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 Dez giras para a historia...

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ducar
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 31 2016, 14:02

José Miguel escreveu:

Tocou precisamente no ponto que levantei, porque o processo de aprendizagem é um longo e muito largo caminho e as experiências que vamos acumulando servirão sempre de referências.
Hoje admito que voltaria a ser tocado por aquele sistema que ouvi, desde logo porque tudo nele era bom e muito generoso: os Quad II não desiludiram e não me importava de viver com um par deles agarrados às colunas que moram cá em casa. O Linn pareceu-me tocar bem, muito bem, mas lá está, as minhas referências na altura eram muito inferiores - o Pioneer PL-320 com a célula da ADC (colocada nova por nós) tocava muito bem, era muito certinho e quando o compramos por menos de nada ficamos surpreendidos!

Isto tudo para dizer que o Linn não me marcou particularmente porque eu já vivia com outra coisa na cabeça... como diz o nosso grande cantor: "sonhos de menino"!

Hoje também é verdade que já não ouvimos Música da mesma forma, mas para poder chegar à fineza de poder comparar máquinas assim ainda terei que ouvir muitas horas e várias peças/sistemas...

Faltando oportunidades, vou seguir a ouvir o que aqui temos, porque hoje ainda estou mais contente do que antes e isso também se deve ao que por aqui vou aprendendo! Wink

Por acaso tenho um Pioneer dessa série, um PL 620 com célula da Shure M 44B que toca muito bem.
A título informativo esse simples Pioneer era bem carote nos anos 80, mas o audiófilo da época pagava bem a tudo que fosse novidade tecnológica.


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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 31 2016, 14:13

ducar escreveu:
José Miguel escreveu:

Tocou precisamente no ponto que levantei, porque o processo de aprendizagem é um longo e muito largo caminho e as experiências que vamos acumulando servirão sempre de referências.
Hoje admito que voltaria a ser tocado por aquele sistema que ouvi, desde logo porque tudo nele era bom e muito generoso: os Quad II não desiludiram e não me importava de viver com um par deles agarrados às colunas que moram cá em casa. O Linn pareceu-me tocar bem, muito bem, mas lá está, as minhas referências na altura eram muito inferiores - o Pioneer PL-320 com a célula da ADC (colocada nova por nós) tocava muito bem, era muito certinho e quando o compramos por menos de nada ficamos surpreendidos!

Isto tudo para dizer que o Linn não me marcou particularmente porque eu já vivia com outra coisa na cabeça... como diz o nosso grande cantor: "sonhos de menino"!

Hoje também é verdade que já não ouvimos Música da mesma forma, mas para poder chegar à fineza de poder comparar máquinas assim ainda terei que ouvir muitas horas e várias peças/sistemas...

Faltando oportunidades, vou seguir a ouvir o que aqui temos, porque hoje ainda estou mais contente do que antes e isso também se deve ao que por aqui vou aprendendo! Wink

Por acaso tenho um Pioneer dessa série, um PL 620 com célula da Shure M 44B que toca muito bem.
A título informativo esse simples Pioneer era bem carote nos anos 80, mas o audiófilo da época pagava bem a tudo que fosse novidade tecnológica.



Boa tarde!

Não sabia do valor do Pioneer na sua época de lançamento, mas como disse ele foi praticamente oferecido.
Assim que foi afinado, colocada a nova célula, a surpresa foi grande e passou a ser o gira discos de uso diário!

Esteve connosco uns três a quatro meses, depois saiu para dar lugar a outro, ainda que admita facilmente que a troca foi mais por uma vertente estética do que pela qualidade de som... naquela altura apareceu a possibilidade de trocarmos por um Sony PS-5520, que logo nos encheu os olhos...

Não tenho nada a apontar ao PL-320, muito pelo contrário! Gostamos muito dele na altura, tal como gostamos de todas as peças que fomos tendo ao longo destes anos - não vamos acumulando, não dá, mas ficam as memórias.
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mannitheear
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 31 2016, 15:21

Thank you TD 124 for another wonderful, great and typically different article!

Although my own experience with the LP12 is marginally (heard it a few times) it was the omnipresent godfather of turntables when my audiophile life began and its concept was what a turntable had to be for me for decades.
My own Mythology Zeus turntable was built by a Linn dealer and audio designer who tried to surpass the LP12 of the 80s but it wasn't a copy only visual not technical, only the motor is the same...

But after the LP 12 came the era of the mass loaded turntables which reach until today absurd levels of design and engineering which leaded to the nickname "Bohrinsel" in Germany.
When I look at these monsters I think often what a nice and elegant table the LP12 was and is!

Now I'm very curious if the Roksan Xerxes will appear in this series one day. I doubt it, because it was perhaps too marginally but it defined a long time ago for me what a turntable was able to do...

M
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TD124
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MensagemAssunto: O Rega Planar 2   Qui Set 01 2016, 09:26


O contexto historico : Em 1975 o Garrard 401 coabita com os Thorens TD125, Technics SL1200 e o LP12 aclamado pela presse, vende-se muito bem mas o mundo da hifi jà não é o mesmo. Desde o inicio da década, a hifi Japonesa entrou em massa no mercado ocidental. O preço do material asiàtico é mais barato, e a qualidade perceptivel é equivalente ou superior à dos aparelhos ocidentais. Os novos constructores tém de ser engenhosos para conciliar qualidade, estética e baixo preço (ainda hoje esse problema subsiste). Tony Relph e Roy Gandy compreenderam, que havia lugar para um produto de qualidade, simples, bonito, original e musical. O Tony Relph inteligentemente simplificou tudo o que era possivel num gira, e o resultado é um gira original e de um novo tipo, o Rega Planar 2.

O passaporte : A Rega foi fundada no mesmo ano em que saiu o LINN LP12, ou seja em 1973. O primeiro gira chamava-se Planet e era uma espécie de prototipo dos modelos a vir. A historia conta que os primeiros Planet foram montados na cozinha da mãe do Tony Relph. O estilo do gira agradou e rapidamente algumas lojas de Londres puzeram em venda o Planet. Pouco depois produz-se o encontro com o Roy Gandy e juntos vão criar a Rega (RElph/GAndy). Em 1975 ano da saida do Wish you are here, Born to run e Horses a marca apresenta o Planar 2, un novo icono britanico vinha de nascer, vamos là compreender juntos porquê...

O Mito : O Rega é a aplicação concreta do pragmatismo Inglês, da simplicidade, do radicalismo e da malicia inventiva. Trata-se do cumulo absoluto da simplicidade ao serviço da musica, o que faz dele um aparelho de uma rara inteligência. A historia vai provar que o Planar 2 é um imenso produto que resiste fantasticamente ao passar do tempo, ao ponto de continuar a ser produzido. A estética do Planar é mitica e reconhecivel o que explica que seja copiado até aos dias de hoje. Ao contràrio do LP12 que divide os audiofilos, o Planar é federador e qualquer amador o escuta com um sorriso cumplice como um piscar de olhos…

Apresentação : O Planar 2 é uma prancha de madeira, com um motor, um prato de vidro e um braço. Também tém três pés e um interruptor… Visto assim ninguém compreende o porquê desta analise. Mas o REGA é muito mais subtil do que a sua simplicidade insinua. A prancha é feita de uma espécie de aglomerado de madeira, placado nas duas faces com uma folha de resina fénolica (do tipo formica) muito dura e resistente. Esta técnica permete à prancha (corpo) de ter uma grande rigidez e uma boa resistência à torsão com um custo baixo. Visto que o critério preço/simplicidade não permite de suspender o gira, o Tony Relph vai suspender o motor ! E de uma maneira genial, pois ele vai utilizar uma correia identica à do gira para sustentar elasticamente o motor. Simples, eficaz, barato e engenhoso. O eixo industrial é de uma precisão média, mas a qualidade do prato é boa. Não existe nenhuma peça mecanica visivel e solta, fora a chumaçeira e a polia do motor. O prato em vidro de 8/10mm (fàcil a fabricar e liso naturalmente) apoia num subprato em plastico rigido que amorteçe as resonancias do vidro. Um tapete de feltro vém impedir o contacto directo do vidro com os discos. Mas um detalhe salta aos olhos de toda a gente, é o braço. Muito bem fabricado para um gira tão simples e modesto de aparencia, o braço de precisão RB200 é fabricado no Japão pela Acos e partilha a geometria do célebre Acos Lustre. Isto serà a assinatura da REGA, até hoje, pois os braços da marca são muito bons, alguns atingem a excelência mesmo e são utilisados por muitos constructores reputados. Com esta analise voçês compreendem que o Planar 2 não é exactamente um brinquedo e que isto pode fazer musica…

Avantagens : Técnicamente, fora o braço não hà muito a dizer. A massa leve e a construção simples, não lhe permite de competir e ter grandes avantagens em relação aos outros giras jà citados. Mas a sua simplicidade, a ausência de ajustes e a fiabilidade são pontos positivos. Pragmàticamente pode se dizer que a ausência de suspensão é melhor do que uma mà, e isto é perceptivel no Rega. Outro ponto positivo jà citado é a estética que faz dele o mais minimalista da historia e talvez o mais belo…

Inconvenientes : O pequeno peso do Planar 2, e a ausencia de suspensão, faz com que ele seja muito sensivel às vibrações. È preferivel pousà-lo num movel de parede, do que num movel classico com os outros aparelhos. O motor pouco potente pode vibrar ao arranque, é aconselhado de o ajudar em lançando o prato à mão o que vai aumentar a duração deste. O prato em vidro não é neutro mas uma boa escolha do tapete pode amelhorar a neutralidade da escuta.

Escuta : A principal qualidade do Planar 2 é a leveza e a vida. O som é limpo, lisivel, luminoso com uma boa dinamica nos médios. A conjugação da levez e da rapidez, faz do Rega um gira com som àgil, aberto e algo viciante. A banda é curta no grave, mas apresenta uma fineza inesperada nos agudos. A qualidade do braço RB200 é por muito nisto. A precisão de leitura é boa mas o aparelho é sensivel ao Larsen vibratorio. Finalmente é um gira simpatico, com um som de qualidade e que priveligia a luz, a vida e a frescura. Não é um grande aparelho intelectual, mas não foi feito para isso. O REGA não faz tudo, mas o que faz, é bem feito e de uma maneira muito pessoal. Para sobreviver mais de 40 anos, esta ultima qualidade é essencial e o som do Planar possui algo de fascinante e universal…

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Última edição por TD124 em Qua Set 14 2016, 08:18, editado 2 vez(es)
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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qui Set 01 2016, 10:21

E soma e segue

Mais um excelente trabalho

Nada a comentar de grande relevância, a não ser concordar

Qualquer REGA não é "O GIRA DISCOS", mas o que faz, faz muito bem. A Rega é assim em tudo o que faz e a relação preço vs qualidade é quase imbatível. enquanto outros....
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qui Set 01 2016, 12:43

Bom dia!


E incrível como a simplicidade pode ser a arma engenhosa no meio de um "mundo" que muitas vezes tende a tornar as peças mais e mais complicadas.

Este é um gira-discos que vai aparecendo como possível às carteiras de muitos, até com o belo braço RB200.

Talvez não seja o lugar certo, mas como estou a falar com quem sabe aqui vai:

Qual a melhor arquitectura para os braços - em "j" ou rectos? (falo de forma genérica, porque depois existirão grandes exemplos dentro de uma ou outra forma...)

A Rega depois vai apostar quase tudo nos rectos e a tendência dos braços rectos, pelo que leio, é a que tem vencido.


Para terminar, um Rega (o 2 ou o 3 do mercado de usados) nunca entrou nesta casa apenas por uma SIMPLES razão: não convence a dois! Smile

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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qui Set 01 2016, 12:59

Vamos lá ver.

A imagem do braço do Planar 2, não é Rega. A Rega na altura usava um braço de construtor externo, arquitectado por esse mesmo construtor, como explica o TD124.

Segundo o próprio Roy Gandy, o primeiro braço arquitectado com o pensamento Rega apareceu com o RB300 para o Planar 3.

Na altura não lhe fiz a pergunta, mas o que muita malta está convencida é que os braços e "S" ou "J", como preferirem chamar, são muito bons, mas com células MM. Com células MC, normalmente a coisa não corre tão bem. Se, tecnicamente, isto tem ou não fundamento...Não sei!

O que sei é que, por exemplo, os 3009 e 3012 da SME (hoje M2-R9 e M2-R12, respectivamente), são muito bons com MM com MC, nunca os gostei de ouvir.

Enfim... Manias
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qui Set 01 2016, 13:09

Goansipife escreveu:
Vamos lá ver.

A imagem do braço do Planar 2, não é Rega. A Rega na altura usava um braço de construtor externo, arquitectado por esse mesmo construtor, como explica o TD124.

Segundo o próprio Roy Gandy, o primeiro braço arquitectado com o pensamento Rega apareceu com o RB300 para o Planar 3.

Na altura não lhe fiz a pergunta, mas o que muita malta está convencida é que os braços e "S" ou "J", como preferirem chamar, são muito bons, mas com células MM. Com células MC, normalmente a coisa não corre tão bem. Se, tecnicamente, isto tem ou não fundamento...Não sei!

O que sei é que, por exemplo, os 3009 e 3012 da SME (hoje M2-R9 e M2-R12, respectivamente), são muito bons com MM com MC, nunca os gostei de ouvir.

Enfim... Manias

Sim, eu percebi que o braço do Planar 2 é da Acos, mas como depois largaram essa tipologia para apostar na própria - recta -, lembrei-me de perguntar...

Eu não sou grande entendido em questões técnicas, mas já gastei algum tempo a tentar ler sobre o assunto e por vezes dei comigo numa "luta de galos"! Smile
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zaratustra
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qui Set 01 2016, 16:48


Olá Paulo.
Iniciei hoje a leitura do tópico. Vou lendo com toda a atenção (como sempre).
Obrigado pela partilha.
bounce
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TD124
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MensagemAssunto: O Roksan Xerxes   Sab Set 03 2016, 09:38


O contexto historico : Estamos em 1983. A técnica de isolação vibratoria por suspensão mole ou elàstica (contraplaca ou placa suspendida como o TD125) vém de festejar mais de 20 anos de existência desde a nascença do Acoustic Research XA. Muitos giras (quase todos) utilizam esta técnica (ou uma derivada) para evitar o terrivel rumble. O CD vém de nascer, e no espirito de todos, os dias do vinilo estão a chegar ao fim. Mas um homem em Inglaterra està convencido que o vinilo ainda não està moribundo, e que a técnica de suspensão, pode e deve, ser complétamente re-desenhada afim de evitar os problemas que lhe são proprios. Jà falà-mos atràs do comportamento aleatorio de uma suspensão por molas, que se move nos três eixos espaciais. Esta técnica tém um movimento como a gelatina com uma ondulação, incoérente e aleatoria. A tração do motor (fixo ao corpo do GD) sobre o sub-prato pelo meio da correia, cria micro-puxões ao saltar de polo e a elasticidade da mesma agrava énormemente o fenomeno, (o que explica a avantagem dos « idler drive e mesmo das tàbuas do tipo Rega », no ataque da nota e no aspecto imediato, rapido destes ultimos sobre os suspendidos). Parece mesmo impossivel a conceber que uma tecnica com tantos inconvenientes graves, tenha-se tornado a norma de fabricação durante tanto tempo !!!. Mas em isolando o grupo braço/prato do meio (corpo do gira/suporte/motor), a suspensão permete de atingir a leitura dos micro sulcos de uma maneira unica e que so tém como limite as tolerâncias de fabricação… então tudo não é mau!

O mito : Em 1985 esse homem vai conciliar as avantagens da suspensão, sém os defeitos e fazer uma obra-prima de uma pureza conceptual que sò o TD 124 tinha atingido. Chama-se Touraj Moghaddam, é um jovem ingenheiro genial, e vai ser o pai de um dos maiores giras contemporaneos, o Roksan Xerxes (um grande rei persa), também chamado no circuito pequeno dos especialistas o Formula 1 dos gira-discos. Apesar da influência clara de uma marca que abordaremos mais tarde, a tecnologia Roksan é original, eficaz e irreverente. Desde a nascensa o gira eclipsa o LP 12 do coração dos jornalistas ingleses e anuncia uma revolução em movimento… pois o LP 12 deixa de ser o imperador absoluto dos giras ingleses.

Apresentação : O Xerxes é um gira dito semi-multisuspendido, vamos là imediatamente ver em que consiste as suas multiplas originalidades e traços de génio desta màquina, que vista de fora é parecida, estéticamente, com um Linn, Thorens, Ariston etc… O balanço lateral (horizontal) das suspenções é um verdadeiro problema para que as células possam ler os sulcos stéreo que como sabem estão gravados nas encostas laterais. O Touraj (vamos dizer TM), vai fixar a placa suspendida lateralmente como um gonzo (perpendicular ao eixo de tração do motor) e por quatro parafusos ligados a bolas em borracha agarradas ao fundo do gira. Assim a placa suspendida, em aluminio massivo de 8 mm, não funciona em pressão mas em torsão. O unico movimento possivel e livre é vertical. Mas esta solução genial (que jà é meio problema resolvido) não muda quase nada ao problema do motor e da tração do motor sobre o sub-prato e os micro-puxões mecanicos. Afim de resolver esse problema, ele não vai montar o motor fixo no corpo (como todos os outros), mas monta-o em equilibrio num braço fixo num ponto unico, e permitindo a este de se mover horizontalmente, e detido por uma pequena mola com uma elasticidade inferior à da correia. GENIAL !!!, agora a cada micro-puxão, é o motor que se move e que amorteçe o fenomeno, a tensão correia sub-prato fica constante a todo momento. E o ponto unico de fixação motor é ideal para amorteçer as vibrações do mesmo. Como se isto não chegasse ele vai isolar o alto do corpo (que contém o motor), do baixo (que contém as bolas de borracha que aguentam a placa do eixo/braço) pelo meio de três suspensões elasticas com movimento livre nos eixos vertical e horizontal (ajustàveis pelo alto em baixo dos suportes de tampa), estão a compreender a revolução que este gira representa ??? (tudo é movel e em eixos determinados, controlados e equilibrados). Um ultimo ponto que é extremamente original (e controversado) é o eixo. Muito fino e longo, ele acaba em ponta como o LINN, mas apoia sobre uma esfera em volframio que repousa na base da chumaçeira. Se o eixo muito longo e muito fino (tolerancia de 5 microns) é ideal para reduzir o barulho de fricção, ele diminui a sagrada rigidez braço/prato. O motor de grande qualidade a 24 polos é alimentado e regulado por uma alimentaçao exterior muito sofisticada (varios modelos serão disponiveis com o tempo). O prato é em aluminio massivo e não em Zamac possuindo um sub prato/eixo como a maioria dos giras suspendidos. O corpo é em médio e contraplacado folheado ou lacado, e o nivel de finição é muito elevado. O gira sò aceita os braços Roksan, Linn, SME ou REGA… com um overhang proximo, mas associação com os braços da marca é recomendada e insurpassàvel. Muitos detalhes outros poderiam ser ditos, mas são menos preponderantes na escuta. O TM vai desenvolver um braço magnifico (um dos melhores de sempre) e muito original, dois anos mais tarde, para o Xerxes. Algumas (muitas na realidade) ideias desse braço serao copiadas pela Linn, SME e outros, para alguns dos respectivos modelos. Trata-se do Artemiz que é um expoente de perfeição. A Roksan é até hoje uma das raras firmas com a EMT a ter desenvolvido (em interno), braços e GD de uma qualidade tão elevada.

Avantagens : O aspecto multi-suspendido do XERXES, e a possibilidade de ajustar todos os parametros técnicos da suspensão, permite de obter o equilibrio sonoro que se deseja. Com as suspensões ajustadas duras, o gira soa rapido, potente, franco, quase como os idler ou os rigidos. Com uma ajustagem mole o XERXES aproxima-se de um som feltrado e envolvente como o LINN mas com uma definição superior, e um veludo inferior. As ajustagens multiplas, permitem de compensar a influência do movel aonde o gira està pousado. O aparelho é fiavel (se bem oleado e manutencionado regularmente) e muito bem construido. A beleza e a qualidade das finições fazem dele um belo objecto clàssico.

Inconvenientes : Alguns, e todos ligados às avantagens da maquina !!! Tudo se ajusta num Xerxes, mas sò existe uma afinagem ideal. È um verdadeiro Formula 1, e é mais fàcil de o desiquilibrar que de o afinar correctamente. A pressão aplicada à fixação dos braços (Tabriz, Artemiz...) é muito influente no que diz respeito ao resultado da escuta. A placa suspendida deve estar de nivel mas perfeitamente ajustada entre dureza/moleza. A mola do motor tém de ser mantida a uma elasticidade de metade da da correia. Os dois blocos do corpo superior/inferior, devem ficar o mais moles possivel para filtrar correctamente. O eixo muito ajustado, deve ser limpo e oleado com regularidade. Este gira é um quebra-cabeças e um verdadeiro GD de especialistas...

Escuta : Bem afinado o Xerxes é um GD paradoxal, é uma forma de veludo rijo. Ele delonga o tempo musical (é um sinal proprio a todos os grandes giras…), e desrasga o tempo horario. Tudo é diferente, as notas parecem mais ricas nos detalhes, e na fineza do timbre. A banda é ligeiramente encurtada nos dois extremos mas a coerência tonal é muito elevada. È um gira que mete a carne à volta do osso, e encontra assim um equilibrio entre matéria e leveza que é unico, e a sua principal assinatura. A escuta não possui ném a violência ném o impacto de outros giras então o ritmo é ressentido mais intelectualmente do que fisicamente. Trata-se de uma escuta algo espiritual aonde a subtilidade domina a dinamica, e isto qualquer que seja o braço montado. A definição é muito boa sém ser excelente e é finalmente o equilibrio global que surpreende e enfeitiça. Sém ser uma escuta verdadeiramente diáfana o aparelho priveligia uma forma quase feminina de restituição sonora. Um gira de uma riqueza harmonica e formal que entonteçe, e pode perturbar mesmo os grandes iniciados assim que os habituados …

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Última edição por TD124 em Qua Set 14 2016, 08:20, editado 3 vez(es)
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Ghost4u
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Set 03 2016, 11:18

O Roksan Xerxes desafiou convenções e tornou-se o opositor destemido do Linn LP12, com argumentos extremamente convincentes. Fui proprietário de um exemplar Xerxes X, no lindo acabamento rosewood, equipado com braço Linn Ittok IV. Mais tarde, prescindi da sua companhia. Arrependi-me? Não. Igualmente faço notar que jamais me arrependi da sua aquisição, visto que foi feliz a sua estada no meu habitat.

Por último, registo a especificidade deste tópico, cuja leitura é pertinente, constituindo um périplo por 10 gira-bolachas, onde a apresentação, a explicação técnica das opções tomadas pelos fabricantes e o desempenho são fixados lucidamente. Seguindo uma narrativa interpretativa e escorreita, o resultado é um belo e entusiasmante momento de leitura, que importa ao criador do tópico mas também ao leitor comum interessado em conhecer melhor as máquinas apresentadas. Efectivamente, TD124 é capaz de escrever sobre estas máquinas analógicas como ninguém escreve, como se se tratasse de um dom (talento). Bem-haja!
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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Set 03 2016, 13:03



2cclzes
cheers
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Set 03 2016, 13:57

José Miguel escreveu:
... Qual a melhor arquitectura para os braços - em "j" ou rectos? (falo de forma genérica, porque depois existirão grandes exemplos dentro de uma ou outra forma...) ...

Amigo José, qualquer braço com pivô desenha durante o seu movimento um arco de circulo imaginàrio na superficie do disco vinilo... ora esse arco de circulo sò assegura o perfeito paralelismo entre a agulha e o sulco que entre dois pontos, é por isso que os braços longos são mais precisos...

Os braços em S (Acos, Jelco, Technics...) ou em J (banana EMT ou SME...) que não são a mesma geometria, são uma tentativa para abranger um maior espaço de leitura perfeita entre esses dois pontos... mas um braço em S ou J é mais longo do que um direito para uma distância igual pivô/agulha, então é mais pesado e possuis resonâncias mais complexas a eliminar...

Mas concrétamente o que levou a "voltar" aos bracos direitos é a rigidez superior destes ultimos. Um braço perfeito deveria ser o mais leve e mais rigido possivel e o braço direito é então ideal para se aproximar dessa equação impossivel... mesmo se a geometria de leitura é menos perfeita (teoricamente)...

Ghost4u escreveu:
... registo a especificidade deste tópico, cuja leitura é pertinente, constituindo um périplo por 10 gira-bolachas, ...

Goansipife escreveu:
...  2cclzes  ...

Obrigado pelo vosso apoio... e se estas linhas servem a melhor compreender a evolução dos giras bolachas e a razão pela qual alguns fizeram a historia e outros não (mesmo se são tão bons), então jà é uma boa coisa para a cultura audiofila de cada um de nòs... cheers

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TD124
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Set 03 2016, 14:12

Ghost4u escreveu:
... Fui proprietário de um exemplar Xerxes X, no lindo acabamento rosewood, equipado com braço Linn Ittok IV. Mais tarde, prescindi da sua companhia. Arrependi-me? Não. ...[/i].

Não creio que teria prescindido do Xerxes para a grande maioria dos giras... e mesmo em tendo em consideração o gosto, sò vejo um punhado (pequeno) de giras para os quais prescindiria da companhia desse grande rei persa sém me arrepender. Mas, como sei o gira e o braço que possui compreendo ...

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mannitheear
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Set 03 2016, 14:22

Now what will be the remaining? One could be the PV...
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Set 03 2016, 14:24

Boa tarde Paulo!

A questão do braço sempre me escapou, ainda que entenda a questão da distância. A forma em si é que descobri por acaso ser alvo de debate e fiquei curioso.


Este último exemplar de gira-discos era para mim um ilustre desconhecido, até que um dia me cruzei com uma bela imagem dele deixada pelo Aníbal - que tem uma dessas belas peças.


Espero pelo próximo modelo, porque é com imenso gosto que vou seguindo os textos, tentando "apanhar" todos os truques para poder aprender e seguir em frente.
Wink
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mannitheear
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Set 03 2016, 15:46

When I was young I bought a inexpensive reissue of the famous Getz/Gilberto LP only because I was attracted by the cover. I knew almost nothing about jazz and did not know what to expect from this record. Then I had a Thorens TD160 and liked the music at the first listening, but was troubled by the sound which did not make sense to me. The most happened on the right channel to the center and the piano soundet quite muffled to me.
One day I went to a hifi shop (which exists still today and is quite famous in Germany now) and listened to this record with a Roksan Xerxes. And, as you perhaps anticipate, with the Xerxes all fell in its place and the music and the sound was simply heaven!
This was one audio milestone experience!
M
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anibalpmm
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Set 03 2016, 23:37

TD124 escreveu:



.... O Touraj (vamos dizer TM), vai fixar a placa suspendida lateralmente como um gonzo (perpendicular ao eixo de tração do motor) e por quatro parafusos ligados a bolas em borracha agarradas ao fundo do gira. Assim a placa suspendida, em aluminio massivo de 8 mm, não funciona em pressão mas em torsão.....

Paulo uma questão simples, esta descrição também se aplica ao Xerxes original? É que o original é todo em madeira e que eu saiba a placa suspendida era apenas um corte no topo do GD
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tfonseca
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Dom Set 04 2016, 09:16

Muito educativos estes textos, em especialmente este último, que desconhecia o seu funcionamento e fiquei muito curioso. Parabéns ao autor!

Vamos ver quais são as cenas dos próximos capítulos. Já não faltam muitos (infelizmente).
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Dom Set 04 2016, 09:30

anibalpmm escreveu:
... Paulo uma questão simples, esta descrição também se aplica ao Xerxes original? É que o original é todo em madeira e que eu saiba a placa suspendida era apenas um corte no topo do GD

O meu texto descreve o Xerxes X, mas todos os modelos desde a nascensa partilham a mesma tecnologia que se amelhorou com o tempo e a adopção de novos materiais. No Xerxes original a contraplaca é em madeira folheada e pareçe apenas um corte, mas està ligada em gonzo de porta a uma suspensão borracha/mola... então o principio de base é o mesmo e é por isso que o Touraj nunca mudou o nome do gira, pois um Xerxes qualquer que seja a geração partilha a ideia e o concepto inicial...

Mas, não estou convencido que a oscilação elàstica do motor jà existia no primeiro... vou investigar !!! cheers

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anibalpmm
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Dom Set 04 2016, 11:54

TD124 escreveu:
anibalpmm escreveu:
... Paulo uma questão simples, esta descrição também se aplica ao Xerxes original? É que o original é todo em madeira e que eu saiba a placa suspendida era apenas um corte no topo do GD

O meu texto descreve o Xerxes X, mas todos os modelos desde a nascensa partilham a mesma tecnologia que se amelhorou com o tempo e a adopção de novos materiais. No Xerxes original a contraplaca é em madeira folheada e pareçe apenas um corte, mas està ligada em gonzo de porta a uma suspensão borracha/mola... então o principio de base é o mesmo e é por isso que o Touraj nunca mudou o nome do gira, pois um Xerxes qualquer que seja a geração partilha a ideia e o concepto inicial...

Mas, não estou convencido que a oscilação elàstica do motor jà existia no primeiro... vou investigar !!! cheers


Tanto qt sei isso já existia pois o motor estava ligado por 2 molas ao plinto
Eu fiz uma modificação ao meu, mudei para um motor DC da origin live (mantendo a oscilação elástica) com um fonte alimentação construída pelo Rui Borges, o q foi por si só um grande incremento
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okapi

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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Dom Set 04 2016, 18:15

Uma excelente continuidade ao tema , excelente artigo este.
Quando há poucos meses andava à procura de comprar um turntable apareceram-me este da Ariston o RD11 e o QDECK mas como nestas coisas quem quer vender tem pressa acabei por não os comprar devido ao atraso da minha resposta por algumas horas.
Aguardo a próxima referencia e obrigado pela leitura agradável que proporcionou.
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TD124
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MensagemAssunto: La Platine VERDIER   Seg Set 05 2016, 14:05


O contexto historico : Os anos setenta estão a acabar ao som do hino dos Clash London Calling. Quase todas as marcas célebres jà existem e os ingleses voltaram em força com os Systemdeck, Transcription, Michell e os fantàsticos giras Gale... Durante a década os japoneses fizeram muits giras de qualidade, essencialmente em motricidade directa (direct drive), alguns de muito grande qualidade como os Denon, Technics, Marantz, Sansui, Kenwood/Trio e sobretudo os Micro Seiki. Mas essa tecnologia tém inconvenientes grandes (e é mais dificil a fabricar artesanalmente), o que explica que os ocidentais não vão se interessar muito em prossegir as tentativas. A EMT vai fabricar direct-drives no nivel professional, e a Goldmund no nivel civil. Na realidade os giras equivalentes Japoneses dos anos setenta não conseguem globalmente, em todos os critérios confundidos, dar melhores resultados que os TD125, Linn, Michell e outros actores de qualidade do momento, sobretudo no que diz respeito à musicalidade. Mas algumas ideias são geniais e vao ser pouco a pouco recuperadas e utilisadas nos giras ocidentais.

O Passaporte : Em França não existe praticamente nessa época nenhum fabricante de GD. No passado existiu a ERA, Clement, Schlumberger e os Bordereau, que eram monstros pesados professionais (concurrentes da EMT e se calhar melhores), mas fora isso mais nada. Mas graças à Bordereau, a França tém grandes especialistas na concepção como o P. Lurné que é o pai dos braços e GD da Goldmund. Mas a França tém uma avantagem muito grande nessa época, que é ter a revista L’Audiophile. Graças a um homem que tém a dupla nacionalidade Japonês/Françês que é o J. Hiraga, os franceses conheçem os trabalhos da escola audiophila japonesa. Rapidamente a ideia de construir aparelhos sem nenhum compromisso aparece no seio da revista, e para os giras é o P.Lurné e o J.C.Verdier que vão desenvolver o assunto. O Lurné vai fazer o célebre MINIMUM, um gira pesado de 40Kg, e o Verdier vai começar a analisar todos os giras existentes com o objectivo de conceber a sua obra-prima que o publico vai baptisar (La platine VERDIER), ou seja, o gira-discos do VERDIER, nome que o GD tém ainda hoje. È este aparelho (o mais copiado dos giras pesados e altamente adulado na Alemanha…) que vamos analisar hoje juntos :

Apresentação : Como venho de dizer o VERDIER analisou a integralidade dos GD da época e decidiu de fazer um prototipo que não comportaria nenhum dos defeitos encontrados. Em 1997 o aparelho atinge a sua forma definitiva e a revolução dos GD pesados està feita. Vàrias séries de dez aparelhos foram feitas de encomenda entre 84 e 94.  Afim de perceber toda a engenhosidade e génio deste GD, e a revolução intelectual que ele representa vamos analisà-lo por etapas :
O prato : Quase todos os pratos da época são escavados e moldados por uma questão de custo e de repetição das tolerâncias de fabricação, o inconveniente é que eles tém uma frequência de resonância alta, e fazem barulho como um sino quando se bate em cima. Ele vai fazer um prato massivo em dural (aluminium duro) torneado, de 300 mm x 60 mm, inerte e de 23 Kg.
O eixo : Com um prato tão pesado um eixo descendente vai criar demasiada pressão sobre a esfera em volframio, e fazer dançar (efeito de pião) o alto do prato (força centrifuga) pois o centro de gravidade é mais alto que a esfera. Ele vai fazer ao contrario, o eixo de 20mm de diametro é fixado no corpo do gira (inversado), e a chumaçeira vai ser torneada no prato mesmo. A esfera fica em cima, o centro de gravidade é muito mais abaixo. GENIAL !!! pois é o principio do giroscopio.
A repulsão magnética : Mesmo em inversando o eixo, a pressão na esfera é muito importante e provocaria rumble. Ele vai meter dois imanes de 180 mm (um no prato e outro no corpo do GD) blindados e equilibrados, em oposição de fase (em repulsao de 17 KG), que vão ajudar a sustentar o prato e que faz que a esfera aguenta virtualmente um peso de 6 Kg. Magnifico, o rumble desaparece e a força centrifuga fica muito importante na mesma … Nenhuma fuga magnetica não vém perturbar as células. Como o eixo é regulàvel em altura, torna-se possivel de afinar o peso (virtual) do prato sobre a esfera afim de reduzir as vibrações.
O corpo : Vai ser feito em granite (primeira série), marmore, composite ou bazalto negro do Zimbabué, e suspendido por três silent-blocs potentes que servem de pés. A suspensão equilibra-se por cima com três parafusos para meter a nivel. Isto faz do VERDIER um gira pesado, mas que é também um placa suspendida, visto ter uma verdadeira suspensão.
O motor : Para evitar que as vibrações do motor possam subir até ao prato, o motor vai ser separado num corpo em fonte de ferro, com a electronica de regulação. È um motor sincrono a 24 polos de grande precisão, com uma polia muito pequena em bronze a sulco picado para melhor agarrar o fio sem escorregar.
A correia : Para que o efeito filtrante da correia seja maximo, é preciso que ela seja longa. Ora uma correia em borracha longa é muito elastica e cria efeios de micro puxão importantes. Ele vai substituir a correia por um fio de algodão, do tipo que se mete nos rotidos do forno. Isto permete de colocar o bloco motor longe (de 1 até 1,5 métros), obtendo um efeito filtrante unico. O fio move o prato pela periferia para obter um efeito desmultiplicador màximo em relação à polia do motor.
O suporte de braço : Feito num bloco de pedra (que serà a mesma da base), ou em Dural, està fixado ao corpo por um parafuso de grande diametro. Três braços podem ser montados no gira. A rigidez do supporte de braço é fabulosa e a rigidez braço eixo a melhor de sempre.
Evoluções actuais : As unicas coisas que evoluiram foram o motor e a chumaçeira. Hoje o motor é minusculo e a corrente continua. È um modelo a eixo em titanio para utilisação nos misseis. O motor jà não é pousado numa caixa em fonte de ferro mas numa caixa pesada de aço. A chumaçeira é agora em Zamac (o que permite tolerâncias ainda mais pequenas ) e não em bronze, sem lubrificação.

Avantagens : Este gira foi concebido num espirito sem limite. O prato muito pesado e artificialmente aliviado, as tolerancias e os materiais utilisados (dignos do material militar) assim que a logica conceptual fazem deste gira discos um dos melhores do mundo nas medidas de laboratorio…

Inconvenientes : O peso e a envergadura do objecto, obrigam a posseder moveis especiais. O ajuste eixo chumaçeira é tão fino que o gira necessita de vàrias horas para estabilisar a velocidade. Muitos possuintes nunca o apagam. O aspecto rustico e desmedido do aparelho não é do agrado de todos…

Escuta : A sensação que mais nos marca à escuta deste aparelho é o natural. Da nota mais forte de uma orquestra sinfonica, au murmurio mais suave, tudo passa com uma facilidade unica. O aparelho associa o ritmo à definição de uma maneira que embriaga. Os contornos claros, ciselados e finos acompanham-se de um peso nas notas que extasia. O ruido de fundo do disco passa para um segundo plano e isto é uma das assinaturas dos grandes giras. O impacto dinamico não atinge o nivel de um EMT930 mas està muito perto. O Verdier é um dos melhores ao nivel da qualidade dos silêncios, o que produz uma sensação de grande contraste tonal. Os timbres perfeitamente separados  e diferenciados possuem uma bela coerencia. O equilibrio geral so é limitado pelo braço e ou a célula. A banda é enorme nos dois extremos. È um gira que é capaz de tudo (ou quase) à condição que o braço e a célula consigam segui-lo. O Verdier tratava o TD124 de Rei dos gira-discos então nesse caso o seu é o Napoleão… um aparelho verdadeiramente unico e mitico…

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Última edição por TD124 em Qua Set 14 2016, 08:21, editado 2 vez(es)
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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Seg Set 05 2016, 16:24


Bravo !!! Magnifique !!!


Aproveitem estas ofertas completamente grátis do Mestre Paulo,
neste tópico somos brindados com uma quantidade enorme de informação fabulosa acerca de cada modelo.

O enquadramento histórico, as opções técnicas engenhosas, os prós e os contras e a assinatura sonora de cada um deles...

Como felizmente tive a oportunidade de conviver muito tempo com alguns dos modelos aqui analisados,
acho delicioso constatar que o Paulo os descreve de forma admirável.

Quais são os melhores gira discos para si ?
leia com atenção e no final vai descobrir.



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Ghost4u
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Seg Set 05 2016, 17:01

TD124 escreveu:
Não creio que teria prescindido do Xerxes para a grande maioria dos giras... e mesmo em tendo em consideração o gosto, sò vejo um punhado (pequeno) de giras para os quais prescindiria da companhia desse grande rei persa sem me arrepender. Mas, como sei o gira e o braço que possui compreendo ...

Xerxes, rei da Pérsia, que herdou o maior império existente no seu tempo, na tentativa de conquistar a Grécia para vingar a derrota que seu pai, Dario, sofrera no ano 490 a.C. (confronto que ficou conhecido por Batalha da Maratona), acabou derrotado pelos gregos na ilha de Salamina a 23 de Setembro de 480 a.C., e no Inverno, em nova investida, na Planície de Platéia. Durante a sua governação, além de ter proposto reformas políticas, ordenou um conjunto de importantes obras públicas e, por cobiçar novas terras, consolidou conquistas. Ora neste ponto, o gira-bolachas Xerxes, também conquistou muitos apreciadores, mantendo a Roksan a sua produção até ao tempo presente, o que reflete a aposta ganha neste modelo, contrastando com Xerxes I, cuja derrota em Platéia, marcou o início do desmoronamento do Império Persa.

Regressando ao Xerxes X, aquando a sua aquisição, substituiu o Basis 1400 (único gira-bolachas concebido em acrílico que gosto). Porém, como me deixei agarrar ao Quatro Centenas e Uma Unidade, prescindi do Roksan. O facto de ter optado por outro gira-bolachas, não permite que passe a tecer comentários menos abonatórios ao Xerxes ou a outros modelos que possui (atitude que não se enquadra na minha vivência).
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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Seg Set 05 2016, 17:48



bien sûr 2cclzes

O Verdier é o gira que coloco, há muitos anos, como "State of the Art", ou o "Gira Discos"

Proporcionou-me uma tarde - noite a dentro de audições fantásticas, no Alentejo profundo. Muita música de todo o género, mas a voz da Amália e do Zeca era como se fosse uma Jam Session. Fantástico!

Para mim, só tem mais um inconveniente, para além dos que o Paulo mencionou:

 - [/list]b]SER NECESSÁRIO, para o comum mortal, O EUROMILHÕES[/b]

Mas a esperança é a última a morrer  
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Seg Set 05 2016, 18:27

Chegamos às grandes máquinas, aos gira-discos que apelido gentilmente de "naves espaciais".
Estes pesos pesados nunca me passaram pelas vistas ao vivo, são peças de Alta Engenharia que desafiam qualquer pessoa que queira entender como funcionam.
Ler estes textos ajuda, facilitam a compreensão e alimentam a vontade de experimentar...
Que venha o próximo!



A última entrada neste espaço acompanhou-me durante um tempinho de trabalho - acto de leitura -, mas ainda me acompanha e acompanhará pelo exercício de imaginação que logo se iniciou.

É muito interessante constatar como tudo, até um Imperador com tiques de deus, sobe alto e cai; mas acima de tudo gostei da excelente metáfora que me conduziu até à alteração do gira-discos que acompanha o mui estimado Fantasma.

O cuidado revelado e a forma como se conduz pelo lado positivo dos eventos salvaguarda todos os intervenientes, até o leitor - no caso dos gira-discos eu inclinar-me-ia para o seu actual, mas tudo porque li coisas... Hoje permitiria uma pequena batalha, porque li coisas...




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zaratustra
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Seg Set 05 2016, 19:26


Nunca tive o prazer de ver/ouvir um Verdier.

Motor separado... prato super pesado...

Creio que ainda vamos ter o prazer de ler umas linhas sobre Micro Seiki...

Obrigado pela partilha, Paulo!

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TD124
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MensagemAssunto: O Pink Triangle Anniversary   Qua Set 07 2016, 07:52


O contexto historico : Chegando a este ponto da nossa saga algo deve estar claro nas vossas mentes. A passagem nos anos sessenta da roda para a correia é uma evolução, mas a passagem ao mesmo tempo aos giras suspendidos é apenas um meio passo dado. Efectivamente as suspensões do tipo Acoustic Research, Thorens, Linn, Michell estragam por um lado o que ganham do outro. Efectivamente desde a segunda metade dos anos setenta marcas como a Gale ou a Oracle contestam a utilisação de molas em pressão sém controlo lateral. No entanto estas firmas que fizeram fabulosos giras, foram incapazes de dar uma solução definitiva e radical ao problema. O peso é uma solução que ajuda e muito, mas na realidade são necessarios os 70Kg de um Verdier ou os 150Kg do Goldmund Référence… o que não é verdadeiramente uma solução. Uma outra maneira de ver as coisas é de pensar em gramas em vez de quilos. A leveza quando é conjugada com a rigidez é uma maneira radical de fabricar os gira discos (O Rega RP8 e RP10 modernos inspiram-se desta logica…), pois as vibrações são dissipadas rapidamente e de uma maneira muito eficiente. No final dos anos setenta uma marca vai re-inventar a técnologia dos gira-discos e abrir uma nova porta. Venerada sém ser muito badalada a Pink Triangle vai ser a pedra no sapato de uma alta-fidelidade que se emburgesou, perdeu o espirito de inovação e talvez mesmo a poesia…

O passaporte : A Pink Triangle foi fundada em Londres pelo Arthur Khoubesserian e o Neal Jackson que eram companheiros e homosexuais. Isto explica o nome da firma pois o triangulo cor de rosa era o simbolo que designava os homosexuais nos campos de concentração e ao mesmo tempo o simbolo da associação homosexual britanica. Desde o primeiro gira produzido o PTOne a marca està radicalmente no lado oposto de tudo o que existe. A provocação não é simplesmente no nome, mas também ao nivel das tecnicas utilisadas que vão ser uma revolução. A suspensão é em tração e não em pressão (sém movimento lateral), o motor é do tipo DC (tensão continua) e alimentado por bateria, o prato é em acrilico sém subprato e o eixo inversado utilisa o principio do giroscopio e sobretudo as peças são muito leves afim de não acumular energia vibratoria... é verdadeiramente uma nova maneira de pensar. A Pink Triangle é então uma marca estranha a compreender (ainda hoje, mesmo se jà não existe…), pois trata-se de uma mistura de irreverencia, génio e de provocação, como o pais da sua majestade ama criar. Foi para a Pink Triangle, que os jornalistas ingleses criaram a expressão « cottage firm », ou seja, marca de garagem, como o termo é utilisado hoje, para as pequenas empresas que fabricam artisanalmente e num pequeno espaço os seus produtos. O mestre de obra da marca e o pai espiritual é o Arthur Kobésserian. Fisico de formação, ele vai resolver os problemas proprios da contreplaca suspendida, de uma maneira radicalmente diferente que o Touraj Moghadam da Roksan. Tudo serà re-inventado e novo nesta marca…

O Mito : O « Anniversary » foi criado como uma homenagem ao falecimento do Neal Jackson, no meio dos anos noventa. Dificil de imaginar que no interior desde gira que possui um desenho e uma aparência classica, estão tantas astucias originais, unicas e jamais igualadas. È o ultimo GD criado pela empresa e para muitas pessoas um objecto de culto sem limites. Os mais prestigiosos jornalistas do mundo consideram, que faz parte dos cinco melhores gira-discos de sempre. De uma certa maneira talvez ném o Xerxes, ném o Verdier, ném muitas marcas modernas como a Avid teriam existido sém certas ideias da Pink Triangle. O Anniversary é a obra prima do designer mais inteligente, genial e radical de todos os tempos … apòs o Louis Thevenaz  Wink . Vamos là compreender juntos a razão do mito e os segredos desta màquina.

Apresentação : No exterior o PTAn (lê-se Pitiane), como lhe chamam os intimos, é parecido com todos os outros giras a contraplaca suspendida da época, mas o que salta aos olhos imediatamente é o prato em plastico ligeiro e não em zamac/aluminio. Feito em acrilico rectificado, despolido e moldado a baixa temperatura, ele tém a particularidade de absorver e diminuir as vibrações e “desfazê-las” num espectro largo (de 10 a 250 Hz). Mas o melhor està escondido no interior. A contraplaca é fabricada em fibra de carbono em sandes, ou seja, uma folha de carbono, uma placa de espuma de Kevlar e uma folha de carbono (tecnologia furtiva da aeronautica militar). Esta placa de 8/10 mm de espessura, é dez vezes mais leve que o inox e vinte vezes mais rigida. Ela é suspendida por molas calibradas como um Linn. Mas a comparação acaba-se aqui ! O motor que é de hàbito montado sobre o corpo, também vai ser montado na contraplaca e suspendido por sua vez desta ultima. A distância motor eixo/prato torna-se constante em todas as circunstâncias. O motor é suspendido mais rigido que a contraplaca (por silent-blocks em borracha), para dispersar as frequências de resonância. A geometria motor/eixo é particular, e por ela sò um golpe de génio. Em quase todos os GD o motor é montado ao mais oposto da célula para evitar a parasitagem. Ele vai meter o motor no eixo chumaçeira/braço !!!, a tensão da correia vai ser paralela visto do angulo de leitura do diamante, e o movimento lateral da contraplaca jà deixa de ser um problema. Como o motor é em corrente continua, minusculo e alimentado por baterias, a parasitagem não existe. Como a contraplaca é muito leve e muito rigida, a sagrada rigidez braço/prato é perfeita e ainda por cima com um minimo de vibrações colaterais. O eixo inversado possui uma minuscula esfera de rubi que apoia contra um espelho em safira encerrado numa chumaçeira levissima em aluminio/téflon sém oleo. O PTAn, é o primeiro GD a « contraplaca totalmente suspendida » da historia, e no meu conhecimento o unico. O corpo é uma caixa sem nada, o unico contacto com as peças em movimento são as três molas. De série o PTAn era armado com os melhores braços da época, SME série 5, Moerch DP-6, Ron Wood, etc.

Avantagens : O sistéma unico de suspensão confere ao gira uma limpeza de rotação e vibratoria unica. Nada se ouve, mesmo com um estetoscopio pousado no corpo. A alternancia de materiais nobres como a Madeira, e modernos como a fibra de carbono e o vidro, dà-lhe uma aparência ambigua, algures entre classicismo inglês e corrida automovél. Apesar da leveza do objecto, o sentimento de solidez é palpavel.

Inconvenientes : Os principais inconvenientes são ligados à estructura da firma. As peças artesanais, não tém a qualidade de finição das outras marcas de topo de gama. Consoante a série, os parafusos e outras peças menores podem ser diferentes. Nunca ninguém sabia quando ou se ia receber o seu gira-discos. A faceta artista do Arthur K., fez discreditar o rigor comercial da marca, e conduziu-a à falência. Os preços eram muito elevados, e o cliente não compreendia muitas vezes porquê.

Escuta : O PTAn não soa como nenhum outro gira. A qualidade dos silêncios é extraordinaria. Dà a sensação de recuar o ruido de moldagem do vinilo, e de extrair a dinamica, assim que os detalhes (micro-sinais) directamente do silencio. Não possui inchaço no baixo-médio, o que é raro num gira, mesmo de topo de gama. O som é sempre limpo, e sem distorção de contorno aparente. Com uma célula de qualidade, ele pode rivalisar com um CD qualquer, no critério da transparencia dos timbres e no respeito da justeza harmonica. A capacidade a modular o sinal desta maquina é impar, e dificil a igualar pois a dinamica é explosiva mas sém agressividade. O equilibrio tonal é quase perfeito e resulta de uma banda muito larga. Enfim, ao lado destas super qualidades técnicas, hà uma que faz a unanimidade e que fez o mito. Um Anniversary é um som màgico nas vozes que soam palpaveis, profundas e simplesmente orgânicas. O baixo médio é perfeitamente integrado e faz desaparecer o lado quente da leitura dos vinilos, sém se tornar analitico e frio. Uma maquina que ainda hoje desafia o entendimento e a analise. Uma obra-prima para a eternidade… que mereçe ser mais conhecida.

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Última edição por TD124 em Qua Set 14 2016, 08:23, editado 2 vez(es)
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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Set 07 2016, 14:23

Muito bem, como seria de esperar.

Pouco ou nada conheço desse gira. Isto comparado com experiências que tenho de audição de outros já aqui referidos

Sei que a marca chegou a ser representada em Portugal por um distribuidor que ficava na Estefânia de Sintra.

Estive lá uma vez por causa de umas colunas mas, talvez como a marca PT na origem, a loucura e a desorganização eram palavras chave, que fizeram com que não voltasse mais.

Muito sinceramente do que vi e ouvi, não me despertou real interesse ou curiosidade em explorar. Provavelmente a minha impressão esteja afectada por aquilo que referi antes scratch


cheers


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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Set 07 2016, 19:31


Qual será o último dos Dez giras
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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Set 07 2016, 19:46

2cclzes 2cclzes 2cclzes
Não sei qual será o décimo, mas "chapeau, chapeau et chapeau!!!" para o Paulo.
Obrigado!
cheers
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Ghost4u
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qui Set 08 2016, 00:52

Ghost4u escreveu:
Quiçá, surja o Pink Triangle (gira-bolachas "projectado" para o sistema da Pantera Cor-de-Rosa).
Surgiu. cheers
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qui Set 08 2016, 20:18

Jorge Ferreira escreveu:

Qual será o último dos Dez giras

Luis Filipe Goios escreveu:
2cclzes 2cclzes 2cclzes
Não sei qual será o décimo...

Eu também não sei ainda scratch ... tenho uns quantos na cabeça, mas somente um serà o eleito

Os nove eram évidentes (para mim) ora que o décimo jà é mais complicado...

On va voir cheers

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tfonseca
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qui Set 08 2016, 22:11

TD124 escreveu:
Jorge Ferreira escreveu:

Qual será o último dos Dez giras

Luis Filipe Goios escreveu:
2cclzes 2cclzes 2cclzes
Não sei qual será o décimo...

Eu também não sei ainda scratch ... tenho uns quantos na cabeça, mas somente um serà o eleito

Os nove eram évidentes (para mim) ora que o décimo jà é mais complicado...

On va voir cheers

Podem sempre ser o 15 ou os 20... cheers
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qui Set 08 2016, 22:27

tfonseca escreveu:
TD124 escreveu:
Jorge Ferreira escreveu:

Qual será o último dos Dez giras

Luis Filipe Goios escreveu:
2cclzes 2cclzes 2cclzes
Não sei qual será o décimo...

Eu também não sei ainda scratch ... tenho uns quantos na cabeça, mas somente um serà o eleito

Os nove eram évidentes (para mim) ora que o décimo jà é mais complicado...

On va voir cheers

Podem sempre ser o 15 ou os 20... cheers
Se vierem mais e mais melhor!!!


Ainda assim pergunto: não haverá nenhum deste século (XXI) que tenha alterado o uso da Técnica e possa marcar uma viragem de página (revolução)?

Paulo, marcas como a Kronos ou Triangle Art inovaram no sentido da revolução técnica ou usaram materias de topo dentro de uma técnica já testada?

Não sei se me faço entender, mas sempre olhei para essas marcas como Fórmula 1, onde tudo se inova e testa, até que se torne "uso corrente" - como a "idler", correia, suspensão, direct drive, etc. ...

Estarei enganado e aqueles valores são mais dos materiais/marketing e menos da investigação?


Acho que multipliquei as perguntas...  Embarassed
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Set 09 2016, 09:28

José Miguel escreveu:
... Ainda assim pergunto: não haverá nenhum deste século (XXI) que tenha alterado o uso da Técnica e possa marcar uma viragem de página (revolução)?

Se olhar atentivamente para o que existe hoje que eu conheça, o termo revolução sò pode ser utilisado para o gira ELP e de uma maneira mais reservada para o Grand prix audio Monaco... o resto, mesmo quando é singular e incorpora algumas ideias originais, é demais consensual e jà imaginado no passado. O duplo prato da Kronos jà tinha existido na 47labs, houve um prototipo da Transcription e da Onken no japão, então é dificil de encontrar algo que cumule suficientemente de soluções originais e eficientes. Existem muitos exercicios de estilo caros e a alto desempenho, mas não é representativo de uma produção comum e se quizesse falar desses exemplos, teria postado o Goldmund Référence que é o pai dos exercicios de estilo para milionàrios e que jà é velho, ou então mesmo alguns giras de topo da Nakamichi, Onkyo, Kenwood trio e sobretudo Micro-Seiki... ou mesmo o fabuloso Sonecma Mercuro (sem eixo e num banho de mercurio) que é contemporaneo do Verdier. Mas, um exercicio de estilo não é complétamente um gira... pois é um exercicio à volta do gira !!!...

Paulo, marcas como a Kronos ou Triangle Art inovaram no sentido da revolução técnica ou usaram materias de topo dentro de uma técnica já testada?

Pareçe-me ser mais expoentes de fabricação e de precisão que verdadeiramente aparelhos revolucionarios no sentido da criação e do génio...

Não sei se me faço entender, mas sempre olhei para essas marcas como Fórmula 1, onde tudo se inova e testa, até que se torne "uso corrente" - como a "idler", correia, suspensão, direct drive, etc. ...

A Formula 1 utiliza muitas tecnologias radicais, mas cria muito poucas. A fibra de carbono, as peças em titânio ou os discos de travão em ceramica de aluminium, não foram criados para a Formula 1 mas são frequentemente utilisados. A Formula 1 existe para montrar um expoente de velocidade Segura e testar borrachas de pneus e novas tecnologias... mas ela cria muito poucas.

Estarei enganado e aqueles valores são mais dos materiais/marketing e menos da investigação?

Investigação e criação não é a mesma coisa. O designer da ProAc Stuart Tyler tém habito de dizer: Hà os que procuram e os que encontram... , então diria a mesma coisa para os giras, sém que seja obrigatoriamente do marketing ou do abuso do consumidor...

Todos os giras que citei até agora, fizeram evoluir o mundo do audio, alguns foram copiados, outros foram complétamente originais, outros mudaram o comércio audio, outros foram a faisca de toda uma escola etc etc etc... mas encontrar hoje uma equivalência num espectro largo é dificil ...


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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Set 09 2016, 10:13

O tempo tem escasseado, mas assim que pudere vou ter muito que ler.

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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Set 09 2016, 10:24

António José da Silva escreveu:
O tempo tem escasseado (...)

Pois... Os dias estão mais curtos. Smile
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Set 09 2016, 11:38

TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:
... Ainda assim pergunto: não haverá nenhum deste século (XXI) que tenha alterado o uso da Técnica e possa marcar uma viragem de página (revolução)?

Se olhar atentivamente para o que existe hoje que eu conheça, o termo revolução sò pode ser utilisado para o gira ELP e de uma maneira mais reservada para o Grand prix audio Monaco...

(...) um exercicio de estilo não é complétamente um gira... pois é um exercicio à volta do gira !!!...

Paulo, marcas como a Kronos ou Triangle Art inovaram no sentido da revolução técnica ou usaram materias de topo dentro de uma técnica já testada?

Pareçe-me ser mais expoentes de fabricação e de precisão que verdadeiramente aparelhos revolucionarios no sentido da criação e do génio...

(...)

Estarei enganado e aqueles valores são mais dos materiais/marketing e menos da investigação?

Investigação e criação não é a mesma coisa. O designer da ProAc Stuart Tyler tém habito de dizer: Hà os que procuram e os que encontram... , então diria a mesma coisa para os giras, sém que seja obrigatoriamente do marketing ou do abuso do consumidor...

Todos os giras que citei até agora, fizeram evoluir o mundo do audio, alguns foram copiados, outros foram complétamente originais, outros mudaram o comércio audio, outros foram a faisca de toda uma escola etc etc etc... mas encontrar hoje uma equivalência num espectro largo é dificil ...


Bom dia Paulo!

Agradeço a cuidada resposta, fiquei completamente esclarecido. Wink

Não conhecia Grand Prix Audio Monaco ou outros referidos, mas tentarei ler e compreender algo sobre eles.

A questão colocada pelo designer da ProAc Stuart Tyler é interessante e vai ao encontro do que pensava antes. Porque o que queria mesmo compreender era isso que depois disse: hoje não há nenhum a fazer "escola" num espectro largo. Eu não conheço nem domino as questões técnicas e por isso perguntei, aquelas "grandes máquinas" sempre me pareceram conduzir pelo lado da excelência, mas sem que se marcasse uma tendência - apostaria apenas numa tendência para o Mercado Muito Alto: mais é mais.

Não queria colocar a questão do Marketing como "diabólica", porque o Marketing não é algo necessariamente mau. Há por parte de algumas marcas o apelo a um certo público e isso nada tem de errado. Se o desempenho acompanhar o "exercício de estilo", então que sigam!

Esperarei pelo décimo da curta lista e por outras listas, caso lhe passem pela cabeça!
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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Set 09 2016, 16:52

TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:
... Ainda assim pergunto: não haverá nenhum deste século (XXI) que tenha alterado o uso da Técnica e possa marcar uma viragem de página (revolução)?

Se olhar atentivamente para o que existe hoje que eu conheça, o termo revolução sò pode ser utilisado para o gira ELP e de uma maneira mais reservada para o Grand prix audio Monaco... o resto, mesmo quando é singular e incorpora algumas ideias originais, é demais consensual e jà imaginado no passado. O duplo prato da Kronos jà tinha existido na 47labs, houve um prototipo da Transcription e da Onken no japão, então é dificil de encontrar algo que cumule suficientemente de soluções originais e eficientes. Existem muitos exercicios de estilo caros e a alto desempenho, mas não é representativo de uma produção comum e se quizesse falar desses exemplos, teria postado o Goldmund Référence que é o pai dos exercicios de estilo para milionàrios e que jà é velho, ou então mesmo alguns giras de topo da Nakamichi, Onkyo, Kenwood trio e sobretudo Micro-Seiki... ou mesmo o fabuloso Sonecma Mercuro (sem eixo e num banho de mercurio) que é contemporaneo do Verdier. Mas, um exercicio de estilo não é complétamente um gira... pois é um exercicio à volta do gira !!!...

Paulo, marcas como a Kronos ou Triangle Art inovaram no sentido da revolução técnica ou usaram materias de topo dentro de uma técnica já testada?

Pareçe-me ser mais expoentes de fabricação e de precisão que verdadeiramente aparelhos revolucionarios no sentido da criação e do génio...

Não sei se me faço entender, mas sempre olhei para essas marcas como Fórmula 1, onde tudo se inova e testa, até que se torne "uso corrente" - como a "idler", correia, suspensão, direct drive, etc. ...

A Formula 1 utiliza muitas tecnologias radicais, mas cria muito poucas. A fibra de carbono, as peças em titânio ou os discos de travão em ceramica de aluminium, não foram criados para a Formula 1 mas são frequentemente utilisados. A Formula 1 existe para montrar um expoente de velocidade Segura e testar borrachas de pneus e novas tecnologias... mas ela cria muito poucas.

Estarei enganado e aqueles valores são mais dos materiais/marketing e menos da investigação?

Investigação e criação não é a mesma coisa. O designer da ProAc Stuart Tyler tém habito de dizer: Hà os que procuram e os que encontram... , então diria a mesma coisa para os giras, sém que seja obrigatoriamente do marketing ou do abuso do consumidor...

Todos os giras que citei até agora, fizeram evoluir o mundo do audio, alguns foram copiados, outros foram complétamente originais, outros mudaram o comércio audio, outros foram a faisca de toda uma escola etc etc etc... mas encontrar hoje uma equivalência num espectro largo é dificil ...


Neste aspecto não estou tão de acordo com o Paulo, pese embora, como já afirmei muitas vezes antes, concorde que hoje em dia não há ideias absolutamente inovadoras.

Não é por ter um, mas penso que o Well Tempered Amadeus GTA, é algo que desafia o convencional e obra de um Projectista (com "P" maiúsculo) genial - William Firebaugh.

"Roubando", descaradamente, o texto traduzido da apresentação do mesmo, temos:

Controlando as ressonâncias mecânicas do braço de leitura
O braço de leitura Amadeus não tem um eixo no sentido habitual do termo. Muitos braços utilizam rolamentos de alta qualidade que têm folgas de mícrones. No entanto, é a esse nível que toda a acção se desenrola. O eixo do Amadeus tem folga zero e amortecimento para conseguir um desempenho excepcional. A estrutura do braço inclui uma bola de golfe parcialmente imersa num fluido de silicone de elevada viscosidade. As bolas de golfe são feitas de forma muito precisa e são adequadas para este fim. O grau de amortecimento é regulável. Um braço sem amortecimento causará movimentos notórios no cone de um subwoofer (vulgo rumble).

Controlando a ressonância no interior do tubo do braço
O tubo do braço de 10.5 polegadas do Amadeus está cheio de um tipo especial de areia, para eliminar quaisquer ressonâncias. Esta técnica é muito eficaz e é exclusiva aos produtos Well Tempered.

Estabilidade rotacional do eixo do prato
O veio arredondado do prato do Amadeus roda numa chumaceira com orifício de secção triangular, em Teflon. Um dos vértices do triângulo fica orientado na direcção do motor. Esta configuração faz com que o veio rode num espaço sem folga mecânica. Se o veio se encontra num orifício redondo normal, o contacto com a superfície interna da chumaceira acontece num único ponto, uma condição que pode causar instabilidade rotacional. Com o veio redondo em rotação num orifício triangular o contacto acontece em dois pontos, resultando em folga “zero” e num elevado grau de estabilidade.

Ruído da chumaceira
O Amadeus usa uma chumaceira elaborada com Teflon. O veio de aço inoxidável termina numa ponta moldada com precisão, que se insere num pequeno buraco situado na base interna da chumaceira, conseguindo assim um nível mínimo de ruído.

Prato de acrílico
O prato do Amadeus é feito em acrílico. Para além de ter desejáveis propriedades mecânicas, este material é relativamente pesado, resultando num momento de inércia optimizado para se conseguir baixa vibração e variação de velocidade.

Correia de transmissão
Durante a pesquisa, foram medidas centenas de correias de vários tipos, tendo como critérios a vibração e a variação de velocidade. Nenhuma tinha as excelentes características da correia do Amadeus. A correia do Amadeus é um monofilamento de poliéster com um diâmetro de 0.004 polegadas (0,1mm). Para se usar esta correia é necessário um nó e isso habitualmente causa problemas. Esses problemas foram resolvidos através de uma polia de desenho especial que acomoda o nó. Para além de ser uma correia superior, utiliza um material  amplamente disponível e fácil de adquirir. Para testar a durabilidade desta correia, sujeitei-a a um teste de operação contínua durante cinquenta dias, sem efeitos negativos.

Motor e controlo do motor
O Amadeus usa um pequeno motor DC, controlado por um servomecanismo concebido pela Well Tempered. O motor é montado no chassis e isolado mecanicamente de forma muito eficaz através de um anel de material isolante. A combinação da correia, do motor, do servomecanismo e do isolamento garante vibração e excentricidade rotacional baixas.

Chassis e Base de Isolamento
O chassis do Amadeus é constituído por uma sanduíche de duas camadas de MDF com acabamento lacado a preto. A versão GT tem um acabamento de acrílico preto. Tanto o Amadeus como o Amadeus GTA utilizam pés de isolamento especiais, também em forma de bola.

Não se trata de um gira com uma aplicação de técnicas absolutamente inéditas, mas com a aplicação das técnicas já pensadas de uma forma artesanal apaixonante. Muitos dos giras aqui referidos também não aplicam todas as técnicas absolutamente inéditas.

Mas o braço e a transmissão - não belt drive, mas sim, aquilo que chamo de fishing line drive ou Hair drive    , são absolutamente inéditos como aplicação efectivas.
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Set 09 2016, 17:23

Boa tarde Gonçalo!

Eu não sei se esta sua participação irá desbloquear o "décimo", mas gostei muito do que li!

Não conheço o seu gira-discos e foi por meio da participação aqui que fiquei a saber da sua existência. É incrível o uso da Lógica para se chegar à optimização de técnicas já conhecidas, o que no fundo até poderia ir ao encontro do que questionei: poderão fazer "escola"?
Pelo menos pelas palavras parece tudo simples!

A Rega fez escola, de alguma forma hoje o mercado está cheio de "Regas" e "Projects", ainda que muitas vezes disfarçados com outros nomes ou cores, uma forma mais assim ou mais assado...

Não é por acaso que até "kits" resultem em gira-discos muito parecidos com os dessas marcas e que outras marcas cresçam pela via do "tuning" dessas máquinas/kits.
Talvez o Paulo tenha razão e talvez a estagnação aconteça...


No limite é de Eficiência que se fala, o que tenho aprendido por aqui é que com maior ou menor "originalidade", alguns conseguiram aplicar técnicas com resultados de excelência! (virar algo do avesso não será inventar uma coisa nova, mas é ver algo que ninguém tinha visto antes...)



Eu que vivo todo contente com um Lenco sem alterações por vezes dou comigo a pensar... Há mesmo peças interessantes que escapam a quem pouco sabe! Wink

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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Set 09 2016, 18:50

Caro José Miguel,

Vive contente e vive muito bem, com o Lenco!

Há já algum tempo que não ouvia um Lenco, até ao último PortugÁudio e lembro-me bem do prazer com que todos ouvíamos os disponíveis. Lembro-me também do entusiasmo do José Vitor Henriques e da entusiamante reportagem e entrevista que fez ao Luís Gaio (Kazumbi). Na anterior edição tínhamos ouvido o AntiLenco e não um Lenco.

O Lenco não tem, nem pretende ter, a ambição de um produto audiófilo, no conceito tradicional, mas que faz corar de vergonha, muitos dos que têm essa pretensão, lá isso faz

cheers
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Set 09 2016, 19:28

A minha observação final ia mais no sentido da falta de informação e falta de visibilidade de algumas marcas. Claro que para quem anda e conhece o meio será diferente, mas para um "curioso" como eu fica mais complicado.

A propósito disto lembrei-me das nossas mudanças - amplificador e colunas. Por acaso as pessoas que estavam a vender foram incríveis, permitindo a experiência, mas são peças que andam SOB o radar, de marcas sem visibilidade e a alegria que nos dão...

Era neste sentido que falava, eu fui tocado pelo Lenco, sabia das limitações da minha procura, hoje talvez fosse diferente a procurar, mas o Mercado está complicado - principalmente para as peças de "fama".
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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Set 09 2016, 19:55

Se a escolha do amplificador e das colunas foram através do sentimento pessoal e do prazer de audição, então essa é a escolha acertada e inteligente, pese embora nem sempre seja fácil, pois todos somos tocados pelo marketing e pela influência que este exerce sobre nós.

Todos os que passam ou já passaram pela experiência do lado de dentro da actividade comercial da coisa, sabe bem as pressões exercidas.

Certas marcas, com equipamentos excelentes em todas as vertentes que constituem um sistema de áudio, não são alvo de críticas de áudio, em revistas da especialidade, porque é como tudo na vida. A força do dinheiro conta e muito. Quem não paga não brada.

Construtores, distribuidores e agentes que não alimentam os vícios desta gente, deixam de contar para a badalação do "jetset" audiófilo ou pseudo.

Mas insisto. A escolha certa e inteligente é aquela que é ditada pelos nossos ouvidos.
cheers
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Ghost4u
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Set 09 2016, 23:02

Goansipife escreveu:
(...) penso que o Well Tempered Amadeus GTA, é algo que desafia o convencional e obra de um Projectista (com "P" maiúsculo) genial - William Firebaugh.

Partilho da mesma opinião, apreciando mais esse modelo, comparativamente aos que o representante luso tem em exposição do fabricante germânico de gira-discos em acrílico.
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ducar
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Set 09 2016, 23:10

Goansipife escreveu:


Mas insisto. A escolha certa e inteligente é aquela que é ditada pelos nossos ouvidos.
cheers

Isso é o mais importante, a opinião dos restantes vale o que vale.



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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Set 10 2016, 09:26

[quote="Goansipife"]
TD124 escreveu:
José Miguel escreveu:
... Ainda assim pergunto: não haverá nenhum deste século (XXI) que tenha alterado o uso da Técnica e possa marcar uma viragem de página (revolução)?

Se eu olhar atentivamente para o que existe hoje que conheça, o termo revolução sò pode ser utilisado para o gira ELP e de uma maneira mais reservada para o Grand prix audio Monaco... o resto, mesmo quando é singular e incorpora algumas ideias originais, é demais consensual e jà imaginado no passado. (...)

Neste aspecto não estou tão de acordo com o Paulo, pese embora, como já afirmei muitas vezes antes, concorde que hoje em dia não há ideias absolutamente inovadoras.

Não é por ter um, mas penso que o Well Tempered Amadeus GTA, é algo que desafia o convencional e obra de um Projectista (com "P" maiúsculo) genial - William Firebaugh. (...)

È sempre dificil de realizar uma classificação honesta e justa, pois trata-se de deixar de lado a subjectividade afim de permitir aos factos indiscutàveis de se afirmar. O topico chama-se (10 para a historia), então não se trata dos que soam melhor ou mais caros ou mais extravagantes... mas os 10 mais influentes simplesmente...

Escolhi-os por ordem de idade, originalidade conceptual, influência técnica e socio-hifista e enfim desempenho na data de saida. Eles apareçem por ordem de saida do gira analisado e não por ordem de idade da marca, pois a Pink Triangle é anterior à Roksan e mesmo ao Verdier, e a Thorens e Garrard anterior à EMT.

Se olhar para tràs os eleitos jà analisados, simplesmente a Linn e a Rega não são de uma originalidade tecnologica superior mas a influência é devastadora. A Rega pelo seu estilo é a mais copiada das marcas, e a Linn pela sua influência arrogante durante 35 anos é a marca à qual todos os outros se comparam e que TODOS ambicionam destronar... então com uma influência tal estão muito bem aonde estão...

Não mencionei detalhadamente (ném tive em consideração), os braços fabricados pelas firmas citadas, pois tanto a EMT que a Technics, Linn, Rega, Roksan... fizeram coisas absolutamente fantàsticas, mas concentrei-me sobre o gira bolachas como elo independente...

O Well tempered é um grande gira recheado de particularidades (não originalidades) muito intéressantes, sobretudo ao nivel do braço. Soa muito bem e é suficientemente conhecido para pertençer a uma lista mais longa... mas no contexto de dez està imho demasiado afastado dos jà citados nos critérios que espliquei. Marcas como a Avid, Funk Firm, Oracle e etc estariam melhor posicionadas para esse lugar... mas a influência técnico-social não é das melhores.

Então pelo momento, o que se aproxima mais de o que penso é o Jean Nantais turntable...

Vamos a ver !!!

cheers

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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Set 10 2016, 10:26

Bom dia!

O Paulo está a referir-se ao Reference (Lenco!?!?)?

Em cima referi que Rega e Project são a base de muitas marcas, mas Jean Nantais passou a ser uma espécie de "guia" para quem quer elevar uma máquna de "ontem" a um nível de excelência "hoje" - pelo menos é o que me parece.

Quem compra fica rendido, depois há quem siga a evolução do Reference e tente aplicar.


Ainda estou meio a domir, a noite foi longa e hoje a manhã de trabalho já pesa...
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Set 10 2016, 12:59

José Miguel escreveu:
(...)O Paulo está a referir-se ao Reference (Lenco!?!?)?

... mas Jean Nantais passou a ser uma espécie de "guia" para quem quer elevar uma máquna de "ontem" a um nível de excelência "hoje" - pelo menos é o que me parece.(...)

Efectivamente estou a falar do JTN Reference Lenco, aonde o termo Lenco està mais por respeito ao concepto original que verdadeiramente por razões fisicas pois, fora o motor, a chapa de corpo (muito modificados) e o prato o resto é tudo novo e diferente...

Eu não diria que ele agarrou num gira velho e fez um novo de alto calibre... mas diria poéticamente que ele agarrou num patinho feio e transformou-o num esplendido cisne de um branco imaculado. De uma certa maneira ele transformou o chumbo em ouro... então é um alquimista que encontrou a pedra filosofal, e não consigo pensar a outra pessoa que tenha feito isto na historia dos gira-discos...

Pmoura43 escreveu:
... O Lenco de origem, sem qualquer tipo de alteração, é imho um gira-discos normal como tantos outros, com o braço que trás de origem.   ... Eu já tive três que transformei, e nunca consegui atingir o Santo Graal, com nenhum deles, ...

Esta frase do amigo Pmoura43 (que partilho...), indica que não basta "seguir" umas quantas modificações do JN para obter um Reference (ou algo parecido) e tenho um amigo muito activo no Lenco Heaven que modificou complétamente o seu Lenco até à chumaçeira em ceramica de aluminio... e continua a estar longe de um bom moderno, então do JTN ném se fala... por um preço total que ultrapassa jà os 3000€...

Mas, como diz o meu amigo, a culpa é do Jean Nantais!... pois sém esse homém os Lenco's estariam na bruma do esquecimento ou no lixo, o forum LencoHeaven nunca teria existido, o mega thread Lenco no Audiogon também, não existiriam milhares de pessoas a possuir e a modificar esse aparelho, a Artisan Fidelity, OMA, anTiTon, Peter Reinders PTP e outros modificadores nunca se teriam interessado a esse aparelho e sobretudo o Arturo Salvatore nunca teria escrito: This is the finest turntable I have ever heard..., e talvez voçê e muitos outros não teriam esse aparelho...

Penso que com este ultimo paragrafo, jà existiriam razões suficientes para admitir que o JNT entou na lenda e então na historia...sém que consiga pensar a um outro caso equivalente, mas hà mais:

Goansipife escreveu:
...O Lenco não tem, nem pretende ter, a ambição de um produto audiófilo ...

... ora o JTN Reference é um expoente de audiofilia (não o maior é certo, mas està entre os cinco), então este aparelho começa a ter demasiada influência e qualidade para ser visto como um Lenco amelhorado...

Mas, efectivamente o JN não é um criador no sentido técnico, pois na realidade não é um... mas é um sacana de imenso amelhorador e continuo a me questionar se o décimo não deveria ser um aparelho mais mainstream e consensual, pois amelhorar um gira é fazer um ou não???... o Garrard 301 da Shindo é uma obra do Shindo ou continua a ser o Génio do grande Mortimer???... então o JTN Reference é a obra do JN ou continua a ser o génio do Fritz Laeng que concebeu o sistema Lenco ?????... é complicado este aspecto e efectivamente pode determinar que o JTN Ref. não seja o décimo... mas que mereçe é certo !!! cheers

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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Set 10 2016, 13:41

Caro Paulo, eu tive o cuidado de questionar o nome Lenco porque não consigo olhar para o Reference como um.
Em casa nós temos um Lenco, admito que com um braço e plinto novos se tenha um Lenco... Quando se muda e constrói cada peça melhorada eu já não consigo ver o mesmo.

Eu já li muito sobre o Reference, mas não cheguei ao Lenco por ele (directamente e por comparação, entenda-se). O Reference passou a ser isso mesmo, uma referência, algo no horizonte, mas que sei não ser a terra firme que piso.


Por outro lado...

"Re-construir" é para mim construir, depois entraremos num debate sobre a originalidade da construção... Há quem tente ser mais fiel, há quem tente inovar mais - acrescentando.
No acto de re-construir há sempre algo que se acrescenta, há lugar ao novo, ao pessoal, à criação...


Voltando a este caso: talvez um dia tenha a felicidade de ouvir um Reference, como gostava de ouvir um Garrard melhorado e outros... que incorporam o génio de quem lhes tocou.



Paulo, mesmo que não escolha o Reference, escreva umas linhas sobre a sua experiência com ele.
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