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 O Estranho Caso do Nacionalismo Português

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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Sex Jul 15 2016, 00:12

Já não aguento mais ler ou ouvir comentários que grassam nas redes sociais ou comunicação social, referindo que Portugal ganhou uma medalha ou competição, que é um dos melhores Países do Mundo, etc...etc...etc.. isto leva-me a pensar no pior que pode ter uma Nação, que é o Nacionalismo irracional porque fundamentado apenas em títulos desportivos que escondem os alicerces pouco sólidos em que neste momento assenta o nosso Estado de Direito Democrático e Social. O amor próprio pela Nação advém da existência de uma sociedade mais justa, igualitária,e não pela conquista de títulos efémeros que podem confundir os mais incautos, dando-lhes a pensar que a Sociedade está a evoluir, quando na verdade está a regredir pois apenas se revê em prémios e não em valores sociais e colectivos. A este respeito indico um excelente livro de Luís Trindade - " O estranho caso do nacionalismo Português". A esse respeito diz o autor: "...Em 1940, depois de visitarem a Exposição do Mundo Português, dois minhotos trocavam impressões, quando um disse ao outro: «Agora já tu sabes o que é ser português!...» É provável que isto não se tenha passado assim, que nunca ninguém se tenha deixado despojar tão completamente da sua identidade, mas Augusto de Castro, o escritor e jornalista que contou a historia, achou-a verosímil. Naquele momento, o nacionalismo era o consenso mais evidente na sociedade portuguesa. Atribui-se normalmente este fenómeno à propaganda salazarista. Neste livro, pelo contrário, procura-se reconstituir o longo e complexo processo ideológico que conduziu àquele episódio: como a literatura e a cultura de massa construíram, desde finais do século XIX, a base simbólica do que viria a ser o salazarismo. O resultado foi uma representação do país donde desapareceu a realidade social mas onde muitos portugueses se reviram. Foi esse O Estranho Caso do Nacionalismo Português...."

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Ghost4u
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Sex Jul 15 2016, 16:10

Prezados,

É aprazível ver o povo vibrando com o feito numa popular modalidade desportiva. Ainda mais bonito foi observar os festejos dos emigrantes radicados na França (nação, por vezes, hostil para quem decide tentar melhor qualidade de vida). Porém, pensando na realidade do nosso país, os festejos internos são demasiados...

Preocupa-me a comunicação social, especialmente a televisão, pois durante o Europeu, abusou de doses maciças de reportagem pré e pós-jogo, ocultando as notícias sobre o estado em que o mundo se encontra (como se durante um mês o mundo vivesse na "paz do Senhor"). Preocupa-me a mobilização do povo que, preencheu os muitos locais de via pública para assistir aos jogos em ecrã XXL. Depois, após a conquista, pernoitaram junto ao aeroporto para acolher a selecção que chegara ao início da tarde. Preocupa-me a recepção que concederam junto ao Palácio de Belém, aquando a condecoração presidencial. Preocupa-me que ante todo este espectáculo de nacionalismo irracional, os cidadãos deste país que, perante o sucesso de um conjunto de jogadores que dão toques numa bola, não se poupem a esforços para recebê-los e, quando são chamados a mobilizarem-se para lutar por causas nobres que deveria preocupar todos - como a questão da nossa pátria ser dirigida por estrangeiros que nem sequer por nós foram eleitos, afundando ainda mais esta nação com políticas de régua e esquadro e pouca ou nenhuma racionalidade para encher os cofres de outra nação que se tivesse continuado com o Marco, não seria ganhadora como é no tempo presente - prefiram ficar impávidos e serenos, aguardando que a classe política faça por eles, ao invés de demonstrarem desagrado na rua. Por tudo isto e muito mais, agradeço a referência ao livro «O Estranho Caso do Nacionalismo Português», afirmando que, a meu ver, o companheiro Alexandre Vieira está repleto de razão!

Com melhores cumprimentos,
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Alexandre Vieira
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qua Jul 20 2016, 11:39



Excelente "re-análise"!
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qua Jul 20 2016, 12:10

É apenas o resultado de uma nação que tirando um ou outro sucesso desportivo, a pouco mais se pode agarrar para festejar o ser português...infelizmente.

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Mário Franco
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qua Jul 20 2016, 12:11

A realidade é toda ela paradoxal.

O paradoxo vê-se melhor ao longe.

O futebol vive de instintos primários e é enbrutecedor mas neste momento, quando se emerge lentamente da negra Era Passos Coelho, em que o país se afundou numa mentalidade fúnebre, lanço vivas ao futebol se este contribuir para arejar o estado de espírito.

Mesmo que o motivo seja irracional, sacudamos o lombo  lol!

Por outro lado o futebol é agregador. Nesta Era em que a globalização cria movimentos migratórios que misturam culturas inconciliáveis, se o futebol puser brancos pretos e amarelos a tender para o mesmo lado, então viva o irracional futebol.

Porque a irracionalidade dos nacionalismos étnicos é muito mais preocupante

E por aí fora etc etc Orquestra
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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qua Jul 20 2016, 12:34

Mário Franco escreveu:
A realidade é toda ela paradoxal.

O paradoxo vê-se melhor ao longe.

O futebol vive de instintos primários e é enbrutecedor mas neste momento, quando se emerge lentamente da negra Era Passos Coelho, em que o país se afundou numa mentalidade fúnebre, lanço vivas ao futebol se este contribuir para arejar o estado de espírito.

Mesmo que o motivo seja irracional, sacudamos o lombo  lol!

Por outro lado o futebol é agregador. Nesta Era em que a globalização cria movimentos migratórios que misturam culturas inconciliáveis, se o futebol puser brancos pretos e amarelos a tender para o mesmo lado, então viva o irracional futebol.

Porque a irracionalidade dos nacionalismos étnicos é muito mais preocupante

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Goansipife
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qua Jul 20 2016, 13:03

Mário Franco escreveu:
A realidade é toda ela paradoxal.

O paradoxo vê-se melhor ao longe.

O futebol vive de instintos primários e é enbrutecedor mas neste momento, quando se emerge lentamente da negra Era Passos Coelho, em que o país se afundou numa mentalidade fúnebre, lanço vivas ao futebol se este contribuir para arejar o estado de espírito.

Mesmo que o motivo seja irracional, sacudamos o lombo  lol!

Por outro lado o futebol é agregador. Nesta Era em que a globalização cria movimentos migratórios que misturam culturas inconciliáveis, se o futebol puser brancos pretos e amarelos a tender para o mesmo lado, então viva o irracional futebol.

Porque a irracionalidade dos nacionalismos étnicos é muito mais preocupante

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agorgal
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qua Out 05 2016, 23:39

António José da Silva escreveu:
É apenas o resultado de uma nação que tirando um ou outro sucesso desportivo, a pouco mais se pode agarrar para festejar o ser português...infelizmente.

Agarro este tópico, já com uns meses, para me juntar ao coro unânime dos políticos portugueses (quem diria) e às páginas de acolhimento de inúmeros orgãos de comunicação por esse mundo fora. António Guterres será a face visível da Organização das Nações Unidas. Depois de um percurso nem sempre bem compreendido como político em Portugal e do exercício do cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados que mereceu rasgados elogios, a mais que previsível eleição para secretário-geral da ONU será o culminar de uma carreira de dedicação à causa pública, não apenas nacional mas mundial.

Cito o António José da Silva (que me perdoe) um pouco para o contestar. Não sendo nacionalista e muito menos adepto de "nacionalismos" bacocos tenho imenso orgulho em ser português. E inúmeras razões para isso. Primeiro pela língua (e aqui ensinado por Pessoa), pela História (os seus sucessos mas também os seus fracassos, porque não?) e pela cultura. Não são muitos os povos que se podem orgulhar (para o bem, mas também para o mal - os tais fracassos) de terem um papel tão preponderante na história da humanidade. Precursores da "aldeia global", conquistadores mas sobretudo descobridores, continuamos hoje a transcender o espaço que ocupamos no planeta.



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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qua Out 05 2016, 23:57

agorgal escreveu:
António José da Silva escreveu:
É apenas o resultado de uma nação que tirando um ou outro sucesso desportivo, a pouco mais se pode agarrar para festejar o ser português...infelizmente.

Agarro este tópico, já com uns meses, para me juntar ao coro unânime dos políticos portugueses (quem diria) e às páginas de acolhimento de inúmeros orgãos de comunicação por esse mundo fora. António Guterres será a face visível da Organização das Nações Unidas. Depois de um percurso nem sempre bem compreendido como político em Portugal e do exercício do cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados que mereceu rasgados elogios, a mais que previsível eleição para secretário-geral da ONU será o culminar de uma carreira de dedicação à causa pública, não apenas nacional mas mundial.

Cito o António José da Silva (que me perdoe) um pouco para o contestar. Não sendo nacionalista e muito menos adepto de "nacionalismos" bacocos tenho imenso orgulho em ser português. E inúmeras razões para isso. Primeiro pela língua (e aqui ensinado por Pessoa), pela História (os seus sucessos mas também os seus fracassos, porque não?) e pela cultura. Não são muitos os povos que se podem orgulhar (para o bem, mas também para o mal - os tais fracassos) de terem um papel tão preponderante na história da humanidade. Precursores da "aldeia global", conquistadores mas sobretudo descobridores, continuamos hoje a transcender o espaço que ocupamos no planeta.



Penso que generalizastes uma frase que foi dita dentro de um contexto algo diferente. A minha citação não é tão abrangente como a tua descrição (com a qual concordo na integra), porque se restringe mais ao momento actual (últimos 4-6 anos) de atropelos a dignidade humana provocada por uma Europa que exigiu a "pele" de tudo e todos (e que os nossos Governantes seguiram na integra e até se deram ao luxo de "melhorar"), especialmente dos mais desfavorecidos (infelizmente a maioria).

Era mais nesse sentido.

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agorgal
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qui Out 06 2016, 13:31

António José da Silva escreveu:
agorgal escreveu:
António José da Silva escreveu:
É apenas o resultado de uma nação que tirando um ou outro sucesso desportivo, a pouco mais se pode agarrar para festejar o ser português...infelizmente.

Agarro este tópico, já com uns meses, para me juntar ao coro unânime dos políticos portugueses (quem diria) e às páginas de acolhimento de inúmeros orgãos de comunicação por esse mundo fora. António Guterres será a face visível da Organização das Nações Unidas. Depois de um percurso nem sempre bem compreendido como político em Portugal e do exercício do cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados que mereceu rasgados elogios, a mais que previsível eleição para secretário-geral da ONU será o culminar de uma carreira de dedicação à causa pública, não apenas nacional mas mundial.

Cito o António José da Silva (que me perdoe) um pouco para o contestar. Não sendo nacionalista e muito menos adepto de "nacionalismos" bacocos tenho imenso orgulho em ser português. E inúmeras razões para isso. Primeiro pela língua (e aqui ensinado por Pessoa), pela História (os seus sucessos mas também os seus fracassos, porque não?) e pela cultura. Não são muitos os povos que se podem orgulhar (para o bem, mas também para o mal - os tais fracassos) de terem um papel tão preponderante na história da humanidade. Precursores da "aldeia global", conquistadores mas sobretudo descobridores, continuamos hoje a transcender o espaço que ocupamos no planeta.



Penso que generalizastes uma frase que foi dita dentro de um contexto algo diferente. A minha citação não é tão abrangente como a tua descrição (com a qual concordo na integra), porque se restringe mais ao momento actual (últimos 4-6 anos) de atropelos a dignidade humana provocada por uma Europa que exigiu a "pele" de tudo e todos (e que os nossos Governantes seguiram na integra e até se deram ao luxo de "melhorar"), especialmente dos mais desfavorecidos (infelizmente a maioria).

Era mais nesse sentido.

Mas António, mesmo nesses anos, inegavelmente negros dentro de portas, continuaram os sucessos na ciência e investigação, na gestão de negócios de grandes empresas internacionais e na criação de "startups" de reconhecido valor. Sem desvalorizar, dentro de portas, a coragem e espírito de solidariedade com que muitas instituições e cidadãos anónimos abraçaram a causa de minimizar a desgraça de todos aqueles que, vítimas da política económica implementada no país, caíram numa espécie de poço sem fundo de miséria.

Somos um país pequeno, muito pequeno, sem riquezas naturais que se salientem à excepção de alguma produção agrícola (vinho, azeite, cortiça), muito sol e muito mar. Temos defeitos, sem dúvida, o maior dos quais é uma falta de cultura cívica resultante de múltiplos factores.
Desperdiçamos oportunidades, por vezes por ignorância, muitas outras por ganância ou individualismo. Vamos aprendendo devagar apenas porque as elites continuam apostadas num povo subserviente e inculto. Mas nos maus momentos levantamos a cabeça e, de mãos nuas, fazemos a História que queremos e não a que nos querem impingir.
Talvez seja por isto tudo que, ao invés de "nuestros hermanos" que, passado um ano, ainda discutem se votam pela 3ª vez, encontramos logo uma solução que nos governa, que nos tenta tirar do buraco para onde nos atiraram (e não, não foram apenas as potências económicas da Europa mas também muitos de nós e cá dentro, que contribuíram para a profundidade do buraco). Talvez a solução não resulte apenas porque fraca, talvez falhe apenas porque interessa aos poderes que nos cavaram o buraco esse falhanço. Mas, porra, tentamos!
Nessa meia dúzia de anos de retrocesso social não desistimos de ser portugueses nem perdemos o rumo. Não esperamos, sentados, que a crise passasse. Uns, e de novo, partiram para lutar noutras paragens, muitos outros lutaram por aqui.
Foi por isso que citei a tua frase. Usei-a descontextualizada? Talvez. Mas há nela um pessimismo onde não me revejo. Nem onde revejo o povo português.

Nota: Talvez a eleição de Guterres para dirigir a ONU merecesse um tópico novo. Optei por este apenas porque, na discussão do livro "O Estranho Caso do Nacionalismo Português", os intervenientes passaram da "Exposição do Mundo Português" de 1940 para o "Campeonato da Europa de Futebol" de 2016 como se nada houvera entretanto...
Como se o povo português não se fizesse à rua no 25 de Abril, não sabendo o lado vencedor mas demonstrando de que lado estava.
Como se o povo português, em Setembro de 1999, não se fizesse novamente à rua, agora para ajudar um outro pequeno povo distante a conquistar a sua própria independência.
E antes disso esteve na rua a apoiar Humberto Delgado contra Salazar e voltou a estar na rua muitas vezes manifestando a sua vontade ou resistindo à vontade de outros.
Não se menospreze a capacidade de resistência e de luta do povo português. Pode parecer adormecido, anestesiado, mas quando acorda...
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Gabi2016

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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Sex Nov 03 2017, 02:46

agorgal escreveu:
Somos um país pequeno, muito pequeno, sem riquezas naturais que se salientem à excepção de alguma produção agrícola (vinho, azeite, cortiça), muito sol e muito mar. Temos defeitos, sem dúvida, o maior dos quais é uma falta de cultura cívica resultante de múltiplos factores.
Desperdiçamos oportunidades, por vezes por ignorância, muitas outras por ganância ou individualismo. Vamos aprendendo devagar apenas porque as elites continuam apostadas num povo subserviente e inculto. Mas nos maus momentos levantamos a cabeça e, de mãos nuas, fazemos a História que queremos e não a que nos querem impingir.
Talvez seja por isto tudo que, ao invés de "nuestros hermanos" que, passado um ano, ainda discutem se votam pela 3ª vez, encontramos logo uma solução que nos governa, que nos tenta tirar do buraco para onde nos atiraram (e não, não foram apenas as potências económicas da Europa mas também muitos de nós e cá dentro, que contribuíram para a profundidade do buraco). Talvez a solução não resulte apenas porque fraca, talvez falhe apenas porque interessa aos poderes que nos cavaram o buraco esse falhanço. Mas, porra, tentamos!
Nessa meia dúzia de anos de retrocesso social não desistimos de ser portugueses nem perdemos o rumo. Não esperamos, sentados, que a crise passasse. Uns, e de novo, partiram para lutar noutras paragens, muitos outros lutaram por aqui.
Foi por isso que citei a tua frase. Usei-a descontextualizada? Talvez. Mas há nela um pessimismo onde não me revejo. Nem onde revejo o povo português.

Nota: Talvez a eleição de Guterres para dirigir a ONU merecesse um tópico novo. Optei por este apenas porque, na discussão do livro "O Estranho Caso do Nacionalismo Português", os intervenientes passaram da "Exposição do Mundo Português" de 1940 para o "Campeonato da Europa de Futebol" de 2016 como se nada houvera entretanto...
Como se o povo português não se fizesse à rua no 25 de Abril, não sabendo o lado vencedor mas demonstrando de que lado estava.
Como se o povo português, em Setembro de 1999, não se fizesse novamente à rua, agora para ajudar um outro pequeno povo distante a conquistar a sua própria independência.
E antes disso esteve na rua a apoiar Humberto Delgado contra Salazar e voltou a estar na rua muitas vezes manifestando a sua vontade ou resistindo à vontade de outros.
Não se menospreze a capacidade de resistência e de luta do povo português. Pode parecer adormecido, anestesiado, mas quando acorda...



Muito bom texto sobre um interessante ponto de vista sobre a nossa realidade e perseverança, enquanto povo.
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TD124
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qui Nov 30 2017, 09:58

Este artigo passou-me ao lado ... mas não posso deixar de ter uma opinião sobre o que foi dito e que na minha situação de expatriado (e não de emigrante o que é diferente...) me toca profundamente...

Na frase "O estranho nacionalismo português" não é o termo nacionalismo que me desperta a atenção, pois se um português não é nacionalista então o nacionalismo não existe. Portugal é o mais velho "estado-nação" da europa, nasceu, cresceu e persiste independente em condições que ainda hoje desafiam a logica historica. Enclavado entre o mar e um potente vizinho (é o unico pais da europa nesse caso...) não sò preservou a sua independência como afirmou a sua diferença, forjou uma identidade singular e mesmo esteve à porta de unificar a peninsula. Lembram-se da "Batalha de Toro" que a Espanha gosta de ver como um empate, mas que não é um, e que decidiu não sò do destino da peninsula mas também do destino de toda a europa e abre o caminho da Espanha e da sua potência europeia (santo empiro germânico)... dando a Portugal o controle total do mar e do desconhecido.

Não, o que me desperta a atenção na frase é o termo "estranho", pois ecoa-me imediatamente a frase preferida sobre Portugal do Fançois Miterrand que era "A estranha singularidade portuguesa". Sim, Portugal é estranho pois singular e é ainda mais quando visto do centro da europa. Qualquer europeu vê Portugal como um pais ibérico que é, então muito parecido com a Espanha, o que ele não é! Efectivamente partilhamos com a espanha a singularidade do iberismo mas como dizia um grande rei nosso "falem-me de castelhanos ou de aragoneses, pois espanhois nòs somos todos". A singularidade portuguesa é de profundamente ser estranho, mesmo para os nossos vizinhos e mesmo para nòs. Às vezes grandes, doutras pequenos, às vezes imensos e outras vezes transparentes e minusculos. Sim, este nosso pais (nòs mesmos) somos estranhos e somos singulares e muitas vezes ném sabemos se somos grandes ou pequenos, ou se somos simplesmente os dois. Mas hà algo que sabemos todos e muito bem, é que este pequeno pais nasceu com uma espada na mão e sobreviveu com uma espada na mão ... e conseguiu fazer grandes coisas com uma espada na mão e não sò massacres ... que também fez.

Então porque somos estranhos e singulares, mas também porque somos universalistas, inteiros, fiéis à ideia fundadora desta terra pela qual muitas gerações morreram para que possamos hoje dizer que jà faz 800 anos que somos estranhos e singulares ... pois portugueses!

C@#@)(os me fodam, é evidente que me sinto orgulhoso de ser português!... sém menosprezar os outros povos!!!

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qui Nov 30 2017, 13:28


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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qui Nov 30 2017, 18:47

TD124 escreveu:
Este artigo passou-me ao lado ... mas não posso deixar de ter uma opinião sobre o que foi dito e que na minha situação de expatriado (e não de emigrante o que é diferente...) me toca profundamente...

Na frase "O estranho nacionalismo português" não é o termo nacionalismo que me desperta a atenção, pois se um português não é nacionalista então o nacionalismo não existe. Portugal é o mais velho "estado-nação" da europa, nasceu, cresceu e persiste independente em condições que ainda hoje desafiam a logica historica. Enclavado entre o mar e um potente vizinho (é o unico pais da europa nesse caso...) não sò preservou a sua independência como afirmou a sua diferença, forjou uma identidade singular e mesmo esteve à porta de unificar a peninsula. Lembram-se da "Batalha de Toro" que a Espanha gosta de ver como um empate, mas que não é um, e que decidiu não sò do destino da peninsula mas também do destino de toda a europa e abre o caminho da Espanha e da sua potência europeia (santo empiro germânico)... dando a Portugal o controle total do mar e do desconhecido.

Não, o que me desperta a atenção na frase é o termo "estranho", pois ecoa-me imediatamente a frase preferida sobre Portugal do Fançois Miterrand que era "A estranha singularidade portuguesa". Sim, Portugal é estranho pois singular e é ainda mais quando visto do centro da europa. Qualquer europeu vê Portugal como um pais ibérico que é, então muito parecido com a Espanha, o que ele não é! Efectivamente partilhamos com a espanha a singularidade do iberismo mas como dizia um grande rei nosso "falem-me de castelhanos ou de aragoneses, pois espanhois nòs somos todos". A singularidade portuguesa é de profundamente ser estranho, mesmo para os nossos vizinhos e mesmo para nòs. Às vezes grandes, doutras pequenos, às vezes imensos e outras vezes transparentes e minusculos. Sim, este nosso pais (nòs mesmos) somos estranhos e somos singulares e muitas vezes ném sabemos se somos grandes ou pequenos, ou se somos simplesmente os dois. Mas hà algo que sabemos todos e muito bem, é que este pequeno pais nasceu com uma espada na mão e sobreviveu com uma espada na mão ... e conseguiu fazer grandes coisas com uma espada na mão e não sò massacres ... que também fez.

Então porque somos estranhos e singulares, mas também porque somos universalistas, inteiros, fiéis à ideia fundadora desta terra pela qual muitas gerações morreram para que possamos hoje dizer que jà faz 800 anos que somos estranhos e singulares ... pois portugueses!
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qui Nov 30 2017, 20:54

Olá

Concordando com tudo o que aqui foi escrito, só vos digo uma coisa.
Um país tão pequeno á beira mar plantado, tem tudo do melhor que há no mundo, mesmo na singularidade.
Se num universo de 11 milhões de Portugueses há tanto portuga fora de série em todas as áreas da sociedade, imaginem que eramos tantos como os
chineses ou os indianos.
Nossa senhora, o mundo era governado por Portugal  
Bem ou mal não sei mas eramos os donos disto tudo

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Qui Nov 30 2017, 21:36

JPEREIRA escreveu:

Bem ou mal não sei mas eramos os donos disto tudo

Cumps


lol!

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João Henrique
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Sex Dez 01 2017, 17:58

António José da Silva escreveu:
É apenas o resultado de uma nação que tirando um ou outro sucesso desportivo, a pouco mais se pode agarrar para festejar o ser português...infelizmente.

Discordo, o futebol é um desporto que move massas, daí o destaque auferido mas em Portugal há muito boa gente que se destaca por esse Mundo fora, a título de curiosidade esta pequena notícia publicada no DN:

https://www.dn.pt/sociedade/interior/portugueses-que-influenciam-a-ciencia-mundial-4972033.html
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TD124
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Sex Dez 01 2017, 18:09

João Henrique escreveu:
(...) mas em Portugal há muito boa gente que se destaca por esse Mundo fora, a título de curiosidade esta pequena notícia publicada no DN:

https://www.dn.pt/sociedade/interior/portugueses-que-influenciam-a-ciencia-mundial-4972033.html

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Sex Dez 01 2017, 23:06

João Henrique escreveu:
António José da Silva escreveu:
É apenas o resultado de uma nação que tirando um ou outro sucesso desportivo, a pouco mais se pode agarrar para festejar o ser português...infelizmente.

Discordo, o futebol é um desporto que move massas, daí o destaque auferido mas em Portugal há muito boa gente que se destaca por esse Mundo fora, a título de curiosidade esta pequena notícia publicada no DN:

https://www.dn.pt/sociedade/interior/portugueses-que-influenciam-a-ciencia-mundial-4972033.html


Nem eu disse que nao havia mais nada.

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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Seg Dez 11 2017, 19:01

Confunde-se feitos com Nacionalismo.

No tempo do "Avô Cavernoso", desde a primária à televisão só se ouvia falar na grandiosidade de Portugal. Daí os famosos três "F".

Esse tipo de bebedeira colectiva, em que nos sentimos extraordinariamente extasiados e é que é de combater...

Temos que ter os pés no chão e lutar por uma sociedade mais justa e igualitária e não por ter a "melhor cidade do futebol da Europa" ou que ganhámos um qualquer prémio por sermos o melhor destino turístico.

De outro modo como disse uma vez o Sr. José Saramago "fica apenas a palavra que o diz, de resto quase nada".

Esta é uma opinião apenas, a minha, também vale ela quase nada...

Mas vale a pena este tópico (que até é da minha autoria - lol! ) para reflectirmos o que é ser Português!

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MensagemAssunto: Re: O Estranho Caso do Nacionalismo Português   Seg Dez 11 2017, 19:11

Alexandre Vieira escreveu:
Confunde-se feitos com Nacionalismo.

No tempo do "Avô Cavernoso", desde a primária à televisão só se ouvia falar na grandiosidade de Portugal. Daí os famosos três "F".

Esse tipo de bebedeira colectiva, em que nos sentimos extraordinariamente extasiados e é que é de combater...

Temos que ter os pés no chão e lutar por uma sociedade mais justa e igualitária e não por ter a "melhor cidade do futebol da Europa" ou que ganhámos um qualquer prémio por sermos o melhor destino turístico.

De outro modo como disse uma vez o Sr. José Saramago "fica apenas a palavra que o diz, de resto quase nada".

Esta é uma opinião apenas, a minha, também vale ela quase nada...

Mas vale a pena este tópico (que até é da minha autoria - lol! ) para reflectirmos o que é ser Português!

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