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 À Volta da Musica

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TD124
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MensagemAssunto: À Volta da Musica   Sab Abr 16 2016, 12:19

Todos gostamos de musica é evidente, e creio ser mesmo esse agrado a faisca que incendiou o gosto pelo audio. No entanto não a vivemos todos da mesma maneira pois somos diferentes... então hà os que gostam de ler enquanto escutam, de dançar, de reflectir, trabalhar, beber um néctar elevador e todas as variantes que existem, pois tantas quanto hà de seres ...

Na continuidade da minha discussão com a Luciana no "toca mas não roda", decidi de fazer um topico aonde possamos falar da musica, mas também dos momentos à volta dela, dos rituais ou dos instantes màgicos aonde esta arte, no tempo de um instante foi a base do inefàvel...

Começo então por uma historia hà alguns anos atràs num jantar com amigos aqui em casa. Tinha feito carne de vaca em reçeita "Strogonoff" e durante a refeição uma amiga diz-me: Paulo, estamos a comer comida russa, e tu nunca nos metes musica russa ora que deves conheçer algumas muito belas...

Pensei..., e perguntei-lhes se conheciam os violinos ciganos russos, ao qual todos me responderam pela negativa. Subi então mudar de disco e puz a musica que està aqui no YouTube:



O silênco fez-se à volta da mesa... um sentimento indescritivel de melancolia e de rasgo intimo pairava no ar durante a faixa. No espaço de alguns minutos, cada um encontrou nesta musica longinqua para todos... um espaço familiar aonde puderam se a apropriar...   um momento magico à volta da musica !!!...

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Il semble que la perfection soit atteinte, non quand il n'y a plus rien à ajouter mais quand il n'y a plus rien à retrancher... Antoine de Saint-Exupéry
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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: À Volta da Musica   Sab Abr 16 2016, 13:48

Um belo tópico, onde a liberdade discursiva poderá ser usada para relatar experiências com a música.


Há um outro Tópico aberto em que abordamos a componente lírica das canções e refiro esse Tópico porque ainda hoje nos estimulamos pela via dos poemas.
As nossas trocas acontecem desde os primeiros dias, já distantes no tempo, mas próximas na memória.

Ainda hoje falamos das mesmas canções, parece que construímos um belo caminho com pavimento de palavras e sons que confortam e desconfortam, porque é no aparente paradoxo do mais e do menos que vamos sentindo e pensando.

Como estou a trabalhar não consigo ouvir os Violinos, mas posso deixar umas palavras:

I can't see the meaning of this life I'm leading
I try to forget you as you forgot me
This time there is nothing left for you to take, this is goodbye

Summer is miles and miles away
And no one would ask me to stay

And I should contemplate this change
To ease the pain
And I should step out of the rain
Turn away

Close to ending it all, I am drifting through the stages
Of the rapture born within this loss
Thoughts of death inside, tear me apart from the core of my soul

Summer is miles and miles away
And no one would ask me to stay

And I should contemplate this change
To ease the pain
And I should step out of the rain
Turn away

At times the dark's fading slowly
But it never sustains
Would someone watch over me
In my time of need

Opeth - in my time of need.


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TD124
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MensagemAssunto: Re: À Volta da Musica   Sab Abr 16 2016, 14:09

José Miguel escreveu:
Um belo tópico, onde a liberdade discursiva poderá ser usada para relatar experiências com a música. ...

...And I should contemplate this change
To ease the pain
And I should step out of the rain
Turn away

Close to ending it all, I am drifting through the stages
Of the rapture born within this loss ...

Opeth - in my time of need.

Não conhecia e fui descobrir no YouTube... então fez-me pensar (no espirito) à canção Belladonna dos UFO:

Came from passion, and you gave it a name
The fingers are poisoned like needles in the drivin' rain
So smile discreetly as you watch with such grace
Now I must slip away, but can you forget my face



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Luciana Silva
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MensagemAssunto: Re: À Volta da Musica   Sab Abr 16 2016, 23:35

Desta vez não vou relatar a minha relação com a música, mas sim um episódio da minha juventude ao lado de um desconhecido que ocupava um lugar imediatamente colado ao meu. Se a memória não me falha, deveria estar com 17/18 anos concluídos quando decidi, como era hábito, assistir a um concerto de piano. A sala alocava os “apreciadores” da música por ordem, ainda que poucas cadeiras estivessem ocupadas, eu entrei e ocupei o lugar que me pertencia. Poucos segundos depois sentou-se ao meu lado um senhor que aparentava ter média idade e muita serenidade. Na fila eramos os únicos. Tudo estava calmo até o piano ser bem tocado, mas após a primeira tecla ser pisada, o senhor do lado começou a mover-se na cadeira, a suar, desapertou a camisa, fechou os olhos e manteve-se naquele êxtase até ao final do concerto.
Aquele concerto foi tão perturbante para mim que se visse o senhor na rua, conhecê-lo-ia (digo isto sem contar com o envelhecimento natural do senhor) Wink
Não sei o que se passou na cabeça do senhor, sei que eu pouco ouvi do concerto (Não me lembro do nome do músico, lembro-me apenas que tocou Mussorgsky)…


A música é mesmo algo de primitivo!!
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TD124
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MensagemAssunto: Re: À Volta da Musica   Dom Abr 17 2016, 19:04

Luciana Silva escreveu:
... É curioso pensar a beleza como capaz de provocar sentimentos duais… Platão dizia que a percepção da beleza origina a “anamnese”, a reminiscência do conhecimento do real (a priori), e que a sua apreensão atraia a alma para uma ascensão espiritual.

A beleza sempre suscitou espanto e incompreensão, sempre foi atirada para os meandros da contemplação por não ter limites nem definição concisa. É verdade que “tocar” nela provoca sensações que estão para além do mensurável, explicável, afirmável… Se me permite a comparação, se a beleza tivesse cor seria Branca, a cor que habita a neve, a cor que refecte todas as cores e não consome nenhuma…

Como portuguesa, voce deveria compreender o dualismo da beleza... pois uma palavra como "saudade", que não pode ser traduzida em nenhuma lingua... evoca tanto a dor que a alegria ou a mistura dos dois, ao ponto de marcar a cultura portuguesa de uma maneira profunda...

O filosofo Cioran escreveu que existe culturalmente três formas de tristeza, que são a Hungara a Portuguesa e a Russa !!!... ora estes povos fizeram da tristeza uma fonte de beldade, pela poésia, musica e outras formas de arte... sendo essa tristeza a base do Fado... então a beleza é dual efectivamente...

E para uma portuguesa a neve é imaculada, pura e bela... ora que para um Russo ela é o seu pior pesadelo, pois fria, austera e mortal... mas ele também acaba por ver uma certa poesia à volta...

Deixo-lhe com uma canção de um grupo de rock soviético à volta da neve, que é magnifica e que traduzi para si, e que ouvi muito no dia em que me separei da minha primeira mulher (que tinha conhecido e com quem casei na russia), então também é uma historia à volta da musica !!!...



Vento, nevoeiro e neve
Estamos sozinhos nesta casa
Não temas o barulho na janela
È o vento do norte… estamos nas suas mãos
Mas o vento do norte é um amigo
È o guarda de todos os segredos
Ele limpa o céu das nuvens
Deixando entrever a estrela Adelaida*
Lembro-me do movimento dos làbios
O entrelaçar dos nossos dedos
Ouvi dizer que o tempo limpa tudo
Tu ouves o bater do coração… como uma picareta contra a pedra
E não hà pecado ném vergonha
Ném orgulho ném ofensa
Hà simplesmente o vento do norte… que me desperta
Deixando entrever a estrela Adelaida*  ...


* A Estrela Adelaida (Аделаида) como o nome feminino Adelaide, é em russo a estrela do norte ou a estrela polar...

Penso que apos o video e as palavras... verà a neve e o concepto de beleza como uma visão desuniforme...

PS: E visto que viu a beleza através dos "abismos da neve" do Cashmore/Antony, deixo-lhe um outro album melancolico à volta da neve que é o "50 palavras para a neve" da imensa Kate !!!...

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Luciana Silva
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MensagemAssunto: Re: À Volta da Musica   Qua Abr 20 2016, 23:13

TD124 escreveu:
Luciana Silva escreveu:
... É curioso pensar a beleza como capaz de provocar sentimentos duais… Platão dizia que a percepção da beleza origina a “anamnese”, a reminiscência do conhecimento do real (a priori), e que a sua apreensão atraia a alma para uma ascensão espiritual.

A beleza sempre suscitou espanto e incompreensão, sempre foi atirada para os meandros da contemplação por não ter limites nem definição concisa. É verdade que “tocar” nela provoca sensações que estão para além do mensurável, explicável, afirmável… Se me permite a comparação, se a beleza tivesse cor seria Branca, a cor que habita a neve, a cor que refecte todas as cores e não consome nenhuma…

Como portuguesa, voce deveria compreender o dualismo da beleza... pois uma palavra como "saudade", que não pode ser traduzida em nenhuma lingua... evoca tanto a dor que a alegria ou a mistura dos dois, ao ponto de marcar a cultura portuguesa de uma maneira profunda...

O filosofo Cioran escreveu que existe culturalmente três formas de tristeza, que são a Hungara a Portuguesa e a Russa !!!... ora estes povos fizeram da tristeza uma fonte de beldade, pela poésia, musica e outras formas de arte... sendo essa tristeza a base do Fado... então a beleza é dual efectivamente...

E para uma portuguesa a neve é imaculada, pura e bela... ora que para um Russo ela é o seu pior pesadelo, pois fria, austera e mortal... mas ele também acaba por ver uma certa poesia à volta...

Deixo-lhe com uma canção de um grupo de rock soviético à volta da neve, que é magnifica e que traduzi para si, e que ouvi muito no dia em que me separei da minha primeira mulher (que tinha conhecido e com quem casei na russia), então também é uma historia à volta da musica !!!...



Vento, nevoeiro e neve
Estamos sozinhos nesta casa
Não temas o barulho na janela
È o vento do norte… estamos nas suas mãos
Mas o vento do norte é um amigo
È o guarda de todos os segredos
Ele limpa o céu das nuvens
Deixando entrever a estrela Adelaida*
Lembro-me do movimento dos làbios
O entrelaçar dos nossos dedos
Ouvi dizer que o tempo limpa tudo
Tu ouves o bater do coração… como uma picareta contra a pedra
E não hà pecado ném vergonha
Ném orgulho ném ofensa
Hà simplesmente o vento do norte… que me desperta
Deixando entrever a estrela Adelaida*  ...


* A Estrela Adelaida (Аделаида) como o nome feminino Adelaide, é em russo a estrela do norte ou a estrela polar...

Penso que apos o video e as palavras... verà a neve e o concepto de beleza como uma visão desuniforme...

PS: E visto que viu a beleza através dos "abismos da neve" do Cashmore/Antony, deixo-lhe um outro album melancolico à volta da neve que é o "50 palavras para a neve" da imensa Kate !!!...


Depois de exaustivos dias de trabalho, procuro o lazer…

De facto o dualismo encontra-se presente na beleza, na saudade, na tristeza, na vida, na morte e arrisco a dizer que em todas as esferas humanas (incluo aqui, claro está, a representação que o Homem faz do mundo). Se existe dois géneros de “coisas” no domínio Homem (mente-corpo) como não iria existir em tudo o que por ele é pensado?

Falamos da beleza enquanto conceito (artístico) dual, mas parece-me possível generalizar o dualismo de “X ou Y coisa” como impulsionador da arte. A percepção sensorial que o homem tem de “cada coisa” permite-lhe moldá-la/vergá-la a “outra coisa”, recriá-la sob outra forma. Julgo que toda a arte nasce disto, da escuta (eternamente) dual do que nos circunda, da modelagem dela.

A música que deixou revela bem a duplicidade dos termos transformados em conceitos. O vento, o nevoeiro, a neve, o amor, o desamor, a presença, a ausência, o fim, a lembrança e o entrever da estrela que orienta um novo caminho a percorrer, mas também estabiliza o percorrido…
Agradeço a tradução, é um poema muito bonito e uma música diferente para os meus ouvidos. Gostei muito!

O álbum da Kate Bush é distinto pelas histórias que contam… tão interessantes... suscitas imagens belíssimas! Se o pudesse representar, faria um exercício de cinanima. Está muito bem conseguido… só não estimo a voz… tenho um problema com vozes femininas, gosto de muito, muito poucas e as que gosto, amo!

Depois do Paulo e das músicas escolhidas por si, vou ouvir um mal-lhe-querem que eu gosto muito. Smile
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jorge.henriques
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MensagemAssunto: Re: À Volta da Musica   Qui Abr 21 2016, 14:10

TD124 escreveu:





Excelente disco!!! Também o tenho há já uns bons anos :-)
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TD124
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MensagemAssunto: Re: À Volta da Musica   Ter Maio 31 2016, 11:50

José Miguel escreveu:
(...)O Paulo pode tentar separar Razão de Emoção, mas não estou certo que vá conseguir, tal como ninguém até hoje o conseguiu. Escrever que as duas partes de um estão separadas é simples, revelar essa separação é que já não é bem assim...

Amigo José, não tento separar pois jà o estão desde o inicio. O ser humano à nascensa é pura emoção e a razão não existe... ela vai-se criar eventualmente com o crescer, educação e outros estimulos internos/externos. Mas o dualismo se é longo a explicar, é facilmente representàvel:
- Como se separam?
- Quais os limites?


- Existe acção completamente racional?

Como a David Hume provou no Tratado da natureza humana Não!!!... mas, talvez não tenha razão

- Existe acção completamente emocional?

Teoricamente ao momento da nascensa e antes da consciência identaria sim !!!... mas, mas, mas essa pergunta é mais complicada...

- Até onde chegamos no nosso auto-conhecimento colectivo e individual para afirmar a separação de algo que está em cada um de nós e tem tanto de individual como de colectivo?

A razão é algo em movimento e uma construção intelectual, então socialmente chama-se (justiça) e individualmente (moral), e é subordinada ao contexto social/religioso do individuo e da sociedade. A emoção que està ligada ao instinto natural humano que é um animal vai evoluir pelo controlo pela razão...

Eis brevemente (muito brevemente...) a minha resposta !!!
 cheers
(...)

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José Miguel
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MensagemAssunto: Re: À Volta da Musica   Ter Maio 31 2016, 12:28

Bom dia/tarde Paulo!

Quero elogiar o facto de se ter lembrado de trazer para aqui esta nossa conversa, é o lugar certo para ela.
Neste momento estou a ouvir Janis Joplin e ler as suas palavras, ouvir as dela... bem, algo sairá em palavras de mim.


Vou começar pelo meio, porque curiosamente David Hume tem sido tema de conversa aqui em casa. Deixo uma imagem de duas páginas da sua obra incrível: Tratado da Natureza Humana. É da parte IV - O sistema céptico e outros sistemas de filosofia.

Dá para perceber que o próprio Hume teria as suas dúvidas e que perante elas não baixou os braços e lançou-se sempre um pouco mais adiante. Tentou e a meu ver, independentemente de concordar com tudo ou com parte, conseguiu chegar muito longe e possibilita que cada um de nós hoje esteja um passo à frente face ao passado (antes desta obra).

Como dá para perceber eu partilho parte das ideias do Paulo, o Homem é um Ser Social e está impregnado de Educação. Achei bonita a história que contou sobre o facto de ouvir um autor - Bowie (referiu ainda Pink Floyd) - porque na altura havia a reunião de factores que a isso conduzia. O Paulo conscientemente cortou esse laço social e passou a olhar para a música de Bowie de forma diferente.

Aqui chegado lembro que já falamos muito sobre o facto das coisas serem o que nelas colocamos - tenho dito eu e disse-o a Luciana, tal como nos disse Kant entre outros. Esse exemplo da forma como a perspectiva sobre um álbum ou banda ou um autor mudou é bastante interessante e revela bem que as coisas não estão cristalizadas, nós não chegamos até elas como elas são "em si mesmas". Nós mudamos e o mundo muda connosco.
Fernando Pessoa disse algo inacreditavelmente certo e belo: Dói-me o Universo porque me Dói a Cabeça. (cito de memória)

Quando questionei como se consegue separar Razão de Emoção, questionei porque não acredito nessa divisão e sei que uma e outra coisa existem, são diferentes... mas participam de igual forma para que Eu ou outro Homem exista. É como tentar separar duas faces de uma moeda... a Aparência é diferente, mas a Matéria é a mesma!

Colocou em imagem Yin e Yang, mas não estou certo que um exista sem o outro... existe?
O Universo existiria só com um num dado (micro.segundo que seja) sozinho?

Com o Homem é igual... Quando me provarem que o Homem existe num determinado momento (espaço/tempo) apenas emocional ou racional eu deixarei cair a tese...

Hume não poderia falar de Genética como hoje nós podemos, mas nem no acto de nascença somos apenas emoção... nem ao morrermos seremos apenas Razão depois de toda a aprendizagem.

A fecundação de um óvulo por um espermatozóide dá-se e nesse momento um novo Ser nasce. Mas atenção, óvulo e espermatozóide não são "nada", já são algo que ao juntarem as suas características promovem nascimento. Ainda não podemos falar de Emoção ou Razão, mas uns meses mais adiante sim.. mas já não podemos falar é de coisas separadas - a meu ver claro!

Adoraria poder falar do "grau zero" de desenvolvimento do Homem (individual) e da Sociedade (colectivo), mas fica complicado. Falar da "besta" ou do "bom selvagem"...

Acredito que "U-Topos" significa apenas Não Lugar Presente e cá estarei a lutar não por um racionalismo vazio e frio que nos conduziu ao Mundo que hoje temos, mas para LUTAR por um Lugar diferente e melhor que "não existe no presente" e por isso é "U-Topos".

Não espero que ninguém me siga, mas estou certo que uma acção desencadeia outras - teoria do caos... e se bater as asas aqui, talvez...

Agora vou cozinhar, bater as asas na cozinha para que daqui a nada veja um sorriso no rosto de outra pessoa! Wink


Espero continuar a falar e poder falar destas coisas, afinal de contas a música não parou.
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Mister W
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MensagemAssunto: Re: À Volta da Musica   Ter Maio 31 2016, 20:36

TD124 escreveu:

... então fez-me pensar (no espirito) à canção Belladonna dos UFO:

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Belo tópico de histórias de música e de vida...  2cclzes

Os UFO foram uma das primeiras bandas que tive o prazer de ver ao vivo. Decorria a segunda(?) metade da década de 80, quando a banda de Phill Mogg veio a Portugal pela 1ª vez, para um concerto no há muito extinto pavilhão de Alvalade.

Já sem o Mick Bolton ou o Michael Schenker (infelizmente), os UFO arrasaram, mas o concerto ficou igualmente marcado por (vários) outros motivos.

Á "boa" maneira de então, o pavilhão (cuja cobertura era num qualquer tipo de fibra) foi literalmente furado por um vasto grupo de Punks que invadiram o recinto num momento único de confusão e punkada. Eu e a minha turma, que estávamos na bancada onde a invasão ocorreu, fomos forçados a fugir para a multidão que se juntava em frente ao palco... e lá permanecemos. Apesar dos invasores (que conseguiram permanecer no recinto e assistir gratuitamente ao espectáculo), o tumulto acalmou e a festa lá prosseguiu...

Como estávamos em período de Carnaval, a organização (inteligente) lembrou-se de abrilhantar a 1ª parte com um colectivo de música afro-latino-qualquer coisa. Como seria de esperar, esta banda "carnavalesca" não conseguiu sequer terminar o primeira tema, por força da imensidão de copos (e outros objectos) arremessados para o palco... enquanto o público gritava em uníssono: U.F.O., U.F.O., U.F.O.!!!!

E a parte menos boa, ou melhor, a parte má, muito má...
O meu amigo Zé Alberto, que assistiu ao concerto comigo, faleceu no dia seguinte num acidente de viação...
RIP

Boas ou más, alegres ou tristes, venham mais histórias...
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MensagemAssunto: Re: À Volta da Musica   Qua Jun 01 2016, 11:07

Mister W escreveu:
(...)O meu amigo Zé Alberto, que assistiu ao concerto comigo, faleceu no dia seguinte num acidente de viação...
RIP

Boas ou más, alegres ou tristes, venham mais histórias...

Apòs a tua bela historia... tenho uma parecida pois mistura a morte mas ao contrario temporalmente!
Em 2010 os GYBE! reformam-se com o Moya de novo e decidem de fazer um ultimo tour mundial. O meu amigo Patrick (o da cave...), ofereçe-nos pois fazemos anos em Novembro aos dois o ultimo concerto dos GYBE em Londres no dia 14 de Dezembro e estamos doidos de vê-los pela primeira vez todos reunidos de novo, pois jà tinhamos feitos vàrios concertos deles mas sém o Moya... mas como não é o homém que decide "mas Deus" como diz o ditado, a minha mãe faleceu alguns dias antes do concerto...

A minha primeira reação foi de anular o concerto e de passar o meu bilhete a um amigo, mas os bilhetes de avião não se passam tão fàcilmente... então decidi de partir e no dia 14, o Patrick està à minha espera no aeroporto de Toulouse aonde cheguei de Lisboa, e à bomba descemos até Montpellier para apanhar o nosso voo para Londres. Não era um dia de grande moral como se pode imaginar, mas desde o avião começàmos a beber bejecas e a tentar esqueçer a realidade...

Algumas horas depois estàvamos no Troxy e a abertura clàssica dos GYBE! com a projeção do HOPE acompanhada por uma execução épica e desinvolta do tema MOYA, transformou-se num hino à vida e o mais lindo Requiem para a minha mãe. Vivi então o maior concerto da minha vida, partilhado entre a funesta resolução da vida e a grandiloquência da musica o que relativisa a existência... foi algo de mistico e inesquécivel !!!!

Deixo uma foto do concerto cheers

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