denota-se evidentemente que esses quatro grandes personagens da música que se uniram para elaborar esta obra tiveram o cuidado de que para além de fazerem música quiseram também criar um novo estilo de arte moderna. Pelo que pode afirmar que este disco fez crescer a música, não é apenas mais uma obra que acresce na música. Este é talvez o facto que mais distancia este disco de muito outros.

Para ser honesto, se existe um álbum verdadeiramente conceptual neste Século  XXI,   este é esse álbum. Estão associados numa só obra a mitologia, astrologia, ciência, política e astronomia, temas que são incorporadas nas letras, formando, ouso dizer, uma nova maneira de pintar a música. E funciona, desde as notas de abertura até a conclusão do álbum, cada segundo desse registro é necessário, para nos transportar de um planeta, para o outro através do espaço etéreo.

Isso só pode ser alcançado com letras brilhantes e música adequada. Os quatro autores conseguiram dar o seu melhor para este projeto. Cada membro cria sons e estilos distintos, todos reunidos para dar ao mundo o Planetarium .

Este disco neste momento é considerado uma besta, eu acho-o bestial, e o tempo dar-me-á razão. Quem gosta de This Mortal Coil e da sensação de confortável angustia que esse projecto transmitia vai encontrar aqui um excelente refugio, mas aceite-se, este disco acrescenta ainda algo mais.

De Bestas a Bestiais - Página 2 Sufjan-Stevens-Bryce-Dessner-Nico-Muhly-James-McAlister

Pode parecer uma afirmação ousada, mas musical e liricamente este é um dos álbuns mais originais jamais editados. Este álbum é atemporal e, como tal, é um álbum que cuja audição  não conhecerá tempo nem espaço, Ouso dizer que daqui a muitos anos os nossos descendentes vão escutá-lo, deliciados, com a mesma atenção que o escutamos hoje.

Este álbum é tocado magistralmente pelo divino, quem com atenção que merece irá incorporar-lo dentro de si de tal como que repetirá juntamente com Sufjan um dos refrões utilizados nesta magnifica obra que é expressão- “Aleluia”  -  “louvá-los, o Senhores" que nos deixaram este disco para todo o sempre.

É ouvir para crer!

*Artigo ainda em construção, amanhã leva mais uma revisão.
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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyDom Jan 06 2019, 13:54

De Bestas a Bestiais - Página 2 R-429810

Se houvesse um panteão dos albums malditos, o primeiro disco epônimo dos Suicide teria um lugar de destaque. Maltratado pela critica, ignorado pelo publico este disco fundamental é venerado por muitos musicos célebres. Esta obra estranha e crepuscular é considerada como a antecâmara da New Wave, Post-Punk, Gotico, Industrial, Techno... e isto num anonimato total. Evidentemente que existem razões explicando este "suicidio" comercial que são de ordem musical, mas também de ordem humana, pois a personalidade revoltada e brutal do cantor vão conduzir a um clima violento nos concertos que acabam sempre à porrada...

Os Suicide são formados pelo Martin Rev nos teclados e Alan Vega que é o cantor. Estes dois homéns que são praticamente sém abrigo em Nova Iorque, encontram-se pouco tempo apòs que o Martin Rev encontrou um orgão electronico Farfisa no lixo. Juntos eles começam a escrever canções inspiradas pelas vidas tragicas dos "esquecidos" de Nova Iorque. Pouco a pouco começam a tocar nos pequenos clubes underground, mas os concertos apesar de catarticos, acabam sempre de maneira violenta. Um produtor decide de editar o primeiro album apesar da estrutura minimaista e idiossincrática do grupo. Não existe guitarrista ném baixo e a musica é feita com esse orgão modificado (batisado "o instrumento") e uma caixa de ritmos mais a voz. No entanto algo de potente emana desta musica lugubre, desesperada e quase animal que ultrapassa os codigos mesmos do Punk.

Escutar este album é entrar num pesadelo acordado. As melodias dissonantes e monocórdias criam um universo aungustiado, tormentado que é açentuado pelo canto monotono do Alan Vega, regularmente entrecortado por gritos lancinantes. Esta musica animal, visceral e desencarnada até ao osso é desporvida de vertente estética ... o que causa um electrochoque intelectual no auditor. Tudo aqui é essência sêm forma e a musica não tém outro objectivo que de comunicar a sua sinistra mensagem ... o espectro palpàvel da morte é omnipresente! A obra atinge um auge absoluto na faixa "Frankie Teardrop" que durante 10 minutos descreve a descida ao inferno de um homém que acaba por matar a sua familia e se suicidar. Quase inescutavel pela tensão sugerida, esta faixa é considerada pelo Springsteen, Bono e Cale como a maior canção da historia do Rock. Quarenta anos apòs a sua saida o "Suicide" continua a ser uma obra intemporal que produz um efeito duradouro apòs a sua escuta. Nunca a musica foi tão crua ... mas também nunca a musica foi tão evidente, orgânica e necessaria. Um album essencial que ofereçe ao auditor corajoso e obstinado a faceta oposta de uma pop estereotipada e lisa. Aqui não hà estetismo ném lirismo pomposo, pois estamos na realidade implacàvel da vida, que se acaba sempre pela morte ... Game Over!

cheers

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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyDom Jan 06 2019, 19:20

É um grande disco e a tua crítica ao mesmo não fica atrás espero que sirva para apontar o caminho para outros De Bestas a Bestiais - Página 2 754215

Parabéns Paulo
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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyDom Maio 26 2019, 15:24


De Bestas a Bestiais - Página 2 D6b0b7db5f92a5cb14f48256cc273df33dedeb98

Roling Stones Their Satanic Majesties Request O seu título é uma brincadeira com o texto que aparece dentro dos passaportes britânicos: "Her Britannic Majesty requests and requires...", e também em algumas caixas de Whisky produzido no Reino Unido. O disco foi editado na África do Sul com o título de The Stones are Rolling por causa da palavra "Satanic.

Nasceu depois dos enormes Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (The Beatles) e Pet Sounds (Beach Boys), álbuns que buscavam inovar a música (e a cultura) contemporânea, meticulosamente produzidos e trabalhados em estúdio com canções que eram mais que música com objetivos não mais que comerciais, influenciou os Stones. Jagger concluíra que todo o rock simples produzido até então era passado, e assim o grupo decidiu produzir um álbum psicodélico, ainda que sua maestria musical fosse com o Rock and Roll e o Blues.

Decidido os rumos do novo som da banda, Jagger concebe com Keith Richards a idéia de uma sátira psicodélica da monarquia inglesa para o novo álbum. Iniciada logo após o lançamento de Between the Buttons, a gravação de Their Satanic Majesties Request foi longa e esporádica, entrecortada por aparições no tribunal e prisões. Pelas mesmas razões, a banda raramente esteve presente inteira no estúdio ao mesmo tempo. Outro motivo para a queda na produtividade foi a presença dos vários convidados que os membros da banda traziam durante as sessões de gravação. Um dos membros mais sensatos da banda durante este tempo, Bill Wyman, motivado em drogas psicodélicas, escreveu a canção "In Another Land", uma paródia da situação dos Stones naquele momento.

Um álbum com influências diversas e multicultural com os arranjos inventivos de sempre dos Stones, que incorporou alguns ritmos africanos, mellotrons e orquestração completa, que no entanto não foi tão bem tratado como merecia por parte da critica quer mesmo pelos elementos da banda. No entanto diga-se que nunca os Roling Stones haviam sido tão inventivos, tão buscadores de novas sonoridades e tão desapegados deles próprios.

Consideram muitos críticos que este trabalho é uma anormalidade na carreira dos Stones. Por aqui considero que é de longe o melhor álbum dos Stones e um disco que merece figurar entre os melhores de sempre da história quer do rock psicandélico, quer da música rock em geral. Note-se que este trabalho teve também a chancela dos Beatles uma vez que John Lennon e Paul McCartney fizeram backing vocals nas faixas "Sing This All Together" e "She's A Rainbow", John Paul Jones foi uma dos baixistas do discos e Bryan Jones ainda integrava a banda. Muitos dizem que este disco foi uma tentativa fracassada de superar o Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles, eu considero que pelo contrário é uma enorme evolução do mesmo.

Como disse John Lennon acerca deste disco: "Satanic Majesties is Pepper. "We Love You"...that's "All You Need Is Love"".
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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQui Ago 15 2019, 16:56

De Bestas a Bestiais - Página 2 47025410

O album "Making Movies" dos Dire Sraits é a obra do grupo que mais divide as opiniões, sendo vista alternadamente como um album puramente comercial ou então como a obra prima do grupo. Para mim este disco é o auge dos Dire Straits e as razões deste ponto de vista são multiplos. Foi um album que marcou a minha adolescência mas não é pelo afecto ou pela melancolia que lhe tenho tanto apreço, seria mais pelas razões que me levam a escutà-lo ainda hoje com tanto prazer (ou mais) quanto tinha em 1980 quando saiu ... pois a verdade seja dita, pouquissimos são os albuns oriundos do mundo do rock que conseguem ainda me seduzir complétamente passados 39 anos de vida juntos.

Os dois primeiros albuns "Dire Straits" e "Communiqué" eram antes de tudo um estojo para a virtuosidade como guitarrista do Mark Knopfler e téem o inconveniente de serem demasiado simples nos arranjos e mesmo na coerência artistica do grupo pois tudo se apoia no guitarrista e os outros musicos são por demasiado discretos. Nesta obra o grupo encontra pela primeira vez uma coerência e a unidade que lhe faltava. Apesar do mitico solo no final de Tunnel of Love o Mark Knopfler apoia-se no jogo de bateria musculado e mesmo no jogo de baixo subtil ... sendo o trunfo absoluto a presença no piano e teclados do Roy Bittan emprestado pelo E Street Band do Bruce Springsteen. O trio transformado em quatuor pelo luxuoso empréstimo, possui as condições ideais para fazer um grande album de estudio. A escrita do Knopfler evoluiu muito assim que a sua maneira de tocar que desliza do "clear sound" até uma forma quase exclusiva de "picking nota a nota" nesta obra. As harmonias do Roy Bittan sublinham as linhas melodicas do guitarrista e criam uma musica que é ao mesmo tempo potente, energética, ràpida, subtil e altamente melodica ...

O Knopfler tornou-se num belo narrador e a sua escrita é cinematografica com estorias (a la Springsteen...) que vão ser suplimadas pelo seu jogo fulgurante assim que pela arte imensa das harmonias do Roy Bittan. Neste album curto de apenas 38 minutos, cada faixa é um pequeno filme e uma pérola musical ... mesmo a incompreendida faixa Les Boyz! Apesar da urgência ritmica e harmonica, pois é um album que por vezes vai a cem à hora, o auditor é surpreendido pelas rupturas melodicas assim que pelas fulgurâncias harmonicas que salpicam cada faixa. Tudo é construido e ciselado como um produto de qualidade, de luxo, e apesar disto uma atmosfera "garage" subsiste que lhe dà um estatuto de verdadeira peça de rock & roll. Uma obra menosprezada ou adulada que nos dois casos é sobretudo mal compreendida. O "Making Movies" apareçe-me como o melhor album dos Dire Straits, simplesmente !!!...

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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptySab Ago 17 2019, 08:50

Excelente artigo. De Bestas a Bestiais - Página 2 754215 De Bestas a Bestiais - Página 2 754215 De Bestas a Bestiais - Página 2 754215

Embora eu pessoalmente não seja grande admirador de Dire reconheço que este disco e penso que o seguinte Lover over gold, são os discos essenciais desta banda.
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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptySab Ago 17 2019, 12:39

Alexandre Vieira escreveu:
(...) Embora eu pessoalmente não seja grande admirador de Dire reconheço que este disco e penso que o seguinte Lover over gold, são os discos essenciais desta banda.

Estou de acordo De Bestas a Bestiais - Página 2 491368  ... o Brothers in arms não me cativa apesar dos elogios De Bestas a Bestiais - Página 2 447836

cheers

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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptySab Ago 17 2019, 16:40

De Bestas a Bestiais - Página 2 R-376410

O tempo acaba sempre por fazer o seu trabalho e pouco a pouco a primeira obra dos Marillion emerge do oceano de ingratidão no qual errou desde a sua criação em 1983. Em si o album e o grupo não são desconhecidos do publico, longe de là, mas o reconhecimento devido a esta obra fundamental do Rock Progressivo nunca foi feito pelo passado. A razão deste "longo" desinteresse pareçe-me estar ligado à cronologia de nascimento da obra. Em 1983 o Rock Progressivo jà estava moribundo e deveras afastado da sua idade de ouro situada entre os finais dos anos 60 e a metade dos 70 ... este disco apareçe estilisticamente demasiado tarde então. No museu imaginàrio aonde as obras-primas tinham sido pintadas pelos Genesis, VDG, YES, Peter Hammill, King Crimson, ELP, Pink Floyd e etc ... não hà espaço para um novo grupo, ném para uma nova obra ou mesmo para um progressivo contémporâneo. Quando os mitos clàssicos são gravados no màrmore o espaço para os novos desapareçe e tal fenomeno também existiu na historia do Jazz ...

No entanto e apesar de diferenças importantes, fundamentais mesmo, o Script for a Jester's Tear possui todos os elementos do Rock Progressivo clàssico. O teatralismo, as rupturas harmonicas e ritmicas, o ênfase, os movimentos sinfonicos, o lirismo, os desvios melodicos e mesmo as construções longas em zigue-zague melodico estão presentes e apresentam uma exigência musical deveras elevada, do nivel dos melhores grupos supracitados. Alguns criticos associam os grandes grupos de Rock Progressivo à presença de um lider altamente carismàtico, ora mesmo nesse aspecto, com o Fish os Marillion possuém um vocalista e lider fascinante. Mas, são as diferenças entre os Marillion e os grupos miticos jà citados que fazém desta obra um monumento fundamental e em certos aspectos unica mesmo. Em primeiro lugar e contràriamente a muitos grupos progressivos a musica dos Marillion é verdadeiramente rock sém influências ném do Jazz ném da musica contemporânea ... em contrapartida todas as linguagens do Rock estão presentes e são homenageadas. Os textos baseados na realidade social estão afastados do lirismo social, por vezes poético e por doutros psicadélico, da escrita habitual do progressivo nos anos 60/70. No entanto o elemento singular presente neste album e que faz a grandeza da opera italiana é a noção de Drama ... aqui tudo é dualismo entre a luz e a escuridão, amor e odio, vida e morte. Esta dramaturgia catapultada pela voz unica do Fish que alterna potência devastadora (Metal) e lirismo fràgil (Folk) ofereçe transições harmonicas perturbantes, magnéticas e catàrticas ...

A partir do que venho de dizer a escuta do Script for a Jester's Tear promete ao ouvinte uma viagem mais espontânea e menos cerebral do que os outros grandes discos de Rock Progressivo. Aqui o rock està no centro da linguagem e não em periferia o que pode (re)conciliar os amadores de ritmo binàrio com este estilo, por (muitas) vezes criticado pela sua propensão ao simbolismo e à intelectualização. A primeira faixa epônima é um momento de lirismo devastador aonde toda a arte da dramaturgia do Fish (e dos Marillion) é desenrolada com mestria e classe. A partir deste ponto é toda a realidade social inglesa do inicio dos 80 que é despejada num dilúvio de harmonias aonde se alternam o Metal, Punk, Psicadelico, Hard, Folk e mesmo Art-Rock. O ouvinte medusado entra aos poucos numa teia sufucante aonde a urgência ritmica é predominante ... a tensão constante e desanuviada pontualmente por momentos de um lirismo desencantado sufoca o ouvinte. Neste espaço de beleza absoluta mas sombria, as làgrimas estão em suspensão permanente mas são contidas pela energia, pela esperança da raiva. Obra crepuscular e visceral pela forma ela é luminosa e dinamica no fundo o que contribui aos sentimentos complexos e irrepressiveis despoletados durante a escuta. Aqui não estamos no puro lirismo (YES, Moody Blues...), ném nos delirios paranoicos (Genesis, Floyd...), ném mesmo na virtuosidade apàtica (VDG, Camel...) mas mais na implacàvel vida real (Clash, Cash...) ... a ultima faixa é neste ponto sém ambiguidade. O Script for a Jester's Tear é verdadeiramente um monumento do Rock Progressivo e entalà-lo entre o In the Court of the Crimson King e o The Lamb Lies Down on Broadway pareçe-me ser o seu verdadeiro lugar, para a eternidade ...

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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQui Ago 29 2019, 20:34

De Bestas a Bestiais - Página 2 Omd-c-9



Dazzle Ships é o quarto álbum de estúdio da banda inglesa de música eletrônica Orchestral Maneuvers in the Dark (creditado como OMD como sinal de ruptura com o passado). Foi lançado em 4 de março de 1983 pela Telegraph e Virgin Records .

A arte do título e da capa (desenhada por Peter Saville ) faz alusão a uma pintura do artista vorticista Edward Wadsworth, baseada em deslumbrantes camuflagens , intitulada Dazzle-Ships in Drydock in Liverpool, que é ela baseada na camuflagem que se faziam aos navios na primeira guerra mundial.

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Dazzle Ships foi o lançamento subsequente do imensamente bem-sucedido Architecture & Morality (1981). A OMD, então no auge de sua popularidade, optou por uma grande partida no som do disco, ignorando qualquer obrigação comercial de duplicar seu LP anterior. O álbum é conhecido por seu conteúdo experimental , particularmente colagens sonoras de música concreta e o uso de gravações de rádio de ondas curtas para explorar os temas da Guerra Fria e do Bloco Leste .


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O álbum é um exercício pop, com claras influências da Kraftwerk e ao mesmo tempo dos ABBA. Ou seja os OMD não conseguiam separar-se da sua ambição ao sucesso comercial, mas ao mesmo tempo almejavam fazer música inovadora.

Colocar tudo num só disco parece à partida um exercício perdido e impossível mas não o foi. Dazzle Ships o mal amado disco dos OMD é hoje uma referência para muitos tornando-se um disco de culpo tanto mais que como nunca obteve grande sucesso comercial não abundam por aí muitas cópias.

Se o sucesso comercial do trabalho foi nulo, pior foram as críticas aquando do lançamento do disco:

John Shearlaw, da Record Mirror, alertou que "descrever o LP como difícil e fraturado é um eufemismo". O crítico de som Chris Burkham se referiu a "um efeito contínuo de parar e parar quando as músicas se tocam da maneira errada", enquanto John Gill em Time Out bateu o disco como "truques de vanguarda redundantes".  Michael Lawson, no Leader-Post, escreveu que "é dada muita atenção aos efeitos semelhantes à trilha sonora, que apenas confundem as bugigangas de eletropop decentes que existem aqui - e há realmente um bom trabalho, embora muito limitado"

A má recepção comercial e as críticas de foi alvo este trabalho tiveram um efeito terrível na banda que nunca mais optou por trilhar um caminho alternativo ao pop comercial que tanto sucesso lhes deu.

No entanto o LP recebeu avaliações retrospectivas positivas de publicações como Record Collector , The AV Club ,  Q  e The Quietus , entre outras. John Bergstrom, da PopMatters, disse que o álbum "é justamente considerado um clássico perdido". O jornalista da Pitchfork , Tom Ewing, escreveu: "Felizmente, você não precisa de uma faixa contrária para amá-la ... a história fez seu próprio trabalho de remix em Dazzle Ships , e o resultado é um álbum mais rico e unificado do que qualquer um em 1983 poderia ter imaginado. " Ned Raggett, da AllMusic, disse que o disco "supera o Kraftwerk no seu próprio jogo" e o descreveu como "realmente deslumbrante";  ele e o colega David Jeffries saudaram o álbum como uma "obra-prima" - uma opinião ecoada por numerosos críticos.  O escritor de DIY Gareth Ware disse: "Como uma peça estranha da arquitetura modernista, é uma coleção de polígonos irregulares e irregulares que se juntam para formar uma massa coesa no último momento possível ... [Dazzle Ships] exige atenção."

Refletindo sobre o disco de 2008, McCluskey disse: "O álbum que quase matou completamente nossa carreira parece ter se tornado um trabalho de gênio disfuncional ... Paul [Humphreys] levou 25 anos para me perdoar por Dazzle Ships . Mas algumas pessoas sempre mantenha-o como o que nós éramos, porque eles acharam que éramos ótimos. " Foi o foco da edição de agosto de 2007 do artigo "Buried Treasure" da revista Mojo , que destacou um registro "esquecido erroneamente".  O Dazzle Ships foi listado no "Melhor dos anos 80" do Slicing Up Eyeballs em junho de 2013, sendo classificado como um dos 25 principais lançamentos de 1983 com base em quase 32.000 votos dos leitores. O registro foi incluído em listas como os "10 álbuns essenciais do New Wave" do Chicago Tribune , "10 grandes álbuns eletrônicos da velha escola" e o The AV Club 's ". 36 registros excelentes, mas subestimados, de 1983 ".

John Bergstrom escreveu que o disco "permanece como um dos lançamentos mais heterodoxos de todos os tempos por um grande artista pop". É um favorito entre os fãs de OMD,  e ressurgiu em popularidade desde seu relançamento em 2008.  Stuart Huggett no The Quietus , ao notar que Dazzle Ships alcançou status cult e apresenta alguns dos trabalhos mais fortes da banda, sugeriu que "é provável que permaneça muito fora do muro para se juntar permanentemente ao cânone dos álbuns clássicos do público em geral".


Actualmente membros de algumas bandas tais como Ian Wade, do The Quietus, descrevem Dazzle Ships como "profundamente influente". O grupo pop indie Saint Etienne se referiu ao álbum como uma grande influência, particularmente em seu disco de 1991, Foxbase Alpha . O membro fundador, Bob Stanley, observou que agora é "aceite como um grande disco. Chris Walla, da banda de rock alternativo Death Cab for Cutie, chamou de "um grande pedaço de inspiração" para o lançamento de seu grupo em 2011, Codes and Keys . Ele descreveu o Dazzle Ships como o disco que "todo mundo chama de magnum opus [do OMD]", acrescentando: "É realmente um álbum maravilhoso. É ousado e esquisito, e depende muito da paranóia da Guerra Fria".

Dazzle Ships também foi defendido pelo produtor Mark Ronson ,  e vários músicos. Ronson, para quem Dazzle Ships foi recomendado pela cantora Amanda "MNDR" Warner , disse sobre o álbum: "Eu fiquei completamente chocado. É tão estranho quando você ouve algo com 30 anos de idade que imediatamente você fica tipo ' fui assaltado, eu poderia estar ouvindo isso nos últimos 30 anos '. É tão elegante, mas um pouco lo-fi ao mesmo tempo. " O músico de rock indie Michael Lerner, da Telekinesis, tem um gosto especial pelo álbum. Lerner explicou: "Foi um daqueles discos que me atingiu no momento certo. Era exatamente o que eu precisava ouvir e nunca esquecerei esse momento da minha vida". O músico e orador público Terre Thaemlitz disse que possui cinco gravações diferentes do disco. Angus Andrew, da banda de rock experimental Liars, também nomeou Dazzle Ships como um de seus álbuns favoritos; "[O] álbum dele é uma afirmação tão coesa, retratando um ambiente desolado e solitário de um tipo diferente [...] É uma façanha incrível apresentar experimentos como 'Dazzle Ships, Pts. 1-3', e tê-los elogie e aprimore um álbum com faixas mais diretas, como 'Telegraph' ".

Muitas vezes existem registos que levam algum tempo a serem entendidos. Este é um deles.
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