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 À descoberta do Porto!

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José Miguel
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MensagemAssunto: À descoberta do Porto!   Sex Jun 17 2016, 22:48

Boa noite a todos e todas!

Hoje passamos uma tarde no Porto e decidimos apresentar a cidade a partir de uma perspectiva diferente.
Este Tópico não visa ser apenas nosso, mas de todos aqueles que pretendam apresentar um pedacinho da mais bela cidade Portuguesa, claro está, o Porto!!!

A tarde tem muitas horas, mas já se sabe que quem sai e leva a língua perde-se com facilidade... a nossa ideia era começar por apresentar uma dúzia de espaços, depois pensamos em reduzir para meia-dúzia e vamos agora apresentar...

Começamos a jornada por estacionar o carro num dos lugares onde ainda não se paga estacionamento, quem quiser pistas depois pode sempre perguntar. Visitamos uma obra mediática da autoria do Siza e seguimos a pé pelas ruas que mais gostamos.

Nessas ruas é comum encontrar-mos sempre algo que gostamos e pelo qual normalmente não pagamos mais que um ou dois euros - a nossa casa está a ficar cheia! Rolling Eyes Hoje não foi diferente, entramos numas quantas lojas de velharias e encontramos dois petiscos... mas a seu tempo falaremos dessas mágicas lojas em que poucas pessoas entram e onde se encontra sempre algo bem catita.

Saímos já com uma mão cheia e seguimos até ao nosso primeiro ponto, aquele que escolhemos para primeiro. Lá esperava-nos a pessoa de sempre, com sorriso aberto e muita conversa para partilhar. Deu para tudo, foram duas horas a falar com o proprietário do espaço e com os clientes que foram entrado: músicos conhecidos da nossa praça, bancários, turistas, ...



A PortoCalling é um dos nossos espaços favoritos, desde logo porque está lá o Pedro, uma pessoa que vale a pena conhecer. É de uma generosidade incrível, sempre pronto para ajudar a procurar aquele álbum que nos está a escapar e uma cultura musical de sonho!
Visitar a loja dele à distância é possível, aqui: http://www.portocalling.com/pt-pt#.V2RpiNIrJdg


Depois de muita conversa da boa o estômago pedia alimento e bebida... essa parte não é para aqui chamada, pelo menos para já. Um dia cruzaremos comida e bebida com música, desde logo porque existe o BOP que merece o nosso apreço - ainda ontem passamos lá duas horitas a ouvir música e...

Já compostos, ou re-compostos, descemos a rua do Almada e lá ainda pensamos entrar na Louie Louie... o nome não será estranho a muita gente, o espaço também não... mas não entramos, ainda assim fica uma imagem para aquecer o apetite, um destes dias entramos e falaremos mais sobre esta loja.

Podem visitar a loja aqui: http://www.louielouie.biz/   - também existe mais a sul.  Wink

Continuamos a descer, só mais uns metros e viramos à esquerda...

A rua é pequena, a vista uma maravilha!!! O Porto não é a Capital, mas o edifício da Câmara é de respeito e enorme beleza.
A meio desta pequena rua é possível encontrar um espaço onde o vinil é o mote, mas claro que a conversa com o senhor Nuno não é de se perder. A sua colecção disposta para venda é uma parte da que tem lá em casa. A conversa é diversificada e como além da loja ainda faz a Feira na Praça Carlos Alberto, histórias não faltam. Clientes também não e a secção de "progressivo" levou um rombo violento... Sorte a nossa, não gastamos o nosso dinheirinho para lá do que pensamos, mas as tentações do outro lado, na outra parede são muitas... Lá fica o Jazz e o bichinho despertou!
Pensamos assim: um, só um, "no problem"!
Ficam as imagens que o resto não interessa:




Pois é, só o edifício vale a visita e a loja é lá ao fundo do corredor - ainda dá para ver que as estantes lá estão.
É um sonho de lugar, simpático e acolhedor, com muitas tentações!  Rolling Eyes
A Vinyl Disc pode ser visitada aqui: http://vinyldisc.weebly.com/

Por hoje ficamos por aqui, mas prometemos voltar. Espero que mais portuenses partilhem as suas histórias vividas na mais bela cidade do país, o Porto merece ser conhecido por todos!


Beijos e até já. Wink



ps.: as imagens são do telefone... mas o que se pretende é despertar o interesse de todos, para que todos visitem e vejam "in loco"!
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Luciana Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Sex Jun 17 2016, 23:05

Que belo tópico... Wink
Mas quando for eu a tirar as fotografias, vou abrir os planos... o Porto merece-o.
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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Sex Jun 17 2016, 23:21

Um tópico imprescindível para quem for de visita ao belo Porto !!
Obrigado !!

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Sex Jun 17 2016, 23:32

Milton escreveu:
Um tópico imprescindível para quem for de visita ao belo Porto !!
Obrigado !!
E cá o(s) esperamos para mais e mais do Porto! Wink

De nós (eu e a Luciana) haverão mais episódios, esperamos pelo contributo de todos e até outros tópicos de outras belas cidades!
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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Sex Jun 17 2016, 23:36


Dia para a romaria... muito bem!
...já tenho saudades... Wink
cheers
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Sab Jun 18 2016, 00:35

Luis Filipe Goios escreveu:

Dia para a romaria... muito bem!
...já tenho saudades... Wink
cheers

Era final de tarde, passava das 20h...

Para o Luís "matar", visualmente falando, saudades do número 274 da Rua do Rosário.
O edifício é lindo, um exemplar de Arte Nova, o interior cheio de...


Este é um avanço do que se seguirá, porque merece mesmo!!! bounce bounce bounce
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zaratustra
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qui Jun 23 2016, 15:19


Ora aqui está um belo tópico!

Essa casinha na Rua do Rosário é tão bonita por fora como por dentro... (acredito piamente nos relatos dos pescadores).

Obrigado pela partilha!

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António José da Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qui Jun 23 2016, 15:52

Estranho, só agora me dei conta deste tópico. A ver se hoje leio desde o inicio, parabéns.

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qui Jun 23 2016, 20:30

Mais uma visita ao Porto, ainda que rápida e mais uma vez fomos acompanhados de língua... o mesmo é dizer: não concretizamos o que pensamos, mas foi muito bom!

O carro ficou estacionado, como tentamos sempre, numa zona gratuita e central.
A imagem marca um ponto, o graffiti está no fundo (ou princípio) da rua de Cedofeita. Lá pode ser encontrado uma pequena Galeria Comercial muito interessante para quem procura vinil:

Essa é a entrada para a Galeria, aquela onde se realiza a Feira do Vinil um vez por ano. Lá dentro poderão encontrar algumas lojas que vendem discos, lojas mais ou menos especializadas.

Seguimos em frente, no sentido em que a Rua de Cedofeita deixa de ser transitável e passa a ser pedonal - para nós foi toda pedonal!

O objectivo principal era virar à direita para a Rua do Rosário, mas havia uma visita marcada à PortoCalling e foi a nossa perdição... foram duas hora de muito boa conversa, saímos mais ricos do que entramos e ainda com algo nas mãos... adiante!

Descemos da PortoCalling pela Travessa de Cedofeita e entramos numa loja linda e que recomendamos:

Quem quiser levar um postal original da Cidade pode procurar aqui, porque vai encontrar bons exemplares e bem baratos.
A loja não tem como especialidade o vinil, mas a colecção para venda tem aumentado e já apanhamos coisas bem apetitosas - vale a pena espreitar, por tudo e desde logo pela simpatia das pessoas!

Cruzamos a Rua de Cedofeita novamente, agora seguimos no sentido certo... mas antes uma paragem:

Quem mostra um graffiti, mostra dois!
Este, contudo, é especial e sempre que passamos por ele paramos para o observar... é lindo e uma peça de Arte!

Rua do Rosário, finalmente, porque o tempo já nos fugia por entre os dedos...

As fotografia tiradas do telefone não revelam muito, mas a Rua é bonita e tem edifícios que valem a pena ver, aqui é só mesmo para abrir o apetite!

E agora um dos tais edifícios que vale mesmo a pena:

Como podem ver, desta vez as portas estão abertas e a fotografia revela bem isso...

Lá dentro esperava-nos o Francisco, proprietário da Musak. Por curiosidade ele também esteve na PortoCalling a dar à treta... não foi o responsável pelo nosso atraso, mas quando se junta a "tropa" a falar de música e discos...

A Musak por dentro é memso linda, faz parte de um espaço onde convivem vários negócios. A fotografia está mesmo má, mas é para ser assim. Ela deve ser encarada como um aperitivo, porque nenhuma imagem revela o que de melhor ali há.

Mais uma vez o Francisco estava a escolher singles para passar numa noite de festa que se avizinha. O local para o ver e ouvir fica na Rua Galeria de Paris e chama-se Café au Lait.
Podem visitar aqui, mesmo eu que não tenho "facebook" consigo ver: https://www.facebook.com/aulait.cafe/

Hoje não há sessão, mas às quintas é normal ele andar por lá.
Hoje festeja-se o São João no Porto e nós não fugimos à regra. Festejamos à nossa maneira, com comida e bebida, música... e convosco! Wink


Ainda não saímos do mote Música e lojas de Música, mas sairemos... até porque a Música acontece em muitos lugares e o Porto é Lindo!
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Luis Filipe Goios
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qui Jun 23 2016, 21:37


Assim se vão "esventrando" os segredos.... Wink Cool
Muito bom!
cheers
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agorgal
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Dom Jul 31 2016, 13:06

Ontem, pela meia-noite, eram milhares de pessoas, de todas as nacionalidades, amontoadas nas ruas adjacentes aos Clérigos... Festejavam o novo livro do Harry Potter junto a uma das mais belas livrarias do mundo. Perdi o que foram tardes sossegadas no meio de livros e rodeado de uma arquitectura deslumbrante. Agora resta-me olhar, divertido, as bichas que se formam à porta.
Para quem não conhece: visitar o Porto e não entrar na Livraria Chardron, vulgo Lello, é um quase crime...

http://cultura.elpais.com/cultura/2016/07/31/actualidad/1469942039_360140.html
http://edition.cnn.com/2015/08/03/travel/gallery/coolest-bookstores-new/index.html
http://bookriot.com/2013/08/26/lello-bookstore-the-most-beautiful-bookstore-in-the-world/
http://www.miragebookmark.ch/most-interesting-bookstores.htm
http://elviajero.elpais.com/elviajero/2014/06/26/actualidad/1403778649_462703.html
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Dom Jul 31 2016, 14:12

Boa tarde!

Que bela dica essa da Lello, um espaço que merece a visita.

A "politica" de visitas mudou, mas a experiência continua a ser incrível. Para quem a quiser visitar com frequência sempre pode pedir o cartão "Amigo Lello", creio que é assim que se chama.

Ontem a Livraria recebeu essa festa, mas eu prefiro lembrar o restauro realizado sem financiamento Público.

Espero que o espaço continue a ser restaurado como merece! Wink




Não tenho conseguido dar continuidade a esta visita pela mais bela Cidade do País e arredores, mas continue a deixar as suas dicas, até aquelas que nos possam conduzir aos locais mais escondidinhos!
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agorgal
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Dom Jul 31 2016, 14:25

José Miguel escreveu:


A "politica" de visitas mudou, mas a experiência continua a ser incrível. Para quem a quiser visitar com frequência sempre pode pedir o cartão "Amigo Lello", creio que é assim que se chama.


Uma das poucas circunstâncias em que eu concordei com impor uma "taxa" de entrada...
Nos últimos anos recebia centenas, por vezes mil visitantes por dia mas o negócio dos livros naufragava...
Ou compram no super mercado, ou compram na Amazon, ou simplesmente não compram...
Agora, 3€ por entrada, 10€ um cartão válido por um ano. Dedutível na compra de um livrinho... Porque não?
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Dom Jul 31 2016, 14:47

agorgal escreveu:
José Miguel escreveu:


A "politica" de visitas mudou, mas a experiência continua a ser incrível. Para quem a quiser visitar com frequência sempre pode pedir o cartão "Amigo Lello", creio que é assim que se chama.


Uma das poucas circunstâncias em que eu concordei com impor uma "taxa" de entrada...
Nos últimos anos recebia centenas, por vezes mil visitantes por dia mas o negócio dos livros naufragava...
Ou compram no super mercado, ou compram na Amazon, ou simplesmente não compram...
Agora, 3€ por entrada, 10€ um cartão válido por um ano. Dedutível na compra de um livrinho... Porque não?

É isso mesmo!!!

A Livraria já apresentava uma queda grande no volume de negócios, assisti muitas vezes a algo que considero estranho: as pessoas entravam, tiravam umas fotografias às escondidas, voltavam a sair.

Este fenómeno acontece em museus e igrejas, na rua... Ao que parece é mais importante ter uma má fotografia no telefone do que ter uma bela memória.


A cidade do Porto está a acelarar o seu "ritmo", preferia ver um processo de "desaceleração"!
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agorgal
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Dom Jul 31 2016, 16:24

José Miguel escreveu:


A cidade do Porto está a acelarar o seu "ritmo", preferia ver um processo de "desaceleração"!


Moro a duzentos metros da Chadron, a cem metros da Galeria de Paris e de Cândido dos Reis. Na rua onde vivo, e não há muitos anos, depois das 21h apenas restavam prostitutas e os seus clientes. Dava-lhes cigarros, tomavam-me conta da porta e do carro. Conhecia-as pelo nome, conheciam-me pelo nome. Uma me marcou particularmente, era muito jovem e de uma beleza fascinante, olhos da cor do mar em dia de tempestade. Estava sempre acompanhada pelo namorado. Agarrava (era agarrada) por um cliente, metia-se no carro dele e ia para os lados da Cordoaria, para uma daquelas pensões foleiras de quartos alugados à hora. Ele, enamorado, seguia-a a pé. Pouco tempo depois voltavam ambos de mãos dadas, por vezes enleados num abraço. E um novo ciclo se iniciava, ele sentado num degrau de escada a fazer palavras cruzadas, ela no passeio em frente, aguardando outra oportunidade para fazer mais umas centenas de escudos. Quando me pedia um cigarro tinha direito a dois, um para ela, um para ele. Um dia escreveram os nomes no cimento fresco do passeio, separado por um coração. Dorido, talvez... O tempo passou, a beleza foi-se diluindo, o rosto ficando mais marcado. Até que a própria presença se diluiu também numa ausência definitiva.
Espero que ambos tenham encontrado um melhor caminho de vida.
Hoje esta zona da cidade está muito diferente, bares porta sim porta sim, o comércio tradicional, na altura já nas ruas da amargura, praticamente desapareceu. É certo que acabaram as casas abandonadas, os estabelecimentos fechados. Não me perguntem se está melhor... não saberia responder.
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Dom Jul 31 2016, 16:50

Que belo texto e ainda mais bela descrição do "passar do tempo" nas ruas do Porto.

Eu e a Luciana vivemos no cimo da rua da Picaria, de um lado da casa podíamos ver a torre da Câmara Municipal, do outro lado o topo da Torre dos Clérigos. Chegamos a essa rua e ainda se experimentava esse "vazio" cheio de histórias, no pico da "crise" algumas ruas foram tomadas por familias inteiras durante a noite...

O Porto sempre encerrou dentro das suas "muralhas" esse dualismo, talvez não seja estranha a luz em tons de cinza - ai se as pedras falassem.


Vejo com bons olhos a ocupação da cidade e alguma vida retomada, mas como já disse algures por aqui "gosto de estar no coração da Cidade, mirando os batimentos provocados pelos passos acelerados dos que passam".

O ritmo acelerado com que se leva a vida não é um exclusivo do Porto, creio que ainda acelerará mais um pouco, contudo penso-o como "contra-natura", exagerado, ... sinal deste tempo!?!



Hoje, domingo, para tomar café na zona do Bessa/Boavista tive que caminhar quinze minutos... e tudo está calmo, como é típico aos domingos nesta cidade.





ps.: a "morte" do comércio tradicional é algo que pesa, enquanto estamos na Póvoa de Varzim é a ele que recorremos, até para nos guardarem o Correio ou o pão favorito...
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Dom Jul 31 2016, 20:59

agorgal escreveu:
...
Para quem não conhece: visitar o Porto e não entrar na Livraria Chardron, vulgo Lello, é um quase crime...

Efectivamente não conheço o Porto, mas penso ir passar quatro ou cinco dias no fim de Outubro com a familia... então vou seguir o topico com atenção e evidentemente visitar essa livraria que é mitica...

cheers

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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Dom Jul 31 2016, 21:04

agorgal escreveu:
...
Moro a duzentos metros da Chadron, a cem metros da Galeria de Paris e de Cândido dos Reis. Na rua onde vivo, e não há muitos anos, depois das 21h apenas restavam prostitutas e os seus clientes. Dava-lhes cigarros, tomavam-me conta da porta e do carro. Conhecia-as pelo nome, conheciam-me pelo nome. Uma me marcou particularmente, era muito jovem e de uma beleza fascinante, olhos da cor do mar em dia de tempestade. Estava sempre acompanhada pelo namorado. Agarrava (era agarrada) por um cliente, metia-se no carro dele e ia para os lados da Cordoaria, para uma daquelas pensões foleiras de quartos alugados à hora. Ele, enamorado, seguia-a a pé. Pouco tempo depois voltavam ambos de mãos dadas, por vezes enleados num abraço. E um novo ciclo se iniciava, ele sentado num degrau de escada a fazer palavras cruzadas, ela no passeio em frente, aguardando outra oportunidade para fazer mais umas centenas de escudos. Quando me pedia um cigarro tinha direito a dois, um para ela, um para ele. Um dia escreveram os nomes no cimento fresco do passeio, separado por um coração. Dorido, talvez... O tempo passou, a beleza foi-se diluindo, o rosto ficando mais marcado. Até que a própria presença se diluiu também numa ausência definitiva.
Espero que ambos tenham encontrado um melhor caminho de vida.
Hoje esta zona da cidade está muito diferente, bares porta sim porta sim, o comércio tradicional, na altura já nas ruas da amargura, praticamente desapareceu. É certo que acabaram as casas abandonadas, os estabelecimentos fechados. Não me perguntem se está melhor... não saberia responder.

Magnifico texto amigo "agorgal"... verdadeiramente uma "tranche de vie" como se diz aqui!

cheers

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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Dom Jul 31 2016, 22:06

TD124 escreveu:
agorgal escreveu:
...
Moro a duzentos metros da Chadron, a cem metros da Galeria de Paris e de Cândido dos Reis. Na rua onde vivo, e não há muitos anos, depois das 21h apenas restavam prostitutas e os seus clientes. Dava-lhes cigarros, tomavam-me conta da porta e do carro. Conhecia-as pelo nome, conheciam-me pelo nome. Uma me marcou particularmente, era muito jovem e de uma beleza fascinante, olhos da cor do mar em dia de tempestade. Estava sempre acompanhada pelo namorado. Agarrava (era agarrada) por um cliente, metia-se no carro dele e ia para os lados da Cordoaria, para uma daquelas pensões foleiras de quartos alugados à hora. Ele, enamorado, seguia-a a pé. Pouco tempo depois voltavam ambos de mãos dadas, por vezes enleados num abraço. E um novo ciclo se iniciava, ele sentado num degrau de escada a fazer palavras cruzadas, ela no passeio em frente, aguardando outra oportunidade para fazer mais umas centenas de escudos. Quando me pedia um cigarro tinha direito a dois, um para ela, um para ele. Um dia escreveram os nomes no cimento fresco do passeio, separado por um coração. Dorido, talvez... O tempo passou, a beleza foi-se diluindo, o rosto ficando mais marcado. Até que a própria presença se diluiu também numa ausência definitiva.
Espero que ambos tenham encontrado um melhor caminho de vida.
Hoje esta zona da cidade está muito diferente, bares porta sim porta sim, o comércio tradicional, na altura já nas ruas da amargura, praticamente desapareceu. É certo que acabaram as casas abandonadas, os estabelecimentos fechados. Não me perguntem se está melhor... não saberia responder.

Magnifico texto amigo "agorgal"... verdadeiramente uma "tranche de vie" como se diz aqui!

cheers



Uma história de vidas complexas, moldadas pela necessidade (ou não). Nem sempre fáceis de entender, mas sempre merecedoras de respeito, pelo respeito que o ser humano nos merece.

Também espero que tenham encontrado um caminho de vida com mais paz.

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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Seg Ago 01 2016, 22:08

agorgal escreveu:


Moro a duzentos metros da Chadron, a cem metros da Galeria de Paris e de Cândido dos Reis. Na rua onde vivo, e não há muitos anos, depois das 21h apenas restavam prostitutas e os seus clientes. Dava-lhes cigarros, tomavam-me conta da porta e do carro. Conhecia-as pelo nome, conheciam-me pelo nome. Uma me marcou particularmente, era muito jovem e de uma beleza fascinante, olhos da cor do mar em dia de tempestade. Estava sempre acompanhada pelo namorado. Agarrava (era agarrada) por um cliente, metia-se no carro dele e ia para os lados da Cordoaria, para uma daquelas pensões foleiras de quartos alugados à hora. Ele, enamorado, seguia-a a pé. Pouco tempo depois voltavam ambos de mãos dadas, por vezes enleados num abraço. E um novo ciclo se iniciava, ele sentado num degrau de escada a fazer palavras cruzadas, ela no passeio em frente, aguardando outra oportunidade para fazer mais umas centenas de escudos. Quando me pedia um cigarro tinha direito a dois, um para ela, um para ele. Um dia escreveram os nomes no cimento fresco do passeio, separado por um coração. Dorido, talvez... O tempo passou, a beleza foi-se diluindo, o rosto ficando mais marcado. Até que a própria presença se diluiu também numa ausência definitiva.
Espero que ambos tenham encontrado um melhor caminho de vida.
Hoje esta zona da cidade está muito diferente, bares porta sim porta sim, o comércio tradicional, na altura já nas ruas da amargura, praticamente desapareceu. É certo que acabaram as casas abandonadas, os estabelecimentos fechados. Não me perguntem se está melhor... não saberia responder.

Vivi no Porto (Rua Mouzinho da Silveira) alguns anos, aqueles que encerram a adolescência e romperam a adultícia… Recordo uma cidade arruinada, principescamente decadente, inexplorada pelos seus habitantes (pelo menos no horário útil praticado por mim) e irremediavelmente arrebatadora. Todos os dias perdia-me num novo ou num habitual cantinho que só a mim me pertencia (crença fundada no estar sempre só ou acompanhada de colegas que conheciam os espaços por meu intermédio) e nele deixava o tempo impor a sua vontade.
Histórias como as que narrou, presenciei algumas; se de imagens descrevesse o Porto, certamente realçaria esses foragidos que caracterizam tão bem alguns locais. Vivenciei na primeira pessoa sucessivos assaltos, acompanhei o limbo mental de pessoas que comungavam os mesmos espaços, conversei com elas e vi-as sumir numa jus homenagem às destroçadas ruas. Hoje ainda as cheiro quando piso os locais que as acolhiam… Associações escabrosas da mente!!
Daquele Porto admirava particularmente o todo, tinha disso consciência e desejava viver ali para sempre (na juventude acreditamos no equilíbrio e na imutabilidade das coisas). Só a vida adulta arrasou os meus planos e atirou-me para fora das margens portuenses, regressei a ele na boa companhia do José (que já deambulava comigo na im-popular cidade) poucos anos mais tarde, mas nunca mais me encontrei no meu Porto… Foi um penoso movimento de transição, o Porto tinha mudado, tornou-se leviano demais…
Um sentimento de traição levou-me a resistir aos novos lugares, a negar o excesso de transeuntes que nele poisaram… foi terrível! Foram dois anos de penoso reconhecimento de mudança. Não existiu reconciliação possível e abandonei o novo Porto deificando o antigo Porto (e como se um deus se tratasse, as carnes não poderiam tocar-se).

Saímos dessa terra em busca de novo ar (com mais iodo por sinal). Actualmente pensamos voltar, viver uma nova experiência num Porto com rosto renovado, requalificado, renascido, prostituído…

Se me perguntarem qual dos Porto, respondo comprometida – O Meu. Mas reconheço que este foi um bom antídoto para aquele.

Ainda assim, o Porto é a terra que faz bater o meu pensamento…
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Seg Ago 01 2016, 22:19

Luciana Silva escreveu:
agorgal escreveu:


Moro a duzentos metros da Chadron, a cem metros da Galeria de Paris e de Cândido dos Reis. Na rua onde vivo, e não há muitos anos, depois das 21h apenas restavam prostitutas e os seus clientes. Dava-lhes cigarros, tomavam-me conta da porta e do carro. Conhecia-as pelo nome, conheciam-me pelo nome. Uma me marcou particularmente, era muito jovem e de uma beleza fascinante, olhos da cor do mar em dia de tempestade. Estava sempre acompanhada pelo namorado. Agarrava (era agarrada) por um cliente, metia-se no carro dele e ia para os lados da Cordoaria, para uma daquelas pensões foleiras de quartos alugados à hora. Ele, enamorado, seguia-a a pé. Pouco tempo depois voltavam ambos de mãos dadas, por vezes enleados num abraço. E um novo ciclo se iniciava, ele sentado num degrau de escada a fazer palavras cruzadas, ela no passeio em frente, aguardando outra oportunidade para fazer mais umas centenas de escudos. Quando me pedia um cigarro tinha direito a dois, um para ela, um para ele. Um dia escreveram os nomes no cimento fresco do passeio, separado por um coração. Dorido, talvez... O tempo passou, a beleza foi-se diluindo, o rosto ficando mais marcado. Até que a própria presença se diluiu também numa ausência definitiva.
Espero que ambos tenham encontrado um melhor caminho de vida.
Hoje esta zona da cidade está muito diferente, bares porta sim porta sim, o comércio tradicional, na altura já nas ruas da amargura, praticamente desapareceu. É certo que acabaram as casas abandonadas, os estabelecimentos fechados. Não me perguntem se está melhor... não saberia responder.

Vivi no Porto (Rua Mouzinho da Silveira) alguns anos, aqueles que encerram a adolescência e romperam a adultícia… Recordo uma cidade arruinada, principescamente decadente, inexplorada pelos seus habitantes (pelo menos no horário útil praticado por mim) e irremediavelmente arrebatadora. Todos os dias perdia-me num novo ou num habitual cantinho que só a mim me pertencia (crença fundada no estar sempre só ou acompanhada de colegas que conheciam os espaços por meu intermédio) e nele deixava o tempo impor a sua vontade.
Histórias como as que narrou, presenciei algumas; se de imagens descrevesse o Porto, certamente realçaria esses foragidos que caracterizam tão bem alguns locais. Vivenciei na primeira pessoa sucessivos assaltos, acompanhei o limbo mental de pessoas que comungavam os mesmos espaços, conversei com elas e vi-as sumir numa jus homenagem às destroçadas ruas. Hoje ainda as cheiro quando piso os locais que as acolhiam… Associações escabrosas da mente!!
Daquele Porto admirava particularmente o todo, tinha disso consciência e desejava viver ali para sempre (na juventude acreditamos no equilíbrio e na imutabilidade das coisas). Só a vida adulta arrasou os meus planos e atirou-me para fora das margens portuenses, regressei a ele na boa companhia do José (que já deambulava comigo na im-popular cidade) poucos anos mais tarde, mas nunca mais me encontrei no meu Porto… Foi um penoso movimento de transição, o Porto tinha mudado, tornou-se leviano demais…
Um sentimento de traição levou-me a resistir aos novos lugares, a negar o excesso de transeuntes que nele poisaram… foi terrível! Foram dois anos de penoso reconhecimento de mudança. Não existiu reconciliação possível e abandonei o novo Porto deificando o antigo Porto (e como se um deus se tratasse, as carnes não poderiam tocar-se).

Saímos dessa terra em busca de novo ar (com mais iodo por sinal). Actualmente pensamos voltar, viver uma nova experiência num Porto com rosto renovado, requalificado, renascido, prostituído…

Se me perguntarem qual dos Porto, respondo comprometida – O Meu. Mas reconheço que este foi um bom antídoto para aquele.

Ainda assim, o Porto é a terra que faz bater o meu pensamento…




Parabéns pelos textos.
Obrigado
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Seg Ago 08 2016, 12:14

As pequenas estórias da nossa vida e das vidas que a cruzam são como cenas de um filme jamais realizado mas nem por isso inexistente. Congratulo-me por quem partilha esta forma de olhar a humanidade que nos rodeia. Obrigado.
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Seg Ago 08 2016, 12:39

agorgal escreveu:
Congratulo-me por quem partilha esta forma de olhar a humanidade que nos rodeia. Obrigado.


Em prol de uma humanidade cada vez menos valorizada nas singularidades que as tornam únicas e belas.

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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Seg Ago 08 2016, 21:38

Já ouvi de muitas bocas a afirmação de que o Porto é uma cidade cinzenta. E, não saindo deste tópico, que me perdoe o José Miguel, li de uma luz cinzenta (...talvez não seja estranha a luz em tons de cinza...)...
Não, o Porto não é uma cidade cinzenta nem a luz é cinzenta. Mesmo quando coada pelo cinzento dum céu chuvoso, ela reflecte-se nas mil e uma cores da cidade.
O granito, quando à vista, também não é cinzento. Há granito rosa, azul, por vezes de um branco sujo mas sempre luminoso. Os cristais de mica e quartzo conferem ao granito uma capacidade de reflectância ímpar. E o azulejo, material de revestimento de eleição na arquitectura do Sec. XIX e inícios do Séc. XX, matiza a cidade de tons de vermelho, azul, verde e amarelo um pouco por todo o lado. Os pequenos jardins, sempre floridos, complementam aqui e ali essa variedade cromática que lhe dá uma beleza muito particular.
O Porto não é uma cidade branca (o epíteto de Cidade Branca é de Lisboa que muito bem o merece) mas uma cidade de luz e sombra, de cores por vezes escondidas aos olhares distraídos mas nem por isso menos presentes.

O Porto, 20 anos atrás, era assim:





Última edição por agorgal em Seg Ago 08 2016, 22:44, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Seg Ago 08 2016, 22:41

A frase que refere, sobre a luz do Porto, é uma imagem metafórica e não tem outro significado para lá do que está lá encerrado. O Porto tem cor, muita cor mesmo, pode até verificar que mais em cima refiro a Arte Nova... por exemplo.

A Arte Nova não é conhecida pela falta de cor, antes pelo uso dos painéis de azulejos coloridos e os floridos nas paredes. Claro que não me esqueci da cor que o Porto tem, mas referi-me à "luz" porque a cidade pela sua organização e exposição, pelo estado dos edifícios, pelos materiais usados acaba por ter menos "luz".

Isso para mim não é um defeito, afirmo-o sem receio e trato essa característica da cidade com orgulho.

Lisboa tem de facto uma exposição solar incrível, mas onde?

Quando passeio pelas entranhas da cidade de Lisboa a conversa muda e até o verde das árvores "escurece"... Mas poderão ser os meus olhos.
Subir pelas estreitas ruas lisboetas até ao Castelo custa, mas sobe-se à sombra... passear pelo Bairro Alto durante o dia... subir e descer até à nossa Assembleia da Republica...


No texto em cima falava-se de Vida e do peso que a Vida por vezes tem. O Porto, como eu disse, assistiu desde a sua fundação a muito, brinquei com a ideia do "cinzento" porque não é de esquecer que o centro da cidade cresceu consoante as possibilidades... A "luz" não entra nas ruas estreitas como entra na Praça do Comércio (Lisboa)...

Eu não sou natural do Porto e bem vistas as coisas descobri a cidade tarde. Hoje gosto muito da cidade do Porto e quando posso falo da cidade como a sinto.

Este tópico visa mesmo que se partilhem experiências da Cidade e até apelei à participação. Eu próprio conheço mal o Porto!
Comecei pelas lojas de discos porque se enquadra no Fórum, mas pretendia seguir para outras paragens. O trabalho tem tirado muito do tempo que queria ter para passear, mas não podendo espalhar a semente aqui, ando a espalhar a semente aos turistas que visitam o Porto e o local onde estou ao fim-de-semana... Wink


Continue a partilhar, porque espero mesmo poder seguir com estas conversas e até conhecer mais e melhor o Porto!
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Ter Ago 09 2016, 01:04

Caro José Miguel, não leve a mal as observações que fiz sobre a sua visão "cinza" da luz da cidade. Compreendo-a. O granito, sujo por décadas de utilização criminosa de combustível "diesel", ganha uma "patine" pouco agradável ao olhar, perdendo por completo a luminosidade que lhe é característica.

Leio bem, nas linhas e entre-linhas da sua escrita. uma paixão pela cidade que consigo partilho. Mas outros olhos a olhá-la terão, obrigatoriamente, uma visão ligeiramente distinta. Não melhor, não pior, apenas diferente. E, afinal, nasci aqui, nas traseiras do edifício da câmara, o que me dá um sentimento muito próprio de ser parte da alma da cidade. Olho-a como se a melhor cidade do mundo fora, no mesmo raciocínio de que a minha mãe é a melhor do mundo, apenas por ser a minha.

Não quero "monopolizar" um tópico que é obra sua mas aproveito-o para ilustrar uma cidade que é minha, é sua, e sobretudo nossa, de todos os que a visitam ou nela vivem.


Assim nasce o dia na cidade, envolta numa diáfana névoa e debruçada sobre um rio tantas vezes ignorado:


Com o sol no zénite:


Quando o sol se esconde atrás do mar uma suave névoa regressa:
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Ter Ago 09 2016, 01:53

Sairei do trabalho e irei para casa, mas quero desde já afirmar que não levo nem levei a mal o que disse, acredite que é com a maior abertura que falo e falarei.

As cidades são fruto de muita coisa, tal como nós mesmos. Uma enormidade de factores concorrem para que sejamos assim e não de outra forma... diz-se: é assim!

Espero que partilhe mais e mais da sua cidade, do Porto, porque eu devo o Porto a um feliz evento (um acaso!?!?) na minha vida...

Conheço bem essas imagens de as ver, eu e a Luciana vivemos em Vila Nova de Gaia durante dois anos e cruzamos muitas vezes as pontes que permitem chegar à outra margem. Passamos a horas distintas e nos dois sentidos, mesmo cansados faziamos uma paragem, observamos a cidade a recolher e a despertar.

O Rio Douro foi a nossa companhia em muitos almoços, porque sempre que havia sol era junto dele que nos sentavamos a comer... No final o café era mesmo junto ao muro, na Associação Recriativa... A vista para a Ponte era completa e lá se viam os turístas no corre-corre.

Santo Tirso é a minha cidade e será sempre aquela que me viu nascer, o Porto é a cidade que me permite estar aqui... aqui porque "é assim"!








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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Ter Ago 09 2016, 12:51

Belíssimas fotos.

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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Ter Ago 09 2016, 16:36

Ontem (pela hora já era hoje) lá viajei do Porto para a Póvoa, tinha que dormir... hoje lá fomos de manhã bem cedo pata o Porto tratar de algo.

A rua onde estivemos é uma rua com algumas coisas para contar, mas o que me leva/traz a escrever aqui é algo que foi dito pelo Argogal e com o qual concordo: o Porto tem muita cor e muitas cores a enfeitá-lo! (independentemente da questão da Luz que se prende com outros factores...)

Vejamos:

Era 9h30, esta manhã, e como tinha uns minutinhos lembrei-me... estava na Rua Sá da Bandeira...

Fui ao Mercado do Bolhão!



Apesar do Mercado estar a precisar muito de "ajuda", ainda conserva a beleza da arquitectura e das pessoas que o ocupam. Eu ainda andei pelos seus estreitos e coloridos corredores, dois dedos de conversa e saí pelo piso inferior do lado oposto ao que entrei. Existem obras a decorrer na fachada exterior, mas não chega... Ainda assim é um local a visitar!

Como estava ali, desci mais um pouco até um ponto onde cor não falta e que conheci pela mão de uma amiga que trabalhou sozinha na recuperação dos painéis:

Por fora... é preciso levantar bem os olhos!

Na parede interior tem este lindíssimo painel... e está bem recuperado!!!

Este edifício está junto à Praça D. João I, de resto o edifício tem o mesmo nome. Lá está um Banco, creio que se nota, mas podem entrar para ver!

De onde estava via um lugar que a alguns trará boas memórias... de alguns euros bem gastos!

A Tubitek estava fechada, pois claro!

E uns passinhos no sentido descendente...

Queria muito falar dos vários concerto que já vi no Sá da Bandeira... tantas memórias! (falta-me o tempo, mas aqui voltarei!)

E depois foi sempre a subir até:

Montra bem pensada.

Não resistimos ao apelo, acabado de abrir podemos saborear CAN...


... fresco!!!


As fotografias não são grande coisa, mas o que realmente interessa é despertar a curiosidade para que cada um de vocês tenha vontade de visitar a Cidade do Porto e perder-se por aqui ou ali.

Até já!





ps.: isto foi uma breve escapadinha, algo feito a correr... mas lembrei-me depois de lá estar.
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Jorge Ferreira
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Ter Ago 09 2016, 17:50


Magnificas Fotografias dessa magnifica cidade do Porto e da sua boa gente.

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zaratustra
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Ter Ago 09 2016, 18:03


Tópico cada vez mais giro e ilustrado!

Tenho de conhecer esse Café Bop!

Se não estou enganado, no lado direito do Teatro Sá da Bandeira havia umas escadinhas (escondidinhas) que nos levavam até perto da Rua Santa Catarina......
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 00:27


Até já gosto mais do Porto!
cheers
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Milton
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 09:28

Magnifico !
É um prazer estar aqui a ver esta visita guiada !
E a vontade de visitar o Porto cresce de dia para dia...

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agorgal
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 11:11

José Miguel escreveu:

...
Fui ao Mercado do Bolhão!

...
Apesar do Mercado estar a precisar muito de "ajuda", ainda conserva a beleza da arquitectura e das pessoas que o ocupam. Eu ainda andei pelos seus estreitos e coloridos corredores, dois dedos de conversa e saí pelo piso inferior do lado oposto ao que entrei. Existem obras a decorrer na fachada exterior, mas não chega... Ainda assim é um local a visitar!
...

José Miguel, permita-me complementar com mais alguma informação esse seu fantástico passeio por uma das zonas mais emblemáticas do Porto...

O Mercado do Bolhão (pensado numa filosofia de bazar árabe) é hoje uma pequena amostra do que foi até aos anos oitenta. Dividido por áreas de comércio, aqui as flores, ali a fruta, mais acima os talhos, no piso inferior as peixarias, ali os animais de capoeira vivos, do outro lado as hortaliças, mais abaixo os grãos e mais algumas lojas de comércio geral, dois pequenos restaurantes e um matadouro de aves de capoeira. Hoje apenas um terço do espaço está a ser utilizado. Muito degradado, afectado pelas obras do metro que lhe passa por baixo e a ameaçar ruína, foi perdendo a importância para os "continentes" da periferia da cidade, ele que afinal foi o percursor desses mesmos "continentes". Está em curso (iniciado à poucos dias) um processo de recuperação com reposição de todos os elementos decorativos originais, reforço da estrutura e uma futura revitalização do seu uso. Dois anos e (prometem) recuperará o seu esplendor.
A fachada principal é rematada por um frontão com as figuras do Comércio e da Agricultura da autoria do escultor Bento Cândido Silva e que se apresenta hoje mais ou menos assim:
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 12:14

José Miguel escreveu:

...
Como estava ali, desci mais um pouco até um ponto onde cor não falta e que conheci pela mão de uma amiga que trabalhou sozinha na recuperação dos painéis:

Por fora... é preciso levantar bem os olhos!
...
E depois foi sempre a subir até:

Montra bem pensada.
...

1.
O Palácio Atlântico, sede do antigo Banco Português do Atlântico possui efectivamente um dos mais belos conjuntos de azulejos decorativos que, um pouco por toda a cidade, embelezam as obras arquitectónicas de maior destaque nos anos 40/50.
"Roubo", (daqui: https://ruasdoporto.blogspot.pt/2006/04/praa-d-joo-i.html e com a devida vénia) este postal que apresenta a Praça D. João I tal e qual foi finalizada nos anos 50. Conhecida popularmente na altura pela "praça dos quatro cus" (dois dos cavalos e dois dos homens que os seguravam):

Um pequeno pormenor: ao lado do automóvel vermelho, visível no centro do postal, existia um pequeno "guichet" que permitia a qualquer condutor, sem sair do carro, ter acesso a alguns serviços bancários, nomeadamente depósitos... suponho ter sido a verdadeira precursora das nossas agora insubstituíveis ATM's.
Nunca percebi porque fizeram desaparecer do centro da praça a fonte luminosa que lá estava instalada. O argumento, tanto quanto me lembro, foi de que nos dias de calor se transformava numa piscina para a canalha... Pergunto eu: e porque não???

2.
A loja "Grundig" abriu recentemente, exactamente do outro lado da rua onde a "Grundig" teve, durante muitos anos, a sua grande loja do norte do País. Era a altura em que a Grundig montava em Portugal quase todos os seus equipamentos HIFI, a linha "Fine Arts" por exemplo. A actual Grundig oferece serviços de reparação de rádios antigos e tem uma oferta vasta de preciosidades (em venda ou apenas exposição). Merece uma visita.

3. e final:
Caro José Miguel, como apaixonados pela cidade, colaboremos ambos nesta saga de atrair os nossos confrades aqui do fórum para uma visita ao Porto.


PS:
Desculpem lá, já não há mais espaço, a cidade está lotada para visitantes.
É que já não vejo um portuense à duas semanas
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 12:53

TD124 escreveu:


Magnifico texto amigo "agorgal"... verdadeiramente uma "tranche de vie" como se diz aqui!

cheers

Obrigado pelas suas palavras. Espero que se divirta aqui pela cidade se bem que "4 ou 5 dias" é curto para descobrir o tudo o que temos para oferecer. Cultura, espaços verdes, diversão nocturna para todos os gostos e uma gastronomia que, só por ela, nos convida a ficar para sempre...
E desejo-lhe que encontre dias de sol porque é nesses dias que o brilho da cidade é mais intenso.
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 13:11

No fundo, bem lá no fundo, o acto de abrir este tópico (na altura eu e a Luciana pensamos...) pretendia mesmo isso: atrair as gentes de Norte e Sul, para que aí no Porto se pudesse partilhar umas conversas na mesa de um qualquer café.

Enquanto se ouvia por aqui Soft Machine estivemos a visitar uns livros e postais... não entramos por aí, mas como partilhou essa imagem da Praça, aqui deixo uma fotografia bem interessante da mesma:

Consegue-se ver a Praça assim como o edifício onde a Grundig ostentava o seu nome para toda a gente ver!
O livro de onde a fotografia foi tirada é este:

É um belo exemplar de fotografias da Cidade do Porto.


As minhas fotografias para já são tiradas com o telefone, e como ele é o que é... as fotografias são o que são.
Espero que por elas serem fraquinhas despertem ainda mais a vontade de visitar e ver ao vivo!


Há cá por casa postais antigos e livros que revelam a Cidade como ela já foi, há transformações que até custam...
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 13:58

Um belo livro de Teófilo Rego, um grande fotógrafo do Porto com um trabalho fascinante sobre a cidade e as suas gentes.
Pena que o arquivo deste fotógrafo esteja a ser tratado com pouco cuidado. A anotação da data na página que nos mostra é de "1946-50 estação de autocarros". Na realidade a fotografia é dos anos 80 sendo que a Praça D. João I nunca foi uma estação de autocarros mas apenas um ponto de paragem para a Foz e Gaia.

A câmara do telemóvel é de uma utilidade tremenda no que toca a apontamentos visuais. Pode não ter grande qualidade mas permite que nos vá mostrando os pontos de interesse que encontra nos seus trajectos. E é isso que importa.
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 14:28

agorgal escreveu:
Um belo livro de Teófilo Rego, um grande fotógrafo do Porto com um trabalho fascinante sobre a cidade e as suas gentes.
Pena que o arquivo deste fotógrafo esteja a ser tratado com pouco cuidado. A anotação da data na página que nos mostra é de "1946-50 estação de autocarros". Na realidade a fotografia é dos anos 80 sendo que a Praça D. João I nunca foi uma estação de autocarros mas apenas um ponto de paragem para a Foz e Gaia.
(...)

A anotação que vê no canto da página não se refere à fotografia em si, mas a uma fase em que essa Praça sofreu uma grande transformação (edificação...), a retoma do pós Grande Guerra que "transformou" o Porto... bem, no fundo a anotação só aí está porque a Cidade do Porto já foi alvo de um pequeno estudo por parte da Luciana.

A Praça foi um ponto de referência para os autocarros e para quem utilizava esse meio de transporte, isto se ainda me recordo bem do que na altura acompanhei, mas a anotação visa mesmo é não esquecer de falar de algo - uma espécie de chamada de atenção.

Aquela era a zona Central da Cidade e estava a transformar-se rapidamente, foram anos em que o Comércio e os Serviços sofreram uma pequena revolução.
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agorgal
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 15:34

José Miguel escreveu:
agorgal escreveu:
Um belo livro de Teófilo Rego, um grande fotógrafo do Porto com um trabalho fascinante sobre a cidade e as suas gentes.
Pena que o arquivo deste fotógrafo esteja a ser tratado com pouco cuidado. A anotação da data na página que nos mostra é de "1946-50 estação de autocarros". Na realidade a fotografia é dos anos 80 sendo que a Praça D. João I nunca foi uma estação de autocarros mas apenas um ponto de paragem para a Foz e Gaia.
(...)

A anotação que vê no canto da página não se refere à fotografia em si, mas a uma fase em que essa Praça sofreu uma grande transformação (edificação...), a retoma do pós Grande Guerra que "transformou" o Porto... bem, no fundo a anotação só aí está porque a Cidade do Porto já foi alvo de um pequeno estudo por parte da Luciana.

A Praça foi um ponto de referência para os autocarros e para quem utilizava esse meio de transporte, isto se ainda me recordo bem do que na altura acompanhei, mas a anotação visa mesmo é não esquecer de falar de algo - uma espécie de chamada de atenção.

Aquela era a zona Central da Cidade e estava a transformar-se rapidamente, foram anos em que o Comércio e os Serviços sofreram uma pequena revolução.

Conheci o Teófilo Rego e o trabalho dele. Ele é parte de um grupo de fotógrafos portuenses que me ensinaram muito. Achei estranha a anotação e como sou um grande adepto do rigor histórico...
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agorgal
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 15:48

Um edifício que não sendo um ex-libris da cidade não deixa de ter particular beleza é este:

Em estilo neo-árabe, em moda na época (e de que é máximo exemplo o Salão Árabe do Palácio da Bolsa - visita obrigatória) foi "depósito de materiais", ou seja armazém de produtos da Fábrica das Devesas, uma das mais bem conceituadas fábricas de azulejaria no norte.

E a agora muito famosa Livraria Chardron:
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Luciana Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 20:11

Não são discos nem imagens, são o denominador comum de tudo quanto existe ─ palavras. Para falar do Porto, temos de falar das suas gentes, por isso, revelo um poeta portuense que admiro muitíssimo.
Faustino Xavier de Novais no dia 18 de Novembro de 1855, escreveu o fabuloso poema:


Os Meus Desejos


Se fôra aos humanos dado
Santas leis desatender,
Tomando, por seu agrado,
Nova vida, novo ser;
Zombar do poder da morte,
E, livres do extremo corte,
Ter eterna duração,
Mais do que eu ninguém gozara:
Ninguém mais longe levára
Os seus votos d’ambição!

Quisera ser vento, e irado
Soprar do leste ou do sul,
E vento apenas pousado
Um chapeo sobre um taful,
Envolvêl-o na poeira:
Em seguida a cabelleira
Do janota desfazer;
E, se o tormento inda é pouco,
Fazêl-o andar, como louco,
Traz do chapeo a correr.


Ser mosca um anno quizera,
De dia e noite voar,
E em casas que eu escolhera,
Sem pedir licença, entrar;
Ir poisar em certa gente,
Deixar-lhe o signal patente,
Em alguns, sem dó, morder;
Correr os cantos sem mêdo,
Devassar muito segredo,
Vil-o cá fóra dizer.


Quizera ser pulga, e o dente
Aguçado sempre ter;
Para ─ como certa gente ─
D’alheio sangue viver;
D’algum parvo literato
Encaixar-me n’um sapato,
Ir-lhe aos ouvidos por fim,
E massando-o sem clemencia,
Roubar-lhe tanto a paciencia,
Como elle m’a rouba a mim.

Mas a ideia, o pensamento
De per si que força teem,
Se os desejos que alimento
Realisar não póde alguém?
Serei homem toda a vida,
Para mim aborrecida
Sem jamais mudar de ser;
─ Inda bem que é livre a imprensa!
Sandices que o homem pensa
Póde-as, afoito, dizer.

Frontal e satírico, como todos nós, em pensamento, somos.
E que bem que encerra o Porto.
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reirato
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 21:15

Isto é mais da Arqueologia do Porto!? ...

Um dos altares do culto da má vida e da estúrdia do Porto no fim dos anos sessenta e dos setenta até à Revolução....


O famoso Bar Borges, ali à rua do Bonjardim, entre Sá da Bandeira e D.João I...

Deixava lá num serão o ganhava numa semana!...

Mas era uma auténtica instituição sacralisada... Com uns rituais e umas sacerdotisas!!!

Propriedade da Casa Borges, dos Vinhos à Banca todo um império....


king
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 21:16

Que belo, belo poema!!!

Esse livro chegou em boa hora e merece todo o destaque possível. Além disso esconde uma história que bem revela como a gente do Norte é incrível e de uma capacidade de dar que parece nunca terminar...

Não, não são apenas as pessoas do Norte, os Portugueses são um povo dedicado e solidário, sempre souberam dar!
Wink
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Luciana Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 21:38

reirato escreveu:
Isto é mais da Arqueologia do Porto!? ...

Um dos altares do culto da má vida e da estúrdia do Porto no fim dos anos sessenta e dos setenta até à Revolução....


O famoso Bar Borges, ali à rua do Bonjardim, entre Sá da Bandeira e D.João I...

Deixava lá num serão o ganhava numa semana!...

Mas era uma auténtica instituição sacralisada... Com uns rituais e umas sacerdotisas!!!

Propriedade da Casa Borges, dos Vinhos à Banca todo um império....


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Essa vida de marinheiro.... Laughing
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agorgal
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 21:57

Pegando nas palavras da Luciana "são o denominador comum de tudo quanto existe ─ palavras":
Almeida Garrett, mais um filho ilustre desta cidade, escreveu que
"se na nossa cidade há muito quem troque o b por v, há pouco quem troque a liberdade pela servidão."
Esse horror pela servidão é o elemento distintivo da personalidade tripeira. E que me orgulha particularmente.

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agorgal
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 21:59

reirato escreveu:
Isto é mais da Arqueologia do Porto!? ...

Um dos altares do culto da má vida e da estúrdia do Porto no fim dos anos sessenta e dos setenta até à Revolução....


O famoso Bar Borges, ali à rua do Bonjardim, entre Sá da Bandeira e D.João I...

Deixava lá num serão o ganhava numa semana!...

Mas era uma auténtica instituição sacralisada... Com uns rituais e umas sacerdotisas!!!

Propriedade da Casa Borges, dos Vinhos à Banca todo um império....


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Caro Reirato, por acaso não está a falar da Regaleira onde, segundo consta, nasceram as "francesinhas"?
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reirato
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 22:35

agorgal escreveu:


Caro Reirato, por acaso não está a falar da Regaleira onde, segundo consta, nasceram as "francesinhas"?

Não! Não! Era mesmo o Bar Borges! Oh, se era  Rolling Eyes ... saudades dos meus vinte anos!...

Olhe aqui:  "... Concluindo. À esquerda ficava o Bar Borges, refúgio dos "africanistas" e ponto de encontro para negócios. Normalmente acompanhados por belas figuras femininas. À direita a Brasileira do Telles, cujo edifício entrou finalmente em obras. Era outro ponto de encontro mas este das gentes do Teatro (Sá da Bandeira e Rivoli aqui a dois passos) e de alguns futebolistas de outrora. Pinga, Barrigana e uns tantos outros. Ainda à esquerda, está a travessa dos Congregados, que era recheada de restaurantes, que já foram do Povo... ...",

in " http://portojofotos.blogspot.pt/2011/03/rua-do-bonjardim.html  "

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agorgal
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Qua Ago 10 2016, 23:52

reirato escreveu:
agorgal escreveu:


Caro Reirato, por acaso não está a falar da Regaleira onde, segundo consta, nasceram as "francesinhas"?

Não! Não! Era mesmo o Bar Borges! Oh, se era  Rolling Eyes ... saudades dos meus vinte anos!...

Olhe aqui:  "... Concluindo. À esquerda ficava o Bar Borges, refúgio dos "africanistas" e ponto de encontro para negócios. Normalmente acompanhados por belas figuras femininas. À direita a Brasileira do Telles, cujo edifício entrou finalmente em obras. Era outro ponto de encontro mas este das gentes do Teatro (Sá da Bandeira e Rivoli aqui a dois passos) e de alguns futebolistas de outrora. Pinga, Barrigana e uns tantos outros. Ainda à esquerda, está a travessa dos Congregados, que era recheada de restaurantes, que já foram do Povo... ...",

in " http://portojofotos.blogspot.pt/2011/03/rua-do-bonjardim.html  "

king

Pois então o Bar Borges já não é do meu tempo... pelo menos não guardo recordação dele. Da Brasileira, claro que sim, da travessa dos Congregados e dos seus restaurantes que "já foram do Povo" mas que continua a ser uma rua aonde ir se o desejo de uma boa refeição se sobrepuser ao resto...
Desse pedaço da Rua do Bonjardim ainda recordo o "Rei dos Queijos", hoje encerrado e onde se podia apreciar um excelente queijo da Serra.
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Luciana Silva
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MensagemAssunto: Re: À descoberta do Porto!   Sex Ago 12 2016, 15:24

Para contornar um ligeiro transtorno e porque “depois da tempestade, há sempre um raio de bonança”, ontem foi tarde de tocar na beleza do Porto. Ar poluído, agressivo para as vias respiratórias, “chuva de faúlhas suja tolos”, tons esbatidos que prenunciam a morte de mais uns hectares da natureza do nosso País, neblina de fumo e, por trás de todos estes males, um Porto incrivelmente perturbante, bonito, choroso de fumo… pedia para o agarrarmos. Vejam que triste beleza:



A Ponte da Arrábida desenhava o seu arquinho sobre o Rio Douro numa penumbra raramente vista nos meses de Verão:



E o tráfego fluvial (cada vez mais intensificado) manipulava o rio e fazia-nos esquecer o peso do ar e o ardor nos olhos… O Douro ganhou novo fulgor…



Para terminar o pequeno passeio por esta linda terra, visitamos o jardim mais bonito que os meus olhinhos já enxergaram. Um jardim vertical, esboçado em socalcos, com uma panorâmica abrangente e muito intimista. Eis o nosso Jardim das Virtudes:




(Fotografia tirada na esplanada da Cooperativa Artística Árvore)

Encantados com a beleza, mas ansiosos por recuperar um ar mais límpido, acabamos a tarde a tocar no fertilizante natural do mar -- o sargaço poveiro.



Na praia as faúlhas também nos remetem para o fogo que consome Portugal e todos os que nele habitam. Pesar de todos nós que ansiamos o fim.

E nas nossa cabeças, durante o passeio, cantarolamos em sotaque nortenho:

https://www.youtube.com/watch?v=rNNxqUHx8_w

flower



ps.: as fotografias não têm qualquer tipo de filtro, o telefone apenas captou tudo o que andava no ar.
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