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 Dez giras para a historia...

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TD124
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MensagemAssunto: Dez giras para a historia...   Qua Ago 03 2016, 13:13

Um amigo meu pediu-me para traduzir a Breve historia dos gira-discos que eu tinha escrito no forum audioPT oito ou nove anos atràs. Aproveitei da tradução e da amelhoração dos artigos para fazer a historia em dez etapas/aparelhos. Então vou partilhar aqui os textos, e afim de ser objectivo voltei a escutar alguns dos giras, para me assegurar da sonoridade. Como sempre, e jà tinha sido o caso na altura, alguns (ou muitos) de entre vòs não estarão de acordo com as minhas escolhas...  mas tentei argumentar suficientemente para que sejam compreendidas. Então vamos jà atacar a coisa pelo N°1 !!!

PS: No respeito da mesma coisa, farei os Dez valvulados para a historia... um destes dias !!!

cheers


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Artigo Completo para download.
Anexos
Dez giras para a historia.pdf
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Dez giras para a historia.docx
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TD124
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MensagemAssunto: O EMT 930   Qua Ago 03 2016, 13:20


Passaporte : O EMT 930 nasceu na Alemanha em 1956 e era fabricado pela Elektro-Mess-Technik (EMT) fundada pelo Wilhelm Franz. Este aparelho é a versão compacta de um monstro com um prato de 44cm que é o mitico EMT 927 (1951). A existência de discos de 16’’ no principio dos anos cinquenta justificava o enorme prato do 927, mas a passagem gradual ao formato actual de 12’’ permitiu de reduzir o diâmetro e de lançar o 930 que era mais economico a produzir. A noção de economico quando se fala de um EMT é muito relativa, pois tudo neste aparelho respira a perfeição formal e o seu preço foi sempre muitissimo elevado. È impossivel de saber se o W. Franz estava consciente de desenhar o maior gira professional da historia durante a conceção deste aparelho, mas a longevidade de produção unica deste aparelho 1956/1982 vai provar por si sò o apelido.

O Mito : Muitas vezes o termo mito é uma expressão exagerada, mas no caso do 930 é impossivel de ver uma qualquer ambiguidade nesse apelido. Este aparelho é a evolução do mais influente gira professional da historia e a sua fabricação vai estabelecer um estandarte de exigência raramente ultrapassado. Trata-se do unico gira que atravessa quase trinta anos de produção sém modificação e que se estende da época do vinilo mono até ao nascimento do CD. As suas qualidades mecânicas e sonoras, ultrapassam as da maioria dos giras actuais e o seu preço em segunda mão continua muito elevado.

Apresentação : O EMT 930st é um aparelho a encastrar nas mesas de estudio ou da radio. O prato està mergulhado no corpo afim de permitir de manipular os comandos e os vinilos com os braços pousados na mesa, e sem esforço. O prato em Zamac tém uma geometria muito particular. Quase todo o peso està no espesso anel/disco de periferia, afim de aumentar o momento/movimento de inércia durante a rotação, o que estabilisa a velocidade. O véu do prato é fino, com quatro grandes buracos para evitar as resonancias. O prato tém um barulho muito surdo, mesmo quando se bate com um objeto pesado e duro. O eixo principal de 12 mm de diametro, tém um comprimento excepcional de 15 cm !!! Isto permite ao 930 de ter uma rigidez prato/braço fantastica. O prato principal é recoberto de um disco em acrilico que serve de tapete e aonde estão gravados os indices do estroboscopio. O disco em acrilico està em contacto com o prato através de uma camada de grafite, o que permete ao disco de escorregar sobre o prato principal quando està travado e de arrancar imediatamente desde que se levanta o travão. O grafite como é um bom condutor permite também de descarregar as cargas electroestaticas do disco, e de evitar os estilhaços à escuta. Em quase todos os giras a roda, esta ultima tém uma geometria em forma de lamina na periferia que toca com o prato (entre 1 e 2mm). Isto é feito assim para evitar que quando o paralelismo roldana/prato não seja optimo, a roda não salte e modifie a velocidade instantanea. Ao contràrio, no 930 a roda tém uma superficie de contacto com o prato de 6mm !!!, isto é feito assim, porque esta grande superficie de contacto é necessaria, para que o prato arranque imediatamente e sem patinar. Para evitar que o paralelismo se desafine, a roda é dirigida por braços guias de 10cm, perfeitamente equilibrados, e que asseguram o paralelismo em todas as situações. O motor é um exemplo perfeito do rigor de construção desta maquina. O eixo é montado em rolamentos de precisão, o que geralmente é a pior das soluções para o ruido de rotação, explicando que isto nunca se faz. Mas no EMT 930 os rolamentos são tão bem ajustados, que uma vez o motor montado, nao hà barulho algum quando roda e mesmo com um estétoscopio pousado no corpo, a vibração é quase inaudivel. O corpo é feito em bakélite e isto fez pensar a alguns que era uma tentativa de fazer economias. Não se trata disso !!! A bakélite amorteçe as vibraçoes melhor que o Zamac e como o 930 não tém suspensão nenhuma, o corpo vai minimisar a transferencia das vibrações entre o conjunto motor/chumaçeira/braço. A chumaçeira està mergulhada em três braços que formam uma cruz sem uma das pontas. A quarta ponta é feita pelo suporte de motor o que vai aumentar a rigidez do resto. A espessura do corpo nunca desçe a menos de 15mm !!! O braço Ortofon RMA-229 de 10 polegadas equipava os primeiros 930st e a partir de 1972 o braço EMT 929 serà o equipamento de série. O 930st através da potência do seu motor e do sistema de roda directo, arranca e estabiliza a velocidade em menos de um quarto de segundo, e a estabilidade da velocidade atingida é de 0,01%.

Avantagens : O rigor da fabricação, a perfeição do estudo e a qualidade das peças, fazem do EMT930st um dos mais belos exemplos de mecanica intemporal. Tudo nele participa ao resultado final, e cada detalho é feito para dar um resultado concreto e objectivo.

Inconvenientes : E um aparelho profissional sem defeitos na aplicação para a qual foi estudado e concebido. Isto explica a sua longa vida commercial. No entanto, o aparelho possui vàrios inconvenientes para uma utilisação doméstica. O tamanho e a altura do aparelho tornam a fabricação de um plinto muito dificil e pousado na sua armadura de aço, o aparelho não soa tão bem como quando està encastrado…

Escuta : Rigor e tensão, são as primeiras qualidades ressentidas. O peso elevado e a ausencia de suspensão permitem uma banda muito larga com contornos muito bem definidos. A qualidade das peças em movimento e a ajustagem aumentam ainda a sensação de definição e de transparência. A linearidade é fantastica e nenhuma banda de frequências nao vém cobrir as outras. A ritmica é muito boa e perfeitamente modulada. O som é rapido e a dinamica explosiva, mas o som denota em permanência uma materialisação generosa, mas algo excessiva. Sem ser um gira dark-side, o EMT 930 não é um exemplo de fluidez ném de elegância. O seu som é majestuoso e arrogante, priveligiando as qualidades imediatas da musica. Isto conduz à principal reticência auditiva que vai para a modulação fina que não atinge nos médios nem a subtilidade nem a expressividade de outros GD, mas que é no absoluto de um alto nivel. Um gira que tira uma linha entre passado e presente, e que por certas qualidades auditivas, continua a ser unico…

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Última edição por TD124 em Qua Set 14 2016, 08:12, editado 3 vez(es)
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 03 2016, 13:55

Boa tarde Paulo!


Parabéns por mais este exercício de compilação de peças com história e muitas histórias.

Por coincidência a leitura foi acompanhada Thick as a Brick dos Jethro Tull, uma estória que acompanha muito bem o seu texto. (aqui a rodar no simples e leve Sony PS-1150)

Continue esta jornada e que venha o próximo! Wink
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luis lopes
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 03 2016, 15:04


acompanhada no passado, e agora
revista no presente
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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 03 2016, 17:32

Ansiosamente esperando pelos outros 9
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TD124
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MensagemAssunto: O Garrard 301   Qua Ago 03 2016, 18:24


O Passaporte : O Garrard 301 nasceu em Swindon (UK) e era fabricado pela Garrard Engineering, uma veneràvel instituição que tinha fabricado o Garrard 201 (primeiro direct-drive!) que acompanhou os soldados aliados até o fim da II grande guerra. O projecto foi lançado em 1951 e confiado ao engenheiro E.W.Mortimer, que conçebeu o motor e a estrutura mecanica. Os primeiros 301 começaram a sair da fàbrica em 1954. Existem dois tipos consoante a época que são os « grease bearing » e o « oil bearing » que corresponde à lubrificação do eixo central por massa “grease” ou a oleo “oil”. Os mais antigos são de cor cinzenta martelada e eram feitos com os restos do armamento da segunda grande guerra, depois a cor ficou a ser creme branqueado.

O Mito : E.W.Mortimer pode estar orgulhoso. A maquina que ele criou em 1954 continua a desafiar o tempo e mesmo a logica. Contemporaneo dos grandes EMT profissionais o G301 é anterior à gravura estéreo. Uma mecanica simples e robusta, materiais de qualidade e um belo equilibrio das massas em movimento são as qualidades reais do aparelho, mas que infelizmente não explicam o som perturbante que ele pode procurar. Os segredos desta maquina serão impossiveis a compreender durante muitos anos e isto participa ao mito. Os seus defeitos são a sua maior qualidade e isto desafia a mecanica. De uma certa maneira, a lenda do Garrard 301 é directamente relacionada à BBC que o imortalisou. Esta màquina sendo o equipamento oficial da mais exigente e veneràvel instituição radiofonica da historia, tornou-se directamente um simbolo de qualidade intemporal. Pessoalmente, penso que é um enigmàtico equilibrio ou alquimia entre a beleza e o som deste aparelho que explica a paixão desmedida que lhe é retribuida…

Apresentação : Primeiro GD considerado verdadeiramente de alta-fidelidade (doméstico), o G301 é um mito absoluto e a sua procura continua actualmente e os preços continuam elevados para uma maquina que tém mais de cinquenta anos. È um « idler drive » o que quer dizer que o prato é movido por uma roda em borracha. O motor possede uma polia a três degraus, que em contacto com a roda (que està em contacto simultaneo com a polia do motor e com o interior do prato) permitem de obter as velocidades de 78, 45, e 33 voltas por minuto. Um travão magnetico permite de variar a velocidade de +/- 3%. Nao é um GD no sentido proprio mas um motor de reprodução « transcription motor », pois de origem não tem braço nem base, é feito para ser encastrado num movel e ligado ao braço que se quizer. Cerca de 100000 foram produzidos entre 1954 e 1966. O motor de 16 Watts é potente e uma das suas maiores qualidades e defeitos. Este motor foi concebido entre 1951 e 1953 e explica o prazo longo entre o lançamento do projecto e a fase de produção. È unanimamente considerado como o melhor motor dos giras clàssicos a roda e fabricado com uma grande precisão. O corpo do motor em zamac possui estrias de dissipação térmica, o que estabilisa a temperatura de funcionamento e amelhora a estabilidade da rotação. A suspensão do motor é muito eficaz e permite de filtrar as vibrações deste, mas o rumble é um dos mais elevados dos giras clàssicos a roda.

Avantagens : A trilogia motor potente, mecanica simples e pragmatismo concetual inglês, fazem do G301 um verdadeiro camião. Isto nunca avaria e roda sempre a uma velocidade relativamente justa. O sistema de roda impede as micro-travagens quando os sulcos são profundos ou com celulas com força de apoio elevadas. O sistema de roda permite também de auto-amortecer o prato que cria um grave profundo e definido e uma frequência de resonância estavel. A escolha de um braço de 9 a 12 polegadas é mais facil e a base pode ter a estetica que se deseja. O gira pode ser facilmente amelhorado com varios « tweeks » disponiveis. Tudo ou quase é metalico e se desmonta com uma chave de fendas o que permite de o reparar facilmente no caso de um problema qualquer. O prato existe com as marcas estroboscopicas para uma utilisação BBC, ou liso para utilisação doméstica.

Inconvenientes : Muitos !!! A sagrada rigidez braço/prato não é optimal (é mesmo muito mà) neste GD, o motor « polui » magneticamente as celulas com resultados estranhos (é um ponto em que o G401 é superior), e vibra demasiado devido à potencia e à equilibragem que não é muito precisa, a polia de pequeno diametro que roda a 1500 vpm, derrapa (micro-derrapagem) sobre a roldana e faz variar a velocidade do prato, a ausencia de suspensão e as vibrações do motor conferem-lhe um rumble importante. A simplicidade de fabricação e as toleranças largas do eixo principal fazem com que a precisão de leitura dos micro-sulcos não seja ideal (exceção feita do grease-bearing). Ultimo ponto, o barulho de ferro-velho dos cardans de comando, dão uma sensação tàctil rafeira ao GD, mas os aficionados adoram, pois faz parte do objeto.

Escuta : O G301 é um aparelho magico. Os dois tipos grease/oil possuem uma sonoridade oposta e algo complementar. A soma dos seus defeitos daria em todo outro GD um lamentavel fiasco. No G301 esses defeitos tornam-se em qualidades hipnoticas. A dinamica do 301 (oil) é fantastica, quase selvagem. A musica tem vida, ritmo e abertura. As vozes teem uma materia e uma espessura unica, devido ao braço separado, e que é dependente deste e do plinto. A ausência de rigor fina (devido entre outras, às tolerancias largas de fabricação) produz um som aveludado nas vozes, e nos saxophones que não existem em nenhum outro GD. O 301 transforma a ausência de justeza e rigor, num som humano que enfeitiça o auditor. E um dos raros giras que marca o som da mesma maneira, qualquer que seja o braço, célula, ou phono associados. Em resumo o G301 (oil)) brilha pela dinamica e pela vida que confere à musica, a subtilidade, a elegancia e a justeza ele deixa ao seu irmão mais velho equipado do grease-bearing. Efectivamente o G301 (grease) ofereçe uma apresentação da musica complétamente diferente e aonde a suavidade e o feltrado elegante são de referência. Este gira criou o arquetipo do que se chama o som inglês e explica que seja mais procurado do que a versão oil. No entanto, mesmo se a linearidade, modulação fina e equilibrio são superiores, o G301 (grease) não atinge o grau de impetuosidade e expressão imediata da versão oil. O Garrard 301 é então consoante o modelo, uma espécie de dr Jekyll et mr Hyde que perturbam os sentidos…

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Última edição por TD124 em Qua Set 14 2016, 08:12, editado 3 vez(es)
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 03 2016, 19:02

Muito bom texto e descrição, como já disse várias vezes este é um daqueles que por alguma razão lá me toca - sim, é a imaginação a trabalhar, nunca ouvi.

O texto alimenta ainda mais a curiosidade e, claro está, a imaginação... vou trabalhar mais um pouco, por momentos viajei.

O seu fica muito bem na imagem! Wink
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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 03 2016, 19:11


Para ler, reler, e, guardar....
Obrigado, Paulo!

cheers
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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 03 2016, 19:18

Dois grandes textos

Espero ansiosamente pelos TD124 e Lencos

cheers
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anibalpmm
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 03 2016, 20:44

Belos textos    
Ansiosamente a aguardar os restantes 8
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Ghost4u
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 03 2016, 22:30

anibalpmm escreveu:
(...) Ansiosamente a aguardar os restantes 8

Quiçá, surja o Roksan Xerxes e o Pink Triangle (gira-bolachas "projectado" para o sistema da Pantera Cor-de-Rosa).
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mannitheear
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qui Ago 04 2016, 08:51

Very nice!!!!

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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qui Ago 04 2016, 13:25




Next please
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EMCS
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Ago 05 2016, 04:27

Muitos , pela amplitude de informação que está de louvar   ...
Está verdadeiramente de apreciar as histórias e de continuar a ler os próximos 8 espécimes vindouros...

Grande narrativa e simplicidade no todo!!!
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okapi

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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Ago 05 2016, 06:35

Excelente artigo, para começar bem o dia, cá fico a aguardar os próximos artigos feitos de historia.
Interessante, Obrigado!
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jorge.henriques
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Ago 05 2016, 11:00

Bom trabalho! Wink

Mas esse "Avantagens" ... Cool
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TD124
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MensagemAssunto: O TD124   Sex Ago 05 2016, 11:29


O Passaporte : Estamos em 1957, um ano apòs a criação do EMT930. Na comuna suiça de St Croix, perto da fronteira françesa, um homem vai conceber um gira-discos que vai influençar a fabricação destas maquinas até aos dias de hoje. Chamava-se Louis Thevenaz, era o director do laboratorio de pesquisa da Thorens e é o pai do TD124, que é puramente e simplesmente « ao nivel technico » o mais fabuloso gira-discos mecanico jamais concebido. Esta afirmação faz a unanimidade no seio dos especialistas. Vamos compreender juntos porquê ! Afim de não repetir o livro (magnifico) do Joachim Bung, vamos nos concentrar sobre os detalhes tecnicos (e são muitos !!!) que fazem a grandeza desta maquina.

O Mito : Este aparelho cristalisa e materialisa a frase do grande designer Dieter Rams « Weniger, aber besser » o que significa ‘’menos, mas melhor realisado’’. Apesar de uma complexidade mecanica unica, o TD124 pilota-se com um unico botão que concentra todas as funções. Cada peça é feita sob medida (mesmo os parafusos), e do desenho à conceção mecanica cada elemento participa à eficiência da maquina. Jamais um aparelho serà tão visionàrio, influente e dominador na historia dos gira-discos e isto por si sò justifica o mito. Ultimo detalhe necessario para compreender esta maquina. O TD124 tem um segredo bem guardado pois é um caso unico de união do rigor alemão, com a originalidade conceptual françesa e o génio mecanico italiano. Isto tudo junto dà o que se chama a precisão suiça “la précision Suisse”.

Apresentação : Conceptualmente o 124 é radicalmente diferente do Garrard 301 e mesmo do EMT930, sendo finalmente a evolução (ou o cruzamento) de cada um deles. Mesmo se os ingleses o consideram como o Rolls Royce dos « transcription motors », não é o caso. O Thorens é um verdadeiro GD com um braço incorporado e uma base de apoio. Tem 4 velocidades 16, 33, 45 e 78, um verdadeiro stroboscopio integrado e uma regulação de velocidade de +/- 3%. Possui un sistema de travão e de arranque rapido e um adaptador de 45 (singles) escamotàvel. Tém um sistéma de equilibrio do nivel com uma bolha incorporada no corpo (muito importante com os “idler” pesados). È um gira semi-professional que ataca pela frente as Garrard e EMT, e isto explica o armamento excepcional embarcado. Existem dois modelos que são o TD124 (cor creme) e o TD124 MKII (cinzento claro) que tem uma estetica mais moderna e um prato em liga de aluminio (ZAMAC). O MKI foi produzido entre 1957 e 1965 e o MKII a partir dessa data até 1968. O MKII é o mais procurado, mas o 124 é para os especialistas melhor fabricado, soa melhor, e para os fanaticos é o unico e verdadeiro TD124.

Avantagens : A primeira é o sistema de motricidade unico (mixto de correia e roda). È um GD a roda (idler drive), mas o motor que possui uma polia unica, move através uma correia um volante que possui quatro polias que comandam a roldana. Este sistema permete de filtrar as vibrações do motor, de aumentar o diametro da polia e do volante e assim evitar a micro-derrapagem de fricção, e permete ao motor de esforçar menos e ser menos potente, o que produz ainda menos de vibrações. Três coelhos de uma cacetada, é isto que se chama a originalidade conceptual françesa. O sistema de arranque rapido é muito astucioso também. Para evitar a variação da velocidade ao acender o GD (e evitar o gasto da roda e do motor), o prato principal é coberto por um segundo prato em aluminio que se levanta (é um botão à esquerda do prato) enquanto o outro continua a rodar. A fabricação tém toleranças de uma precisão rara e superiores à EMT. O eixo principal forjado, torneado a frio e depois endurecido por cinco vezes e no final polido como um espelho (polido superior ao da Rolex na época) atinge a dureza de 75 HRC !!!, (é a mesma coisa para o eixo do volante e da roda). Està encastrado numa chumaçeira massiva com duas camisas de bronze esponja « sintered bronze » que absorvem o oleo e o restituem pouco a pouco, assegurando uma lubrificação continua. A tolerancia eixo chumaçeira é de <7 microns à saida da fabrica. O prato de 5 Kg é feito de aço ao carbono sem bolhas (cromolybden), como os guizos das vacas dos alpes, denso, duro, pesado e sobretudo inalteravel (a tolerançia de <7 microns foi escolhida, pois corresponde ao grão do aço cromolybden, e permite de atenuar a resonançia prato/eixo/roldana). Todas as peças em movimento são equilibradas dinamicamente, trabalham sem jogo nem barulho e esta maquinagem obcessiva é o rigor alemão. O supporte de braço pode ser mudado a qualquer momento, basta desaparafusar os três parafusos. O 124 é suspendido por quatro cogumelos em borracha « mushrooms » que são uma espécie de suspensão e que ajuda a diminuir o rumble associada à suspensão viscoelastica do motor. Os cogumelos entram en quatro botões em aluminio que movidos estabilizam o nivel do GD, que se pode controlar pelo nivel a bolha incorporado. Para acabar o corpo do GD é feito de liga de aluminio nervurado (Zamac). A estetica do gira é mais trabalhada que na Garrard ou EMT, com o prato coberto pelo corpo. Isto é o que as pessoas pensam, na realidade a forma do corpo é para aumentar a resistençia à torsão. O corpo do Garrard 301 tém uma resisténcia de 98 Kg, o EMT 930 de 154 Kg, e o TD124 de quase 480 KG !!! A forma é ditada pela função, e isto é o génio mecanico italiano. Esta ultima avantagem permete ao 124 de ter a sagrada rigidez braço/prato ao nivel dos melhores do mundo actuais. Esta maquina sém electronica e completamente mecanica, bem lubrificada e em bom estado tem uma velocidade estabilizada a 33 rpm, de 0,01%, podendo ser variada em funcionamento de +/- 3%, e um rumble ponderado de -60 dB (com os cogumelos em bom estado e a nivel) !!! E tudo isto em 1957, estão a compreeder porquê o 124 é o pai e o rei de todos os gira-discos modernos de topo de gama, e um caso unico na historia destas maquinas ?

Inconvenientes : O mais conhecido é o motor, melhor equilibrado, mais silênçioso, mas menos potente que o dos Garrard 301/401, ele pode apertar (e se destruir) se o eixo / volante / roldana não estiverem correctamente lubrificados. O prato em aço é magnético atrai os imanes poderosos (samarium/cobalto ou néodymium) das células MC (falseando o peso de leitura), é preciso escolher a célula com muita atenção. Enfim (para mim) o maior defeito é a precisão da fabricação. O motor do tipo 4 pôlos de technologia buraco de esquilo (squirrel hole ou cage d’écuereil), tem de aquecer a 40°C +/- 1,5° para estabilisar a sua rotação, e é de mesmo para as peças em movimento. Mesmo se é (relativamente) inaudivel, é necessario entre 10 e 15 minutos para que o prato esteja completamente estabilizado em rotação. O ultimo defeito (que explica que os « geeks / fanaticos » japoneses se tenham menos interessado ao 124 que ao G301, é o facto que o não pode ser amelhorado objectivamente. E uma forma de perfeição tecnica, e cada amelhoração estraga outras coisas, como se o Louis Thevenaz o tivesse bloqueado para a eternidade, e talvez seja melhor assim.

Escuta : Apesar da motricidade mixta, subjectivamente as qualidades da roda predominam e a banda baixa, a densidade e o rigor dinamico são do nivel do EMT930. No entanto as principais qualidades do TD124 são o equilibrio, a linearidade e a transparência. A banda é muito larga e o grave poderoso e profundo (um dos melhores), mas altamente dependente do braço. Mas a qualidade que todos reconhecem é o seu nivel de subtilidade no médium (com o motor quente). Tudo o que està no sulco se ouve, e a um nivel de precisão que nunca foi ultrapassado (mesmo pela EMT). Ao contrario do Garrard 301 ele não marca muito o som, o que o obriga a ser equipado com braço e célula de grande qualidade. Para mim o que é mais espectacular na escuta deste aparelho é a modernidade, o aspecto conteporaneo do som. Impossivel com o gira escondido de acreditar que ele tém mais de 50 anos de concepção. A associação com os braços Rega priveligia a banda e a dinamica, ora que com os SME 3009 é a fineza e a coerência que predominam. Estas qualidades evidentes de rigor, neutralidade e honestidade, téem como inconveniente uma sonoridade que pode pareçer mono-maniaca e algo sintética e esterilisada. Mesmo à escuta este aparelho continua a provocar sentimentos ambiguos…

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Última edição por TD124 em Qui Out 13 2016, 09:06, editado 3 vez(es)
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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Ago 05 2016, 12:44

Mais um excelente artigo

É claro que eu já fui ver à net os outros que escreveu, na altura, no audioPT. Mas não me vou adiantar

Sobre o TD124, tenho algumas questões antigas que gostaria de perceber, aprender e, até, debelar.

O Thorens TD124 é, inquestionavelmente, um gira que me atrai. Todos os que ouvi, estavam equipados com braços SME de 9 ou 12 polegadas e com células MM.

Quando uma ou outra vez estiveram montados com células MC, a coisa não correu, realmente, tão bem, em termos auditivos, pelo que regressaram às MM. Estas na maioria eram SHURE.

Assim:
1- Entre o meu círculo de amigos, que gostam destas coisas, e eu próprio, gerou-se um "mito" de que TD124 com braços SME em S (3009 e 3012), não funcionam bem com outro tipo de configuração;

2- O Thorens TD124 é talvez o gira que se aproxima mais de um "perfeito ataque" no percurso musical, em frequências mais baixas, mas deixa algo a desejar nas frequências altas, mostrando sempre os instrumentos, como por exemplo violinos , com uma "voz" um nadinha mais grossa do que seria esperado. Pese embora, apresente sempre a música de uma forma agradavelmente cativante e envolvente.

3- Isto nota-se mais na chamada música clássica orquestral. Contudo neste género musical e o equipamento que se aproxima mais do respeito pelo "tempo", quase à semelhança do digital (neste aspecto). Estas características estendem-se normalmente aos Ider drive

Até que ponto é que isto é verdade, ou sugestão?

cheers
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Ago 05 2016, 13:40

Boa tarde a todos!!!

O texto revela mais uma vez a "máquina" para lá da máquina, o que torna tudo mais especial.
Eu, que nunca tinha olhado para o TD124 (o gira-discos pois claro!) com olhos de ver, descobri por meio do Paulo que há mais do que simplicidade, há essa beleza mecânica de rigor que enfeitiça.

As perguntas que se seguiram (do Gonçalo) são o prenúncio de um bom caminho, porque quem como eu não percebe nadinha de "técnica" poderá vir a descobrir alguns recantos escondidos e... e esperar pelo dia em que possa ouvir.


Aqui em casa somos dois a dizer: reúnam-se os gira-discos, organize-se a viagem, as audições podem ser nesta sala!

Wink
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TD124
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Ago 06 2016, 10:14

Goansipife escreveu:
...Até que ponto é que isto é verdade, ou sugestão?

Amigo Gonçalo, a questão da verdade ou sugestão é central na alta-fidelidade e o eixo do dualismo nesta disciplina. Quando se trata de analogico (vinilo) as duas vão mesmo de par, então vou tentar responder de uma maneira concisa e o mais objectivo possivel.

Assim:
1- Entre o meu círculo de amigos, que gostam destas coisas, e eu próprio, gerou-se um "mito" de que TD124 com braços SME em S (3009 e 3012), não funcionam bem com outro tipo de configuração;

Como eu disse no texto, o prato do TD124 MKI é em aço e atrai as células MC, o que falseia o peso de apoio e conduz a sonoridades menos dinamicas e pouco definidas. Somente a Ortofon SPU antiga, as Satin e as velhas Supex dão-se bem (ou relativamente bem consoante o gosto). Esse constato que fazes com os teus amigos então, pode estar relacionado com isto. Mas, se o fenomeno é igual com um TD124 MKII que tem um prato em liga de aluminio, então talvez sejam os SME que devem ser culpados. Pessoalmnte penso que os SME com eixo a "faca" (3009's e 3012's) não são os bracos ideais para as MC's num gira a roda (mereçe debate) pois a força de apoio importante, descola as facas durante as fortes modulações e como não hà micro-travagem do prato, o fenomeno é acentuado, o que cria confusão nas passagens fortemente moduladas. Penso então que um ou outro destes fenomenos (talvez os dois às vezes), pode explicar o que sentes...

2- O Thorens TD124 é talvez o gira que se aproxima mais de um "perfeito ataque" no percurso musical, em frequências mais baixas, mas deixa algo a desejar nas frequências altas, mostrando sempre os instrumentos, como por exemplo violinos , com uma "voz" um nadinha mais grossa do que seria esperado. Pese embora, apresente sempre a música de uma forma agradavelmente cativante e envolvente.

Acho que deixei sempre claro nas minhas intervenções, que respeito muito o passado mas que recebo a evolução de bracos abertos. A passagem da "roda à "correia" e mesmo ao "direct-drive", não são passos para tràs ao contrario. Mesmo com uma mecânica paranoica e obcessional como a do TD124, é impossivel atingir um nivel de vibração suficientemente baixo afim de ler os sulcos agudos com a mesma precisão do que um Pink Triangle ou um Well Tempered  Wink. No entanto com com o braço adaptado e uma afinagem maniaca, é possivel de dar ao TD124 os melhores agudos de todos os "rodas", mas continua a ser mais espesso do que os violinos reproduzidos por um "grande correia". Tudo é questão de equilibrio, pois o que choca nos agudos do TD124 é ligado ao facto de ter um grave abissal, então os agudos não pareçem ter a fineza equivalente aos abismos do espectro baixo... e o equilibrio é então rasgado. Se deixar-mos o TD124 descer menos, os agudos ficam melhor integrados e pode rivalisar então com muitas màquinas modernas...

3- Isto nota-se mais na chamada música clássica orquestral. Contudo neste género musical e o equipamento que se aproxima mais do respeito pelo "tempo", quase à semelhança do digital (neste aspecto). Estas características estendem-se normalmente aos Ider drive

O "tempo" é a alternância ritmada de ataques, sustentação, descidas e extinção das notas numa alternância perfeita, e à qual o cerebro é muito sensivel. È uma alternância então que vai da violência sonora até ao silêncio, com todas as nuances que existem entre os dois. A conjugação de motores muito potentes com uma motricidade sem micro-travagens, conduz os "rodas" a serem globalmente bons ou mesmo extraordinarios neste critério. Por si, esta qualidade justifica os elogios ao PRAT (ritmo em inglês) que é dado aos EMT, TD124, Garrard's, Lenco's e etc... mas que é algo exagerado, pois gabar uma qualidade entre vinte é somente aproveitar 5%. Hà que ver que a vida conceptual da roda foi curta, pois em 6 anos os EMT, TD124 e Garrard foram criados e não tiveram evolução mecânica real pois os Lenco's são uma adaptação e não uma evolução. Ao contrario (como vamos ver), os "correias" e "direct drives" subsistem até hoje e possuem vàrias dezenas de anos de optimisação, o que lhes permite de cumular qualidades que não possuiam à nascensa. Mas, efectivamente pelas especificações técnicas originais, os "rodinhas são globalmente superiores nos critérios de banda, movimento dinamico e impacto ritmico...



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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Ago 06 2016, 11:52

Excelente explicação

Muito, muito Obrigado 2cclzes

Até que enfim que leio algo que me faz todo o sentido


cheers
Gonçalo
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Ago 06 2016, 18:27

Goansipife escreveu:
... Muito, muito Obrigado 2cclzes ...

De nada, a avantagem destes textos é verdadeiramente de criar o espaço para as duvidas e a discussão...

cheers

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unidade
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sab Ago 06 2016, 22:57



Grato pela maravilhosa/rigorosa explicação/texto/partilha...

Envio saudação cordial
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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Dom Ago 07 2016, 10:38

Já agora, a partilha de uma experiência auditiva.

Um colega meu da Heineken UK, com um set up, que chamo de sonho, inclui um Thorens TD124, reconstruído, com um lindo plinto de cor verde (aquela cor maravilhosa dvil Laughing ), um SME 3012 e uma célula reconstruída com base numa V15 da Shure. Na mesma mesa, lado a lado, está um fabuloso Clearaudio Master Inovation, com o braço TT3 e célula Stradivari V2, tudo também CA. Unidade pré de phono - Accuphase C37, até hoje a melhor unidade de pre-phono que já ouvi e vi. Tem 3 entradas, para 3 giras diferentes, com opção de MM/MC e saída única balanceada, ou single end, para ligação a um integrado ou a um outro pré de linha.

Tarde audiota à volta de um único disco Abertura 1812, Capriccio Italien, Romeo & Juliet, Royal Philarmonic Orchestra, St. Petesburg Philarmonic Orchestra, Vladimir Askenazi.

Diferenças:

- Mais aberto - palco - e mais frio e analítico no ClearAudio (maior de talhe)
- Mais impactante, correto nos ataques às notas, percebe-se essencialmente quando passa o tema da Marselhesa e quando começa o ciclo de disparos de canhão, mas também menos fino nas passagens em que a melodia é mais suave e descritiva, ponderando os naipes de instrumentos mais agudos (violinos, flautas, oboé e corne-inglês), no TD124

Resultado final: Venha o diabo e escolha

cheers
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Dom Ago 07 2016, 11:05

Bom dia!

Para quem não sabe, até fazer perguntas é complicado.
O caminho desta conversa está muito bom, continuem.

A mim resta-me:


Wink Porque sabe bem fresca e em boa companhia.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Dom Ago 07 2016, 11:38

A falta de tempo dá nestas coisas e neste momento, valores mais altos se levantam (como aproveitar o sol português).


Como sempre acontece, e esta não é excepção (só se for para melhor), os textos, as explicações e diálogo criado por estes momentos fascinantes que o Paulo nos oferece, são soberbos. Já muito vezes elogiei o Paulo, mas fico sempre com a sensação de que os meus elogios ficam muito aquém daquilo que deveriam de ser, mas contrariamente ao Paulo, a ausência na arte da escrita não dá para mais. A do TD-124 está no topo da Torre Eiffel e a minha no fundo de uma adega.


Continua, está como sempre sublime.

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If what I'm hearing is colouration, then bring on the whole rainbow...


The essential thing is not knowledge, but character.
Joseph Le Conte
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MensagemAssunto: O SP10   Qua Ago 10 2016, 15:30


O contexto historico : No final dos anos 60 o panorama tecnologico dos giras jà mudou muito. Desde o inicio da década a Acoustic Research lançou o XA que serà o primeiro gira suspendido a correia. A Thorens lança o TD150 desde 1965 e desvia-se ràpidamente em direção dessa tecnologia pois, o TD124 serà substituido pelo MKII em 1965 e complétamente abandonado três anos depois. A Garrard substitui o 301 pelo 401 em 1965 sém sentir a mudança do vento, o que lhes serà fatal. Marcas como a Lenco fazem giras a roda muito interessantes, mas a era da roda està contada para a escuta doméstica e sò o EMT930 continua a ser o patrão dos giras a utilisação radiofonica. Apesar da tecnologia da correia se desenvolver muito rapidamente durante esta década, a surpresa vai chegar do Japão em 69/70 com a criação de uma nova tecnologia de motricidade que é o Direct-Drive.

O Passaporte : A Marca japonesa Technics foi criada em 1965 pelo gigante industrial Matsushita com o objectivo de ser a montra do sector audio. Desde o começo a marca produz colunas e amplificadores muito interessantes como o OTL 20A (usando vinte pentodos 50HB26), mas serà o lançamento do historico SP10 em 1970 que vai associar a marca Technics aos gira discos para a eternidade. Este aparelho tém a particularidade de inaugurar uma tecnologia original que é o Direct-Drive. Ao contràrio dos giras a roda ou a correia, os DD’s movem o disco sém elemento intermediario pois o prato é directamente pousado do eixo do motor que roda à velocidade do disco que està a tocar. Legalmente a patente do Direct-Drive pertençe à Thorens e a anterioridade historica à Garrard, pois o 201 utilisa uma tração directa do prato. Mas é efectivamente a Technics que vai dar nobreza a esta tecnologia e gravar no màrmore a historia destas màquinas com o celebrissimo SL1200…

O Mito : Este aparelho cria uma nova tecnologia de tração, é o pai do gira discos mais vendido da historia que é o mitico SL1200 e vai influenciar a produção japonesa (e não sò) destas màquinas durante duas décadas… pareçe-me então mais do que suficiente para entrar na historia. Existe um rumor que apresenta o SP10 como um aparelho profissional que é falsa. O primeiro SP10 não tinha travão e o arranque não era suficientemente ràpido para uma utilisação radiofonica, foi necessario esperar pela saida do SP10 MKII (1975) para que o gira encontre uma vida professional. No entanto alguns SP10 encontraram lugar em pequenos estudios nos EUA essencialmente, mas o fenomeno é ligado sobretudo a um preço inferior aos outros giras professionais.

Apresentação : Apesar de ser um gira a encastrar, como os outros a roda que jà vimos atràs, o SP10 é muito mais contemporaneo nas linhas e um muito belo gira-discos. È um Transcription-Motor como os Garrard  o que obriga a posà-lo numa base e juntar-lhe um braço pois ambas as peças eram propostas em opção pela Technics. Movido por um motor a 20 polos sincronisado por um taquimetro que mede e compensa a varição da velocidade, o primeiro modelo tém algumas deficiências técnicas. A versão MKII com alimentação separada e regulação por Quartzo, vai muito mais longe e estabeleçe novas normas de excelência que sò vão ser ultrapassadas pelo EMT 950. O motor de 28 watts é muito potente e possui um subprato em aluminio no qual o prato pesado é pousado directamente. A fabricação do aparelho em ZAMAC (liga de aluminio/zinco/magnésio) é digna de um aparelho profissional e de uma rigidez unica. A espessura do corpo, conjugada à incorporação do motor no molde confere-lhe uma robustez que pode concurrenciar a do rival alemão. A electronica é integrada no corpo ao abrigo da poeira e das projeções liquidas. O aparelho possui três velocidades 33/45/78 e um grande botão na esquerda para acender apagar o motor. A velocidade pode ser ajustada +/-2% e controlada por um estroboscopio integrado. O minimalismo do design e das funções é fantàstico e prova que o aparelho foi estudado para atacar pela frente a concurrência europeia. A historia provou a fiabilidade mecânica e electronica desta màquina que continua a ser muito procurada em segunda mão e que se tornou num gira clàssico…

Avantagens : A tração directa minimisa as peças em movimento pois o eixo de rotação do prato é o do motor. A titulo de exemplo o TD124 tém quatro eixos em rotação permanente, os outros rodas três e os correias dois. Menos de eixos em rotação significa menos vibrações o que é fundamental para a leitura dos sucalcos com precisão. A potência do motor elimina as micro-travagens de leitura o que permite uma grande dinamica. A electronica embarcada compensa as fluctuações de alternância dos polos e permite uma rotação fluida, mas na pràtica não é complétamente o caso como vamos ver.

Inconvenientes : Visto que o eixo do prato é o do motor, a mais infima vibração deste vai ser ouvida pela célula e perturbar a leitura. Ora o motor sém vibrações não existe e apesar do SP10 MKIII possuir uma magnifica “logica electronica” para compensar a alternância dos polos, o rumble continua a ser mais elevado do que um correia suspendido. A contra-motricidade da inercia do prato pesado, e da regulação electronica vão criar variações aleatorias da velocidade… é a razão pela qual o EMT95 tém um prato levissimo de poucas centenas de gramas. O braço separado torna a definição e a qualidade dos agudos dependente da base de apoio e das afinagens...

Escuta : Tanto o SP10 MK1 que o MKII são surpreendentes à escuta. Trata-se de uma escuta intermediaria entre os grandes rodas e os grandes correias. O impacto dinamico e a alternância ritmica é fantàstico e dà vontade de bater a medida com o pé. No entanto as micro modulações são finas e elegantes mas algo veladas. O SP10 possui uma sonoridade elegante e um pouco feltrada mas de uma maneira diferente dos giras clàssicos ingleses. A definição é excellente nos médios mas é subtilmente desfocada nos graves e agudos. Esta caracteristica que não é comum a muitos DD’s, cria uma sensação de impacto e de imediato fantàstica que se conclui em doçura e leveza. A consequência desta personalidade é que o SP10 não possui uma sonoridade muito terrena ném materialisada apesar de desenrolar uma banda muito larga. Este paradoxo auditivo participa ao mito, pois apesar da tecnologia diferente, o SP10 apareçe à escuta como um irmão do Garrard 301 "grease". Um gira Zen e de meditação

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Última edição por TD124 em Qua Set 14 2016, 08:16, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 10 2016, 15:39

Goansipife escreveu:
...
Resultado final: Venha o diabo e escolha

Os giras obrigam a escolher muitas vezes entre dinamica/fineza, banda/elegância, imediato/equilibrio, masculino/feminino... e são escolhas do diabo mas que é necessario escolher quer se queira ou não !!! cheers

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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Sex Ago 26 2016, 21:49

Não querendo desviar do tema observei neste tópico um pormenor engraçado, grande parte destes modelos de qualidade inquestionável foram concebidos e outros utilizados para uso profissional, isto vai contrariar aquela ideia pré concebida que os equipamentos profissionais não fazem parte do universo HI FI e HI End,
Ou seja nem sempre nem nunca.





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MensagemAssunto: O Linn LP 12   Ter Ago 30 2016, 16:11


O Passaporte : Em 1970, Hamish Robertson um designer inglês um pouco alcolico (como muitos génios do reino da sua majestade), desenhou um GD que é o expoente absoluto do Thorens TD150. Ele compreendeu o que a Thorens/EMT não quizeram ou não puderam ver. Utilizar um eixo tecnicamente do nivel do TD124, acompanhado de materiais para a contraplaca de muito alta qualidade, vai ser a assinatura da marca Ariston criada por ele. Um jovem escoçês vai apresentar o H. Robertson  ao seu pai que possui uma empresa de torneio de péças de precisão (a Castle Precision Engineering). Isto vai permitir à firma Ariston de produzir um GD a contreplaca suspendida de muito alta qualidade, trata-se do Ariston RD11 (RD = référence deck / 11 = primeiro modelo da primeira série) que é uma maravilha esquecida. Dois anos mais tarde esse jovem escoçês que se chama Ivor Tienfenbrun vai produzir a fotocopia (quase idêntica) do RD11 sobre o seu proprio nome. Este serà o segundo GD mais vendido, mas certamente o mais controversado do mundo, pois é ou adulado ou detestado. Trata-se do LINN LP12 que serà o nosso proximo GD a ser analisado. O Hamish Robertson abandonou a Ariston e morreu um ano mais tarde em condições desconhecidas que alimentam a lenda, pois a duvida subsiste entre o suicidio ou um assassinato. Para a eternidade o pai legitimo do « tipo LP12 » serà o Ivor Tienfenbrun e a LINN.

O Mito : O LINN LP12 é um caso unico de longevidade e de controversia no mundo do audio. A questão que muitos se põem (legitima quando um produto é tão célebre), é a seguinte. O LP12 é verdadeiramente um grande GD ? A resposta é implacàvelmente SIM !!!, mas (porque hà sempre um mas comigo…), o LINN não é tão bom quanto os seus adoradores pretendem, nem tão mau como o que os seus criticos pretendem. Esta resposta ambivalente vai ser explicada atravès da analise que vai seguir. Um ultimo ponto a considerar é que, a LINN é regularmente criticada de ter feito um marketing intenso e genial. Não é completamente verdade ! A marca foi recuperada desde a nascença pelos jornalistas como sendo um fenomeno, e talvez mesmo contra a sua vontade. Foram as revistas inglesas que fizeram o marketing da LINN e não a firma de Glasgow. Mais tarde a empresa vai surfar sobre esse sucesso, mas não podemos criticà-los de aproveitar as oportunidades. Vamos là tentar compreender juntos a razão de um tal sucesso.

O contexto historico : Estamos no principio dos anos setenta. Ja faz mais de dez anos que os GD ingleses, não brilham no panorama audio internacional. O Garrard 401 ainda é produzido, mas o acolho do publico é mau. O Transcriptor aparece nos filmes do Stanley Kubrick (Laranja mecânica), mas não consegue nem vingar na exportação, nem mesmo no mercado interno. Os jornalistas ingleses téem necessidade de uma Musa, uma maquina que eles possam defender contra tudo o que existe e recuperar assim, uma parte do orgulho perdido. Eles querem um produto novo, original, diferente de tudo o que existe, então o LP 12 à nascença vai ser eleito a « Referência ». Como é possivel que um produto que é a copia da copia seja considerado como original ??? Ora bem, o LP 12 tém uma qualidade muito inglesa e que depois do G301, nenhum aparelho do reino da sua majestade tinha possuido que é a radicalidade. O LINN LP 12 não tém quase NADA ! mas o pouco que tém é MUITO BOM (excecional mesmo aos olhos dos aficionados) !

Apresentação : Como jà foi dito, o LP 12 é uma copia quase identica do Ariston RD 11 que era fabricado também pela Castle Précision Engineering, ora que este ultimo jà era por si, uma copia amelhorada do Thorens TD 150. O que é então que diferencia o LINN do resto ? Bom, na realidade éTUDO e NADA !!!... O LP 12 é um aparelho estranho, sò tém um interruptor à esquerda, sò tém uma velocidade e chega !!! (é isto a radicalidade). Mas na realidade ele é muito mais que isso. O eixo (inspirado do TD 125 e identico ao segundo RD 11) é de uma qualidade (nos primeiros fabricados) fantastica. Os primeiros eixos possuem um sistema original de micro-sulco gravado em espiral que faz subir o oleo fino e o espalha por toda a superficie (no estilo dos Rek-O-Kut). O eixo acaba quase como uma ponta o que abaixa a fricção e o barulho de rotação. A contraplaca suspendida é nervurada e em aço de qualidade, rigida e neutra. A base é em cedro inglês de grande resistênçia. E o motor sincrono a 12 polos é um dos melhores da época. O prato em duas partes é em Zamac e é equilibrado com uma grande precisão. Na realidade o que faz a diferença num Linn LP 12 não é nem a forma nem a tecnologia, mas a fabricação, a simplicidade aparente e a qualidade global das peças. Estão a ver !!! Com quase nada escrevi muito… è isto o paradoxo Linn e talvez seja a principal razão do sucesso do LP 12.

Avantagens : Como todos os GD suspensos (contraplaca suspendida neste caso), o rumble é muito baixo. Devido às suas molas especiais e à fixação original delas com as peças movéis o rumble do LP 12 atinge um prodigioso -73 dB. O LP 12 foi desde sempre um trabalho de continuidade « work in progress ». Os clientes sabem que a marca vai fazer amelhorações para o GD “tweeks”, e depois é sò adaptar em qualquer um dos giras o kit. O LP 12 pode evoluir pelas fontes de alimentação internas ou externas, mudança da contreplaca, das peças da suspensão, do braço, célula etc. Muitos Kit’s de evolução foram ser feitos paro o GD. O facto que a marca de Glasgow tenha criado braços especificos para a LP 12 (fabricados essencialmente no Japão) é uma muito boa ideia, pois os braços são de alta qualidade mas sobretudo perfeitamente adaptados ao gira…

Inconvenientes : A LINN copiou o bom e o mau (é sempre assim quando se copia…). A sustentação da contraplaca por molas cria um movimento irregular e caotico (como um doce de gelatina) que vém perturbar a leitura lateral da célula e pode modificar num curto instante a força de apoio da célula. O suporte de braço fixado à contraplaca pelo meio, cria resonâncias agudas entre o braço e a ponta (é por isso que a LINN utilisa braços pesados e com tubos espessos). Sem regulação electronica a estabilisação da velocidade (wow and flutter) não são muito melhores que o do TD15O. Enfim para acabar, a maneira de fazer evoluir em permanência o GD, não agradou a muitos clientes que viram nisto uma receita para fazer dinheiro em permanência. E este é na minha opinião o mais desagradavel dos inconvenientes do LP 12.

Escuta : O LINN LP 12 original tém um som diferente do actual pois é mais doce, quente e opulente no baixo-médio e proximo (proximo, não igual…) nos contornos das notas e no equilibrio tonal do Garrard 301 grease bearing com um braço de 12 polegadas. O LP 12 possui um som materialisado, feltrado e espesso (talvez em excesso…), neste aspecto os giras de produção moderna (apos os anos 90) são mais equilibrados. Mas um velho LP 12, com um braço ITTOK e uma célula DL 103 é uma barrigada de doçura nos médios e de fineza nos agudos, que è uma verdadeira experiência hedonista de escuta. Os modelos modernos complétamente artilhados atingem um nivel de extração e de musicalidade fantàsticos. Os médios possuem uma forma de liquidez e de articulação frequencial que são quase unicos. Mas o LP 12 é naturalmente desiquilibrado para o baixo médio e o som tém tendencia a ser pesado à imagem dos Lenco’s da série 70. A escolha da célula e do phono são primordiais neste GD afim de equilibrar tonalmente o som, mas a verdade é que os Linnistas gostam dele quente e sombrio e talvez tenham razão…

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Última edição por TD124 em Qua Set 14 2016, 08:17, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 16:36

Prezado TD124,

Congratulo V. Ex.ª pela narração escrita da dezena de gira-bolachas com páginas reservadas na história da alta-fidelidade.

Bem-haja!
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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 17:50

Mais dois excelentes artigos, amigo Paulo

Pese embora perceba a análise ao LP12, é também conhecida a minha visceral animosidade para com este gira.

Na minha opinião e da maneira como o ouço, é um gira que fica para história, por tudo quanto de mau tem. A começar pela má tentativa de cópia dos Thorens (entre outros)

Não consigo, no entanto, deixar passar em claro essa pequena comparação com os Lenco. O Linn é uma autêntica confusão sónica, quer nos agudos, passando pelos médios e acabando nos baixos. O seu irmão menos pretensioso - O Linn Axis com braço Akito - é bem melhor e mais interessante. O LP12 é um gira desejado por muitos audiófilos, mas longe de ser aquilo que estes consideram como um equipamento audiófilo.

Os Lencos também não o são, na verdadeira acessão do conceito estipulado, mas sendo algo gorditos, têm um impacto musical muito mais cativante e apaixonante

Enfim..., como diz o nosso amigo Fredy: "O que uns adoram, outros detestam"

Pessoalmente, O LP12, quero-o longe da vista e a anos luz do coração.
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 18:16

Mais um excelente texto que dá gozo ler e onde se aprende sempre algo.

E um ao Goansipife pelo seu insight quanto a mim bem conseguido.

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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 18:32


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unidade
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 19:09

De facto, um prazer desfrutar na fluência da sua narrativa, da “ponte” equilibrada entre a espontaneidade da emoção subjacente ao tema, “musica e o fulgor dos seus interpretes/giras”, e a empenhada busca do rigor/objectividade do veredicto final…

Confesso a já minha antiga paixão, pelo Linn LP 12, sem no entanto a ter concretizado, para além de fugazes audições…

Essa paixão resultou de ter sido detentor de um saudoso Ariston RD80SL, apesar de na altura não dispor de uma célula que lhe concedesse a plenitude da promessa/desempenho musical

E efectivamente esse som cheio, doce e encantador, à custa da perda de alguma precisão, já residia no Ariston RD 80 SL
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 19:24

Boa tarde a todos!

Andava eu ainda a apalpar estas coisas dos gira-discos e dos discos de vinil quando dei de caras com um LP12 da Linn.
Era um belo exemplar, parecia novo e a pessoa que o tinha falava dele com orgulho, como uma peça histórica e de referência. Perante uma generosa oferta lá me sentei a ouvir.

Naquela altura já tinha as minhas "minhocas" na cabeça, mas gostei da experiência - como podia não gostar!?!? ouvi algo tão superior ao que tínhamos em casa que ainda hoje recordo como bom (todo o sistema, entenda-se).


Hoje, com mais referências na cabeça (conhecimento!?!), não sei o que pensaria, mas fica a nota.
Neste mundo, como em tudo, é pelo caminho da aprendizagem que se vão adquirindo ferramentas para melhor se entender o que nos rodeia. Estes textos e até as respostas ajudam a perceber algumas coisas - a simplicidade só está ao alcance de quem consegue desconstruir.


Que venha o próximo ou perguntas daquelas pertinentes! Wink
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 21:02

TD124 escreveu:
... mas certamente o mais controversado do mundo, pois é ou adulado ou detestado. ...
O LINN LP12 é um caso unico de longevidade e de controversia no mundo do audio. ...

Goansipife escreveu:
... é também conhecida a minha visceral animosidade para com este gira.
...é um gira que fica para história, por tudo quanto de mau tem. ...
Pessoalmente, O LP12, quero-o longe da vista e a anos luz do coração.

António José da Silva escreveu:
... E um ao Goansipife pelo seu insight quanto a mim bem conseguido.

unidade escreveu:
...Confesso a já minha antiga paixão, pelo Linn LP 12, sem no entanto  a ter concretizado, ...
E efectivamente esse som cheio, doce e encantador, à custa da perda de alguma precisão, ...

José Miguel escreveu:
...Naquela altura já tinha as minhas "minhocas" na cabeça, mas gostei da experiência - como podia não gostar!?!? ouvi algo tão superior ao que tínhamos em casa ...

Esta simples troca de opiniões mostra que eu tinha razão nas minhas frases... mas é evidente que o LP12 cria paixão e odio !!!... ora não deixar ninguém indiferente é em si sò um sinal ao qual devemos reflectir...

Quanto à comparação entre o LP12 e os Lencos 70's (contestada e argumentada pelo amigo Goansipife), aproveito para fazer um parenteses nesta historia e me explicar.

Hà vàrios anos atràs metaforicamente classificava os giras em três categorias. As motas (Rega Planar) pois leves e digestos... os carros (Oracle Alexandria) pois confortàveis e rigorosos e enfim os camiões (Lenco série 70) pois pesados e rusticos...

Hoje com a idade seria mais subtil e diria dos Rega Planar que são finos e espirituais... dos Oracle Alexandria que são suaves e subteis e finalmente dos Lenco's que são generosos e envolventes...

Ora se devo comparar um Lenco com um LP12, é evidente que superficialmente existem muitos pontos comuns (equilibrio tonal sombrio, grave empolado, médios liquidos e envolventes, agudos espessos, definição fraca e tendência para a confusão tanto harmonica que frequencial... etc, etc). Efectivamente o Lenco possui um impacto ritmico muito superior, mas é muito mais lento nos médios o que cria um som envolvente mas escuro, sombrio e algo opaco... sém atingir a liquidez elegante dos médios do LP12. Então, para mim o LP12 faz parte do mundo dos carros, ora que o Lenco é um verdadeiro camião e o termo rustico, não pode ser dado a um Linn... ora que o Lenco assume perfeitamente este adjectivo... mas entre pastel de nata e feijoada (ambos pesados e bons) é a cada um de escolher  Wink  

Deve ser dito também (e jà o disse no texto), que o Linn complétamente artilhado atinge um preço indecente... mas a escuta é de um alto nivel e muitos dos defeitos subjectivos desapareçem por quase completo. As deficiências conceptuais do LP 12 são a sua maior limitação e é por isso que duas marcas inglesas vão criar giras suspendidos mas complétamente diferentes do Linn... mas serà para mais tarde e esses giras feram prazer ao amigo Ghost...

Até+ cheers

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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 21:43

Como já escrevi, eu tive um LP12, e é uma peça lindíssima, talvez pela sua simplicidade, infelizmente para mim, nunca o consegui ter afinado como devia, daí mais tarde o ter trocado, mas ficou sempre na minha mente que não fui justo para com ele.

Concordo com o TD124 quando se refere à legião de fãs que arrasta atrás de si, não só na Inglaterra como em todo o Mundo, incluindo o Japão.

Esta legião, como em tudo, empolam sempre o produto de defendem.

Por comparação temos como exemplo cá em Portugal, os seguidores dos Lencos, talvez pelo preço vs qualidade.

Mas na minha verdade é algo injusto comparar o LP12 com o Lenco, não em termos técnicos, pois esses eu não possuo, mas em termos auditivos.

O Lenco de origem, sem qualquer tipo de alteração, é imho um gira-discos normal como tantos outros, com o braço que trás de origem.

Eu já tive três que transformei, e nunca consegui atingir o Santo Graal, com nenhum deles, muito gostaria de ouvir o do TD124 o anti-lenco (mas fruto de profundas alterações feitas pelo Mestre profundamente entendido em gira-discos) e aí quase de certeza poderia alterar a minha opinião sobre ele.

Com isto não defendo nem um nem outro, mas certeza porém que já ouvi LP12's a tocar maravilhosamente bem, mas não é barato para chegar a esse nível.

Portanto o que não consigo é dizer que um é muito bom e outro é muito mau, tanto um como outro têm as suas virtudes e seus defeitos, assim como os nossos ouvidos.

A verdade é quer um quer outro não são indiferentes a ninguém
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 21:45

Esqueci apenas de agradecer ao Mestre TD124, pelos seus textos maravilhosos e que nos ajudam a compreender estas máquinas fantásticas que nos fascinam.

Muito obrigado Paulo TD124
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ducar
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 22:09

Pmoura43 escreveu:
Como já escrevi, eu tive um LP12, e é uma peça lindíssima, talvez pela sua simplicidade, infelizmente para mim, nunca o consegui ter afinado como devia, daí mais tarde o ter trocado, mas ficou sempre na minha mente que não fui justo para com ele.

Concordo com o TD124 quando se refere à legião de fãs que arrasta atrás de si, não só na Inglaterra como em todo o Mundo, incluindo o Japão.

Esta legião, como em tudo, empolam sempre o produto de defendem.

Por comparação temos como exemplo cá em Portugal, os seguidores dos Lencos, talvez pelo preço vs qualidade.

Mas na minha verdade é algo injusto comparar o LP12 com o Lenco, não em termos técnicos, pois esses eu não possuo, mas em termos auditivos.

O Lenco de origem, sem qualquer tipo de alteração, é imho um gira-discos normal como tantos outros, com o braço que trás de origem.

Eu já tive três que transformei, e nunca consegui atingir o Santo Graal, com nenhum deles, muito gostaria de ouvir o do TD124 o anti-lenco (mas fruto de profundas alterações feitas pelo Mestre profundamente entendido em gira-discos) e aí quase de certeza poderia alterar a minha opinião sobre ele.

Com isto não defendo nem um nem outro, mas certeza porém que já ouvi LP12's a tocar maravilhosamente bem, mas não é barato para chegar a esse nível.

Portanto o que não consigo é dizer que um é muito bom e outro é muito mau, tanto um como outro têm as suas virtudes e seus defeitos, assim como os nossos ouvidos.

A verdade é quer um quer outro não são indiferentes a ninguém

Concordo com o que foi dito pelo Pmoura, o grande problema do LP 12 é que é um gira discos extremamente difícil de afinar, mas quando está plenamente afinado ninguém o bate, se estiver mal afinado é simplesmente horrível.
Não esquecer o facto do LP12 desafinar constantemente e obriga a manutenção constante.

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 22:12

Esta lista de Gira-discos é uma daquelas paradas de estrelas clássicas, onde a qualidade me parece ser elevada.

Para contextualizar o que disse, porque a mim o Linn não me toca particularmente...

Na altura em que ouvi o Linn LP12 o nosso gira-discos em uso era este:

É um Pioneer PL-320, a célula era uma ADC...

Com ele estava um Scott 350rl e uma colunas Marantz HD-44. Um simples e generoso sistema que nos deu alegrias e representou um passo.

Quando ouvi o Linn ele estava bem acompanhado, com os Quad II e umas colunas que já não me recordo.

Hoje o mesmo sistema com o Linn talvez voltasse a deixar marca, porque era bom, podia era não marcar da mesma forma porque entretanto fomos ouvindo outras coisas - é mais isto do que gosto pela peça em si.


Como nunca ouvi os restantes que já desfilaram não posso alongar-me em comparações e o Lenco que hoje temos chegou dois anos depois dessa experiência, o que também não ajuda a perceber o que está a ser dito - comparação entre os dois.


Gosto da forma como estas conversas vão acontecendo, porque as vou percebendo! Wink







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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 22:44

Concordo com o TD124. O LP12 gera grandes paixões e grandes ódios.

Tive um LP12 nos anos 90 do século passado. Super artilhado. Se o tivesse de pagar ao preço do público em geral, ultrapassaria largamente aquilo que hoje, em euros, representa 7.500,00.

O entusiasmo, não durou um mês. Quanto mais artilhado mais afinações repetidas de 2 em 2 semanas.

Também é verdade que se trata de um gira que não deixa ninguém indiferente. A mim, por exemplo, levou-me a deixar de ouvir vinil, por mais de 10 anos e a vender quase toda a minha coleção de discos de então, que agora tento desenfreadamente recuperar.

Um dia num Audioshow, passei pela tabacaria do hotel, onde este ocorria, cheia de Vinil para venda. Não consegui ficar indiferente. Aos discos e a um conjunto básico da REGA: Brio (versão anterior à atual), colunas RS3 e, no cimo, pontuava um P3/24 com uma Goldring 1012.

LINN Sondeck LP12???? O preço total daquele conjunto, provavelmente não pagava o preço da base Sondeck LP12 de então Mas a qualidade do Rega fez-me, alegremente, regressar ao VINIL

Uma última verdade da legião de seguidores do LINN:

- Quando, logo a seguir a este episódio, coloquei o meu à venda, já muito despido da sua artilharia, pelo preço de mercado de segunda mão para este aparelho, mas reconhecidamente pouco simpático, apareceu-me logo um comprador inglês em menos de uma semana, que o levou sem discutir preço
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 23:35

Goansipife escreveu:
...apareceu-me logo um comprador inglês em menos de uma semana, que o levou sem discutir preço  



Olha a tua sorte. lol!

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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 23:38

Goansipife escreveu:
Concordo com o TD124. O LP12 gera grandes paixões e grandes ódios.  

Tive um LP12 nos anos 90 do século passado. Super artilhado. Se o tivesse de pagar ao preço do público em geral, ultrapassaria largamente aquilo que hoje, em euros, representa 7.500,00.

O entusiasmo, não durou um mês. Quanto mais artilhado mais afinações repetidas de 2 em 2 semanas.

Também é verdade que se trata de um gira que não deixa ninguém indiferente. A mim, por exemplo, levou-me a deixar de ouvir vinil, por mais de 10 anos e a vender quase toda a minha coleção de discos de então, que agora tento desenfreadamente recuperar.

Um dia num Audioshow, passei pela tabacaria do hotel, onde este ocorria, cheia de Vinil para venda. Não consegui ficar indiferente. Aos discos e a um conjunto básico da REGA: Brio (versão anterior à atual), colunas RS3 e, no cimo, pontuava um P3/24 com uma Goldring 1012.

LINN Sondeck LP12????  O preço total daquele conjunto, provavelmente não pagava o preço da base Sondeck LP12 de então Mas a qualidade do Rega fez-me, alegremente, regressar ao VINIL  

Uma última verdade da legião de seguidores do LINN:

- Quando, logo a seguir a este episódio, coloquei o meu à venda, já muito despido da sua artilharia, pelo preço de mercado de segunda mão para este aparelho, mas reconhecidamente pouco simpático, apareceu-me logo um comprador inglês em menos de uma semana, que o levou sem discutir preço  

Vejam bem o que é que o Paulo TD124 fez ao lançar neste campeonato o LP12

Isto não se faz..

Não querendo tomar de assalto este tema, porque o proprietário é outro, devo dizer o seguinte:

Dei por mim, mais jovem, pela paixão que tinha pelos aparelhos a montar sistemas para impressionar os convidados, esquecendo que o propósito de ter aquele sistema seria o de escutar os meus discos o mais fielmente possível e para me agradar a mim, felizmente que hoje sou um pouco menos idiota do que o era na época.

Durante estes anos, e já são alguns, ouvi centenas de sistemas e gira-discos, uns estupidamente caros e outros bem mais modestos, mas no final, o que era e é importante é a escuta individual de cada um dos seus possuidores.

Eu repito, não tenho conhecimentos técnicos (nunca me esforcei por tal, talvez tenha feito mal, dai a minha apreciação ao que o TD124 escreve, estamos sempre a tempo de aprender) que me permitam dizer que este ou aquele é melhor que o outro e porquê, o que posso dizer é que para o meu gosto musical este me soa melhor do que o outro, independentemente do seu valor pecuniário.

Miguel, acredito sinceramente que hoje, teria óbviamente outra opinião sobre o sistema que ouviu com o LP12, fruto do seu conhecimento entretanto com o seu sistema e outros que ouviu, é perfeitamente natural, tornamos-nos mais exigentes, para melhor ou para pior.

O que eu quero dizer com isto é que cada um de nós tem uma forma própria de escutar a música, sendo perfeitamente natural que uns valorizem mais a banda média, outros por ter mais grave ou mais agudo para o seu gosto pessoal, e, ainda existem os aparelhos consensuais, que são razoáveis em quase tudo.

Os gira-discos são peças que requerem imensa paciência, algum investimento pessoal na busca do equilíbrio que mais se adequa à nossa forma de ouvir a musica, veja-se por exemplo a quantidade de células que se experimenta por vezes num curto espaço de tempo, na ansia de se encontrar o som mais nos agrada, e isto é válido para braços, etc.

Portanto independentemente da marca do gira-discos, o mais importante é a satisfação que o aparelho nos possa oferecer, haverá sempre, algo melhor do que o que temos, isso é incontornável, a não ser que sejamos algum Sheik e que a nossa bolsa nos permita a experimentar o que de melhor existe nesta matéria, e mesmo assim não é liquido que consigamos o tal Santo Graal, dada a nossa busca incessante.

Eu aprendi que ter um sistema consensual, não sendo perfeito, mas que muito nos agrade pode ser muito interessante, e guardar ou gastar o dinheiro das upgradites naquilo que realmente neste momento me interessa mais, que são a aquisição de obras musicais, não sejamos Naif, se pudesse obviamente teria muito melhor do que tenho, mas também tenho consciência que esse passo (porque já fiz esse caminho das pedras) significa gastar 50 vezes mais.

Vivam os gira-discos e o prazer que nos oferecem na leitura dos nossos discos





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ducar
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 23:44

Goansipife escreveu:
Concordo com o TD124. O LP12 gera grandes paixões e grandes ódios.  

Tive um LP12 nos anos 90 do século passado. Super artilhado. Se o tivesse de pagar ao preço do público em geral, ultrapassaria largamente aquilo que hoje, em euros, representa 7.500,00.

O entusiasmo, não durou um mês. Quanto mais artilhado mais afinações repetidas de 2 em 2 semanas.

Também é verdade que se trata de um gira que não deixa ninguém indiferente. A mim, por exemplo, levou-me a deixar de ouvir vinil, por mais de 10 anos e a vender quase toda a minha coleção de discos de então, que agora tento desenfreadamente recuperar.

Um dia num Audioshow, passei pela tabacaria do hotel, onde este ocorria, cheia de Vinil para venda. Não consegui ficar indiferente. Aos discos e a um conjunto básico da REGA: Brio (versão anterior à atual), colunas RS3 e, no cimo, pontuava um P3/24 com uma Goldring 1012.

LINN Sondeck LP12????  O preço total daquele conjunto, provavelmente não pagava o preço da base Sondeck LP12 de então Mas a qualidade do Rega fez-me, alegremente, regressar ao VINIL  

Uma última verdade da legião de seguidores do LINN:

- Quando, logo a seguir a este episódio, coloquei o meu à venda, já muito despido da sua artilharia, pelo preço de mercado de segunda mão para este aparelho, mas reconhecidamente pouco simpático, apareceu-me logo um comprador inglês em menos de uma semana, que o levou sem discutir preço  

Por essas e por outras optei pelo Linn Axis, muito mais barato e sem manutenção,
Só o afinei uma vez e ainda usa a célula original uma AT OC3 MC.



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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 23:46

Verdadeiramente não se pode falar mal nem bem do LP12 porque provavelmente existe um LP12 para todos os gostos (e carteiras). Não estamos a falar de um gira-discos mas de um sem numero deles, desde o nascimento ás muitas reencarnações.



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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 23:49

António José da Silva escreveu:
Verdadeiramente não se pode falar mal nem bem do LP12 porque provavelmente existe um LP12 para todos os gostos (e carteiras). Não estamos a falar de um gira-discos mas de um sem numero deles, desde o nascimento ás muitas reencarnações.



Isso é certo, estamos a falar de um aparelho que esteve no mercado de 1972 até 2012.

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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Ter Ago 30 2016, 23:52

Gira-bolachas terminados em 12, gosto do "Pionés" (vulgo Pioneer) PL-12D. Contudo, dificilmente figurará numa diminuta lista de gira-bolachas históricos.
Um que faz frente (e de que maneira) ao 12 da Linn, é o Roksan Xerxes X; então com o braço Linn Ittok...
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 31 2016, 12:47

Pmoura43 escreveu:

(...)

Miguel, acredito sinceramente que hoje, teria óbviamente outra opinião sobre o sistema que ouviu com o LP12, fruto do seu conhecimento entretanto com o seu sistema e outros que ouviu, é perfeitamente natural, tornamos-nos mais exigentes, para melhor ou para pior.

O que eu quero dizer com isto é que cada um de nós tem uma forma própria de escutar a música, sendo perfeitamente natural que uns valorizem mais a banda média, outros por ter mais grave ou mais agudo para o seu gosto pessoal, e, ainda existem os aparelhos consensuais, que são razoáveis em quase tudo.

Os gira-discos são peças que requerem imensa paciência, algum investimento pessoal na busca do equilíbrio que mais se adequa à nossa forma de ouvir a musica, veja-se por exemplo a quantidade de células que se experimenta por vezes num curto espaço de tempo, na ansia de se encontrar o som mais nos agrada, e isto é válido para braços, etc.
(...)

Bom dia!

Tocou precisamente no ponto que levantei, porque o processo de aprendizagem é um longo e muito largo caminho e as experiências que vamos acumulando servirão sempre de referências.
Hoje admito que voltaria a ser tocado por aquele sistema que ouvi, desde logo porque tudo nele era bom e muito generoso: os Quad II não desiludiram e não me importava de viver com um par deles agarrados às colunas que moram cá em casa. O Linn pareceu-me tocar bem, muito bem, mas lá está, as minhas referências na altura eram muito inferiores - o Pioneer PL-320 com a célula da ADC (colocada nova por nós) tocava muito bem, era muito certinho e quando o compramos por menos de nada ficamos surpreendidos!

Isto tudo para dizer que o Linn não me marcou particularmente porque eu já vivia com outra coisa na cabeça... como diz o nosso grande cantor: "sonhos de menino"!

Hoje também é verdade que já não ouvimos Música da mesma forma, mas para poder chegar à fineza de poder comparar máquinas assim ainda terei que ouvir muitas horas e várias peças/sistemas...

Faltando oportunidades, vou seguir a ouvir o que aqui temos, porque hoje ainda estou mais contente do que antes e isso também se deve ao que por aqui vou aprendendo! Wink

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MensagemAssunto: Re: Dez giras para a historia...   Qua Ago 31 2016, 14:02

José Miguel escreveu:

Tocou precisamente no ponto que levantei, porque o processo de aprendizagem é um longo e muito largo caminho e as experiências que vamos acumulando servirão sempre de referências.
Hoje admito que voltaria a ser tocado por aquele sistema que ouvi, desde logo porque tudo nele era bom e muito generoso: os Quad II não desiludiram e não me importava de viver com um par deles agarrados às colunas que moram cá em casa. O Linn pareceu-me tocar bem, muito bem, mas lá está, as minhas referências na altura eram muito inferiores - o Pioneer PL-320 com a célula da ADC (colocada nova por nós) tocava muito bem, era muito certinho e quando o compramos por menos de nada ficamos surpreendidos!

Isto tudo para dizer que o Linn não me marcou particularmente porque eu já vivia com outra coisa na cabeça... como diz o nosso grande cantor: "sonhos de menino"!

Hoje também é verdade que já não ouvimos Música da mesma forma, mas para poder chegar à fineza de poder comparar máquinas assim ainda terei que ouvir muitas horas e várias peças/sistemas...

Faltando oportunidades, vou seguir a ouvir o que aqui temos, porque hoje ainda estou mais contente do que antes e isso também se deve ao que por aqui vou aprendendo! Wink

Por acaso tenho um Pioneer dessa série, um PL 620 com célula da Shure M 44B que toca muito bem.
A título informativo esse simples Pioneer era bem carote nos anos 80, mas o audiófilo da época pagava bem a tudo que fosse novidade tecnológica.


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