Áudio Analógico de Portugal
Bem vindo / Welcome / Willkommen / Bienvenu

Áudio Analógico de Portugal

A paixão pelo Áudio


Fórum para a preservação e divulgação do áudio analógico, e não só...
 
InícioPortalCalendárioPublicaçõesFAQGruposRegistrar-seConectar-se
Fórum para a preservação e divulgação do áudio analógico, e não só...

Compartilhe
 

 De Bestas a Bestiais

Ir em baixo 
Ir à página : Anterior  1, 2
AutorMensagem
TD124
Membro AAP


Mensagens : 4342
Data de inscrição : 07/07/2010

De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty
MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQua Out 24 2018, 13:02

De Bestas a Bestiais - Página 2 Dtos10

Vinte anos apos o seu lançamento, o album Ocean Songs dos Dirty Three continua o seu lento caminho pelos subterraneos do esquecimento, da ignorância. Verà um dia a luz e serà um dia reconhecido como a obra fundamental que é ?... pareçe-me dificil a prever mas espero que tal aconteça. Em primeiro lugar porque a arte (musica) necessita de obras assim, pois tal é o seu fundamento e essência. Em segundo porque a humanidade sempre necessitou de se confrontar com o indizivel. Este epurado e ambicioso album conjuga estes dois elementos numa perfeição formal que sò é possivel quando a honestidade atinge o seu mais alto nivel de exigência, quando ela se torna orgânica e necessaria!...

Os Dirty Three liderados pelo Warren Ellis (violonista do Nick Cave), pelo guitarrista Mick Turner e pelo baterista Jim White formam um trio de Rock que magnifica o binàrio como outrora o Trio do Bill Evans tinha feito com o Jazz. A voz està ausente afim de exaltar a potência catàrtica da musica e a construção reactiva do tipo tensão/resolução conduziu a ser armazenada na gaveta do Post-Rock. Os três primeiros albuns do grupo criaram as condições ideais para que o trio seja considerado como "culto", mas esta quarta obra perturbou os auditores e mesmo a critica. Concebido apòs um "esgotamento cerebral" do Warren Ellis, este disco aparenta-se a um "ovni musical" aonde a urgência criativa é sublimada pelo resultado. Falsamente melancolico, intensamente contemplativo e altamente hipnotico o Ocean Songs convida o auditor a uma viagem introspectiva...

Muitos discos se reclamam da herança do Spirit of Eden simplesmente porque fogem ao discurso tradicional do rock, ao contràrio o Ocean Songs vai muito mais longe pois a sua beleza não é simplesmente formal, ela é sobretudo espiritual. Construido como uma ode obcessional ao Oceano, ela é fundamentalmente um hino ao elemento fundador da existência, ao berço da vida. Exaltar a beleza e a imensidão do "deserto de àgua" pela musica torna esta obra desmedida, ambiciosa e intensa ... quase mistica. Ir buscar respostas ao "existencialismo" ném em Deus, ném no homém, mas no Oceano, é virtuoso intelectualmente e avassalador artisticamente!!!...
Voltar ao Topo Ir em baixo
Alexandre Vieira
Membro AAP
Alexandre Vieira

Mensagens : 4926
Data de inscrição : 11/01/2013
Idade : 49
Localização : The Other Band

De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty
MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQua Out 24 2018, 19:18

TD124 escreveu:
De Bestas a Bestiais - Página 2 Dtos10

Vinte anos apos o seu lançamento, o album Ocean Songs dos Dirty Three continua o seu lento caminho pelos subterraneos do esquecimento, da ignorância. Verà um dia a luz e serà um dia reconhecido como a obra fundamental que é ?... pareçe-me dificil a prever mas espero que tal aconteça. Em primeiro lugar porque a arte (musica) necessita de obras assim, pois tal é o seu fundamento e essência. Em segundo porque a humanidade sempre necessitou de se confrontar com o indizivel. Este epurado e ambicioso album conjuga estes dois elementos numa perfeição formal que sò é possivel quando a honestidade atinge o seu mais alto nivel de exigência, quando ela se torna orgânica e necessaria!...

Os Dirty Three liderados pelo Warren Ellis (violonista do Nick Cave), pelo guitarrista Mick Turner e pelo baterista Jim White formam um trio de Rock que magnifica o binàrio como outrora o Trio do Bill Evans tinha feito com o Jazz. A voz està ausente afim de exaltar a potência catàrtica da musica e a construção reactiva do tipo tensão/resolução conduziu a ser armazenada na gaveta do Post-Rock. Os três primeiros albuns do grupo criaram as condições ideais para que o trio seja considerado como "culto", mas esta quarta obra perturbou os auditores e mesmo a critica. Concebido apòs um "esgotamento cerebral" do Warren Ellis, este disco aparenta-se a um "ovni musical" aonde a urgência criativa é sublimada pelo resultado. Falsamente melancolico, intensamente contemplativo e altamente hipnotico o Ocean Songs convida o auditor a uma viagem introspectiva...

Muitos discos se reclamam da herança do Spirit of Eden simplesmente porque fogem ao discurso tradicional do rock, ao contràrio o Ocean Songs vai muito mais longe pois a sua beleza não é simplesmente formal, ela é sobretudo espiritual. Construido como uma ode obcessional ao Oceano, ela é fundamentalmente um hino ao elemento fundador da existência, ao berço da vida. Exaltar a beleza e a imensidão do "deserto de àgua" pela musica torna esta obra desmedida, ambiciosa e intensa ... quase mistica. Ir buscar respostas ao "existencialismo" ném em Deus, ném no homém, mas no Oceano, é virtuoso intelectualmente e avassalador artisticamente!!!...

Não conheço De Bestas a Bestiais - Página 2 447836

Mas vou conhecer! De Bestas a Bestiais - Página 2 843159

Obrigado por este Apontamento!

Este tópico começa cada vez mais a ficar um caso sério! De Bestas a Bestiais - Página 2 4019496139
Voltar ao Topo Ir em baixo
Alexandre Vieira
Membro AAP
Alexandre Vieira

Mensagens : 4926
Data de inscrição : 11/01/2013
Idade : 49
Localização : The Other Band

De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty
MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQua Out 24 2018, 22:38

Estou a gostar mesmo deste projecto.

De Bestas a Bestiais - Página 2 754215 De Bestas a Bestiais - Página 2 754215 De Bestas a Bestiais - Página 2 754215
Voltar ao Topo Ir em baixo
TD124
Membro AAP
TD124

Mensagens : 4342
Data de inscrição : 07/07/2010
Idade : 53
Localização : França

De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty
MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptySeg Nov 05 2018, 15:20

De Bestas a Bestiais - Página 2 61xlya10

Existem albums que foram desdenhados por razões puramente dogmaticas e o Medicine Show é um belo exemplo. Apòs o excelente acolho do primeiro album The Days of Wine and Roses os The Dream Syndicate são reconhecidos como o apogeu do estilo que foi apelidado como Paisley underground. Este estilo oriundo da california, mais exactamente de Los Angeles, é uma mistura de psicadelico e garage mas com belas harmonias vocais e um jogo de guitarra aberto e virtuoso ... tudo isto executado com uma energia no estilo do punk-rock. Como todos os estilos marginais, a difusão da musica passa pelos clubes e por pequenos editores especialisados.

Como sempre e desde que existe uma forma de "underground", o publico tém tendência a ver a musica como pertinente e sincéra ao contràrio da produção "mainstream". Ora o sucesso do primeiro album levou um grande editor a se interessar à musica dos TDS e a assinar um contrato para este segundo album. Esta atitude foi vista como uma traição e tanto o publico como a presse dinamitaram o album desde que saiu. O sucesso foi tão fraco que mesmo o CD sò foi editado vinte anos apòs a saida do album ... e que concrétamente os TDS não produziram mais nenhum album estudio com a editora A&M. Um album com arestas não polidas que vém de uma editora anternativa é considerado como uma gravação autêntica, mas se vém de uma grande editora então é considerado como uma ofensa ao auditor. Combater os dogmas constroi novos dogmas !...

O Medicine Show é considerado como um dos grandes albums esquecidos dos anos oitenta. O disco levou seis meses de gravação no estudio e em diversos pontos é mais conseguido do que o The Days of Wine and Roses. As linhas de guitarra, a escrita assim que a produção são globalmente superiores às do primeiro album ... mesmo se ambos partilham as asperidades (defeitos ???...) que assinam a musica alternativa. Neste album a influência dos Velvet Underground é menos afirmada pois a atmosféra é mais psicadelica, no entanto o clima sombrio assim que a energia espontânea das guitarras permaneçe quase idêntica. No final temos um album que é hoje venerado como um clàssico, ora que foi simplesmente ignorado aquando da saida em 1984. Tudo isto porque foi gravado numa grande editora !...

_________________
Il semble que la perfection soit atteinte, non quand il n'y a plus rien à ajouter mais quand il n'y a plus rien à retrancher... Antoine de Saint-Exupéry
Voltar ao Topo Ir em baixo
Alexandre Vieira
Membro AAP
Alexandre Vieira

Mensagens : 4926
Data de inscrição : 11/01/2013
Idade : 49
Localização : The Other Band

De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty
MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyTer Nov 06 2018, 10:08

TD124 escreveu:
De Bestas a Bestiais - Página 2 61xlya10

Existem albums que foram desdenhados por razões puramente dogmaticas e o Medicine Show é um belo exemplo. Apòs o excelente acolho do primeiro album The Days of Wine and Roses os The Dream Syndicate são reconhecidos como o apogeu do estilo que foi apelidado como Paisley underground. Este estilo oriundo da california, mais exactamente de Los Angeles, é uma mistura de psicadelico e garage mas com belas harmonias vocais e um jogo de guitarra aberto e virtuoso ... tudo isto executado com uma energia no estilo do punk-rock. Como todos os estilos marginais, a difusão da musica passa pelos clubes e por pequenos editores especialisados.

Como sempre e desde que existe uma forma de "underground", o publico tém tendência a ver a musica como pertinente e sincéra ao contràrio da produção "mainstream". Ora o sucesso do primeiro album levou um grande editor a se interessar à musica dos TDS e a assinar um contrato para este segundo album. Esta atitude foi vista como uma traição e tanto o publico como a presse dinamitaram o album desde que saiu. O sucesso foi tão fraco que mesmo o CD sò foi editado vinte anos apòs a saida do album ... e que concrétamente os TDS não produziram mais nenhum album estudio com a editora A&M. Um album com arestas não polidas que vém de uma editora anternativa é considerado como uma gravação autêntica, mas se vém de uma grande editora então é considerado como uma ofensa ao auditor. Combater os dogmas constroi novos dogmas !...

O Medicine Show é considerado como um dos grandes albums esquecidos dos anos oitenta. O disco levou seis meses de gravação no estudio e em diversos pontos é mais conseguido do que o The Days of Wine and Roses. As linhas de guitarra, a escrita assim que a produção são globalmente superiores às do primeiro album ... mesmo se ambos partilham as asperidades (defeitos ???...) que assinam a musica alternativa. Neste album a influência dos Velvet Underground é menos afirmada pois a atmosféra é mais psicadelica, no entanto o clima sombrio assim que a energia espontânea das guitarras permaneçe quase idêntica. No final temos um album que é hoje venerado como um clàssico, ora que foi simplesmente ignorado aquando da saida em 1984. Tudo isto porque foi gravado numa grande editora !...



É uma banda que sempre tive em atenção sem no entanto dar atenção particular às especificidades da sua obra. Vou ouvir e depois comentarei.

Abraço e obrigado pela pista De Bestas a Bestiais - Página 2 754215
Voltar ao Topo Ir em baixo
Alexandre Vieira
Membro AAP
Alexandre Vieira

Mensagens : 4926
Data de inscrição : 11/01/2013
Idade : 49
Localização : The Other Band

De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty
MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQua Nov 07 2018, 22:18

Gostei mesmo, um rock afirmativo muito na linha aqui e ali de Television, que me parece ser um obvia influência De Bestas a Bestiais - Página 2 58893
Voltar ao Topo Ir em baixo
Alexandre Vieira
Membro AAP
Alexandre Vieira

Mensagens : 4926
Data de inscrição : 11/01/2013
Idade : 49
Localização : The Other Band

De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty
MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQua Nov 07 2018, 22:38

De Bestas a Bestiais - Página 2 R-1147935-1365095811-4647.jpeg

Cindy Kat ‎– VOL1


Os Cindy Kat são uma banda portuguesa que surgiu alguns anos antes do seu álbum de estreia em 2006, quando Paulo Abelho (Sétima Legião, Golpe de Estado) e João Eleutério (Comboio Fantasma, BCN) se juntaram para compor bandas sonoras para teatro e eventos culturais num estúdio comum a ambos. O nome Cindy Kat surgiu com o passar do tempo.

A entrada na banda de Pedro Oliveira, vocalista dos Sétima Legião (uma banda que fez enorme história na música portuguesa), só surgiu quando foram convidados para uma apresentação ao vivo do seu trabalho na discoteca Frágil, em Lisboa. A partir daí, o entusiasmo de Pedro Oliveira levou-o a criar uma versão de 'Glória', o primeiro tema editado pelos Sétima Legião, e a querer colaborar activamente nos Cindy Kat. O single de estreia, 'Polaroide', chegou em 2006 aos portugueses.

O primeiro album dos "Cindy Kat" conta com a participação de convidados muito especiais e surpreendentes. Gomo dá voz a "Distância. JP Simões protagoniza um dos momentos altos deste "Cindy Kat", com o tema "Míudo" a que deu letra e uma interpretação no mínimo brilhante. Sam (General D, MDA) dá voz e letra a duas canções "Nova Convention" e "Fix My Phaser". Outro dos temas é "A Saída" com Pedro Abrunhosa.

A produção do álbum Cindy Kat Vol.1, steve a cargo dos próprios Cindy Kat e de Tiago Lopes, que trabalha há vários anos em projectos como Rodrigo Leão e Golpe de Estado.

A música dos Cindy Kat é pontualmente dominada por surtos de grande intensidade rítmica, outras vezes entregue à contemplação de paisagens e cenários feitos de sons, não perdendo nunca a máquina um firme sentido de carne e humanidade. Polaroids é precisamente uma manifestação desta carta de intenções, uma canção pop épica, forte na componente melodista, com um refrão poderoso e saudavelmente herdeiro da boa escola Sétima Legião (afinal estão aqui dois músicos desse colectivo, um deles inclusivamente o vocalista), um disco obrigatório, diria mesmo que é o álbum que faltava aos Sétima Legião, mas bastante mais rico que qualquer álbum que os Sétima possam ter elaborado, tem muita gente que trás um enorme brilho ao projecto pautado por extremo bom gosto e com uma maior preocupação na melodia e interpretação que todos os anteriores trabalhos dos Sétima Legião. Este disco passou ao lado de muita gente, mas quem com ele privou não consegue ficar indiferente.

É um trabalho adulto, completo e acreditem ou não irá tornar-se um enorme disco de culto (se já não o é).

Ainda se encontram cd´s a muito bom preço, desde 5 euros.

Não acredito em reedições deste álbum, por isso toca a comprar.


Voltar ao Topo Ir em baixo
Alexandre Vieira
Membro AAP
Alexandre Vieira

Mensagens : 4926
Data de inscrição : 11/01/2013
Idade : 49
Localização : The Other Band

De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty
MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyQua Nov 14 2018, 23:27

De Bestas a Bestiais - Página 2 Asas

Este álbum assumiu em 2017 proporções quase míticas devido à enorme expectativa anterior ao seu lançamento. O grupo se reuniu em 2012 para uma performance em uma sala de concertos holandesa quando Nico Muhly foi contratado para fazer uma nova obra. Nico rapidamente alistou seus amigos Sufjan Stevens e Bryce Dessner (The National) para ajudar, e através de Stevens, McAlister foi trazido para o rebanho.

Mas aquando do seu lançamento teve um enorme problema, a expectativa era tão grande que a maior parte da crítica matou-o assim que saiu. As publicações mais influentes na música consideraram este um registo menor da carreira de Sufjan Stevens, e pior ainda considerou que a soma das partes ainda era pior que qualquer um dos elementos individualmente. Disseram-se enormidades acerca do disco, tanto que chegaram a comparar a voz de Sufjan à de Cher pelo uso abusivo de modulações electrónicas na voz.

Com a rapidez de escreveram criticas ouviram mal o disco. O planetaruim exige audição repetida, as passagens e os movimentos fazem com que as músicas individuais se destaquem menos, pois não é completamente óbvio quando uma faixa está terminando e outra está começando. O álbum quase parece modular na senda da técnica de criação que Brian Wilson usou em Smile. Quando se ouve este disco é preciso estar num dia de abstração absoluta, num daqueles dias em que ouvir música se torna no momento mais importante do dia.

Os menos conscientes da trajetória de Sufjan podem ver partes deste registro como uma recauchutagem do território percorrido em Age of Adz  e os que são apenas fãs do desgosto acústico de Carrie e Lowell ou da narrativa clara de Illinois vão encarar este registo como que obtuso e abrasivo por decurso à mera justaposição; mas aqueles prontos para saltar para o buraco negro e ver o que está do outro lado vão encontrar muita coisa para explorar nesta obra.

Simplificando, este é um álbum incrível. Com as letras incríveis de Stevens, o senso de orquestra épica de Muhly, o estilo distinto de Dessner e o senso de melodia e o ritmo e a percussão únicos de McAlister. As quatro partes somam-se a num absoluto e fantástico todos. A título de exemplo realço os arranjos de orquestra, percussão e vocais e letras de “Marte” como apenas um exemplo, da magnificência da obra.

De Bestas a Bestiais - Página 2 Sufjan-stevens-nico-dessner-tour-dates-2017-planetarium


E denota-se evidentemente que esses quatro grandes personagens da música que se uniram para elaborar esta obra tiveram o cuidado de que para além de fazerem música quiseram também criar um novo estilo de arte moderna. Pelo que pode afirmar que este disco fez crescer a música, não é apenas mais uma obra que acresce na música. Este é talvez o facto que mais distancia este disco de muito outros.

Para ser honesto, se existe um álbum verdadeiramente conceptual neste Século  XXI,   este é esse álbum. Estão associados numa só obra a mitologia, astrologia, ciência, política e astronomia, temas que são incorporadas nas letras, formando, ouso dizer, uma nova maneira de pintar a música. E funciona, desde as notas de abertura até a conclusão do álbum, cada segundo desse registro é necessário, para nos transportar de um planeta, para o outro através do espaço etéreo.

Isso só pode ser alcançado com letras brilhantes e música adequada. Os quatro autores conseguiram dar o seu melhor para este projeto. Cada membro cria sons e estilos distintos, todos reunidos para dar ao mundo o Planetarium .

Este disco neste momento é considerado uma besta, eu acho-o bestial, e o tempo dar-me-á razão. Quem gosta de This Mortal Coil e da sensação de confortável angustia que esse projecto transmitia vai encontrar aqui um excelente refugio, mas aceite-se, este disco acrescenta ainda algo mais.

De Bestas a Bestiais - Página 2 Sufjan-Stevens-Bryce-Dessner-Nico-Muhly-James-McAlister

Pode parecer uma afirmação ousada, mas musical e liricamente este é um dos álbuns mais originais jamais editados. Este álbum é atemporal e, como tal, é um álbum que cuja audição  não conhecerá tempo nem espaço, Ouso dizer que daqui a muitos anos os nossos descendentes vão escutá-lo, deliciados, com a mesma atenção que o escutamos hoje.

Este álbum é tocado magistralmente pelo divino, quem com atenção que merece irá incorporar-lo dentro de si de tal como que repetirá juntamente com Sufjan um dos refrões utilizados nesta magnifica obra que é expressão- “Aleluia”  -  “louvá-los, o Senhores" que nos deixaram este disco para todo o sempre.

É ouvir para crer!

*Artigo ainda em construção, amanhã leva mais uma revisão.
Voltar ao Topo Ir em baixo
TD124
Membro AAP
TD124

Mensagens : 4342
Data de inscrição : 07/07/2010
Idade : 53
Localização : França

De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty
MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyDom Jan 06 2019, 13:54

De Bestas a Bestiais - Página 2 R-429810

Se houvesse um panteão dos albums malditos, o primeiro disco epônimo dos Suicide teria um lugar de destaque. Maltratado pela critica, ignorado pelo publico este disco fundamental é venerado por muitos musicos célebres. Esta obra estranha e crepuscular é considerada como a antecâmara da New Wave, Post-Punk, Gotico, Industrial, Techno... e isto num anonimato total. Evidentemente que existem razões explicando este "suicidio" comercial que são de ordem musical, mas também de ordem humana, pois a personalidade revoltada e brutal do cantor vão conduzir a um clima violento nos concertos que acabam sempre à porrada...

Os Suicide são formados pelo Martin Rev nos teclados e Alan Vega que é o cantor. Estes dois homéns que são praticamente sém abrigo em Nova Iorque, encontram-se pouco tempo apòs que o Martin Rev encontrou um orgão electronico Farfisa no lixo. Juntos eles começam a escrever canções inspiradas pelas vidas tragicas dos "esquecidos" de Nova Iorque. Pouco a pouco começam a tocar nos pequenos clubes underground, mas os concertos apesar de catarticos, acabam sempre de maneira violenta. Um produtor decide de editar o primeiro album apesar da estrutura minimaista e idiossincrática do grupo. Não existe guitarrista ném baixo e a musica é feita com esse orgão modificado (batisado "o instrumento") e uma caixa de ritmos mais a voz. No entanto algo de potente emana desta musica lugubre, desesperada e quase animal que ultrapassa os codigos mesmos do Punk.

Escutar este album é entrar num pesadelo acordado. As melodias dissonantes e monocórdias criam um universo aungustiado, tormentado que é açentuado pelo canto monotono do Alan Vega, regularmente entrecortado por gritos lancinantes. Esta musica animal, visceral e desencarnada até ao osso é desporvida de vertente estética ... o que causa um electrochoque intelectual no auditor. Tudo aqui é essência sêm forma e a musica não tém outro objectivo que de comunicar a sua sinistra mensagem ... o espectro palpàvel da morte é omnipresente! A obra atinge um auge absoluto na faixa "Frankie Teardrop" que durante 10 minutos descreve a descida ao inferno de um homém que acaba por matar a sua familia e se suicidar. Quase inescutavel pela tensão sugerida, esta faixa é considerada pelo Springsteen, Bono e Cale como a maior canção da historia do Rock. Quarenta anos apòs a sua saida o "Suicide" continua a ser uma obra intemporal que produz um efeito duradouro apòs a sua escuta. Nunca a musica foi tão crua ... mas também nunca a musica foi tão evidente, orgânica e necessaria. Um album essencial que ofereçe ao auditor corajoso e obstinado a faceta oposta de uma pop estereotipada e lisa. Aqui não hà estetismo ném lirismo pomposo, pois estamos na realidade implacàvel da vida, que se acaba sempre pela morte ... Game Over!

cheers

_________________
Il semble que la perfection soit atteinte, non quand il n'y a plus rien à ajouter mais quand il n'y a plus rien à retrancher... Antoine de Saint-Exupéry
Voltar ao Topo Ir em baixo
Alexandre Vieira
Membro AAP
Alexandre Vieira

Mensagens : 4926
Data de inscrição : 11/01/2013
Idade : 49
Localização : The Other Band

De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty
MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyDom Jan 06 2019, 19:20

É um grande disco e a tua crítica ao mesmo não fica atrás espero que sirva para apontar o caminho para outros De Bestas a Bestiais - Página 2 754215

Parabéns Paulo
Voltar ao Topo Ir em baixo
Alexandre Vieira
Membro AAP
Alexandre Vieira

Mensagens : 4926
Data de inscrição : 11/01/2013
Idade : 49
Localização : The Other Band

De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty
MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 EmptyDom Maio 26 2019, 15:24


De Bestas a Bestiais - Página 2 D6b0b7db5f92a5cb14f48256cc273df33dedeb98

Roling Stones Their Satanic Majesties Request O seu título é uma brincadeira com o texto que aparece dentro dos passaportes britânicos: "Her Britannic Majesty requests and requires...", e também em algumas caixas de Whisky produzido no Reino Unido. O disco foi editado na África do Sul com o título de The Stones are Rolling por causa da palavra "Satanic.

Nasceu depois dos enormes Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (The Beatles) e Pet Sounds (Beach Boys), álbuns que buscavam inovar a música (e a cultura) contemporânea, meticulosamente produzidos e trabalhados em estúdio com canções que eram mais que música com objetivos não mais que comerciais, influenciou os Stones. Jagger concluíra que todo o rock simples produzido até então era passado, e assim o grupo decidiu produzir um álbum psicodélico, ainda que sua maestria musical fosse com o Rock and Roll e o Blues.

Decidido os rumos do novo som da banda, Jagger concebe com Keith Richards a idéia de uma sátira psicodélica da monarquia inglesa para o novo álbum. Iniciada logo após o lançamento de Between the Buttons, a gravação de Their Satanic Majesties Request foi longa e esporádica, entrecortada por aparições no tribunal e prisões. Pelas mesmas razões, a banda raramente esteve presente inteira no estúdio ao mesmo tempo. Outro motivo para a queda na produtividade foi a presença dos vários convidados que os membros da banda traziam durante as sessões de gravação. Um dos membros mais sensatos da banda durante este tempo, Bill Wyman, motivado em drogas psicodélicas, escreveu a canção "In Another Land", uma paródia da situação dos Stones naquele momento.

Um álbum com influências diversas e multicultural com os arranjos inventivos de sempre dos Stones, que incorporou alguns ritmos africanos, mellotrons e orquestração completa, que no entanto não foi tão bem tratado como merecia por parte da critica quer mesmo pelos elementos da banda. No entanto diga-se que nunca os Roling Stones haviam sido tão inventivos, tão buscadores de novas sonoridades e tão desapegados deles próprios.

Consideram muitos críticos que este trabalho é uma anormalidade na carreira dos Stones. Por aqui considero que é de longe o melhor álbum dos Stones e um disco que merece figurar entre os melhores de sempre da história quer do rock psicandélico, quer da música rock em geral. Note-se que este trabalho teve também a chancela dos Beatles uma vez que John Lennon e Paul McCartney fizeram backing vocals nas faixas "Sing This All Together" e "She's A Rainbow", John Paul Jones foi uma dos baixistas do discos e Bryan Jones ainda integrava a banda. Muitos dizem que este disco foi uma tentativa fracassada de superar o Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles, eu considero que pelo contrário é uma enorme evolução do mesmo.

Como disse John Lennon acerca deste disco: "Satanic Majesties is Pepper. "We Love You"...that's "All You Need Is Love"".
Voltar ao Topo Ir em baixo
Conteúdo patrocinado




De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty
MensagemAssunto: Re: De Bestas a Bestiais   De Bestas a Bestiais - Página 2 Empty

Voltar ao Topo Ir em baixo
 
De Bestas a Bestiais
Voltar ao Topo 
Página 2 de 2Ir à página : Anterior  1, 2

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Áudio Analógico de Portugal :: Música Geral-
Ir para: