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 Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...

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AutorMensagem
José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 18:31

António José da Silva escreveu:
José Miguel escreveu:



Como disse estes dias: os homens e os carros... olha o meu maior que o teu... Será?


Há quem diga que se compra carros de dimensões generosas como compensação de um pénis pequeno...será? Será que no áudio é o tamanho das colunas? Eu pelo menos, e para evitar comparações, passei para umas monitoras.
Como estou a trabalhar não consigo escrever muito, mas o António disse tudo!

Grande trabalho de equipa!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 18:32

José Miguel escreveu:
António José da Silva escreveu:
José Miguel escreveu:



Como disse estes dias: os homens e os carros... olha o meu maior que o teu... Será?


Há quem diga que se compra carros de dimensões generosas como compensação de um pénis pequeno...será? Será que no áudio é o tamanho das colunas? Eu pelo menos, e para evitar comparações, passei para umas monitoras.
Como estou a trabalhar não consigo escrever muito, mas o António disse tudo!

Grande trabalho de equipa!


Já os enganei, assim não vão descobrir a verdade. lol!

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 18:49

José Miguel escreveu:
... Se fosse apenas uma questão de dinheiro seria um pouco ridícula, por isso não é, mas não podemos esquecer que o dinheiro é uma realidade.

Eu nunca o esqueço e espero que o objectivo da minha historia tenha sido compreendido, pois era justamente de lhe mostrar que o mais caro ... não é sempre o melhor (globalmente). Não esqueço também que 5000€ é muito dinheiro para muitas pessoas ... sobretudo para comprar uma aparelhagem. Era simplesmente na continuação das lições sobre este mundo complexo...
...
Gosto da sua história, imagino no sistema de topo um Acutus (20.000), um grande braço (3/5 mil...), colunas de chão, a célula (quase me esquecia, mais uns 3/5...), cabos dos gordos, amplificação generosa... o preço é esse.

Em nenhum deles o gira estava integrado no preço ... aqui a base de um sistema é um leitor digital + amplificador + colunas e os cabos...

O de 5000 euros tem uma fonte digital, colunas monitoras ou auscultadores, amplificação eficiente, ...

Não ... era um sistema classico com um leitor de CD's + um integrado a transistores e umas colunas de chão de duas vias, mas não vou dizer (por principio e deontologia...) quais eram os elementos...

Como disse estes dias: os homens e os carros... olha o meu maior que o teu... Será?

È assim em quase tudo ... porque razão no audio seria diferente ?... acha os audiofilos mais cultivados, interessantes e inteligentes do que as outras pessoas ???

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TD124
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 19:05

José Miguel escreveu:
António José da Silva escreveu:
... Há quem diga que se compra carros de dimensões generosas como compensação de um pénis pequeno...será? Será que no áudio é o tamanho das colunas? ...

Como estou a trabalhar não consigo escrever muito, mas o António disse tudo! ...

Aqui dizem a mesma coisa ... mas eu com a idade a mania dos carros grandes e potentes passou-me e tenho um pequeno ... serà que cresce com a velhiçe ???... seria demasiado injusto !!! No entanto quando tenho vontade de ouvir um bonito barulho de mecanica e de turbo ... agarro no "italiano" da minha mulher e vou dar uma volta no autodromo ...

Quanto às colunas ... é exactamente a mesma coisa que com os carros !!!

Tà a ver José! ... que o Conhecimento pouco a pouco entra, mas serão necessarios +20 anos para poder aplicà-lo dvil

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 19:10

Errei na tentativa de identificação genérica, mas repare que nem tentei colocar marcas além da Avid - porque falamos dela. Não pediria que identificasse, foi apenas uma brincadeira para chegar a uma conclusão.

Eu percebi o objectivo da história, lição já partilhada e com a qual concordamos. Wink

Brinquei com a relação homem/tamanho por isso mesmo, as coisas deverão servir para o seu fim e não para mostrar aos "amigos" ou conquistar Mulheres...


... a menos que seja pela escuta e se der para poupar uns trocos no sistema, melhor poderá ser o jantar.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 19:24

TD124 escreveu:


Tà a ver José! ... que o Conhecimento pouco a pouco entra, mas serão necessarios +20 anos para poder aplicà-lo dvil



Quando um gajo já sabe, nem ter grande nem pequeno, já é tarde demais.


Obviamente que estou a falar das colunas e da capacidade de audição...seus malandros. dvil

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Luciana Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 19:28

Tentei alhear-me deste tópico e receber dele apenas informações contadas pelo José, mas a insistência nas opiniões fizeram-me observar melhor o que aqui foi exposto. Não vou emitir uma única palavra sobre questões técnicas pelos motivos óbvios ─ sou uma total ignorante e os níveis de “abstracção técnica” (para evitar duvidas, uso o termos “abstração técnica” como algo que difere de entidades/objectos/coisas/ideias empíricas e, portanto, tocáveis no tempo e no espaço) deixam-me de tal forma espelhada no vazio da incompreensão, que sem explicações presenciais e simplificadas, recuso-me a desconstruí-las.

Antes de mais, afirmo que corroboro inteiramente a ideia tantas vezes repetida pelo José de que “o real é o nele colocamos” [Kant] e adiciono a afirmação consequente e complementar de que “a razão é uma putéfila que abre as pernas a toda a gente” [ideia impressa com variadíssimos contornos em vários escritos], ora, não há uma verdade absoluta, essa não pertence a nenhum de nós, haverá, quanto muito, uma aproximação à verdade, ou sendo mais precisa, um desejo de a alcançar. Julgo ser este desejo o ponto diferenciado do Homem…

Este fórum é um exemplo de que a insatisfação é constante e nem a técnica (ciência?!) é linear, varia de cabecita para cabecita… E se nem a Exma. Técnica o é, imaginem a minha opinião!!!!
Relevante nesta casa tem sido as descobertas musicais, para mim, são elas que têm sortido grande entusiasmo e crescimento. São portas para mundos inimagináveis até então… E eu adoro imaginar!!

Desculpem os audiófilos (não é uma opinião pejorativa… Eu, tal como vocês não sou acrítica) mas, não raras vezes, fico com a ideia de que para vocês os equipamentos são um fim em si… E por muito que aflorem a música, a técnica parece-me ofuscar sempre aquela que deveria ser a meta. Não quero ser incompreendida, por isso, vou dar um exemplo pessoal para ilustrar o que afirmo, aqui vai: Participei em algumas audições que me entusiasmaram e deixaram-me naquele estado de “êxtase místico”, o estado de transferência da experiência sensível quotidiana para um estado de consciência mais elevado, obviamente estava acompanhada e sabia que quem me rodeava gostava imensuravelmente do que estava a ouvir, mas por “deformação profissional” ou “hábito”, essas pessoas não se deixaram levar pela música… durante a audição, calcularam e alistaram todos os erros do sistema, perspectivaram soluções, anotaram distorções aos segundos… e no fim, sobrou o desalento; noutros dias, com outros sistemas, em casas diferentes, com “artilharias” diferentes, o calculismo venceu sempre… E quando pergunto, então e a música? Resumem tudo à baixa qualidade musical, explicando-a com a amarga técnica…
Há outros conhecidos que devoram música e que entram em êxtase com a simples substância musical, vejo-os crescer mais do que podem e a adrenalina de estarem a ouvir o que ouvem diariamente é tal que até os olhos brilham (e não pensem que eu vejo mais do que é, o José está sempre do meu lado e pode confirmá-lo), os transeuntes admiram-se e depois há sempre um ou outro atacado pela maldita “deformação profissional” que revela desagrado no sistema, no som e, portanto, na música…

Chamem-me tontinha, desenquadrada, mas para mim o mais importante são os fenómenos associados à experiência, são os QUALIA que desvelam a “natureza do mundo”, o áudio só é fundamental quando atingimos estados mentais inefáveis, inauditos, indizíveis, internos… quando explodimos de sentimento e crescemos mais do que seria expectável para nós… No limite, o áudio tem de servir o mundo interior de cada um , tem de nos levar a estados de consciência superiores, tão superiores como o “arrepio” transmitido pelo Aníbal, ou o desejo referido pelo Paulo, ou tudo o que cabe no silêncio e apenas é sentido e nos faz bem.

Com isto não quero, de forma alguma, rejeitar a técnica ou desvalorizar a qualidade de um sistema, pelo contrário, tal como o José afirma, quero aprender e surpreender-me com cada novidade e upgrade…
Gosto, gosto mesmo muito do que temos… pode ser péssimo, mas faz-me evoluir e atingir os QUALIA do contentamento…
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 19:49

Luciana, tenho dois sistemas e de ambos retiro bastante prazer, mesmo se um é bastante melhor do que o outro.

E o que interessa é mesmo isso, a nossa satisfação pessoas que muitas vezes o deixa de ser quando a exigência e as expectativas começam a tomar conta e a sobreporem-se ao essencial.


Já mais acima escrevi que é preciso é ter calma e colocar as coisas na perspectiva certa. Os aparelhos são importantes, mas a musica, e em especial os meus amados discos são-no mais.




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Luciana Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 20:06

António José da Silva escreveu:
Luciana, tenho dois sistemas e de ambos retiro bastante prazer, mesmo se um é bastante melhor do que o outro.

E o que interessa é mesmo isso, a nossa satisfação pessoas que muitas vezes o deixa de ser quando a exigência e as expectativas começam a tomar conta e a sobreporem-se ao essencial.


Já mais acima escrevi que é preciso é ter calma e colocar as coisas na perspectiva certa. Os aparelhos são importantes, mas a musica, e em especial os meus amados discos são-no mais.




Não sei se me permite,mas como estou muito bem intencionada, em jeito de mensagem privada, só lhe posso afirmar com total sinceridade que:

O António quando está em Inglaterra é muito mais divertido, atenciosos, moderado, leve, compreensivo...
Já tenho o António de volta Orquestra cheers !
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 20:12

Luciana Silva escreveu:


Não sei se me permite,mas como estou muito bem intencionada, em jeito de mensagem privada, só lhe posso afirmar com total sinceridade que:

O António quando está em Inglaterra é muito mais divertido, atenciosos, moderado, leve, compreensivo...
Já tenho o António de volta Orquestra cheers !


O pouco tempo que estou no meu amado país, tenho muito que recuperar e o tempo escasseia.


Mas mesmo sem tempo, nunca estou longe desta malta de que tanto gosto.

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 20:15

Também posso chegar à conclusão de que em Portugal, o bagaço me torna um bruto.

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Luciana Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 20:30

António José da Silva escreveu:
Também posso chegar à conclusão de que em Portugal, o bagaço me torna um bruto.

Largue o "bagaço"... e volte a cair nos braços do "single malt".
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 20:45

António José da Silva escreveu:
Também posso chegar à conclusão de que em Portugal, o bagaço me torna um bruto.

Eu de cada vez que vou a Portugal fico de rastos, a precisar de férias.
Neste Natal passei os dias no pediatra, no registo civil, nas finanças, no banco, a atender às solicitações da família...um desassossego, uma estafadeira.
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 21:34

Luciana Silva escreveu:
Tentei alhear-me deste tópico e receber dele apenas informações contadas pelo José, mas a insistência nas opiniões fizeram-me observar melhor o que aqui foi exposto. ...

E fez muito bem de ter vindo dar uma espreitadela aqui por estes lados ... pois a transmissão oral (aqui chamada telefone-arabe) produz muitas distorsões durante a comunicação, então é sempre melhor viver directamente as coisas do que indirectamente... cheers

Antes de mais, afirmo que corroboro inteiramente a ideia tantas vezes repetida pelo José de que “o real é o nele colocamos” [Kant] e adiciono a afirmação consequente e complementar de que “a razão é uma putéfila que abre as pernas a toda a gente” [ideia impressa com variadíssimos contornos em vários escritos] ... Este fórum é um exemplo de que a insatisfação é constante e nem a técnica (ciência?!) é linear, varia de cabecita para cabecita… E se nem a Exma. Técnica o é, imaginem a minha opinião!!!!...

As frases filosoficas retiradas do seu contexto e utilisadas como estandarte, são uma faca a dois gumes ... como cada vez que um ser humano cita outro, simplesmente para corroborar a sua visão do mundo. Pois para cada Kant à um Schopenhauer ... para cada Einstein um Feynman e assim de seguida até ao fim. Como sempre neste dualismo, o homém escolhe o cavalo que quer ou que pode ... então nenhuma dessas frases não serà um estandarte meu e a segunda frase então, mereceria um jantar à volta dela, aonde o velho amigo Aristóteles seria o sàbio anfitrião e arbitro. Mas para o André Comte-Sponville a filosofia não é um saber, ném um conjunto de conhecimentos, mas um caminho de reflexão sobre os conhecimentos disponiveis ... e é nesse sentido que o termo "filosofia" deve ser visto neste topico, assim o vejo eu pelo menos!  Wink
(...)
Participei em algumas audições que me entusiasmaram e deixaram-me naquele estado de “êxtase místico”, o estado de transferência da experiência sensível quotidiana para um estado de consciência mais elevado, obviamente estava acompanhada e sabia que quem me rodeava gostava imensuravelmente do que estava a ouvir, mas por “deformação profissional” ou “hábito”, essas pessoas não se deixaram levar pela música… durante a audição, calcularam e alistaram todos os erros do sistema, perspectivaram soluções, anotaram distorções aos segundos… e no fim, sobrou o desalento; noutros dias, com outros sistemas, em casas diferentes, com “artilharias” diferentes, o calculismo venceu sempre… E quando pergunto, então e a música? Resumem tudo à baixa qualidade musical, explicando-a com a amarga técnica…

Amiga Luciana, compreendo-a perfeitamente e sinto mesmo no que diz "a sombra elegante" da minha primeira esposa, no entanto é extremamente maneirista o que diz ... e vou argumentar à minha maneira. Eu jà o disse varias vezes que "sò escuto musica sòzinho", pois a musica toca-me muito e considero impudico de partilhar esse momento. Quando escuto musica com os amigos ou com a minha mulher, ela é um pretexto para qualquer conversa ou descoberta ... mas não sinto a mesma coisa de quando estou sò. Ainda esta tarde tive uma "làgrima em suspensão" escutando o Stabat Mater do Pergolesi ... mas sò havia a musica e eu ... e é conhecido que o "amor" faz-se a dois, mas as orgias é como se queira. Então pareçe-me haver varias razões para que as pessoas publicamente e mesmo entre amigos possam não atingir (ném se aproximar...) do Tarab ... ou então com uma(s) substânciasita(s) drunken !!!...

(...) No limite, o áudio tem de servir o mundo interior de cada um , tem de nos levar a estados de consciência superiores, tão superiores como o “arrepio” transmitido pelo Aníbal, ou o desejo referido pelo Paulo, ou tudo o que cabe no silêncio e apenas é sentido e nos faz bem.

De novo compreendo-a ... mas de novo é maneirista, tanto quanto os que criticavam o Jazz do Ornette Coleman de não possuir Swing ou a musica do Erik Satie de ser estéril e cerebral. O Swing interior existe e a exaltação (a violência viril e muda...) do Satie ou do Scriabine também ... sém que o auditor tenha necessidade de dançar, chorar ou dar murros na parede. A consciência superior da qual voçê fala, tém de ter uma manifestação fisica?... é necessario mostrar o que sentimos??... o sentir deve ser visivel???...  Suspect

Gosto, gosto mesmo muito do que temos… pode ser péssimo, mas faz-me evoluir e atingir os QUALIA do contentamento…

Ora ai està algo que compreendo perfeitamente e que me deixa muito satisfeito ... então deixe-me lhe dizer uma coisa! Com o tempo, as experiências e a vida esqueçi as coisas simples e hoje quando um sistema audio é péssimo não tenho arrepios ... e quando o vinho é apenas bom também não, o mesmo direi em relação a um bom disco, a uma boa refeição ou a uma boa paisagem ...    Então guarde essa capacidade de maravilhamento sém que a excelência seja a causa, pois depois não haverà marcha atràs !!! Wink


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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 21:52

ricardo onga-ku escreveu:
... Eu de cada vez que vou a Portugal fico de rastos, a precisar de férias. ...

Eu durante quase trinta anos foi a mesma coisa e ia duas vezes por ano ... agora que jà não tenho razão para ir e que virei as costas à peninsula para olhar là para cima, é a minha mulher que se apaixonou por Portugal e que me està sempre a pedir para ir !!!  Putain de vie de merde, bordel

lol!

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 22:05

TD124 escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
... Eu de cada vez que vou a Portugal fico de rastos, a precisar de férias. ...

Eu durante quase trinta anos foi a mesma coisa e ia duas vezes por ano ... agora que jà não tenho razão para ir e que virei as costas à peninsula para olhar là para cima, é a minha mulher que se apaixonou por Portugal e que me està sempre a pedir para ir !!!  Putain de vie de merde, bordel

lol!

Portugal é grande o suficiente, diverso o suficiente; belo o suficiente em cada canto diverso; ...

Perca-se com a sua esposa em Portugal, faça a Estrada Nacional 2 de norte a sul ou de sul para norte... pare nas tascas, nas aldeias, nos montes e vales, coma peixinhos do rio, dê uma volta a pé, siga...

Depois talvez puxe os cabelos por sentir falta. Wink
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Luciana Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 16 2017, 23:07

Luciana:
Antes de mais, afirmo que corroboro inteiramente a ideia tantas vezes repetida pelo José de que “o real é o nele colocamos” [Kant] e adiciono a afirmação consequente e complementar de que “a razão é uma putéfila que abre as pernas a toda a gente” [ideia impressa com variadíssimos contornos em vários escritos] ... Este fórum é um exemplo de que a insatisfação é constante e nem a técnica (ciência?!) é linear, varia de cabecita para cabecita… E se nem a Exma. Técnica o é, imaginem a minha opinião!!!!...

Paulo:
As frases filosoficas retiradas do seu contexto e utilisadas como estandarte, são uma faca a dois gumes ... como cada vez que um ser humano cita outro, simplesmente para corroborar a sua visão do mundo. Pois para cada Kant à um Schopenhauer ... para cada Einstein um Feynman e assim de seguida até ao fim. Como sempre neste dualismo, o homém escolhe o cavalo que quer ou que pode ... então nenhuma dessas frases não serà um estandarte meu e a segunda frase então, mereceria um jantar à volta dela, aonde o velho amigo Aristóteles seria o sàbio anfitrião e arbitro. Mas para o André Comte-Sponville a filosofia não é um saber, ném um conjunto de conhecimentos, mas um caminho de reflexão sobre os conhecimentos disponiveis ... e é nesse sentido que o termo "filosofia" deve ser visto neste topico, assim o vejo eu pelo menos!

Resposta da Luciana ao Paulo:
Paulo, a dicotomia que expôs parece-me perfeitamente justificada com as frases que escolhi para parafrasear. Cada um escolhe as ferramentas necessárias para justificar as suas ideias, mas isto só por si, é sinónimo de que para cada um, as ideias a serem justificadas são válidas, as ferramentas que usam servem apenas para argumentário.
As frases que escolhi dizem muito das minhas crenças e da minha formação, o Paulo escolhe outras, o “Beijamim” outras e assim por diante… somos únicos, cada um de nós pensa e conhece o mundo à sua imagem e nos moldes da sua experiência.
Um jantar em torno de uma ideia lançada por alguém é sempre positivo, todos crescem nesse tipo de iniciativas… e insisto que a razão pura é sempre um bom mote.
Quanto à filosofia como caminho depurador do pensamento, acção pensante e reflexiva do “mundo possível”, concordo totalmente.



Luciana:
Participei em algumas audições que me entusiasmaram e deixaram-me naquele estado de “êxtase místico”, o estado de transferência da experiência sensível quotidiana para um estado de consciência mais elevado, obviamente estava acompanhada e sabia que quem me rodeava gostava imensuravelmente do que estava a ouvir, mas por “deformação profissional” ou “hábito”, essas pessoas não se deixaram levar pela música… durante a audição, calcularam e alistaram todos os erros do sistema, perspectivaram soluções, anotaram distorções aos segundos… e no fim, sobrou o desalento; noutros dias, com outros sistemas, em casas diferentes, com “artilharias” diferentes, o calculismo venceu sempre… E quando pergunto, então e a música? Resumem tudo à baixa qualidade musical, explicando-a com a amarga técnica…

Paulo:
Amiga Luciana, compreendo-a perfeitamente e sinto mesmo no que diz "a sombra elegante" da minha primeira esposa, no entanto é extremamente maneirista o que diz ... e vou argumentar à minha maneira. Eu jà o disse varias vezes que "sò escuto musica sòzinho", pois a musica toca-me muito e considero impudico de partilhar esse momento. Quando escuto musica com os amigos ou com a minha mulher, ela é um pretexto para qualquer conversa ou descoberta ... mas não sinto a mesma coisa de quando estou sò. Ainda esta tarde tive uma "làgrima em suspensão" escutando o Stabat Mater do Pergolesi ... mas sò havia a musica e eu ... e é conhecido que o "amor" faz-se a dois, mas as orgias é como se queira. Então pareçe-me haver varias razões para que as pessoas publicamente e mesmo entre amigos possam não atingir (ném se aproximar...) do Tarab ... ou então com uma(s) substânciasita(s)

Resposta da Luciana ao Paulo:
Para mim a forma como a música  atinge e toca cada um é particular, exclusiva, intransmissível, mas não creio que esta privacidade seja motivo para não partilhar a música e a sentir num dado espaço público. Aqui em casa ouvimos música a dois e não deixamos de nos sentir tocados, às vezes até torturados pela forma como ela mexe connosco. É verdade que, não raras vezes, ficamos em silêncio até o fim da música o silenciar…

Compreendo esse invólucro necessário para a apreciação musical, mas ao lado das pessoas certas, o espaço do” Outro”, o “Nosso” é respeitado.

Assim como compreendo o isolamento para a transcendência possível através da música, também compreendo quem não precise de isolamento, só dela. Aqui o (des)bloqueio parece-me ser mais um efeito dos “contornos da personalidade”, embora admita que sozinhos perante seja o que for, o efeito dessa incógnita é muito mais sentido, avassalador. O Homem precisa de apoio do seu semelhante, senão… abismo!

O que não compreendo perante uma audição despreocupada, é alguém secundarizar a música e os seus efeitos alegando não existir condições técnicas suficientes (claro está que refiro-me a contextos de audição válidos).


Luciana:
No limite, o áudio tem de servir o mundo interior de cada um , tem de nos levar a estados de consciência superiores, tão superiores como o “arrepio” transmitido pelo Aníbal, ou o desejo referido pelo Paulo, ou tudo o que cabe no silêncio e apenas é sentido e nos faz bem.

Paulo:
De novo compreendo-a ... mas de novo é maneirista, tanto quanto os que criticavam o Jazz do Ornette Coleman de não possuir Swing ou a musica do Erik Satie de ser estéril e cerebral. O Swing interior existe e a exaltação (a violência viril e muda...) do Satie ou do Scriabine também ... sém que o auditor tenha necessidade de dançar, chorar ou dar murros na parede. A consciência superior da qual voçê fala, tém de ter uma manifestação fisica?... é necessario mostrar o que sentimos??... o sentir deve ser visivel???..

Resposta da Luciana ao Paulo:
Percebo as suas questões até pelo simples facto de não me conhecer. Eu sou uma menina rígida, que não aflora facilmente as suas emoções, vejo-as como minhas, são internas… mas sinto-as. Quero com isto referir que os estados de consciência superiores não têm de ser explosivos, translúcidos, esses estados são pessoais e irão ser desvelados de acordo com as características de cada um… O que acredito é que há sempre uma manifestação (silêncio excessivo, lapso linguístico, pacatez, semblante triste, feliz, adrenalina, brilho, movimento corporal…) para quem nos conhece ou esteve atento a nós, há sempre um indício.


Luciana:
Gosto, gosto mesmo muito do que temos… pode ser péssimo, mas faz-me evoluir e atingir os QUALIA do contentamento…

Paulo:
Ora ai està algo que compreendo perfeitamente e que me deixa muito satisfeito ... então deixe-me lhe dizer uma coisa! Com o tempo, as experiências e a vida esqueçi as coisas simples e hoje quando um sistema audio é péssimo não tenho arrepios ... e quando o vinho é apenas bom também não, o mesmo direi em relação a um bom disco, a uma boa refeição ou a uma boa paisagem ...    Então guarde essa capacidade de maravilhamento sém que a excelência seja a causa, pois depois não haverà marcha atràs!

Resposta da Luciana ao Paulo:
Lembrar-me-ei de guardar o meu lado mais infantil, pois ainda hoje maravilho-me com pequenas coisas, coisas sem importância e pouco excepcionais. Mas no limite, quem atribui o grau de excepcionalidade às “coisas” importantes para mim, sou mesmo eu.


flower
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mannitheear
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 06:42

Normally I listen the music alone and private. But it happens that my wife and I listen occasionally to a song from Leonard Cohen or Loreena McKennit or others and we suddenly are both deeply touched and these are beautiful moments ...
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 06:58

mannitheear escreveu:
Normally I listen the music alone and private.  But it happens that my wife and I listen occasionally to a song from Leonard Cohen or Loreena McKennit or others and we suddenly are both deeply touched and these are beautiful moments ...



Please, Manfred, get a room. lol!

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mannitheear
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 07:24

António José da Silva escreveu:
mannitheear escreveu:
Normally I listen the music alone and private.  But it happens that my wife and I listen occasionally to a song from Leonard Cohen or Loreena McKennit or others and we suddenly are both deeply touched and these are beautiful moments ...



Please, Manfred, get a room. lol!

Dear friend António,

do not worry, I have a room where I can listen when and how loud I like ... and a can ...

cheers
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 08:49

Para mim Audiophilia significa gosto pelo realismo ou naturalidade na reprodução de música gravada.

Interessa-me sobretudo como veículo para uma apreciação mais intensa da música em todas as suas vertentes (espiritual, estética, etc.).

Se não fossem os fóruns eu não pensaria em Audio diariamente, mas faço-o para discutir os aspectos técnicos e não porque sinto um desassossego relativamente ao meu sistema, que para mim é apenas uma ferramenta, como uma chave de fendas ou um secador de cabelo...
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mango
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 09:03

Acho que desde que as pessoas respeitem a opinião umas das outras, e não tentem impor a sua, a audiofilia pode ser um objectivo diferente para cada um. Ninguem é dono da razão.
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WamaKota
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 09:53

mango escreveu:
Ninguem é dono da razão.

Só dizes isso porque não me conheces pessoalmente... nem ao JJ.



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TD124
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 09:53

Luciana Silva escreveu:
(...) … somos únicos, cada um de nós pensa e conhece o mundo à sua imagem e nos moldes da sua experiência.

... Para mim a forma como a música  atinge e toca cada um é particular, exclusiva, intransmissível, [u]mas não creio que esta privacidade seja motivo para não partilhar a música ...

... O que não compreendo perante uma audição despreocupada, é alguém secundarizar a música e os seus efeitos alegando não existir condições técnicas suficientes ...

... O que acredito é que há sempre uma manifestação (silêncio excessivo, lapso linguístico, pacatez, semblante triste, feliz, adrenalina, brilho, movimento corporal…) para quem nos conhece ...

... Mas no limite, quem atribui o grau de excepcionalidade às “coisas” importantes para mim, sou mesmo eu.

Amiga Luciana, eu respondi à sua bela intervenção "à cœur ouvert" e que prova que este topico não é tão inutil quanto isso ... mas esta manhã sinto remorsos de o ter feito, simplesmente porque penso não ser a melhor pessoa para tal...

Aqui neste espaço o audio é uma paixão subjacente à musica (para a maioria penso...) o que cria desejos, crenças, obcessões mesmo ... ora que eu estou complétamente fora desse molde. Eu gosto do meu trabalho é verdade, mas não estou apaixonado por ele. Não tenho desejos de material, pois tenho muito e a grande maioria foi-me dado ... não me devo esforçar finaceiramente para obter um produto e quando desejo escutar algo emprestam-me ... e faço isso com o objectivo professional de conheçer mais, de ser um professional lucido e coerente, mas não hà nenhuma paixão nisto. Quando fiz as estorias sobre os giras num dado momento tive quatro giras emprestados aqui que totalisavam o preço de um grande carro alemão ... e não paguei portes ném nada. Então verdadeiramente estou numa situação muito diferente das outras pessoas aqui no que diz respeito à "paixão audiofila"...

Ao mesmo tempo quando escrevo aqui no forum, tenho sempre o écran divido entre o AAP e o meu programa de simulação de circuitos, então estou sempre com a cabeça não no audio ... mas no interior do audio. Ném sequer um artesão do audio que seja aplicado, que amadure lentamente um aparelho e delicadamente o fabrique com dedicação e apreço eu compreendo ... tanto eu sou um bulimico de criação, novidade e pertinência intelectual ... pois quando passo ao estado da fabricação, chateio-me! Eu quando olho para um circuito "jà o ouço tocar" e chame-lhe a isto experiência, dom, saber ou intuição ... mas é assim e não posso simular ser o que não sou. Como um enologo com um copo na mão ... quando escuto um sistema ouço os defeitos e qualidades, o circuito, as astucias e as tecnologias utilisadas ... então não degusto (ou muito raramente) mas provo, dispo intelectualmente o sistema e vejo as visceras. O audio a maior parte do tempo chateia-me pois é uma "variação em modo ciclico" aonde as coisas se repetem e a novidade é rara ... então ném sequer o eclectismo intelectual do audio me anima, pois ele jà não existe...

O audio é visto pelos audiofilos como um mundo espiritual, exigente e quase artistico aonde as marcas, os designeres e os artesãos estão nobremente ao serviço da musica ... ora que é um mundo de puro interesse finançeiro, de ciumes, de egos frustrados ... e ninguém deve matar a "galinha com ovos de ouro"! Em meados de 2005 ora que estava no "auge da minha carreira" dei um pontapé na galinha afirmando publicamente que o audio era "um abre latas para abrir a musica em conserva" ... declarei que se havia uma busca sensata e exigente a fazer neste mundo seria a "ausência de som ... a transparência total!" està a imaginar o que isso é ??? Num mundo de som, aonde as particularidades de cada marca é de possuirem um dado som, que este seja elegante, eufonico, transcendente, amaricado, fino, subtil, refinado, étereo, viril, orgânico e etc ... eu propuz o vazio sonoro e sentimental ... pois o audio não seria nada mais, do que o traço fisico entre o disco e o auditor! Fui tratado de "ideologo" do audio, de Punk, de dinamitador da essência profunda desta disciplina...

Os meus amigos dizem hoje que sou um gajo "blasé", termo dificil a traduzir mas que quer dizer mais ou menos, farto de tudo, que conheçe tudo, distante, entediado e num nivel outro "snob", falando da minha relação ao audio. Talvez tenham razão, pois num mundo de audiofilos eu sou complétamente o contrario do utilisador ou do amador de audio contemplativo ... pois estou na origem da paixão. Como sonhar com o que crio eu proprio ?... não sou umbilical a esse ponto, então continuo a me criar desafios absurdos, exigentes e concretos ... afim de auto-alimentar um Fogo que é cada vez mais energivoro. Luto contra mim mesmo para que o audio tenha um sentido ao qual me possa identificar ... e estou sozinho neste combate, pois ninguém o pode compreender, ném mesmo o artesão que voçê(s) apreciam!

Então Amiga Luciana e como voçê diz, e muito bem, na sua primeira frase que citei ... cada um vê o mundo à sua maneira. Voçê descreveu a sua relação ao audio com empatia e delicateza vaporosa e eu venho de lhe descrever a minha que é totalmente o oposto. Entre nòs dois hà uma multitude de pessoas a nadar num oceano aonde esperam um dia ver terra ... cheios de crenças, duvidas, sensações, pudor e desejos. Uns acreditam que o novo aparelho tão desejado vai lhes dar um acesso novo aos discos que jà conheçem, outros sentem-se singulares e valorisados pela simples pocessão de um aparelho pouco comum, outros pensam pertençer a uma categoria esoterica de individuos "os audiofilos", outros seguem o(s) guru(s) cegamente, outros véem o audio como uma forma de arte técnica, outros simplesmente querem ouvir musica ... mas todos se compreendem mais ou menos entre eles, pois estão no mesmo planeta...

E no Polo Sul deste planeta louco, desvairado mas cativante existém pessoas como voçê que atingem o Tarab (extase à escuta da musica em arabe) sém ligar ao som do sistema ném à presença do "outro" ... ora que no Polo Norte existém pessoas como eu que para atigir esse estado metafisico necessitam "a ausência de som e de seres...". Os franceses dizém que é necessario de tudo para fazer um mundo ... acho que téem razão !!!

PS: Em todos os casos, este topico permite de falar de outra coisa que da cor das vàlvulas acesas ... o que em si jà é enorme !!! cheers

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 10:06

Schockierend ... 2cclzes
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 10:21

mannitheear escreveu:
Schockierend ... 2cclzes

Nicht wahr ??? cheers

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 10:34

mango escreveu:
Acho que desde que as pessoas respeitem a opinião umas das outras, e não tentem impor a sua, a audiofilia pode ser um objectivo diferente para cada um. Ninguem é dono da razão.

Concordo. Aliás, acho que nem todos os audiófilos procuram ou necessitam de um sistema "transparente".

Mas, a meu ver, quando se critica/discute se um equipamento é bom ou mau deve-se fazê-lo tendo em conta a sua fidelidade e não se o som que produz agrada ou não quem o escuta, já que essa informação não tem qualquer utilidade para os outros, que têm o seu próprio gosto.


Última edição por ricardo onga-ku em Ter Jan 17 2017, 10:47, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 10:35

mango escreveu:
Acho que desde que as pessoas respeitem a opinião umas das outras, e não tentem impor a sua, a audiofilia pode ser um objectivo diferente para cada um. Ninguem é dono da razão.

Tém razão amigo mango, e a genése da "audiofilia", termo pomposo para descrever hoje um gajo que adora o audio e sobretudo o seu sistema ... foi longamento abordado no topico " A autopsia da alta-fidelidade...". Efectivamente no audio não hà nada a aprender e esse termo vago e vazio ou cheio consoante o ponto de vista é tão vasto que vai do Public adress até ao Auto-radio...

Ninguém precisa de conselhos para escolher o seu PP, PSE, OTL, SE, Class A ou D ... mas como o alibi que é sempre utilisado é a "fidelidade" ... então a Alta-Fidelidade é uma disciplina concréta é séria ... e ela sim necessita de conhecimentos afim de ser atingida...

Este topico é então destinado a todos os "audiofilos" que no fundo buscam a "fidelidade" ... com razão, mesmo se não são os donos dela !!!...

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mango
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 11:15

ricardo onga-ku escreveu:
mango escreveu:
Acho que desde que as pessoas respeitem a opinião umas das outras, e não tentem impor a sua, a audiofilia pode ser um objectivo diferente para cada um. Ninguem é dono da razão.

Concordo. Aliás, acho que nem todos os audiófilos procuram ou necessitam de um sistema "transparente".

Mas, a meu ver, quando se critica/discute se um equipamento é bom ou mau deve-se fazê-lo tendo em conta a sua fidelidade e não se o som que produz agrada ou não quem o escuta, já que essa informação não tem qualquer utilidade para os outros, que têm o seu próprio gosto.

Fundamentalmente é neste teu segundo paragrafo que sumarizas o porquê de não me rever nas tuas intervenções, uma vez que, na minha opiniao, se isto tudo se resumisse a uma média ponderada, onde apesar de o resultado final ser aparenetemente o mesmo, ou não, dás um peso excessivo a uma das parcelas que a mim não me diz assim tanto, para não escrever que não me diz nada.

Vamos ser pragmáticos...tu acreditas mesmo que, nos dias de hoje, há amplificadores maus? Refiro-me a qualquer equipamento de uma marca accessivel, e não a Daniel Hertz e cajandos...

Tu tens noção há quantos e quantos anos não se materializa nada de radicalmente novo para alem do que já foi feito desde há 40/50 anos atrás?
QUe isto anda sempre, e vai andar, tudo à volta do mesmo?
Até poderia dizer que a "transparencia" é uma farsa pegada, quando a realidade é exactamente o oposto e cada marca a tentar deixar a sua marca "sonica" em cada equipamento que faz, precisamente para se demarcarem dos demais e agradarem aos clientes que se reveem nessa sonoridade.
Não há nada de radicalmente diferente nos circuitos.

Num mercado livre e competitivo como é que crias um produto, ou lhe acrescentas uma mais valia, se todos fossem transparentes como dizes?

Isto nunca foi um problema de medidas. Nenhum fabricante serio mete um produto no mercado sem respeitar os princípios basilares de um equipamento eletrónico deste tipo. Mete sim um cunho que os diferencie dos demais.

claro que nada nos impede de divagar sobre o assunto e teorizar sobre ideais, mesmo quando esbarram com o pragmatismo comercial da coisa, mas pronto.

os meus .02€
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mango
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 11:17

TD124 escreveu:
a genése da "audiofilia", termo pomposo para descrever hoje um gajo que adora o audio e sobretudo o seu sistema ... foi longamento abordado no topico " A autopsia da alta-fidelidade..."

julgo que nunca o li. Vou procurar.
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 12:41

mango escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
mango escreveu:
Acho que desde que as pessoas respeitem a opinião umas das outras, e não tentem impor a sua, a audiofilia pode ser um objectivo diferente para cada um. Ninguem é dono da razão.

Concordo. Aliás, acho que nem todos os audiófilos procuram ou necessitam de um sistema "transparente".

Mas, a meu ver, quando se critica/discute se um equipamento é bom ou mau deve-se fazê-lo tendo em conta a sua fidelidade e não se o som que produz agrada ou não quem o escuta, já que essa informação não tem qualquer utilidade para os outros, que têm o seu próprio gosto.

Fundamentalmente é neste teu segundo paragrafo que sumarizas o porquê de não me rever nas tuas intervenções, uma vez que, na minha opiniao, se isto tudo se resumisse a uma média ponderada, onde apesar de o resultado final ser aparenetemente o mesmo, ou não, dás um peso excessivo a uma das parcelas que a mim não me diz assim tanto, para não escrever que não me diz nada.  

Vamos ser pragmáticos...tu acreditas mesmo que, nos dias de hoje, há amplificadores maus? Refiro-me a qualquer equipamento de uma marca accessivel, e não a Daniel Hertz e cajandos...

Tu tens noção há quantos e quantos anos não se materializa nada de radicalmente novo para alem do que já foi feito desde há 40/50 anos atrás?
QUe isto anda sempre, e vai andar, tudo à volta do mesmo?
Até poderia dizer que a "transparencia" é uma farsa pegada, quando a realidade é exactamente o oposto e cada marca a tentar deixar a sua marca "sonica" em cada equipamento que faz, precisamente para se demarcarem dos demais e agradarem aos clientes que se reveem nessa sonoridade.
Não há nada de radicalmente diferente nos circuitos.

Num mercado livre e competitivo como é que crias um produto, ou lhe acrescentas uma mais valia, se todos fossem transparentes como dizes?

Isto nunca foi um problema de medidas. Nenhum fabricante serio mete um produto no mercado sem respeitar os princípios basilares de um equipamento eletrónico deste tipo. Mete sim um cunho que os diferencie dos demais.

claro que nada nos impede de divagar sobre o assunto e teorizar sobre ideais, mesmo quando esbarram com o pragmatismo comercial da coisa, mas pronto.

os meus .02€

Acredito que não haja muitos amplificadores "maus" (vou assumir desempenho) mas interessa-me ir para além dos adequadamente "bons"; mas há amplificadores mal utilizados (p.ex.  S.E.T. com colunas de radiação frontal).

Por outro lado hoje ainda se comercializam (e não é só uma fezada minha) colunas "más" e mesmo muito "más" (um exemplo)
Claro que não existem colunas quase "perfeitas", e isso implica subjectividade na escolha, mas há topologias, projectos e implementações com melhor desempenho que outras, como aliás acontece com os amplficadores ou qualquer outro equipamento.

Num mercado livre cada um tenta embrulhar a cereja da forma que acha mais eficaz de um ponto de vista comercial, mas pessoalmente prefiro a cereja natural, sem adoçantes, corantes ou conservantes.

Nas minhas intervenções procuro expor esta minha perspectiva, e distinguir audio de alta-fidelidade.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 13:19

WamaKota escreveu:
mango escreveu:
Ninguem é dono da razão.

Só dizes isso porque não me conheces pessoalmente... nem ao JJ.






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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 13:20

Julgo que em tempos a designação High-End procurava classificar produtos cujo desempenho definia os limites daquilo que era possível atingir em alta-fidelidade, uma espécie de altíssima-fidelidade.
Hoje define apenas uma gama de preços, a dos mais elevados, e produtos que utilizam materiais exóticos, o design mais arrojado e os acabamentos mais luxuosos (não obstante de alguns atingirem um excelente desempenho).

Precisamos de um novo adjectivo para designar os equipamentos de melhor desempenho...
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mango
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 14:04

ricardo onga-ku escreveu:
Acredito que não haja muitos amplificadores "maus" (vou assumir desempenho) mas interessa-me ir para além dos adequadamente "bons"; mas há amplificadores mal utilizados (p.ex.  S.E.T. com colunas de radiação frontal).

Por outro lado hoje ainda se comercializam (e não é só uma fezada minha) colunas "más" e mesmo muito "más" (um exemplo)
Claro que não existem colunas quase "perfeitas", e isso implica subjectividade na escolha, mas há topologias, projectos e implementações com melhor desempenho que outras, como aliás acontece com os amplficadores ou qualquer outro equipamento.

Num mercado livre cada um tenta embrulhar a cereja da forma que acha mais eficaz de um ponto de vista comercial, mas pessoalmente prefiro a cereja natural, sem adoçantes, corantes ou conservantes.

Nas minhas intervenções procuro expor esta minha perspectiva, e distinguir audio de alta-fidelidade.

Escrevi uns posts atrás que desisti da alta-fidelidade faz anos, mas não desisti do áudio, assumindo os meus affairs de vez quando mas acabando sempre por voltar...a musica por seu turno está sempre presente.

Sim estava a falar de "desempenho/performance"...qualquer coisa hoje tem um bom rendimento com uma baixa taxa de distorção, uma boa eficiência (perdas por dissipação)...não há verdadeiramente amplificadores maus, na verdadeira acepção da palavra.

Ainda não li o post to TD124, mas a julgar pelo titulo provavelmente vou-me rever em muita coisa...ou não.

Houve avanços extraordinários neste ultima vintena de anos no que toca a materiais (compósitos,electrocromicos, nanotecnologia,...) mas, no que toca ao audio, continuamos agarrados a componentes e aparelhos que parece que cristalizaram no tempo, e.g. usa-se um ou outro material mais exótico num altifalante mas continua a ser uma suspensão elástica com uma frequência de ressonância mecânica (para os que têm suspensão elástica obviamente)...adiante.

Se alguém tivesse estado 20 ou 30 anos noutro planeta e tivesse voltado agora que diferenças substanciais são estas que se deram no audio que justifiquem paginas, e paginas, e paginas em fóruns e revistas?

Quando é que foi a ultima vez que alguém criou/usou/desenhou algo verdadeiramente revolucionário que se destaque deste marasmo?
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 14:31

Para esses talvez não.
Mas os principiantes, como o José Miguel, beneficiam dessas discussões.

Não vejo lugar para grandes revoluções no Audio apenas para evoluções.
O Audio digital tem evoluído, o altifalante de suspensão tem evoluído, a amplificação digital tem evoluído...
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 15:25

Mais uma vez... bons desenvolvimentos!

Aproveito esta conversa entre o Ricardo e o Mango para sintetizar algumas ideias:

Creio que no meio de uma conversa como esta todos podem aprender algo, um principiante como eu mais, mas até quem está muito mais adiantado pode perceber melhor - num acto de Reflexão - a sua posição e continuar a evoluir.

O Tópico desde o princípio tem "microfone" aberto para tudo e todos e as múltiplas participações desenvolvem temas interessantes e até princípios que considero fundamentais.

Esta última parte da conversa revela bem como mesmo com um aparente desacordo há muito que é partilhado e tudo junto serve para alguém como eu poder orientar algumas ideias.

O Mango escreveu algo que infelizmente me parece certo, a saber: "claro que nada nos impede de divagar sobre o assunto e teorizar sobre ideais, mesmo quando esbarram com o pragmatismo comercial da coisa, mas pronto."

Esta ideia pode parecer redundante, mas ela vai mesmo ao encontro daquela que o Ricardo defende, a saber: "Num mercado livre cada um tenta embrulhar a cereja da forma que acha mais eficaz de um ponto de vista comercial, mas pessoalmente prefiro a cereja natural, sem adoçantes, corantes ou conservantes."

Poderia aqui incluir alguns princípios já deixados pelo Paulo - nem sempre o caro é melhor... - ele tem algo semelhante escrito e desenvolvido.

No princípio disse algo como isto: a Democratização de "fidelidade" dar-se-à pelo Conhecimento e Aprendizagem de cada um.
Podemos ser mais Cépticos, Idealistas, Realistas, Conservadores, Pragmáticos, ... não interessa!!! Porque se no final cada um evoluir no seu próprio caminho e chegar a pontos de conforto cada debate destes valeu a pena. Wink

Nós aqui (no Fórum) aprendemos algumas coisas lendo debates como este em que não participamos. Fomos tentando perceber o que era isso da "fidelidade do sinal", por exemplo, procurando por experiência se isso mudava a nossa percepção/experiência com a Música.

Numa coisa creio que estamos todos de acordo: cada um quer ouvir o melhor possível a Música de que gosta, tirar da Experiência com Ela tudo o que Dela pode tirar - arrepios, ideias, desenvolvimento intelectual, desenvolvimento cultural, desenvolvimento estético, percepção do Mundo, ...

A questão do Mercado não nos choca, porque não é um exclusivo do Mundo Audio, está em todo o lado... poderia falar de Moda, mas não sei quantos estariam dispostos a seguir-me até o belíssimo espectáculo que é um desfile ao vivo e perceber como a Moda (roupa...) muda tanto o Mundo!

A Moda movimenta muito mais dinheiro do que alguma vez o Audio movimentou, cria tendências, propaga ou faz cair Valores, faz com que pessoas trabalhem ou percam empregos, ...

É este o Poder do Mercado caro Mango, mas quem percebe este funcionamento está melhor preparado para estar no meio dele, defender-se e atacar: escolhendo - Liberdade do Arbítrio!!!

Voltando ao Audio: também já disse que quando se procura no "mundo da Internet" por informações somos bombardeados com informações de todo o tipo e são debates como este que podem ajudar cada um de nós a ser um melhor consumidor e, por isso, melhor no uso e aproveitamento do que compra.

É difícil combater o Mercado, a Lei de Mercado é das mais perfeitas coisas que conheço, por uma razão: ela é o espelho do Homem!

Oferta e procura... por isso quanto melhor informados...
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mango
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 15:26

Repara que não é por não veres que não haja espaço (e motivo) para coisas revolucionarias...

Vai lá dizer à Airbus que carros são para andarem nas estradas...até ao fim de 2017 querem meter os primeiros protótipos a voar.

Há uma serie de tecnologias que estão a amadurecer muito rapidamente e a engenharia tem ao seu alcance materiais/técnicas/processos que permitem materializar coisas até ha bem pouco tempo impensáveis (pelo menos no curto prazo). Fruto da investigação e investimento em certas áreas.

Enquanto isso no audio...pois.

Repara que estamos tão formatados a associar áudio e electronica, que "ignoramos" que não são apenas os electroes que podem fornecer corrente...há por aí muita coisa feita com condutores iónicos, por exemplo, noutras áreas. Enfim...
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 15:30

Não será como na Indústria Automóvel!?!
Quando tudo parecia apontar para o uso do hidrogénio, aposta-se na electricidade... e não se evita o uso do petróleo de forma séria, porque nem as baterias são eficientes... e no Mercado Americano (Bolsa) empresas de prospecção de lítio valorizam todos os dias.


Mexer pouco e manter rendimento é mais fácil do que virar a página - digo eu.
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tfonseca
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 16:35

José Miguel escreveu:
Não será como na Indústria Automóvel!?!
Quando tudo parecia apontar para o uso do hidrogénio, aposta-se na electricidade... e não se evita o uso do petróleo de forma séria, porque nem as baterias são eficientes... e no Mercado Americano (Bolsa) empresas de prospecção de lítio valorizam todos os dias.


Mexer pouco e manter rendimento é mais fácil do que virar a página - digo eu.

A indústria automóvel pensa a muito longo prazo. Lembro de aqui há uns tempos (uns 7 anos), a VW estar a discutir muitas das coisas que ainda hoje pensamos que são utopias. Estavam a desenhar a sua estratégia para dali a 20 anos.

Nunca me pareceu que o hidrogénio fosse solução. Porém, acho que não está certo afirmar que não se está a sair do uso do petróleo. Penso que as razões são geo-políticas e não tecnológicas. Conheço investigadores na área de energias renováveis (vento, em particular) que nem percebem que o sistema deve ser analisado desde o nascimento até a morte (cradle-to-grave) e isso inclui a produção das eólicas. Desconheço se os impactes ambientais são desprezáveis ou não, no contexto do sistema.

Se tudo for eléctrico, tudo poderá ser gerido de forma inteligente de modo a optimizar a rede (e.g., os carros podem ser baterias para a rede). Além disso, quando chegar a fusão fria (já temos reatores ARC, uma delicia para quem gosta das aventuras da Marvel), é só mudar a "fonte".

Isto é a minha opinião de leigo. Como dizia o outro: "eu é mais bolos".
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 16:52

Eu não consigo prever o Futuro, mas pelo pouco que sei (sei mesmo pouco) não vejo Futuro na forma como a Industria Automóvel está hoje - pelo menos dois países querem deixar de "vender" carros de combustão em breve e o que há a electricidade precisa de ser alimentado por uma rede de combustão - centrais térmicas.

As razões são Políticas ou Económicas, tudo bem, mas eu não vejo e ainda ninguém me conseguiu mostrar que estamos a sair da Economia do Petróleo. Vejamos: em Portugal a capacidade de produção eólica instalada não nos serve de muito e a razão é Política. Primeiro instalaram-se as torres e depois não se pensou no uso da energia, no armazenamento?

Claro que não está em causa a evolução da Técnica, conheço razões Políticas e Económicas. Depois "vendemos a custo zero" a produção nocturna a Espanha... porque já se sabe: a eólica produz mais de noite e nós (consumidores) consumimos menos de noite. Como armazenar é muito caro, Espanha aproveita.
Que eu saiba ainda é assim, trabalhei um ano em Lamego e privei com pessoas ligadas ao ramo.

Desconheço razões claras para que o hidrogénio não seja usado - carros e Autocarros que usam a tecnologia funcionam e funcionaram, mas depois dizem que armazenar é complicado...

É um grande debate que no fundo não está longe do que podemos ter sobre Audio, porque nem sempre avanços tecnológicos interessam à Indústria, Economia e Política...

Complicado!!!
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 17:44

mango escreveu:
... Vamos ser pragmáticos...tu acreditas mesmo que, nos dias de hoje, há amplificadores maus? Refiro-me a qualquer equipamento de uma marca accessivel ...

ricardo onga-ku escreveu:
... Acredito que não haja muitos amplificadores "maus" (vou assumir desempenho) mas interessa-me ir para além dos adequadamente "bons"; mas há amplificadores mal utilizados (p.ex.  S.E.T. com colunas de radiação frontal). ...

È dificil de seguir o topico ao mesmo tempo que a outra vida paralela (sim ajs descansa, temos todos uma outra vida... Wink ). Mas vejo que o topico avança e mesmo cria outras aberturas para dominios adjacentes ... e é o seu objectivo!!!

Achei gira esta troca entre o amigo mango e o Ricardo ... pois hà semanas atràs estive num vinhedo aqui ao lado de casa, aonde o propriétario me diz durante a discussão: Paulo, mas tu acreditas que ainda existe vinhaça ???... e à qual eu respondi: Talvez a vinhaça jà não exista, mas o mau vinho continua por ai !!!...

A discussão sobre os bons e os maus amplificadores (extensivel a todo outro produto audio...), é que cada vez que digo que algo não é bom (ou mau em mà lingua ...), argumento longamente com detalhes e explicando porquê ... ora que do outro lado "o outro" me responde: Està bem Paulo, mas eu gosto!...

È dificil para um portugês de falar com um russo, sém definir a lingua de contacto !!!... Wink

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 18:02

Esse exemplo do vinho fez-me logo recordar uma conversa com um produtor de Alvarinho... Hoje sabe-se bem como fazer um grande Alvarinho, mas é um com "bolhinhas" que mais vende...

Porque continua assim? - perguntamos insistindo...
Resposta: porque é assim que mais vende.

A mesma casa tem marcas diferentes...


Nem no vinho há consenso! Smile
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 18:13

mango escreveu:
TD124 escreveu:
a genése da "audiofilia", termo pomposo para descrever hoje um gajo que adora o audio e sobretudo o seu sistema ... foi longamento abordado no topico " A autopsia da alta-fidelidade..."

julgo que nunca o li. Vou procurar.

Està aqui: http://www.audioanalogicodeportugal.net/t8142-autopsia-da-alta-fidelidade?highlight=a+autopsia

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 18:16

José Miguel escreveu:
... Porque continua assim? - perguntamos insistindo...
Resposta: porque é assim que mais vende.
...
Nem no vinho há consenso! Smile

Evidentemente que sim!... eles sabem qual o melhor, mas o mercado não quer!!!... não é a mesma coisa! Wink

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mango
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 18:49

Essa dicotomia comigo não funciona, lamento tentei mas não deu mesmo.

Não ando aqui a enganar ninguém, comigo é ou gosto daquilo que tenho em casa, ou então nao vale a pena.

Ia arriscar que 90% do fórum partilha a mesma opinião mas a rapaziada não se manifesta Smile

vou ler o teu topico assim que tiver oportunidade.


Última edição por mango em Ter Jan 17 2017, 19:25, editado 1 vez(es) (Razão : typo)
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 19:08

José Miguel escreveu:
Eu não consigo prever o Futuro, mas pelo pouco que sei (sei mesmo pouco) não vejo Futuro na forma como a Industria Automóvel está hoje - pelo menos dois países querem deixar de "vender" carros de combustão em breve e o que há a electricidade precisa de ser alimentado por uma rede de combustão - centrais térmicas.


Estando um pouco por dentro do ramo, a coisa é da seguinte forma. O carro eléctrico é sem duvida o futuro a médio e longo prazo. Quanto ao fornecimento da energia eléctrica para sustentar uma futura frota destes veículos estamos na seguinte situação. Em certos países onde a energia já é bastante limpa, como Portugal e outros, os benefícios são enormes, para um país como a India onde a maioria da produção da energia eléctrica é bem "porca", os benefícios são mínimos. Mas no geral, e com o aumento constante das energias renováveis, os benefícios serão gigantescos no que ao ambiental diz respeito.

Mas em relação ao áudio, são para mim mundos bem diferentes.

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 19:20

António José da Silva escreveu:
José Miguel escreveu:
Eu não consigo prever o Futuro, mas pelo pouco que sei (sei mesmo pouco) não vejo Futuro na forma como a Industria Automóvel está hoje - pelo menos dois países querem deixar de "vender" carros de combustão em breve e o que há a electricidade precisa de ser alimentado por uma rede de combustão - centrais térmicas.


Estando um pouco por dentro do ramo, a coisa é da seguinte forma. O carro eléctrico é sem duvida o futuro a médio e longo prazo. Quanto ao fornecimento da energia eléctrica para sustentar uma futura frota destes veículos estamos na seguinte situação. Em certos países onde a energia já é bastante limpa, como Portugal e outros, os benefícios são enormes, para um país como a India onde a maioria da produção da energia eléctrica é bem "porca", os benefícios são mínimos. Mas no geral, e com o aumento constante das energias renováveis, os benefícios serão gigantescos no que ao ambiental diz respeito.

Mas em relação ao áudio, são para mim mundos bem diferentes.
António eu relacionei os Carros com o Audio porque muitas vezes novas tecnologias são ignoradas por conveniência - eu trabalhei três anos na Indústria Automóvel e na secção que produzia cablagens para novos modelos e testes... muitas coisas mudam até à produção final e muitas acabam por cair - como bem sabe.

Eu fui daqueles que acreditou no hidrogénio, bem sei que tem os seus problemas, mas acredito ainda... Como fonte parece-me melhor, mas ando algo distante desse meio - talvez volte se a GiGa Fábrica da Tesla venha cá parar.

Esta aposta na electricidade é algo que ainda não me convence, mas admito que esteja a ver mal.









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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 19:23

José Miguel escreveu:


Esta aposta na electricidade é algo que ainda não me convence, mas admito que esteja a ver mal.



Para o bem ou para o mal (penso que para o bem) e contrariamente aos SS em áudio, acho que é para o bem. dvil

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Luciana Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 19:28

Paulo escreveu:
Amiga Luciana, eu respondi à sua bela intervenção "à cœur ouvert" e que prova que este topico não é tão inutil quanto isso ... mas esta manhã sinto remorsos de o ter feito, simplesmente porque penso não ser a melhor pessoa para tal...

Resposta da Luciana para o Paulo:
A pessoa certa para responder à minha intervenção é mesmo o Paulo, por múltiplos motivos, uns mais plausíveis do que outros. Deixo-lhe apenas dois, os restantes (quando o seu cérebro entrar em modo letárgico, podem ser um exercício (descartável) de ponderação)…  O primeiro motivo é evidente, foi o Paulo que deu vida ao tópico e fá-lo continuamente, o segundo é um pouco mais obscuro, mas parece-me que só o Paulo se interessa verdadeiramente pela fuga ao áudio…
Se me permite a correcção (e faço-o frontalmente porque sou a receptora directa das suas palavras), como pode compreender, pensou de forma errada ao avaliar a sua interacção comigo.  Wink  


Paulo escreveu:
Aqui neste espaço o audio é uma paixão subjacente à musica (para a maioria penso...) o que cria desejos, crenças, obcessões mesmo ... ora que eu estou complétamente fora desse molde. Eu gosto do meu trabalho é verdade, mas não estou apaixonado por ele. Não tenho desejos de material, pois tenho muito e a grande maioria foi-me dado ... não me devo esforçar finaceiramente para obter um produto e quando desejo escutar algo emprestam-me ... e faço isso com o objectivo professional de conheçer mais, de ser um professional lucido e coerente, mas não hà nenhuma paixão nisto. Quando fiz as estorias sobre os giras num dado momento tive quatro giras emprestados aqui que totalisavam o preço de um grande carro alemão ... e não paguei portes ném nada. Então verdadeiramente estou numa situação muito diferente das outras pessoas aqui no que diz respeito à "paixão audiofila"...

Resposta da Luciana para o Paulo:
Quando faço referência à “deformação profissional”, faço-o tendo em consideração que uma actividade muitas vezes repetida tolda a nossa percepção, ora, uma actividade profissional altamente absorvente, obrigatoriamente vai alterar a “interpretação do universo” do profissional e, consequentemente, de toda a dimensão do indivíduo (refiro-me ao conhecimento do sujeito individual da forma mais abrangente possível).

A contaminação/intoxicação que refere não é surpreendente, aos meus olhos, é absolutamente normal. A ausência de apetite “material” resulta da abundância, da facilidade, da acessibilidade, da aproximação e até do conhecimento. A excessiva aproximação a algo, deturpa a percepção relacional que temos com esse algo. Uma actividade profissional (levada de forma séria e observada como progressão pessoal) vai entorpecer todo o conhecimento do sujeito que a pratica, vai retirar a magia só sentida quando se desconhece o mecanismo oculto qua a movimenta… A beleza só existe quando não é compreendida!

Não trabalho com o áudio, mas sinto o mesmo que o Paulo, sinto um desalento e uma “despaixão” pelo que faço (vou fazendo), essencialmente por perspectivar o caminho, calcular sem erro os resultados, compreender que pouco há a fazer… Mas restam os desafios que colocamos a nós próprios… e o íntimo gosto pelo que fazemos.


Paulo escreveu:
Ao mesmo tempo quando escrevo aqui no forum, tenho sempre o écran divido entre o AAP e o meu programa de simulação de circuitos, então estou sempre com a cabeça não no audio ... mas no interior do audio.

Luciana exclamou:
Gosto muito desta exclamação com ponto final!


Paulo escreveu:
Ném sequer um artesão do audio que seja aplicado, que amadure lentamente um aparelho e delicadamente o fabrique com dedicação e apreço eu compreendo ... tanto eu sou um bulimico de criação, novidade e pertinência intelectual ... pois quando passo ao estado da fabricação, chateio-me! Eu quando olho para um circuito "jà o ouço tocar" e chame-lhe a isto experiência, dom, saber ou intuição ... mas é assim e não posso simular ser o que não sou. Como um enologo com um copo na mão ... quando escuto um sistema ouço os defeitos e qualidades, o circuito, as astucias e as tecnologias utilisadas ... então não degusto (ou muito raramente) mas provo, dispo intelectualmente o sistema e vejo as visceras. O audio a maior parte do tempo chateia-me pois é uma "variação em modo ciclico" aonde as coisas se repetem e a novidade é rara ... então ném sequer o eclectismo intelectual do audio me anima, pois ele jà não existe...

O audio é visto pelos audiofilos como um mundo espiritual, exigente e quase artistico aonde as marcas, os designeres e os artesãos estão nobremente ao serviço da musica ... ora que é um mundo de puro interesse finançeiro, de ciumes, de egos frustrados ... e ninguém deve matar a "galinha com ovos de ouro"! Em meados de 2005 ora que estava no "auge da minha carreira" dei um pontapé na galinha afirmando publicamente que o audio era "um abre latas para abrir a musica em conserva" ... declarei que se havia uma busca sensata e exigente a fazer neste mundo seria a "ausência de som ... a transparência total!" està a imaginar o que isso é ??? Num mundo de som, aonde as particularidades de cada marca é de possuirem um dado som, que este seja elegante, eufonico, transcendente, amaricado, fino, subtil, refinado, étereo, viril, orgânico e etc ... eu propuz o vazio sonoro e sentimental ... pois o audio não seria nada mais, do que o traço fisico entre o disco e o auditor! Fui tratado de "ideologo" do audio, de Punk, de dinamitador da essência profunda desta disciplina...

Resposta da Luciana para o Paulo:
Como falo directamente de si e nunca o estudei para interpretar com a propriedade possível (a outro) as suas palavras, volto à ideia de sempre… as palavras por si só nada dizem, é o sujeito que lhes dá o sentido.

Parece-me pertinente a ideia de “abre-latas” pois o utensílio permite-nos aceder ao conteúdo em qualquer espaço e tempo, desde que as condições estejam reunidas… um sistema de áudio tem a mesma função, é meramente utilitário, permite-nos aderir ao objectivo final do consumidor, a música.

A ideia da “ausência de som, da transparência total”, do “traço físico entre o disco e o auditor”, “do vazio sonoro e sentimental” é bastante complexa para mim, necessitaria de informações acessórias, mas se a concepção é a ruptura com a indústria do áudio (marcas comerciais) e os seus limites, tem o meu aplauso. A ideia conceptual e artística de quebrar barreiras, de alertar para os preciosismos do mercado, para o pedantismo, de reivindicar novos projectos criativos é pertinente e normalmente envolve alguns calafrios e temores por parte das convenções existentes. Julgo que quererá silenciar os interesses em prol  do que realmente interessa  ─ a simplicidade/transparência e a música. Caro Paulo, a afirmação “vazio sonoro e sentimental” deveria fazer parte de qualquer projecto no mundo do áudio, tudo o que o consumidor final quer é esquecer os equipametos e mergulhar no que a música pode dar. Haverá projecto mais ambicioso do que este? Anular a própria criação!?



Paulo escreveu:
E no Polo Sul deste planeta louco, desvairado mas cativante existém pessoas como voçê que atingem o Tarab (extase à escuta da musica em arabe) sém ligar ao som do sistema ném à presença do "outro" ... ora que no Polo Norte existém pessoas como eu que para atigir esse estado metafisico necessitam "a ausência de som e de seres...". Os franceses dizém que é necessario de tudo para fazer um mundo ... acho que téem razão !!!

Resposta da Luciana para o Paulo:
Num mundo diverso e plural há várias formas para afirmar a nossa relação com a música, mas nenhuma delas requer a total “ausência de som e de seres” porque ainda que sem querer, povoamos o nosso pensamento com eles.


Última edição por Luciana Silva em Ter Jan 17 2017, 19:34, editado 1 vez(es)
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 19:33

O futuro na amplificação é digital.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Ter Jan 17 2017, 19:35

ricardo onga-ku escreveu:
O futuro na amplificação é digital.



Com alguma sorte, melhor que os SS. smedley

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