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 Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...

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TD124
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MensagemAssunto: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sex Jan 06 2017, 13:03

TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:
... Estes dias falávamos disso mesmo, existem objectos que ultrapassam a sua normal existência pelo significado/referência que lhes atribuímos. (...)

Amigo José, voce conheçe o meu desacordo em relação à frase que usa frequentemente e que é mais ou menos assim: As "coisas" são o que metemos nelas mais ou menos... mas, se em vez de "coisas" que é abstracto pôr "objectos", então eu assino a sua frase por baixo ... e é por isso que não gosto dos objectos, ném mesmo do objecto disco ou livro mas gosto do conteudo dos dois às vezes !!! Wink

Roda então este e escuto o seu conteudo ... Wink

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TD124
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sex Jan 06 2017, 13:04

José Miguel escreveu:
TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:
... Estes dias falávamos disso mesmo, existem objectos que ultrapassam a sua normal existência pelo significado/referência que lhes atribuímos. (...)

Amigo José, voce conheçe o meu desacordo em relação à frase que usa frequentemente e que é mais ou menos assim: As "coisas" são o que metemos nelas mais ou menos... mas, se em vez de "coisas" que é abstracto pôr "objectos", então eu assino a sua frase por baixo ... e é por isso que não gosto dos objectos, ném mesmo do objecto disco ou livro mas gosto do conteudo dos dois às vezes !!! Wink

Roda então este e escuto o seu conteudo ... Wink

Eu sei que o Paulo afirma o seu desacordo em relação a essa frase/ideia/princípio, contudo eu lá seguirei mais uma vez até onde creio que nos encontramos.

O Paulo afirma que substituída uma palavra - coisas - por outra - objectos - passa a reconhecer validade à frase, mas a palavra "coisas" é genérica, a mais genérica possível para poder ser utilizada numa frase curta e em intervenções simples e directas.

Caso usasse a palavra "objecto" depois ficaria menos simpático referir-me às plantas, aos animais, às pessoas... pois é, nem "coisas" é simpático, mas genericamente falando... Eu não me interesso muito pelos objectos, mas sou apaixonado pelo Homem e tendo a olhar para Ele com a atenção que me é possível. Não quero aqui deixar um tratado sobre Conhecimento, esse já foi escrito um dia, já foi actualizado vezes sem conta e creio que eu pouco poderia acrescentar. Assim sendo vou espalhando a sua semente e aqui faço o mesmo: as coisas são o que nelas colocamos.

Se dúvidas restarem no Paulo, leia o seguimento da nossa conversa e vai reparar, sem medo das palavras, que as COISAS são para o Paulo algo que definitivamente não são para mim ou para outra pessoa qualquer, porque o Paulo coloca nas coisas o próprio Paulo, coloca algo que é só seu e que mais ninguém poderá colocar.

Sabe a razão para eu não debater qual a melhor fonte?
Aqui está! Nem toda a Ciência e máquinas a revelar resultados iriam convencer um Ortodoxo (sim, um Ortodoxo!) que a sua ideia está errada; da mesma forma, ninguém consegue convencer Outro (outro Ortodoxo...) que PARA SI aquela fonte tem algo mais - há coisas inenarráveis, mesmo sabendo nós que o nosso pensamento é feito de palavras.

É assim o Homem!

O Paulo também já revelou interesse pela Sabedoria Popular e com certeza conhecerá o ditado: quem feio ama, bonito lhe parece.
Pois é, então não é que vai mesmo ao encontro do que venho a dizer!?!?!?! Vai porque o povo pode não ter a fineza de escrita de muitos académicos, mas não sabe menos que eles e faz muito tempo que sabe que o Conhecimento não é regido pelo Exterior, mas por quem Conhece.

Como disse em cima, a minha intenção não é escrever um tratado e até acho pertinente - filosoficamente falando - o que o Paulo diz sobre os objectos: o Homem sem o "amor cego" aos objectos seria com certeza diferente, não sei se mais ou menos feliz... mais rico ou pobre... mas sei que isso por si só não elevaria o Homem a um patamar que alguns aspiram, porque "curado" o "amor cego" as diferenças a Conhecer manter-se-iam e a valorização (aqui no sentido intelectual/conhecimento) das coisas/objectos seria outra vez diferente.

Creio fortemente numa coisa: se o Homem se esforçasse para se compreender melhor, percebesse melhor como Conhece, teria uma relação com o Mundo (coisas, objectos, o Outro) muito mais saudável.

Repito: eu gosto muito de ter junto de mim alguns objectos, mas não quero uma simples colecção de objectos, eu quero os que me tocam; não vou negar a minha Natureza por palavras e todos os dias praticar o inverso, não vou!!! Eu acredito no Valor do Exemplo...

Posso não entender o espírito de um coleccionador, aquele que compra e não usa, mas que se orgulha de ter... mas o que é que isso me interessa!?!?! O meu princípio é outro e eu sei que para esse coleccionador aquelas coisas representam algo, algo que ele coloca nas coisas (não quero falar de saúde mental, isso não é para aqui chamado e já deixei algumas notas em sede própria...).


O meu pensamento é rudimentar e resvala facilmente para a valeta... nunca gostei muito de auto-estradas, prefiro as sinuosas estradas de Montes e Serras, sei que um dia chegarei a uma planície ou a um planalto, mas mesmo lá sei que as curvas serão mais do que as rectas e eu seguirei a resvalar...

Nem quero acreditar que a parte mais Bela do Homem possa ser lapidada... somos ÚNICOS e IRREPETÍVEIS e se por momentos o Paulo pensar em Uniformização... não quero pensar nisso. Nem a Ciência afirma tal coisa e os cientistas sabem que a verdade de hoje é o erro de amanhã.

Para terminar, porque estamos num tópico sobre Música...

Eu acredito que as pessoas em testes cegos se baralhassem todas, como diz a Sabedoria Popular e bem: o que os olhos não vêem o coração não sente... mas a aprendizagem faz parte do caminho sinuoso, com calma cada um chegará à sua meta!

Aqui em casa e enquanto escrevi ouvi mesmo por 0010101010010100101:
Russian Circles - Geneva Wink

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sex Jan 06 2017, 14:14

O título do tópico até me provoca arrepios... Shocked

A conversa pode continuar aqui e até gostava que seguisse com muitos participantes. A falar a gente entende-se e a evolução pessoal e colectiva acontece.

Gostava que a conversa tocasse o uso dos equipamentos (por exemplo e porque eles têm a sua importância na mediação...), mas acima de tudo que tocasse cada um para que no final caíssem preconceitos e os vários caminhos individuais promovessem um conjunto de aprendizagens que possibilitassem Evolução.

Acredite Paulo, o caminho percorrido aqui em casa não tem muitos anos, seis/sete anos em conjunto (eu e a Luciana), mas o nosso objectivo primeiro foi sempre o mesmo: ouvir Música, a Música de que gostamos e vamos descobrindo, da melhor forma. (eu e a Luciana já pensamos abrir um tópico sobre a nossa experiência, relatando como fomos evoluindo com um primeiro investimento de poucos euros e seguimos trocando, trocando, trocando sempre cheios de limites... acreditamos que mudamos e fomos sempre melhorando, pelo menos para o nosso Conhecimento; hoje parece haver pouca paciência, as pessoas com mais ou menos disponibilidade financeira querem tudo para ontem... mas também este tema já abordamos entre nós e é por isso que não gosto que se diga que este ou aquele aparelho/formato não presta, faz parte do Caminho e da Aprendizagem... quem experimenta aprende, nós aprendemos!)

O Vinil serviu de mote e tem um lugar especial entre nós, de alguma forma ajudou-nos a derrubar fronteiras e a conhecer pessoas incríveis e novos/velhos álbuns, mas esse significado/referência de forma alguma tolda as nossas vistas. Estamos conscientes destas relações - como disse antes, é importante perceber como se Conhece.

Acredito/acreditamos na possibilidade de Evolução do Homem e de cada Homem, na Educação, no Caminho Individual... Na Individualidade!


Filosoficamente falando, de uma perspectiva teórica que poderá iniciar uma prática, a questão colocada pelo Paulo é pertinente e abordada desde o princípio dos tempos... veja-se como Eva não resistiu à maça!
Platão disse um dia que o "Rei" ideal seria o "Rei Filósofo", porque este não se sentiria agarrado ao Mundo Terreno, teria Conhecido o Mundo das Ideias e saberia o que era melhor para todos, viveria em função do Outro...

... e continuaria até aos dias de hoje, até ao que o Paulo disse, mas a Natureza do Homem é tramada e é por isso que eu acredito que em vez de "dar a verdade" é melhor "apontar o caminho", esse que é único e onde cada um deverá ter a capacidade de exercitar a Reflexão.


Ainda acabamos a beber uns copos e a dizer: hum... complicado!

É mesmo complicado, porque a evolução de cada um é única e como já disse em outras conversas nossas: lamento que não existam mais possibilidades para se aprender, que o Mercado não funcione de forma "normal" e possibilite a troca de equipamentos e consequente experiência... hoje quem começa ainda vai experimentar maiores dificuldades, porque o que custava uns vinte euros há dois anos agora custa 200...
Isto também se deve às relações com os objectos... muito há a dizer sobre isso, mas já começa a ficar um tema... upa-upa!

Imagine o Paulo que quando compramos o Lenco pensamos em o fazer evoluir e nesse momento acreditamos ter dinheiro para isso. Um plinto é possível comprar um pouco mais caro agora, o mais conhecido fica por uns 150 euros agora... mas e os braços? Há dois anos comprava-se um gira-discos Rega P2 por um preço muito simpático, hoje... um Telefunken com o braço Ortofon era quase dado... um Pro-ject custava umas trinta libras...


Passando para os ficheiros: os equipamentos que aparecem usados ainda estão muito caros, não permitem grandes experiências - comprar desconhecido é terrível para quem tem limitações de orçamento. Como se faz um caminho sem que outros se libertem do que já não precisam?
- Investindo;
- Esperando - somos muito pacientes!

Pensamentos soltos, ditos em voz alta... não quero que responda às perguntas directamente, porque elas são mais pessoais do que propriamente dirigidas ao Paulo ou a outras pessoas.


Aqui está um belo dia soalheiro, espero que aí também esteja. Nós vamos passear pelas ruas do Porto, caminhar devagar, usufruir das que ainda não estão cheias de turistas. Wink
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sex Jan 06 2017, 16:52

José Miguel escreveu:
O título do tópico até me provoca arrepios... Shocked  ...

Amigo José eu criei-o na urgência sém reflectir muito e pensei que o titulo era um "saco" suficientemente grande para meter muita coisa. Não havia pretensão ném maniqueismo (ou então inconsciente...), e se quizer mudar o nome esteja à vontade, diga-me e faço-o! ...

José Miguel escreveu:
... é por isso que não gosto que se diga que este ou aquele aparelho/formato não presta, faz parte do Caminho e da Aprendizagem... quem experimenta aprende, nós aprendemos!)...

Estou de acordo e penso a mesma coisa, mas não tão evidente quanto isso... Nesta passagem de ano havia alguns casais de amigos connosco aqui ... e no meio da noite e bem embebidos  drunken , os meus amigos que conheço hà muito (alguns hà mais de vinte anos...) criticaram-me pela minha atitude pedagogica. Os mais antigos criticaram que lhes tinha dado a comida jà feita (facilitado a vida) e os mais novos que, hoje eu jà não dava conselhos préfabricados ... então compreendi que nos dominios passionais, qualquer que seja a forma de pedagogia ou de intervenção ela é sempre contestada ... sempre! Mas vejo aqui no forum que as pessoas continuam àvidas de conselhos ... e que ao mesmo tempo quando o téem não o seguem. Então tém razão é verdade ... o caminho faz-se em caminhando, mas pode ser feito luxuosamente ou na dor e isto é a cada um de escolher. Pessoalmente hà trinta anos atràs teria gostado de ter alguém que me tivesse guiado ... mas não tive e não me sinto mais feliz por isso, pois fiz muitos erros estupidos que poderiam ser evitados !!!...

José Miguel escreveu:
... e continuaria até aos dias de hoje, até ao que o Paulo disse, mas a Natureza do Homem é tramada e é por isso que eu acredito que em vez de "dar a verdade" é melhor "apontar o caminho", esse que é único e onde cada um deverá ter a capacidade de exercitar a Reflexão. ...

È o que faço hoje com os meus amigos e vale-me a critica que vivi hà dias atràs ... pois como me diz o meu mestre de Tai-Chi: O mestre està sempre sò, o que quer que diga ou faça !!!...

José Miguel escreveu:
... lamento que não existam mais possibilidades para se aprender, que o Mercado não funcione de forma "normal" e possibilite a troca de equipamentos e consequente experiência...

Eu tives duas lojas de topo durante mais de 20 anos e sempre criei um clube audiofilo afim de formar à escuta e desmistificar a HiFi e o mercado. Sempre pratiquei o emprestimo do material e o ensaio em casa e duas vezes por ano fazia portas abertas para que as pessoas conheçam a HiFi de qualidade ... ora isto pode ser feito em todos os paises, é uma questão de vontade e convição...

José Miguel escreveu:
... Imagine o Paulo que quando compramos o Lenco pensamos em o fazer evoluir e neste momento acreditamos ter dinheiro para isso. Um plinto é possível comprar um pouco mais caro agora, o mais conhecido fica por uns 150 euros agora... mas e os braços? Há dois anos comprava-se um gira-discos Rega P2 por um preço muito simpático, hoje... um Telefunken com o braço Ortofon era quase dado... um Pro-ject custava umas trinta libras...

Eis um bom caso do que estamos a falar este, pois cria-me duas respostas. Ou viro a faca para si e digo-lhe parafraseando-o "quem experimenta aprende, nós aprendemos!" ... então faça experiências e aprenda !!!... ou então cinicamente e pragmàticamente digo-lhe que nunca ouvi um Lenco bem "reproduzir" a menos de 1500/2000€ ... e que então "talvez" o dinheiro seja melhor empregado noutro gira ... mas temo que nenhuma das respostas lhe agrade !!!... a mim também não...

José Miguel escreveu:
... Passando para os ficheiros: os equipamentos que aparecem usados ainda estão muito caros, não permitem grandes experiências - comprar desconhecido é terrível para quem tem limitações de orçamento. Como se faz um caminho sem que outros se libertem do que já não precisam? ...

O DAC que o amigo Manfred utilisa custou-lhe à volta de 30€ pelo meu conselho. Ele tinha dois DAC's de topo e hoje sériamente sò utisa o que lhe aconselhei ... pois quando se conheçe o vinho, o mais caro não é sempre o melhor, mas quando não se conheçe é dificil de saber o que é bom! Um aparelho escolhe-se com a cabeça ou com o coração ... ora eu utiliso a cabeça para a escolha dos aparelhos e os dois para a musica...

José Miguel escreveu:
... Pensamentos soltos, ditos em voz alta... não quero que responda às perguntas directamente, porque elas são mais pessoais do que propriamente dirigidas ao Paulo ou a outras pessoas. ...

Estava a me preparar para a outra intervenção e afinal respondi a esta ... é assim que iremos avançando !!!  Wink

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TD124
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sex Jan 06 2017, 16:53

Aonde passou a intervenção do Ricardo ... que me agradou muito !!!... ele apagou-a scratch

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sex Jan 06 2017, 17:01

TD124 escreveu:
Aonde passou a intervenção do Ricardo ... que me agradou muito !!!... ele apagou-a  scratch


Foi neste tópico?

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sex Jan 06 2017, 17:34

TD124 escreveu:
Aonde passou a intervenção do Ricardo ... que me agradou muito !!!... ele apagou-a scratch

Apaguei sem querer. Sad

Neste computador com um OS já velhinho o site do AAP está todo marado, todas as imagens/botões se transformaram em "?"...
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sex Jan 06 2017, 18:19

José Miguel escreveu:
(...) Sabe a razão para eu não debater qual a melhor fonte?
Aqui está! Nem toda a Ciência e máquinas a revelar resultados iriam convencer um Ortodoxo (sim, um Ortodoxo!) que a sua ideia está errada; da mesma forma, ninguém consegue convencer Outro (outro Ortodoxo...) que PARA SI aquela fonte tem algo mais - há coisas inenarráveis, mesmo sabendo nós que o nosso pensamento é feito de palavras.

É assim o Homem! (...)

Pelo momento começo por este extracto que me interpela e perturba ... pois vejo-o como uma visão pessoal e obstinada do mundo, o que açeito na religião mas não numa disciplina ciêntifica como a HiFi !!!...

Hà dois meses para o meu aniversàrio a minha mulher (que me conheçe bem Wink) ofereçeu-me este livro sabendo que ia me agradar e na realidade ele é fascinante e vém a calhar para o sujeito abordado:

O titulo é fàcil a compreender e é escrito por um ciêntifico que foi vàrios anos ministro da educação. Escrito com fineza e inteligência ele mostra a evolução paralela do conhecimento ciêntifico face ao dogma divino. Ele põe em paralelo o saber e o acreditar ... a realidade universal e a convição pessoal...

A terra roda à volta do sol que voçê queira ou não ... e se por ortodoxia quizer acreditar que é ao contrario é o seu direito, mas estarà errado. Se quizer acreditar que a qualidade de reprodução de uma fonte é uma questão pessoal sém hierarquia possivel, està tão errado quanto antes. Não é porque a HiFi reproduz uma arte que ela é uma arte ... o que é vàlido para a câmara fotografica também. São dominios técnicos, que são analisados e construidos pela razão mesmo se permitem um pouco de liberdade subjectiva no fim. Se eu lhe disser que um aparelho é bom, vou argumentar porquê e nos dois dominios (objectivo/subjectivo) pois fui formado para isso ... e o resultado serà objectivo (ou suficientemente) para não conduzir a erros grosseiros globalmente. Isto é vàlido também para um critico de cinema, arte, musica e etc que foi formado nesse sentido...

Tenho a certeza que antes de comprar um disco ou um aparelho, vai navigar um pouco na Net e espreitar o que se diz sobre ele e a opinião da critica ... todos o fazemos. Ora se estivesse assim tão convencido que tudo é pessoal e que o unico prisma de visão do mundo é subjectivo ... porquê ir ver a opinião dos outros pois sò a nossa conta. Tenho um adoràvel amigo, que é uma pessoa sém estudos e como no nosso grupo somos todos gente de estudos longos ... quando não està de acordo connosco ele diz sempre com um sorriso sorrateiro : Não é crime nenhum de ter razão sòzinho !!!...

A critica é um acto intelectual baseado no conhecimento ou na experiência controlada (empirismo). Ela pode ser contestada no seu fundo ou funcionamento, mas isto pressupõe de manear o dominio técnicamente. Então as coisas não são o que nelas pomos não num dominio técnico ... senão como criador diria-lhe que o que faço é o melhor do mundo e ninguém poderia me criticar, e gabaria-me sozinho sobre mim proprio o que seria uma forma narcisica de onanismo...

O mundo da HiFi tém regras, vocabulario, historia e dominios especificos ... todos de base técnica, pois é um subdominio da Eléctronica ela mesmo ligada à Fisica que é uma ciência. Existém meios para analisar o nivel de "fidelidade" em relação a um aparelho objectivamente/subjectivamente. A utilisação destes meios dão resultados reproductiveis, o que é normal num dominio técnico. Negar isto é fazer "cavaleiro solitàrio" o que é o direito de cada um. Mas não vejo o interesse fora o auto-conforto!

Muitas coisas na vida podem ser abordadas subjectivamente e fazemos todos ... mas contestar que um carro roda é algo de dificil a açeitar e ainda mais a provar. Mas como todos temos o direito de falar, dizemos o que queremos e quando subtilmente sabemos que é uma bacorada, hà sempre a frase do meu amigo: Não é crime nenhum de ter razão sòzinho !!!...  Wink

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sex Jan 06 2017, 18:39

ricardo onga-ku escreveu:
TD124 escreveu:
Aonde passou a intervenção do Ricardo ... que me agradou muito !!!... ele apagou-a  scratch

Apaguei sem querer. Sad

Neste computador com um OS já velhinho o site do AAP está todo marado, todas as imagens/botões se transformaram em "?"...

Eu ainda cheguei a ler a intervenção do Ricardo e também gostei, tocou em pontos nos quais me revejo. Não respondi logo porque estávamos numa esplanada com vista para o Douro e a conversa seguiu entre nós - eu e a Luciana -, mas podiam estar lá que teria sido muito agradável.

Recordo que o Ricardo referiu a sua actual (se não for por desejo espero que termine em breve) vida Nómada e nós temos uma parecida... o máximo que ficamos numa casa foram dois anos... não por escolha, mas porque temos que correr atrás das oportunidades de trabalho. O que disse sobre o "coleccionismo" eu estou de acordo e também nós nos seguramos e reformulamos a nossa atitude face aos objectos. Claro que andam sempre alguns connosco, mas não todos.
Livros vamos transportando uma ou duas centenas, de casa em casa... outros ficam em casa dos pais... os quadros também vão andando connosco, uma dezena, os mais importantes para nós... objectos vários que nos tocam particularmente... se isto tudo junto se chamar de colecção... Coleccionismo de um só tipo de objectos não, isso não!

Isto para dizer que entendo que as Circunstâncias também moldam as nossas escolhas, mas acima de tudo quero frisar que não me revejo mesmo na figura do "coleccionador" que tem objectos por todo o lado e compra porque tem medo que desapareçam... não!
Com a Música a relação é mais ou menos a mesma, não sinto a necessidade de ter tudo, seja em que suporte for. Ainda sinto algum gozo em encontrar coisas estranhas nas estantes dos discos a 1 euro, confesso que sim, mas há discos que já não moram cá em casa... seguem o seu caminho, vão até outras casas para que outros os conheçam.

Com equipamentos é exactamente o mesmo, sai um para entrar outro. O objectivo é não furar os bolsos e ter o mínimo necessário: um amplificador, duas colunas, um gira-discos e um leitor de CDs. (vamos ver isso do DAC, mas com o Paulo já falo!)

Isto nada tem que ver com Fidelidade, ainda não cheguei aí! Mas esta é uma parte que eu creio ser importante para se Conhecer Música. Quando entrego discos ao meu irmão, por exemplo, fico contente por despertar a chama da curiosidade... faz parte! Não entender que o Caminho não se inicia pela Meta é um erro grave e um que por vezes vou apontando.

Para mim tudo começa pelo gosto pela Música, bem sei que transporto muita da minha experiência para o que digo, mas também sei que muita gente não tem logo uns bons milhares de euros para gastar e poder ouvir Música como ela merece. Acredito que o passo-a-passo se vai desenvolvendo em cada um o sentido crítico e se para isso é necessário a "paixão" por um objecto, pois bem, que essa paixão seja vivida e experimentada e depois se siga em frente.
Parar é que não... e volto ao que disse: depois cada um com o seu caminho, porque cada um partiu de pontos diferentes e chegará a lugares diferentes.

A questão da Fidelidade e da Estética dos objectos...

Caro Ricardo, consigo, e talvez sem que o Ricardo desse por isso, aprendemos mais do que imagina. Juntamente com o Paulo tem um papel fundamental neste espaço, por vezes uma curta frase vale mais do que listas de aparelhos indicados para...
Não vou dizer que não ligo à Estética, estaria a mentir, mas a última troca que fizemos - Abril/Maio passados - já foi com a intenção de virar a página e isso devemos ao muito que fomos aprendendo por aqui.

Hoje podemos não ter peças com a mesma presença na sala, mas acreditamos que ouvimos melhor... tudo isto sem rebentar o orçamento e muitas vezes tenho o cuidado de dizer que afirmo o que afirmo na relação com as possibilidades.
Não sabemos onde estaremos daqui a dois meses, essa é que é essa, por isso estamos sempre a pensar em compromissos.

Quem não gostaria de ter melhor já?
Como diz o outro: sim, mas não seria a mesma coisa!





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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sex Jan 06 2017, 19:05

TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:
(...) Sabe a razão para eu não debater qual a melhor fonte?
Aqui está! Nem toda a Ciência e máquinas a revelar resultados iriam convencer um Ortodoxo (sim, um Ortodoxo!) que a sua ideia está errada; da mesma forma, ninguém consegue convencer Outro (outro Ortodoxo...) que PARA SI aquela fonte tem algo mais - há coisas inenarráveis, mesmo sabendo nós que o nosso pensamento é feito de palavras.

É assim o Homem! (...)

Pelo momento começo por este extracto que me interpela e perturba ... pois vejo-o como uma visão pessoal e obstinada do mundo, o que açeito na religião mas não numa disciplina ciêntifica como a HiFi !!!...

Hà dois meses para o meu aniversàrio a minha mulher (que me conheçe bem Wink) ofereçeu-me este livro sabendo que ia me agradar e na realidade ele é fascinante e vém a calhar para o sujeito abordado:

O titulo é fàcil a compreender e é escrito por um ciêntifico que foi vàrios anos ministro da educação. Escrito com fineza e inteligência ele mostra a evolução paralela do conhecimento ciêntifico face ao dogma divino. Ele põe em paralelo o saber e o acreditar ... a realidade universal e a convição pessoal...

 Wink

O Paulo é tramado... mas eu gosto! Smile

O Paulo leu tudo o que eu escrevi e certamente leu o que eu escrevi no final do texto onde está essa frase... qual a razão que o leva a não considerar o que eu disse no final?

Pois bem, eu disse:
José Miguel escreveu:

Eu acredito que as pessoas em testes cegos se baralhassem todas, como diz a Sabedoria Popular e bem: o que os olhos não vêem o coração não sente... mas a aprendizagem faz parte do caminho sinuoso, com calma cada um chegará à sua meta!

Que o Paulo não goste da Teoria do Conhecimento que eu defendo é uma coisa e estarei aberto que me diga outra. A Ciência Moderna/Contemporânea que eu saiba defende o ponto de vista que eu defendo e o Paulo está sempre a provar que eu tenho razão - as coisas são o que nelas colocamos.

O Paulo sabe que isto nada tem que ver com HiFi, não particularize, essa máxima prende-se com o Homem!!!
O Homem conhece assim, não há volta a dar e a prova disso é a sua afirmação: fui formado assim... eu não fui formado como o Paulo e vejo as coisas de forma diferente.

Não gosto dos exemplos que deu, proponho um outro exemplo:
Geometria Euclidiana (espaços rectos) vs Geometrias Não Euclidianas (espaços curvos).

Imaginemos o seguinte cenário:
O Homem passa a ser Educado e Instruído para ver espaços curvos e que tudo neste Planeta respeita o princípio do Universo ser curvo. As linhas rectas existiriam?
A resposta é simples: Não!
Em espaços curvos não se desenham rectas, apenas curvas...

Vamos voltar ao HiFi...

Alguém passa a vida a ler e ouvir que as válvulas são a melhor coisa do Mundo, que um amplificador valvulado é o mais puro e com a possibilidade do sinal mais limpo. Essa mesma pessoa sempre leu e ouviu que os transístores são o  dvil ...
Aplique o mesmo à questão da fonte...

Como imagina o Paulo que essa pessoa vê o Mundo?



Vamos em frente...


Caro Paulo o que eu digo é tão simples que não se trata de obsessão por uma visão do mundo personalizada ou outra coisa, não! O que eu digo e defendo é a "abertura de mentes", para que nunca aconteça o que já aconteceu antes e se queimem livros e/ou pessoas.

Eu acredito muito na Educação, não espere de mim um Ser fechado, olhe para mim sem palas e vai ver que não tenho medo de Aprender, mas sei que já tive palas e para as abrir trabalhei e esforcei-me muito. Quando todos os meus amigos foram para a Universidade eu fui para uma Fábrica fazer cablagens para automóveis... senti na pele a necessidade de estudar e aprender, de crescer e muito depressa aprendi que não o deveria fazer para os outros, mas para e por mim.

Eu não quero ter Razão sozinho, eu quero é que cada um saiba usar a Razão!  Wink


O título do tópico está bem!!!  Smile



ps.: responderei ao resto depois, hoje é dia de folga e quero muito poder fazer aqui duas ou três coisas... mas que gosto disto, gosto!
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sex Jan 06 2017, 19:26

Caro José Miguel,

Como referi anteriormente desconheço a conversa que antecedeu a criação deste tópico.
Mas não me parece impossível ou reprovável que um objecto como um disco de vinil e respectiva capa, ou o ritual de preparação que antecede a escuta de música através da leitura deste suporte, sirvam para intensificar a ligação com a música.
Julgo também que os objectos antigos, ditos "vintage", provocam em nós um certo fascínio e talvez um sentimento inconsciente de nostalgia que também ajuda no processo.
A mente humana é muito complexa e as causas das nossas emoções são infinitas.

Há diversas formas de praticar o audio; cada um de nós tem as suas motivações e os seus objectivos e nenhuma via está errada.
Se o objectivo for a reprodução da música (o sinal gravado no suporte) eu concordo com o Paulo: a alta fidelidade é uma disciplina técnica com regras bem definidas (Hi-Fi é Ciência, Música é Arte).
Daí a importância de se distinguir bom desempenho (fidelidade) de som agradável (gosto).
Mas nada impede que um apreciador de música prefira um certo tipo de sonoridade (aquilo a que vulgarmente se chama de "coloração"), e que indirectamente uma reprodução menos fiel contribua também para intensificar a ligação com a música.

Quanto à Estética, só lhe dou importância quando não estou a escutar música.
Idealmente colocaria o sistema e as colunas atrás de uma cortina (acusticamente transparente), tanto para escutar como para habitar.

Um abraço da Terra dos Angles,
Ricardo
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sex Jan 06 2017, 19:59

ricardo onga-ku escreveu:
Caro José Miguel,

Como referi anteriormente desconheço a conversa que antecedeu a criação deste tópico.
Mas não me parece impossível ou reprovável que um objecto como um disco de vinil e respectiva capa, ou o ritual de preparação que antecede a escuta de música através da leitura deste suporte, sirvam para intensificar a ligação com a música.
Julgo também que os objectos antigos, ditos "vintage", provocam em nós um certo fascínio e talvez um sentimento inconsciente de nostalgia que também ajuda no processo.
A mente humana é muito complexa e as causas das nossas emoções são infinitas.

Há diversas formas de praticar o audio; cada um de nós tem as suas motivações e os seus objectivos e nenhuma via está errada.
Se o objectivo for a reprodução da música (o sinal gravado no suporte) eu concordo com o Paulo: a alta fidelidade é uma disciplina técnica com regras bem definidas (Hi-Fi é Ciência, Música é Arte).
Daí a importância de se distinguir bom desempenho (fidelidade) de som agradável (gosto).
Mas nada impede que um apreciador de música prefira um certo tipo de sonoridade (aquilo a que vulgarmente se chama de "coloração"), e que indirectamente uma reprodução menos fiel contribua também para intensificar a ligação com a música.

Quanto à Estética, só lhe dou importância quando não estou a escutar música.
Idealmente colocaria o sistema e as colunas atrás de uma cortina (acusticamente transparente), tanto para escutar como para habitar.

Um abraço da Terra dos Angles,
Ricardo

Eu estou de acordo no ponto em que o Ricardo centra a sua intervenção e até já disse várias vezes ao Paulo que concordava com ele.
Bem sei que talvez seja eu que pretenda expandir o ponto, porque senti e sinto necessidade de aprender e por isso vou colocando as perguntas e até os contra-pontos. Por outro lado, acredito que o processo de Conhecimento se faz de pequenos passos e quem lê Conhece de forma pessoal, por isso toca a abrandar para que cada um possa aprender - muitos podem ler, muitos podem aprender... o debate de qual a melhor fonte não me interessa, interessa-me como chegar à melhor fonte!

Por exemplo:
Os objectos ditos "vintage" exercem sobre mim fascínio, pelas estórias até mais do que pela História... a nossa Imaginação influencia o nosso Conhecimento! Mas foi quando experimentamos algo diferente que um "novo mundo" abriu as suas portas e reparamos que estávamos a perder algo - refiro-me ao acto de ouvir Música em casa.
(quando referi que o Vinil pode conduzir ao gosto pela Música foi isso que quis dizer... é um debate um pouco arriscado, mas gostar de Música para mim - já o disse - ultrapassa a questão do formato, mas a chama não nasce sozinha, certo!?!)


Depois fui tentando ler aqui e ali, mas as experiências assumo que são poucas. Claro que sempre que vejo uma conversa destas ganhar corpo aproveito para puxar por vós, tal como muitas vezes brinco com os "planos curvos e as linhas rectas".

Eu em momento algum pretendo que se misture Música com Alta Fidelidade enquanto disciplina técnica, reafirmo a minha sincera homenagem pelo esforço com que lutam por essa causa. É fácil ficarmos fascinados pelo som "quente", é terrível perceber quanto se perde com ele...

... pior só não conseguir trazer para casa as peças com que podemos ouvir melhor... mas isso é outra conversa e eu vivo bem com os limites que tenho. Wink

Cumprimentos desde a margem do Douro.
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sab Jan 07 2017, 00:05

TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:
O título do tópico até me provoca arrepios... Shocked  ...

Amigo José eu criei-o na urgência sém reflectir muito e pensei que o titulo era um "saco" suficientemente grande para meter muita coisa. Não havia pretensão ném maniqueismo (ou então inconsciente...), e se quizer mudar o nome esteja à vontade, diga-me e faço-o! ...

Por mim está bem, brinquei, mas acho que aqui poderemos divagar e esclarecer algumas ideias que ultrapassem os limites da Música, mas que contribuam para que entendamos melhor a Música (muito importante) e a possamos escutar melhor.

José Miguel escreveu:
... é por isso que não gosto que se diga que este ou aquele aparelho/formato não presta, faz parte do Caminho e da Aprendizagem... quem experimenta aprende, nós aprendemos!)...

Estou de acordo e penso a mesma coisa, mas não tão evidente quanto isso... Nesta passagem de ano havia alguns casais de amigos connosco aqui ... e no meio da noite e bem embebidos  drunken , os meus amigos que conheço hà muito (alguns hà mais de vinte anos...) criticaram-me pela minha atitude pedagogica. Os mais antigos criticaram que lhes tinha dado a comida jà feita (facilitado a vida) e os mais novos que, hoje eu jà não dava conselhos préfabricados ... então compreendi que nos dominios passionais, qualquer que seja a forma de pedagogia ou de intervenção ela é sempre contestada ... sempre! Mas vejo aqui no forum que as pessoas continuam àvidas de conselhos ... e que ao mesmo tempo quando o téem não o seguem. Então tém razão é verdade ... o caminho faz-se em caminhando, mas pode ser feito luxuosamente ou na dor e isto é a cada um de escolher. Pessoalmente hà trinta anos atràs teria gostado de ter alguém que me tivesse guiado ... mas não tive e não me sinto mais feliz por isso, pois fiz muitos erros estupidos que poderiam ser evitados !!!...

A questão aqui levantada é muito interessante e toca algo que me diz muito... de facto passar conhecimentos não é coisa simples, mas saber jogar com o nosso interlocutor pode resultar em belos momentos para todos.
A frase que coloquei a negrito é outra que importa, porque é importante saber ouvir e há alertas que vão sendo deixados no ar... não temos um guia, mas vamos estando atentos!


José Miguel escreveu:
... e continuaria até aos dias de hoje, até ao que o Paulo disse, mas a Natureza do Homem é tramada e é por isso que eu acredito que em vez de "dar a verdade" é melhor "apontar o caminho", esse que é único e onde cada um deverá ter a capacidade de exercitar a Reflexão. ...

È o que faço hoje com os meus amigos e vale-me a critica que vivi hà dias atràs ... pois como me diz o meu mestre de Tai-Chi: O mestre està sempre sò, o que quer que diga ou faça !!!...

José Miguel escreveu:
... lamento que não existam mais possibilidades para se aprender, que o Mercado não funcione de forma "normal" e possibilite a troca de equipamentos e consequente experiência...

Eu tives duas lojas de topo durante mais de 20 anos e sempre criei um clube audiofilo afim de formar à escuta e desmistificar a HiFi e o mercado. Sempre pratiquei o emprestimo do material e o ensaio em casa e duas vezes por ano fazia portas abertas para que as pessoas conheçam a HiFi de qualidade ... ora isto pode ser feito em todos os paises, é uma questão de vontade e convição...

Acredito que por estes lados também se faça, talvez seja eu o "mau cliente"... como não gosto de ir para as lojas sabendo que não vou comprar, evito entrar. Depois é normal que algumas coisas me escapem.
Por outro lado, não conheço pessoas com grande rotação de equipamentos - porque há quem o faça - para acompanhar os desenvolvimentos.


José Miguel escreveu:
... Imagine o Paulo que quando compramos o Lenco pensamos em o fazer evoluir e neste momento acreditamos ter dinheiro para isso. Um plinto é possível comprar um pouco mais caro agora, o mais conhecido fica por uns 150 euros agora... mas e os braços? Há dois anos comprava-se um gira-discos Rega P2 por um preço muito simpático, hoje... um Telefunken com o braço Ortofon era quase dado... um Pro-ject custava umas trinta libras...

Eis um bom caso do que estamos a falar este, pois cria-me duas respostas. Ou viro a faca para si e digo-lhe parafraseando-o "quem experimenta aprende, nós aprendemos!" ... então faça experiências e aprenda !!!... ou então cinicamente e pragmàticamente digo-lhe que nunca ouvi um Lenco bem "reproduzir" a menos de 1500/2000€ ... e que então "talvez" o dinheiro seja melhor empregado noutro gira ... mas temo que nenhuma das respostas lhe agrade !!!... a mim também não...

As duas respostas agradam-me, digo-o honestamente.
A primeira leva-me a dizer-lhe que aprendemos de facto e que este Lenco é o melhor gira-discos que tivemos - dentro desta gama de preços (abaixo dos três dígitos). Este nosso passo no Caminho abriu-nos um pouco mais a experiência com a Música e abriu-nos o apetite.
A segunda resposta vai ao encontro do que acreditávamos desde o princípio e até antes da compra (já falamos sobre isso), honestamente julgamos ser possível com um valor menor, mas estávamos conscientes disso e acreditamos ser um belo projecto de médio prazo... a ver vamos, já disse que não há intocáveis, mas não estou a ver nenhum que se afirme e não seja um trambolhão...


José Miguel escreveu:
... Passando para os ficheiros: os equipamentos que aparecem usados ainda estão muito caros, não permitem grandes experiências - comprar desconhecido é terrível para quem tem limitações de orçamento. Como se faz um caminho sem que outros se libertem do que já não precisam? ...

O DAC que o amigo Manfred utilisa custou-lhe à volta de 30€ pelo meu conselho. Ele tinha dois DAC's de topo e hoje sériamente sò utisa o que lhe aconselhei ... pois quando se conheçe o vinho, o mais caro não é sempre o melhor, mas quando não se conheçe é dificil de saber o que é bom! Um aparelho escolhe-se com a cabeça ou com o coração ... ora eu utiliso a cabeça para a escolha dos aparelhos e os dois para a musica...

Aqui é que fiquei mesmo    caro Paulo, chute essa informação!!!


José Miguel escreveu:
... Pensamentos soltos, ditos em voz alta... não quero que responda às perguntas directamente, porque elas são mais pessoais do que propriamente dirigidas ao Paulo ou a outras pessoas. ...

Estava a me preparar para a outra intervenção e afinal respondi a esta ... é assim que iremos avançando !!!  Wink
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sab Jan 07 2017, 10:22

.

Costuma dizer-se no universo das ONGs

if you give a hungry man a fish, you feed him for a day, but if you teach him how to fish, you feed him for a lifetime

(se dermos peixe a um homem com fome alimentamo-lo um dia, mas se o ensinarmos a pescar estaremos a alimentá-lo para a vida)

Muitas das intervenções do Paulo têm, na minha perspectiva, procurado armar a comunidade do AAP com algumas ferramentas (conhecimento) muito úteis para a selecção de equipamentos / composição de um sistema de reprodução de música gravada com bom desempenho (leia-se de alta-fidelidade).
Essas ferramentas dividem-se em duas vertentes fundamentais: a técnica e a escuta.

O problema é que em muitos dos casos (não especificamente o do JM) os participantes evitam o esforço necessário para compreender os aspectos técnicos mais básicos (expressados pelas medições) como a peste, desculpando-se com o "gosto".
Mas a questão é que a escolha pelo "gosto", a "prova", também requer conhecimento e uma metodologia eficaz.

Na minha opinião e experiência a escolha eficaz de equipamentos beneficia de ambas as ferramentas (técnica e escuta).
E de pessoas dispostas a partilhar esse conhecimento.

Mas a transmissão desse conhecimento nem sempre é fácil, e a disponibilidade ou vontade de o adquirir também nem sempre se coaduna com os dogmas e os valores de um praticante adulto.
Como diz o povo, "burro velho não aprende línguas".
Daí que muitos tópicos se transformem em diálogos de surdos, com os diversos intervenientes a entrincheirarem-se em posições extremas...


Suum cuique (parece que o homem não quer aprender a pescar)...

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sab Jan 07 2017, 10:38

Existem dois métodos, complementares, de avaliação do desempenho de um equipamento: a escuta e as medições.

Infelizmente nem sempre podemos escutar os equipamentos nas melhores condições, ou porque as salas dos xôs não têm boa acústica, ou porque não o podemos fazer no nosso sistema e na nossa sala, ou porque não nos sentimos confortáveis em efectuar audições no revendedor quando não tencionamos comprar.
Nos estados Unidos é comum efectuar-se audições em casa e quando o equipamento não satisfaz é devolvido ao vendedor; penso que esta prática ainda não se generalizou em Portugal mas é vantajosa tanto para fabricantes/revendedores como para o consumidor final.

E as medições nem sempre estão disponíveis, ou quando não as sabemos interpretar ficamos à mercê dos críticos que as comentam a seu belo prazer.

As revistas seriam o veículo natural da informação que necessitamos, pelo menos para a triagem do equipamento que julgamos suficientemente capaz para merecer uma escuta.
Os problemas são que muitos dos críticos não dispõem das ferramentas adequadas para uma escuta eficaz e que as revistas trabalham com (para) a indústria, ou seja são financiadas por esta e como bem sabemos "não se morde a mão que nos alimenta".
Li em tempos (do teclado de um fabricante) que um anúncio de página completa na Stereophile custava entre $4,000-$6000 por ano, dependendo da frequência com que aparecia...
Desengane-se, portanto, quem julga que as revistas estão do "nosso" lado.

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t9611-audio-relativismo-a-nova-doenca-uma-nova-desculpa

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sab Jan 07 2017, 10:54

Escrevi isto noutro tópico mas também não fica mal aqui:

ricardo onga-ku escreveu:
Recentemente coloquei o link para um artigo intitulado "Why it's time to turn the music off " e que aparentemente passou por baixo do radar:

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t9576-why-it-s-time-to-turn-the-music-off

Nesse artigo o autor escreve o seguinte:

"Judgment is the precondition of true enjoyment, and the prelude to understanding art in all its forms"

Esta frase é brilhante: "a crítica ou o juízo de valor como condição essencial para a verdadeira apreciação, e um prelúdio para a compreensão de todas as formas de expressão artística"

Ou seja o gosto é indispensável mas não pode ser dissociado da cultura e do conhecimento.

O problema conforme indicou o Paulo é que "Gostar não exige esforço ora que saber sim".


Parece-me inegável que esta "cultura" do deixa-andar, esta falta de exigência que não se cinge ao audio mas infecta todas as áreas da sociedade, está cada vez mais a nivelar por baixo.
É o culto da mediocridade e dá uma falsa ideia de poder a cada indivíduo, falsa porque o verdadeiro poder vem do conhecimento e não do gosto.

Também a propósito, recomendo este excelente documentário sobre a ascensão do populismo, do Brexit e do Trump:

http://www.bbc.co.uk/programmes/b086s60b

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Última edição por ricardo onga-ku em Sab Jan 07 2017, 12:35, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sab Jan 07 2017, 11:27

Bom dia!

Como estou a trabalhar não consigo entrar na conversa como ela merece, mas gosto do caminho que o Ricardo está a abrir - vamos entrar pela Educação/Instrução, duas coisas distintas e complementares, o essencial para o crescimento do Homem.

A Arte, pela forma de Música aqui tratada, pode vir a ganhar, mas cada um que se exercite ganhará mais ainda. Wink
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sab Jan 07 2017, 15:55

José Miguel escreveu:
... A questão da Fidelidade e da Estética dos objectos...

... Não vou dizer que não ligo à Estética, estaria a mentir, mas a última troca que fizemos - Abril/Maio passados - já foi com a intenção de virar a página e isso devemos ao muito que fomos aprendendo por aqui. ...

Penso que a questão da estética no audio e em todos os vertentes possiveis desta, seja a "arvore que tapa a floresta" e a causa de muitas derivas. Negar que o sucesso das vàlvulas, giras e discos vinilos não seja em grande parte ligada à estética e ao aspecto singular (num mundo moderno) destes objectos seria hipocrita. No entanto não é a beleza que està em causa, pois como cada um se devo possuir algo ... prefiro que seja belo mais do que feio, mas a estética não serà o factor determinante da compra, ném serei influenciado pelo "artwork" do rotulo da garrafa de vinho ou da capa de um disco. O "audiofilo" alimenta uma mistica muito particular, e algo destestàvel, de se sentir como um sentinela do bom gosto e da tradição ... na qual a utilisação de aparelhos "vintage ou com tecnologias atipicas e antigas" tém um lugar de destaque. A musica torna-se um alibi disto e muitas vezes com um lugar secundàrio ... e é neste aspecto que a estética/tecnologia como elemento influente me perturba. Existem modas em audio então, isto é bem a prova que a essência da disciplina, que é a qualidade de reprodução, jà se tornou secundària ... e voltamos então à "autopsia da HiFi" que signalei à tempos atràs...

ricardo onga-ku escreveu:
... Mas não me parece impossível ou reprovável que um objecto como um disco de vinil e respectiva capa, ou o ritual de preparação que antecede a escuta de música através da leitura deste suporte, sirvam para intensificar a ligação com a música.
Julgo também que os objectos antigos, ditos "vintage", provocam em nós um certo fascínio e talvez um sentimento inconsciente de nostalgia que também ajuda no processo.
A mente humana é muito complexa e as causas das nossas emoções são infinitas. ...
(...)
Quanto à Estética, só lhe dou importância quando não estou a escutar música.
Idealmente colocaria o sistema e as colunas atrás de uma cortina (acusticamente transparente), tanto para escutar como para habitar. ...

Pôr um vinilo a rodar é um acto tão hedonista quanto ir buscar uma bela garrafa na adega, a abrir lentamente, decantà-la e enfim degustar o néctar ... ou ainda preparar uma "soirée" que vai terminar em prazeres lascivos e indécentes ... mas, pois hà sempre um mas comigo, é preciso que no fim o resultado justifique os meios. Pois se o vinho não for um néctar, o prazer intenso e a musica bem restituida ... então o ritual terà sido estéril e a minha frustação total. Eu disse hà pouco que não escutei vinilos durante uns 15 anos, e não me fez falta ... e quando ouvia um, saia da capa e ia para o Rega e jà està sém ritual nenhum. Não vejo o interesse do ritual se o resultado é banal ... mas cada um é como cada qual !!!...

Quanto ao sistema complétamente "transparente" a todos os niveis, estou contigo a 1000% !!!...

José Miguel escreveu:
... Os objectos ditos "vintage" exercem sobre mim fascínio, pelas estórias até mais do que pela História... a nossa Imaginação influencia o nosso Conhecimento! Mas foi quando experimentamos algo diferente que um "novo mundo" abriu as suas portas e reparamos que estávamos a perder algo - refiro-me ao acto de ouvir Música em casa.
(quando referi que o Vinil pode conduzir ao gosto pela Música foi isso que quis dizer... é um debate um pouco arriscado, mas gostar de Música para mim - já o disse - ultrapassa a questão do formato, mas a chama não nasce sozinha, certo!?!) ...

... É fácil ficarmos fascinados pelo som "quente", é terrível perceber quanto se perde com ele...

Efectivamente as estorias criam a mitologia do audio ... e a Net infelismente propaga-as e perpetua-as. Quantos audiofilos estão persuadidos que a escuta de um Garrard 301 é uma experiência transcendente, e dai os preços, ora que é uma escuta eufonica mas ultrapassada. O que venho de dizer é vàlido para muitos objectos do passado, mas o prazer não està na "qualidade da escuta" mas na singularidade que estes aparelhos conferem ao propriétario...

Essa sua ultima frase é muito pertinente e mostra que està en andamento e que sabe aonde vai ... Bravo José !!!...

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Sab Jan 07 2017, 17:06

Aproveito uma pequena pausa no trabalho para dizer "olá" e para mais uma vez revelar o meu agrado com o desenvolvimento do tópico. Wink


Eu acredito mesmo no processo de Aprendizagem e o "gosto" também se Educa. Claro que as experiências vão promovendo as mudanças, ajudam que o Espírito se abra em direcções desconhecidas ou ignoradas...


Reafirmo a minha convicção: creio que o melhor é passar por várias fases e muitas experiências, num cenário ideal diria que cada um deveira experimentar um pouquinho de tudo, para que a decisão final (caísse para onde caísse) fosse bem estruturada e segura.


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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Dom Jan 08 2017, 16:22

José Miguel escreveu:
... Eu acredito mesmo no processo de Aprendizagem e o "gosto" também se Educa. Claro que as experiências vão promovendo as mudanças, ajudam que o Espírito se abra em direcções desconhecidas ou ignoradas...

Reafirmo a minha convicção: creio que o melhor é passar por várias fases e muitas experiências, num cenário ideal diria que cada um deveria experimentar um pouquinho de tudo, para que a decisão final (caísse para onde caísse) fosse bem estruturada e segura.

Numa primeira leitura estaria tentado de subscrever tudo o que vém de dizer, mas no dia seguinte e numa segunda leitura é mais dificil de o fazer... pois o que diz é sensato e estou presuadido que o disse com honestidade e convicção, mas também pode ser o inicio, ou a raiz da deriva pessoal...

O audio, como a musica ou o vinho possui varias estéticas e personalidades ... e dai que eu goste de misturar estas coisas. A musica pode ser harmonica, bela e fàcilmente escutada tornando-se eufonica ou ao contrario ser destructurada, austera e dificil de acesso. O Ricardo tinha-me citado, no seu primeiro post que se apagou, numa frase mais ou menos assim: Seguir o seu gosto não exige esforço ora que aprender sim...

Se um disco de rock vende-se a milhões de exemplares e um de jazz não, e ainda menos um de musica clàssica não é por acaso e de certeza que isto não reflecte obrigatoriamente a qualidade da musica. O pop/rock é acessivel muito mais fàcilmente que o Jazz e o classico é ainda menos acessivel. Da mesma maneira um aparelho eufonico, com uma coloração seductora é adoptado muito mais fàcilmente do que um aparelho neutro... que por natureza não terà sabor proprio. Então experimentar muitos aparelhos eufonicos, até encontrar o que lhe corresponde é como limitar a musica simplesmente ao rock ou simplesmente ao classico. Em si é possivel como tudo na vida, mas serà um caminho partisão e parcial...

Num mundo HiFi radical e ortodoxo os aparelhos não teriam uma personalidade pròpria, e sòmente a obra e/ou a gravação seriam produtores de sensações eufonicas, belas, sedutoras, quentes e etc... e as estorias de hifi não existiriam, apenas as da musica seriam em causa. Ora isto é o oposto ao que se passa hoje e que nasceu com a audiofilia... e não com a alta fidelidade.

Ninguém quer de um aparelho neutro e sém gosto... ora que este aparelho serà efectivamente o melhor. A educação necessària para passar de 0 a 180° na maneira de pensar é dificil e complicada. Não sei se o simples facto de experimentar muito chegue. È necessario antes um questionamento intelectual profundo...

Evidentemente o que digo sò é valido se a escuta da musica tém com objectivo de base a reprodução fiel do disco. Se ao contrario ela tém como objectivo de entreter e passar um bom momento, sém nenhuma ou pouca pretensão de fidelidade, o que digo é caduco... e nenhuma educação é necessaria neste ultimo caso, pois gozar a vida e seguir o nosso gosto sabemos todos fazer...

Mesmo para experimentar e tirar resultados ... é necessario estabelecer regras, limites e um objectivo!...

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Dom Jan 08 2017, 17:04

Ainda é tarde de trabalho, não me posso alongar... mas o que o Paulo diz em nada me choca, termina até com uma bela frase:

"Mesmo para experimentar e tirar resultados ... é necessario estabelecer regras, limites e um objectivo!..."


Creio que só experimentando se consegue perceber bem as regras, os limites e até o objectivo... porque nós não acabamos como começamos e raramente não mudamos ao longo do caminho.

Alguém pode começar apaixonado pelo som quente de um equipamento "vintage" e ao longo do caminho perceber que quer outra coisa, um som mais neutro, o mais neutro possível.

O Paulo é a prova disto e num outro tópico disse mesmo que estava a considerar a compra de uns auscultadores mais "temperados", só para poder ter "algo"... eu não acho essa acção errada, ela é consciente e para mim nada questionável.


Eu quando olho para aqueles sistemas exóticos acredito que por trás esteja muito conhecimento, até porque há sempre a afirmação de uma convicção - lá está, alguém procura de forma consciente e isto não nega a busca pela Fidelidade, que pode acontecer ao mesmo tempo!


Depois alongo-me mais...
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Dom Jan 08 2017, 17:54

José Miguel escreveu:
... Alguém pode começar apaixonado pelo som quente de um equipamento "vintage" e ao longo do caminho perceber que quer outra coisa, um som mais neutro, o mais neutro possível. ...

Ou ao contrario entreter-se na busca da sonoridade a mais eufonica possivel e dai que eu tenha dito que a experimentação é uma faca a dois gumes ... mas no absoluto estou de acordo consigo  Wink

O Paulo é a prova disto e num outro tópico disse mesmo que estava a considerar a compra de uns auscultadores mais "temperados", só para poder ter "algo"... eu não acho essa acção errada, ela é consciente e para mim nada questionável.

Eu sou um mau exemplo e no caso citado ainda mais. Eu "preciso" de muito material para trabalhar ... pois quando fabrico um Headamp, tenho necessidade de experimentà-lo com um leque significativo de Can's que o consumidor pense associar ao meu aparelho. Preciso ao mesmo tempo de DAC's équivalentes e mesmo de headamps dos outros constructores afim de determinar o grau de desempenho comparativo ... e isto é a base do meu trabalho. Não posso ter tudo é claro, então quando faço um aparelho que custa 5000€ por ex. vou a casa de amigos, conhecidos ou a lojas de colegas afim de testà-lo com colunas entre 3000 e 9000€, com os outros aparelhos de categoria equivalente também pois é a unica maneira para mim de situar o meu trabalho em relação ao dos outros ... é uma necessidade e não uma mania. È verdade que os Can's são o meu pequeno pecado ao mesmo tempo ... mas tenho muitos e sò escuto dois, então é que sei relativamente bem aonde estou e o que quero  Wink

Eu quando olho para aqueles sistemas exóticos acredito que por trás esteja muito conhecimento, até porque há sempre a afirmação de uma convicção - lá está, alguém procura de forma consciente e isto não nega a busca pela Fidelidade, que pode acontecer ao mesmo tempo!

Atenção amigo José, pois a afirmação de uma convicção é tão vàlida para aquele que quer a HiFi que para alguém que busca um som que lhe agrade simplesmente. Hà pessoas convictas que o vinilo é superior em fidelidade e que as vàlvulas também ... sém que isto possa ser "objectivamente" defendido, mas pode o ser "subjectivamente" e là caimos de novo no partisanismo que é feito de: eu penso que, eu creio que, eu ouço que, eu sinto que ... e que obviamente nos posiciona ao lado dos que nos compreendem e não no universalismo. E ao contrario do que pensa, por detràs de um sistema exotico muitas vezes està simplesmente a singularidade e a busca de uma sonoridade exotica também ... então o tempo lhe permiterà de compreender que por detràs das estorias do audio està sobretudo, uma subtil e às vezes inconsciente perversão da essência da disciplina. È dificil de resistir a esse canto das sereias, e eu como profissional senti-me tentado (muitas vezes...) de fazer coisas eufonicas, esotéricas, sedutoras e ràpidas de acesso afim de ganhar mais em fazendo menos !!!...  Wink


Depois alongo-me mais...

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Dom Jan 08 2017, 18:14

Ai o canto das Sereias...

Eu compreendo a posição do Paulo, quer a de utilizador quer a de profissional. Quando referi a questão dos auscultadores (não me leve a mal), referi precisamente por me parecer uma escolha consciente - sabe onde está e para onde quer/precisa de ir.


É aqui que eu quero sempre chegar e estamos a chegar ao ponto que para mim mais importa: ajudar cada um (singular) a trilhar o seu caminho seguindo princípios (regras, leis, ... - Plural/universal) de forma a que os compreenda (Conhecimento/Reflexão) e escolha em consciência.

Isto é complicado?
Sim...

Eu acredito no Ensino teórico, mas também acredito que a experiência ajuda a solidificar e a fazer de alguns conhecimentos "âncoras".

Há, de facto há, quem permita que "âncoras" sejam uma qualquer ideia de maioria ou moda (moda na Matemática significa algo simples, o maior número de repetições... da outra Moda eu também gosto, mas a idade já pesa...), mas em evez de se afirmar o "erro" (!?!?!?!) eu prefiro que se ensine a identificar as variáveis, as regras, ...


No final cada um que decida e se alguém experimentado, conhecedor, consciente quiser um sistema exótico pois bem, nada contra e se me permitirem experimentar eu vou! Wink


mais um pouco de trabalho...
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Dom Jan 08 2017, 18:19

TD124 escreveu:
Eu sou um mau exemplo e no caso citado ainda mais. Eu "preciso" de muito material para trabalhar ... pois quando fabrico um Headamp, tenho necessidade de experimentà-lo com um leque significativo de Can's que o consumidor pense associar ao meu aparelho. Preciso ao mesmo tempo de DAC's équivalentes e mesmo de headamps dos outros constructores afim de determinar o grau de desempenho comparativo ... e isto é a base do meu trabalho. Não posso ter tudo é claro, então quando faço um aparelho que custa 5000€ por ex. vou a casa de amigos, conhecidos ou a lojas de colegas afim de testà-lo com colunas entre 3000 e 9000€, com os outros aparelhos de categoria equivalente também pois é a unica maneira para mim de situar o meu trabalho em relação ao dos outros ... é uma necessidade e não uma mania. È verdade que os Can's são o meu pequeno pecado ao mesmo tempo ... mas tenho muitos e sò escuto dois, então é que sei relativamente bem aonde estou e o que quero

Se para o teu design/circuito tens como principal objectivo a "transparência" ou "integridade" do sinal não vejo vantagem em testar o protótipo com vários cans distintos, pelo menos não com o objectivo de ver como soa (podes tentar perceber como é afectado por cargas difíceis).

Lembrei-me desta entrevista com o Peter Walker, pai da Quad:

The Audio Amateur: Que importância dá aos testes subjectivos (audições) comparativamente às avaliações técnicas (medições)?

Peter Walker: Nós desenhámos, construímos e colocámos no mercado o nosso amplificador a válvulas sem alguma vez o ter escutado.
Na verdade, o mesmo se passou com o 303 e o 405.
As pessoas dirão "Isso é repugnante, deviam tê-lo escutado!".
Contudo, nós efectuamos algumas audições, mas são direccionadas para questões específicas.
Procuramos escutar a distorção diferencial - será que certo aspecto tem importância?
É necessário recorrer a testes de escuta para determinar se tem ou não importância.
Temos de recorrer a testes de escuta para determinar se o rumble vai saturar a entrada de phono, ou se as frequências muito elevadas resultantes da leitura de um LP riscado podem perturbar a unidade de controlo.
Mas não nos sentamos a escutar a 5ª de Beethoven e dizemos "Aquele amplificador soa melhor, vamos mudar uma ou duas resistências. Ah, assim está melhor."
Nunca nos sentamos a escutar um álbum através de um dado amplificador durante a fase de design.
Procuramos escutar ruídos estranhos, distorções estranhas, e determinar de forma subjectiva se estas têm importância.
Mas não escutamos qualquer música durante esse período.
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Dom Jan 08 2017, 19:29

José Miguel escreveu:
Ai o canto das Sereias...

Eu compreendo a posição do Paulo, quer a de utilizador quer a de profissional. Quando referi a questão dos auscultadores (não me leve a mal), referi precisamente por me parecer uma escolha consciente - sabe onde está e para onde quer/precisa de ir.


É aqui que eu quero sempre chegar e estamos a chegar ao ponto que para mim mais importa: ajudar cada um (singular) a trilhar o seu caminho seguindo princípios (regras, leis, ... - Plural/universal) de forma a que os compreenda (Conhecimento/Reflexão) e escolha em consciência.

Isto é complicado?
Sim...

Eu acredito no Ensino teórico, mas também acredito que a experiência ajuda a solidificar e a fazer de alguns conhecimentos "âncoras".

Há, de facto há, quem permita que "âncoras" sejam uma qualquer ideia de maioria ou moda (moda na Matemática significa algo simples, o maior número de repetições... da outra Moda eu também gosto, mas a idade já pesa...), mas em evez de se afirmar o "erro" (!?!?!?!) eu prefiro que se ensine a identificar as variáveis, as regras, ...


No final cada um que decida e se alguém experimentado, conhecedor, consciente quiser um sistema exótico pois bem, nada contra e se me permitirem experimentar eu vou! Wink


mais um pouco de trabalho...

Para mim, avaliação pela escuta não é uma prova de gosto mas uma tentativa de determinar pela escuta a eficácia com que um equipamento ou sistema cumpre a sua função (leitura, conversão, amplificação, transdução, reprodução); o dicionário cá da terra descreve Alta-Fidelidade como "A reprodução com pouca distorção de som (gravado), dando um resultado muito semelhante ao original" (eu prefiro "sinal" em vez de "som").
Como tal deve ser efectuada a partir de uma perspectiva observacionista, tal como um cientista observa e descreve um fenómeno, e portanto desprovida de qualquer envolvimento emocional.

Avaliar pela escuta significa comparar a reprodução de uma gravação com a realidade mas também com outras reproduções da mesma gravação.
Mas também se trata de identificar deficiências e caracterizar o desempenho.
Isso implica uma metodologia eficaz mas também uma bagagem de conhecimento experimental tanto com som ao vivo como com aquilo que de melhor se consegue com som reproduzido.
E com som ao vivo refiro-me a concertos de música acústica não amplificada já que não é possível determinar o realismo e a naturalidade de uma gravação de música que não existiu senão na mesa de mistura ou para além do amplificador.

Devemos, por isso, afinar os nossos ouvidos regularmente com concertos e se possível escutar uns quantos sistemas de desempenho superlativo para usar como base de dados à qual iremos comparar aquilo que escutamos numa avaliação.

E logicamente as gravações utilizadas na avaliação pela escuta deverão ser de música acústica ao vivo não amplificada gravada em espaços com reverberação natural.
As gravações deverão ser de qualidade o que implica técnicas de captação minimalistas a distâncias realistas e com o mínimo de pós-processamento possível e o programa musical deverá não só ser variado tanto ao nível da melodia como da diversidade e quantidade de instrumentos e vozes, e devemos também procurar que as gravações escolhidas revelem problemas específicos do desempenho (sendo para isso necessário algum conhecimento dos aspectos técnicos).

R
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Dom Jan 08 2017, 20:09

ricardo onga-ku escreveu:
... Se para o teu design/circuito tens como principal objectivo a "transparência" ou "integridade" do sinal não vejo vantagem em testar o protótipo com vários cans distintos, pelo menos não com o objectivo de ver como soa (podes tentar perceber como é afectado por cargas difíceis).

Lembrei-me desta entrevista com o Peter Walker, pai da Quad:

Nós desenhámos, construímos e colocámos no mercado o nosso amplificador a válvulas sem alguma vez o ter escutado. Na verdade, o mesmo se passou com o 303 e o 405. ...

Estava a partir para uma longa palestra sobre a metodologia de anàlise comparativa (correlação medida/escuta ciêntifica...), mas fiz o jantar e como sou calão e que jà falà-mos disto varias vezes vou fazer curto:

Tu "acreditas" que todos os parâmetros que determinam a fidelidade de reprodução podem ser medidos ... ora que não é o caso e quando fui formado à escuta a frase que me diziam era :

As anàlises medicais dizem muito sobre a saude fisica do paciente mas muito pouco sobre a sua saude mental ... e os testes psicologicos é ao contrario...

Então as medidas dizem muito sobre a dinamica, a transparência, a definição, o palco, a linearidade e mesmo os timbres ... mas não dizem tudo. Até hà dois anos atràs estàvamos persuadidos que a rapidez tinha uma relação directa com o slew rate (tempo de subida), ora hà três anos atràs em Oslo numa reunião da AES, ouvi um norueguês que nega isso e que provou que a rapidez tém uma relação com a estabilidade impulsional em alta-frequência ... o que não tém muito a ver com o slew rate...

Ora isto jà o tinha ouvido numa "armadilha" feita pelo Hiraga, aonde às cegas designei um amplificador a vàlvulas como o mais ràpido em Slew-rate ora que o transistor em comparação era 10 vezes mais ràpido neste critério, mas subjectivamente era o valvulado que era um Audio Research o mais ràpido (hoje compreendo*) ... então tira a conclusão que o pragmatismo impõe nestes casos, e isso é ser um verdadeiro ciêntifico e não um crente da ciência...

Quanto ao Walker, que é o maior designer de sempre (pela inventividade, irreverência e ousadia técnica) hà que constatar que a qualidade sonora (neutralidade) dos seus aparelhos não seja uma referência, mesmo na época ... e não vejo ninguém sonhar com um 303 ou 405, mesmo se hà pior ... e isto porque deveria os ter escutado e ainda por cima era musico, mas na sua época o protocolo subjectivo não existia e então como bom ciêntifico não quiz praticar uma disciplina que ainda é vista hoje por alguns, como empirica...

Ao contrario o designer da Lavardin, o Vladimir Lamm, o Jim White ou o Jean Poulain da SIM Audio dizem que para eles é impossivel de imaginar um aparelho que não seja escutado varias vezes durante a optimisação ... eu faço parte deste grupo e pelo momento não me queixo, mesmo se dà mais trabalho !!!

* Isto não quer dizer que os valvulados sejam mais rapidos, pois globalmente não o são mas hà uma explicação técnica para a superioridade neste critério do AR, que compreendi em Oslo !!!...

cheers

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Dom Jan 08 2017, 20:37

TD124 escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
... Se para o teu design/circuito tens como principal objectivo a "transparência" ou "integridade" do sinal não vejo vantagem em testar o protótipo com vários cans distintos, pelo menos não com o objectivo de ver como soa (podes tentar perceber como é afectado por cargas difíceis).

Lembrei-me desta entrevista com o Peter Walker, pai da Quad:

Nós desenhámos, construímos e colocámos no mercado o nosso amplificador a válvulas sem alguma vez o ter escutado. Na verdade, o mesmo se passou com o 303 e o 405. ...

Estava a partir para uma longa palestra sobre a metodologia de anàlise comparativa (correlação medida/escuta ciêntifica...), mas fiz o jantar e como sou calão e que jà falà-mos disto varias vezes vou fazer curto:

Tu "acreditas" que todos os parâmetros que determinam a fidelidade de reprodução podem ser medidos ... ora que não é o caso e quando fui formado à escuta a frase que me diziam era :

As anàlises medicais dizem muito sobre a saude fisica do paciente mas muito pouco sobre a sua saude mental ... e os testes psicologicos é ao contrario...

Então as medidas dizem muito sobre a dinamica, a transparência, a definição, o palco, a linearidade e mesmo os timbres ... mas não dizem tudo. Até hà dois anos atràs estàvamos persuadidos que a rapidez tinha uma relação directa com o slew rate (tempo de subida), ora hà três anos atràs em Oslo numa reunião da AES, ouvi um norueguês que nega isso e que provou que a rapidez tém uma relação com a estabilidade impulsional em alta-frequência ... o que não tém muito a ver com o slew rate...

Ora isto jà o tinha ouvido numa "armadilha" feita pelo Hiraga, aonde às cegas designei um amplificador a vàlvulas como o mais ràpido em Slew-rate ora que o transistor em comparação era 10 vezes mais ràpido neste critério, mas subjectivamente era o valvulado que era um Audio Research o mais ràpido (hoje compreendo*) ... então tira a conclusão que o pragmatismo impõe nestes casos, e isso é ser um verdadeiro ciêntifico e não um crente da ciência...

Quanto ao Walker, que é o maior designer de sempre (pela inventividade, irreverência e ousadia técnica) hà que constatar que a qualidade sonora (neutralidade) dos seus aparelhos não seja uma referência, mesmo na época ... e não vejo ninguém sonhar com um 303 ou 405, mesmo se hà pior ... e isto porque deveria os ter escutado e ainda por cima era musico, mas na sua época o protocolo subjectivo não existia e então como bom ciêntifico não quiz praticar uma disciplina que ainda é vista hoje por alguns, como empirica...

Ao contrario o designer da Lavardin, o Vladimir Lamm, o Jim White ou o Jean Poulain da SIM Audio dizem que para eles é impossivel de imaginar um aparelho que não seja escutado varias vezes durante a optimisação ... eu faço parte deste grupo e pelo momento não me queixo, mesmo se dà mais trabalho !!!

* Isto não quer dizer que os valvulados sejam mais rapidos, pois globalmente não o são mas hà uma explicação técnica para a superioridade neste critério do AR, que compreendi em Oslo !!!...

cheers

Pois hoje cá jantou-se fish fingers / douradinhos porque não tive paciência para mais (e os miúdos gostam)...

Eu percebo o valor da escuta, especialmente no desenvolvimento de um amplificador a válvulas que pode potencialmente "sair" com colorações significativas.
Mas no meu ponto de vista essa escuta deve ser efectuada com transdutores que não comprometam a avaliação, ou seja, querem-se transdutores tão "transparentes" quanto possível.

Mas certos "alfaiates" (p.ex. o Kimura ou o Sakuma*) utilizam colunas completamente desadequadas...

R

* - um senhor, verdadeiro apaixonado pelo seu métier, desenvolve uns circuitos repletos de transformadores que encurtam a gama de frequências, comprimem a dinâmica e dão mais "cor" ao som do que as indumentárias da Carmen Miranda, "afina" o som das suas criações tocando gravações "pré-históricas" reproduzidas por altifalantes (ou seria só um?) de banda larga (Lowther?) montados em barris de cerveja japonesa, num sistema que se bem me lembro é monofónico.
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Dom Jan 08 2017, 20:56

TD124 escreveu:
As anàlises medicais dizem muito sobre a saude fisica do paciente mas muito pouco sobre a sua saude mental ... e os testes psicologicos é ao contrario...

Reli esta frase e fiquei a pensar que se podemos efectuar análises a um amplificador, já o teste psicológico apenas pode ser efectuado ao escutante.

O que me leva à segunda parte da tua mensagem:

TD124 escreveu:
Então as medidas dizem muito sobre a dinamica, a transparência, a definição, o palco, a linearidade e mesmo os timbres ... mas não dizem tudo. Até hà dois anos atràs estàvamos persuadidos que a rapidez tinha uma relação directa com o slew rate (tempo de subida), ora hà três anos atràs em Oslo numa reunião da AES, ouvi um norueguês que nega isso e que provou que a rapidez tém uma relação com a estabilidade impulsional em alta-frequência ... o que não tém muito a ver com o slew rate...

Ora isto jà o tinha ouvido numa "armadilha" feita pelo Hiraga, aonde às cegas designei um amplificador a vàlvulas como o mais ràpido em Slew-rate ora que o transistor em comparação era 10 vezes mais ràpido neste critério, mas subjectivamente era o valvulado que era um Audio Research o mais ràpido (hoje compreendo*) ... então tira a conclusão que o pragmatismo impõe nestes casos, e isso é ser um verdadeiro ciêntifico e não um crente da ciência...

* Isto não quer dizer que os valvulados sejam mais rapidos, pois globalmente não o são mas hà uma explicação técnica para a superioridade neste critério do AR, que compreendi em Oslo !!!...

Se o valvulado não é tecnicamente/mensuravelmente mais rápido, então ele não o é realmente e nesse caso, tratar-se-ia de uma percepção de rapidez, de um efeito?

Os produtores de música sabem de muitos truques que produzem efeitos psico-acústicos, e que vão de alterações na EQ até manipulações da fase.
E em reprodução também é possível "usar" certos truques para manipular o resultado; por exemplo o cancelamento no médio baixo produzido pelo floor bounce dá uma impressão de secura e rapidez ao grave enquanto que uma atenuação na gama de presença produz o efeito de recuo de palco e de um aparente aumento de detalhe.
Certos distorções como a ressonância de um cone de médios também podem produzir um efeito de maior detalhe, e a distorção harmónica par de baixa ordem um efeito de maior vitalidade e especialidade.

Por isso em que é que ficamos: o AR possuía realmente uma velocidade de resposta às variações de tensão mais rápida ou era apenas um efeito, uma aparência?

R




P.S.: em audio as coisas são sempre mais complicadas do que parecem... Smile


Última edição por ricardo onga-ku em Dom Jan 08 2017, 21:31, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Dom Jan 08 2017, 21:16

ricardo onga-ku escreveu:

(...)
Como tal deve ser efectuada a partir de uma perspectiva observacionista, tal como um cientista observa e descreve um fenómeno, e portanto desprovida de qualquer envolvimento emocional.

(...)
R

Não só no audio caro Ricardo e a prova disso é que a frase que cito não traduz uma Realidade, mas um desejo que todo o cientista sabe que não passa disso mesmo.

"Tudo é bom quando sai das mãos do Autor das coisas, e tudo degenera entre as mãos do homem."
Jean Jacques Rousseau (mais ou menos assim, mas tenho para ali o Emílio...)

O Homem é complexo, não se pode dividir e separar para que se construa uma ciência "pura", não dá!

Aqui o jantar será uma vitela estufada acompanhada de legumes, mas estou atento ao desenvolvimento do tópico e estou a gostar.


Há só mais uma coisa que gostava que vocês compreendessem: eu, talvez mais alguém que leia estas vossas exposições, não está onde vocês estão e tem que aprender muito para chegar aí... ora, quando eu aí chegar (se chegar) já vocês vão estar mais adiante.

Isto para dizer que o processo de Aprendizagem não pode ser visto como uma "Meta", mas como um "Caminho" e esse caminho é mais moroso do que parece.

Agora falam de questões técnicas que me escapam, eu sei que já foram referidas em outros lugares, mas para ligar o "nome" à "coisa" não há nada como experimentar.


Tive a felicidade de trabalhar meio-ano com música ao vivo - quarteto de Jazz não amplificado e amplificado - e percebo o que o Ricardo diz, mas por outro lado não podemos esquecer que no dia-a-dia não escutamos apenas Música (eu não escuto) com esse tipo de gravação...

Talvez seja como diz o senhor que nos arranja os equipamentos (também construtor): para ouvir o Smoke on the Water não precisam ser tão esquisitos... ou não, não é!?!?!


Tenho que me alongar na exposição, mas hoje está complicado.
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Dom Jan 08 2017, 21:28

José Miguel escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:

(...)
Como tal deve ser efectuada a partir de uma perspectiva observacionista, tal como um cientista observa e descreve um fenómeno, e portanto desprovida de qualquer envolvimento emocional.

(...)
R

Não só no audio caro Ricardo e a prova disso é que a frase que cito não traduz uma Realidade, mas um desejo que todo o cientista sabe que não passa disso mesmo.

"Tudo é bom quando sai das mãos do Autor das coisas, e tudo degenera entre as mãos do homem."
Jean Jacques Rousseau (mais ou menos assim, mas tenho para ali o Emílio...)

O Homem é complexo, não se pode dividir e separar para que se construa uma ciência "pura", não dá!

Gosto dessa citação e do comentário que a seguiu.

José Miguel escreveu:
Tive a felicidade de trabalhar meio-ano com música ao vivo - quarteto de Jazz não amplificado e amplificado - e percebo o que o Ricardo diz, mas por outro lado não podemos esquecer que no dia-a-dia não escutamos apenas Música (eu não escuto) com esse tipo de gravação...

Talvez não tenha ficado implícito na mensagem anterior mas eu quis dizer que a música acústica ao vivo não amplificada era a mais adequada para avaliar a naturalidade e o realismo, e dessa forma a fidelidade na reprodução.
Quem procura um sistema transparente tem na minha opinião obrigatoriamente que seguir esse caminho, mesmo que depois escute música criada na mesa de mistura a partir de captações em estúdio.

A questão que se segue é a seguinte: será que quem escuta pop e rock procura e/ou precisa de um sistema "transparente"?

R
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Dom Jan 08 2017, 21:37

Eu percebi a questão da selecção da Música, por isso referi o tal senhor... é muito engraçado e aqui em casa já sorrimos, porque ele tem uma posição que toca algumas das palavras do Ricardo. Smile Smile

Referi essa minha experiência porque ela valeu-me bastante, foram muitas as horas a ouvir e a falar com os Músicos, a tentar perceber pequenos detalhes a pedir notas e até composições... eles achavam graça e na noite em que me vim embora tocaram My Favorite Things de surpresa. Quando ouço alguém dizer que quer mais e mais baixos eu fico algo assustado, por duas razões:
1. ou quer algo que não existe;
2. ou quer algo muito manipulado...

Em relação aos equipamentos... testes, audições, aprendizagem, ...

Eu espero que não se ofendam, mas eu tenho que vos fazer abrandar, caso contrário perco-me e não quero que isso aconteça. Wink
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 00:30

TD124 escreveu:

Se o golfe fosse um desporto de pobres, os "clubs ou golf-sticks" seriam muito mais baratos, mas como não é o caso são caros. O mesmo fenomeno existe hoje no audio que tenta seduzir uma classe de novos ricos dos paises émergentes. Hoje são os chineses, russos e indianos que compram os sacos da Vuitton e os vestidos da Channel... e os preços continuam a aumentar pois  quanto mais caro melhor para alguns!...

Evidentemente o preço no absoluto deve ser relativisado, e ainda por cima é algo de muito pessoal. Tenho amigos que metem 200€ num vinilo... e criticam-me de meter isso numa garrafa de vinho !...


cheers

Hoje o dia foi interessante no que toca a participações no Fórum, desde Audiofilias a Fidelidade, deu para tudo!
Como estava a trabalhar não consegui responder a muita coisa, mas as ideias supra citadas bateram logo e deixaram-me a pensar - será mesmo assim?

Venho de um meio onde o golfe, entre outros desportos, era tido como algo para ricos, mas não deixava de encontrar na prática desses desportos algum gozo.
Quando comecei a trabalhar adquiri a minha primeira raqueta de ténis, outro desporto ligado muitas vezes a meios económicos mais favorecidos, e comecei a jogar com os amigos e com o meu irmão. Afinal, o ténis praticado por lazer não era um desporto assim tão caro e com a prática a evolução ia sendo sentida. Claro que quando se quer colocar uma criança a praticar ténis esperando que a evolução conduza a uma carreira profissional a conversa é outra... ainda assim um dia fiquei com um grupo de adolescentes à minha responsabilidade e decidi alugar dois cortes de ténis por umas horas, juntar as minhas raquetas com as de uns amigos, umas dezenas de bolas e levar todos para uma tarde bem passada ao sol. No final ainda deu para comermos um gelado, não saiu dali nenhum profissional, mas todos experimentaram e aprenderam que é possível fazermos umas coisas giras com pouco.
Antes que perguntem o que tem o ténis e o golfe em comum eu adianto:
Em Portugal infelizmente o golfe ainda não tem a expressão do ténis, ainda é visto como um cartão para atrair turistas, mas a presença de jogadores Portugueses nas tabelas internacionais vai ajudar a mudar as coisas. Não acredito que cheguemos tão cedo ao que se passa em outros países - com percursos públicos -, mas já é possível ensaiar o "swing" por uns trocos e experimentar bater umas bolas a umas boas dezenas de metros já é um começo.


Qual a razão de partilhar mais estes episódios da minha vida?

Não espero que "fundos estatais" nos ajudem a ouvir melhor Música, como diz a minha mãezinha: se tens vícios alimenta-os! Também não estou a ver os ricos condomínios habitacionais construírem um auditório em vez da piscininha ou do ginásio, do corte de ténis ou do campo de basquetebol, então o que interessa comparar!?!

Fala-vos um teso que acredita de facto na Educação e no papel que Esta tem na evolução do Homem, que acredita que a Sociedade tem um papel fundamental na criação/construção de crenças e de conhecimento. Por outro lado eu também acredito na Instrução, no processo de Ensino-Aprendizagem, na transmissão de Conhecimento.

Posto isto, sempre que vejo a conversa resvalar para a ideia que ouvir Música, ou se quiserem ser puristas, Escutar Música com grande Fidelidade é um desporto para ricos eu torço o nariz e fico pensativo.

Algo está muito errado neste Mundo e não só nas questões do Audio... querem ver que Escutar Música estará vedado à maioria das pessoas?
Bem, 90% da riqueza do Mundo está nas mãos de 5% da população... com sorte, nesses 5% (de 7 mil milhões, entenda-se) há uns parolos que não sabem o que fazer ao dinheiro e compram coisas caras, douradas e boas, e depois uns quantos carolas com dinheiro até gastam para Escutar Música...


A conversa vai boa, mesmo boa e estou a aprender a responder às questões que me coloco:
1. Eu gosto de Música, como posso usufruir mais dela? (não há concertos todos os dias...)
2. Eu quero ouvir Música o melhor possível, como?
3. Eu sou Homem e tenho um lado Racional, ainda sou ANIMAL e tenho um lado Emocional, como posso agradar "todos" e ouvir bem a Música de que gosto e que tem tantos estilos diferentes?
4. Como posso perceber melhor o que ouço?
5. ...


Claro que há muitas mais perguntas e respostas, mas há uma que ainda ninguém tentou responder:
Para quando a democratização desse HiFi de que falam o Paulo e o Ricardo?


Eu continuo a ver as marcas abusarem e eu percebo a razão para isso acontecer... na prática, caso o que dizem fosse levado a sério e aplicado de facto, não interessava a "marca", todos os equipamentos seriam iguais. Ora, não são! (o Homem recebe Educação pelas coisas... veja-se como evoluímos com os avanços da técnica... mas isto não parece importar para nada, interessa muito mais manter tudo como está e acusar o pobre do Homem)


Isto é como na Moda, outra coisa de que gosto muito, há marcas que vendem milhões de peças e por todo o lado, colocam um grande logótipo no peito, nos bolsos, ... depois há as marcas de meio da tabela, o logótipo é pequenito e colocado de forma muito precisa... depois há as peças de grande luxo, que não colocam nada de marcas visíveis - a qualidade nota-se!

O Paulo falou de Louis Vuitton e Chanel, mas qualquer bom entendedor de Moda sabe que as malas com os monograma são para aqueles que querem mostrar, os que realmente querem a melhor qualidade das duas Casas compram malas (ou roupas se preferirem) realmente boas e de peles exóticas, mas sem a marca a ocupar todas as faces... claro que são caras, são exóticas e a raridade paga-se - é assim a Sociedade, o Homem, ... os diamantes não são extraídos com um etiqueta de preço, quem os valoriza é quem os compra... (por analogia à comida vejam-se as trufas... e usam-se porcos para encontrar as trufas... tem graça!)


Creio que já salgalhei tudo... mas o título do tópico permite!  Smile

Antes de se falar de questões técnicas eu gostava de ver ser aberto um CAMINHO que todos pudessem percorrer. Aqui não vamos mudar o Mundo e não imagino que depois desta conversa vamos todos ter acesso a bons equipamentos a bons preços, mas seria já muito vantajoso se me elucidassem e eu, tal como quando levei os meninos e meninas a jogar ténis, tentarei fazer o mesmo e assim em diante - teoria do caos...

Um comprador informado talvez não comprasse um Crosley, mas compraria um conjunto Audio Note?

Já agora, pensem no investimento que acreditam necessário para ter essa tal Fidelidade... agora dividam por dez... acham possível manter a Fidelidade?

Não?

Sim?

Para pensarmos todos, porque entre a exigência pela perfeição (que não existe), a tentativa de delapidar o Homem (vamos ser realistas, quem não for Emocional que atire a primeira pedra) e a evolução da Técnica algo deverá aparecer acessível a mais do que uns míseros 5% da população.  Wink


E viva o Homem!!!
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 09:04

ricardo onga-ku escreveu:
...
TD124 escreveu:
Então as medidas dizem muito sobre a dinamica, a transparência, a definição, o palco, a linearidade e mesmo os timbres ... mas não dizem tudo. Até hà dois anos atràs estàvamos persuadidos que a "rapidez" tinha uma relação directa com o slew rate (tempo de subida), ora hà três anos atràs em Oslo numa reunião da AES, ouvi um norueguês que nega isso e que provou que a "rapidez" tém uma relação com a estabilidade impulsional em alta-frequência ... o que não tém muito a ver com o slew rate...

Ora isto jà o tinha ouvido numa "armadilha" feita pelo Hiraga, aonde às cegas designei um amplificador a vàlvulas como o mais ràpido em Slew-rate ora que o transistor em comparação era 10 vezes mais ràpido neste critério, mas subjectivamente era o valvulado que era um Audio Research o mais ràpido (hoje compreendo*) ... então tira a conclusão que o pragmatismo impõe nestes casos, e isso é ser um verdadeiro ciêntifico e não um crente da ciência...

Por isso em que é que ficamos: o AR possuía realmente uma velocidade de resposta às variações de tensão mais rápida ou era apenas um efeito, uma aparência? ...

A resposta està em negrito !!! cheers

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 10:02

José Miguel escreveu:

Posto isto, sempre que vejo a conversa resvalar para a ideia que ouvir Música, ou se quiserem ser puristas, Escutar Música com grande Fidelidade é um desporto para ricos eu torço o nariz e fico pensativo.

Algo está muito errado neste Mundo e não só nas questões do Audio... querem ver que Escutar Música estará vedado à maioria das pessoas?
Bem, 90% da riqueza do Mundo está nas mãos de 5% da população... com sorte, nesses 5% (de 7 mil milhões, entenda-se) há uns parolos que não sabem o que fazer ao dinheiro e compram coisas caras, douradas e boas, e depois uns quantos carolas com dinheiro até gastam para Escutar Música...

De um teso para outro teso, elitismo em áudio sempre houve.
Não é chocante, para mim, porque em abono da verdade a necessidade sempre lá esteve, não foi criada ou forjada à posteriori nem imposta por ninguém. Alguem apenas a materializou.
Do ponto de vista de negocio, essa "estratificação", "segmentação" é alavancada para fornecer e escoar produtos a um segmento de mercado muito acima da média, em que as escolhas grande parte são orientadas por consultores e em que por vezes esses consumidores estão dispostos a gastar o dobro ou o triplo, para terem um misero incremento de 5% ou 10% daquilo que já tinham, ou mesmo em relação à media dos demais. O objectivo, penso eu, é criar algo que seje diferente e os demarque dos demais. É uma sensação de conforto, embora falsa, a reboque de tantas outras manifestações de riqueza.
O que é chocante, para mim, é naquilo que o audio se tornou, muito a reboque disso. Outrora uma vertente da electronica, apoiada em conceitos e praticas cientificas, tornou-se um "saco" onde cabe tudo e mais alguma, e a imaginação parece não ter limites. O sistema alimenta-se a si mesmo.

-- meter aqui uns quotes do Marx, já que explicam tudo isto e muito mais -- (na minha opiniao)

Mas discordo contigo no teu segundo paragrafo, porque tens efectivamente marcas que tentaram sempre uma certa "democratização", como lhe chamas, dos seus produtos e é possível de facto teres um sistema com fidelidade (objectiva, mensurável) sem teres que vender um rim no mercado.

Paradoxalmente, ou não, algumas dessas "marcas" nunca levaram com o cunho "audiofilo", porque para o modelo de negocio em vigor desde ha muitos anos isso pouco interessava. Tens um rol de opinion makers, consultores, reviewers, analistas que sempre se bateram ao longo dos anos para que isso acontecesse, e fosse de facto uma realidade. Repara que não estou a falar de produtos de consumo generalizado, que tambem os há e sempre houve, mas de filosofias de marcas em geral, curiosamente a esmagadora maioria de origem japonesa. ALgumas europeias, mas poucas.

os meus dois centavos.
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 10:03

TD124 escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:
...
TD124 escreveu:
Então as medidas dizem muito sobre a dinamica, a transparência, a definição, o palco, a linearidade e mesmo os timbres ... mas não dizem tudo. Até hà dois anos atràs estàvamos persuadidos que a "rapidez" tinha uma relação directa com o slew rate (tempo de subida), ora hà três anos atràs em Oslo numa reunião da AES, ouvi um norueguês que nega isso e que provou que a "rapidez" tém uma relação com a estabilidade impulsional em alta-frequência ... o que não tém muito a ver com o slew rate...

Ora isto jà o tinha ouvido numa "armadilha" feita pelo Hiraga, aonde às cegas designei um amplificador a vàlvulas como o mais ràpido em Slew-rate ora que o transistor em comparação era 10 vezes mais ràpido neste critério, mas subjectivamente era o valvulado que era um Audio Research o mais ràpido (hoje compreendo*) ... então tira a conclusão que o pragmatismo impõe nestes casos, e isso é ser um verdadeiro ciêntifico e não um crente da ciência...

Por isso em que é que ficamos: o AR possuía realmente uma velocidade de resposta às variações de tensão mais rápida ou era apenas um efeito, uma aparência? ...

A resposta està em negrito !!! cheers

Eu vi isso mas fiquei na mesma. Razz

...

Voltei a ler e segundo percebo estás a falar da sensação de "rapidez" (impressão subjectiva) e não da velocidade com que um circuito responde às variações de voltagem (característica objectiva).

Nesse caso o erro parece ter sido teu pois tanto quanto sei "slew rate" apenas influencia a largura de banda, ou a capacidade de um amplificador reproduzir altas frequências com precisão.

Isso implica uma nova pergunta: quais eram as causas que te levaram a sentir uma maior "rapidez" quando escutaste o AR em comparação com amplificadores a transístores?

R
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 10:13

José Miguel escreveu:
... Posto isto, sempre que vejo a conversa resvalar para a ideia que ouvir Música, ou se quiserem ser puristas, Escutar Música com grande Fidelidade é um desporto para ricos eu torço o nariz e fico pensativo.

Algo está muito errado neste Mundo e não só nas questões do Audio... querem ver que Escutar Música estará vedado à maioria das pessoas?

Se voçê quizer ouvir musica gravada com um "muito" alto nivel de fidelidade é caro, com um "médio" nivel de fidelidade serà mais barato e com um "baixo" serà mesmo barato. Um minisistema de supermercado "Tokai" custa hoje menos de 50€ e tém duas colunas um leitor de Cd's um leitor de chave USB e o radio incorporado ... e a escuta não é alérgica ném dà borbulhas ... então depende do que se fala. Ao mesmo tempo quando falo de HiFi, falo sempre do novo pois este ou aquele que "encontram" um Linn LP12 por 100€ também conheço ... mas não é ném a norma ném todos os dias que aconteçe...

...

A conversa vai boa, mesmo boa e estou a aprender a responder às questões que me coloco:
1. Eu gosto de Música, como posso usufruir mais dela? (não há concertos todos os dias...)

A melhor maneira de usufruir da Musica é de ter muitos discos e ou de se inscrever na Qobuz e por 10€ por mês usufruir de milhares e milhares de discos em permanência que escutarà quando quizer e aonde quizer...

2. Eu quero ouvir Música o melhor possível, como?

Jà tinha dito a outra pessoa aqui que procurava um sistema então digo-o de novo. Em função das suas possibilidades (condição sine qua non...), procure um sistema com bom desempenho e musical e pense que um sistema é uma ferramenta e não um objecto de decoração...

3. Eu sou Homem e tenho um lado Racional, ainda sou ANIMAL e tenho um lado Emocional, como posso agradar "todos" e ouvir bem a Música de que gosto e que tem tantos estilos diferentes?

Essa questão é pessoal e tém dois aspectos, para o primeiro seria impertinente e mesmo estupido de aconselhà-lo sobre o caminho em direção do seu "equilibrio interior". Quanto aos estilos diferentes não vejo o problema. Jà disse varias vezes que um sistema é estupido e não reconheçe a musica, então se ele reproduz bem Bach, Verdi e Beethoven ... ele reproduz tudo o resto, e com facilidade!...

4. Como posso perceber melhor o que ouço?

Crie uma relação distante para com o seu sistema e muito proxima com as obras. Serà a musica que vai lhe dizer muita coisa e nomeadamente o que lhe impede de ouvir melhor ... se fizer este exercicio todos os dias, vai ver que deixa de ouvir a musica para ouvir a reprodução ... e tudo começa a tomar forma...

5. ...

O disco () dos Sigur Ros pode ser uma boa resposta a essa questão !!!  Wink

Claro que há muitas mais perguntas e respostas, mas há uma que ainda ninguém tentou responder:
Para quando a democratização desse HiFi de que falam o Paulo e o Ricardo? ...

Mas ela jà existe e voçê é a prova. Agarre num DAC jeitoso e barato ... lige-o ao seu amplificador e às suas colunas e o resultado serà bom e muitissimo superior ao preço investido. Depois com o Lenco como fonte é certo que é açorda e feijoada todos os dias ... mas quando se gosta !!!...

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 10:23

José Miguel escreveu:

A conversa vai boa, mesmo boa e estou a aprender a responder às questões que me coloco:
1. Eu gosto de Música, como posso usufruir mais dela? (não há concertos todos os dias...)
2. Eu quero ouvir Música o melhor possível, como?
3. Eu sou Homem e tenho um lado Racional, ainda sou ANIMAL e tenho um lado Emocional, como posso agradar "todos" e ouvir bem a Música de que gosto e que tem tantos estilos diferentes?
4. Como posso perceber melhor o que ouço?
5. ...


Claro que há muitas mais perguntas e respostas, mas há uma que ainda ninguém tentou responder:
Para quando a democratização desse HiFi de que falam o Paulo e o Ricardo?


Dear José Miguel,

1. You have to hear to recordings...
2. If you want the best price/quality ratio: digital with cans
3. Why do you think there is a contradiction between rational and "emotional" (don't like that term!!!) access to music?
4. What do you want to understand - the music or the sound?

Democratic hifi you'll find in brands like ifi, Klipsch, Rega, Pro-ject, Koss, Beyerdynamic, Fiio, Sennheiser, Pioneer and many others!

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 10:41

mannitheear escreveu:
... Dear José Miguel,

1. You have to hear to recordings...
2. If you want the best price/quality ratio: digital with cans
3. Why do you think there is a contradiction between rational and "emotional" (don't like that term!!!) access to music?
4. What do you want to understand - the music or the sound?


Democratic hifi you'll find in brands like ifi, Klipsch, Rega, Pro-ject, Koss, Beyerdynamic, Fiio, Sennheiser, Pioneer and many others!

José, in a clear and pragmatic way (he is german Evil or Very Mad ) Manfred told you the same as i, but i've done in a longer way (i'm latin Twisted Evil ) ... so you just have to pick the North/South idea and used it !!! Wink

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 11:13

José Miguel escreveu:
TD124 escreveu:

Se o golfe fosse um desporto de pobres, os "clubs ou golf-sticks" seriam muito mais baratos, mas como não é o caso são caros. O mesmo fenomeno existe hoje no audio que tenta seduzir uma classe de novos ricos dos paises émergentes. Hoje são os chineses, russos e indianos que compram os sacos da Vuitton e os vestidos da Channel... e os preços continuam a aumentar pois  quanto mais caro melhor para alguns!...

Evidentemente o preço no absoluto deve ser relativisado, e ainda por cima é algo de muito pessoal. Tenho amigos que metem 200€ num vinilo... e criticam-me de meter isso numa garrafa de vinho !...


cheers

Hoje o dia foi interessante no que toca a participações no Fórum, desde Audiofilias a Fidelidade, deu para tudo!
Como estava a trabalhar não consegui responder a muita coisa, mas as ideias supra citadas bateram logo e deixaram-me a pensar - será mesmo assim?

(...)

Que grande testamento. Wink

José Miguel escreveu:
Posto isto, sempre que vejo a conversa resvalar para a ideia que ouvir Música, ou se quiserem ser puristas, Escutar Música com grande Fidelidade é um desporto para ricos eu torço o nariz e fico pensativo.

Algo está muito errado neste Mundo e não só nas questões do Audio... querem ver que Escutar Música estará vedado à maioria das pessoas?
Bem, 90% da riqueza do Mundo está nas mãos de 5% da população... com sorte, nesses 5% (de 7 mil milhões, entenda-se) há uns parolos que não sabem o que fazer ao dinheiro e compram coisas caras, douradas e boas, e depois uns quantos carolas com dinheiro até gastam para Escutar Música...

O meu interesse pela fotografia nasceu na faculdade, no início dos anos 90.
Nessa altura não havia internet, nem os fóruns, nem a obsessão pela novidade e pelo último grito.
Muitos fotógrafos amadores utilizavam antigas máquinas manuais de gama baixa ou modelos mais recentes de gama média pois os entrada de gama deixaram de ter modo manual.
E a maior parte interessava-se pela fotografia, não pelas ferramentas...

Hoje qualquer "caramelo" quer ser dono de um topo de gama, comprar todas as lentes "pro" e vive na ânsia do próximo modelo que ainda nem sequer foi anunciado.
Depois vemos as fotografias que tiram e ficamos "tristes"...
Isso é verdade para a fotografia que é uma actividade activa, mas também para o audio ou o cinema em casa que é uma actividade onde o praticante nem sequer produz nada, apenas consome.

Por outro lado há comunidades de fotógrafos amadores que se preocupam menos com os equipamentos e mais com o resultado dos seus clicks.
Já me disseram que devo ter uma máquina muito boa.

José Miguel escreveu:
A conversa vai boa, mesmo boa e estou a aprender a responder às questões que me coloco:
1. Eu gosto de Música, como posso usufruir mais dela? (não há concertos todos os dias...)
2. Eu quero ouvir Música o melhor possível, como?
3. Eu sou Homem e tenho um lado Racional, ainda sou ANIMAL e tenho um lado Emocional, como posso agradar "todos" e ouvir bem a Música de que gosto e que tem tantos estilos diferentes?
4. Como posso perceber melhor o que ouço?

Nunca tivemos tanto acesso à música como hoje: rádio, internet, televisão, discos...a quantidade e varidade é quase infinita.
Para quem gosta de explorar coisas novas há serviços de streaming online maravilhosos como o Spotify ou o Roon/Tidal.

Quanto à qualidade, em primeiro lugar importa escolher um bom suporte.
Depois é só adquirir um sistema com colunas ou headphones, este último pode mesmo ser um telemóvel.
Para quem quer ouvir música com prazer basta um pequeno rádio de prateleira como o Tivoli que até tem uma entrada de linha onde pode ser ligado um telemóvel...

Perceber melhor a Música é uma questão mais complexa.
A Música é uma forma de expressão e como tal o seu usufruto beneficia mas não implica alguma cultura e conhecimento; desse modo poderemos passar de uma percepção superficial e mais emocional para uma apreciação mais racional e profunda, como em qualquer forma de Arte aliás.
Com essa cultura ou conhecimento vem uma maior exigência.
O que não significa que não se possa apreciar, simultaneamente, o Gosciny e o García Márquez.

José Miguel escreveu:
Claro que há muitas mais perguntas e respostas, mas há uma que ainda ninguém tentou responder:
Para quando a democratização desse HiFi de que falam o Paulo e o Ricardo?

A democratização é uma realidade há muitas décadas...

No início apenas algumas famílias abonadas tinham acesso a sistemas e gravações de música de alta fidelidade, que foram criadas para a reprodução de música clássica.
Os restantes ouviam rádio.

Com o aparecimento do rock/pop (e seu enorme sucesso de vendas), do transistor e da miniaturização o hi-fi torna-se democrático, aparecendo em primeiro lugar pelos sistemas nas salas da emergente classe média e em seguida, com o Walkman, tornando-se acessível a todos.

Com o audio digital nunca se teve acesso a tanta música e a uma boa reprodução.
Em 1990 um amplificador Marantz PM50 custava £230, valor que hoje corresponde a £517,5 e o leitor de CDs CD50 por £250.
Um modelo actual equivalente mas com DAC, o PM6006, vende-se por £400; ou seja, basta ligar um computador (que existe na maior parte das casas) e por metade do preço temos fonte e amplificação...

José Miguel escreveu:
Antes de se falar de questões técnicas eu gostava de ver ser aberto um CAMINHO que todos pudessem percorrer. Aqui não vamos mudar o Mundo e não imagino que depois desta conversa vamos todos ter acesso a bons equipamentos a bons preços, mas seria já muito vantajoso se me elucidassem e eu, tal como quando levei os meninos e meninas a jogar ténis, tentarei fazer o mesmo e assim em diante - teoria do caos...

Um comprador informado talvez não comprasse um Crosley, mas compraria um conjunto Audio Note?

Já agora, pensem no investimento que acreditam necessário para ter essa tal Fidelidade... agora dividam por dez... acham possível manter a Fidelidade?

Não?

Sim?

Para pensarmos todos, porque entre a exigência pela perfeição (que não existe), a tentativa de delapidar o Homem (vamos ser realistas, quem não for Emocional que atire a primeira pedra) e a evolução da Técnica algo deverá aparecer acessível a mais do que uns míseros 5% da população.

Como tenho vindo a afirmar, existem diferentes formas de praticar o audio.
E todas elas são temperadas pelas nossas capacidades financeiras.

Penso que quem compra um Crosley (tive de "googlar") não está interessado em audio mas o seu dono pode vir a interessar-se no futuro.
O meu (e da minha irmã) primeiro sistema foi uma coisa destas:



A Audio Note UK é um modelo de negócio extremamente eficaz, desenvolvido pelo proprietário da defunta Audio Innovations.
Qvortrup era revendedor da marca Hiroyasu Kondo/Audio Note Japan no Reino Unido e não sei bem como adquiriu o nome e se não me engano alguns dos designs da marca.
Comprou também os direitos de alguns modelos de coluna desenhados pelo Peter Snell e dos gira-discos Systemdek.
Bem, mas tudo isto para dizer que o audio é um negócio e também que a Audio Note é um "alfaiate" que não se interessa pela alta-fidelidade.
Pessoalmente não escolheria os seus amplificadores ou fontes digitais.
Além disso, como se trata de amplificação SET de pouca potência as colunas que fazem a parceria ideal são cornetas (excluindo os woofers).


Eu acho sinceramente que é possível obter um sistema de fidelidade razoável com fonte digital por menos de meio milhar de euros, especialmente se considerarmos a aquisição de equipamento usado.
O problema surge quando queremos escutar vinil...


A minha fonte actual (Raspberry Pi + PSU + SD card + HifiBerry DAC) custa €100 e pode ser comandada por um telemóvel...não é fantástica mas reproduz muito bem.


Quando procuramos montar um sistema com fonte digital o orçamento deve ser divido de modo a que metade seja gasto nas colunas e o restante na fonte e amplificação.
Se a fonte é analógica (gira-discos) vamos ter de investir mais na fonte e para um mesmo orçamento isso irá afectar o desempenho global do sistema devido ao menor valor disponível para as colunas.

Com €2500-3000 já conseguimos adquirir um sistema digital cujo desempenho andará nos 90-95% daquilo que de melhor é possível conseguir.
Mas desengane-se quem julga que o preço e a fama são sinónimos de qualidade.
As famosas Wilson, por exemplo, têm deficiências no seu desempenho que não encontramos em colunas custando 1/10 ou 1/20 do seu preço.
Mas por isso é importante saber escutar e saber interpretar as medições; por vezes alguns reviewers lá deixam escapar um ou outro comentário negativo nas entrelinhas mas é preciso estar muito atento...

Bem, tenho de ir fazer alguma coisa de útil...

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 11:17

TD124 escreveu:
mannitheear escreveu:
... Dear José Miguel,

1. You have to hear to recordings...
2. If you want the best price/quality ratio: digital with cans
3. Why do you think there is a contradiction between rational and "emotional" (don't like that term!!!) access to music?
4. What do you want to understand - the music or the sound?


Democratic hifi you'll find in brands like ifi, Klipsch, Rega, Pro-ject, Koss, Beyerdynamic, Fiio, Sennheiser, Pioneer and many others!

José, in a clear and pragmatic way (he is german Evil or Very Mad ) Manfred told you the same as i, but i've done in a longer way (i'm latin Twisted Evil ) ... so you just have to pick the North/South idea and used it !!! Wink

Same here...great minds think alike. Razz

I'm happy to see that this topic is no longer a trialogue!
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 11:30

A internet e os fóruns têm vantagens inegáveis mas também um enorme defeito: estimulam, de uma forma intensíssima, o nosso consumismo. Sad


No início do tópico o Paulo falou da importância de se seguir bons conselhos.

Eu também sinto uma enorme tristeza e mesmo vergonha quando penso em todo o dinheiro e tempo que desperdicei até hoje.
Foi graças a algumas pessoas, a alguns resistentes, que (lentamente e contra alguma teimosia) inverti a marcha e me comecei a interessar pelas questões técnicas, a apurar as minhas capacidades de avaliar pela escuta e a ignorar a imprensa e as modas...Um percurso que se assemelha um pouco ao do Siddharta do Hesse. Smile

May the force be with you!
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 13:13

ricardo onga-ku escreveu:


Eu acho sinceramente que é possível obter um sistema de fidelidade razoável com fonte digital por menos de meio milhar de euros, especialmente se considerarmos a aquisição de equipamento usado.
O problema surge quando queremos escutar vinil...


A minha fonte actual (Raspberry Pi + PSU + SD card + HifiBerry DAC) custa €100 e pode ser comandada por um telemóvel...não é fantástica mas reproduz muito bem.


Quando procuramos montar um sistema com fonte digital o orçamento deve ser divido de modo a que metade seja gasto nas colunas e o restante na fonte e amplificação.
Se a fonte é analógica (gira-discos) vamos ter de investir mais na fonte e para um mesmo orçamento isso irá afectar o desempenho global do sistema devido ao menor valor disponível para as colunas.

Com €2500-3000 já conseguimos adquirir um sistema digital cujo desempenho andará nos 90-95% daquilo que de melhor é possível conseguir.
Mas desengane-se quem julga que o preço e a fama são sinónimos de qualidade.
As famosas Wilson, por exemplo, têm deficiências no seu desempenho que não encontramos em colunas custando 1/10 ou 1/20 do seu preço.
Mas por isso é importante saber escutar e saber interpretar as medições; por vezes alguns reviewers lá deixam escapar um ou outro comentário negativo nas entrelinhas mas é preciso estar muito atento...

Bem, tenho de ir fazer alguma coisa de útil...

R

While I agree largely with Ricardo, I don't think there is a certain rule for dividing up the budget.

For example, a friend of mine had a quite expensive system with pre and power amplifiers and tower speakers but he didn't like the sound and the physical appearance anymore and the system was in a separated room and he didn't listen much music. 2 years ago or so he was tired of the situation and wanted a new, simple and small system. He went to a good dealer and auditioned some amps and speaker and ended up in buying the components the dealer suggested initially, in his case a pair of relative cheap Dali speakers (Zensor 1??) a Rega Brio amplifier and a Musical Fidelity V90-DAC (my suggestion, because the cheap DAC didn't work very well with the Rega amp). While these components are very mainstream and the system is perhaps not the best you can buy for the money, the dealer cares for music and knows which parts work well together and therefore my friend is since then very happy with the result and started again to listen more to the music! (And the sound was at least as good that it triggered me to try small speakers myself...).

In the last summer holidays I had my old Koss Porta Pro with me, connected them to the Smartphone and was wondering how good the harmony was, no problem to listen for hours to each kind of music! This was not, because the Porta Pro (or the Smartphone) is so damn good but the synergy between both parts lifted the performance beyond the expected level.

The secret of an involving system for a limited budget is less to have the "best" parts but much more to find parts which work well together. Therefore the idea of system which "evolves" slowly is not unproblematic, because if you want, let's say new speakers and keep the amp, this amp may limit your choice of speakers and vice versa. I was myself for many years very fixated on speakers, less on amplifiers but nowadays I would prefer to buy a really good amp and live rather with good but cheap speakers for a while than the other way round.

And this is the point where the help of an experienced friend or dealer who auditioned and knows the interaction of many, many combinations is priceless!

+

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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 13:40

I think that the less transparent the equipment, the more significant the effort to achieve good partnerships.
But I am not a "follower" of the synergy sect... That in my view makes more sense if you are buying into crippled concepts like single-driver speakers, NOS Redbook, SET and OTL amplification, backloaded-horns, etc.

The speakers (or better yet transducers, which includes phono cartridges and even microphones) are the components that affect performance/reproduction the most (negatively).

Get better speakers and from then onwards it's easy, an amp that can drive them (with low output impedance) and a capable source.

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 15:22

Boa tarde Mango, Ricardo, Paulo, Manfred!!! (sorry Manfred, i don't have time to write... so, portuguese)

Mais uma vez a conversa desenvolveu-se de forma rica e folgo em ver que nada fechada - o que é mesmo bom! Acho curioso que quase todos tenham pegado nas perguntas que deixei, ainda que antes de as colocar tivesse colocado bem claro que "estou a aprender a responder a...". Claro que as vossas sugestões hoje não me admiram, seriam algumas das que daria a qualquer pessoa, mas as perguntas vinham num contexto...

Caro Mango, eu sei que a reprodução de Música em casa está democratizada faz dezenas de anos, mas não foi assim que coloquei a questão. O que eu disse, com uma pitada de provocação que passou ao lado, foi: para quando a democratização desse HiFi de que falam e que aparentemente é uma brincadeira para ricos...

Não nego a conversa que se desenvolveu e não nego um ponto fundamental que o Mango colocou: há marcas que passam por baixo do radar...

Vejamos o nosso exemplo: trocamos um famoso receiver - Pioneer SX-880 - por um nada famoso McLaren A150.
Onde estão as informações sobre este amplificador?
Medições?
Conselhos?
...

Está certo... contamos com a disponibilidade do seu anterior dono e experimentamos em casa... também com um conselho... que ajudou a não pensar muito mais. Wink

affraid Experimentamos nós em casa!!?!?!?
Talvez não sejamos as pessoas certas para o fazer... somos leigos... não temos a experiência... e agora!?!?!?
Trocamos, mantemos, ... o que fazer!?!?!?
Chamamos alguém mais experimentado para nos ajudar?
O som dos dois é tão distinto...  Rolling Eyes


Vou deixar a brincadeira de lado, mas creio que fica claro com o exemplo que a conversa é mesmo boa, mas continuo sem as ferramentas necessárias para fazer um caminho... de facto arriscamos seguir o nosso instinto e trocamos de amplificador, acreditamos que fizemos bem, mas há melhores e opiniões contrárias. Porque razão hei-de eu acreditar num vendedor cuidadoso em vez de um amigo cuidadoso sabendo que têm ideias diferentes?

Percebem a minha pergunta?

Eu respeito todas as vossas opiniões, não pensem o contrário, mas o que eu quero (aqui fazendo de advogado do dvil ) é ter as ferramentas primeiro, eu não quero apenas seguir.... Aqui neste tópico onde creio que podemos colocar as nossas questões mais íntimas eu quero aprender.

Tentar crescer num Mundo tão complexo, sendo já um Animal altamente complexo, não é fácil...


"Why do you think there is a contradiction between rational and "emotional" (don't like that term!!!) access to music?"

Dear Manfred, why you don’t like the term “emotional”?
MAN are emotional, physics, metaphysics, rational, irrational, … why I put the question?
Because I understand the difficult that is contraries the passion and instinct, we (all!) like so many things that we know are wrong… even when we know the right thing to do, we pass with open eyes to the “dark side…”
Listen Music is one example, I am honest and I say: I really like vinyl, I really like to put a vinyl spinning… but I really like Music and I want more… I like to learn… so, were I am!
I like wine, but I have to go work… sun is shining and we drunk one beer… not so rational, but it´s ok… now we have lunch and water (with lemon).



Caro Paulo e Ricardo, claro que já disse antes que em jeito de provocação coloquei HiFi em vez de reprodução, espero que mais uma vez me aturem... compreendo a vossa exposição e esforço, mesmo. Já vos elogiei publicamente por isso e penso que ajudam muito, desde logo porque fazem pensar quem vos lê.

Contudo, uma vez que há tanta informação e tantos equipamentos, vou insistir: para mim a Democratização do HiFi (a tal Fidelidade) passa pelo Ensino-Aprendizagem, talvez este não seja o meio mais próprio, mas a partilha de experiências, a leitura das experiências também ajuda a que cada um crie as suas - porque experimentar é o melhor remédio.

Não adianta falar-se de orçamentos baixos e de possibilidades com orçamentos baixos quando se sabe que isso não é tudo... habituado a orçamentos baixos e a muita procura estou eu, fui tentando construir as minhas armas/ferramentas, mas experimentar nem sempre é fácil. Em algumas acertei, em outras falhei... não olho para a escolha da fonte como um erro, como venho de dizer ao Manfred o Homem (eu por exemplo) também tenho o meu lado Emocional e por vezes tenho que o alimentar. Seria um erro fechar-me nele, mas eu compreendo que há outros lados a alimentar e por isso aqui estou.

Um destes dias tenho que criar uma experiência com um DAc, utilizando apenas o amplificador, colunas, telefone não me satisfaz... falta algo.

Com o leitor de CDs a conversa é outra... com uma dezena de euros pensamos numa brincadeira para um jantar e ficou. Hoje surpreende pela positiva.




ps.: há tanta gente a entrar neste fórum a pedir conselhos, é um facto, nem sempre vejo perguntas que vão além "que devo comprar?"... não foi isso que nos trouxe aqui, mas como vamos aprendendo vamos ficando. Wink
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mannitheear
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 16:01

Dear José Miguel,

at first, this is a portuguese forum, so anyone should be free to write in Portuguese of course. I'm comfortable with that.

Now I'll try to answer the question why I don't like the term emotional in the context of listening.
My point of view is: music is a special form of art, almost the only one which can be completely free of a "message" and therefore pure beauty. The beauty can be transported on different levels: intellectual refinement, beauty of sound per se, development of harmonies, tension, speed and so on. This all is independent of emotions, but at a level of feeling. Another level is the physical impact of music, especially bass of course, but not limited to that. And, the most delicate is a spiritual connection. All that is included in my personal approach to music and the driving force which makes me want to listen.
But if we go to the level of message, content and even certain harmonies and rhythms, we enter the area of emotions, at least in my understanding. But - I don't want to get sad, melancholic, angry, euphoric or something else by the intention of another, I don't want to be manipulated.
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 16:34

Manfred,

Last week I introduced my children to Bernstein's Young People's Concerts.
The first episode provides a nice follow up to your message:





José Miguel,

O processo de composição de um sistema baseia-se na experimentação e acaba irremediavelmente por se basear numa lógica de tentativa e erro.

A ideia é reduzir as hipóteses de erro, tanto na fase de triagem como na de escuta.

Optar por equipamentos desconhecidos e/ou sem qualquer reputação não é uma boa ideia, a menos que os possamos avaliar pela escuta de forma eficaz.

R
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 16:58

ricardo onga-ku escreveu:

(...)
Optar por equipamentos desconhecidos e/ou sem qualquer reputação não é uma boa ideia, a menos que os possamos avaliar pela escuta de forma eficaz.

R

A frase do Ricardo encerra um problema insolúvel...

Não podemos/devemos acreditar em tudo o que dizem - revistas, revisões, opiniões, ...
Há equipamentos que passam ao lado do "grande Mercado" e por isso pouco ou nada comentados...
Não devemos optar pelo desconhecido...
Saber escutar...


Percebe a razão pela qual insisto na Aprendizagem antes de se falar de formatos ou equipamentos?

Nós escolhemos de acordo com a nossa experiência e honestamente estamos mais contentes, mas sabemos que trocamos o conhecido (globalmente falando) pelo desconhecido. Também sabemos que os ouvidos se treinam e estamos em processo...
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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 20:22

José Miguel escreveu:
ricardo onga-ku escreveu:

(...)
Optar por equipamentos desconhecidos e/ou sem qualquer reputação não é uma boa ideia, a menos que os possamos avaliar pela escuta de forma eficaz.

R

A frase do Ricardo encerra um problema insolúvel...

Não podemos/devemos acreditar em tudo o que dizem - revistas, revisões, opiniões, ...
Há equipamentos que passam ao lado do "grande Mercado" e por isso pouco ou nada comentados...
Não devemos optar pelo desconhecido...
Saber escutar...


Percebe a razão pela qual insisto na Aprendizagem antes de se falar de formatos ou equipamentos?

Nós escolhemos de acordo com a nossa experiência e honestamente estamos mais contentes, mas sabemos que trocamos o conhecido (globalmente falando) pelo desconhecido. Também sabemos que os ouvidos se treinam e estamos em processo...

No início o processo de aprendizagem é lento e tem uma pendente muito suave.
É preciso escutar sistemas nos xôs, nas lojas, em casa de outros audiófilos (aqui no Reino Unido realizam-se muitas tertúlias onde se comparam DAC, amplificadores, colunas), reconhecer aquilo que é uma boa reprodução, aprender a diferenciar um som "natural" ou "realista" de um som "agradável"; para isso convém como já referi utilizar música adequada para avaliação e ter o ouvido afinado.
É importante aprender a identificar deficiências e a procurar possíveis causas, e aqui entra a técnica e as medições.
Começamos a perceber as limitações dos componentes e das topologias e assim torna-se possível a evolução intencional e eficaz.
O erro torna-se mais raro, os upgrades são passos em frente e não ao lado (ou atrás).

Durante o meu percurso experimentei colunas de dispersão semi-omni, single-drivers, cornetas, faltaram os painéis.
Já tive amplificação a válvulas (que curiosamente soava "a transístores"), tripath, op-amp, a transístores e DACs Redbook sem filtro ou oversampling.
Não posso dizer que valeu a pena sair dos caminhos mais batidos senão pela experiência, com excepção das cornetas, e custa-me pensar no custo.
Também tentei o vinil mas não consegui viver com as idiossincrasias deste suporte nem justificar o custo dos discos.
E tive a sorte de no momento certo escutar um sistema de referência, o do Ricardo Domingos da RMD Audio, a quem devo também muito do que aprendi no que se refere à técnica.
Neste momento sinto-me confiante no que toca às colunas mas os meus conhecimentos de electrónica ainda são muitíssimo limitados.
A escuta analítica tornou-se bastante eficaz.

Mas convém ainda sublinhar um facto muito importante: hoje tenho um controlo absoluto sobre a forma como escuto, apenas passando ao modo de escuta analítica quando assim o desejo.
Houve uma fase em que vivia obcecado com pequenos ajustamentos, com o efeito dos cabos e dos materiais colocados sob ou sobre os equipamentos, com upgrades, tempos em que escutava as mesmas gravações audiófilas (mas curiosamente inadequadas à escuta analítica) ad nauseum e em que lia as revistas da especialidade.

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ricardo onga-ku
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 20:29

Descrevi um pouco da minha Filosofia audiófila aqui:

http://www.audioanalogicodeportugal.net/t7414-sistema-filosofia-e-equipamentos
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Filosofia, estética, musica, audio e "tutti quanti"...   Seg Jan 09 2017, 20:47

Ainda bem que este tópico existe, vai-se lendo coisas e conclusões fabulosas e que são demonstrativas de que cada cabeça sua sentença. Uns revêem-se em tudo, outros em pouco ou nada. As diferenças de audição de cada um, as preferências e expectativas de cada um em relação ao que é uma reprodução verossímil do acontecimento musical...bom, tem pano para mangas.

Do muito que ouvi (menos que muitos e mais do que alguns), leva-me a dizer que aquilo que para alguns é um caminho certo, para outros é o inverso. Audições, medições, subjectividades ou não, nem todos chegam ao "seu" santo graal da mesma maneira. Muitos viajaram por diferentes caminhos chegando a diferentes destinos, e em todos os caminhos, há frustrados e realizados. Não há fórmulas certas e no fundo, não há erradas. O que é certo para uns, é o desastre de outros. Há quem julgue ter um "grande" som em casa, e amigos acham que aquilo está paupérrimo..enfim, isto das conclusões taxativas, sejam elas quais forem, não são a solução para todos por igual.
E ainda bem que assim é, senão seria simples demais e realmente, mesmo que alguns o queiram fazer simples, não o é.

_________________
Digital Audio - Like Reassembling A Cow From Mince  


If what I'm hearing is colouration, then bring on the whole rainbow...


The essential thing is not knowledge, but character.
Joseph Le Conte
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